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INFLUÊNCIA SOCIOCULTURAL NAS PAISAGENS NATURAIS: REFLEXÕES ACERCA DO ENSINO DE ETNOGEOMORFOLOGIA

Santos Daniel, Lucas; Ozório, Elaine

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ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 INFLUÊNCIA SOCIOCULTURAL NAS PAISAGENS NATURAIS: REFLEXÕES ACERCA DO ENSINO DE ETNOGEOMORFOLOGIA Lucas Santos Daniel 1 Elaine Cristina Ozório² Resumo: Os conteúdos relacionados às dinâmicas ambientais são, frequentemente, tratados de maneira dissociada das práticas sociais. Essa perspectiva, herança de uma tradição positivista, ainda influencia o estudo das paisagens e da Geomorfologia, contribuindo para o afastamento entre o conhecimento escolar e os saberes dos sujeitos. Diante disso, este artigo, por meio de uma abordagem qualitativa, tem como objetivo investigar como o conceito de Etnogeomorfologia, aplicado à observação da paisagem, pode contribuir para um ensino mais significativo, que valorize os saberes locais. Ao compreender o relevo como parte integrante da vivência cotidiana, e não apenas como um objeto técnico de estudo, essa perspectiva favorece uma leitura mais crítica e contextualizada do espaço e das paisagens. A partir disso, espera-se ampliar o acesso ao conhecimento científico, fortalecendo o protagonismo dos sujeitos na construção do saber e contribuindo para a formação de cidadãos críticos, conscientes de seu lugar no mundo e capazes de transformá-lo. Palavras-chave: Etnogeomorfologia. Ensino de Etnogeomorfologia. Ensino de Geografia. INTRODUÇÃO Os conteúdos relacionados às dinâmicas ambientais, com frequência, são abordados de forma dissociada das atividades sociais. Essa perspectiva técnicodescritiva, que fragmenta o espaço em natural, social e cultural, consolidou práticas pedagógicas descontextualizadas da realidade vivida pelos estudantes, reduzindo elementos como o relevo, o solo e o clima a meros objetos de classificação e memorização. Essa herança de uma tradição positivista e eurocentrada, presente no ensino de Geografia, especialmente no estudo das paisagens e dos componentes geomorfológicos, contribuiu para o distanciamento entre o conhecimento escolar e os saberes dos sujeitos. Como consequência, muitos alunos passam a perceber a natureza como algo externo, alheio à sua vivência cotidiana e desvinculado de suas práticas sociais. Diante desse cenário, torna-se urgente repensar as formas de ensinar e aprender sobre os componentes naturais do planeta, buscando romper com a separação entre conteúdo escolar e os conhecimentos construídos nos territórios populares. O conceito de paisagem, nesse contexto, deixa de ser entendido apenas como resultado das dinâmicas físico-naturais ou como um conjunto de formas visíveis, para ser reconhecido como uma expressão histórica, simbólica e cultural das interações entre sociedade e natureza. Compreendê-la como um registro vivo das ações humanas e dos múltiplos tempos sedimentados no espaço permite articular o conhecimento geomorfológico às experiências, memórias e práticas dos sujeitos que habitam esses territórios. 1 Licenciando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro na Faculdade de Formação de Professores (UERJ/FFP), geo.luca[email protected]m ² Mestre em Planejamento Urbano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e docente do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro na Faculdade de Formação de Professores (UERJ/FFP). ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 É nesse sentido que este artigo, fundamentado em uma abordagem metodológica qualitativa e ancorado na revisão de literatura, tem como objetivo explorar como o conceito de Etnogeomorfologia, aplicado à observação da paisagem, pode contribuir para um ensino mais significativo, que valorize os saberes locais. A partir dessa análise, busca-se compreender como o ensino das dinâmicas ambientais — especialmente do relevo, foco deste trabalho — pode e deve estar vinculado às práticas sociais, reconhecendo a contínua interação entre ambiente e sociedade. Assim, apresenta-se a Etnogeomorfologia como uma abordagem crítica e contra-hegemônica no campo da Geografia. Ao promover o diálogo entre os saberes científicos e os saberes populares e tradicionais sobre o relevo, essa perspectiva valoriza os modos de vida, as interpretações simbólicas e os conhecimentos produzidos fora dos espaços acadêmicos formais. Mais do que uma alternativa metodológica, a Etnogeomorfologia representa uma ampliação epistemológica e política, ao reconhecer os sujeitos como protagonistas na produção do conhecimento ambiental e na construção de sentidos sobre a paisagem. A INFLUÊNCIA DO PROCESSO HISTÓRICO-CULTURAL NA PAISAGEM A paisagem, na Geografia, ultrapassa sua dimensão física e visual, sendo também uma expressão das práticas humanas e das simbologias culturais que se sedimentam no espaço ao longo do tempo. Sob esse ponto de vista, Bertrand (2004) destaca que a paisagem não se trata de um objeto no qual são adicionados diversos elementos geográficos, mas considera a mesma como uma resultante de interações dinâmicas e instáveis entre componentes físicos, biológicos e sociais, que se influenciam mutuamente e estão em constante transformação. Essa compreensão reforça a ideia de que a paisagem não deve ser analisada de forma fragmentada, separando-a em dimensões naturais e sociais, mas, pelo contrário, ela deve ser entendida em sua totalidade, como resultado da interação entre esses elementos. Mendonça (2025), ao refletir sobre o diálogo entre a Geografia e a questão ambiental, destaca que o aspecto social é uma dimensão fundamental nessa relação, especialmente ao considerar que cada sociedade estabelece formas distintas de se relacionar com o meio natural. Como aponta Mendonça (2025), é necessário reconhecer que essa relação assume configurações específicas em cada contexto, pois está profundamente enraizada nas condições históricas, culturais, econômicas e ambientais de cada lugar. Isso significa que, embora existam processos socioambientais globais, as formas como as sociedades interagem, significam e transformam o meio natural variam de acordo com suas experiências locais, seus modos de vida e suas visões de mundo. Partindo desse entendimento, compreende-se que a paisagem, enquanto expressão espacial dessa relação entre sociedade e natureza, não é apenas um cenário neutro ou um conjunto de formas visíveis, mas sim um produto de múltiplos tempos e ações humanas acumuladas no espaço. Como afirma Santos (1996), a paisagem é uma materialidade carregada de intencionalidades históricas, o que nos obriga a vê-la não apenas como aquilo que se vê, mas também como aquilo que ela representa cultural e simbolicamente. A paisagem, portanto, é resultante de ações humanas contínuas, mediadas por valores, crenças, práticas sociais e visões de mundo que, ao longo do tempo, vão sendo incorporadas e inscritas nos lugares. Dessa maneira, Villas Boas (2024) observa que a paisagem deve ser compreendida a partir da experiência cotidiana, carregada de afetos, significados e saberes construídos socialmente, os quais se expressam nas formas do relevo e nas relações estabelecidas com o ambiente. ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 Assim, a paisagem torna-se uma síntese concreta das relações históricas entre o natural e o social, tornando-se um registro vivo e visível das escolhas, conflitos e significados que as sociedades atribuem ao espaço que habitam. Desse modo, ao invés de ser analisada de forma fragmentada, a paisagem deve ser compreendida como uma totalidade dinâmica, onde a natureza é sempre interpretada, apropriada e transformada socialmente Além disso, compreender a paisagem como um produto das práticas sociais historicamente situadas permite integrá-la ao cotidiano dos sujeitos, favorecendo processos educativos mais significativos. No contexto escolar, por exemplo, essa abordagem pode ser mobilizada para promover o reconhecimento dos lugares vividos pelos estudantes como espaços legítimos de produção de conhecimento geográfico. Segundo Daniel (2025), a valorização das experiências locais, os saberes populares e as memórias construídas nos territórios, corrobora para que o ensino de Geografia venha se aproximar da realidade dos alunos e fortaleça seu protagonismo na leitura e transformação do espaço. Nesse sentido, a paisagem deixa de ser um simples conteúdo a ser memorizado e passa a ser uma ferramenta de leitura crítica do mundo. Ao reconhecer que cada paisagem carrega as marcas das escolhas e dos modos de vida das sociedades que a produziram, cria-se a possibilidade de refletir sobre os rumos do presente e as alternativas para o futuro. ETNOGEOMORFOLOGIA: REFLEXÕES E SABERES A Geomorfologia, enquanto campo da Geografia Física voltado ao estudo das formas do relevo e dos processos que os modelam, historicamente foi abordada sob uma perspectiva técnico-descritiva, muitas vezes descolada dos contextos sociais e culturais nos quais esses relevos se inserem. Nesse sentido, Villas Boas (2024) coloca em reflexão que a Geografia moderna se distanciou da realidade vivida ao adotar uma abordagem técnico-racionalista, a qual desconsiderava o ponto de vista dos sujeitos que habitam e atribuem sentidos as paisagens e suas formas. No entanto, a partir da observação dos territórios e suas relações com os saberes populares, tradicionais e comunitários, emerge a necessidade de repensar o modo como o conhecimento geomorfológico é produzido, ensinado e apropriado. Dessa maneira, a Etnogeomorfologia surge como um campo reflexivo que busca o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes locais sobre o relevo, reconhecendo que os povos tradicionais leem e compreendem a paisagem a partir de sua própria lógica, experiências e relações afetivas e práticas com o ambiente (Villas Boas, 2024). A partir disso, Villas Boas (2024) vai definir esse ponto de vista científico como uma leitura da paisagem a partir da racionalidade própria do sujeito, que é construída fora dos espaços formais da ciência, mas nem por isso menos válida ou menos profunda. Nesse sentido, o que difere da visão técnica e fragmentada, o saber etnogeomorfológico se constrói por meio da vivência cotidiana, da observação direta e do manejo contínuo do ambiente pelos sujeitos que dele fazem parte. Outrora, Farias, Corrêa e Ribeiro (2020) vão refletir sobre a etnogeomorfologia a partir da perspectiva da conservação ambiental, apresentando objeto como uma alternativa importante dentro da Geografia Física Crítica (GFC) e da geoconservação. Nessa perspectiva, para os autores o saber etnogeomorfológico é uma abordagem que propõe a valorização dos saberes tradicionais sobre o relevo e promove estratégias de uso da terra que são sustentáveis, culturalmente enraizadas e ambientalmente conscientes. ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 Por outro lado, Lopes e Ribeiro (2016) adota uma abordagem simbólica e epistemológica da etnogeomorfologia, a qual enfoca a experiência vivida pelas comunidades em relação à paisagem, valorizando-a como uma “etnopaisagem”, carregada de sentidos e significados culturais. Dessa maneira, o saber tradicional é visto como uma forma de conhecimento profunda, que transcende a técnica, revelando um olhar sensível e reflexivo sobre o ambiente, fundado em práticas de observação e convivência cotidiana. A partir dessas reflexões, entende-se o saber etnogeomorfológico como uma estratégia de valorizar os conhecimentos marginalizados. Nessa perspectiva, como forma de contrapor a Geomorfologia técnico-descritiva feita pelos ocidentais, a Etnogeomorfologia surge com o princípio de enfatizar a cultura popular e tradicional tanto como influenciada quanto influenciadora das formas de relevo. Assim, segundo Marcos e Falcão Sobrinho (2022) o saber etnogeomorfológico não se limita a uma função prática, mas é uma ferramenta de gestão que incorpora o olhar local sobre a paisagem, proporcionando uma abordagem mais holística e sustentável para os territórios estudados. Entretanto, ressalta-se que a Etnogeomorfologia não propõe uma substituição do conhecimento técnico, mas uma ampliação epistemológica a qual propõe o diálogo horizontal como método. Dessa maneira, Villas Boas (2024) vai enfatizar a necessidade de que essa epistemologia alcance a relação existente entre as formas de relevo e as percepções humanas, as quais são marcadas por emoções e moldadas pelas construções sociais e culturais do indivíduo ou do grupo, que influenciam as dinâmicas naturais ao seu redor. Ao reconhecer os sujeitos como produtores de conhecimento geomorfológico, a Etnogeomorfologia contribui para o fortalecimento das identidades territoriais e para o reconhecimento das paisagens como construções simbólicas, materiais e históricas. Dessa forma, o relevo deixa de ser apenas um objeto de análise morfométrica e passa a ser interpretado também como território vivido, experienciado e ressignificado por aqueles que o habitam. Além disso, o saber etnogeomorfológico amplia a noção de paisagem ao incorporá-la como expressão das interações entre o meio físico e os modos de vida locais. Isso permite a construção de uma visão mais integrada e relacional do espaço, em que os aspectos naturais não são dissociados das práticas sociais, econômicas e culturais. A paisagem, nesse sentido, torna-se um texto a ser lido a partir das múltiplas vozes que nela se inscrevem, revelando os sentidos atribuídos pelas populações locais aos elementos geomorfológicos. ETNOGEOMORFOLOGIA NO ENSINO DE GEOGRAFIA Durante muito tempo, grande parte das ciências voltadas à análise do espaço natural priorizou uma abordagem simplista e tecnicista ao transmitir seus conhecimentos para as instituições de educação básica. Tal perspectiva reducionista, muitas vezes descontextualizada das realidades sociais e territoriais dos estudantes, contribuiu para a construção de um ensino fragmentado e defasado, dificultando a compreensão crítica e integrada dos fenômenos naturais. Como consequência, consolidou-se uma visão distorcida e superficial dos aspectos físico-naturais, o que impactou significativamente tanto a formação acadêmica quanto as práticas pedagógicas no ensino de Geografia, especialmente nos anos escolares iniciais e médios. Nessa perspectiva, tal metodologia de ensino contribuiu, segundo Moreira (2010), para o desenvolvimento de uma percepção equivocada por parte do ser humano em relação à natureza, concebendo-a como algo ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 externo e separado da sociedade, e não como parte integrante de sua própria existência. Sob esse ponto de vista, surge a necessidade da reformulação de uma nova abordagem da maneira como se ensina Geografia. Como destaca Resende (1996), é fundamental romper com a perspectiva descritiva que historicamente caracterizou os conteúdos geográficos. Segundo a autora, as bases da Geografia, ancoradas no positivismo, contribuíram para a consolidação de uma ciência e de uma prática educativa marcadas por um caráter essencialmente descritivo, voltado à enumeração e classificação dos elementos naturais da Terra (relevo, vegetação, rios, clima e solos) sem considerar as múltiplas relações entre esses elementos e as dinâmicas sociais. Essa limitação, a qual foi supracitada, compromete a construção de uma leitura crítica a respeito do espaço geográfico que se vive, a qual contribui para o entendimento de que as dinâmicas ambientais não se relacionam com as atividades sociais, econômicas e culturais. Entretanto, como afirma Daniel (2025), essa perspectiva torna-se uma inverdade, visto que as relações sociais e naturais estão em um constante diálogo. Assim, quando se observa a construção das cidades e o ordenamento territorial, como a construção de moradias em encostas e próximo a rios, compreende-se a intensa relação entre o ambiente e a sociedade. Sob esse ponto de vista, compreender os espaços vividos pelos alunos e como, em seu cotidiano, eles se relacionam com os ambientes naturais é fundamental. Daniel (2025) propõe a reflexão sobre a necessidade de valorizar o espaço vivido dos estudantes no ensino das dinâmicas naturais, ou seja, compreender, por meio dos conteúdos abordados, de que forma os alunos interagem com o meio ambiente em sua vida diária. Dessa forma, o ensino de Geomorfologia, inserido na Geografia escolar, deve deixar de ser apenas uma explicação técnica sobre agentes modeladores para se tornar uma ferramenta de leitura crítica do território, isto é, uma abordagem que contempla as transformações do relevo e, sobretudo, contribui para a reafirmação da identidade e do sentimento de pertencimento dos alunos aos lugares onde vivem. Nesse sentido, inserir a etnogeomorfologia no ensino de Geografia torna-se essencial, uma vez que essa perspectiva busca compreender, segundo Villas Boas (2024), a relação entre as feições do relevo e as dinâmicas humanas, que são atravessadas por sentimentos e moldadas pelas construções sociais e culturais dos indivíduos. Assim, pensar o ensino da Geomorfologia e da Geografia escolar a partir dessa abordagem significa contribuir para a valorização da cultura do estudante e para a construção coletiva do conhecimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir das reflexões desenvolvidas neste trabalho, torna-se evidente a necessidade de romper com a tradição técnico-descritiva que historicamente marcou o ensino das dinâmicas naturais planetárias, especialmente no que diz respeito ao estudo do relevo e do meio ambiente. Ao longo das décadas, consolidou-se uma abordagem que fragmenta os fenômenos naturais e sociais, afastando os conteúdos escolares da realidade vivida pelos estudantes e desvalorizando os saberes construídos em seus territórios. Nesse contexto, a Etnogeomorfologia surge como uma alternativa epistemológica e pedagógica que propõe o diálogo entre os conhecimentos científicos e os saberes populares e tradicionais. Ao reconhecer o relevo como parte integrante da experiência cotidiana dos sujeitos, e não apenas como um objeto técnico de ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 estudo, essa abordagem contribui para uma leitura mais crítica, afetiva e situada do espaço e das paisagens presentes nele. No campo do ensino, a incorporação da Etnogeomorfologia permite ressignificar o papel da Geografia escolar, promovendo práticas pedagógicas que valorizam as memórias, os afetos, os modos de vida e as interpretações simbólicas das comunidades. Trata-se de um convite para que os educadores compreendam os territórios dos alunos como espaços legítimos de produção de conhecimento, promovendo um ensino mais significativo, emancipador e comprometido com a realidade. Embora essa seção seja denominada de considerações finais, ressalto que esse trabalho tem apenas o objetivo de contribuir e despertar mais cientistas para engajar as reflexões epistêmicas no âmbito das ciências que estudam as dinâmicas ambientais do planeta. Sob esse ponto de vista, reafirmo que este trabalho não se trata de uma inovação ou uma contraposição a respeito da Geomorfologia tradicional, mas uma contribuição para repensarmos a ciência que estamos fazendo e, sobretudo, ensinando na escola. Assim, reafirmo a necessidade de um ensino das dinâmicas naturais a partir de uma perspectiva horizontal, isto é, em que todos os saberes sejam legitimados. Com isso, espera-se ampliar o conhecimento científico, fortalecendo o protagonismo dos sujeitos na construção do saber e contribuindo para a formação de cidadãos críticos, conscientes de seu lugar no mundo e capazes de transformá-lo. Referências bibliográficas BERTRAND, G. Paisagem e Geografia Física Global: Esboço Metodológico. 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