198 | Seis Sigma e ferramentas da qualidade: projeto de melhoria na diminuição dos 0 índices de defeitos de guarnições automotivas A Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) é publicada pela FATEC Praia Grande Multidisciplinar - Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista -
[email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2022 • aceito: Mar/2022 • publicado: Jun/2022 Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo School management, mental health and remote teaching: research with public schools teachers in the city of São Paulo Eduarda Kai Fatec Rubens Lara
[email protected] Vanina Sigrist Fatec Rubens Lara [email protected] RESUMO Com o início da pandemia, a gestão escolar descobriu um novo problema a ser enfrentado: a readequação do sistema de ensino para que os estudantes não fossem prejudicados com o distanciamento social, adotando-se então o Ensino Remoto. Levando esse ponto em consideração, esse estudo buscou averiguar a saúde mental dos professores que atuam entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio e as dificuldades encontradas ao atuar no ambiente virtual. A pesquisa foi realizada a partir de um levantamento bibliográfico e análise dos dados obtidos em pesquisa de campo, realizada a partir de um questionário anônimo aplicado em 7 escolas da cidade de São Paulo, resultando na amostra de 45 voluntários e uma conversa com um dos diretores. Analisando os resultados, observou-se o impacto negativo nos professores, seja pelas baixas expectativas pelo ensino remoto, a falta de experiência com os recursos dessa modalidade ou pela indisponibilidade de tecnologia adequada. PALAVRAS-CHAVE: Gestão. Escolas Públicas. Covid-19. Saúde Mental. Ensino Remoto. ABSTRACT With the pandemic’s onset, school management discovered a new problem to be faced: the readjustment of the educational system so that students would not be harmed by social distancing, adopting, then, the Emergency Remote Teaching. Considering it, this study aims to investigate the mental health of teachers working between elementary and high school, besides the difficulties when working in a virtual environment. The research was carried out from a bibliographic survey and the analysis of data collected in field research, with an anonymous 26-question questionnaire applied to 7 schools in Sao Paulo city, resulting in a sample of 45 volunteers and a conversation with one school principal. When examining the results, it was observed the negative impact on the teachers, whether due to low expectations for the remote work, lack of experience using the needed resources, or unavailability of suitable technology. KEY-WORDS: Management. Public Schools. Covid-19. Mental Health. Remote Teaching
199 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 INTRODUÇÃO A sociedade atual passa por um dos momentos mais dramáticos das últimas décadas. Com o impacto causado pela pandemia do novo vírus corona, que surgiu no fim de 2019 em Hubei, na província chinesa de Wuhan, violentas alterações na rotina da população mundial foram necessárias, afetando distintas áreas de atuação, incluindo a educação (VELAVAN; MEYER, 2020). Logo após a declaração pandêmica do vírus SARS-CoV-2 pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em março de 2020, o Ministério da Educação demarcou novos critérios para a prevenção da população em sua portaria nº 343 (BRASIL, 2020) e, dessa maneira, um novo desafio surgiu no sistema educacional brasileiro: a readequação do sistema de educação para que os estudantes não fossem prejudicados com a pandemia. O ineditismo com as alterações realizadas fez com que a rede de ensino adotasse novos métodos para a educação, iniciando-se então o ensino remoto, o qual alunos passaram a seguir um cronograma de aulas de forma virtual, sendo acompanhados ao vivo pelos seus professores (DAU, 2021). Ao analisar o impacto causado pela pandemia na rede educacional pública, observam-se drásticas mudanças comportamentais nos alunos e profissionais do setor educacional, deduzindo-se então o esgotamento físico e mental dos educadores. De acordo com Meyer e Velavan (2020), a saúde mental dos professores foi bastante impactada pela mudança brusca de rotina e as dificuldades impostas pelo ensino remoto. Levando esses pontos em consideração, esta pesquisa busca analisar o impacto na saúde mental dos professores que tiveram de adequar as suas aulas do ensino presencial para o ensino remoto na educação básica e, também, quais as maiores dificuldades encontradas nessa adequação. Sendo assim, foi realizado um levantamento bibliográfico que abrangeu uma literatura mista, incluindo a legislação quanto ao ensino remoto na área da educação. Complementarmente, também foi realizada uma pesquisa de campo, disponibilizando um questionário para que docentes de 7 escolas da rede pública de ensino da cidade de São Paulo da educação básica, pudessem responder de forma totalmente anônima a partir de uma plataforma virtual chamada Google Forms. O presente artigo organiza-se em mais 4 partes, apresentando assim o desenvolvimento e o resultado da pesquisa de campo de como os professores estão lidando com as dificuldades e o estresse com as aulas remotas. Para atingir esses resultados, fez-se necessária uma pesquisa aplicada de natureza exploratória, adotando-se ainda análises do aspecto quantitativo e qualitativo, a partir dos dados obtidos pelo questionário, disponibilizado nas escolas
200 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 mencionadas no período de março a agosto de 2021, e em uma conversa com um dos diretores dessas instituições. Por fim, o estudo é concluído com a reflexão dos dados obtidos pela pesquisa feita. 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No início de 2020, com as mudanças ocorridas devido a pandemia da COVID-19, os estados da federação brasileira deliberaram sobre a adoção de drásticos ajustes públicos, dentre eles a suspensão das atividades escolares (MIRANDA; NARDUCHI; PEREIRA, 2020). Apesar do fechamento das escolas, suas atividades logo tiveram continuidade com a adoção do Ensino Remoto, a partir do dia 30 de março de 2020. Diferente do que se conhece do EAD (Educação à Distância), retratado pelo MEC como um método de autoaprendizagem através de recursos didáticos por meios de comunicação (BRASIL, 1998), o Ensino Remoto é gerado e disponibilizado on-line e com os alunos sendo acompanhados em tempo real pelos professores, seguindo um cronograma com aulas agendadas, assim como aconteceria no ensino tradicional (DAU, 2021). Durante o período de suspensão de aulas, a modalidade de Ensino Remoto passou a valer tanto para o ensino fundamental quanto para o médio (PINHO; SALDAÑA, 2020) e, com a mediação dos profissionais da educação e o auxílio de ferramentas tecnológicas, logo os alunos conseguiram retomar os estudos, mesmo que parcialmente. As aulas em ensino remoto são apoiadas pelo uso dos recursos oferecidos pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que foi de grande auxílio ao minimizar o impacto da COVID-19 na educação, servindo como uma alternativa para evitar o prejuízo dos alunos no processo ensino-aprendizagem (MIRANDA; NARDUCHI; PEREIRA, 2020). A drástica mudança de plano fez tanto os alunos quanto os profissionais da educação repensarem os métodos de ensino, obrigando-os a passar por uma drástica mudança de hábitos. Não mais lecionando com materiais até então presentes apenas nas escolas, independente da matéria, a necessidade de inovação se fez presente (CRUZ; MATOS; PÌMENTA. 2020). Evidentemente não um problema apenas de saúde pública, a pandemia também influenciou negativamente o emocional da população. Segundo Alvarenga et al (2020), a quarentena ocasionada pela pandemia teve um grande impacto no psicológico, já que a mudança de rotina compromete diversas áreas, sendo elas financeira, física e social.
201 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Diante do presente cenário que a população mundial enfrenta todos os dias, fez-se imprescindível a averiguação das maiores dificuldades dos professores ao enfrentar os tempos de coronavírus e como está sua saúde mental ao trabalhar com o ensino remoto. Conforme Meleiro (2012), dizia-se que mesmo o estresse não sendo caracterizado na Classificação Internacional das Doenças (CID), até antes de 2022 pela CID 11 (GRANATO, 2021), médicos de diversas áreas já alertavam a população sobre suas possíveis complicações futuras, como cardiologistas, pneumologistas, endocrinologistas, clínicos gerais e, principalmente, psiquiatras, área mais atuante nos problemas envolvendo a mente humana. O estresse é um dos conceitos mais estudados e mencionados em psicologia, pois se manifesta na vida cotidiana como um fator que pode colocar em risco a saúde psicológica e física das pessoas. [...] As três principais perspectivas de abordagem do estresse são: I) a que enfatiza as respostas fisiológicas e reações do indivíduo aos estressores; II) a que busca investigar os fatores estressores no ambiente que provocam danos ao bem-estar e à saúde dos indivíduos; e III) a psicológica/cognitiva que foca a relação do indivíduo com o meio, ou seja, como a pessoa avalia e percebe o evento estressor (GONDIM; HIRSCHLE. 2020). Assim sendo, levando como base o presente momento de crise global, sabe-se que a população mundial enfrenta diversos problemas devido a COVID-19, afetando seus estados emocionais. Por se tratar de um cenário bem complexo, com muitas variáveis e que pode ser avaliado de perspectivas científicas diversas, no caso desta pesquisa, que é realizada dentro do escopo da gestão escolar, optou-se por tentar entender a realidade dos professores do ensino básico que passaram por esse processo de mudança para o ensino remoto. 2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para a pesquisa exploratória desse artigo, realizou-se uma conversa no dia 15 de maio de 2021 com o diretor de uma das escolas participantes da pesquisa, instituição essa de nível Fundamental II e Médio, localizada no centro de São Paulo. Esta conversa se deu devido as autoras já possuírem um contato prévio e de confiança. De acordo com o diretor, antes mesmo do questionário ser aplicado, sua percepção era de que os professores poderiam não ser totalmente sinceros ao responder pois provavelmente sequer saberiam que estão num nível de estresse mais alto ou não o admitiram. Apesar desta declaração, dando a entender que talvez os docentes padeçam de certos mal estares e não os admitam, o questionário foi aplicado preocupando-se somente com a autodeclaração da saúde mental pelos próprios professores.
202 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Assim sendo, o presente trabalho tem como objetivo averiguar o perfil desses profissionais e como eles estão lidando com o Ensino Remoto. Ainda no âmbito exploratório da pesquisa, houve a elaboração e aplicação de um questionário composto por 26 questões, dentre as quais 24 delas foram fechadas e as outras duas perguntas abertas, uma delas quanto a matéria lecionada pelo entrevistado e a outra pergunta referente aos fatores de estresse identificados pelos professores. As perguntas tiveram como foco analisar o perfil do professor frente aos desafios e as possíveis dificuldades enfrentadas durante as aulas remotas no ano de 2020. O questionário foi disponibilizado ao corpo docente de 7 escolas públicas da cidade de São Paulo, por intermédio de pesquisadores conhecidos das autoras deste artigo. Para facilitar a coleta de informações, o acesso ao questionário se deu através da plataforma Google Forms, onde os professores poderiam responder de maneira digital e anônima durante o período disponível, entre os dias 6 e 30 de maio de 2021. Após o término do período, coletou-se uma amostra de 45 profissionais da área da educação, que atuam entre o Ensino Fundamental I e o Ensino Médio, dos quais apenas 5 foram pré-selecionados por motivos de proximidade de contato e o restante por intermédio de compartilhamento pelos participantes e diretores das instituições. Características psicossociais dos entrevistados foram levadas em consideração para a formulação das considerações finais da pesquisa de campo, tendo em vista a variação entre idade e área da atuação no sistema educacional e se eles se sentem ou não estressados com seu trabalho. Os dados obtidos alimentarão, assim, uma corrente de respostas elaboradas numa planilha, facilitando a comparação de dados e um melhor entendimento da análise a seguir. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram entrevistados 45 professores ao todo, sendo 66,7% do gênero feminino e 33,3% do gênero masculino, de faixa etária variada a partir dos 18 anos, conforme apresentado no gráfico abaixo. Levando em consideração a Reforma da Previdência de 2022 (ABELLA, 2022), além dos 25 anos de magistério para professoras e 30 anos para professores, delimitou-se para esta pesquisa a idade de 65 anos ou mais.
203 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Gráfico 4 - Faixa Etária dos Entrevistados Fonte: Autoria própria, 2021 Quanto as matérias lecionadas, perguntou-se em qual nível do ensino o entrevistado atuava majoritariamente (sua especialização), e observou-se que 44,4% dos professores atuavam como pedagogos do Fundamental I, 46,7% para o Fundamental II, e 46,7% para o Ensino Médio. Registrou-se, também, 16 matérias distintas dentre todos os anos da escola, sendo a Polivalente a mais selecionada, com seu percentual em 31,1%. Quadro 1 - Matérias Lecionadas pelos Professores Fonte: Autoria própria, 2021 Sabendo que com a repentina mudança de 2020 o trabalho migraria para suas casas, por conta da pandemia, foi questionado se possuíam acesso à internet antes das aulas remotas
204 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 iniciarem e 100% das respostas foram afirmativas. Além disso, apenas 42,2% dos professores também responderam afirmativamente que, caso não tivessem acesso à internet, a escola a disponibilizaria para que o professor conseguisse dar aula. Perguntou-se, também, qual aparelho (ou quais) os professores utilizam para trabalhar, podendo assinalar mais de uma opção, e as respostas mais frequentes foram o notebook, com 82,2% e o celular, com 75,6%, conforme mostra o Quadro 2. Quadro 2 - Aparelhos Utilizados pelos Professores Fonte: Autoria própria, 2021 A aula não presencial era um tabu para muitos e a experiência com o ensino remoto foi uma novidade para 91,1% dos professores, contabilizando 41 dos 45 entrevistados, dos quais apenas 8,9% já tinham alguma experiência em lecionar não presencialmente e 14 professores afirmaram ter falta de interesse ou preconceito com a modalidade remota.
205 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Gráfico 5 - Possuía experiência com o Ensino Remoto antes da Pandemia do Covid-19? Fonte: Autoria própria, 2021 Muitas das dificuldades encontradas pelos pedagogos entrevistados vieram a partir de dificuldades tecnológicas para continuar lecionando, sendo que 55,6% dos professores afirmaram que não possuíam material tecnológico para dar aula de qualidade e 42,2% responderam apresentar dificuldade com a plataforma utilizada para dar aulas. Muitas dificuldades foram abordadas dentro do questionário e os entrevistados podiam selecionar mais de uma, conforme se apresenta no Quadro 3. Quadro 3 - Maiores Dificuldades Apontadas pelos Professores Fonte: Autoria própria, 2021 Sabendo dos deveres como professores, os docentes da educação devem seguir orientações jurídicas previstas na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e na LDB (Lei de
206 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Ainda que devam colaborar com atividades entre a escola e a comunidade escolar, seus maiores desafios se encontram dentro da sala de aula. Cobrados pela direção escolar de sua instituição, os professores devem buscar ensinar matérias e esperar o melhor resultado de seus alunos. Porém, com os impedimentos devido à pandemia, houve um novo problema na educação e um enorme questionamento entre a comunidade educacional: “O ensino remoto está sendo produtivo para os alunos?” (Gráfico 3). De acordo com 80% dos entrevistados, o Ensino Remoto não está sendo produtivo para seus alunos, e 75,5% informam ainda não enxergar os resultados esperados. Além disso, conforme vê-se no Gráfico 4, 75,5% dos professores identificaram não obter os resultados esperados dos alunos. Gráfico 6 - O Ensino Remoto está sendo produtivo para seus alunos? Fonte: Autoria própria, 2021 Gráfico 7 - Está obtendo os resultados esperados dos alunos? Fonte: Autoria própria, 2021 Referente ao que é mais estressante nesse tempo de pandemia atuando como professor, obteve-se uma diversidade de respostas que foram sintetizadas e apresentadas no Quadro 4. Os dados coletados nessa questão são de suma importância para identificar os maiores fatores que
213 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 Ainda que o estresse seja um enorme problema a ser diagnosticado nos profissionais da área da educação, mesmo com os sintomas presentes que indiquem o estresse, como dor de cabeça diária, desordem do sono e dificuldade de concentração, apenas 19% dos 21 professores que se sentiam estressados informaram ter feito algum tipo de tratamento. A partir do questionário, observou-se ainda que 52,4% assinalaram terem desenvolvido o estresse apenas após o início da pandemia. A sobrecarga e sofrimento mental pode não ser apenas um problema exclusivo da pandemia, já que o trabalho maçante acaba exaustando o profissional tanto dentro das salas de aula, quanto no conforto de sua própria casa, corrigindo provas e outras atividades e sempre pensando no conteúdo de sua próxima aula. A transferência das salas físicas para as virtuais fez com que os docentes passassem essas horas a mais de frente para a tela do celular, computador ou tablet, corrigindo atividades online, podendo prejudicar a postura e a qualidade da visão do profissional, levando em conta as horas que gastam trabalhando, com 48,9% das respostas informando atuar de 8 a 10 horas diárias, e outros 22,2% que informam atuar até mais de 12 horas diárias. Mesmo que deste modo os docentes não estejam expostos dentro do trabalho para a COVID-19, a exaustividade por ficarem tanto tempo de frente à tela pode contribuir para o desgaste da sua saúde física e mental. Ainda há muitos problemas a serem combatidos em relação à pandemia, em quesitos educacionais ou não. A quarentena levou muitos ao esgotamento, migrando a vida da sociedade completamente para dentro de suas casas, seja para cumprirem a quarentena com o auxílio emergencial, ou para continuarem o trabalho de forma remota, a partir de suas casas. Ainda assim, atribuindo aos profissionais da educação novas formas de educar através de ferramentas tecnológicas com pouco tempo de treinamento – ou, até mesmo, sem treinamento nenhum – os desafios do ensino remoto ainda são muitos, seja por baixas expectativas pela modalidade remota ou a falta de experiência nessa prática, o que impacta diretamente a qualidade de ensino. Apesar de todos esses fatores, destaca-se ainda que há sempre um avanço para que o ensino remoto seja uma opção viável futuramente, e não apenas uma escolha emergencial, como ocorreu devido ao surto pandêmico do coronavírus.
214 | Gestão escolar, saúde mental e ensino remoto: pesquisa com professores da rede pública na cidade de São Paulo Revista Processando o Saber - v.14 - p. 198-215 - 2022 REFERÊNCIAS ABELLA, A. O que mudou na aposentadoria dos professores em 2021? Previdenciarista. 2021. Disponível em: https://previdenciarista.com/blog/o-que-mudou-na-aposentadoria-dosprofessores-em-2022/. Acesso em: 29 jan. 2022. ALVARENGA, R; et al. Percepção da Qualidade de vida de professores das redes públicas e privadas frente a à pandemia do Covi-19. Revista CPAQV. 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/344884504_ARTIGO_ORIGINAL_PERCEPCAO_ DA_QUALIDADE_DE_VIDA_DE_PROFESSORES_DAS_REDES_PUBLICAS_E_PRIV ADAS_FRENTE_A_PANDEMIA_DO_COVID-19. Acesso em: 24 mar. 2021. AM. Horas atividades e jornada de trabalho dos professores. Advocacia Moreno. 2020. Disponível em: http://advocaciamoreno.com.br/horas-atividades-e-jornada-de-trabalho-dosprofessores. Acesso em: 11 abr. 2021. BRASIL. Portaria nº 343, de 17 de março de 2020. Diário Oficial da União. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-343-de-17-de-marco-de-2020248564376. Acesso em: 11 abr. 2021. CRUZ, L. da S; et al. Gestão Escolar: Dificuldades e desafios no oferecimento do ensino remoto em tempos de pandemia. VII Congresso Nacional de Educação. 2020. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2020/TRABALHO_EV140_MD1_SA19_I D6213_01092020174753.pdf. Acesso em: 20 jun. 2021. DAU, G. O que é Ensino Remoto e o seu papel fundamental em 2021. Rede Jornal Contábil. 2021. Disponível em: https://www.jornalcontabil.com.br/o-que-e-ensino-remoto-eo-seu-papel-fundamental-em-2021/. Acesso em: 05 jun. 2021. GARCIA, G. F. B. Jornada de Trabalho do professor: Lei 13.415/2017. GENJurídico. 2017. Disponível em: http://genjuridico.com.br/2017/03/07/jornada-de-trabalho-do-professorlei-13-4152017/. Acesso em: 20 jul. 2021. GONDIM, S. M. G.; HIRSCHLE, A. L. T. Estresse e Bem-estar no Trabalho: Uma Revisão de Literatura. Scielo Saúde Pública. 2020. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n7/2721-2736/. Acesso em: 15 jan. 2022. GRANATO, L; Burnout vira doença do trabalho em 2022: O que muda agora? Revista Exame. 2021. Disponível em: https://exame.com/carreira/burnout-vira-doenca-do-trabalhoem-2022-o-que-muda-agora/. Acesso em 13 jan. 2022. MELEIRO, A. Estresse: Entrevista com o Dr. Drauzio Varella. Jornal UOL. 2012. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/estresse-entrevista/. Acesso em: 18 jul. 2021. MEYER, C. G; VELAVAN, T. P. The covid-19 epidemic. Trop Med Int Health. 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7169770/. Acesso em: 1 abr. 2021.
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