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MAPEAMENTO A SAÚDE REPRODUTIVA: MONITORAMENTO DA INSERÇÃO DE DISPOSITIVOS INTRAUTERINOS (DIU) NO SUS POR MEIO DO TABNET/DATASUS

CUNHA, Izadora Brito da; SILVA, Jaqueline Rodrigues da

Abstract

O estudo analisou o mapeamento do atendimento para consulta clínica de indicação, fornecimento, inserção e retirada do Dispositivo intrauterino (DIU) no Sistema Único de Saúde (SUS), através de dados do TABNET/DATASUS, entre janeiro de 2020 a julho de 2025 no estado do Tocantins. O dispositivo intrauterino (DIU) é um método de alta eficácia comprovada, seguro e possui durabilidade de 10 anos o modelo de cobre que desde 2017 é disponibilizado pelo SUS gratuitamente, entretanto sua utilização pelas mulheres ainda é baixa, por consequência da falta de conhecimento sobre ele, além de mitos errôneos e inexistentes sobre o método contraceptivo, além das barreiras no acesso por desigualdade regionais, políticas e sociais. A pesquisa adota abordagem quantitativa, descritiva e ecológica, baseada em dados do Sistema de Informações Ambulatórias (SIA/SUS), abrangendo dados de oito regiões de saúde do estado, foi pesquisado os códigos de procedimentos referentes à indicação, inserção e retirada do DIU. Os resultados possibilitaram verificar as discordâncias de dados entre as regiões, e a desigualdades no acesso, comprovando a importância da ampliação e capacitação dos profissionais, ademais necessidades de políticas públicas, que incentivam o uso através de ações voltadas para o planejamento reprodutivo, e autonomia das mulheres.

Full text

Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 1 MAPEAMENTO A SAÚDE REPRODUTIVA: MONITORAMENTO DA INSERÇÃO DE DISPOSITIVOS INTRAUTERINOS (DIU) NO SUS POR MEIO DO TABNET/DATASUS MAPPING REPRODUCTIVE HEALTH: MONITORING THE INSERTION OF INTRAUTERINE DEVICES (IUDS) IN THE BRAZILIAN UNIFIED HEALTH SYSTEM (SUS) THROUGH TABNET/DATASUS. Izadora Brito da CUNHA ORCID: https://orcid.org/0009-0002-1543-3688 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: izadorabrt[email protected]om Jaqueline Rodrigues da SILVA ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2901-4583 Instituto Educacional Santa Catarina Faculdade Guaraí (IESC/FAG) E-mail: [email protected] RESUMO O estudo analisou o mapeamento do atendimento para consulta clínica de indicação, fornecimento, inserção e retirada do Dispositivo intrauterino (DIU) no Sistema Único de Saúde (SUS), através de dados do TABNET/DATASUS, entre janeiro de 2020 a julho de 2025 no estado do Tocantins. O dispositivo intrauterino (DIU) é um método de alta eficácia comprovada, seguro e possui durabilidade de 10 anos o modelo de cobre que desde 2017 é disponibilizado pelo SUS gratuitamente, entretanto sua utilização pelas mulheres ainda é baixa, por consequência da falta de conhecimento sobre ele, além de mitos errôneos e inexistentes sobre o método contraceptivo, além das barreiras no acesso por desigualdade regionais, políticas e sociais. A pesquisa adota abordagem quantitativa, descritiva e ecológica, baseada em dados do Sistema de Informações Ambulatórias (SIA/SUS), abrangendo dados de oito regiões de saúde do estado, foi pesquisado os códigos de procedimentos referentes à indicação, inserção e retirada do DIU. Os resultados possibilitaram verificar as discordâncias de dados entre as regiões, e a desigualdades no acesso, comprovando a importância da ampliação e capacitação dos profissionais, ademais necessidades de políticas públicas, que incentivam o uso através de ações voltadas para o planejamento reprodutivo, e autonomia das mulheres. Palavras-chave: Dispositivo intrauterino (DIU). Sistema Único de Saúde (SUS). Método contraceptivo. Tocantins. Planejamento familiar. ABSTRACT This study analyzed the mapping of care for clinical consultations regarding the indication, provision, insertion, and removal of intrauterine devices (IUDs) in the Brazilian Unified Health System (SUS), using data from TABNET/DATASUS, between January 2020 and July 2025 in the state of Tocantins. The intrauterine device (IUD) is a proven, safe, and highly effective method with a 10-year lifespan for the copper model, which has been available free of charge through the SUS since 2017. However, its use by women remains low due to a lack of knowledge about it, erroneous and unfounded myths about the contraceptive method, and barriers to access due to regional, political, and social inequalities. The research adopts a quantitative, descriptive, and ecological approach, based on data from the Outpatient Information System (SIA/SUS), encompassing data from eight health regions of the state. The procedure codes related to the indication, insertion, and removal of the IUD were researched. The results made it possible to verify the data discrepancies between regions and Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 2 inequalities in access, confirming the importance of expanding and training professionals, as well as the need for public policies that encourage its use through actions focused on reproductive planning and women's autonomy. Keywords: Intrauterine device (IUD). Unified Health System (SUS). Contraceptive method. Tocantins. Family planning. INTRODUÇÃO O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo reversível de longa duração, alta eficácia e segurança, além de apresentar baixa taxa de falhas em comparação a outros métodos disponíveis, tornando se uma boa alternativa de escolha para o planejamento reprodutivo das mulheres, pois possibilita praticidade e autonomia. Existem dois principais modelos desses dispositivos, que são classificados como hormonais e não hormonais (BARRETO et al, 2021). Os Diu hormonais liberam de forma controlada doses de hormônios, sendo ele o levonorgestrel, essa liberação deixa o muco do colo uterino mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides para chegar até o óvulo onde será a fecundação, como também deixando a camada do endométrio mais fina, contribuindo para a diminuição do fluxo menstrual. Existem dois principais modelos no mercado brasileiro: o Mirena e o Kyleena. Já o Diu de cobre, é o modelo que não possui hormônio na composição, seu mecanismo de ação impede a gravidez por meio da liberação de íons de cobre no útero, prejudicando a passagem dos espermatozoides (ROCHA, et al, 2024). Apesar de ser um método seguro, eficaz e de longa duração o dispositivo intrauterino (DIU), é um meio contraceptivo pouco utilizado pelas mulheres, mesmo sendo disponibilizado no modelo não hormonal, o de cobre, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A baixa adesão a esse método pode ser explicada por vários fatores diferentes, como a falta de conhecimento sobre ele, acerca de seus benefícios, dificuldades no acesso ao método pelo SUS, ou pela disponibilidade que é feita por meio de critérios de avaliação indevidos e inadequados por alguns serviços de saúde (BORGES et al, 2020). Há muita variação entre as regiões na quantidade de usuárias, tais discordâncias na utilização por região podem ser influenciada por questões políticas, falta de conhecimento em locais com pessoas de condições socioeconômicas mais baixas, escassez de educação sobre o método, além de desvios de verbas públicas, não havendo investimentos adequados tanto na capacitação de profissionais na saúde para a inserção do dispositivo uterino (DIU) como na viabilidade dele nos meios de saúde. A informação e é muito importante para a escolha correta do método contraceptivo, por isso o acesso a ele deve ser igualitário e facilitado, através das unidades de saúde, e de profissionais qualificados (RODRIGUEs et al, 2023). O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre gratuitamente desde dezembro de 2017. Porém muitas mulheres desconhecem esse direito, ou ainda não sabem que é ofertado gratuitamente, o que evidencia as falhas na divulgação e no acesso, por consequência da precariedade das informações disponibilizadas pelos meios de saúde pública (HARA et al, 2022). Conforme a resolução do Cofen nº 0931/2019, enfermeiros podem fazer a inserção e retirada do dispositivo intrauterino desde que estejam capacitados por meio de cursos e treinamentos que estejam regularizados dentro das regras e normas que são dispostas na resolução para realizar a técnica, assim como estar apto a realizar consultas de enfermagem, solicitar exames complementares e prescrição medicamentosa, médicos e enfermeiros podem realizar a inserção (OLIVEIRA et al, 2023). Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 3 Com o conteúdo exposto acima, fica como pergunta norteadora: O conhecimento ineficaz do método faz com que sua adesão seja diminuída, e como isso impacta no planejamento familiar e na liberdade reprodutiva das mulheres? METODOLOGIA Esse estudo utilizou um método quantitativo, descritivo e ecológico, baseando-se em dados secundários. A pesquisa foi feita utilizando o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), disponibilizado publicamente por meio da plataforma TABNET/DATASUS disponível em: (https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saudetabnet/) . O foco da análise é o procedimento de inserção de Dispositivo Intrauterino (DIU). Foram selecionados e extraídos os registos de todos os procedimentos realizados no período compreendido entre 2020 e 2025, com abrangência em todas regiões do estado do Tocantins. Para a coleta de dados no TABNET/DATASUS, foram selecionados os códigos de procedimento que abrangem a totalidade do ciclo de atenção ao Dispositivo Intrauterino (DIU) no Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS), conforme tabela 1. Especificamente, foram incluídos os códigos 0301040028, que trata do atendimento clínico para indicação, fornecimento e inserção do DIU; o 0301040141, que corresponde à inserção do dispositivo propriamente dita; e o 0301040150, referente à sua retirada. A inclusão desses códigos permite monitorar tanto a oferta do serviço completo quanto a manutenção do uso do método contraceptivo. Tabela 1: Códigos de Procedimentos Utilizados na PesquisaSistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) - Tabnet/DataSUS. Período: 2020-2025. Código SIA/SUS Descrição do Procedimento 0301040028 Atendimento clínico para indicação, fornecimento e inserção do dispositivo intra-uterino (diu) 0301040141 Inserção do dispositivo intra-uterino (diu) 0301040150 Retirada do dispositivo intrauterino (diu) Fonte: Ministério da Saúde. Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS). Processado no Tabnet. Período: 2020-2025. Este estudo no Tocantins permite uma avaliação minuciosa da saúde reprodutiva, utilizando a estrutura administrativa das suas oito regiões de saúde como base de análise, conforme Tabela 2. Tabela 2: Regiões de Saúde (CIR) no Estado do Tocantins - 2025 Código CIR Nome da Região de Saúde (CIR) 17001 Médio Norte Araguaia 17002 Bico do Papagaio 17003 Sudeste 17004 Cerrado Tocantins Araguaia 17005 Ilha do Bananal 17006 Capim Dourado 17007 Cantão 17008 Amor Perfeito Fonte: Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins (SES/TO),2025. Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 4 Essa desagregação é vital para um estado com grandes extensões territoriais e distribuição populacional desigual. Para contextualizar a análise do acesso ao DIU, os dados de população de cada região, conforme estimativas do IBGE, serão utilizados no cálculo de indicadores relativos, como a taxa de inserção de DIU por 1.000 mulheres em idade fértil (MIF). A população total do Tocantins, segundo o IBGE 2024, é de aproximadamente 1.577.342 habitantes, com concentração variada nas regiões de saúde. Em virtude da pesquisa utilizar exclusivamente informações de domínio público e agregadas, disponíveis no DATASUS, e não envolver a identificação individual dos usuários ou a coleta de novos dados, este estudo não requer submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Esta conduta está em estrita consonância com a Resolução CNS nº 510/2016, que dispensa de apreciação ética pesquisas que utilizem informações de acesso público, como as bases de dados oficiais. O processamento e a análise dos dados extraídos do DATASUS foram realizados utilizando-se o software Microsoft Excel. Nesta etapa, as planilhas no formato .csv foram importadas, tratadas para consistência e organizadas. O Excel foi utilizado para calcular as frequências absolutas e relativas, desagregar os dados por região, estado e ano (para as séries temporais), e gerar as tabelas necessários para a visualização dos resultados. Posteriormente, os dados tratados foram utilizados como base para a construção dos gráficos e dos mapas temáticos e ferramenta essencial para a representação visual e a identificação das desigualdades regionais na oferta e na utilização do DIU no Sistema Único de Saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante a pesquisa, observou-se que, entre janeiro de 2020 e julho de 2025, foram registradas 3.027 notificações relacionadas ao Dispositivo Intrauterino (DIU) no estado do Tocantins, sendo 2.512 procedimentos de inserção e 479 de retirada. Na análise regional, verificou-se maior concentração de inserções na Região de Saúde Capim Dourado, com 2.228 procedimentos. A Região Cantão registrou 91 inserções, seguida pela Região Cerrado Tocantins Araguaia, com 75 procedimentos. A região com menor número de inserções foi a Região Sudeste, com apenas 4 registros, conforme dados do DATASUS, conforme verifica-se no gráfico 1. Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 5 Grafico 1. . Distribuição por Região de Saúde Inserção de Dispositivo Intrauterino (DIU) no Tocantins (Jan/2020 – Jul/2025) Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), 2020. A distribuição das inserções de DIU entre 2020 e 2025 revela uma forte concentração do procedimento na Região de Saúde Capim Dourado, especialmente no município de Palmas, que registrou 2.229 inserções, configurando-se como o principal polo de oferta do método contraceptivo no estado. Outras regiões apresentaram volumes moderados, como Cantão, com destaque para Paraíso do Tocantins (69 inserções), e Ilha do Bananal, onde Gurupi contabilizou 43 procedimentos. Municípios de menor porte, como Mateiros (39), Bandeirantes do Tocantins (54) e Colinas do Tocantins (14), também contribuíram para a oferta, embora em menor escala, refletindo diferenças estruturais e de capacidade instalada entre os territórios. Por outro lado, diversas regiões apresentaram números significativamente reduzidos de inserções, evidenciando desigualdades no acesso ao DIU no Tocantins. Na tabela 3, na região Cerrado Tocantins Araguaia, municípios como Guaraí, Arapoema e outros somaram apenas 21 procedimentos. No Bico do Papagaio, os registros foram pontuais, totalizando apenas 8 inserções entre Axixá do Tocantins, Augustinópolis e Tocantinópolis. A menor oferta foi observada na Região Sudeste, representada exclusivamente por Taguatinga, com apenas 4 inserções no período analisado. Esses resultados indicam disparidades territoriais relevantes e sugerem a necessidade de estratégias de descentralização e fortalecimento da oferta do DIU nos municípios com menor capacidade assistencial. Tabela 3. Distribuição de Inserções de DIU por Município, segundo Região de Saúde. Tocantins, 2020–2025. REGIÃO DE SAÚDE (CIR) MUNICÍPIO TOTAL CAPIM DOURADO Palmas 2.229 CANTÃO Paraíso do Tocantins 69 Nova Rosalândia 21 Araguacema 1 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 Capim Dourado (17006) Cantão (17007) Amor Perfeito (17008) Ilha do Bananal (17005) Cerrado Tocantins Araguaia (17004) Bico do Papagaio (17002) Sudeste (17003) Total Geral 2.229 91 48 57 75 84 2.512 Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 6 AMOR PERFEITO Mateiros 39 Porto Nacional 9 ILHA DO BANANAL Gurupi 43 Crixás do Tocantins 10 Alvorada 3 Peixe 1 CERRADO TOCANTINS ARAGUAIA Bandeirantes do Tocantins 54 Colinas do Tocantins 14 Guaraí 5 Arapoema 2 BICO DO PAPAGAIO Axixá do Tocantins 4 Augustinópolis 2 Tocantinópolis 2 SUDESTE Taguatinga 4 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. Dentro da análise dos atendimentos clínicos relacionados com à indicação, fornecimento e inserção do DIU por parte dos profissionais com as paciente entre janeiro de 2020 e julho de 2025 mostrara um resultado de desigualdade territorial entre as Regiões de Saúde do Tocantins (grafico 2). A maior parte dos atendimentos ocorreu na Região de Saúde Capim Dourado, especialmente nos dados do município de Palmas, que historicamente se configura como centro assistencial de maior porte e com maior disponibilidade de serviços especializados no estado. Regiões como Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia e Sudeste apresentaram dados já mais inferiores, reforçando a assimetria no acesso aos serviços de saúde reprodutiva. Grafico 2. Distribuição por Região de Saúde Atendimento clínico para indicação, fornecimento e inserção do DIU (Jan/2020 – Jul/2025) Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. 26 8 2 36 Amor Perfeito (17008) Capim Dourado (17006) Cantão (17007) Total Geral Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 7 Analisando as tabelas a região que liderou o índice de inserção e de retirada do Diu entre Jan/2020-jul/2020) foi a do Capim Dourado que registrou no total 394 retiradas (82,3%), a segunda foi a região Ilha do Bananal com 56 retiradas (11,7%), e em terceiro lugar no índice de retirada foi a região do Cantão com 19 (4,0%). No total ouve 479 retiradas nesse período. Os municípios com maior taxa de retiradas foi Palmas com (394) retiradas, Gurupi com (47), e Nova Rosalândia com (10) retiradas do dispositivo intrauterino DIU, conform3 observa no gráfico 3. Grafico 3. Distribuição por Região de Saúde Retirada de Dispositivo Intrauterino (DIU) (Jan/2020 – Jul/2025) Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. A distribuição das retiradas de DIU no Tocantins entre janeiro de 2020 e julho de 2025, teve uma concentração em Palmas, na Região de Saúde Capim Dourado, onde realizou 394 retiradas, correspondendo à grande maioria do total estadual de todos os dados do estado. A cidade de Gurupi contabilizou 47 procedimentos e Crixás do Tocantins 6, enquanto outros municípios, como Alvorada, Araguaçu, Peixe, Augustinópolis e Taguatinga, registraram apenas um procedimento de retirada, tabela 4. Esse padrão de dados e achados do artigo mostram a centralização dos serviços de saúde reprodutiva em cidades de maior porte e capacidade instalada. Municípios menores apresentam acesso limitado, refletindo os dados da desigualdade territorial. Tabela 4. Distribuição por Município retirada de DIU tocatins. (Jan/2020 – Jul/2025) REGIÃO DE SAÚDE (CIR) MUNICÍPIO TOTAL CAPIM DOURADO Palmas 394 ILHA DO BANANAL Gurupi 47 Crixás do Tocantins 6 394 56 19 81 1 479 0 100 200 300 400 500 600 Capim Dourado (17006) Ilha do Bananal (17005) Cantão (17007) Cerrado Tocantins Araguaia (17004) Bico do Papagaio (17002) Sudeste (17003) Total Geral Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 8 Alvorada 1 Araguaçu 1 Peixe 1 CANTÃO Nova Rosalândia 10 Paraíso do Tocantins 9 CERRADO TOCANTINS ARAGUAIA Colinas do Tocantins 7 Guaraí 1 BICO DO PAPAGAIO Augustinópolis 1 SUDESTE Taguatinga 1 — Total Geral 479 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. Decorrente da pesquisa da inserção do Dispositivo intrauterino no estado do Tocantins entre janeiro de 2020 a julho de 2025, Foi visto um crescimento significativo no índice de inserção a cada ano, entre 2020 e 2021, teve um aumento de aproximadamente 486,5%, entre 2021 e 2022 continuou aumentando 192,9%. Já entre 2022 e 2023, o índice foi moderado, com um crescimento de 32,9%. No ano de 2024 ouve uma redução de 22,5% em relação a 2023, em 2025 a queda continuou, com uma diminuição de 5,5% no procedimento. Grafico 4. Evolução anual da produção aprovada de procedimentos no Tocantins (2020– 2025) Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. Foi observado que os médicos ginecologista e obstetra fizeram o maior número de inserções, totalizando 2.903 procedimentos entre 2020 a julho de 2025, o que corresponde a 95,9% do total registrado. Já os enfermeiros fizeram apenas 69 procedimentos para inserção, e 36 por médicos clínicos. Nota-se dados de médicos de várias especialidades 2020 2021 2022 2023 2024 2025* Total Nº total de procedimentos 37 217 640 851 659 623 3.027 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Revista Novos Desafiosv.5, n. 2, 2025, p. 01-11 ISSN 2764-1724 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17652882 9 diferentes como médicos da Estratégia de Saúde da Família, cirurgiões gerais, nutrólogos, alergista/imunologista, urologistas e radiologistas, porém com números inferiores. Esses dados mostram a predominância da inserção do Dispositivo intrauterino (DIU) pelos médicos ginecologista e obstetra no SUS. Tabela 5. Distribuição da produção por CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) - Resumo da produção por categoria profissional – Procedimentos relacionados ao DIU (2020–Jul/2025) Código CBO Categoria profissional Nº de procedimentos 225250 Médico ginecologista e obstetra 2.903 223505 Enfermeiro 69 225125 Médico clínico 36 225142 Médico da Estratégia de Saúde da Família 8 225225 Médico cirurgião geral 6 225118 Médico nutrólogo 2 225110 Médico alergista/imunologista 1 225285 Médico urologista 1 225320 Médico radiologista/diagnóstico por imagem 1 TOTAL — 3.027 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS),2025. A análise dos dados de atendimento clínico para indicação, fornecimento, inserção do DIU, e retirada do DIU, nas regiões e municípios do Tocantins no período de janeiro de 2020 a julho de 2025, evidenciou a desigualdade dos resultados de acordo com as regiões, sendo a região do capim dourado no município de Palmas a maior taxa de inserção com (90%) das inserções registradas no estado, confirmando dados de artigos que mostram que regiões com condições socioeconômicas mais altas tem mais acesso ao procedimento, muitas das vezes até por possuir informação de qualidade e até mesmo mais facilidade no acesso. Através dos dados foi demostrado que há muitos dados de inserção do Dispositivo intrauterino, porém dados de atendimento clínico para indicação, e fornecimento foram significativamente muito baixos, o que caracteriza que a falta de estímulo ao uso do método contraceptivo ainda é muito grande, mesmo com seus benefícios comprovados, como a alta eficácia e durabilidade, ao relacionar os números de retirada do Dispositivo intrauterino na região do capim dourado no município de Palmas, sendo 2.229 inserções e 394 retiradas, podemos afirmar que poderia ter dados maiores de atendimento clinico para melhor educação sobre o método antes de sua inserção, confirmando a melhor escolha de contracepção para cada paciente, evitando de retiradas desnecessárias ou falta de adaptação. Os resultados reforçam que a falta de conhecimento, e a dificuldade no acesso em determinadas regiões, são limitações presentes para o uso do método contraceptivo, mesmo sendo disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além de crenças e mitos sobre o DIU que foram criados pela sociedade, que fazem que as mulheres tenham opiniões negativas, medo, e muitas das vezes repudiam o Dispositivo intrauterino antes mesmo de ter informações de qualidade. Muitas mulheres acreditam que ele pode causar infertilidade, assim, elas deixam de procurar o método, outro ponto importante é a falta de ações educativas que desmistificam esses mitos (SILVA, et al. 2025).