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Supervisão Clínica de pares em Enfermagem - Identificar e Superar Desafios na Implementação: uma scoping review

Teixeira, Helena; Feijó, Neide

Abstract

Enquadramento: A Supervisão Clínica (SC) contribui para o desenvolvimento profissional, aperfeiçoamento da qualidade dos cuidados e segurança dos utentes. No entanto, a implementação de processos de Supervisão Clínica de pares em Enfermagem pode ser desafiadora, ainda que crucial para aprimorar a qualidade dos cuidados prestados. Objetivo: Mapear a evidência científica sobre as barreiras dificultadoras na implementação de um processo de Supervisão Clínica de pares na prestação de cuidados de enfermagem e identificar de forma clara os fatores facilitadores do processo. Métodos: Scoping review orientada pela metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute. Pesquisa realizada nas bases de dados: CINAHL®, Nursing & Allied Health Collection, Cochrane Database of Systematic Reviews; Library, MedicLatina, via EBSCOhost. Considerados os estudos publicados em inglês, português e espanhol dos últimos cinco anos, com posterior análise de relevância, extração e síntese dos dados e elaboração do respetivo fluxograma Prisma. Resultados: Das evidências recolhidas emergem duas categorias: as barreiras/desafios e os facilitadores para a implementação eficaz de SC de pares em Enfermagem. Na categoria barreiras/desafios, destacamos três subcategorias: fatores individuais, restrições contextuais e barreiras organizacionais. Na categoria facilitadores, os achados evidenciam três subcategorias: relacionamento e comunicação eficaz; criação de ambiente favorável e desenvolvimento de políticas organizacionais. Conclusões: O reconhecimento dos fatores que facilitam e dificultam a implementação de processos de SC de pares em Enfermagem possibilita o desenvolvimento de estratégias que incentivem a participação dos enfermeiros, reduzam as restrições e maximizem as oportunidades.

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Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 53 Recebido em 20/09/2024 Aprovado em 07/07/2025 Avaliado pelo sistema double blind peer review SUPERVISÃO CLÍNICA DE PARES EM ENFERMAGEM - IDENTIFICAR E SUPERAR DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO: UMA SCOPING REVIEW Helena Teixeira [1], Neide Feijó [2] [1] ULS Tâmega e Sousa, EPE, Portugal [2] Insight – Piaget Research Center for Ecological Human Development, Portugal [email protected] RESUMO Enquadramento: A Supervisão Clínica (SC) contribui para o desenvolvimento profissional, aperfeiçoamento da qualidade dos cuidados e segurança dos utentes. No entanto, a implementação de processos de Supervisão Clínica de pares em Enfermagem pode ser desafiadora, ainda que crucial para aprimorar a qualidade dos cuidados prestados. Objetivo: Mapear a evidência científica sobre as barreiras dificultadoras na implementação de um processo de Supervisão Clínica de pares na prestação de cuidados de enfermagem e identificar de forma clara os fatores facilitadores do processo. Métodos: Scoping review orientada pela metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute. Pesquisa realizada nas bases de dados: CINAHL®, Nursing & Allied Health Collection, Cochrane Database of Systematic Reviews; Library, MedicLatina, via EBSCOhost. Considerados os estudos publicados em inglês, português e espanhol dos últimos cinco anos, com posterior análise de relevância, extração e síntese dos dados e elaboração do respetivo fluxograma Prisma. Resultados: Das evidências recolhidas emergem duas categorias: as barreiras/desafios e os facilitadores para a implementação eficaz de SC de pares em Enfermagem. Na categoria barreiras/desafios, destacamos três subcategorias: fatores individuais, restrições contextuais e barreiras organizacionais. Na categoria facilitadores, os achados evidenciam três subcategorias: relacionamento e comunicação eficaz; criação de ambiente favorável e desenvolvimento de políticas organizacionais. Conclusões: O reconhecimento dos fatores que facilitam e dificultam a implementação de processos de SC de pares em Enfermagem possibilita o desenvolvimento de estratégias que incentivem a participação dos enfermeiros, reduzam as restrições e maximizem as oportunidades. Palavras-chave: Supervisão Clínica, Cuidados de Enfermagem, Enfermeiros. CLINICAL PEER SUPERVISION IN NURSING - IDENTIFYING AND OVERCOMING CHALLENGES IN IMPLEMENTATION: A SCOPING REVIEW ABSTRACT Background: Clinical Supervision contributes to professional development, improvement in the quality of care, and patient safety. However, the implementation of Clinical Peer Supervision in Nursing processes can be challenging, though crucial for enhancing the quality of care provided. Objective: Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 54 Map scientific evidence on the barriers that hinder the implementation of a peer Clinical Supervision (CS) process in the provision of nursing care and clearly identify the factors that facilitate the process. Methods: A scoping review guided by the methodology proposed by the Joanna Briggs Institute. Research was conducted in the following databases: CINAHL®, Nursing & Allied Health Collection, Cochrane Database of Systematic Reviews; Library, MedicLatina, via EBSCOhost. Studies published in English, Portuguese, and Spanish from the last five years were considered, followed by relevance analysis, data extraction and synthesis, and the development of the corresponding flowchart. Results: Two categories emerged from the collected evidence: barriers/challenges and facilitators for the effective implementation of peer CS processes in Nursing. In the barriers/challenges category, we highlight 3 subcategories: individual factors, contextual constraints, and organizational barriers. In the facilitators category, the findings reveal 3 subcategories: relationship and effective communication; creation of a supportive environment; and development of organizational policies. Conclusions: Recognizing the factors that facilitate and hinder the implementation of CS of peers in Nursing processes enables the development of strategies that encourage nurse participation, reduce constraints, and maximize opportunities. Keywords: Clinical Supervision, Nursing Care, Nurses. 1 INTRODUÇÃO A importância da qualidade nos cuidados de saúde é cada vez mais reconhecida e valorizada, assim como a necessidade de os profissionais de saúde receberem apoio constante para aprimorar a sua prática. No caso específico da enfermagem, a SC pode ser vista como um meio para apoiar os enfermeiros, garantindo a segurança e a qualidade do atendimento, beneficiando todos aqueles que utilizam os serviços de saúde. Segundo a Ordem Enfermeiros (2018), a Supervisão Clínica em Enfermagem (SCE) deve ser entendida como um processo formal, sistemático, dinâmico e interpessoal, com o intuito de promover a tomada de decisão autónoma, considerando a proteção da pessoa, a qualidade e a segurança dos cuidados, com o propósito de contribuir para a construção da aprendizagem, do conhecimento e do desenvolvimento de competências profissionais, analíticas e de reflexão. Considerada, por isso, um método estruturado e sistemático que se apresenta como uma mais-valia para a qualidade e segurança dos cuidados, através do aprimoramento de competências, promovendo uma boa gestão emocional dos profissionais, prevenindo erros e fornecendo uma base sólida para a decisão clínica (Abreu, 2024). Muito se tem escrito sobre SC nos últimos anos, continuando a ser necessário uma reflexão sobre o conceito que, não sendo o mesmo de há 30 anos, apresenta dificuldades atuais diferentes das de outrora (Oliveira, 2023). A literatura científica corrobora essa afirmação ao referir que a ausência de uma política organizacional em SC, a inexistência de programas de formação e a ausência de registos referentes à SC são alguns dos desafios encontrados face à implementação da SC (Nascimento, 2021). Fatores pessoais e institucionais também se estabelecem como barreiras à implementação de modelos de SC (Rocha, 2022). Constrangimentos de natureza individual e contextual, que se apresentam como impedimentos, urgem ser ultrapassados (Pires et al., 2021) e, ainda, o desconhecimento e as crenças associadas à SC, as características do supervisor, a relação estabelecida com o supervisionado podem impactar a implementação da SC (Teixeira & Pires, 2022). Vista como uma ferramenta crucial para aprimorar a qualidade dos cuidados prestados, a implementação de processos de SC de pares pode, portanto, ser desafiadora e dificultada pela presença de diversos obstáculos. Continuando a temática a ser digna de debate, visando favorecer a Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 55 adoção de melhores práticas de SC e a promoção de pesquisas cujos resultados contribuam para superar esses desafios. Tornando-se especialmente relevante, considerando o impacto significativo que as práticas que envolvem enfermeiros, com funções de supervisores clínicos, têm na qualidade dos cuidados de enfermagem (Nascimento, 2021). Por forma a garantir que a SC de pares em Enfermagem seja efetivamente implementada, é importante formalizá-la em toda a estrutura do serviço e da instituição, garantindo a participação e o envolvimento de todos os profissionais (Carvalho, 2017). Deve ser adequada aos contextos da prestação de cuidados e às necessidades dos enfermeiros, para facilitar o desenvolvimento de competências de supervisão, incluindo o desenvolvimento de capacidades de relação entre pares (Pereira, 2022). Por outro lado, a realização de mais estudos, maior número de horas de formação para supervisores clínicos e uma maior vinculação organizacional com os processos de SC, podem também facilitar o processo (Rocha, 2022). De acordo com estudos recentes (West et al., 2020), enfermeiros que demonstram maior motivação, comprometimento e bem-estar tendem a apresentar um desempenho superior, maior persistência e criatividade no exercício de suas funções, traduzindo-se num impacto positivo na segurança e na qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. No entanto, é importante notar que muitos enfermeiros enfrentam desafios significativos no ambiente de trabalho, incluindo sentimentos de infelicidade, stresse e ansiedade, originando uma visão negativa da carreira, com alguns enfermeiros a considerar mesmo abandoná-la. Especialmente, quando se deparam com a falta de supervisão e apoio adequados, que poderiam ser fornecidos por preceptores ou supervisores clínicos (Hansen, 2021). Além disso, é crucial que os supervisores recebam a devida formação para desempenhar eficazmente as suas funções, garantindo assim um ambiente de trabalho mais solidário e eficiente. Num ambiente de trabalho moderno e exigente, a ausência de suporte e de interação regular com um supervisor pode originar uma experiência negativa para os enfermeiros, afetando as suas necessidades essenciais no trabalho (West et al., 2020). Sendo que uma supervisão favorável, centrada na eliminação de obstáculos no local de trabalho, favorece uma cultura de aprendizagem e responsabilização, em detrimento de culturas diretivas e de controlo focadas na culpa, garantindo a aprendizagem, o desenvolvimento de competências e conhecimentos profissionais (West et al., 2020). Assim, compreender os obstáculos torna-se crucial, pois possibilita a formulação de estratégias para minimizar e superar as dificuldades (Rocha, 2022), tornando-se fundamental para o sucesso, o conhecimento e identificação das barreiras, considerando-se urgente discutir e enfrentar o desafio de implementar a SCE (Teixeira & Pires, 2022). Por outro lado, conhecer os fatores facilitadores, ajuda a concentrar esforços nos aspetos positivos, impulsionando o potencial de todo o processo de implementação da SCE (Rocha, 2022). Baseados nestes pressupostos, considera-se pertinente mapear a evidência científica existente nesta área, contribuindo assim para conhecer os diferentes desafios encontrados e, com isso, promover a implementação de processos de SC de pares nos serviços de saúde, tornando-a mais plausível para os profissionais, para as organizações e, acima de tudo, traduzindo qualidade nos cuidados prestados. O propósito deste estudo passa então por mapear a evidência científica sobre os obstáculos que surgem ao implementar um processo de SC de pares na prestação de cuidados de enfermagem, bem como identificar quaisquer meios facilitadores ou estratégias de mitigação. Utilizando a abordagem PCC (Participantes/População, Contexto e Conceito), formulou-se a seguinte questão norteadora: Quais as principais dificuldades encontradas ao implementar um sistema de SC de pares na prestação de cuidados de enfermagem? Servindo de mote para todo o estudo, na expectativa de encontrar uma base sólida para explorar e compreender as complexidades envolvidas na implementação da SC de Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 56 pares na prática de enfermagem, dada a ausência de revisões anteriores específicas para este tipo de problemática. 2 METODOLOGIA 2.1 Tipo de estudo Com o intuito de atender aos objetivos propostos, foi decidida a realização de uma scoping review, uma vez que este tipo de estudo permite mapear evidências implícitas à temática em estudo, possibilitando o reconhecimento de lacunas (Tricco et al., 2018). Assim, optamos pela metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute (Peters et al., 2020), obedecendo às nove etapas: 1) título, 2) desenvolvimento do título e da pergunta, 3) introdução, 4) critérios de inclusão, 5) estratégia de pesquisa, 6) seleção das fontes de evidência, 7) extração dos dados, 8) análise das evidências e 9) apresentação dos resultados. Para a construção da questão norteadora, utilizou-se a estratégia PCC, conforme delineado na Tabela 1. Tabela 1 – Acrónimo PCC Participantes (P) Enfermeiros Conceito (C) Supervisão clínica de pares Contexto (C) Cuidados de Enfermagem 2.2 Protocolo e registo Foram garantidos os princípios adotados pelo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR®), de modo a garantir o rigor metodológico do estudo (Page et al., 2020). O protocolo desta scoping review encontra-se registado na plataforma no Open Science Framework (OSF) HOME (DOI 10.17605/OSF.IO/P5UTY) podendo ser consultado através do link: https://osf.io/p5uty/ 2.3 Critérios de elegibilidade De forma a orientar a seleção dos estudos para dar resposta à questão elaborada, foram determinados critérios de inclusão e exclusão. Como critérios de elegibilidade foram definidos os estudos que abordassem a implementação de processos de SC de pares em enfermagem, no âmbito da prestação de cuidados de enfermagem e sem restrição de desenho. No sentido de garantir o conhecimento mais recente, proporcionando uma visão abrangente do estado atual da pesquisa sobre o tema, optamos por restringir a pesquisa a estudos publicados nos últimos cinco anos (de 2019 a março de 2024). No que concerne aos critérios de exclusão, foram excluídos todos os estudos que não atendiam aos critérios de elegibilidade, nomeadamente aqueles que debatessem a SC de estudantes de enfermagem e de outras áreas científicas. As listas de referências da literatura foram verificadas, assim como a literatura cinzenta, no sentido de identificar estudos complementares; no entanto não foram incluídos os artigos de literatura cinzenta no quadro de análise. A busca foi realizada nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis em free full text. 2.4 Fontes de informação A pesquisa para a seleção dos estudos ocorreu em março de 2024, nas seguintes bases de dados: CINAHL® Complete, MEDLINE Complete, Nursing & Allied Health Collection, Cochrane Database of Systematic Reviews, Library, Information Science & Technology Abstracts, MedicLatina (via EBSCOhost), tendo em conta a estratégia de busca delineada. De referir que não foram encontradas Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 57 evidências do tipo revisão scoping sobre esta temática. Para a pesquisa de informação foram utilizados os descritores nos idiomas inglês, espanhol e português, nomeadamente os descritores do Medical Subject Heading (MeSH): “Clinical supervision”; Preceptorship; “Nursing care” e Nurses. 2.5 Estratégia de busca De forma a facilitar a busca, foram utilizados os operadores booleanos “AND”, “OR” e “NOT”. O operador booleano AND foi utilizado entre os temas distintos e o OR entre os termos sinónimos. Com o objetivo de refinar ainda mais a pesquisa, utilizamos o operador booleano “NOT” para especificar critérios de exclusão. Desta combinação resultou a seguinte estratégia de pesquisa utilizada: TX "Clinical Supervision" OR TX Preceptorship AND TX "Nursing care" AND TX Nurses NOT TX Physicians NOT TX "Physical Therapists" NOT TX Pharmacists NOT TX "Nursing students". 2.6 Seleção dos estudos Os estudos identificados segundo os critérios de elegibilidade foram ordenados na plataforma Qatar Computing Research Institute (Rayyan QCRI®). Após a leitura do título e resumo, seguiu-se a leitura na íntegra dos estudos identificados. Os resultados apurados, tendo em conta os critérios de elegibilidade, foram então descritos conforme o fluxograma PRISMA-ScR® (Page et al., 2020) e apresentados na figura seguinte (Figura 1). Figura 2 – Fluxograma do processo de seleção dos estudos. 2.7 Extração dos dados A extração dos dados foi efetuada por dois revisores e orientada por uma tabela de evidências (Tabela 2) desenvolvida pelos autores, constituída pelos itens: título, autor e ano de publicação, origem, objetivos, metodologia, contexto, tipo de intervenção e os principais resultados. Em caso de discrepância seria utilizado um terceiro revisor, algo que não se verificou. Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 58 Tabela 2 – Síntese dos estudos selecionados para a revisão 1 Título E1 - Job Satisfaction of Nurses in the Context of Clinical Supervision: A Systematic Review Autor(es)/Ano Origem Hudays A. et al., 2024 Arábia Saudita Objetivos Reunir e analisar dados de pesquisas existentes sobre os efeitos da intervenção da supervisão clínica na satisfação profissional dos enfermeiros e resultados relacionados, como níveis de stresse, esgotamento e qualidade do cuidado. Contexto/serviço Não aplicável Metodologia Revisão sistemática Tipo de intervenção Não Aplicável Principais contributos Necessidade de melhorar as políticas e estratégias em resposta à SC Necessidade de investir em programas de formação e educação para supervisores Reforço das capacidades de liderança, competências de comunicação e conhecimentos clínicos dos profissionais de saúde. Apoio crucial à investigação e a inovação nas práticas de SC. Título E2 - Restorative clinical supervision: a chance for change but are we ready? Autor(es)/Ano Origem Featherbe R., 2023 Inglaterra Objetivos Avaliar o estado atual do bem-estar profissional e os impulsionadores para o desenvolvimento do modelo A-EQUIP Analisar criticamente a literatura disponível sobre os efeitos da supervisão clínica Investigar a sustentabilidade do modelo no contexto das barreiras individuais e organizacionais Fazer uma série de recomendações para apoiar a implementação bem-sucedida do Modelo A-EQUIP na prática. Contexto/serviço Não Aplicável Metodologia Artigo de reflexão crítica Tipo de intervenção Modelo A-EQUIP Principais contributos Barreiras individuais: Falta de tempo e conhecimento para aceder a supervisão; ausência de conhecimento sobre SC; Desconfiança na organização/suspeita sobre o motivo pelo qual é implementada; sentimento de culpa pelo tempo afastado do atendimento ao doente; Disponibilidade restrita devido ao padrão de turno/antissocial jornada de trabalho, Enfermeiro supervisor é o gestor direto, trabalha na mesma área ou ocupa um cargo de liderança; Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 59 Barreiras organizacionais: Falta de espaço físico ou locais adequados; Falta de liderança de apoio; Cultura organizacional deficiente; Baixos níveis de pessoal/falta de cobertura para funcionários isentos; enfermeiros supervisores com acumulação de responsabilidades organizacionais importantes. Facilitadores: Acesso à SC para todos os enfermeiros com supervisores qualificados; disponibilização de tempo dedicado à SC para enfermeiros e supervisores; os líderes clínicos mais proativos, aprovando explicitamente a participação em processos de SC para o desenvolvimento profissional, promover a transparência e a confiança nas equipes, assegurar que todos conheçam a SC e como aceder-lhe, garantir supervisores qualificados disponíveis e permitir aos enfermeiros escolher supervisores não diretamente ligados à gestão. Além disso, devem ser proativas no envolvimento com o pessoal e incentivar decisões partilhadas e trabalho colaborativo. Título E3 - Embedding the A-EQUIP model of restorative supervision in a critical care unit by professional nurse advocates Autor(es)/Ano Origem Wade R., 2023 Inglaterra Objetivos Explorar a implementação do programa Professional Nurse Advocate numa unidade de cuidados intensivos Contexto/serviço Unidade de cuidados intensivos Metodologia Estudo misto Tipo de intervenção Modelo A-EQUIP Principais contributos Ausência de conhecimentos sobre SC. Identifica a implementação de sessões em horários fixos como uma barreira, dificultando a participação devido a atividades clínicas e cargas de trabalho. Isso obriga a considerar métodos criativos e flexíveis para facilitar a participação e a acessibilidade dos enfermeiros nas sessões de SC. Reconhece a importância dos supervisores também receberem supervisão. Revela a importância do planeamento e uma abordagem personalizada antes da implementação. A comunicação é essencial para informar o pessoal sobre o papel do supervisor e do processo de SC. Compartilhar práticas e ideias entre supervisores torna-se benéfico para apoio e melhoria na prática. Título E4 - Supporting nursing, midwifery and allied health professional teams through restorative clinical supervision Autor(es)/Ano Origem Baldwin S. et al., 2022 Inglaterra Objetivos Discutir a implementação de um programa de supervisão clínica restaurativa utilizado para apoiar o bem-estar do pessoal de enfermagem, obstetrícia e equipas de profissionais de saúde. Contexto/serviço Hospitalar Metodologia Narrativa Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 60 Tipo de intervenção A-EQUIP Principais contributos Barreiras: falta de compreensão do processo de SC e dos benefícios associados; problemas para perder tempo na prestação de cuidados e tempo necessário para fornecer SC; numero de supervisores insuficientes; falta de espaço privado para realizar sessões de SC; Facilitadores: apoio e empenho dos gestores a todos os níveis (equipa, departamento, divisão e conselho de administração); existência de uma liderança compassiva organizacional, proporcionando tempo para participar nas sessões de SC; fornecer SC a todos os supervisores, reconhecendo suas necessidades; Trabalhar de forma colaborativa, fortalecendo relações profissionais; lideres que representam a SC na organização, que coordenem a formação de supervisores, os supervisores; processos robustos de recolha de dados e avaliação para garantir que todos os supervisores tenham acesso à supervisão de grupo para si próprios e que sejam mantidos padrões de alta qualidade para todas as sessões de supervisão oferecidas. Título E5 - CLINICAL SUPERVISION AVAILABILITY IN SYDNEY MATERNITY UNITS Autor(es)/Ano Origem Catling & Donovan H., 2022 Austrália Objetivos Descrever a prevalência do fornecimento de CS nas maternidades de Sydney. Contexto/serviço Maternidade Metodologia Ensaio randomizado controlado Tipo de intervenção Não aplicável Principais contributos Identifica como barreiras: a dificuldade em encontrar supervisores qualificados; supervisores demasiado ocupados para desenvolverem SC; os funcionários não consideram a frequência nas sessões de SC uma prioridade; falta de tempo para assistir às sessões de supervisão; falta de compreensão do que é a SC. Facilitadores: forte apoio organizacional; disponibilização de tempo para participar nas sessões de SC; formas criativas para garantir a oportunidade de frequentar a CS e e disponibilizar supervisores clínicos devidamente formados. Título E6 - Can restorative clinical supervision positively impact the psychological safety of midwives and nurses? Autor(es)/Ano Origem Carter, V. 2022 Inglaterra Objetivos Descrever a aplicação de uma análise SWOT (pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças) no processo de implementação de supervisão clínica através do modelo A-Equip (Advogando e Educando para a Melhoria da Qualidade) Contexto/serviço Obstetrícia Metodologia Artigo reflexão crítica Tipo de intervenção A-Equip Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 61 Principais contributos Reconhece a existência de muitos desafios de implementação de processos de SC: O tempo necessário para realizar e receber SC a fragilidade do processo; tempo para formar supervisores; alguns gestores dão mais apoio do que outros. Diferente disponibilidade e capacidade de dedicação e envolvimento em processos de SC por parte dos enfermeiros, enquanto enfrentam pressões de trabalho implacáveis. Importância vital do apoio e o investimento gestão de topo. Título E7 - Newly graduated nurses' evaluation of the received orientation and their perceptions of the clinical environment: An intervention study Autor(es)/Ano Origem Lindfors K. et al., 2022 Finlândia Objetivos Examinar o impacto da intervenção educacional dos preceptores no período de orientação dos novos enfermeiros graduados e seu ambiente de aprendizagem clínica do ponto de vista dos novos enfermeiros graduados. Contexto/serviço Hospitalar Metodologia Estudo quase experimental Tipo de intervenção Período de orientação 1-2 semanas Principais contributos Revela a importância da relação entre supervisores e supervisionados baseada na igualdade, no respeito mútuo e na aprovação. Orientação individualizada, como facilitadora do conhecimento das necessidades e expectativas individuais, facilitando a gestão do tempo e dos recursos humanos escassos. Importância do desenvolvimento de uma cultura de feedback, individualizar os períodos de orientação e compreender que a orientação deve ser o de interesse comum. Os enfermeiros gestores devem pensar que investir na orientação é investir no futuro. Título E8 - Rebooting effective clinical supervision practices to support healthcare workers through and following the COVID-19 pandemic Autor(es)/Ano Origem Martin P. et al., 2022 Austrália Objetivos Demonstrar que a supervisão clínica apoia os profissionais de saúde em tempos difíceis. Contexto/serviço Não aplicável Metodologia Narrativa Tipo de intervenção Não aplicável Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 68 Título E21 - The Scottish Clinical Supervision Model for midwives Autor(es)/Ano Origem Key S. et al., 2019 Escócia Objetivos Apresentar os processos envolvidos no Modelo Escocês de Supervisão Clínica Contexto/serviço Obstetrícia Metodologia Estudo narrativo Tipo de intervenção Modelo Escocês de Supervisão Clínica Principais contributos Apresenta possíveis barreiras à implementação: sentimentos ambivalentes e de resistência face ao programa de SC (por restrições de tempo, pessoal ou implementação de um modelo de SC pouco facilitado e não estruturado). Como facilitadores: importância de que o supervisor e o supervisionado negociem algumas regras básicas no início do processo; tempo, privacidade e um ambiente adequado; uma relação colaborativa e de confiança é necessária para supervisão seja eficaz e bem-sucedida. O estabelecimento de uma relação positiva e de qualidade entre supervisor e supervisionado é essencial para garantir a eficácia do processo de supervisão. Reconhece a importância dos supervisores também necessitarem de formação. Título E22 - Mentoring of Community Service Nurses: Nurse Managers’ Perceptions Autor(es)/Ano Origem Khunou S., 2019 África do Sul Objetivos Explorar e descrever as perceções dos enfermeiros gestores em relação à orientação dos enfermeiros de serviço comunitário em unidades de saúde pública na província do Noroeste da África do Sul Contexto/serviço Serviço comunitário Metodologia Estudo qualitativo, exploratório e descritivo Tipo de intervenção Não aplicável Principais contributos Os enfermeiros gestores expressam a necessidade de apoio em termos de reconhecimento, recompensas e workshops para orientar adequadamente os enfermeiros de serviço comunitário. Os administradores e gestores seniores devem apoiar enfermeiros gestores proporcionando oportunidades de desenvolvimento, recursos e financiamento para orientação. Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 69 Título E23 - Restorative clinical supervision: a reflection Autor(es)/Ano Origem Macdonald B., 2019 Inglaterra Objetivos Explorar mais detalhadamente a prestação de supervisão clínica restaurativa Refletir criticamente sobre os resultados benéficos para as parteiras que enfrentam pressões extremas e sobre os cuidados que as mulheres recebem. Contexto/serviço Obstetrícia Metodologia Artigo de reflexão crítica Tipo de intervenção Modelo A-Equip Principais contributos Revela a recusa no envolvimento na SC. Identifica a importância da sessões de SC estruturadas e previamente planeadas. Para serem consideradas um “espaço seguro” para os participantes. Título E24 - The role of the PMA and barriers to the successful implementation of restorative clinical supervision Autor(es)/Ano Origem Rouse S., 2019 Inglaterra Objetivos Rever criticamente a implementação da supervisão clínica restaurativa na prática, examinando os potenciais desafios para o sucesso da implementação do modelo A-EQUIP. Contexto/serviço Obstetrícia Metodologia Reflexão crítica Tipo de intervenção A-EQUIP Principais contributos Identifica desafios: disponibilidade de supervisores, espaço físico para realizar as sessões e potenciais custos de treinamento contínuo. Dificuldades em comparecer às sessões durante o horário de trabalho devido a ambientes de trabalho ocupados e restrições de tempo. Dificuldades em envolver-se totalmente no processo devido a interrupções ou se o ambiente não for propício às necessidades dos participantes (ausência de privacidade ou confidencialidade). O tempo protegido para supervisão clínica pode apresentar dificuldades em áreas com níveis de pessoal comprometidos. A disponibilidade limitada de supervisores treinados. A falta de compreensão do objetivo da SC afeta a frequência às sessões. Diferentes funções desempenhadas pelos supervisores pode influenciar o desejo do supervisionado de solicitar apoio. O pessoal continua a duvidar dos benefícios e continua a colocar as suas próprias necessidades como uma prioridade baixa. Como facilitadores: o apoio a todos os níveis; apoio organizacional na atribuição de tempo protegido e seleção de embaixadores para implementar o modelo; o investimento individual de todos os envolvidos, e a percepção dos potenciais benefícios a longo prazo para a profissão como um todo; atender às necessidades específicas de cada serviço individualmente. Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 70 Título E25 - Evaluation of a structured preceptorship programme Autor(es)/Ano Origem Tucker G. et al., 2019 Inglaterra Objetivos Descrever a avaliação por preceptores e preceptorados após implementação de um programa estruturado de preceptoria para recém-formados. Contexto/serviço Comunitário Metodologia Estudo qualitativo Tipo de intervenção Programa estruturado de preceptoria Principais contributos Desafios na implementação: tempo protegido difícil de garantir. Facilitadores: Adesão dos gestores de serviços em termos de tempo protegido; promoção do relacionamento com o preceptorado e um programa de preceptoria estruturado são vitais. 1 Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 71 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS De acordo com os critérios definidos previamente, foram 25 os artigos selecionados para a elaboração do presente estudo. As evidências obtidas foram tratadas através da análise de conteúdo e posteriormente discutidas à luz da literatura existente na área. Assim, os artigos fornecem uma visão abrangente das questões ligadas à SC de pares na prática de enfermagem, abordando uma série de desafios e fatores facilitadores que influenciam a sua implementação e eficácia, em períodos diversos, abrangendo diferentes contextos, países e tipo de intervenção. Dos 25 artigos selecionados para incluírem a scoping review, um data de 2024 (E1), dois datam do ano de 2023 (E2, E3), seis são referentes ao ano 2022 (E4, E5, E6, E7, E8, E9), cinco datam de 2021 (E10, E11, E12, E13, E14), e outros cinco de 2020 (E15, E16, E17, E18, E19) e os restantes seis são relativos ao ano 2019 (E20, E21, E22, E23, E24, E25). Denota-se também, uma multiplicidade de contextos, desde o genérico ambiente hospitalar (E4, E7, E12) ao ambiente comunitário (E17, E22, E25), passando por contextos mais restritos como obstetrícia/maternidade (E5, E6, E16, E18, E21, E23, E24), cuidados intensivos (E3), cuidados de saúde mental (E9, E14) e cuidados paliativos (E19). Quanto à origem, são diversas as nacionalidades, grande parte são de Inglaterra (E2, E3, E4, E6, E10, E15, E23, E24, E25), Portugal (E9, E12, E13, E14) e Austrália (E5, E8, E17), passando ainda por países como África do Sul (E20, E22), Arábia Saudita (E1), Coreia (E11), Escócia (E21), Finlândia (E7), Irlanda do Norte (E19), Nepal (E18) e Nova Zelândia (E16). Relativamente ao tipo de intervenção são vários os estudos em que não é apresentada uma intervenção específica (E1, E5, E8, E10, E15, E17, E22) no entanto, alguns fazem referência ao modelo A-Equip (E2, E3, E4, E6, E23, E24), outros ao modelo SafeCare (E9, E12, E14), um ao modelo escocês de SC (E21) e a outros programas de mentoria ou preceptoria não específicos (E7, E11, E16, E18, E19, E20, E25). Com base na análise dos artigos selecionados, foram delineadas duas categorias, cada uma com três subcategorias (Tabela 3): barreiras/desafios e facilitadores para a implementação eficaz de processos de Supervisão Clínica de pares em Enfermagem. Dentro da categoria barreiras/desafios, emergiram três subcategorias: fatores individuais, restrições contextuais e barreiras organizacionais. Dentro da categoria facilitadores, surgiram três subcategorias: relacionamento e comunicação eficaz; criação de ambiente favorável e desenvolvimento de políticas organizacionais. De certa forma, esta organização vai ao encontro das conclusões de Rocha (2022) ao identificar a existência de fatores pessoais e institucionais que se estabelecem como barreiras à implementação de modelos de SC. E também do facto de existirem vários constrangimentos de natureza individual e contextual (Pires et al., 2021). Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 72 Tabela 3 – Organização das evidências científicas encontradas Categoria Subcategorias Evidências Barreiras/desafios Fatores individuais Resistência a mudança Incompreensão do processo Forma de aceder e benefícios associados Frequência não priorizada Sentimentos de culpa por ausência Expectativas individuais Supervisores inexperientes Restrições contextuais Especificidade dos contextos Restrição de tempo Interrupções ambientais Supervisores com cargos de liderança Barreiras organizacionais Programas deficientes Supervisores desprovidos de formação Liderança sem suporte Escassez de recursos humanos Cultura organizacional frágil Facilitadores Relacionamento e comunicação eficaz Transparência e honestidade para confiança Orientação personalizada Consciencialização e acesso à SC Criação de ambiente favorável Tempo dedicado Criação de ambientes promissores Garantia de criatividade no acesso Desenvolvimento de políticas organizacionais Apoio e compromisso da liderança Melhoria de políticas e estratégias Profissional de Saúde Mental Formação para supervisores Apoio à investigação Dos vários artigos analisados, podemos identificar varias evidências sobre barreiras individuais que podem ir desde sentimentos de resistência a mudança (E12, E14, E21, E22); incompreensão do processo de SC, como aceder e quais os seus benefícios associados (E2, E4, E5, E7, E10, E12, E13, E24); o facto de não considerarem a frequência nas sessões de SC uma prioridade (E5); os sentimento de culpa pelo tempo afastado do atendimento ao doente (E2, E3, E4) ou mesmo da família afetando a sua satisfação no trabalho (E15); as expectativas individuais como crenças e motivação (E7, E11, E12, E13, E14) e a falta de competências por parte de supervisores (E11, E13, E15, E20, E24 ). De certo modo, as evidências encontradas acabam por ir ao encontro dos fatores pessoais apresentados por Rocha (2022) como barreiras à implementação dos processos de SC de pares. Evidências científicas sugerem também que os enfermeiros podem enfrentar sentimentos de infelicidade no trabalho, stresse, ansiedade, uma visão negativa, muitas vezes pela falta de supervisão e apoio, que pode ser favorecido por um Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 73 supervisor clínico (Hansen, 2021) e que enfermeiros mais motivados e empenhados, desenvolvem melhor o seu desempenho (West et al., 2020). No que se refere às restrições contextuais, os artigos selecionados evidenciam as características específicas dos contextos (E13, E14, E18); ambientes de trabalho ocupados devido a padrões de turno ou jornadas de trabalho e com restrições de tempo (E2, E3, E5, E6, E11, E12, E14, E15, E16, E21, E24, E25); interrupções ou ambientes inadequados para a realização das sessões de supervisão (E2, E3, E4, E23) e enfermeiros supervisores que exercem cargos de liderança na mesma área (E2, E16, E24). De acordo com Carvalho (2017), a implementação de processos de SC de pares deve ser adaptada ao contexto em que será inserido e às necessidades dos enfermeiros, por forma a aprimorar a prática profissional e o conhecimento. Também Pereira (2022), corrobora que os processos de SC devem ser adequados aos contextos da prestação de cuidados e às necessidades dos enfermeiros. Numa situação mais específica, Pires (2021) afirma que um dos fatores que impacta a implementação da SC entre pares em contexto comunitário, prende-se com a distância entre os contextos da prática e o trabalho por vezes solitário dos enfermeiros que funcionam como fatores desfavoráveis ao processo. Por outro lado, Rocha (2022) aponta ausência de tempo/recursos e turnos rotativos/desgastantes como obstáculos a implementação da SC de pares reforçando também, alguns dos achados deste estudo. Relativamente às barreiras organizacionais, os dados recolhidos demonstram programas de SC deficitários ou inexistentes (E1, E8, E17, E20, E21); ausência de formação/educação para supervisores (E1, E6, E11, E15, E20, E22); suporte insuficiente dos líderes (E1, E2, E6, E22, E24); carência de recursos humanos, quer profissionais quer supervisores (E2, E4, E5, E7, E12, E13, E14, E15, E18, E21, E24) e cultura organizacional escassa em SC (E1, E2, E6, E7, E8, E13, E20). Estes dados vão de encontro a alguns desafios identificados na literatura, como a ausência de uma política organizacional em SC e a inexistência de programas de formação (Nascimento, 2021), conflitos profissionais e políticos e ausência de tempo/recursos (Rocha, 2022). No entanto, questões relacionadas com a ausência de registos sobre SC, conforme afirma Nascimento (2021), não foram encontradas na nossa análise. No que concerne à categoria dos facilitadores, vários artigos apresentam indícios de como promover a SC de pares. Na subcategoria relacionamento e comunicação eficaz, surge a promoção da transparência e honestidade com as equipes para construir confiança, comunicação aberta e um relacionamento entre supervisor e supervisionado eficaz (E2, E4, E7, E10, E14, E20, E21, E25); a necessidade de uma orientação individualizada de acordo com as expectativas e necessidades de cada enfermeiro (E2, E7, E13, E17, E18, E19) e, a garantia que todos estejam conscientes do que é a SC e saibam como aceder-lhe dentro da instituição (E2, E3, E6, E7, E13, E24). A literatura indica que a SC, quando baseada em métodos supervisivos e fortalecida pela relação entre supervisor e supervisionado, tende a ser mais organizada e benéfica, sendo esta relação supervisiva fundamental, bem como as estratégias apropriadas de acordo com as necessidades individuais do supervisionado (Sérgio, 2023). Para garantir a efetividade da implementação da SCE, é importante a participação e o envolvimento de todos os profissionais, o que também permite diminuir níveis de preocupação e de ansiedade em relação às suas responsabilidades (Carvalho, 2017). Na subcategoria criação de ambiente favorável, grande parte dos artigos mencionam a necessidade de tempo protegido ou dedicado, exclusivamente para a SC de pares (E2, E4, E5, E13, E15, E16, E24, E25) como forma de facilitar o processo, evitando sentimentos de culpa pelo tempo afastado do cuidado ao doente, facilitando a participação nas sessões; a criação de ambientes propícios para a realização das sessões de supervisão (E12, E23) ao mesmo tempo que são garantidas formas criativas e oportunidades de as frequentar (E5, E8, E19). As conclusões de um estudo desenvolvido por Mlambo Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 74 e seus colaboradores (2021), sugerem que os enfermeiros enfrentam uma série de desafios em relação à sua participação em processos de desenvolvimento profissional, sendo que, a ausência de financiamento e de tempo para participar nessas atividades estão claramente relacionados com a estrutura organizacional. O que de certa forma corrobora com os dados apresentados nesta categoria e na categoria seguinte. Por outro lado, uma supervisão favorável (baseada no apoio e no suporte), centrada na eliminação de obstáculos no local de trabalho, favorece uma cultura de aprendizagem e responsabilização (West et al., 2020), promovendo a participação dos enfermeiros nas sessões de SC. Relativamente à subcategoria desenvolvimento de políticas organizacionais, o apoio e empenho da liderança a todos os níveis é mencionado em imensos artigos como fator primordial para facilitar a SC de pares (E2, E4, E5, E6, E9, E10, E11, E14, E18, E22, E24). No entanto, outros aspetos são também encontrados nomeadamente: a necessidade de melhorar as políticas e estratégias em resposta à SC (E1, E2, E3, E8, E12, E25) e, de reforçar os recursos humanos supervisores e mesmo outros profissionais (E5, E22). Alguns artigos reportam a importância da existência de um profissional na área da Saúde Mental como facilitador do processo de SC (E14, E16). O investimento em programas de formação essencialmente para supervisores (E1, E4, E5, E12, E15, E17, E18, E21, E22, E23) e o apoio à investigação (E1, E4, E12, E19) são outros aspetos encontrados e que são pertinentes incluir nesta categoria. No fundo, estes achados vão de encontro ao que defende Rocha (2022) quando afirma que um processo de implementação de SCE, não depende apenas e só do empenho dos enfermeiros, mas também do nível de envolvimento organizacional. Por outro lado, os enfermeiros supervisores necessitam de formação formal para cumprirem eficazmente a sua função (Hansen, 2021) e, como declara a OE (2018) o enfermeiro supervisor é alguém com expertise específica em Enfermagem e SC, garantindo um processo de apoio dinâmico, interpessoal e formal ao supervisionado, dentro da disciplina e da profissão de Enfermagem, reforçando a necessidade da formação dos supervisores e a importância dos processos formais de SC. Pelo exposto, considera-se pertinente a divulgação de mais estudos na área da SC de pares em Enfermagem, considerando-se pertinente a continuidade da investigação, no sentido de facilitar a identificação de dificuldades e propor estratégias concretas de mitigação. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Num mundo em constante desenvolvimento, em que cada vez mais se exige a segurança e qualidades dos cuidados de saúde, a SC de pares apresenta-se como uma ferramenta crucial e uma mais-valia para promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros. No entanto, ainda hoje, são diversos os desafios à sua implementação nos mais variados contextos. Das evidências recolhidas, emergem claramente duas categorias principais, cada uma com três subcategorias. Na categoria de barreiras/desafios, os dados destacam-se em três subcategorias: fatores individuais, restrições contextuais e barreiras organizacionais, todas com o potencial de dificultar a implementação eficaz da Supervisão Clínica de pares em Enfermagem. Na categoria de facilitadores, os achados evidenciam três subcategorias: relacionamento e comunicação eficaz; criação de um ambiente favorável; e desenvolvimento de políticas organizacionais, todos essenciais para superar as barreiras e promover a prática da SC de pares de forma eficiente e benéfica. Com o reconhecimento dos fatores que facilitam e dificultam a implementação de processos de SC de pares, foi possível dar resposta ao desígnio inicial da presente scoping review e contribuir para a promoção e implementação de futuros processos de SC de pares em Enfermagem. Em suma, para superar as barreiras identificadas e aproveitar os facilitadores, é essencial um compromisso tanto a nível Supervisão Clínica de pares em Enfermagem – identificar e superar desafios na implementação: uma scoping review Teixeira, H., Feijó, N. Germinare n.º 5. 2025. Doi: https: doi.org/10.5281/zenodo.17224362 75 individual quanto organizacional, garantindo recursos adequados, suporte da liderança e uma cultura que valorize a SC de pares como parte integrante do desenvolvimento profissional em enfermagem. REFERÊNCIAS Abreu, W. (2024, Março, 20) Supervisão clínica em enfermagem, do presente ao futuro [Comunicação por convite]. Supervisão Clínica em Enfermagem Apresent(Ação) Inicial da APoSCE [Webinar], Porto. https://www.youtube.com/watch?v=uWlO6G63sMM Aparício, C., & Nicholson, J. (2020). Do preceptorship and clinical supervision programmes support the retention of nurses? 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