TCCendo saberes UNIPÊ: 2013.1
Full text
TC C endo S aber es UNIPÊ
2013.1
UNIVERSID ADE FEDERAL D A P ARAÍBA
Reit ora
MARG ARETH DE F Á TIMA FORMIGA MEL O DINIZ
Vice-R eitor
EDU ARDO RAMALHO RABENHOR ST
CENTR O UNIVERSIT ÁRIO DE JO ÃO PESSO A – UNIPÊ
PR Ó-REIT ORIA DE PLANEJ AMENTO E DESENV OL VIMENTO EDUCA CIONAL,
PESQUISA E EXTENS Ã O - PR.PDEPE
Reit ora
PR OF A. DRA. AN A FLA VIA PEREIRA MEDEIR OS DA F ONSECA
Vice-R eitor
PR OFº OSW ALDO TRIGUEIR O DO V ALLE
Pró-R eitor a de Planejamento e Desen vol vimento Educacional, P esquisa e Extensão
PR OFª. DRª. IANY CA V AL CANTI D A SIL V A BARROS
EDIT ORA D A UFPB
Diret ora
IZABEL FRANÇA DE LIMA
Vice-Dir etor
JOSÉ L UIZ D A SIL V A
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André de P aula Rêgo Graciano Luz (A dministração - UNIPÊ)
Uy ara de Sousa T ra vassos Barbosa (Design de Moda - UNIPÊ)
Marcio de Lima Coutinho (A dministração - UNIPÊ)
Julian Nogueira Queir oz (Direit o - UNIPÊ)
JOSEV ÂNIA D A SIL V A
(Org anizadora)
TC C endo S aber es UNIPÊ
2013.1
Edit ora da UFPB
João P essoa
2014
Projet o Gráfico
EDITORA D A UFPB
Editor ação Eletrônica
CLEMENTE RICARDO SIL V A
Design de Capa
MÔNICA CÂMARA
Os artigos e suas re visões são de responsabilidade do autor
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João Pessoa – P araíba - Br asil
CEP 58.051-970
www .editora.ufpb.br
Impresso no Br asil
Printed in Brasil
T249 TCCendo saberes UNIPÊ: 2013.1 / Josivânia da
Silva, organizadora.-- João Pessoa: Editora
da UFPB, 2013.
525p.
ISBN: 978-85237-0854-2
1. Educação - produção acadêmica. I. Silva,
Josivânia da. II. Centro universitário de João
Pessoa - UNIPÊ
CDU: 37
DOI: 10.5281/zenodo.17601163
SUMÁRIO
CAPÍTUL O 01
Administr ação - ESTRA TÉGIA DE
FIDELIZA ÇÃO C OM BA SE
NO MARKETING DE RELA CIONAMENT O:
um estudo de caso no supermer cado x
Lucas Santos Siqueir a, Már cio R einaldo de
Lucena F err eira .................................................... 11
CAPÍTUL O 02
Administr ação - ACESSIBILID ADE DE
PESSO AIS COM DEFICIÊNCIA EM UMA
INSTITUIÇÃ O DE ENSINO SUPERIOR
Danilo de Sousa P ereir a Rique,
Ivys Medeir os da Costa, André de P aula
R êgo Gr aciano Luz ............................................. 39
CAPÍTUL O 03
Administr ação - L UCR O PRESUMIDO X L UCR O
REAL: R egime T ributário em um frigorífico na
cidade de Ba y eux -PB
Cláudia Elisabete da Sil va Costa,
Ivys Medeir os da Costa, André de P aula
R êgo Gr aciano Luz ............................................. 65
CAPÍTUL O 04
Administr ação - ESTRA TÉGIAS DE
LIDERANÇA: O caso da F ábrica Aiam
Laur a Maia de Carv alho, Gusta v o Olímpio
R odrigues, Izabel Ca v alcanti Barros
Lamenha Pinto .................................................... 85
CAPÍTUL O 05
Ar quitetur a e Urbanismo - A CONS TR UÇÃ O
DO REGISTR O DOCUMENT AL COMO
SAL V A GU ARD A D A COMP ANHIA
MANUF A TUREIRA E AGRÍCOLA DO
MARANHÃ O - CMAM
Fhillipe Germano Bezerr a Lima,
Jussar a Bióca de Medeiros Timótheo,
Car olina Costa .................................................. 113
CAPÍTUL O 06
Ar quitetur a e Urbanismo - ES TRA TÉGIAS
BIOCLIMÁ TICAS N A AR QUITETURA
MODERN A DE JO ÃO PESSO A: estudo da
iluminação natur al na obra
de Acácio Gil Borsoi
P oll y anna Priscila de Souza Lima,
Maria Simone Mor ais Soares .................... 139
CAPÍTUL O 07
Ar quitetur a e Urbanismo - INS TITUIÇÃO
DE LONG A PERMANÊNCIA P ARA IDOSOS:
o olhar do Ar quiteto
Ana Car olina Medeiros,
Ana Gomes Negr ão ......................................... 159
CAPÍTUL O 08
Ciências Contábeis - COMP ARA TIV O DOS
CUST OS DE UMA EMPREGAD A DOMÉSTICA
ANTES E DEPOIS D A PEC 66 /2012
F abiano Silv a dos Santos, Manuel Soar es
da Sil v a ................................................................ 179
CAPÍTUL O 09
Ciências Contábeis - QU ALID ADE D A
INFORMA ÇÃ O CONT ÁBIL E A GO VERNANÇA
CORPORA TIV A: e vidências de empr esas
br asileir as durant e o processo de adoção das
IFR S’s
Alan Santos de Oli veir a, Vinícius Gomes
Martins, P aulo César P ereir a da Silv a..... 207
CAPÍTUL O 10
Dir eito - IMUNID ADE TRIBUT ÁRIA
RECÍPR OCA: sua ext ensão à Empresa Brasileir a
de Corr eios e T elégr af os na jurisprudência do
Supr emo T ribunal F ederal
Natécia Oli veir a Viana de Queir oz, Ana P aula
Basso .................................................................... 239
CAPÍTUL O 11
Educação Física - PERFIL DO V O2 MAX. D A
EQUIPE DE ORIENT A ÇÃ O DO A UT OESPOR TE
CL UBE DE JO ÃO PESSO A
Er onaldo de Sousa Queiroz Júnior ,
Sil v ana Nóbr ega Gomes, R ogério F onseca
dos Santos .......................................................... 263
CAPÍTUL O 12
Fisioter apia - ANÁLISE POS TURAL EM
UM GR UPO DE IDOSOS DO CENTR O DE
CONVIVÊNCIA D A PESSO A IDOSA
N A CID ADE DE JO ÃO PESSO A – PB
Kíssia Ma y anne P ereir a dos Santos, Rachel
Ca v alcanti F onseca P ereir a ......................... 289
CAPÍTUL O 13
Fisioter apia - BENEFÍCIOS D A ESCOLA DE
POSTURA S EM UM GRUPO DE IDOSOS COM
ALGIA S D A COL UN A
Klíssia Lahís Gomes de Brito,
Rachel Ca valcant e F onsêca Per eira ......... 309
CAPÍTUL O 14
Fisioter apia - ANÁLISE DO DESEMPENHO
FÍSICO EM UM GR UPO DE IDOSOS ANTES E
APÓS INTER VENÇÃ O FISIOTERAPEUTICA
La yse Claudino Souza, R achel Ca v alcanti
F onseca P ereir a ............................................... 332
CAPÍTUL O 15
Fisioter apia - A V ALIA ÇÃ O D A LIPODIS TR OFIA
EM MULHERES JO VENS SEDENT ÁRIA S E
N Ã O SEDENT ÁRIA S: Estudo Compar ativ o
Luciana César Cha v es, Gr aciele Aquino de
Almeida, V eruschka Ramalho Ar aruna .. 357
CAPÍTUL O 16
Fisioter apia - FISIOTERAPIA N A ESTRA TÉGIA
SA ÚDE D A F AMÍLIA: visão dos pr ofissionais
do serviço
Kar en Nóbreg a Azev edo,
Raf aela Gerbasi Nóbr ega ............................. 385
CAPÍTUL O 17
Fisioter apia - A V ALIA ÇÃ O D A FUNÇÃO
MOT ORA GROSS A EM CRIANÇAS C OM
P ARALISIA CEREBRAL
Thacy ana Mendonça Ribeir o, Carla P atrícia
No v aes dos Santos F echine, Meryeli Sant os
de Ar aújo Dantas ............................................. 412
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
15
necessárias. Além da r ealização de entre vista, também foi aplicado
um questionário estrutur ado visando colher informações sobr e
a per cepção de cem clientes em r elação as ações de mark eting
de r elacionamento implantadas na org anização foco do estudo.
P ar a subsidiar a v alidação dos dados foi estipulado um ní vel
de confiança de 95%, definindo-se um err o amostral de +/-
10%, com um split de 50/50, uma vez que, a amostra possui
heter ogeneidade consider á v el, por se tr atar de elementos de
categorias v ariadas. Com isso, tem-se a necessidade de no mínimo
98 entr evistados (segundo tabela determinant e de tamanho
da amostr a), tendo sido aplicados 100 questionários, o que
v alida estatisticamente a pr esente pesquisa. A amostr a pode ser
classificada ainda, como por con v eniência, segundo Gil (2008,
p. 94), a amostr agem por conv eniência é quando “o pesquisador
seleciona os elementos a que t em acesso, admitindo que estes
possam, de alguma forma, r epresentar o uni v erso ” .
RESUL T ADOS E DISCUSSÃ O
Os r esultados obtidos na present e pesquisa for am
apr esentados por partes e analisados a partir das principais
v ariá v eis utilizadas par a compor o rot eiro de entr evista que
abr angeu um total de dez questões subjeti vas.
As v ariá v eis analisadas, inerent es à entre vista r ealizada
com o ger ente do supermer cado for am : importância estr atégica
dos clientes habituais, criação de v alor , troca de infor mações
com os clientes int enos e ext ernos, relacionament o com os
clientes, estr atégia e pr ogramas de mark eting de r elacionamento,
estr atégia de segmentação de mer cados, e utilização do sistema
de informação par a construir o relacionament o.
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
16
IMPOR T ÂNCIA ESTRA TÉGICA DOS CLIENTES ANTIGOS
Nos questionamentos v oltados para a “importância
estr atégica dos c liente s antigos ou habituais” , o entr evistado
afirmou que estes client es são essenciais para a empr esa, tendo
em vista que “clientes fiéis” pr opiciam maior es v antagens
financeir as par a a organização.
O entr evistado def endeu que: “compr eendendo melhor as
nece ssidades dos c lientes mais antig os, a empresa pode t ornar a
re lação únic a, tendo em vista que a me sma possui informaçõe s que
são impre scindíveis para que possa se of ertado os produt os mais
adequados a este s client es que já são habituais” .
De acor do com o gerent e, “os client es mais antigos g eram
mais vendas e diminuem os custos da empr esa, par a o mesmo
conquist ar novos c liente s é mais dispendioso do que manter os mais
antigos” , que segundo o entr evistado “e stão dispostos a c onsumir
mais por se sentirem segur os em re lação aos serviços ofert ados pela
empre sa ”.
Apoiando-se nos conceitos de Shapiro e S viokla (1995)
onde: “o custo da conquista de clientes é superior ao de
manutenção (estima-se que cer ca de cinco vezes em média), o que
suger e a busca da rentabilidade apoiada na lealdade (manutenção)
do cliente” , percebe-se que par a o entre vistado os clientes mais
antigos são estr ategicamente mais important es par a a empresa do
que a conquista de no vos.
O entre vistado afirmou ainda que “oferec er aos client es
antigos um relacionament o prazer oso e de confiança é inv estir na
conquist a da lealdade desses c liente s, levando-os a pensar duas
vez es ante s de experimentar outr a empresa” .
P ar a Grönr oss (1995) as necessidades de as empr esas
empr eenderem estr atégias de mark eting focadas no longo
pr azo e não somente no moment o de venda, estão intimament e
associadas à v alorização dos client es fiéis, na empr esa pesquisada
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
17
as estr atégias v oltadas par a r etenção dos clientes mais antigos
são essenciais, tendo em vista que est es propor cionam melhor es
r esultados a custos menor es.
No que diz respeit o aos benefícios que a empr esa
pr oporciona aos client es antigos, o entre vistado apontou que
exist e um cadastr o com informações sobr e os clientes, pelo qual é
possí v el ofer ecer , pr azos e produtos que se adequam ao perfil de
cada um deles.
CRIA ÇÃO DE V ALOR P ARA O CLIENTE
No tocant e a criação de valor , o entre vistado afirmou que
“ a empre sa busca criar valor par a o client e atravé s da const ante
melhoria de seus pr oce ssos e operaç ões, buscando of erec er um
atendimento r ápido e efetivo” . T ambém inv este no treinament o
contínuo de seus colabor adores par a melhorar a int eração com os
clientes.
O ger ente r elatou que “mensalment e são realizadas r euniões
onde os funcionários e super visor es discutem c omo a empresa
pode gerar mais benefícios para seus client es aumentando o valor
perc ebido” .
O Benchmar king também é utilizado para analisar pr eços,
pr odutos e no v as políticas v oltadas para a criação de v alor que
estão sendo aderidas por outr as empresas do mesmo set or , essa
ferr amenta é importante par a comparar os atribut os ofer ecidos
pela empr esa ao cliente com atributos de outr as empresas.
Benchmarking é um pr ocesso contínuo de compar ação
dos pr odutos, serviços e pr áticas empr esariais entre os mais
fort es concorr entes ou empr esas r econhecidas como líderes. É
um pr ocesso de pesquisa que permite r ealizar compar ações de
pr ocessos e práticas “companhia-a-companhia ” para identificar
o “melhor do melhor” e alcançar um nív el de superioridade ou
v antagem competiti v a (R ODRIGUES; RICCARDI, 2007).
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
18
Na per cepção do gerent e muitas empresas pr eocupam-
se apenas com o componente pr eço e qualidade esquecendo-se
dos outros aspectos que influenciam a decisão do cliente por
escolher determinada organização. O entre vistado afirmou que
“ a ger ência da empresa pr ocura of erec er produtos de ac or do com o
que os client es individuais querem, cust omizando o atendiment o das
nece ssidades” .
P ar a isso, a empr esa busca identificar os melhor es clientes,
par a posteriorment e traçar um perfil de compr a e of erecer os
serviços mais apr opriados par a cada um, de acordo com seus
hábitos mais constant es.
Berry e P ar assur aman (1995) r efor çam que a geração
de v alor em um r elacionamento está intimamente lig ada à
quantidade de r ecursos empreg ados pelas partes en v ol vidas
na tentati va de desen vol vê-la. Conf orme o ger ente, par a obter o
r etorno necessário é pr eciso enx erg ar a criação de v alor , não como
um cust o, mas sim como um inv estimento que tr ará benefícios
tanto par a o cliente, quant o par a a empresa.
TR OCA DE INFORMA ÇÕES COM OS CLIENTES INTERNOS E
EXTERNOS
Conforme o entr evistado , “para facilit ar a troc a de
informaç ões entre a empr esa e seus c lientes, utiliz a-se o cont ato
diret o na própria empr esa com os funcionários da ár ea de
atendimento ao c liente, que disponibiliz a a maioria das informaç ões
para o c liente de maneir a efetiva e segur a” .
O entr evistado afirmou ainda que “a que comunic ação
interna é um fat or fundamental par a a empresa, t anto no conc erne
a troc a de informaç ões c om os cliente s, quanto c om os funcionários,
uma ve z que uma comunic ação eficaz eleva a produtividade e a
rent abilidade” .
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
19
O ger ente inf eriu que “uma boa comunic ação e tr oca de
informaç ões é essencial par a que o client e sinta que suas demandas
serão at endidas pela empre sa, para e le, o cliente t em nece ssidade
ser bem rec ebido, de ser c ompreendido e at endido com agilidade,
de ser importante, de t er comodidade e principalment e, de ter o
produt o desejado disponibiliz ado ”.
CONS TR UÇÃ O DE RELACION AMENTO COM OS CLIENTES
Segundo o entr evistado “o r elacionamento c om o client e
é fortalecido atr avés do at endimento pre stado pela sua equipe de
trabalho, busc ando ofer ecer um serviço de qualidade para g erar
satisfaç ão e, consequent emente ret er o client e. Mensalmente as
equipes de tr abalho da empresa f azem uma reunião par a discutir
como e stá o atendiment o e relacionament o com os c liente s” .
Nestas r euniões são discutidos temas como, por e x emplo:
“apr endendo com as r eclamações sobre serviços” , etc. P ara o
entr evistado “o re lacionamento c om o client e somente poderá
ser satisfatório se os c olaborador es e stiverem apt os a lidar com
o client e da melhor maneir a possível, visando at endê-lo de forma
rápida e ef etiva, ger ando uma relaç ão de parc eria entre empr esa-
client e” .
V avr a (1993) defendem que a manutenção de r elaciona-
mentos pr ó ximos com seus clientes pode le v ar a empresa
à obtenção de uma maior r entabilidade, atr a vés do melhor
entendiment o e atendiment o das necessidades apontadas. Logo,
os custos dos in vestiment os em relacionament o são efeti vament e
super ados pelos benefícios resultant es da par ceria.
Segundo o ger ente, “a empre sa procur a atender todos os
públicos possív eis oferec endo desde pr odutos de preç o baix o até
os mais car os. Isso porque a or ganizaç ão não procur a atender a
um público específic o e sim as necessidade s de todos que realizam
compr as no estabe lecimento” . Diante disso, a empr esa pr ocura
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
20
v ariar ao máximo a gama de pr odutos que of er ece, contendo um
v asto mix de pr odutos.
O entr evistado acentuou que a identificação das
necessidades dos clientes é muit o importante na hor a de satisf azê-
las e nada melhor do que saber dos próprios clientes quais são
suas demandas. Com base nisso, afirmou ainda que: “a empresa
procur a identific ar , atr avés de diálogos const antes com os c liente s,
o que este de seja. Isso é feit o por meio de obser vaç ão de atitudes,
rec lamaçõe s, sugest ões dos pr óprios cliente s, como t ambém atravé s
da frequência de saída dos pr odutos, porém, t odo esse pr ocesso
é realiz ado de forma muito inf ormal, não havendo um uso melhor
dessas informaç ões par a uso futuro” .
Essas r espostas evidenciam que e xistem estr atégias par a
fidelização de clientes, por ém elas ainda são tímidas e apresentam
falhas, embor a essas possam ser corrigidas na ref ormulação do
plano estr atégico.
ESTRA TÉGIA S E PR OGRAMAS DE MARKETING DE RELA CIO-
N AMENTO
De acor do com o entre vistado “a empre sa adotou uma
estr atégia voltada par a o cre scimento, c onstruindo uma sólida
imagem, que pr oporciona uma ampla base de c lientes, visando
viabilizar seu pot encial de cresciment o no merc ado” .
O ger ente inf ormou que, no tocante ao mar keting de
r elacionamento, “ as principais estr atégias utilizadas e stão volt adas
para a construção de benefícios sociais que incluem a hospitalidade
corpor ativa e ev entos realiz ados com a finalidade de reunir seus
client es a fim de fort alecer r elaç ões interpessoais” .
Continuando as estr atégias utilizadas, os benefícios
financeir os também são enf atizados, onde há a v enda de serviços
e pr odutos associados e complementar es, além da estr atégia de
manutenção de pr eço constantes e descont os aos clientes fiéis.
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
21
A estr atégia de construção do r elacionamento atr a v és
da criação de laços sociais e interpessoais também é bastant e
utilizada pela empr esa, pois a mesma busca manter seus
funcionários em constante contat o com o cliente, visando
aumentar as chances de construir vínculos entr e ambos e assim
efeti v ar a ret enção.
A estr atégia mais enf atizada pelo entre vistado foi a de
fortaleciment o dos laços de customização, onde o mesmo afirmou
que “ a empresa visa c onhecer pr ofundamente o c liente par a atender
às suas nece ssidades individuais da maneir a mais efetiva. P ara o
suce sso desta e stratégia, o sist ema de informaç ão é essencial para
que a empre sa possa oferec er o ser viç o mais adequado para c ada
client e” .
ESTRA TÉGIA DE SEGMENT A ÇÃ O DE MER CADO
A estr atégia de segmentação da empr esa está em
concentr ar for ças nos di v ersos segmentos de mer cado que a
mesma at ende. O entr evistado afirmou que “esta estrat égia
permite empr eender ações par a cada tipo de cliente, o que se
constitui em um ex celente dif erencial par a ger ar um serviço que
satisfaça cada segmento, of erecendo pr odutos específicos par a
atender as necessidades particular es dos mesmos” .
De acordo com o entr evistado “ direcionando aç ões par a o
re lacionamento, a estr atégia de segmentaç ão alinha-se à tendência
de merc ado que consist e em reunir grupos de c lientes de um me smo
perfil, permitindo, assim, atendimento diferenciado e cresc entes
ganhos de pr odutividade e rapidez” .
IDENTIFICA ÇÃO DO PERFIL DOS CLIENTES
O entrevistado afirmou que “a identificaç ão dos melhore s
client es é feit a atravé s de uma pesquisa que busca se lecionar e
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
22
dividir por faix as de produt os que atenda a classe s difer enciadas
para que t odos tenham ao seu dispor o produt o que melhor lhe
atenda” .
O entr evistado r egistr ou também que a identificação
do perfil dos clientes é elaborada com base na frequ ência de
compras e no valor da compra, por meio de tais informações
disponibilizadas no cadastro de cada cliente, é possível identificar
quais são os mais rentáveis dentro de cada critério.
SISTEMA DE INF ORMAÇÃ O P ARA CONSTR UIR O RELACION AMEN-
T O COM OS CLIENTES
O entr evistado afirmou que “o sistema de informaç ão
adotado pe la empresa se c onstitui em uma ferr amenta para auxiliar
no proc esso de vendas, mar keting e pr ospecç ão de c lientes” . As
funcionalidades são as seguintes:
• Clientes: A cesso ao cadastro complet o dos clientes;
• Contatos: Cadastr o de contatos dos clientes em formato
de agenda;
• Acompanhament os: Cadastro de acompanhament os com
os clientes, or ganizados por data e hor a, ger ando um histórico do
r elacionamento com os clientes;
• Lista de Pr eços: Acesso aos pr eços dos pr odutos.
• Estoque: Consulta a disponibilidade de estoque na
empr esa;
• V endas: pedidos e notas fiscais;
• Financeir o: Consulta a posição financeira do client e;
• Gerencial: Módulo para acesso global as inf ormações de
todos os v endedores e client es.
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
23
Conforme o entr evistado “ o período utiliz ado como
históric o é de 1 ano, o sistema de informaç ão possui um método de
classific aç ão automático dos cliente s, este método possibilita uma
visão rápida da import ância econômic a de cada um dos c liente s
para a empr esa” .
Esta classificação utilizar á três crit érios: Assiduidade:
A última data de compr a dentro de um período de hist órico;
F r equ ência: A quantidade de compras dentro de um período de
histórico; Valor Monetário: O total acumulado de compras dentro
de um período de histórico.
Com base na exposição das inf ormações obtidas por
meio da entr evista, chega-se a seguinte constatação acer ca do
mark eting de r elacionamento: a primeir a é a gr ande importância
que tem o r elacionamento com os client es par a o futuro e
sustentabilidade de qualquer or ganização. A segunda, é que
os pr ogramas e estr atégias de mark eting de relacionament o
dev em ser adaptados à realidade de cada empr esa, dentr o de
suas condições e disponibilidades de recursos. E finalmente a
ter ceir a, é que o r elacionamento com os clientes pr ecisa f azer
parte da cultur a da empr esa, e pr aticada por todos que a integr am
independente de car go ou função.
QUESTION ÁRIOS APLICADOS AOS CLIENTES
A pr esente seção contempla a segunda etapa da
pesquisa de campo, desen v ol vida com base nas r espostas
colhidas por meio do instrumento de pesquisa aplicado junt o
aos cem clientes do supermer cado, abr angendo um total de
14 questões objeti vas concernent es a temática enf ocada no
estudo monogr áfico. Salienta-se que o questionário foi baseado
em indagações, r ef erent es ao mark eting de relacionament o,
enfocando a fr equência com que os clientes realizam compras no
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
24
estabelecimento, fatores que levaram a escolher o supermercado,
atendimento, comunicação, etc.
Inicialmente, esta seção apr esenta o perfil da amostr a,
com isso, f or am elaboradas questões v oltadas par a identificar
a (o): F aixa Etária, Gênero, Nív el de Escolaridade, Estado civil
e há quanto t empo os respondent es realizam compr as no
supermer cado foco da pesquisa.
O Quadr o a seguir , apresenta o perfil dos cem clientes
que participaram da amostr a. V erificou-se que a maioria dos
r espondentes é do sex o feminino (65%), encontr ando-se na faix a
etária que v aria entre 27 a 30 anos de idade (43%). Na variá vel
escolaridade pode-se observ ar que boa parte dos entr evistados
possui o ensino médio completo (74%), em r elação ao tempo
que realizam compr as no estabelecimento comer cial, v erificou-
se que a maioria fazem compr as na organização há mais de 4
anos, (70%), tendo em vista que os clientes do supermercado
são antigos mor ador es do bairr o. Por fim, 60% dos clientes que
r esponderam ao instrument o de pesquisa são casados.
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
31
C ONCL USÃ O
As consider ações são apresentadas de acordo com os
objeti v os pret endidos, compar ando-se com os resultados obtidos.
O objeti vo principal definido f oi a v aliar as ações de mark eting
de r elacionamento pr omovidas pelo Supermer cado a partir de
pesquisa com os pr óprios clientes da empr esa. O intuito er a
descobrir se os in v estimentos em mark eting de relacionamento
estão sendo bem sucedidos e atingem o público de alguma forma.
P ar a isso, foi desen vol vido um questionário com 14 questões,
distribuído entr e 100 clientes.
A partir das r espostas colhidas, pôde-se chegar a algumas
constatações. P ode-se v erificar que o supermercado possui
clientes fiéis, já que Bogmann (2000) define cliente fiel como
sendo aquele que sempr e v olta a organização par a uma no v a
compr a, por estar satisfeit o com o produt o ou serviço. A maioria
dos entr evistados nessa pesquisa f az compras mais de uma v ez
por semana, o que demonstr a a relação de fidelidade com o
supermer cado.
O supermer cado tem um bom r elacionamento com a
clientela e pr ocur a sanar os pr oblemas e dú vidas que surgem da
melhor forma possí v el, não deixando que a dificuldade persista
o que contribui para o aumento da satisfação e par a a fidelização
das pessoas a loja.
Diante das e xposições r ealizadas ao longo desta pesquisa,
tornou-se possí vel concluir que a utilização planejada e adequada
das ferr amentas ofer ecidas pelo mark eting, dir ecionadas ao
r elacionamento mantido entr e as empresas e seus client es,
permite que as or ganizações alcancem r esultados globais mais
eficientes e satisf atórios par a si e para seu público-al v o.
Assim, pode-se concluir que as ações de mark eting de
r elacionamento do supermer cado são bem sucedidas devido a
Luc as Santos Siqueir a; Márcio R einaldo de Luc ena Ferr eira
32
boa imagem que a empresa possui entr e a sua clientela. Por ém,
ainda é pr eciso que as ações e ev entos, principalment e os sociais
e ambientais sejam implementados pela empresa. A pesquisa
mostr a que a participação dos clientes esta muito vinculada ao
conhecimento que possuem e que se inf ormados são altas as
chances de r etorno, pois eles acr editam na importância dessas
ações.
Dentr e os principais resultados, destacam-se o aument o
do gr au de satisfação dos client es em relação a empr esa e seus
pr odutos e mar cas ofer ecidos, maior ní v el de competiti vidade
das org anizações em seu mercado de atuação, maior poder de
r etenção dos clientes e xistent es e atr ação de nov os consumidores,
tr ansformação de client es ev entuais em par ceir os do negócio,
elev ação do nív el de qualidade dos produt os e/ou serviços
ofer ecidos e a redução de r eclamações por parte dos client es, e
melhoria dos aspectos fundamentais consider ados pelos clientes
(pr eço, atendiment o, mix de pr odutos, canais de relacionament o,
etc.).
A entr evista r ealizada também se mostrou fundamental
par a evidenciar a importância da implementação de mudanças
internas e e xternas na empr esa f oco do estudo, que pret ende
melhor ar cada v ez mais a relação com seus client es. Nesse sentido,
o supermer cado planejará, e x ecutar á e ger enciará ações v oltadas
par a maior satisfação de seus consumidor es, demonstrando
inclusi v e, gr ande inter esse em tal pesquisa que permitir á a
identificação e melhoria dos aspectos que f or am a v aliados por
seus clientes.
Suger e-se que o supermercado passe a disponibilizar
no vos serviços, como o setor de at endimento ao cliente, o qual
também colabor ará com os pr opósitos da empresa e, por outr o
lado, permitir á aos clientes a utilização de um canal dir eto de
r eclamações e sugestões par a com o supermer cado.
Estratégia de Fide lização c om base no Mark eting de Relacionament o
33
P ode-se concluir que o mark eting de r elacionamento
exige planejament o, org anização, sistematização, determinação
na implementação de nov as ações, gerenciament o contínuo e
a v aliação de seus resultados. Mas, por outr o lado, os r esultados
surgem de f orma expr essi v a e podem fazer com que a empr esa
se posicione de forma mais competiti v a no mercado e passe a
ser per cebida pelo público como uma ref erência em quesit os
como qualidade, confiança, eficiência e respeit o ao cliente, dentre
outr os.
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A CESSIBILID ADE DE PESSO AS C OM
DEFICIÊNCIA EM UMA INS TITUIÇÃ O
DE ENSINO SUPERIOR
Danilo de Sousa Per eira R ique 1
Ivys Medeiros da C osta 2
Andr é de Paula R êgo Graciano L uz 3
RESUMO: Este tr abalho apresenta as dimensões de acessibilidade
às pessoas com deficiência no conte xto do ensino superior
pri v ado. O objeti v o desta pesquisa foi f azer um lev antamento
dentr o da organização, sobr e a acessibilidade analisando e
viabilizando o espaço físico e modo de comunicação par a uma
melhor condição de acessibilidade aos alunos com deficiência
no Centr o Uni versitário de João Pessoa - UNIPÊ, assegur ando,
na pr ática, o direit o de todo e qualquer cidadão br asileir o a uma
educação de qualidade. Diante dist o, a metodologia utilizada na
pesquisa foi um estudo de caso no UNIPÊ, de cunho qualitati vo
e quantitati v o, de car áter e xplorat ório com viés descriti v o,
utilizando como instrumentos de pesquisas dois questionários,
sendo um aplicado com 08 (oito) prof essor es da instituição
que possuem alunos portador es de deficiência, e um outr o
questionário perant e 03 (três) alunos do curso de Administr ação,
01 (um) de Psicologia, 02 (dois) de Sistemas para Internet e 01
1 Concluiu o curso de administração. E-mail: [email protected]
2 Orientador . Especialista em Administr ação Pública. E-mail: i vysmedeir [email protected]
3 Coorientador . Doutor em A dministração de Empr esas. Prof essor , UBS, UNIPE.
E-mail:prof [email protected]
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
40
(um) de R edes de Computador es, t otalizando 07 (sete) alunos
da instituição que apresentam algum tipo de deficiência. Os
r ecursos encontrados na Instituição pesquisada e videnciar am
que a acessibilidade física é entendida como uma necessidade
básica par a que todas as pessoas e é satisf atoriament e atendida.
Contudo, ainda pr ev alece a r efer ência imediata aos aspectos
r elativ os às barreir as ar quitet ônicas, tal vez por ser em as mais
visí v eis. Constatou-se também que a maioria dos pr of essores
não se sente pr epar ada par a trabalhar com os alunos especiais.
P or fim, foi r ecomendado que a instituição rea v alie sua política
interna no que tange a inclusão educacional dos alunos portador es
de necessidades especiais visualizando a pessoa com deficiência
como sujeito participati vo nestas ações.
P ala vras-cha v e: Acessibilidade; pessoas com deficiência. inclusão
educacional.
INTR ODUÇÃ O
A acessibilidade tem como objeti vo g ar antir o pleno
apr ov eitamento por todos os cidadãos dos benefícios que
ad v êm da sociedade da informação. A acessibilidade r epresenta
o r espeito e a v alorização da div ersidade humana, como
instrumento de bem estar e desenv olviment o inclusiv o. Significa
não apenas permitir que pessoas com deficiências participem de
ati vidades que incluem o uso de pr odutos, serviços e inf ormação,
mas a inclusão e ext ensão do uso destes por t odas as parcelas
pr esentes em uma determinada população, também podendo
ser definida comoa condição par a utilização com segur ança
e autonomia, t otal ou assistida, dos espaços mobiliários e
equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de tr ansporte
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
47
não estão pr eparados par a trabalhar com est es alunos, seja por
falta de f err amentas pedagógicas par a estimular esses alunos, por
falta de tr einamento ou por se sentir em inexperientes no assunt o.
P erguntados se já tiv eram algum aluno com deficiência e
também se tiv eram dificuldade par a tr ansmitir inf ormações do
conteúdo, 5 prof essor es (63%) responder am que sim, enquant o os
outr os 3 prof essor es responder am que nunca tiv eram alunos com
deficiência. Os que r esponder am que sim, disser am que não hou v e
dificuldade porque sabiam relacionar-se com essas pessoas ou
por que ti ver am ajuda de interpret e par a passar suas informações
par a alunos com deficiência auditi v a.
Ao buscar identificar se os prof essor es sabem se
exist em pessoas na instituição de ensino que supervisionam a
implementação da acessibilidade. A maioria dos pesquisados (5
pr ofessor es), respondeu que falta supervisão no implemento da
acessibilidade. Já 38% (3 pr ofessor es) informou que há supervisão.
P ode-se identificar com isso que exist e a necessidade da IES
r epassar de forma mais clar a as inf ormações aos seus funcionários,
uma v ez que os entr evistados demonstr am desconhecer maior es
informações concernent es a essa questão.
Quando questionados sobr e a realização de campanhas de
conscientização na instituição acer ca do respeit o ao acesso das pessoas
com deficiência, 87% r elatou que desconhecem a promoção de ações
nesse sentido. Demonstr a-se a necessidade da IES inv estir neste tipo
de campanha com o intuito de pr opor cionar melhores condições de
acessibilidade e, por conseguinte, g arantir o acesso educacional par a
os seus alunos e incenti v ar o ingr esso para no vos alunos.
P erguntados se a condição física da pessoa com deficiência
é r espeitada pelos membros da IES (funcionários, prof essor es
e demais alunos), para 62% (5 pr of essores) não existe
discriminação ao tr atar de alunos que possuem algum tipo de
deficiência, enquant o que 2 pr ofessor es concor dam par cialmente
com isso e apenas 1 pr ofessor discor da que e xiste r espeito por
parte dos membr os da IES per ante as pessoas com deficiência.
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
48
GRÁFICO 1 – R espeito quanto à condição física da pessoa com deficiência
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Questionados se r elacionam-se de maneira dif er enciada
com os alunos com deficiência, 7 (sete) dos 8 (oito) prof essor es
r esponderam não possuir qualquer discriminação e que aplicam a
mesma metodologia de ensino par a todos, com a mesma e xigência
de pr oduti vidade.
Com r elação à estrutura física das salas de aula, 4 prof essores
concor dam parcialment e que as salas de aulas são adaptadas para
r eceber os alunos com deficiência, 2 pr ofessor es concordam, 1
discor da parcialment e e 2 discordam que as pessoas com deficiência
têm acesso às salas, pois f alta recursos de acessibilidade a serem
implantadas.
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
49
GRÁFICO 2 – Estrutur a física das salas de aula para pessoa com deficiência
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
P erguntados se já pr esenciar am alguma situação que
constr angesse as pessoas com deficiência que fr equentam a
instituição, 6 pr ofessor es r esponder am que nunca presenciar am
nenhuma cena de constr angimento, enquanto 2 deles já
pr esenciaram mas, pr eferir am não descre v er a situação.
Ao ser em questionados se já participar am do Curso de
Libr as – língua brasileir a de sinais, 5 responder am que não
participar am, enquanto outr os 3 prof essores r esponder am que
já cursar am. Um dos prof essor es comentou: “O UNIPÊ possui um
curso opcional de libras, por ém iniciei o curso em outra instituiç ão” .
Apesar da IES disponibilizar curso específico de Libr as (cumprindo
norma vigent e), v erifica-se que o per centual de prof essor es que já
participar am do curso de Libras é pequeno, necessitando que a IES
incenti v ar a qualificação dos pr ofessor es e demais funcionários,
par a, consequentement e, propor cionar uma estrutur a mais
adequada par a atender as pessoas com deficiência.
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
50
Com r elação à dificuldade ao lev ar um aluno com deficiência
par a participar de aula em algum laboratório, a maioria (75%
dos prof essor es) informou que não hou v e dificuldade. Um dos
pesquisados comentou que “o aluno possui deficiência auditi v a
mas er a oralizado e também ti ve acompanhament o contínuo
do interpr ete” . P ortanto, é e vidente que o pr ofessor não tinha
conhecimento da LIBRA S, contudo, a IES pr oporcionou um
intérpr ete par a não hav er dificuldades no aprendizado.
PER SPECTIV A DOS AL UNOS QU ANTO À A CESSIBILID ADE
Na categoria alunos, a amostr a f oi composta por 7 estudantes
do UNIPÊ, com deficiências e necessidades especiais. A pesquisa
r ev elou que a maioria, 57% (4 alunos), concorda parcialment e que
a estrutura física do UNIPÊ satisfaz suas necessidades de acesso
o campus, significando que a estrutur a satisfaz parcialment e as
necessidades desses alunos. P ar a 2 alunos, a estrutura at ende suas
necessidades e apenas 1 aluno não concor da que a IES pesquisada
tenha uma estrutur a física que satisfaça as necessidades de uma
pessoa com deficiência. A análise dos dados demonstr a que 86%
dos alunos pesquisados concor dam, mesmo que parcialment e, com
a estrutur a de acessibilidade da instituição educacional.
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
51
GRÁFICO 3 – Estrutur a física do UNIPÊ e a satisfação das
necessidades de acesso o campus
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
Em r elação ao tipo de necessidade dos respondent es, e
constatou-se que 4 alunos possuem deficiência física, 2 alunos
apr esentam deficiência auditi v a e apenas um aluno t em deficiência
múltipla, auditi v a e física. De acor do com o IBGE (2010), no Brasil,
a incidência de deficiência física atinge7% da população, enquanto
que a deficiência auditi v a é declar ada por 5,1%.
Os alunos for am questionados sobre a e xistência de v agas
de estacionamento destinadas especificamente para pessoas
com deficiência, 71, 43% (5 alunos) confirmaram a existência de
v agas e 28,57% (2 alunos) disseram não existir . T al v ez não seja de
conhecimento dos alunos que afirmaram que não e xistem vag as
especiais, mas como ilustr a a Figura 1, há, no estacionament o do
campus do UNIPÊ, v agas r eserv adas e sinalizadas par a pessoas com
deficiência.
A r eserv a de v agas especiais par a deficientes físicos em
estacionamentos – públicos ou pri vados – de uso coleti vo é
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
52
assegur ada pelo Decret o-lei de acessibilidade nº 5.296 de 2 de
dezembr o de 2004. A lei estabelece que todos os locais públicos
e pri v ados de uso coleti v o como shoppings, uni v ersidades e
par ques dev em ter no mínimo 2% de suas v agas de estacionamento
r eserv adas para deficientes físicos. Se este percentual der um
r esultado menor do que um, ainda assim é necessário ter no mínimo
uma v aga específica par a deficientes (BRA SIL, 2004).
FIGURA 1 – V aga par a pessoa com deficiência no estacionamento
do campus do UNIPÊ
F ONTE: Arqui vo pessoal, 2013.
Outr a questão abordada na pesquisa junt o aos alunos, pr ocurou
identificar a existência de pessoas na instituição que supervisionam
a implementação da acessibilidade. A r esposta a essa questão foi
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
53
unânime entr e os respondent es de que não (100%) e xistem pessoas
r esponsáv eis pela supervisão da acessibilidade na instituição.
No questionário aplicado junto aos pr of essores essa questão
também foi abor dada e foi evidenciado por alguns dos pr ofessor es
entr evistados que e xistem pessoas que supervisionam a questão
da acessibilidade na instituição, no entanto, outr os pr ofessor es
afirmar am que não exist e ou que desconhecem se existe.
Depr eende-se da di v ergência das inf ormações, que, se há uma
pessoa r esponsá vel pela supervisão dos aspectos de acessibilidade
as pessoas com necessidades especiais, estes de v em tr azer ao
conhecimento dos maior es inter essados – os próprios alunos com
deficiência – o fat o de sua exist ência e onde é possí v el localizá-los
no campus em caso de alguma necessidade específica que v enha
surgir por part e dos alunos. P ara os respondent es, essas pessoas
“não exist em ” como evidenciou a pesquisa.
A r espeito da e xistência de campanhas de conscientização
no campus acer ca do respeit o ao acesso das pessoas com
deficiência, onde 85,71% (6 alunos) afirmar am que “não ” e xistem e
apenas um aluno (14,29%) afirmou que existe. Como evidenciado
anteriorment e nessa pesquisa, 100% dos prof essores entre vistados
afirmar am indicar am o desconhecimento de tais campanhas.
Há que se consider ar que campanhas de conscientização
são estr atégias usualmente adotadas par a sensibilizar as pessoas
acer ca de algum tema de r elev ância social, cultural, de saúde,
etc. A Associação para V alorização de Pessoas com Deficiência 4 ,
por e x emplo, lançou recent emente a campanha “Mo vimento pelo
R espeito ” , com o objeti v o de sensibilizar e conscientizar a sociedade
a uma mudança de comportamento no tr atamento de pessoas com
deficiência (A V APE, 2013).
4 A A vape é uma organização filantrópica de assistência social, que atua no atendimento e na
defesa de direitos, promovendo a inclusão, a reabilitação e a capacitação de pessoas com
todo tipo de deficiência e também de pessoas em situação de risco social. A Associação foi
fundada em 1982 na região do ABC e é considerada modelo de gestão, tendo sido a primeira
no mundo a receber o certificado ISO 9001 pela DNV – DetNorskeV eritas (A V APE, 2013).
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
54
Quando questionados sobr e a exist ência de setor interno,
específico, r esponsá v el pelo ex er cício e gar antia da acessibilidade,
71,43% (5 alunos) afirmaram que não existe e 28,57% (2 alunos)
afirmam que exist e.
Outr a questão dirigida aos pesquisados buscou identificar
se, par a eles, exist e respeit o quanto às v agas reserv adas para
deficientes no estacionament o do campus da instituição. De acordo
com as r espostas, evidencia-se que est e direit o é violado por
usuários não deficientes, uma vez que 71,43% (5 alunos) afirmaram
que não é r espeitado e apenas 28,57% (2 alunos) afirmam que
exist e r espeito quanto ao uso.
É pertinente r essaltar que de acor do com a R esolução 304
do C ONTRAN (Conselho Nacional de T r ânsito) de 18 de dezembr o
de 2008, o uso de v agas destinadas às pessoas com deficiência e
com dificuldade de locomoção em desacordo com o disposto nesta
R esolução car acteriza infr ação pr evista no Art. 181, inciso XVII
do CTB (CONTRAN , 2008, Art . 4º). Cabe destacar que a infr ação
é v álida tanto par a estacionamentos em vias públicas como em
estacionamentos pri vados de uso coleti vo, como é o caso das
instituições de ensino.
O r espeito dirigido às pessoas com necessidades especiais
também foi abor dado quando relacionado ao tr atamento
despendido por membr os da instituição, como por parte dos
funcionários, prof essor es e colegas. Como demonstra o Gr áfico 4,
par a 57,14% (4 alunos) há concor dância de que exist e r espeito
nas r elações de con ví vio, par a 28,57% (2 alunos) este r espeito é
par cialmente percebido. Já para 14,29% (1 aluno) há discordância
acer ca dessa questão.
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
55
GRÁFICO 4 – R espeito quanto à condição física pelos membr os da
instituição
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
Dev e-se lembrar , sempr e, que o princípio fundamental da
sociedade inclusiv a é o de que todas as pessoas com deficiência
dev em ter suas necessidades especiais atendidas e é no at endimento
das di v ersidades que se encontr a a democr acia. A reestrutur ação
das instituições não dev e ser apenas uma taref a técnica, pois
depende, acima de tudo, de mudanças de atitudes, de compromisso
e disposição dos indi víduos (MA CIEL, 2000).
Outr o aspecto abor dado com a pesquisa, diz respeit o à
hostilidade nas situações que estes alunos vi venciam na instituição,
como nas aulas, no acesso a cantina, labor atórios, dentr e outr os. O
Gr áfico 5 evidencia que 57% (4) dos alunos entr evistados afirmam
que há hostilidade, 29% (2 alunos) concordam parcialmente e 14%
(1 aluno) discor da dessa situação, ou seja, acredita que não há
hostilidade.
Danilo de Sousa Per eira Rique; Ivys Medeir os da Costa; A ndré de P aula Rêg o Graciano Luz’
56
GRÁFICO 5 – Hostilidade na vi vência da instituição
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
A r espeito da a v aliação dos alunos sobr e a acessibilidade
dos banheir os da instituição, e todos eles afirmam que estes são
acessí v eis e atendem suas necessidades especiais, como ilustr a a
Figur a 2. Cabe destacar que os banheiros do UNIPÊ dispõem das
adaptações necessárias as pessoas com necessidades especiais, tais
como barr as de apoio, portas amplas, etc.
Ac essibilidade de Pe ssoas com Deficiência em uma Instituição de Ensino S uperior
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L UCR O PRESUMIDO X L UCR O REAL:
R egime T ributário em um frigorífico
na cidade de Ba y eux -PB
Cláudia Elisabete da S ilva C osta 1
Ivys Medeiros da C osta 2
Andr é de Paula R êgo Graciano L uz 3
RESUMO: A present e pesquisa visa analisar o regime de
tributação vigent e mais benéfico ao cresciment o empr esarial
do Frigorífico X. O Planejamento T ributário é necessário para
pr omov er as alternati v as amparadas por lei, que v enham auxiliar
empr esário, e no caso prático, a empr esa, a aumentar suas
alternati vas de r edução no r ecolhimento de seus tribut os, atra vés
de informações t eóricas e que lev aram a conclusão de qual seria
a melhor tributação par a uma empresa de pequeno port e como
o F rigorífico X. O estudo apr esentado car acteriza-se por ser uma
pesquisa de qualitativ a e quantitativ a, bibliográfica e documental.
O instrumento utilizado par a coleta de dados f oram entr evistas
semiestrutur adas aplicadas ao contador do F rigorífico X e aos
auditor es fiscais da cidade de Ba yeux. Com base nas análises da
compar ação dos r egimes tributários, pode-se afirmar que o r egime
mais adequado para a empr esa especifica na atividade frigorifica é
o Lucr o Real.
1 Concluiu o curso de Administr ação. E-mail: [email protected]
2 Orientador . Especialista em Administração Pública. E-mail: i vysmedeir [email protected]
3 Coorientador . Doutor em Administr ação de Empresas. Pr ofessor , UNIPE
E-mail:prof [email protected]
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
66
P ala vras-cha v e: Planejamento T ributário; R egime T ributário;
Lucr o Real; Lucr o Presumido.
INTR ODUÇÃ O
O pr esente tr abalho visa analisar o R egime T ributário mais
adequado par a o F rigorífico X, estabelecendo um compar ativ o entre
o Simples nacional, Lucr o Presumido e Lucr o R eal. T endo como
objeti v os específicos: descre v er os Regimes T ributários Brasileir os;
estabelecer um compar ati v o entre o Simples nacional, Lucr o
Pr esumido e Lucr o R eal; verificar a partir dos R egimes T ributários
como o F rigorífico X pode diminuir os seus r ecolhimentos de f orma
lícita.
O Estado com o fim de prot eger e procur ar propor cionar
da melhor maneir a possí v el o bem–estar da coleti vidade, fez os
tributos se originar em par a suprir a necessidade do indi víduo e
principalmente da sociedade.
Contudo, a sociedade tr ata o tributo atualmente de f orma
negati va, um pr ejuízo a ser pago, isso por causa da ineficiência
econômica e a injustiça social. Ocorre que a socied ade espera que
fr ente à alta carg a tributária a situação socioeconômica tendesse
a melhor ar , ou seja, ha v eria uma maior redução dos g astos, já que
os custos pagos em tribut o seriam r etribuídos com segur ança,
saúde, educação, e não seria pr eciso pagar uma segunda v ez à
iniciati v a pri v ada. Contudo, não é o que acontece, o Br asil é um dos
países que ofer ece o pior r etorno em benefícios à população dos
v alor es arrecadados por meio dos tribut os embor a a nossa carga
tributária seja tão pesada, a pro va disso f oi o aumento dessas em
2012 que chegou ao r ecor de de 36,27% do Pr oduto Int erno Brut o
(PIB), conf orme mostr a estudo feit o pelo Instituto Brasileir o de
Planejamento T ributário (IBPT , 2013)
Nesse enr edo tributário, par a uma pequena e microempr esa
os tributos podem acabar por findar a sua iniciativ a empresarial,
Lucr o Presumido X L ucro R eal
67
inclusi v e fazendo com que a ati vidade empresarial seja
desestimulada, haja vista os lucr os são grandement e afetados
pelos impostos, contribuições sociais e isso pode desestabilizar
fort emente a economia br asileir a, pois as micr oempresas e empr esas
de pequeno porte r epresentam uma significati v a par cela da base
econômica do país, elas pr oporcionam ger ação e distribuição de
r enda e trabalho par a a sociedade, principalment e nas regiões onde
boa parte da população sobr evi ve das empr esas de pequeno porte.
Mesmo com toda essa r elev ância para a economia, essas empr esas
tem encontrado grande dificuldade par a sua sobrevi vência e
sustentabilidade, fr ente a ele v ada carg a tributária do nosso país.
P ar a que essas empresas possam t er um cr escimento na sua
ati vidade, o planejamento tributário t ornou-se indispensá v el para
os empr esários ter em domínio sobr e os altos custos e despesas,
uma v ez que, frent e a competiti vidade de mer cado, é necessário
a aplicação de soluções imediatas par a a redução de g astos, par a
obter maior lucr ati vidade, sem o infringir as normas aplicadas pelo
Sistema T ributário Brasileir o.
Dur ante o estudo, serão lev antados dados junto ao Frigorífico
X, como as suas r eceitas auferidas, os cust os e despesas incorridos,
atr a v és das suas demonstrações contábeis, e, culminando na
análise dos dados for am efetuados os cálculos dos impostos seja
pelo Simples Nacional, pelo Lucr o Presumido ou pelo Lucr o
R eal. Lev ando a solução da questão problemática: Qual R egime
T ributário mais adequado par a o F rigorífico X, Simples Nacional,
Lucr o Presumido ou Lucr o R eal?
MÉT ODO
O estudo or a apresentado se caract eriza por ser uma pesquisa
de natur eza qualitativ a e quantitativ a, de método descriti v o -
explor atório de fundo bibliográfico, onde as questões explanadas
r efer em-se aos principais aspectos iner entes ao planejamento
tributário no F rigorífico X , car acteriza-se como um estudo de caso.
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
68
Gil (2008, p. 42) e xplica que “a pesquisa descriti v a
objeti v a descr ev er car acterísticas de det erminada população ou
fenômeno podendo até estabelecer r elações entre suas v ariáv eis” .
E a explor atória de acordo com o autor supracitado “tem como a
principal finalidade desen vol ver , esclar ecer e modificar conceitos e
ideias, tendo em vista a f ormulação de pr oblemas mais precisos ou
hipóteses pesquisá veis par a estudo posteriores” (GIL, 2008, p. 27).
T oda pesquisa científica necessita definir seu objeto de
estudo e, a partir daí, construir um pr ocesso de in v estigação,
delimitando o uni v erso que ser á estudado. Na pesquisa em
questão o foco do estudo ser á no F rigorífico X. A empresa possui
apr oximadament e 17 anos de exist ência, atuando na cidade de
Ba y eux - PB, no r amo de frigorífico e açougue. A micr oempresa
conta com trinta colabor adores em seu quadr o funcional. Nesta
pesquisa ser á mantido o nome da empresa em sigilo, pelo f ato que
v ão ser expost os dados financeir os.
A população desta pesquisa é composta por 8 (oito)
funcionários do escritório de assessoria contábil da empr esa, e por
8 (oito) auditores fiscais estaduais no município de Bay eux – PB.
A amostr a ser á composta por 1 (um) r epresentant e do escritório
contábil, ref erente a 12,5% ,no caso o contador chefe do escritório
de assessoria contábil do Frigorífico X e dois auditor es fiscais
r efer ente a 25% , da cidade de Ba yeux.
No estudo em questão foi utilizada a t écnica de entre vista
semiestrutur ada por com o contador do F rigorífico X, composta
por 14 (quat orze) questões abertas, visando obt er dados acer ca do
planejamento tributário da empr esa. E com os fiscais da cidade de
Ba y eux, composta por 09 questões abertas, par a obter inf ormações
na legislação par a a atividade frigorifica.
RESUL T ADOS
A seguir ser ão apresentados os r esultados obtidos nesta
pesquisa a partir da coleta dos dados atr a v és das entre vistas e da
Lucr o Presumido X L ucro R eal
69
análise da documentação da empresa pesquisada. Como também, os
cálculos compar ati v os entre os r egimes tributários estudados com
a finalidade de demonstr ar qual é o mais adequado par a ofer ecer
uma lucr ati vidade maior à empresa.
AN ÁLISE D A ENTREVIST A DO CONT ADOR
A entr evista r ealizada com o contador da org anização
foi analisada atr av és das seguintes categorias: importância da
assessoria contábil; diminuição da carg a tributária; Simples
Nacional; arr ecadação tributária; regime tributário; mudança,
v antagens e desv antagens do Regime T ributário; legislação
tributária.
O contador destacou que a contabilidade é r esponsá vel pela
saúde da empresa e que os empreendedor es dificilmente procur am
a assessoria contábil com o intuito de diminuir a carg a tributária.
Ainda segundo o contador “eles visam atender as exigências do
go verno ” .
De acor do com o entre vistado, questionado sobr e o aumento
da pr ocura da assessoria contábil pelas empr esas após a criação
do simples nacional, o mesmo detalhou que é notá v el o aumento
da demanda por assessoria contábil pelas empr esas que procur am
enquadr ar-se no Simples Nacional com o inter esse na diminuição
da carg a tributária.
O pesquisado inf ormou que a arrecadação de tribut os
difer encia de acordo com a ati vidade da empr esa, evidenciando as
ati vidades do comer cio, indústria e serviço. Em seguida r espondeu,
ao ser questionado sobr e a difer ença na aplicação do r egime
tributário que “tudo depender á do fatur amento e da sua despesa ” .
A empr esa pesquisada, segundo informações obtidas na coleta de
dados, desenquadr ou-se do Simples Nacional por seu fatur amento
ultr apassar o teto estimado de R$ 3.600.000,00, conf orme o art. 3º
da Lei complemente n. 123/2006.
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
70
Diante da r esposta, pode-se destacar que a empr esa em
questão não poderá ter o benefício da arr ecadação simplificada que
é o Simples Nacional, pelo fat o do seu fatur amento ultr apassar o
limite máximo da Lei nº 123/2006.
De acor do com o entre vistado a empr esa X já utilizou os
seguintes r egimes tributários: Simples Nacional, Lucr o Pr esumido
e Lucr o Real. Da r esposta em tela, pode-se observ ar que a empresa
pesquisada já passou por todos os r egimes tributários, buscando
assim sempr e um planejamento tributário, com o intuito de
diminuir a carg a tributária. T ais mudanças ocorr eram pelo f ato
da org anização atuar na ati vidade frigorifica e por comercializar
um produt o essencial tem alguns benefícios sobre os impost os,
de acor do com a Lei 12.058, 13/10/2009 as empresas que é da
ati vidade frigorifica com abate, está suspensa do PIS e COFINS, e de
acor do com o Decret o Lei Nº 27476 de 2006 art.35 IX do RICMS t em
suspensão do ICMS, caso opte pelo Lucr o R eal e seja da ati vidade
frigorifica com abate.
Em seguida, sabendo que a empr esa atualmente tr abalha com
o Lucr o Real, f oi indagado sobr e as vantagens e des v antagens que
o regime tributário ofer ece. A r esposta obtida foi que: “a v antagem
seria quanto mais despesas a empr esa ti v er menor imposto pag ar á,
e a desv antagem é que ter á maior rigor nas informações contábeis” .
Quando questionado sobr e as medidas tomadas par a a
mudança do R egime tributário, e se a empresa f az planejamento
tributário, entr evistado r esponde que o planejamento tributário da
empr esa ocorre “no inicio de cada ano ” , atra vés das análises de suas
planilhas contábeis, tendo em vista que as mudanças de r egimes só
podem ser feitas at é 31de janeir o de cada ano.
O entre vistado colocou que o f ato do planejamento tributário
ser uma f orma de redução do ônus fiscais de forma licita, com a
implantação do Lucro R eal pode ser visto uma redução dos impost os.
Concor dando o autor Planejamento T ributário (elisão fiscal) visa
obter maior economia fiscal, r eduzindo a carga tributária, por meio
Lucr o Presumido X L ucro R eal
71
de adoção de alternati va leg al menos onerosa ou de lacunas da lei
antes do f ato ger ador da obrigação tributária (F ABRETTI, 2006).
P or fim, foi indagado se hou v e alguma mudança na tributação
dos frigorifico no ano pr esente, foi dito que no inicio de 2013 hou v e
um gr ande aumento no imposto pago na fr onteir a do estado sobre o
boi vi v o com uma margem de aument o 300%. P orém, est e imposto
é diluído no custo do pr oduto, f azendo com que a empr esa aumente
o pr eço de v enda.
AN ÁLISE D A ENTREVIST A DOS A UDITORES FISCAIS
A entre vista realizada com os auditores fiscais estaduais que
atuam na cidade de Ba y eux/PB foi analisada atr av és das seguint es
categorias: crimes tributários, assessoria contábil das empr esas,
planejamento tributário, procedimento da fiscalização estadual;
legislação tributária. As respostas ser ão apresentadas, sendo
identificados os pesquisados por fiscal A e fiscal B.
P erguntado como é identificada uma sonegação fiscal,
mascar ada por uma elisão, as respostas adquiridas f or am, par a o
fiscal A: uma soneg ação acontece quando alguém se beneficia de
uma oper ação amparada pela legislação de f orma maquiada, citado
como ex emplo “um taxista que não f az ponto na sua pr aça, mas
goza de benefício da isenção de ICMS, PIS e COFINS na compra
de seu v eículo nov o, para uso pessoal, por t er uma concessão da
Pr efeitur a municipal do seu ponto ”; e para o fiscal B: A sonegação
fiscal mascarada é difer ente da elisão, pois a sonegação mascara
é identificada após e xames em documentos fiscais, as quais os
pr ocedimentos da empr esa visam burlar a fiscalização, com
pr ocedimento e atos que induz o fisco a aceitar as operações
tributarias com r egulares, conf orme a norma vigente.
Em seguida foi abor dado o que acontece com a empresa em
que é constatada a sonegação fiscal, em r eposta o fiscal A, diz que:
constada esta soneg ação a “empr esa é autuada atra vés do processo
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
72
administr ati v o tributário e repr esentada per ante o Minist ério
Público Estadual, par a as medidas cabí v eis” . Já o fiscal B citou como
r esposta “o art . 1 e 2 da Lei 8.137/1990, Constitui-se crimes os atos
pr aticados por particulares, visando suprimir ou r eduzir tributos
ou contribuição social e qualquer acessório ” .
Em consequência da pergunta ant erior foi indag ado quais
seriam os refle x os da sonegação fiscal para a saúde econômica da
empr esa, a resposta obtida pelo fiscal A, foi ter “efeit o negati v o
par a a saúde econômica da empresa, pois, além do descontr ole
na sua ati vidade econômica interna, se sujeita a sanções penais
gr a v es” . E o fiscal B, diz que “a empresa diminui seu patrimônio
liquido di vido a pagament os das penalidades pre vistas, nas
normas tributárias vigentes” e que “dependo da administr ação
pública a empresa poderá ter um r egime especial de fiscalização,
ou seja, um acompanhamento diário de suas ati vidades tributárias,
permanentement e no estabelecimento ” .
Os fiscais quando questionado sobre a assessoria contábil das
empr esas, o fiscal A r eponde que “satisfat ória ” , tendo algumas e x ceções;
já o fiscal B, responde que, “é fundamental que a empresa procur e
pr ofissionais v oltados para sua ár ea de atuação, evitando prejuízo
financeir o e transpar ência, diante de órg ão público e seus clientes” .
Concernente ao principal equí voco que as empr esas
cometem ao realizar seu planejamento tributário, o fiscal A
r eponde que, as empresas comet em err os gra víssimos quando não
faz o planejamento tributário, pois “não separ am os bens da pessoa
física com os da pessoa jurídica, com isso acarreta descontr ole no
seu caixa ” . De acor do com o fiscal B os principais equí v ocos são
“ignor ar pequenos g astos, não acompanhar as contas, considerar
o ganho brut o como receita, não planejar uma r eserv a financeir a e
ignor ar seu gr au de endividament o ” .
Não se dev e confundir a elisão fiscal com a sonegação
fiscal (e v asão), esse erro ocorr e fr equentement e. A elisão fiscal
é o planejament o tributário, a ev asão fiscal é a sonegação fiscal.
Lucr o Presumido X L ucro R eal
79
T ABELA 03 - Planilha dos T ributos no Lucro R eal – 2012
MÊS F A TURAMENTO 1 PIS
0%
2 COFINS
0% CSLL 9% IRPJ
15%
T OT AL
IMPOST OS 3 LUCRO/
PREJUÍZO
Jan 310.201,22 0,00 0,00
1.977,34
3.328,89 5.306,23 16.866,40
Fev 319.232,31 0,00 0,00
2.281,82
3.803,03 6.084,85 19.268,67
Mar 318.397,91 0,00 0,00
2.255,53
3.759,22 6.014,75 19.046,72
Abr 321.504,35 0,00 0,00
2.253,39
3.922,31 6.175,70 19.873,03
Mai 282.425,31 0,00 0,00
1.222,40
1.870,66 3.093,06 9.478,00
Jun 275.652,19 0,00 0,00 909,04
1.515,07 2.424,1 1 7.676,35
Jul 325.871,94 0,00 0,00
2.409,96
4.255,09 6.665,05 20.931,33
Ago 248.866,82 0,00 0,00 65,30 108,84 174,14 551,45
Set 337.566,43 0,00 0,00
2.859,34
5.180,12 8.039,46 23.730,99
Out 363.452,21 0,00 0,00
3.674,74
7.227,69
10.902,43 29.928,04
Nov 346.927,83 0,00 0,00
3.154,22
5.920,61 9.074,83 25.972,1 1
Dez 384.604,30 0,00 0,00
4.341,03
8.900,82
13.241,85 34.991,85
T OT AL 3.834.702,82 77.196,46 228.314,94
F ONTE: Elaboração pr ópria, 2013.
LEGEND A: 1. PIS- suspensão conforme lei 12.058/2009. 2.COFINS- suspensão conf orme lei 12.058/2009.
3.Lucr o/Prejuízo= calculo obtido atr a v és da diminuição dos impostos e despesas do f aturament o mês.
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
80
Os cálculos apr esentados na T abela 03 não são como os
descritos nas tabelas ant eriores em virtude da empr esa estudada
ser do r amo frigorifico com abat e, não ha v endo a cobrança do PIS e
da COFINS, por causa da suspensão pr evista em lei.
DISCUSS Ã O
Diante dos resultados apresentados, pode-se identificar na
T abela 03 que a soma dos tributos no R egime do Lucro R eal é a
menor em compar ação ao Simples Nacional e o Lucro Pr esumido, e
que no ex ercício de 2012 os cálculos do R egime no Lucro R eal f oi o
único que sempr e obtev e lucro, enquant o que no Simples Nacional
ocorr eria lucro apenas no último quadrimestr e do ano de 2012 e
Lucr o Presumido o lucr o só ocorr eria em dezembr o de 2012. De
acor do com os cálculos apresentados, portant o, o regime tributário
adequado ser á o Lucro R eal para a empr esa X.
Na sequencia o Gr áfico 01 demonstr a uma compar ação com
os r esultados obtidos sobre os cálculos ef etuados nos tr ês regimes
tributários no ano de 2012 com os dados da empr esa em análise.
GRÁFICO 01 – Compar ativ o entr e os Regimes T ributários – 2012.
F ONTE: Elaboração pr ópria, 2013.
Lucr o Presumido X L ucro R eal
81
O Gr áfico 01 demonstr a que se a empr esa optasse pelo
simples nacional ar caria com uma carga tributária maior , sendo esta
no v alor de R$ 445.209,00. P ar a diminuir esses v alor es relati vos aos
impostos de f orma lícita, a org anização teria que optar pelo r egime
do Lucr o R eal, posto que a mesma possui benefício fiscais ref er ente
ao PIS, COFINS E ICMS, sendo estes impost os totalizando o v alor de
R$ 77.196,46. Nota-se que no Lucro Pr esumido os impostos ficam
no intermédio do Simples Nacional e Lucr o R eal, com o v alor de R$
234.084,60.
Caso a empr esa opte pelo Lucr o Presumido obt eria um
pr ejuízo de R$ -156.637,00, sendo este superior se compar ado ao
Simples Nacional que obte v e R$ -39.062,99.
Entr etanto a apur ação que result ou o v alor positi v o foi o Lucr o
R eal totalizando R$ 228.314,94. P or tanto pode ser consider ado o
r egime tributário adequado para a empr esa estudada.
C ONCL USÃ O
Diant e do expost o pode-se concluir das análises do r egime
tributário que o regime mais adequado para uma empresa especifica
na atividade frigorifica é Lucro R eal, tendo em vista a realização
de um compar ati v o entre o Simples Nacional, Lucr o Pr esumido e
Lucr o Real. Assim a análise dos dados demonstrou que com um
Planejamento T ributário adequado a empresa diminuir á sua carg a
tributária de forma lícita.
Este compar ativ o foi feit o atr a v és de análise qualitativ a com
entr evistas feitas com o contador da empresa e dois auditor es fiscais
estaduais da cidade de Ba y eux, e cálculos da apuração contábil da
empr esa do ano de 2012.
A tra vés dos dados obtidos nos r esultados e discussão foi
identificado que a empr esa busca f azer um planejamento tributário
e que já tr abalhou com as três f ormas de apur ação tributária citada
neste tr abalh o, com ist o, tentado diminuir seus tributos de f orma
Cláudia Elisabete da Silv a Costa; Ivys Medeir os da Cost a; André de P aula Rêg o Graciano Luz
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lícita. E procur ando sempr e pelos benefícios que a legislação
ofer ece para o seu r amo de ati vidade.
P or conseguinte, de acor do com o que f oi demonstrada nas
análises dos cálculos a melhor forma de apur ação seria o Lucro R eal,
pois a empr esa pagaria menos impostos e t eria mais lucr atividade.
Dev e-se lembrar de também que a apur ação no lucr o Real é f eita
minuciosamente em li vros de apur ações contábeis, e que sua
apur ação depende da r eceita, custos e despesas, que influencia
dir etamente nos cálculos dos impostos. Como também, constat ou-
se que a empr esa tem o benefício das alíquotas 0% no PIS, COFINS
c ICMS, diminuindo o custo tributário.
O tr abalho te v e algumas limitações, a primeira ocorr eu nas
entr evistas com os fiscais, uma v ez que os mesmos são de difícil
acesso, tendo em vista que r ealizam tr abalhos ext erno dificultando
os encontr os. E a outra limitação f oi conseguir os dados pr ecisos
da empr esa, pois a empresa t ev e receio em f ornecer seus v alores
contábeis r eais, fornecendo só o f atur amento e uma média dos
custos, despesas e r eceita.
Com este estudo pode-se alcançar qual seria de f ato o
r egime tributário mais adequado a ser utilizado pelo F rigorífico X,
tr azendo uma maior lucrati vidade e diminuindo seus impostos de
forma lícita.
P or fim, é importante destacar que os r esultados alcançados,
super ar am as expectati v as iniciais do tr abalho e r epresentam um
pequeno, mas importante passo par a o seguinte aprendizado,
também enfr entar e v encer os desafios que a ação de administrar
r ecursos financeiros traz, e a entender as legislações pela imensa
importância que ele demonstr ou possuir . Pela sua importância,
estudos que a legislação fazem part e dev em ser analisados
continuamente, já que a legislação sempr e está em mudanças .
Lucr o Presumido X L ucro R eal
83
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ES TRA TÉGIA S DE LIDERANÇA: O caso
da F ábrica Aiam
Laura Maia de C arvalho 1
Gustavo Olímpio R odrigues 2
Izabe l Cav alcanti Barr os Lamenha Pinto 3
RESUMO: O present e estudo tev e como objetiv o analisar as
estr atégias de lider ança que contribuem com a satisfação dos
funcionários da F ábrica de Móv eis Aiam, com o intuito de
identifica-las e a v alia-las. Uma boa liderança é necessária em t odas
as empresas. A sua função é influenciar os colaborador es em torno
de um mesmo objeti v o, org anizando as ideias principais, di vidindo
as tar efas indi viduais e moti v ando-os, par a atingir as metas por
eles tr açadas. Os resultados desta pesquisa f or am coletados numa
entr evista r espondida pelo Dir etor Ger al e um questionário aplicado
com uma amostr a de 60 colabor adores, cont endo uma abor dagem
qualitati v a e quantitativ a. Identificou-se que atra vés de uma analise
das estr atégias mais utilizadas são a de aquisição interna/e xterna
de satisfação, de compartilhament o de competência/solução
de conflito, de controle de subordinação e de r elacionamento/
integr ação. E a v alia-se que os funcionários, em sua maioria, estão
satisfeit os com as estr atégias utilizadas pelo líder da empr esa.
1 Concluiu o curso de Administr ação. E-mail: laura@antar escom.com.br
2 Orientador . Mestre. E-mail: [email protected]
3 Coorientador a. Mestre em P sicologia Escolar . Pr ofessor a/Psicologia/UNIPÊ. E-mail:
[email protected]
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
86
P ala vras-cha v e: Lider ança. Satisfação. C omportamento
Org anizacional.
INTR ODUÇÃ O
Este início de século XXI e videncia intensas pr essões por
r esultados e satisfação no tr abalho, como uma das principais
constantes na r ealidade do mundo do tr abalho, na maioria das
org anizações, em todos os ní v eis hier ár quicos e para t odos os
colabor adores que fazem parte desse conte xto. F atores como as
mudanças tecnológicas, a concorr ência globalizada e a f alta de
líder es qualificados e competentes par a os desafios que surgem
em suas pr áticas de tr abalho, estão associados às pressões por
r esultados esperados dentr o das organizações.
Diante da cobr ança contínua par a enfr entar a resolução
de desafios e problemas em busca da produti vidade e satisfação,
colabor adores e líderes dev em per ceber , refletir e agir em
benefício de encontrar as melhores estr atégias de liderança
par a promo v er condutas de satisfação e bem-estar coletiv o.
P osicionando o indi víduo, e mais especificamente o líder , no
centr o dos processos de mudança, consider amos que a liderança
está r elacionada a di versos segment os, entr e os que são mais
pr esentes no nosso cotidiano estão o profissional, o religioso e o
político. Um bom líder consegue se adaptar em todos eles, pois a
sua essência está numa mesma definição, que segundo Bowditch
e Buono (2002, p. 118) afirmam que “[...] a liderança pode ser
consider ada como um processo de influência, ger almente uma
pessoa, atr a v és do qual um indi víduo ou grupo é orientado para o
estabelecimento e atingiment o de metas” . P ortanto, a lider ança é
uma relação entre pessoas atr a v és da influência e do poder e são
distribuídos de maneir a desigual numa base legítima (contr atual
ou consensual). A lider ança não ocorr e no isolamento, ou seja,
não há líder es sem seguidores . P ar a Hunter (2006) é a habilidade
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
87
de influenciar pessoas par a tr abalharem entusiasmadas visando
atingir objetiv os comuns.
T endo uma visão mais ampla, a liderança é necessária em
qualquer empr esa, para or ganizar as ideias principais, di vidir as
tar efas indi viduais e ainda motiv ar os colaborador es positi v amente
diante de suas metas e missões. A lider ança é reconhecida
como essencial a todo tipo de or ganização humana por muit os
pesquisador es como Bennis (2001), Ulrich ( 2000), Goleman (2002)
e Berg amini (2002, 2005).
Dessa forma , a pr ática da liderança situacional é bem aceita,
nesse cenário de mudanças, por ser dinâmica e flexí vel, onde o
líder a v alia diariamente o seus colabor ador es e de acordo com seu
comportamento e maturidade analisa o estilo de lider ança á ser
usado, moldando-se diante de cada situação apr esentada.
Existem v ários estilos de liderança, que também, de v em ser
observ ados nesse pr ocesso , entr e os quais estão o autocr ático, o
democr ático e o liberal. Esta teoria é a mais antiga sobr e a lider ança.
F oi influenciada pela chamada teoria do “grande homem ” , que se baseia
nas r ealizações pessoais de alguns homens, que dominaram a hist ória
da humanidade, par a e xplicar o pr ogr esso do mundo. P orém, até hoje,
esses estilos são vistos dentr o das empr esas, alguns praticados com
mais frequência que outr os. Como é o caso do democrático, por ser mais
eficaz, sendo este estilo, almejado par a ser aplicado nas organizações
que tr abalham principalmente, com chão de fábrica.
As fábricas, em ger al, precisam de uma lider ança muito
rígida, ao tempo que de v em promo ver cont ext os de moti v ação, uma
v ez que tr abalham com um número gr ande de funcionários, e por
usar em sempr e metas diárias. Os vários setores e departamentos de
uma fábrica f ormam uma r ede de fornecedor es e clientes int ernos
essenciais para o desempenho da empresa. O reconheciment o e
o gr au de sucesso dos r elacionamentos no interior dessa f ábrica,
como forma de int egr ação das di v ersas funções da empresa par a
atingir seus objetiv os, são influenciados pela satisfação dos serviços
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
88
pr estados internamente, o que suger e a necessidade da liderança
mostr ar-se atenta a esse funcionament o, entr egando os serviços e
r esultados esperados com vistas ao cumpriment o das metas diárias
estabelecidas ( K OUZES; POSNER, 2003).
A F ábrica Mó veis A iam , campo de estudo desse tr abalho,
é org anizada de forma muit o sistemática, e pouco moti v ador a, o
que implica dir etamente nos r esultados finais, e até mesmo, no
r endimento dos seus colabor adores. Desta f orma esses fator es
estimular am o inter esse por r ealizar o estudo da liderança na
fábrica, vist o que há uma necessidade de mudanças na forma de
go vernar , e de utilizar as estrat égias mais coer entes.
Este tr abalho contribui par a o cr escimento da pesquisador a
tr azendo-lhe conhecimento sobr e o que é ser um líder , e
r econhecer as funções, como moti v ar , como agir e se comunicar
com seus colaborador es. Pr opor cionou também, a mudança de
ideias sobr e o tema, quebr ando par adigmas, e principalmente a
visão que temos sobr e lider ar , saindo da tese de que é pr eciso ter
e poder par a isso onde na ver dade, é necessário se mant er um
padr ão de autoridade.
O T rabalho de Conclusão de C urso r ealizado na empresa
pr oporcionou ajudar no desempenho de um no vo conceit o de
lider ança, usando nov as estr atégias par a se lider ar . Of er ecendo
assim, uma e x celente f err amenta que refletir á nos resultados
finais da empresa, propor cionando e alinhando os funcionários, e
org anizando as estrat égias dos lider es.
Na in v estigação desse tr abalho são identificadas as estratégias
de lider ança que encaix em positi v amente nos set ores da F ábrica
Móv eis AIAM, com o intuito de pr oporcionar melhores resultados.
P ortanto, a questão pr oblemática lev antada é: Qual a contribuição
das estr atégias de lider ança par a satisfação dos funcionários
da F ábrica AIAM? Nesta conjuntura, par a analisar as estr atégias
de lider ança que contribuem com a satisfação dos funcionários da
F ábrica de Móv eis Aiam, com o intuito de identifica-las e a v alia-las.
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
95
o mesmo caminho), 3 (Minha liderança delega as taref as e
contr ola os resultados, 8 (Minha lider ança lida com os su -
bor dinados dependendo da situação a resol ver) e 10 (Minha
lider ança faz diagnósticos corr etos dos pr oblemas encami -
nhando-os par a a solução adequadamente).
• Estr atégia de c ontrole de subor dinação (E3) fr ases: 2
(Minha lider ança ex erce sua autoridade atra vés da coer ção
(violência ver bal ou física) e 6 (Minha liderança fixa dir etri-
zes sem a participação dos subor dinados).
• Estr atégia de r elacionament o/ integr ação (E4) fr ases: 7
(Minha lider ança toma decisões com ampla participação dos
subor dinados) e 13 (Minha liderança age par a diminuir os
conflitos, dir ecionando-os par a que seja pr oduti vo).
Nesta conjuntur a o grupo mostrou que a estr atégia de
compartilhament o de competência/soluç ão de conflitos é a mais
r epresentati va neste grupo e significa que a lider ança possui
habilidade técnica no desen vol vimento de suas condutas, delegando
as tar efas e acompanhamento dos resultados, buscando assim
apr esentar diagnósticos mais fidedignos a fim de desen v ol ver
solução mais apr opriada à situação.
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
96
T ABELA 1 : Estrat égia de compartilhamento de compet ência/solução de conflito (E2)
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
Questões Respostas Nº (Entrevistados) % (Percentual)
Minha liderança é competente
e possui habilidade técnica,
inspirando-me a seguir o mesmo
caminho.
Discordo T otalmente 2 3%
Discordo 2 3%
Indiferente 2 4%
Concordo 39 65%
Concordo T otalmente 15 25%
Minha liderança delega as tarefas
e controla os resultados.
Discordo T otalmente 3 5%
Discordo 5 9%
Indiferente 5 9%
Concordo 32 55%
Concordo T otalmente 13 22%
Minha liderança lida com os
subordinados dependendo da
situação a resolver .
Discordo T otalmente 5 9%
Discordo 4 7%
Indiferente 5 9%
Concordo 37 65%
Concordo T otalmente 6 10%
Minha liderança faz diagnósticos
corretos dos problemas
encaminhando-os para a solução
adequadamente.
Discordo T otalmente 5 9%
Discordo 9 16%
Indiferente 10 17%
Concordo 28 48%
Concordo T otalmente 6 10%
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
97
A tabela acima, percebemos que se t em um alto ní vel
de satisfação dos funcionários ref er ente às estr atégias de
compartilhamento de competência e solução de conflitos.
V erificamos que nas três primeiras afirmações mais de 70% das
pessoas que participar am da pesquisa concordar am com a questão,
identificando que os líderes influenciam os seus colabor ador es a
ter em competência e habilidades t écnicas, dando entusiasmo par a
que se tr abalhe sem pressão, possuindo uma tar efa delegada, t ento
contr ole apenas dos seus resultados, e r esol v endo qualquer tipo de
pr oblema e tomada de decisão junto a sua equipe.
P ar a Zarifian (1996) o compartilhament o de competência
esta associado a um pr ocedimento de conhecimento e atitudes, que
fa vor ecem a realização de um tr abalho, assumindo desta forma,
r esponsabilidade diante de situações comple xas e que en vol vam
riscos a sua r ealização fa vor ecendo que os colabor adores possam
junto com o líder desen vol ve-se fr ente a situações desafiador as.
No quesito que se r ef ere ao diagnóstico de pr oblemas
tr açados pelo líder de f orma corr eta e a identificação da solução,
analisamos que exist e um númer o relati vament e elev ado em
r elação aos itens acima, r epresentando 25% da amostr a.
Em segundo lugar está a estr atégia de r elacionamento/
integr ação que mostr a disposição da lider ança em buscar decisões
com participação efeti va dos colabor adores minimizando assim, os
conflitos e t ornando os processos mais pr odutiv os.
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
98
T ABELA 2: Estrat égia de relacionament o/ integr ação (E4)
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
No tocant e aos dados da tabela 2, foi possív el identificar
que o líder está agindo de f orma positi v a na questão que se ref er e
aos conflitos, analisando que 35 funcionários concordar am e 10
concor daram totalmente, o que totaliza 79% dos pesquisador es.
Sendo assim a lider ança mostrou que possui uma postur a
adequada diante destas situações, posicionando-se de modo que
tais aconteciment os tr agam benefícios ao ambient e de trabalho,
ensinando-os a agir de maneir a pr oduti v a e a t er um bom
r elacionamento com a sua equipe.
P ar a lidar com conflito o líder t em q desenv olv er esfor ços
no sentido de pr omov er estratégias com vistas a estimula-lo ou
r eprimi-lo reconhecendo a imediata ação corr eti v a e tr ansformador a
(R OBBINS, 2001).
Questões Respostas Nº
(Entrevistados)
% (Percentual)
Minha liderança
toma decisões
com ampla
participação dos
subordinados.
Discordo T otalmente 3 5%
Discordo 10 17%
Indiferente 8 14%
Concordo 30 52%
Concordo
T otalmente
7 12%
Minha
liderança age
para diminuir
os conflitos,
direcionando-os
para que seja
produtivo.
Discordo T otalmente 1 2%
Discordo 6 10%
Indiferente 5 9%
Concordo 35 61%
Concordo
T otalmente
10 18%
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
99
No disposto à questão r elati v a a tomada de decisão possuindo
participação dos colabor adores, a metade dos 60 r espondentes
falar am que concordam, por ém 13 discor daram, com essa atitude
estes poder ão influenciar de forma negati va, ocasionando assim, a
não eficácia da gestão dos lideres afim de que se consiga alcançar
ex celência no objetiv o fim pr oposto pelo gestor . No entanto fazendo
oposição aos atos pr eteridos pelo líder , gerando insatisf ação
daqueles que pr ocuram seguir de f orma integr al os ensinamentos
diariamente ministr ados pelo seu superior .
Em ter ceir o é a estrat égia de aquisição int erna/ext erna
de satisfaç ão re v ela uma lider ança que potencializa atuar como
ex emplo de responsabilidade no tr abalho dando o melhor de si na
busca do resultado a tendo-se a pr omov er treinamento e melhoria
de superação para o seu grupo encorajando-os para o enfr entamento
dos desafios e super ação dos seus tr abalhos.
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
100
T ABELA 3: Estr atégia de aquisição interna/e xterna de satisf ação (E1)
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
Questões Respostas Nº Entrevistados % Percentual
Minha liderança
costuma dar exemplo de
responsabilidade com o
trabalho.
Discordo T otalmente 5 8%
Discordo 4 7%
Indiferente 1 2%
Concordo 30 52%
Concordo T otalmente 18 31%
Minha liderança
inspira-me a dar o
melhor de mim para
obter o r esultado em
meu trabalho.
Discordo T otalmente 5 8%
Discordo 7 12%
Indiferente 1 2%
Concordo 26 45%
Concordo T otalmente 19 33%
A empresa onde trabalho
promove tr einamentos
para os seus líderes.
Discordo T otalmente 16 27%
Discordo 19 32%
Indiferente 8 14%
Concordo 12 20%
Concordo T otalmente 4 7%
Minha liderança
mostra-me os desafios a
serem superados para o
meu bom desempenho.
Discordo T otalmente 2 3%
Discordo 8 14%
Indiferente 6 11 %
Concordo 33 58%
Concordo T otalmente 8 14%
Minha liderança
transmite-me entusiasmo
que me encoraja a
enfrentar os desafios do
trabalho.
Discordo T otalmente 6 10%
Discordo 5 9%
Indiferente 2 3%
Concordo 36 62%
Concordo T otalmente 9 16%
Minha liderança
mostra-me por que meu
trabalho é importante.
Discordo T otalmente 5 9%
Discordo 5 9%
Indiferente 2 3%
Concordo 27 47%
Concordo T otalmente 18 32%
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
101
P ercebendo-se que os lideres buscando sempr e dar ex emplo
aos funcionários, enfatizando a importância da r esponsabilidade
de cada colaborador com sua função e incentiv ando-os a fazer em
sempr e o melhor , que por ser uma equipe, não se consegue atingir
uma meta sem ajuda de todos os int egrant es. Por isso a importância
de cada funcionário dentr o da empresa tr abalhe com entusiasmo
e satisfação, uma v ez que a liderança esta associada a criação de
estr atégias com agr egação de r ecursos humanos par a a constituição
de equipes catalisando esfor ços formando par ceria e estimulando o
desen v ol vimento do seu gr upo (GRAMIGN A, 2002).
P or fim a estrat égia de contr ole de subordinaç ão que se
car acteriza por uma lider ança autoritária e coer citi v a inibindo a
participação dos subor dinados.
T ABELA 4: Estrat égia de controle de subor dinação (E3)
F ONTE: Dados do pesquisador , 2013.
Questões Respostas Nº (Entr evistados) % (Percentual)
Minha liderança
exer ce sua
autoridade
através da
coerção (violência
verbal ou física).
Discordo
T otalmente 29 49%
Discordo 17 29%
Indiferente 1 2%
Concordo 8 13%
Concordo
T otalmente 4 7%
Minha
liderança fixa
dir etrizes sem a
participação dos
subordinados.
Discordo
T otalmente 6 10%
Discordo 27 47%
Indiferente 3 5%
Concordo 17 29%
Concordo
T otalmente 5 9%
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
102
Analisando as questões da tabela 3 r espeitante a estr atégia
de contr ole de subordinação, v erificamos que são afirmações
negati vas, indicando que quant o mais discordâncias, mais positi vo
tornam-se os resultados. Diante da questão relati v a a aut oridade
atr a v és da violência v erbal ou física, identificamos que 36 pessoas
discor daram, o que repr esenta 78%. Mas mesmo sendo a grande
maioria, por se tr atar de um assunto de coer ção é importante que
não se tenha concor dância com esse item, o que indica que mesmo
sendo apenas 20% da amostr a de funcionários que afirmar am
o quesito, é um per centual elev ado, pois é desnecessário esse
tipo de comportamento quando se quer t er controle sobr e o seus
colabor adores, o que influenciar á de forma insatisfat ória.
Na lider ança autocr ática, segundo Chia v enato (2012),
o líder estabelece dir etrizes sem a contribuição e participação
dos funcionários. Nessa direção o estilo autocr ático enfatiza a
pr eocupação pela taref a onde o líder concentr a todo o poder e
autoridade nas t omada de decisão pr ov ocando assim nos seus
colabor adores um sentimento de interiorização (BOWDIT CH;
BUONO , 2002).
P odemos observ ar que 38% dos respondent es confirma-
r am essa proposição mostrando que para 22 pessoas que partici-
par am da pesquisa, este é o estilo da lider ança. P or ém 57%
acr editam que colaboram com a t omada decisão.
Observ a-se que as estrat égias positi vas se sobr essaem as
estr atégias negati v as de coer ção e de subor dinação confirmando
os dados apresentados no quadro 1. Os dados re v elam que há
uma liderança eficient e, fazendo usa de estr atégias positi v as e um
grupo fa vor áv el em perceber desse líder suas ações na empr esa.
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
103
Compar ar as estr atégias utilizadas pelo líder e colabor adores
da F ábrica Móveis AIAM
P ar a alcançar o objeti vo especifico traçado, comparar as
estr atégias utilizadas pelo lider e colabor ador es na F ábrica de
Mó veis Aiam, f oi r ealizada uma entre vista com Dir etor Ger al,
Sin v aldo Viana, que possui mestrado na ár ea. Por se tratar
de uma entr evista estrutur ada, a mesma foi r espondida pelo
entr evistado sem a presença ou interf er ência da pesquisador a. A
entr evista apr esentou quest ões fechadas, corr espondentes aos
dados sociodemogr áficos do líder , e quest ões abertas ref erent e
as estr atégias de lider ança por ele utilizadas. As entrevistas
apr esentav am questões abertas, semiabertas e fechadas. O nome
do entre vistado será identificado na transcrição da entr evista pela
sigla: DG – Dir etor Ger al.
O Dir etor Ger al da F ábrica, ao ser questionado sobre t er
um bom relacionament o com seus colabor adores, r essaltou
que: “acredito que sim, por tr abalhar com um sist ema de gest ão
participativa, todos contribuem com seu c onhecimento específico,
desde o oper ário mais simples, aos ger entes de st aff ” . Diante do
expost o é notório, que a satisf ação do líder no tr ato com os seus
colabor adores, esta sendo desen vol vida atra vés de um pr ocesso
de confiança mutua, corr obor ando com as per cepções dos
colabor adores, sendo a estr atégia de r elacionamento/integr ação a
segunda mais importante na sua escala de pr efer encia.
Segundo Hesey e Blanchar d (1986) o comportamento de
r elacionamento é adotado par a manter as r elações pessoais entr e
o líder e os membr os do seu grupo, abr angendo o ato de ou vir ,
pr estar atenção, dar feedbac k, facilitar e apoiar .
Quanto a inf ormação ref er ente à sua reação com os
conflitos ocorridos no ambiente de tr abalho, o líder deix ou claro
que: “o dialog o é aberto e os conflit os são trat ados diret amente
com os en volvidos, não pendendo a buscar o err ado mas a conciliar
os lados, na maioria das vez es, c olocando-os fr ente a frent e e
Laura Maia de C arvalho; Gustavo Olímpio Rodrigue s; Izabel C avalcanti B. Lamenha Pint o
104
mediando as partes sempr e c om foco na e stratégia de f ormação
de equipe agreg ada a estrat égia da empresa” . Corrobor ando com
os r esultados apresentados pelos colabor ador es aos afirmarem
atr a v és da estrat égia de compartilhamento de compet ência/
solução de conflit o que a liderança é competente ao diagnosticar
corr etamente os pr oblemas par a uma solução adequada.
Com r elação a questão 4 que fala sobre o orientação que
é passada aos seus funcionários em r elação ao seu trabalha
questionando se é de forma clara e objetiv a, ele afirma que
sim destacando que: “antes de qualquer implant ação ou
desen volvimento os me smos são comunic ados e podem opinar ,
normalmente sug erem particularidades iner ente ao seu serviço,
procur o administrar c om base em contr oles operacionais que
os mesmos se r esponsabilizem, pe la gest ão e periodicidade
da pre stação de c ontas” . Suas afirmações são fa v orecidas
pelas afirmativ as dos colabor adores quanto a estr atégia de
competência/ solução de conflito, que as comunicação são
apr esentadas ao grupo de forma clar a e objeti v a.
Conforme a t eoria situacional, o comportamento do líder de
acor do com a taref a dev e ser adotado para organizar e definir as
funções dos membr os do seu grupo, explicar ati vidades que cada
um dev e e x ecutar (o quê, quando, onde e como),compr eendendo
o estabelecimento de metas e de pr azos par a a org anização, a
dir eção e o controle (HESEY E BLANCHARD , 1986).
Indagado sobr e a sua posição r efer ente a permissão da
sua equipe contribuir com ideias de mudanças ou sugestões
de melhor as na realização do seu tr abalho, r elata-se ser
impr escindí v el, informando que “soment e assim consegue-se
a participação e o c omprometiment o do grupo, a avaliaç ão de
desempenho inicia-se c om a avaliaç ão do período de experiência e é
aplicado no sentido horiz ontal (entr e pares) e v ertical (superior es e
subordinados)” . Podendo comparar essa questão com a estr atégia
de aquisição interna/e xterna de satisf ação a v aliada pelos
colabor adores, sendo uma liderança que desafia e encor aja os
funcionários par a um bom desempenho.
Estratégias de L iderança: o c aso da fábrica A iam
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A CONS TR UÇÃ O DO REGISTR O
DOCUMENT AL COMO S AL V A GU ARD A
D A COMP ANHIA MANUF A TUREIRA E
A GRÍCOLA DO MARANHÃ O - CMAM
Fhillipe Germano Bez erra Lima 1
Jussara Bióc a de Medeiros Timót heo 2
C arolina C osta 3
RESUMO: O present e estudo te v e por objeti v o fundamentar
o antepr ojeto ar quitetônico do Centr o Cultur al em R efer ência
Negr a de Codó, Mar anhão, considerando a pr eexistência da
antiga Companhia Manuf atur eira e Agrícola do Mar anhão –
CMAM, importante e x emplar da ar quitetur a industrial br asileir a
(1892-1845), que v em sofr endo descar acterizações pela f alta de
manutenção e de uma política de conserv ação e tombament o.
Devido escassez de r egistr os do imóv el, se fez necessário a
r ealização de le v antamentos métricos e fotogr áficos do conjunt o
1 Concluiu o curso em arquit etura e Urbanismo. E-mail: fhillipegermano@hotmail.
com
2 Orientador a. Ar quiteta e Ur banista pela UFPE (1991). Mestr e em Hist ória
da Ar quitetur a e Urbanismo pela UFPB (2011). Atualment e é conselheira
do Conselho Municipal de Patrimônio Cultur al de João P essoa (COMP ACTU-
JP).E-mail: [email protected]
3 Coorientador a. Arquiteta e Urbanista pela UFPB (2004). Mestre em Arquitetur a
e Urbanismo pela UFRN (2012). Prof essor a assistente do curso de Ar quitetur a
e Urbanismo, UNIPÊ. E-mail: [email protected]
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
114
fabril e de seu ent orno imediato, r esultando a construção de
um banco de dados que documentam a situação do imó vel
entr e o período de julho de 2012 a junho de 2013. Este r egistr o
possibilitar á o acompanhamento da e v olução dos danos e das
patologias pr ediais das f achadas, além de servir de embasamento
par a no v as pesquisas.
P ala vras-cha v e: R estauro. P atrimônio histórico. Centr o Cultur al.
INTR ODUÇÃ O:
A Companhia Manufatur eir a e Agrícola do Maranhão -
CMAM está localizada na zona urbana de Codó (FIGURA 1),cidade
ao leste do estado do Mar anhão, a 290 km de distância da capital
São Luis.F oi implantada num lot e/quadr a de 31,413 m², tendo como
ender eço a Praça P almério Cantanhede, no bairr o de São Sebastião.
FIGURA 1: Mapa do Br asil com identificação do Estado do Maranhão,
seguidos do mapado município de Codó com a identifica-
ção do lote da CMAM.
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
115
F ONTE: Google Maps 2013. Editado pelo A utor .
Desde sua falência v em sofrendo per das em sua e xtensão
oriundas de ocupações irr egulares, como a inser ção do F órum
Desembarg adora E tel vina Ribeir o Gonçal v es em 2003, reduzindo
sua ext ensão para 26.541 m². Atualment e o lote possui as
seguintes dimensões: a norte 150.765 m; a sul 49.50 m; a leste
209.322; a oeste 164.458m.
P ossui como vias principais as a v enidas Sant os Dumont
e João Ribeiro, e como vias secundárias a Praça Palmério
Cantanhede e a T ra vessa Mamede Assis(FIGURA 2), permitindo o
acesso aos demais 15 bairr os da cidade.
FIGURA 2: Planta baixa com identificação das vias que cir cundem
a CMAM.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
O conjunto f abril foi construído em 1892,sob os in vestiment os
do empresário de origem portuguesa Emílio José Lisboa e de
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
116
in v estidores de um important e grupo econômico, par a dar suporte
à pr odução de tecidos como: algodãozinho, riscado, mescla, brim,
além de sacarias e punho de rede, utilizando-se da matéria prima de
di v ersas cidades da região, além da produção l ocal.
Gr ande ex emplar da arquit etur a fabril br asileir a do final
do século XIX a CMAM foi instalada dur ante o período conhecido
como “O Grande Milagre” , com a inser ção de uma das dezessete
fábricas de fiação e tecelagem instaladas no Estado.Neste período
a burguesia maranhense tenta v a se r ecuper ar da crise financeir a
ger ada pelo fim da Companhia Geral de Comércio do Grão-P ará e
Mar anhão.
A euforia da população codoense diant e da perspecti v a de
pr ogresso e tr abalho foi descrita da seguinte f orma:
Hou ve problemas em encontr ar operários locais es -
pecializados não só par a o trabalho nos t eares, como
também para outros serviços específicos. Abriu-se
um gr ande leque de serviços para di v ersas naturezas
de trabalho [...]. Nascia a primeir a gr ande indústria da
cidade. Outros dev eriam aparecer . O progr esso não
par av a. [...] o progresso sem dú vidachegariamais de -
pressa. A cidade crescia. Desen v ol ver a o seu comér cio.
Viriam no v as indústrias. No vos empregos, fartur a par a
os lar es (MA CHADO , 1999, p. 28-29).
Sil v a (2002) descr ev e que a CMAM possuía cerca de 170
tear es e 5976 fusos, empr egando cer ca de 332 oper ador es de
máquina e 68 funcionários di vididos em serviços de escritório,
mecânica, mar cenaria, elétrica, vigilância e serviços de limpeza
ger al. O maquinário foi exportado da Inglaterr a, sendo destacado
por Machado (1999) a sua chegada:
Chega v am barcaças em gr andes batelões pux ados
por resist entes na vios gaiolas. Vier am de longe cal-
deir as, tear es, roldanas, enfim o maquinário comple-
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
117
to da Inglaterr a. A população al v oroçou-se. Burr os,
jumentos, ca v alos e as carroças e xistent es na cidade
for am con v ocados para tr ansportar à Cidade Alta, a
dadi vosa e pesada mer cadoria. Homens f ortes, os
esti v adores não economizaram as suas for ças físi-
cas par a ex ecutar a tão bendita taref a de conduzir
o pesado far do. Subir a rampa íngreme do porto da
Matriz foi um desafio à criatividade dos homens da
esti v a. O peso das máquinas equi valia ao desen vol vi-
mento que ocorr eria com o progresso desejado. O as-
sento dos equipament os foi f eita por cuidadosos pe -
ritos no assunto. Tudo simetricamente no seu devido
lugar (MA CHADO , 1999, p. 32-33).
Com a utilização da máquina a v apor par a fazer funcionar
seus tear es, a CMAM contribuiu par a a criação de empr egos no
setor primário no arr endamento de gr andes áreas rur ais par a
extr ação de lenha para as caldeir as (SIL V A, 2002, p. 5).
A fábrica pr oduzia tecidos como: algodãozinho, risca -
do, mescla, brim (com 5R em homenagem aos cinco
filhos de Sebastião Archer), além de sacarias e punho
par a r ede. A matéria prima utilizada vinha de di v ersas
cidades da região, além da pr odução local. A pr odução
na fábrica er a di vidida em algumas secções: de carre -
tel, de fiação, de tecelagem. Nestas secções havia pre -
dominância do tr abalho feminino, ha v endo também
crianças que trabalha v am juntando as “espeilas” secas
na tecelagem e lev ando-as para a secção de fiação par a
serem rebobinadas. Sua produção chegav a a mais de
dez milhões de cruzeiros (moeda da época), e tinha
como mercado consumidor part e da região nor deste
(Mar anhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, etc.), para as
cidades mais pró ximas o tr ansporte er a feit o em lom -
bo de animais e mais tar de em caminhão. P ara outros
Estados a produção er a tr ansportada para o mer cado
por ferr o via até a capital do Estado – São Luis, e de lá
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
118
seguia de na vio até o destino (A SSAD , 1979 apud FER -
RETTI, 2001, p. 79).
A CMAM dur ante quatr o décadas r epresent ou o progr esso
par a Codó, sendo descrita por Machado (1999) como uma
“máquina funcionando a todo v apor” . A (figur a 3), repr esenta o
fest ejo do algodão da década de 1920, período est e em que eram
exibidos par a a população o resultado da colheita.
FIGURA 3: Carreata nas ruas da cidade de Codódur ante
o fest ejo da colheita do algodão em 1920.
F ONTE: Acerv o F amília Salem.
Codó tinha necessidade de ser implantado outr o meio
de transport e par a a exportação das mer cadorias da CMAM. Em
03 de janeiro de 1905 sob o decr eto n° 1.329 f oi autorizada a
construção da Estr ada de F erro São Luis / Caxias, sendo concluída
em 11 de março de 1921 com a implantação da RFSS A. “Era a
Estr ada de F erro que chega v a beneficiando e dando impulso
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
119
ao desen v ol vimento econômico das cidades por onde passa va ”
(MA CHADO , 1999, p. 123).
A té a década de 1930, a economia mar anhense te v e seu
principal suporte na cultur a do algodão. Segundo Machado
(1999), é neste período que se tem um declínio econômico em
consequência da r edução das perspecti v as de exportação par a o
mer cado int ernacional. P ar a o pedagogo e membro fundador do
Instituto Histórico e Geogr áfico de Codó – IHGC, Carlos Gomes,
a substituição do algodão por nov os produt os pro v ocar am o
encerr amento de v árias fábricas de tecidos no Mar anhão, em
decorr ência de não poderem competir com as congêner es da
r egião sul do país (informação v erbal).
O cenário internacional também esta va passando por
uma crise financeir a, como a Queda da Bolsa de V alores de No v a
Y ork (1929), em seguida pelas insaciá veis disputas políticas que
moti v ar am a Segunda Guerr a Mundial (1939 – 1945). A CMAM
decr etou falência entr e 1940 e 1945, f ato este que é comentado
por João Batista Machado em entre vista prof erida no dia16 de
janeir o de 2012, que o real moti vo da f alência esta v a na queda da
exportação e na falta de liberação de crédit o financeiro pelo Banco
do Br asil (informação v erbal).
Sete décadas se passar am desde a f alência da CMAM, e
nenhuma ati vidade de manutenção e pr oteção t em sido feita
pelo Go v erno do Estado do Mar anhão, atual pr oprietário. A
descar acterização dest e conjunto ar quitet ônico que é um marco
histórico da fundação de Codó despert ou-me o inter esse em
desen v ol v er uma proposta ar quitetônica de um Centr o Cultur al
em R efer ência Negr a, que além de sal vaguar dá-lo, pudesse atribuir
um no vo uso, pr ática esta defendida na Carta de A tenas de 1941.
[...] a confer ência constatou que nos div ersos Estados
repr esentados pr edomina uma tendência ger al a aban -
donar as reconstituições int egrais, e vitando assim seus
riscos, pela adoção de uma manutenção r egular e per -
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
120
manente, apr opriada para assegur ar a conservação dos
edifícios. Nos casos em que uma restaur ação par eça in -
dispensá vel de vido à deterior ação ou destruição, a con -
fer ência r ecomenda que se respeite a obr a histórica e
artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhu -
ma época (CAR T A DE A TENA S, 1931, p. 1).
P ar a a construção do anteprojet o ar quitetônico do Centr o
Cultur al se fez necessário o lev antamento físico de todo conjunto
fabril, par a que desta forma se pudesse ter o r egistr o de sua
situação atual, reconhecendo desta f orma suas limitações e
potencialidades.
A EDIFICA ÇÃO EXIS TENTE
O conjunto de edifícios que compreendem a CMAM é
composta por 6 construções distintas; estas for am r elacionadas
a partir da sua disposição no lote, e assim atribuídos uma
nomenclatur a numérica devido a escassez dos indicati vos de uso
anterior (FIGURA 4).
FIGURA 4: Planta baixa da situação atual da CMAM com indicação da
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
127
FIGURA 13: Planta Baixa Edifício 04, com destaque par a a situação atual
da fachada norte.
F ONTE: Acerv o P essoal do autor , 2013.
Dentr e os edifícios que compõem a CMAM, est e é o que
apr esenta uma maior descaract erização com per da total de sua
coberta devido ao desgaste de sua estrutura. V ale salientar que
o primeir o lev antamento foi r ealizado em julho de 2012 e ainda
existia uma das quatro cobertas deste edifício, porém dur ante o
outr o lev antamento r ealizado em janeiro de 2013 não consta v a
mais esta coberta, que veio a ruir durant e as primeir as chu v as.
P orém, o estado mais preocupant e do edifício que tem a t endência
de aumentar é a per da de gr ande parte da fachada sul(FIGURA
14), que expõe a edificação ao surgimento de outras patologias e
danos que podem se tornar ainda mais irr e versí vel.
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
128
FIGURA 14: F achadas leste e sul do edifício 04 da CMAM.
F ONTE: Acerv o P essoal do autor , 2013.
P ar a o r econhecimento da situação atual em que se
encontr a a f achada sul do edifício 04 foi elaborado o lev antamento
de danos e patologias a partir do le v antamento métrico e
fot ométrico (FIGURA 15).
FIGURA 15: Lev antamento de danos e patologias da f achada sul do
edifício 04.
F ONTE: Elaborado pelo aut or , 2013.
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
129
EDIFÍCIO 05
O edifício 05 (figura 16)fica implantado a 23m da f achada
sul do edifício 05; suas fachadas possuem dimensões que variam
de 10.70m a 23m, ocupando uma área de 186.50m², constituindo
uma planta de configur ação retangular .
FIGURA 16: Planta baixa edifício 05 e sua f achada norte.
F ONTE: Acerv o P essoal do autor , 2013.
É possív el identificar pela (FIGURA 17) que o mesmo
foi construído posteriorment e aos edifícios 01, 02, 03 e 04, por
não possuir elementos estilísticos da ar quitetur a clássica, e
pelo sistema construti vo de al venaria em tijolos cer âmicos com
acabamento em r eboco de saibro. Devido à perda da coberta que
pela mar cação das alv enarias seria de duas águas as alv enarias
internas apr esentam patologias como cr osta negr a e fungos, além
de danos como fissur as ocasionados pela infiltr ação de água das
chu v as. O piso cimentício encontra-se bastante danificado e parte
da estrutur a de suas esquadrias em ferr o f or am mantidas apesar
de estar em comprometidas pela gr ande quantidade de ferrugem.
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
130
FIGURA 17: Edifício 05 e a perspecti v a de suas fachadas com
destaque para as esquadrias.
F ONTE: Acerv o P essoal do autor , 2012.
EDIFÍCIO 06
O edifício 06 (figur a 18)está localizado ao sul do edifício
05, tendo fachadas com dimensões de 12m x 41m, ocupando uma
ár ea de 492m², constituindo assim uma planta de configur ação
r etangular .
FIGURA 18: Planta baixa edifício 06 e a perspecti va de sua fachada norte.
F ONTE: Acerv o P essoal do autor , 2012.
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
131
A tualmente encontr a-se com um grande desg aste das
tesour as em madeira que sustentam a coberta pela gr ande
concentr ação de cupim; o mesmo fui alertado par a não adentrar
ao edifício, pois sua coberta esta corr endo o risco de ruir ,
impossibilitando o lev antamento fot ogr áfico de sua parte interna.
As fachadas apr esentam algumas pat ologias como crosta negr a e
fungos, principalment e nas superfícies em que o beir al não está
mais resguar dando das chuv as. Algumas esquadrias permanecem
no seu local original, por ém estão comprometidas pela gr ande
quantidade de ferrugem.
REGISTR O BIDIMENSIONAL E TRIDIMENSION AL
Após a conclusão do lev antamento bidimensional e
fot ogr áfico se f ez necessário o registr o tridimensional da CMAM,
pois desta forma permitiria uma melhor visualização de todo
o conjunto. O registr o de cada uma das edificações serviu de
base par a a criação de um banco de dados que auxiliar á outras
pesquisas a verificar se hou v e um av anço das descar acterizações
no imó vel. (figur as 19, 20, 21, 22, 23, 24).
FIGURA 19: P erspecti va do edifício 01- Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
132
FIGURA 20: P erspecti va do edifício 02 – Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
FIGURA 21: P erspecti vado edifício 03 – Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
FIGURA 22: P erspecti va do edifício 04 – Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
133
FIGURA 23: P erspecti va do edifício 05 - Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
FIGURA 24: P erspecti va do edifício 06 - Maquet e eletr ônica.
F ONTE: Elaborado pelo aut or .
MÉT ODO
P ar a o desen v ol vimento do registr o documental da CMAM
se fez necessário adotar dois pr ocedimentos metodológicos,
sendo estes a pesquisa de campo e a elabor ação dos desenhos
pr eliminares ao antepr ojeto ar quitet ônico. Na primeira etapa for am
r ealizadas as visitas in loco par a se fazer o registr o fot ográfico
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
134
da situação atual da fábrica e de seu ent orno, em conjunto com
as ati vidades de lev antamento métrico, fundamental par a se
construir a planta baixa de cada uma das seis edificações, sua
locação e a mar cação de seus acessos. Esta etapa foi acompanhada
das visitas ao arqui v o da Pref eitur a Municipal de Codó, na busca
de documentos que r elatassem a pr odução da CMAM ou fotos que
r egistrassem o estado do edifício ao decorrer do tempo, por ém as
informações obtidas f or am irr ele v antes ao tr abalho.
Já a segunda etapa foi marcada primeir amente pela
digitalização dos lev antamentos métricos, que r esultaram na
pr odução das plantas baix as de situação atual. Post eriormente
esse r egistro serviu de subsidio par a o lev antamento das f achadas
que apr esentav am uma maior quantidade de danos e patologias.
RESUL T ADOS
As etapas que anteceder am a elaboração do antepr ojeto
ar quitetônico do Centr o Cultural em R efer ência Negra de Codó,
Mar anhão, for am fundamentais par a a produção de r egistros
documentais como o lev antamento histórico da CMAM obtido
pelas pesquisas bibliogr áficas e as entrevistas com historiador es
e membr os do Instituto Histórico e Geográfico de Codó – IHGC, e
posteriorment e a criação de um banco de dados que é composto
pelo r egistro fot ogr áfico produzido no período de julho de 2012
a maio de 2013; pelas plantas baixas de situação e coberta da
CMAM, em que é possí v el identificar as áreas que sofr eram
alter ações nas di visões originais e as que se encontr am com
per da de coberta; e pela digitalização de todas as fachadas,
sendo destacadas as alter ações pr omo vidas posteriormente,
além da elabor ação dos mapas que identificam as fachadas
que apr esentam uma maior quantidade de danos e patologias
construti v as.
A Construç ão do Registr o Documental como Salvaguar da da
Companhia Manuf atureira e A grícola do Maranhão - CMAM
135
DISCUSS Ã O
A falta de uma política de manut enção e conserv ação está
colocando em risco um dos gr andes ex emplares da ar quitetur a
industrial br asileir a do século XIX, a Companhia Manufatur eir a
e Agrícola do Maranhão. O descaso em que se encontra este
patrimônio está ger ando a cada dia mais danos irre v ersí v eis que
poder ão lev ar o edifício a categoria de ruína, ou seja, quando o
edifício per de grande part e de sua identidade.
Um dos fator es mais preocupant es é a inexist ência de registr os
nos órgãos de tombament o em ní v el estadual (DPHAP -MA) e em ní v el
feder al (IPHAN), processos de solicitação de tombamento, f ato este
que contribui ainda mais par a a descaract erização do edifício.
A insatisfação da sociedade codoense com o atual descaso
da companhia encontr asse registr ado em denúncias prof eridas
pelos v eículos de comunicação, e em li vros como o de Machado
(1999):
É precioso que os ór gãos competent es pro videnciem
o tombamento de edifícios e residências que e xpres -
sam alguma coisa da história codoense. Poucos, mais
autênticos, são estes os monumentos; o palacete que
serviu de residência à f amília Ar cher , tendo lá residido,
anteriorment e o senhor João Pedr o da Cruz Ribeiro,
falecido em 19 de fev ereir o de 1928; o prédio da an -
tiga F ábrica de T ecidos, que bem poderia abrigar um
Centro de C ultura [...] (MA CHADO , 1999, p.285).
C ONCL USÃ O
Esta pesquisa/ proposta além de t er sido uma contribuição
par a o resg ate do mar co fundador da história de Codó, promo v eu
a construção de um banco de dados com registr os bidimensionais,
tridimensionais e f otogr áficos que descr ev em a atual situação
Fhillipe Germano Bezerr a Lima ; Jussara Bióc a de Medeiros Timótheo ; C arolina C osta
136
de abandono e descaso com a CMAM entre o período de julho de
2012 a junho de 2013.
In v estigar a história desde importante patrimônio edificado
industrial permitiu a descoberta de outr as importantes contribuições
par a a história da cidade, que f or am as manifestações cultur ais de
descendência afr o-br asileiras que ainda estão ativ as. Esses registr os
for am fundamentais para a elabor ação do antepr ojeto arquit etônico
do Centr o Cultur al em R efer ência Negr a de Codó, que tem por intuit o
abrigar espaços de difusão de arte, cultura, música, lit er atur a e dança.
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Estratégias Bioc limáticas na A rquitetura Moderna de João P essoa
143
ÁREA DE INSERÇÃO E IMPLANTAÇÃO
Implantada de forma solta no lot e, com recuos em t odos
os lados, a r esidência foi inserida na quadr a de número 1090
entr e a A v . Epitácio P essoa e a A v . Júlia Fr eir e no bairr o da T orre.
De acordo com Mat os et al (2004), sua construção f oi iniciada
em 1956 pela empr esa de engenharia Figueir as e Jucá, sendo
concluída em 1958.
Conforme a Ficha Cadastr al 00145-8 da PMJP o lote original
tinha ár ea de 7.474 m² com desní v el de 1m no sentido Norte- Sul
do terr eno e par a o acesso de automó v eis f oram pr evistos o acesso
principal pela A v . Pres. Epitácio Pessoa ao Norte (Figur a 1) e outr o
secundário pela A v . Júlia F reir e ao Sul que for am ligados por uma
ár ea de tr áfego pavimentada. Em 2 de junho de 1998, hou v e o
desmembr amento, gerando dois lotes: um com entrada pela A v .
Epitácio P essoa (no qual ficou a edifica ção) e o outro com acesso
pela Av. Julia Freire (com a caixa d’água) no que resultou
numa área de 3.890 m² apenas.
FIGURA 1 : Implantação da residência no lot e.F onte: F arias & F arias,
2010 e elaborado pela aut or a.
Latitude: -7.08
Polly anna Priscila de Souza Lima ; Maria Simone Mor ais Soares
144
Os blocos que compõem a edificação estão soltos no lote
e ocupam 1.088 m² de ár ea construída. Grandes espaços v er des
tr atados paisagisticamente por Burle Marx compõem ampla part e
da ár ea, como já foi mencionado ant eriormente.
A partir da década de 1970, com o pr edomínio das ati vidades
comer ciais, as edificações localizadas na A venida Epitácio Pessoa
modificar am-se r adicalmente. A intensa urbanização aumentou o
adensamento v ertical e, consequentemente, hou v e modificações no
micr oclima. Logo, como tr ata-se de um estudo de uma residência
no passado, ão ser ão consider adas as alter ações ocorridas sob o
entorno da r esidência no decorr er dos anos.
AN ÁLISE D A IL UMINA ÇÃO N A TURAL
Analisando o mo vimento apar ente do sol sobr e a r esidência
em questão e o comportamento de cada orientação de f achada
observ a-se que a maior predominância de aberturas está nas
fachadas Nort e, Leste e Oest e.
P ar a o estudo da iluminação natural foi observ ada a
insolação de cada f achada. As fr entes do edifício selecionadas for as
às v oltadas par a Norte, Leste e Oest e e pela repr esentatividade
da geometria, orientação e pr oteção de suas abertur as, as quais
contribuem consider a v elmente com a quantidade de iluminação
natur al nos ambientes.
Consider ando que o horário de desconforto em João
P essoa é entre 9h da manhã e 16h da tarde e usando o progr ama
Anal ysis Sol- Ar 6.2 como auxiliador , obtev e-se uma carta solar
com o período de sombr eamento necessário para a cidade. Em
seguida, fez -se um bre v e estudo com as cartas solar es sobr e o
comportamento das abertur as e das tipologias dos elementos
v azados v erificados nas fachadas, diante das orientações a que são
submetidos.
Estratégias Bioc limáticas na A rquitetura Moderna de João P essoa
145
As imagens a seguir apr esentam o comportamento das
abertur as nas fachadas Nort e, Leste e Oest e repr esentado pelas
cartas solar es nos solstícios de v erão e in verno em períodos de
incidência solar .
É possí v el observ ar na Carta solar com Latitude e
Longitude par a João Pessoa (Figur a 2) que o período de insolação
da fachada nort e é pr edominante dur ante t odo o dia nos períodos
após as 06hs até as 17h30min de 21 de mar ço a 23 de setembr o,
apr oximadament e. Durant e os períodos mais quentes do ano a
fachada permanece sombr eada.
A tra vés das gr andes aberturas de vidr o, exist entes na
r esidência, a radiação solar penetr a indiretament e a fachada nort e
desde os primeir os horários da manhã at é os últimos da tarde
no período de inv erno. A figura 3 mostr a a insolação durante o
solstício de in v erno e v er ão às 10hs da manhã e 15hs da tarde com
céu claro. Per cebe-se que em seu momento de insolação a frente
r ecebe incidência com maior intensidade no período da manhã.
FIGURA 2: Carta solar ref er ente ao estudo da f achada norte.
F ONTE: Adaptado de Anal ysis Sol- Ar 6.2 e editado pela autora.
Latitude: -7.08
Polly anna Priscila de Souza Lima ; Maria Simone Mor ais Soares
146
FIGURA 3: Incidência solar na fachada nort e no período de 21de junho e
21 de Dezembro.
F ONTE: Simulação do Sket chup.
P ar a a análise do desempenho luminoso no interior do
edifício foi utilizada a maquete eletr ônica da sala de estar da
r esidência e realizada simulações computacionais no hor ário de
insolação das 10hs e 15hs do dia 21 de cada mês do ano com céu
clar o.
P ercebe-se que os nív eis de iluminância encontr ados
v ariam de 280,5 lux a 375,2 lux apr oximadament e em 21 de
dezembr o e 21 de janeiro. O mês de fe ver eiro t em uma pequena
v ariação de 280,5 lux a 437,6 lux e mar ço de 290,0 lux a 437,6 lux
apr oximadament e (Figura 4).
Estratégias Bioc limáticas na A rquitetura Moderna de João P essoa
147
FIGURA 4: Modelo tridimensional da sala de estar com infiltr ação da
insolação e gráfico de cor es f alsa simulados para 21 de
dezembro e 21 de mar ço às 10hs.
F ONTE: Extraído do softw are VEL UX Da yligth Visualizer 2.
A quantidade de iluminância encontr ada ocorre de vido
ao momento em que a f achada permanece sombr eada, que é o
período de v er ão, e por conter composição v olumétrica capaz
de impedir por v ezes o e x cesso de iluminação como o generoso
beir al de 2,70m propost o por Borsoi par a abrigar part e da gr ande
abertur a translúcida da f achada Norte.
O período no qual for am verificados os maiores nív eis de
iluminâncias foi a partir do mês de abril e maio onde v ariaram de
300 lux a 500 lux e os meses de junho e julho com 360 lux até 500 lux
(Figur a 5). Em agosto os v alores decr escer am nov amente par a 300
lux nas quantidades mínimas e as máximas permaneceram 500 lux.
Polly anna Priscila de Souza Lima ; Maria Simone Mor ais Soares
148
FIGURA 5: Modelo tridimensional da sala de estar com infiltr ação da
insolação e gráfico de cor es f alsas simulados para 21 de abril
e 21 de julho às 10hs.
F ONTE: Extraído do softw are VEL UX Da yligth Visualizer 2.
É notá v el que esta frent e possua ní v eis mais altos de
iluminação natur al neste período, logo é o momento em que
permanece ensolar ada e também pela presença de abertur as
tr anslúcidas nessa fachada que admit e a entrada de uma par cela
consider á v el de luz no espaço interno.
Descr ev endo a carta solar par a a fachada leste (Figur a 6),
per cebe-se que esta frent e r ecebe insolação durant e os primeir os
hor ários da manhã até às 12hs apr o ximadamente tanto no período
de in v erno como de ver ão. Dur ante este mesmo período à tarde
ela permanece sombr eada (Figura 7).
Estratégias Bioc limáticas na A rquitetura Moderna de João P essoa
149
FIGURA 6: Carta solar ref er ente ao estudo da f achada leste.
F ONTE: Adaptado de Anal ysis Sol- Ar 6.2 e editado pela autora.
FIGURA 7: Insolação e sombreament o da fachada lort e nos solstícios de
inv erno e ver ão.
F ONTE: Simulação do Sket chup.
As abertur as v oltadas para Lest e corr espondem aos
ambientes dos dormit órios localizados no último ní v el superior
da residência e sala de estar no nív el inferior . Recebem insolação
Latitude: -7.08
Polly anna Priscila de Souza Lima ; Maria Simone Mor ais Soares
150
dir eta de luz solar durant e a manhã, ao longo do ano. De vido à
tipologia da esquadria nas v ar andas dos quartos a iluminação
natur al não chega a ser e x cessi v a neste ambient e enquanto que a
sala de estar , composta por uma par ede de brises, fica r esguar dada
da incidência solar devido o v olume superior estar suspenso por
pilotis e conformar em um abrigo de mais de 4m de compriment o
que a protege da insolação. Isto pode ser compro vado diante das
simulações de iluminação natur al nos ambientes internos da
fachada Lest e r ealizadas ex atamente às 10hs e 15hs do dia 21 de
janeir o a dezembro dur ante céu aberto.
Os ní v eis de iluminância v ariaram de 300 lux a 437,6
lux apro ximadamente durant e as manhãs do ano inteir o.
P ermanecer am um pouco mais intensos nos meses quentes,
enquanto que em meses menos quent es como junho e julho os
v alor es se manti ver am pouco menor que 300 lux (Figura 8).
FIGURA 8: Modelo tridimensional do dormitório com infiltr ação da
insolação e gráfico de cor es f alsas simulados para 21 de
dezembro e 21 de junho às 10hs.
F ONTE: Extraído do softw are VEL UX Da yligth Visualizer 2.
Estratégias Bioc limáticas na A rquitetura Moderna de João P essoa
151
Devido a uma difer ença pequena de v ariações, consider ou-
se aqui os v alor e de 300 lux par a as iluminâncias mínimas e 437,6
lux para as máximas. Dur ante o horário das 15hs este ambiente
atingiu ní v eis de 188,1 lux a 375,2 lux apro ximadamente nos
meses de dezembr o, janeir o, f ev ereir o, março e abril. A partir do
mês de maio notou-se que os menores v alores gira vam em t orno
de 125,8 lux e os maiores 250,5 lux. P ermanecer am com essa
média até o mês de set embro.
Os v alor es aumentaram par a 188,1 lux nas suas
quantidades mínimas e 375,2 lux nas máximas a partir de outubr o.
Diante da carta solar vista na Figur a 18 é possív el perceber que a
fachada Oest e r ecebe insolação nos períodos mais quentes do dia
dur ante todo o ano. O período de incidência solar começa após
as 12hs e segue até as 18h, apr oximadamente, dur ante o v erão,
e no inv erno at é antes às 18hs. A f achada permanece sombr eada
dur ante toda a manhã o ano int eir o (Figura 9).
FIGURA 9: Carta solar ref er ente ao estudo da f achada oeste.
F ONTE: Adaptado de Anal ysis Sol- Ar 6.2 e editado pela autora.
Polly anna Priscila de Souza Lima ; Maria Simone Mor ais Soares
152
FIGURA 10: Insolação e sombreament o da fachada lort e nos solstícios
de inv erno e ver ão.
F ONTE: Simulação do Sket chup.
A fachada oest e é marcada pela malha de cobogós inserida
por Borsoi como elemento de pr oteção da incidência solar direta
que r ecebe nos períodos da tarde e pela gener osa mar quise
que protege a abertur a translúcida que possui essa frente. F oi
per cebida a eficiência desses elementos de proteção nos hor ários
de 12hs às 13h30min dur ante o dia 21 de todo o ano. A partir das
15hs parte da f achada passa a r eceber insolação durant e todo o
ano. Contudo a esquadria fixa de vidro localizada no pa vimento
superior da fachada, por não possuir prot eção, recebeu insolação
dir eta durant e todos os hor ários e meses simulados.
Os estudos par a ex aminar o comportamento dos
elementos de pr oteção solar da f achada oeste f or am extr aídos
por meio de simulações realizadas no progr ama Sket chup. Por
sua v ez, tratando-se dos ambient es internos notou-se que o
ponto localizado fr ente à malha no int erior da r esidência não
r ecebeu grandes quantidades de iluminação natur al, isso também
IMUNIDADE TRIBUT ÁRIA RECÍPROCA: sua extensão à Empresa
Brasileir a de Correios e T elégrafos na jurisprudência do S upremo T ribunal Federal
255
tributária, pois a mesma se v ale da pr errog ati v a de cobr ança de
pr eços pelos serviços prestados.
Dev e ser destacado, ainda neste fr agmento acima, o t ermo
que for a utilizado pelo legislador , uma vez que, ao elabor ar
esse dispositi v o, não cumulou a contr aprestação (cobr ança
de tarifa/pr eço pelos serviços prestados) com o e x ercício da
ati vidade econômica. Pr eferiu se v aler do termo “ou” , lev ando,
consequentement e, a crer que ser ão ex cluídos da imunidade
estes ou aqueles. Dest e modo, mesmo se lev ar em consideração
o serviço pr estado como serviço público, em ha v endo a
contr aprestação pelo f ornecimento do serviço, a empr esa estará
pri v ada de r eceber a gar antia do benefício em questão.
V ale r essaltar ainda que o benefício em questão já for a
negado em T ribunais importantes à sociedade de economia mista
com fundamento no dispositi vo acima apr esentado, alegando
que o dir eito a imunidade é v edado a partir do momento em que
as empr esas estatais cobrem tarif as pelos serviços pr estados.
Analisa-se atr a vés da decisão que segue:
TRIBUT ÁRIO. IMUNID ADE RECÍPR OCA. CF , AR -
TIGO 150, VI. A imunidade r ecíproca pr evista no
artigo 150, inciso VI da Constituição F ederal diz
respeit o somente a impost os, não alcançando
contribuições sociais ou tarifas públicas. A C OR -
SAN é sociedade de economia mista, com perso -
nalidade jurídica de dir eito pri v ado, que presta
serviço público mediante concessão na f orma do
artigo 175 da Carta P olítica, cobrando tar ifa di -
retament e do usuário, o que a afasta do benefício
da imunidade recípr oca.
Neste sentido, discorr em Marcelo Alex andrino e Vicent e
P aulo que:
Natécia Oliveir a Viana de Queiroz; A na Paula basso
256
(...) pela liter alidade do §3º do art. 150, entre -
tanto, estariam e x cluídas da regr a de imunidade
recípr oca até mesmo as pessoas políticas e as
pessoas administr ativ as prestador as de serviços
públicos, quando o serviço público por elas pr es -
tado fosse r emuner ado por preço ou por tarifa
pagos pelo usuário.
P ode-se ter ainda af astada a ref erida imunidade atr a v és
da liter alidade de outr o dispositi v o constitucional, consoante se
pode constatar no art . 173, §2º da CF , que v ersa que “as empresas
públicas e as sociedades de economia mista não poder ão gozar de
pri vilégios fiscais não ext ensi v os às do setor pri vado ” .
Sendo assim, se for le v ar em consider ação apenas o te xto da
Constituição de forma lit er al, sem a aplicação de uma interpr etação
mais abr angente, concluir-se-á que as empr esas públicas
não mer ecem de forma alguma t erem a imunidade tributária
r ecíproca aplicada a suas ati vidades, sejam consideradas serviços
públicos ou não, inclusi v e por tratar-se de ati vidade que acarreta
contr aprestação ou pag amento de tarif a por parte do usuário.
V ale acrescentar ainda que o art. 173 da Constituição que
tr ata das empresas públicas, das sociedades de economia mista e de
suas subsidiárias que explor em atividade econômica de pr odução
ou comer cialização de bens ou de prestação de serviços, estabelece
que estas entidades se encontr am sujeitas ao regime jurídico
pr óprio das empresas pri vadas, inclusi ve no que diz r espeito aos
dir eitos e obrigações tributários, conf orme §1º, inciso II.
Sendo assim, embor a haja entendimento nos dois sentidos
– tanto em f a v or da aplicação da imunidade a Empresa Br asileira
de Corr eios e T elégraf os, como também pela não ext ensão da
r eferida e x oner ação tributária – o que tem se sobr eposto é a
aplicação da imunidade quando tr atar-se de imposto incidente
sobr e os serviços típicos do setor postal. De modo que, ficam
IMUNIDADE TRIBUT ÁRIA RECÍPROCA: sua extensão à Empresa
Brasileir a de Correios e T elégrafos na jurisprudência do S upremo T ribunal Federal
257
ex cluídos do benefício imunizatório todos os serviços pr estados
com fins ex clusiv amente econômicos, (que não estão definidos
pela lei como ati vidades típicas do setor postal) com e x ceção aos
serviços pr estados pelo “Banco Postal” conf orme mencionado
anteriorment e.
Desse modo, como se sabe, a atuação do Estado na
ati vidade econômica dev e se dar de forma ex cepcional, em
r espeito ao princípio da li vr e iniciati v a. E a Suprema Cort e ao
interpr etar a norma imunizatória de f orma ext ensi v a a Empr esa
Br asileir a de Correios e T elégraf os tem concedido um pri vilégio
indevido, f erindo princípios basilar es do Dir eito, como o princípio
da li vr e iniciativ a e da livr e concorrência.
C ONSIDERA ÇÕES FIN AIS
Em conclusão pode-se compr eender que a imunidade
aplicada a ECT se encontr a re v estida de v ários moti v os que lev am
a sua não-aplicação a empresa em questão, que são os seguint es:
Primeir amente por que a Constituição não definiu se o
serviço postal dev a ser prestado sob a f orma de serviço público ou
não, e, portanto, cabe int erpretação tant o par a o serviço público
como par a a ati vidade econômica (em sentido estrito). Sendo
assim, o pr esente estudo segue a linha doutrinária que def ende
que o serviço pr estado pela ECT é ati vidade econômica em sentido
estrito, o que, por conseguint e, lev aria a ref erida empresa a
enquadr ar-se no regime aplicá vel à iniciati va pri vada, sem se v aler
de pri vilégios não concedidos ao particular , afastando se assim a
imunidade.
Dev e-se também questionar como pode o serviço postal
ser consider ado serviço público e se entender constitucional a lei
que concedeu o monopólio aos Corr eios (conforme ent endimento
Natécia Oliveir a Viana de Queiroz; A na Paula basso
258
do STF), se “monopólio ” é e x clusi vo das ati vidades econômicas,
lev ando-se a entender que se tr ata de ati vidade econômica.
Há ainda di v ersos dispositi v os Constitucionais que
expr essamente ex cluem a aplicação da imunidade recípr oca
tributária. Como no art . 150, §3º, da CF que af asta a aplicação da
imunidade as entidades que exijam do usuário contr aprestação ou
pagament o de preços e tarif as pelo serviço pr estado (idêntico ao
que ocorr e na ECT).
P ode-se ter ainda af astada a ref erida imunidade atr a v és
da liter alidade do art. 173, §2º da CF , que v ersa que “as empresas
públicas e as sociedades de economia mista não poder ão gozar de
pri vilégios fiscais não extensi vos às do setor pri v ado ” . O t ext o mais
uma v ez foi clar o e objeti v o quanto a não e xtensão de pri vilégios
não ext ensí v eis aos particulares, af astando-se assim a aplicação da
imunidade das empr esas públicas – consequentemente a ECT .
Sendo assim, dev e-se deixar par a tr ás interpr etações que
fogem do que o legislador constituint e quis expr essar , de modo
que dev e ser dado margem a forma lit er al da Constituição (e isto
lev a ao leitor concluir que as empresas públicas não mer ecem de
forma alguma t erem a imunidade tributária r ecíproca aplicada
a suas ati vidades, sejam elas consider adas serviços públicos ou
não).
Lembr ando-se que a conclusão aqui encontr ada não é
con v ergente com o que v em sendo adotado no âmbito do S TF ,
pois par a os Ministros da Supr ema Cort e o regime de imunidade
aplicá v el aos Correios não t eria guarida no §3º do art . 150 da CF ,
mas sim encontr ando respaldo no que pr escrev e o §2º do ref erido
artigo – o qual tem por escopo est ender o benefício da imunidade
às autarquias e fundações públicas.
Contudo, o pr esente estudo apr ecia a ext ensão da
imunidade aos Corr eios ser conferida de f orma indevida, pois,
como dito, o serviço postal é ati vidade econômica (porquanto a
IMUNIDADE TRIBUT ÁRIA RECÍPROCA: sua extensão à Empresa
Brasileir a de Correios e T elégrafos na jurisprudência do S upremo T ribunal Federal
259
CF não o definiu como serviço público) e, portanto, de veria ser
pr estado em igualdade com o particular . Inclusiv e, por se valer
da pr errog ati v a de cobr ança de preço pelos serviços pr estados,
afastando-se consequent emente a imunidade, conf orme a
Constituição expr essamente determinou.
Desse modo, dev e-se lembrar que o Estado soment e
pode ex ercer ati vidade econômica de forma ex cepcional, em
r espeito aos princípios da li vr e iniciati v a e da li vre concorr ência,
e ao conceder a imunidade a ECT f ere est es princípios basilar es
do Dir eito. Car ece, portanto, de uma int erpretação jurídica
da Constituição v oltada à observ ância dos princípios or a
mencionados, pautando-se no que o legislador constituinte quis
ext eriorizar atr a v és do te xto constitucional.
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PERFIL DO V O2 MAX. D A EQUIPE
DE ORIENT A ÇÃ O DO A UTOESPOR TE
CL UBE DE JO Ã O PESSO A
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior 1
Silv ana Nóbrega Gome s 2
R ogério F onsec a dos Santos 3
RESUMO: O esporte de orientação é definido como uma corrida
contr a o tempo, onde seu campo de jogo é a natur eza, apr esentando
o fat or cogniti v o e a resist ência aer óbica como fundamentais para
o desen v ol vimento desta modalidade. O objeti v o deste estudo
foi identificar o perfil de V O2max dos integr antes da equipe de
orientação do A uto Esporte Clube de João P essoa. A amostra f oi
constituída por 12 atletas do sex o masculino, com idades entre 20
e 55 anos, de di v ersas categorias, os quais f or am submetidos ao
test e de V O2max com v entilometria em esteir a rolante sugerido
por Bruce. Os dados for am tratados, utilizando pacot e estatístico
SPSS v ersão 16. Como r esultado, o estudo apresent ou uma média
de V O2max (±47,00 ml.kg.mni-1), associado a média de idade (±30
anos) e compar ado a tabela de classificação de V O2max sugerida
pela (A CSM, 2000) encontr amos o r esultado qualitativ o igual a
BOM, indicando que o perfil de condicionamento físico destes
atletas foi consider ado satisfatório.
1 Concluiu o curso de Educação Física. E-mail: er [email protected]
2 Orientadora. Dout ora em A ti vidade Física e Esporte. E-mail: sil [email protected]
3 Coorientador . Mestre.
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
264
P ala vras-cha v e: Orientação; V o2max; P erfil de Condicionamento
Aer óbio.
INTR ODUÇÃ O
A globalização, a modernização, a t ecnologia e as grandes
metr ópoles modificaram o modo de vida das pessoas aumentando
assustador amente, o estr esse e o sedentarismo, tr azendo à tona as
necessidades do homem de r etornar ao ambiente natur al. Desta
forma sur gir am as práticas das Ati vidades Físicas em Ambiente
Natur al (AF AN), que além de serem ati vidades alternati v as em
meio a natureza são capazes de desen vol ver qualidades bio-
psico-motor as, podendo apresentar car acterísticas lúdicas e/ou
desporti v as, e entr e elas está a Orientação.
A Orientação este v e present e na vida do homem no
decorr er da sua história e e v olução, desde seu surgimento at é
os dias atuais, o mesmo já modificou di versas v ezes as formas
de enfr entar as di versidades da natureza par a gar antir sua
sobr evi v ência (IOF , 2000).
Conforme com P asini (2004.p.24) a Orientação surgiu
como desporto no ano de 1850 na Escandiná via inserida pelos
militar es como meio de entret enimento com pista de azimute e
distancia atr a v és do manuseio de bússola de forma mais apur ada.
Em seguida, na Suécia por v olta de 1919 surgiu as primeir as
competições r ealizadas com mapas por intermédio do Major
Killander . O esporte é oriundo da E uropa, principalment e dos
países Nór dicos. P ara Char bel (1980) a orientação surgiu como
modalidade esporti v a em 1918, na Suécia atr a v és do Major
Killander que observ ou a queda do númer o de participantes nas
corridas de rua e decidiu usar a natur eza e a atividade mental
dur ante as corridas.
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
271
MA TERIAL UTILIZADO:
FIGURA 4: Esteir a ergométrica incliná vel TK35 (par a simulação
de corrida, marcação da distancia e v elocidade).
F ONTE: Dados pessoais do pesquisador/2013.
o Capacidade de carga de 250 kg com motor de 5 CV de potencia
o Inclinação e declinação de ate 30% com incrementos de 0,1km/h
o Área útil da manta de 65 x 200 cm.
o Mascara de silicone com válvula em cobre (80g)
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
272
FIGURA 5: Máscar a de ventilometria V O2 ProFitness (par a aferir o
potencial da v entilação pulmonar)
F ONTE: Arqui vo pessoal do pesquisador .
FIGURA 6: Esfignomamometro de pr essão aneroide Pr emium e
estetoscópio Sann y (verificação da P A)
F ONTE: Google/imagem; 2013
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
273
FIGURA 7: Balança de bioimpedância In bod y 720 (para mesur arão
da composição corporal.
o Sistema de eletrodos
o Medição dos valores de impedância de cada seguimento corporal
o Faixa de peso de 10 a 250 kg
o Precisão de 0,01 +/-de erro.
PR O T OCOL OS
P ar a gar antir fidedignidade dos dados, todos os testes
utilizados ti v er am como base de procediment os, pr otocolos já
exist entes na lit eratur a.
Pr otocolo de est eir a r olante – Bruce (t est e de carga máxima).
O test e foi iniciado com caminhada numa v elocidade de
2,74 km/h, com a esteir a inclinada a 10%. A cada três minutos
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
274
muda v a-se de estágio e modifica v a-se a v elocidade e inclinação da
esteir a de acordo com a t abela abaixo.
QU ADR O 1 - Prot ocolo de Bruce
Estágio V elocidade
(km/m)
Inclinação
(%)
T empo total
(min)
1 2,74 10 0-3
2 4,02 12 3-6
3 5,47 14 6-9
4 6,76 16 9-12
5 8,05 18 12-15
6 8,85 20 15-18
7 9,66 22 18-21
8 2,74 10 -
Fonte : Araujo,
1986 “apd”
Fontoura;
Formentin;
Abche,2008
(pg;170 a 171)
O consumo de o xigênio determinado indir etamente pelo
método de Bruce obedece à seguint e determinação:
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
275
QU ADR O 2 - R elação do V O 2 máximo no teste de Bruce
T empo total da
Prova (min)
Consumo de
O 2
(ml/kg/min)
T empo total
da
prova (min)
Consumo de
O 2
(ml/kg/min)
1 9,40 12 45,26
2 12,66 13 48,52
3 15, 92 14 51,78
4 19, 18 15 55,04
5 22,44 16 58,30
6 25,44 17 61,56
7 28,96 18 64,82
8 32,22 19 68,08
9 35,48 20 71,34
10 38,74 21 74,60
11 42,00 - -
Fonte : Araujo,
1986 “ apd ”
Fontoura;
Formentin;
Abche,2008
(pg;170 a 171)
Homens: V O2máx. [ml(kg/min) -1 ] = 8,33 + (2,94 x Dur ação do teste)
Mulher es: V O2máx. [ml(kg/min) -1 ] = 8,05 + (2,74 x Dur ação do teste
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
276
Pr otocolo par a v erificação da pressão art erial (pa)
Ajuste o manguit o no braço esquer do, pr efer en -
cialmente, nem muit o apertado, nem muito fr ou -
x o. P osicione o estetoscópio de maneir a correta
nos próprios ou vidos e na artéria br aquial do in -
di viduo que esta sendo a v aliado;
O manguito dev er á inflado até, apro ximadamen -
te, 180 ou 200 mmhg, dependendo da pr essão
media do indi viduo. Dev emos nos certificar de
que o manguito est eja totalmente v azio e a vál vu -
la tr a v ada. Quando inflamos o manguito, estamos
obstruindo a artéria, ou seja, não está passando
sangue por ela. Lentamente es vaziamos o man -
guito, observ ando o primeiro e último som;
O primeiro som (batiment o car díaco é o compo -
nente sist ólico, e o último, o diastólico. A mesma é
lida, por ex emplo, de 120 por 90 e não 12 por 9. Se
necessário, ref azer a medida. Dev emos nos certifi -
car de que o manguito f oi completamente esv azia -
do. Após isso, isso seguir o mesmo procediment o.
(FONT OURA; FORMENTIN; ABCHE. 2008.p.158)
QU ADR O 3: Níveis de pressão arterial (mmhg) para adultos maiores
de 18anos)
Sistólica Diast ólica Categoria
< 130 < 85 Normal
130 – 139 85 – 89 Normal limítrof e
140 – 159 90 – 99 Hipertensão le v e (estágio 1)
160 – 179 100 – 109 Hipertensão moderada (estágio 2)
>180 >110 Hipert ensão sev era (estágio 3)
> ou = 210 > ou = 120 Hipert ensão muito se ver a (estágio 4)
>140 < 90 Hipertensão sistólica isolada
F ONTE: SBC, IV Diretrizes de 2002 (disponí vel em www .cardil.br)
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
277
TRA T AMENT O EST A TÍSTIC O
P ar a o tratament o estatístico das informações coletadas f oi
utilizada a estatística descriti v a par a a caract erização da amostra
e gráficos de linhas ou séries tempor ais, agrupando os resultados
em v alor es de média, moda e mediana e desvio padr ão analisados
e tabelados atr a vés do pr ograma estatístico softw ar e Statistic al
P ack age for Social Scienc es (SPSS) v ersão 16.0.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃ O
CARA CTERÍSTICA S GERAIS D A AMOSTRA
O estudo obte v e como caract erísticas físicas ger ais dos
(12) doze atletas os seguintes r esultados: média de idade (30anos,
±8,8) e % gor dur a corporal (16%, ±4,6). Uma das v ariá veis
utilizada pelo prot ocolo estabelecido pela esteir a TK35 foi o %
de Gor dura Corpor a. Medida que, quando relacionada a idade
classifica o indi viduo em zona de risco ou não risco a saúde
(A CSM.2000). Esses dados analisados pelo quadro de índices
r elativ os à saúde (AC SM), para homens, (quadro 4), nos indica que
o grupo seria classificado como acima da média em % de gor dura.
T ABELA 1 - Média amostral das variáveis de idade e Gordur a
corpor al.
Media Desvio Padrão Mediana Moda
Idade (anos) 30 anos 8,8 28 22
Gordura Corporal
(%) 16 % 4,6 16 12
N 12 12 12 12
F ONTE: dados pessoais do pesquisador/2013.
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
278
QUADRO 4: Classificação de porcentagem de gordura para
homens
Risco a 5%
Abaixo da Média 6-14%
Média 15%
Acima da Média 16-24%
Risco b 25%
FONTE: ACSM,2000. apud FONT OURA;FORMENTIN,ABECH (2008).
OBS: Explicando o quadr o 4, entende-se como “Risco a ” o risco
a saúde por car ência de gordur a corpor al, já quant o ao “Risco b ”
r efer e-se do risco pr ov eniente ao ex cesso de gordur a corporal.
FC MÁXIMA OBTID A E FC MÁXIMA ESTIMAD A
Os v alor es médios e os desvios padr ões par a as v ariá v eis de
idade e fr equência cardíaca máxima obtida f or am: de 30 ± 8,87anos
e de 183 ± 10 bpm, r especti v amente. O pr otocolo utilizado suger e
v alor es estimados para F C e V O2max ref erent es a idade. V alores
estes que usamos como r ef erencia par a av aliar os valor es obtidos
de nossa amostr a.
Como os dados re v elam ( gr áfico 1), exist e pouca v ariação
r efer ente à F C Max.estimada e a FC Max. obtida, sendo que 03 dos
sujeitos (25%)obti ver am resultados iguais entr e a FC máxima
estimada e a FC máxima obtida dur ante o t este, e apenas 2 a v aliados
(18%) ti v er am r esultados acima do estimado. O que significa que
os outr os 7 av aliados (57%) apresentar am resultados de FC max.
obtida inferior es aos valor es de FC Max. estimadas pelo pr otocolo
utilizado pelo softw are da est eir a TK35.
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
279
GRÁFIC O 1: Relação de apr o ximação entre F C Max. Obtida e FC
Max. Estimada
Observ ando o fat or idade dos sujeitos estudados,
encontr amos uma ampla av aliação, apenas 25% (3) dos a v aliados
possuem idade similar , os 75% (9) abr angem um interv alo de 21
anos a 55 anos, difer ença considerá vel pois tr ata-se de v ariação
de 34 anos de difer ença entre o a v aliado mais jo v em para o
mais v elho, moti v o que possi v elmente possa e xplicar a di visão
das categorias em f aixa etária de idade. Como esperado e xiste
uma coer ência nos resultados encontr ados na r elação FC/idade
pr oposta por Karvonen,(1957).
Sujeito
Eronaldo de Sousa Queir oz Júnior ; Silvana Nóbr ega Gomes; R ogério F onseca dos Santos
280
T ABELA 2- Dados amostr ais de idade, FC Max. Estimada e
FC Max. Obtida.
Media
Desvio
Padrão Mediana Moda
Idade
(ano) 30 8,8 28 22
FC Max
Estimada
(bpm)
198 8,6 191 182
FC Max
Obtida
(bpm)
183 10,5 183 183
N 12 12 12 12
Ao observ ar a pro ximidade entr e a FC estimada pelo
pr ograma de utilização da est eir a com a FC obtida (FC mensur ada
dur ante o t este) confirma a natureza de ser um teste de carg a
máxima.
V O2MAX ESTIMADO E V O2MAX OBITIDO
Em termos ger ais, observamos que a apr o ximação
dos v alor es do V O2max estimado pela idade par a o do
V O2maxobtido,corr esponde a uma curv a normal, na qual quanto
maior for a idade menor a estimati va do V O2max, dest e modo
observ amos que apenas 10% (1) dos a v aliados apr esentou uma
distancia maior que 10ml.kg.min-1 do v alor de V O2max obtido
par a o V O2max estimado e 40% (4) obti v er am índice maior de
V O2max do que o estimado de acordo com pr otocolo utilizado
pela esteir a TK35.
Perfil do V o2 Max. da Equipe de Orientação do A utoesporte Clube de João P essoa
287
PEREIRA. AL VIM JOSÉ. A Matemática e o Esporte Orientação.
Uni v ersidade do Sul de Santa Catarina, P alhoça – SC, 2009.
Disponí v el em: http://www .contrim.org.br/. 21de f ev . 2010.
11:15hs.
PFEIFFER .P atrick Alan de Souza.estudo compar ati vo da
v elocidade entr e atletas de futebol do zico 10 unipê de acor do com
o posicionamento em campo. UNIPÊ, João P essoa-PB, dezembro de
2012.
POLLOCK e WILMORE. “Ex ercício na Saúde e na Doença, A valiação
e Pr escrição para Pr ev enção e R eabilitação,2ª ed, 1993”
RAMALHO . Josenildo Soar es, Corr elações antropométricas e
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UNIPÊ, João P essoa-PB, dezembr o de 2012.
SIMÃ O . R OBER TO . Fisiologiapr escrição de ex ercício par a grupos
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THOMA S, Jerry R; NELSON , Jack K. Métodos de pesquisa em
ati vidade física. 3ª edição. P orto Alegr e: Artmed, 2002.
THOMA S, Jerry R; NELSON , Jack K. Métodos de pesquisa em
ati vidade física. 5ª edição. P orto Alegr e: Artmed, 2007.
AN ÁLISE POSTURAL EM UM
GR UPO DE IDOSOS DO CENTR O DE
CONVIVÊNCIA D A PESSO A IDOSA N A
CID ADE DE JO Ã O PESSO A – PB
Kíssia May anne Per eira dos Santos 1
R ache l Cav alcanti F onseca P ereira 2
RESUMO: O cr escimento da população br asileir a nos últimos
anos se deu pelo aumento da população idosa. As modificações
decorr entes da idade poder ão r epercutir em alt er ações postur ais
adquiridas, ger ando déficits de equilíbrio e alter ações na mar cha.
Objeti v o: A v aliar os desvios postur ais em um grupo de idosos do
Centr o de Con vi vência da P essoa Idosa na cidade de João Pessoa
– PB. Metodologia: Estudo de campo, tr ansv ersal e descritiv o com
abor dagem quantitativ a, realizado no Centr o de Con vi v ência da
P essoa Idosa na cidade de João P essoa-PB. R esultados: Dentre
os desvios postur ais o que mais acomete o idoso é a hipercif ose
45% (n=17), sendo a do tipo tor ácica a mais pr ev alente com 82%
(n=14), observ ou-se que o idoso apr esenta mais de um desvio
associado. Conclusão: F oi observado que a maioria dos idosos
apr esenta algum tipo de desvio postur al, sendo necessário a
atuação do fisioter apeuta, para o diagnóstico e posteriormente, o
tr atamento e/ou a pr ev enção de complicações.
P ala vras-cha v e: idoso; desvios postur ais; fisioter apia.
1 Concluiu o curso de Fisioter apia. E-mail: kissiama y [email protected]
2 Orientador a. Mestre em Espiritualidade e Saúde - PPGCR -UFPB):
E-mail:r [email protected]
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
290
INTR ODUÇÃ O
O pr ocesso de en v elhecimento populacional tem
aumentado de forma significativ a no Br asil e no mundo, isso
v em ocorr endo devido à diminuição nas tax as de fecundidade,
decorr ente de políticas e incenti v os pr omovidos pela sociedade
e pelo Estado e do pr ocesso tecnológico e também pela
diminuição na mortalidade por doenças infect o contagiosas,
devido as melhor es condições de saúde (medicament os, v acinas)
e de saneamento, sendo substituídas pelas doenças cr ônico
degener ati v as (FREIT AS et al., 2006).
O cr escimento da população br asileir a nos últimos dez anos
se deu pelo aumento da população idosa. A r epr esentati vidade
dos grupos etários no total da população em 2010 é menor
que a observ ada em 2000 par a todas as f aixas etárias at é 25
anos, ao passo que os demais grupos etários aumentar am
suas participações na última década. O alargament o do topo
da pir âmide etária pode ser observ ado pelo cresciment o da
participação r elativ a da população com 65 anos ou mais, que era
de 4,8% em 1991, passando a 5,9% em 2000 e cheg ando a 7,4%
em 2010 segundo o IBGE (2010).
Segundo dados do Censo do Instituto Br asileiro de
Geogr afia e Estatística - IBGE (2010), nos pr óximos 20 anos, a
população idosa do Br asil poderá ultr apassar os 30 milhões de
pessoas e dev er á repr esentar quase 13% da população ao final
deste período. Estudos apontam que, em 2025, o Br asil será a
sexta população de idosos do mundo.
Os múltiplos aspectos que car acterizam o env elhecimento
clamam par a a necessidade de propiciar ao idoso at enção
abr angente à saúde, colocando em pr ática o pr econizado pela
Org anização Mundial da Saúde (OMS, 2010). Busca-se com isso,
não somente o contr ole das doenças, mas principalmente, o
Análise P ostural em um Grupo de Idosos do Centr o de
Con vivência da P essoa Idosa na Cidade de João Pe ssoa – PB
291
bem-estar físico, psíquico e social, ou seja, em última análise, a
melhor a da qualidade de vida e uma abordagem multidimensional
(P AP ALÉO NETTO , 2006).
Com a chegada da t erceir a idade, o organismo humano
passa por mudanças tanto físicas quanto fisiológicas, que r esultam
em per das funcionais progr essi v as dos órg ãos; essas per das e
mudanças funcionais que ocorr em com o a v anço da idade são
atribuídas a v ários fat or es como: mutações genéticas, ambientais,
surgiment o de doenças e declínios nos sistemas do corpo (CA SSOL
et al., 2007).
Segundo R ebelatto et al. (2004), dur ante o pr ocesso de
en v elhecimento muitas são as alt erações sofri das pelo corpo
humano, dentr e elas apresentamos per da em estatur a e desgast e
das fibras colágenas no anel fibroso, onde a associação desses
fat or es faz com que o disco int erv ertebr al do idoso diminua em
espessur a, aumentando as curv aturas da coluna v ertebr al, em
especial a curv a dorsal, dando o aspecto car acterístico de um
indi víduo cifótico.
Os declínios e modificações decorrent es da idade poder ão
r epercutir em alt er ações posturais adquiridas, ocasionando uma
má postur a, ger ando déficits de equilíbrio e alter ações na mar cha,
podendo influenciar tant o na maneir a de ficar em pé quanto
par a ex ecutar outros atos, tais como: le v antar de uma cadeir a
e caminhar , participar de ati vidades físicas, tocar instrumentos
musicais, dirigir um v eículo, pintar ou até mesmo r ealizar suas
ati vidades de vida diária (A VD’s), sendo fator es predisponentes
par a os episódios de quedas, bem como, podem refletir na função
cogniti v a, tornando o idoso incapacitado par a realizar ati vidades
satisfat órias par a o seu bem estar físico e mental (CA SSOL et al.,
2007). P or isso, é importante se f azer orientações postur ais e
ex ercícios que pr e vinam e/ou melhorem as alt erações causadas
pela má postur a, essas informações e ati vidades são realizadas
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
292
pelo fisioter apeuta, que faz parte da equipe mult idisciplinar que
dev e assistir ao idoso em centros de r eabilitação ou de r efer ência à
saúde do idoso.
O Centr o de Ref er ência à Saúde do Idoso diz respeit o a
um local que disponha de atenção ao idoso de f orma integr al
e integr ada, com condições t écnicas, instalações físicas,
equipamentos e r ecursos humanos adequados, par a pr estar
assistência à saúde dos idosos. As dir etrizes assistenciais dos
Centr os de Ref er ência dev em estar em conformidade com as
dispostas pela P olítica Nacional de Saúde do Idoso, são elas:
pr omoção do env elhecimento saudá v el; manutenção da autonomia
e da capacidade funcional do idoso pelo maior tempo possí vel;
assistência às necessidades de saúde do idoso; desen vol vimento
de ati vidades de r eabilitação visando à melhoria da capacidade
funcional compr ometida; além do apoio ao desen v ol vimento de
cuidados informais (BRA SIL, 2002).
Do ponto de vista clínico, epidemiológico, social e de
a v aliação das políticas públicas v oltadas para os idosos, importa
a v aliar as alter ações postur ais dos idosos que fr equentam o Centro
de Con vi v ência da P essoa Idosa. Desta forma, o pr esente estudo
te v e como objeti v o av aliar os desvios postur ais em um grupo de
idosos do Centr o de Con vi v ência da Pessoa Idosa na cidade de João
P essoa–PB.
MÉT ODO
T rata-se de uma pesquisa car acterizada por um estudo
de campo de car áter tr ansv ersal e descritiv o com abordagem
quantitati v a, realizado no Centr o de Convi vência da P essoa Idosa,
um centr o de ref er ência em saúde do idoso, localizado no Bairro
do Castelo Br anco I, na cidade de João Pessoa – PB.
Análise P ostural em um Grupo de Idosos do Centr o de
Con vivência da P essoa Idosa na Cidade de João Pe ssoa – PB
293
Os critérios de inclusão adotados f or am: ter idade igual
ou superior a 60 anos, fr equentar o Centro de Con viv ência
da P essoa Idosa, ser independente par a a marcha, participar
da pesquisa por li vr e e espontânea vontade de acordo com o
T ermo de Consentimento Li vre e Esclar ecido e como critérios
de ex clusão: indi víduos com idade inferior a 60 anos, que não
fr equentem o Centr o de Con vi v ência da P essoa Idosa e que tenham
impossibilidade de ex ecutar a marcha.
A população en v ol vida no estudo foi composta por idosos
de ambos os sex os, que frequentam o Centr o de Convi vência da
P essoa Idosa. A amostr a contou com a participação de 20 idosos
que cooper ar am de forma v oluntária com a pesquisa.
P ar a oficializar a pesquisa, f or am seguidas as disposições
pr esentes nas Dir etrizes e Normas r egulamentadoras da pesquisa
en v ol v endo seres humanos, cont empladas na R esolução 196/96
do Conselho Nacional de Saúde. T ermo de Consentimento Li vre
e Esclar ecido como uma forma de g arantir as inf ormações
necessárias aos participantes a r espeito do objetiv o da pesquisa,
bem como, uma f orma de assegur ar o sigilo e confidencialidade
dos dados obtidos com esse estudo.
F oi utilizado na pesquisa uma adaptação da ficha de
a v aliação postur al em uso na Clínica-Escola de Fisioter apia do
Centr o Uni versitário de João Pessoa – UNIPÊ, no component e
curricular Fisioter apia aplicada a R eumatologia, com a finalidade
de coletar os dados, permitindo assim, identificar o perfil
sociodemogr áfico da amostra no que diz r espeito à idade, se x o e
gr au de escolaridade, a postur a, a queixa principal, se há ou não
a pr ática de atividade física e de dor na coluna dos idosos que
fr equentam o Centro de Con viv ência da Pessoa Idosa na cidade de
João P essoa-PB. P ar a a realização da A v aliação P ostural os idosos
ficar am na posição de pé, de vista later al, anterior e posterior
v oltados par a a a v aliadora, com os pés um pouco af astados, o olhar
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
294
na horizontal e membr os superiores solt os ao longo do corpo. A
a v aliação aconteceu indi vidualmente, em uma sala ampla, clara,
sem ruídos e os idosos participantes f or am orientados a virem de
r oupa lev e. Os mesmos for am informados quanto aos objeti vos da
pesquisa, tendo aceitado, assinar am um T ermo de Consentimento
Li vr e e Esclarecido, por se tr atar de uma pesquisa en vol vendo
ser es humanos, sendo em seguida realizada a a valiação postur al. A
a v aliação postur al ocorreu nos dias 5 e 12 de A bril de 2013, sendo
os idosos di vididos nesses dois dias.
Os dados r efer entes às alt er ações posturais pr esentes nos
idosos a v aliados for am analisados utilizando-se os recursos da
estatística descriti v a r epresentada pelo pr ogr ama computadorizado
Micr osoft Office Ex cel® 2007 par a agrupamento das devidas
per centagens obtidas, atra vés de gr áficos e tabelas.
RESUL T ADOS
Os dados for am analisados atra vés de per centuais, de
acor do com o que foi encontr ado na a v aliação postur al dos idosos
e f oram apresentados atr av és de gráficos e tabela. Os dados
a v aliados e analisados f or am o perfil sociodemogr áfico (se x o, faix a
etária, escolaridade e ocupação) e clínico (alter ações postur ais)
dos idosos.
P articipar am do estudo 20 idosos, destes 79% (n= 15)
for am do sex o feminino e 21% (n=5) do sex o masculino (Gr áfico 1).
Análise P ostural em um Grupo de Idosos do Centr o de
Con vivência da P essoa Idosa na Cidade de João Pe ssoa – PB
295
GRÁFICO 1 – Distribuição dos idosos quant o ao sex o.
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Com r elação à faix a etária foi observ ada uma maior
pr ev alência de idosos com a f aixa etária entr e 70 e 79 anos,
equi v alente a 40% (n=8), seguido por 30% (n=6) de idosos com
idade entr e 80 e 89 anos e 30% (n=6) com idade entre 60 e 69
anos. A média de idade foi de 74 anos, sendo a idade mínima de
60 anos e a máxima de 86 com desvio padr ão de 9,00 (Gr áfico 2).
GRÁFICO 2 – Distribuição dos idosos quant o à faix a etária.
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
296
Em r elação ao grau de escolaridade, f oi observ ado que
a maior parte da amostr a foi composta por idosos que não
concluír am o ensino fundamental, um total de 60% (n=12),
15% destes idosos concluír am o ensino médio (n=3), 15%
cursar am o ensino superior completo (n=3), 5% não estudar am,
são analfabet os (n=1) e 5% cursar am o ensino médio, por ém
incompleto (n=1), como mostr a o Gráfico 3.
GRÁFICO 3 - Distribuição dos idosos quant o à escolaridade.
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
No que diz r espeito à ocupação anterior , foi nítida a
v ariedade de profissões encontradas entre os indivíduos,
no entanto, observ a-se a pre v alência de mulheres donas de
casa totalizando 40% (n=8), seguida da profissão de art esã
corr espondendo a 15% (n=3) e costureir a 10% (n=2), as demais
pr ofissões alcançaram um per centual de apenas 5% (n=1), cada.
Já com r elação à ocupação atual a maioria, repr esentando 65%
(n=13) se afastar am da profissão e estão aposentados, 25% (n=5)
são pensionistas, e apenas 10% (n=2 ) continuam na pr ofissão de
artesã (T abela 1).
Análise P ostural em um Grupo de Idosos do Centr o de
Con vivência da P essoa Idosa na Cidade de João Pe ssoa – PB
303
Carneir o et al., (2005), relata que a hiper lordose, é
uma curv atur a com conca vidade posterior , anormal pela sua
intensidade, podendo ser causada por malf ormação óssea;
postur as viciadas descuidadas; sedentarismo; desgast e do tecido;
mecanismo de compensação, o que acontece muitas v ezes com
os idosos; r eações de defesa antálgica; rigidez e contr atilidade,
podendo ser encontr ada na a v aliação postural do idoso em
decorr ência de algum desses fat ores acumulati vos no decorr er da
vida, sendo mais comum na região lombar , confirmando o que foi
a v aliado nesta pesquisa.
Com r elação aos desvios postur ais associados, é bem
comum encontr a-los no indi víduo idoso, como Pickles (2000)
r elata que, a hipercif ose tor ácica é a mais frequente entr e os
distúrbios postur ais que se instalam com o a v ançar da idade.
Este aument o da curv a tor ácica acompanha-se de pr eserv ação
ou de aumento da lor dose lombar , corr obor ando com a av aliação
r ealizada.
P ar a Gioda et al. (2010), à medida que aumenta-se a idade
cronológica, as pessoas tornam-se menos ativas, suas capacidades
físicas diminuem, aumentando o número de doenças crônicas,
que podem acelerar o processo de envelhecimento. Por isso, a
prática regular de atividade física promove diversos benefícios ao
organismo, resultando em melhora da capacidade motora geral e
na prevenção de várias doenças, como: diabetes, cor onariopatias,
hipertensão, art eriosclerose, v arizes, doenças respir atórias,
artr oses, artrite, dor cr ônica e desor dens psicológicas e mentais.
A tualmente, está compr ov ado que quanto mais ati v a é uma
pessoa menos limitações físicas ela possui. Dentre os inúmer os
benefícios que a prática de ex ercícios físicos promo v e, um dos
principais é a pr oteção da capacidade funcional em todas as
idades, principalmente nos indi víduos idosos. Por capacidade
funcional entende-se o desempenho par a a r ealização das
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
304
ati vidades do cotidiano ou ati vidades da vida diária (A VD’s)
(FRANCHI; JUNIOR, 2005).
Dentr e as ati vidades praticadas pela população a valiada
estão as ati vidades desenv olvidas pelos discentes de fisioter apia
do 7º período do Unipê no Componente C urricular Estágio
Supervisionado I e ati vidades for a do CCI, como: caminhada,
hidr oginástica e musculação.
Segundo Mar ciano e V asconcelos (2008) a hidr oginástica
possui muitos benefícios par a população da ter ceir a idade, dentre
estes, a r ealização de ati vidades motoras básicas: flexibilidade,
r esistência e f orça muscular .
P ar a Krug et al. (2011), a caminhada tem v ários benefícios,
dentr e eles, aumento da disposição, da alegria, manutenção
da aptidão física, melhora do bem-estar , do humor , da pressão
arterial, da artr ose e artrite, f ortalecimento da musculatur a,
estética, diminuição das dor es nos membr os inferior es e
sociabilização. A caminhada quando r ealizada por lazer contribui
tanto par a melhor a da capacidade funcional, quanto do estado
psicológico e social desta população.
C ONCL USÃ O
Concluiu-se que devido ao pr ocesso de en v elhecimento
e de hábitos neg ligentes ao longo da vida, o indi víduo idoso
pr ov av elmente ir á apresentar algum tipo de des vio postural,
sendo os mais comuns a hiper cifose t orácica e a escoliose,
podendo muitas v ezes estar associadas. Esses desvios postur ais
ir ão causar no idoso uma série de alter ações, muitas v ezes como
medidas compensatórias, em busca de mant er o equilíbrio
corpor al, com um menor gasto ener gético. P orém algumas dessas
alter ações podem le v ar a incapacidade funcional, limitando o
idoso na ex ecução das suas ati vidades de vida diária (A VD’S),
Análise P ostural em um Grupo de Idosos do Centr o de
Con vivência da P essoa Idosa na Cidade de João Pe ssoa – PB
305
além de torna-lo pr openso a episódios de quedas. P or esses
moti v os, faz -se necessário r essaltar a importância da ati vidade
física juntamente com o tratament o fisioter apêutico como
pr ev enção e tr atamento das dor es. A atuação do fisioter apeuta,
junto com a equipe multidisciplinar na assist ência a saúde do
idoso é de gr ande v alia, inclusi v e em centros de ref er ência no
cuidado ao idoso, participando desde o diagnóstico cinético
funcional, atr a v és de uma a v aliação criteriosa ao tr atamento das
alter ações postur ais, além de pr ev enir possí v eis complicações em
decorr ência das mesmas.
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Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
309
BENEFÍCIOS D A ESCOLA DE POS TURA S
EM UM GR UPO DE IDOSOS COM AL GIA S
D A COL UN A
Klíssia Lahís Gomes de Brit o 1
R ache l C avalc ante F onsêca P ereir a 2
RESUMO: O processo de env elhecimento é mar cado por algumas
alter ações ou modificações na estrutur a física do idoso, dentre
elas na coluna v ertebr al, resultando em algias e limitações
funcionais. Nesse conte xto, a fisiot erapia pode atuar atr a v és da
Escola de P ostur as como uma forma de pr ev enção e tratament o
par a as algias da coluna. Objeti vo: Analisar os benefícios da Escola
de postur as nas algias da coluna dos idosos que frequentam um
Centr o de Con vi vência da P essoa Idosa. Metodologia: P esquisa
de campo e experimental, de car áter e xplorat ório-descriti v o
e de abor dagem quanti-qualitativ a . Resultados: Após a Escola
de P ostur as foi possí v el constatar os benefícios significati vos
nas algias da coluna, em div ersos aspectos, sejam eles físicos,
emocionais, psicológicos e educati v os. Conclusão: A Escola de
P ostur as é uma e x celente alternati v a no que concerne ao alí vio
da dor e a aquisição de melhorias no context o qualidade de vida,
sendo uma estrat égia de atuação do fisioter apeuta nas atividades
em grupo.
1 Concluiu o curso de fisioter apia. E-mail: [email protected]
2 Orientadora. Mestre em Espiritualidade e Saúde- PPGCR-UFPB):
E-mail: [email protected]
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
310
P ala vras-cha v e: idosos; algias da coluna; alter ações postur ais;
escola de postur as.
INTR ODUÇÃ O
O en v elhecimento é um pr ocesso que se inicia desde o
nascimento, onde a v elhice pode ser definida como um processo
dinâmico e progr essiv o no qual ocorrem alterações morfológicas,
funcionais e bioquímicas, que determinam a progr essiv a perda
das capacidades de adaptação do indi víduo ao meio ambiente
(MAR CHI NETTO , 2004).
Ribeir o e Schutz (2007), acrescentam que o en v elhecimento
dentr o de seu aspecto fisiológico, é um pr ocesso univ ersal,
gr adati v o, irre v ersí v el, inevitá v el, deletério que se dá início desde
o nascimento e se pr olonga por t odas as fases da vida. Dessa
forma, o processo de env elhecimento apr esenta caract erísticas
singular es, que pode influenciar de forma positi v a ou neg ativ a a
vida do indi víduo dependendo de suas experiências vi v enciadas
ao longo de sua exist ência. Sendo assim, esta etapa compr eende
uma série de alter ações nas funções orgânicas e mentais de vido,
ex clusiv amente, aos ef eitos da idade a v ançada sobr e o organismo.
T ais alter ações podem ser observ adas na pessoa idosa
nos di v ersos sist emas: musculoesquelético, digestório, nervoso,
cir culatório, respir atório, urinário e endócrino. No entanto, a
v elocidade e a extensão desse declínio v ariam muito entre os
di v ersos t ecidos e funções, como também v ariam de um indivíduo
par a o outro (V ANDER V OOR T , 2000).
De acordo com pesquisas, dados demográficos tem
demonstr ado um gr ande aumento da expectati v a de vida da
população br asileira vinculado à melhoria das condições de vida.
A tr ansição demogr áfica encontra-se em difer entes fases ao redor
do mundo e em conjunto com a tr ansição epidemiológica, r esulta
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
309
no principal fenômeno demogr áfico do século 20, conhecido como
en v elhecimento populacional (N A SRI, 2008).
Estudos demonstram que a Par aíba hoje é um dos estados
que mais cr esce em relação a pr opor ção de pessoas idosas. T al
fat o se faz pr esente devido à migr ação de jo v ens para ár eas de
oportunidades de tr abalho e manutenção dos idosos nos estados
de origem. Na Par aíba, a população idosa abrange 11,9% da
população do Estado, sendo considerada como a ter ceir a população
mais idosa do país. Sendo assim, pode-se considerar como um dos
Estados do país com maior índice de idosos, fat o este justificado por
fat or es observ ados no processo de en velheciment o populacional:
declínio da mortalidade e f ecundidade, aumento da longevidade,
mo vimentos migr atórios (CA V ALCANTI, 2006; IBGE, 2010).
Sobr etudo, o en velheciment o populacional br asileiro é
car acterizado pelo aument o de incapacidades progr essi v as nas
ati vidades funcionais e de vida diária, associado a condições
socioeconômicas ad v ersas. A mortalidade é substituída por
comorbidades e a manutenção da capacidade funcional surge,
portanto, como um nov o par adigma de saúde, r elev ante para o
idoso (PEREIRA et al., 2004; P ADILHA et al., 2007).
Com o aumento da e xpectati v a de vida do ser humano
obtido por meio do desenv olviment o socioeconômico-científico
da humanidade, o desejo de viv er cada vez mais acaba resultando
em uma sobr evida mar cada por dependência e incapacidades.
Com essa transição epidemiológica ocorrer am modificações
do perfil de morbi-mortalidade das populações. Dessa f orma, o
que se verifica, é o aumento da prev alência de doenças cr ônico-
degener ati v as, com suas sequelas e complicações, causando as
incapacidades, dependência e necessidades de cuidados de longa
dur ação (P ASCHO AL, 2005). Como ex emplo, encontram-se as
algias da coluna, ocasionadas principalmente pelas alter ações
postur ais.
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
310
De acor do com Olne y e Culham (2000) as alter ações
postur ais decorr entes da idade, manifestam-se principalmente
no plano sagital, e incluem alguns aspectos como o aumento da
curv atur a cifótica da coluna tor ácica, a diminuição da lordose
lombar , o aumento do ângulo de flexão do joelho, o deslocamento
da articulação cox ofemor al par a tr ás e a inclinação do tr onco para
diante, acima dos quadris. Os autor es supr acitados complementam
que as alter ações postur ais mais fr equentes nos idosos podem ser
di vididas em dois tipos básicos: cif ose tor ácica e cif ose tór aco-
lombar , onde a caract erística primordial é o aumento da curv atura
da coluna no plano sagital.
No cont ext o atual, a Escola de P ostur as v em sendo destaque
no tratamento da coluna v ertebr al, treinament o da postura física
e qualidade de vida, onde seu objeti vo não está f ormalizado
apenas como método de tr atamento, mas também como forma de
pr ev enção e pr omoção da saúde.
Segundo Cardia (2006) a Escola de P osturas é um
método ter apêutico pedagógico que foi desen v ol vido em 1969
na Suécia pela equipe do Dr . Nachenson no Hospital Dandery d
sendo denominada inicialmente de Bac k School. Est e modelo foi
criado par a atender coleti v amente, em apenas quatr o sessões de
orientações e ex er cícios, onde foi descrito pela fisioter apeuta do
grupo Marianne Zachrisson - F orssel em 1981, com a finalidade
de r eeducar posturas e pr ev enir patologias da coluna v ertebr al.
Esta, portanto, é uma proposta de educação em saúde que contém
conteúdos t eóricos e práticos par a portadores de patologias
osteodegener ativ as que necessitam de manutenção da higiene
postur al.
T oda via, exist em poucos estudos na população idosa que
possam confirmar a real efeti vidade da Escola de P osturas, na
pr ev enção e tr atamento nas algias da coluna v ertebr al. E é nesta
perspecti v a, somado à minha participação por seis meses no
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
317
A partir desta questão a amostr a ser á de 14 participant es
(n=14), visto que, 2 (dois) dos 16 idosos não r eferir am dor na
coluna decorr ente das alter ações posturais.
No que se r efer e à classificação da dor segundo a Escala Visual
Analógica, antes da Escola de P osturas 35,7% (n=5) r elataram dor
intensa sendo o escore ní vel 10; 21,4% (n=3)afirmar am dor no escor e
9; 14,4% (n=2) afirmar am dor no escore 8, e os demais r elatar am
dor ref er entes aos escor es 6, 5 e 4, sendo 7,1% (n=1), 14,3 (n=2) e
7,1% (n=1), r especti v amente. Nenhum dos participantes relatar am
dor lev e abaixo do escor e 4. Dessa forma, pode-se observ ar que a
dor apresentada pelos idosos são perceptí v eis em escor es de ní v eis
moder ados e intensos (GRÁFICO 4).
GRÁFIC O 4 – Classificação da dor de acordo com a Escala Visual
Analógica antes da Escola de P ostur as.
F ONTE: Dados de pesquisa, 2013.
Ao analisar o questionário R oland Morris de Incapacidade
(ANEX O A) pode-se observ ar que após a Escola de P ostur as não
hou v e muitas alter ações no que concerne a capacidade funcional
(T ABELA 4).
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
318
T abela 4 - Apresentação dos r esultados do questionário
R oland Morris de Incapacidade antes e depois da Escola de
P ostur as.
Questões Antes (N) Depois (N)
1 2 2
2 13 13
3 12 12
4 7 7
5 10 10
6 5 4
7 9 9
8 4 3
9 8 8
10 13 13
11 13 13
12 7 7
13 6 4
14 7 7
15 6 6
16 10 10
17 12 12
18 11 11
19 4 4
20 7 6
21 13 13
22 9 7
23 10 10
24 1 1
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
319
Com r elação à classificação da dor atra vés da Escala Visual
Analógica (E.V .A.), ao r eaplicar o questionário após a Escola de
P ostur as f oi possí vel observ ar que o pr otocolo de e x ercícios atuou
de maneir a significati v a na diminuição do quadr o álgico, quando
compar ados com os dados apresentados no questionário inicial.
T al fato pode ser compr ov ado ao analisarmos o questionário
final que apresent ou os seguintes r esultados: os escor es 0, 1 e
3 continuar am sem ser mencionados, no entanto 7,1% (n=1)
r elataram dor no escor e 2; 7,1% (n=1) afirmar am dor no escor e
6; 14,4% (n=2) afirmar am dor no escor e 4; 21,4% (n=3) relatar am
dor no escore 5; 14,3% (n=2) afirmaram dor no escore 7; 21,4%
(n=3) afirmar am dor no escore 8, e os demais relatar am dor
r efer entes aos escores 9 e 10, corr espondendo à 7,1% (n=1),
cada (GRÁFICO 5). Com base nos dados obtidos, ficou evidente
que hou v e declínio em r elação ao gr au da dor após a Escola de
P ostur as principalmente ao analisar os escores 9 e 10, onde ant es
da Escola de P ostur as foi um dos escor es mais mencionados
e depois do pr otocolo de ex ercícios apenas duas pessoas
mencionar am dor nesses escor es.
GRÁFICO 5 – Classificação da dor de acor do com a Escala Visual
Analógica depois da Escola de P osturas.
F ONTE: Dados de pesquisa, 2013.
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
320
Ao aplicar o questionário final após a Escola de Postur as,
for am notá v eis os di versos benefícios relatados pelos idosos
da pesquisa. Quando indagados sobre os benefícios adquiridos
atr a v és da Escola de Postur as os mesmos afirmaram possuir bons
r esultados em di versos aspect os que estão e xpostos a seguir:
• Aspect os físicos
“Olhe, os ex ercícios diminuír am a dor , me dá
mais disposição, eu fico mais disposto né, mais
encor ajado. Gost ei muito viu!” (Idoso 01 –
Sex o masculino).
“Eu sint o muito alívio depois dos ex ercícios
sabe! No dia que eu não faç o os ex ercícios eu
amanheço muit o cansada, eu j á amanheço
cansada viu! E bast a eu começ ar a me
moviment ar , mesmo em casa, faz endo os
ex ercícios que eu apr endo aqui, eu já ac ho que
melhor a. ” (Idoso 03 – Sexo f eminino).
• Aspect os emocionais e psicológicos
“[...] Gostava muit o de vim fazer a Esc ola de
P osturas, porque ant es de vim pra c á eu sentia
até um pouco de depressão, porque eu moro
só, aí aqui eu conheci novas pe ssoas, fiz muita
amizade, gosto de todo mundo aqui, voc ê é
uma prof essora muit o boa, então c ativa a
gente. ” (Idoso 02 – Sexo f eminino).
“[...] Eu me sint o muito só em casa, e quando
eu venho pr a cá é um forma de distraç ão, pra
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
321
con versar , fazer os ex ercícios, ent ão eu só
tenho a agr adecer e diz er que foi muito bom. ”
(Idoso 08 – Sex o feminino).
• Aspect os educati v os e pre v enti v os
“[...] Apr endi muita c oisas boa com as aulas,
todas as vez es que eu fiz os exer cícios eu
gostei. Eu tinha um problema sério no pescoç o
(apontou par a a coluna c er vic al) quando eu
fazia assim (flexionou o pesc oço) era um
estr alo, depois dos ex ercícios que eu fiz aqui
com v ocê, aquele s ex ercícios do pe scoç o, nunca
mais eu senti isso, os estr alo desaparec eram. ”
(Idoso 09 – Sex o feminino).
“[...] Aj eitei o c abo da minha vassoura pr a não
prejudic ar a coluna né, como você ensinou, e
sempre t ô tomando mais cuidado. E eu gost o
muito de vim pra cá né, nos dias de vim eu
cuido logo, me arrumo pr a vim. ” (Idoso 12 –
Sex o feminino).
O último questionament o foi acerca dos pr ejuízos
acarr etados pela Escola de Postur as. As respostas tr anscritas abaix o
demonstr ar am que durant e as 10 (dez) sessões nenhum idoso
r elatou pr ejuízos, e que e Escola de P osturas só tr ouxe benefícios:
“Nada, só trás coisa boa. Beneficia muito a
gente c om c onhecimento, muita g ente, a gente
con versa, faz amizade. E u tava gost ando mui-
to de vim. ” (Idoso 01 – Sex o masculino).
“Não, pelo c ontrário! Só tr ouxe f oi coisa boa!”
(Idoso 11 – Sex o feminino).
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
322
DISCUSS Ã O
Com r elação à distribuição por sex o, os dados observ ados
no pr esente estudo corrobor am com as informações de Paschoal,
F r anco e Sales (2007) onde afirmam que há sempr e uma maior
pr ev alência de mulher es do que de homens em qualquer
faix a etária, época ou país, independente da situação social ou
financeir a. De acordo com R eis et al., (2008) a f eminilização na
v elhice ocorr e por di v ersos f ator es, tais como, menor exposição
das mulher es a determinados f ator es de risco encontr ados no
tr abalho, menor pre v alência de tabagismo e etilismo, difer enças
quanto à atitude em r elação às doenças e incapacidades e maior
cobertur a da assistência ginecobst étrica.
Com o aumento da longevidade, ocorre também o aument o
da incidência de mulheres viúv as, uma vez que, as mesmas
atingem uma maior expectati va de vida quando compar adas
aos homens, como f oi citado anteriormente. T ais dados estão
de acordo com um estudo realizado por Camarano (2003)
que buscou mostr ar a heter ogeneidade da e xperiência do
en v elhecimento feminino, destacando que a viu v ez era o estado
conjugal pr edominante entr e as mulher es idosas repr esentando
41%, seguidas de 39% de casadas. Dessa f orma, percebe-se que
a pre v alência de idosos viúv os aumenta com a idade, ao mesmo
tempo em que decr esce a de casados.
O fat o de o maior percentual encontr ado ter sido ref erente
à ocupação de dona de casa assemelha-se com o estudo de Vieir a
(2005). Corrobor a também com o estudo realizado por Ar aújo
e Ceolim (2007) onde o mesmo r elata que 52,3% das profissões
apr esentadas pelos idosos de sua pesquisa eram donas de
casa. Em concor dância com P aschoal, F ranco e Salles (2007),
o pr esente estudo demonstra que na ocupação atual, os idosos
têm como única font e de r enda as aposentadorias e pensões. Os
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
323
mesmos autor es r efor çam que a aposentadoria funciona como
um mar cador de mudança na dinâmica f amiliar , uma v ez que,
ocorr e em um ponto do ciclo de vida onde a capacidade adaptati v a
indi vidual acaba se limitando pelas dificuldades biológicas
pr ogressi vas e de rigidez e de personalidade.
Os estudos de Ribeir o et al., (2012), corr obor am com este
estudo, visto que, os idosos de sua pesquisa demonstr aram a
gr ande busca por atividade física. O principal motiv o que lev aram
aos idosos a pr ocurar em as ati vidades físicas foi a tentati va
de minimizar as enf ermidades decorrent es do pr ocesso de
en v elhecimento. Vidmar et al., (2011), ref orça que a pr ática de
qualquer ati vidade física é important e para um en v elhecimento
saudá v el e independente. P orém, quando esta ati vidade é
pr aticada como ex er cício físico, os melhores benefícios par a a
capacidade física são alcançados.
De acor do com Shiguemoto (2004) a dor é considerada
pr oduto da nocicepção ou um sintoma da doença. Em seu estudo
Vilela (2006) consider a que a dor na coluna é causada por
um estresse mecânico local e que um progr ama de ex ercícios
baseados em abor dagem postural e funcional, pode promo v er
uma prot eção local, atra vés de um adequado recrutament o
sinérgico de cadeias muscular es flex or as e ext ensoras. R omero,
Ma y or e Souza Júnior (2008) ressaltam que a idade é um fat or
causal decisi v o no que tange às algias da coluna, uma vez que, a
pr ev alência de degener ação discal e, consequentemente, de dor
na coluna aumenta progr essiv amente com a idade. Segundo os
mesmos autor es, isso ocorre porque entr e as mudanças corpor ais
que acont ecem ao longo dos anos, os discos interv ertebr ais são as
estrutur as que apresentam a maior alt er ação constitucional. as
da coluna alcançou 45,7%, sendo o maior agr a v o à saúde entre as
doenças auto- r ef eridas.
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
324
Os dados obtidos com esta pesquisa corr oboram com os
estudos de Martinez et al., (2004), que ao av aliar as car acterísticas
da dor cr ônica atr a vés de três ní veis de int ensidade, os r esultados
apontar am maiores índices da per cepção da dor como moderada
e intensa. Desta forma, estes dados sugerem a dificuldade
enfr entada no tratament o dessa enfermidade em decorr ência da
sua complexidade, visto que, a r efer ência da dor pelos pacientes
também se apr esentaram em gr aus mais elev ados.
Cruz e Al v es (2012) em seus estudos par a av aliar a
influência do progr ama de Escola de Postur as na qualidade de
vida de pacientes com algias da coluna também utilizar am o
questionário R oland Morris de Incapacidade antes e depois do
pr ograma, e corr obor ando com esta pesquisa os v alor es também
for am pouco expr essi v os. T al fato pode ser e xplicado pelo
moti v o de que pacientes que apr esentam dor cr ônica na coluna
podem manifestar pr oblemas complex os e fr equentes com causa
específica não aparent e, além disso, fator es como depr essão e
ansiedade podem r etardar o quadr o dolor oso. (CARA VIELLO et al. ,
2005).
Car a viello et al., (2005) ao av aliarem a dor atra vés da
Escala Visual Analógica, observar am que a maioria da amostra
corr espondendo a 17 pacientes (56,7%) apr esentaram melhor a
ao final da Escola de Postur as, 06 (20%) pior aram e 07 (23,3%)
pacientes não obti v er am alter ação ao final do progr ama de
r eabilitação. No estudo de Souza et al., (2010) que também utilizou
a EV A par a mensuração da dor foi det ectado que hou ve melhor a
na per cepção da dor após a aplicação da Escola de Postur as. De
acor do com os mesmos autores, essa melhora pr ov av elmente foi
decorr ente da conscientização dos participantes, da reeducação
postur al, da tomada de consciência corporal e, principalmente,
pelas ati vidades pr áticas realizadas na Escola de P osturas.
Benefícios da Escola de Posturas em um
Grupo de Idosos com Algias da Coluna
325
As informações r etiradas dos questionamentos com os
idosos desta pesquisa r atificam os dados obtidos por Car a viello
et al., (2005) onde relatam que um estudo realizado com
pacientes portadores de lombalgia obt ev e como benefícios a
melhor a significativ a dos sintomas após a Escola de P ostur as.
De acor do com os mesmos autor es em outr os estudos for am
r elatadas melhor a relati v a da dor , da incapacidade física e nív el
de esclar ecimento dos pacientes com a Escola de P osturas.
Agnolon, Santos e Almeida (2006) também obtiv eram benefícios
após a Escola de P ostur as. Os autor es explicam que a aquisição
de habilidades de autocuidado pode ser simplificada atra vés do
tr abalho em grupo. Salientam ainda que a abordagem em grupo
par a idosos e portadores de algias cr ônicas na coluna pr opor ciona
a participação ati v a dos participantes no pr ocesso ter apêutico.
De acor do com T sukimoto et al., (2006) a presença de dor
é induti v a nos aspectos emocionais e psicológicos e prejudica no
r elacionamento com a família, colegas de trabalho e atividades
sociais, pois apontam que os indi víduos deix ar am de r ealizá-las
em decorrência da dor . Nesse conte xto, alguns aspectos dev em
ser destacados, como a depr essão, a r edução da autoestima e
a r esistência à incorpor ação de no v os hábitos. T chakmakian
e Fr angella (2007) afirmam, que os grupos de con vi vência
entr e idosos e os progr amas de educação e lazer para essa f aixa
etária ex ercem papel important e na promoção e manut enção
da qualidade de vida, além de colabor ar par a o aumento da
autoestima dos indi víduos numa sociedade.
Os r esultados do estudo de Cara viello et al ., (2005) sobre
um pr ograma de Escola de P osturas também apr esentar am
benefícios nos aspectos educati vos e pre v enti v os e concluem
que a Escola de P ostur as dev e ser consider ada como uma boa
opção de tratamento nas algias da coluna, uma v ez que, tem a
v antagem de conscientizar os pacientes da importância em t omar
Kíssia Mayanne P ereir a dos Santos; Rac hel C avalcanti F onseca P ereir a
326
atitudes pre v enti v as no apareciment o da dor e orientar ex er cícios
ter apêuticos a ser em e x ecutados durant e toda a vida. T obo et al.,
(2010) ressaltam, que a Escola de Postur as, por ser educativ a,
apr esenta uma vantagem adicional em r elação aos pr ogr amas
ter apêuticos habituais.
Andr ade e Duart e (2012) ao r ealizar uma r e visão da
liter atur a sobr e os mais di v ersos resultados de estudos r ealizados
sobr e a eficácia da Escola de Postur as no tratamento e/ou
pr ev enção das algias da coluna, observ ar am que esta trata-se de
uma f orma de abordagem barata, simples e eficaz no tr atamento
desta afecção, promo v endo a melhoria da qualidade de vida dos
pacientes que con vi v em com ela, além de possuir uma v antagem
adicional por ser um método educati vo e pr ev entiv o.
Dessa forma, fica evidente que a Escola de P ostur as é uma
ex celente alternati v a para o alí vio das algias na coluna, sendo
uma pr ática que não ofer ece pr ejuízos à população, e que, além
de promo v er benefícios nos aspectos físicos dos participantes,
acarr eta melhoria de outros aspectos (emocionais, educati vos e
pr ev enti v os), promo v endo bem-estar , aumento da autoestima e
maior sociabilidade.
C ONCL USÃ O
As algias da coluna são queixas fr equentes em idosos
devido às alt er ações postur ais decorrent es da idade, e a Escola de
P ostur as parece ser uma e x celente alt ernati v a no que concerne ao
alí vio da dor e a aquisição de melhorias no conte xto qualidade de
vida, por meio de um treinament o que visa o aprimoramento dos
desequilíbrios muscular es.
A tra vés das sessões r ealizadas com os idosos que
fr equentam o Centr o de Con vi v ência da P essoa Idosa f oi possív el
concluir que a Escola de Postur as tr az benefícios significati v os
AN ÁLISE DO DESEMPENHO FÍSICO EM
UM GR UPO DE IDOSOS ANTES E APÓS
INTER VENÇÃ O FISIOTERAPEUTICA
Layse Claudino Souza 1
R ache l C avalc anti F onsec a Per eira 2
RESUMO: O en v elhecimento se r elaciona dir etamente com a
diminuição ou per da de alguns sistemas, principalmente mot or ,
sensorial e r espirat ório. Associado à per da motor a, destacasse a
sar copenia que ocasiona v ários outros pr oblemas como a perda
de for ça e equilíbrio, que influencia dir etamente na marcha. Este
estudo tev e como objeti v o analisar o desempenho físico em um
grupo de idosos antes e após int erv enção fisiot er apêutica, bem
como conhecer o perfil sociodemogr áfico e clínico dos idosos
envolvidos no programa. T rata-se de um estudo de campo,
quase experimental de análise quanti- qualitati va. P articiparam
10 idosos ati v os. O instrumento utilizado f oi o SPPB. A análise
Estatística foi r ealizada no Progr ama SPSS v ersão 20.0 utilizando
test es estatísticos descriti v os. Observ ou-se que (n=9, 90%) idosos
foi do se x o f eminino, com idade média de 70 (± 6,9 ) anos e casados
(n=6, 60%), com ensino fundamental incompleto (n=5, 50%)
e apresentar am ganho significati v odo desempenho físico pós-
1 Concluiu o curso de Fisioter apia. E-mail: la [email protected]
2 Orientador a. Mestre em Espiritualidade e Saúde (PPGCR -UFPB),
Fisioter apeuta e docente do curso de fisioter apia do Centro Uni v ersitário
de João P essoa- UNIPÊ e da F aculdade Ciências Médicas da Par aíba.
E-mail:r [email protected]
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
334
interv enção. Ressalta-se a importância dest e progr ama para uma
melhor qualidade de vida.
P ala vras-cha v es: Desempenho físico; Idosos; Fisioter apia;
Qualidade de vida.
INTR ODUÇÃ O
A tualmente, per cebe-se um aumento significati v o da
população idosa que, de acor do com Galdino (2010), este
aconteciment o ocorreu de vido às r eduções nas taxas de
mortalidade e fecundidade mostr ando-se bastante expr essi v o
após o pr ocesso de urbanização, possibilitando assim um maior
acesso à educação e à saúde.
Segundo dados do Instituto Brasileir o de Geogr afia e
Estatística (IBGE, 2010) , a população de idosos r epresenta um
contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos, mais
de 8,6% da população br asileira, onde as mulher es são maioria,
r epresentando cer ca de 8,9 milhões (62,4%). Estima-se que
nos pr óximos 20 anos, a população idosa do Br asil ultrapasse
30 milhões de pessoas o que dev erá r epr esentar quase 13% da
população ao final deste período.
A v elocidade deste pr ocesso af eta a sociedade como
um todo, sendo um dest es resultados o aument o da demanda
de serviços de saúde, como maior númer o de internações
hospitalar es, o tempo de ocupação do leito é maior quando
compar ado a outras f aix as etárias, e na sua gr ande maioria
as doenças dos idosos são cr ônicas requer endo assim um
acompanhamento mais pr olongado e detalhado além de
medicação continua e di v ersos ex ames (COS T A; VERAS, 2003).
O en v elhecimento é conceituado como um pr ocesso
pr ogressi vo r elacionado à deterior ação de vários sistemas, sendo
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
335
principalmente sensoriais, mot or e respir atório que se mostr am
alter ados, além da diminuição de massa muscular , que acarr etará
no idoso uma diminuição de for ça muscular , flexibilidade,
equilíbrio, funcionalidade, coor denação motor a entr e outros,
tornado est es idosos mais sedentários (P AP ALEO NETTO , 2007).
A capacidade funcional do idoso, em um significado amplo,
inclui sua habilidade em r ealizar atividades de vida diária (DUCA,
SIL V A, HALLAL, 2009). P or meio da a v aliação desta, podem ser
definidas estr atégias de pr omoção e pr ev enção, visando retar dar
ou evitar possí veis e v entos que le v em a perda da funcionalidade
e independência destes indi víduos, assim tornando-se, portant o,
essencial.
Devido ao pr ocesso de en velheciment o, di versas áreas
do conhecimento v êm dando ênf ase aos estudos que mostr em
alter ações sofridas pelo idoso, in vestig ando e intervindo, com o
pr opósito de disponibilizar aparat os técnicos científicos para a
melhoria das condições de vida dessa população, mostr ando cada
v ez mais a necessidade de interv enção fisioter apêutica, sendo
de gr ande v alia par a gar antir o en v elhecimento ati v o e assim
pr olongar o potencial de funcionalidade do idoso (FERREIRA;
R OCHA, 2010).
Baseado nisto, pode-se destacar a atuação da fisioter apia
neste cont ext o atr a v és da pr ática de e x ercícios físicos
funcionais de baixa intensidade, que propor cionam benefícios
biopsicossociais ao idoso e fa vor ecerem um estilo de vida mais
independente e saudáv el, assim como, mantêm ou melhorar am
a qualidade de vida deste idoso, pr omo v endo assim um
en v elhecimento ati vo, funcional e mais saudá v el.
Portant o, consider ando o impact o da ati vidade física no
pr ocesso de en v elhecimento, principalmente no que tange a
funcionalidade, faz -se necessário esta pesquisa par a aprofundar
os estudos sobr e a rele v ância de progr amas estruturados e seus
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
336
benefícios na melhoria da qualidade de vida e na capacidade
funcional do público idoso, fortalecendo as dir etrizes da P olítica
Nacional do Idoso (PNI).
Este estudo t ev e como objeti v o analisar o desempenho
físico em um grupo de idosos antes e após interv enção
fisioter apêutica, bem como conhecer o perfil sociodemográfico e
clínico dos idosos envolvidos no programa
MÉTODO
Após a apr ov ação do Comitê de ética em pesquisa do
Centr o Uni versitário de João Pessoa- UNIPE, os pr ocedimentos
for am iniciados após a assinatura do t ermo de consentimento
li vr e e esclarecidos, pelos v oluntários, de acordo com a r esolução
466/12 do Conselho Nacional da Saúde. Quanto ao desenho do
estudo, tr ata- se de uma pesquisa de campo de carát er quase
experimental de análise quantiqualitati va.
A amostr a constituiu-se de 10 idosos, de ambos os sex os,
com idade superior a 60 anos, admitidos na clínica escola de
fisioter apia do Centr o Univ ersitário de João P essoa- UNIPÊ que
participam do pr ojeto de e xtensão intitulado en v elhecimento ati vo.
F or am consider ados critérios de e x clusão: T er idade
inferior a 60 anos e não ser paciente da clinica Escola de
Fisioter apia do UNIPÊ; Não participar do projeto de ext ensão
en v elhecimento ati v o e t er mais de 25% de f altas; Não t er
capacidade compr eensão e comunicação v erbal e Não deambular
sem auxilio de dispositi v os auxiliares.
O pr esente estudo a v aliou o desempenho funcional de
idosos antes e após int erv enção de um prot ocolo de ex ercícios
físicos funcionais de membros superior es, tronco e membr os
inferior es com enfoque principal na mar cha, equilíbrio e for ça de
membr os inferior es.
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
337
O instrumento utilizado par a a coleta de dados tr atou-se
da v ersão br asileir a do Short Ph ysicalP erf ormanceBattery (SPPB),
por ser um test e simples, de fácil compr eensão, r ápido e que v em
sendo bastante utilizado. O instrument o busca a v aliar , atra vés do
tempo, o equilíbrio, a v elocidade da marcha e a f orça de membr os
inferior es (SIL V A et al, 2010).
O escor e total do SPPB é obtido atr a v és da somatória
entr e os resultados dos t estes acima citados, ou seja, o t este de
equilíbrio, v elocidade da mar cha e for ça de membr o inferior ,
v ariando entr e zero como sendo o pior desempenho e doze pontos
como sendo a pontuação máxima, portanto o melhor desempenho.
O r esultado pode receber a seguint e pontuação: de 0-3 pontos
car acteriza pior desempenho na ati vidade ou incapacidade, de
4-6 car acteriza baix o desempenho, de 7-9 pont os moderado
desempenho e de 10-12 pontos car acteriza bom desempenho.
Logo em seguida, dentr o do grupo já constituído na
instituição, for am selecionados sujeitos que se submeter am ao
pr ograma de int erv enção de acordo com os crit érios de inclusão
e ex clusão estabelecidos para o pr esente estudo, onde est es for am
a v aliados e logo em seguida foi e x ecutada a interv enção.
O Pr ograma de Int erv enção foi r ealizado em um período
de 2 (dois) meses, iniciando-se com a v aliação da v ariá v eis (for ça,
equilíbrio, v elocidade de mar cha). Ao total, f or am concluídos 10
(dez) encontr os os quais todos os en v ol vidos f oram r eav aliados.
Os encontr os acontecer am em uma frequência de uma v ez por
semana, com tempo de int erv enção de apro ximadamente 2 hor as.
T ambém foi aplicado um r oteir o de entr evista semiestrutur ado
após o pr ograma de e x er cícios, constituído de cinco perguntas
r elacionadas à ex ecução do protocolo e seus r esultados obtidos. O
mesmo foi r espondido e gr a v ado de f orma individual, em uma sala
ar ejada e sem apresentar ruídos. P osteriormente, as r espostas for am
tr anscritas e a v aliadas de acordo com o cont eúdo das falas.
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
338
RESUL T ADOS
Os dados for am expr essos em v alores absolutos e
per centuais e apresentados em f orma de tabelas e gr áficos.
A amostr a do present e estudo constituiu de 10 idosos, sendo
90 % ( n=9) do sex o feminino e 10 % ( n=1) do se x o masculino.
Quanto à f aixa etária, observ ou-se que a maioria (n=5, 50%) se
encontr a v a entre 60 - 69 anos, seguido pelo grupo de f aix a etária
entr e 70 a 79 anos, repr esentando 40% (n=4) e acima de 80 anos
(10%, n=1), apr esentando uma média da idade de 70 (± 6,9 ) anos.
A liter atur a afirma que associado ao env elhecimento
aumenta-se a pre v alência de doenças cr ônicas degener ati v as
nesta população. Neste estudo, 31% (n= 4) idosos apr esentar am
Hipertensão Art erial (HÁ), seguido da osteopor ose (n=3, 23%) e
artr ose (n=3, 23%), seguido da osteopenia (n=1, 8%) e outr as
doenças típicas pr esentes em idosos como mostr a o gr áfico 1.
GRÁFICO 1: Distribuição das doenças pr ev alentes nos idosos estudados
F ONTE: Dados P esquisa, 2013.
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
339
No que tange o estado Ci vil, 60% (n=6) da amostr a são
casados, 30 % (n= 3) viú v os, seguido dos solteir os que equiv ale a
10% (n=1). Quanto à escolaridade, os idosos apr esentar am-se na
maioria com Ensino fundamental Incompleto 50% (n=5), seguido
do ensino Superior Completo equi valent e a 30% (n=3) e Ensino
fundamental e médio completo r especti v amente a 10% e 10% da
pesquisa, não ha v endo analfabet os.
Quanto à a valiação do equilíbrio dos idosos participant es
da pesquisa, observ ou-se que na a v aliação pré-int erv enção todos
os idosos obte v e pontuação máxima, ou seja, quatro pont os
(100%; n=10) permanecendo o mesmo percentual no período
pós-interv enção.
As pontuações obtidas pelos idosos quanto a F orça de
Membr os Inferior es apontou uma média pr é-interv enção de 1,5 e
pós-interv enção 2,7, v erificado significância estatística para esse
incr emento na medida pós-interv enção. Como mostra o Gr áfico 2.
GRÁFICO 2: R epresentação gr áfica da média da F orça de membr os
inferior es pr é e pós-interv enção.
F ONTE: Dados da pessquisa
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
340
A r espeito da a valiação do desempenho físico dos idosos,
de maneira ger al, observ ou-se que na pré int erv enção (80%;
n=8) da amostr a estudada obte v e um moderado desempenho
com pontuação entr e 7- 9 pontos e 10% (n=1) ti v er am um bom
desempenho com pontuação entr e 10 a 12 pontos, seguido de
10% ( n=1) que obte v e um baix o desempenho com pontuação
entr e 4 a 6 pontos. E na pós interv enção 60% ( n=6) obtev e
moder ado desempenho seguido de 40% (n=4) que alcançou a
pontuação máxima obtendo um bom desempenho. Apr esentando
uma média final pré-interv enção 8,1 e pós 9,6, cujas difer enças
quando analisadas estatisticament e apontar am significância par a
o incr emento da medida pós-interv enção, como apresentado pelo
gr áfico abaix o.
GRÁFICO 2: Média do desempenho pr é e pós interv enção
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
P ar a analisar os benefícios do progr ama de ex ercícios,
os idosos no último encontr o responder am os questionamentos
do r oteir o semiestrutur ado, obtendo os r esultados que ser ão
apr esentados a seguir .
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
341
Quanto às mudanças ocorridas na sua vida após a
participação no pr ograma de e x er cícios, os idosos r esponderam
que houv e melhor a na sua condição física, emocional e social,
como se per cebe nos discursos abaix o:
A minha saúde melhorou, eu tinha uma dificuldade com
as pernas, aquele ex ercício do ag achamento e le porta
bem essa parte da musculatur a superior da cox a é, e eu
me sinto muito bem (entr evistado 2, sex o masculino).
A minha vida melhorou meu pr oblema do ombro que
doía muito, as articulaç ões dos dois ombros me lhorou
bastante (entr evistado 4, sex o feminino).
Pra mim me lhorou todos os aspectos, só não me lhorou
mais porque é pouc o tempo mais pra mim me lhorou
todos, a dor na c oluna que eu sentia muito, a dor
no braç o, fiz amizade s, pra mim melhorou 100%
(entrevistado 8, se xo f eminino).
Quanto à contribuição do pr ogr ama de ex ercícios em
r elação à queixa ou dificuldades já apresentadas por eles os idosos
r esponderam positi v amente, como r elata nos discursos abaix o:
“ Às vezes eu sinto dificuldade nesses
exercícios de baixar a cabeça ou aquele
outro de equilíbrio né, mas nessa fase agora
eu já senti menos dificuldade, a respeito do
equilíbrio né, porque eu tive labirintite e
melhorei né, melhorei o equilíbrio, era o que
eu sentia mais dificuldade o equilíbrio mais
estou me adaptando né” (entrevistado 3,
sexo feminino)
“ A maior dificuldade é de equilíbrio, como eu tive
problema assim, de labirinte, tenho dificuldade de
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
342
equilíbrio, mesmo assim eu melhorei 100%, melhorei e
ainda acho que vou me lhorar mais ainda. ” (entrevist ado
5, Sex o feminino)
“Melhor ei muito das dores, eu sentia muit a dor nas
juntas, no joe lho e graças Deus e stou bem, não estou
sentindo mais, desde que comec ei aqui. ”(entrevist ado
6, Sex o F eminino)
Quanto aos benefícios do progr ama de interv enção
r ealizado os idosos responder am da seguinte forma:
“Muitos, pois eu me sinto c om mais re sistência, mais
forte, não t enho mais aquele problema de andar
com medo de c air , isso passou” . (entrevistado 9, Sex o
F eminino)
“Os benefícios? E u ac ho que os benefícios são muitos, só
elevar o aut oestima e melhor ar a postura, isso é bom
pra gent e ne, muito important e” (entrevistado 3, Sex o
F eminino)
“Melhor a a saúde, melhora a qualidade de vida e
também a inter ação c om os colegas é muit o, muito
bom. ” (entrevistado 4, Se xo F eminino)
.
Outr o ponto f oi em relação aos pont os negati vos e positi vos
do pr ograma de e x er cício onde os idosos relatam de f orma
positi v a a ati vidade r ealizada como mostra nas f alas seguintes:
“ A motivação, o cont ato com as pe ssoas, a alegria ne
com que a g ente se encontr a, faz parte, a frat ernidade.
E os pontos negativos não é que não exista é que são tão
poucos que a g ente não lembra de salient ar , a questão
é que a gente demor ava um pouquinho para c omeçar “
. (entrevistado10, Se xo F eminino).
“Não tem ponto neg ativo pra mim tá tudo positiv o,
como a g ente tem c onvivência c om os outros, int eração,
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
349
comportamento é iniciado, dirigido e sust entado. P or um incenti v o
o org anismo é incenti v ado a agir , é este mesmo incenti v o que o
dá dir ecionamento, uma v ez que este t enha sido despertado por
alguém ou algo.
P ar a que o idoso se sinta moti v ado a praticar de f orma
r egular ati vidade física, dev em-se lev ar em consideração os
seus f ator es de influência, ou seja, f amiliares, amigos, meio
de con ví vio, idade, personalidade dentr e outros f ator es que
podem ser considerados de influência positi v a ou negati va, ou
seja, incenti v ando-o ou atr apalhando esta prática de ati vidade.
(MAZ O , CARDOSO , A GUIAR, 2006), corr obor ando com as falas dos
en v ol vidos no estudo.
C ONCL USÃ O
Como visto, par alelamente ao env elhecimento ocorr em
alter ações no idoso sejam elas físicas ou psicológicas, destacando
principalmente o declínio funcional, como enfr aquecimento
musculoesquelético, diminuição da flexibilidade, diminuição
ou per da da audição, entre outr as características que de f orma
isolada ou conjunta v ão pr ejudicar a postura, equilíbrio e mar cha
ocasionando r epercussões, quase sempr e negati v as, na vida desses
indi víduos.
De acor do com os objeti vos tr açados nesta pesquisa,
os dados do pr esente estudo permitem concluir os seguint es
r esultados: Em relação às car acterísticas sociodemográficas, a
amostr a apresent ou que entr e os dez idosos estudados, nov e
er am do sex o feminino, ou seja, a amostr a evidenciou maior
r epresentação de idosos do se x o f eminino. A amostr a apresent ou
uma idade média de 70 (±6,9) anos com pr edominância de
pessoas que se encontr a v am na faix a etária entr e 60 e 69 anos. Em
r elação ao estado civil dos estudados 60% er am casados. Quanto
Layse Claudino Souza; R achel C avalc anti Fonsec a Per eira
350
ao ní v el de escolaridade apr esentaram-se na maioria com Ensino
F undamental incompleto (50%, n =5).
Em r elação aos dados obtidos atra vés do t este SPPB: No
test e de equilíbrio os idosos apresentar am pontuação máxima na
pr é e pós-interv enção, ou seja, 4 pontos, no t este de mar cha os
idosos apr esentaram na pr é-interv enção uma média de 2,9 e na
pós-interv enção 3,2 pontos e quanto ao test e de f orça de membr os
inferior es 1,5 pontos na pr é- interv enção e pós – interv enção 2,7.
Assim constatou-se uma melhor a significati v a como encontr ado
nos resultados finais do desempenho funcional, que passou de
8,1 par a 9,6 pontos no escor e total. R essaltando que as medidas
pós-interv enção for am feitas sem o conheciment o do r esultado da
medida pré-int erv enção, para que não hou v esse influências sobre
o a v aliador .
No que diz r espeito à parte qualitati va os idosos
r esponderam de f orma satisf atória ao pr esente estudo, vist o eu
todos ressaltar am muitos benefícios não apenas relacionado à
parte física, mas também a parte psicológica, r atificando assim a
importância da pr ática de ati vidade física nesta população idosa.
Ao longo desta pesquisa f or am encontradas algumas
dificuldades, dentr e elas, o númer o reduzido de participantes,
r essaltando que ao longo das atividades realizadas alguns
deix aram de compar ecer , visto que a amostr a inicial era de 19
idososficando apenas 10 idosos ou por apresentar muitas faltas
não puder am participar da amostr a, bem como, estudos utilizando
o mesmo instrumento, par a a compar ação dos r esultados
encontr ados.
Em r elação ao instrumento utilizado, foi um instrument o
de fácil aplicação. A utilização dest e instrumento f oi de suma
importância par a a v aliação do desempenho físico dos idosos.
E, por fim, fica clara a eficácia deste estudo, visto que
os r esultados obtidos ressaltam a importância da pr ática de
Análise do desempenho físico em um Grupo de Idosos
antes e após intervenção fisioterapeutica
351
ati vidades físicas para esta população estudada, visto que esta
pr ática retar da a per da funcional dos idosos, permitindo assim
uma independência funcional, bem como uma confiança em
r ealizar ati vidades de vida diária com segurança, além de tr azer
benefícios biopsicossociais, pr omo v endo um en v elhecimento ati vo
e saudá v el.
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A V ALIAÇÃO DA LIPODISTROFIA
EM MULHERES JOVENS
SEDENTÁRIAS E NÃO
SEDENTÁRIAS: Estudo Compar ati v o
L uciana Cé sar Chaves 1
Gracie le Aquino de A lmeida 2
V eruschk a R amalho Ar aruna 3
RESUMO : Certos hábit os de vida lev am indi víduos a apr esentarem
lipodistr ofia, acúmulo de adiposidade no corpo, com maior
pr eocupação quando ocorre no abdômen. Esse estudo objeti v ou
pr opor um tratament o após a v aliação de lipodistr ofia em
mulher es jov ens sedentárias e não sedentárias a fim de propor um
tr atamento. Participar am 20 mulher es univ ersitárias sedentárias
e não sedentárias, entr e 18 e 30 anos. R ealizou-se a v aliação
(identificação pessoal e ex ame físico incluindo circunf erência
abdominal, altur a e bioimpedânciometria). Quanto aos r esultados
1 Concluiu o curso de Fisioter apia. E-mail: lucianacha [email protected]
2 Orientador a. Mestre em Engenharia de Pr odução. Especialista em R ecursos
T erapêuticos em Abordagens Postur ais. Graduada em Fisioterapia pela UFPB.
Gr aduada em Psicologia pelo Centro Uni versitário de João Pessoa-UNIPÊ.
Docente dos componentes curriculares de Fisioter apia Dermatofuncional,
R ecursos T erapêuticos Manuais e Psicologia da Saúde pelo UNIPÊ. E-mail:
gr [email protected]
3 Coorientadora. Mestranda em Fisioterapia pela Universidade Católica Nostra
Señora de Assuncion e Pós graduanda em Fisioterapia Dermatofuncional pela
Universidade Potiguar -RN, com Especialização em Recursos T erapêuticos nas
Abordagens Posturais e Recursos Cinesioterapêuticos pela UFPB e T itulo de
Especialista em T raumato – ortopédico funcional pelo COFIT O.
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
358
observ ar am-se riscos de doenças cardiovasculares e acúmulo de
gordura corporal nas sedentárias, prevalência de massa muscular
nas não sedentárias e apenas uma voluntária apresentou edema leve.
Com base nos resultados pôde-se concluir que a lipodistrofia está
presente tanto nas mulheres sedentárias quanto nas não sedentárias e
que a atividade física é eficaz, mas não é suficiente, havendo assim a
necessidade de uma complementação, através de intervenções mais
localizadas como a cavitação, eletrolipólise, diatermia e outras.
P ala vras-cha v e: fisioter apia dermatofuncional; lipodistrofia;
sedentária; interv enção.
INTR ODUÇÃ O
Os maus hábitos de vida le v am indi víduos a apr esentarem
lipodistr ofia, que se tr ata do desenv olviment o irregular do tecido
conjunti v o adiposo subcutâneo, sendo mais pr eocupante sua
pr esença no abdômen, sendo assim um pr oblema de saúde e não
pur amente estético. (BOR GES, 2010; AMORIM, 2005).
Conforme abordam os autor es, para que haja a redução
dos riscos de saúde causados pela lipodistr ofia, a redução de
medidas e o peso corporal não dependem somente da diminuição
da ingestão calórica, nem de gasto ener gético atr a v és da atividade
física, mas também de tratament os mais localizados, que reduzem
as reserv as de gor dura, melhor a a circulação periférica e induz
maior eliminação de água e sal.
Segundo Bedogni, et al. , (2002); Malav olti, et al. , (2002);
Sartorio, et al. , (2005) uma das formas de identificar a pr esença
deste distúrbio é atr a v és a v aliação corpor al com a balança de
bioimpedância, onde permite a passagem de uma corr ente elétrica
fr aca imperceptí vel, atra v és do corpo, e com isso fazer a análise da
composição corpor al. Esse dispositi v o é utilizado par a identificar o
peso, a massa de músculo esquelético, o índice de massa corporal
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
365
não somente elev a à taxa de consumo calórico como também,
qualitati v amente, r eduz o manto gordur oso localizado em certas
r egiões do corpo, melhora a circulação periférica e induz maior
eliminação de água e sal. Em r esumo, este aut or coloca que, o
ex ercício tem efeit o sobr e o peso corporal, bem como sobre a
pr oporção de massa magr a (muscular) e massa gor da ( gor dur a).
Inicialmente, o e x er cício aumenta a massa muscular , devido
este ser mais denso que a gor dura, e o peso corpor al pode não
se alt erar , mas com a continuação do e x ercício ocorre uma
diminuição da gordur a, r esultando em uma diminuição do peso
corpor al.
Quanto maior o número de fibr as muscular es, mais calorias
o corpo queima, pois há uma relação dir eta entr e a quantidade de
músculos esqueléticos com a taxa de metabolismo de repouso,
podendo assim auxiliar na pre v enção do ganho de peso (OMRON
HEAL THFCARE, 2012).
Segundo Christou et al ., (2004) e Lindmark et al ., (2005),
pesquisas científicas mostr am que a obesidade e o sedentarismo
pr ejudicam o contr ole autonômico cardíaco, pro v ocando
uma maior ativ ação do t ônus simpático em repouso, o que
pode estar associado a riscos de desenv olviment o de doenças
car diov asculares, podendo afirmar que a obesidade e o sobrepeso
são r ealmente patologias, de v endo assim ser tr atadas como tal.
MÉT ODOS
Adiant e serão abordados os procediment os metodológicos
utilizados par a desen v ol v er esta pesquisa sendo inicialmente
r ealizado um lev antamento bibliogr áfico, com base em artigos
científicos, monogr afias, sites especializados, livr os didáticos,
dentr e outr os, que for am submetidos a uma leitura detalhada,
fazendo uso do fichamento e resumo, para a obt enção dos
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
366
conceitos necessários com o objeti v o de somar aos conhecimentos
específicos do tema em questão e análise em f oco.
DESENHO DO ESTUDO
T rata-se de uma pesquisa descriti v a, de caráter
explor atório, com caract erística quantitati v a onde as fontes de
informação utilizadas f or am adquiridas pela pesquisa de campo,
pois pretende buscar informações diretament e com a população
pesquisada. Nesse caso, o pesquisador precisou se deslocar
até o espaço onde o fenômeno acontece, para reunir os dados
necessários a ser em documentados (GONSAL VES, 2003).
POPULA ÇAO E AMOS TRA
A população desta pesquisa foi composta por estudantes
do Centro Univ ersitário de João Pessoa – UNIPÊ, sendo a amostra
composta por 20 mulheres v oluntárias, 10 sedentárias e 10
não sedentárias com idade entre 18 a 30 anos, portadoras de
lipodistr ofia abdominal, sendo selecionadas por acessibilidade,
consider ada assim do tipo não-probabilística.
Os critérios de inclusão f oram ser do se x o feminino, com
idade entre 18 a 30 anos, residentes na cidade de João P essoa-
PB, estudantes do Centro Uni versitário de João P essoa-Unipê,
portador as de lipodistr ofia abdominal, sedentárias ou não
sedentárias e que t enham assinado o termo de consentiment o
li vr e e esclarecido. E os critérios de ex clusão for am mulheres
que faziam uso de r edutor es de apetite, não podiam apresentar
implantes metálicos, órteses, prót eses ou fios no corpo de metal,
não podiam r ealizar pr ática de e x ercício físico vigor oso em menos
de 24 horas, não podiam ingerir grande quantidade de água, nem
fazer r efeição com menos de 2 hor as.
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
367
INSTR UMENT OS E PR OCEDIMENT OS DE COLET A DOS
D ADOS
P ar a a coleta de dados for am utilizados os seguintes
instrumentos:
a) Ficha de A valiação: questionário semiestrutur ado
e adaptado para coletar dados relacionados ao perfil dos
indi víduos que compunha a amostra, o qual apresenta va quest ões
de identificação pessoal (idade, sex o, endereço, estado ci vil,
escolaridade, profissão); dados clínicos; antecedentes pessoais;
antecedent es familiar es; condições de saúde (alergia, diabetes,
hipertensão, cirurgias anteriores, patologias dérmicas, problemas
intestinais, problemas circulat órios, pr oblemas hormonais, uso
de medicamentos); história ginecológica (idade da menarca,
quantidade de gestações, métodos contr acepti v os); fator es
alimentícios (quantidade de r efeições, quantidade de líquido);
ex ame físico (biótipo, altur a, FEG, edema, flacidez muscular ,
flacidez tissular), alt er ações postur ais com paciente em posição
ortostática, dentr e outr o.
b) O instrument o utilizado par a determinar o ní v el de
ati vidade física foi o Questionário Int ernacional de Ati vidade
Física (IP AQ) – f orma curta, v ersão 8, a v aliado por Cr aig et al .,
(2003) em doze países e no Brasil foi v alidado por P ardine
et al ., (2001) e Hallal et al ., (2003). O mesmo contém sete
questões relacionadas à frequência (dias por semana) e à
dur ação (tempo por dia) da r ealização de atividades físicas
moder adas, vigorosas e da caminhada. Com relação aos ní v eis
de intensidade, e x cluindo a caminhada, a atividade física pode
ser moderada ou vigor osa, sendo assim definida: Ati vidade
física vigorosa – São aquelas que precisam de um gr ande
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
368
esfor ço físico e que fazem r espirar muito mais fort e que o
normal. A ti vidade física moder ada – são aquelas que precisam
de algum esfor ço físico e que fazem respir ar pouco mais forte
que o normal. Par a analisarmos os dados do ní v el de ati vidade
física f oi usado o consenso realizado entre CELAFISC e o Center
for Disease Contr ol - CDC, (2002) de Atlanta citado por P ardine
et al ., (2001) consider ando os crit érios de fr equência e dur ação,
que classifica as pessoas em cinco categorias:
c) Perimetria utilizou-se a fita antr opométrica par a
v erificar a altur a e realizar a medida da circunf er ência abdominal,
quatr o centímetros abaix o e acima da cicatriz umbilical,
analisando a r egião supr a-abdominal e infr a-abdominal, com as
pacientes em posição ort ostática.
d) Bioimpedanciometria: av aliação atr a v és da Balança
de Bioimpedância da marca Biospace e modelo Inbod y 720
par a v erificar os seguintes dados: peso, peso ideal, massa
muscular , massa de gordur a, Índice de Massa Corpórea
(IMC), percentual de gor dura, relação cintura/quadril,
edema corporal, dentre outros. Sendo necessária a utilização
de roupas lev es para que não alt erasse significativ amente
os r esultados. No moment o da medição a voluntár ia, sem
quaisquer peças que pudessem interf erir nos resultados,
posicionou-se em pé sobr e a base do equipamento, pisando
de forma centr alizada sobre os eletrodos da base, segurando
as peças de mão, mantendo os br aços ligeirament e abduzidos
par a se completar a a v aliação.
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
369
FIGURA 2 - A v aliação na Balança de Bioimpedância
F ONTE: F oto do acerv o pessoal do autor
A balança ef etua div ersas medições de f orma sequencial,
aplicando uma micro corr ente de di v ersas frequências, sendo
que a cada momento é medida a impedância de cada segmento
do corpo inclusiv e do tronco isolado. P osturas incorretas e/ou
mo vimentos durant e a medição r esultam r esultados imprecisos da
composição corporal. Ao final do ex ame o equipamento envia os
r esultados para uma impr essor a a ele dir etamente conectada.
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
370
Dur ante o transcorr er dest e pr ocesso, de acor do com
a R esolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, foi
assegur ado as participant es o respeito e o sigilo quanto as suas
informações pessoais. A tendendo ao princípio ético da autonomia,
o T ermo de Consentimento Li vr e e Esclarecido f oi apr esentado
antes de iniciar a coleta dos dados, apr esentando informações a
r espeito do estudo e seus objeti v os.
AN ÁLISE DOS D ADOS
Os dados obtidos for am analisados com auxílio do
pr ograma SPSS Statistics - V ersão 20, utilizando o T este Exato
de Fisher para v erificar a independência entr e duas variá veis
categóricas e o T este t (test e par amétrico) par a compar ação
de médias (v ariá v eis numéricas). A normalidade dos dados
foi testada atr a v és do t este Shapir o Wilks . T odas as v ariáv eis
numéricas seguem distribuição normal (p>0,05), ex ceto a variá vel
ID ADE (p = 0,025). T odos os testes f oram r ealizados adotando
ní v el de significância de 5% (0,05), os mesmos for am explor ados
em gr áficos e tabelas no progr ama Microsoft Office 2010.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃ O
Os r esultados apresentados correspondem à análise
discursi v a na busca de responder um dos objetiv os específicos
da pesquisa: av aliar a lipodistrofia localizada em mulher es jov ens
sedentárias e não sedentárias e pr opor um tratament o.
PERFIL SÓCIO-DEMOGRÁFIC O D AS MULHERES A V ALIAD AS
No que se r efer e à compar ação dos dados sócio-
demogr áficos da amostr a estudada, nota-se que a média geral
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
371
da idade foi de 22,4 ± 1,72 anos, com mínima de 20 anos e
máxima de 27 anos. As sedentárias apresentar am uma média
de 22,2 anos, mínima de 21 anos, máxima de 24 anos, com
desvio padr ão de 1,03, interv alo de confiança 95% e as não
sedentárias apr esentaram uma média de 22,5 anos, mínima de
20 anos, máxima de 27 anos, com desvio padrão de 2,27 e IC
95%.
Apesar da f aixa etária selecionada par a est e estudo, não
apr esentar-se com a maior pr ev alência da lipodistrofia, pois é na
adolescência que a mesma pr edomina, ficou evident e a presença
da lipodistrofia neste grupo de v oluntárias. De acordo com a
Sociedade Br asileir a de Endocrinologia e Metabologia – SBEM,
o apar ecimento da lipodistr ofia abdominal e seu predomínio
ocorr em na adolescência, com a pr esença do estr ogênio que
é um hormônio produzido a partir da adolescência, e atua
no desenv olviment o dos caracter es sex uais secundários, e
distribuição da gor dura c orporal e , consequent ement e,
lipodistrofia abdominal , por isso nessa época apresenta uma
gr ande transf ormação no corpo da adolescente e permanece no
decorr er da maturidade da mulher .
P ar a descrição da amostr a todas as mulher es er am solteir as
e apenas duas tinham filhos. Com r elação à contr acepção 40% das
a v aliadas não faziam uso de método contr acepti v o, 55% faziam
uso de pílula anticoncepcional e 5% utiliza v am o anticoncepcional
injetá v el. Conforme F ernandes (2003), os anticoncepcionais,
por apr esentarem na sua constituição hormônios femininos,
lev ariam a alter ações nos adipócitos, desencadeando o problema.
As v oluntárias (40%) r elataram fazer uso do álcool e Steiner
(2004), diz que o álcool também dev e ser e vitado, pois é calórico e
fa vor ece ao acumulo de adipócitos.
As participantes não apr esentaram o tabagismo como um
hábito de vida, isso é importante, pois segundo F ernandes (2003),
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
372
as substâncias do cigarr o determinam espessamento das paredes
dos v asos sanguíneos pr ejudicando a circulação.
Quanto à av aliação do fibroedema gelóide (FEG) pode-
se observ ar que nas sedentárias 7 (70%) apresenta v am o FEG
e 3 (30%) não apresenta v am o FEG. Quanto as mulheres não
sedentárias 8 (80%) apr esentam FEG e 2 (20%) não apr esentam
FEG (p-valor de 0,999). Não foi encontrada associação entre
sedentarismo e FEG (p ≥ 0,05). Conf orme K ede e Saboto vich
(2004), o FEG é muitas v ezes r elacionado com a obesidade, porém
pode estar pr esente tanto nas mulheres com peso normal, como
naquelas que se apresentam com baix o peso. De acordo com
Guirr o e Guirro (2004), isso ocorr e por que o FEG é uma patologia
multifat orial, devido às causas genéticas, desequilíbrio hormonal,
idade, sedentarismo, estresse, fumo, hábitos alimentares,
dificuldade na r eabsorção linf ática, aumento da pr essão capilar .
No que diz respeit o à flacidez muscular destacar am-se os
seguintes r esultados: as mulher es sedentárias com flacidez muscular
apr esentaram 6 (60%) e 4 (40%) sem flacidez muscular . Já 2 (20%)
das não sedentárias apr esentar am flacidez muscular e 8 (80%) não
apr esentaram flacidez muscular , o p-v alor f oi 0,170. Não f oi encontr ada
associação entre sedentarismo e flacidez muscular (p ≥ 0,05).
Mesmo não sendo significati v o quando analisadas
separ adamente, observ a-se difer enças significati vas nestes dados
quando compar ados aos dados sobr e flacidez muscular entre as
v ariá v eis sedentarismo e não sedentarismo. Par a F r ancischelli,
Junqueir a e Fr ancischelli (2000), a flacidez muscular é um fato
importante e decorr ente da vida sedentária ou a prática de
ex ercícios le v es, que não são suficientes para obter um aumento e
manutenção da massa muscular .
A tabela 1 mostra a comparação da média da cir cunf erência
abdominal das 20 pacientes atr a v és da perimetria em sedentárias
e não sedentárias, sendo av aliadas por região (cicatriz umbilical,
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
373
abdômen supr aumbilical e abdômen infr aumbilical). Quando se
r efer e à circunf er ência na cicatriz umbilical destaca a média de
85,40 com desvio padr ão de 12,22, nas sedentárias, nas av aliadas
não sedentárias for am os seguintes v alores: média de 78,40 com
desvio padr ão de 3,77, com p-v alor 0,112.
A média da cir cunfer ência no abdômen supr aumbilical para
sedentárias foi 79,20, desvio padrão de 11,14. As mulheres não
sedentárias apresentar am uma média de 72,60 com des vio padr ão
6,55 e p-v alor 0,128.
No que diz r espeito à cir cunfer ência do abdômen infr aumbilical
destaca os seguintes dados: as sedentárias com média de 89,20 com
desvio padrão de 9,94, já as não sedentárias apresentam uma média
de 82,60, desvio padr ão de 4,27 e p-v alor 0,08. Não f oi encontrada
difer ença estatística entre as médias de nenhuma v ariá vel de
perimetria, ao ní v el de 5% de significância (p ≥ 0,05).
T abela 1 - Compar ação dos v alores da perimetria das
mulher es sedentárias e não sedentárias em três nív eis (cicatriz
umbilical, abdômen supr aumbilical e abdômen infraumbilical).
V ariável Categoria Sedentarismo p-valor
Seden-
tária Não
sedentária
Cicatriz
umbilical N 10 10
Média 85,40 78,40 0,1 1
Desvio padrão 12,22 3,78
Abdome
supra-
umbilical
N 10 10
Média 79,20 72,60 0,13
Desvio padrão 1 1,14 6,55
Abdome
infra-
umbilical
N 10 10
Média 89,20 82,60 0,08
Desvio padrão 9,94 4,27
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Luciana C ésar Chaves; Gr aciele A quino de Almeida; V eruschka R amalho Ar aruna
374
Com os dados a vista pode-se concluir que as sedentárias
apr esentam maior es riscos de doenças car diov asculares,
conforme Oli v eir a; Costa e Ribeiro (2008), pois esse risco
aumenta quando a medida da cir cunfer ência abdominal das
mulher es ultrapassa os 80 cm , sendo corrobor ado pela
Org anização Mundial de Saúde (OMS).
Ao que diz r espeito aos dados obtidos atra vés da balança de
bioimpedância (tabela 2) com base no Diagnóstico de Obesidade
Índice de Massa Corporal (IMC), P ercentual de Gordur a Corporal
(PGC) e Relação Cintura-Quadril (R CQ), os mesmos mostr am que a
média e o desvio padr ão do IMC nas sedentárias for am de (24,31)
e (4,485), nas mulheres não sedentárias os resultados da média e
do desvio padrão for am (21,22) e (1,860), r especti v amente, com
p-v alor (0,067).
Ao destacar a relação de gor dur a corporal, as
sedentárias ti v eram uma média de (36,42) com desvio padrão
de 6,94, onde mulher es não sedentárias apresentar am uma
média de (27,44) e (2,94) de desvio padrão com p-v alor
0,002 a. . P or fim a média da r elação cintur a-quadril nas
sedentárias foi de (0,91), desvio padrão de (0,06) e par a as
não sedentárias destacou a média de (0,87), de desvio padrão
de (0,06), com p-v alor de 0,08. F oi encontr ada dif er ença
significati v a entr e a média de relação de gordur a corporal das
sedentárias e das não sedentárias (p ≤ 0,05).
A valiação da Lipodistr ofia em mulher es jovens
sedentárias e não sedentárias: estudo comparativo
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FISIO TERAPIA N A ESTRA TÉGIA SA ÚDE
D A F AMÍLIA: visão dos pr ofissionais do
serviço
K aren Nóbr ega Azevedo 1
R afaela Ger basi Nóbrega 2
RESUMO: Buscou-se analisar a prática fisioter apêutica na
atenção básica segundo a visão dos profissionais do serviço.
T rat ou-se de uma pesquisa de campo de abordagem quantitativ a,
en v ol v endo 124 pr ofissionais das equipes básicas de saúde do
Distrito Sanitário V , município de João P essoa – PB. O instrument o
da pesquisa constou de um questionário estruturado cujos
dados for am tabulados em planilha eletrôni v a ex cel 2007 e
a v aliados atra v és de estatística descritiv a simples. Observ ou-se
que a maioria dos profissionais (64,52%) consider a necessária
a atuação do fisioter apeuta na atenção básica e que 49,19%
deles mencionaram identificar fr equentement e pessoas que
necessitam de fisioter apia na rotina de serviços. Na visão deles,
a principal ação a ser ex ecutada pela fisioter apia na atenção
básica é a reabilitação de acamados (54,03%), seguida das ações
de promoção da saúde (19,35%). Conclui-se que ainda há um
pensamento r educionista quanto às ações desen v ol vidas pelo
fisioter apeuta voltadas especificament e a reabilitação.
P ala vras-cha v e: fisiot er apia; saúde da F amília; recursos humanos
em saúde.
1 ConcluiuocursodeFisioterapia.E-mail: [email protected]
2 Orientadora. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba.
E-mail: [email protected]
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
386
INTR ODUÇÃ O
No decorrer da hist ória, a saúde pública passou por
um pr ocesso de int ensas tr ansformações em seu conte xto
estrutur al, deixando a visão hospitalocêntrica um pouco de lado
e per cebendo que se dev e atuar em outros nív eis de atenção
à saúde, como na atenção básica, que é car acterizada por um
conjunto de ações no âmbito individual e coletiv o, englobando
também a pr omoção e pre v enção da saúde (RAG A SSON et al,
2006).
Entretant o, a pr ática pr ofissional voltada par a a abordagem
biológica e intra-hospitalar ainda está bastant e pr esente no dia-
a-dia br asileiro, ger ando maiores despesas financeir as devido o
alto custo da utilização de recursos tecnológicos, gr ande número
de internações, entre outr os. Visando re vert er este quadro,
em 1994, o Ministério da Saúde criou a Estr atégia de Saúde da
F amília, com uma equipe profissional formada por , no mínimo,
um médico, um enfermeir o, um auxiliar de enf ermagem e entre
quatr o a seis Agent es Comunitários de Saúde (TRELHA et al ,
2007). Em 2008, lança a P ortaria GM nº154, que cria o Núcleo
de Apoio à Saúde da F amília – N A SF , que tem por missão apoiar
a inserção da Estr atégia de Saúde da F amília na r ede de serviços,
no pr ocesso de territ orialização e r egionalização, assim como suas
ações, e ampliar as áreas de abrangência. O NA SF ainda amplia
a assistência ofer ecida à população, compondo sua equipe de
pr ofissionais que até então não eram present es na ESF , dentr e eles
está o fisioter apeuta (MIRAND A, 2011).
Por ém, apesar de ser reconhecido como um pr ofissional
indispensá v el na área da saúde, o fisioter apeuta ainda encontr a
barr eiras quanto a sua inserção na at enção básica. Uma das
maior es dificuldades encontr adas se dá pela sua própria
formação acadêmica, que por muitas vezes continua seguindo
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
387
um pensamento r educionista quanto à linha de atuação do
fisioter apeuta voltada especificamente a reabilitação. (RA GA SSON
et al, 2006).
A fisioter apia na atenção básica v em implementar as
ações de saúde desenv olvidas na comunidade e, par a isso, r equer
uma nov a postura do fisioter apeuta, que passa a compr eender o
pr ocesso saúde-doença pela det erminação social, ampliando a
atuação par a além do indi víduo que necessita de reabilitação.
Essa atuação, de caráter multidisciplinar e inter disciplinar junt o
às equipes de Saúde da F amília, amplia aspectos da assistência,
pr ev enindo doenças e contribuindo com a promoção da saúde
(MIRAND A, 2011).
Estudos mostram a dificuldade do fisioter apeuta se inserir
nos Progr amas de Saúde da F amília, rompendo com a barreir a da
r eabilitação. Por ém, são bastante escassos os que buscam saber a
visão dos pr ofissionais de saúde da atenção básica sobre a atuação
fisioter apeutica neste cenário, surgindo, assim a necessidade
de abordá-los para inv estigar a visão dos mesmos sobre essa
temática.
A inserção do fisioter apeuta na atenção básica é v antajosa,
contribuindo par a diminuição de custo na assistência secundária
e ter ciária, redução do absenteísmo ao trabalho, redução da
medicalização, melhora da qualidade de vida da população
principalmente quando se atua no reconheciment o de riscos
ambientais e suger e soluções, obtendo o sucesso de suas ações
r ealizadas de forma contextualizadas com a cultura local e
r elações biopsicossociais das populações de r esponsabilidade das
UBS (MIRAND A, 2011).
Como questões norteador as do estudo, estão: Qual
a concepção dos profissionais de saúde sobre a pr ática
fisioter apeutica na atenção básica? Quais as atribuições do
fisioter apeuta na atenção básica segundo o olhar desses
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
388
pr ofissionais? Na visão dos mesmos, qual importância da inserção
do fisioter apeuta na equipe básica de saúde?
O estudo em questão tem v alor significativ o par a t odos os
fisioter apeutas, inseridos ou não na atenção básica, como f orma
de ampliar sua visão sobre o tema, par a a Equipe de Saúde da
F amília, visando uma melhor relação com o fisiot er apeuta, t endo
conhecimento sobre suas ações na atenção básica, e para os
gestor es em saúde, que a partir dest e trabalho tem a oportunidade
de conhecer ainda mais sobre a inser ção do fisioter apeuta na
ár ea em questão e a opinião dos profissionais do serviço sobre a
r eferida t emática.
A pesquisa tev e como objeti v o principal analisar a
pr ática fisioter apêutica na atenção básica segundo a visão dos
pr ofissionais do serviço, assim como traçar perfil sócio-demográfico
dos entre vistados, in v estigar as dificuldades enfr entadas pelo
fisioter apeuta na atenção básica segundo a per cepção dos pr ofis-
sionais do serviço e a v eriguar as contribuições da fisiot er apia par a a
Estr atégia de Saúde da F amília.
MÉT ODO
CARA CTERIZA ÇÃ O D A PESQUISA
T rata-se de uma pesquisa de campo, de car áter
explor atório descriti v a, a partir de uma abordagem quantitativ a
atr a v és da utilização um questionário. Conforme a liter atura,
pesquisa de campo consiste na busca por fontes primárias, sejam
elas atra v és de entre vistas, questionários, observ ações ou testes,
no local onde o ev ento ocorr e, sem a interv enção do pesquisador
(VER GARA, 2009; R ODRIGUES, 2007).
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
389
Como expõe Lakatos (2010), uma pesquisa de carát er
explor atório consiste na inv estigação de ideias e discernimentos, com
as finalidades de: desen v ol v er hipóteses, aumentar a f amiliaridade do
pesquisador com o tema abordado ou modificar e definir conceitos.
Segundo o mesmo autor , a pesquisa quantitati v o-descriti v a consist e
na busca de car acterísticas sobre o objeto de estudo, buscando situá-
lo no t empo e no espaço, atr a v és de análises quantitati vas, como
forma de f ornecer dados par a a v erificação das hipóteses.
L OCAL E AMOSTRA
O uni v erso da pesquisa foi composto por 180 pr ofissionais
da Equipe de Saúde da F amília do Distrito Sanitário V , sendo eles:
médicos, enfermeir os, técnicos de enfermagem, odontólogos e
Agentes Comunitários de Saúde (A CS), e a amostra sendo de 124
pr ofissionais, com ní v el de significância da pesquisa de 95%.
Contou-se com o mínimo de 5 ACS por USF para colaborar com o
estudo.
Os critérios de inclusão da pesquisa for am: ser profissional
da equipe básica de saúde do Distrito Sanitário V e aceitar participar
da pesquisa mediant e assinatur a do termo de consentiment o livr e
e esclarecido. Critérios de ex clusão: profissionais que não integr em
a equipe básica de saúde do Distrito Sanitário V e não tenham
aceitado participar da pesquisa.
O Distrito Sanitário V localiza-se na Rua Ovídio Mendonça,
77, Miramar , e é r esponsá v el por 18 Unidades de Saúde da F amília
que pr estam assist ência aos bairr os de: Altiplano, Penha, Castelo
Br anco, Manaír a, Mir amar , Cidade R ecreio, Expedicionários, T orre,
Mir amar e Bessa.
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
390
INTR UMENT OS DE PESQUISA
A pesquisa foi realizada a partir de fontes primárias,
utilizando questionário estruturado, composto por 16 questões
objeti v as relacionadas ao perfil dos participantes e sua percepção
sobr e a pr ática fisiot er apêutica na atenção básica. As perguntas se
di videm em v ariáreis categóricas nominais, no que diz respeito a
questões sobr e o perfil sócio-demogr áfico da amostra, e ordinais,
atr a v és da Escala de Likert, visando um maior aprofundamento
sobr e o tema.
PR OCEDIMENT OS
Após apro v ado pelo comit ê de ética em pesquisa com seres
humanos e liber ação da coordenador a do curso de fisioter apia,
foi r ealizada a coleta de dados no primeir o semestre de 2013,
r espeitando os critérios de inclusão e e x clusão.
O ingresso dos profissionais na pesquisa foi solicitado
a partir de um T ermo de Consentiment o Li vr e e Esclarecido,
r espeitando a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde,
que trata da pesquisa com ser es humanos, sendo informados
sobr e os objeti v os e procediment os da pesquisa onde o sujeito
ter á liber dade de interr omper sua colaboração em qualquer fase
da pesquisa, sem penalização ou pr ejuízo ao mesmo.
AN ÁLISE DE D ADOS
Os dados f or am or ganizados em uma planilha eletr ônica
do pr ograma Microsoft Office Ex cel, versão 2007 e analisados
atr a v és de estatísticas descritiv as simples, utilizando cálculos de
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
397
T ABELA 2 - Atribuições fisiot er apêuticas na atenção básica.
Atribuições
fisioterapêuticas na ABS
Sim Não Não sabe
Realizar
atendimentos na
USF N 11 0 14 00
% 88,71 1 1,29 0,00
Realizar
atendimentos em
domicílio N 124 00 00
% 100,00 0,00 0,00
Realizar palestras
educativas N 122 01 01
% 98,39 0,81 0,81
Realizar o
acolhimento e
escuta na USF N 85 35 04
% 68,55 28,23 3,23
Realizar ações
preventivas na
comunidade N 122 00 02
% 98,39 0,00 1,61
Atuar junto
aos grupos
prioritários N 11 6 06 02
% 93,55 4,84 1,61
Atuar junto às
gestantes N 111 05 08
% 89,52 4,03 6,45
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
398
Atuar junto aos
escolares N 100 15 09
% 80,65 12,10 7,26
Atuar junto aos
idosos N 123 00 01
% 99,19 0,00 0,81
Atuar junto aos
cuidadores N 122 01 01
% 98,39 0,81 0,81
Atuar junto à
equipe de saúde N 122 00 02
% 98,39 0,00 1,61
Encaminhamento
de pacientes para
uso de órtese/
prótese
N 109 06 09
% 87,90 4,84 7,26
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Acer ca da atuação fisiot er apêutica específica para alguns
grupos, inúmer as são as experiências anterior es, como afirma
Menegazzo et al (2010), e xpondo o fat o de que o fisioter apeuta
como profissional atuante na atenção básica tem influência
sob os di versos ciclos de vida. Na saúde da criança, atra vés do
acompanhamento do desen v ol vimento neur opsicomotor . Na saúde
escolar e do adult o englobando e pr ev enindo di v ersas patologias
cinético-corpor ais. Na saúde do idoso, pr omov endo uma melhor
qualidade de vida, assim como melhora da auto-estima. Na saúde
da mulher , desde a menarca at é o climatério, a ex emplo de grupos
temáticos como: gestantes, hipertensos, diabéticos, obesidade,
tuber culose, hanseníase, entre outr os.
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
399
Corrobor ando com o que foi dito e com os dados
colhidos, onde mais de 80% dos participant es da pesquisa
mostr ar am ser em conhecedor es de tais atribuições, experiências
fisioter apêuticas anteriores em alguns dos itens citados mostram
a importância deste serviço, como dur ante a atuação com um
grupo de idosos, sendo observ ado que a r ealização dos ex ercícios
de forma continuada e corr eta troux e gr andes benefícios par a a
população em questão, sendo estes físicos, ger ando uma maior
disposição para as atividades cotidianas, e também psicológicos,
constatando mudanças na maneira de enfr entar as dificuldades
do processo de en velheciment o e socialização (GONÇAL VES,
2011).
Por outr o lado, Joqueir a Neto; Blascovi- Assis (2009)
r econhecem os benefícios de ter um fisioter apeuta atuando
na escola, a partir de dificuldades encontradas na inclusão de
alunos com deficiência, onde o profissional dev eria voltar o seu
olhar também par a a orientação da equipe quanto a adaptar
as brincadeiras em que são observ adas necessidades especiais
de acor do com as habilidades motor as de cada um, assim
como adequar o espaço físico de f orma a gar antir uma livr e
mo vimentação.
Podemos ainda observ ar que o tema que causou maior
dú vida entre os entrevistados foi a participação do fisioter apeuta
na escuta e acolhimento (28,23%), dados que di v ergem em
r elação a este it em, porém entram em acordo com os demais
for am encontr ados, como Barbosa et al (2010), afirmando que a
inser ção do fisioter apeuta na ESF em Go v ernador V aladares foi
bem mais org anizada, com os pr ofissionais sendo en vol vidos nas
ati vidades de acolhimento, atendimento individual na unidade
e em domicílio, grupos operati v os e ati vidades educativ as,
com atenção a div ersos grupos prioritários, dependendo da
necessidade de cada ESF .
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
400
Com as análises r ealizadas acer ca de qual a ação mais
importante a ser ex ecutada pelo fisioter apeuta na A tenção Básica a
Saúde, pode-se v er clar amente que a visão da r eabilitação ainda está
intimamente ligada ao pr ofissional, quando mais da metade dos
participantes (54,03%) r esponderam o principal foco de atuação
er a a reabilitação de acamados, conforme mostr a o gr áfico 7.
Corrobor ando com esta análise, Gallo (2006) mostr a que
mesmo com a pr oposta de inser ção do fisiot erapeuta na atenção
básica, a grande maioria dos profissionais env olvidos não está
pr eparada para atuar em tal ár ea, muitas vezes com despr epar o
sobr e suas próprias atribuições, continuando com a visão voltada
apenas para a reabilitação indi vidual, sendo exposta clarament e
em estudo r ealizado com fisioter apeutas da ESF em Londrina.
Em concor dância com esta análise, a partir de um estudo
que analisou o trabalho do Agente Comunitário de Saúde (A CS)
e do fisioter apeuta na ABS, Loures et al, (2010) mostr am que a
inter ação entre est es pr ofissionais se dá pela necessidade de um
mediador , sendo este o AC S, para que se faça uma triagem dos
pacientes que necessitam na fisioter apia, selecionando assim as
visitas domiciliar es e os tr atamentos a ser em r ealizados. Dessa
forma, mantém-se a visão do profissional fisioter apeuta apenas
como r eabilitador , mesmo estando inserido na ABS, e deixando de
lado o agente inserido nas ações de educação em saúde.
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
401
GRÁFICO 4 - Principal ação a ser e x ecutada pela fisioter apia na atenção
básica.
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Quando falamos sobr e as dificuldades encontr adas pelo
fisioter apeuta nesta constante mudança de atuação, podemos
observ ar que a visão de um pr ofissional que f az uso de um
gr ande númer o de apar elhos em seu dia-a-dia ainda está bastante
enr aizada na cultura br asileira, sendo mostrada atr a v és dos 113
entr evistados (T abela 5) que acreditar am que a ausência deste
apar ato tecnológico se torna uma dificuldade na ABS. Além disto,
99 deles identificaram a ausência de um espaço na USF v oltado
par a o atendimento fisioter apêutico e 83 deles também incluíram
a gr ande demanda de pacientes necessitados de fisiot erapia.
Corrobor ando com esta análise, em pesquisa realizada por
No v ais, Brito (2011) en v ol v endo profissionais da ESF do Grotão,
foi recorr ente a ideia de que as atividades do fisioter apeuta estão
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
402
ligadas ao uso de um grande númer o de equipamentos ou a um
espaço físico especificamente pr ojetado par a este pr ofissional.
Além disto, Gallo (2006) e videncia as dificuldades
vi v enciadas por estes quanto à assistência domiciliar dos
pacientes, em virtude da grande demanda existent e de acamados,
devido o númer o r estrito dest es profissionais atuando na ABS.
T ABELA 3 - Possí veis dificuldades encontr adas pelo fisioter apeuta
na ESF .
Dificuldades
encontradas pelo
fisioterapeuta
Sim Não Não sabe
Grande
demanda de
pacientes N 83 29 12
% 66,94 23,39 9,68
Ausência de
um espaço
na unidade
voltado para
o atendimento
fisioterapêutico
N 99 19 06
% 79,84 15,32 4,84
Ausência de
aparelhagem e
outros insumos
voltados ao
tratamento
fisioterapêutico
N 11 3 07 04
% 91,13 5,65 3,23
Ausência de
transporte para
deslocamento
aos pacientes
domiciliares
N 91 27 06
% 73,39 21,77 4,84
Formação
assistencialista
desse
profissional
N 48 51 25
% 38,71 41,13 20,16
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
403
Maior número
de atendimentos
individuais N 85 27 12
% 68,55 21,77 9,68
Pouco
envolvimento
com as
atividades de
Grupo
N 45 67 12
% 36,29 54,03 9,68
Pouca adesão
dos pacientes
as atividades
educativas
N 60 57 07
% 48,39 45,97 5,65
Pouca
disponibilidade
das escolas
em realizar
atividades
fisioterapêuticas
preventivas
N 73 34 17
% 58,87 27,42 13,71
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Por ém, encontrou-se pequena div ergência no que se diz
r espeito a f ormação assistencialista do fisioter apeuta, quando
apenas 38,71% dos pr ofissionais afirmar am ser uma dificuldade,
por ém 20,16% deles ficaram em dú vida. Entr etanto, Ragasson et
al (2006), afirma que uma das maior es dificuldades encontradas
se dá pela sua própria formação acadêmica, que por muitas v ezes
continua seguindo um pensament o reducionista quanto à linha de
atuação do fisioter apeuta v oltada especificamente a r eabilitação,
corr oborando com estudo r ealizado por Carv alho, Caccia-Ba v a
(2011) mostrando que uma das barr eir as encontradas consiste no
pr óprio conhecimento da população que restringe a fisioter apia
como forma de r eabilitação.
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
404
Quando falamos sobr e os pro v á v eis benefícios de ter
um fisiot er apeuta na ESF , f oi unânime a resposta env olv endo a
pr ev enção de sequelas causadas por doenças, mostr ando ainda o
car áter reabilitador e voltado à doença da pr ofissão, mas também
a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, sendo afirmado
como benefício por 123 entrevistados, conf orme mostra a tabela a
seguir:
T ABELA 4 - Benefícios trazidos pelo fisioterapeuta na ESF
Benefício do
fisioterapeuta na ESF
Sim Não Não sabe
Melhoria da
qualidade de vida
dos pacientes N 123 1 0
% 99,19 0,81 0,00
Prevenção de
sequelas causadas
por doenças N 124 0 0
% 100,00 0,00 0,00
Diminuição
de terapia
medicamentosa
pelos pacientes
N 11 6 3 5
% 93,55 2,42 4,03
Diminuição de
encaminhamentos
para tratamentos
especializados e
internações
N 11 5 7 2
% 92,74 5,65 1,61
Diminuição de ônus
para o sistema de
saúde N 91 18 15
% 73,39 14,52 12,10
Fisioterapia na estr atégia saúde da família:
visão dos profissionais do serviço
405
Abordagem do
paciente de forma
integral N 11 4 5 5
% 91,94 4,03 4,03
Maior satisfação dos
pacientes quanto
ao serviço prestado
pelo município
N 11 8 5 1
% 95,16 4,03 0,81
F ONTE: Dados da pesquisa, 2013.
Consensualmente a essa análise, Aquino et al (2009)
descr ev e um projet o chamado de “Qualidade de vida ” , r ealizado
em Di vinópolis, onde são ex ecutadas atividades físicas e
orientações educativ as com fisioter apeutas e usuários de quatro
USF do município. No início e no final de 6 meses os participant es
r esponderam o questionário SF -36 (indicador de qualidade de
vida), onde f oi percebida a eficácia da interv enção fisiot er apêutica
a partir do aumento da grande maioria dos domínios env olvidos,
significati v amente no que se diz r espeito a melhora da capacidade
funcional e estado ger al de saúde.
Com todas as v ariá v eis que aqui for am expostas, podemos
observ ar que tr atar da inserção do fisioter apeuta na atenção
básica é de int eresse de toda a Equipe de Saúde da F amília, unindo
a maioria dos profissionais e até mesmo os usuários do serviço em
uma opinião única, de que é extr emamente importante a inclusão
do fisioter apeuta na equipe, assim como o r econhecimento
de atuações deste profissional como atitudes benéficas para a
população.
K aren Nóbrega Azev edo; Rafae la Gerbasi Nóbrega
406
C ONSIDERA ÇÕES FIN AIS
Os resultados colhidos atr a v és da análise dos dados da
pesquisa permitem-nos observ ar a importância de inser ção
do fisioter apeuta na atenção básica à saúde, inclusi v e sendo
r econhecida pelos demais profissionais já atuantes na ESF ,
identificando a assistência do mesmo como f ator primor dial
par a uma boa qualidade de vida dos usuários. Atr a v és disto, esta
pesquisa se tornou importante como forma de e xposição pública
destas inf ormações, ampliando o conhecimento da população e
incenti v ando o pensamento crítico dos profissionais e gestor es em
saúde sobr e tal inserção.
Entretant o, mesmo com os profissionais da Equipe
de Saúde da F amília reconhecendo a importância de ter um
fisioter apeuta junt o a eles, percebeu-se que a visão de reabilitação
ainda está intimamente ligada ao conceito da profissão, mesmo
ha v endo fuga da proposta da atenção básica, sendo de pre v enção
e pr omoção da saúde. A partir disto, percebemos que a atuação
do fisiot er apeuta como agente pr omotor de saúde ainda é pouco
di vulgada, necessitando de uma maior comunicação e exposição
de experiências desta forma para toda a população, assim
como uma maior conscientização dos próprios fisioter apeutas,
ampliando sua visão e focando em tais ações pr ev enti v as.
Desta f orma, conclui-se que o tema abordado ainda está em
pr ocesso de construção, enfr entando apoio de pr ofissionais e da
população, e também encontrando barreir as e obstáculos. Por ém,
nada disto é insuper áv el e, com bastante garr a, o fisioter apeuta
cada vez mais se consolida como um pr ofissional essencial par a
melhoria do bem-estar .
Andr ezz a Car los do V ale Melo; K ay F rancis Vieir a
498
estudantes do sex o masculino. Outra dificuldade encontrada
diz r espeito aos poucos estudos r efer entes a est es construtos no
ensino superior , sobr etudo, na tr ajetória final do curso. P or fim,
como este ou outr o assunto estudado não se esgotam, esperamos
que as informações apresentadas possam contribuir para nov os
estudos em r elação a estas v ariá veis de e xtrema r elev ância e
pr esentes no cont e xto acadêmico.
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CONSEQUÊNCIA S PSICOSSOCIAIS DO
CONSUMO DE DR OGA S EM P A CIENTES
EM TRA T AMENT O E EM SEUS
F AMILIARES
T er eza R aquel do C armo Macêdo de Oliveir a 1
K ay F rancis Leal Vieir a 2
RESUMO: O consumo de dr ogas é consider ado problema de
or dem social, pois tr az consequências físicas, psicológicas,
sociais e econômicas não só para o usuário, mas também
par a toda a família. Objetiv ou-se v erificar as consequ ências
psicossociais do consumo de drogas em pacientes e familiares de
dependentes químicos em tratamento. T rata-se de uma pesquisa
de campo, descriti va, quantitativ a e qualitati v a, realizada com
40 pacientes int ernos e 40 f amiliar es. Utilizou-se questionário
sociodemogr áfico e entre vista semi estruturada. V erificou-se que
o consumo de dr ogas tem maior pr ev alência entr e às idades de 12
a 17 anos, o álcool é a droga mais utilizada e os irmãos são os que
mais consomem dr ogas na f amília. Em relação às consequências,
os pacientes enf ocaram que per deram tudo, desde amizades ao
empr ego, desencadeando desestruturação financeira e familiar ,
além de doenças que essa dependência acarreta. Conclui-se, diant e
1 Concluiu o curso de Psicologia. Email: t er eza_r [email protected]
2 Orientador a. Mestre e Doutora em Psicologia Social pela Univ ersidade
F eder al da Par aíba. Docente do Curso de Psicologia do Centro Univ ersitário
de João P essoa – UNIPÊ.E-mail: ka yvieira@y ahoo.com.br
T ere za R aquel do C armo M. de Oliveira; K ay Fr ancis Leal Vieira
504
disso, que as dr ogas tr azem consequências desastrosas par a todo
o conte xto familiar .
P ala vras- cha v e: dr ogas; dependent es; família.
INTR ODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2007),
dr oga é t oda e qualquer substância, natur al ou sintética que,
intr oduzida no org anismo modifica suas funções. Esse termo
r epr esenta também qualquer composto de uso químico,
médico, diagnóstico, terapêutico ou pre venti v o, que pode lev ar a
dependência. (FERREIRA, 2004).
Nesse mesmo dir ecionamento, Costa (2004) r essalta que
essa substância modifica a função no organismo dos ser es vi vos,
o que implica em mudanças fisiológicas e comportamentais. Do
ponto de vista legal e jurídico, exist em as dr ogas li vr es, as quais as
pessoas maior es de 18 anos podem adquirir . Entretant o, observa-
se que, na pr ática isso não ocorre, sendo bastante comum a v enda
e o consumo de bebidas alcoólicas e cigarr os por adolescentes e
até crianças.
As dr ogas são utilizadas desde a antiguidade e r epresentam
um gra v e problema de saúde púbica, uma vez que ocasionam
consequências psicossociais para o indivíduo (MAR QUES; CR UZ,
2000). O uso destas vem aumentando consider a velment e, estando
cada dia mais pró ximas dos jov ens, sendo facilmente encontr adas.
Dessa forma, é consider ado problema de or dem social por sua alta
fr equência, pelas consequências para a saúde e, por conseguinte
par a t oda a sociedade (R OEHRS; LENARD T ; MAFTUM, 2008).
Pr atta e Santos (2006) acrescentam que o abuso e dependência de
dr ogas na atualidade relacionam-se a um desafio de abr angência
mundial, en v ol vendo inúmeros setores, já que diz r espeito a toda
a sociedade, e não apenas ao usuário, car acterizan do-se, portanto,
como um pr oblema social e de saúde.
Consequências psicossociais do consumo de dr ogas
em pacientes em tratamento e em seus familiar es
505
Segundo Sanchez, Oli veir a e Nappo (2004), um important e
fat or de risco ao uso de drog as é a baixa condição socioeconômica,
consider ada um grande estr essor e fat or de risco par a que jov ens
se tornem delinquentes. A própria adolescência seria outro fator
de risco, uma vez que, de acordo com a OMS (2007) o consumo
é iniciado entr e 10 e 19 anos, sendo que entr e estudantes
br asileir os, este início de consumo ocorr eria principalmente entre
10 e 12 anos.
Os fator es de risco ao uso de drogas são variados e têm
sido amplament e descritos na lit eratur a, podendo-se destacar:
o uso dessas pelos pais, a falta de integr ação às ati vidades
escolar es, desestrutura familiar , violência doméstica, a pr essão
de grupo, etc. Esses fat or es são muito semelhantes àqueles
que fazem parte da própria adolescência como os conflitos
psicossociais, a necessidade de integr ação social, a busca da
autoestima e de independência f amiliar (S ANCHEZ; OLIVEIRA;
N APPO , 2005).
Estima-se que um indivíduo em cada cinco faz usos de
dr ogas, com finalidades dif er entes ressaltando-se que o uso
dispar ado ger a alter ações psicoati v as e desarticula as relações
do indi víduo, diminuindo a sua qualidade de vida em todas as
gr andezas orgânica, familiar e social (BECK; D A VID , 2007). A
dependência química atinge mulheres e homens, de todas as
classes sociais, idades, grupos r aciais e étnicos, indivíduos com e
sem instrução, pr ofissionais especializados ou sem designação.
A tinge tamb ém recém-nascidos, que her dam a dependência
química de suas mães to xicômanas (CARLINI; et al, 2002)
No que se r efer e às consequências da dependência química
par a a vida do usuário e de seus familiares, sabe-se que, quando
o individuo começa a usar dr ogas, este tem perdas indi viduais e
familiar es, mudando o ambiente em que vi ve, ger ando conflitos
par a t odos os indi víduos, pois acaba mudando o equilíbrio
e o funcionamento desse conjunto de sistema que se chama
família. Entr etanto essas consequências não são apenas com a
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inser ção desta, mas também quando se tr ata do tr atamento dessa
dependência (BRA SIL, 2012).
É importante r essaltar que os usuários ficam e xpostos a
fat ores de riscos, o que resulta em di versas consequências para
si e para a sua família, pois estes têm a partir destas, disfunções
em relações aos seus pais, adquire pr oblemas de saúde mental,
se ex clui do âmbito f amiliar e passam a acompanhar amigos com
o mesmo vício, resultando em condutas não con v encionais, entre
outr as car acterísticas (F A CUNDO , 2007).
Pr atta e Sant os (2006) corrobor am no que tange outr as
car acterísticas que fazem parte das famílias dos dependentes
químicos, a saber , o afastament o afeti v o entre eles, pro v ocado pelo
vício e a dificuldade de comunicação entr e eles. Esta dependência
implica também nas r elações pr ofissionais e pessoais, tr azendo
pr ejuízos em todos os âmbit os.
P or fim, o uso de dr ogas pode int ervir par a os usuários
um déficit nos estudos, os deix ando de lado de vido ao vício e
acarr etar um pr ejuízo futuro no âmbito profissional, na r ealização
de metas pessoais, nas funções pat ernas, para pr ov er os cuidados
com os filhos, entre outros (B ARBOSA, 2012). P or isso é de suma
importância se ter o apoio mútuo entr e os membros, pois as
duas partes têm perdas em sua vida, e o tratament o para estes é
o primeiro passo par a a reconstrução desse longo caminho a ser
per corrido, que f oi destruído, dilacer ado pela dr oga.
O presente estudo buscou-se verificar as consequ ências
psicossociais do consumo de drogas em pacientes e familiares
de dependentes químicos em tratamento, identificando em qual
idade o consumo inicia-se e quais as dr ogas mais utilizadas.
Examinou-se ainda se as pr áticas culturais familiar es influenciam
o uso de drog as licitas e ilícitas; analisando como os dependent es
químicos e familiares compreendem as mudanças ger adas em
suas vidas por consequência das drog as e se esta prática interf eriu
no âmbito f amiliar e consequente as perdas.
Consequências psicossociais do consumo de dr ogas
em pacientes em tratamento e em seus familiar es
513
De acordo com a tabela acima, no que diz r espeito às
conseqüências geradas na vida do individuo pelas drog as, 67,5%
dos participantes r esponderam que estas f oram desastr osas,
que perder am tudo, emprego, família, casamento, bens materiais
entr e outr as coisas. T ais per das podem ser ilustradas atra vés dos
seguintes discursos: “ eu per di tudo... minha esposa foi embor a, não
tenho cont ato com meus filhos... vendi tudo que tinha pra comprar
drog as... Cheguei a viver c omo mendigo, dormindo nas ruas. ” .
A seguir são apr esnetados os r esultados obtidos atra vés
dos familiar es dos dependentes quimicos, cuja amostra f oi
composta por 40 participantes como e xplicitado ant eriormente.
Os dados sóciodemogr áficos encontr am-se na T abela 8.
T ABELA 6: Perfil bio-sócio-demogr áfico das famílias dos
dependentes químico – Estudo 2 (N=40)
V ARIÁVEL N %
Idade
18 à 29 anos 11 27,5
30 à 39 anos 03 7,5
40 à 49 anos 10 25
50 à 59 anos 09 22,5
Acima de 60 anos 07 17,5
Escolaridade
Analfabeto 07 17,5
Ensino Fundamental I 09 22,5
Ensino Fundamental II 10 25
Ensino Médio 10 25
Ensino Superior 04 10
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Religião
Católico 25 62,5
Evangélico 09 22,5
Espírita 02 5
Não Têm 04 10
Estado Civil
Casado (a) 22 55
Solteiro (a) 14 35
Divorciado (a) 01 2,5
V iúvo (a) 03 7,5
Renda Familiar
Nenhuma 03 7,5
Menos de 1 Salário 08 20
1 Salário Mínimo 15 37,5
Até 2 Salários
Mínimos 09 22,5
Mais de dois Salários 05 12,5
Grau de Par entesco
Irmão (a) 10 25
Mãe 09 22,5
Esposa 07 17,5
Outros 14 35
Os familiar es dos dependentes apr esentar am uma maior
pr ev alencia de idade entre 18 à 29 anos, com 27,5% da amostr a
em questão. Outr o grupo com maior númer o f oi com as idades
de 40 à 49 anos com 25% dos participantes entr evistados. Em
r elação a escolaridade, os participantes cursaram até o ensino
fundamental II e o Ensino Médio com 25% de pre v alencia para
cada v ariáv el.
Consequências psicossociais do consumo de dr ogas
em pacientes em tratamento e em seus familiar es
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No que tange a religião, mais da metade da população
pesquisada seguiam o catolicismo com 62,5% de participantes.
Em relação ao estado civil, 55% er am casados (as)e 37,5¨%
ganha v am um salário mínimo. Entr etanto é importante citar que
7,5% r elatam não possuir nenhuma r enda.
Em relação qual o gr au de parent esco com o interno,
este f oi bastante distribuido, com uma maior incidência para os
irmãos, 25% da amostr a, seguido pelas mães com 22,5%, esposas
17,5% e 35% distribuidos entre tios (as), primos (as), sobrinhos
(as), filhos (as) e pai.
T ABELA 7: O sentimento da família diante da descoberta
do uso de dr ogas (N= 40)
SENTIMENT O N %
Decepção 26 65
Desespero 07 17,5
Nenhum 04 10
Medo 03 7,5
No que concerne o sentimento da família diante de
descoberta do uso de drog as, 65% r esponder am no sentido de
ficar em decepcionado, não esper ando e nem imaginando que
isso poderia acontecer . T al sentimento pode ser ex emplificado
atr a vés dos seguintes discursos: “ Dec epção, não imaginav a que ele
iria usar drog as... Mal... é muito ruim, est ou me sentindo assim até
hoje, por que não queria isso... É um sentimento que não sei nem
explicar, lá em baixo, você se sente impotente diante do vicio do
outro, acho que dec epção por não e sperar isso de le... Insatisfação,
decepç ão e pena, eu estou falando por mim, por que por minha
família ele não vale nada, só eu e minha mãe que tem dado apoio...
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Jamais vou dizer que não o amo, por que todo vez que me olho no
espelho eu o v ejo (somos g êmeos)” .
T ABELA 8: Conseqüências geradas pelo uso de dr ogas (N= 40)
CONSEQUENCIAS N %
Desestruturação familiar 14 35
Desestabilização financeira 13 32,5
Doenças 10 25
Não houve conseqüências 03 7,5
Quando indagados sobr e as conseqüências que as drogas
ger ar am na sua vida e da família env ol vida, 35% dos familiar es
r elatar am a desestrutur ação f amiliar , caract erizada pelas brig as,
decorr entes das quais muitos membr os deixam de se falar . Já
32,5% r essaltar am a desestabilização financeir a, pois os usuários
acaba v am com o que tinha e até da sua família, vendendo ou
tr ocando para conseguir adquirir as drog as e manter o seu vicio.
Os discursos a seguir ex emplificam essas consequências: “São
tantas as c onseqüências... ele brigava c omigo sem motivo, com meus
irmãos, com minha mãe... Meu pai não f ala mais c om ele e o c oloc ou
de casa pr a fora...Quando est á drog ado c hega em c asa quebrando
tudo, eu não tenho mais nada, pois o que tinha quebr ou, vendeu...
Hoje nem paz eu tenho” .
T ABELA 9: Expectativ as do tr atamento (N= 40)
EXPECT A TIV AS N %
Recuperação – Lar gar o vicio 37 92,5
Nenhuma 03 7,5
Consequências psicossociais do consumo de dr ogas
em pacientes em tratamento e em seus familiar es
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Quando perguntado quais as e xpectati vas em r elação ao
tr atamento do seu f amiliar 92,5% responder am que este consiga
r ecuper ar-se dessa v ez, não v oltando ao vicio que acabou com a
sua vida. Esta expectati v a pode ser ilustr ada atr a vés dos seguintes
discursos: “ Que ele me lhore e não use mais as dr ogas... Que ele mude
e saia com v ontade de c ontinuar sem usar a drogas. ”
É importante citar também que 7,5% dizem não esperar
nada do tratamento, já que este deve ser iniciado pela f or ça de
v ontade do dependente, conforme pode-se observar nas seguintes
falas: “ Nenhuma, por que ele não quer ajuda, tudo ele coloc a defeito,
agor a mesmo e le vai sair daqui... já vi muito isso, infelizmente
é a verdade... Daqui a uns quinz e dias ele v olta par a o mundo das
drog as, queria est á errado” .
DISCUSSÕES
Em relação ao início do consumo, v erificou-se que a
maioria dos participantes começou a usar dr ogas entr e os 12 e 17
anos. R esultados semelhantes f or am encontr ados por Vieir a et al
(2007) que constatou que a idade par a o primeiro uso foi de 12,35
anos, com iniciação do álcool antes dos 14 anos. Os autor es ainda
r essaltam que o álcool é a dr oga mais utilizada em t odas as f aix as
etárias e que a cada dia, o consumo é feit o mais pr ecocemente,
ger almente entr e 12 a 15 anos de idade e isto r esulta num maior
risco de desen vol vimento de abuso e dependência de álcool.
Em r elação ao uso da maconha por parte dos participant es do
pr esente estudo (30%), Soldera (2004) verificou também que
essa f oi a dr oga ilícita mais utilizada (4,4% fizer am uso pesado de
maconha).
Os dados do present e estudo re v elaram também que
os irmãos (as) são os que mais utilizam as drogas, com 47,5% e
que o álcool te v e maior pre v alência. Em relação a esse resultado,
T ereza R aquel do C armo M. de Oliveira; K ay Francis Leal Vieir a
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Guimar ães (2009) ressalta que os irmãos além dos pais também
são uma grande influência para o uso de drogas. É um fator
indiscutí vel principalmente quando os pais não passam o papel
de cuidadores, as filhas mais velhas assumem essa taref a e serv em
de modelo, entretant o esse modelo os lev a a fator es de risco
principalmente quando estas são usuárias de dr ogas.
A liter atura e as pesquisas enf ocam que a droga de
maior incidência é o álcool e esta é utilizada par a di versos
fins, como em festas comemorati vas, de socialização e até
r eligiosos, entr etanto esta prática que une alegria, r epassa
agr essi vidade, desunião, desestrutur ação familiar , entr e outr os
fat ores negati v os e esta é a droga mais utilizada em todo o
mundo, tornando-se a porta de entrada para as outr as drogas.
(BR USAMARELO et al, 2008).
No estudo de Sancher e Nappo (2005) v erificou-se que
gr ande part e dos entr evistados r elatou env ol vimento sério de um
ou mais membros da família com pelo menos uma dr oga. Alguns
r elatar am env olviment o de familiar es com mais de três drog as e a
dr oga mais utilizada, mais uma v ez, foi o álcool.
Dados epidemiológicos de Carlini et al. (2002), compar ando
107 cidades brasileir as e norte-americanas, descrev er am que
o álcool é a dr oga mais usada no Brasil (68,7%). A taxa de
dependência par a as substâncias mais usadas é de 11,2% par a
álcool, 9,0% par a tabaco, 1,1% para benzodiazepinas, 1,0% par a
maconha, 0,8% par a sol vent es e 0,4% par a estimulantes.
Em relação às consequências do uso de drogas na vida
do indivíduo Nappo (1996) afirma que o usuário de drog as foca
suas energias e r ecursos no consumo e obtenção das drog as,
deix ando de lado e af astando-se de seus compr omissos como
tr abalho e atividades escolar es. Diante disso, Antônio Filho et al
(2007) r essalta que a pr esença das dr ogas na vida dos indi víduos
diariamente, é um tema muito difícil de ser tr atado, pois alguns
Consequências psicossociais do consumo de dr ogas
em pacientes em tratamento e em seus familiar es
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se ref er em a esta como algo negati vo e destruti v o, mas por outro
lado, muitos indivíduos a constroem de forma positi v a. O estudo
em questão mostr a que 12,5% dos participantes não vêm a droga
como algo destrutivo, com um discurso que estas não trouxeram e
nem trazem conseqüências par a a sua vida.
Barbosa (2012) ressalta que as perdas na vida do individuo
são desastr osas, pois atinge este em tr ês esfer as: comportamental,
biológico e social. Dessa f orma além das doenças ocasionadas
pelas dr ogas, o indi viduo começam a lidar com per das
significati vas como ex emplo a família, que é de suma importância
par a o seu tr atamento, deixa de lado o seu papel de pai, lidam
com a perda do emprego, entre outros. Schenk er e Mina y o (2003)
r essaltam a questão dos distúr bios pr o v ocados por esse abuso,
pois acaba sendo uma ameaça a saúde pública e f amília, lev ando
a este individuo a instabilidade financeira, per da de empr egos,
afastament o da f amília, abuso físico e psicológico. Além de
que a sociedade é atingida no que diz r espeito aos acident es
ocasionados pelo uso das dr ogas.
Vieir a et al (2010), em seu tr abalho realizado no Caps ad
de Campina Gr ande- PB, constatou que todos os entre vistados
classificar am as dr ogas como algo negati v o, desorganizador de
suas vidas, acarr etando o af astamento de familiar es, da r eligião,
de amigos e per da de bens materiais, também abuso físico e
psicológico no sentido de que alguns dos usuários chegam a um
gr au de depr essão tão f orte que pensam at é em suicídio.
Em r elação aos sentimentos da f amília diante da
descoberta do consumo de dr ogas de seus familiar es, Matos, Pinto
e Jorge (2008) r elatam em um estudo r ealizado em um Centro
de Con vi vência para dependentes químicos em F ortaleza-CE,
que os sentimentos pr esentes na convi v ência da f amília com a
dependência química de seu familiar são: “rai v a ” , “tristeza ” , “pena ” ,
“impotência ” , “repulsa ” , “re volta ” , “decepção ” e “preocupação ” .
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