Projeto integrador institucional: uma visão interdisciplinar
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Projeto integrador institucional: uma visão interdisciplinar Organizado por: Mariana de Brito Barbosa, Erika Aranha Fernandes | Unipê: João Pessoa, 2019 | 218 páginas ISBN 978-85-87868-93-0 ORGANIZADORES MARIANA de brito barbosa Erika Aranha Fernandes PRODUÇÃO EDITORIAL Núcleo de Publicações Institucionais (NPI) COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Filipe Carvalho de Almeida DIAGRAMAÇÃO Raiff Pimentel Félix Almeida DOI: 10.5281/zenodo.17602698
APRESENTAÇÃO O desenvolvimento de projetos integradores (PI) no âmbito dos cursos do Centro Universitário de João PessoaUNIPÊ tem como finalidade promover a aprendizagem de forma interdisciplinar, na qual o estudante amplie sua capacidade para relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal e profissional, tendo em vista romper com a compartimentalização do conhecimento para uma compreensão da totalidade. A interdisciplinaridade visa relacionar as unidades curriculares em atividades (projetos) de estudo, tornando-se uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos de cada curso. Ocorre de forma processual, ao longo dos períodos letivos, buscando uma aprendizagem significativa, autônoma, centrada nas relações e nos procedimentos e promovendo a socialização dos resultados e avaliação da aprendizagem. Constituem-se como objetivos dos projetos integradores: I - Abordar a conexão e o sentido globalizante das relações entre as diversas fontes e áreas de conhecimento, e os procedimentos para compreendê-las e utilizá-las, num enfoque interdisciplinar, tendo os professores como facilitadores desse processo; II - Permitir uma metodologia de ensino e aprendizagem, na qual o processo de reflexão e interpretação seja estimulado na relação entre o ensinar e o aprender; III - Possibilitar uma nova dinâmica na organização curricular a partir do estabelecimento de temáticas integradoras, trabalhadas em cada período letivo; IV - Desenvolver um marco integrador a partir de temáticas articuladas interdisciplinarmente, desencadeando em atividades fora do espaço de sala de aula, como trabalho efetivo discente processual e autônomo; V - Trabalhar diferentes possibilidades e interesses dos estudantes, de forma que estes não fiquem desconectados e encontrem significado para participar da sua aprendizagem. O seu desenvolvimento estimula o senso de curiosidade dos discentes, a necessidade de saber e compreender a realidade, além de provocar reflexões críticas e novas interpretações e tomadas de decisão frente aos processos da aprendizagem. Propõe-se assim, uma estrutura adequada à formação profissional com visão crítica, não apenas atento às exigências do mercado, mas principalmente, capacitado para contribuir com o avanço da sociedade, como cidadão, gerador e disseminador de conhecimentos e ideias. Nesse contexto, no início de cada período letivo, os professores dos cursos, NDE e coordenadores se reúnem com o objetivo de planejar as atividades que serão desenvolvidas nos campos de formação, as quais poderão ser de cunho teórico e prático. Para dinamizar o planejamento dessas atividades, cada professor traz propostas dos programas de suas unidades curriculares e sugestões para atividades interdisciplinares, para concretização e consolidação
das competências necessárias à formação profissional, correlacionadas por uma temática, em conformidade com o curso, com o período letivo em desenvolvimento e seu Projeto Pedagógico, a fim de que seja possível selecionar um aspecto relevante a ser explorado. O PI elaborado no decorrer do semestre letivo, é coordenado por um dos professores das unidades curriculares, abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade à luz das temáticas que contemplam a maioria das disciplinas de cada semestre letivo. São eleitos temas transversais aos períodos que possibilitem o desenvolvimento de projetos e atividades que integrem as unidades na perspectiva do atendimento ao princípio da interdisciplinaridade. Todas estas atividades resultarão em um produto a ser apresentado pelos discentes ao término de cada período letivo. As atividades realizadas durante a execução dos PIs são registradas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), em sala específica para este fim, sob gestão do professor integrador e acompanhamento da Coordenação do Curso e culminam em um relatório final apresentado a Pró-Reitoria Acadêmica e também, em uma Mostra Pública de Atividades. O primeiro caderno do Projeto Integrador – PI é uma coleção das atividades produzidas nos cursos de Graduação, que ocorre semestralmente no UNIPÊ direcionado aos discentes sob as óticas da inovação e que, para além dos seus inúmeros benefícios de aprendizagem ativa, atua como estratégia pedagógica de integralização da carga horária de cursos, atendendo ao disposto nas Resoluções CNE/CES nº 02/2007, 3/2007 e 04/2009, a Resolução CONSEPE Nº 88/2009 e Resolução nº15/CONSEPE de 01 de setembro de 2016. Este Caderno traz 18 trabalhos desenvolvidos e apresentados durante o semestre de 2017.2 que teve como tema central: “Projeto Integrador Institucional: uma visão interdisciplinar”. Boa Leitura!
SUMÁRIO ARQUITETURA + URBANISMO: CONSTRUÇÃO DA DUPLA INTEGRAÇÃO ..................................8 APLICAÇÃO DO TEMA CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO CONTEXTO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO ...............................................21 PROJETO INTEGRADOR ENQUANTO MODALIDADE DE DESENVOLVIMENTO DA INSTERDISCIPLINARIDADE E DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA DOS DISCENTES DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS ............................................................35 A EDUCAÇÃO FÍSICA COM SUSTENTABILIDADE E SUAS RELAÇÕES COM AS BOAS PRÁTICAS DO MOVIMENTO ............43 Projeto Integrador do Curso de Graduação em Enfermagem: Articulando ações e aprendizados .......54 O projeto Integrador no Curso de Engenharia Civil: Uma metodologia ativa .....................66 INTEGRANDO SABERES E FAZERES NA FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA ...................81 Projeto Integrador: contribuições para o desenvolvimento do Egresso de Fonoaudiologia ........93
APLICAÇÃO DO TEMA CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO CONTEXTO DO CURSO DE GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ..............................................106 DESIGN E EDUCAÇÃO: REFLEXOS DA INTERDISCIPLINARIDADE NA REQUALIFICAÇÃO DE AMBIENTES ....................................119 COMPETÊNCIAS DE MERCADO VERSUS INTERDISCIPLINARIDADE: UM DESAFIO DO PROJETO INTEGRADOR NA CONSTRUÇÃO DO PROFISSIONAL DE LOGÍSTICA ................................................134 PROJETO INTEGRADOR NO CURSO DE MEDICINA: UMA ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA ............................................149 Projeto Integrador Design de Moda ..............................160 Atividades integradoras na formação do Cirurgião Dentista generalista e promotor de Saúde Bucal ......172 Estratégias de Ensino e Aprendizagem Interdisciplinar: uma vivência teórico-prática do curso de Psicologia .....................................................184 APLICAÇÃO DO TEMA CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO CONTEXTO DO CURSO DE REDES DE COMPUTADORES .............................192 APLICAÇÃO DO TEMA CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO CONTEXTO DO CURSO DE SISTEMAS PARA INTERNET .............................205
8 ARQUITETURA + URBANISMO: CONSTRUÇÃO DA DUPLA INTEGRAÇÃO Kelly Christine Silva de Lima - [email protected] Pier Paolo Bertuzzi Pizzolato - [email protected] Deborah Padula Kishimoto - [email protected] Mirella de Almeida Braga - [email protected] Christiane Nicolau Rosendo Ferreira - [email protected] José Giuseppe Pereira Branquinho - [email protected] RESUMO A estratégia de criação e execução dos Projetos Integradores (PIs) nos cursos do UNIPÊ e em especial no curso de Arquitetura e Urbanismo, visa a promoção de um aprendizado significativo e singular para os discentes. O curso historicamente é marcado por uma densa quantidade de atividades (teóricas, promovendo a leitura e discussão de textos, através da produção e análise de textos e das diversas práticas por meio de desenhos projetuais) e de conteúdos que diante das diretrizes do Ministério da Educação (MEC), o torna de caráter generalista. Toda a multidisciplinaridade presente no curso é traduzida nas possibilidades de criação de exercícios e projetos dentro do âmbito da Arquitetura e Urbanismo. Desta maneira, o objetivo deste artigo é o de relatar a experiência do planejamento dos projetos integradores do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa – Unipê; com ênfase na escolha de temáticas e produtos aplicados. Toda a metodologia utilizada foi baseada na Resolução n.º15/CONSEPE do UNIPÊ, desde a divisão de carga horária quanto a operacionalização dos projetos integradores. A escolha de temáticas e produtos das séries ingressantes tem o objetivo de introduzir o ingressante no universo profissional, e das séries seguintes é o aperfeiçoar os conhecimentos adquiridos e fomentar a atitude autônoma e reflexão crítica sobre a produção da Arquitetura, do Urbanismo e da paisagem. Palavras-chave: Projeto Integrador. Arquitetura e Urbanismo. Interdisciplinaridade. INTRODUÇÃO A estratégia de criação e execução dos Projetos Integradores (PIs) nos cursos do UNIPÊ e em especial no de Arquitetura e Urbanismo, visa a promoção de um aprendizado significativo e singular para os discentes. Regido pela Resolução n.°15/CONSEPE (UNIPÊ, 2016), os PIs possuem como objetivo a interdisciplinaridade dos conteúdos por meio de um trabalho que
9 traga para o estudante a realidade dos questionamentos profissionais em face aos conteúdos programáticos apreendidos durante a formação. O curso de Arquitetura e Urbanismo é marcado por uma densa quantidade de atividades (desde teóricas por meio de leituras, produção de textos, quanto práticas por meio de projetos e desenhos) e conteúdos, que diante das diretrizes do Ministério de Educação (MEC), o torna de caráter generalista possibilitando ao egresso um leque muito abrangente de possibilidades de atuação profissional, através das competências, atitudes e habilidades adquiridas. Desde conteúdos sobre o projeto arquitetônico e urbanístico acerca da importância da conservação do patrimônio histórico e das novas tecnologias de construção, o curso apresenta ao discente um amplo espectro de atividades. Toda essa multidisciplinaridade presente no curso, de acordo com Cunha et al. (2005) se traduz nas possibilidades de criação de exercícios e projetos dentro do âmbito da Arquitetura e Urbanismo. Esta condição traz duas problemáticas, a de como integrar algo integrado por natureza e a de como criar um exercício suficientemente atrativo ao aluno que possui uma elevada carga horária? Lúcio Costa (COSTA, s/p) afirma em determinado texto endereçado ao aluno – “Interessa ao estudante” -, que a qualidade obtida na produção arquitetônica parte da capacidade de percepção, curiosidade e autonomia que o mesmo precisa desenvolver, pois haverá situações em que os professores não serão capazes (dada a infinidade de condicionantes envolvidas com o problema projetual) de passar todos os conteúdos necessários a criação em arquitetura. Tal observação ratifica a ideia dos projetos integradores como instrumentos de desenvolvimento da autonomia dos alunos. Barros (2013) discute a importância de entender que o aprendizado e o ensino de Arquitetura e Urbanismo vão além do saber-fazer o projeto. A experiência profissional só se mostra completa quando a discussão sobre a essência da produção da cidade e suas relações com a cultura, história e sociedade são somadas como presente. A reflexão crítica sobre a qualidade presente na profissão também colabora para a importante formação do egresso. Com isso, a noção da interdisciplinaridade no ensino da Arquitetura e Urbanismo, defendida por alguns autores (CUNHA et al, 2005; ONO e THOMAZONI, 2013; CABRAL, 2015; MARTINS e TERÇARIOL, 2016) se confunde com a integração proposta pela ideia do projeto integrador. Desta maneira, o objetivo deste artigo é o de relatar a experiência do planejamento dos projetos integradores do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa – Unipê; com ênfase na escolha de temáticas e produtos aplicados. Em que a preocupação por realizar as leituras e diagnósticos dos produtos, direcionou o planejamento a uma costura das temáticas trabalhadas nas disciplinas a cada semestre, com isso evitando a repetição ou a sobreposição de trabalhos em semestres distintos. METODOLOGIA A metodologia utilizada para o desenvolvimento dos projetos integradores do curso de Arquitetura e Urbanismo, foi elaborada de acordo com as recomendações da Resolução n.º15/
16 Então com um nível de aprofundamento maior, as equipes devem fazer uma análise de um projeto residencial relevante para o cenário da produção arquitetônica e produzir um vídeodocumentário sobre a residência. Um cardápio de escritórios reconhecidos no Brasil quanto às suas produções de projeto dentro da temática de habitação é passado para os alunos com alguns parâmetros formais e funcionais a serem observados, diagramados e analisados. Este produto tem o objetivo de desenvolver nos discentes, competências e habilidades quanto as tomadas de decisões no exercício projetual, entendo as condicionantes e tendo repertório para projetar, além do quesito da apresentação de sua produção projetual, fator que pode direcionar o egresso para ser um diferencial no mercado; além ser citado como um instrumento de aprendizagem significativo nas diretrizes curriculares para Arquitetura e Urbanismo (MEC, 2010). Grandes escritórios e arquitetos atualmente utilizam-se de todos os recursos midiáticos disponíveis para a promoção da produção arquitetônica; sendo este um diferencial para a formação do egresso no Unipê. Nas séries seguintes, na quinta e sexta, as competências e habilidades adquiridas pelos discentes possuem o foco no entendimento e na produção da arquitetura, do urbanismo e da paisagem de modo integrado. Sendo assim, a produção da cidade desde a escala do espaço interior até a escala do espaço exterior é estudada, compreendida e trabalhada. Então no dimensionamento das temáticas destas séries, foi levado em consideração a integração existente entre as produções arquitetônicas e urbanísticas na produção da paisagem. Vale salientar que os recursos utilizados são determinados por sua própria natureza, compreendido e trabalhado na produção arquitetônica/urbanística e a paisagem em si. Assim, na quinta série, os discentes por meio da temática “Semeando o Urbano e Arquitetura” apresentam uma exploração dos espaços urbanos, registrando-os por meio de fotografias, montando uma Exposição Fotográfica contextualizada. Para o registro e montagem da exposição, as equipes devem observar, refletir e analisar criticamente os espaços, utilizandose dos conteúdos das unidades curriculares, das bibliografias indicadas pelos professores orientadores, e colocar em prática todo o embasamento teórico-prático obtido até o momento no curso (Figs. 08 e 09). As fotografias devem acompanhar um texto breve analítico, resultado da leitura do lugar, realizada especialmente na unidade curricular Planejamento Urbano e Ambiental I. Figuras 08 e 09: Imagens da apresentação e da exposição fotográfica da quinta série. Fonte: Relatório do Projeto Integrador, 2017.
17 Já na sexta série, os discentes com mais de cinquenta por cento do curso possuindo um bom embasamento teórico-prático no exercício das atividades do arquiteto e urbanista, foram instruídos a aperfeiçoar a leitura do lugar e da paisagem, aprofundando sua reflexão crítica sobre a atuação profissional existente na cidade. Seguindo este contexto, o tema do projeto integrador foi definido como “Verticalização, Paisagem e Arquitetura”. A partir deste conceito os alunos pesquisaram sobre assuntos relacionados à verticalização existente no município de João Pessoa confrontando criticamente seus impactos positivos e negativos. Esta atividade é compatível com o nível de complexidade que o aluno neste ponto do curso pode acompanhar e tem como objetivo a produção de uma análise do impacto da temática (parte do conteúdo central da unidade curricular Projeto Arquitetônico IV, disciplina que conduz o projeto integrador nessa série); trabalhando a ideia da identidade e da paisagem da cidade (Fig. 10). Figura 10: Imagem da apresentação e da exposição de quadrinhos da sexta série. Fonte: Relatório do Projeto Integrador, 2017. Sendo assim, as equipes apresentaram os resultados desta análise do processo de verticalização em painéis expositivos com desenhos e textos (Fig. 11), sendo este o produto deste projeto integrador. Como as atividades de incentivo à criatividade e à livre criação são sobrepostas aos conteúdos técnicos essenciais neste momento do curso, houve uma preocupação em trazer este aspecto novamente para o projeto integrador. Deste modo, a reflexão pode ser romantizada em forma de estória em quadrinhos, exercitando o desenho de uma maneira livre e lúdica, um bálsamo em meio a conteúdos normativos e técnicos presentes nas unidades curriculares desta série. No semestre 2017.2, houve também uma exposição com os melhores resultados nos corredores do bloco I, compartilhando o conhecimento debatido, promovendo uma maior integração (Fig. 11).
18 Figura 11: Imagem da exposição dos melhores trabalhos do P.I Fonte: Relatório do Projeto Integrador, 2017. A escolha do produto da sétima série partiu do tema “Insustentabilidades Urbanas”, guiado pelo componente Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo VI que comenta as experiências urbanas e suas repercussões com a cidade atual nas suas insustentabilidades. Assim, foi formatado um produto que unisse a percepção das equipes sobre os problemas urbanos e a tecnologia, constituindo-se o Mapa Interativo das insustentabilidades. Por meio de análise de uma poligonal da cidade, identificação das problemáticas e análise das mesmas no contexto dos conteúdos programáticos explorados no semestre, as equipes irão utilizar recursos interativos e digitais para expor os resultados obtidos. Na oitava série, a temática explorada nas unidades curriculares Projeto Arquitetônico VI, Restauro II e Projeto Urbano e Ambiental IV levaram a escolha do tema “O patrimônio presente em nós” que levanta a discussão sobre a necessidade de preservação e conservação de sítios e objetos históricos. Desta forma, diante de uma série com componentes bastante integrados em torno de uma poligonal inserida dentro dos limites de tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e dos conteúdos que versam sobre o contexto, que as atividades integradoras são dimensionadas para a criação de uma maquete com o resultado das análises e percepções das equipes em torno da experiência com as condicionantes históricas aplicadas ao processo de conservação e revitalização de objetos arquitetônicos. Por fim, os resultados obtidos com os Projetos Integradores (ainda embrionários na sétima e oitava série que estão com propostas em andamento) trazem a cada semestre letivo a oportunidade de reavaliar as estratégias de ensino e integração que devem fazer parte do curso de ensino superior para o alcance de competências e habilidades necessárias ao profissional de destaque e qualidade no mercado. A maior dificuldade registrado até o presente momento diz respeito ao cumprimento dos prazos estabelecidos pelos registros de atividades, não só pelos
19 alunos, mas pelos professores, dada a dinâmica do curso em períodos de avaliação da terceira unidade. Contudo, compreendida as dificuldades iniciais de entendimento das propostas de integração, ocorreu uma percepção de melhoria no processo de ensino-aprendizagem, especialmente por atribuir maior possibilidade para o aluno ser o protagonista de sua própria formação. CONSIDERAÇÕES FINAIS As experiências com a implantação dos Projetos Integradores do curso de Arquitetura e Urbanismo são recentes e iniciadas no semestre letivo 2016.2, estando em constante aperfeiçoamento. Visto que o produto principal da atividade do Arquiteto e Urbanista, o projeto arquitetônico e/ou urbanístico já é em sua natureza uma atividade de integração dos conteúdos transversais vistos no curso. Os temas que são apresentados como indicadores dos produtos a serem gerados de acordo com a série em curso, indicam perspectivas para a sua problematização, de maneira que ocorra uma articulação das competências dos discentes. Diante dos resultados obtidos, foi possível perceber mudanças substanciais no processo de ensino-aprendizagem no curso, sendo possível citar: - Promoção de uma reflexão crítica do corpo docente sobre as suas práticas em sala de aula, metodologias utilizadas e instrumentos de avaliação aplicados; - Reflexão crítica sobre a disposição de conteúdos programáticos de modo horizontal e vertical ao longo da Matriz curricular vigente; - Maior desenvolvimento da autonomia dos discentes, por meio da liberdade oferecida pelo projeto integrador, fazendo-o o agente principal no desenvolvimento das propostas; - Desenvolvimento da criatividade e da capacidade de inovação das equipes na execução dos produtos propostos; As mudanças listadas acima trazem uma melhoria no desenvolvimento do curso e se mostram como um instrumento importante para a revisão da matriz curricular e do perfil do egresso, visto que, as propostas desenvolvidas trazem a criação de produtos dinâmicos e que estimulam a criatividade e a capacidade de inovação; qualidades essenciais aos novos profissionais que serão inseridos no mercado de trabalho. REFERÊNCIAS BARROS, A. F. P. Permanências e perspectivas no ensino de projeto de arquitetura no Brasil: uma análise a partir da produção científica dos Seminários UFRGS (1985) e Projetar (2003-2011). Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo), Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2013. BISELLI, M. Teoria e prática do partido arquitetônico. Arquitextos Vitruvius, 134.00, 12, jul. 2011.
20 CABRAL, C. C. Interdisciplinaridade e inovação: duas perguntas sobre arquitetura e preservação do patrimônio moderno. In: 4º Seminário Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, outubro de 2015. CAU. Resolução n.º 51, de 12 de julho de 2013.Atribuições privativas dos Arquitetos e Urbanistas. Brasília: Conselho de Arquitetura e Urbanismo, 2012. COSTA, L. “Interessa ao estudante”. In Registro de uma vivência. Op. cit., p.116. CUNHA, E. G.; KALIL, R. M. L.; GELPI, A.; ROSSETTO, A. M.; VASCONCELOS, L. Interdisciplinaridade como proposta de ensino de projeto de arquitetura. PROJETAR, II Seminário sobre Ensino e Pesquisa em Projeto de Arquitetura, Rio de Janeiro, maio de 2005. KOWALTOWSKI, D. C. C. K. (org.). O processo de projeto em arquitetura. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. LAKATOS, Eva Maria. MARCONI, Marina. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1993. MARTINS, D. D.; TERÇARIOL, A. A. de L. A busca da interdisciplinaridade nas disciplinas de projeto arquitetônico no curso de graduação em arquitetura e urbanismo. Revista Ibero-americana de Estudos em Educação, v.11, n.3, p.1352-1371, 2016. Disponível em: http://seer.fclar.unesp.br/ iberoamericana/article/view/7548/5914. Acesso em Set./2017. MEC. Resolução n.º 2, de 17 de junho de 2010. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Arquitetura e Urbanismo. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 2010. ONO, R.; THOMAZONI, A. L. A interdisciplinaridade da arquitetura do ponto de vista dos usuários. Arquitextos Vitruvius, 143.01, 12, nov. 2013. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/ read/resenhasonline/12.143/4946. Acesso em Set./2017. SILVA, E. Uma introdução ao projeto arquitetônico. Rio de Janeiro: Editora da UFRGS, 1998. UNIPÊ. Resolução n.º 15. João Pessoa: CONSEPE, 2016. ______b. Resolução CONSEPE n.º17B/20.11.2012. Matriz Inovadora do curso de Arquitetura e Urbanismo. João Pessoa: CONSEPE, 2012.
21 APLICAÇÃO DO TEMA CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO CONTEXTO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO Thatyana Dias Guerra - [email protected] Gustavo Henrique de Carvalho Costa - [email protected] Hugo Vieira Lucena de Souza - [email protected] Renarte Dantas de Araújo - [email protected] Renato A. Leite - [email protected] RESUMO O Projeto Integrador (PI) atua no contexto do curso de Ciência da Computação como diferencial pedagógico para a formação do perfil do egresso. Organiza-se em todos os períodos letivos do curso, com temáticas que integram suas unidades curriculares, objetivando o desenvolvimento de uma ação interdisciplinar que culmina na proposição de produto com características inovadoras concebidas a partir de um problema do mundo real. Esse esforço se reflete no desenvolvimento de habilidades teórico-práticas, que contribuem para a sua atuação no mercado de trabalho. Dentro deste cenário, os discentes são incentivados a desenvolverem competências relacionadas ao empreendedorismo e modelagem de negócios, por meio da criação de Startups, utilizando a temática “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”. Os discentes evoluem habilidades relacionadas a prática da gestão de um projeto de software por meio de etapas que vão desde a análise do projeto e viabilidade do negócio, até a gestão das tarefas, homologação, testes e entrega de um protótipo. Dessa forma, o PI desenvolve várias competências do século 21 relacionadas a criatividade, inovação, a capacidade de abstração e resolução de problemas. Palavras-chave: Cidades Inteligentes. Projeto Integrador. Startups. Empreendedorismo.
22 INTRODUÇÃO O Curso de Ciência da Computação objetiva formar profissionais capacitados para atuar na área da Computação voltando-se para sistemas que atuam no contexto da Internet, com formação sólida e prática para especificar, modelar, desenvolver e testar interfaces, sistemas, aplicativos, jogos, comércio e marketing eletrônico, além da criação de sítios e portais em ambiente de Internet e Intranet. Dessa forma, os Projetos Integradores (PIs) visam proporcionar aos alunos uma experiência prática e interdisciplinar através da aplicação de estudos de caso a partir de competências obtidas ao longo do curso. Ao participar do PI o estudante amplia sua capacidade para relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal e profissional. Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo detalhar a operacionalização do PI dentro do curso, a partir de sua metodologia, ações e resultados. A temática aplicada no ano de 2017 foi “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”. Este ano foi trabalhado este tema objetivando possibilitar aos alunos a construção de soluções que permitam às cidades a utilização da tecnologia aplicada às suas várias vertentes: mobilidade, saúde, energia, sociedade, segurança, abastecimento de água, educação, entre outras. Para entendimento inicial, serão destacados os objetivos do PI aplicado no semestre 2017.2: Favorecer a conexão, sentido e relações entre diversas fontes e áreas de conhecimento; Permitir reflexão e novas interpretações frente aos processos da aprendizagem; Desencadear atividades fora de sala de aula, trabalhando diferentes possibilidades e interesses dos estudantes favorecendo o desenvolvimento de novas competências e habilidades; Criar modelos de negócio através do desenvolvimento de ideais inovadoras, dentro do contexto de Startups, com o objetivo de propor um produto através da modelagem e da implementação de aplicativos, games, sistemas, sistemas embarcados, portais, entre outros. Nesse contexto, a abordagem desenvolvida para o PI traz como diferencial para a formação do aluno do Curso de Ciência da Computação, o estímulo ao senso de curiosidade, a necessidade de saber e compreender a realidade, além de provocar reflexões críticas, novas interpretações e tomadas de decisão frente aos processos da aprendizagem. Para a materialização do PI, os alunos são estimulados a desenvolverem habilidades e interesse em projetar e gerenciar a tecnologia da informação dentro da temática principal. O foco do desenvolvimento do PI é a criação de um produto, dentro de uma ideia de negócio para uma Startup. O conceito Startup (RIES, 2012) está no contexto de uma realidade vivida pela área de TI, principalmente nos últimos anos, com o surgimento das empresas nascentes no vale do silício, como Google e Facebook. Dessa forma, esta proposta auxilia no alinhamento dos objetivos do curso com as perspectivas de mercado de trabalho e empreendedorismo. A próxima seção detalha a metodologia destacando como acontece o processo de criação da Startup e quais os artefatos entregues durante a execução do PI.
23 METODOLOGIA Para alcançar os objetivos foi utilizada uma metodologia que teve como premissa a exploração de diversas áreas de atuação, com intuito de observar o mercado e as tendências, objetivando encontrar cenários onde as TICs podem ser aplicadas, para com isso, expandir o conhecimento, criar competências profissionais e ampliar a visão sinérgica com o mundo real. Nesse cenário, a Figura 1 apresenta o desenho da metodologia, destacando o processo que os alunos devem seguir durante o desenvolvimento do projeto integrador. Figura 1: Desenho da Metodologia do PI Fonte: Próprio Autor A metodologia do PI segue os seguintes passos: em um primeiro momento é desenvolvido o modelo de negócios, a partir da definição de qual produto vai ser implementado e do público alvo, dentro do contexto de uma Startup. Na sequência, é produzida uma Landing Page, incluindo identidade visual com abordagem comercial, com o objetivo de apresentar o produto, seus diferenciais e os artefatos desenvolvidos. O próximo passo é o desenvolvimento de protótipos de interface (Mockups), incluindo a navegabilidade entre as telas. Após a prototipação, os alunos desenvolvem uma prova de conceito, seguindo o processo Minimum Viable Product (MVP) (RIES, 2012) que consiste em uma versão inicial do produto passível de testes. Por fim, os resultados são apresentados no Fórum dos Projetos Integradores (ver Figura 2). A proposta do evento é criar um ambiente interativo onde palestras e as apresentações dos trabalhos acontecem simultaneamente. Neste evento, a comunidade de empresários da
24 região tem a oportunidade de conhecer os projetos e o potencial dos discentes, esta ação cria um ambiente propenso a realização de parcerias e contratações. A proposta geral do PI tem em sua essência uma abordagem que encoraja os discentes a pensarem de forma empreendedora. Consideramos esta característica de grande relevância para a formação do egresso. Além disso, o tema Cidades Inteligentes e Sustentáveis incita a necessidade de estudo de novas tendências de mercado, através da convergência com tecnologias emergentes. Figura 2: Fórum Integrador Fonte: Próprio Autor Resumindo, o PI garante aos graduandos desenvolverem suas capacidades de fundamentação teórico-prática, preparando-se para o pleno exercício da sua futura carreira. São estes aspectos que caracterizam a participação dos discentes em atividades acadêmicas, dentre outras vinculadas às unidades curriculares do curso, com o propósito de desenvolvimento de uma prática pedagógica indisciplinar. A realização de uma ação interdisciplinar como o PI em Curso de Tecnologia, como Ciência da Computação, traz inúmeras vantagens ao processo da aquisição do perfil do egresso, uma vez que favorece a aprendizagem da pesquisa de públicoalvo; a criação e confecção de espaços e produtos em função de temáticas específicas, levando o aluno à simulação de trabalho no mercado real; o exercício do desenvolvimento de ações de planejamento e execução de sistemas web, sistemas embarcados, aplicativos, games, landing pages, estratégias de marketing para o produto, entre outras.
25 MINIMUM VIABLE PRODUCT (MVP) O produto mínimo viável (do inglês, Minimum Viable Product - MVP), é a versão mais simples de um produto que pode ser disponibilizada para o negócio. O MVP determina quais são as funcionalidades mais essenciais para que se tenha o mínimo de produto funcional que possa agregar valor para o negócio e que possa ser efetivamente utilizado e validado pelo usuário final (produto viável) (RIES, 2012). A Figura 3 apresenta o workflow do processo de desenvolvimento do MVP. Em linhas gerais, indicando um termo com maior relação na academia, o MVP é similar a uma prova de conceito ou protótipo. Figura 3: Workflow de desenvolvimento do MVP Fonte: (RIES, 2012) Dessa forma, entende-se que a criação de um MVP tem uma abrangente aderência com a proposta de desenvolvimento do projeto integrador em questão. MODELO DE NEGÓCIO - CANVAS A Figura 4 apresenta a proposta de Canvas utilizado neste PI, baseado no Lean Canvas (RIES, 2012). A modelo se apresenta como sendo um facilitador para as etapas de ideação, modelagem e proposição, em torno da definição de uma solução/produto que objetiva resolver um problema no mundo real. Esta versão foi proposta pela coordenação de curso e membros do NDE, com a validação de alguns docentes da área.
32 Figura 6: Semáforo Inteligente Fonte: Grupo “Semáforo Inteligente” do Curso A Figura 7 apresenta um projeto com uma proposta para irrigação eficiente, no qual um sensor de umidade é responsável por verificar o índice de umidade da terra, para a partir de um algoritmo implementado utilizando placas de Arduíno liberar a irrigação no momento apropriado. Figura 7: Irrigação eficiente Fonte: Grupo “Irrigação eficiente” do Curso CONSIDERAÇÕES FINAIS Em uma perspectiva mais clara, o projeto integrador tem gerado a interação entre diversos cursos do Unipê e a criação de Startups têm sido muito bem aceitas como temas para os projetos. Desde que o projeto integrador foi implantado com esta temática, resultados
33 importantes foram desenvolvidos e o crescimento dos índices de engajamento estão sendo percebidos. Especialmente no que tange ao perfil do egresso do curso de Ciência da Computação, esta proposta oferece importantes benefícios e mostra forte alinhamento, já vários aspectos inerentes ao curso são abordados (internet das coisas, redes móveis, programação de script, redes residências, redes automotivas, entre outras). Além disso, o projeto estende o ensino, ao desenvolver competências que não fazem parte da matriz do curso (programação para Arduíno, linguagens de programação para dispositivos móveis). Por fim, vale ressaltar que estas ações têm gerado uma contribuição para a utilização de tecnologias e tendências no âmbito das Cidades Inteligentes, por meio da proposição de projetos aplicados nas áreas da segurança pública, mobilidade, saúde, energia e educação. Como perspectivas futuras, pretende-se realizar um maior alinhamento com as demandas do projeto de extensão institucional o CITS, por meio da integração com os cursos de Engenharia Civil, Arquitetura de Urbanismos, Gestão Ambiental e Design de Interiores. REFERÊNCIAS UNIPÊ. Centro Universitário de João Pessoa. Ubtech TI planeja inclusão de alunos nos CITS. Assessoria de Comunicação - ASCOM. Disponível em: < http://unipe.br/2017/07/05/ubtech-tiplaneja-inclusao-de-alunos-nocits/ > Acesso em 30 de set. 2017 UNIPÊ. Centro Universitário de João Pessoa. Projetos integradores 2017.2 são apresentados pelo UBTech TIS. Assessoria de Comunicação - ASCOM. Disponível em: < http://unipe. br/2017/12/21/projetosintegradores-2017-2-sao-apresentados-pelo-ubtech-ti/ > Acesso em 30 de set. 2017 Ministério da Educação (MEC). Indicações para a construção de um projeto interdisciplinar. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/par/195-secretarias-112877938/seb-educacaobasica-2007048997/13564indicacoes-para-a-construcao-de-um-projeto-curricularinterdisciplinar> Acesso em 20 set. 2017 PINTO, Carmem Lúcia; ROCHA, Célia Regina Cruz; Vilarim, Gilvan. Desafios da Prática da Interdisciplinaridade em Cursos de Ciência da Computação: a Experiência do UNIFESO. Anais do Workshop de Educação aplicada a Computação (WEI). Disponível em:<http://www.inf. pucminas.br/sbc2010/anais/pdf/wei/st05_02.pdf> Acesso em 30 set. 2017. Ministério da Educação (MEC). Resolução número 05 das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação na área da Computação. Disponível em: < http://portal.mec.gov. br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=52101-rces005-16pdf&category_ slug=novembro-2016-pdf&Itemid=30192 > Acesso em 30 set. 2017.
34 LUNARDI, Guilherme Lerch; SIMÕES, Renata; FRIO, Ricardo Saraiva. TI Verde: uma análise dos principais benefícios e práticas utilizadas pelas organizações. REAd. Rev. eletrôn. adm. (Porto Alegre), Porto Alegre , v. 20, n. 1, p. 1-30, Apr. 2014 . Disponível em:<http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-23112014000100001&lng=en&nrm=iso> Acesso em 01 Out. 2017 BOUSKELA, Maurício; CASSEB, Márcia; BASSI, Silvia; DE LUCA, Cristina, FACCHINA. Caminho para as Smart Cities: Da Gestão Tradicional para a Cidade Inteligente. Disponível em: <https://publications.iadb.org/bitstream/handle/11319/7743/Caminho-para-as-smart-cities-Dagestaotradicional-para-a-cidade-inteligente.pdf>. Acesso em: 01 out. 2017. MAURYA, Ash. How to Document Your Business Model On 1 Page. Disponível em: <https://blog. leanstack.com/how-to-document-your-business-model-on-1-page-a6c91ab73efd>. Acesso em: 01 out. 2017. RIES, E. A Startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Lua de Papel, 2012. LEITE, R. A; TERCEIRO, J. F. A.; SANTOS, L. N. dos; PATRÍCIO, D. T. P. .Desenvolvimento de uma Ferramenta de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência Visual utilizando Arduino. VII Encontro Nacional de Ergonomia do Ambiente Construído. Fortaleza, 2018. DAROS, C.; KITSMANN, V. B. Design Management and Smart Cities. Strategic Design Research Journal, 9(1): 14-26. 2016.
35 PROJETO INTEGRADOR ENQUANTO MODALIDADE DE DESENVOLVIMENTO DA INSTERDISCIPLINARIDADE E DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA DOS DISCENTES DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS Jane Kelly Batista Ramalho Pedroza - [email protected] Paulo César Pereira da Silva - pauloce[email protected] Brasiliana Sulamita Batista Cavalcanti - [email protected] RESUMO O presente trabalho tem como temática o projeto integrador como formato de desenvolver a interdisciplinaridade e a iniciação científica para os discentes do Curso de Ciências Contábeis do UNIPÊ. O projeto vivenciado por todos os cursos de negócios do Unipê, onde os discentes, por meio do contato com o mundo do trabalho, conhecem profissionais, estruturas, organizações e suas características que podem ser semelhantes e/ou diferentes em seus desempenhos. Como objetivo geral proporcionar aos discentes do curso de Ciências Contábeis, desde do primeiro período, a visão, postura e noções de formas mais aprofundadas no que diz respeito às possibilidades de atuações dos profissionais da área com suas competências e habilidades inseridos nos mercados, assim como, a identificação das interdisciplinaridades e da iniciação científica em disciplinas do curso. A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa, descritiva com abordagem empírico-analítica, com uso de vários instrumentos determinados pela instituição para atingirem o objetivo proposto deste presente trabalho científico. Quanto aos resultados da pesquisa destacam-se a motivação, o aumento do interesse e do desempenho por parte dos alunos em pesquisarem temas sobre a contabilidade e as áreas quem que irão vários, relacionando os vários campos que a profissão proporciona para desenvolvimento de atividades profissionais. Palavras-chave: Projeto integrador. Interdisciplinaridade. Iniciação científica.
36 INTRODUÇÃO A capacidade de compreensão transversal, o ambiente, e o alinhamento de atividades e recursos são os desafios e tendências para os profissionais do Século XXI, isso, contribuiu para idealizar o modelo do Projeto Integrador no Centro Universitário de João Pessoa – PB, desde de 2017, e a aceitação da comunidade acadêmica proporciona a abertura em realizar trabalhos com a participação dos discentes em conhecer o profissional do mercado. Segundo Souza e Diehl (2008, p. 59), “a dinamicidade do ambiente operacional das empresas traz, entre outros fatores, a constante mutação das estratégias e formas de atuação como meio de sobreviver e crescer em um mercado de concorrência acirrada”. Portanto, a formação dos discentes no curso de Ciências Contábeis quanto a atividade integradora, ao conhecerem os profissionais das áreas contábeis que atuam em diversos mercados, assim como, as necessidades e dificuldades enfrentadas, tais experiências observadas pelos alunos, antecipa-os e prepara-os melhores para o mercado de trabalho. A participação dos discentes quanto no Projeto Integrador buscando praticar a interdisciplinaridade como contexto para identificarem nas disciplinas que são vivenciadas em cada período em sala de aula, a relação com a atuação do profissional contábil nos mercados os quais estão inseridos. Para Barros et. al. (2012), a troca de conhecimento entre disciplinas, assim como, cooperação e medidas de planejamentos são adicionadas a integração de diferentes áreas do ensino na interdisciplinaridade. Nesse contexto, o questionamento da presente pesquisa é: Como são desenvolvidas as atuações dos profissionais da contabilidade nos mercados em que estão inseridos? Diante do exposto, o objetivo geral dessa pesquisa é descrever como são desenvolvidas as atuações dos profissionais da contabilidade nos mercados em que estão inseridos. Observando-se que o projeto integrador é executado desde do primeiro período, buscando mostrar a visão, a postura e noções de formas mais aprofundadas no que dizem respeito às possibilidades de atuações dos profissionais da área inseridos nos mercados e as atuações nos negócios. Portanto, o projeto justifica-se na relevância da formação dos discentes como futuros profissionais a terem a experiência e o contato com o mercado de trabalho, ao conhecerem profissionais, estruturas empresariais e as organizações com suas características semelhantes, mas também, com suas diferenças. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA PROJETO INTEGRADOR O projeto integrador tem como temática para todos os cursos de negócios do Unipê: o exercício da profissão. Onde os discentes, por meio do contato com o mundo do trabalho, devam conhecer profissionais, estruturas, organizações e suas características que podem
37 ser semelhantes e/ou diferentes em seus desempenhos. Para tanto, possibilita que os alunos desde do primeiro período, tenham visão, postura e noções mais aprofundadas em relação às possibilidades de atuações nos negócios. Para os autores Oliveira, Pizanni e Faria (2015), tanto no ambiente mercadológico como no ambiente acadêmico existem diversos desafios em formar profissionais que consigam interpretar fatos e inventar soluções rápidas e inovadoras, e que desenvolvam o senso crítico e uma consciência cidadã. Portanto, a formação dos alunos do curso de Ciências Contábeis no projeto integrador, além do contato com o profissional da área contábil, vê-se à aplicabilidade dos assuntos estudados nas disciplinas em sala, que apresenta a interdisciplinaridade na atuação desse profissional. No Curso de Graduação em Ciências Contábeis, o Projeto Integrador (PI) atua como diferencial pedagógico para a formação e organiza-se nos oito períodos letivos, com as temáticas que integram as unidades curriculares em cada um, envoltas para o desenvolvimento de uma ação interdisciplinar que culmina em um produto ou instrumento final. INTERDISCIPLINARIDADE Segundo Zabala (2002, p.33), a explicação para a interdisciplinaridade é a “interação entre duas ou mais disciplinas”, essa colaboração entre ciências, tem o mesmo objetivo, que possam ser construídas, e com isso, rompem fronteiras de disciplinas. A interdisciplinaridade é uma prática inovadora para as ações pedagógicas no que referem a diretrizes curriculares nacionais, portanto, a abordagem curricular por competências ao exigirem tais práticas, alteram o quotidiano do trabalho com o desenvolvimento de ações interdisciplinares (SILVA et.al, 2010). Diante do exposto, o projeto integrador tem a promover para os alunos do curso de Ciências Contábeis, em compreender as habilidades e competências do profissional da área atuantes nos mercados de trabalhos. As habilidades e competências que são desenvolvidas no profissional da área contábil são fatores relevantes para o bom desempenho das organizações empresariais, tendo em vista as informações dos fatos ocorridos das mesmas, para isso, faz-se necessários que esses profissionais tenham uma eficiente captação e a interpretação dessas informações, dessa forma, é fundamental que tenham conhecimentos diversos em identificar com fidedignidade as alterações e variantes que envolvam as empresas, portanto, as informações contábeis tem parcelas significantes para as tomadas de decisões por parte dos seus gestores nas diversas organizações (OLIVERIA, PIZANNI, FARIA, 2015). O trabalho das competências e habilidades do profissional da área contábil, a serem aplicadas aos alunos que iniciam no curso de ciências contábeis, e ao promover a visão interdisciplinar nas disciplinas ministradas, trazem para os discentes, as experiências teóricas em sala de aula, assim como, a vivência no projeto integrador em conhecer a prática do profissional contábil no desempenhar de suas atividades em organizações de vários segmentos nos mercados de trabalhos Para preparar os discentes durante sua formação no curso de Ciências Contábeis, a interdisciplinaridade das disciplinas e a aplicação prática através do projeto integrador, como
38 complemento das metodologias utilizadas pelos professores, faz-se necessário a presença do professor integrador para facilitar o entendimento dos discentes em como conhecer, através de instrumentos específicos, a atividade do profissional da área. PROFESSOR INTEGRADOR O professor integrador é o docente que facilita a compreensão e entendimento dos alunos quanto à interdisciplinaridade entre as disciplinas do período para que os mesmos identifiquem e contextualizem as habilidades e competências do profissional da área contábil ao utilizarem os instrumentos específicos do projeto integrador. Portanto, a formação acadêmica é ponto de partida para que os discentes tenham a visão do “profissional contábil como peça integrante do mundo dos negócios, sendo exigida uma postura que garanta ações e decisões bem delimitadas, embasadas em conhecimentos que refletem diversas esferas do saber” (OLIVEIRA, PIZANNI, FARIAS, 2015 p.30). O professor integrador é o guia para a execução do projeto, tendo em vista, ser o orientador da execução do referido projeto e também o revisador dos relatórios concebidos pelos discentes, relativo à vivência de sua experiência de concepção e realização da pesquisa. METODOLOGIA A aplicação do projeto integrador, na instituição Unipê para formação dos discentes no curso de Ciências Contábeis, tem como finalidade em conhecer a prática do profissional da área contábil e proporcionar aos alunos a visão da postura e noções de formas das atuações desses profissionais inseridos nos mercados. Com isso, utilizar as interdisciplinaridades dos assuntos vistos em cada disciplina durante o período em que estão matriculados, orientados pelo professor integrador, que buscam a identificar as habilidades e competências dos profissionais da área contábil, como conhecimento para o exercício da futura profissão. Para atender o propósito do projeto, utilizou-se a pesquisa qualitativa, descritiva e a abordagem empírico-analítica, com uso pelos discentes do primeiro período de questionário semiestruturado para entrevistas aos profissionais da área contábil escolhidos pelos discentes, locais acordados com os entrevistados, os locais escolhidos podiam ser in loco, ambientes em que os profissionais desempenham suas funções. Em relação aos discentes dos períodos subsequentes: são realizadas visitas técnicas em locais de trabalhos que o profissional da área contábil exerce suas funções, análise ambiental (Análise de SWOT), consultoria e os planos estratégicos, diagnósticos e implantações de ISO 9001, ou seja, os discentes conhecerem as organizações de tópicos desde dos requisitos de documentações à consciência da qualidade de todos os processos organizacionais em empresas, as quais o profissional contábil desempenhas suas competências e habilidades. A análise e interpretação dos dados obtidos nas entrevistas, visitas técnicas e demais instrumentos de acordo com os períodos cursados pelos alunos, foram aplicadas a técnica análise de conteúdo, em que os instrumentos de cada período foram transcritos literal dos conteúdos descritos, assim, os relatórios elaborados pelos grupos foram categorizados com
39 coerências, homogeneidade, exclusividade e objetividade para que elucidassem a investigação do projeto integrador. Para que os relatórios fossem elaborados pelos grupos dos alunos, de acordo com os instrumentos determinados pela instituição, realizou-se várias etapas para que o planejamento da ação do projeto integrador: divisão dos grupos, definição do tema, inscrições dos alunos do grupo pelo representante da equipe através de link no Unipê Virtual, entrega dos trabalhos pelos discentes aos professores integradores e apresentação final dos trabalhos a esses professores. CRONOGRAMA E EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES Os discentes para executarem as atividades planejadas e desenvolverem a construção dos trabalhos finais do projeto integrador por período, valiam-se de modelos de documentos relacionados a cada período, disponibilizados no Unipê Virtual e com o professor integrador, assim como, as datas definidas para cada etapa do projeto integrador. Apresentação do Quadro 1 do cronograma das etapas de execução das atividades pelos discentes. Quadro 1: Cronograma do Projeto Integrador 2018.1 26/03/2018 a 05/04/2018 Inscrição discente com devido planejamento das atividades 27/05/2018 Entrega dos Trabalhos pelos discentes aos professores integradores 05/06/2018 Apresentações finais dos trabalhos aos professores integradores Fonte: Ubtech Business (2018) O Quadro 1 descreve as respectivas datas limites e as atividades que os alunos teriam para cumprir com as regras do Projeto Integrador. Os cronogramas apresentam as etapas propostas para a realização de uma pesquisa, portanto, organizados com base em datas e metas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os produtos finais de cada período foram escolhidos respeitando e contemplando as Diretrizes Curriculares nacionais do curso de Ciências Contábeis, dessa forma, os resultados dos instrumentos que os discentes utilizaram para conhecer como são desenvolvidas as atuações dos profissionais da contabilidade nos mercados em que estão inseridos, sinalizam relevâncias positivas quanto ao feedback por parte dos discentes. Os alunos ao apresentam seus trabalhos descrevendo as experiências dos profissionais da contabilidade ao desempenharem suas competências e habilidades em suas diversas atuações nos mercados, principalmente, pelos vastos campos que atuam os contadores, os discentes identificam de forma clara, nos relatos desses profissionais, os vários instrumentos e as utilizações de teorias vistas em salas de aulas, ou seja, os usos das interdisciplinaridades das disciplinas cursados em seus respectivos períodos, com isso, descrevem a motivação que o projeto integrador proporcionam para que melhorem os interesses e desempenhos em serem bacharéis em contabilidade.
40 O projeto integrador é elaborado no decorrer do semestre letivo, e coordenado por um dos professores das unidades curriculares, abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade à luz das temáticas que contemplam a maioria das disciplinas de cada semestre letivo. São eleitos temas transversais aos períodos que possibilitem o desenvolvimento de projetos e atividades que integrem as unidades na perspectiva do atendimento ao princípio da interdisciplinaridade. Todas estas atividades resultarão em um produto a ser apresentado pelos discentes ao término de cada período letivo. Na escolha desses produtos (instrumentos), levou-se em consideração o grau de complexidade dos conteúdos na sua relação teoria e prática. Ver quadro a seguir: Quadro 2: Temáticas dos Projetos Integradores Desenvolvidos TEMÁTICA PERÍODO INSTRUMENTO INTEGRADOR UNIDADE CURRICULAR INTEGRADORA Conhecendo a profissão: o profissional da contabilidade. 1º Relatório de entrevista com profissional da área. Contabilidade Básica I Organizações e Sociedade. Conhecendo o mercado de trabalho. 2º Relatório de visita técnica. Contabilidade Básica II Integralidade do individual ao coletivo: conhecendo o mercado de trabalho. 3º Análise ambiental (análise de SWOT): apresentação e entrega de relatório. Contabilidade de Custos Desafios, oportunidades e limitações da atuação profissional. 4º Consultoria e plano estratégico. Administração Financeira I Demonstrações contábeis suporte a tomada de decisão: análise contábil. 5º Demonstrações contábeis: relatório de análise contábil. Contabilidade Pública Simulado ENADE. 6º Simulado ENADE. Gestão de Estratégica de Custos Projeto Exame de Suficiência (vídeo-aulas + questões comentadas + leitura de capítulo do livro + resolução de questões). 7º Simulado do Exame de Suficiência. Auditoria Contábil Projeto Exame de Suficiência (vídeo-aulas + questões comentadas + leitura de capítulo do livro + resolução de questões). 8º Simulado do Exame de Suficiência. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Projeto Aplicativo Fonte: UNIPÊ Resumindo, o projeto integrador garante aos graduandos desenvolverem suas capacidades de fundamentação teórico-prática, preparando-se para o pleno exercício da sua futura carreira. São estes aspectos que caracterizam a participação dos discentes em atividades acadêmicas, dentre outras vinculadas às unidades curriculares do curso, com o propósito de desenvolvimento de uma prática pedagógica indisciplinar.
41 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a inclusão do Projeto Integrador como metodologia complementar no curso de Ciências Contábeis no Centro Universitário de João Pessoa – PB, no Ubetech Business, demonstrou que os discentes ao buscarem através dos instrumentos determinados pela instituição, a experiência de conhecer a atuação dos profissionais da área contábil em vários segmentos de mercados, os quais atuam, contribuíram para os alunos a visão da prática contábil, assim como, o aprendizado em sala de aula das teorias ministradas pelos professores nos diversos períodos do curso de contabilidade, essas teorias, também, são utilizadas pelos profissionais de contabilidade, portanto, foi promovido através do projeto integrador motivaram o aumento dos interesses e dos desempenhos por parte dos alunos em serem bacharéis em contabilidade e poderem atuar em vários campos que a profissão proporciona nos mercados. As atividades realizadas durante a execução dos Projetos Integradores são registradas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), em sala específica para este fim, sob gestão do professor integrador e acompanhamento da Coordenação do Curso e culminam em um relatório final apresentado a Pró-Reitoria Acadêmica. A realização de uma ação interdisciplinar como o PI em Curso de Graduação, como Ciências Contábeis, traz inúmeras vantagens ao processo da aquisição do perfil do egresso, uma vez que favorece a aprendizagem da pesquisa de público-alvo; a criação e confecção de produtos da área da Ciências Contábeis em função de temáticas específicas, levando o aluno à simulação de trabalho no mercado real; o exercício do desenvolvimento de aplicação dos cálculos; ações de gestão e gerenciamento de projetos e trabalho em equipe, envolvendo as questões dos custos, expectativas do produto final e exercício da criatividade, e o desenvolvimento de competências profissionais e cidadãs. REFERÊNCIAS BARROS, Claudio Marcelo Edwards; LEMOS JÚNIOR, Luiz Carlos; COLAUTO, Romualdo Douglas; VOES, Simone Bernardes. Interdisciplinaridade em contabilidade gerencial e contabilidade de custos em programas de mestrado: percepções de docentes e discentes. Em Pauta: revista de Contabilidade e Organizações, vol. 6 n. 14, p. 163-181, 2012. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTABEIS. Unipê. João Pessoa, 2018. OLIVEIRA, Márcia Queiroz; PIZANNI, Marcly Amorim, FARIA, Juliano Almeida de. A interdisciplinaridade na formação do contador e sua contribuição para o desenvolvimento de competências no âmbito organizacional. Em Pauta: revista de estudos contábeis, Londrina, v.6, n.11, p.23-45, jul. /dez, 2015.
48 entendida esta manifestação presente como resultado de um longo processo de transformação histórica. A educação, nesta proposição didático-metodológica é compreendida com base no desenvolvimento histórico da sociedade, nas suas demandas e na construção de conceitos a partir de um olhar crítico; assim compreendida, torna-se possível a superação de práticas pedagógicas descontextualizadas (Cf. SAVIANI, 2003). Assim, estaremos formando professores e profissionais que devem assumir uma postura crítica, construindo o saber coletivamente, compreendendo o presente e o futuro a partir dos dados científicos apreendidos de maneira dinâmica. Alfabetizando cientificamente os nossos alunos, para que eles possam compreender a realidade em que estão inseridos, tendo condições de buscar soluções na realidade social e transformando a realidade educacional. CRONOGRAMA E EXECUÇÃO Etapas Período 1 - Encontro com os professores integradores de todos os períodos envolvidos. Encontros quinzenais. 2 – Reunião de sistematização metodológica do PI. 3 - Encontro NDE com os professores integradores, alunos e colaboradores 4 – Avaliação processual do andamento metodológico do PI. 5 – Apresentação pública do projeto integrador RESULTADOS/DISCUSSÃO O Projeto Integrador contribuiu no exercício e no aprofundamento do conhecimento, tendo o planejar, executar e avaliar situações problemas de ensino aprendizagem como elementos essenciais para a construção de uma identidade sustentável do profissional que se pretende formar. Os resultados dos trabalhos foram satisfatórios e atenderam completamente aos objetivos propostos no início do semestre, sendo: Realizar o Festival de jogos; elaborar banners; ministrar micro aulas; apresentar enquetes dramatúrgicos; e elaborar resumos estendidos. Estiveram envolvidos cerca de 350 (trezentos e cinquenta) alunos e 36 (trinta e seis) professores, que durante o semestre implementaram o PI. Quanto a produção acadêmica foram idealizados, vivenciados e apresentados pelos alunos do primeiro período 12 (doze) banners contendo o resultado do Festival de Jogos e Brincadeiras Populares e as boas práticas do movimento, com 12 (doze) Jogos Populares Sustentáveis; os alunos do segundo período, elaboraram e apresentaram 22 (vinte e duas) micro aulas, cujo tema foi a importância do trabalho multidisciplinar no treinamento da natação; o terceiro período, criaram e apresentaram 08 (oito) enquetes dramatúrgicas sobre as políticas educacionais com a fisiologia humana; já o quarto período, elaboraram 18 (dezoito) resumos estendidos, cada um aprofundando questões sobre habilidade motora/capacidades físicas e incidência de lesões em atletas de handebol.
49 Partindo das produções acadêmicas supra citadas, podemos afirmar que o projeto integrador apresentou as seguintes contribuições qualitativas: Ocorreu uma integração com todos os setores do curso e agentes de setores externos, ou seja, os trabalhos exigiram uma parceria com outros setores da sociedade civil (clubes, academias, escolas e entidades formadoras); Durante o processo de planejamento e implementação, as competências e habilidades foram retrabalhadas, tendo como foco as orientações pedagógicas contidas nas Diretrizes Curriculares do Curso de Educação Física e em concomitância com os planos de ensino de cada disciplinas; A relação entre os grupos se deu de forma mais harmônicas possível, pois temos a convicção de que o trabalho em grupo pode ocorre mesmo a distância sem que perca a essência do fazer coletivo. Portanto, o reconhecimento da importância do trabalho coletivo por parte dos professores e a motivação dos alunos em ampliar seus conhecimentos, foram fatores que contribuíram para a efetivação exitosa do projeto integrador. CONCLUSÕES FINAIS Após experimentar situações concretas através de trabalhos interdisciplinares que permitiram a relação integradora dos conhecimentos teórico-práticos, através do processo permanente de ação e reflexão sobre sustentabilidade e suas relações com as boas práticas do movimento, foi oportunizado a compreensão sobre a complexidade da ação educativa em suas múltiplas dimensões como profissionais, como também, o conhecimento sobre as políticas de sustentabilidade voltadas para a prática da Educação Física, oportunizando a reflexão e reação a partir dos conhecimentos científico-acadêmicos adquiridos e, assim concretizar suas atitudes, habilidades e competências. Portanto, o Projeto Integrador contribuiu no exercício e no aprofundamento do conhecimento, tendo o planejar, executar e avaliar situações problemas de ensino aprendizagem como elementos essenciais a construção de uma identidade sustentável do profissional que se pretende formar, ou seja, os resultados dos trabalhos foram satisfatórios, atenderam completamente aos objetivos propostos no início do semestre. Quanto ao trabalho coletivo entre as equipes, ocorreu uma integração com todos os setores do curso e agentes de setores externos. A questão da ética profissional, neste item foi exaustivamente trabalhada entre professores e alunos. Já os conteúdos/objetivos dos períodos, no que dizem respeito às competências e habilidades previstas foram retrabalhadas, tendo como foco as orientações pedagógicas contidas nas Diretrizes Curriculares e em concomitância com os planos de ensino de cada disciplinas. A relação grupal se deu de forma mais harmônicas possíveis, pois tivemos a convicção de que o trabalho em grupo pode ocorre mesmo a distância sem que perca a essência do fazer coletivo. Os fatores/elementos que contribuíram para a efetivação do PI foi o reconhecimento da importância do trabalho coletivo por parte dos professores e a motivação dos alunos em ampliar os conhecimentos, assim, a compreensão dos estudantes do processo interdisciplinar se deu na elaboração dos produtos pedagógicos que cada um tinha com desafio acadêmico.
50 REFERÊNCIAS FAZENDA, I.C.A. A aquisição de uma formação interdisciplinar de professores. In: FAZENDA, I.C.A. (org.) Didática e Interdisciplinaridade. Campinas, SP: Papirus, 2015. GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. Campinas, S.P.: Autores Associados, 2003. JACOBI, P.R. Consumo e sustentabilidade: educação, corresponsabilização e políticas públicas. In: DOURADO, J. Reflexões e práticas em ações ambientais: discutindo o consumo e a questão dos resíduos. São Paulo: Oficinas de Textos, 2012. SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. Campinas, S.P.: Autores Associados, 2003. _________________. Da nova LDB ao FUNDEB: por uma outra política educacional. Campinas, S.P.: Autores Associados, 2007. RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1999. ANEXOS Anexo I: RUBRICA DE AVALIAÇÃO Indicadores de Avaliação do PI – 1º PERÍODO INDICADORES DE AVALIAÇÃO INDICADORES Valor 1. O grupo apresentou um roteiro de execução do trabalho? Plano de trabalho. 1,0 2. Todos os componentes do grupo executaram suas funções harmonicamente, apresentando-se com uma boa postura ética profissional, considerando também, a indumentária adequada ao exercício da profissão? 1,0 3. A atividade escolhida tem coerência com a proposta apresentada no projeto da disciplina? 1,0 4. A proposta do grupo estabeleceu a ambientação da aprendizagem, estimulando a resolução de problemas, capacitando e ampliando as alternativas para uma prática sustentável? 1,0 5. A atividade proposta contribui para uma reflexão sobre o cotidiano das pessoas, indicando para uma qualidade de vida melhor, através de atividades físicas compatíveis com faixa etária dos participantes? 1,0 6. A atividade é organizada a partir de situações que simulem o futuro campo de atuação do profissional? 1,0 7. Durante o tempo destinado ao grupo, foi percebido uma proatividade quanto organização inicial; processual (prática) e organização final, estando visivelmente percebido que ocorreu um planejamento prévio? 1,0 8. Os alunos ao organizar e executar o Projeto de Trabalho tornaram-se sujeitos da aprendizagem, integrado de forma ativa, estando organicamente inserido na atividade? 1,0 9. O Projeto de Trabalho interdisciplinar/sustentável oportunizou aos participantes terem um novo olhar sobre as novas práticas recreativas e perceberem as múltiplas dimensões de atuação existentes na profissão da Educação Física? 1,0 10. O Projeto de Trabalho foi concluído com eficiência e de forma adequada. 1,0
51 INDICADORES DE AVALIAÇÃO Valor A introdução retrata completamente o que foi o evento. 1,0 Os objetivos estão em consonância com a proposta do PI. 1,0 A metodologia diz respeito a estação ministrada no festival. 1,0 As imagens contidas nos resultados colocadas de forma sequencial e lógica de fácil entendimento, com legenda estão informando a fonte originária. 1,0 A conclusão encontra-se clara e objetiva e faz relação com os objetivos propostos. 1,0 As referências estão dentro das normas da ABNT. 1,0 A organização do banner torna-o mais apresentável e de fácil compreensão. 1,0 Os alunos tiveram uma boa arguição, quando interpelados pelos avaliadores. 1,0 Estão presentes todos os membros da equipe no momento da exposição do banner vestidos adequadamente (estilo formal). 1,0 Todos da equipe estão com atenção voltada para apresentação do trabalho. 1,0 Nota Final Indicadores de Avaliação do PI – 2º PERÍODO INDICADORES DE AVALIAÇÃO INDICADORES Valor 1. A situação problema está integrada com outra disciplina? 2,0 2. A atividade foi realizada corretamente? 2,0 3. Os resultados se mostram claros e coerentes com a atividade realizada? 2,0 4. O roteiro é bem elaborado? 2,0 5. Os materiais escolhidos estão de acordo com a interdisciplinaridade? 2,0 INDICADORES DE AVALIAÇÃO Valor O vídeo apresentado tem boa qualidade? 2,0 Os participantes tem domínio teórico do conteúdo abordado? 2,0 A atividade apresenta interdisciplinaridade? 2,0 O trabalho escrito mostra qualidade? 2,0 O tempo de apresentação foi obedecido? 2,0 Indicadores de Avaliação do PI – 3º PERÍODO INDICADORES DE AVALIAÇÃO INDICADORES Valor 1. A situação problema está integrada com outra disciplina? 2,0 2. A solução sustentável para o problema é coerente e bem formulada? 2,0 3. A atividade lúdica é adequada para ilustrar o problema e a solução? 2,0 4. O roteiro é bem elaborado? 2,0 5. Os materiais escolhidos estão de acordo com a sustentabilidade? 2,0 Indicadores de Avaliação do PI – 4º PERÍODO INDICADORES DE AVALIAÇÃO Valor A atividade lúdica conta com a participação de todos os participantes? 2,0 Os participantes têm domínio teórico do conteúdo abordado? 2,0 A atividade apresenta interdisciplinaridade? 2,0 A atividade está dentro da proposta de sustentabilidade? 2,0 O tempo de apresentação foi obedecido? 2,0
52 Critério de Avaliação Nota (0,0 – 0,4) Domínio do conteúdo teórico Criatividade Adequação com o tempo de apresentação (8 a 15 min) Elaboração do cenário Integração com outras disciplinas Nota final FORMAS DE AVALIAÇÃO E OUTRAS INFORMAÇÕES A avaliação deste projeto será realizada de forma escrita e visual (apresentação para professores da turma). No anexo I encontra-se uma ficha de avaliação a ser preenchida pelos professores da banca. O presente Projeto Integrador terá como peso a nota 2 (dois pontos). A apresentação oral deverá contar com a participação de todos os alunos do grupo, que devem utilizar de forma criativa os 7 minutos que o grupo possui para a apresentação. Contudo, caso o acadêmico não apresentar o seu trabalho o mesmo ficará sem nota de apresentação. O critério da avaliação (composição da nota): Professores Total 2 Resumo 1 Apresentação 1
53 Anexo II: IMAGENS DO PROJETO INTEGRADOR
54 Projeto Integrador do Curso de Graduação em Enfermagem: Articulando ações e aprendizados Hebe Janayna Mota Duarte Beserra - [email protected] José Madson Medeiros de Souza - [email protected] Jaqueline Queiroz de Macedo - [email protected] Josane Cristina Batista Santos - [email protected] RESUMO O Projeto Integrador (PI) do Curso de Graduação em Enfermagem caminha junto a um componente curricular do período, abordando temas transversais como modo de garantir a interdisciplinaridade. Cada PI é elaborado, no decorrer do semestre letivo, e coordenado por um dos professores das unidades curriculares. Abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade, à luz das temáticas que contemplam a maioria das unidades curriculares de cada semestre letivo. São eleitos temas transversais, que possibilitem o desenvolvimento de projetos, e atividades que integrem as unidades na perspectiva do atendimento ao princípio da interdisciplinaridade. Todas estas atividades resultarão em um produto a ser apresentado pelos discentes, ao término de cada período letivo. Na escolha desses produtos (instrumentos), leva-se em consideração o grau de complexidade dos conteúdos na sua relação teoria e prática. Palavras-chave: Graduação em Enfermagem. Projeto Integrador. Interdisciplinaridade. INTRODUÇÃO Conforme Resolução CONSEPE N° 15/2016 do Unipê: O desenvolvimento de projetos integradores no âmbito dos cursos de graduação do UNIPÊ tem como finalidade promover a aprendizagem do discente de forma interdisciplinar, permitindo que o estudante amplie sua capacidade para relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã, tendo em vista romper com a compartimentalização do conhecimento e partir para uma compreensão da totalidade.
55 A interdisciplinaridade visa relacionar as unidades curriculares em atividades e projetos de estudo, pesquisa e ação, tornando-se uma prática pedagógica e didática que favorece a aquisição dos objetivos de cada curso e que ao ocorrer de forma processual e em complexidade crescente, ao longo dos períodos letivos, busca favorecer a aprendizagem significativa, autônoma, centrada nas relações e nos procedimentos, na aquisição de habilidades e atitudes e na socialização do desenvolvimento discente. As atividades do Projeto Integrador acontecem fora do espaço de sala de aula, por meio de articulação entre teoria e prática, em cenários de aprendizagem práticos, internos ou externos à Instituição de Ensino com trabalho efetivo, processual e autônomo do discente, conforme seus interesses de aprendizagem. O PI garante aos graduandos desenvolverem suas capacidades de fundamentação teórico-prática, preparando-se para o pleno exercício da sua futura carreira. São estes aspectos que caracterizam a participação dos discentes em atividades acadêmicas, dentre outras vinculadas às unidades curriculares do curso, com o propósito de desenvolvimento de uma prática pedagógica interdisciplinar. Deste modo, o Projeto Integrador contribui para o desenvolvimento da autonomia do aluno quanto: - Ao trabalho coletivo entre as demais equipes envolvidas (parceiros, serviços, dentre outros), uma vez que possibilita a percepção de possibilidades de melhorias nas construções das relações de trabalho, no respeito mútuo e no desempenho em equipe. - A questão da ética e postura profissional a partir da observação e reflexão no tocante a condutas dos profissionais e no olhar voltado para opções mais assertivas. - A capacidade de pesquisa já que vislumbra temáticas para TCC, além de produtos para melhoramentos em serviço. - Ao conteúdo/objetivo do período, no que diz respeito aos conhecimentos, habilidades e atitudes previstas nas unidades curriculares porque contempla os objetivos propostos com algumas ressalvas a respeito da condução da visita. - A integração entre conhecimentos de diferentes áreas, pessoas e equipe uma vez que possibilita a articulação e a visão ampliada, sendo considerado a melhor prática de todo o Curso, visto ter proporcionado a associação teoria/prática. - A relação grupal porque apresenta a importância e a complexidade das relações no ambiente de trabalho, além do estreitamento de amizade com o grupo das práticas assistidas. Como as atividades práticas, que ocorrem no contra turno, são extracurriculares, delas se utilizam os alunos para inserirem-se em serviços e demais atividades das áreas, terem contato com pessoas que estão realizando tratamentos e/ou estão em condições foco dos temas para, a partir de discussões com profissionais de diversas áreas, poderem pensar e construir os Projetos Integradores. Para finalização do Projeto Integrador, cabe aos alunos construírem um estudo de caso e elaborarem um planejamento de metas multiprofissional, nas dimensões individual, familiar, social e temporal como componentes do Projeto Terapêutico Singular.
56 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais no que se refere a graduação do profissional da Enfermagem, os Cursos de Enfermagem têm como objetivo a formação do enfermeiro de perfil generalista, humanista, crítico e reflexivo, sedimentada no rigor científico, intelectual e princípios éticos. Entende-se que o enfermeiro deve ser capaz de intervir em situações/problemas de saúde-doença, predominantes no perfil epidemiológico nacional, principalmente aquelas mais recorrentes na sua região de atuação do profissional, identificando as dimensões biopsicossociais dos seus determinantes. Deve estar apto a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. Estruturado nas Diretrizes Curriculares Nacionais, o curso de Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ tem como missão de futuro, ser referência na formação acadêmica de profissionais da área de Enfermagem, revelando um perfil diferenciado para atender a diversidade do mercado de trabalho, estimulando a formação de profissionais com senso crítico, inovador e criativo, durante toda a integralização curricular e, através de grupos de estudos e pesquisas, que visam, dentre outras discussões, as questões referentes as tecnologias assistivas direcionadas em especial às pessoas idosas no âmbito da promoção da saúde e da assistência pré-hospitalar, uma vez que a cidade de João Pessoa representa a segunda população de maior número de idosos do território nacional e a primeira da região Nordeste. Para se cumprir a missão do Curso, é fundamental que se desenvolva uma formação com visão ampla, reflexiva e intervencionista do contexto geral que envolve as atividades de Enfermagem, a partir de um entendimento do aluno sobre o aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, frente às diversas situações de promoção e assistência à Saúde. É também fundamental que o acadêmico de enfermagem, em sua formação, compreenda a política de saúde no contexto das políticas sociais, reconhecendo os perfis epidemiológicos das populações. Tenha também capacidade de reconhecer a saúde como direito e condições dignas de vida e atue de forma a garantir a integralidade da assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema. Saiba intervir no processo de saúde-doença, responsabilizando-se pela qualidade da assistência/cuidado de enfermagem em seus diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência. Para se atingir os objetivos, aos quais o curso se propõe, entendendo também que o ensino superior deve fomentar no aluno o desenvolvimento de habilidades, a implementação de projetos é fundamental. O trabalho com projeto trata-se de uma postura, de uma concepção em que o professor organiza e propõe situações de ensino baseadas nas descobertas espontâneas e significantes dos alunos, permitindo que a síntese do conhecimento construído seja expressada de um modo que ele, (aluno/autor), reflita sobre as ações e seja capaz de desenvolver e criar um produto que revele a sua aprendizagem. Segundo GARDNER (1997), um
57 projeto fornece uma oportunidade e habilidades previamente dominadas a serviço de uma nova meta ou empreendimento. Os projetos devem permitir que o aluno aprenda e que o faça de maneira significativa, isto é, incorporando o conhecimento e transformando-o de acordo com a sua visão de mundo e a percepção de suas diferentes inteligências. Segundo NOGUEIRA (1998a), os projetos na realidade são verdadeiras fontes de criação, que passam sem dúvida por processos de pesquisas, aprofundamento, depuração e criação de novas hipóteses, colocando em prova a todo o momento as diferentes potencialidades dos elementos do grupo, assim como as limitações. Um projeto pode ter como tema assuntos ligados ao currículo oficial, ele pode e até deve ser programado e proposto juntamente com os alunos. Nesse caso, é importante que o professor tenha a sensibilidade de identificar as áreas de interesses e relacionadas a temática do projeto. É necessário valorizar o processo de aprendizagem dos conteúdos possibilitando a diversificação de ações, formas e vivências que propiciam uma amplitude de desenvolvimento das diferentes competências. Dessa forma, é importante que o professor, através de uma prática mais desafiadora e criativa, possa identificar no trabalho com projetos a possibilidade de tornar o ensino mais dinâmico, com conteúdos diversificados, contextualizados, desenvolvendo no aluno capacidades, habilidades e atitudes necessárias para o processo de aprendizagem. O Projeto Integrador visa problematizar temas de fundamental importância na área do curso, como forma de contextualizar o ambiente real de trabalho, articular a interdisciplinaridade, indo em direção à transdisciplinaridade. Propicia atividades em equipe, estimula o aprendizado e identifica a evolução da construção de saberes, com relação à profissionalização e a futura diplomação. O PI volta-se, principalmente, para o reconhecimento da habilidade de articulação entre os saberes do aluno durante a concepção, elaboração e construção do processo de caracterização do objeto de estudo (SANTOS, 2012). METODOLOGIA No Curso de Graduação em Enfermagem, o Projeto Integrador (PI) atua como diferencial pedagógico para a formação e organiza-se nos dois primeiros períodos letivos, com as temáticas que integram as unidades curriculares em cada um, envoltas para o desenvolvimento de uma ação interdisciplinar que culmina em um produto ou instrumento final. O PI, elaborado no decorrer do semestre letivo, e coordenado por um dos professores das unidades curriculares, abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade à luz das temáticas que contemplam a maioria das disciplinas de cada semestre letivo. São eleitos temas transversais aos períodos que possibilitem o desenvolvimento de projetos e atividades que integrem as unidades na perspectiva do atendimento ao princípio da interdisciplinaridade. Todas estas atividades resultarão em um produto a ser apresentado pelos discentes ao término de cada período letivo. Na escolha desses produtos (instrumentos), leva-se em consideração o grau de complexidade dos conteúdos na sua relação teoria e prática. Os instrumentos integradores são Diário de Campo para P1 e P2, Relato de Experiência para
64 ANEXO
65 REFERÊNCIAS GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Uma prática para o desenvolvimento das múltiplas inteligências: aprendizagem com projetos. São Paulo: Érica, 1998a. __________. Interdisciplinaridade aplicada. São Paulo: Érica, 1998b. Projeto Pedagógico do Curso de Enfermagem UNIPÊ. RESOLUÇÃO CNE/CES N°3, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2001. Diretriz Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem.
66 O projeto Integrador no Curso de Engenharia Civil: Uma metodologia ativa Antônio da Silva Sobrinho Júnior - [email protected] Evelyne Emanuelle Pereira Lima - [email protected] José Jacinto Cruz de Souza - [email protected] Vítor Emanuel Granito Pontes - [email protected] RESUMO A aproximação do aluno de Engenharia Civil à prática diária é fundamental para formar um profissional preparado para enfrentar os desafios que surgem diariamente. Aliado à teoria que é apresentada em sala de aula, os professores devem procurar metodologias ativas que suscitem a curiosidade do aluno e fomentem a multidisciplinaridade, necessárias à resolução dos problemas reais da Engenharia. O trabalho em grupo é igualmente um fator crucial para o sucesso de um projeto de Engenharia, já que, devido à sua dimensão e complexidade, é indispensável a reunião de várias especialidades, cada uma com sua contribuição individual, dentro da sua área de expertise, compondo o projeto em todas as suas vertentes. A gestão do tempo e sua adequada organização também constituem aspectos fundamentais em um projeto de Engenharia, já que é necessário atender a prazos e metas impostas pelo cliente. Desta forma, o Projeto Integrador surge como uma prática poderosa, que possibilita a aproximação à prática por parte do estudante de Engenharia Civil, já que engloba todos os aspetos supracitados. O Projeto Integrador vem como uma estratégia de ensino e aprendizagem, objetivando integrar, de forma interdisciplinar, os temas e conteúdos abordados durante o curso, possibilitando relacionar as unidades curriculares em atividades de estudo, pesquisa e extensão. As atividades desenvolvidas em equipes de trabalho utilizam o desenvolvimento de um produto a cada período letivo, respeitando a complexidade crescente da formação, como meio para o desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes. O aluno foi confrontado com situações reais de Engenharia, atuando como gestor técnico, participando diretamente do processo de tomada de decisão, para construir uma solução, respeitando um conjunto restrito de critérios. Constatase que o Projeto Integrador é uma ferramenta valiosa na formação de um Engenheiro Civil, pois aproxima o aluno do cotidiano da Engenharia e familiariza o mesmo com a prática interdisciplinar, fundamental na vivência diária, que envolve toda a Engenharia. Palavras-chave: Engenharia Civil. Projeto Integrador. Interdisciplinaridade.
67 INTRODUÇÃO A busca pela melhoria na qualidade do ensino superior, em especial na área das ciências exatas e tecnológicas, vem sendo apresentada em diversos trabalhos e propostas pedagógicas que visam propiciar aos alunos um desenvolvimento mais significativo no aprendizado relacionando a teoria com a prática. Segundo Medeiros e Júnior (2006), a prática educativa deve ser encarada como uma ação viva, propiciando aos educadores e educandos momentos de entusiasmo, com ideias, valores, criatividade e, principalmente, dinamismo. Um projeto fornece uma oportunidade e habilidades previamente dominadas a serviço de uma nova meta ou empreendimento. Dessa maneira, deve-se destacar que os projetos não podem ser encarados como salvação dos problemas educacionais, mas como meios para uma aprendizagem significativa. Uma das formas de aplicar essa metodologia ativa de projetos no curso de Engenharia civil é através dos chamados projetos integradores. O projeto integrador tornou-se uma prática pedagógica e didática que busca favorecer a aprendizagem significativa e prática, centrada nas relações e nos procedimentos, na aquisição de habilidades e atitudes e na socialização do desenvolvimento discente. Neste capítulo, serão apresentados os processos de realização e aplicação do projeto integrador no curso de Engenharia Civil do Centro Universitário de João PessoaUnipê. A instituição de ensino vem adotando a estratégia pedagógica de projetos integradores como meio de integralização da carga horária dos cursos de graduação, e tem como finalidade promover aprendizagem de forma interdisciplinar e prática, para que o estudante amplie sua capacidade de relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã. No curso de Engenharia Civil, em cada período letivo, um projeto integrador é realizado envolvendo todas as unidades curriculares por meio de uma temática central associada às áreas da Engenharia Civil e suas aplicações, o que favorece uma dinâmica curricular mais reflexiva e globalizante entre as diferentes áreas de conhecimento, permitindo compreendê-las de forma interdependente, aspecto fundamental para aquisição do perfil profissional e humano que se almeja no curso. As atividades do projeto integrador na Engenharia Civil do UNIPÊ acontecem fora do espaço de sala de aula, por meio de articulação entre teoria e prática, em cenários de aprendizagem práticos, internos ou externos à instituição de ensino, com trabalho efetivo processual e autônomo dos discentes, conforme seus interesses de aprendizagem. As atividades desenvolvidas em equipes de trabalho utilizam o desenvolvimento de um produto a cada período letivo, respeitando a complexidade crescente da formação, como meio para o desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes.
68 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No decorrer da formação profissional de engenharia são requeridas muitas habilidades, as quais devem ser desenvolvidas durante o curso de graduação. Dentre elas, um engenheiro deve possuir criatividade para lidar com os diversos problemas relacionados ao exercício da profissão. Para tanto ele deve ter em mãos o conjunto de métodos que podem ser utilizados para lidar com os tais problemas. Uma das abordagens que pode ser utilizada para geração de habilidades é o ensino baseado em projetos bastante utilizada no ensino de Engenharia (Carvalho e Lima, 2006; Franzoni e Capovilla, 2010; Junior, Gazzoni e Freitas, 2012; Mendeleck 2008; Silva et. al. 2012). Neste tipo de abordagem, o aluno deverá, no tempo estabelecido, desenvolver um determinado escopo em conjunto com outros alunos. Assim, além do desafio de se desenvolver um produto de engenharia, o aluno deve aprender a lidar com as dificuldades advindas do trabalho em grupo. Aprender fazendo é algo efetivo, mas que possui resistência para fazer parte do currículo das escolas e universidades brasileiras. Talvez pela própria formação do professor, onde este não está acostumado com esta realidade ou mesmo pela falta de visão dos educadores, pois se baseiam em metodologias de ensino onde o conteúdo teórico é mais valorizado em detrimento da prática. Logo, existe a necessidade de se quebrar esta barreira e mudar o paradigma. O aprendizado com processos de tomada de decisão é de grande valor, já que permite que os alunos se insiram na perspectiva do Engenheiro, simulando o exercício da profissão já desde os primeiros semestres. No Brasil, o ensino superior vem atravessando alguns momentos de reflexão quanto ao seu real papel de formador (qualificador) de mão-de-obra com adequada relação entre habilidades e competências e, ao mesmo tempo, que com viés de aderência às demandas da sociedade (SANTOS, 2012). Neste sentido, o uso metodologias ativas voltadas para o estímulo do ensino contextualizado, apresenta-se como uma eficiente estratégia de aproximação do graduando às reais demandas do mundo do trabalho. Dentre diferentes ferramentas, o Projeto Integrador (PI) destaca-se como uma prática pedagógica aplicável à realidade do Ensino Superior Brasileiro. Para NOGUEIRA (1998a): Os projetos na realidade são verdadeiras fontes de criação, que passam sem dúvida por processos de pesquisas, aprofundamento, depuração e criação de novas hipóteses, colocando em prova a todo o momento as diferentes potencialidades dos elementos do grupo, assim como as limitações. O trabalho com projeto trata-se de uma postura, de uma concepção em que o professor organiza e propõe situações de ensino baseadas nas descobertas espontâneas e significantes dos alunos, permitindo que a síntese do conhecimento construído seja expressada de um modo que ele, (aluno/autor), reflita sobre as ações e seja capaz de desenvolver e criar um produto que revele a sua aprendizagem. Segundo GARDNER (1997), um projeto fornece uma oportunidade e habilidades previamente dominadas a serviço de uma nova meta ou empreendimento. Os projetos devem permitir que o aluno aprenda e que o faça de maneira significativa, isto é, incorporando o conhecimento e transformando-o de acordo com a sua visão de mundo e a percepção de suas diferentes inteligências.
69 Segundo NOGUEIRA (1998a), os projetos na realidade são verdadeiras fontes de criação, que passam sem dúvida por processos de pesquisas, aprofundamento, depuração e criação de novas hipóteses, colocando em prova a todo o momento as diferentes potencialidades dos elementos do grupo, assim como as limitações. Um projeto pode ter como tema assuntos ligados ao currículo oficial, ele pode e até deve ser programado e proposto juntamente com os alunos. Nesse caso, é importante que o professor tenha a sensibilidade de identificar as áreas de interesses e relacionadas a temática do projeto. É necessário valorizar o processo de aprendizagem dos conteúdos possibilitando a diversificação de ações, formas e vivências que propiciam uma amplitude de desenvolvimento das diferentes competências. Dessa forma, é importante que o professor, através de uma prática mais desafiadora e criativa, possa identificar no trabalho com projetos a possibilidade de tornar o ensino mais dinâmico, com conteúdos diversificados, contextualizados, desenvolvendo no aluno capacidades, habilidades e atitudes necessárias para o processo de aprendizagem. O Projeto Integrador visa problematizar temas de fundamental importância na área do curso, como forma de contextualizar o ambiente real de trabalho, articular a interdisciplinaridade, indo em direção à transdisciplinaridade. Propicia atividades em equipe, estimula o aprendizado e identifica a evolução da construção de saberes, com relação à profissionalização e a futura diplomação. O PI volta-se, principalmente, para o reconhecimento da habilidade de articulação entre os saberes do aluno durante a concepção, elaboração e construção do processo de caracterização do objeto de estudo (SANTOS, 2012). O desenvolvimento de projetos integradores no âmbito dos cursos do UNIPÊ tem como finalidade promover a aprendizagem de forma interdisciplinar, para que o estudante amplie sua capacidade de relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã, tendo em vista romper com a compartimentalização do conhecimento para uma compreensão totalidade. A interdisciplinaridade visa relacionar as unidades curriculares em atividades, projetos de estudo, pesquisa e ação, tornando-se uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos de cada curso. Em cada período letivo, um projeto integrador poderá ser realizado, envolvendo todas as unidades curriculares por meio de uma temática central, o que favorece uma dinâmica curricular mais reflexiva e globalizante entre as diferentes áreas de conhecimento permitindo compreendê-las de forma interdependente e fundamentais para aquisição do perfil profissional e humano que se almeja. Uma vez que o Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ tem como premissa que a integralização da carga horária dos cursos de graduação deve se desenvolver por meio do trabalho efetivo discente sob orientação docente aliando as bases teóricas e práticas previstas no Projeto Pedagógico de cada Curso. As formas de integralização da carga horária destinada às unidades curriculares dos Cursos de Graduação ofertados pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ são requisitos essenciais para conclusão dos respectivos Cursos, conforme estabelecem as Resoluções CNE/CES nº 02/2007, 3/2007 e 04/2009 e a Resolução CONSEPE Nº 88/2009 e Resolução nº15/ CONSEPE de 01 de setembro de 2016.
70 METODOLOGIA A atividade integrada compreende a todos os componentes curriculares do período vigente. É uma atividade obrigatória que envolve a articulação dos conhecimentos aprendidos nos componentes curriculares aplicados a Engenharia Civil. Para realização das atividades, as turmas serão divididas em grupos de, no máximo, 10 alunos. Além disso, cada grupo terá um professor orientador, definido pelos componentes integradores, que os acompanhará durante todo o semestre na construção deste projeto. Cada grupo deverá definir um líder, que será o responsável pelo bom andamento das atividades do grupo, envio e acompanhamento das atividades através na plataforma virtual, na qual são encaminhadas as atividades. Em cada estágio os grupos deverão realizar algumas atividades de execução e controle do projeto integrador, que será avaliado e acompanhado pelos professores integradores-orientadores, conforme as descrições por estágio. O Projeto Integrador também está vinculado a outro projeto denominado Desafio Estrutural, que irá abordar os aspectos estruturais e a máxima carga suportada por uma ponte construída, utilizando materiais de baixo custo. Neste contexto, a construção de pontes tem o propósito de aproximar os alunos a uma atividade prática de projetos estruturais, na tentativa de levá-los as aplicações teóricas e práticas na Engenharia Civil. A construção da ponte envolve alguns aspectos de Teoria das Estruturas, Estabilidade das Construções, Resistência dos Materiais e Mecânica Geral. Os alunos devem ser auxiliados pelos professores das unidades curriculares ligadas às áreas de estruturas de forma colaborativa com os orientadores do Projeto Integrador. O desenvolvimento desse projeto deve abranger vários aspectos das unidades curriculares, através das questões norteadoras que deverão ser abordadas, inseridas no contexto do relatório final, nas análises e discussão dos resultados. Essas questões norteadoras devem estar relacionadas ao tema, com o intuito de integrar as componentes curriculares relacionadas à temática central e gerar contribuições e soluções no desenvolvimento do projeto. As temáticas e produtos a serem desenvolvidos são elaborados e propostos conforme o nível ou período em que o aluno se encontra no curso. As temáticas propostas para o 1° período foi Sustentabilidade Aplicada na Engenharia Civil. Os conceitos e estudos relacionados à sustentabilidade serão aplicados às cinco áreas de atuação da Engenharia Civil: Geotécnica, Transporte, Estrutura, Saneamento e Recursos Hídricos. Além disso, essa temática visa promover um conhecimento transversal mesmo nos períodos iniciais. Atualmente, aconstrução sustentávelé um conceito moderno daEngenharia Civilque pode ser aplicado ao projeto de qualquer tipo de estrutura, indo desde pequenas casas populares até à construção de grandes prédios, como fábricas ou hospitais. Na construção sustentável, os engenheiros civis e arquitetos procuram usar tecnologias ecológicas nas obras projetadas para preservar o meio ambiente e poupar os recursos naturais. No 1º período, a temática integradora é denominada Sustentabilidade Aplicada na Engenharia Civil, sendo o produto final um banner, com ênfase no desenho técnico, à mão livre, ou assistido. O desenho técnico é a ferramenta necessária para a interpretação e representação de um projeto, por ser o meio de comunicação entre a equipe de criação e a de fabricação
71 (ou de construção). Nesse contexto, ele pode ser interpretado como a linguagem gráfica que representa as formas, dimensões e posicionamento de objetos e suas relações com o meio. No 2° período, a temática integradora é denominada: Cidade Sustentável, cujo produto será a elaboração de uma maquete. O objetivo foi criar uma cidade sustentável com 4 vertentes: Habitações sustentáveis: Serão desenvolvidas propostas para habitações sustentáveis, com soluções não convencionais como: reaproveitamento de água da chuva, telhados vivos, alvenarias de vedação sustentáveis, energia solar, reaproveitamento de águas sujas para rega entre outras alternativas desenvolvidas pelos alunos. Praças e Parques urbanos: Deverão ser desenvolvidas na cidade, áreas verdes públicas para todos os habitantes, como parques para lazer e diversão e praças para contemplação e passeio dos habitantes. Equipamentos públicos: Os equipamentos públicos são edificações com função de atender ao público como: padarias, supermercados, farmácias, UPA’s entre outros. Elas deverão ser construídas com materiais e soluções sustentáveis. Parque Eólico: Deverá ser implantada na cidade modelo, um Parque Eólico que tenha capacidade de gerar energia suficiente para abastecer toda a cidade. Deverá ser estudada a quantidade de turbinas necessária para produzir a energia e a melhor localização dela no mapa da cidade. Foi disponibilizado para as turmas, através dos ORIENTADORES, um mapa da cidade que irão trabalhar no formato de AutoCAD, extensão “dwg”, onde os alunos deverão desenvolver as ideias. No 3° período, a temática correspondente foi Instrumentação para Engenharia, que visa abordar o desenvolvimento e aprimoramento de instrumentos que realizam o controle, medição de processos, aquisição e tratamento de dados experimentais relacionadas à engenharia. No que se refere ao produto as equipes devem desenvolver um protótipo, que pode se referir a um instrumento de medição com materiais de baixo a médio custo, aquisição de dados experimentais, sensores, produtos para uso na engenharia em geral. No 4° Período a temática proposta foi Aplicações Estatísticas na Engenharia Civil. A temática visa a aplicação de técnicas estatísticas para a coleta, a disposição e o processamento de dados (informação), bem como da forma de integração destas técnicas aos métodos de solução de problemas na área de engenharia com uso de ferramentas computacionais. No 5° e 6° período a temática foi intitulada de Projeto Estrutural. Essa temática visa promover um conhecimento transversal através do projeto estrutural de pontes com materiais de baixo custo, bem como, a concepção de uma estrutura que atenda a todas as necessidades para as quais ela será construída. Os principais objetivos são os conhecimentos básicos de análise e dimensionamento estrutural para resolver problemas de Engenharia, projetar sistemas estruturais simples, colocar em prática o que é estudado e abordado dentro das salas de aula, além de estimular a criatividade e aceitação de novos desafios explorando trabalho em equipe e competitividade. O produto correspondente a temática será a construção de uma Ponte de Palito de Picolé, o produto irá abordar os aspectos estruturais e a máxima carga suportada pela ponte construída. Já o 7° e 8° período, o produto foram as Edificações Tecnológicas, ou seja, deveriam ser apresentadas, novas tecnologias e inovações na execução dos edifícios modernos. Ao término das etapas todos os grupos apresentam seu trabalho através de uma exposição aberta ao público, na qual os professores orientadores e integradores avaliam a os trabalhos realizados pelos alunos.
72 Para execução do projeto integrador no curso de Engenharia Civil do UNIPÊ foi elaborado um cronograma de atividades correspondentes a cada estágio do semestre letivo. 1ª Estágio - Planejamento Num primeiro momento, os professores integradores de cada período elaboraram e encaminharam as diretrizes e temáticas para cada turma. Nessa etapa cada turma de ser dividida em grupos e ser orientado por um professor integrador. Os grupos formados devem inicializar as propostas de projetos, elaborando um resumo da proposta de pesquisa. Além disso, cada equipe deverá realizar a inscrição dos grupos e individual no PI, através do sistema acadêmico (UNIPÊ). Inscrição do grupo na forma presencial na secretaria do curso, através do preenchimento de um formulário, informando os membros do grupo e orientador. Enviar o título e resumo do projeto a ser desenvolvido no PI pelo representante da equipe através da página do Projeto Integrador no Unipê Virtual. Após, escolhido o tema do trabalho, o planejamento deverá definir os seguintes passos: objetivos do projeto; como será operacionalizado o projeto, quais as atividades serão executadas, e por quem; o cronograma de execução das tarefas; quais os recursos materiais e humanos necessários para perfeita realização do Projeto. 2ª Estágio – Montagem e Execução No 2º estágio cada equipe deverá elaborar um relatório parcial do projeto, onde os critérios gerais estão associados às normas da ABNT. Já os critérios específicos são definidos pelos professores do PI que estarão relacionados às unidades curriculares do período vigente. Além disso, no 2º e 3º estágio, cada grupo terá que apresentar o andamento do processo de desenvolvimento aos docentes integradores/orientadores, com material digitalizado, assinado pelo professor orientador e enviado, pelo líder do grupo. Nessa etapa é de fundamental importância a participação do professor, como facilitador do processo, auxiliando na disponibilização dos recursos materiais necessários à montagem do Projeto. Na montagem e execução, todos os recursos materiais devem estar relacionados e recomenda-se propiciar qualidade no desenvolvimento da pesquisa, através das inovações científicas e tecnológicas. 3ª Estágio – Finalização do Projeto Integrador Nesse terceiro momento do projeto, o representante de cada grupo deverá elaborar e enviar um Relatório Final do projeto. As discussões e aplicações das questões norteadoras deverão ser adicionadas ao relatório final. Além disso, cada grupo deverá apresentar o produto desenvolvido, que posteriormente será avaliado pelos professores integradores.
73 RESULTADOS E DISCUSSÕES Na finalização do projeto integrador, os alunos do primeiro ao oitavo período de Engenharia Civil participaram ativamente do evento no qual foi apresentando todos os projetos de cada turma, equipes e período. O Projeto Integrador 2017.2 e o V Desafio Estrutural: Pontes de Palito de Picolé aconteceram no Auditório Unipê e no hall do espaço, na quinta-feira, 30 de novembro. O produto a ser desenvolvido do 1° Período (Figura 1), foi a elaboração de um banner abordando o contexto do projeto bem como o desenho técnico a mão livre, instrumental e/ou computacional. As concepções iniciais das unidades curriculares foram sendo aprimoradas e aplicadas em todo o processo de construção do projeto de cada grupo e turmas do primeiro período de Engenharia. Acreditamos, que através dos conteúdos relacionados às unidades curriculares sendo apresentadas de forma interdisciplinar os alunos poderão começar a perceber a importância de cada disciplina no contexto de sua formação acadêmica e na vivência do mercado de trabalho. No 2° Período, o produto do trabalho de pesquisa, conforme a Figura 1, foi a elaboração de uma maquete, no qual corresponde a uma representação (completa ou parcial) em escala reduzida de um objeto, sistema ou estrutura de engenharia ou arquitetura. Ao término do desenvolvimento das partes da cidade sustentável, todas as vertentes relacionadas a Habitações sustentáveis, Praças e Parques urbanos, Equipamentos públicos, Parque Eólico, deverão ser unificadas, surgindo assim a Cidade Modelo. Os projetos se mostraram bem planejados e executados, favorecendo aos estudantes a capacidade em aprender, em descobrir, e a necessidade de construir e pesquisar, desenvolvendo habilidades essenciais para a sua formação. A elaboração da cidade sustentável proporcionou uma maior interatividade no trabalho em grupo, pois cada grupo de alunos estava responsável por uma das partes da cidade, que ao término deveria estar conectada as outras partes e ambientes. Isso tornou uma atividade bastante colaborativa em todo o processo de construção, mostrando que o conhecimento individual associado ao trabalho em equipe, mesmo em meio a adversidade de opiniões e analises podem gerar grandes resultados de forma geral do processo de aprendizagem.
80 JÚNIOR, L. C.; GAZZONI, W. C.; FREITAS, J. C. Projeto interdisciplinar: uma metodologia de ensino baseada na interdisciplinaridade e no protagonismo discente. In: Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE), Belém, 2012. MENDELECK, A. Projetos temáticos interdisciplinares aplicados em engenharia de controle e automação – mecatrônica: estudo de caso. In: Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE), São Paulo, 2008. NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Uma prática para o desenvolvimento das múltiplas inteligências: aprendizagem com projetos. São Paulo: Érica, 1998a. __________. Interdisciplinaridade aplicada. São Paulo: Érica, 1998b. SOUZA, Célia Calmon e BARRA, Sérgio Rodrigues. O projeto Integrador como ferramenta de construção de habilidade e competência no ensino de engenharia e tecnologia. In: Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE), Belém, 2012. MEDEIROS, Caroline, Júnior, Maurício Gariba. Projeto integrador: uma alternativa para o processo de avaliação discente dos cursos superiores de tecnologia. In: Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE), Passo Fundo, 2006.
81 INTEGRANDO SABERES E FAZERES NA FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA Juliana Nunes Abath Cananéa - [email protected] Maria Elma de Souza Maciel Soares - [email protected] Andrea Carla Brandão da Costa Santos - [email protected] Jânia de Farias Neves - [email protected] Rosa Camila Gomes Paiva - ro[email protected] RESUMO É um desafio para as IES trabalhar com estratégias de ensino que abordem cada vez mais das interfaces das diversas áreas de conhecimento, articulando-as através de projetos que adotem atividades interdisciplinares. Este tipo de trabalho, interdisciplinar, realizado transversalmente ao longo dos períodos e que tenha como objetivo integrar as áreas de conhecimento afins na criação de um projeto que envolva duas ou mais unidades curriculares de um mesmo período letivo, é denominado Projeto Integrador. A proposta busca a articulação de conhecimentos entre unidades curriculares em curso e conhecimentos já adquiridos pelos educandos. O presente estudo tem como objetivo apresentar o Projeto Integrador do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ/PB). A proposta utiliza a construção de um produto a cada período letivo, respeitando a complexidade de cada atividade dos períodos, como meio para desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes previstas no Projeto Pedagógico. Para a realização da atividade, os discentes são organizados em equipes e desenvolvem processualmente o trabalho a ser apresentado no final do período. O PI permite ainda desenvolver uma visão mais ampla em relação às diversas áreas de conhecimento, além de fomentar um olhar crítico para a realidade social e suas cotidianidades. Palavras-chave: Projeto integrador. Interdisciplinaridade. Formação. INTRODUÇÃO O Projeto Integrador (PI) é umas das estratégias pedagógicas prioritárias adotadas pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, no sentido de promover integralização da carga horária dos cursos de graduação, de acordo com as Resoluções CNE/CES nº 02/2007, 3/2007 e
82 04/2009 e Resolução CONSEPE Nº 88/2009, bem como a Diretrizes Curriculares Nacionais do curso (RESOLUÇÃO CNE/CES 4, de 19 de fevereiro de 2002). Conforme previsto no Art. 8º da Resolução CONSEPE N° 88 de 14/12/2009, cada curso institucionaliza, por meio de seu projeto pedagógico e planejamento vigentes, quais serão os programas das unidades curriculares e planos de aula, o planejamento de estágio, do trabalho de conclusão de curso, das atividades complementares e dos projetos integradores, conforme a especificidade do curso. Além desse marco teórico, o UNIPÊ estabeleceu, em 2016, através da Resolução 015/2016, as regras e critérios para a realização do PI, como meio de integralização de carga horária, objetivando garantir uma aprendizagem significativa e interdisciplinar. Essa organização interdisciplinar, construída a partir da proposta de temáticas semestrais, busca a integração para além da troca de informações sobre objetivos, conteúdos, procedimentos e compatibilização de bibliografia entre os professores. A proposta envolve a integração dos conteúdos, da metodologia e da organização do ensino por meio de atividades interdisciplinares sistematizadas. A interdisciplinaridade surge não apenas como a junção das unidades curriculares a serem cursadas, mas como uma reorganização das disciplinas científicas, agregando a elas, as diversas visões de mundo, conhecimentos não científicos e, principalmente, a pessoa (FERNANDES, 2015). Para Fazenda (2013), a interdisciplinaridade trata-se de uma nova visão sobre as possibilidades de relação entre essas unidades curriculares, o que contribui para a construção do homem enquanto ser no mundo. Assim, em cada período letivo, é proposto um Projeto Integrador (PI), atividade obrigatória desenvolvida em equipes de trabalhos, que solicita o desenvolvimento de um produto a cada período letivo, respeitando a complexidade crescente da formação, como meio para desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes, envolvendo todas as unidades curriculares por meio de uma temática central. Nesse sentido, objetivando estimular o aprendizado do corpo discente, o Curso de Fisioterapia institui práticas interdisciplinares vinculadas ao seu cotidiano pedagógico. Ao contrário do termo disciplinaridade, que remete a construção cientifica da disciplina como conhecimento específico e homogêneo, a ótica da interdisciplinaridade introduz a ideia de relação dinâmica entre saberes, de abertura a outras áreas disciplinares e co-construção motivada pelo interesse comum de uma formação integral, humanista, crítica e reflexiva, como preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Fisioterapia. Para tanto, os projetos integradores são iniciados desde o primeiro semestre, construídos através de situações-problema e práticas em diversos cenários, com níveis crescentes de complexidade. A união de conteúdos abordados e a relação das teorias e práticas desenvolvem-se por meio de eixos articuladores ou integralizadores, que encadeiam os temas abordados na prática vivenciada ou assistida, favorecendo a capacidade de reflexão, interpretação e criticidade. Os conteúdos, distribuídos pelas unidades curriculares, são reunidos na organização curricular por meio de temas transversais, em cada semestre letivo, cada qual agrupando conteúdos específicos, porém relacionados entre si, por meio de uma unidade curricular
83 integradora. Além disso, em cada período, faz-se uma ponte do conhecimento com o período seguinte, baseando-se nos conceitos de horizontalização e verticalização, buscando formação da visão integral do ser humano, a qual será instigada, em distintos momentos e atividades, mediante a contextualização e a compreensão do funcionamento corporal, na perspectiva da Fisioterapia. O objetivo de cada PI é, portanto, proporcionar a construção de conhecimentos e instituição de práticas que possam contribuir para a formação de um profissional fisioterapeuta que atue a partir de uma visão biopsicossocial do ser humano, nos três níveis de atenção, capaz de desempenhar ações nos âmbitos da atenção à saúde, educação e gestão, de forma integrada e com valorização do saber popular, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Fisioterapia. METODOLOGIA O Projeto Integrador, desenvolvido em equipes, utiliza a construção de um produto a cada período letivo, respeitando a complexidade de cada atividade dos períodos, como meio para desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes previstas no Projeto Pedagógico. Para a realização da atividade, os discentes são organizados em equipes e desenvolvem processualmente o trabalho a ser apresentado no final do período. As atividades integram todas as unidades curriculares e cada grupo é orientado por um dos docentes do período. Todo esse trabalho é orquestrado por um professor integrador, que é o responsável pela unidade curricular (unidade integradora) com maior capacidade de articulação de saberes, como ilustra o Quadro 1. Quadro 01: Distribuição das unidades integradoras por período no curso de Fisioterapia do UNIPÊ. PERÍODO TEMÁTICA UNIDADE INTEGRADORA P1 Em busca da identidade do SER Fisioterapeuta Educação em Saúde na Comunidade I P2 Ciência, Saúde e Sociedade Educação em Saúde na Comunidade II P3 Integralidade: do individual ao coletivo Saúde Coletiva P4 Epidemiologia: Indicando os caminhos da saúde Epidemiologia e Saúde Ambiental P5 Projeto Terapêutico Singular: Construindo redes de cuidado Fisioterapia Neurofuncional P6 Fisioterapia e pesquisa: buscando evidências Metodologia da Pesquisa P7 Gestão e Planejamento no três níveis de Atenção à Saúde Gestão em Fisioterapia Essas atividades, acompanhadas pelo orientador e sistematizadas pelo professor integrador, são avaliadas e pontuadas por ambos, integrando a nota do segundo e terceiro estágios de todas as unidades curriculares do período. Neste último estágio, há ainda a apresentação dos trabalhos, dentro da Mostra de Projetos Integradores do Curso de Fisioterapia, quando cada grupo apresenta o produto proposto para uma banca de professores, bem como os demais discentes do curso, com tempo e metodologia pré-estabelecidos.
84 Projeto Integrador tem como tema “A busca da Identidade do Ser Fisioterapeuta”. Esta temática auxilia a integração dos componentes curriculares básicos na formação do fisioterapeuta, além de proporcionar aos discentes um conhecimento mais ampliado das áreas de atuação do profissional fisioterapeuta. No segundo período, o projeto integrador objetiva a construção de um estudo de caso construído das experiências vividas pelos discentes, nas visitas técnicas e observações das práticas assistidas na Clínica-Escola de Fisioterapia, oportunizadas na unidade de Educação em Saúde na Comunidade II (ESC II). Esta temática auxilia a integração dos componentes curriculares básicos na formação do fisioterapeuta, além de proporcionar aos discentes um conhecimento mais ampliado dos casos clínicos atendidos pelo profissional fisioterapeuta. A atividade que integra o terceiro período é construída por meio das experiências vividas pelos discentes, nas visitas técnicas realizadas em serviços de saúde, por orientação de um professor do terceiro período e da professora do componente integrador Saúde Coletiva. Os discentes são divididos em cinco grupos de acordo com as redes de cuidado preconizadas pelo Ministério da Saúde (Rede Materno Infantil, Atenção à saúde das pessoas com doenças crônicas, Atenção e cuidado à pessoa com deficiência, Atenção Psicossocial, Urgência e emergência), por dentro da temática Integralidade: do individual ao coletivo. No quarto período, a atual proposta, depois de outras experiências, é a construção de uma sala de situação em saúde, considerando um indicador de saúde, que deve refletir, com fidedignidade, o panorama da saúde populacional estudada. Os indicadores de saúde, que são ferramentas utilizadas para elucidar as características sanitárias de uma população, constituem nessa atividade importantes instrumentos de planejamento, estratégia e avaliação do modelo de saúde proposto. A temática integradora do quinto período é denominada Projeto Terapêutico Singular: construindo redes de cuidado, com a produção de um Ecomapa. Ele objetiva favorecer a compreensão de um conceito mais amplo da saúde, sob o ponto de vista biopsicossocial do ser humano, a fim de construir um perfil profissional voltado para ações e políticas sanitárias e sociais, com foco nas distintas necessidades e realidades de sujeitos singulares. No sexto período, os discentes do curso de Fisioterapia andam de mãos dadas com a pesquisa, buscando evidências na construção de um artigo científico sobre as várias linhas do cuidado em saúde que fazem parte do período. No sétimo período, a temática integradora é denominada Gestão e planejamento nos três níveis de atenção em saúde, a qual será articulada pelo componente curricular Gestão em Fisioterapia. Neste período, a atividade integrada é construída por meio das experiências vivenciadas pelos alunos durante as visitas técnicas aos serviços de saúde, nos três níveis de Atenção, envolvendo a rede de saúde do município de João Pessoa e CabedeloPB, com a construção de um Projeto Aplicativo. A avaliação é realizada através de atividades desenvolvidas ao longo do período, algumas individualmente e outras em grupo, por meio de uma rubrica específica para cada proposta, com pontuação mínima em todas as unidades curriculares. As atividades realizadas no primeiro estágio não são pontuadas, enquanto que, no segundo e terceiro estágios, a pontuação do PI compõe as notas das avaliações de todas as unidades curriculares do período,
85 contando com avaliação conjunta entre os professores integrador e orientador de cada grupo. Os critérios utilizados para a avaliação dos produtos são: criatividade, inovação, expectativa de mercado e qualidade da produção. Para apoiar essa construção, a partir da Resolução 015/2016, dada a institucionalização do Projeto Integrador, uma nova ferramenta foi integrada ao escopo de ações do PI. Para facilitar a compreensão dos discentes quanto a realização das atividades, bem como quanto aos meios de expressar a interdisciplinaridade durante este processo, uma sala virtual é disponibilizada. Através dela, são compartilhados materiais teóricos, como um Roteiro Metodológico onde constam: apresentação, temática do período letivo, orientações para o desenvolvimento do projeto integrador, esclarecimentos sobre o produto a ser construído, orientações para realização e construção documental, assim como para a apresentação pública e os critérios avaliativos. O ambiente virtual fortalece os trabalhos realizados de maneira presencial, permite um espaço para fórum de discussão, plantão de dúvidas, assim como, espaço para envio documental das tarefas solicitadas ao longo do semestre. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O projeto de Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN, que orientam os cursos de graduação, foram postas como competência da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, com a Lei 9.131, de 24/11/95. Dois anos depois, essa mesma comissão estabelece, através do Parecer 776/97, que as Diretrizes Curriculares Nacionais devem se constituir em orientações para a elaboração dos currículos, sendo seguidas por todas as Instituições de Ensino Superior e assegurando a flexibilidade e a qualidade da formação oferecida aos estudantes. Elas devem, ainda, garantir liberdade às IES na definição dos currículos de seus cursos, considerando as competências e das habilidades que se deseja desenvolver, através da organização de um projeto pedagógico. Dentre outras características, as DCNs precisam contemplar orientações para as atividades de estágio e demais atividades que integrem o saber acadêmico à prática profissional, com atividades complementares que possibilitem o desenvolvimento de habilidades e competências do aprendente, estimulando a prática de estudos transversais e interdisciplinares, respeitando as diferenças regionais e culturais. De acordo com o parecer CNE/CES 0289/2003, as Atividades Complementares podem incluir projetos de pesquisa, monitoria, iniciação científica, projetos de extensão, módulos temáticos, seminários, simpósios, congressos, conferências, unidades curriculares ofertadas outras instituições de ensino, ainda que esses conteúdos não estejam previstos no currículo pleno de uma determinada instituição, uma vez que se inserem em um mesmo currículo, de forma interdisciplinar, e se integram com os demais conteúdos realizados. Para o Curso de Graduação em Fisioterapia, as DCNs (Brasil, 2002) preconizam um perfil do formando egresso/profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde. Esse profissional precisa ter uma visão ampla e global,
86 respeitando os princípios éticos/bioéticos e culturais do indivíduo e da coletividade. Percebese, portanto, que o Projeto Integrador, enquanto atividade complementar, é uma ferramenta pedagógica imprescindível para a construção desse perfil profissional. Considerando esse cenário, os PI são propostas de ensino e aprendizagem que articulam teoria e prática de maneiras vertical, horizontal ou a combinação de ambos baseadas no currículo e que partem do princípio que a integração entre a tríade ensino-serviçocomunidade se constrói a partir de relações formativas intencionais, articuladamente diversas e criticamente provocadoras. Esse princípio norteador aparentemente simples, mas carregado de complexidade e significados em seu planejamento, execução e avaliação é mais eficiente quando se aplicada a pensar e agir sobre realidades concretas, com as quais os profissionais de saúde vão lidar em suas jornadas. O PI é, antes de tudo, um processo que permite ao aprendente mobilizar uma quantidade significativa de competências, habilidades e atitudes para solucionar problemas. Partindo dessa prerrogativa, o PI precisa percorrer o longo caminho da formação, articulando os conteúdos programáticos ao longo dos períodos letivos, de forma que o discente consiga vislumbrar a sua trajetória e entender, nesse percurso, que profissional o mercado de trabalho precisa e espera. Nesse sentido, PI se apresentam como um dos mais ricos e desafiadores instrumentos de ensino e aprendizagem, porque prima pela formação de pessoas com capacidade para pensar e solucionar problemas. Outra particularidade dos PI é que eles invertem a lógica (ainda) hegemônica da formação no ensino superior no Brasil: o ensino centrado no protagonismo docente e passividade discente. Embora um modelo contragemônico já desponte há décadas na perspectiva de educadores bastante conhecidos no cenário acadêmico brasileiro como Lev Vygotsky, Paulo Freire, David Ausubel, entre tantos outros, mudar décadas de um ensino tradicional requer mais do que boa vontade. É um esforço conjunto que repensa as práticas dos atores envolvidos e o próprio currículo (FARIAS; MARTIN, CRISTO, 2015). Seguindo essas premissas básicas, dois pontos chaves parecem ser os pilares constitutivos de um PI: a intencionalidade da proposta e a sua aplicabilidade na resolução de problemas que fazem parte do cotidiano dos profissionais. Observa-se, ainda, a riqueza das relações que precisam ser estabelecidas entre esses atores, já que a formação de equipes é comumente utilizada para organizar os aprendentes. Dessa forma, as habilidades socioemocionais despontam como um importante mediador e determinante do produto final do PI. Isso porque o PI tangencia uma rede de relações que inclui o discente com ele mesmo e o discente com os outros discentes, docentes, pacientes e outros profissionais de saúde estabelecendo uma rede de contatos. Isso porque, o estabelecimento dessas redes sociais enquanto espaço de pertencimento social não é natural e se faz através de construções e reconstruções a partir da imersão do sujeito social dentro de um longo processo de institucionalização das relações (PORTES, 2000). Adicionalmente, o PI revela a sua complexidade ao exigir um diálogo entre componentes curriculares distintos para solucionar processualmente e de maneira dialógica uma situação problema pré-definida. Isso gera a necessidade de reflexão do aprendente sobre sua trajetória,
87 potencialidades e dificuldades e do cenário em que ele e seus pares estão inseridos, já que o PI impõe a articulação de saberes e a interdisciplinaridade. Libâneo (2013) defende que, para que a interdisciplinaridade aconteça, é necessário ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber, garantindo processos integradores e o empoderamento dos educandos. Para esse autor, a interdisciplinaridade está fundamentada na integração entre as disciplinas e no envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo e representa a interrelação entre teoria e prática. Como alternativa para eliminar a fragmentação do conhecimento, a interdisciplinaridade é proposta para promover a interação e as relações entre as diversas áreas do conhecimento e tem sido adotada uma concepção com outro nível de abrangência, em que o desenvolvimento de projetos aparece como proposta para vencer a fragmentação desse conhecimento e promover uma educação para construção da cidadania (TOMAZ; DAVID, 2013). A interdisciplinaridade é entendida, portanto, como uma forma de compreender os pontos de conexão e complementariedade das diferentes áreas de conhecimento, unindo-se para construir algo inovador e ampliar possibilidades (FONSECA et.al., 2015). Diante disso, constitui-se um desafio para as IES trabalhar com estratégias de ensino que abordem cada vez mais das interfaces das diversas áreas de conhecimento, articulandoas através de projetos que adotem atividades interdisciplinares. Este tipo de trabalho, interdisciplinar, realizado transversalmente ao longo dos períodos e que tenha como objetivo integrar as áreas de conhecimento afins na criação de um projeto que envolva duas ou mais unidades curriculares de um mesmo período letivo, é denominado Projeto Integrador, que busca a articulação de conhecimentos entre unidades curriculares em curso e conhecimentos já adquiridos pelos educandos (SANTOS; BARRA, 2012). O Projeto Integrador visa problematizar temas de fundamental importância na área do curso, com o intuito de contextualizar a realidade, promover a interdisciplinaridade, em uma tentativa inclusive de alcançar a transdisciplinaridade. Ao propiciar atividades em equipe, estimula o aprendizado e identifica a evolução da construção de saberes, valorizando o reconhecimento da habilidade de articulação entre os saberes do aluno (CRUZ, 2015). Santos e Barra (2012) acrescentam que o PI deve ver o educando como ponto central do processo, auxiliando-o a desenvolver capacidade de pesquisa (individual e em grupo), bem como as capacidades de tomada de decisão, planejamento e trabalho em equipe (relação interpessoal). São outros objetivos do PI para esses autores: estimular a oralidade, administrar bem o tempo, administrar conflitos, resolver problemas complexos, desenvolver o senso crítico e desenvolver a capacidade de aliar teoria à prática. Silva e Coser (2012) acrescentam que os Projetos Integradores (PI) tendem a favorecer o ensino mais contextualizado e dinâmico, sendo utilizados como estratégia de integração e interdisciplinaridade em diferentes modalidades de ensino no Brasil e se molda a partir de cada projeto pedagógico que tenha como premissa a integração dos saberes e também práticas.
88 CRONOGRAMA E EXECUÇÃO O Projeto Integrador se concretiza como uma soma de atividades e conhecimentos construídos que formam os diversos produtos finais. Essas atividades variam conforme a intencionalidade educacional de cada período, bem como produto realizado ou construído, e são desenvolvidas a cada estágio, de forma continuada. Cada período tem uma carga horária de atividades de integralização a cumprir, as quais são o percurso para a construção do PI, garantindo assim a construção gradativa e processual. Essa carga horária é alcançada com a proposição de atividades diversas, que são acompanhadas através da sala virtual no ambiente, e envolvem visitas técnicas, reuniões do grupo e com o professor, entrevistas, relatos de experiência, sínteses, entre outras. O quadro 2 mostra os produtos construídos em cada período, com a distribuição de carga horária para alcança-los. Quadro 02: Produtos construídos e distribuição de carga horária por período no curso de Fisioterapia. PERÍODO INSTRUMENTO INTEGRADOR CARGA HORÁRIA 1Feira de Profissão/Diário de Campo 70 2 Estudo de caso 80 3 Linhas de Cuidado em Saúde 70 4 Sala de Situação 80 5 Portfólio/Ecomapa 70 6Artigo Científico 80 7 Projeto Aplicativo 80 CARGA HORÁRIA TOTAL DO PROJETO INTEGRADOR 530h No oitavo e nono períodos, são realizadas outras atividades como integralização de carga horária, e não como Projeto Integrador, somando 70 horas em cada um deles, isto é, 140 horas. Dessa forma, são integralizadas 670 horas à carga horária total do Curso de Fisioterapia, sendo 570 com o Projeto Integrador e 140 com outras atividades. RESULTADOS E DISCUSSÃO O Projeto Integrador também proporciona a integralização da carga horária, que envolve atividades acadêmicas de caráter formativo desenvolvidas pelo discente, além do conteúdo em sala de aula, interagindo em atividades com atuação direta e indireta dos docentes, nas quais o discente se coloca como sujeito ativo do seu processo de formação. Como exposto, a organização didático-pedagógica faz uso de metodologias que contemplam a perspectiva interdisciplinar, dentro de uma abordagem curricular integradora permitindo a mobilização de saberes e capacitando os alunos para que tenham condições de
89 disponibilizar, durante seu desempenho profissional, os atributos adquiridos na vida social, escolar, pessoal, e laboral para lidar com a flexibilidade e rapidez na resolução de problemas. Na prática, a execução do PI trabalhar a integração curricular, valorizando as trocas de experiências e saberes em uma postura de respeito à diversidade porque exige cooperação mútua e parceria para construção de projetos. Fica claro, portanto, que o PI estimula as habilidades socioemocionais, já que torna possível pensar as relações a partir do conceito de capital social e cultural de Pierre Bourdieu, considerado por diversos autores como um dos mais refinados já propostos. Tal perspectiva emerge da compreensão de que um PI permite a articulação entre os sujeitos produzindo sociabilidades necessárias para ele construa suas relações de pertencimento a um dado grupo social e, consequentemente, aumente a sua bagagem de conhecimentos. Isso permite que os sujeitos sociais mobilizem o seu próprio capital cultural e os diálogos gerados através desse constructo fazem emergir as discrepâncias entre o capital social dos sujeitos. Para Bourdieu, é possível compreender isso se considerarmos que a escola e, consequentemente a universidade, é um local em que as diferenças de capital econômico são notadamente demarcadas e, dessa forma, visíveis. Desse modo, caberia a instituição formadora e ao próprio aprendente a tarefa de elevar o seu capital cultural para, dessa forma, tentar nivelar o acesso dos atores sociais a oportunidades que eles provavelmente não teriam isoladamente e, a posteriori, conseguir aumentar o seu próprio capital econômico e social superando a sua condição social (BOURDIEU, 1998). Posto isso, o saber profissional do fisioterapeuta que vai sendo construído é entendido como uma fusão de conhecimentos provenientes de diversas fontes disciplinares, assim como das experiências que alicerçam uma visão ampla e contextualizada da realidade e das relações, de forma que o PI se apresenta como uma rica oportunidade de incrementar o futuro profissional não apenas como profissional, mas como sujeito social dotado de sentidos e postura transformadora. A partir do enfoque interdisciplinar, o curso incentiva projetos que articulem componentes curriculares de formação básica e de formação específica. Assim, no âmbito do processo formativo estimulam-se a produção e a socialização do conhecimento em seus múltiplos aspectos de natureza biológica, humana, sociais, biotecnológica e fisioterapêuticos imprescindíveis para instaurar um modo de saber-intervir baseado em um permanente diálogo entre as áreas de conhecimento científico e as especificidades do campo da Fisioterapia. Ao incluir a interdisciplinaridade no cotidiano pedagógico, o curso se propõe a redimensionar as relações entre os saberes contribuindo para que a fragmentação do conhecimento seja superada. Esta ótica possibilita que o movimento humano, objeto da formação do fisioterapeuta, seja estudado a partir da articulação das diferentes áreas de conhecimento redefinindo métodos e técnicas, o que estimula a construção de uma nova relação entre os saberes fisioterapêuticos, aberto à pluralidade dos campos de atuação da Fisioterapia. Partindo desta concepção de formação, essa prática pedagógica busca constantemente incorporar situações-problema, estudos dirigidos, debates, resenhas críticas, dramatizações, filmes, jogos, estudos de caso, rodas de conversa e leitura, ciclos de palestras e debates, portfólios, elaboração de projetos, diários de aprendizagem, planos de ação e estratégicos,
96 dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades no eixo a atenção à saúde: estar apto a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve estar ciente de que sua prática deve ser realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo crítico e analítico diante das situações. Contudo, os serviços realizados por esses profissionais devem ser de qualidade e devem obedecer aos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim, com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo (MANN, 1996). O Parágrafo único da mesma DCN refere que, a formação do fonoaudiólogo deverá atender ao sistema de saúde vigente no país, a atenção integral da saúde no sistema regionalizado e hierarquizado de referência e contra-referência e o trabalho em equipe. Dentre os pressupostos defendidos na formação do fonoaudiólogo destaca-se a orientação da formação para reconhecer a saúde como direito de todos, determinada pelas condições dignas de vida, atuando de forma a garantir a integralidade da assistência. Com base nessa concepção, entende-se que as políticas de saúde ganham força na medida em que o serviço é prestado, de forma que as ações, conjuntas ou individuais dos profissionais envolvidos, sejam incorporadas às suas práticas cotidianas, gerindo um modelo de educação para saúde que convergem para o princípio da integralidade rotineiramente em ambientes de trabalho e atendimento clínico, na comunidade ou até mesmo no ambiente escolar (RAMOS e ESQUIVEL, 2015). Isto posto, estar diante de um trabalho multidisciplinar em saúde é interessante traçar um Projeto Terapêutico Singular (PTS), que é um instrumento para a organização da saúde construído entre equipe e usuário, considerando as singularidades do sujeito e a complexidade de cada caso. No PTS é traçado a identificação das necessidades de saúde, a discussão do diagnóstico e a definição do cuidado, dessa forma há um aumento da eficácia dos tratamentos, pois essa relação tende a fortalecer os vínculos e aumenta o grau de corresponsabilização (BRASIL, 2009). A utilização do PTS na equipe de saúde precisa ser feita de forma organizada, obedecendo à articulação entre os profissionais envolvidos e a utilização das reuniões de equipe como um espaço coletivo, reflexão, discussão, compartilhamento e corresponsabilização das ações, com a horizontalização dos poderes e conhecimentos (CAMPOS, 2003; BRASIL, 2009), podendo este ser modificado a qualquer momento do processo. De acordo com o Ministério da Saúde (2009) pode-se sistematizar o PTS em quatro momentos: Diagnóstico e análise: aborda uma ampla avaliação considerando a integralidade do indivíduo e possibilita uma conclusão a respeito dos riscos, vulnerabilidade, resiliências e potencialidades dele. Definição de ações e metas: após realizados os diagnósticos, as equipes que desenvolvem o PTS fazem propostas de curto, médio e longo prazo, quais serão discutidas e negociadas com o usuário em questão e/ou com familiar. Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de cada um (usuários, equipe de AB e Nasf) com clareza. Reavaliação: neste momento, discute-se a evolução do caso e se farão as devidas correções, caso sejam necessárias.
97 A prestação de serviços pode ser potencializada com o uso da tecnologia pois, para Lorenzetti e colaboradores (2012), colabora com a produção de novos conhecimentos e devem ser o centro da sobrevivência e crescimento do mundo corporativo, instituições e na aprendizagem permanente. Ainda segundo o autor supracitado, a influência da inovação tecnológica no setor da saúde é inquestionável, basta atentar-se a disponibilidade de equipamentos ou novas técnicas assistenciais, sobre diferentes campos ou especialidades. Assim, a área da saúde tem utilizado a tecnologia para fins terapêuticos e de diagnóstico (MURARO, 2009). Em relação à Fonoaudiologia, nota-se que esta tem buscado cada vez mais introduzir, na sua rotina de atuação, uso de vastos equipamentos disponíveis que parecem facilitar a prática clínica ampliando as possibilidades de um diagnóstico mais preciso (SILVA, 2011; SANTOS et al, 2012; NASCIMENTO et al, 2017; LIMA et al, 2017). Entretanto, é valido saber que apesar de muitas tecnologias buscarem a objetividade em um tratamento subjetivo, este necessita da interpretação clínica para o direcionamento da conduta correta (SILVA, 2011). Além de utilizar recursos tecnológicos visando a avaliação ou tratamento do paciente na área fonoaudiológica, têm-se visto, recentemente, estudos mostrarem a importância de fomentar o processo ensino-aprendizagem (TAROUCO et al.; 2003) com ferramentas tecnológicas (LIMA et al, 2017). Com esse intuito, um estudo desenvolveu uma tecnologia educacional para o ensino da área de voz, sendo fundamentado pela teoria fonte-filtro (FANT et al; 1970), que explica o mecanismo de produção vocal e apresentá-lo à discentes do Curso de Bacharelado em Fonoaudiologia para avaliação da sua qualidade, usabilidade e potencial da tecnologia de ensino. Por fim, pode-se concluir que o recurso apresentou qualidade no conteúdo, facilitando o aprendizado, sendo a funcionalidade considerada excelente. Houve concordância quanto à relevância da utilização de outros recursos educacionais no processo de ensino/aprendizagem (NASCIMENTO et al, 2017). Outro estudo realizado apresentou um Objeto de Aprendizagem desenvolvido para o ensino do Modelo Pré-Motor Duplo (MPMD), teoria proposta por Alm (2005) para a elucidação das bases neurais da gagueira e, os autores descrevem que este recurso didático pode auxiliar os professores, dos cursos de Fonoaudiologia, a ensinar de maneira mais tecnológica e, assim, facilitar o aprendizado sobre as bases neurais da gagueira para a formação do fonoaudiólogo (LIMA et al, 2017). Portanto, é importante lembrar que na formação do fonoaudiólogo, de acordo com a Diretriz Curricular (RESOLUÇÃO CNE/CES 5, DE 19 DE FEVEREIRO DE 200, Art 8°) “o Curso de Graduação em Fonoaudiologia deverá contemplar atividades complementares e as Instituições de Ensino Superior deverão criar mecanismos de aproveitamento de conhecimentos, adquiridos pelo estudante, através de estudos e práticas independentes presenciais e/ou a distância, a saber: monitorias e estágios; programas de iniciação científica; programas de extensão; estudos complementares e cursos realizados em outras áreas afins.” Assim, nota-se que todos os eixos temáticos abordados nessa revisão bibliográfica complementam a formação acadêmica do discente.
98 METODOLOGIA O desenvolvimento de projetos integradores (PI) no âmbito dos cursos de graduação do UNIPÊ é uma atividade obrigatória ao discente, pois é entendida como ação inovadora de aprendizagem ao aluno, além de caracterizar forma de integralização da carga horária destinada às unidades curriculares dos Cursos de Graduação ofertados pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ, conforme estabelecem as Resoluções CNE/CES nº 02/2007, 3/2007 e 04/2009 e a Resolução CONSEPE Nº 88/2009 e Resolução nº15/CONSEPE de 01 de setembro de 2016. Para tanto, as atividades devem acontecer fora do espaço de sala de aula, por meio de articulação entre teoria e prática, em cenários de aprendizagem práticos, internos ou externos à Instituição com trabalho efetivo, processual e autônomo do discente, conforme seus interesses de aprendizagem. No segundo semestre de 2017, o curso de Fonoaudiologia desenvolveu Projetos Integradores destinados aos seis primeiros períodos. Cada atividade foi capitaneada por um docente denominado “integrador”, responsável por acompanhar todas as etapas do processo e gerenciada por um “Roteiro Metodológico”, no qual estão descritas a temática, etapas de desenvolvimento, questões norteadoras, esclarecimento sobre o produto a ser construído e apresentação pública, além dos critérios avaliativos, sempre almejando a articulação dos conteúdos de todas as unidades curriculares inseridas em cada período. O desenvolvimento dos PI ocorreu de forma processual, dividido em três fases, seguindo o calendário acadêmico de verificação de aprendizagem, considerando-se as etapas necessárias para elaboração do produto final. A abordagem dos docentes integradores foi realizada, em sua grande parte, no Ambiente Virtual de Aprendizagem, porém, ocorreram alguns encontros presenciais para atender demanda dos discentes. As temáticas abordadas em cada período foram sugeridas pelo NDE, com aprovação do Colegiado. Em seguida, durante reunião presencial de planejamento pedagógico, todos os docentes do curso puderam contribuir com a elaboração e/ou atualização dos seis Roteiros Metodológicos do curso de Fonoaudiologia para o semestre em tela. A temática destinada ao projeto integrador do primeiro período foi “Determinantes Sociais na Saúde” e teve como produto final, a elaboração de vídeo-documentário. Para execução dessa atividade, os alunos construíram um questionário semiestruturado a partir das questões norteadoras do Roteiro Metodológico, procederam a pactuação da visita à comunidade previamente determinada pelo docente integrador e executaram, in loco, as entrevistas com membros da comunidade, realizando os registros de áudio e vídeo com autorização prévia. Foram visitadas comunidades de Lavadoras, Quilombola, Moradores de Rua e Catadores de lixo. Os discentes do segundo período desenvolveram o PI com o tema “Atenção à saúde: do individual ao coletivo”. Para a realização das atividades, os alunos deslocaram-se, primeiramente, à Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, no setor das áreas técnicas das linhas de cuidado (Saúde do Homem, Saúde da Mulher, Saúde do Idoso e Saúde da Criança) a fim de conhecer o funcionamento das áreas e, posteriormente, vivenciaram atividades de grupos de atenção à saúde correspondente a estas linhas em diferentes Unidades de Saúde
99 da Família. Através dessas observações e diálogos, os alunos construíram um diário de campo relatando as vivências, caracterizando o produto final. A temática do PI do terceiro período foi “Direitos Humanos em Saúde”, culminando com a elaboração de ECOMAPA. Para tanto, os discentes, a exemplo do que ocorreu com o primeiro período, pactuaram visita e executaram entrevistaram in loco. Porém, as comunidades envolvidas foram de pessoas com deficiência (auditiva, visual, intelectual e física). Através desses questionários, os alunos puderam compreender os diretos à saúde de pessoas com deficiências, suas maiores dificuldades no sentido de acessibilidade nos locais, no que diz respeito às prioridades de atendimentos, à distribuição de medicamentos, dentre outros pontos de fragilidade nas políticas públicas garantida por Lei. Os discentes do quarto período tiveram o objetivo de desenvolver “Projeto Terapêutico Singular” (PTS) como proposta do PI. Para atingir tal objetivo, os grupos de alunos foram instruídos a, mediados por um docente que desenvolve atividades de estágio supervisionado, fazer acordos com o usuário com a finalidade de realizar a visita ao domicílio do mesmo. Na sequência, os mesmos foram orientados a elaborar, com base nas questões norteadoras, um roteiro para facilitar a elaboração do PTS. Sob a orientação da professora integradora, os discentes elaboraram o PTS fazendo constar a correlação entre o caso analisado e as questões norteadoras. Foram envolvidos usuários com diagnósticos de Deficiência Intelectual, Encefalopatia Crônica não Progressiva e Deficiência Auditiva. Em virtude da progressão da Matriz Curricular inovadora do curso, no presente semestre, a temática do quinto e do sexto períodos foi a mesma, “Tecnologia em Fonoaudiologia”, por meio da qual os discentes foram estimulados a desenvolver ideias práticas de recursos tecnológicos que possam ser utilizados como apoio à terapia ou como objeto de aprendizagem. Para tanto, realizaram pesquisa bibliográfica e fichamento sobre Tecnologia Assistiva correlacionando com as áreas da Fonoaudiologia, selecionaram e construíram o produto, fazendo as correlações entre as patologias estudadas nas áreas da Fonoaudiologia, bem como produziram manual de utilização, com descrição dos objetivos, aplicações e benefícios do recurso. Todos os produtos finais do semestre foram apresentados aos docentes e discentes de todo o curso, na VII Mostra de Atividades Integradoras de Fonoaudiologia, realizada nos dias 27, 28 e 29 de novembro. RESULTADOS E DISCUSSÕES Durante a apresentação dos produtos finais dos PI do semestre 2017.2, foi perceptível que os discentes construíram, com senso de coletividade, todas as atividades, interagindo entre si e com os atores externos e apresentaram ética profissional, buscando conhecimentos em sua área, além de desenvolverem competências e habilidades importantes para a prática profissional da Fonoaudiologia. A proposta de atividade do primeiro período estimula os discentes a desenvolverem olhar mais amplo sobre a assistência ao usuário, inserindo o contexto socioeconômico e cultural dos indivíduos na compreensão do desenvolvimento de agravos à saúde, reduzindo a
100 ideia hospitalocêntrica, focando na prevenção e promoção de saúde. Além disso, ancora-se na habilidade dos discentes em trabalhar com mídias eletrônicas já que, em sua maioria, são “nativos digitais”. Figura 1: Apresentação do vídeo-documentário do P1 O diário de campo elaborado pelos discentes do segundo período favoreceu a análise do cumprimento das atividades determinadas pelas linhas de cuidado no município de João Pessoa, com a consequente reflexão do papel profissional do fonoaudiólogo para contribuir com o pleno atendimento às demandas. Tal atividade também favoreceu o debate sobre o ensino em saúde, que, por muitas vezes, é direcionado para a técnica do atendimento ambulatorial, levando os discentes a ultrapassar estes conhecimentos e garantir olhar ampliado para a atuação em saúde. Já os discentes do terceiro período, com o desenvolvimento do ECOMAPA, puderam ter acesso à forma dinâmica e objetiva de compreender e expor a necessidade de cumprir os direitos que pessoas com deficiência têm garantidos a partir do que está definido na Constituição Federal de 1988, além de vivenciar, na prática, as situações que mais acarretam prejuízos para a vida dessas pessoas.
101 Figura 2: Apresentação do ECOMAPA do P3 Já o PTS elaborado pelos discentes do quarto período objetivou estimular o planejamento e tomada de decisões baseadas em evidências, a fim de elencar estratégias conjuntas que atendam às reais necessidades de saúde da população. Através da elaboração desse projeto, os discentes tiveram a oportunidade de se aproximar da realidade clínica, principalmente voltada para à atuação interdisciplinar, o que gera melhor entendimento a partir da relação teoria x prática, tornando-os mais capacitados a tomar decisões e eleger estratégias apropriadas para cada situação. O resultado final dos PI desenvolvidos pelo quinto e sexto períodos também foi bastante satisfatório, visto que os discentes puderam desenvolver produtos tecnológicos criativos, fazendo uso de recursos de baixo custo e eletrônicos, a serem utilizados com pacientes, nos aspectos de avaliação, terapia e orientação, tanto individual como coletiva, caracterizando Educação em Saúde, potencializando o trabalho que é desenvolvido rotineiramente pelo fonoaudiólogo e com os próprios alunos, para melhora do aprendizado de conteúdos curriculares.
102 Figura 3: Apresentação de Recurso Tecnológico do P5 Figura 4: Apresentação de Recurso Tecnológico do P6
103 Outro destaque que merece ser referido é que, pelo formato das apresentações, os discentes já são expostos a situações de falar em público desde o início da graduação, o que pode favorecer no desempenho acadêmico, em congressos e nas atividades desenvolvidas em alguns estágios supervisionados do curso. Além disso, alguns produtos finais podem servir de subsídio para o desenvolvimento de Trabalhos de Conclusão de Curso. CONSIDERAÇÕES FINAIS As ações desenvolvidas no PI do curso de Fonoaudiologia, durante o segundo semestre do ano de 2017, obtiveram resultados satisfatórios, tanto em relação ao desempenho e desenvolvimento dos discentes, como nas abordagens temáticas sugeridas para cada período. Dessa forma, foram complementados, de maneira prática, o processo de ensino/ aprendizagem e o trabalho interdisciplinar dentro da graduação, o que favoreceu também o raciocínio lógico e a criatividade de docentes e discentes nessa teia organizacional de formação acadêmica, além de estimular a visão ampliada da Fonoaudiologia, considerando os aspectos sociais, educacionais, políticos e de saúde que envolvem a realidade brasileira. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALM, P. A. On the causal mechanisms of stuttering. Doctoral dissertation, Dept. of Clinical Neuroscience, Lund University, Sweden, 2005. ANDRADE, C. R. F. Fonoaudiologia Preventiva - Teoria e Vocabulário Técnico Científico. São Paulo: Lovise,1996 BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fonoaudiologia. Resolução CNE/CES 5/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 4 de março de 2002. BRASIL. Conselho Regional de Fonoaudiologia - CRFª. Determinação das áreas de Atuação da Fonoaudiologia. CRFª 2ª Região, São Paulo, 15 de novembro, 2016. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde na escola. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização. Atenção Básica. Cadernos Humaniza SUS, série B. Textos Básicos de Saúde, v. 2, Brasília, DF, 2010, 256p. BRASIL. Presidência da República – Casa Civil. Regulamentação da profissão de Fonoaudiólogo. LEI No6.965, 12/1981. Diário Oficial da União, Brasília, 09 de dezembro de 1981.
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112 Figura 5: Exemplo da Landing Page Fonte: Grupo Smart Line É importante ressaltar que as atividades realizadas durante a execução dos Projetos Integradores também são registradas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), em sala específica para este fim, sob gestão do professor integrador e acompanhamento da Coordenação do Curso e culminam em um relatório final apresentado a Pró-Reitoria Acadêmica. PROTÓTIPOS DE INTERFACE (Mockups) O projeto apresentado foi elaborado objetivando minimizar o problema que os motoristas de transportes escolares sofrem ao definir o melhor percurso durante a busca de seus passageiros. Nesse cenário, constantes dificuldades são geradas durante esse trajeto, tais: os engarrafamentos, a incerteza da ida e volta dos alunos, problemas atípicos dentro da faculdade. A Figura 6 apresenta exemplos de protótipos de interface para este produto, chamado “VanOn Transporte Conectado3”, desenvolvido por um grupo do terceiro período do curso. 3 https://prodigies.pythonanywhere.com/
113 Figura 6: Exemplo dos Mockups criados Fonte: Grupo “VAN-ON Transportes Conectados” do Curso PROCESSO DE AVALIAÇÃO A avaliação é realizada individualmente, por meio de uma rubrica específica, com pontuação mínima em todas as unidades curriculares. Os critérios utilizados para a avaliação dos produtos são: criatividade, inovação, expectativa de mercado e qualidade da produção. Esta avaliação é realizada pelos professores do período em conjunto com o professor integrador. Os projetos são apresentados em um evento, chamado Fórum Integrador, ao final do semestre. Nesta ocasião, além da comunidade acadêmica, também são convidados empresários para apreciar os projetos desenvolvidos. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O ensino baseado na interdisciplinaridade tem um grande poder estruturador, pois, as definições, os contextos e os procedimentos que são estudados pelos alunos, são organizados em torno de unidades mais globais, que agregam estruturas de conceitos e metodologias compartilhadas por várias disciplinas. Tudo isso capacita os discentes a enfrentar os problemas que transcendem os limites de um componente concreto; a detectar, analisar e solucionar novas questões. Dentro desse contexto, o tema Cidades Inteligentes (DAROS, 2016) se mostra horizontal e de conotação interdisciplinar, propiciando aos alunos o contato com um mercado em franca expansão, passível da aplicação de conceitos de empreendedorismo, com fomento à pesquisa e desenvolvimento. Este tema tem o potencial de induzir ao raciocínio para a resolução de problemas, além de possibilitar a aplicação de soluções além das fronteiras dos conteúdos
114 abordados em sala de aula, como, por exemplo, a programação de dispositivos para IoT (Internet das Coisas), como placas de propósito geral, utilizando arquiteturas baseadas em Arduino. Além disso, incentiva-se que todo o produto trabalhado seja analisado, projetado e testado conforme conceitos e padrões estudantes nas unidades de gestão, análise e desenvolvimento de sistemas. Segundo a ONU, em 2050, 70% da população estará concentrada nas cidades. Essa perspectiva abre um mercado de soluções tecnológicas para tornar a convivência social harmônica, buscando-se melhores soluções de mobilidade, espaços de convívio social e logística, conforme indica Bouskela (2016). Torna-se especialmente importante a convergência dessa temática sob a perspectiva da TI Verde, onde recursos computacionais e aquisições são planejadas através da perspectiva de economia e bom uso de recursos naturais. “A TI Verde também luta para atingir a viabilidade econômica e melhorar o uso e o desempenho dos sistemas, respeitando as responsabilidades sociais e éticas. Portanto, ela inclui as dimensões de sustentabilidade ambiental, eficiência energética e custo total de propriedade (...)” (LUNARDI, 2014) Ainda sobre este tema, Molla et al. (2008), destaca itens que definem a TI Verde: O direcionamento aos desafios em torno da infraestrutura de TI; As contribuições da TI para reduzir os impactos ambientais causados pelas atividades de TI; O suporte da TI às práticas de negócios sustentáveis ambientalmente; O papel da TI na economia de baixa emissão de gases. Dessa forma, a sinergia entre as temáticas Cidades Inteligentes e Ti verde tem o potencial de gerar soluções realmente aderentes as necessidades futuras no que tange a preocupação ambiental e formas inteligentes de interagir com os recursos das Cidades. No contexto do curso, ainda é buscado a sinergia entre o PI e outros projetos com apelo socioambiental da IES, como: o Apoio a Inclusão Digital (AID), que busca realizar a doação de computadores recondicionados para comunidades excluídas digitalmente, aplicando o correto descarte e reutilização de resíduos eletrônicos gerados pela comunidade. Este trabalho é realizado no ambiente da Oficina Digital. A matéria prima é obtida através de doações de peças que seriam descartados por empresas ou pessoas físicas. Após a recepção deste material, ocorre um processo de triagem para avaliar a possibilidade de utilização para construção do produto final. Nesse projeto diversos componentes são desmembrados e servem ao desenvolvimento de protótipos dos PI pelos alunos. Tem-se ainda projetos de pesquisa que se originaram por meio do PI, como o projeto de Acessibilidade com Arduíno que fomenta a pesquisa e desenvolvimento de uma solução integrada aos grandes centros para deficientes visuais utilizando-se de conceitos de IoT (LEITE et al., 2018). E de forma íntima, com o Cidade da Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade (CITS)4, que busca desenvolver uma cidade inteligente e sustentável no campus da instituição. Diante 4 http://unipe.br/2017/07/05/ubtech-ti-planeja-inclusao-de-alunos-no-cits/
115 do exposto, entende-se que o direcionamento dado ao PI desenvolve a interdisciplinaridade acadêmica, também através da pesquisa e extensão. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO O PI elaborado no decorrer do semestre letivo, e coordenado por um dos professores das unidades curriculares, abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade à luz das temáticas que contemplam a maioria das disciplinas de cada semestre letivo. O Quadro 2 apresenta a organização com as atividades, atores responsáveis e prazos, no contexto do semestre 2017.2. Quadro 2: Atividades, atores e prazos Atividade Ator Prazo Envio da composição dos grupos. Discentes/Docentes 21/08 Envio das landing page por meio do Unipê Virtual - Ambiente EAD Docentes 08/09 Finalização das landing page contendo: a) Modelo de Negócio - Canvas b) Protótipos de Telas - Mockups c) Protótipo Funcional d) As reuniões efetuadas pelo grupo. Discentes 09/10 Envio de Relatórios Finais pelo Unipê Virtual Docentes 13/10 Divulgação das Notas Docentes 23/10 Revisão Final de Notas Docentes 03/11 Apresentação dos Projetos Docentes/Discentes 21/11 Fonte: Próprio autor A distribuição de carga horária do PI foi organizada conforme Quadro 2. Quadro 2: Distribuição da Carga Horária no Curso Superior de Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação CHT CURSO (h/a) CHT CURSO (h) CHT PI (h) 1º período (h) 2º período (h) 3º período (h) 4º período (h) 5º período (h) 2120 1767 365 73 73 73 73 73 CHT PI: Distribuição em horas das atividades educativas curriculares desenvolvidas pelo discente fora da sala de aula e que visam complementar e ampliar as atividades essenciais iniciadas em sala de aula com base no plano de ensino. RESULTADOS O modelo de Projeto Integrador aplicado traz inúmeras vantagens ao processo de formação do perfil do egresso. A primeira delas é a possibilidade de desenvolver competências do século 21, principalmente, no que diz respeito ao processo criativo e de resolução de problemas. Podese também destacar a convergência com os aspectos relacionados a modelagem de
116 negócios e empreendedorismo. Além disso, a interdisciplinaridade e a visão holísticas entre as áreas são abordadas; a escolha do tema “Cidades Inteligentes e Sustentáveis” potencializa o alcance desses objetivos. O modelo de negócios proporciona o desenvolvimento da uma nova visão de mercado. Conforme já mencionado, o empreendedorismo é um dos alvos principais dessa metodologia, e as atividades direcionam os alunos para o pensamento empreendedor, possibilitando que os mesmos amadureçam a possibilidade de construir seu negócio. O processo de desenvolvimento apresentado na metodologia destaca um percurso que favorece desenvolvimento dessas habilidades. Nesse contexto e, através do ciclo MVP, é trabalhado a ideação e a confecção de produtos robustos e inovadores, por meio da geração de protótipos de acordo com as tendências no âmbito da IoT, sistemas embarcados, automação, entre outras. Na última etapa são construídos protótipos passiveis de testes. A Figura 7 apresenta um projeto que tem como objetivo detectar por meio de sensores a qualidade do gás, objetivando indicar lugares inapropriados para algumas atividades, como por exemplo, uma corrida ou pedalada. As informações são apresentadas através de gráficos em um dashboard customizado para este contexto. Figura 7: Sistema para Medicação da Qualidade do Gás Fonte: Dos autores CONSIDERAÇÕES FINAIS Em uma perspectiva mais clara, o projeto integrador tem gerado a interação entre diversos cursos do Unipê e a criação de Startups têm sido muito bem aceitas como temas para os projetos. Desde que o projeto integrador foi implantado com esta temática, resultados
117 importantes foram desenvolvidos e o crescimento dos índices de engajamento estão sendo percebidos. Especialmente no que tange ao perfil do egresso do curso de Gestão da Tecnologia da Informação, esta proposta oferece importantes benefícios e mostra forte alinhamento, já vários aspectos inerentes ao curso são abordados (modelagem de negócio, gestão do desenvolvimento do produto, organização das equipes, entre outras). Além disso, o projeto estende o ensino, ao desenvolver competências que não fazem parte da matriz do curso. Por fim, vale ressaltar que estas ações têm gerado uma contribuição para a utilização de tecnologias e tendências no âmbito das Cidades Inteligentes, por meio da proposição de projetos aplicados nas áreas da segurança pública, mobilidade, saúde, energia e educação. Como perspectivas futuras, pretende-se realizar um maior alinhamento com as demandas do projeto de extensão institucional o CITS, por meio da integração com os cursos de Engenharia Civil, Arquitetura de Urbanismos, Gestão Ambiental e Design de Interiores. REFERÊNCIAS UNIPÊ. Centro Universitário de João Pessoa. Ubtech TI planeja inclusão de alunos nos CITS. Assessoria de Comunicação - ASCOM. Disponível em: < http://unipe.br/2017/07/05/ubtech-tiplaneja-inclusao-de-alunos-nocits/ > Acesso em 30 de set. 2017 UNIPÊ. Centro Universitário de João Pessoa. Projetos integradores 2017.2 são apresentados pelo UBTech TIS. Assessoria de Comunicação - ASCOM. Disponível em: < http://unipe. br/2017/12/21/projetosintegradores-2017-2-sao-apresentados-pelo-ubtech-ti/ > Acesso em 30 de set. 2017. Ministério da Educação (MEC). Indicações para a construção de um projeto interdisciplinar. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/par/195-secretarias-112877938/seb-educacaobasica-2007048997/13564-indicacoes-para-a-construcao-de-um-projeto-curricularinterdisciplinar> Acesso em 20 set. 2017 PINTO, Carmem Lúcia; ROCHA, Célia Regina Cruz; Vilarim, Gilvan. Desafios da Prática da Interdisciplinaridade em Cursos de Ciência da Computação: a Experiência do UNIFESO. Anais do Workshop de Educação aplicada a Computação (WEI). Disponível em:<http://www.inf. pucminas.br/sbc2010/anais/pdf/wei/st05_02.pdf> Acesso em 30 set. 2017. Ministério da Educação (MEC). Resolução número 05 das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação na área da Computação. Disponível em: < http://portal.mec.gov. br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=52101-rces005-16pdf&category_ slug=novembro-2016-pdf&Itemid=30192 > Acesso em 30 set. 2017.
118 LUNARDI, Guilherme Lerch; SIMÕES, Renata; FRIO, Ricardo Saraiva. TI Verde: uma análise dos principais benefícios e práticas utilizadas pelas organizações. REAd. Rev. eletrôn. adm. (Porto Alegre), Porto Alegre , v. 20, n. 1, p. 1-30, Apr. 2014 . Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1413-23112014000100001&lng=en&nrm=iso> Acesso em 01 Out. 2017 BOUSKELA, Maurício; CASSEB, Márcia; BASSI, Silvia; DE LUCA, Cristina, FACCHINA. Caminho para as Smart Cities: Da Gestão Tradicional para a Cidade Inteligente. Disponível em: <https:// publications.iadb.org/bitstream/handle/11319/7743/Caminho-para-as-smart-cities-Da-gestaotradicional-para-a-cidade-inteligente.pdf>. Acesso em: 01 out. 2017. MAURYA, Ash. How to Document Your Business Model On 1 Page. Disponível em: <https://blog. leanstack.com/how-to-document-your-business-model-on-1-page-a6c91ab73efd>. Acesso em: 01 out. 2017. RIES, E. A Startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Lua de Papel, 2012. LEITE, R. A; TERCEIRO, J. F. A.; SANTOS, L. N. dos; PATRÍCIO, D. T. P. .Desenvolvimento de uma Ferramenta de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência Visual utilizando Arduino. VII Encontro Nacional de Ergonomia do Ambiente Construído. Fortaleza, 2018. DAROS, C.; KITSMANN, V. B. Design Management and Smart Cities. Strategic Design Research Journal, 9(1): 14-26. 2016.
119 DESIGN E EDUCAÇÃO: REFLEXOS DA INTERDISCIPLINARIDADE NA REQUALIFICAÇÃO DE AMBIENTES Eduardo de Oliveira Nóbrega Filho - [email protected] Lucyana Xavier Azevedo - [email protected] Mariana Caldas Melo Lucena [email protected] Pablo Felipe Dias Nogueira [email protected] Rebecca Vanessa Bandeira Rodrigues de Souza - [email protected] O design ao longo dos tempos tem se mostrado como uma das áreas mais interdisciplinares na geração de soluções inovadoras e sustentáveis buscando alinhamento as demandas do seu tempo. Nesse sentido entende-se que a educação tem papel fundamental na preparação dos profissionais para as próximas gerações. O que buscamos expor aqui são as estratégias utilizadas para a educação dos novos profissionais entendendo a interdisciplinaridade como força motriz da capacitação de profissionais criativos. Este artigo busca expor de modo resumido as bases que consolidam um trabalho que vem gerando resultados sólidos na busca da autonomia discente e do pensamento criativo utilizadas pelo CST de Design de Interiores. Da mesma forma buscar expor o modo como o curso compreende o papel da interdisciplinaridade na formação profissional. Palavras-chave: Design de interiores. Interdisciplinaridade. Design. Integrador. Didática. INTRODUÇÃO O Curso Superior de Tecnologia em Design de Interiores do UNIPÊ tem como um dos eixos estruturante de sua matriz curricular a proposta de integralização das competências gerais, específicas e tecnológico-profissionalizantes através do uso de uma estratégia didático pedagógica que permeia todas os componentes curriculares do curso do primeiro ao quarto período. A construção da interdisciplinaridade ocorre horizontalmente a partir da mobilização dos conteúdos de cada período em função da atividade chave do período, assim como de modo vertical através da mobilização de conteúdos e competências para as atividades desenvolvidas nos períodos subsequentes. Esta estratégia é reconhecida em âmbito institucional como Projeto Integrador e é composta por três atividades extraclasses alocadas nos três primeiros períodos do curso e uma atividade desenvolvida dentro de um componente curricular no quarto período.
120 O desenvolvimento das atividades integradoras vislumbra no âmbito do curso a oportunidade de promover a aprendizagem de forma interdisciplinar tendo em vista romper com a segregação dos conteúdos permitindo que o discente desenvolva de modo autônomo as competências exigidas por blocos de componentes curriculares. A proposta se desenvolve com uma carga horária total de atividades de 270 horas, sendo subdividas nas três atividades alocadas cada uma em um dos três primeiros períodos. No primeiro período a atividade Espaços Efêmeros que tem como objetivo desenvolver e executar um protótipo cenográfico nas instalações da Unipê, com 70 horas aula de atividades. O segundo trata de um Artefato Iluminante que tem como proposta desenvolver um objeto com propriedade de iluminar a partir de um processo de investigação técnico criativo direcionado a atender uma demanda específica de uma persona, com 80 horas aula de atividades. A terceira atividade, Concept Movie que tem como destaque a comunicação do artefato em mídias digitais e tem como carga horário total de trabalho 120 horas aula em práticas. Todas as atividades são desenvolvidas por meio do trabalho efetivo discente sob orientação do docente em meio as bases teóricas e práticas estão propostas no Projeto Pedagógico do Curso, e têm as formas de integralização da carga horária destinada às unidades curriculares dos cursos ofertados pelo Centro Universitário de João Pessoa como requisitos essenciais para conclusão das respectivas graduações, conforme estabelecem as Resoluções CNE/CES no 02/2007, 3/2007 e 04/2009 e a Resolução CONSEPE No 88/2009. Suas temáticas também estão inclusas em todas as unidades curriculares ao longo do curso; Projetos de Pesquisa e Extensão; e Projeto Integrador, o qual tem como finalidade promover desenvolver a compreensao integrada do meio ambiente em suas multiplas e complexas relacões para fomentar novas praticas sociais e de producão e consumo. O discente pode ampliar sua capacidade de relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar; temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã, fortalecendo a abordagem curricular integrada e transversal, continua e permanente em todas as areas de conhecimento, componentes curriculares e atividades academicas. Desse modo, a carga horária destinada aos projetos integradores complementa a carga horária operacionalizada em sala de aula para as unidades curriculares de cada curso. O presente relatório visa discriminar a operacionalização do(s) Projeto(s) Integrador(es), a partir de sua metodologia, ações, avaliação e resultados. METODOLOGIA A atividade contempla todas as etapas de Pesquisa, Projeto, Representação e Aspectos Técnicos e Estéticos trabalhados nos componentes curriculares do primeiro ao terceiro períodos do curso sob orientação e acompanhamento da coordenação do Projeto Integrador e dos professores dos componentes. Nos planos de trabalho apresentados, a ideia central que é de que os grupos tenham que desenvolver a criação de um artefato de design que responda a uma demanda real de mercado. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do Projeto Integrador busca oferecer uma visão holística do Projeto de Design alinhando-se ao Design
121 Thinking, como modelo de processo, composto pelas etapas de Imersão, Ideação, Prototipação e Comunicação. Em cada etapa do projeto integrador é possível observar o aprofundamento das questões de design alinhadas ao modelo proposto. Figura 01: Matriz Projeto Integrador CST Design de Interiores Fonte: Autores No projeto do primeiro período o foco do processo estará nas etapas de Imersão e Ideação e será executado a partir das características de um público-alvo, representado por uma persona, com a finalidade do desenvolvimento de uma instalação por meio de intervenção efêmera, passando por todas as etapas e tipos de pesquisa apresentadas para obtenção de um projeto coerente. A proposta do integrador consiste na geração de ambientes de curta duração, sazonais. Atualmente as temáticas trabalhadas são a Natalina quando do encerramento do segundo semestre do ano e Junina, quando do encerramento do primeiro semestre do ano. O projeto integra conteúdos teórico-práticos que envolvem todas as disciplinas do primeiro semestre do curso semestre, como: interiores I – cenográfico e promocional; psicologia do
128 Figura 03 e 04: Luminária Diamante - Contemporânea com sofisticação a partir do reuso de palitos de churrascos pintando com tinta spray metálica, na cor cobre. Fonte: Acervo pessoal, 2017 Figura 05 e 06: Luminária Orquídea - A formas teve como inspiração alguns símbolos e ícones encontrados nos painéis arquétipos da persona: a orquídea. Para sua estruturação foram reutilizados tubos de papelão. Fonte: Acervo pessoal, 2017
129 Figura 07: Luminária Industrial - utiliza como conceito uma abordagem industrial contemporânea, tendo como matéria prima a utilização de canos e conexões de PVC. Fonte: Acervo pessoal, 2017
130 Figura 08: Luminária Vick Muniz - A partir da descrição do perfil da cliente, do perfil geracional do qual a cliente pertence, definiu-se o conceito contemporâneo e inusitado, inspirado no artista plástico Vik Muniz, a partir da utilização de técnicas diversas e do emprego materiais inusitados. Fonte: Acervo pessoal, 2017.
131 Figura 09: Luminária Cúpula - Luminária de piso estruturada a partir da utilização de cabos de vassoura, palitos e picolé e lixeiros de escritório. Fonte: Acervo pessoal, 2017
132 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os produtos finais gerados através do projeto integrador contribuem para o entendimento transversal e interdisciplinar dos conteúdos abordados nos períodos do curso de Design de Interiores. Durante a continuidade do curso vem sendo percebida a aplicação de competências adquiradas nas atividades as relacionadas a capacidade de comunicação de idéias; organização, priorização e análise de escolhas; revelando consciência das implicações econômicas, sociais, antropológicas, ambientais, estéticas e éticas de sua atividade. É possível observar soluções criativas em vistas as preocupações no reuso de materiais e na requalificação do ambiente construído avaliando possibilidades e limites técnicos do espaço a ser trabalhado. Atualmente o curso se encontra no terceiro semestre da aplicação do seu novo Projeto Integrador. Ou seja, o ciclo ainda não está fechado. Contudo é possível observar a autonomia projetiva que os discente vem apresentando na resolução de suas atividades acadêmicas. Acreditamos que estes dados possam ser comprovados a partir de um desempenho elevado na realização do componente curricular Projeto Aplicado. REFERÊNCIAS BRASIL. Resolução do CNE Nº 2, de 15 de junho de 2012. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental. Jun. de 2012. GRIFFITH, G. Need to make a difficult decision? Switch off the lights: People think more objectively when in darkness. Mail Online, Londres, Fev. de 2014. Disponível em: < http://www. dailymail.co.uk/sciencetech/article-2566796/Need-make-difficult-decision-Switch-LIGHTSPeople-think-objectively-darkness.html>. Acesso em: 26 set. 2017 KLHON, S.; FERREIRA, N. Design e o fim do ciclo de vida dos produtos. In: 2° Simpósio Brasileiro de Design Sustentavel (II SBDS) 2009, São Paulo. Anais… São Paulo: Rede Brasil de Design Sustentavel – RBDS, 2009. LOVISETTI, C. Fazer mundos de luz . Seção Portal of light. REVISTA A+U (International Lighting Magazine). no 26, pág 70. Bimestral. 2009. DESIGN MUSEUM. Como criar em iluminação. São Paulo: Gutemberg Brasil, 2012 SENAI. Aspectos do Design: Volume 01. São Paulo: Sp Editora, 2012 . SENNA, C.; FIALHO, F. Personas: A teoria junguiana dos tipos psicológicos e sua utilidade para o design. Projética, Londrina, Jan/Jun. de 2016, v.7, n.1. Disponível em: < http://www.uel.br/ revistas/uel/index.php/projetica/article/view/23457> . Acesso em: 25 set. 2017 VIANNA, M. et al. Design Thinking: Inovação em negócios. Rio de Janeiro: MJV Press, 2012
133 VICENTE, J. M. Contributos para uma metodologia de design sustentável aplicada à industria do mobiliário: O caso português. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa, 2012 WELSH, M. A.; DEHLER, G. E. Combining critical reflection and design thinking to develop integrative learners. Journal of Management Education, v. 37, n. 6, p. 771-802, 2012.
134 COMPETÊNCIAS DE MERCADO VERSUS INTERDISCIPLINARIDADE: UM DESAFIO DO PROJETO INTEGRADOR NA CONSTRUÇÃO DO PROFISSIONAL DE LOGÍSTICA Yuri Laio Teixeira Veras Silva - [email protected] Valtércio Araújo de Albuquerque - [email protected] Pablo Ramom Matias de Andrade - [email protected] Flávio Maracaja - [email protected] Francisco Formiga - [email protected] RESUMO A realização de uma ação interdisciplinar como o projeto integrador em um curso superior de tecnologia, como logística, traz inúmeras vantagens ao processo da aquisição do perfil do egresso, uma vez que favorece a aprendizagem da pesquisa de público-alvo; a criação e confecção de espaços e produtos em função de temáticas específicas, levando o aluno à simulação de trabalho no mercado real; o exercício do desenvolvimento de ações de planejamento e execução de decoração, conforto e idealização de objetos, acessórios e ambientes, e toda a estética, estilo e funcionalidade que os envolvem. Neste contexto, o presente capítulo visa ilustrar os benefícios educacionais que podem ser adquiridos a partir de um projeto integrador interdisciplinar bem alinhado à matriz curricular do curso e às necessidades do mercado de trabalho. Através de uma remodelagem dos projetos, foi possível perceber uma melhora acentuada na visão sistêmica e crítica dos discentes, associadas com a aquisição de competências técnicas e humanísticas essenciais para o bom desempenho no mercado de trabalho, fatores extremamente importantes para o crescimento profissional e pessoal dos discentes. Além disso, o trabalho debate a importância do projeto integrador enquanto apoiador do pensamento holístico dos grupos, através de roteiro transversais que perpassam competências de mercado com competências atitudinais, especialmente relacionadas com o trabalho em equipe. Palavras-chave: Competências. Interdisciplinaridade. Logística. Projeto Integrador.
135 INTRODUÇÃO No atual cenário mundial, a aplicação prática da teoria, vislumbrando o futuro ambiente de trabalho, é fundamental na formação discente. Os contextos nos quais as organizações estão inseridas e as tendências na eminente indústria 4.0 mostram que a interdisciplinaridade é algo crucial para o bom desempenho profissional de gestores., uma vez que permite a comunicação transversal entre as diversas áreas do conhecimento e a integração do saber, qualquer que seja a ciência tratada em questão. Deste modo, busca superar uma organização curricular tradicional, que coloca as disciplinas como realidades fragmentadas, isoladas e dificulta a apropriação do conhecimento pelo aluno. A integração efetiva dos conteúdos curriculares permite a aquisição de uma visão sistêmica e contextualizada por parte dos alunos, possibilitando a criação de um pensamento crítica bem fundamentado acerca da realidade do ecossistema no qual está inserido, isto é, permite o desenvolvimento de uma compreensão mais abrangente da realidade. Com isto, relevância e o significado dos problemas estudados são favorecidos, através dos processos de intervenção e de busca de soluções, cada vez mais sistematizadas e alinhadas com a realidade do curso. Um diferencial competitivo para os profissionais nos últimos anos é a capacidade de compreensão transversal e sistêmica do ambiente no qual está inserido, identificando, analisando e realizando correlações visando a promoção de estratégias que envolvam atividades e recursos nas organizações. Diante disso, foi idealizado o modelo do Projeto Integrador do curso de Logística, estruturado de modo a vislumbrar o que há de mais atual e inovador no mercado de trabalho para o desenvolvimento adequado da comunidade acadêmica, proporcionando uma execução de projetos robustos e condizentes com o que se espera de um profissional de Logística no mercado. Assim, a atividade integradora do semestre 2018.1 visa desenvolver competências e habilidades específicas e complementares de maneira linear ao longo do curso, não deixando de ser norteadas pelas temáticas socioeconômicas, ambientais e éticas de nossa sociedade. Os projetos permitem aos discentes a possibilidade de colocar em prática os conceitos e técnicas aprendidas nas diversas disciplinas, atividades, eventos e visitas técnicas do curso, através de projetos direcionados para problemáticas reais presentes nas organizações de nosso estado. Para isso, cada período possui um instrumento e um roteiro de projeto, que serão utilizados para a construção do produto objeto do trabalho desenvolvido pelo aluno. Dessa forma, o aluno, de forma gradativa, terá acesso e conhecerá o profissional, o mercado, os stakeholders, as necessidades, oportunidades e dificuldades encontradas em cada profissão, antecipando-se e preparando-se melhor para o mercado de trabalho. Nesse contexto, no início de cada período letivo, os professores dos cursos se reúnem com o objetivo de planejar as atividades que serão desenvolvidas nos campos de formação, as quais poderão ser de cunho teórico e prático. Para dinamizar o planejamento dessas atividades, cada professor traz propostas dos programas de suas unidades curriculares e sugestões para atividades interdisciplinares, para concretização e consolidação das competências necessárias à formação profissional, correlacionadas por uma temática, em conformidade com o curso e
136 com o período letivo em desenvolvimento, a fim de que seja possível selecionar um aspecto relevante a ser explorado. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A gestão do conhecimento e da inovação tecnológica são essenciais para o bom desempenho organizacional, especialmente quando orientados para a importância do desenvolvimento de novos mecanismos tecnológicos que permitam uma gestão eficiente e transversal dos recursos, através de metodologias ou técnicas concisas e documentadas nos processos organizacionais (BOŽIĆ, 2010; LATTUCA, 2013). Neste contexto, o desenvolvimento de projetos e ações interdisciplinares são essenciais para uma construção adequada do perfil do egresso de um curso, especialmente quando este faz parte do grande eixo de gestão, negócios e engenharia. Borrell-Damian et al. (2010) afirmam que a interdisciplinaridade nos projetos voltados para a indústria de manufatura pode expandir os caminhos para a compreensão de problemas complexos até então não compreendidos de maneira adequada. De fato, o tema traz consigo uma importância enorme, e tem sido tratado por pesquisas científicas de forma cada vez mais reflexiva nas últimas décadas. Kang (2012) reflete sobre a importância da interdisciplinaridade no contexto organizacional, e mostrando em seu estudo que este é o caminho para que o futuro profissional possa compreender os diversos cenários que a indústria 4.0 vai proporcionar, permitindo assim sua sustentabilidade em um novo cenário mercadológico mundial. Strong et al (2014) investigaram a percepção da educação em cursos de gestão e engenharia sob o ponto de vista da interdisciplinaridade. Os autores perceberam que a sinergia entre os conteúdos podem abrir caminhos para a compressão de diferentes stakeholders e cenários organizacionais, propiciando a possibilidade de desenhos estratégicos que ponderem variáveis de naturezas distintas em um mesmo cenário, permitindo assim, o desenvolvimento de uma visão crítica e sistêmica, alinhada com os anseios da nova tendência mundial, melhor esclarecido no estudo implementado por Kim (2013), onde são apresentados os cenários futuros da educação no contexto da gestão empresarial. Diante do cenário explicitado, o desenvolvimento dos projetos integradores no Curso de Logística do Centro Universitário de João Pessoa possui como finalidade promover a aprendizagem de forma interdisciplinar e sistêmica, na qual os discentes têm a oportunidade de desenvolverem sua capacidade para relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal e profissional, tendo em vista romper com a fragmentação e individualização do conhecimento, possibilitando-o o desenvolvimento de uma visão crítica e alinhadas com os anseios dos novos mercados. A interdisciplinaridade visa relacionar as unidades curriculares em atividades (projetos) de estudo, tornando-se uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos de cada curso. Ocorre de forma processual, ao longo dos períodos letivos, buscando uma aprendizagem significativa, autônoma, centrada nas relações e nos procedimentos e promovendo a socialização dos resultados e avaliação da aprendizagem.
137 METODOLOGIA No Curso Superior de Tecnologia em Logística, o Projeto Integrador (PI) atua como diferencial pedagógico para a construção do perfil de egresso do curso e organiza-se nos quatro períodos letivos, com temáticas que integram as unidades curriculares em cada um deles, envoltas para o desenvolvimento de uma ação interdisciplinar que culmina em um produto ou instrumento final, objetivando, além das diretrizes institucionais mencionadas, o desenvolvimento de competências diferenciais, alinhadas com as demandas do mercado e com as tendências em pesquisas científicas da área. O PI elaborado no decorrer do semestre letivo, e coordenado por um dos professores das unidades curriculares, abrange os saberes ali abordados, somados às experiências práticas do contato com a realidade à luz das temáticas que contemplam a maioria das disciplinas de cada semestre letivo. São eleitos temas transversais aos períodos que possibilitem o desenvolvimento de projetos e atividades que integrem as unidades na perspectiva do atendimento ao princípio da interdisciplinaridade. Todas estas atividades resultarão em um produto a ser apresentado pelos discentes ao término de cada período letivo. Na escolha desses produtos (instrumentos), levou-se em consideração o grau de complexidade dos conteúdos na sua relação teoria e prática, conforme pode ser melhor visualizado através do Quadro 1 a seguir. Quadro 1: Projetos Integrados, Instrumentos, Produtos e Interdisciplinaridade Adotada PERÍODO, TEMÁTICA E CARGA HORÁRIA INSTRUMENTO INTEGRADOR E UNIDADE CURRICULAR INTEGRADORA CORRELAÇÃO COM A GRADE CURRICULAR 1º PERÍODO Conhecendo a área de atuação e o papel da cadeia de suprimentos nas organizações (70h) Relatório de Entrevista Técnica; Planejamento, Mapeamento e Análise da Cadeia de Suprimentos (Banner / Visita Técnica). Gestão da Cadeia de Suprimentos Estatística: Essencial para o desenvolvimento de um olhar analítico na formação do gestor logística, possibilitando a realização de análises quantitativas e probabilísticas, exigida não apenas no projeto integrador do primeiro período, mas durante todo o curso. Competências desenvolvidas (CDN): - Aplicar as ferramentas de tecnologia de informação e comunicação aos princípios da logística para agregar valor ao produto, serviço e soluções ao cliente. Logística Empresarial e Metodologia do Estudo: São abordados no roteiro do trabalho pontos que exigem dos discentes uma visão sistêmica da logística e suas subáreas. Competências desenvolvidas (CDN): - Planejar, organizar, controlar sistemas logísticos organizacionais de qualquer natureza. - Gerenciar a cadeia de suprimentos com visão sistêmica e estratégica - Implantar soluções criativas e inovadoras para otimizar e racionalizar os processos logísticos.
144 Figura 2: Cronograma de Atividades do Projeto Integrador de Logística Fonte: Elaboração Própria (2018). Conforme pode ser observado na Figura 2, o cronograma estabelece de maneira clara e sucinta os deadlines para cada atividade proposta. Para que sua execução seja realizada de maneira efetiva e singular no grupo de discentes, o professor integrador deve acompanhar semanalmente o desenvolvimento das atividades pelos grupos, de modo a inibir qualquer desalinhamento nas equipes e combater possíveis acúmulos de atividades para as datas próximas ao deadline dos relatórios. 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES Como resultados alcançados, podem ser destacados quatro principais aspectos, são eles: Construção da interdisciplinaridade dos componentes curriculares ministrados no período; Elaboração de instrumentos que serviram de base da construção da aprendizagem do aluno; Realização de eventos e dinâmicas diferenciais em sala, com intermédio do professor integrador e coordenador do curso; Identificação do aluno com a profissão e as demandas do mercado de trabalho. Os quatro eixos descritos podem ser melhor visualizados na Figura 3 a seguir. Figura 3: Principais Resultados na Execução dos Projetos Integradores de Logística Fonte: Elaboração Própria (2018).
145 É relevante destacar que o Projeto Integrador possibilita o aluno a compreender a relação e integração das disciplinas com realidade no mundo dos negócios, sempre focando na aplicação do conhecimento cientifico na prática, tomando como base dois conceitos relevantes: a interdisciplinaridade e aprendizagem baseada em problemas o que permitiu aos alunos uma maior aproximação com realidade empresarial considerando as teorias científicas, práticas de mercado bem como a complexidade do universo corporativo. Sendo assim, o desenvolvimento das atividades tem sido de suma importância para a compreensão da gestão e gerenciamento das atividades nas organizações empresariais, seus desafios e oportunidades no âmbito dos negócios. Os discentes puderam fortalecer seus conhecimentos, colaborar com o debate sobre a importância das temáticas envolvidas no projeto e promover a interdisciplinaridade entre os diversos componentes ministrados no Curso. Para as versões vindouras, são sugeridas ações que proporcionem uma maior integração dos docentes que atuam não apenas nas áreas de gestão, mas sim da instituição como um todo, capacitações para discentes e novos docentes para que os mesmos possam cada vez mais se conscientizarem da importância do Projeto Integrador, realização de palestras sobre atividades interdisciplinares, abordagem de problematização e estudos de casos, etc, de modo a complementar as competências adquiridas no desenvolvimento do projeto. Demais registros acerca dos projetos podem ser vistos no Anexo II. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em síntese, o Projeto Integrador tem sido bem aceito pela comunidade acadêmica e proporcionou a abertura para realização de novos trabalhos específicos, alinhados com os interesses do mercado, sociedade em geral, e das tendências em pesquisas científicas na área, sempre objetivando o desenvolvimento dos discentes enquanto cidadão e propiciando uma visão sistêmica no grupo, com foco na multidisciplinaridade e no respeito às diferenças. Com as temáticas propostas pretende-se potencializar o processo de ensino aprendizagem focado na prática interdisciplinar. Para os próximos semestres pretende-se ajustes pontuais nos roteiros dos projetos, de modo a buscar uma melhoria contínua na estruturação completa de todos os projetos integradores de todos períodos do curso, atendendo às demandas da nova matriz curricular do curso, assim como para melhor atender às necessidades de formação técnica e profissional do corpo discente, conforme estabelecido no Anexo I. Em suma, o PI possibilita aos discentes desenvolverem suas capacidades de fundamentação teórico-prática, preparando-se para o pleno exercício da sua futura carreira. São estes aspectos que caracterizam a participação dos discentes em atividades acadêmicas, dentre outras vinculadas às unidades curriculares do curso, com o propósito de desenvolvimento de uma prática pedagógica indisciplinar. A realização de uma ação interdisciplinar como o PI em um Curso Superior de Tecnologia, como Logística, traz inúmeras vantagens ao processo da aquisição do perfil do egresso, uma vez que favorece a aprendizagem da pesquisa de público-alvo; a criação e confecção de espaços
146 e produtos em função de temáticas específicas, levando o aluno à simulação de trabalho no mercado real; o exercício do desenvolvimento de ações de planejamento e execução de decoração, conforto e idealização de objetos, acessórios e ambientes, e toda a estética, estilo e funcionalidade que os envolvem. REFERÊNCIAS BORRELL-DAMIAN, Lidia et al. Collaborative doctoral education: University-industry partnerships for enhancing knowledge exchange. Higher Education Policy, v. 23, n. 4, p. 493-514, 2010. BOŽIĆ, Saša; POHORYLES, Ronald J. Why bother with interdisciplinarity in the social and human sciences?. 2010. KANG, N. Activation plan for the convergence study of scientific technology & humanities and social sciences.Ministry of education, science and technology, 2008. KIM, Kwan Myung et al. A radically assembled design-engineering education program with a selection and combination of multiple disciplines. 2013. LATTUCA, Lisa R.; KNIGHT, David; BERGOM, Inger. Developing a measure of interdisciplinary competence. International journal of engineering education, v. 29, n. 3, p. 726-739, 2013. MALFROY, Janne. The impact of university–industry research on doctoral programs and practices. Studies in Higher Education, v. 36, n. 5, p. 571-584, 2011. STRONG, David S. An approach for improving design and innovation skills in engineering education: The multidisciplinary design stream. International Journal of Engineering Education, v. 28, n. 2, p. 339, 2014.
147 ANEXO I – CORRELAÇÃO DE COMPETÊNCIAS PI – MATRIZ CURRICULAR -Gestão de Estoques e Armazenagem -Gestão de Materiais e Compras -Gestãoda Tecnologia de Informação -Administração da Produção e Operações -Planejamento Estratégico -Fundamentos de Marketing -Noções de Direito -Metodologia do Estudo -Logística Empresarial -Gestão da Cadeia de Suprimentos -Estatística -Fisolofia e Ética -Sociologia das Organizações -Fundamentos da Gestão Organizacional -Introdução à Economia -Otimização e Simulação de Processos Logísticos -Logística Reversa e Resp. Socioambiental -Logística Portuária -Gestão da Qualidade e Produtividade -Gestão de Projetos -Empreendedorismo -Jogos Empresariais -Gestão de Riscos Logísticos -Custos Logísticos -Gestão de Transportes -Logística e Legislação Internacional -Gestão de Processos -Análise Investimentos -Psicologia Organizacional 1 2 34 Competências: I; VII; IX Competências:II;IV; VIII; IX Competências:III; V; VI; IX Competências:I; II; VI; VIII Supervisor de Estoques e Armazenagem Supervisor de Transportes e de Operações Logísticas Analista de Projetos e Sistemas Logísticos •Mapeamento de Cadeia de Suprimentos •Entrevi sta com Profissional da Área •Ferramenta de Gestão de Estoques e Compras •Seleção de Fornecedores •Simulação na Gestão de Transportes •Seleção de Fornecedores •Sistemas Logísticos •Método de Otimização em Processos Logísticos DISCIPLINAS PROJETO INTEGRADOR CERTIFICAÇÕES INTERMEDIÁRIAS Competências:I; II; VI; VII; IX Competências:I; II; IV; VI; VIII Competências:III; V; VI; VIII; IX Competências:I; II; VI; VIII; IX
148 ANEXO II – EXEMPLOS DE REGISTROS DA APRESENTAÇÃO DO PI DO 1º PERÍODO DO CURSO DE LOGÍSTICA
149 PROJETO INTEGRADOR NO CURSO DE MEDICINA: UMA ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA Arlindo Monteiro de Carvalho Júnior - [email protected] Cristiane Pessoa Perez - [email protected] Bárbara Lima Simioni Leite - [email protected] Karina Guedes Correia - [email protected] Antonileni Freire Duarte Medeiros Melo - antonileni.medeiro[email protected] RESUMO As diretrizes curriculares de cursos da saúde orientam integrar conteúdos, disciplinas, áreas e profissões. O Projeto Integrador (PI) é uma estratégia pedagógica que tem como objetivo promover a integração e a interdisciplinaridade entre Unidades Curriculares (UCs) nos períodos, e permite ao aluno, em equipe, selecionar, priorizar, analisar e sintetizar temas em complexidade progressiva. Construído baseado nas Diretrizes Curriculares Nacionais-2014 e resoluções da instituição, tem como temas norteadores: Saúde e Sociedade – P1; Saúde e Comunidade – P2; Acesso à Saúde – P3; Medicina e o Cuidado Recíproco – P4; O Despertar da Prática Clínica – P5; Aperfeiçoando Práticas na Solução de Desafios – P6; Construindo o Consenso na Prática Médica – P7; Praticando a Boa Medicina – P8. O processo incorpora conceitos e atitudes à complexidade do currículo médico, transversalidade de conteúdo, sem isolamento disciplinar. Gera produtos: P1 – Portfólio; P2 – Relato de experiência no formato Pôsteres; P3 – Caso clínico no formato Seminário; P4 – Apresentação oral de vivências na rede de serviços de saúde; P5– Relato de caso clínico; P6 – Videoaula; P7 – Sessão anátomo-clínica; P8 – Júri-simulado. O Projeto Integrador do curso de medicina, ao unificar aspectos teóricos e práticos, de saberes, das diversas áreas de conhecimento, proporciona uma ligação efetiva entre teoria e prática, permite a interdisciplinaridade, incentiva o trabalho em equipe e desenvolve a criatividade, constituindose em uma prática pedagógica importante no desenvolvimento pessoal e profissional do futuro médico, propiciando-lhe uma formação mais global e integrada entre os conhecimentos, habilidades e atitudes ideais. Palavras-chave: Ensino. Aprendizagem. Educação Médica. Interdisciplinaridade. INTRODUÇÃO O Curso de graduação em Medicina do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) foi criado através da Resolução CONSEPE de Nº 18/2012 de 20 de novembro de 2012 e autorizado
150 pela Portaria nº 399, de 22 de julho de 2014, do Ministério da Educação/Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, com 100 vagas anuais, e iniciou suas atividades neste segundo semestre de 2014 alinhadas às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), de 14 de julho de 2014. Recentemente, sob a forma de aditamento ao ato de autorização, conforme Portaria nº 975, de 12 de setembro de 2017, as vagas foram aumentadas para 140 (cento e quarenta) anuais. De acordo com o texto das DCN 2014, “o graduado em Medicina terá formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença” (BRASIL, 2014). Em consonância com as DCN, o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Medicina do UNIPÊ se propõe a formar um profissional competente e que contribua para a melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) na sua dimensão pública e complementar, estando apto a desenvolver ações de promoção da saúde e de assistência médica com qualidade, tanto nas dimensões preventiva, curativa e de reabilitação, e orientadas por princípios éticos e humanistas e pela noção de cuidado integral nas práticas de saúde. Esse egresso será formado com conhecimentos fundamentais nas áreas da Saúde Coletiva, da Saúde da Mulher e da Criança; do Adulto e do Idoso, da Saúde Mental, e com habilidades de comunicação, liderança e trabalho em equipe, adotando perfil com capacidade crítica, raciocínio científico e compromisso com a vida. Os objetivos do Curso são pautados pelas DCN e desenvolvidos em parceria com o SUS e outras organizações sociais comprometidas com a saúde da sociedade. Propõe, entre outras ações, que a formação do médico se dê a partir da reflexão da prática vivenciada e assim possa contribuir com o processo de transformação da realidade. Assim, busca-se formar um profissional competente para prover cuidado de saúde integral e ampliado, que seja capaz de trabalhar em equipe e de compartilhar o cuidado com o sujeito portador de necessidades de saúde e com a comunidade, intervindo positivamente no modelo assistencial. Para isso, terá habilidades para lidar com a gestão do cuidado tanto individual, quanto coletivo, com o ensino e com a pesquisa em saúde. A perspectiva é que o desempenho profissional do egresso seja ético nas ações e nas questões sociais, colaborando para a qualidade do sistema de saúde e para a consolidação do Estado Brasileiro, abrangendo as questões da acessibilidade, do meio ambiente, dos direitos humanos e das relações étnico-raciais. Para formar esse novo profissional, o Curso de Medicina do UNIPÊ utiliza estratégias pedagógicas que deem conta da formação generalista, que torna resolutiva a atenção à saúde desde a primária à da mais alta complexidade, em complementariedade à atenção especializada. Propõe-se a trabalhar em equipe interdisciplinar e garantir que atue no acolhimento ao cidadão, na criação de vínculos e se corresponsabilize na dinâmica do processo saúde-doença, seja em nível individual ou em nível coletivo. O desafio que se coloca ao novo médico é o de atuar no mercado de trabalho com maior autonomia, qualificação diversificada e flexível, e com capacidade de adaptação às mudanças ocasionadas pela globalização.
151 O PROJETO INTEGRADOR Considerado uma estratégia institucional, atualmente regido pela Resolução N°15/ CONSEPE de 01 de setembro de 2016, o Projeto Integrador (PI) é compreendido como uma metodologia ativa e diferenciada de aprendizagem, tem caráter obrigatório, e tem como principal finalidade promover a aprendizagem de forma interdisciplinar, relacionando unidades curriculares de cada período, articulando teoria e prática (UNIPÊ, 2016). Na sua metodologia, o Curso de Medicina do UNIPÊ pauta-se no comprometimento da IES com um ensino superior de qualidade, no qual o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes é desenvolvido ao longo do curso, mediante a articulação dos vários saberes (formais, informais, teóricos, práticos) na solução de problemas e no enfrentamento de situações diversas. Essa qualificação é desenvolvida por ações do PPC e o Projeto Integrador, diferenciado na perspectiva da educação continuada e concebido como uma realidade dinâmica e flexível, propicia a integração da teoria com a prática, o diálogo entre as diferentes ciências e saberes, e as atividades facilitadoras da construção de competências. Busca-se, efetivamente, uma formação voltada para o domínio do conhecimento em sua gênese científico-tecnológica e histórico-social. Segundo Batista (2006) “Construir caminhos no ensino médico a partir da interdisciplinaridade inclui a implementação de desenhos curriculares que possibilitem a articulação de conteúdos, valorizem o enfoque problematizador e desenvolvam atividades acadêmicas que tenham como eixos a prática médica no contexto do trabalho em saúde, a inserção do professor e do estudante como sujeitos, e a produção contextualizada de saberes. Delineiam-se desafios e possibilidades para construção de propostas formativas que empreendam práticas interdisciplinares frente à complexidade de aprender, ensinar e cuidar em medicina”. Martins, Soldá e Pereira (2017) afirmam: “a realidade é dinâmica, sendo os sujeitos que escrevem/desenham os circuitos da história, influenciados pelo conjunto de relações sociais em que estão inseridos. Por isso, as discussões teóricas tornam-se necessárias, pois buscam romper com a forma tradicional do conhecimento e de escola. Assim, trabalhar na perspectiva da interdisciplinaridade na proposta de uma escola pode propiciar uma formação para emancipação humana, na qual os sujeitos inseridos têm a tarefa de tornar realidade novas formas de organizar o espaço considerando a totalidade social.” O PI segue a organização do currículo que estabelece princípios da articulação entre a teoria e a prática, da flexibilização, da interdisciplinaridade, da pesquisa, da extensão e da contextualização. Segue as DCN (BRASIL, 2014), e se destaca como metodologia ativa de ensino-aprendizagem, objetivando a aquisição de autonomia intelectual dos estudantes, a partir da mediação dos professores, e desenvolvimento de competências baseadas em conhecimentos, habilidades e atitudes. A participação dinâmica, de estudantes e professores, no processo de ensino e aprendizagem e, a tomada de decisão por parte desses sujeitos, desenvolve as suas capacidades crítica e reflexiva, confrontando a realidade com a teorização. Freire (1996) defende a aplicação de metodologias ativas quando afirma que, na educação de adultos, a superação de desafios, a resolução de problemas e a construção de novos conhecimentos a partir de experiências prévias são necessárias para impulsionar as aprendizagens. A ideia de organizar a integração
152 de conteúdos curriculares partiu da utilização de informações decorrentes do conhecimento de diversas áreas para uma leitura e/ou intervenção de determinada realidade, sob diversos olhares. As temáticas estão integradas aos Conteúdos Curriculares, viabilizando, portanto, a construção do saber e, consequentemente, das competências e habilidades pretensas ao médico egresso, permitindo-lhe articular o saber e o fazer. Dessa forma, acredita-se que o aluno do Curso de Medicina do UNIPÊ possa aprender a pensar criticamente, a desenvolver a capacidade de reconhecer a realidade e a se preparar, como cidadão, para uma ação transformadora de sua prática social. Essas atividades integradas permitem aplicação técnica e científica, na prática social, do conhecimento adquirido, pois são elaboradas a partir da vivência no campo de prática. A articulação das áreas temáticas aos conteúdos específicos de cada Unidade Curricular (UC) converge ao longo dos semestres para uma atuação sintonizada entre o preconizado pelas DCN do Curso de Graduação em Medicina e as necessidades do Sistema Único de Saúde – SUS. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO INTEGRADOR O Projeto Integrador é desenvolvido no decorrer do semestre letivo sob a coordenação de um dos professores vinculado à respectiva UC Integradora, este passa a chamar-se Professor Integrador. O PI abrange os saberes abordados no período correspondente, somados às experiências práticas desenvolvidas nos serviços de saúde. As suas atividades resultam em um PRODUTO a ser apresentado pelos discentes ao término de cada período. O processo de interdisciplinaridade acontecerá através de instrumentos integradores previamente definidos. Na escolha desses instrumentos, leva-se em consideração o grau de complexidade dos conteúdos na sua relação teoria e prática. A seguir, são delineados, período a período, até o P8, as características e a relação das competências a serem alcançadas a partir das atividades integradas dentro de cada tema, por PI (Quadro 1).
153 Quadro 1: Temáticas dos Projetos Integradores e respectivas competências. CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO COMPETÊNCIAS 1° Período: Tema Saúde e sociedade Componente integrador Ciências Sociais na Saúde Docente Integrador Ana Paula Pereira Falcão Componentes Curriculares 1. Ciências Sociais na Saúde 2. Fundamentos da Anatomia Humana 3. Morfofisiologia Humana I (Sistema Genital) 4. Bioquímica Médica 5. Fundamentos de Biofísica e Fisiologia 6. História da Medicina e Ética Médica 7. Gênese e Desenvolvimento 8. Atenção Primária em Saúde na Comunidade I (APSC – I) Produto final Portfólio (relato de uma experiência em APSC I) - Conhecer as bases anatômicas, celulares e fisiológicas dos processos normais, da estrutura e função do corpo humano; - Atuar profissionalmente, compreendendo a natureza humana em suas dimensões, em suas expressões e fases evolutivas; - Incorporar a arte médica como instrumento de interpretação profissional; - Estabelecer novas relações com o contexto social, reconhecendo a estrutura e as formas de organização social, suas transformações e expressões; - Reconhecer a saúde como direito e condições dignas de vida; - Reconhecer as relações de trabalho e sua influência na saúde; - Assumir o compromisso ético, humanístico e social com o trabalho multiprofissional em saúde; - Identificar as necessidades individuais e coletivas de saúde da população, seus condicionantes e determinantes; - Desenvolver, participar e aplicar pesquisas e/ou outras formas de produção de conhecimento que objetivem a qualificação da prática profissional. 2º Período: Tema Saúde e comunidade Componente integrador Bioestatística Docente Integrador Michelle Sales Barros de Aguiar Componentes Curriculares 1. Bioestatística 2. Morfofisiologia Humana II (Sistema Nervoso) 3. Morfofisiologia Humana III (Aparelho Locomotor) 4. Morfofisiologia Humana IV (Glândulas Endócrinas) 5. Morfofisiologia Humana V (Sistema Hematopoiético) 6. Atenção Primária em Saúde na Comunidade II (APSC – II) 7. Epidemiologia 8. Metodologia da Pesquisa Científica 9. Informática Aplicada à Medicina Produto final Pôster e apresentação oral (relato de experiência com um usuário de saúde) - Aprimorar os conhecimentos sobre a morfofisiologia humana; - Atuar profissionalmente, compreendendo a natureza humana em suas dimensões, em suas expressões e fases evolutivas; - Incorporar a arte médica como instrumento de interpretação profissional; - Ser capaz de identificar e refletir sobre problemas de saúde, de comunicar-se, de tomar decisões, de intervir no processo de trabalho e de enfrentar situações em constante mudança; - Atuar como sujeito no processo de formação de recursos humanos; - Responder às especificidades regionais de saúde através de intervenções planejadas estrategicamente, em todos os níveis de atenção à saúde; - Assumir o compromisso ético, humanístico e social com o trabalho multiprofissional em saúde; - Prestar cuidados médicos compatíveis com as diferentes necessidades apresentadas pelo indivíduo, pela família e pelos diferentes grupos da comunidade; - Integrar as ações médicas às ações multiprofissionais; - Utilizar os instrumentos que garantam a qualidade do cuidado médico na assistência à saúde.