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WATER LEAKAGE INDEX IN INFRASTRUCTURE IN MUNICIPALITIES OF MATO GROSSO DO SUL: ASSESSMENT AND IMPLICATIONS FOR WATER MANAGEMENT

PORTELA, Raphael Ricardo de Jesus; SANTOS, Adriana Bilar Chaquime dos; OLIVEIRA, Deimison Rodrigues; LAMBERTI, Patricia Pedrozo; COSTA, Reginaldo Brito

Abstract

This study analyzes water losses in urban supply systems across Mato Grosso do Sul (MS), aiming to identify how and to what extent operational inefficiency in water distribution varies among municipalities. Research was based on performance indicators from International Water Association (IWA), focusing on Infrastructure Leakage Index (ILI). Objective was to evaluate performance of municipal water services regarding physical and commercial losses. Methodological approach followed a theoretical-deductive design, using secondary data provided by municipal operators and public databases, covering all municipalities in Mato Grosso do Sul and selecting as a sample those with complete data for reference years. Procedures included data collection and comparative analysis through selected indicators. Results revealed notable disparities: municipalities such as Corumbá and Cassilândia showed lowest efficiency levels, while Campo Grande recorded highest absolute water losses due to population density and operational scale. Findings indicate that systematic adoption of IWA indicators represents an effective tool for monitoring and transparency in water supply management, emphasizing need for investment in infrastructure, preventive maintenance, and awareness programs promoting hydric sustainability. In practical terms, results provide technical and strategic support for improving public policies and decision-making aimed at sustainable water management, aligned with Sustainable Development Goals (SDG 6 and SDG 9).

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www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 343 O Boletim de Conjuntura (BOCA) publica ensaios, artigos de revisão, artigos teóricos e empíricos, resenhas e vídeos relacionados às temáticas de políticas públicas. O periódico tem como escopo a publicação de trabalhos inéditos e originais, nacionais ou internacionais que versem sobre Políticas Públicas, resultantes de pesquisas científicas e reflexões teóricas e empíricas. Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento. BOLETIM DE CONJUNTURA BOCA Ano VII | Volume 23 | Nº 69 | Boa Vista | 2025 http://www.ioles.com.br/boca ISSN: 2675-1488 www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 344 ÍNDICE DE VAZAMENTOS DE ÁGUA EM INFRAESTRUTURAS NOS MUNICÍPIOS DE MATO GROSSO DO SUL: AVALIAÇÃO E IMPLICAÇÕES PARA A GESTÃO HÍDRICA Raphael Ricardo de Jesus Portela 1 Adriana Bilar Chaquime dos Santos 2 Deimison Rodrigues Oliveira 3 Patricia Pedrozo Lamberti 4 Reginaldo Brito Costa 5 Resumo Este estudo analisa as perdas de água nos sistemas urbanos de abastecimento do estado de Mato Grosso do Sul (MS), com o objetivo de identificar como e em que magnitude a ineficiência operacional do abastecimento hídrico varia entre os municípios. A pesquisa baseou-se em indicadores de desempenho da International Water Association (IWA), com foco no Infrastructure Leakage Index (ILI). O objetivo consistiu em avaliar o desempenho dos serviços municipais de água quanto às perdas físicas e comerciais. A abordagem metodológica seguiu o método teórico-dedutivo, utilizando dados secundários fornecidos pelas operadoras municipais e por bases públicas, abrangendo todos os municípios do estado e selecionando como amostra aqueles com dados completos para os anos de referência. Os procedimentos envolveram o levantamento e a análise comparativa dos dados por meio dos indicadores selecionados. Os resultados revelaram disparidades marcantes: municípios como Corumbá e Cassilândia apresentaram os menores níveis de eficiência, enquanto Campo Grande registrou os maiores volumes absolutos de perdas, devido à densidade populacional e à escala operacional. As evidências indicam que a adoção sistemática dos indicadores da IWA constitui ferramenta eficaz para o monitoramento e a transparência na gestão do abastecimento de água, ressaltando a necessidade de investimentos em infraestrutura, manutenção preventiva e programas de conscientização voltados à sustentabilidade hídrica. Em termos práticos, os resultados oferecem suporte técnico e estratégico para o aprimoramento de políticas públicas e decisões voltadas à gestão sustentável da água, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 6 e ODS 9). Palavras-chave: Abastecimento Urbano; Eficiência Hídrica; Perdas de Água; Sustentabilidade; Vazamentos. Abstract This study analyzes water losses in urban supply systems across Mato Grosso do Sul (MS), aiming to identify how and to what extent operational inefficiency in water distribution varies among municipalities. Research was based on performance indicators from International Water Association (IWA), focusing on Infrastructure Leakage Index (ILI). Objective was to evaluate performance of municipal water services regarding physical and commercial losses. Methodological approach followed a theoretical-deductive design, using secondary data provided by municipal operators and public databases, covering all municipalities in Mato Grosso do Sul and selecting as a sample those with complete data for reference years. Procedures included data collection and comparative analysis through selected indicators. Results revealed notable disparities: municipalities such as Corumbá and Cassilândia showed lowest efficiency levels, while Campo Grande recorded highest absolute water losses due to population density and operational scale. Findings indicate that systematic adoption of IWA indicators represents an effective tool for monitoring and transparency in water supply management, emphasizing need for investment in infrastructure, preventive maintenance, and awareness programs promoting hydric sustainability. In practical terms, results provide technical and strategic support for improving public policies and decision-making aimed at sustainable water management, aligned with Sustainable Development Goals (SDG 6 and SDG 9). Keywords: Leakage; Sustainability; Urban Supply; Water Efficiency; Water Losses. 1 Professor do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC). Doutor em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E-mail: [email protected] 2 Doutoranda em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E-mail: [email protected] 3 Mestrando em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E-mail: [email protected] 4 Doutoranda em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E-mail: [email protected] 5 Professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Email: [email protected] www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 345 INTRODUÇÃO A gestão eficiente dos recursos hídricos urbanos é um componente crítico para o desenvolvimento sustentável, especialmente porque a água exerce um papel central na economia e qualidade de vida das comunidades. No caso de Mato Grosso do Sul, esse tema ganha dimensões estratégicas, considerando-se a forte dependência dos mananciais para suportar atividades agrícolas, industriais e urbanas em expansão. Todavia, os sistemas de abastecimento no estado enfrentam perdas significativas de água que comprometem a eficiência operacional e ameaçam a sustentabilidade do fornecimento. A escassez de análises sistematizadas e comparativas sobre essas perdas, tanto em nível municipal quanto estadual, demonstra uma lacuna relevante que dificulta a adoção de políticas públicas baseadas em dados e práticas de gestão mais assertivas. O presente estudo busca preencher essa lacuna por meio de uma avaliação detalhada das perdas de água nos sistemas urbanos de Mato Grosso do Sul, utilizando como ferramenta metodológica o Infrastructure Leakage Index (ILI) e demais indicadores recomendados pela International Water Association (IWA). A abordagem se destaca por aplicar tais indicadores de maneira comparativa nas diferentes unidades municipais, oferecendo um panorama inédito da eficiência operacional desses sistemas e subsidiando decisões estratégicas para mitigação de vazamentos e promoção da sustentabilidade hídrica. A questão norteadora deste trabalho foi concebida da seguinte forma: como os indicadores internacionais de desempenho hídrico, com ênfase no ILI, revelam o panorama das perdas de água nos sistemas de abastecimento urbano em Mato Grosso do Sul, e quais são as implicações para a sustentabilidade desses serviços? A resposta a essa questão não apenas contribui para o fortalecimento da literatura nacional sobre eficiência hídrica, mas também aproxima as práticas locais dos padrões internacionais de gestão e sustentabilidade. Neste contexo, o objetivo foi avaliar quantitativamente as perdas de água nos sistemas urbanos do estado, por meio dos indicadores CARL (Current Annual Real Losses), NRW (Non-Revenue Water), UARL (Unavoidable Annual Real Losses), TIRL (Technical Infrastructure Real Losses) e ILI. Essa metodologia permite comparar o desempenho entre municípios, identificar disparidades e definir áreas prioritárias para intervenção técnica, regulatória e de planejamento. O artigo está estruturado em cinco seções: após esta introdução, a segunda seção apresenta os indicadores metodológicos e seu embasamento conceitual; a terceira descreve os procedimentos de coleta, tratamento de dados e cálculo; a quarta analisa os resultados obtidos, discutindo padrões, desigualdades e www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 346 implicações; por fim, a quinta seção apresenta as conclusões, ressalta as contribuições à literatura científica e às políticas públicas e sugere caminhos para investigações futuras na gestão hídrica no Brasil. AVANÇOS NA SIMULAÇÃO, DETECÇÃO DE VAZAMENTOS E REDUÇÃO DE PERDAS EM SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Na literatura especializada, destacam-se os contributos de Mounce et al. (2015), Wiek e Larson (2012) e Ngema et al. (2024), entre outros, os quais aprofundaram o conhecimento sobre os sistemas de abastecimento de água e promoveram o acesso equitativo e sustentável a este recurso. As investigações que abordam a simulação de demanda, detecção de vazamentos e redução de perdas em redes de distribuição oferecem aportes particularmente relevantes, sobretudo no que concerne ao suporte a políticas públicas direcionadas para a gestão eficiente da água. Tais estudos vinculam-se diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 6 (Água potável e saneamento), dada sua ênfase na eficiência hídrica e na universalização do serviço, evidenciando que melhorias estratégicas nos indicadores de desempenho são essenciais para superar os desafios institucionais e operacionais identificados recentemente (WANG et al., 2025). Por sua vez, os trabalhos de Rabelo de Lima et al. (2018), Ociepa-Kubicka et al. (2024), Park et al. (2025), entre outros, destacam a importância da identificação precisa de vazamentos em redes de distribuição, mostrando os desafios associados a rompimentos de tubulações e riscos de contaminação decorrentes. A utilização de abordagens baseadas em aprendizado de máquina demonstra o potencial de aprimorar a eficiência operacional e segurança sanitária dos sistemas de abastecimento (LIU et al., 2024). Chowdhury et al. (2002) apresentaram estratégias direcionadas à redução das perdas de água nos sistemas de distribuição, com reflexos positivos no desempenho econômico das concessionárias. Complementando, Giustolisi e Walski (2012) desenvolveram um modelo de simulação em regime estacionário, concebido para quantificar os vazamentos induzidos pela pressão na rede, enquanto Mounce e Boxall (2010) propuseram a aplicação de técnicas de inteligência artificial na detecção de perdas. Em conjunto, esses trabalhos evidenciam a importância da articulação entre métodos tradicionais de engenharia e ferramentas computacionais avançadas, no sentido de aprofundar o conhecimento sobre os sistemas de abastecimento e fomentar soluções inovadoras voltadas para o aumento da eficiência operacional. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 347 ÁGUAS SUPERFICIAIS NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL No cenário territorial de Mato Grosso do Sul, emergem distintamente duas entre as 12 Regiões Hidrográficas do Brasil, explicitadas na Resolução nº 32/2003 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). A demarcação meticulosa destas regiões se efetiva na Região Hidrográfica do Paraguai, englobando a bacia do rio Paraguai a oeste (DIAS et al., 2024), e na Região Hidrográfica do rio Paraná (METCALFE et al., 2020), compreendendo a bacia do rio Paraná a leste. Esta configuração precípua delineia o divisor de águas do estado, estendendo-se de nordeste a sudoeste. Enquanto a Região Hidrográfica do Paraná ocupa uma área total de 169.488,663 km², representando cerca de 47,46% da extensão territorial do estado, sobressaem os rios Aporé, Sucuriú, Verde, Pardo, Ivinhema, Amambai e Iguatemi, situados à margem direita do rio Paraná. Os rios Paranaíba e Grande, afluentes principais do rio Paraná, ocupam posição proeminente no tríplice limite entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, a Região Hidrográfica do Paraguai em Mato Grosso do Sul, estendendo-se por 187.636,301 km² e representando 52,54% da área total do estado, destaca-se pelos rios Taquari, Miranda, Negro e Apa, localizados à margem esquerda do rio Paraguai (OLIVEIRA et al., 2019, PERÉZ-PERÉZ et al., 2021). Esta região abrange o Pantanal Matogrossense, cuja dinâmica das águas superficiais está intrinsecamente vinculada a fatores como declividade, descarga dos principais rios, regime climático, natureza dos solos e suporte geológico, conferindo-lhe singular importância (MME, 1982). A hidrografia do estado de Mato Grosso do Sul e sua posição na América do Sul, com destaque para os seus principais formadores (azul, bacia do Alto rio Paraná; vermelho, bacia do rio Paraguai; verde, Pantanal; 1, rio Paraguai; 2, rio Paraná; 3, rio Amambai; 4, rio Pardo; 5, rio Sucuriú; 6, rio Taquari; 7, rio Negro; 8, rio Miranda), conforme descrito por Froehlich et al. (2017), demostrada na Figura (1). A configuração geográfica da planície pantaneira apresenta duas partes principais: uma superior, acima da cota de 200 m (planalto), e outra inferior, na cota média de 100m (planície). A dinâmica fluvial nessa região é complexa, caracterizada por pequenos cursos d'água, linhas de drenagem, vazantes, corixos e lagos e lagoas, refletindo a maior planície contínua de inundação do planeta no Pantanal Mato-grossense, incluindo sua porção situada em Mato Grosso do Sul (COELHO et al., 2025). Destacam-se as particularidades específicas da dinâmica fluvial nas duas áreas da bacia, ressaltando a variação temporal nas partes sul e norte. Ao comparar as duas regiões, hidrográficas, observa-se que o menor coeficiente de escoamento ocorre na bacia do rio Paraguai, especialmente pela baixa capacidade de drenagem do Pantanal, que funciona como uma extensa planície de inundação (ANA, 2020). Esse comportamento é intensificado pelo fato de que, ao receber as vazões provenientes do planalto www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 348 da bacia, o Pantanal atua como uma imensa área de retenção natural, armazenando grande parte dos volumes de água. Esse processo gera uma acentuada variabilidade sazonal nos regimes de cheia e vazante, aspecto fundamental a ser considerado na gestão da disponibilidade hídrica da região. (MME, 1982; ANA, 2020). Figura 1 - Hidrografia do estado de Mato Grosso do Sul e sua posição na América do Sul, com destaque para seus principais formadores Fonte: Froehlich et al. (2017). ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL Os sistemas aquíferos do estado de Mato Grosso do Sul se dividem em duas categorias principais de rochas: sedimentares, responsáveis pelos aquíferos porosos, e ígneas-metamórficas, que compõem os aquíferos fraturados ou de fissuras. A presença dos aquíferos porosos é notável nas bacias sedimentares do Paraná e do Pantanal, enquanto os aquíferos fraturados estão situados no embasamento cristalino e em uma formação específica da Bacia do Paraná (IMASUL, 2020). A delimitação contempla oito unidades aquíferas distintas no estado de Mato Grosso do Sul, conforme apresentado no mapa da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (Figura 2), discriminadas como segue: Sistema Aquífero Cenozóico; Sistema Aquífero Bauru; Sistema Aquífero Serra Geral; Sistema Aquífero Guarani; Sistema Aquífero Aquidauana-Ponta Grossa; Sistema Aquífero Furnas; Sistema Aquífero Pré-cambriano Calcários; Sistema Aquífero Pré-cambriano. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 349 Figura 2 - Sistemas aquíferos livres no estado do Mato Grosso do Sul Fonte: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (2006). O consumo total de água pela população do estado de Mato Grosso do Sul atinge aproximadamente 87 milhões de metros cúbicos por ano, e deste montante, 81% correspondem ao consumo na Região Hidrográfica do Paraná, enquanto apenas 19% são atribuídos à Região Hidrográfica do Paraguai (IMASUL, 2010). ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO ESTADO DE MATO GROSSO SUL O fornecimento de água à população é realizado por meio das concessionárias Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (SANESUL), que abrange 67 municípios do estado, Águas de Guariroba, em Campo Grande, a capital estadual, e Serviços Autônomos de Água e Esgoto (SAAE) em alguns municípios. Os mananciais utilizados abrangem tanto águas subterrâneas quanto superficiais (SANESUL, 2016). Com base nos dados fornecidos no Plano Estadual de Recursos Hídricos do Mato Grosso do Sul (IMASUL, 2010), os sistemas produtores da SANESUL registram um volume total de aproximadamente 88,3 milhões de metros cúbicos anuais de água, com um volume consumido de 48,3 milhões de metros www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 350 cúbicos por ano. Portanto, 54,7% do total produzido são consumidos pela população. Até o momento, observa-se um equilíbrio entre a oferta e a demanda de água nos municípios operados pela SANESUL. No que se refere aos valores de vazão média consumida para abastecimento humano (urbano) no estado, registra-se a marca de 1,146 metros cúbicos por segundo, distribuídos entre 0,944 na Região Hidrográfica do Paraná e 0,201 na Região Hidrográfica do Paraguai (IMASUL, 2020). Vale ressaltar que a principal fonte de captação provém de águas superficiais, enquanto na Região Hidrográfica do Paraná predomina a captação de águas subterrâneas. A utilização de diferentes fontes de abastecimento remete à utilização de estratégias diferenciadas para preservação e gestão sustentável dos recursos hídricos. Em síntese, a avaliação da captação de água no estado de Mato Grosso do Sul evidencia uma ampla gama de fontes e estratégias empregadas para suprir a demanda de abastecimento urbano. A diferença na captação entre as regiões hidrográficas do Paraná e do Paraguai, em que predomina o uso de águas subterrâneas frente às superficiais, ressalta a necessidade de abordagens de gestões hídricas específicas para cada contexto. A eficiência das infraestruturas emerge como um pilar essencial para o desenvolvimento e a segurança de uma sociedade dinâmica. No contexto do estado do Mato Grosso do Sul, este artigo propõe uma análise do ILI, destacando sua importância como ferramenta primordial na avaliação do estado das infraestruturas municipais. Na revisão de pesquisas anteriores, destacam-se estudos que contribuíram significativamente para a compreensão e aprimoramento do ILI. Autores como Liemberger (2002), Lambert et al. (2013), Winarni (2009) e Giustolisi e Walski (2012) apresentaram análises abrangentes sobre o uso de indicadores de desempenho na gestão de vazamentos, fornecendo dados que fundamentam a aplicação do ILI. Pesquisas recentes, como a de Klosok-Bazan et al. (2021), e Yilmaz, Firat, Ozdemir (2022), reforçam a relevância do índice como ferramenta de apoio à tomada de decisão, evidenciando sua aplicabilidade em diferentes contextos e realidades operacionais. Esses trabalhos ressaltam que o ILI não apenas possibilita a comparação padronizada do desempenho entre sistemas de abastecimento, como também orienta estratégias de controle de perdas e investimentos mais eficientes, fortalecendo sua posição como um dos principais referenciais na gestão hídrica contemporânea. Lambert e Taylor (2010) ofereceram diretrizes importantes e abrangentes para a gestão de perdas de água. As contribuições práticas do estudo delineiam estratégias eficazes destinadas a reduzir as perdas nos sistemas de abastecimento, promovendo uma abordagem mais sustentável. Destaca-se particularmente a relevância do ILI, enquanto o reconhecimento das valiosas contribuições dos pesquisadores evidenciando a influência significativa na modelagem e aprimoramento da compreensão e aplicação desta métrica fundamental na gestão dos recursos hídricos. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 351 A metodologia subjacente ao cálculo do ILI é explorada, evidenciando sua aplicabilidade na identificação de áreas com maiores índices de perda. Além disso, analisa-se a relevância prática do ILI, não apenas sob a perspectiva de eficiência operacional, mas também em termos de segurança pública e sustentabilidade ambiental (YILMAZ et al., 2022). ÍNDICES DE PERDA A adoção de índices específicos oferece uma abordagem sistemática para compreender e lidar com as diversas formas de perdas, sejam aparentes ou reais. Ao compreender a relevância desses índices, abrese espaço para a implementação de estratégias eficazes na mitigação de perdas, impulsionando a sustentabilidade e eficiência nos serviços de abastecimento hídrico (KLOSOK-BAZAN et al., 2021). Os vazamentos comprometem a estabilidade técnica dos sistemas de abastecimento de água, vida útil da rede, qualidade da água e serviços prestados. As perdas reais são caracterizadas por vazamentos ao longo do processo de distribuição. Para Gupta e Kulat (2018), o consumo autorizado não faturado é classificado como perda, apesar de ser aproveitado, pois é o volume de água utilizado pela empresa para serviços operacionais, como lavagem de tubulações. Na perspectiva econômica, os impactos das perdas de água são significativos, pois elevam os custos operacionais, exigem maiores investimentos e diminuem as receitas das prestadoras de serviço (AL-WASHALI et al., 2016; ZHANG et al., 2024). As empresas de abastecimento devem priorizar a redução das perdas de água, conforme destacado por Mazzolani et al. (2016), devido ao impacto econômico significativo dessa prática. A diminuição das perdas não só contribui para a redução do desperdício de água e energia, mas também ajuda a diminuir os custos associados ao tratamento e bombeamento de água, além de minimizar danos causados por terceiros, entre outros benefícios. Portanto, ao reduzir perdas, as empresas podem economizar tanto em termos operacionais quanto de capital a longo prazo. Além disso, melhorias nos sistemas de abastecimento não apenas otimizam os custos, mas também melhoram a reputação da empresa, garantindo um fornecimento confiável de água (OCIEPA-KUBICKA; WILCZAK, 2017; LENCHA, BABORE, 2025). A avaliação de perdas de água nos sistemas de abastecimento é essencial para garantir a eficiência operacional e a sustentabilidade dos recursos hídricos. Entre esses indicadores, destacam-se o CARL (Current Annual Real Losses), que representa o volume anual de perdas reais no sistema de abastecimento quando a rede está pressurizada. Calculado como o volume anual de perdas reais (em litros) dividido pelo número de conexões (Nc), esse índice expressa a média de perdas reais por conexão diariamente, no período em que a rede está em operação (UNTO, 2024). www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 358 Adicionalmente, a análise das perdas de água, ao agrupar os municípios conforme o tamanho da população, revelou que a média de água sem receita nos municípios mais populosos (com mais de 30 mil habitantes) ultrapassa a média total para o estado de Mato Grosso do Sul. Esse resultado evidencia desafios típicos de áreas urbanas densamente povoadas, nas quais a infraestrutura tende a ser mais antiga, a densidade populacional é elevada e a demanda por água é mais intensa. Estudos recentes demonstram que esses fatores estruturais e demográficos estão diretamente associados ao aumento das perdas de água e à redução da eficiência operacional dos sistemas (MEIRELES, 2023; GARAJEH, 2024). Na Figura 5, são apresentados os resultados referentes ao Infrastructure Leakage Index (ILI), distribuído entre os municípios do estado. Esse indicador tem se mostrado uma ferramenta eficaz para avaliar o desempenho da gestão operacional da infraestrutura, permitindo identificar vulnerabilidades associadas a vazamentos, reparos e manutenção das redes de distribuição. O mapa utiliza cores mais quentes para destacar os municípios com maiores índices de vazamento, oferecendo uma representação visual das áreas mais críticas em termos de conservação dos recursos hídricos e eficiência operacional. Figura 5 – Representação do indicador relativo ao vazamento de água na infraestrutura (ILI) distribuída nos municípios do estado de Mato Grosso do Sul Fonte: Elaboração própria. A análise geoespacial evidenciou discrepâncias significativas nos valores do Infrastructure Leakage Index (ILI) entre os municípios de Mato Grosso do Sul, com destaque para Corumbá, que apresentou o pior desempenho. Esse resultado reflete uma combinação complexa de fatores históricos, socioeconômicos, geográficos e institucionais, incluindo a antiguidade das redes de abastecimento, as www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 359 condições climáticas extremas e a limitação de investimentos contínuos em manutenção preventiva. Tais condições tornam as perdas mais acentuadas e dificultam a gestão operacional, sobretudo em regiões afastadas dos principais centros de distribuição. Diante desse cenário, optou-se por agrupar os municípios segundo o porte populacional e empregar boxplots, permitindo visualizar a dispersão e os padrões de variação das perdas de água na infraestrutura. Essa abordagem comparativa possibilita identificar tendências entre diferentes faixas populacionais e compreender como o aumento da densidade urbana se relaciona com os níveis de ineficiência nos sistemas de abastecimento. O gráfico 2 apresenta uma síntese gráfica desses resultados, oferecendo uma leitura clara e objetiva sobre as diferenças estruturais e operacionais entre os municípios analisados. Gráfico 2 – Indicador relativo ao vazamento de água na infraestrutura (ILI) distribuída em grupos de população nos municípios do estado de Mato Grosso do Sul Fonte: Elaboração própria. Os achados confirmam a relação descrita por Giustolisi e Walski (2012), indicando que municípios com maior densidade populacional tendem a apresentar índices mais elevados de perdas de água. Essa correlação reflete a maior complexidade operacional e o desgaste das redes de distribuição em áreas densamente urbanizadas, nas quais a pressão sobre a infraestrutura e o envelhecimento das tubulações intensificam as perdas físicas e comerciais. Estudo recente corrobora essa relação, demonstrando que a análise geoespacial das redes de abastecimento permite identificar padrões territoriais de vulnerabilidade e priorizar intervenções em zonas críticas, sobretudo em cidades com alta concentração populacional e www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 360 histórico de expansão desordenada (GARAJEH, 2024). Tais evidências reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à modernização, manutenção preventiva e adoção de tecnologias inteligentes de monitoramento para garantir eficiência e sustentabilidade no abastecimento de água. A disparidade nas perdas de água entre diferentes grupos de municípios, conforme evidenciado, destaca a complexidade da gestão dos recursos hídricos em áreas urbanas e a importância de abordagens diferenciadas para lidar com os desafios específicos de cada contexto. Entre os fatores que influenciam essas perdas, como apresentado por diversos autores Giustolisi e Walski (2012), Chowdhury et al. (2002), Wiek e Larson. (2012), entre outros, estão o histórico de investimentos inadequados em infraestrutura, a gestão, a vulnerabilidade socioeconômica da região, o clima e a topografia que dificultam a manutenção das redes. Para enfrentar esse desafio, são necessários investimentos significativos em infraestrutura, aprimoramento da gestão da água, campanhas educativas para conscientização da população e um estudo detalhado para identificar as causas específicas e orientar ações mais eficazes. DISCUSSÃO A manutenção preventiva da infraestrutura de abastecimento revelou-se um dos pilares mais eficazes para a redução de perdas hídricas. A substituição de tubulações antigas por materiais mais duráveis e a adoção de práticas de manutenção proativa contribuem para a mitigação de vazamentos e preservação da integridade do sistema, reduzindo custos associados a intervenções emergenciais. Estudos recentes confirmam que a análise sistemática de falhas e a modernização das redes de distribuição permitem maior confiabilidade operacional e eficiência na gestão (KHAMENEH et al., 2020; GHEIBI et al., 2023). Paralelamente, a dimensão social tem papel decisivo na gestão hídrica. Programas educacionais que incentivem o uso racional da água e a detecção precoce de vazamentos domiciliares podem reduzir significativamente as perdas aparentes, além de promover maior envolvimento da população na conservação dos recursos. Nesse sentido, a literatura destaca que o engajamento comunitário, aliado a campanhas de conscientização, constitui um fator multiplicador na eficácia das políticas de gestão (ONG et al., 2023). No campo da governança, a implementação de políticas de gestão hídrica, como tarifas progressivas e incentivos à conservação, se apresenta como mecanismo regulatório capaz de equilibrar eficiência econômica e justiça social. O monitoramento contínuo, associado ao treinamento de profissionais especializados, permite identificar áreas críticas e aplicar medidas corretivas de forma direcionada, assegurando maior resiliência dos sistemas urbanos de abastecimento (ISET-PI, 2019). www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 361 Outro ponto central refere-se à incorporação de indicadores de desempenho, como o Infrastructure Leakage Index (ILI) e o Non-Revenue Water (NRW), nos contratos de concessão e gestão. Esses indicadores fornecem parâmetros objetivos para a avaliação das concessionárias, garantindo transparência e estimulando investimentos em inovação tecnológica. A presença de metas claras e mensuráveis promove a responsabilização das empresas operadoras e incentiva a busca por soluções estruturais e operacionais que favoreçam a sustentabilidade do sistema (NONO et al., 2024; POLACHOVA; TUHOVCAK, 2024). A combinação entre inovação tecnológica, políticas públicas efetivas e participação social cria um ciclo virtuoso no qual perdas hídricas são reduzidas, a eficiência operacional é ampliada e a segurança hídrica é assegurada a longo prazo. Essa abordagem integrada fortalece não apenas a gestão sustentável dos recursos hídricos no Mato Grosso do Sul, mas também sua relevância como estratégia de desenvolvimento econômico e social (RODRIGUES OLIVEIRA et al., 2025). Tendências emergentes na gestão de perdas hídricas As tendências mais recentes no campo da gestão hídrica apontam para uma forte convergência entre transformação digital, sustentabilidade e resiliência climática. A digitalização do setor, por meio da Internet das Coisas (IoT), sensoriamento remoto e análise preditiva baseada em big data e inteligência artificial (IA), tem permitido identificar vazamentos em tempo real e antecipar falhas antes que comprometam o abastecimento. Yussif, et al. (2023), Wu et al. (2023), Liu et al. (2024), entre outros, destacam que sistemas de monitoramento inteligente aplicados à distribuição de água têm reduzido significativamente o NRW, ampliando a eficiência operacional. Outro vetor de inovação refere-se ao uso de modelagem hidráulica integrada a cenários climáticos, que possibilita projetar o desempenho das infraestruturas sob condições de estresse hídrico crescente. Relatórios recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) ressaltam que incorporar critérios de adaptação climática no planejamento urbano será determinante para a segurança hídrica em regiões vulneráveis (OECD, 2023; OECD, 2024). A economia circular aplicada ao setor hídrico surge como tendência complementar, ao valorizar práticas de reutilização, captação de águas pluviais e aproveitamento energético dos sistemas de saneamento. Tais estratégias não apenas reduzem a pressão sobre mananciais, mas também transformam o abastecimento em um eixo de inovação sustentável (FRIJNS et al., 2024; AWINIA, 2025). Em última análise, a consolidação de parcerias público-privadas orientadas por desempenho, com base em indicadores como o ILI e em metas de redução de perdas atreladas a mecanismos de financiamento verde, evidencia um caminho promissor para a sustentabilidade hídrica. Esse modelo www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 362 favorece a transparência, fortalece investimentos e reforça o papel estratégico da eficiência no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (VYAS-DOORGAPERSAD, 2024). CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise dos indicadores de desempenho dos municípios de Mato Grosso do Sul, especialmente aqueles relacionados às perdas de água e vazamentos na infraestrutura, revelou contrastes significativos na eficiência dos sistemas de abastecimento urbano. Os resultados obtidos, calculados conforme as diretrizes da Associação Internacional da Água (IWA), evidenciaram que municípios como Corumbá enfrentam maiores desafios, enquanto outros apresentaram desempenhos relativamente melhores. Esse panorama reforça a importância da utilização de métricas reconhecidas internacionalmente como instrumentos confiáveis para orientar diagnósticos e ações de gestão voltadas à redução das perdas e promoção da sustentabilidade hídrica nos municípios do estado. Os achados demonstram que a eficiência na gestão de recursos hídricos não ocorre de forma aleatória, mas depende diretamente da capacidade dos municípios em identificar áreas críticas, implementar procedimentos de controle e investir em infraestrutura adequada. Nesse sentido, a análise comparativa realizada neste estudo oferece subsídios práticos para a formulação de estratégias mais eficazes de mitigação das perdas de água, com impacto direto na sustentabilidade dos serviços de abastecimento e qualidade de vida da população. Apesar da relevância dos resultados, o estudo apresenta limitações que precisam ser consideradas. A disponibilidade e qualidade dos dados variam entre os municípios, comprometendo a precisão das análises. Além disso, aspectos relevantes como as variações de vazão em cada rede de distribuição e ausência de padronização nos equipamentos de medição e monitoramento não foram contemplados. Essas lacunas ressaltam a necessidade de ampliar o escopo investigativo para capturar com maior profundidade as complexidades envolvidas na gestão de perdas de água. Como sugestão para pesquisas futuras, recomenda-se que sejam incorporadas variáveis operacionais, tecnológicas e institucionais, de modo a refinar a compreensão dos fatores condicionantes das perdas nos sistemas de abastecimento urbano. A padronização e modernização dos instrumentos de medição, associadas a análises detalhadas das dinâmicas hidráulicas, podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais assertivas, ampliando a eficácia das políticas públicas e fortalecendo a gestão hídrica nos municípios. Em síntese, os resultados apresentados confirmam que o enfrentamento das perdas de água exige planejamento estratégico, investimentos em infraestrutura e mecanismos consistentes de monitoramento. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 363 A experiência do estado de Mato Grosso do Sul mostra que, embora existam fragilidades, há espaço para avanços significativos quando se alinham métricas reconhecidas, inovação tecnológica e engajamento institucional. Dessa forma, o estudo contribui não apenas para o aprimoramento da gestão hídrica local, mas também para o debate nacional sobre eficiência e sustentabilidade nos sistemas de abastecimento urbano. Os resultados desta pesquisa apresentam implicações diretas para o planejamento e a formulação de políticas públicas voltadas à gestão hídrica em Mato Grosso do Sul. Recomenda-se a incorporação de planos de modernização das redes de distribuição, investimentos em tecnologias inteligentes de detecção de vazamentos e capacitação técnica contínua das operadoras locais, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente ODS 6 (Água potável e saneamento), o ODS 9 (Indústria, inovação e infraestrutura) e o ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis). A adoção de políticas de governança hídrica multiescalar, com integração entre municípios, estado e setor privado, é essencial para fortalecer a resiliência das infraestruturas e promover o uso eficiente dos recursos. Tais ações contribuem não apenas para reduzir as desigualdades territoriais na prestação dos serviços de água, mas também para consolidar um modelo de gestão alinhado às metas da Agenda 2030 e aos princípios de sustentabilidade e equidade ambiental. REFERÊNCIAS ALEGRE, H. et al. Performance Indicators for Water Supply Services. London: IWA, 2000. 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