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BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA)
ano VII, ol. 24, n. 70, Boa Vis a, 2025
211
O Bole im de Conjun u a (BOCA) publica
ensaios, a igos de e isão, a igos eó icos e
empí icos, esenhas e ídeos elacionados às
emá icas de polí icas públicas.
O pe iódico em como escopo a publicação de
abalhos inédi os e o iginais, nacionais ou
in e nacionais que e sem sob e Polí icas
Públicas, esul an es de pesquisas cien í icas e
e lexões eó icas e empí icas.
Es a e is a o e ece acesso li e imedia o ao
seu con eúdo, seguindo o p incípio de que
disponibiliza g a ui amen e o conhecimen o
cien í ico ao público p opo ciona maio
democ a ização mundial do conhecimen o.
BOLETIM DE
CONJUNTURA
BOCA
Ano VII | Volume 24 | Nº 70 | Boa Vis a | 2025
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ISSN: 2675-1488
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SINTOMAS DEPRESSIVOS E ANSIOSOS EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS
UNIDADES DE PRONTO ATENDIMENTO NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID-19
Ana Pa ícia de Quei oz Medei os Dan as
1
Salomão Is ael Mon ei o Lou enço Quei oz
2
Lucas Ca alcan e de Sousa
3
Eliana Cos a Gue a
4
Ma ia Angela Fe nandes Fe ei a
5
Resumo
Es e es udo em como obje i o analisa os sin omas dep essi os e ansiosos em p o issionais de saúde das Unidades de P on o
A endimen o (UPAs) de Na al no con ex o da pandemia da COVID-19, iden i icando p e alências e a o es associados.
Realizou-se uma pesquisa quan i a i a, ans e sal, com a pa icipação de 172 p o issionais de saúde. A cole a de dados oco eu
no segundo semes e de 2022 e incluiu in o mações sociodemog á icas, ocupacionais e clínicas dos pa icipan es, bem como a
aplicação dos ins umen os de a aliação de sin omas dep essi os (BDI) e ansiosos (BAI). Os esul ados mos a am que
ap oximadamen e 29% dos pa icipan es ap esen a am sin omas ansiosos mode ados a se e os, e 16% ap esen a am sin omas
dep essi os mode ados a se e os. A análise mul i a iada e elou associações signi ica i as en e os sin omas dep essi os e as
subescalas de bu nou , especialmen e a exaus ão emocional (p=0,034) e a baixa ealização pessoal (p=0,003). Além disso,
p e os e pa dos (p=0,006) e jo nada de abalho mis as e no u nas (p=0,044) es i e am signi ica i amen e associados a sin omas
dep essi os mais acen uados. Com elação aos sin omas ansiosos mode ados/se e os oi encon ado associação com a aça
(pa dos e p e os) (p= 0,031), insu iciência de Equipamen os de P o eção Indi idual (p=0,016), a pe da de amilia es po
COVID-19 (p=0,032) e à p esença de como bidades clínicas (p=0,044). Es e es udo e idencia a necessidade u gen e de
polí icas públicas ol adas à p omoção da saúde men al dos abalhado es da linha de en e, com oco na equidade acial,
segu ança no abalho e supo e psicossocial.
Pala as-cha e: COVID-19; Dep essão; Pessoal de Saúde; T ans o nos de Ansiedade.
Abs ac
This s udy aims o analyze dep essi e and anxie y symp oms among heal hca e p o essionals wo king in Eme gency Ca e
Uni s (UPAs) in Na al, B azil, in he con ex o COVID-19 pandemic, iden i ying p e alence a es and associa ed ac o s. A
quan i a i e, c oss-sec ional s udy was conduc ed wi h 172 heal hca e p o essionals. Da a we e collec ed in he second hal o
2022 and included sociodemog aphic, occupa ional, and clinical in o ma ion, along wi h he applica ion o ins umen s o
assess dep essi e (BDI) and anxie y (BAI) symp oms. The esul s showed ha app oxima ely 29% o pa icipan s p esen ed
mode a e o se e e anxie y symp oms, and 16% p esen ed mode a e o se e e dep essi e symp oms. Mul i a ia e analysis
e ealed signi ican associa ions be ween dep essi e symp oms and bu nou subscales, especially emo ional exhaus ion (p =
0.034) and low pe sonal accomplishmen (p = 0.003). Addi ionally, ac o s such as Black and B own ace/colo (p = 0.006)
and mixed o nigh wo k shi s (p = 0.044) we e signi ican ly associa ed wi h mo e se e e dep essi e symp oms. Rega ding
mode a e/se e e anxie y symp oms, signi ican associa ions we e ound wi h ace (Black and B own indi iduals) (p = 0.031),
insu icien Pe sonal P o ec i e Equipmen (PPE) (p = 0.016), loss o amily membe s o COVID-19 (p = 0.032), and he
p esence o clinical como bidi ies (p = 0.044). This s udy highligh s he u gen need o public policies aimed a p omo ing he
men al heal h o on line heal hca e wo ke s, wi h a ocus on acial equi y, wo kplace sa e y, and psychosocial suppo .
Keywo ds: Anxie y Diso de s; COVID-19; Dep ession; Heal h Pe sonnel.
1
P o esso a da Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e (UFRN). Dou o a em Saúde Cole i a. E-mail: [email p o ec ed]
2
Dou o em Pa ologia O al pela Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e (UFRN). E-mail: [email p o ec ed]
3
Dou o ando em Ciências Odon ológicas pela Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e. E-mail: lucasca alcan edesousa@ho mail.com
4
P o esso a da Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e (UFRN). Dou o a em Sociologia. E-mail: [email p o ec ed]
5
P o esso a da Uni e sidade Fede al do Rio G ande do No e (UFRN). Dou o a em Odon ologia. E-mail: [email protected]
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INTRODUÇÃO
Os quad os dep essi os e os ans o nos de ansiedade cons i uem ans o nos men ais com al a
p e alência na população ge al, a e ando ambém, de o ma signi ica i a, os p o issionais de saúde. A
a uação em se iços de u gência e eme gência impõe a esses abalhado es demandas in ensas, longas
jo nadas, omada de decisão sob p essão e con a o equen e com si uações de so imen o e mo e – a o es
que con ibuem pa a o aumen o do es esse ocupacional.
Os adoecimen os men ais o am ag a ados na população ge al e em p o issionais de saúde a pa i
da pandemia da COVID-19. Ao longo do pe íodo pandêmico, o Cen o de Re e ência de Saúde do
T abalhado (CEREST-Na al) passou a ecebe , com equência c escen e, ela os de so imen o psíquico
p o enien es de á ios p o issionais de saúde, p incipalmen e de abalhado es p o enien es das Unidades
de P on o A endimen o (UPA) de Na al, e elando o impac o dos desa ios impos os pela c ise sani á ia,
numa classe já agilizada.
A pa i das demandas iden i icadas nas escu as clínicas e nas ações de igilância em saúde do
abalhado , a equipe do CEREST-Na al em a iculação com o g upo de pesquisa de saúde do abalhado
do P og ama de Pós-G aduação em Saúde Cole i a (PPGSCol) da Uni e sidade Fede al do Rio G ande
do No e (UFRN), p opôs in es iga a magni ude do p oblema.
O obje i o do es udo consis e em es ima a p e alência de sin omas dep essi os e ansiosos en e
p o issionais de saúde das UPAs de Na al, com a inalidade de subsidia ou os p oje os e ações de saúde
do CEREST-Na al.
O a igo oi es u u ado em seções, iniciando com a in odução, em que cons a uma b e e
elucidação sob e o es udo, iden i icando seu obje i o e jus i ica i a. A segui , a undamen ação eó ica
discu e os p incipais achados da li e a u a sob e a p e alência dos sin omas dep essi os e ansiosos em
p o issionais de saúde, no con ex o da COVID-19. Logo após, a me odologia de alha o delineamen o da
pesquisa, seguido po ap esen ação dos esul ados a pa i de abelas, g á icos e desc ição das análises
es a ís icas e discussão. Po im, as conside ações inais azem uma sín ese dos esul ados, apon am as
implicações pa a as ações em Saúde do T abalhado e suge em di eções pa a u u as pesquisas e
in e enções.
REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL
A dep essão e os ans o nos de ansiedade igu am en e os ans o nos men ais mais p e alen es
no mundo, impac ando signi ica i amen e a uncionalidade e a qualidade de ida das pessoas. Em odo o
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mundo, es ima-se que ce ca de 280 milhões de pessoas, de odas as idades, so am com a dep essão.
Es a is icamen e as mulhe es são mais a e adas que os homens e es á associada a impo an e so imen o
psicológico, p ejuízos sociais e ocupacionais, sendo conside ada a qua a p incipal causa de mo e en e
pessoas com idade en e 15 e 29 anos (WHO, 2023).
No caso especí ico dos ans o nos de ansiedade, es udos como o Na ional Como bidi y S udy
e elam uma magni ude igualmen e p eocupan e. Es ima-se que um em cada qua o indi íduos a enda aos
c i é ios diagnós icos pa a pelo menos um ans o no de ansiedade ao longo da ida. As mulhe es
ap esen am maio ulne abilidade, com p e alência de 30,5%, em compa ação aos 19,2% en e os homens
(KAPLAN; SADOCK, 2017). A gênese desses ans o nos en ol e dis unções nos ci cui os ce eb ais
elacionados à espos a ao pe igo, sendo in luenciada po a o es gené icos, ambien ais e suas in e ações
epigené icas. Além disso, os ans o nos de ansiedade equen emen e ap esen am como bidade com
ou os ans o nos men ais, especialmen e a dep essão (PENNINX e al., 2021).
Os ans o nos dep essi os e de ansiedade aumen a am de o ma subs ancial du an e 2020 de ido
à pandemia da COVID-19. Mesmo an es da pandemia, esses ans o nos já igu a am en e as p incipais
causas de mo bidade em odo o mundo, apesa da exis ência de es a égias de in e enção capazes de
eduzi seus e ei os. Es ima-se o aumen o de 53,2 milhões de casos adicionais de ans o no dep essi o
maio em odo o mundo em 2020 de ido aos e ei os da COVID-19, um aumen o de 27,6%. Com elação
aos ans o nos de ansiedade, es ima-se um inc emen o de 76,2 milhões de casos adicionais em 2020
de ido à pandemia da COVID-19, o que ep esen a um aumen o de 25,6% de o ma global. Tal ele ação
es e e associada an o ao aumen o das axas de in ecção po COVID-19 quan o à diminuição da
mobilidade humana (SANTOMAURO e al., 2021).
Pa alelamen e ao ag a amen o ge al da saúde men al, a pandemia ambém in ensi icou iscos
psicossociais nos ambien es labo ais. O modelo de Desequilíb io Es o ço-Recompensa, p opos o po
Sieg is , ajuda a comp eende esse enômeno. Um es udo ancês en ol endo mais de 8.000 abalhado es
demons ou que o desequilíb io en e es o ço e ecompensa pio ou signi ica i amen e du an e o inal do
segundo pe íodo de con inamen o (DELAMARRE e al., 2022). Esses achados dialogam com li e a u a
p é ia, que já e idencia a que ambien es com al as demandas e baixo con ole aumen am
exponencialmen e a p obabilidade de exaus ão emocional – em a é onze ezes em compa ação a con ex os
de meno demanda (JONGE e al., 2000).
Com a pandemia, ais condições se o na am ainda mais c í icas. A população em ge al oi
g a emen e a e ada, mas os p o issionais de saúde da linha de en e des aca am-se como um dos g upos
mais ulne á eis ao desen ol imen o de sin omas psiquiá icos (TREADWAY e al., 2020). Re isões
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sis emá icas demons am aumen o acen uado de sin omas dep essi os e ansiosos en e esses abalhado es
(VINDEGAARD; BENROS, 2020).
A pandemia da COVID-19 em sido associada a es esso es ocupacionais, que além de con ibui
pa a a in ecção, podem da o igem ao so imen o psíquico dos p o issionais de saúde. Nos Es ados Unidos,
um es udo com 2.040 p o issionais de saúde e elou que e sido in ec ado po COVID-19 oi associado
a ní eis signi ica i amen e mais al os de dep essão, ansiedade e bu nou . Ou os a o es como es a em
isolamen o, mo a sozinho e a a um núme o maio de pacien es com COVID-19 o am associados a
ní eis signi ica i amen e mais al os de sin omas dep essi os. Passa mais de 50% das ho as de abalho
em con a o di e o com esses pacien es ambém oi associado a ní eis mais al os de dep essão, ansiedade
e bu nou em elação a indi íduos que passa am menos de 25% das ho as de abalho em con a o p óximo
com pacien es com COVID-19 (FIREW e al., 2020).
Uma pesquisa ealizada com 2029 p o issionais de um hospi al especializado em COVID-19, no
sul de Taiwan, a aliou o impac o da pandemia em elação a ans o nos de humo e Bu nou em
p o issionais de saúde. O es udo e elou que os en e mei os i e am o mais al o índice de ans o nos de
humo e bu nou . Com elação ao local de abalho, os que abalha am no p on o-soco o e na UTI/alas
de isolamen o inham um isco maio pa a ans o no do humo . T abalha no p on o-soco o oi
iden i icado como o único a o de isco independen e pa a ans o no do humo mode ado a g a e. En e
as medidas conside adas mais impo an es pa a eduzi o es esse ocupacional, des aca am-se mais
descanso (76,7%), g a i icações (63,4%) e equipamen os de p o eção indi idual su icien es (55,3%) (LIN
e al., 2021).
É impo an e des aca que c ises sani á ias endem a exace ba desigualdades es u u ais já
exis en es, especialmen e aquelas elacionadas a gêne o e aça. No con ex o do SUS, mulhe es neg as
his o icamen e ocupam pos os de abalho mais p eca izados e com meno acesso a ecu sos labo ais, o
que as expõe de o ma desp opo cional às condições ad e sas ampliadas du an e a pandemia, como
escassez de insumos e in ensi icação das demandas assis enciais. Es udos indicam que as desigualdades
de gêne o e aça se e le i am ambém nos impac os sob e a saúde men al du an e a pandemia, com
mulhe es neg as ap esen ando maio ulne abilidade em compa ação a ou os g upos (MAGRI;
FERNANDEZ; LOTTA, 2022).
Um es udo ans e sal se iado mul icên ico ealizado com 30.520 pa icipan es em 20 países, ao
longo de 2 anos, in es igou a associação en e sin omas dep essi os en e p o issionais de saúde e as axas
médias de incidência e mo alidade po COVID-19. Pa a isso o am u ilizados dados da p imei a e da
segunda onda da COVID-19. Es e es udo cons a ou que o aumen o nas axas diá ias de incidência da
COVID-19 es a a associado ao ag a amen o dos sin omas dep essi os en e p o issionais de saúde em
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20 países, incluindo países de al a enda e países de baixa e média enda, independen emen e do país de
esidência. Além disso, é impo an e essal a que es a associação pe sis iu du an e 2 anos. As azões pa a
a associação ao longo de 2 anos incluem uma maio ca ga de abalho com o aumen o da incidência da
COVID-19 e a exaus ão de ido a pandemia da COVID-19 p olongada, combinadas com a sensação de
não se em alo izados pela ges ão ou mesmo pelos pacien es num ambien e com al a de pessoal du an e
e após a pandemia da COVID-19 (ASAOKA e al., 2024).
Foi cons a ado ainda que à medida que a axa de mo alidade da COVID-19 aumen a a, os
sin omas dep essi os pio a am en e p o issionais de saúde em 20 países. Algumas azões pa a a
obse ação dessa associação, mesmo dois anos após o início da pandemia da COVID-19, incluem
so imen o mo al, decisões clínicas di íceis em elação a pacien es com COVID-19 e expe iências
aumá icas epe idas com a mo e de pacien es ao longo da pandemia. Os esul ados con i mam a
e olução dos sin omas dep essi os ao longo do empo e a necessidade de apoio em saúde men al pa a os
p o issionais de saúde du an e e após a pandemia da COVID-19 (ASAOKA e al., 2024).
Ou o es udo ans e sal ealizado com 639 pa icipan es da Áus ia, Alemanha e Suíça compa ou
a saúde men al de p o issionais de saúde ao longo do p imei o e segundo ano da pandemia da COVID-19
(compa ação de uma amos a de maio a julho de 2020 com uma amos a de ma ço a junho de 2021). Os
esul ados mos am que os sin omas de saúde men al, pa icula men e dep essão e ansiedade, pe sis em
en e os p o issionais de saúde no segundo ano da pandemia e que as axas de p e alência de sin omas são
maio es en e a equipe de en e magem em compa ação com médicos e pa amédicos, além de demons a
que o clima de equipe es á associado aos esul ados de saúde men al. Ve i icou-se al os ní eis de sin omas
de dep essão (com 71,7% dos p o issionais de saúde p eenchendo os c i é ios pa a pelo menos um
diagnós ico suspei o) e ansiedade (38,3% pelo menos suspei os) (DUDEN e al., 2023).
De o ma ge al, a pandemia ouxe ince ezas sob e o í us, limi ações no a amen o, escassez de
Equipamen os de P o eção Indi idual (EPIs), sob eca ga de abalho e ou as on es de es esse que
impac a am nega i amen e a saúde men al dos abalhado es da saúde (PFEFFERBAUM; NORTH,
2020). Os p o issionais de saúde que con aí am COVID-19 ela a am ní eis mais al os de sin omas
dep essi os e sin omas de ansiedade (FIREW e al., 2020).
Ou os es udos in e nacionais e o çam esses achados. Na Polônia, 23,1% dos en e mei os
a aliados ap esen a am sin omas g a es ou mui o g a es de dep essão, sendo o con a o com pacien es
suspei os de in ecção po SARS-CoV-2 um p edi o signi ica i o de sin omas dep essi os. Além disso,
mulhe es ap esen a am maio equência de sin omas dep essi os em compa ação aos homens
(DZIEDZIC e al., 2022). Na China, um ano após o início da pandemia, 26,7% dos p o issionais de saúde
ap esen a am dep essão, 33,4% ansiedade e 14,8% es esse, com os en e mei os ob endo as pon uações
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mais al as nas subescalas de dep essão e es esse. Os p incipais a o es de isco incluí am longas jo nadas
de abalho, con a o p óximo com pacien es in ec ados e exposição à iolência du an e o a endimen o
(GONZALEZ MENDEZ e al., 2022).
Na Tu quia, 16,5% dos p o issionais de saúde a aliados ap esen a am esco es no Beck Dep ession
In en o y (BDI) compa í eis com dep essão mode ada a g a e. A análise dos sin omas de ansiedade
mos ou que 14% dos pa icipan es ap esen a am ansiedade mode ada a g a e de aco do com os esco es
do Beck Anxie y In en o y (BAI). Os en e mei os ap esen a am esco es mais ele ados de dep essão e
ansiedade em compa ação aos médicos. (BESIRLI e al., 2021). Já na G écia, 25,5% dos en e mei os
ap esen a am dep essão le e, 13,5% mode ada e 7,6% g a e, a pa i do Beck Dep ession In en o y (BDI)
enquan o 47,1% ap esen a am sin omas de bu nou segundo o Copenhagen Bu nou In en o y (CBI).
Hou e uma co elação signi ica i a en e bu nou e dep essão ( = 0,66), sendo o bu nou conside ado um
a o con ibuin e pa a a dep essão (PACHI e al., 2022).
Em ní el global, uma pesquisa ealizada com 1.416 p o issionais de saúde (70,8% médicos, 26,2%
en e mei os) de 75 países, u ilizando o Beck Anxie y In en o y (BAI), indicou que os ní eis de ansiedade
a ia am en e le e (27,5%), mode ada (20,3%) e g a e (16,7%). O coe icien e de con iabilidade (al a de
C onbach) da escala de ansiedade de 21 i ens oi de 0,936, des acando que a consis ência in e na oi al a.
Os esco es do BAI diminuí am signi ica i amen e com a idade a ançada do p o issional de saúde. Além
disso, hou e associação signi ica i a en e maio ansiedade e a o es como se do sexo eminino, se
en e mei o(a), abalha com pacien es com COVID-19, e doenças c ônicas ou ans o nos men ais
p é ios, além da pe cepção de inadequação dos EPIs disponí eis (CAG e al., 2021).
Resul ados semelhan es o am sin e izados em uma me análise com 458.754 pa icipan es, que
encon ou p e alências ag upadas de 28,5% pa a dep essão e 28,7% pa a ansiedade en e p o issionais de
saúde — axas supe io es às da população ge al e pe sis en es ao longo do empo. No que diz espei o à
ansiedade, as maio es axas o am encon adas em en e mei os, médicos, pessoal de apoio e es udan es
da á ea da saúde, odos com unções que en ol em con a o in enso com pacien es e, po an o, maio isco
de in ecção po COVID-19. As mulhe es o am mais impac adas do que os homens em di e sos
des echos, com e idências consis en es em elação à insônia, à dep essão e à ansiedade. Além disso, uma
impo an e cons a ação oi que as axas de p e alência pe manece am em ní eis p eocupan es e
pe sis i am en e os p o issionais de saúde hospi ala es ao longo do empo. (LEE e al., 2023).
Uma e isão ab angen e e me a-análise de 87 me a-análises, incluindo 1846 a igos não
sob epos os, que examina am a saúde men al dos p o issionais de saúde du an e a pandemia da COVID-
19 encon ou uma p e alência de 30% de sin omas dep essi os en e en e mei os e médicos e 32% pa a
os p o issionais de linha de en e. Com elação aos sin omas de ansiedade, a p e alência oi de 34% em
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en e mei os, 27% em médicos e 30% em p o issionais da linha de en e. Fo am a aliados além desses,
di e sos p oblemas de saúde men al e as axas de p e alência o am semelhan es en e odos os
p o issionais de saúde, independen emen e da ca ego ia p o issional e do sexo, com poucas exceções
(BOUCHER e al., 2025).
Na E iópia, uma me análise ealizada com 08 es udos obse acionais encon ou uma p e alência
ag upada de ansiedade, en e os p o issionais de saúde, du an e a pandemia da COVID-19, de 46%. Nesse
es udo, as p o issionais de saúde do sexo eminino ap esen a am 1,89 ezes mais chances de desen ol e
ansiedade do que os p o issionais do sexo masculino du an e a pandemia (HASEN; SEID;
MOHAMMED, 2023).
No No des e b asilei o, mais especi icamen e no Cea á, a alia am 189 p o issionais de saúde
(48,2% en e mei os e 51,8% écnicos de en e magem) de uma ma e nidade, a pa i de um es udo do ipo
ans e sal. A p e alência de sin oma ologia dep essi a oi 29,6%, sendo mais p e alen e no sexo
eminino (30,2%). Com elação aos sin omas ansiosos, 40,2% ap esen a am sin oma ologia de ansiedade
a pa i da Escala Hospi ala de Ansiedade e Dep essão (HAD). A maio ia dos p o issionais de saúde
en e is ados (62,6%; n=117) es a a a uando em se o es da linha de en e, a endendo pacien es com
suspei a ou casos con i mados da COVID-19. Os p o issionais que abalha am nos se o es da
eme gência, clínica obs é ica e UTI ma e na o am os mais expos os ao isco de e dep essão (RIBEIRO
e al., 2022).
De o ma ge al, as e idências acumuladas demons am que os p o issionais de saúde cons i uem
um g upo pa icula men e ulne á el ao desen ol imen o de sin omas dep essi os e ansiosos no con ex o
da COVID-19. Esse isco ende a se ainda maio em se iços de al a complexidade e i mo acele ado,
como as Unidades de P on o A endimen o (UPAs), ca ac e izadas pelo uncionamen o inin e up o, al as
demandas assis enciais, longas jo nadas de abalho, insu iciência de ma e iais e equipamen os e manejo
equen e de casos g a es, mui as ezes com des echo a al (MOTA e al., 2020). Tais condições
con igu am um ambien e de abalho com ele ada ca ga ísica e emocional, e o çando a impo ância de
in es iga a o es associados ao so imen o psíquico nesse cená io.
METODOLOGIA
O p esen e es udo é do ipo quan i a i o, com delineamen o ans e sal (FARIAS e al., 2024). Tal
modelo de es udo pe mi e a obse ação de uma de e minada si uação de saúde, conside ando causa-e ei o,
em um único eco e de empo. Nesse sen ido, a “causa” (exposição ao isco) e o “e ei o” (doença) são
obse ados ao mesmo empo em uma de e minada amos a (MEDRONHO, 2019).
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A população do es udo oi compos a po p o issionais de saúde - en e mei os, écnicos/auxilia es
de en e magem e médicos a uan es nas qua o Unidades de P on o A endimen o de Na al/RN, B asil. Tais
unidades uncionam em empo in eg al (24 ho as/ odos os dias da semana) e azem pa e da ede de
u gências e eme gências municipal.
A amos a oi calculada com base na população o al de 589 p o issionais dessas ca ego ias,
segundo dados da Sec e a ia Municipal de Saúde de Na al. Ado ando-se uma equência an ecipada de
20%, com a p ecisão absolu a de 5% e in e alo de con iança de 95%, chegou-se ao núme o de 174
pa icipan es. Os p o issionais o am selecionados alea o iamen e en e as qua o unidades (DANTAS e .
al. 2025).
Fo am incluídos no es udo os p o issionais que consen i am em pa icipa e esponde am pelo
menos 80% do ques ioná io. Dois p o issionais o am excluídos: um po não e assinado o Te mo de
Consen imen o Li e e Escla ecido (TCLE) e ou o po p eenchimen o insu icien e das espos as.
Inicialmen e, o am ealizadas euniões com as di eções das UPAs e com os p o issionais de saúde,
conduzidas pela pesquisado a e pela equipe do CEREST-Na al, pa a ap esen ação do es udo e
escla ecimen o de dú idas.
A cole a de dados oco eu en e julho e dezemb o de 2022, po meio do en io de um consolidado
de ques ioná io em que incluía um ques ioná io elabo ado pelas au o as com dados sociodemog á icos e
ocupacionais, ques ões sob e saúde clínica e his ó ico de ans o nos men ais, bem como os ins umen os
Maslach Bu nou In en o y-Human Se ices Su ey (MBI-HSS), Beck Dep ession In en o y (BDI) e
Beck Anxie y In en o y (BAI). Os ques ioná ios o am disponibilizados ia link no wha sapp ou po QR
code e espondidos após assina u a do Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido (TCLE) a a és da
pla a o ma de o mulá ios do Google®.
A mensu ação dos sin omas dep essi os e ansiosos em con ex os clínicos e de pesquisa é
equen emen e ealizada po meio dos ins umen os Beck Dep ession In en o y (BDI) e Beck Anxie y
In en o y (BAI). O Beck Dep ession In en o y (BDI) é uma escala de au oa aliação com adução pa a
á ios idiomas, alidado em di e en es países e mede as mani es ações cogni i as, emocionais,
compo amen ais e ísicas da dep essão de uma pessoa na úl ima semana. É cons i uído po 21 i ens,
incluindo sin omas e a i udes com pon uações que a iam de 0 a 3 (BECK e al., 1961). Ap esen a como
pon os de co e <10 sem dep essão ou dep essão mínima; 10 -18 dep essão le e a mode ada; 19-29
dep essão mode ada a g a e; 30-63 dep essão g a e (GORENSTEIN; ANDRADE; ZUARDI, 2008). A
e são em po uguês ap esen a al a consis ência in e na (α = 0,88) e é alidada pa a uso em amos as
clínicas e não clínicas. (GORENSTEIN; ANDRADE; ZUARDI, 2008).
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expos os a condições de abalho p ecá ias, o que impac a di e amen e sua saúde men al (MAGRI;
FERNANDEZ; LOTTA, 2022).
E idências in e nacionais mos am que p o issionais de saúde neg os e pe encen es a g upos
aciais e é nicos mino i á ios i encia am ní eis ele ados de es esse acial du an e a pandemia. Assim
como apon a a li e a u a, nossos achados e o çam a necessidade de desen ol e ações ins i ucionais
ol adas à equidade e à jus iça social como componen es essenciais pa a o bem-es a desses abalhado es
his o icamen e ma ginalizados (MANGURIAN e al., 2023).
Os EPIs insu icien es e a pe da de amilia es po COVID-19 ambém o am associados a sin omas
ansiosos mode ados e se e os. A insu iciência de EPIs oi um dos p incipais a o es de isco pa a sin omas
ansiosos, como demons ado em di e sas in es igações in e nacionais (CAG e al., 2021; CLEMENTE-
SUÁREZ e al., 2021; LEE e al., 2023). O medo cons an e de con aminação, ag a ado po no ícias de
adoecimen o e óbi o de colegas, alimen ou um clima de insegu ança e emo , impac ando di e amen e a
saúde men al dos p o issionais (ZHANG e al., 2021).
Além desses a o es con ex uais, as como bidades clínicas o am associadas a sin omas ansiosos
mode ados a se e os, o que pode se is o de o ma semelhan e em ou os es udos (CAG e al., 2021;
FONSECA e al., 2021). Independen e da pandemia, já exis e uma co elação es abelecida na li e a u a
en e algumas doenças c ônicas, como doenças ca dio ascula es, diabe es e sin omas ansiosos (FISHER
e al., 2008; HOLT e al., 2013). Du an e a pandemia, os po ado es de como bidades clínicas ize am
pa e da população de isco pa a COVID-19, ge ando medo excessi o em se con aminado, ag a ando
mais ainda o isco de sin omas ansiosos (FONSECA e al., 2021).
Em elação à p e alência de sin omas dep essi os mode ados a se e os encon ada no es udo, oi
in e io à que oi encon ada na li e a u a (PAPPA e al., 2020; GEBREEYESUS e al., 2021; MOSER e
al., 2021; SANTOS e al., 2021), o que p o a elmen e se de e ao pe íodo de cole a, is o que o nosso
es udo oi ealizado no segundo semes e de 2022, enquan o á ios ou os es udos o am ealizados
du an e o pe íodo de 2020, na igência da p imei a onda do su o da COVID-19, conside ado o pe íodo
mais es essan e e de maio ince eza pa a os p o issionais, ocasionando um impac o di e o na saúde
men al. Um ou o es udo ambém ealizado dois anos após o su o inicial da COVID-19 encon ou
esul ados p óximos (LIU e al., 2022).
De modo complemen a , Cy e al. (2022) obse a am que, embo a os ní eis de ansiedade enham
pe manecido ela i amen e es á eis aos 3 e 12 meses após o início da pandemia, os sin omas dep essi os
ap esen a am queda signi ica i a ao longo do empo. Esses achados co obo am os esul ados do p esen e
es udo, suge indo que a edução do impac o emocional elacionado à ase inicial da pandemia pode
explica as p e alências mais baixas iden i icadas.
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Quan o aos a o es que in luencia am os sin omas dep essi os, des acam-se as pessoas p e as,
pa das e com diagnós ico de bu nou . Esse e a um esul ado espe ado na medida em que a sínd ome de
bu nou é conside ada um a o de isco pa a mo bidade psiquiá ica, p incipalmen e a dep essão (LIN e
al., 2021; SANTOS e al., 2021; PACHI e al., 2022; RYAN e al., 2023). Impo an e pon ua que após
um le an amen o ealizado nesses mesmos p o issionais da UPA oi e i icado um al o índice de bu nou
(51,2%), com des aque pa a a dimensão da exaus ão emocional (DANTAS e . al. 2025).
Conside ando que a dep essão é um ans o no psiquiá ico que pode e olui pa a quad os g a es,
inclusi e com isco de des echo a al po suicídio, a associação en e bu nou e sin omas dep essi os
me ece a enção especial, dada sua g a idade e a necessidade u gen e de medidas de in e enção. Além
disso, alguns a o es ocupacionais ambém aumen a am o isco de sin omas dep essi os mode ados a
se e os, como jo nadas de abalho no u nas e mis as, possi elmen e em azão da o e elação en e
condições labo ais ad e sas, exaus ão e dep essão (RYAN e al., 2023).
Embo a a li e a u a demons e uma elação es a is icamen e signi ica i a en e bu nou e
dep essão, bem como en e bu nou e ansiedade, a a-se de cons u os dis in os, ainda que in e ligados.
Eles compa ilham algumas ca ac e ís icas em comum e, p o a elmen e, podem se desen ol e de
manei a concomi an e (KOUTSIMANI; MONTGOMERY; GEORGANTA, 2019).
Mui os p o issionais de saúde ap esen am sin omas dep essi os e ansiosos de o ma silenciosa,
sem busca a amen o adequado, o que comp ome e an o sua qualidade de ida quan o sua capacidade
labo al. Um es udo ecen e iden i icou que sin omas de ansiedade e dep essão es ão associados à meno
capacidade de abalho, maio es ní eis de es esse e meno sa is ação p o issional en e abalhado es da
saúde (MAGNAVITA; MERAGLIA; RICCÒ, 2024).
Esses achados dialogam com o Modelo de Desequilíb io en e Es o ço e Recompensa, segundo o
qual con ex os labo ais ca ac e izados po al as demandas e ecompensas insu icien es, como al a de
econhecimen o, ins abilidade ou escasso apoio ins i ucional, ele am o isco de so imen o psicológico.
Esse pad ão o na-se pa icula men e e iden e nas UPAs, ambien es ma cados po in enso olume
assis encial, p essão cons an e e ecu sos limi ados, a o ecendo o su gimen o e a manu enção de sin omas
psíquicos (MOTA e al., 2020).
Os impac os na saúde men al em p o issionais de saúde obse ados di ecionam pa a a necessidade
do desen ol imen o de es a égias de saúde men al que possam o nece apoio psicológico, mi iga a
adiga emocional, eduzi o isolamen o e aumen a a esiliência em u u as c ises sani á ias. Além de
eduzi o es igma do so imen o psicológico e acili a o acesso ao a amen o quando necessá io,
eplicando e melho ando es a égias exi osas já u ilizadas na pandemia da COVID-19 como a Cope
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Columbia do Depa amen o de Psiquia ia da Uni e sidade de Columbia e o UCSF Cope da Uni e sidade
da Cali ó nia, São F ancisco (UCSF) (MANGURIAN e al., 2023).
Ambos os p og amas ealiza am einamen o em esiliência e edução do es esse, apoio en e
pa es e a no malização do supo e à saúde men al, abo da am os es esso es cumula i os da ins abilidade
acial e polí ica, c ia am pa ce ias es a égicas com ou os depa amen os clínicos, Recu sos Humanos e
p og amas de assis ência aos abalhado es a alia am os componen es do p og ama e c ia am ecu sos
pa a o au oge enciamen o dos p o issionais de saúde. (MANGURIAN e al., 2023)
Poucos es udos a alia am o impac o de longo p azo da pandemia na saúde men al dos p o issionais
de saúde, uma ez que a maio ia das pesquisas se concen ou nos p imei os dois anos da COVID-19.
En e an o, in es igações que analisa am pe íodos pos e io es iden i ica am a pe manência de
p e alências ele adas de sin omas dep essi os e ansiosos, associados à pe sis ência de múl iplos
es esso es — incluindo a con inuidade da pandemia, a exaus ão acumulada (mani es ada ambém pelos
al os índices de bu nou ) e a o es ocupacionais ad e sos (MCGUINNESS e al., 2023; ASAOKA e al.,
2024).
Nesse con ex o, a p esença con ínua de so imen o psíquico en e os abalhado es das UPAs
suge e que os impac os da pandemia ex apolam o pe íodo epidêmico. Isso e o ça a necessidade de
polí icas ins i ucionais pe manen es de cuidado em saúde men al, com ên ase no edimensionamen o
adequado das equipes, na adoção de p á icas que p omo am maio sa is ação no abalho e na
implemen ação de es a égias que a o eçam um equilíb io mais saudá el en e es o ço e ecompensa.
Como limi ações des e es udo, des aca-se que a amos a p edominan emen e eminina e le e o
pe il espe ado da o ça de abalho em saúde, con o me desc i o em di e sas pesquisas conduzidas
du an e a pandemia (TREADWAY e al., 2020; KAPETANOS e al., 2021; CYR e al., 2022; FIREW e
al., 2020). Embo a essa dis ibuição seja ca ac e ís ica do se o , ela limi a a possibilidade de ealiza
análises compa a i as mais equilib adas en e os gêne os, caso o obje i o osse explo a di e enças de
o ma mais ap o undada. Além disso, o delineamen o ans e sal impede es abelece elações de
causalidade en e os a o es analisados e os sin omas ansiosos e dep essi os (THIESE, 2014). A cole a
ealizada em um único município ambém pode limi a a gene alização dos achados pa a ou os con ex os
assis enciais.
Apesa dessas limi ações, o es udo ap esen a como o aleza o uso de ins umen os alidados
amplamen e u ilizados na li e a u a in e nacional, o que e o ça a con iabilidade dos achados e possibili a
compa ações com ou os con ex os assis enciais. Além do oco em p o issionais de UPAs, um cená io
c í ico e pouco in es igado na li e a u a, o que con ibui pa a sup i lacunas impo an es sob e saúde
men al em se iços de u gência.
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A pa i do que oi discu ido an e io men e, dep eende-se que a saúde men al dos abalhado es da
linha de en e, especialmen e em con ex os de al a p essão e ulne abilidade, é a e ada po uma
mul iplicidade de a o es indi iduais, sociais e no ambien e de abalho, com al a p e alência de sin omas
dep essi os e ansiosos. As e idências e o çam a necessidade de polí icas públicas e es a égias
ins i ucionais que p omo am a saúde men al, com especial a enção a g upos em maio isco, como
abalhado es p e os e pa dos, com como bidades clínicas ou subme idos a condições de abalho
p ecá ias.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Es e es udo e idencia que, mesmo dois anos após o início da pandemia da COVID-19, os
p o issionais de saúde das Unidades de P on o A endimen o (UPAs) de Na al con inua am a ap esen a
ní eis p eocupan es de so imen o psíquico, especialmen e no que se e e e aos sin omas ansiosos. A
p e alência de sin omas ansiosos mode ados a se e os em ap oximadamen e um e ço dos pa icipan es,
e de sin omas dep essi os mode ados a se e os em ce ca de 16%, demons a que os e ei os da c ise
sani á ia se man i e am de o ma pe sis en e na saúde men al desses abalhado es.
Os achados e o çam que os sin omas dep essi os e ansiosos en e p o issionais de saúde êm
o igem mul i a o ial, en ol endo desde condições es u u ais do ambien e labo al a é ulne abilidades
indi iduais. A pandemia ampliou desigualdades e agilidades já p esen es nos sis emas de saúde,
sob e udo em se iços de p on o a endimen o, ca ac e izados po al a demanda assis encial e ecu sos
limi ados.
Fa o es é nico- aciais (pa icula men e en e p o issionais pa dos e p e os), p esença de
como bidades clínicas, pe da de amilia es po COVID-19, condições inadequadas de abalho — como
insu iciência de Equipamen os de P o eção Indi idual (EPIs) — e a ealização de jo nadas mis as ou
no u nas mos a am-se associados a pio es des echos emocionais. Ademais, obse ou-se uma associação
signi ica i a en e sin omas dep essi os e dimensões da sínd ome de bu nou , especialmen e exaus ão
emocional e baixa ealização pessoal, e o çando a necessidade de in e enções es u u ais que a uem
di e amen e sob e as condições de abalho.
Esses esul ados des acam a u gência da implemen ação de polí icas públicas e ins i ucionais
ol adas à p omoção da saúde men al dos abalhado es da linha de en e, com especial a enção às
dimensões de equidade acial, segu ança no abalho e p e enção de iscos psicossociais. Também se az
necessá io amplia o acesso a se iços de cuidado psicológico de o ma con ínua, econhecendo que os
e ei os emocionais da pandemia pe sis em e não se limi am ao pe íodo c í ico da eme gência sani á ia.
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Como limi ações do es udo, des aca-se o amanho da amos a, especialmen e a baixa p opo ção de
p o issionais do sexo masculino — um e lexo do pe il p edominan e da o ça de abalho em saúde.
Ademais, o delineamen o ans e sal não pe mi e es abelece elações de causa e e ei o en e os a o es
analisados e os des echos emocionais obse ados.
Po im, p o ege a saúde men al dos p o issionais das UPAs é uma es a égia essencial não apenas
pa a o bem-es a indi idual desses abalhado es, mas ambém pa a a manu enção da qualidade
assis encial e da segu ança da população em con ex os de c ise. O o alecimen o de polí icas in e se o iais
que econheçam o so imen o psíquico como dimensão cen al da saúde do abalhado é u gen e. Embo a
a c ise sani á ia da COVID-19 enha a e ecido, suas consequências emocionais pe manecem no co idiano
das unidades de u gência – exigindo espos as con ínuas, e e i as e sus en á eis.
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