BRASIL ARQUITETURA
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ORGANIZADORES FRANCISCO FANUCCI DEBORAH PADULA KISHIMOTO SEBASTIÃO CEZAR PAREDES DO AMARAL PRODUÇÃO EDITORIAL NÚCLEO DE PUBLICAÇÕES INSTITUCIONAIS (NPI) COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO FILIPE CARVALHO DE ALMEIDA DIAGRAMAÇÃO RAIFF PIMENTEL FÉLIX ALMEIDA FAGNER DE SOUSA SANTOS BRASIL ARQUITETURA SÉRIE AULAS INAUGURAIS DE ARQUITETURA E URBANISMO ORGANIZADO POR: FRANCISCO FANUCCI, DEBORAH PADULA KISHIMOTO, SEBASTIÃO CEZAR PAREDES DO AMARAL UNIPÊ: JOÃO PESSOA, 2019 | 100 PÁGINAS ISBN 978-85-87868-91-6 DOI: 10.5281/zenodo.17611867
APRESENTAÇÃO Com esta publicação, vimos a público compartilhar a experiência do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, com a busca em estimular o debate sobre a formação de profissionais para atuar no campo multidisciplinar inserido da arquitetura e urbanismo. Concebida em 2017, com o apoio do UNIPÊ e Membros do Núcleo Docente Estruturante do curso de Arquitetura e Urbanismo NDE – AU, as aulas inaugurais, carinhosamente definidas institucionalmente como Acolhida Discente, reinventaram-se dentro do curso e propõem a interação entre docentes e discentes ao diálogo entre a prática e teoria transmitida por ícones da arquitetura e urbanismo contemporânea brasileira. Ao valorizarmos as bases sólidas da formação do profissional generalista para conceber capacidades técnicas de reflexão e crítica, pautada na ética, sabemos a contribuição passada à comunidade acadêmica do Unipê e seu lugar de fala como agente ativo no mercado de trabalho paraibano e nacional. A Série Aulas Inaugurais de Arquitetura e Urbanismo trata do registro de uma prática no curso onde eventos iniciam o semestre letivo em parceria com os alunos do curso de arquitetura e urbanismo do Unipê. Sua configuração se dá com apresentações de atores cujos protagonismos e relevâncias no âmbito nacional, dentro da Arquitetura e Urbanismo se fazem referência em sala de aula e que, pela sua trajetória, se constituem profissionais exemplares, dessa forma, contribuindo com o aprendizado e a formação de todos. O momento se mostra ímpar, pois além da apreciação do conjunto de uma obra, se pode ouvir do próprio autor sobre o contexto envolvido, o histórico das decisões e as peculiaridades de cada projeto ratifica o que muitas vezes só o imaginário ilustra. Buscar depreender a realidade da profissão do arquiteto e urbanista, a dialética na troca de experiências gerada pela oportunidade dos questionamentos durante as apresentações, contribui no amadurecimento de discentes e docentes do curso. Esperamos neste volume trazer um pouco do que foram essas experiências aos que não puderam participar, minimizando a perda, e deixando como registro a saudosa lembrança aos agraciados que se fizeram presentes. Deborah Padula Kishimoto Sebastião Cezar Parentes do Amaral COORDENAÇÃO do AU – UNIPÊ
OS ARQUITETOS FRANCISCO FANUCCI sócio-fundador Arquiteto, formado pela FAU USP, em 1977, é sócio fundador do escritório Brasil Arquitetura e da Marcenaria Baraúna, onde tem realizado vários projetos com premiações no Brasil e exterior. Professor de projeto e coordenador do Estúdio Vertical, da Escola da Cidade, em São Paulo desde sua fundação, em 2002. Apresentou exposição de projetos selecionados no Tokyo Art Museum (2008), Centro Universitário Maria Antonia (2009), Museo Andersen, Roma (2009), Casartac, Turim (2010), Ensa Paris-Malaquais, Paris (2010) e Bienal Panamericana de Quito, (2010). Fonte: BRASIL ARQUITETURA. Imagem: FOLHA DE S. PAULO, 2017.
MARCELO FERRAZ sócio-fundador Arquiteto formado pela FAU USP em 1978, é sócio fundador do escritório Brasil Arquitetura e da Marcenaria Baraúna, onde tem realizado vários projetos com premiações no Brasil e exterior. Foi colaborador de Lina Bo Bardi de 1977 a 1992, participando de todos os seus projetos no período, com destaque para o Sesc Pompéia. Foi também colaborador de Oscar Niemeyer em 2002. Dirigiu o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi de 1992 a 2001 e o Programa Monumenta – Ministério da Cultura (para recuperação das cidades históricas), entre 2003 e 2004. Lecionou na Washington University in Saint Louis, USA, em 2006, como professor convidado e é professor da Escola da Cidade, em São Paulo. Publicou os livros Arquitetura rural na Serra da Mantiqueira (1992) Lina Bo Bardi (1993) e Arquitetura Conversável (2011). Fonte: BRASIL ARQUITETURA. Imagem: FOLHA DE S. PAULO, 2017.
BRASIL ARQUITETURA PRAÇA DAS ARTES SÃO PAULO, SP 8 CONJUNTO KKKK REGISTRO, SP 23 MUSEU DAS MISSÕES SÃO MIGUEL ARCANJO, RS 35 MUSEU DO TRABALHO E DO TRABALHADOR SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP 48 CAIS DO SERTÃO RECIFE, PE 64 VILA NOVA ESPERANÇA SALVADOR, BA 82 SÃO BERTOLOMEU SALVADOR, BA 91
PRAÇA DAS ARTES SÃO PAULO, SP
“Se, por um lado, o projeto da praça das artes deve responder à demanda de um programa de diversos novos usos, ligados às artes musicais e do corpo, deve, também, responder de maneira clara e transformadora a uma situação física e espacial preexistente, com vida intensa e com uma vizinhança fortemente presente. Mais ainda, deve criar novos espaços de convivência a partir da geografia urbana, da história local e dos valores contemporâneos da vida pública”. (BRASIL ARQUITETURA, 2006) AUTORES: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Luciana Dornellas e Marcos Cartum ANO: 2006 ÁREA: 28.500m²
ESPAÇOS VIVOS Através da articulação dos blocos construtivos dispostos no lote, criam-se espaços de transição e circulação em diferentes situações; desde o térreo, como uma praça que se prolonga por toda extensão do lote, interligando as três vias públicas, oferecendo aos usuários possibilidades de acesos e circulação, além de diversificadas maneiras de se utilizar o espaço, articulando-se, estabelecendo-se e fortificando as relações interpessoais daqueles que se apropriam do espaço. Além disso, o programa de necessidades prevê uma diversidade de espaços e ambientes para a prática de atividades relacionadas a arte, dança, música e entretenimento pela comunidade. Estes espaços internos e externos contribuem para o sentimento de pertença destas pessoas ao seu meio, promovendo novas possbilidades de se experimentar a cidade e o meio urbano.
ELEMENTOS MANUAIS A construção de elementos advindos de trabalhos manuais está presente no projeto, por meio de elementos naturais e sintéticos, que dão forma, cor, vida e sigificados aos ambientes do projeto. Placas tecidas por tradicionais máquinas de tear por pessoas que caregam em suas raízes estes modos de o fazer, se apresentam como painéis coloridos no teto, agregando movimento ao espaço. Assim como peças desenvolvidas para compor alguns espaços, como lustre executado de fibras naturais, protagonista do auditório da praça das artes.
AMBIÊNCIAS “Há projetos de arquitetura que se impõem soberanos em grandes espaços livres, situações aprazíveis e visíveis à distância. Há outros projetos que precisam se acomodar a situações adversas, espaços mínimos, nesgas de terrenos comprimidos por construções existentes, em que os parâmetros para seu desenvolvimento são ditados por tais singularidades. O caso da praça das artes se enquadra entre estes últimos”. (BRASIL ARQUITETURA, 2006). A materialidade dos elementos construtivos adotados para o projeto - concreto aparente pigmentado como principal elemento - agrega, em sua aparência nua, identidade ao conjunto como um todo e seus ambientes.
FORMA “O lugar contém marcas e memórias de diferentes épocas, retratadas nas arquiteturas do conservatório dramático e musical, na fachada do cine cairo e, também, nos edifícios que o cercam” (BRASIL ARQUITETURA, 2006). Dessa forma, o conjunto que compreende o projeto da Praça das Artes se configura através de edifícios com volumetria geometricamente paralelepípedas, emergidas como blocos de diferentes alturas e dimensões, com aberturas simples e descompasadas, articulando-se em harmonia com as demais tipologias construtivas existentes e acomodando-se ao seu meio.“Tal lugar tem uma vizinhança predial caótica do ponto de vista volumétrico, das normas de insolação e ventilação saudáveis. entretanto, possui uma situação privilegiada de humanidade ao seu redor, pleno de diversidade, vitalidade, mistura de classes sociais, de usos, de conflitos e tensões característicos da grande cidade”. (BRASIL ARQUITETURA, 2006)
CONJUNTO KKKK Registro, SP
“A prioridade do projeto foi a restauração e recuperação de um patrimônio histórico reconhecido por tombamento estadual, cujo remanescente físico é depositário da história do município e da origem de grande parte de sua população. não somente as construções foram restauradas mas ali também foi implantado um projeto de referência histórica, o memorial da imigração japonesa do vale do ribeira, museu que conta com significativo acervo de obras cedidas por artistas plásticos de origem japonesa radicados no brasil, além de fotografias, ferramentas, peças industriais e objetos doados pela população, reunidos para contar a história da imigração japonesa na região”. (BRASIL ARQUITETURA, 1996) AUTORES: Francisco Fanucci, e Marcelo Ferraz ANO: 1996 ÁREA: 152.900m²
ESSÊNCIA A região é característica por sua historicidade e por carregar em seus traços e raízes a cultura de povos que se estabeleceram nas margens ribeirinhas nos séculos passados, constituindo os primeiros assentamentos que deram origem aos núcleos urbanos atuais. A imigração japonesa, como protagonista desta história, está presente ainda nas tipologias construtivas e organizacionais do espaço, o que contribui para manter latente toda essência do local e de seu povo. Ponto primordial a ser previsto e tratado nas intervenções e propostas projetuais.
MUSEU DAS MISSÕES São Miguel Arcanjo, RS
“O programa de atividades e usos propostos pelo IPHAN e pela municipalidade está pautado em nosso projeto pelas ideias de acolhimento e convivência: um grande receptivo para o visitante turista e para o habitante local ou da região; um polo de atendimento às demandas de mais conforto e adequação para as atividades de convivência do centro de tradições nativistas, para as atividades técnico administrativas da secretaria de turismo do município, e para os escritórios do IPHAN e do IBRAM, com seus laboratórios, biblioteca, salas de pesquisa. Tudo isso integrado e em consonância com o funcionamento de um novo museu que venha enriquecer a experiência da visita ao sítio”. (BRASIL ARQUITETURA, 2014) AUTORES: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Luciana Dornellas e Victor Gurgel com Carlos Eduardo Comas ANO: 2014 ÁREA: 8.571m²
Os traços históricos do antigo assentamento estão ainda presentes e latentes nas ruínas da antiga igreja e no casarão. Ali havia vida, atividade humana e comunidades. famílias. A região, antes caracterizada por sua produção e modo de vida agrícolas, desenvolveu-se através das necessidades modernas e contemporâneas urbanas, deixando marcas dessa trajetória pelo caminho. “A jovem cidade de são miguel se desenvolveu ao redor do sítio histórico de modo acanhado, mal resolvida, cindida ao meio. talvez pela força e imponência das ruínas, a cidade nunca tenha encontrado seu foco urbanístico, sua centralidade (necessária a qualquer vila, por menor que seja), sua lógica e seu sentido gregário. nos passa a ideia de um assentamento espraiado na campanha pampeana“. (BRASIL ARQUITETURA, 2014) MEMÓRIAS
IMPLANTAÇÃO “Ocupando duas quadras cortadas pela rua são nicolau, o novo conjunto será articulado por uma grande – e longa – praça em seu miolo. Esta praça, circundada pelos edifícios vermelhos em concreto e pedra, trará, mesmo que longínqua, a memória dos claustros e pátios dos colégios jesuítas. De um lado, em uma das quadras, alocaremos a secretaria de turismo, o novo ctn (preservando o “rancho crioulo” octogonal), e do outro, o novo museu, o iphan, o ibram, os auditórios e as áreas de apoio, além de reservas técnicas”. (BRASIL ARQUITETURA, 2010)
MUSEU DO TRABALHO E DO TRABALHADOR São Bernardo do Campo, SP
“Um museu com a dimensão e a importância do museu do trabalho e do trabalhador não poderia ficar em melhor lugar do que no coração de são bernardo do campo. O centro da cidade possui um conjunto arquitetônico moderno com grandes espaços públicos, [...] um novo plano para a criação de um parque central vai redesenhar o sistema viário desta zona liberando o nivel térreo para a circulação de pedestres e criando uma grande área verde contínua que ligará os diversos equipamentos públicos hoje existentes. É neste contexto que se insere o museu do trabalho e do trabalhador, no terreno do antigo mercado municipal em uma área de cerca de dez mil m² ao lado do paço municipal”. (BRASIL ARQUITETURA, 2010) AUTORES: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Cícero Ferraz Cruz. ANO: 2010 ÁREA: 5.000m²
IMPLANTAÇÃO “Será implantado na extensão do parque central, em meio a um jardim que, entre árvores e flores, será habitado por máquinas, instrumentos, ferramentas, artefatos: objetos que nos remetem às origens, às vivências, à ideia do trabalho ao longo da história da humanidade. Este “jardim público do trabalho” adentra sob o corpo edificado principal sobrelevado do museu e revela o seu grande espaço central de acolhimento. Espaço-rua que dá acesso, cruza longitudinalmente e organiza o terreno e o edifício, inserindoos no tecido da cidade”. (BRASIL ARQUITETURA, 2010)
PROGRAMA Com base nas diretrizes projetuais do Museu do Trabalho e do Tabalhador, o programa de necessidades se dá através das tipologias de usos e atividades á serem desenvolvidas por todo edifício e seus espaços externos. e adjacentes. “De um lado o bloco das funções administrativas e de apoio, reserva técnica, salas de máquinas e sistemas de circulação vertical. De outro, o volume elevado que abrigará os espaços expositivos nternos e, em subsolo, o auditório para palestras, projeções, seminários, [..] abrigará, no piso térreo a loja e o café. Será o espaço da convivência: entre os visitantes do museu e do museu com a cidade”. (ARQUITETURA BRASIL, 2010)
ARTICULAÇÃO URBANA O projeto do museu faz parte de um grupo de elementos e propostas do escritório para a revitalização de uma área da cidade de São Bernardo do Campo, através de preposições de melhorias em mobilidade urbana, por meio de novos traçados de vias, transporte público de qualidade e espaços verdes e arbóreos, além de locais para a prática de atividades e lazer da população local, articulando e conectando as outras áreas da cidade entre si e a apropriação destes espaços por todos.
VOLUMETRIA Dois paralelepípedos de diferentes dimensões compõem o edifício do museu. Conectados por um uma extensa coberta e passarelas em seu sentido longitudinal, esta é arrematada por esquadrias de vidro translúcido, o que contribui para a delimitação visual destas duas volumetrias distintas que se interligam por seus serviços e programa. O vão obtido através desta conexão serve de grande pátio central, de pé direito monumental, onde estão localizados os espaços sociais. Os espaços comuns se multiplicam a medida que um dos volumes está sob pilotis, promovendo a quebra da possível monotonia visual destes dois blocos. As aberturas compassadas nas laterais do edifício promovem um ritmo á composição, apresentando nas demais fachadas quase ou nenhuma abertura.
CAIS DO SERTÃO Recife, PE
“Pela importância de sua localização e de seu programa sociocultural, o conjunto do museu (com suas áreas livres e de convívio) deveria também criar um novo marco urbano na paisagem do recife. Deveria ainda funcionar como agente de requalificação urbanística de todo o centro histórico, reforçando os laços da cidade com suas águas – canais, rios e mar. E, neste caso específico do museu, trazer o vasto mundo do sertão nordestino para o beira mar da metrópole: sua paisagem, clima, biodiversidade, ocupação humana, tradições, artes, crenças, migrações e sua potente música”. (BRASIL ARQUITETURA, 2018) AUTORES: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Pedro del Guerra ANO: 2018 ÁREA: 7.000m²
IMPLANTAÇÃO Situado á beira do cais do Recife Antigo, o museu está inserido em uma área característica pelas atividades portuárias da cidade. Os galpões lá existentes dividem espaço com distintas contruções de diferentes períodos e tipologias arquitetônicas, além de monumentos e espaços que traduzem a história da cidade e do estado, como o Marco Zero. Estes galpões são utilizados para o armazenamento de cargas que chegam ou saem da cidade. Logo, é em um destes em que o projeto ganha forma. Através da transformação do galpão e espaço urbano imediato á este, configura-se o Cais do Sertão Luiz Gonzaga. O edifício elaborado em consonância com as características construtivas e regionais, se instala através de seu eixo longitudinal á beira mar, compondo um novo conjunto de elementos urbanos propostos para o local.
“Em consonância com a proposta urbanística do estado e do município de manter os antigos galpões do porto dandolhes novas funções, o projeto arquitetônico foi desenvolvido com o aproveitamento de um deles (2500m2) e com a criação de um novo edifício (5000m2) conectado ao galpão, reforçando a estrutura longilínea de construções do porto, para abrigar todo o programa do museu”. (BRASIL ARQUITETURA, 2018)
PROGRAMA “Aberto ao público mais diverso e às escolas, o museu tem sido um sucesso por sua proposta arquitetônica e museográfica de conjugar alta tecnologia construtiva e expositiva, objetos variados pesquisados com rigor antropológico, obras de arte em diferentes suportes especialmente criadas para o museu, documentos, filmes e fotografias. Tudo pensado a partir de um conceito forte e de conteúdos desenvolvidos por especialistas de várias áreas do conhecimento, além de uma arquitetura de forte inserção urbana”. (BRASIL ARQUITETURA,2018)
“Ao apresentar a vida sertaneja em um moderno equipamento à beira mar da metrópole pernambucana, o museu procura abrir os olhos de todos os brasileiros para o universo fantástico, ao mesmo tempo rico e pobre, trágico e festivo, violento e poético de grande parte da população que habita esta vastidão territorial chamada sertão”. (BRASIL ARQUITETURA, 2018)
REGIONALISMO O Nordeste brasileiro é rico em sua cultura, povos e costumes. Berço das maiores personalidades nacionais do cenário musical, televisivo, teatral e cinematográfico, muitos são os frutos advindos desta terra. O projeto Cais do Sertão Luiz Gonzaga homenageia este grande músico e compositor nordestino, que se encaregou de levar toda a essêcnia do povo sertanejo em suas melodias para os palcos do Brasil e do mundo. O projeto abriga uma coleção de itens relacionados à vida do cantor e toda sua trajetória na música, fazendo fortes referências ao regionalismo presente em todas as esferas projetuais. Desde as exposições de itens e passagens de Luiz Gonzaga aos materiais e soluções construtivas empregadas na obra, trata-se de um museu vivo, que instrumentaliza a arte através de seus elementos construtivos e sensitivos.
VILA NOVA ESPERANÇA Salvador, BA
“Por uma porta da casa 16 da rua alfredo de brito, quase no largo do pelourinho, adentramos um espaço de resistência – antiga invasão – de moradores da encosta que separa a cidade alta da cidade baixa de salvador, conhecida por rocinha ou vila nova esperança. São 66 famílias - quase 150 pessoas - vivendo em ruínas de antigas construções e barracos de madeira e alvenaria, em condições de extrema precariedade em todos os sentidos da palavra. No entanto, por sua situação privilegiada – a dois passos do pelourinho – e pela história de resistência de mais de 20 anos, essa gente se sente altiva e orgulhosa de si”. (BRASIL ARQUITETURA, 2007) AUTORES: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Anne Dieterich, Cícero Ferraz Cruz e Fabiana Paiva ANO: 2007 ÁREA: 8.550m²
CONTEXTOS O local é marcado pelos traços do urbanismo contrastante da cidade. Na encosta do conjunto historico de Salvador, existe uma comunidade instalada há decadas. Ali desenvolveram-se habitações, famílias e elos. Elos estes que compõem o espaço, a convivência em grupo, as relações ali estabelecidas ao longo do tempo caracteriam e dão sentido ao lugar. A intervenção, com base no respeito á estas condicionantes humanas, apresenta propostas que possam agregar ainda mais significado ao lugar e seu povo, buscando se comprometer a respeitar e conservar viva a história e raízes da comunidade, assim como sua herança cultural e social para com a cidade.
“Na vegetação exuberante de grandes árvores, palmeiras e bananeiras que preenche toda a área ocupada, já se podem notar clareiras recentes de cortes de árvores que, a continuar, poderão comprometer a paisagem verde da encosta”. (BRASIL ARQUITETURA, 2007)
IMPLANTAÇÃO “A presença de ruínas de antigas casas no platô superior, junto ao casario da rua alfredo brito, e de muros de pedras que arrimam o terreno em compassos de aproximadamente 10 metros de um ao outro, é a grande “dica” para elaboração do projeto de ocupação, circulação e estruturação. estes muros, ou muralhas, representam o que há de melhor do ponto de vista da técnica e da engenharia na construção da cidade colonial de salvador, em terreno tão acidentado. eles sobrevivem há séculos com enorme eficiência. portanto, revelá-los aos olhos da população será missão apriorística do projeto”. (BRASIL ARQUITETURA, 2007). Desta forma, a proposta adotada para o projeto urbano contou com a requalificação do espaço por meio da oferta de novas maneiras de se habitar, através da implantação de blocos de residências de distintas configurações e que atendessem as diferentes necessidades da população, além de espaços comunitários, como biblioteca, cozinhae oficinas. A integração entre os espaços livres ocupados agora por playgrounds e uma nova arborização contribuem para maior aproximação e apropriação do espaço pelos moradores.
NOVAS HABITAÇÕES Uma das propostas para o projeto da Vila Nova Esperança foi a construção de novas residências e conjuntos que pudessem oferecer à comunidade local moradia de forma digna, com devidas condições de conforto e urbanias para a convivência dos moradores e uma nova maneira de habitar a área. As residências foram divididas em distintos blocos por toda extensao do conjunto, estando conformadas em casas e apartamentos. Cada bloco, situado em determinado ponto da Vila conta com amplos espaços arborizados em seu entorno, além da proximidade com os espaços e construções de uso coletivo, como biblioteca e oficinas.
PROPOSTA 3
PROPOSTA 4