De geração em geração: uma proposta de pesquisa para análise da fala de filhos de migrantes em situação de contato dialetal
Abstract
Comunicação oral apresentada na 1ª edição do Unesp Advanced School of Linguistics, realizada no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE/UNESP).
Full text
De geração em geração uma proposta de pesquisa para análise da fala de filhos de migrantes em situação de contato dialetal Leonardo Ferraz FAPESP (Processo 2025/12308-7) Orientadora: Prof.aDr.aLivia Oushiro Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) São José do Rio Preto, 10 de novembro de 2025
In memoriam Esta apresentação é dedicada à memória de JonatanS: pai de JoaoR e JoanaA, esposo de IasminA e sogro de OtavioA. De geração em geração 1
São Paulo: terra baiana • Baianos: o grupo que lidera os movimentos migratórios para São Paulo desde os anos 1930 (Baeninger, 2005) • 11% da população da RMSP (IPEA, 2011) • 11% da população total do estado de SP (IBGE, 2010) De geração em geração 2
A fala de baianos residentes em São Paulo Alguns dos poucos trabalhos sobre a fala de migrantes baianos no campo do Contato (Weinreich, 1953; Trudgill, 1986; Oushiro et al., 2023; FernándezMallat e Nycz, 2025): • Alves (1979): baianos (e pernambucanos) residentes em São Paulo-SP • Souza (2023): baianos residentes na Região Metropolitana de São Paulo • Oliveira (2020): baianos residentes em Bauru-SP •Ferraz (2024): baianos residentes em Palmares Paulista-SP De geração em geração 3
A comunidade investigada: Palmares Paulista Figura 1: Vista aérea de Palmares Paulista-SP (Site da Prefeitura Municipal) • Localizada na mesorregião de São José do Rio Preto • 80 km2de área (IBGE, 2022) • 9.650 habitantes (IBGE, 2022) • Atividades econômicas principais: funcionalismo público e indústria sucroalcooleira De geração em geração 4
Ferraz (2024): materiais e métodos A PLASTICIDADE DIALETAL DE MIGRANTES BAIANOS EM PALMARES PAULISTA • Entrevistas sociolinguísticas com 20 falantes (Labov, 1984; Tagliamonte, 2006) • Fenômeno em análise: (-r) em coda silábica (como em garfo e mulher) a partir de duas perspectivas: • Retroflexo (po[õ]ta) versus Fricativo (po[h]ta) • Realização (colhe[õ,h] e mora[õ,h])versus Apagamento (colhe/ø/ e mora/ø/) • Análises multivariadas no R (R Core Team, 2024) • Modelos mistos de regressão logística binária De geração em geração 5
Ferraz (2024): resultados gerais Figura 2: Taxas individuais de uso de /r/ retroflexo na fala dos baianos em Palmares Paulista Verificação de dois processos de adaptação distintos, conforme a descrição de Souza (2023): •Aquisição da variante retroflexa de (-r) 1% 2% 3% 12% 15% 17% 18% 43% 52% 69% 82% 82% 83% 85% 86% 87% 87% 88% 99% AndrezaA IvanildoR OtavioA JeniferM JoaoS RodrigoC IaraP SilvanaS EmivalB IvoneC VivianeR LourivalR SergioE IasminA CelinaS ElisabeteC ClaudiaC JonatanS DarleneF 0 25 50 75 100 Proporção de uso de /r/ retroflexo Falante Fonte: Elaboração própria De geração em geração 6
Ferraz (2024): resultados gerais Tabela 1: Comparação entre as taxas de apagamento de (-r) em posição medial na BA e em SP Verificação de dois processos de adaptação distintos, conforme a descrição de Souza (2023): •Contenção de apagamento em posição medial de palavra Proporção de apagamento de (-r) em posição de coda medial Feira de Santana-BA (Guedes, 2014) S. J. do Rio Preto-SP (Carmo e Taborda, 2019) Baianos em Palmares (Ferraz, 2024) 20% 0,7% 8% Fonte: Elaboração própria De geração em geração 7
Questionamento O que acontece com o dialeto baiano falado pelos migrantes residentes na cidade de Palmares Paulista-SP conforme a língua é transmitida de geração em geração? De geração em geração 8
Hipótese principal AVENTADA COM BASE EM PAYNE (1976) As regras variáveis associadas ao uso de (-r) e de (e, o) na fala dos filhos de migrantes assemelham-se àquelas verificadas na fala dos seus pais, diferentemente das características fonético-acústicas De geração em geração 13
Fundamentação teórica • Teoria da Variação e da Mudança Linguística (Weinreich, Labov e Herzog, 1968; Labov, 1972; Labov, 2001) • Estudos sobre dialetos em contato (Trudgill, 1986; Oushiro et al., 2023; Fernández-Mallat e Nycz, 2025) • Trabalhos prévios sobre transmissão intergeracional de língua/variedades de língua (Payne, 1976; Deser, 1990; Velázquez, 2008; Leão, 2007; Erker, 2012) • Pesquisas sobre (-r) e as vogais médias pretônicas (e, o) nas variedades paulista e baiana De geração em geração 14
Fenômenos em análise /R/ EM CODA SILÁBICA E VOGAIS MÉDIAS PRETÔNICAS /E, O/ Variáveis sociolinguísticas analisadas: • /r/ em coda (como em sorvete ecantar) • Apagamento do rótico e uso da variante caipira • vogais médias pretônicas /e, o/ (como em relógio ecolega) • Processos de alçamento e abaixamento Domínios de análise: • Taxas de uso das variantes • Frequência e proporção • Detalhe fonético • Parâmetros acústicos (p.ex., duração da sílaba, comportamento de F1 e F2, taxa de aproximação de F2 e F3 etc.) • Regra variável (Labov, 1969; Guy, 1991; Oushiro, 2015; Guedes, 2019) De geração em geração 15
Corpus AMOSTRAS DE FALA SEMIESPONTÂNEA Amostras-controle: • Iboruna (Gonçalves, 2007): 10 falantes do Noroeste paulista (região de São José do Rio Preto-SP) • Semiárido (Almeida e Carneiro, 2008): 10 falantes do Centro-Sul baiano (região de Rio de Contas-BA) Palmamirim: 53 migrantes baianos em Palmares Paulista-SP • 1ageração: 26 falantes • 2ageração: 27 falantes (filhas e filhos dos migrantes de 1a geração) •Gravação de entrevistas sociolinguísticas (Labov, 1984; Tagliamonte, 2006) com o mesmo roteiro utilizado em Ferraz (2024), exceto uma pergunta sociométrica feita para os filhos de migrantes De geração em geração 16
Grau de contato com baianos na infância “NA SUA INFÂNCIA, QUEM ERAM SEUS AMIGOS MAIS PRÓXIMOS? DE QUE ESTADOS ELES ERAM?” P= ncriançasBaianas NamigosInfância De geração em geração 17
Tratamento dos dados • Transcrição das gravações no ELAN (Sloetjes e Wittenburg, 2008) • Codificação de oitiva das variáveis sociolinguísticas no ELAN (Sloetjes e Wittenburg, 2008) • Segmentação acústica por meio do Montreal Forced Aligner (McAuliffe et al., 2019) • Codificação das variáveis preditoras e extração de dados via scripts feitos no R (R Core Team, 2024) e no Praat (Boersma e Weenink, 2023) • Modelos bayesianos de regressão em R (R Core Team, 2024) De geração em geração 18
Contribuições esperadas • Compreensão do processo de transmissão intergeracional de características dialetais de uma variedade em contato com outra • Ampliação da discussão sobre a influência dos pais vs. a dos pares para o contexto de contato dialetal • Comparação entre a transmissão intergeracional em situações de contato entre variedades da mesma língua e de contato entre diferentes línguas De geração em geração 19
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