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Um olhar sobre a subjetividade lésbica nos filmes Azul é a cor mais quente (2013) e Retrato de uma jovem em chamas (2019)

Mara Beatriz Barbosa de Araújo

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 4 8º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Faesa – Vitória – ES De 11 a 16/08/2025 (etapa remota) e 01 a 05/09/2025 (etapa presencial) 1 Um olhar sobre a subjetividade lésbica nos filmes Azul é a cor mais quente (2013) e Retrato de uma jovem em chamas (2019)1 Mara Beatriz Barbosa de Araújo2 Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI Resumo Este estudo, vinculado ao projeto de pesquisa da autora dentro do Programa de Pósgraduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí, investiga as representações femininas lésbicas no cinema, tomando como corpus de análise os filmes Azul é a Cor Mais Quente (2013), de Abdellatif Kechiche, e Retrato de uma Jovem em Chamas (2019), de Céline Sciamma. Em desenvolvimento, a pesquisa tem como objetivo compreender de que maneira o olhar cinematográfico — male gaze ou female gaze — interfere na construção de tais narrativas, além de examinar como os referenciais de gênero e sexualidade são representados, construídos e/ou naturalizados nessas obras. Palavra-chave: cinema; subjetividade; lésbica; cinema lésbico. Introdução Discussões acerca de como os papéis de gênero e construção de identidades LGBTQIAP+ são representadas na cinematografia tem crescido em diversas áreas de pesquisa. Entretanto, apesar dos esforços dentro dos estudos de gênero em romper com o olhar “universal” no cinema (Mulvey, 2018) as narrativas cinematográficas lésbicas – que serão a particularidade desse estudo – enfrentam uma série de silenciamentos e problemáticas em suas representações, de modo que, a perspectiva feminista hegemônica de crítica ao espaço fílmico não engloba todas as particularidades que essa figura possui, logo “a lésbica não é tornada exótica apenas pela lente do diretor homem cisgênero que a fetichiza e muitas vezes pune, mas pela máquina mesma de olhar, que constrói as narrativas fílmicas sob a égide da heterossexualidade compulsória” (Rich, 2019). As representações lésbicas no audiovisual se diferenciam também do “olhar feminino” em sua tradução livre, visto que o olhar feminino é chamado “feminino” por contrapor o “olhar masculino”, mas ele não é essencialmente feminino, pode ser qualquer forma de olhar – trans, queer, feminista – fora da esfera universal (Soloway, 2016). A partir do pensamento lésbico (Wittig, 2022) este estudo propõe o seguinte questionamento: de que forma as produções cinematográficas interferem – positiva ou negativamente – para a construção do imaginário social de mulheres lésbicas? 1Trabalho apresentado no GP01 - Cinema, do 25º Encontro dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do 48º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2 Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí - UFPI, e-mail: [email protected]. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 4 8º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Faesa – Vitória – ES De 11 a 16/08/2025 (etapa remota) e 01 a 05/09/2025 (etapa presencial) 2 Metodologia A análise será feita a partir de produções cinematográficas, o filme Azul é a cor mais quente (2013) de Abdellatif Kechiche, e Retrato de uma jovem em chamas (2019) de Céline Sciamma. Este projeto se utilizará de métodos qualitativos e de natureza interpretativa em concordância com Penafria (2009), Vanoye e Goliot-Lété (2006) e Xavier (2018), há aqui uma perspectiva de rigor metodológico sendo possível obter validade para a pesquisa a fim de garantir resultados confiáveis. Essas produções se destacam por compartilharem elementos fundamentais: o protagonismo lésbico e a centralidade de relacionamentos amorosos entre mulheres, explorados em suas dimensões afetivas, sexuais e sociais. Além disso, ambas as obras convergem em temas como a expressão artística, especialmente a pintura, e os conflitos familiares, que permeiam as tramas. Essas intersecções temáticas permitem estabelecer paralelos críticos entre os modos de representação das personagens, questionando estereótipos ou reforçando convenções cinematográficas. Imagens e construções narrativas serão analisadas para que seja possível percebermos de que forma a produção cinematográfica confere os seus significados. As interpretações e resultados obtidos visam posteriormente uma associação de tais análises a fontes de estudos acerca da construção de identidades, assim tornando-se possível compreender à luz dos estudos feministas e culturais de que forma se dá a representação das personagens, como elas constroem suas subjetividades e como eles são alterados conforme o olhar cinematográfico. Considerações finais Apesar de ser uma indústria consolidada, o cinema ainda conta com uma baixa quantidade de mulheres em produções em comparação com o número de homens. Além disso, a falta de espaço para mulheres lésbicas na produção técnica (direção e roteiro, especialmente), permite com que as produções audiovisuais reproduzam uma homogeneização nas suas representações (Ribeiro, 2017). Diante dessa perspectiva, essa pesquisa propõe-se a perceber o olhar feminino – ou female gaze – como uma possível forma de resistência, outro modo de interpretar narrativas e imagens do sujeito queer no audiovisual. Seria então, uma forma de reestruturar a interpretação de mulheres na mídia através da própria perspectiva das Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 4 8º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Faesa – Vitória – ES De 11 a 16/08/2025 (etapa remota) e 01 a 05/09/2025 (etapa presencial) 3 mulheres. Ao questionar gênero, sexualidade e buscar identificar como o olhar cinematográfico contribui para a construção de identidades lésbicas, torna-se possível ampliar a discussão e contribuir para o movimento de subversão dessas identidades. Referências KECHICHE, Abdellatif (Direção). Azul é a Cor Mais Quente. França: Wild Bunch, 2013. Streaming. MULVEY, Laura. Prazer visual e cinema narrativo. In: XAVIER, Ismail. A experiência do cinema. Rio de Janeiro /São Paulo Paz e Terra, 2018. PENAFRIA, Manuela. Análise de Filmes: conceitos e metodologia(s). In: CONGRESSO SOPCOM, 6., 2009, Lisboa. Anais... Lisboa: Universidade Lusófona, 2009. RIBEIRO, Djamila. Lugar de Fala. Editora Jandaíra, 2019. RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica e outros ensaios Rio de Janeiro: A Bolha, 2019. SCCIAMMA, Céline (Direção). Retrato de uma Jovem em Chamas. França: HoldUp Films, 2019. 1 Streaming. SOLLOWAY, Jill. Joey Soloway on The Female Gaze. Master class apresentada no Toronto International Film Festival (TIFF), Toronto, 2016. VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Tradução: Marina Appenzeller. 4. ed. Campinas: Papirus, 2006. WITTIG, Monique. O pensamento hétero e outros ensaios (2022). XAVIER, Ismail. Um cinema que educa é um cinema que (nos) faz pensar: entrevista com Ismail Xavier. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 33, n. 1, p. 13-20, jan./jun. 2008.