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MELHORAMENTO GENÉTICO DE BOVINOS CONFINADOS: ESTRATÉGIAS PARA INTEGRAR BEM-ESTAR ANIMAL E EFICIÊNCIA NUTRICIONAL

SILVA, Alessandro de Arruda Xavier da; SILVA, Leandro Mendes da; OLIVEIRA, Rosângela Aparecida Pereira de; GUIMARÃES, Carla Regina Rocha; PINTO, Rafaela Guimarães; Sá e SILVA, Raphael de Oliveira de

Abstract

O presente estudo analisou o melhoramento genético de bovinos confinados, enfatizando estratégias que integram bem-estar animal e eficiência nutricional. Considerando a crescente demanda por uma pecuária sustentável e tecnificada, o trabalho teve como objetivo discutir de que forma o melhoramento genético pode otimizar o desempenho produtivo sem comprometer a saúde e o conforto dos animais. Metodologicamente, foi conduzida uma revisão de literatura, abrangendo o período de 2013 a 2023, com base em fontes científicas nacionais e internacionais. Os resultados indicam que a seleção genética de características como docilidade, resistência a doenças e termotolerância promove melhorias significativas no comportamento e na adaptação de bovinos ao confinamento. Paralelamente, a eficiência nutricional esteve associada à capacidade de conversão alimentar, à redução de custos de produção e à mitigação de impactos ambientais. A integração entre genética e nutrição, aliada ao uso de tecnologias de precisão e ferramentas de monitoramento digital, mostrou-se essencial para a consolidação de sistemas produtivos mais éticos, sustentáveis e rentáveis. Conclui-se que o melhoramento genético, quando integrado ao manejo nutricional, representa um caminho promissor para uma pecuária moderna, capaz de aliar produtividade e responsabilidade socioambiental.

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Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 1 MELHORAMENTO GENTICO DE BOVINOS CONFINADOS: ESTRATGIAS PARA INTEGRAR BEM-ESTAR ANIMAL E EFICINCIA NUTRICIONAL GENETIC IMPROVEMENT OF FEEDLOT CATTLE: STRATEGIES TO INTEGRATE ANIMAL WELFARE AND NUTRITIONAL EFFICIENCY Alessandro de Arruda Xavier da SILVA ORCID: https://orcid.org/0009-0000-4008-1018 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E -mail: [email protected] Leandro Mendes da SILVA ORCID: https://orcid.org/0009-0007-4229-1052 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E -mail: Leandro.mendes29@icloud Rosângela Aparecida Pereira de OLIVEIRA ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0047-7242 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: rosangela.olive[email protected].br Carla Regina Rocha GUIMARÃES ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2428-4709 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: [email protected] Rafaela Guimarães PINTO ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6546-5181 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: [email protected] Raphael de Oliveira de Sá e SILVA ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8790-7216 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: [email protected] RESUMO O presente estudo analisou o melhoramento genético de bovinos confinados, enfatizando estratégias que integram bem-estar animal e eficiência nutricional. Considerando a crescente demanda por uma pecuária sustentável e tecnificada, o trabalho teve como objetivo discutir de que forma o melhoramento genético pode otimizar o desempenho produtivo sem comprometer a saúde e o conforto dos animais. Metodologicamente, foi conduzida uma revisão de literatura, abrangendo o período de 2013 a 2023, com base em fontes científicas nacionais e internacionais. Os resultados indicam que a seleção genética de características como docilidade, resistência a doenças e termotolerância promove melhorias significativas no comportamento e na adaptação de bovinos ao confinamento. Paralelamente, a eficiência nutricional esteve associada à capacidade de conversão alimentar, à redução de custos de produção e à mitigação de impactos ambientais. A integração entre genética e nutrição, aliada ao uso de tecnologias de precisão e ferramentas de monitoramento digital, mostrou-se essencial para a consolidação de Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 2 sistemas produtivos mais éticos, sustentáveis e rentáveis. Conclui-se que o melhoramento genético, quando integrado ao manejo nutricional, representa um caminho promissor para uma pecuária moderna, capaz de aliar produtividade e responsabilidade socioambiental. Palavras-chave: Seleção de bovinos. Nutrição de ruminantes. Comportamento animal. Pecuária intensiva. Sistemas de confinamento. ABSTRATC This study analyzed the genetic improvement of feedlot cattle, emphasizing strategies that integrate animal welfare and nutritional efficiency. Considering the growing demand for sustainable and technologically advanced livestock production, the aim was to discuss how genetic improvement can optimize productive performance without compromising animal health and comfort. Methodologically, a literature review was conducted covering the period from 2013 to 2023, based on national and international scientific sources. The findings indicate that genetic selection for traits such as docility, disease resistance and thermotolerance promotes significant improvements in cattle behavior and adaptation to confinement. In parallel, nutritional efficiency was associated with feed conversion capacity, reduced production costs and mitigation of environmental impacts. The integration between genetics and nutrition, combined with precision technologies and digital monitoring tools, proved essential for consolidating more ethical, sustainable and profitable production systems. It is concluded that genetic improvement, when integrated with nutritional management, represents a promising pathway towards modern livestock systems capable of combining productivity with socio-environmental responsibility. Keywords: Cattle selection. Ruminant nutrition. Animal behavior. Intensive livestock systems. Feedlot management. INTRODUÇÃO O Brasil se destaca como um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do mundo, contribuindo de forma significativa para a economia nacional. Com o aumento da demanda global por carne de alta qualidade, os sistemas de produção têm se intensificado, especialmente por meio do confinamento de bovinos, que permite maior controle sobre a dieta e o manejo dos animais, resultando em produção mais eficiente e padronizada. Nesse contexto, o melhoramento genético configura-se como ferramenta indispensável para maximizar a eficiência produtiva e, simultaneamente, garantir condições adequadas de bem-estar aos animais confinados, aspectos essenciais para a sustentabilidade e a competitividade da pecuária brasileira (FERRAZ; FELÍCIO, 2010). O confinamento de bovinos, embora apresente vantagens em termos de produtividade, impõe desafios relevantes relacionados à adaptação dos animais ao ambiente restrito e à manutenção de seu bem-estar. A seleção genética de animais mais aptos a essas condições tem se mostrado estratégia promissora para mitigar tais desafios. De acordo com a Embrapa (2019), a utilização de genótipos adaptados a sistemas intensivos contribui para reduzir a incidência de estresse, problemas sanitários e perdas produtivas. Lopes et al. (2011) ressaltam que a genética pode influenciar de forma expressiva tanto a capacidade dos bovinos de suportar o estresse associado ao Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 3 confinamento quanto sua eficiência de conversão alimentar, fatores diretamente relacionados à saúde, ao conforto e ao desempenho dos animais. A eficiência nutricional constitui outro ponto crítico em sistemas de confinamento, uma vez que a alimentação representa a maior parcela dos custos de produção. Animais com maior eficiência alimentar convertem de forma mais eficaz os nutrientes ingeridos em tecido muscular, o que reduz o custo por quilograma de carne produzida e contribui para a sustentabilidade ambiental da atividade (LOPES et al., 2011). A seleção genética orientada para características associadas à eficiência alimentar possibilita ganhos significativos em produtividade, ao mesmo tempo em que reduz a pressão sobre recursos naturais e as emissões associadas aos sistemas intensivos. Paralelamente, o bem-estar animal tem recebido crescente atenção por parte de produtores, consumidores e órgãos reguladores, que demandam sistemas de produção mais éticos e transparentes. Nesse cenário, o melhoramento genético pode desempenhar papel relevante ao priorizar animais com melhor comportamento e maior resiliência ao estresse. A seleção de características comportamentais, como docilidade e resposta ao manejo, tende a resultar em animais que produzem mais e apresentam menor incidência de distúrbios fisiológicos e comportamentais, alinhando a produção às exigências por práticas mais responsáveis (LANNA; ALMEIDA, 2018). Diante desses desafios e oportunidades, este estudo propõe-se a explorar o potencial do melhoramento genético para otimizar, de forma conjunta, o bem-estar animal e a eficiência nutricional em sistemas de confinamento de bovinos. A questão central que orienta a investigação é: de que maneira o melhoramento genético pode ser utilizado para equilibrar a busca por maior eficiência produtiva com as exigências de bem-estar em sistemas intensivos? Parte-se da premissa de que, ao integrar critérios produtivos, nutricionais e de bemestar na seleção de animais, é possível desenvolver uma pecuária mais produtiva, sustentável e socialmente aceita. Nessa perspectiva, o estudo busca contribuir para o desenvolvimento de estratégias de melhoramento genético que favoreçam a adaptação de bovinos ao confinamento, melhorem a eficiência alimentar e garantam condições adequadas de bem-estar, configurando um caminho viável para a produção de carne bovina sustentável e competitiva no Brasil. O presente trabalho teve como objetivo geral analisar o melhoramento genético de bovinos confinados, com foco em estratégias para integrar bem-estar animal e eficiência nutricional. Como objetivos específicos, propôs-se: a) discutir a seleção genética para características relacionadas ao bem-estar; b) abordar o melhoramento genético voltado à eficiência nutricional; e c) apontar possibilidades de integração entre tecnologias de melhoramento genético e manejo nutricional em sistemas de confinamento. METODOLOGIA O trabalho em questão foi conduzido como uma revisão de literatura abrangente, com o objetivo de examinar estudos e pesquisas relevantes dentro do domínio específico em foco. Sua principal finalidade residia em analisar e condensar as informações já existentes sobre o tema, proporcionando uma perspectiva global do entendimento atual e identificando lacunas que requerem maior investigação. Para sustentar esta revisão, foram considerados trabalhos publicados no período compreendido entre os anos de 2013 e 2023, abarcando uma vasta gama de fontes, tais como artigos científicos, obras literárias, dissertações e teses. Este enfoque temporal abrangente permitiu uma análise abrangente Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 4 das tendências, descobertas e debates que surgiram ao longo de uma década, contribuindo para a fundamentação sólida e atualizada deste estudo. A metodologia adotada foi meticulosa, envolvendo a seleção criteriosa de materiais pertinentes, a avaliação crítica dos textos selecionados e a síntese das informações relevantes. A escolha dos artigos baseou-se em plataformas renomadas, incluindo PubMed, SCielo e Google Acadêmico, assegurando uma abordagem abrangente e atualizada. Ao longo do processo, foram identificados padrões temáticos, tendências emergentes e debates em curso dentro do campo de estudo, juntamente com a apresentação de distintas abordagens teóricas e metodológicas adotadas por pesquisadores, oferecendo uma visão multifacetada das perspectivas existentes. REVISÃO DE LITERATURA Bem-estar animal e seleção genética O bem-estar animal tem se tornado prioridade em diversos sistemas de produção agropecuária, e a seleção genética desempenha papel central nesse contexto. As características genéticas de um animal influenciam diretamente seu comportamento, sua saúde e sua capacidade de adaptação ao ambiente, aspectos fundamentais para a promoção de bem-estar (EMBRAPA, 2019). A seleção genética voltada ao bem-estar animal busca identificar e promover genes associados à melhoria da qualidade de vida dos animais. Um exemplo importante é a seleção para resistência a doenças, que reduz a necessidade de intervenções veterinárias frequentes, minimizando o estresse associado a tratamentos e ao uso excessivo de medicamentos. Além disso, há crescente interesse pela seleção de animais com temperamento mais dócil, o que facilita o manejo e diminui a ocorrência de comportamentos agressivos ou reativos que possam resultar em ferimentos (GRANDIN, 2014). A adaptação ao ambiente é outro ponto relevante. Animais geneticamente aptos a lidar com condições extremas de temperatura são menos suscetíveis ao estresse térmico, o que contribui diretamente para seu bem-estar. Programas de melhoramento genético podem focar na identificação e na disseminação dessas características em populações criadas em diferentes regiões climáticas, resultando em animais mais saudáveis e produtivos (NARDONE et al., 2010). Entretanto, a seleção genética deve ser conduzida com cautela. Ainda que seja possível selecionar características favoráveis ao bem-estar, é necessário garantir que outros aspectos importantes, como diversidade genética e saúde reprodutiva, não sejam comprometidos. A seleção intensiva para um único traço pode acarretar efeitos negativos, como aumento de doenças hereditárias e fragilidades imunológicas, prejudicando o bemestar animal em médio e longo prazo (OLTENACU; BROOM, 2010). O desafio atual consiste em encontrar equilíbrio na aplicação das técnicas de melhoramento genético, de modo a promover um bem-estar sustentável para os animais, sem sacrificar outros componentes da saúde e da qualidade de vida. Nesse sentido, a incorporação de indicadores de bem-estar em programas de seleção é essencial para que o progresso genético ocorra de forma harmonizada (EMBRAPA, 2019). Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 5 Melhoramento genético para eficiência nutricional O melhoramento genético para eficiência nutricional constitui ferramenta fundamental para otimizar a produção animal, especialmente na bovinocultura de corte e de leite. A eficiência nutricional refere-se à capacidade dos animais de converter os nutrientes ingeridos em carne ou leite de maneira mais eficaz, com menor desperdício de energia e maior aproveitamento dos alimentos consumidos. Esse aspecto é fortemente influenciado pela base genética, que determina a habilidade dos animais em metabolizar e utilizar os nutrientes de forma eficiente (GARCIA DE CARVALHO; VIEIRA, 2023). Na prática, o melhoramento genético busca selecionar indivíduos com características que favoreçam a conversão alimentar. Em sistemas de confinamento, a eficiência nutricional é amplamente beneficiada pelo fornecimento de dietas balanceadas e pelo manejo adequado. Segundo a Nota Técnica NESPro (2021), o confinamento de bovinos permite que os animais expressem melhor seu potencial genético devido à alimentação controlada e de alta qualidade, otimizando o aproveitamento dos nutrientes (NESPRO, 2021). Desse modo, o confinamento tem se consolidado como estratégia relevante para melhorar o desempenho produtivo, sobretudo em períodos de escassez de pastagens ou quando há necessidade de aumentar a lotação dos rebanhos. Outro ponto importante refere-se ao impacto do melhoramento genético sobre a qualidade da carne e o ganho de peso. Estudos da FMVZ–UNESP indicam que fatores genéticos influenciam diretamente a deposição de gordura e a composição muscular dos animais (FMVZ–UNESP, 2020). Assim, ao selecionar indivíduos geneticamente superiores para eficiência nutricional, é possível melhorar simultaneamente a qualidade do produto final, obtendo carne com características desejáveis, como maciez e marmoreio. Raças zebuínas, por exemplo, destacam-se pela eficiência alimentar em condições tropicais, embora demandem aprimoramentos específicos para otimizar a qualidade da carne (EMBRAPA, 2019). Os avanços na genômica têm fornecido ferramentas cada vez mais precisas ao melhoramento da eficiência nutricional. O uso de marcadores moleculares permite identificar genes associados à conversão alimentar, facilitando a seleção de animais com maior potencial de eficiência. Conforme apontam Garcia de Carvalho e Vieira (2023), a integração de dados genotípicos e fenotípicos tem acelerado os ganhos em eficiência nutricional e contribuído para a sustentabilidade dos sistemas de produção. Dessa forma, o melhoramento genético para eficiência nutricional configura-se como estratégia essencial para elevar a produtividade de maneira sustentável. Ao selecionar animais que utilizam melhor os nutrientes, os produtores podem reduzir custos de alimentação, aumentar a competitividade e atender às demandas de consumidores por produtos de alta qualidade e menor impacto ambiental (GARCIA DE CARVALHO; VIEIRA, 2023). Melhoramento genético de bovinos confinados: contexto, desafios e fundamentos técnicos A pecuária de corte contemporânea passa por um processo de transformação, buscando conciliar elevada produtividade, respeito ao meio ambiente e bem-estar animal. No Brasil, o confinamento de bovinos consolidou-se como importante estratégia para intensificar a produção, melhorar o aproveitamento dos alimentos e elevar a qualidade da Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 6 carne. Porém, esses avanços também trazem desafios ligados à gestão, à ambiência e à ética no manejo, exigindo aperfeiçoamento contínuo da genética e da nutrição do rebanho (CARVALHO; VIEIRA, 2023). Ramos et al. (2022) destacam que o sistema de confinamento proporciona maior controle sobre a alimentação e o ambiente, resultando em crescimento acelerado e redução da idade ao abate. Quando associado ao melhoramento genético, esse sistema impulsiona a eficiência produtiva. Entretanto, o espaço restrito pode intensificar riscos de estresse térmico, disputas por alimento e distúrbios metabólicos, o que demanda manejo especializado e atenção permanente ao bem-estar (FERRACINI et al., 2022). Para o avanço genético em bovinos submetidos a confinamento, é fundamental identificar e selecionar animais que se destacam em atributos como eficiência no uso de alimentos, capacidade de adaptação e docilidade. Essas características não apenas elevam a produção, mas também exercem impacto direto sobre o bem-estar (GRANDIN, 2014). O objetivo atual é integrar o melhoramento genético a práticas nutricionais e ambientais sustentáveis, assegurando que o aumento de produtividade não comprometa o conforto e a saúde do rebanho. No contexto nacional, o rebanho brasileiro é marcado pela predominância da raça Nelore, que representa cerca de 70% do total. Essa raça apresenta elevada adaptabilidade ao clima tropical, resistência a ectoparasitas e boa eficiência na conversão de pastagens em proteína animal (MINERES JÚNIOR et al., 2022). Todavia, sua carne tende a apresentar menor marmoreio em comparação às raças taurinas. Por esse motivo, o cruzamento industrial com Aberdeen Angus tem sido amplamente adotado, buscando equilibrar qualidade de carne e rusticidade climática (RAMOS et al., 2022). Carvalho e Vieira (2023) ressaltam que o melhoramento genético, aliado a biotecnologias reprodutivas como inseminação artificial, fertilização in vitro e mapeamento genômico, contribui para a formação de rebanhos com desempenho mais previsível e adaptado às exigências nutricionais. Essas ferramentas viabilizam programas de seleção baseados não apenas em características produtivas clássicas, mas também em parâmetros fisiológicos e comportamentais associados ao bem-estar. Segundo a Embrapa (2019), o conceito de produtividade sustentável deve considerar, simultaneamente, a eficiência biológica, o uso racional de recursos e a preservação da integridade dos animais. Nesse sentido, nutrição balanceada e genética complementar são elementos que, quando integrados, asseguram uma produção mais ética e lucrativa. Assim, a eficiência alimentar não pode ser dissociada da qualidade de vida animal. Mineres Júnior et al. (2022) enfatizam que o consumo de matéria seca (CMS) é variável essencial para o desempenho de bovinos confinados, sendo fortemente influenciada pelo grupo genético e pelas condições de manejo. Animais cruzados tendem a apresentar melhor aproveitamento nutricional sob dietas concentradas, o que evidencia a importância de alinhar o perfil genético ao manejo alimentar. Esse princípio consolida o conceito de “nutrição de precisão” para maximizar o potencial genético. Ferracini et al. (2022) acrescentam que o bem-estar em confinamento deve ser analisado à luz dos “Cinco Domínios”: nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado mental. Esses pilares orientam o manejo de rebanhos geneticamente superiores, garantindo que o desempenho zootécnico não comprometa o conforto fisiológico. Dessa Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 7 forma, o confinamento moderno deve ser compreendido como ferramenta produtiva, e não como fonte intrínseca de sofrimento animal. Ramos et al. (2022) observam que, quando bem planejado, o confinamento permite que os animais expressem plenamente seu potencial genético em ambiente controlado e equilibrado. Estratégias como divisão por peso e grupo genético, associadas a dietas específicas, reduzem a competição e o estresse, elevando o ganho de peso e a qualidade de carcaça. Esses resultados demonstram que o melhoramento genético só é efetivo quando acompanhado de gestão nutricional e ambiental eficiente. Do ponto de vista econômico, o confinamento baseado em genética otimizada reduz o tempo de terminação e o custo por quilograma de carne produzida (CARVALHO; VIEIRA, 2023). A curto prazo, isso se traduz em maior lucratividade; a longo prazo, em sustentabilidade, uma vez que rebanhos mais eficientes consomem menos recursos e geram menor volume de resíduos. Esse equilíbrio entre produtividade e impacto ambiental está em consonância com as metas de segurança alimentar global estabelecidas pela FAO (2018). A integração entre genética e nutrição também é relevante para o controle de doenças e a redução do uso de antibióticos. Oliveira et al. (2022) demonstraram que o uso de óleos essenciais pode substituir ionóforos tradicionais, promovendo desempenho semelhante com menor risco de resistência bacteriana. Essa estratégia representa avanço importante na conciliação entre saúde animal e eficiência metabólica. Em perspectiva científica, o confinamento constitui ambiente favorável para estudos genéticos e nutricionais, por permitir padronização de variáveis e acompanhamento detalhado do desempenho individual. Trabalhos de Carvalho e Vieira (2023) indicam que o controle genético do ganho de peso e da conversão alimentar apresenta herdabilidade moderada a alta, o que reforça o potencial de resposta à seleção e evidencia a relevância de programas genômicos para o avanço contínuo da produtividade. Além da genética, bem-estar e nutrição estão intrinsecamente ligados à fisiologia digestiva dos ruminantes. Mineres Júnior et al. (2022) apontam que consumo de matéria seca e digestibilidade devem ser considerados na seleção genética, uma vez que animais com maior capacidade ruminal e menor predisposição à acidose apresentam melhor desempenho e saúde. Essa relação inaugura um novo paradigma de melhoramento genético orientado pela eficiência metabólica. Por outro lado, Ferracini et al. (2022) alertam que ganhos de eficiência não devem ser perseguidos de forma isolada. Animais de crescimento acelerado, quando mantidos em ambientes inadequados, podem apresentar maior incidência de estresse e problemas comportamentais. Tal constatação reforça a necessidade de considerar o bem-estar como componente funcional do melhoramento genético, e não apenas como requisito ético complementar. A Tabela 1 sintetiza as principais características genéticas e produtivas observadas em raças e cruzamentos utilizados na pecuária de confinamento, evidenciando a interdependência entre genética, nutrição e bem-estar. Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 8 Tabela 1. Comparação entre raças e cruzamentos em confinamento bovino quanto à eficiência e bem-estar Raça / Cruzamento Resistência Climática Eficiência Alimentar Qualidade de Carne Temperamento / Bem-Estar Nelore (Bos indicus) Alta Média Média Boa adaptação, porém mais reativo Angus (Bos taurus) Média Alta Alta Temperamento dócil, sensível ao calor F1 Angus x Nelore Alta Alta Alta Equilíbrio ideal entre rusticidade e docilidade Fonte: Ramos et al. (2022); Mineres Júnior et al. (2022); Carvalho e Vieira (2023). O confinamento, portanto, pode ser compreendido como plataforma para uma alta produtividade sustentável, desde que conduzido com base em princípios zootécnicos e éticos bem definidos. O avanço das pesquisas genômicas, aliado à nutrição de precisão e à gestão de ambientes controlados, redefine o papel da pecuária brasileira no cenário global, permitindo a transição de um modelo extensivo para um modelo científico-integrado, que combina competitividade, responsabilidade ambiental e respeito à vida animal. Seleção genética para características de bem-estar animal O bem-estar animal é um conceito multidimensional que envolve aspectos fisiológicos, comportamentais e ambientais. No contexto da pecuária moderna, passou a ser considerado não apenas uma exigência ética, mas também um componente essencial para a produtividade sustentável. A seleção genética, ao identificar e propagar características relacionadas ao conforto, à docilidade e à resistência ao estresse, representa um instrumento técnico de elevado potencial para consolidar sistemas produtivos mais equilibrados (FERRACINI et al., 2022). De acordo com Grandin (2014), o comportamento dos animais de produção é influenciado por fatores genéticos e ambientais, sendo que algumas raças apresentam maior propensão à agitação, ao medo ou à agressividade. A hereditariedade de traços comportamentais, como reatividade ao manejo ou resistência ao estresse, permite que sejam incorporados aos programas de melhoramento genético. Assim, a docilidade e a estabilidade emocional podem ser selecionadas com a mesma importância atribuída a características produtivas, como ganho de peso ou fertilidade. Ramos et al. (2022) observam que, no confinamento, o temperamento animal exerce influência direta sobre o desempenho zootécnico. Animais com respostas comportamentais mais calmas apresentam maior ingestão alimentar e melhor ganho médio diário, pois o estresse reduz a atividade digestiva e altera a secreção hormonal. Portanto, selecionar indivíduos menos reativos é uma forma de promover simultaneamente o bem-estar e a eficiência produtiva. Os avanços na genômica e na etologia aplicada têm permitido mapear genes e marcadores moleculares relacionados à resposta ao estresse, imunidade e adaptabilidade térmica. Embrapa (2019) indica que a expressão de genes ligados à termotolerância, como o HSP70, é um parâmetro relevante na seleção de bovinos tropicais. Esses genes aumentam a capacidade dos animais de suportar variações térmicas sem prejuízo à saúde, representando um componente genético essencial para o bem-estar em sistemas intensivos. A seleção genética para bem-estar animal também inclui resistência a doenças e Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 9 parasitoses. Segundo Nardone et al. (2010), a imunocompetência apresenta herdabilidade moderada e pode ser incorporada aos programas de melhoramento, reduzindo a dependência de medicamentos e o estresse causado por tratamentos recorrentes. Essa abordagem preventiva reduz custos e amplia a sustentabilidade produtiva. Mineres Júnior et al. (2022) destacam que o cruzamento entre zebuínos e taurinos, especialmente o F1 Angus x Nelore, combina a rusticidade e resistência térmica do Bos indicus com a docilidade e precocidade sexual do Bos taurus. Tal combinação genética favorece a obtenção de animais mais equilibrados, com melhor resposta ao confinamento e menor incidência de distúrbios comportamentais. Assim, o cruzamento controlado é uma ferramenta estratégica para conciliar desempenho e bem-estar. A abordagem proposta por Ferracini et al. (2022) baseia-se no modelo dos “Cinco Domínios”, que avalia o bem-estar animal por meio dos aspectos nutricional, ambiental, sanitário, comportamental e emocional. A inclusão de marcadores genéticos relacionados a esses domínios fortalece o caráter técnico da seleção, transformando o bem-estar em um parâmetro mensurável. Em outras palavras, o bem-estar deixa de ser uma variável subjetiva e passa a integrar o conjunto de índices zootécnicos. Grandin (2014) enfatiza que animais com temperamento dócil apresentam menor incidência de contusões e perdas de carcaça no abate, demonstrando a relação direta entre comportamento e rentabilidade. A docilidade, além de facilitar o manejo, diminui o risco de acidentes e reduz os níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse crônico. Esse tipo de seleção, portanto, gera benefícios simultâneos à ética e à economia. Carvalho e Vieira (2023) apontam que a integração entre genética e manejo permite a criação de índices compostos, nos quais o bem-estar é ponderado com características produtivas. Isso amplia a precisão da seleção e evita que ganhos em produtividade causem prejuízos fisiológicos. A médio prazo, a adoção desses índices pode redefinir os padrões de desempenho aceitos na pecuária intensiva. A seleção genética para bem-estar também deve considerar a diversidade genética. O uso excessivo de poucos reprodutores, mesmo que altamente produtivos, pode reduzir a variabilidade e aumentar a incidência de doenças hereditárias. Ramos et al. (2022) alertam que a conservação da diversidade é um pilar essencial para o equilíbrio fisiológico das populações bovinas, pois garante maior capacidade de adaptação a mudanças ambientais e sanitárias. Outro aspecto relevante é a interação entre genótipo e ambiente. Ferracini et al. (2022) afirmam que o desempenho de uma característica de bem-estar não depende apenas dos genes, mas também das condições de criação. Animais geneticamente predispostos à docilidade podem apresentar comportamentos agressivos em ambientes inadequados. Portanto, o sucesso da seleção depende da harmonia entre herança genética e manejo ambiental. Na prática, a seleção de características ligadas ao bem-estar requer o uso de indicadores objetivos, como frequência cardíaca, tempo de ruminação, comportamento social e resposta ao manejo. Segundo Embrapa (2019), o monitoramento comportamental aliado à genotipagem é uma ferramenta eficaz para identificar indivíduos superiores sob o ponto de vista fisiológico e emocional. Tais dados permitem criar bancos de informação genômica voltados à sanidade e ao conforto animal. A adaptação ao calor é outro parâmetro importante para o bem-estar, principalmente em regiões tropicais. Nardone et al. (2010) destacam que a seleção de animais com maior capacidade de dissipar calor e manter estabilidade térmica reduz o risco de estresse calórico e melhora o desempenho produtivo. A termotolerância, portanto, é uma característica que deve ser incorporada aos programas de seleção genética voltados ao Revista Novos Desafios - v. 5, n. 3, 2025, p. 01-16 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17643861 16 GARCIA DE CARVALHO, V. H.; VIEIRA, P. R. P. Melhoramento genético como estratégia de avanço da produção e da produtividade durante o confinamento bovino. Scientia Generalis, v. 4, n. 1, p. 61–77, 2023. GRANDIN, T. Livestock handling and transport. 4. ed. Wallingford: CABI, 2014. ISBN 978-1780643212. LANNA, D. P. D.; ALMEIDA, R. Bem-estar animal e sustentabilidade na produção de bovinos confinados. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 47, e20160424, p. 1–15, 2018. LOPES, L. S.; SILVA, L. O. C.; SILVA, M. V. G. B.; VERNEQUE, R. S. Seleção para eficiência alimentar em bovinos de corte. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 63, n. 4, p. 761–768, 2011. MINERES JÚNIOR, F. A.; SANTOS, A. C.; BARRETO, R. P. 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