BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI doi.org/10.5281/zenodo.17533831 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 DESAFIOS E SOLUÇÕES NO ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DE PACIENTES PEDIÁTRICOS COM PARALISIA CEREBRAL: REVISÃO DE LITERATURA Challenges and solutions in dental care for pediatric patients with cerebral palsy: literature review Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Natália Ferreira Silva1 ; Isabella Luiza Soares Albino1 ; Fabrício Campos Machado2 RESUMO A compreensão da deficiência física mais frequentemente observada na infância, considerando sua classificação topográfica, tipos de manifestação, condições bucais e sinais clínicos, possibilita ao cirurgiãodentista planejar um tratamento odontológico individualizado, que atenda às necessidades específicas de cada criança com paralisia cerebral. Este estudo teve como objetivo descrever as principais implicações da paralisia cerebral na saúde bucal e no manejo odontológico, identificando os desafios enfrentados durante o atendimento e propondo estratégias e dispositivos auxiliares que contribuam para um cuidado mais efetivo e humanizado. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em artigos científicos atuais e clássicos obtidos em bases de dados reconhecidas. Com a evolução das técnicas e materiais odontológicos, e considerando fatores como ansiedade, medo, estresse e espasticidade decorrentes das alterações neuromotoras, observa-se que os procedimentos odontológicos têm se tornado progressivamente mais confortáveis e seguros para o público pediátrico. As inovações, como a “calça da vovó”, os abridores bucais, a musicoterapia, o uso de benzodiazepínicos e a sedação consciente com óxido nitroso/oxigênio, configuram estratégias relevantes para consolidar um atendimento mais humanizado e eficaz às crianças com paralisia cerebral, favorecendo sua qualidade de vida e saúde oral. 1 – Discente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 2 - Docente do Curdo de Medicina e Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil Autor de Correspondência: Fabrício Campos Machado email:
[email protected] Palavras-chave: Paralisia Cerebral. Odontopediatria. Sedação Consciente
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 502 ABSTRACT Understanding the most common physical disability in childhood—its topographical classification, types of manifestation, oral conditions, and clinical signs—enables dental surgeons to plan individualized dental treatment that meets the specific needs of each child with cerebral palsy. This study aimed to describe the main implications of cerebral palsy for oral health and dental management, identifying the challenges faced during care and proposing strategies and assistive devices that contribute to more effective and humanized dental treatment. It is a narrative literature review based on current and classical scientific articles obtained from recognized databases. With the advancement of dental techniques and materials, and considering factors such as anxiety, fear, stress, and spasticity resulting from neuromotor alterations, dental procedures have become progressively more comfortable and safer for pediatric patients. Innovations such as the “grandma’s pants” positioning aid, mouth openers, music therapy, the use of benzodiazepines, and conscious sedation with nitrous oxide/oxygen are relevant strategies to consolidate a more humanized and effective approach for children with cerebral palsy, improving their oral health and overall quality of life. Keywords: Cerebral Palsy. Pediatric Dentistry. Conscious Sedation. INTRODUÇÃO A Paralisia Cerebral (PC) foi definida pela primeira vez pelo Dr. William John Little em 1843. Ao estudar, o diagnóstico era determinado como “Doença de Little” ou “Paralisia Cerebral”. A partir da verificação de algumas características clínicas, explicouse que crianças com a condição apresentavam espasticidade, decorrente de afecções no sistema nervoso central imaturo (Silva et al., 2019). A paralisia cerebral é a deficiência física mais comum na infância, sua etiologia é multifatorial e as causas podem ser pré-natais, natais e pós-natais. Os fatores pré-natais são decorrentes de toxemias gravídicas, anemia da gestante, hemorragias durante a gestação, desprendimento placentário prematuro, posicionamento incorreto do cordão umbilical, fatores metabólicos, exposição à radiação e infecções. As causas natais estão associadas a anóxia cerebral, icterícia grave, prematuridade, hemorragias intracranianas e malformações cerebrais. As causas pós-natais são devido à meningoencefalite bacteriana, encefalopatia infecciosa e traumatismo craniano (Barbosa, 2014). De acordo com a classificação topográfica ou seja os locais em que os membros do corpo foram afetados, a paralisia cerebral pode ser classificada em: monoplegia, quando há o acometimento de apenas um membro; hemiplegia, acometimento de um hemicorpo, direito ou esquerdo; diplegia, quando os membros inferiores são afetados significativamente mais que os superiores, tendo pouco efeito no braço; triplegia, envolvimento dos membros inferiores e mais um membro superior e quadriplegia, quando envolve os quatro membros (Rebel et al., 2010). As desordens do movimento e postura, acompanhados por distúrbios de percepção sensorial, cognição, comunicação e comportamento convulsivo representam uma das variadas manifestações clínicas da deficiência neuromotora em crianças (Arruda, 2011).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 503 Diante disso, a condição de saúde bucal do paciente com paralisia cerebral tem como sinais clínicos ,cárie dental, doença periodontal, maloclusão, bruxismo e biofilme dentário. A maior experiência com a cárie dentária deve-se ao uso prolongado de drogas para o tratamento de algumas condições associadas a disfunção neuromotora, além da ingestão de uma dieta pastosa e rica em carboidratos. Os medicamentos têm grande influência na saúde bucal, devido ao açúcar que contém nas soluções orais, o que gera queda do pH salivar e expõe as crianças a riscos de doenças bucais como a cárie. As disfunções motoras e cognitivas refletem na dificuldade higienização bucal, colaborando assim para um alto índice na prevalência da doença periodontal (Silva et al., 2015). Este trabalho teve como objetivo identificar estratégias viáveis e aplicáveis na prática odontológica que contribuam para a melhoria da atenção em saúde bucal e para a redução das barreiras de acesso ao atendimento de crianças com paralisia cerebral. METODOLOGIA O estudo em questão, trata-se de uma revisão narrativa de literatura que terá como pauta a pergunta de estudo “Quais são os desafios e as estratégias de manejo no atendimento odontológico a pacientes pediátricos com paralisia cerebral, em prol do bemestar oral e geral desses pacientes, mediante essas abordagens?”. Tal pergunta foi elaborada utilizado a estratégia CoCoPoP (Conteúdo, Contextualização, Procedimento, Resultados), com a seguinte formulação final: • Conteúdo: Relação entre saúde bucal, desafios e soluções de pacientes pediátricos com paralisia cerebral. • Contextualização: Crianças com paralisia cerebral em tratamento odontológico. • Procedimento: Revisão narrativa. • Resultado: IdenGficar as principais implicações bucais de crianças com paralisia cerebral e os desafios enfrentados no atendimento odontológico, buscando soluções para melhor manejo no tratamento. A mesma, seguirá o guia PRISMA (Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Metaanálises) para sua relatoria, e a busca de artigos será realizada nas bases de dados PUBMED/MEDLINE, Scielo via busca avançada do Google Acadêmico e EBSCO, utilizando dados primários e secundários, a partir das referências dos artigos selecionados em busca da amplificação da pesquisa. Foram empregadas as palavras chaves de busca “Paralisia Cerebral, Odontopediatria, Sedação Consciente” e seus respectivos termos correlatados na língua inglesa “Cerebral Palsy, Pediatric Dentistry, Conscious Sedation”. Os critérios de inclusão e exclusão dos artigos estão descritos no quadro 1. Serão utilizadas inteligências artificiais, como ferramentas de assessoria na busca dos artigos e em sua
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 504 contextualização tais como o Consensus, para a busca de artigos com o uso da pergunta de estudo, Scispace para sistematização e seleção dos artigos e Connected Papers para localização de artigos relacionados à busca. Quadro 1. Critérios de inclusão e exclusão elencados para seleção dos artigos. Critérios de inclusão Estudos clínicos que abrangessem os descritivos propostos 2002 a 2025 Português e inglês Critérios de exclusão Artigos com a ausência em relação ao tema proposto, Indisponibilidade de texto completos ou comentários e resumos expandidos, e literatura cinzenta. Texto não disponível Outros idiomas Fonte: Os autores (2025) REVISÃO DA LITERATURA E DISCUSSÃO Em 1862, foi descrita a relação entre a encefalopatia crônica da infância e o parto anormal. Em 1897, Freud propôs a expressão paralisia cerebral. Posteriormente, Phelps analisou os transtornos motores decorrentes de lesões do sistema nervoso central, semelhantes à Síndrome de Little, e consagrou o termo Paralisia Cerebral (Van Der Linden, 2002). O termo foi definido pelo Simpósio de Oxford, em 1959, como uma sequela de agressão encefálica caracterizada, primordialmente, por um transtorno persistente, embora não invariável, do tônus, da postura e do movimento, que surge na primeira infância. Essa condição decorre de uma lesão não evolutiva do encéfalo, influenciando o processo de maturação neurológica, e foi, assim, conceituada como encefalopatia crônica não evolutiva da infância (Van Der Linden, 2002). A paralisia cerebral (PC) ocorre em cerca de 2,1 casos para cada 1.000 nascidos vivos, sendo caracterizada por distúrbios do desenvolvimento do movimento e da postura que acontecem durante o período de desenvolvimento do cérebro fetal ou infantil, resultando em espasticidade. Além das alterações motoras, muitas crianças apresentam comprometimentos sensoriais, cognitivos e perceptivos, que podem afetar a visão, a audição, o tato e a capacidade de processar informações, interferindo diretamente no aprendizado (Ministério da Saúde, 2013).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 505 A comunicação pode ser afetada em decorrência de distúrbios primários e secundários, e frequentemente há alterações do sono, do humor e quadros de ansiedade associados a disfunções comportamentais. A espasticidade muscular, por sua vez, está relacionada a distúrbios musculoesqueléticos secundários e à rigidez articular, os quais tendem a progredir com a idade (Ministério da Saúde, 2013). A PC pode ser classificada conforme o território corporal afetado, configurando a classificação topográfica: monoplegia, hemiplegia, diplegia, triplegia e quadriplegia. Também pode ser categorizada segundo o tipo de comprometimento motor: espástico, atetóide (ou discinético), atáxico e misto (Rebel et al., 2010). O tipo espástico caracteriza-se por tônus muscular elevado, aumento dos reflexos tendinosos profundos, tremores e fraqueza. O atetóide apresenta alterações do tônus, distonia e movimentos involuntários amplos, mais intensos em situações de estresse e ausentes durante o sono. A forma atáxica envolve tremores, desequilíbrio e prejuízo da coordenação motora. As formas mistas combinam manifestações de diferentes sistemas motores, como as vias piramidais e extrapiramidais (Arruda, 2011). Crianças com paralisia cerebral frequentemente apresentam comprometimentos neuromusculares que afetam diretamente a saúde bucal. Pais e cuidadores enfrentam dificuldades relacionadas à acessibilidade ao atendimento odontológico, às alterações orofaciais, à presença de hábitos parafuncionais, problemas alimentares e limitações na higiene bucal, o que repercute negativamente na saúde oral (Dougherty, 2009). Estudos indicam que crianças com deficiências complexas do neurodesenvolvimento, como a PC, têm maior experiência de cárie dentária quando comparadas àquelas com limitações motoras leves, em razão da dificuldade na escovação e no uso do fio dental (Tomasin et al., 2021). Essa dificuldade também atinge pais e cuidadores, que relatam angústia e sobrecarga frente às limitações motoras e à rigidez muscular das crianças. O impacto negativo da doença cárie não tratada reflete-se em dor, desconforto, prejuízo nutricional e comprometimento do crescimento e da qualidade de vida (Tomasin et al., 2021). O uso contínuo de medicamentos é comum nesse público e pode gerar efeitos adversos sobre a saúde bucal, como hipossalivação, hiperplasia gengival e aumento do risco de cárie dentária. Crianças com maior comprometimento motor geralmente necessitam de fármacos em solução oral e dietas líquidas e ricas em carboidratos, o que eleva ainda mais a susceptibilidade à cárie (Lemos et al., 2012). Muitos desses medicamentos contêm ácido valproico e açúcares em sua formulação, e a ingestão noturna favorece a queda do pH salivar, reduzindo a capacidade tampão da saliva. Por isso, recomenda-se enfatizar junto a pais e cuidadores a escovação noturna após a administração dos medicamentos, como medida essencial de prevenção das doenças bucais (Silva et al., 2015). Diante desse contexto, torna-se evidente a necessidade de uma assistência odontológica adequada e humanizada. A literatura descreve dispositivos que proporcionam maior conforto e segurança durante o atendimento, como a “calça da vovó” ou “minhoca”, confeccionadas com rolos de espuma revestidos por
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 506 tecido, que auxiliam na estabilização postural de tronco e membros. Há também o uso de abridores bucais adaptados, muitas vezes produzidos com espátulas de madeira pelo próprio profissional, para contornar a rigidez muscular e facilitar o acesso à cavidade oral (Fernandes et al., 2007). Outra estratégia de manejo é a musicalização, que fortalece o vínculo entre profissional, criança e família, favorecendo o relaxamento e a cooperação durante o atendimento (Tashiro et al., 2012). Em muitos casos, técnicas comportamentais tradicionais como o “diga-mostre-faça” e o controle de voz não são eficazes, sendo o uso de recursos audiovisuais personalizados, como músicas de preferência da criança , uma alternativa promissora para promover o engajamento e reduzir a resistência (Tashiro et al., 2012). O medo e a ansiedade são barreiras frequentes nos atendimentos odontológicos, sobretudo entre crianças com paralisia cerebral, que demandam maior número de intervenções clínicas. Estudos apontam que essas crianças apresentam níveis mais elevados de estresse e ansiedade em relação ao tratamento odontológico (Possobon et al., 2003). A distinção entre ansiedade e medo é relevante para a escolha da conduta. A ansiedade corresponde à antecipação de uma ameaça futura, geralmente inespecífica, com manifestações psicológicas e fisiológicas persistentes; já o medo é uma reação imediata e consciente a um perigo real, frequentemente acompanhada de comportamento de luta ou fuga (Mercês et al., 2021). Quando o comportamento apreensivo interfere nas intervenções clínicas, o uso de ansiolíticos pode ser indicado para viabilizar o atendimento seguro e reduzir o sofrimento (Song et al., 2021). Entre os fármacos de escolha estão os benzodiazepínicos, como diazepam, alprazolam, oxazepam e midazolam, que apresentam baixa toxicidade, reduzido potencial de dependência e alta eficácia, sendo amplamente utilizados em Odontologia. A prescrição, entretanto, deve ser feita com articulação médico-odontológica, considerando possíveis interações medicamentosas (Teixeira et al., 2004). A escolha entre os benzodiazepínicos deve considerar o tempo de ação e o perfil de ansiedade da criança. Em casos de ansiedade intensa e duradoura, o diazepam, de meia-vida longa, é o mais indicado; já em situações pontuais e de curta duração, o midazolam, de meia-vida curta, mostra-se eficaz. Na prática odontológica, a via oral é a mais utilizada, sendo administrado um comprimido na noite anterior e outro uma hora antes do atendimento (Bushnell et al., 2019). Entre as alternativas complementares de manejo, destaca-se o uso da sedação consciente com óxido nitroso, cada vez mais adotada por sua segurança e eficácia. Essa técnica tem sido especialmente útil em crianças com histórico de experiências odontológicas traumáticas ou odontofobia (Cavalcante et al., 2011). A sedação consciente promove redução do medo e da ansiedade, substituindo-os por calma, confiança e bem-estar. O efeito relaxante inicia-se em cerca de 30 segundos, atingindo o pico em cinco minutos, permitindo que o paciente mantenha consciência e resposta a estímulos verbais e físicos, o que assegura um atendimento seguro, controlado e humanizado (Picciani et al., 2014).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 507 Em relação às contraindicações, estudos indicam que não há restrições absolutas ao uso da sedação com óxido nitroso, sendo considerada uma das alternativas mais seguras e eficazes para pessoas com deficiência, como crianças com paralisia cerebral. No entanto, é fundamental que a mistura gasosa contenha no mínimo 30% de oxigênio, garantindo adequada oxigenação e segurança durante o procedimento (Ladewig et al., 2016). Diante disso, é fundamental que o cirurgião-dentista realize uma avaliação detalhada da história médica da criança, a fim de assegurar que ela possa ser submetida aos procedimentos sedativos com segurança. O profissional deve se informar sobre medicações de uso contínuo, possíveis reações adversas a fármacos, alergias, doenças sistêmicas e anomalias preexistentes, além de considerar idade e peso corporal, fatores determinantes para o cálculo da dose e da resposta ao agente sedativo (Ladewig et al., 2016). CONCLUSÃO Após a pesquisa realizada neste trabalho, conclui-se que a associação entre a educação em saúde voltada a cirurgiões-dentistas, para o manejo odontológico de crianças com paralisia cerebral, e a orientação direcionada a responsáveis e cuidadores é fundamental para promover uma atenção integral. Assim, elucidar as possibilidades e inovações voltadas à realização de procedimentos odontológicos torna-se necessário e urgente, considerando as potencialidades e fragilidades na adaptação da criança com paralisia cerebral à cadeira odontológica, especialmente na ausência de dispositivos que proporcionem conforto durante a sessão clínica, fator agravado pelos movimentos involuntários e pelo estresse gerado. O presente estudo identificou soluções como o uso de dispositivos auxiliares (como a “calça da vovó” e os abridores bucais), a aplicação da musicoterapia, o emprego de benzodiazepínicos e a sedação consciente com óxido nitroso/oxigênio, todos como mediadores da ansiedade e do medo. Esses recursos podem contribuir para o aumento do acesso ao atendimento odontológico, além de favorecer a disseminação e a conscientização sobre a importância da qualidade de vida de crianças com paralisia cerebral, por meio de uma saúde bucal digna e humanizada. REFERÊNCIAS ARRUDA, M. C. V. Condições bucais de pacientes com paralisia cerebral: aspectos clínicos e microbiológicos. 2011. 114 f. Dissertação (Mestrado em Odontologia) – Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, 2011. BARBOSA, J. M. Orientação sobre cuidados de crianças com paralisia cerebral para cuidadores e profissionais de saúde: um manual prático. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 2014.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 7, 2025 ISSN 3085-8097 Desafios e soluções no atendimento odontológico de pacientes pediátricos com paralisia cerebral: revisão de literatura Silva NF; Albino ILS; Machado FC 508 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. BUSHNELL, G. A.; CRYSTAL, S.; OLFSON, M. Uso de benzodiazepínicos prescritos em crianças e adolescentes com seguro privado nos EUA. American Journal of Preventive Medicine, [S.l.], v. 57, n. 6, p. 775–785, dez. 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6854702/. Acesso em: 21 set. 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.amepre.2019.07.006 CAVALCANTE, L. B. et al. Sedação consciente: um recurso coadjuvante no atendimento odontológico de crianças não cooperativas. Arquivos em Odontologia, Belo Horizonte, v. 47, n. 1, p. 45-50, jan./mar. 2011. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-725231. Acesso em: 21 set. 2025. DOUGHERTY, N. J. A review of cerebral palsy for the oral health professional. Dent Clin North Am., v.53, n.2, pp.329-338, 2009. FARIAS, M. J. B. de et al. Assistência odontológica para pacientes com paralisia cerebral: uma revisão integrativa da literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 1, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.34119/bjhrv6n1-283. Acesso em: 18/03/2025. FERNANDES, P. M.; ROCHA, C. T.; TORRES, C. P.; QUEIROZ, A. M. de. Paralisia cerebral: manejo no consultório odontológico. Revista UNINGÁ, n. 14, p. 99-110, out./dez. 2007. LADEWIG, V. de M. et al. Sedação consciente com óxido nitroso na clínica odontopediátrica. Odontologia Clínico-Científica (Online), Recife, v. 15, n. 2, abr./jun. 2016. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S167738882016000200003. Acesso em: 21 set. 2025. LEMOS, A. C. O.; KATZ, C. R. T. Condições de saúde bucal e acesso ao tratamento odontológico de pacientes com paralisia cerebral atendidos em um centro de referência do Nordeste – Brasil. Revista CEFAC, São Paulo, v. 14, n. 5, p. 861–871, set./out. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S151618462012005000045. Acesso em: 28/042025. MERCÊS, C. A. M. F. et al. Análise simultânea dos conceitos de ansiedade e medo: contribuições para os diagnósticos de enfermagem. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, e20200189, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0189. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/MZBYHkswWBnMzfQ5KpXWrjC. PALMA, R. K.da. Paralisia cerebral e Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde para crianças e jovens (CIF-CJ). In: Universidade Aberta Do Sus; Universidade Federal Do Maranhão. Atenção à pessoa com deficiência II: mulheres com deficiência, saúde bucal da pessoa com deficiência, pessoa com acidente vascular encefálico, pessoa com traumatismo cranioencefálico, pessoa com paralisia cerebral, reabilitação visual, Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e Triagem Ocular Neonatal (TON). Atenção à pessoa com paralisia cerebral. São Luís: UNA-SUS; UFMA, 2021. PICCIANI, B. L. S. et al. Sedação inalatória com óxido nitroso/oxigênio: uma opção eficaz para pacientes odontofóbicos. Revista Brasileira de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 1, jan./jun. 2014. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003472722014000100015. Acesso em: 21 set. 2025. POSSOBON, R. de F.; MORAES, A. B. A. de; COSTA JUNIOR, Á. L.; AMBROSANO, G. M. B. O comportamento de crianças durante atendimento odontológico. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 19, n. 1, p. 59-64, jan./abr. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/.
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