1 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) - Fatec Praia Grande – Multidisciplinar Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista -
[email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2025 • aceito: Mar/2025 • publicado: Jun/2025 Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente com confiança baixa Desenho de um círculo Descrição gerada automaticamente com confiança média Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Occurrence and analysis of contamination factors of parasites found in vegetables in Brazil Marcio André de Lima Mendonça Universidade Federal de Pernambuco - UFPE [email protected] Fany Pereira de Araújo Soares Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas – UNCISAL [email protected] Bruno Severo Gomes Universidade Federal de Pernambuco – UFPE [email protected] RESUMO Os parasitas intestinais representam um problema em nações em desenvolvimento, prejudicando a saúde no Brasil e globalmente. Com base nisso, este estudo visa examinar a presença de organismos parasitas em produtos alimentares de origem vegetal, mais especificamente em hortaliças, sendo comuns nas refeições de diversas famílias, identificar quais são os mais frequentes e investigar os fatores de risco que causam as contaminações entre os indivíduos que consomem esses alimentos no Brasil. A investigação foi conduzida por meio de uma revisão da literatura, caracterizando-se como integrativa, com a coleta de dados nas bases: Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online, com o objetivo de responder a duas perguntas. A questão inicial abrange a presença de parasitas em hortaliças, com publicações entre os anos de 2013 a 2023. Na segunda, foram identificados artigos que abordam a problemática e os fatores que resultaram na contaminação das hortaliças, nos anos de 2000 a 2023. As duas questões prosseguiram de acordo com os critérios de inclusão e exclusão definidos no estudo. Como resultado, foram escolhidos um total de 35 artigos. O parasita com maior aparecimento nos estudos foi Entamoeba spp., tendo sido identificados vários outros, como Ancylostoma spp. e Strongyloides spp. Os fatores de contaminação incluem o uso de águas não tratadas; ausência de controle biológico; higiene insuficiente nos locais de cultivo e venda; armazenamento impróprio e falta de conhecimento sobre práticas ideais de cultivo, evidenciando as condições desfavoráveis no contexto brasileiro em relação ao tema e suas causas. PALAVRAS-CHAVE: Hortaliças; parasitas; fatores de risco; saúde.
150 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 ABSTRACT Intestinal parasites represent a problem in developing nations, harming health in Brazil and globally. Based on this, this study aims to examine the presence of parasitic organisms in food products of plant origin, more specifically in vegetables, which are common in the meals of different families, identify which are the most common and investigate the risk factors that cause contamination among individuals who consume these foods in Brazil. The investigation was conducted through a literature review, characterized as integrative, with data collection in the following databases: Google Scholar and Scientific Electronic Library Online, with the aim of answering two questions. The initial question about the presence of parasites in vegetables, with publications between the years 2013 and 2023. In the second guiding question, articles were identified that address the problem and the factors that resulted in the contamination of vegetables, in the years 2000 to 2023. The two questions continued in accordance with the inclusion and exclusion criteria defined in the study. As a result, a total of 35 articles were chosen. The most common parasite in the studies was Entamoeba spp., with several others identified, such as Ancylostoma spp. and Strongyloides spp.Contamination factors include the use of untreated water; lack of biological control; insufficient hygiene in places of cultivation and sale; improper storage and lack of knowledge about ideal cultivation practices, highlighting the unfavorable conditions in the Brazilian context in relation to the topic and its causes. KEY-WORDS: Vegetables; parasites; risk factors; health. INTRODUÇÃO A parasitologia se trata de uma ciência que tem como estudo o parasitismo, um tipo de interação em que um organismo (parasita) obtém vantagens às custas de outro (hospedeiro), ocasionando-lhe prejuízos, que vão desde alterações consideráveis até a morte (Neves et al., 2005). A presença de organismos parasitas acontece em diversos lugares, além de haver parasitas cosmopolitas (organismos que se adaptam a viver em várias partes do mundo), como Ascaris lumbricoides (Silva et al., 2011). Assim, pode-se afirmar que a infecção por parasitas é favorecida, principalmente por meio de alimentos que necessitam ser consumidos. Dessa forma, alimentos frequentemente consumidos, como vegetais, também são suscetíveis à contaminação (Mendonça, 2024). Conforme Obala et al. (2013), a ausência de saneamento provoca infecções parasitárias intestinais, que são uma causa frequente de doenças em todo o mundo. Diante desse contexto, é fundamental e imprescindível aprimorar as condições sociais e de higiene no Brasil e no planeta. Assim, questiona-se: Quais são os parasitas encontrados em vegetais vendidos no Brasil? Quais são as causas das contaminações e sua capacidade de causar doenças?
151 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 A falta de adequado saneamento básico e de higiene, que reflete condições sociais e públicas no Brasil, gera uma infraestrutura inadequada para frear a propagação de parasitas. Adiciona-se a isso a falta de informações precisas do Sistema de Vigilância Epidemiológica sobre infecções parasitárias. Assim, frente a essas falhas, é essencial a execução de pesquisas que explorem as origens, os elementos e o potencial patogênico dos parasitas transmitidos pelo consumo de alimentos. A meta é propagar informações e saber sobre parasitologia, tratando de um assunto de alto impacto na saúde pública e claramente presente na realidade do Brasil. Para a realização deste estudo, foram utilizados dados acerca de hortaliças, uma vez que são frequentemente encontradas nas refeições dos brasileiros, especialmente as folhosas, como alface, rúcula, coentro, entre outras, por serem alimentos simples e de menor custo de aquisição. São igualmente ricas em vitaminas e micronutrientes, contribuindo assim para diversas dietas, estando bastante presentes na nutrição básica; no entanto, podem transmitir doenças se estiverem contaminadas e forem consumidas sem uma adequada higienização anterior (Carvalho, 2006). Com base nisso, o presente estudo visa avaliar, analisar e compreender a presença de parasitas em hortaliças, uma vez que são responsáveis por doenças, gerando preocupações para a saúde pública no Brasil. 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) referem-se a infecções ou intoxicações resultantes do consumo de alimentos ou água contaminados por agentes biológicos, químicos ou físicos. Contudo, o entendimento sobre o perfil epidemiológico das DTAs no Brasil é restrito em razão da falta de dados estaduais e municipais sobre os agentes causadores, os alimentos afetados, a população vulnerável e os fatores contribuintes. De 2012 a 2021, registraram-se 6.347 surtos de DTA no Brasil, sinalizando elevada morbidade (Brasil, 2010). Surtos acontecem quando duas ou mais pessoas apresentam sintomas parecidos após ingerir alimentos contaminados pelo mesmo agente infeccioso (Informes Técnicos Institucionais, 2005). Um exemplo importante de vegetais comumente associados à transmissão de organismos parasitas são as hortaliças, amplamente utilizadas em várias refeições (Esteves; Figuerôa, 2009). Com isso, é imprescindível que haja estratégias para combater a propagação dessas doenças, como entidades de vigilância sanitária que, segundo Sirtoli e Comarella (2018), têm como principal atividade monitorar os locais de produção, os métodos de transporte e a
152 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 comercialização dos alimentos, buscando, ao menos, reduzir os fatores que causam a contaminação. Entre as DTA, encontram-se as enteroparasitoses, ou parasitoses intestinais, que muitas vezes se apresentam de formas discretas, complicando a identificação e o diagnóstico das enfermidades envolvidas (Saito; Rodrigues, 2012). Conforme Andrade et al. (2010), foi estimado que uma parte significativa da população das Américas (aproximadamente 30%) estava contaminada por Ascaris lumbricoides, Trichuristrichiura, ancilostomídeos e Schistosoma mansoni, evidenciando dados preocupantes sobre a facilidade de infecção. Assim, as DTA são mais frequentes do que se pensa, todavia não recebem muita relevância e atenção em geral, causando prejuízos à saúde pública. 2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se de uma revisão da literatura, acompanhada de análises quantitativas e qualitativas. Para esta pesquisa, foram empregados livros, artigos e informações de instituições pertinentes como fontes de estudo. A análise da presença e dos fatores de risco de organismos parasitas em alimentos de origem vegetal vendidos no Brasil foi fundamentada apenas em artigos científicos. A obtenção dos dados foi feita através das bases de dados Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (Scielo). Inicialmente, foram considerados artigos publicados entre 2013 e 2023, que apresentavam uma abordagem abrangente sobre o assunto, sendo selecionados os 27 (quantidade de estados brasileiros) primeiros que se alinharam ao tema. O artigo era localizado, analisado e, caso fosse pertinente (se incluísse as porcentagens das análises e quais métodos de identificação, escolhendo o método de Hoffman), este era escolhido. Assim, foram empregadas as seguintes palavras-chave para a busca dos artigos: Ocorrência; Parasitas; Hortaliças. Depois de reunir o material, os textos foram analisados de forma mais detalhada. Os artigos identificados foram redigidos em português, totalizando 27. Na primeira parte, foram selecionados artigos das distintas cinco regiões do Brasil para criar uma pesquisa variada, adicionando o nome de cada estado brasileiro ao final das palavras-chave. A segunda parte estabelecida para as pesquisas foi de procurar os fatores de risco e os motivos de contaminação dos alimentos, que consistiu por meio dos descritores: Ocorrência; Parasitas; Hortaliças; Fatores de risco; Contaminação; Brasil, onde foram analisados e escolhidos os que atendiam os requisitos (se realmente descreviam detalhadamente os fatores
153 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 de risco), sendo selecionados 8. Um recorte temporal de 2013 até 2023 também foi utilizado como critério de inclusão, apenas na primeira parte de encontrar os estudos. Na segunda parte, o intervalo foi de 2000 a 2023, durante o qual foram analisados os resumos para identificar os temas abordados. Artigos não pertencentes ao período foram considerados como critério de exclusão nas duas etapas da pesquisa. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com os critérios definidos, foram identificados 35 artigos, dos quais 27 (um para cada estado do Brasil) abordaram a incidência de parasitas em hortaliças, analisando os métodos de detecção parasitária, e 8 que examinaram os fatores de contaminação, isto é, o artigo deveria abordar os fatores e causas da maneira mais específica possível, conforme os quadros (1 e 2) a seguir: Quadro 1 – Pesquisas (autores, anos e regiões) Autores Ano Regiões Sá, Gomes e Maia 2019 Sudeste Silva et al. 2014 Sudeste Pires et al. 2014 Sudeste Brauer, Silva e Souza 2016 Sudeste Vieira et al. 2013 Sul Nomura et al. 2015 Sul Rosa, Frighetto e Santin 2016 Sul Santos et al. 2017 Nordeste Silva et al. 2020 Nordeste Pinto et al. 2018 Nordeste Filho, Nascimento e Santana 2020 Nordeste Dantas, Lima e Filho 2020 Nordeste Terto, Oliveira e Lima 2014 Nordeste Mesquita et al. 2015 Nordeste Luz et al. 2014 Nordeste Lima et al. 2018 Nordeste Brito, Oliveira e Imada 2020 Norte Silva et al. 2022 Norte Martins, Siqueira e Silva 2021 Norte Mota, Santos e Tonin 2021 Norte Sousa et al. 2018 Norte Novackiet al. 2017 Norte Carneiro, Cintra e Previera 2019 Norte Morais et al. 2023 Centro - Oeste Melo et al. 2022 Centro - Oeste Maciel, Gonçalves e Machado 2014 Centro - Oeste Melo, Leitão e Melo 2020 Centro - Oeste Fonte: Autor (2023)
154 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 A parte subsequente consistiu na procura, análise e seleção dos artigos acadêmicos que pesquisaram os fatores principais que culminavam na questão da contaminação, examinando as causas e as formas que resultavam nas ocorrências das contaminações. Os títulos dos artigos selecionados estão listados no quadro 2, acompanhados pelos autores e pelos anos de publicação de cada trabalho abaixo: Quadro 2 – Artigos escolhidos sobre fatores de contaminação Título Autores Ano Horatliças orgânicas: alimentos saudáveis ou um risco à saúde? Silva et al. 2019 A importância da seguridade e qualidade microbiológica e parasitológica em hortaliças Silva, Siqueira e Santos 2021 Avaliação parasitológica de hortaliças: da horta ao consumidor final Fernandeset al. 2015 Relação entre a ocorrência de enteroparasitoses e práticas de higiene de manipuladores de alimentos: revisão da literatura Cunha e Amichi 2014 Fatores de risco e a ocorrência de parasitas e coliformes em hortaliças de uma agroindústria Soto et al. 2018 Pesquisa de base dos sistemas de vigilância demográfica e de saúde de Webuye sobre helmintos e protozoários intestinais transmitidos pelo solo entre crianças de até cinco anos Obalaet al. 2013 Fiscalização de hortas produtoras de verduras do município de Ribeirão Preto, SP Takayanaguiet al. 2000 Qualidade parasitológica e condições higiênico sanitárias de hortaliças comercializadas na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil Soares e Cantos 2005 Fonte: Autor (2023) As pesquisas examinadas empregaram o método de sedimentação espontânea, chamado método de Hoffman, conforme descrito por Hoffman, Pons e Janer. Esse método é amplamente empregado para a detecção de formas parasitárias, como a presença de ovos e larvas de helmintos (Neves, 2000, 2005). Todos os trabalhos deste estudo mostraram contaminação parasitária em vegetais, incluindo agentes patogênicos como ancilostomídeos e Toxocara sp. Vegetais muitas vezes não cumprem os requisitos de segurança alimentar em feiras e mercados, em desacordo com a legislação do Ministério da Saúde (Brasil, 1978). Diversas pesquisas identificaram somente o gênero dos parasitas, sem detalhar as espécies.
155 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 No gráfico 1 a seguir, estão os cinco enteroparasitas que mais foram registrados nas pesquisas: Gráfico1 – Enteroparasitos mais encontrados nos 27 artigos Fonte: Autor (2023) Certos parasitas foram menos registrados nas pesquisas examinadas, de acordo com o gráfico2: Gráfico2 – Enteroparasitos menos encontrados nos 27 artigos Fonte: Autor (2023)
156 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 Com as análises realizadas, chega-se à conclusão de que há semelhança com os resultados de Esteves e Figuerôa (2009), que ocorreu no Nordeste, mas nos estudos examinados, Fasciolahepatica e Giardia lamblia foram mencionadas raramente. A ocorrência de Giardia lamblia foi encontrada em 3 artigos analisados, enquanto Fasciolahepatica esteve presente em apenas 1. Os resultados identificados como os parasitas mais comuns também apresentam semelhança com as pesquisas de Pires et al. (2014); Brauer, Silva e Souza (2016) e com os achados de Nomura (2015). Nos estudos, identificaram-se helmintos, cestódeos, nematódeos e protozoários, com destaque para os helmintos nematódeos (Ancylostoma, Strongyloides e Ascaris), seguidos por protozoários (Entamoeba e Balantidium). Entamoeba, com as espécies mais comuns sendo histolytica e coli, foi identificada como o parasita mais frequente nos artigos examinados, presente em 19 de 27 estudos. Foi possível notar que Entamoeba spp. se destacou como o mais comum em diversas pesquisas, como as de Silva et al. (2014), Luz et al. (2014), Sousa et al. (2018) e Morais et al. (2023). Diversos artigos registraram 100% de contaminação por parasitas, significando que em todas as amostras coletadas e avaliadas, havia a presença de organismos parasitários, como nos estudos de Rosa, Frighetto e Santin (2016); Silva et al. (2020) e nos achados de Mota, Santos e Tonin (2021). Parasitas foram detectados em feiras assim como em mercados, supermercados e estabelecimentos de alimentação. Dessa forma, pesquisas indicaram intensa contaminação em restaurantes, como no exemplo de Manaus, onde 50% das amostras analisadas continham parasitas (Mota; Santos; Tonin, 2021) e no Rio de Janeiro, um restaurante mostrou 70% de contaminação (Pires et al., 2014). No estudo feito em Manaus, as feiras livres e mercados apresentaram 100% de contaminação e no de Martins, Siqueira e Silva (2021), as feiras livres exibiram um nível mais elevado em relação aos demais locais. 3.1 PARASITAS MAIS PREVALENTES Nos estudos examinados na região Sudeste, os enteroparasitas mais comuns foram Entamoeba spp. e Ancylostoma spp., confirmados em três dos quatro artigos investigados na área. Em seguida, estabeleceu-se a presença de Strongyloides spp., Ascaris sp., Giardia spp. e Iodamoeba spp. em dois artigos. Nos artigos examinados na região Sul, os mais comuns são
157 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 Entamoeba spp., Ancylostoma spp., Ascaris sp. e Endolimax spp., seguidos por Giardia spp. e Toxocara sp. Na região Nordeste, os enteroparasitas mais comuns foram Ancylostoma spp. e Strongyloides spp., seguidos por Entamoeba spp., Ascaris sp., Balantidium spp., Endolimax spp., Giardia spp., Taenia spp. e Schistosoma spp. Na região Norte, os enteroparasitas mais comuns identificados foram Ancylostoma spp. e Strongyloides spp. em cinco dos sete estudos examinados. Nos artigos examinados da região Centro-Oeste, foram identificados poucos tipos de enteroparasitas, com Entamoeba spp. sendo o mais comum, seguido por Strongyloides spp. e Ascaris sp. 3.2 FATORES DE RISCO E MOTIVOS DA CONTAMINAÇÃO De acordo com o Ministério da Saúde (2010), o crescimento populacional, a demanda crescente por alimentos e a ineficiência das instituições públicas/privadas estão relacionadas às Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA). As feiras livres constituem espaços de comércio, evidenciando-se como uma fonte de suprimento alimentar e apresentando importância econômica e social (Guimarães et al., 2023). Por essa razão, a limpeza e a higiene são socialmente relevantes nas feiras. Feirantes precisam limpar os espaços antes e depois da venda, empregando desinfetantes para remover microorganismos e diminuir a carga microbiana residual (Friedriczewskiet al., 2018). Em pesquisa, Silva et al. (2019) notou que certos vendedores de hortaliças em feiras apresentavam higiene adequada, com mercadorias em sacos limpos e roupas apropriadas, sugerindo boas práticas nesse estudo. De acordo com Paiva e Souza (2018), diversas doenças têm origem na água, apresentando altas incidências no Brasil em razão de um saneamento inadequado e condições socioeconômicas adversas e a propagação de parasitas por meio da água afeta diretamente a produção de hortaliças. Os estudos realizados por Obala et al. (2013) apontam que a contaminação de vegetais por protozoários e helmintos está associada ao cultivo, como a irrigação com água de poços poluídos por fezes (humanas ou animal) e solo contaminado por dejetos de animais, além da presença de insetos e aves nas hortas. Takayanaguiet al. (2000) notaram práticas de irrigação inadequadas em hortas de São Paulo, que utilizavam água de córregos com esgoto não tratado, resultando em elevada contaminação por coliformes fecais, corroborada também por Soto et al.
164 | Ocorrência e análise de fatores de contaminação de parasitas encontrados em hortaliças no Brasil Revista Processando o Saber - v.17 - p. 149-164 - 2025 SIRTOLI, D. B.; COMARELLA, L. O papel da vigilância sanitária na prevenção das doenças transmitidas por alimentos (DTA). Revista Saúde e Desenvolvimento, [S. l.], v. 12, n. 10, p. 197–209, 2018. Disponível em: <https://www.revistasuninter.com/revistasaude/index.php/saudeDesenvolvimento/article/view /878 >. Acesso em: 31 de jan. de 2024. SOARES, B. CANTOS, G. A. Qualidade parasitológica e condições higiênico-sanitárias de hortaliças comercializadas na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Rev. Bras. Epidemiol. 8 (4): p. 377-84, 2005. Disponível em: <https://www.scielosp.org/pdf/rbepid/2005.v8n4/377-384/pt >. Acesso em: 09 de dez. de 2023. SOTO, F. R. M. et al. Fatores de risco com ocorrência de parasitas e coliformes em hortaliças de uma agroindústria. Revista Ceres, v. 1, pág. 93–98, janeiro. 2018. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rceres/a/VRnC5rySR9VSwXzbJBFQQ8R/?format=pdf&lang=en >. Acesso em: 19 de dez. de 2023. SOUSA, A. C, de J. et al. Avaliação parasitológica e microbiológica de alfaces (lactuta sativa) comercializadas no município de Macapá - amapá, Amazônia brasileira. Princípios e fundamentos da saúde 2. Atena editora. p. 33-43, 2018. Disponível em: < https://sistema.atenaeditora.com.br/catalogo/post/avaliacao-parasitologica-e-microbiologica de-alfaces-lactuta-sativa-comercializadas-no-municipio-de-macapa-amapa-amazonia brasileira >. Acesso em: 15 de dez. de 2023. TAKAYANAGUI, O. M. et al. Fiscalização de hortas produtoras de verduras do município de Ribeirão Preto, SP. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 33, n. 2, p. 169–174, mar. 2000. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/zYRhL39wgdWkXqxhvzf8bmQ/?format=pdf&lang=pt >. Acesso em: 05 de dez. de 2023.