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João Pessoa - PB
2019
ORGANIZADORES
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Clóvis dos Santos Lima Netto
Vitor Emanuel Granito Pontes
Filipe Car valho de Almeida
ORGANIZADORES
Prof. Dr . Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Prof. Esp. Clóvis dos Santos Lima Netto
Prof. Msc. Vitor Emanuel Granito Pontes
Prof. Msc. Filipe Car valho de Almeida
PRODUÇÃO EDITORIAL
Núcleo de Publicações Institucionais (NPI)
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO
Filipe Car valho de Almeida
PROJETO GRÁFICO / DIAGRAMAÇÃO
Raiff Pimentel Félix Almeida
Prof. Dr . Antônio da Silva Sobrinho Júnior
CONSELHO CIENTÍFICO E EDITORIAL
Prof. Dr . Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Profª. Msc. Evelyne Emanuelle Pereira Lima
Prof. Dr . V alkisfran Lira de Brito
Prof. Msc Vitor Emanuel Granito Pontes
Prof. Dr . Alan de Oliveira Feitosa
Prof. Dr . Thiago da Silva Almeida
Prof. Dr . W ilson Car taxo Soares
Prof. Esp. Clóvis dos Santos Lima Netto
Prof. Msc. Filipe Car valho de Almeida
REVISÃO FINAL
Prof. Dr .Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Prof. Msc. Vitor Emanuel Granito Pontes
Prof. Msc. Filipe Car valho de Almeida
Engenharia civil: temas, técnicas e aplicações | Organizado por: Antônio da
Silva Sobrinho Júnior , Clóvis dos Santos Lima Netto, Vitor Emanuel Granito
Pontes, Filipe Car valho de Almeida | Unipê: João Pessoa, 2019.
552 páginas | ISBN 978-85-87868-89-3
DOI: 10.5281/zenodo.17674670
APRESENT AÇÃO
O quar to volume do livro “Engenharia Civil – T emas, T écnicas e Aplicações”
apresenta 32 produções científicas, abrangendo uma gama de assuntos
relacionados à Engenharia, nas áreas de Estruturas e Materiais, Construção
Civil, Recursos Hídricos e Geotecnia. É um livro elaborado pelos professores e
alunos do curso, e com alguns pesquisadores externos. O livro é acadêmico,
mas também traz ar tigos voltados para a prática profissional. A coleção
tem por intuito aproximar ainda mais os alunos da ciência, estimulando o
estudo, a produção e a divulgação de trabalhos em formato de capítulo
sobre temas relevantes das áreas lecionadas no curso.
SUMÁRIO
LEV ANT AMENTO E ANÁLISE DAS SOLUÇÕES INDIVIDUAIS P ARA
DESPEJOS DE EFLUENTES EM CASOS DE HABIT AÇÕES MINHA CASA
MINHA VIDA NA P ARAÍBA ....................................................... 14
Michelle Belmont Costa Caiaffo de Almeida
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Ricardo V asconcelos Gomes da Costa
Marçal Rosas Florentino Lima Filho
SITUAÇÃO DOS PLANOS DE SANEAMENTO BÁSICO DE
MUNÍCIPIOS LOCALIZADOS NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
DO LITORAL SUL DO EST ADO DA P ARAÍBA ............................... 38
W elerson Barboza de Lima
Julyana Kelly T avares de Araújo
Maria Adriana de Freitas Mágero Ribeiro
V anessa de Negreiros Medeiros Miranda
ENERGIA SOLAR FOTOVOL T AICA: UMA ESTRA TÉGIA
SUSTENT Á VEL NA CONSTRUÇÃO CIVIL ..................................... 55
Sérgio Thales Amaro Alves
Dr yelle T uanne de Souza
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
ANÁLISE DA BALNEABILIDADE DAS PRAIAS
DE JOÃO PESSOA - PB ............................................................ 77
Joyce Priscilla de Souza Cunha
Ayrton Morato Rossiter Junior
Danilo Carlos Regis Bezerra de Souza
Anderson Marques Batista de Brito
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
AS INUNDAÇÕES EM ÁREAS URBANAS:
CAUSAS E EFEITOS EM UM BAIRRO DE JOÃO PESSOA-PB ......... 90
Fabricio Augusto dos Santos Quirino
Maria Adriana de Freitas Mágero Ribeiro
Julyana Kelly T avares de Araújo
ESTUDO DOS IMP ACTOS GERADOS PELA SUBSTITUIÇÃO DE
AGREGADOS NA TURAIS POR RCD´s NO CONCRETO –
UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................... 103
Jefferson Bruno Gomes de Lima
Anderson da Silva Braz
T ales Lourenço da Silva
Arthur de Sousa Moreira Lima
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
BARREIRA DO CABO BRANCO:
UM DESASTRE AMBIENT AL E/OU SOCIAL ................................. 116
Maria Dannielly Viana Pessoa
Ana Clara Maia Câmara
Maria Clara Ribeiro Vilaça
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
DIMENSIONAMENTO DE RESERV A TÓRIO ENTERRADO
UTILIZANDO AL VENARIA ESTRUTURAL PROTENDIDA ................ 130
Fernanda de Jesus Barreto
Vitor Emanuel Granito Pontes
Rui Ramos de Oliveira
Monique Ellis Alves de Sousa Quirino
Cayo Iaslley Nunes de Lima
POSSÍVEIS SOLUÇÕES P ARA A A TUAL PROBLEMÁ TICA DA
DRENAGEM URBANA NA CIDADE DE JOÃO PESSOA – PB ........ 147
Julyerica T avares de Araújo
Alicyane Sarmento de Oliveira
Layris Lilianne Pereira Gomes
Everton T orres T omé de Sousa
MANIFEST AÇÕES P A TOLÓGICAS E REP ARO EM
ESTRUTURAS DE P A TRIMÔNIO HISTÓRICO ................................ 166
Gabr yel Rodrigues Castro da Nóbrega
W esley Maciel de Souza
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
Marcos Aurélio Pereira Santana
UTILIZAÇÃO DO
KANBAN
EM OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL ... 184
Fernanda de Jesus Barreto
Rui Ramos de Oliveira
Vitor Emanuel Granito Pontes
Monique Ellis Alves de Sousa Quirino
Cayo Iaslley Nunes de Lima
PERDAS NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA:
CASO DO MUNICÍPIO DE CANTIGUEIRA/PB ............................. 198
Enedina Montenegro da Silva
T ales Lourenço da Silva
V anessa Negreiros de Medeiros Miranda
ANÁLISE DE VIABILIDADE: INST ALAÇÃO DE SISTEMA
SOLAR FOTOVOL T AICO NUMA RESIDÊNCIA DE AL TO
P ADRÃO EM JOÃO PESSOA ..................................................... 217
Rafael Cavalcanti de Sá
Julyana Kelly T avares de Araújo
Semíramis Mangueira de Lima
Julyerica T avares de Araújo
BARRAGEM DE REJEITOS: ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE
REJEITOS DA MINA CÓRREGO DO FEIJÃO ............................... 232
Virgiane da Silva Melo Amaral
Allana Maria Moreira Palitot
Gabr yelle Vieira Evaristo
Hydionara Suênya do Nascimento Martins
Lara Karolynne Pereira Leite
Vitória de Andrade Silva
CONCRETO COM SUBSTITUIÇÃO DO AGREGADO MIÚDO
POR CASCA DE MARISCO: PROPRIEDADES MECÂNICAS NO
EST ADO FRESCO E ENDURECIDO .............................................. 252
Francisca Simone Pereira Fernandes
Thiago da Silva Almeida
Alan de Oliveira Feitosa
PROPOST A DA IMPLANT AÇÃO DE UMA REDE DE
MICRODRENAGEM EM ÁREA CRÍTICA DO BAIRRO
DE MANGABEIRA, JOÃO PESSOA/PB ...................................... 268
T ales Lourenço da Silva
Enedina Montenegro da Silva
Francisco Alyson Vieira Braga
Mignon Géssica Matias da Silva
Antônio da Silva Sobrinho Júnior
ESTUDO DA VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA
DO USO DO MET ACAULIM COMO SUBSTITUIÇÃO
P ARCIAL DO CIMENTO PORTLAND ........................................... 294
Monique Ellis Alves de Sousa Quirino
Thiago da Silva Almeida
Cayo Iaslley Nunes de Lima
Fernanda de Jesus Barreto
Rui Ramos de Oliveira
16
O Governo Federal facilitou o crédito para aquisição e construção
de habitações através do lançamento de programas como o Minha
Casa, Minha Vida. Instituído pela Lei n. 11.977, de 7 de julho de 2009,
o PMCMV constitui, atualmente, o principal programa habitacional do
governo federal, cujo objetivo consiste na construção de moradias visando
à melhoria do sistema habitacional para a população de baixa e média
renda. O programa gerou um salto no mercado imobiliário, atraindo
empresas construtoras para a execução destes tipos de empreendimentos.
Até dezembro de 2018, foram contratados pela Caixa Econômica Federal
R$ 62,5 bilhões no Programa Minha Casa Minha Vida, o equivalente a
505.494 novas unidades habitacionais. Com base no exposto, percebe-se
a necessidade de aplicação de boas práticas construtivas, bem como uso
de técnicas projetuais adequadas para dimensionamento de sistemas de
tratamento individuais de efluentes.
OBJETIVO
O presente trabalho teve como objetivo avaliar os projetos e
execuções de casos práticos de soluções de saneamento individual, sistema
tanque séptico e sumidouro ou vala de infiltração, uma vez que a grande
maioria das habitações para financiamento através de programas federais
tem sido construída em áreas onde não há o total saneamento básico,
principalmente a ausência de esgotamento sanitário.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A) T ANQUES SÉPTICOS
De acordo com a ABNT -NBR 7229/1993, entende-se por tanque
séptico uma unidade cilíndrica ou prismática retangular , para tratamento
de esgotos por processos de sedimentação, flotação e digestão. O sistema
de tanques sépticos aplica-se primordialmente ao tratamento de esgoto
doméstico. O sistema deve preser var a qualidade das águas super ficiais e
subterrâneas. É vedado o encaminhamento ao tanque séptico de: a) águas
pluviais; b) despejos capazes de causar inter ferência negativa em qualquer
fase do processo de tratamento ou a elevação excessiva da vazão do esgoto
afluente, como os provenientes de piscinas e de lavagem de reser vatórios
17
de água. Os tanques sépticos devem obser var as seguintes distâncias
horizontais mínimas (computadas a par tir da face externa mais
próxima aos elementos considerados): a) 1,50 m de construções,
limites de terreno, sumidouros, valas de infiltração e ramal predial de
água; b) 3,0 m de ár vores e de qualquer ponto de rede pública de
abastecimento de água; c) 15,0 m de poços freáticos e de corpos de
água de qualquer natureza.
A Figura 1 mostra o conjunto fossa séptica e sumidouro.
Figura 1 – Ilustração de um sistema tanque séptico com sumidouro
Fonte: Adaptado de CAESB (2008)
O tanque séptico não remove bactérias do esgoto, ser ve
de separador do sólido do líquido e diminuição do volume de
sólidos. Exemplificando o funcionamento do tanque séptico, tem-se
o seguinte: os dejetos par tem da edificação, a par tir de uma caixa
de inspeção para o tanque séptico, que tem a finalidade de separar
os materiais sólidos e os líquidos. Numa zona superior concentram-
se os líquidos e ocorrem processos de sedimentação e de flotação
e digestão da escuma, tornando-os menos poluídos. No fundo há a
retenção do sólido e acúmulo e digestão do lodo sedimentado. Na
18
área intermediária, o efluente líquido é direcionado, por uma tubulação, ao
sumidouro (ou poço absor vente). Através da digestão o lodo e a escuma são
modificados por bactérias anaeróbias, provocando uma destruição total ou
parcial de organismos patogênicos, ocasionando uma redução de volume
dos sólidos, por transformar par te do sólido em líquidos e gases.
A Figura 2 mostra o funcionamento geral de um tanque séptico.
Figura 2 – Funcionamento geral de um tanque séptico
Fonte: ABNT -NBR 7229/1993
B) SUMIDOURO
T ambém conhecidos como poço absor vente, sumidouros são
escavações feitas no terreno para disposição final do efluente líquido do
tanque séptico, que se infiltram no solo pela área ver tical (parede não
impermeabilizada). De acordo com Leite (2006), para que o processo
biológico de purificação esteja completo e os riscos de contaminação
eliminados, é preciso que esses efluentes sejam infiltrados no solo.
Podem ser construídos com: tijolos, blocos, ou pedra ou ainda
por anéis pré-moldados de concreto, desde que sejam feitos furos na
parede lateral e deixado o fundo livre, preenchido com pedra britada nº
03 ou 04, para permitir a infiltração de água residual no solo. A laje da
cober ta deve ser de concreto armado, dotadas de aber tura de inspeção
com no mínimo 0,60 m na menor dimensão, com tampões hermeticamente
19
fechados. Segundo a ABNT -NBR 13.969/1997, por ser ver ticalizado, seu
uso é favorável somente nas áreas onde o aquífero é profundo, onde possa
garantir a distância mínima de 1,50 m (exceto areia) entre o seu fundo e o
nível máximo do aquífero.
A Figura 3 mostra o cor te esquemático de um sumidouro.
Figura 3 – Corte esquemático de um sumidouro
Fonte: ABNT -NBR 13.969/1997
C) V ALA DE INFIL TRAÇÃO
As valas de infiltração são sistemas construídos no solo, utilizando
tubos per furados em meio a uma camada de brita envolta por uma manta
geotêxtil para facilitar a dispersão do líquido, aumentar a superfície de
contato com o solo e evitar aterração do tubo de dispersão de efluente.
Geralmente as valas de infiltração são adotadas onde a altura do lençol
freático é um fator limitante, visto que, conforme mencionado anteriormente,
a norma técnica requer que a distância mínima entre o fundo da unidade de
infiltração e o nível máximo do lençol freático seja de 1,50 metros.
20
A Figura 4 mostra o esquema de valas de infiltração.
Figura 4 – Esquema de valas de infiltração.
Fonte: ABNT -NBR 13.969/1997
Outros fatores determinantes para o projeto das valas é a
permeabilidade do solo, que define a área necessária para infiltrar o volume
de efluente desejado. A manutenção da condição aeróbia e a alternância
de uso são impor tantes para que a vala de infiltração não entupa. Deste
modo a norma recomenda a instalação de ao menos duas valas distintas
com capacidade de infiltrar 100% do efluente, para que elas trabalhem
de maneira alternada, ou três valas com capacidade de infiltrar 50% do
efluente, assim evitando o entupimento do sistema.
METODOLOGIA
O estudo e resultados foram elaborados baseados em amostras de
casos práticos coletadas em visitas in loco e relatórios técnicos realizados
por profissionais vinculados a Caixa Econômica Federal, principal órgão
financiador do programa Minha Casa Minha Vida. A análise e verificação
dos dimensionamentos foram baseadas na ABNT NBR 7229 - “Projeto,
construção e operação de sistemas de tanques sépticos” e ABNT NBR
13969 - “T anques sépticos - Unidades de tratamento complementar e
disposição final dos efluentes líquidos - Projeto, construção e operação”. As
duas normas citadas ser viram de escopo e fundamentação para realização
21
dos resultados esperados. A seguir serão apresentados os casos práticos e
levantamento fotográfico das visitas técnicas executadas durante o período
do trabalho.
RESUL T ADOS E DISCUSSÕES
CASO 1
Imóvel localizado a Rua Projetada, 196, quadra 10, lote 08,
unidade 02, Loteamento Shallon, bairro V árzea Nova, na cidade de Santa
Rita/PB. O imóvel teve sua construção realizada no ano de 2014, com
habite-se datado de 16/10/2014, trata-se de uma casa de pavimento
único, geminada em uma das laterais, com dois quar tos, uma sala, cozinha,
um banheiro social, um banheiro privativo, circulação, terraço e área de
ser viço descober ta, área construída da unidade de 60,59m². Infraestrutura
do local dotada de água encanada, energia elétrica e iluminação pública
e pavimentação, ausência de esgoto sanitário. As figuras 5 a 10, mostram
alguns detalhes do Caso 1.
Figura 5 – Localização cartográfica do imóvel caso 1
Fonte: Google, 2019
22
Figura 6 – Fachada do imóvel caso 1
Fonte: Acer vo dos autores, 2016
Figura 7 – Rua da situação do imóvel caso 1
Fonte: Acer vo dos autores, 2016
23
O construtor solicitou a venda pelo programa Minha Casa Minha
Vida, através do financiamento da CEF . A edificação foi submetida à vistoria
realizada por técnicos contratados CEF , sendo a primeira ocorrida no mês
de junho de 2016. Conforme citado, a região onde se encontra localizado
o imóvel não possui rede de esgotamento sanitário e o construtor optou por
executar o sistema individual de fossa com sumidouro.
No laudo técnico emitido após a primeira vistoria foram apontados
diversos vícios que inviabilizavam o financiamento do imóvel. O tanque
séptico e o sumidouro encontravam-se em desacordo com a NBR 7229
e o sumidouro saturado (alagado). A tubulação que leva o material até
a fossa era uma tubulação simples, não possuía o T (tipo sifonamento)
indicado normativamente. O sumidouro apresentava-se com alagado nos
fundos, aparentando impermeabilidade e erro no dimensionamento, além
de tubulação sem a cur va.
Dessa forma, nesse momento, o imóvel teve a garantia negada
para o financiamento, porém o construtor escolheu recorrer e atender ao
pedido dos técnicos quanto à apresentação de projeto e dimensionamento.
Figura 8 – Fossa séptica sem sifonamento.
Fonte: Acer vo dos autores, 2016
24
Figura 9 – Sumidouro saturado.
Fonte: Acer vo dos autores, 2016
Figura 10 – Planta Baixa com locação do tanque Séptico e Sumidouro
Fonte: Acer vo dos autores, 2017
25
CASO 2
Imóvel localizado no município de Pitimbu/PB, quadra “QG”, lote
10-C, via de acesso 03, bairro Expansão Sul Senhor do Bonfim. O imóvel
foi construído no ano de 2017, tendo o habite-se datado de 06/04/2017,
trata-se de uma casa de pavimento único, geminada em uma das laterais,
com dois quar tos, uma sala, cozinha, um banheiro social, circulação,
terraço e área de ser viço descober ta, área construída da unidade de
62,35m². Infraestrutura do local dotada de água encanada, energia elétrica
e iluminação pública, ausência de esgoto sanitário. Calçamento na via de
acesso incompleto, ausência de meio-fio, linhas d’água e drenagem pluvial.
As figuras 11 a 18, mostram alguns detalhes do Caso 2.
Figura 11 – Fachada do imóvel Caso 4
Fonte: Acer vo dos autores, 2017
32
Dessa forma, as dimensões apresentadas no projeto e dimensionamento
(Largura = 1,00 m ; Profundidade = 1,20 m ; Comprimento = 2,00 m) aten-
dem as necessidades.
V erificação do sumidouro:
1º passo: Calcular a área da base do sumidouro (cilíndrico), com diâ-
metro de 1,50 m
Área da base = π.r² A (b) = 3,1415 x 0,75² A (b) = 1,76 m²
2º passo: Calcular a área da parede do sumidouro, com altura de 1,90
m
Área da parede = Circunferência x altura
Circunferência = 2 π.r = 2 x 3,1415 x 0,75 = 4,71 m ; A (p) = 4,71 x 1,90
A (p) = 8,95 m²
3º passo: Área total de absorção/infiltração
A = A (b) + A (p) A = 1,76 + 8,95A = 10,71 m²
4º passo: Área de absorção/infiltração, com coeficiente de infiltração
88,82 L/m².dia (apresentada no dimensionamento realizado pelo res-
ponsável técnico da execução:
A = V
Ci ; A = 800
88,82 ; A = 9,01 m²
V ê-se que a área de infiltração encontrada foi 10,71m² e precisa-
mos de 9,01 m² para o funcionamento do sumidouro, pode-se concluir que
a solução apresentada para o sumidouro está coerente com as necessidades
do sistema.
33
CASO 2
Casa de pavimento único, padrão baixo, com população de 5
pessoas, solução de tanque séptico com vala de infiltração e inter valo de
limpeza de 1 ano para o tanque séptico.
V erificação do tanque séptico:
1º passo: Número de contribuintes (N) igual a 5 habitantes
2º passo: Determinação das contribuições unitárias de esgoto (C) e de
Lodo Fresco (Lf)
Na tabela 1 da NBR 7229/1993, considerando o padrão baixo:
C = 100 litros/dia x pessoa; Lf = 1 litros/dia x pessoa
3º Passo: Determinar o volume de despejo (contribuição diária)
V(d) = N x C = 5 x 100 = 500 litros/dia
4º Passo: Determinação do período de detenção (T)
Para a determinação do período de detenção consulta-se a tabela
2 da NBR7229/1993. T omando 500 litros/dia como contribuição diária,
obtemos: T = 1,00 dias
5º Passo: Determinação da taxa de acumulação total de lodo (K), por
inter valo entre limpeza e temperatura de mês mais frio.
Admitindo um valor de temperatura média para o mês mais frio do ano,
compreendendo t>20, para o caso de Pitimbu – PB, e um inter valo en-
tre limpeza do tanque séptico a cada 1 ano, consulta-se a tabela 3 da
NBR7229/1993 e obtém-se: K = 57 dias
6º Passo: Cálculo do volume útil (V) do sumidouro
V = 1000+N (CT+KLf) ; V =1000+5(100x1,00+57x1) ;V=1785
litros ou V = 1,785 m³
7º Passo: Determinação das dimensões, conforme os dados da NBR
7229, até 6,0m³:
Prof. mínima = 1,20m e Prof. máxima = 2,20m
34
Admitindo-se um tanque séptico com base retangular (largura de
0,90 m) e profundidade útil de 1,20 m, o comprimento do tanque, para
supor tar o volume de 1,785m³.
V = Comprimento x Largura x Profundidade
Comprimento = V / L x P ; Comprimento = 1,785 / 0,90 x 1,20 ;
Comprimento = 1,785 / 1,08 ; Comprimento = 1,65 m
Encontramos as seguintes dimensões mínimas para tanque séptico:
Largura = 0,90 m ; Profundidade = 1,20 m ; Comprimento = 1,65
m
Dessa forma, as dimensões apresentadas no projeto (Largura = 0,90 m ;
Profundidade = 1,20 m ; Comprimento = 1,80 m) atendem as necessidades.
V erificação das valas de infiltração:
1º passo: Calcular a área necessária para as valas de infiltração,
com coeficiente de absorção 145,00 L/m².dia .
A = V / Ci ; A = 500 / 145; A = 3,45m²
2º passo: Calcular a área executada para as valas de infiltração
Área da base = largura x comprimento; A(b) = 2,53 x 0,70 A(b)
= 1,77 m²
Área da parede maior = base x altura (média)
A(P) = 2,53 x 0,65 A(P) = 1,6445 m² x 2 (lados) ; A(P) = 3,29 m²
Área da parede menor = base x altura (média)
A(p) = 0,70 x 0,65 ; A(p) = 1,455 m² x 2 (lados); A(p) = 0,91 m² ;Área
total = A(b) + A(P) + A(p) ;Área total = 1,77 + 3,29 + 0,91 ;Área total =
5,97 x 2 (número de valas) Área total = 11,94 m²;
Neste caso, verificou-se que as áreas das valas de infiltração
extrapolam a área necessária calculada a par tir do coeficiente de infiltração
35
apresentado no teste de absorção. Por tanto, o sistema se torna viável, apesar
de superdimensionado, uma vez que atende as necessidades, estando
dentro das exigências normativas e sem comprometer o meio ambiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no que foi pesquisado e discutido nesse trabalho,
algumas conclusões podem ser traçadas. É básico e já consolidado que,
toda e qualquer população necessita de ações para melhoria do saneamento
básico, assegurando, tanto à área urbana como rural, condições de
salubridade e ações de prevenção que inibam e impeçam a proliferação
de epidemias e a poluição dos sistemas naturais e o meio ambiente.
Por tanto, deve ser destacada a impor tância de políticas públicas e ações
individuais visando à consolidação do saneamento básico para a melhoria
da qualidade de vida e saúde pública da população.
Em paralelo, dada a for te demanda e a crescente ofer ta de
habitações, estimuladas pelos programas habitacionais do Governo
Federal, especialmente o Minha Casa Minha Vida, o mercado imobiliário
e seu aquecimento atraíram muitas empresas construtoras para a execução
destes tipos de empreendimentos. Destinados à população de baixa renda
e localizados em áreas, na maioria dos casos, sem o completo saneamento,
principalmente ausência de esgotamento sanitário. Na ânsia de atender à
necessidade, dentre as soluções para tratamento de esgoto individual, a
mais utilizada, porém verificada que com uma grande ocorrência de erros
de projeto e execução, foi a do sistema tanque séptico e sumidouro. Nesse
contexto, ressalta-se a necessidade de visitas in loco para a análise do solo,
verificação das normas para o correto dimensionamento dos sistemas e
execução em conformidade.
Conclui-se que, apesar do sistema de saneamento individual
apresentar pouca complexidade agregado a facilidade no dimensionamento
e clareza das normas técnicas, na maioria dos casos foram executados com
inconformidades. De toda forma, o sistema mostra-se robusto a tal ponto que
se as etapas foram seguidas corretamente, além de sucesso no funcionamento
do sistema, também se alcançará experiência e engrandecimento para a
formação dos profissionais envolvidos, qualidade de vida e salubridade
para a população, bem como preser vação do meio ambiente.
36
REFERÊNCIAS
ABNT , ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022:
Informação e documentação - Ar tigo em publicação periódica técnica e/ou
científica – Apresentação . Rio de Janeiro, 2018.
ABNT , ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023:
Informação e documentação - Referências - Elaboração . Rio de Janeiro,
2018.
ABNT , ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7229:
Projeto, constr ução e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de
Janeiro, 1993.
ABNT , ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520:
Informação e documentação - Citações em documentos - Apresentação. Rio
de Janeiro, 2002.
ABNT , ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13969:
T anques sépticos - Unidades de tratamento complementar e disposição final
dos efluentes líquidos - Projeto, constr ução e operação. Rio de Janeiro, 1997.
CBH-SM, COMITE DE BACIAS DA SERRA DA MANTIQUEIRA, Sumidouros
e V alas de infiltração. Projeto Permanente de Educação Ambiental – PPEA.
Disponível em http://www .comitesm.sp.gov .br/erapido/arquivos/midia/
db69ff4179ec8ac4a33331b49c757527.pdf Acesso em 01 de novembro
de 2018
CAESB, COMP ANHIA DE SANEAMENTO AMBIENT AL DO DISTRITO
FEDERAL, Orientações para instalação domiciliar do sistema de fossa e
sumidouro. Disponível em https://www .caesb.df.gov .br/images/arquivos_
pdf/fossaesumidouro3.pdf Acesso em: 07 de janeiro de 2019.
37
CAESB, COMP ANHIA DE SANEAMENTO AMBIENT AL DO DISTRITO
FEDERAL, Instr uções para instalação de fossa séptica e sumidouro em sua
casa: Sistema de Esgoto Domiciliar . Disponível em https://www .slideshare.
net/anadrika/fossa-septica-i-13 Acesso em: 15 de abril de 2019
FUNASA, FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, Manual de Saneamento. 3ª
ed. rev . Brasília: Fundação Nacional de Saúde, FUNASA. 2004.
IBGE, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E EST A TISTICA, Atlas do
Saneamento 2011 . Rio de Janeiro, 2011.
INSTITUTO TRA T A BRASIL. Manual do Saneamento Básico. São Paulo, 2012.
LEAL, UBIRA T AN. Depois da descarga. 46º ed. REVIST A TECHNE. Disponivel
em http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/46/ar tigo285166-1.
aspx. Acesso em 01 de novembro de 2018.
NUVOLARI, A. Esgoto Sanitário: coleta, transpor te, tratamento e reuso
agrícola. São Paulo, 2011
38
SITUAÇÃO DOS PLANOS DE SANEAMENTO BÁSICO DE
MUNÍCIPIOS LOCALIZADOS NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
DO LITORAL SUL DO EST ADO DA P ARAÍBA
W elerson Barboza de Lima 1
Julyana Kelly T avares de Araújo 2
Maria Adriana de Freitas Mágero Ribeiro 3
V anessa de Negreiros Medeiros Miranda 4
RESUMO
A ausência de saneamento básico é uma problemática que assola uma
grande par te da população em diversos munícipios dos estados brasileiros.
Por tanto, torna-se fundamental um planejamento devidamente bem elaborado
e adequado para sanar todos os problemas que são causados devido a essa
carência, além de garantir o desenvolvimento de maneira significativa de
um munícipio específico, pois está estritamente relacionado com medidas de
controle e distribuição dos recursos básicos visando principalmente oferecer
uma melhor qualidade de vida para a população. T endo em vista a falta
de informações sobre a situação do saneamento básico dos munícipios, o
presente trabalho tem como objetivo principal verificar a situação dos planos
de saneamento básico de 4 (quatro) munícipios: Alhandra, Caaporã, Conde
e Pitimbu tornando-os objetos de estudo da pesquisa, os quais fazem par te
da Bacia Hidrográfica do Litoral Sul da Paraíba. Através de questionários
formados por questões discursivas e objetivas que foram aplicados nas
prefeituras municipais, mais especificamente no setor responsável das
respectivas prefeituras, com a coleta de dados poderá se obter informações
sobre a situação dos PMSB e serem feitas suas devidas análises. As questões
aber tas serão analisadas por categorias de análise que correspondem
a 4 (quatro): Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), consórcio
1 Graduado em Engenharia Civil no Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
2 Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
E-mail: [email protected]
3 Doutora em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
E - ma i l : [email protected]
4 Mestre em Engenharia de Recursos Hídricos pela U n iv e r s id a d e F ed e r a l d a Pa r a í ba ( U FP B ) .
E-mail: [email protected]
39
intermunicipal, par ticipação popular e ser viços do saneamento básico
(abastecimento de água, manejo de resíduos sólidos, esgotamento sanitário
e drenagem urbana). O estudo seguiu os preceitos da resolução 466/12 do
CNS, que rege as pesquisas com seres humanos.
Palavras-chave: Saneamento básico. Munícipios. População. Planos.
Situação.
INTRODUÇÃO
Na maioria dos municípios brasileiros a realidade do saneamento
é demonstrada pela falta de planejamento satisfatório, de controle e
sistematização. Essa falha acaba resultando em sérios problemas para
a sociedade, como contaminação do ar , do solo, das águas super ficiais
e subterrâneas, ocasionando a formação de focos de contaminação de
doenças de veiculação hídrica e de vetores de transmissão de doenças,
acarretando sérios impactos na saúde pública (GAL V ÃO JUNIOR et al.,
2010).
Um bom plano de saneamento gera benefícios como: redução
de parasitas, acarretando no decréscimo do número de enfermidades
provocadas por elas, eficiência na coleta de lixo, diminuição de enchentes,
assim melhora consideravelmente a qualidade de vida da população, a
qual possui direito a uma infraestrutura primordial e eficaz.
A Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2017, estabelece as diretrizes
para o saneamento básico, tomando como base a elaboração do Plano
Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB). Os ser viços públicos de
saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios
fundamentais:
I - universalização do acesso;
II - integralidade, compreendida como o conjunto de todas as
atividades e componentes de cada um dos diversos ser viços de saneamento
básico, propiciando à população o acesso à conformidade de suas
necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados;
III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza
urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à
40
saúde pública e à proteção do meio ambiente, dentre outros princípios que
constam na lei;
A universalização do acesso consiste em propiciar as melhores
condições aos ser viços básicos à população em geral, buscando promover
a inclusão social. A integralidade se refere aos par ticulares de cada ser viço,
todos eles formando um conjunto que permitem garantir e viabilizar a
ofer ta dessas atividades, proporcionando parâmetros de bem-estar global,
assegurando a implantação do saneamento básico.
A responsabilidade de execução do planejamento de saneamento
básico corresponde ao órgão público, especificamente o Estado e solicitado
pelo município, que tem como obrigação o inteiro compromisso de determinar ,
auxiliar e fiscalizar as políticas e os programas a serem concluídos com
êxito. Desta forma, o saneamento básico é um fator fundamental, mas não
único, para a melhoria das condições de vida da população, devendo ser
incorporado a um modelo de desenvolvimento que contemple também as
questões sociais.
Devido à extrema impor tância dos planos nos ser viços sanitários,
este trabalho pretende avaliar a situação dos Planos Municipais de
Saneamento Básico de munícipios localizados nas Bacias Hidrográficas do
Litoral Sul do Estado da Paraíba, verificando a existência ou ausência dos
planos, identificando a situação atual e auxiliando no melhor planejamento
dos ser viços de saneamento básico dos munícipios que serão abordados.
METODOLOGIA
PROCEDIMENTOS P ARA A COLET A DE DADOS
O presente estudo trata-se de uma pesquisa de campo descritiva
de caráter exploratório, com abordagem qualitativa, caracteriza-se pela
apresentação da situação dos planos municipais de saneamento básico.
Os cenários da pesquisa serão realizados nas sedes das prefeituras dos
4 (quatro) munícipios: Alhandra, Caaporã, Conde e Pitimbu, os quais são
per tencentes à Bacia Hidrográfica do Litoral Sul do Estado da Paraíba.
Os par ticipantes responderão os questionários na sede da Prefeitura do
41
munícipio em questão e quando necessário, os pesquisadores irão contatá-
los nas secretárias das respectivas prefeituras. T rata-se de uma pesquisa em
que o par ticipante responderá individualmente, com horário pré-agendado,
em local privado livre de interrupções.
ANÁLISE DE DADOS
Foi necessária a realização de uma análise dos dados coletados
a par tir dos questionários, por meio de entrevistas semiestruturadas junto
aos indivíduos, com o intuito de coletar as informações e dados pela fala
dos autores.
De acordo com Barros e Lehfeld (2000) por meio de uma entrevista
semiestruturada é acer tado uma conversa amigável com o entrevistado,
sendo o melhor método de se obter dados significativos para uma pesquisa
qualitativa, buscando solucionar os pontos mais impor tantes do problema
em uma análise.
Os questionários foram elaborados pelo autor e abordam questões
sobre os planos municipais de saneamento básico, com 15 (quinze) questões
para os munícipios que possuem o plano ou 9 (nove) questões para os que
não possuem, também se referem ao per fil de cada entrevistado.
ANÁLISE DO CONTEÚDO
Nesta etapa é apresentado o método das análises dos casos
de estudo, de forma descritiva com o auxílio de tabelas. As respostas
dos entrevistados foram ordenadas de acordo com a classificação das
categorias de análise que estão descritas na T abela 1. As análises das
respostas dos colaboradores das respectivas prefeituras buscam auxiliar o
entendimento da situação dos planos municipais de saneamento básico em
cada município.
48
Quadro 1 - Situação dos planos de saneamento básico
Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB)
Alhandra
Em relação à existência do Plano Municipal de Saneamento Básico do município de
Alhandra, não há. A implantação não aconteceu até os dias atuais, o principal motivo é a
ausência de uma equipe especializada, só que, no prazo de 60 dias, iria ser implantado um
código ambiental, pela possível secretaria de meio ambiente, que inclui a criação do PMSB
do município, mas ainda não foi iniciado, pois a secretaria nunca existiu.
Caaporã
O município de Caaporã não possui o plano de saneamento básico por falta de recursos
financeiros. O dinheiro que iria ser utilizado para a elaboração e implantação do PMSB
foi investido em escolas que estavam sem condições alguma de funcionar . Os telhados se
encontravam em situação precária, e foi colocada uma rede elétrica nova que atendesse
os equipamentos. O prefeito teve que escolher entre investir na educação e saúde, que são
fatores primordiais, ou implantar o PMSB.
Conde
O plano de saneamento básico de Conde já foi elaborado, mas não está em execução
ainda. P motivo é porque precisa ser criada a Lei municipal, onde não se encontrou a minuta
do projeto de Lei feita pelo governo do estado. O PMSB foi elaborado pela SEIRHMACT
(Secretaria de Estado de Infraestrutura de Recursos Hídricos de Meio Ambiente e da Ciência
T ecnologia). A elaboração do plano durou 10 meses. O PMSB é do próprio município, mas
de autoria do governo do estado. O PMSB não virou lei por falta da minuta da lei.
Pitimbu
Em execução. O que levou a implementar? A preocupação com o meio ambiente, a
preocupação com o desenvolvimento sustentável, o cuidado com a saúde pública, por causa
dos esgotos a céu aberto, que levou o município a implementar o plano, o qual foi trabalhado
durante um ano, sendo debatido com todos os setores da sociedade, constituindo um plano
bastante participativo. O PMSB foi elaborado por titulares do município e apoio técnico de
empresas, pela sociedade civil organizada sendo assessorada pelo pessoal da Secretaria de
Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Ciência de T ecnologia do Estado.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019)
CA TEGORIAS DE ANÁLISE
Esta seção foi organizada do seguinte modo, as categorias de
análise são descritas referente a cada município na seguinte ordem: consórcio
intermunicipal (Quadro 2), par ticipação popular (Quadro 3) e ser viços do
saneamento básico (abastecimento de água, manejo de resíduos sólidos,
esgotamento sanitário e drenagem urbana), conforme exibido no Quadro 4.
49
Quadro 2 - Explanação sobre a existência ou não do consórcio intermunicipal
Consórcio Intermunicipal
Alhandra
Houve três tentativas para a realização do consórcio intermunicipal com municípios vizinhos
(Alhandra, Caaporã e Pitimbu), para a construção de uma estação de tratamento de resíduos
sólidos, o consórcio estava em andamento, só que não foi possível, o investidor barrou o
acerto por questões políticas, já que os representantes de cada munícipio envolvido exigiam
que a estação estivesse localizada nos locais de interesse.
Caaporã
Não existe um consórcio intermunicipal. Cada município como Alhandra e Caaporã
alugaram áreas separadamente para a disposição de resíduos sólidos. O custo é alto
apenas para Caaporã executar a construção de um aterro sanitário para a disposição.
Porém, se juntassem Alhandra, Caaporã e Pitimbu, as três forças dariam para construir um
aterro sanitário descente.
Conde O município faz parte do consórcio metropolitano, que é exatamente no lixão do Roger , no
balneário rabo do pavão, para a destinação dos resíduos sólidos. Os municípios que fazem
parte do consórcio são: Conde, João Pessoa, Bayeux, Santa Rita e Cabedelo.
Pitimbu
Já teve reuniões com o prefeito de Alhandra, Caaporã e Pitimbu, para ver a necessidade
de se construir o aterro sanitário, como seria construído e onde. Na última reunião, estava
sendo analisada a questão de uma área para a construção. Existe muita cobrança,pelo
ministério público e pela comarca de Caaporã, em questão da correta destinação dos
resíduos sólidos.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019)
Quadro 3 - Descrição da participação popular referente a cada munícipio
Par ticipação Popular
Alhandra
A partir da criação de um código ambiental, que irá iniciar o processo de implantação do
PMSB, então a população terá participação direta em sua elaboração e direito de opinar
sobre outros ser viços que compõem o saneamento básico e fiscalizar o fornecimento que irão
satisfazer as necessidades de todos.
Caaporã A população busca melhorias sim, cobram finalização de obras que vão trazer melhorias na
vida de todas as pessoas, diminuindo as doenças, mosquitos dentre outras.
Conde
Como o PMSB foi elaborado, mas não está em execução, quando criar a lei é que vai para
a câmara por isso é preciso encontrar a minuta, com isso vamos fazer as consultas públicas e
será criado conselho municipal. Os membros que participaram dessas consultas públicas são:
secretaria de meio ambiente, secretaria de planejamento, secretaria de infraestrutura, câmara
municipal e representação popular .
Pitimbu
Para as consulta públicas tivemos 4 (quatro) grandes encontros em cada comunidade para
discutir o plano e 1 (uma) audiência pública no final para a aprovação, onde participaram o
poder público municipal, os técnicos municipais, técnicos estaduais, sociedade civil organizada
e a empresa que foi contratada para elaborar o plano. Em termo de número de pessoas, cada
reunião tinha numa faixa de umas 30 pessoas (participação da população).
Fonte: Elaborado pelo autor (2019)
50
Quadro 4 - Situação dos ser viços do saneamento básico
Ser viços do Saneamento Básico
SAA SES DU RS
Alhandra
Como não há uma
secretaria, responsável
pelo saneamento,
nas zonas urbanas
e Mata Redonda, o
abastecimento de água
é responsabilidade da
CAGEP A, ao receber
à concessão se torna
seu dever captar ,
tratar , distribuir para as
residências.
Em relação ao
esgotamento
sanitário, o município
tem uma estação de
tratamento e casa
de bombeamento
(estação elevatória de
esgoto), localizado no
bairro de Salgadinho,
é responsabilidade
da CAGEP A, sendo
seu dever coletar
o esgoto, tratar e
por fim, destinar
corretamente, mas
ainda não está em
funcionamento.
Devido à
localização
geográfica,
o município
apresenta
problemas com
drenagem urbana,
portanto para
cada situação há
um tratamento
diferente, é
realizada
de maneira
gravitacional,
pois o munícipio
apresenta alguns
pontos mais altos.
O manejo dos
resíduos sólidos
do município é
coordenado pela
Secretária de Ser viços
Urbanos, ele é
feito por coleta e
descartado em lixão,
situado em Caaporã.
Para a coleta, o
munícipio possui um
coletor de uso geral
(resíduos domésticos)
e quatro caminhões
(resíduos maiores).
Caaporã
Atualmente o
responsável pelo
abastecimento de
água é a CAGEP A
(Companhia de Água
e Esgoto da Paraíba).
No caso os moradores
fazem os cadastros,
a empresa instala os
hidrômetros e cobram
pela taxa de água que
é consumida, onde a
população é atendida
para satisfazer suas
necessidades.
O esgotamento
sanitário ainda está
em fase de conclusão.
Por enquanto os
moradores usam
fossas sépticas para
os dejetos. As águas
ser vidas, como
por exemplo, água
de pias e banhos,
lavagem de roupas e
águas pluviais correm
a céu aberto, pelos
canteiros das ruas.
A drenagem é
feita do seguinte
modo: as águas
escoam por
gravidade, seguem
em alguns trechos
por tubulações de
cimento e outras
em valas abertas e
desaguam em uma
área de várzeas
que seguem com
destino a maré.
Quem se
responsabiliza pelo
manejo dos resíduos
sólidos do município
é a secretaria de
infraestrutura. T emos
quatro caminhões,
a coleta é feita por
três caminhões com
carrocerias abertas.
Onde tem uma
pessoa no município
que é contratada
onde acompanha o
pessoal da coleta.
51
Conde
O responsável pelo
abastecimento de
água no município
é a CAGEP A, é feito
através de adutoras
e poços artesianos.
É uma concessão
pública. Não, nem toda
população tem acesso
ao abastecimento. As
pessoas que não têm
acesso, o munícipio tem
poços artesianos que
atendem, agora com
falhas na quantidade
de acesso, porque tem
poucas horas por dia.
A CAGEP A é a
responsável pelo
esgoto do município.
Só que não existe
esgotamento sanitário
e os lotes têm fossas
sépticas para dejetos
dos resíduos.
Existe drenagem
em poucos setores
no município, em
Jacumã existe
a drenagem,
principalmente
na orla onde
está sendo feita
e aqui no centro
do município é
tudo drenagem
superficial.
A Secretaria de
Meio Ambiente que
fica responsável
pelo manejo dos
resíduos sólidos.
É feito por coleta,
com compactadores
e depósito de lixo
no aterro sanitário
metropolitano, sendo
um consórcio entre
municípios.
Pitimbu
T emos dois órgãos
que são responsáveis
pelo abastecimento de
água no município,
a CAGEP A (na sede
do município) e a
SAAE (nos distritos de
Acaú, Camucim). T odo
município é atendido
por água encanada.
Na zona rural nos
assentamentos que
são poços com caixa
d’água.
O município não
tem esgotamento
sanitário. T udo
aqui é feito com
fossas sépticas.
Está no plano como
meta a adequação
necessária para esse
sistema.
Não tem a
drenagem
urbana. A própria
natureza com a
declividade no
municio já ajuda
no escoamento
das águas
pluviais, onde é
feita de forma
gravitacional.
Quem fica
responsável pelo
manejo de resíduos
é a secretaria de
obras e secretaria
de ser viços
urbanos. A coleta
é feita através de
caminhões coletores/
compactadores. A
disposição final como
falei, infelizmente
é no lixão,
inadequadamente.
T emos a meta
no plano com a
construção do
aterro sanitário
através do consorcio
intermunicipal
Fonte: Elaborado pelo autor (2019)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sobre os resultados apresentados, é notório que há uma
carência de um Plano de Saneamento Básico na maioria dos munícipios
contemplados nessa pesquisa. Foi obser vado que existe um enorme
descaso e despreocupação com o atendimento das diretrizes dos PMSB que
deveriam proporcionar uma melhor qualidade de vida a população, através
da ofer ta adequada dos ser viços que compõem o saneamento, sendo
possível verificar informações relevantes sobre esses ser viços, e um déficit
em seu fornecimento para a população. Foi constatada que a inexistência
52
do PMSB é devida principalmente à falta de recursos financeiros, equipe
especializada, e de informações necessárias pelos respectivos responsáveis
de cada munícipio.
Dentre os municípios estudados, destacam-se Pitimbu e Conde
sendo os únicos que apresentam o PMSB, vale ressaltar que os mesmos estão
bem elaborados, e em vigência apenas o de Pitimbu. T odos buscam como
alternativa um consórcio intermunicipal, com o intuito de unir forças, para
satisfazer os interesses em comum e assim propiciar benefícios coletivos a
comunidade, além do cumprimento de metas para o desenvolvimento das
regiões.
É necessário que os munícipios que não possuem o plano,
priorizem a sua implantação e posteriormente execução, de acordo com as
dificuldades encontradas pela população, é relevante a par ticipação popular
para que os responsáveis identifiquem os problemas existentes. Por tanto, é
recomendado aos órgãos estaduais uma maior assistência aos munícipios,
além do governo federal apoio técnico e financeiro auxiliando na avaliação
do conteúdo mínimo que o plano deve apresentar para atender as nor mas.
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sólidos: classificação. Rio de Janeiro: ABNT , 2004.
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Manual de Hidráulica 8ª Edição Ed. Edgar Blucher Ltda. São Paulo, 1998.
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ufsc.br/bitstream/handle/123456789/166766/TCC - Thiago Ferreira da
SIlva V ersão.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 25 mar . 2018.
55
ENERGIA SOLAR FOTOVOL T AICA: UMA
ESTRA TÉGIA SUSTENT Á VEL NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Sérgio Thales Amaro Alves 1
Dr yelle T uanne de Souza 2
Antônio da Silva Sobrinho Júnior 3
RESUMO
O ramo da construção civil mostra-se como um dos grandes causadores
de danos ao meio ambiente, aonde vêm fomentando diversas discussões
e reflexões da sociedade e do poder público, devido à crescente
necessidade por confor to, eficiência e praticidade, os quais estão atrelados
à utilização de novas tecnologias na execução e uso de obras, fazendo
com que o consumo de energia elétrica torne-se cada vez mais elevado.
Este assunto enfatiza a premência da efetivação de ações que busquem
reduzir impactos antrópicos que agridem a natureza e, consequentemente,
suprimem o desenvolvimento econômico. Atualmente, o uso de fontes limpas
e renováveis para geração de energia é uma temática com grande destaque
e crescimento em todo o mundo, sendo discutidas suas ações econômicas
e sustentáveis. A energia solar fotovoltaica, proveniente do sol, visando à
sustentabilidade e redução de custo, hoje é cada vez mais utilizada no setor
das construções, apresentando-se como uma alternativa viável na indústria
do setor no Brasil e no mundo.
Palavras-chave: Construção civil. Energias limpas e renováveis.
Sustentabilidade. Energia solar fotovoltaica.
1 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
2 Graduanda em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: dr [email protected]
3 Engenheiro Civil e Doutor . Professor Adjunto do Depar tamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB.
Professor do Curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
56
INTRODUÇÃO
Analisando o atual cenário mundial quanto à questão de produção
de energia elétrica, é notório que o desenvolvimento das grandes potências
mundiais, e até mesmo dos países emergentes, vem gerando uma demanda
cada vez maior de energia, isso devido ao crescimento desenfreado da
população e, consequentemente, à expansão no mercado da construção
civil, e ao avanço da tecnologia em uso no dia a dia da população.
Essa discussão já vem sendo analisada por décadas, onde
pesquisadores buscam por alternativas de geração elétrica que atendam
nos quesitos econômicos e socioambientais, comumente renomadas por
fontes renováveis de energia. Uma das soluções e mais debatidas ao longo
do tempo foi a implantação de sistemas solares fotovoltaicos conectados à
rede de distribuição local por meio do uso de painéis solares.
A implantação de energia solar fotovoltaica é um tipo de solução
que atende não só à questão de produção elétrica, como também pode ser
utilizada na valorização de imóveis já construídos ou em fase de execução,
dando uma conduta sustentável nas construções. Isso se dá pelo fato de que
a construção civil é o setor que consome uma grande quantidade de energia
elétrica, seja ela em sua fase de construção e/ou reformas de edificações,
como também nas obras já entregues aos proprietários devido ao uso dos
mesmos. Visando isso, o mercado da construção civil vem se remodelando
e se ajustando às novas exigências dos clientes, buscando se tornar cada
vez mais sustentável a fim de gerar uma maior confiança aos investidores.
Esse tipo de sistema após passar pelo processo de análise e
projeto é facilmente executado em edificações de pequeno, médio e até
grande por te, como casas, prédio e fábricas por exemplo. Essa facilidade
se dá pelo fato de que o local escolhido, na maioria dos casos, para serem
instalados é o telhado das estruturas, um local onde não há qualquer tipo de
trânsito, seja de pessoas ou maquinário, ou seja, não há perda de espaço
na área útil da edificação. Apenas algumas exceções, quando a área do
telhado não é suficiente ou possui um nível de sombreamento maior do
que o esperado, é que outros espaços ou pontos são utilizados para o
assentamento dos painéis.
57
O Brasil possui um grande potencial no que diz respeito à geração
de energia elétrica a par tir de fonte solar , e isso se dá devido à privilegiada
localização geográfica em que se encontra o território brasileiro.
O Brasil é um dos países que recebe a maior taxa de
insolação do mundo, chegando a incríveis 3.000 horas
de irradiação solar por ano. O lugar mais ensolarado
da Alemanha — que, durante anos, foi líder na
geração de energia solar mundial — recebe cerca de
35% menos irradiação solar do que a região brasileira
menos iluminada. Esse número demonstra um grande
potencial para a geração de energia solar no Brasil.
(Enel, 2016, p. 6)
Esse dado ainda se encontra presente pelo fato da falta de
investimento público e pela burocracia imposta para implantação desse
sistema, como afirma Nascimento (2017), “embora o Brasil possua uma
das matrizes mais renováveis do mundo, com aproximadamente 75% de
fontes renováveis na ofer ta de energia elétrica, alcançar as metas firmadas
se constitui grande desafio”.
O presente ar tigo irá abordar o modo como a construção civil
vem se adaptando e se desenvolvendo no mercado internacional com a
implementação da energia solar fotovoltaica e o modo como ela vem se
expandindo em grande escala por meio dos seus tipos de conexão que são
on-grid , off-grid e híbrido na construção civil.
METODOLOGIA
A presente pesquisa proposta foi realizada diante análise da
atual situação de mercado da tecnologia fotovoltaica e o debate do tema
foi baseado em materiais bibliográficos, publicações atuais nacionais e
internacionais, trabalhos acadêmicos e sites disponibilizados. O trabalho
discorre na caracterização do sistema fotovoltaico, sobre os benefícios
64
Globalmente, a indústria solar fotovoltaica teve outro
crescimento no ano, com instalações recordes de 94
gigawatts (GW) em 2017, acima dos 73 GW em
2016, e criação de novos emprego. China, Índia,
Estados Unidos e Japão eram os mercados mais
impor tantes, seguidos pela T urquia, Alemanha,
Austrália e República da Coreia (IRENA, 2018b). O
emprego aumentou 8,7% e se aproxima dos 3,37
milhões de empregos em 2017. (T raduzido, Irena
2018, p. 7)
Figura 2 – Emprego de energia renovável por tecnologia
Fonte: Renewable Energy and Jobs – Annual Review , IRENA, 2018.
A figura 2 acima apresenta a quantidade de empregos gerados
pela utilização dessa tecnologia em comparação com outras fontes de
energia no ano de 2017.
65
EQUIP AMENTOS UTILIZADOS PELO SISTEMA
Painel Fotovoltaico
T endo como peça chave para o funcionamento do sistema as
placas solares, ou módulos fotovoltaicos, são os grandes responsáveis pela
captação e transformação da luz solar em energia elétrica propriamente
dita.
São dispositivos que conver tem a energia luminosa
diretamente em energia elétrica em corrente contínua
(CC), os quais, quando expostos à radiação solar
funcionam como geradores de energia elétrica. São
normalmente produzidos a par tir de Silício (material
semicondutor), o mesmo material utilizado nos “chips”
de computador , com base em tecnologia semelhante à
utilizada na indústria eletrônica. (CRESESB, 2012)
Material de fixação
O material necessário para fixação das placas varia de acordo
com o local onde serão fixadas e a inclinação desejada para maximizar a
captação solar .
Inversor
Esse equipamento tem como função principal no sistema conver ter
a energia em corrente contínua (CC), que é gerada pelos painéis solares, em
corrente alternada (CA) a qual é utilizada para alimentar o sistema elétrico
da edificação. Outras finalidades desempenhadas pelo equipamento são a
medição e controle da quantidade de energia produzida através das placas
solares, as quais são necessárias para garantir a segurança e verificar a
eficiência do sistema. Atualmente existem dois tipos comerciais de inversores,
66
denominados Micro-Inversores e os Inversores convencionais. As principais
diferenças entre eles são: o local de instalação, o método de manutenção,
a quantidade de placas atendidas pelos mesmos e a quantidade de energia
gerada. As Figuras 3 e 4 retratam como se dá a geração de energia de
acordo com o tipo de inversores adotados em projeto.
Figura 3: Geração controlada por micro-inversores
Fonte: Portal Solar , 2019
Figura 4: Geração controlada por inversores convencionais
Fonte: Portal Solar , 2019
Ao analisar as imagens, fica comprovado que o micro-inversor
trabalha de forma individual e a geração máxima independe de algum
dano sofrido por alguma placa. No entanto, os inversores convencionais
trabalham com placas ligadas em série e se caso alguma sofrer algum dano,
a geração será comprometida. A escolha do tipo desse equipamento se
dá pelo custo final e pela forma como serão executadas as manutenções
futuras.
67
Medidor
Esse equipamento é responsável pela medição de energia gerada
e/ou recebida pela concessionária, isso irá depender do tipo de sistema
utilizado. Existem três tipos: um do tipo unidirecional que faz a medição que
quanto de energia foi produzido pelo sistema, outro também unidirecional
que mede o quanto foi consumido da concessionária (quando se tem um
sistema ligado à rede elétrica local, podendo ser um híbrido ou On grid ) e
por fim o mais utilizado, o bidirecional, usado em sistemas híbridos e On
grid .
O medidor é responsável por medir continuamente o
consumo de energia elétrica. Para uma instalação solar ,
é necessária a troca do medidor para um modelo com
leitura bidirecional, pois quando o sistema de energia
solar produz mais energia do que você precisa, o
ponteiro literalmente gira para trás. Só assim é possível
garantir a compensação dos créditos na conta de
energia. (ENEL X, 2018)
String Box
Visando a segurança do sistema como um todo existe um
dispositivo chamado String Box que permite o isolamento do sistema
fotovoltaico mantendo protegido o sistema do tipo On Grid de problemas
na rede, como cur tos-circuitos ou sur tos elétricos. Sua disposição se dá em
duas par tes, uma responsável pela par te da Corrente Contínua (CC) que
fica entre o inversor e os módulos solares, e a outra fica responsável pela
proteção do lado da Corrente Alternada (CA) que fica entre o inversor e a
alimentação que vem da rede. Sua composição para o lado CC é constituída
por: Fusível, DPS CC, Chave CC, DPS CA e Disjuntor . Já para o lado CA ele
é formado apenas por DPS CA e Disjuntor .
68
Ela deve ser conectada ao inversor de frequência
e ao quadro de proteção da rede elétrica. Quando
conectado ao lado CC (corrente contínua), ele
protege a instalação e as placas solares contra
descargas elétricas. Quando os dispositivos de
segurança estão presentes na conexão com o lado
CA (corrente alternada), ele realiza a proteção da
instalação contra descargas atmosféricas. (Enel,
2016, p. 17)
Controladores de carga
Nos sistemas do tipo off-grid (possuem banco de baterias
estacionárias), faz-se necessária a utilização de um controlador de carga
para evitar possíveis danos à vida útil das baterias. Esses aparelhos são os
responsáveis por controlarem a quantidade de carga de entrada e saída
com que se deseja trabalhar trabalhada.
Os controladores de carga ou carregadores ficam entre
os painéis e as baterias e são utilizados para controlar
a voltagem de entrada nelas, evitando sobrecargas
ou descargas excessivas, otimizando e prolongando
a sua vida útil. Os painéis produzem mais ou menos
energia de acordo com a quantidade de luz solar e as
baterias não supor tam esta variação. Para resolver este
problema e também para aper feiçoar o carregamento
das baterias, se utilizam os controladores de carga.
(NEOSOLAR, 2018)
69
Banco de baterias
Essa opção, pouco adotada em relação ao total instalado no
Brasil e no mundo, é usada para sistemas Off Grid e Híbrido. Sua função é
justamente o armazenamento de energia produzida durante o dia para ser
consumida durante a noite. A capacidade máxima de armazenamento e o
seu tempo útil de vida irão depender do tipo de bateria, da quantidade da
mesma e do quanto de consumo estão programados para serem utilizados
ao longo do período de funcionamento. Sua pouca utilização se dá devido
ao custo desse tipo de sistema em grande escala, mas ele é mais usado para
pontos distintos de iluminação, como por exemplo, em postes. Um exemplo
disso pode ser verificado na figura 5 abaixo, onde todo o processo de
instalação de um poste solar , que utiliza uma placa fotovoltaica, um inversor ,
um controlador de carga e duas baterias estacionárias, é executado em uma
instituição privada de ensino superior .
Figura 5: Processo de instalação de poste solar no Centro Universitário de João Pessoa
Fonte: Acer vo próprio, 2018.
70
INCENTIVOS E OBST ÁCULOS DA ENERGIA SOLAR FOTOVOL T AICA NO BRASIL
A predominância das hidroelétricas e termoelétricas como fontes
principais de produção de energia para o país vem custando caro para a
população devido às cargas tributárias impostas sobre elas. Esse custo só
aumenta nas épocas de estiagem e baixa nos níveis úteis dos reser vatórios,
o que obriga o acionamento das termoelétricas, uma das fontes mais
poluidoras, caras e ineficientes disponíveis. No entanto, a sua permanência
só se dá devido ao alto valor arrecadado pelo poder público ao longo do
ano.
Visando algumas alternativas viáveis para a distribuição de
energia limpa e barata para a população, alguns programas de incentivo
foram criados, como o Luz Para T odos e o Programa de Desenvolvimento
Energético de Estados e Municípios (PRODEEM).
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e
Eletrônica (ABINEE, 2012):
O Programa de Desenvolvimento Energético de Estados
e Municípios (PRODEEM), criado em 1994, promoveu
a aquisição de sistemas fotovoltaicos por meio de
licitações internacionais. Foi instalado o equivalente
a 5 MWp em aproximadamente 7.000 comunidades
em todo Brasil. O PRODEEM foi incorporado ao
Programa Luz para T odos com o intuito de atender
localidades remotas, para as quais a extensão da rede
de distribuição traz custos proibitivos.
Outra medida adotada foi à criação do projeto de lei do senado n°
317, de 2013, o qual justifica a cobrança de imposto em cima da impor tação
os equipamentos e componentes de geração elétrica fotovoltaica.
Segundo o autor desse projeto, Senador Ataídes Oliveira (PSDB/
TO, 2014):
Isenta do Imposto sobre a Impor tação os
equipamentos e componentes de geração elétrica
de fonte solar; estabelece que a isenção cessará
quando houver ofer ta do bem produzido no Brasil
em condições similares às do impor tado quanto
71
ao padrão de qualidade, conteúdo técnico, preço
e capacidade produtiva; dispõe que a lei entra
em vigor na data de sua publicação e produzirá
efeitos a par tir do primeiro dia do exercício
financeiro seguinte ao de sua publicação.
IMPLEMENT AÇÃO DE SISTEMA FOTOVOL T AICO EM EDIFICAÇÕES JÁ EXISTENTES
Apesar do avanço dessa tecnologia e do seu barateamento, o seu
custo inicial para implantação continua sendo alto e inacessível para muitos.
Por outro lado, algumas pessoas encontram dificuldades não para obtê-la,
mas sim onde instalá-la, pois alguns clientes não possuem área suficiente em
suas residências para receber os módulos solares ou, em alguns casos, são
residentes de condomínios ver ticais, o que dificulta ainda mais a situação.
Com base nesses dados, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética, 2014)
realizou um estudo analisando o potencial energético que o país possui de
acordo com as condições para instalação que as unidades consumidoras
(UC) apresentam, onde ao fim do estudo foi apresentado um gráfico com
resultados no horizonte até 2023.
Figura 6: Evolução do mercado de sistemas fotovoltaicos distribuídos no Brasil
Fonte: EPE, 2014.
72
Existe um protótipo de pontos de recarga para aparelhos
eletrônicos ao ar livre podendo atender a computadores e celulares por
exemplo. Sua utilização foi pensada para locais onde não passam linhas de
energia para atender a população, como praças públicas e de condomínios
fechados, áreas de lazer a céu aber to entre outros. Sua modelação foi
projetada para atender entre 5 e 7 aparelhos eletrônicos de cada vez. No
entanto isso é bastante variável de acordo com o número de placas que se
deseja utilizar e o tamanho de sua base. A Figura 7 apresenta um modelo
denominado de ecopoint instalado no Centro Universitário de João Pessoa –
Unipê no ano de 2018, o qual possui apenas uma placa solar e capacidade
para atender até 5 aparelhos eletrônicos por vez, sendo um computador e
quatro celulares ou tablets.
Figura 7: Protótipo de ECOPOINT
Fonte: Acer vo próprio, 2018.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme as informações expostas acima, tor na-se fácil constatar
os diversos benefícios, ambientais e econômicos, que as constantes inovações
no setor de energia solar fotovoltaica brasileiro proporcionam. Afinal, além
de permitir uma redução considerável no uso de usinas termelétricas à
73
base de combustíveis fósseis, as quais são responsáveis pela emissão de
gases poluentes, por exemplo, também ajuda no abastecimento durante os
tempos de estiagem, quando os níveis dos reser vatórios das hidrelétricas
estão reduzidos comprometendo assim a sua eficiência e elevando o custo
do quilowatt produzido. Graças ao devido reconhecimento dos grandes
empresários e pesquisadores da área, essa fonte de energia limpa, em
conjunto com as demais fontes renováveis, em especial a eólica, vem
ganhando destaque dentro da matriz energética nacional. No entanto, é
impor tante ressaltar que as políticas setoriais devem buscar um meio para
proporcionar um crescimento mais acelerado para produção de energia
solar fotovoltaica, visando utilizar ao máximo a capacidade que o país pode
chegar a produzir futuramente. Essas políticas devem ser vir como apoio para
a realização de novos estudos e pesquisas, a fim de se continuar buscando
o desenvolvimento e aprimoramento de novas tecnologias fotovoltaicas,
regradas por padrões de qualidade elevados e que estimulem a competição
no intuito de gerar um barateamento do custo da energia produzida no país.
REFERÊNCIAS
ABINEE. Propostas para Inserção da Energia Solar Fotovoltaica na Matriz
Elétrica Brasileira . [ S. l. ]: Grupo Setorial de Sistemas Fotovoltaicos da
ABINEE, 2012. Disponível em: http://www .abinee.org.br/infor mac/
arquivos/profotov .pdf. Acesso em: 11 set. 2018.
ANEEL. Geração Distribuída . Brasília, DF , 8 ago. 2018. Disponível em:
http://www2.aneel.gov .br/area.cfm?idArea=757&idPerfil=2. Acesso em:
8 nov . 2018.
ANEEL. REN - RESOLUÇÃO NORMA TIV A 482/2012 . Brasília, DF , 14 dez.
2016. Disponível em: http://biblioteca.aneel.gov .br/asp/textos_main.
asp?codigo=126935&desc=ti&ser vidor=1&iBanner=&iIdioma=0. Acesso
em: 23 out. 2018.
80
recebe destaque por sediar todos os anos a romaria de nossa senhora da
penha, o que movimenta o comercio do bairro da Penha.
As praia do Bessa, localizada no bairro de mesmo nome tem uma
extensão de 6 km, e está dividida em três setores da região: Bessa 1 que tem
como fator turísticos as desovas das tar tarugas. A situada no Bessa 2 tem
como ponto turísticos a formação de pequenas piscinas naturais para banho
(SUDEMA, 2019). A terceira, popularmente conhecida como Caribessa está
localizada próximo a praia do Manaíra, e chama atenção por sua pequena
infraestrutura, e águas transparentes em algumas épocas do ano.
A praia de Jacarapé destaque das praias da capital por esta
distante de João Pessoa em relação as outras praias, logo famílias que
buscam tranquilidade vão à sua procura, além de ter uma mata nativa bem
conser vada e preser vada ao seu redor e também atletas de espor tes náuticos
acham ela propicia para treinar o espor tes para competições.
Localizada no litoral Sul do Estado, entre os municípios de João
Pessoa e Conde, a praia Barra de Gramame, destacando-se por apresentar
vegetação nativa além manguezal, em uma área de beleza cênica (MMA,
2008).
Figura 1: Mapa de localização do Município de João Pessoa
Fonte: Elaboração Própria.
81
Figura 2: Praia do Bessa Figura 3: Praia do Manaíra
Foto: Cacio Murilo/Fonte: Férias Brasil
(Acesso em 17.mar .2019) Foto: reprodução / Google Street View . Por tal
correio (acesso em 16.mar .2019)
Figura 4: Praia do Cabo Branco Figura 5: Praia de T ambaú
Foto: W alter Paparazzo/ fonte: G1 Paraíba
(acesso em 18 mar . 2019) Foto: Juliana Santos/ Secom-JP/ fonte: G1 Paraíba
(acesso em 15 mar . 2019)
Figura 6: Praia do Seixas Figura 7: Praia da Penha
Foto: Ricardo Freire/fonte: viaje na viagem (acesso
em 14 mar . 2019) Foto: Deyse K./fonte: foursquare (acesso em 15
mar . 2019)
82
Figura 8: Praia de Jacarapé Figura 9: Barra de Gramame
Foto: redação G1 Paraíba/fonte: G1 Paraíba
(acesso em 16 mar . 2019) Foto: anônimo/fonte: Paraíba Criativa (acesso em
18 mar . 2019)
MA TERIAIS
Para a execução deste trabalho foram utilizados os relatórios
semanais disponibilizados na internet gratuitamente pela Superintendência
de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA), nos meses de junho a
dezembro do ano de 2018. Na elaboração dos mapas foram utilizados
os arquivos shapefile referentes aos estados do Brasil e aos municípios
do estado da Paraíba que foram obtidos no site do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatistica (IBGE). O arquivo, referente aos bairros do Município
de João Pessoa, foram obtidos no site do Jampa em mapas per tencente a
prefeitura do município.
Para o processamento desses dados, foi utilizado o software livre
QGIS na versão 2.14.4 e, na organização dos relatórios o software de
planilha Excel.
MÉTODOS
Para avaliar as condições de balneabilidades das praias,
adquiriu-se os boletins de balneabilidade disponibilizados semanalmente
pela SUDEMA, durante o período de junho/2018 a dezembro/2018. Em
seguida, foi realizada a separação dos dados em tabelas na planilha do
Excel, de acordo com a classificação de balneabilidade de cada praia,
para quantificar a frequência em que as praias foram classificadas como:
Excelente, Muito Boa, Satisfatória e Impropria.
83
COLET A DAS AMOSTRAS
A Coordenadoria de Medições Ambientais (CMA) da SUDEMA
é responsável pela coleta de amostras de água, e acompanhamento das
alterações físicas, químicas e biológicas da água, decorrentes de atividades
antrópicas e de fenômenos naturais, as análises das amostras de água são
realizadas de acordo com o padrão estabelecido pela resolução 274/2000
do CONAMA onde:
§ 1º As águas consideradas próprias poderão ser sub-
divididas nas seguintes categorias:
a) Excelente: quando 80% das amostras obtidas em
cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas
no mesmo local, houver , 250 colifor mes fecais ou
200 Escherichia coli ou 25 enterococos por 100
mililitros;
b) Muito Boa: quando 80% das amostras obtidas no
local, houver , no máximo, 500 colifor mes fecais
ou 400 Escherichia coli ou 50 enterococos por
100 mililitros;
c) Satisfatória: quando 80% das amostras obtidas
no local, houver , no máximo 1.000 colifor mes fe-
cais ou 800 Escherichia coli ou 100 enterococos
por 100 mililitros.
§ 4º As águas serão consideradas impróprias quando
no trecho avaliado for verificado:
a) Não atendimento aos critérios estabelecidos para
as águas próprias.
b) V alor obtido na última amostragem for superior a
2500 coliformes fecais ou 2000 Escherichia coli
ou 400 enterococos por 100 mililitros.
84
Essas coletas são feitas em inter valos regulares de tempo e em
locais específicos, próximos a desembocaduras de galerias pluviais e
regiões onde há empreendimentos de grande influência, que estejam em
contato direto com a praia.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO
Após realizada a separação dos dados em tabelas, foi feita a
contagem das frequências de acordo com as classificações de qualidade da
balneabilidade, a par tir dos relatórios que foram analisados, os resultados
são apresentados no Quadro 1.
Quadro 1: Frequência de classificação de Balneabilidade das praias do Município de João Pessoa
Balneabilidade Período de 01/06/2018 à 27/12/2018
Praias/Classificação Excelente Muito Boa Satisfatória Imprópria
Bessa I 8 - 13 10
Bessa II 19 7 3 2
Caribessa 26 1 4 -
Manaíra 2 - 9 20
T ambaú 7 18 6 -
Cabo Branco - - - 31
Seixas 16 6 8 1
Praia da Penha - 2 9 20
Praia de Jacarapé - - 2 29
Barra de Gramame 25 6 - -
Fonte: Superintendência de Administração do Meio Ambiente (2018), organização dos autores.
É possível perceber que as praias de Bessa I, Manaíra, Cabo
Branco, praia da Penha e a praia de Jacarapé foram as que ficaram mais
impróprias nesse período de seis meses. Já as praias Bessa II, Caribessa,
T ambaú, Seixas, e a Barra de Gramame tiveram classificações mais variadas
dentro das classes Excelente, Muito boa e Satisfatória, indicando uma maior
qualidade da água para utilização dos banhistas.
De acordo com nossa análise, a praia do Cabo Branco foi a mais
reincidente enquanto imprópria ao banho, classificada como irregular nos
31 relatórios de balneabilidade emitidos nos seis meses. Esse fato pode
ter ocorrido pois, há maior liberação de efluentes nesta praia, através das
85
galerias pluviais, e também devido ao elevado fluxo de pessoas e animais,
além de variedades de bares e hotéis próximos a praia que possivelmente
devem lançar efluentes de forma bruta diretamente no mar .
As ligações clandestinas de esgoto são feitas de forma subterrânea
o que impede a fiscalização e identificação deste tipo de ligação na
rede de galerias pluviais, este tipo de ligação é feita principalmente por
prédios e bares que estão localizados nas orlas marítimas. Segundo a lei
Nº 9.605/98 no ar tigo 54 configura-se como crime ambiental “Causar
poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar
em danos à saúde humana, ou que provoquem a mor talidade de animais ou
a destruição significativa a flora” Além do disposto no inciso IV do mesmo
ar tigo “Dificultar ou impedir o uso público das praias: sob pena de reclusão,
de um a cinco anos”.
Segundo o recomendado pelos relatórios de balneabilidade
emitido pelo órgão ambiental estadual responsável pela divulgação deste
ser viço, na praia o Cabo Branco deve-se evitar banho a 100 m a direita
e 100 m a esquerda da desembocadura da galeria pluvial, localizada na
rotatória da A venida João Mauricio, 100 m a direita e 100 m a esquerda
da A venida Áurea e próximo à desembocadura de galeria pluvial em frente
ao estabelecimento comercial Bar do Cuscuz, por apresentar maior risco de
contaminação aos banhistas.
Utilizando os dados dispostos no Quadro 1, foi gerado um
mapa de classificação da qualitativa das praias estudadas, levando em
consideração a maior frequência de balneabilidade no período de 01 de
julho de 2018 a 27 de dezembro de 2018.
86
Figura 10: Classificação qualitativa.
Fonte: Elaboração Própria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O mapa de classificação qualitativa das praias (figura 10),
apresentou 4 praias impróprias dentre as 10 que foram analisadas, sendo
4 praias no nível excelente, 1 muito boa e 1 satisfatória. Destacando assim
a praia do Cabo Branco que apresentou a situação mais crítica, onde ficou
imprópria durante todo o período que foi estudado.
Essa praia demanda uma inter venção no sentido de que seja
realizada uma maior fiscalização dos poderes públicos, acerca da
quantidade de lançamento de efluentes que está ocorrendo no local e se esse
efluente está recebendo o tratamento necessário, antes de ser despejado no
mar .
Contudo, ações para melhorar a qualidade da balneabilidade nas
praias já vem sendo discutidas através do termo de ajustamento de conduta
(T AC), que está sendo firmado entre o Ministério Público Federal e os órgãos
estaduais, Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Secretaria
87
de Meio Ambiente (Seman), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra)
e Superintendência e de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA),
que realizarão atividades conjuntas para identificar as irregularidades no
derramamento de esgoto nas galerias pluviais, essa ação terá início na
praia de Manaíra e posteriormente se estenderá as outras praias do Estado.
REFERÊNCIAS
ABESSA, S. M.D., et al. Efeitos ambientais da disposição oceânica
de esgotos por meio de emissários submarinos: uma revisão. Mundo
da Saúde . p. 643-661, 2012. Disponível em: https://repositorio.
unesp.br/bitstream/handle/11449/73643/2-s2.0-84872464081.
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ANDRADE, M. O; CRISPIM, M. C. Pescadores Ar tesanais da Praia da
Penha/PB: Quando o T radicional e o Novo se Encontram. Disponível em:
Revista de Biologia e Ciências da T erra, 2010.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre de Crimes
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BERG, C. H., GUERCIO, M. J. e ULBRICHT , V . R. Indicadores De
Balneabilidade: A Situação Brasileira E As Recomendações Da W orld
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incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/IJKEM/ar ticle/view/2263 >
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Brasília-DF(Brasil), Conselho Nacional de Meio Ambiente, Ministério do
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88
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G1 Paraíba. Obras em calçada da orla de João Pessoa seguem até abril,
diz Seinfra . Paraíba, 22 nov . 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/
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seguem-ate-abril-diz-seinfra.html>. Acesso em 17 mar . 2019.
G1 Paraíba. Oito praias do litoral da Paraíba estão impróprias para banho,
diz Sudema. Paraíba , 02 jul. 2016. Disponível em: <http://g1.globo.
com/pb/paraiba/noticia/2016/07/oito-praias-do-litoral-da-paraiba-estao-
improprias-para-banho-diz-sudema.html>. Acesso em 18 mar . 2019.
G1 Paraíba. Conheça a praia de Jacarapé, um paraíso ainda desconhecido
em João Pessoa . Paraíba, 25 dez. 2017. Disponível em: <http://g1.globo.
com/pb/paraiba/jpb-1edicao/videos/t/edicoes/v/conheca-a-praia-de-
jacarape-um-paraiso-ainda-desconhecido-em-joao-pessoa/6379226/>.
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IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE Cidades : João
Pessoa – PB. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov .br/brasil/pb/joao-
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LOPES, F . A. et al. Balneabilidade em Águas Doces no Brasil: Riscos à Saúde,
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2019.
89
Por tal Correio. Praia de Manaíra vai passar por varredura contra esgoto .
Paraíba, 17 out. 2018. Disponível em: <https://por talcorreio.com.br/
manaira-passar -varredura-contra-esgoto/>. Acesso em: 16 mar . 2019.
Paraíba Criativa. Praia de Gramame . Paraíba, 15 jul. 2016. Disponível
em:<http://www .paraibacriativa.com.br/ar tista/praia-da-barra-de-
gramame/>. Acesso em 18 mar . 2019. SIL V A, L.L.
SUDEMA. Monitoramento das Praias . Paraíba, 2019. Disponível em: http://
sudema.pb.gov .br/ser vicos/ser vicos-ao-publico/balneabilidade-1. Acesso
em: março, 2019.
Viaje na viagem. João Pessoa o que fazer . Disponível em: <https://www .
viajenaviagem.com/destino/joao-pessoa/o-que-fazer -joao-pessoa/>.
Acesso em 14 mar . 2019.
96
COMP ARA TIVO DAS CAUSAS
As causas citadas na figura 1 são por consequência da
urbanização, fazendo o comparativo com o Bairro do Esplanada, obser vam-
se que as causas batem.
IMPERMEABILIZAÇÃO
Segundo Justino (2011) a impermeabilização do solo é efeito
direto da urbanização, que vem gerando grandes impactos sobre os
escoamentos das águas super ficiais.
A Car tilha de Drenagem da FEAM afirma que por causa da
urbanização utiliza-se uma grande ocupação do solo e não tem como a
água infiltrar . Além disso, o efeito que acontece são maiores picos de vazão
em direção ao sistema de microdrenagem. Sem um estudo prévio sobre uma
área, onde vai ser ocupada e não vai ocorrer a infiltração em vir tude da
impermeabilização do solo, é necessário analisar o sistema de drenagem.
Pois as águas que agora terão um volume super ficial bem maiores, serão
escoadas pela super fície, causando as inundações. No Bairro estudado
foi construída uma Academia de saúde pública no ano de 2015 e não
houve nenhuma mudança no sistema de Drenagem para atender aos
maiores volumes de águas. A figura 2 apresenta como ficou o local após a
construção da academia de Saúde.
Figura 2: Academia de Saúde
Fonte: Google Street View , 2017
97
Em janeiro de 2018 ocorreu uma chuva na localidade e uma das
consequências foi a inundação total da academia. Desta forma, comprova-
se o que a car tilha de drenagem afirma: “ ocorrerá maiores picos de vazões
em áreas que foram impermeabilizadas” . Na figura 3 apresenta-se a rua da
Academia quando ocorrem altas precipitações.
Figura 3: Rua Inundada
Fonte: Elaborado pelo autor , 2018
RESÍDUOS SÓLIDOS
Os resíduos sólidos na região se resumem ao descarte de
objetos e de matéria orgânica em terrenos baldios, que quando ocorrem
as precipitações são levadas pelas águas super ficiais. O efeito dessa
problemática é confirmada com o que ocorre na área de estudo. Sendo assim,
as águas super ficiais que são captadas pelo sistema de microdrenagem,
tendo o elemento boca de lobo como responsável por captar as águas
pluviais, faz com que as águas cheguem a jusante com uma qualidade
duvidosa.
Na figura 4 são apresentados os resíduos descar tados em um
terreno próximo, onde ocorrem as maiores volumes de inundações no bairro.
98
Figura4: Resíduos sólidos em terreno baldio
Fonte: Elaborado pelo autor , 2018
Apesar de todas as inundações, essa prática de descar tar os
resíduos em terrenos baldios é comum nessa localidade, mesmo com o
sistema de saneamento básico frequente, com a coleta sendo efetuada três
vezes por semana. A população sofre as consequências das inundações,
porém muitas vezes os moradores da região não tem conscientização que
são os mesmos que contribuem para este cenário.
REDES DE DRENAGEM
As redes de drenagem no bairro do Esplanada não são suficientes
para atender os grandes volumes das águas super ficiais. Foi verificado que
no local, a altura do volume da água já chegou a mais de 1,70m, onde
as bocas de lobos não conseguiram atender o volume muito alto. Esses
elementos da microdrenagem apresentam uma condição estrutural precária
onde as tampas então quebradas e outras fissuradas, como apresentadas
nas figuras abaixo.
99
Figura 5 : Boca de lobo com defeito Figura 6: Motociclista dentro da inundação
Fonte: Elaborado pelo autor , 2018 Fonte: Elaborado pelo autor , 2018
Com os grandes volumes de águas super ficiais, a mobilidade no
local é quase impossível e os que se circulam pelo local são prejudicados.
DESMA T AMENTO
O desmatamento é uma das grandes causas que a urbanização
provoca para ocorrer a as inundações na localidade. No bairro do Esplanada
I t eve uma área de 104.153,13 m² desmatada, onde existia um campo de
futebol. T oda área permeável era um local de grande absorção das águas
super ficiais com um perímetro de 1,81 km. A Figura 7 apresenta a área
antes de ser desmatada. Na figura 8 apresenta-se a área já desmatada e
nivelada para a construção de um condomínio.
Figura 7 : Área antes de ser desmatada Figura 8: Área desmatada
Fonte: Prefeitura de João Pessoa Fonte: Google Maps
Com a construção do condomínio, os volumes das águas
super ficiais aumentaram, onde ocorreu o desmatamento. V árias pessoas
foram prejudicadas pela inundação, não foi planejado para onde iria esse
100
volume de água que era infiltrado no solo, por consequência a população
sofreu os efeitos.
A car tilha de drenagem afirma que quando há esta problemática
no meio urbano o efeito são maiores picos de vazão. Na região próxima,
onde está localizada a praça do bairro, o relato dos morados durante a
entrevista – quando questionados se já foram prejudicados pelas inundações
– 91% dos entrevistados afirmaram que depois da construção do condomínio
as inundações aumentaram. As consequências que os moradores do bairro
relataram foram de grande impor tância para entender melhor o quão
grave e prejudicial essas inundações têm causado nessa região próximo ao
condomínio. A figura 9 apresenta uma residência totalmente inundada, onde
os moradores tiveram que sair de suas casas, pois estavam impossibilitados
de entrar .
Figura 9 : Casa inundada
Fonte: Morador , 2018
DESENVOL VIMENTO INDISCIPLINADO
Na localidade estudada, alguns locais que antes ser viam
como área de absorção das águas super ficiais, aliviando os elementos
da microdrenagem os volumes de água eram menores. Atualmente, essas
áreas foram invadidas e vem crescendo sem um planejamento adequado.
101
A car tilha de Drenagem afirma que os efeitos dessa causa são os maiores
volumes de águas super ficiais na localidade. Entretanto, em alguns locais
que estão em um nível mais alto, foi possível verificar que nessas localidades
não existe rede de drenagem. Os pontos mais críticos do bairro recebem
as águas que vem dessas comunidades, causando vários prejuízos para a
sociedade. Essas áreas cresceram de uma forma indisciplinada, causando
transtorno para o próprio bairro.
OCUP AÇÃO DAS V ÁRZEAS
A ocupação das várzeas no meio urbano configura um dos grandes
problemas para a gestão de uma cidade. As inundações nesses locais são
frequentes e a população que ocupa essa localidade é frequentemente
prejudicada por esse acontecimento, e muitas das vezes não têm outras
opções de moradia.
Na localidade estudada existem algumas áreas que inundam
frequentemente, segundo o resultado do questionário 82,2% dos entrevistados
afirmaram que antes de ser um bairro existia um rio, que tem sua nascente
no próprio bairro. Segundo a car tilha de drenagem os efeitos dessa causa
são: maiores picos de vazão, maiores prejuízos e doenças de veiculação
hídrica. Visando esses efeitos e obser vando a localidade estudada é notório
e perceptível que o principal efeito é o maior pico de vazão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos resultados apresentados, percebe-se que há uma falta
de planejamento e gestão dos órgãos responsáveis pelo setor de Drenagem
Urbana, e com o passar dos anos os problemas só se agravam. Pelo fato da
população, em muitos casos, não possuir educação ambiental, intensifica
de maneira direta a situação dos alagamentos. A sociedade sofre as
consequências pelos problemas in loco onde várias pessoas tiveram as suas
casas invadidas pelas águas, além da falta de mobilidade.
Algumas alternativas poderiam ser tomadas para acabar com
esse problema de inundações, umas das soluções seria aumentar o volume
de águas pluviais infiltradas, trocando os pisos das calçadas por um piso
Inter travado, onde se tem uma boa porcentagem de infiltração de água no
102
solo em comparação a outros tipos de pisos. A outra solução seria promover
o armazenamento temporário das águas pluviais em locais pré-selecionados
que seria a construção de uma pista de skate.
Com a análise dos problemas enfrentados pelos moradores,
através dos resultados obtido pela pesquisa, obser va-se que a urbanização
sem planejamento é a principal causa das inundações na localidade.
REFERÊNCIAS
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estatistica/populacao/ estimativa2015 /estimativa. > Acesso em: 18 fev .
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mma.gov .br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/sqa_3.pdf>. Acesso em: 6
mar . 2018.
103
ESTUDO DOS IMP ACTOS GERADOS PELA SUBSTITUIÇÃO DE
AGREGADOS NA TURAIS POR RCD´s NO CONCRETO –
UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Jefferson Bruno Gomes de Lima 1
Anderson da Silva Braz 2
T ales Lourenço da Silva 3
Arthur de Sousa Moreira Lima 4
Antônio da Silva Sobrinho Júnior 5
RESUMO
Os resíduos produzidos pelas indústrias de diversos setores são um dos
problemas de grande destaque, devido a serem depositados na própria
natureza sem os devidos tratamentos. A construção civil é o setor que
apresenta um dos mais elevados índice de produção de RCD’ s (Resíduos
de Construção e Demolição), produção esta inerente ao processo, visto que
boa par te das empresas não dispõe das devidas técnicas e tecnologias
para reaproveitar , reciclar ou diminuir a produção dos resíduos. Logo, para
tentar diminuir a extração de recursos naturais e geração de resíduos, o
setor de construção civil estimula a procura de novas soluções e tecnologias
para reutilização e reciclagem. Uma das práticas que vem sendo usada e
estudada com este material é a fabricação do concreto reciclado, visto que
traz vantagens para a construção e meio ambiente. T rata-se de um concreto
no qual o agregado convencional (areia e brita) é substituído por agregados
reciclados constituídos de RCD’ s, como a cerâmica, entulho e o próprio
concreto. O material produzido em geral é destinado a finalidades não
estruturais, como a aplicação em camadas de pavimentação e material de
aterro para solo reforçado. Este fato é decorrente falta de controle da matéria
1 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
2 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
3 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
4 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: arthur [email protected]
5 Engenheiro Civil e Doutor . Professor Adjunto do Depar tamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB.
Professor do Curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
104
prima, uma vez que, devido à falta de padronização, o agregado reciclado
possui uma qualidade menor que o convencional. Contudo, o emprego do
concreto reciclado de forma estrutural, não deve ser descar tado, pois sua
funcionalidade depende da dosagem correta do traço, da qualidade e do
tratamento do RCD empregado. Desta forma, o presente ar tigo contribui
para a temática através de uma revisão bibliográfica acerca de trabalhos
que abordaram consequências da incorporação dos agregados reciclados
(cerâmica, concreto e entulho) ao concreto.
Palavras-chave: Concreto reciclado. RCD´s. Agregados. Resíduos.
Sustentabilidade.
INTRODUÇÃO
Os resíduos produzidos pelas indústrias de diversos setores são
um dos problemas de grande destaque, devido a serem depositados na
própria natureza sem os devidos tratamentos, degradando-a e gerando
problemas para a saúde da população, como também para a saúde da
população (KRAEMER, 2005). De cer ta forma, estes transtor nos geram
prejuízos financeiros para o governo, no momento que o mesmo tem que
adotar ações para combater estes efeitos.
A construção civil é o setor que apresenta um dos mais elevados
índice de produção de RCD’ s (Resíduos de Construção e Demolição). De
acordo com Buttler (2003), esta produção é inevitável no decorrer da
execução do ser viço, obser vando que boa par te das empresas não possuem
as devidas técnicas e tecnologias para reaproveitar , reciclar ou diminuir a
produção. Ademais, a falta de legislação e fiscalização contribuem de cer ta
forma no aumento de RCD’ s.
A extração de matérias primas está ligada à esta quantidade
produzida de RCD’ s, obser vando que boa par te dos materiais utilizados
em obras de engenharia são materiais fabricados ou utilizados a par tir da
extração de elementos da natureza. Estas matérias são finitas e uma par te
significante transforma-se em resíduo (P AIV A, 2011).
Para tentar diminuir a extração de recursos naturais e geração
de resíduos, a construção civil estimula a procura de novas soluções e
105
tecnologias para reutilização e reciclagem. Logo, um termo que vem sendo
implementado nas áreas da engenharia civil, é sustentabilidade, cujo
conceito é garantir e suprir as necessidades da geração presente e das
futuras.
A fim de contribuir com a sustentabilidade, uma das soluções que
esta área está usando no combate aos problemas expostos, é a destinação
dos RCD´s reciclado para projetos futuros, por exibirem características como
baixa expansão e resistência, visto isso, mostra-se uma opção benéfica na
aplicação em camadas de pavimentação e material de aterro para solo
reforçado, por exemplo, (LEITE, 2007; SANTOS, 2007). Outra prática que
é estudada com este material é a produção do concreto reciclado, pois traz
vantagens para a construção e ao meio ambiente.
Em vista disto, a pesquisa tem como propósito a realização do
embasamento teórico a respeito da aplicação do concreto reciclado em
projetos de engenharia através do conhecimento sobre as consequências
da substituição de agregados convencionais (areia e brita) por agregados
reciclados (cerâmica, entulho e concreto), destacando suas propriedades,
vantagens e desvantagens e formas de utilização.
METODOLOGIA
A pesquisa desenvolvida define-se por bibliográfica, devido ao
embasamento tenha sido realizado com base em materiais do tipo ar tigos,
livros, teses, entre outros, acerca da reutilização do concreto para fins
sustentáveis, medida esta que trará grandes benefícios para a população e
meio ambiente.
Em consequência disso, pretende-se analisar a melhor forma de
gerenciamento do concreto reciclado, de modo a trazer medidas viáveis
e eficiente, apresentando a melhor aplicação em relação ao tratamento e
economia deste.
112
GPa para o concreto sem agregado reciclado e 34,2 GPa e 28,9 GPa
para os concretos com 30% e 100% de substituição, respectivamente. Desta
maneira, identifica-se que a incorporação de resíduos oriundos do próprio
concreto pouco afeta a resistência à compressão, porém alteram o módulo
de elasticidade, um parâmetro essencial para dimensionar a estrutura
através da avaliação das deformações sofridas pela mesma.
Consequências do uso de entulho como agregado para produção de blocos de concreto
Bastos, Cruz e W oelffel (2016), estudaram a substituição de
agregados convencionais por entulho na confecção de blocos de concreto.
Os pesquisadores alcançaram resultados satisfatórios (V er Figura 4)
tomando como referência os valores exigidos pela NBR 6136 (ABNT , 2006)
no tocante a resistência à compressão e umidade. Contudo, os blocos
reciclados ultrapassaram o valor máximo de absorção de água estabelecido
por esta norma. Os autores também notaram que há uma redução de R$
0,69 por bloco no custo de produção.
Figura 4 - Comparação do bloco convencional com o bloco reciclado
Fonte: Bastos, Cruz e W oelffel, 2016.
113
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da revisão bibliográfica realizada obser va-se que, com o
devido controle na dosagem, a qualidade do concreto reciclado apresenta
pouca variação em relação ao concreto convencional quanto à resistência à
compressão. Contudo, o módulo de elasticidade é um parâmetro que possui
a tendência a ser inferior no concreto reciclado, seja o agregado reciclado
cerâmico ou concreto, de forma que se torna necessário um controle maior
dos resíduos utilizados e um criterioso estudo para definição do traço a ser
empregado.
Logo, a difusão do concreto reciclado encontra através,
principalmente, na cultura construtiva da engenharia civil nacional, devido
ao alto índice de desperdício de materiais e sua deposição desordenada
nos canteiros de obra que dificulta seu reaproveitamento e reciclagem.
No entanto, tal fato não deve impedir os esforços para a proliferação da
sustentabilidade na construção civil, pois o emprego de seus conceitos neste
meio é impor tante para a conscientização dos gestores e colaboradores,
para o aprimoramento das técnicas de reciclagem e melhorias na separação
do RCD’ s, e consequentemente, um concreto reciclado de qualidade
semelhante ao convencional que possa ser viável economicamente e
aplicável até mesmo para situações estruturais.
REFERÊNCIAS
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p. Notas de Aula.
BUTTLER, Alexandre Marques. Concreto com agregados graúdos reciclados
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agregados e concretos reciclados . 2003. T ese de Doutorado. Universidade
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114
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KRAEMER, Maria Elisabeth Pereira. A questão ambiental e os resíduos
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2019.
116
BARREIRA DO CABO BRANCO:
UM DESASTRE AMBIENT AL E/OU SOCIAL
Maria Dannielly Viana Pessoa 1
Ana Clara Maia Câmara 2
Maria Clara Ribeiro Vilaça 3
Antônio da Silva Sobrinho Júnior 4
RESUMO
A Barreira do Cabo Branco, que está localizada na cidade de João
Pessoa/PB, é uma falésia ativa, pois tem contato direto com a água do
mar . Apesar de ser um ambiente de extrema impor tância histórica, cultural,
econômica e territorial, a área possui diversas instabilidades físicas devido
à sua ocupação de forma desordenada. Neste contexto, a atual pesquisa
teve como principal objetivo mostrar os impactos ambientais causados
pela atividade humana sobre aquela, visando buscar uma solução e/ou
amenização dos desmoronamentos que estão acontecendo no local. Os
procedimentos metodológicos utilizados foram o levantamento bibliográfico
através de ar tigos científicos e matérias de jornais/blogs, o reconhecimento
de campo e a realização de uma entrevista semiestruturada que continha 14
perguntas objetivas direcionadas aos turistas da barreira e dos seus atrativos
turísticos principais, onde 20 pessoas responderam ao questionário. Além
disso, atividades de contato e diálogo com os comerciantes locais, turistas e
pesquisadores foram realizadas, buscando entender o nível de conhecimento
dos mesmos em relação ao desastre natural/social que vem acontecendo
na barreira há um tempo, e apresentar a impor tância da conser vação do
ambiente natural que os mesmos ainda possuem. Os resultados obtidos
nos mostram que a população está ciente do impacto ambiental causado
sob a barreira com o passar dos anos e, que são de suma impor tância
1 Graduada em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
Graduanda no Bacharelado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
E-mail: [email protected]
2 Graduanda no Bacharelado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
E-mail: [email protected]
3 Graduanda no Bacharelado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
E-mail: [email protected]
4 Engenheiro Civil e Doutor . Professor Adjunto do Depar tamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB.
Professor do Curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
117
todas as ações ambientais que vêm ocorrendo em prol do salvamento da
barreira, para mostrar ao governo que a sociedade tem interesse e busca
a revitalização física e funcional do maior patrimônio natural da Paraíba.
Palavras-chave: Falésia ativa. Ação humana. Impacto Ambiental.
INTRODUÇÃO
A constituição Brasileira determina os direitos e deveres para
com o meio ambiente objetivando o equilíbrio entre os ecossistemas e o
desenvolvimento urbano e industrial. Infelizmente, fatores desencadeadores
da necessidade de conscientização da preser vação do meio ambiente advêm
de grandes tragédias que impactaram na degradação dos mananciais de
água, mor te de animais e seres humanos.
A Barreira do Cabo Branco, situada no ponto mais oriental das
Américas que se encontra na cidade de João Pessoa/PB, é uma falésia viva,
per tencente ao grupo Barreiras. A mesma vem sofrendo uma degradação
acelerada com diversos deslizamentos em toda a sua extensão.
O processo de degradação da encosta ao ter contato com o mar
é um processo natural, porém, o avanço da humanidade vem acelerando o
mesmo através da “invasão” humana sob a mesma, onde foram construídos
bairros, estradas e pontos turísticos, além de não ter sido planejado todo
o saneamento básico e drenagem dos seus arredores, tal como a previsão
das consequências de uma área tão frágil, no sentido geomor fológico para
construções deste por te.
Nesse contexto, a pesquisa objetivou-se em fazer um levantamento
das causas e consequências de toda a degradação da falésia ativa e as
possíveis soluções de contenção ou retardo da erosão, além de mostrar a
influência da par ticipação popular na preser vação da encosta através do
grupo “Amigos da Barreira” e o quanto o cenário recente vem afetando o
cotidiano dos moradores e comerciantes ao redor , buscando aler tar o poder
local e os órgãos competentes da necessidade de investimento urgente para
com o local.
118
MA TERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho foi iniciado a par tir da pesquisa teórica,
na qual foi realizado um levantamento bibliográfico através de ar tigos
científicos e livros da mesma linha de pesquisa que está sendo abordada,
além do reconhecimento do campo e da busca de informações sobre o que
a sociedade que frequenta diariamente os arredores da barreira sabe sobre
a degradação sofrida por ela.
Sendo assim, foram realizadas atividades de contato e diálogo
com os comerciantes e turistas presentes no local, no intuito de entender
o nível do conhecimento popular sobre o desastre natural/social que vem
acontecendo na barreira há um tempo, e apresentar a impor tância da
conser vação do ambiente natural que os mesmos ainda possuem.
T ais atividades realizaram-se através de caminhadas pela parte
superior e inferior da barreira, onde foram realizadas algumas entrevistas
semiestruturadas com as pessoas presentes nos locais, indagando-se sobre
os deslizamentos que vem acontecendo em toda a área da falésia viva
e sobre o impacto que está sendo causado para eles, tanto em questão
de acesso ao local e em questão comercial (tendo em vista que com a
dificuldade de acesso, o turismo na área tende a cair), quanto na questão
da conscientização ambiental dos mesmos sobre o caso da barreira.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
A Barreira do Cabo Branco está situada na cidade de João Pessoa,
capital do estado da Paraíba, onde se encontra a porção mais oriental das
Américas e do Brasil, com latitude de 07’ 09’ 28’ e longitude 034’ 47’ 30’
(Figura 1), o clima do local é o T ropical Nordeste Oriental Úmido (IBGE,
2017).
119
Figura 1: Placa indicativa do Extremo Oriental das Américas.
Fonte: CA V ALCANTE e PESSOA, 2016.
Segundo, Christofoletti (1980):
Os processos mor fogenéticos atuantes sobre as formas
de relevo das costas são controlados por vários fatores
ambientais, como o geológico, o climático, o biótico e
os fatores oceanográficos.
Quando se trata de uma área litorânea, é preciso estar ciente de
todos os processos mor fogenéticos que ocorrem na mesma, e ao falar da
falésia do Cabo Branco, falamos de uma falésia ativa que, além de sofrer
erosão devido os fatores climáticos, geológicos e bióticos, sofre muito mais
através do oceanográfico, devido está sempre em contato com o mar . Com
isso, é notório de que se trata de uma mor fogênese natural, ou seja, é algo
que o homem não pode evitar , pois, tal degradação faz par te de um ciclo
da natureza.
120
Porém, além do processo de degradação natural, a Barreira do
Cabo Branco vem sofrendo um aceleramento em sua degradação devido
um fator externo, o social, onde, com o avanço e a industrialização
brasileira, a inter venção humana predatória instaurou-se (SIL V A, 2017).
Conforme a autora supracitada, e acerca do atual estado físico
da Falésia do Cabo Branco, em que se caracteriza como um efeito natural
irreversível, mas, possível de um processo de amenização, a atuação do
ser humano foi o principal fator externo que gerou um agravamento e
uma aceleração em seu processo de erosão.
Segundo Raffestin (1993), apud Cavalcante e Pessoa (2016),
quando surgiu o sistema capitalista o que sucedeu ao mercantilismo,
os recursos naturais começaram a ser explorados para acumulação e
reprodução do capital. E através de tal sistema iniciou-se a exploração
por novos territórios para aumentar o poder do Estado, consolidando-se
de vez o Estado capitalista e afastando as pessoas dos espaços naturais.
De acordo com a Figura 2, datada da década de 80 pode-se
obser var que existia a presença de mata nativa na barreira, mesmo com
o efeito da erosão já sendo presente na paisagem, contudo, pelo fato
de apresentar uma parcela da flora, o desgaste era amenizado, pela
contenção que as raízes proporcionavam, tornando o andamento da
erosão mais lento.
Entretanto, com o passar dos anos, é possível notar que,
com todo o desenvolvimento industrial e com a alta demanda de mais
espaço, afim de ampliar a cidade para a zona sul, houve projetos com
o intuito de pavimentar toda área superior à falésia e suas adjacências,
os quais, resultaram em desmatamento da mata que ser via para atenuar
a degradação da região (Figura 3) e em um fluxo maior de veículos na
região.
121
Figura 2: Barreira do Cabo Branco (1980)
Fonte: Blog Parque Ecológico Cânion V erde, 2015.
Figura 3: Barreira do Cabo Branco (2019)
Fonte: Acer vo pessoal dos autores, 2019.
128
de conscientização ambiental da comunidade local, de todos os turistas
que ali chegam e do governo municipal e estadual, mostrando o potencial
e impor tância geoambiental que a mesma possui e buscando soluções
urgentes para minimizar o desastre social que vem acelerando o processo
geomor fológico natural do local.
REFERÊNCIAS
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da Barreira do Cabo Branco, Extremo Oriental das Américas, João Pessoa/
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da PBTUR . 2015. Disponível em: <http://parqueecologicocanionverde.
blogspot.com/2015/03/uma-analogia-historica-do-projeto-da.html>.
Acesso em: 17 de Março de 2019.
129
PREFEITURA DE JOÃO PESSOA. Estação Cabo Branco ganha novo
espaço. 2012. Disponível em: <http://www .joaopessoa.pb.gov .br/
estacaocabobranco/estacao-das-ar tes/>. Acesso em: 17 de março de
2019.
SIL V A, W . A. V . da. Democracia, par ticipação social e meio ambiente: a
par ticipação da população pessoense na defesa da barreira do cabo branco.
Universidade Federal da Paraíba. Depar tamento de Ciências Jurídicas,
Santa Rita, 2017.
130
DIMENSIONAMENTO DE RESER V A TÓRIO ENTERRADO
UTILIZANDO AL VENARIA ESTRUTURAL PROTENDIDA
Fernanda de Jesus Barreto 1
Vitor Emanuel Granito Pontes 2
Rui Ramos de Oliveira 3
Monique Ellis Alves de Sousa Quirino 4
Cayo Iaslley Nunes de Lima 5
RESUMO
Ao longo dos anos as construções em alvenaria estrutural estão cada vez
mais crescentes, devido a esse crescimento, esse sistema vem sendo cada
vez mais estudado principalmente no que se refere a sua capacidade
de resistência aos esforços de tração, nesse intuito, surge à ideia de
utilização de protensão na alvenaria. O uso da protensão possibilita que
a alvenaria estrutural seja utilizada em situações onde as cargas laterais
são muito elevadas em relação às ver ticais, construções como muros de
arrimo, reser vatórios, paredes de galpões, pontes para pedestres, dentre
outras. Diante deste cenário, este trabalho foi realizado com o intuito de
aplicar a protensão em um reser vatório enterrado com grandes dimensões
em alvenaria estrutural, com esse dimensionamento foi possível manter a
espessura da parede de 19 cm, utilizando um bloco de concreto de 16 MPa
e argamassa de 12 MPa, para a protensão serão utilizadas barras de 36
mm a cada 1,30 metros. Pode-se concluir que o uso de alvenaria estrutural
protendida é bastante promissor para obras de engenharia, pois foi possível
notar um aumento considerável na resistência da alvenaria, atendendo aos
requisitos do sistema.
Palavras-chave: Alvenaria. Protensão. Reser vatório.
1 Engenheira Civil (UNIPÊ). E-mail: [email protected]
2 Mestre em Engenharia Civil. Coordenador Adjunto do curso de Engenharia Civil do Unipê.
E-mail: vitor [email protected]
3 Engenheiro Civil. Especialista em Design de Interiores e Iluminação (Lighting Designer).
E-mail: [email protected]
4 Engenheira Civil (UNIPÊ). E-mail: [email protected]
5 Engenheiro Civil (UNIPÊ). E-mail: [email protected]
131
INTRODUÇÃO
A busca por sistemas construtivos mais rápidos e eficientes tem
sido crescente em todo o mundo, estruturas cada vez mais esbeltas e
ousadas tem tomado conta da construção civil, levando a engenharia á
evolução a cada dia. Desde a antiguidade são encontradas construções em
alvenaria, este foi o principal sistema de construção até o início do século
XX (OLIVEIRA, 1994).
Incialmente a alvenaria era utilizada na forma não armada, onde
os blocos eram feitos de barro e não alcançavam muita resistência, com
o passar do tempo os materiais evoluíram surgindo os blocos feitos de
cerâmica, que passaram a compor a alvenaria armada, onde há a presença
de ferragens para resistir aos esforços que a estrutura estará sujeita,
possibilitando construções maiores, mais esbeltas e cargas mais elevadas,
a par tir dessa evolução surge então a alvenaria estrutural protendida,
que nada mais é que a alvenaria estrutural composta por armaduras pós-
tensionadas que garantem maior resistência a da estrutura quando sujeita a
cargas laterais muito elevadas em relação as horizontais.
Diante deste cenário este trabalho tem como objetivo apresentar
o dimensionamento de um reser vatório enterrado em alvenaria estrutural
protendida, considerando que os reser vatórios são estruturas que terão suas
paredes submetidas a altas tensões laterais devido ao empuxo da agua e
do solo.
METODOLOGIA
Para realização desse estudo será adotado o método qualitativo.
Que de acordo com Gerhardt; Silveira (2009), busca representar de forma
aprofundada um determinado tema para melhor compreensão daqueles
que virão a ter acesso ao trabalho. Serão apresentados de forma breve
alguns conceitos impor tantes para o entendimento do sistema, após isso
será realizado um projeto estrutural de um reser vatório enterrado, como
objetivo principal deste estudo.
132
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
AL VENARIA ESTRUTURAL
A alvenaria estrutural o pode ser descrita, segundo Camacho
(2006, p.1) como o “processo construtivo na qual, os elementos que
desempenham a função estrutural são de alvenaria, sendo eles projetados,
dimensionados e executados de forma racional”.
Quando pensa-se em alvenaria estrutural entende-se que haverá
uma transmissão de ações por meio de tensões de compressão, o que não
anula a possibilidade de existência de tensões de tração, o que não se
caracteriza um problema desde que estas sejam controladas, não havendo
o devido controle e as tensões de tração apresentem valores muito elevados
pode comprometer a estrutura (RAMALHO; CORRÊA, 2003).
Ou ainda,
a alvenaria é definida como o conjunto de peças
justapostas coladas em sua inter face, por uma
argamassa apropriada, formando um elemento ver tical
coeso. Esse conjunto coeso ser ve para vedar espaços,
resistir a cargas oriundas da gravidade, promover
segurança, resistir a impactos, à ação do fogo, isolar
e proteger acusticamente os ambientes, contribuir para
a manutenção do confor to térmico, além de impedir a
entrada de vento e chuva no interior dos ambientes.
(T AUIL; NESSE, 2010, p.19).
SISTEMA DE PROTENSÃO
O sistema de protensão, consiste na aplicação de uma pré-
compressão com o intuito de controlar as tensões resultantes de cargas
externas, ou seja, criam-se reações permanentes que combatem ações que
trabalham contra a estrutura (HANAI, 2005).
133
Funciona basicamente, como uma maneira de melhorar a
resistência ou o compor tamento do material quando sujeito á vários tipos de
solicitações (PFEIL,1984).
AL VENARIA ESTRUTURAL PROTENDIDA
A protensão na alvenaria estrutural é um processo adequado que
permite que a estrutura de alvenaria resista a esforços horizontais elevados,
de acordo com Ganz, (1993), a protensão aumenta a força, o desempenho
e a durabilidade da alvenaria estrutural.
DIMENSIONAMENTO DE RESERV A TÓRIO ENTERRADO
O reser vatório em estudo tem dimensões em planta de 7.80 x
7.80, com afastamento de 60 cm nas suas laterais e fundo para atender
os requisitos da NBR 5626 para evitar contaminação, distância de 20 cm
entre o nível d’água e a tampa, sendo utilizados blocos de concreto do tipo
19x19x39 cm, como obser vado na figura 1:
Figura 1 - Planta do reser vatório
Fonte: Os autores
134
Inicialmente foi feito um dimensionamento a flexão simples
considerando como alvenaria armada para determinar a distância entre as
paredes internas, que são do tipo dupla-aletada. Seguindo os critérios de
dimensionamento da NBR 15812-1.
Os cálculos iniciais têm como intuito determinar a resistência do
bloco necessária para resistir aos esforços atuantes.
Os empuxos de solo e de água (foram feitos de forma
análoga para os dois casos (alvenaria armada e protendida), chegando
aos valores de:
Encontrando uma força normal característica (Nk) no valor de 155
kN. E uma resistência de prisma característica .
Para obtenção da resistência do bloco , utilizou-se uma relação
de resultados médios de elementos com blocos cerâmicos no valor de 0,50,
que podem ser encontrados em Parsekian;Soares, 2010, p. 50.
Logo, o , adotando-se o bloco comercial de
resistência 18 MPa. Os valores obtidos, bem como suas formulações são
mostrados na tabela 1:
T abela 1- Dimensionamento a flexão simples
68, 96 k N
86, 11 k N
155 k N
FLEXÃO S I M PLES
𝑁 𝑘 = 𝐸𝑠 ∗ 𝑙 + 𝐸𝑎 ∗ 𝑙
𝐸 𝑠 = 𝑓 ℎ ∗ ℎ
2
𝐸 𝑎 = 𝑞 𝑎 ∗ ℎ
2
𝛾 𝑓 ∗ 𝑁 𝑘 ≤ 1 ∗ 0,7 𝑓 𝑝𝑘
𝛾 𝑚 1 − ℎ 𝑒𝑓
40 𝑡 𝑒𝑓
3 ∗ 𝐴
𝑓 𝑝𝑘
𝑓
𝑏𝑘 = 0 ,5
𝑓
𝑏𝑘 = 16 ,6 𝑀 𝑃𝑎
𝑓 𝑝𝑘 = 8 , 33 𝑀 𝑃𝑎
Fonte: Os autores
135
Os momentos atuantes foram determinados com a diferença entre
os momentos oriundos do empuxo da água e do solo, chegando ao momento
característico e o momento de projeto .
Com base do bloco encontrado de 18 MPa, foi verificado um novo
valor de , encontrando a resistência da parede () e assim calculando o
momento de projeto máximo .
Com isso, foi determinado um coeficiente de segurança para esses
esforços, com:
Adotou-se então o valor de 1,30 m de espaçamento entre as
paredes internas (Figura 2) e foi determinado que o dimensionamento será
feito para a faixa de 1 m na seção do tipo I:
Figura 2 - Dimensões internas após dimensionamento a
flexão simples e seção utilizada para dimensionamento
Fonte: Os autores
LEV ANT AMENTO DE CARGAS DA ESTRUTURA
Para a seção escolhida foram determinados os parâmetros
mostrados na tabela 2 para seguir com o dimensionamento:
136
T abela 2 - Parâmetros para dimensionamento
-
M ó dulo de R e s i s t ê nc ia ( W)
In é r c ia (I)
Á r e a d a s e ção ( A )
FÓ R M ULA
R ES ULTA D O
0,494 m ²
0,0374 m
⁴
0,07480 m ³
𝐴 = 𝐻 1 + 𝐻 3 ∗ 𝐿 1 +
(
𝐻 2 ∗ 𝐿 2
)
𝐼 = 𝐵 ∗ 𝐻 1 3
12 + 𝐴 ∗ ( 𝑦 )²
𝑊 = 𝐼
𝐵
2
Fonte: Os autores
Onde:
H 1 =H 3 = Espessura da parede (bloco)
H 2 = Espessura da parede interna da seção I
L 1 = Faixa de 1 metro adotada para dimensionamento
L 2 = Comprimento da parede interna da seção I
B= Base da seção em estudo (1m)
y= Centro geométrico da seção
Como carregamento da estrutura foram considerados o peso
próprio das paredes, o peso da tampa de concreto sobre o reser vatório, o
empuxo do solo e o empuxo da água, obtendo os resultados da tabela 3:
T abela 3 - Carregamento da estrutura
CARREGAMENTO
PESO PRÓPRIO DA P AREDE EM I
30,08 kN
PESO DA LAJE DE T AMP A
3,75 kN
EMPUXO DA ÁGUA
57,8 kN
EMPUXO DO SOLO
68,97 kN
Fonte: Os autores
137
Foram consideradas duas situações para levantamento das cargas
permanentes e variáveis do reser vatório, quando este estiver cheio (tabela
4) e quando estiver vazio (tabela 5).
De acordo com (MAIOLA, [entre 1999 e 2004]) como existe a
possibilidade do empuxo do solo não atuar quando o reser vatório estiver
cheio, considerá-lo nessa situação pode ser contra a segurança.
T abela 4 - Carregamento para reser vatório cheio
RESERV A TÓRIO CHEIO
PERMANENTES V ARIÁ VEIS MOMENTO
Peso Próprio (kN) Empuxo da água (kN) Água (kN.m)
33,83 57,80 117,33
Fonte: Os autores
T abela 5 - Carregamento para reser vatório vazio
RESERV A TÓRIO V AZIO
PERMANENTES MOMENTO
Peso Próprio + Empuxo do solo (kN) Solo (kN.m)
102,81 100,0
Fonte: Os autores
Definidos os carregamentos para cada caso, foram calculadas
combinações em cada situação, adotando um coeficiente de ponderação
para cargas permanentes e empuxos de 1,4, chegando a situação mais
crítica do reser vatório com uma tensão de 2,2 MPa (tabela 6) , quando o
reser vatório estiver completamente cheio:
T abela 6 - Combinações para o reser vatório cheio
TEN S ÃO
MP a
2,20
0,2597
N / mm²
COM B I N AÇÕES
𝐺𝑘 = 𝛾 𝑓 . 𝐺 + 𝛾 𝑓 . 𝑄
𝐴
𝑀 á𝑔𝑢 𝑎 . 𝛾 𝑎
𝑊
Fonte: Os autores
144
Figura 4 - Distribuição das barras de protensão na parede externa
Fonte: Os autores
Figura 5 - Distribuição das barras de protensão nas paredes externa e interna
Fonte: Os autores
145
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO
Ao longo do dimensionamento do reser vatório, foi possível manter
a espessura da parede determinada incialmente de 19 cm, encontrando uma
argamassa de 12 MPa e um bloco de concreto com resistência de 16 MPa.
A protensão será feita com barras de 36 mm, onde cada barra receberá
uma força de 759,41 kN, as perdas totais do sistema foram calculadas em
46,64%, que são maiores que os 40% indicados para alvenaria protendida,
então é recomendado uma reprotensão desse sistema, para garantir a
segurança estabelecida em projeto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no dimensionamento realizado nesse trabalho,
constatou-se que o uso da alvenaria protendida em situações de cargas
laterais elevadas é atendido, e verificado dentro das normas vigentes.
O que traz para a engenharia um novo sistema estrutural que pode ser
bastante explorado, possibilitando novas soluções estruturais em situações
que tradicionalmente não seriam viáveis.
REFERÊNCIAS
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Instalação Predial de Água Fria. Rio de janeiro, 1998.
_____. NBR 6118 : Projeto de estruturas de concreto: Procedimento. Rio de
janeiro, 2014.
_____. NBR 15812-1 : Alvenaria estrutural – Blocos cerâmicos - Par te 1:
Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – T erminologia e requisitos Rio
de janeiro, 2010.
CAMACHO, J. S.. Projeto de Edifícios de Alvenaria Estr utural. São Paulo,
2006.
146
GANZ, H.R. Strengthening of masonr y str uctures with post-tensioning . In:
Nor th American Masonr y Conference, 6., Philadelphia, 1993b. Proceedings.
Boulder: The Masonr y Society , 1993. p.645-54.
GERHARDT , T atiana Engel. ; SIL VEIRA, Denise T olfo. Métodos de pesquisa .
UFRGS, 2009.
HANAI, João Bento de. Fundamentos De Concreto Protendido. Ebook. São
Carlos, 2005.
MAIOLA, Carlos Henrique. Reser vatórios Paralelepipédicos. Disponível em:
https://www .ebah.com.br/content/ABAAAg-nsAG/reser vatorios. Acesso
em: 28 de Agosto de 2018.
OLIVEIRA, Luiz Antonio Pereira. A resistência de aderência como parâmetro
de compatibilidade entre o graute de enchimento e as unidades da alvenaria
estr utural. In: 5th International Seminar on Structural Masonr y for Developing
Countries, Florianópolis, Brasil, 1994. p. 214-227.
PFEIL, W alter . Concreto protendido: Introdução . V ol. 1. 2 ed. Rio de Janeiro:
L TC, 1984.
RAMALHO, M. A.; CORRÊA, M. R. S. Projeto de Edifícios de Alvenaria
Estrutural. 1. ed. (3. tiragem). São Paulo: Pini, 2003 (tiragem de 2008).
T AUIL, Carlos Alberto; NESE, Flávio José Mar tins. Alvenaria Estr utural . 1 ed.
São Paulo: Pini, 2010
147
POSSÍVEIS SOLUÇÕES P ARA A A TUAL PROBLEMÁ TICA DA
DRENAGEM URBANA NA CIDADE DE JOÃO PESSOA – PB
Julyerica T avares de Araújo 1
Alicyane Sarmento de Oliveira 2
Layris Lilianne Pereira Gomes 3
Everton T orres T omé de Sousa 4
RESUMO
O crescimento urbano tem sido acompanhado por constantes mudanças
no meio ambiente, especialmente afetando o ciclo hidrológico gerando
impactos como o aumento do escoamento super ficial e a ocorrência de
enchentes devido a impermeabilização do solo. O aumento da urbanização
tem gerado consequências no balaço hídrico, pois os sistemas de drenagens
não são capazes de suprir a demanda das vazões de contribuição. Os
sistemas de drenagens têm como objetivo escoar a água precipitada o mais
rápido possível e reduzir a exposição da população ao risco de inundações.
O sistema tradicional de drenagem pode ser divido em microdrenagem e
macrodrenagem, além desses sistemas para a problemática das cidades
podem ser aplicados medidas técnicas compensatórias para o controle de
inundações, que são subdividas em medidas estruturais e não estruturais,
a fim de conter grande par te do volume de água super ficial. A gestão da
drenagem urbana consiste no conjunto de atividades que envolvem a atuação
de órgãos públicos, setor privado, organizações interessadas e população,
que juntos viabilizam a administração e operação das medidas necessárias
ao seu funcionamento. Nesse contexto o objetivo desse trabalho consistiu na
análise do atual sistema de drenagem da cidade de João Pessoa, que como
outras cidades enfrenta problemas de drenagem de águas pluviais e por fim
propor medidas técnicas compensatórias para o controle de inundações.
Palavras-chave: Urbanização. Inundações. Sistema de Drenagem. Medidas
Compensatórias.
1 Docente da Pós-Graduação em Gerenciamento de Obras e Qualidade na Construção pelo Centro
Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). E-mail: [email protected]
2 Graduanda em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
3 Graduanda em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
4 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
E-mail: [email protected]
148
INTRODUÇÃO
O ciclo de expansão da urbanização pode ser compreendido
dentro do processo mais amplo de constituição das grandes regiões
metropolitanas a par tir dos anos setenta. Essas regiões desde a sua criação,
até os dias atuais, sofreram inúmeras transformações com a incorporação de
novos municípios. A análise da evolução da população urbana segundo os
diferentes tamanhos de cidades contribui, decisivamente, para a explicação
do grande ciclo da expansão urbana no Brasil, já que expressa não só
o processo de crescimento da população urbana, mas, também a sua
redistribuição entre cidades de diferentes tamanhos (BRITO et. al, 2012).
A urbanização e desenvolvimento das cidades elevaram a
qualidade de vida da sociedade em muitos aspectos, porém trouxe
também alguns problemas, principalmente em relação ao Meio Ambiente,
mais especificamente, inter ferências no Sistema de Recursos Hídricos.
T ais problemas são mais acentuados nas grandes cidades, visto que a
urbanização ocorre de uma forma mais intensa e desorganizada (KAMURA
et al, 2019).
Em concordância com Pereira (apud BA TIST A et al.,2007), a
falta de políticas públicas efetivas e ações que visem o manejo adequado
e sustentável das águas pluviais, faz com que em nosso país, na maioria
das vezes seja adotado o modelo higienista de drenagem urbana, no qual
o objetivo é literalmente livrar -se de rapidamente do escoamento gerado na
bacia, no entanto, sem atentar para as consequências causadas em regiões
localizadas à jusante.
No Brasil, o sistema de drenagem foi desenvolvido ao longo dos
anos de forma descontinua, sob a falta planejamento e sob o critério de
escoamento rápido das águas pluviais do meio urbano. No decorrer dos
anos, com o desenvolvimento do país, o sistema de drenagem de água
pluviais foi o setor que recebeu menores investimentos públicos que os
demais setores de infraestrutura urbana. (MARQUES, 2006)
A cidade de João Pessoa – PB tem passado por um crescimento
habitacional muito intenso nos últimos anos, o sistema de infraestrutura da
cidade não acompanhou o desenvolvimento ocorrido nos últimos anos,
gerando constantes problemas para a cidade em dias de chuva, onde várias
149
áreas da cidade ficam alagadas e por diversas vezes impossibilitando o
fluxo do trânsito da cidade.
Os prejuízos socioeconômicos e financeiro decorrente dessa
problemática vem se ampliando a medida que os limites urbanos aumentam,
com isso faz se necessário planejar uma infraestrutura e condições que
evitem ou minimizem os impactos decorrentes das cheias.
Dessa forma, o presente trabalho busca compreender a
impor tância do gerenciamento urbano de infraestrutura, com finalidade
de propor medidas além do sistema clássico de drenagem, assim como
medidas técnico compensatória ou alternativa para o compor tamento do
sistema de drenagem pluvial de João Pessoa – PB, levando em consideração
a sua impor tância para o desenvolvimento da cidade e para a população.
METODOLOGIA
A metodologia deste trabalho trata da análise e discursão dos
conceitos de drenagem urbana para uma possível solução de aplicação na
cidade de João Pessoa – PB. Foi realizado um levantamento bibliográfico,
através de livros, ar tigos, disser tações, entre outros, em que consistiu desde
o estudo dos métodos na literatura que podem ser aplicados, uma análise
do atual sistema de drenagem da área em estudo e a indicação de possíveis
soluções de técnicas compensatórias para a problemática do estudo.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
CICLO HIDROLÓGICO
O ciclo hidrológico, “é definido como o fenômeno global de
circulação fechada da água entre a super fície terrestre e a atmosfera,
impulsionado fundamentalmente pela energia solar associada à gravidade
e à rotação terrestre”. (CAR V ALHO; SIL V A, 2006, p. 11).
A água também sofre alterações de qualidade ao longo das diferentes
fases do ciclo hidrológico. A água salgada do mar é transformada em água
doce pelo processo de evaporação. A água doce que infiltra no solo dissolve
os sais ali encontrados e a água que escoa pelos rios carrega estes sais para
os oceanos, bem como um grande número de outras substâncias dissolvidas
e em suspensão. O ciclo hidrológico é normalmente estudado com maior
150
interesse na fase terrestre, onde o elemento fundamental da análise é a bacia
hidrográfica. A bacia hidrográfica pode ser considerada como um sistema
físico sujeito a entradas de água (eventos de precipitação) que gera saídas
de água (escoamento e evapotranspiração). A bacia hidrográfica transforma
uma entrada concentrada no tempo (precipitação) em uma saída relativamente
distribuída no tempo (escoamento). (COLLISCHONN et al. 2008)
Para um melhor entendimento, o ciclo pode-se visualizá-lo como
tendo início com a evaporação da água dos oceanos. O vapor resultante
é transpor tado pelo movimento das massas de ar . Sob deter minadas
condições, o vapor é condensado, formando as nuvens que por sua vez
podem resultar em precipitação. Esta precipitação que ocorre sobre
a terra pode ser dispersa de várias formas. A maior par te fica retida
temporariamente no solo próximo onde caiu, que por sua vez, retorna à
atmosfera através da evaporação e transpiração das plantas. Uma par te
da água que sobra escoa sobre a super fície do solo ou para os rios,
enquanto que a outra par te penetra profundamente no solo, abastecendo
o lençol d’água subterrâneo (PINTO et al., 1987). A figura 1 demonstra
como ocorrem essas fases.
Figura 1 - Ciclo Hidrológico.
Fonte: Engenharia onde já Civil, 2019.
151
A quantidade de água e a velocidade com que ela circula nas
diferentes fases do ciclo hidrológico são influenciadas por diversos fatores
como, por exemplo, a cober tura vegetal, altitude, topografia, temperatura,
tipo de solo e geologia. (CAR V ALHO; SIL V A, 2006, p. 11).
EFEITOS DA URBANIZAÇÃO NO CICLO HIDROLÓGICO
Segundo T ucci (2010, p.114), “a urbanização é um processo de
desenvolvimento econômico e social resultado da transformação de uma
economia rural para uma economia de ser viços concentrada em áreas
urbanas”.
A população mundial apresentou um intenso crescimento
urbano, principalmente, a par tir da segunda metade do século XX. Esse
crescente processo de urbanização aconteceu devido a uma grande
tendência da população mundial em buscar nas cidades uma melhor
qualidade de vida. (ROSA, 2017). Foi a par tir de 1950 que o processo
de urbanização se intensificou, com a expansão das indústrias e de
maiores ofer tas de trabalho, o aumento populacional foi significativo
nos centros urbanos. O aumento da população urbana em tão pouco
tempo, trouxe consequências para as cidades, como a ocupação de
áreas de risco e a alteração das características naturais dos terrenos.
A falta de planejamento com respeito ao uso e ocupação do solo de
forma adequada elevou a taxa de impermeabilização nos grandes
centros urbanos, resultando no agravamento das cheias causadas pelo
acréscimo do escoamento super ficial. (PEREIRA, 2017).
Segundo Pereira (2017), na formação das cidades, as
ocupações acontecem prioritariamente das par tes mais baixas (próximas
aos rios), evoluindo para as áreas mais altas. Isto implica dizer que
o desenvolvimento se inicia nas planícies de inundação, inter ferindo
diretamente no funcionamento inerente à bacia hidrográfica local.
Quando o terreno se encontra em condições naturais, há maior facilidade
para a precipitação infiltrar no solo, parcelas mais expressivas são
retidas pela vegetação e armazenadas em depressões. Conforme se dá
o processo de urbanização, cresce o número de áreas impermeáveis, e
152
consequentemente, mais escoamento super ficial é gerado. (TUCCI, 2007
apud TUCCI, 2016).
Quando a urbanização é realizada de maneira desordenada,
poderá causar impactos no sistema hidrológico natural. A diminuição da
evapotranspiração com a retirada da vegetação, a impermeabilização
e compactação do solo poderão aumentar o escoamento super ficial
da água, provocando a erosão do solo e aumento do assoreamento,
gerando mudanças no lençol freático, enchentes, inundações e poluição
das águas super ficiais e subterrâneas (FUR T ADO, 2008). O quadro 1
apresenta os principais impactos causados no ciclo hidrológico.
Quadro 1 – Efeitos da urbanização no Ciclo Hidrológico.
Fonte : ROSA, 2017.
DRENAGEM URBANA
“A aceleração dos escoamentos tem como efeito transferir para
jusante o problema de redução de espaços naturais.” Quanto menor for
o tempo de concentração maior é o pico de vazão e isso com frequência
causa inundações em áreas que antes não sofria com esse tipo de problema,
visto que a ocupação em vales ocorre no sentido de monte para jusante.
(CANHOLI, 2014, p. 22)
153
Os sistemas mais tradicionais de drenagem são aqueles que tem
como principal objetivo livrar os meios urbanos das águas pluviais o mais
rápido possível, fazendo o escoamento das águas de chuvas para as regiões
a jusante (PEREIRA, 2017).
O escoamento das águas irá ocorrer independente de existe um
sistema ou não de drenagem adequado, a qualidade desse sistema é quem
determinará se trará benefícios ou prejuízos as comunidades. (PEREIRA,
2015) A quantidade de água do escoamento super ficial dependerá da
cober tura da bacia, do declive e principalmente do sistema de drenagem já
existente. O fluxo de escoamento é resultado da água precipitada que não
foi infiltrada escoando através das declividades até encontra um sistema que
seja possível capta-lo, caso não exista ou não seja suficiente para atender a
demanda ocorrerá alagamentos. (NETO, 2018)
O sistema comum de drenagem é dividido em dois grupos
de estruturas: microdrenagem e macrodrenagem. Onde o sistema de
microdrenagem (figura 2) se dá pela rede de captação e condução a nível
primário, no qual as águas são captadas e levadas para o corpo d’agua
mais próximo ou são conduzidos para o sistema de macrodrenagem. Esse
sistema é formado por sarjetas, bocas de lobos, galerias e poços de visita.
(PEREIRA, 2017).
Figura 2 – Sistema de Microdrenagem
Fonte: KNAPIK, 2019
256
fresco; promove altas taxas de redução e água combinado a efeitos de
retardamento de pega para fabricação de argamassa de até 48 horas
de estabilização. O MA TCHEM AE 20 possui uma dosagem referência
de 0,65% porém pode ser utilizado em dosagens de 0,4 a 1,2% sobre o
peso de cimento, de acordo com a taxa de redução de água e resistências
requeridas.
MÉTODOS
DOSAGENS DOS TRAÇOS
Concreto convencional
Devido ao fato deste trabalho buscar a análise comparativa do
compor tamento do concreto com a substituição do agregado miúdo pelo
pó da casca de marisco, definiu-se inicialmente um traço de referência para
um concreto convencional, através da CARACTERÍSTICAS DA DOSAGEM
DECONCRETO, utilizando o método da cur va ABCP .Assim temos a Definição
do T raço o qual foi produzido dia 27 de setembro de 2018 utilizando as
quantidades de materiais calculadas e demonstradas a seguir na tabela 1:O
traço escolhido corresponde a um concreto com Fck 40 Mpa.
T abela 1 - T raço utilizado para a moldagem dos corpos de prova
TRAÇO REFERÊNCIA
Cimento (Kg) Areia (Kg) Cascalinho (Kg) a/c
1 1,40 2,30 0,40
Fonte : A autora (2018).
Concreto com a casaca de marisco
Depois de dosar o concreto referência e consequentemente o traço
em estudo, ambos calculados pelo método ABCP/ACI, onde no concreto
em estudo com casca de marisco foi dosada em diferentes percentuais de
substituição, entre 20%,40% ,60%, 80% e 100%, Como está apresentado
na tabela 2, sendo escolhido o percentual que apresentasse a menor
alteração ás propriedades do concreto.
257
T abela 2 – Composição dos traços utilizados para1kg de cimento
MA TERIAIS CONCRETO
REFERÊNCIA
CONCRETO
COM 20% DA
CASCA DE
MARISCO
CONCRETO
COM 40% DA
CASCA DE
MARISCO
CONCRETO
COM 60% DA
CASCA DE
MARISCO
CONCRETO
COM 80% DA
CASCA DE
MARISCO
CONCRETO
COM 100%
DA CASCA DE
MARISCO
CIMENTO
(Kg) 1 1 1 1 1 1
AREIA (Kg) 1,4 1,12 0,84 0,56 0,28 0
BRIT A (Kg) 2,3 2,3 2,3 2,3 2,3 2,3
PÓ DA
CASCA DE
MARISCO
(Kg)
0 0,28 0,56 0,84 1,12 1,4
ÁGUA (Kg) 0,4 0,29 0,3 0,3 0,35 0,35
ADITIVO
(%) 1,07 3 2.99 2.98 3 3
Fonte: A autora (2018)
PREP ARO E PROCEDIMENTOS DAS CONCHAS P ARA A PRODUÇÃO DO CONCRETO
O material foi coletado no município de Lucena. A limpeza das
cascas de mariscos se deu em várias etapas, sendo primeiramente realizada
uma seleção manual individual, para remoção das impurezas maiores e
separação das conchas; depois, procedeu-se à lavagem manual em uma
peneira metálica, por 30 minutos, e sequencialmente por mangueira.
Após à limpeza e lavagem, as conchas foram submetidas à
secagem em estufa a 200° C, e em seguida foi realizada a moagem em
moinho de bolas, até se obter o máximo possível de passante na peneira
de aber tura 4,8mm. Sendo assim o material foi levado a estufa para que se
pudesse obter um material bem seco e sem impurezas.
Este procedimento se fez necessário realiza-lo algumas vezes para
que se pudesse obter mais material e assim produzir mas concreto com o pó
da casca de marisco. Porém foi obser vado que mesmo utilizando 4.000 mil
rotações por 2 (duas) horas não seriam suficiente para obter a quantidade
de material necessário para a produção do concreto e assim foi necessário
repetir o procedimento mais três vezes totalizando 12.000,00 mil rotações.
Devido ao cur to espaço de tempo para a elaboração do concreto,
obser vou-se que não seria possível a utilização da peneira de malha # 100
258
que seria a de melhor granulometria para a produção do concer to. Porém
devido a obtenção de tão pouco material nesta peneira ficou decidido
trabalhar com peneiras intermediárias as de malhas # 16, # 30 e # 50, a
qual foi decidida produzir os concreto nas peneiras 16 e # 50.
ENSAIO REALIZADOS NO CONCRETO
Ensaio de abatimento do tronco de cone (Slumptest)
Depois de realizado o concreto na betoneira foi retirada uma
amostra deconcreto, procedeu-se com o ensaio de consistência pelo
abatimento do tronco decone ( slumptest ). O ensaio de abatimento foi
realizado com o intuito de analisar as condições de trabalhabilidade dos
concretos executados, seguindo os requisitos da NBR NM 67 (ABNT , 1998).
Resistência à compressão axial
Com o concreto na condição endurecida, os CPs foram avaliados
em relação a resistência à compressão, estabelecida conforme a norma NBR
5739 (ABNT , 2007). Os ensaios foram realizados com a prensa hidráulica
no laboratório do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).
Absorção de água por imersão
Foi traçado o comparativo em relação ao concreto de referência, e
com o pó da casca de marisco através deste ensaio que mede a quantidade
de água absor vida, que segundo as diretrizes da NBR 9778 (ABNT , 2005)
analisa a taxa máxima de água que o corpo de prova é capaz de absor ver ,
como também, o volume dos seus poros. O ensaio foi realizado quando os
CPs atingiram a idade de 28 dias.
Carbonatação
Foram realizados ensaios que visam também analisar a
durabilidade dos concretos, logo foi ensaiado o processo de carbonatação,
no qual foi preparada uma solução com fenolftaleína, sendo esta borrifada
259
no concreto convencional e o com o pó da casca de marisco a fim de
verificar se haveria alguma reação nos concretos.
Andrade (1992) cita que, com o uso de fenolftaleína, é detectada a
região carbonatada do concreto que é aquela que não apresenta alteração
de coloração, tendo pH inferior a 8,3.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO
CARACTERIZAÇÃO DOS MA TERAIS
Serão apresentadas as discussões baseadas nos resultados obtidos
de acordo os ensaios e análises realizados durante o trabalho.
Propriedades Mecânicas
Para realizar o teste de resistência à compressão, foram seguidas
as diretrizes de acordo com a NBR 5739 (ABNT , 2007) referente aos corpos
de prova confeccionados com três diferentes tipos de traços, no qual foram
rompidos 3 unidades de cada um e calculado a média de cada idade
apresentada.
Os resultados obtidos na prensa (T abela 3 e 4) foram fornecidos
em toneladas-força (tf) e foram divididos pela área da seção transversal do
corpo de prova (cm²) para obter os resultados finais medidos em MegaPascal
(MPa), podendo ser melhor compreendidos através da (Figura 1 e 2), que
relaciona a resistência à compressão de cada traço de acordo com as suas
respectivas idades.
260
T abela 3 – Resultados dos ensaios de resistência à compressão do concreto # 16
PENEIRA # 16 Unidade 7 dias 14 dias 28 dias
Concreto
Referencial(Ref)
tf 32,5 39,5 44,98
Mpa 41 50 57
Concreto 20% tf 2,11 2,22 2,79
Mpa 2,68 2,82 3,55
Concreto 40% tf 1,71 1,56 1,89
Mpa 2,17 1,98 2,4
Concreto 60% tf 1,77 1,73 1,89
Mpa 2,25 2,2 2,4
Concreto 80% tf 0,79 0,64 0,56
Mpa 1 0,88 0,71
Concreto 100% tf 0,58 0,57 0,56
Mpa 0,73 0,72 0,71
Fonte : A autora (2018).
A par tir destes resultados, é possível cer tificar que o concreto
produzido com a substituição do Pó da casca de Marisco na peneira 16
com proporção de 20%.40%,60%,80% e 100%foi obser vado os níveis de
resistência os quais mantiveram-se menores resistência em relação ao traço
de referência, nas idades de 7,14 e 28 dias.
Analisando-se individualmente os traços, verifica-se que para os
7 dias o traço referência teve resistência de 41 MPa, enquanto que com
a substituição do pó da casca de marisco de 20% foi de 2,68 MPa; para
os 14 dias o Ref, foi de 50 Mpa e já para o de substituição na mesma
porcentagem foi de 2,82; Já para a idade de 28 dias se manteve a diferença
no Ref deu 57 MPa o com a substituição foi apenas de 3,55 Mpa.
Obser vou-se o que essa diferencia se repetiu tanto em relação as
porcentagem quanto nas idades, mesmo visto que foi mantido o abatimento
do tronco de cone 10 ± 2 mm como referência de trabalhabilidade para
todas as misturas, e consequentemente não apresentaram valores de
resistência à compressão dentro dos padrões estabelecidos pela norma de
concreto.
261
Figura 1 - Comparativa da resistência à compressão # 16
Fonte : A autora (2018).
Para melhor visualização do compor tamento da substituição do
pó da casca de marisco com as mesmas porcentagens e idades, fez-se um
comparativo de resistência na peneira (# 50) com o traço referência.
Os resultados podem ser demostrados e analisados a par tir da
tabela 4 e da figura 6.
T abela 4 – Resultados dos ensaios de resistência à compressão do concreto # 50
PENEIRA # 50 Unidade 7 dias 14 dias 28 dias
Concreto Referencial(Ref) tf 32,5 39,5 44,98
Mpa 41 50 57
Concreto 20% tf 34,55 42,24 46,35
Mpa 44 53 59
Concreto 40% tf 1,89 1,65 1,73
Mpa 2,4 2,1 2,2
Concreto 60% tf 1,07 1,1 1,15
Mpa 1,36 1,4 1,46
Concreto 80% tf 1,03 1,08 1,13
Mpa 1,31 1,37 1,43
Concreto 100% tf 1 0,93 0,79
Mpa 1,27 1,18 1
Fonte : A autora (2018).
262
Figura 2 - Comparativo da resistência à compressão.
Fonte : A autora (2018).
De acordo com os resultados acima encontrados, obser va-se que
os maiores níveis de resistência foram os apresentados pela mistura com
20% do pó da casca de marisco; os valoresficaram ligeiramente superiores
ao da mistura referência TR. Uma possível explicação para esse resultado
é o efeito da hidratação avançada dos compostos cimentícios presentes no
Agregado com Casca de Marisco (ACM). Como foi adicionado um teor
maior de água paraessa mistura, possivelmente houve um complemento de
hidratação para esse ACM, visto queno ensaio de absorção esse agregado
apresentou os maiores percentuais de absorção.
Para as demais misturas com o pó da casca de marisco os níveis de
resistência mantiveram-se menores, e muito distantes do traço de referência.
Isso mostra a viabilidade dautilização de Agregado com a casca de marisco
em diferentes teores de substituição em relação ao agregado natural.
Como o ACM foi obtido através da britagem dos corpos de prova
provenientes do Laboratório do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ,
tem-se amostras com várias idades e resistências, podendo isso afetar o
resultadofinal. Porém como o objetivo da pesquisa foi verificar a viabilidade
da utilização de ACM,os resultados mostraram-se satisfatórios, visto que
foi mantido o abatimento do tronco decone 10 ± 2 mm como referência
de trabalhabilidade para todas as misturas. Assim, procurou-se simular as
condições reais de dosagem em um canteiro de obras.
263
Porém nas demais proporções as resistências diminuíram
significativamente. Sendo assim, pode-se afirmar que o concreto com
substituição do Pó da Casca de Marisco obteve bons parâmetros e garante
a resistência solicitada para aplicação do concreto estrutural, apenas na
proporção de 20% na #50.
Analisando-se individualmente os traços, verifica-se que para os
7 dias o traço TR apresentou uma resistência de 41 MPa, enquanto que
o traço com pó da casca de marisco apresentou 44 MPa para a mesma
idade. Obser va-se o desempenho frente a esta variável muito semelhante.
Já para a idade de 14, as mesmas apresentam resistências de 50 MPa e
53MPa, respectivamente.
Para a idade de 28 dias o traço com substituição de 20%
apresentou uma resistência de 59 MPa, enquanto que o traço TR apresentou
57 MPa para a mesma idade. Nota-se que para essa idade o aumento da
resistência relativa foi maior na produção do concreto com substituição de
20% ou seja, dessa forma, foi possível compreender ou visualizar como
ocorre o ganho de resistência ao passar do tempo.
Obser vando o compor tamento das demais substituições dos
concretos de póda casca de marisco pelo agregado miúdo nas outras
porcentagens em relação ao concreto referencial, verifica-se que o concreto
com a substituição com as seguintes porcentagens de 40%,60%,80% e
100% não teve bons resultados, ou seja, teve sua resistência bem inferior
ao concreto padrão. Sendo assim constatou-se que apenas na proporção de
20% foi possível obter uma boa resistência comparada ao TR. Uma provável
explicação para este fato é que após a hidratação o cimento apresenta um
maior crescimento de resistência até os 28 dias, idade esta considerada
para a resistência característica do concreto na elaboração de projetos.
Após essa idade os compostos continuam em processo de hidratação,
promovendo a evolução da resistência com menor intensidade.
Absorção de água
Foi realizado o ensaio de absorção de água nos três tipos de
concretos diferentes, no qual todos eles foram submetidos a um tanque de
água pelo período de 24h, tiveram suas massas pesadas e depois ficaram
expostos ao sol e ao ar livre até que estivessem completamente secos. Segue
264
abaixo a figura 3 que ilustra os valores obtidos da média do procedimento
realizado com 3CP’ s referente a cada traço.
Figura 3 - Resultados do ensaio de absorção de água #16,#50 e no
TR .
Fonte : A autora (2018).
A par tir dos valores obtidos, é possível obser var que não houve
muita diferença em relação ao resultado do concreto de referência e do
concreto com pó da casca de marisco, já que os dois mantiveram resultados
parecidos nas duas etapas, apenas o concreto de com o pó da casca de
marisco da peneira # 50 foi que apresentou diferenças nas massas saturadas
e secas, mas ainda assim, a absorção de água de uma forma geral,
apresentou um valor baixo, devido ao uso de aditivo, comprovando assim,
que os concretos apresentaram poucos poros e vazios na sua estrutura.
Carbonatação
Através do ensaio de carbonatação que foi realizado com a
solução à base de fenolftaleína, no concreto convencional e os produzidos
com o Pó da Casca de Marisco na peneira # 16 e # 50; respectivamente
como demonstrado na (figura 4), os quais não reagiram e não demonstraram
nenhuma grande alteração no seu aspecto físico e químico. O que comprova
que Concreto garante sua integridade física e principalmente química, ou
seja, que acarreta uma maior estabilidade à sua estrutura.
265
Figura 4 - Reação do concreto depois da solução de fenolftaleína #16; # 50 e no
R.
Fonte : A autora (2018).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após analisar os resultados dos ensaios, verificou-se que concreto
produzido com o pó da casca de marisco na peneira (#16) por se tratar de
uma peneira que possui uma aber tura com tamanho de par tícula bem maior
do que a de (#50), foi constatado que suas propriedades mecânicas foram
bem inferiores em relação ao concreto convencional.
Mediante os resultados foi possível obser var que na peneira 50
conseguiram-se maiores fatores de empacotamento, mesmo sabendo que
por ela possuir par tículas mais finas e com isto tender a requerer mais
água, o que consequentemente diminuiria as propriedades mecânicas do
concreto, sendo impor tante ressaltar que até 20% na peneira 50 é viável
dentro do concreto, passando desta porcentagem não é interessante a
sua aplicação, visto que apenas na porcentagem de 20% do pó da casca
de marisco foi detectado valores de resistência mecânica superior ao do
concreto convencional, devido ao uso de aditivo e principalmente pelo fato
de que a peneira 50 encapsula melhor os vazios e por isso suas resistências
mecânicas são maiores.
Outro parâmetro interessante para a durabilidade é o da absorção
de água por imersão, como estruturas de concreto estão em maior ou menor
272
Figura 1 – Área estudada no bairro de Mangabeira.
Fonte: Adaptado de Google Earth, 2019.
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA
A região em análise se localiza na Mata Atlântica, planície do
litoral, possui temperatura média anual de 26ºC, chegando em dias mais
quentes a 37ºC e em dias mais frios a 21ºC, a vegetação predominante
são ár vores altas com copas largas e o solo se caracteriza como podzolico
vermelho amarelo (MELO, 2010).
DIMENSIONAMENTO DA REDE DE MICRODRENAGEM
O procedimento de dimensionamento foi feito por meio dos
cálculos, assim sendo possível quantificar as bocas de lobo guia simples
para a área delimitada, evitando os problemas decorrentes de for tes chuvas.
T odo o dimensionamento foi fundamentado por fórmulas e tabelas,
ambos expostos a seguir .
• Período de retorno é o inter valo de tempo (em anos) estimado, esperado
para a ocorrência de um determinado evento. Em outras palavras, é o
tempo médio que um determinado evento hidrológico é igualado ou
superado pelo menos uma vez. Para dimensionamento do sistema de
273
microdrenagem, deve-se levar em consideração o tipo de ocupação da
área a ser executada, conforme Quadro 1.
Quadro 1 – V alores do índice de .
T ipo de Obra T ipo de ocupação da área T empo de Retorno
Microdrenagem
Residência 2
Comercial 5
Áreas com edifícios de ser viço público 5
Aeroportos 2 - 5
Áreas comerciais e artérias de tráfego 5 - 10
Fonte: Adaptado de NÓBREGA, L. A. da – Notas de aula, 2019.
• A duração da chuva ou tempo de concentração (tc) é o tempo que a
água leva para escoar do ponto mais alto até o ponto mais baixo.Este
índice é obtido por meio da equação de Kirpich:
Onde:
tc- T empo de concentração (em min);
L - Comprimento do curso d’água principal da bacia (em km);
H - Diferença de elevação entre o ponto mais alto do ponto mais
baixo (m).
• Intensidade máxima da chuva ou intensidade da chuva de projeto é
medido em mm/h, para a localidade onde será executado o projeto
se usa a equação a seguir , que foi desenvolvida pra cidade de João
Pessoa.
Onde:
tc-T empo de concentração (em min);
T r - T empo ou período de retor no (em anos).
274
• O cálculo do coeficiente de escoamento utilizado o método racional
depende do solo, da cober tura do tipo de ocupação e da intensidade
de precipitação, o mesmo é definido como a razão entre o volume
de água escoado super ficialmente e o volume de água precipitado
(NOBREGA, 2019). Pode ser visto na equação abaixo:
A seguir , no Quadro 2 serão apresentados alguns coeficientes
usuais, específicos para a área.
Quadro 2 – V alores de C.
T ipologia da área de drenagem Coeficiente de escoamento superficial
ÁREAS RESIDENCIAIS
Residências Isoladas 0,35 - 0,50
Unidades Múltiplas, separadas 0,40 - 0,60
Unidades Múltiplas, conjugadas 0,60 - 0,75
Áreas com lotes de 2000m² ou maiores 0,30 - 0,45
Áreas suburbanas 0,25 - 0,40
Áreas com prédios de apartamentos 0,50 - 0,70
Fonte: Adaptado de NÓBREGA, L. A. da – Notas de aula, 2019.
Para o dimensionamento da rede de microdrenagem, se faz
necessário o cálculo da vazão de contribuição, da vazão das sarjetas,
da vazão real das sarjetas e da velocidade de escoamento da sarjeta,
apresentado a seguir:
V azão de contribuição (
Onde:
C - Coeficiente de escoamento;
- Intensidade máxima da chuva;
A - Área em análise.
275
V azão das sarjetas
Usualmente, adota-se a altura da lâmina d’água de 0,10m
para vazão das sarjetas
• V azão real das sarjetas
• V elocidade de escoamento da sarjeta
• A quantidade de boca de lobos tipo guia simples num sistema de
microdrenagem depende da capacidade de engolimento de uma
unidade, que pode ser obtido a par tir da expressão a seguir:
Onde:
- V azão de engolimento (m³/s);
L - Comprimento da soleira (m);
Y -Altura da água próxima à aber tura na guia (m).
O número de boca de lobos é calculado pela divisão da vazão de
contribuição pela vazão de engolimento, apresentado a seguir:
276
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
CICLO HIDROLÓGICO
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente – MMA, ciclo
hidrológico “é o movimento contínuo da água presente nos oceanos,
continentes (super fície, solo e rocha) e na atmosfera” que, ainda de acordo
com o MAM, trata-se de um movimento “alimentado pela força da gravidade
e pela energia do Sol, que provocam a evaporação das águas dos oceanos
e dos continentes”. Através da Figura 2 a seguir , podem-se obser var as
diversas etapas do ciclo hidrológico.
Figura 2 – Ciclo hidrológico.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente, 2019.
Os processos do ciclo hidrológico são os seguintes:
evapotranspiração, precipitação, interceptação, escoamento super ficial,
infiltração e escoamento subterrâneo.
Na evapotranspiração, ocorre a radiação solar , for necendo
energia para que as águas terrestres sejam evaporadas na atmosfera, e com
isso ocorra a condensação das nuvens formando o processo de precipitação.
277
A interceptação é quando par te da água evapora e par te acaba escorrendo
até o solo, seguindo para rios, lagos e oceanos, governada por gravidade
formando o escoamento super ficial. A infiltração é quando a precipitação
chega ao solo e uma grande parcela infiltra sub-super ficialmente e por fim
o escoamento subterrâneo que é quando a infiltração percola atingindo o
aquífero, escoando lentamente até rios e lagos (P AZ, 2004).
IMP ACTOS DA URBANIZAÇÃO NO CICLO HIDROLÓGICO
O homem precisa do acesso à água para sobreviver , por tanto,
desde os primórdios, as civilizações se agrupam de modo que este acesso
seja mais fácil. Nos dias atuais, grande par te da população sofre com a
falta de água e a necessidade de projetos e obras da engenharia para
amenizar o problema da falta d’água é cada vez mais real. Estas obras,
apesar de apresentar inúmeras vantagens para a população, trazem
também a degradação de ambientes naturais.
A degradação de bacias hidrográficas ocorre devido a diversos
fatores como: desmatamento, urbanização, obras de terraplenagem,
mineração, dentre outros (DIAS & GRIFFITH, 1998). Durante o processo
de urbanização, os ambientes naturais são modificados, de acordo com
as necessidades do homem. Com isso, o desenvolvimento das cidades
influencia diretamente nas questões ambientais, como no ciclo da água,
que é alterado em vir tude das necessidades da população. T ais alterações
acontecem a par tir do direcionamento das águas, sistemas de abastecimento
de água, construção de barragens e reser vatórios, mudanças nos cursos
naturais de água, entre outros fatores que buscam facilitar o acesso à água.
O problema é que o crescimento dos centros urbanos nem sempre
ocorre de maneira planejada, através de projetos bem elaborados, que
possam diminuir os impactos no meio ambiente. Pelo contrário, o que se
pode obser var são cidades crescendo de maneira desenfreada e grande
poluição dos mananciais, além da falta de questões básicas como o
saneamento adequado e distribuição adequada da água. A urbanização
de forma desordenada, sem diretrizes de ocupação, impacta gravemente no
ciclo hidrológico, pois causa drásticas alterações na drenagem, elevando a
possibilidade de ocorrência de enchentes e deslizamentos, impondo riscos
à saúde e à vida humana (BENINI & MENDIONDO, 2015).
278
DRENAGEM URBANA
A drenagem urbana é o conjunto de medidas que tem como
objetivo minimizar os riscos que a população está sujeita, e assim diminuir os
prejuízos causados por inundações possibilitando o desenvolvimento urbano
de forma harmônica, ar ticulada e sustentável. Com o avanço das cidades
ao longo de córregos e o aumento da população, a drenagem urbana
foi sofrendo grandes impactos, entre eles as inundações, ocasionando a
impermeabilização do solo, ocorrendo pouca infiltração da água da chuva
e aumentando o escoamento nas ruas e consequentemente degradação
ambiental (V AZ, 2004).
Figura 3 – Modelo de drenagem urbana.
Fonte: Knapik, 2019.
Em um projeto de drenagem é necessário um controle de cheias
para haja uma redução de inundações, tornando a drenagem urbana em
uma drenagem urbana sustentável, que tem a finalidade de controlar o
escoamento super ficial com técnicas estruturais e não estruturais (OLIVEIRA
NETO, 2018).
279
SISTEMA DE DRENAGEM URBANA
De acordo com o Plano Diretor de Drenagem Urbana elaborado
pela UFRS (2005), os sistemas de drenagem são definidos como:
• Drenagem na fonte;
• Macrodrenagem;
• Microdrenagem.
A drenagem na fonte é quando o escoamento ocorre no lote,
condomínio ou empreendimento individualizado como estacionamentos,
parque, passeios. Seu controle é feito através de dispositivos para manter
a vazão de saída local menor ou igual à vazão do pré-dimensionamento.
Dentre esses dispositivos, os mais utilizados são: pavimentos permeáveis e
reser vatórios locais (FEREGUETTI, 2019).
Figura 4 – Pavimento permeável.
Fonte: SOLUÇÕES P ARA CIDADES, 2019.
280
Macrodrenagem é o conjunto de ações estruturais e não estruturais
destinadas a controlar cheias para evitar inundações e suas consequências
(ver Figura 5). Com o objetivo de minimizar riscos e prejuízos em áreas de
grandes extensões (GOES JÚNIOR, 2017).
Figura 5 – Elemento de Macrodrenagem: Canal
Fonte: AQUINO, 2016.
Microdrenagem é o sistema de condutos pluviais ou canais em um
loteamento ou de rede primária urbana. Este tipo de sistema de drenagem
é projetado para atender às precipitações com risco moderado. O sistema
tradicional (Figura 6) da microdrenagem é composto por: sarjetas, bocas de
lobo, tubos de ligação, galerias e poços de visita.
• Sarjetas - Faixas de via pública paralelas e vizinhas ao meio-fio. A calha
formada é a receptora das águas pluviais que incidem sobre as vias
públicas.
• Bocas de lobo - Dispositivos localizados em pontos convenientes, nas
sarjetas, para captação das águas pluviais.
• T ubos de ligação - São tubulações destinadas a conduzir as águas
pluviais captadas nas bocas-de-lobo para as galerias ou poços de visita.
• Galerias - Canalizações públicas usadas para conduzir as águas
pluviais provenientes das bocas-de-lobo e das ligações privadas.
• Poço de visitas - Dispositivos localizados em pontos convenientes do
sistema de galerias para permitirem mudanças de direção, mudança
de declividade, mudança de diâmetro, inspeção e limpeza das
canalizações.
281
Figura 6 – Elementos de Microdrenagens.
Fonte: Bacelar , 2013.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO
O dimensionamento da rede proposta no bairro de mangabeira
foi iniciado a par tir da escolha de uma área do bairro (ver Figura 1), em
que há um ponto crítico de acúmulo de água em excesso, prejudicando a
locomoção da população, e isso acontece devido à falta de planejamento
288
DECLIVIDADE DE CADA TRECHO DA ÁREA EM ESTUDO
Após a quantidade de bocas de lobo guia simples determinada,
foi analisada a declividade de cada trecho da área em estudo, com a
finalidade de identificar o ponto que sofrerá com mais acúmulo de água.
Dessa forma, com o auxílio do Google Ear th , foi estabelecida a altura do
início e fim dos trechos, além do ponto crítico, exposto na figura 9.
Figura 9 – Alturas dos trechos da área em estudo do bairro de Mangabeira.
Fonte: Adaptado do Google Earth, 2019.
Para fins de organização, foi construído o Quadro 4, com o
propósito de determinar a declividade final em cada trecho de rua.
289
Quadro 4 – Alturas dos trechos da área em estudo do bairro de Mangabeira.
Fonte: Autoria Própria, 2019.
DISTRIBUIÇÃO DAS BOCAS DE BOLO
Com todo o dimensionamento da rede de microdrenagem e
análise geral do local realizado, as bocas de lobo foram distribuídascom o
auxílio do software Autocad, exposto a seguir .
290
Figura 10 – Planta baixa do sistema de microdrenagem na área estudada do bairro de Mangabeira.
Fonte: Autoria Própria, 2019.
291
Baseado na planta disposta acima, as setas indicam a direção em
que a água está sendo escoada, bem como o sistema de microdrenagem
composto pelas bocas de lobo e poços de visita para manutenções futuras,
especificando também a direção do escoamento da água.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Baseado no descrito, a análise na função da drenagem em
determinado local é feita de forma precisa para definir e dimensionar em
projeto o sistema mais adequado, a fim de atender a demanda da quantidade
de água da chuva, bem como um funcionamento apropriado para que sejam
evitados grandes transtornos para a população, como por exemplo, a falta
de atividades agrícolas, na escassez de água. O excesso de precipitações,
por sua vez, tem consequências como alagamentos, danos nas estradas de
rodagem, escorregamento e erosão dos taludes, fatores essespresentes na
área delimitada para estudo, localizado na A venida Coronel Benevenuto
Gonçalves da Costa, bairro de Mangabeira, João Pessoa – PB.
Nos tempos chuvosos, o bairro de Mangabeira sofre com alagamentos,
devido principalmente as for tes chuvas e descar te de lixo inadequado.
Neste caso, é necessário dar enfoque no controle da água relacionado ao
planejamento, de modo que beneficie a população e o meio ambiente.
Dessa forma, cabe ao engenheiro o estudo, avaliação e execução,
principalmente, do dimensionamento de microdrenagem eficiente com a
finalidade de estipular possíveis soluções relacionadas às precipitações
excessivas e/ou escoamento deficiente.
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294
ESTUDO DA VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA
DO USO DO MET ACAULIM COMO SUBSTITUIÇÃO
P ARCIAL DO CIMENTO POR TLAND
Monique Ellis Alves de Sousa Quirino 1
Thiago da Silva Almeida 2
Cayo Iaslley Nunes de Lima 3
Fernanda de Jesus Barreto 4
Rui Ramos de Oliveira 5
RESUMO
O desenvolvimento de técnicas construtivas com o objetivo de garantir a
durabilidade das estruturas é imprescindível, sendo o concreto considerado
uma das maiores descober tas da história da humanidade, e considerado o
material de maior consumo na indústria da construção civil. O metacaulim,
objeto de estudo deste trabalho, é considerado uma alternativa para a
melhora das propriedades do concreto e redução dos impactos ambientais
oriundos da fabricação do cimento Por tland. Nesta pesquisa, foi estudada
a viabilidade técnica e econômica do metacaulim na substituição parcial
da massa do cimento na produção do concreto, analisando os teores de
substituição de 5%, 10% e 15%, comparando-os com os valores obtidos
nos concretos com 0% de substituição. Seu compor tamento (resistência)
foi analisado nas idades de 7, 14 e 28 dias de cura. Após as análises
realizadas ao final dos ensaios, constatou-se que na idade de 7 dias, os
concretos com a substituição parcial da massa do cimento por metacaulim
não evidenciaram melhora significativa. Na idade de 14 dias, todas as
amostras apresentaram resultados superiores ao concreto de referência. Aos
28 dias, os concretos com substituição obtiveram resistência inferior à de
referência. De acordo com todos os parâmetros estudados, o concreto com
o teor de 5% de substituição torna-se mais vantajoso. O concreto produzido
com 15% de substituição torna-se viável, tendo em vista os aspectos
1 Engenheira Civil. E-mail: [email protected]
2 Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais. E-mail: [email protected]
3 Engenheiro Civil. E-mail: [email protected]
4 Engenheira Civil. E-mail: [email protected]
5 Engenheiro Civil E-mail: [email protected]
295
ambientais, decorrentes da diminuição do consumo do cimento e como
consequência amenizar as taxas de emissões de CO 2 que são geradas
durante o processo de produção do cimento.
Palavras-chave: Concreto. Metacaulim. Resistência. Durabilidade.
INTRODUÇÃO
A necessidade por construir estruturas duráveis vem desde
as primeiras civilizações, quando não havia tanta disponibilidade e
conhecimento sobre os diversos materiais na natureza. Pode-se considerar
as argilas, os blocos rochosos e materiais de origem vegetais como sendo os
primeiros materiais de construção e que permaneceram como os únicos por
muito tempo. Muitas das antigas estruturas resistiram até aos dias atuais e,
apesar de utilizarem técnicas simples, apresentavam resultados excelentes.
O uso das fibras vegetais e componentes argilosos a fim de garantir uma
maior resistência é considerado como uma das maiores descober tas do
mundo antigo, verifica-se que a grande maioria das cidades eram compostas
por esses materiais (ZAMPIERI, 1989).
O concreto proveniente do cimento Por tland foi descober to no
final do século XIX. No século XX passou a ser utilizado em larga escala
na construção civil e atualmente considerado o material de maior consumo
no setor , ocasionando uma revolução nos projetos e construções, o que lhe
classifica como uma das maiores descober tas da história da humanidade
(HELENE; ANDRADE, 2010).
Os romanos foram considerados como possuidores de grandes
indústrias da construção, sendo os responsáveis pela criação da legislação
e normas referente à mão-de-obra, assim como o emprego de práticas
de controle de qualidade. O que impulsionou o desenvolvimento das
técnicas de construção foi a descober ta de um material denominado
Opus Caementicium , composto por uma cinza pozolânica que lhe confere
características semelhantes ao cimento Por tland, apresenta propriedades que
torna o concreto impermeável, estanque e resistente, tendo sido empregado
em construções públicas que permanecem em bom estado de conser vação
até os dias atuais, embora sua grande utilização fosse em argamassa de
assentamento de alvenaria de pedra (CAR V ALHO, 2008).
296
Os romanos fabricavam o metacaulim a par tir da moagem de
telhas e cerâmicas. Sua maior utilização era em regiões em que a ofer ta de
materiais como tufos e cinzas vulcânicas era escassa, assim como no Egito
e na Índia. No Brasil, as primeiras construções usando o metacaulim foi a
obras marítimas e de barragens (BARA T A, 1998).
Segundo Lacerda e Helene (2005), a adição do metacaulim ao
concreto tem demonstrado ser uma boa opção, pois requer uma quantidade
menor de energia em seu processo de fabricação e sendo utilizado como
substituto parcial do cimento, favorece não só em aspectos econômicos, mas
também ambientais.
Conforme o avanço das pesquisas em relação à diminuição dos
impactos ambientais, assim como o aumento das manifestações patológicas
nas estruturas, torna-se necessário o desenvolvimento de técnicas e materiais
na indústria da construção com finalidade de amenizar tais efeitos, logo, a
substituição parcial da massa do cimento por metacaulim mostra-se vantajosa
e sustentável, devido às par tículas das adições minerais serem bem menores
que a do concreto, proporcionando uma diminuição considerável da sua
porosidade, o que propicia um aumento da vida útil da estrutura, além
de contribuir para uma maior trabalhabilidade, aumento da resistência
mecânica e redução das reatividades álcali-agregado, bem como a
diminuição das taxas de emissões de gás carbônico oriundos do processo
de fabricação do cimento. Desse modo, é imprescindível a realização de
estudos que comprovem a sua eficiência quanto à sua resistência variando
a porcentagem de substituição, assim como a sua viabilidade sem que
comprometa a estrutura. O presente trabalho tem como objetivo avaliar o
desempenho mecânico do concreto produzido com metacaulim de acordo
com as variações resultante das porcentagens de substituição parcial da
massa do cimento e sua viabilidade econômica.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
CONCEITO DO CONCRETO
De forma geral, o concreto é entendido como o resultado da
mistura de um cimento hidráulico e água, pode-se utilizar diversos tipos
297
de cimento disponíveis no mercado, variados tipos de pozolanas, adições
minerais, agregados e aditivos na constituição do concreto, assim como,
vários tipos de processo de cura (NEVILLE; BROOKS, 2013).
Segundo Mehta e Monteiro (2014), o concreto é considerado um
material proveniente da junção de agregados e um meio aglomerante, o qual
pode ser composto pelo cimento hidráulico e água. O agregado é dividido
em dois tipos, os agregados miúdos que equivale às par tículas passantes na
peneira de n° 4 (aber tura de 4,75 mm), e o agregados graúdos, que são
as par tículas que ficam retidas na peneira de n°4, maiores que 4,75 mm. O
cimento é um material de granulometria fina, seco e que possui propriedade
aglomerante, promovendo a hidratação da pasta. O mais utilizado na
indústria é o cimento Por tland, que apresenta em sua constituição silicatos
reativo de cálcio, responsáveis pela sua característica aglomerante.
MA TERIAIS
CIMENTO POR TLAND
O cimento Por tland é resultado de um processo de calcinação
da mistura de calcário e argilas e ainda corretivos silicosos, aluminosos
e ferríferos, em torno de 1450°C, de modo a assegurar o quimismo, que
diz respeito à correta dosagem dos constituintes químicos da mistura,
responsáveis pela produção dos compostos hidráulicos e confirmar a
propriedade ligante do cimento Por tland (BA TT AGIN, 2011).
AGREGADOS
De forma geral, os agregados são designados como um material
sem forma ou volume definido, com características e propriedades adequadas
para seu emprego na indústria da construção civil, par ticularmente na
preparação de concretos e argamassas. Podem ser divididos segundo a sua
origem em: naturais, britados, ar tificiais e reciclados.
Segundo Mehta e Monteiro (2014), quanto a sua granulometria,
os agregados podem ser classificados como agregado graúdo, quando
suas par tículas ficam retidas na peneira de nº 4, ou seja, maiores que 4,75
304
Gráfico 2: Resistência média à compressão dos corpos de prova (MPa) aos 7 dias e desvio padrão.
Fonte: Próprio autor , 2018.
O gráfico 3 aponta os valores correspondentes à média da
resistência à compressão dos corpos de provas submetidos à cura úmida por
um inter valo de 14 dias de cura. De acordo com o estudo, pode-se ver que
as amostras com a incorporação do metacaulim apresentaram resultados
superiores ao traço de referência. Os concretos com teores de 5% e 15%,
ambos obtiveram uma média de 34,2 MPa, assim como o maior desvio
padrão entre as amostras. O com 10% atingiu uma média aproximada
com 33,5 MPa, uma diferença mínima em comparação às outras amostras
com a inclusão do metacaulim, enquanto que o concreto referente ao
traço puro apresentou uma média de 31,5 MPa e o menor desvio padrão.
Quanto ao aumento na resistência adquirida aos 14 dias. Ainda segundo
Souza (2003), o crescimento da resistência deve-se ao aumento da idade
de rompimento, assim como o teor de substituição empregado. Dessa
forma, pode-se concluir que tais diferenças nas pesquisas apresentadas são
decorrentes da origem da forma de dosagem do MCAR, da alteração da
relação a/(c+MCAR), modificações nas características físicas, químicas e
mineralógicas, assim como o tipo de cimento utilizado. T endo em vista a
grande variedade de metacaulim disponíveis no mercado, há diferenças
quanto a sua composição química de acordo com o fabricante, o processo
de calcinação do caulim e sua estabilização no meio cimentício, que
305
exercem uma influência significativa nas propriedades intrínsecas do
concreto, explicando as variações nos estudos realizados por diversos
autores, sendo assim, a resistência aumenta de acordo com a pureza e
a finura do material, de forma que, quanto menor a granulometria, maior
é a resistência e consequentemente menor a taxa de absorção, devido à
diminuição da porosidade da pasta.
Gráfico 3: Resistência média à compressão dos corpos de prova (MPa) aos 14 dias e desvio padrão.
Fonte: Próprio autor , 2018.
O gráfico 4 aponta os valores referentes à resistência média dos
corpos de prova aos 28 dias de cura. As amostras sem a incorporação do
metacaulim obtiveram uma resistência média de 39,87 MPa. A variação
das características físicas, químicas e métodos de dosagem podem explicar
tal diferença, assim como o cimento utilizado no estudo, visto que o CPV
melhora as propriedades do concreto nas idades iniciais e, posteriormente,
tende a apresentar diferenças mínimas.
306
Gráfico 4 : Resistência média à compressão dos corpos de prova (MPa) aos 28 dias e desvio padrão.
Fonte: Próprio autor , 2018.
O gráfico 5 é referente à resistência à compressão média em
função das idades de rompimento. Nota-se que, aos 28 dias de cura, houve
um decréscimo na resistência. Isso pode ser explicado pela influência das
variáveis, tais como o tipo de cimento utilizado, método de dosagem e
origens dos demais materiais utilizados, o crescimento da resistência
propende a ser maior nas primeiras idades.
307
Gráfico 5: Resistência à compressão em função da idade de rompimento.
Fonte: Próprio autor , 2018.
VIABILIDADE ECONÔMICA
O estudo da viabilidade econômica da produção do concreto
com a substituição parcial do cimento por metacaulim foi realizado com
referência nos preços médios dos materiais encontrados na região da
cidade de João Pessoa-PB, como mostra o quadro 1.
Quadro 1 : Preços dos materiais.
R$/KG
CIMENTO CPV ARI R$ 0,57
AREIA MÉDIA R$ 0,04
BRIT A 1 R$ 0,03
MET ACAULIM R$ 1,75
Fonte: Próprio autor , 2018.
O cálculo do custo de produção do concreto foi realizado com
base na quantidade dos materiais necessários para a confecção por metro
cubico de concreto. O gráfico 6 apresenta os valores referentes ao concreto
sem a incorporação do metacaulim, no qual se verificou o menor custo de
produção, obser vando-se que o custo aumenta de forma proporcional ao
aumento do teor de substituição.
308
Gráfico 6: Viabilidade econômica.
Fonte: Próprio autor , 2018.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Perante os resultados obtidos nos ensaios realizados, conclui-se
que a substituição do metacaulim na produção do concreto, com relação
a resistência à compressão, correspondente a 7 dias de cura não foram
satisfatórios, visto que as amostras sem a incorporação do metacaulim
apresentaram valores de resistência superiores aos com teores de substituição
de 5%, 10% e 15%. T al diminuição na resistência deve-se ao fato da
variação da relação a/(c+MCAR), devido ao metacaulim apresentar um
módulo de finura inferior ao do cimento Por tland. Os métodos de dosagem
do metacaulim e a variação quanto às características físicas, químicas e
mineralógicas também exercem influência na sua resistência. Na idade de
14 dias, houve um aumento proporcional ao teor de substituição, de forma
que as amostras com 5% e 15% obtiveram os mesmos valores médios de
resistência correspondentes a 34,2 Mpa. T al fenômeno é explicado devido
ao aumento da idade de rompimento dos corpos de prova. Já aos 28 dias
houve um decréscimo na resistência. Mesmo com os resultados de resistência
abaixo isso não inviabiliza sua adição, tendo em vista outros ganhos a
massa de concreto com adição de metacaulim, entre eles: um concreto mais
sustentável e verde, pelo fato da menor emissão de CO 2 na produção de
metacaulim, e a maior estabilidade química que o concreto ganha com essa
309
adição, como se pode ver em várias pesquisas na área e na norma de RAA,
onde uma das soluções apontadas é justamente a adição de metacaulim.
Com relação a viabilidade econômica, os traços apresentam um
aumento gradual no custo de produção por m³ de concreto proporcional ao
aumento do teor de substituição do metacaulim. Desta forma, conclui-se que
a produção do concreto com um teor de substituição de 5% apresenta maior
vantagem, já que o mesmo atingiu uma resistência superior ao traço sem
inclusão do metacaulim.
Considerando todas as características e propriedades, o concreto
com 5% de substituição foi o que apresentou os melhores resultados globais.
Como alternativa sustentável, o concreto produzido com 15% de substituição
da massa do cimento por metacaulim, apesar de apresentar um custo mais
elevado, diminui de forma considerável os impactos ambientais, visto que
diminuindo o consumo do cimento consequentemente ameniza as emissões
de CO 2.
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Petrologia da USP . São Paulo, 1989.
312
COMP A TIBILIZAÇÃO DE PROJETO UTILIZANDO
METODOLOGIA BIM
Elias Rodrigues de Moura Júnior 1
Wil Lavor Lucena Camboim 2
RESUMO
Diversas ferramentas de gerenciamento são utilizadas na fase de projeto
para diminuição das inter ferencias indesejadas que chegam no canteiro de
obra. Uma dessas ferramentas, como exemplo, é a utilização do Building
Information Modelling (BIM). A modelagem da informação da construção
(BIM) é um assunto cada vez mais relevante no mercado da construção, no
qual permite que os projetos sejam elaborados e coordenados de forma
colaborativa e simultanea e assim, alcançando melhores resultados e
otimização de todo o projeto. Nessa pespectiva, o objetivo desta pesquisa
é analizar as principais etapas de compatibilização de projeto com
utilização do BIM, através de um estudo de caso uma empresa construtora
de João Pessoa-PB. Em vista disto, a proposta de metodologia esta voltada a
concepção de um projeto de edificicação multifamiliar com nove pavimentos,
incluindo projetos arquitetonicos, estruturais e complementares em um modelo
tridimensional, assim, analisando as etapas de elaboração dos projetos,
gerenciamento das disciplinas, identificação das inter ferencias e com isso,
compreeender desafios e vantagens da implementação dessa tecnologia,
assim como, identificar a necessidade do planejamento, otimização dos
processos, integração entre os profissionais e análise financeira para
implementação da tecnologia.
Palavras-chave: Gerenciamento. Compatbiliziação. BIM. Coordenação.
Modelagem.
1 T ecnólogo em Construção de Edifícios e Graduando em Engenharia Civil. E-mail: [email protected]
2 Engenheiro Civil; Mestre em Engenharia Mecânica; Doutor em Engenharia Mecânica e Professor do
curso de Engenharia Civil do UNIPÊ. E-mail: [email protected]
313
INTRODUÇÃO
Com o aumento da competitividade no mercado da construção
e a exigência mais assídua dos consumidores finais, a necessidade
de um processo de construção mais enxuto e eficiente é cada vez mais
imprescindível. A coordenação e planejamento do projeto par te desde a
sua concepção até os sistemas de pós ocupação da edificação, visando
sempre a otimização do processo, aumento do desempenho e diminuição o
custo final. Nesse sentido, algumas ferramentas são utilizadas ao decorrer
do projeto visando o aumento da produtividade e desempenho, como
exemplo, na fase de projeto, a utilização de ferramentas com metodologia
BIM ( Building Information Modelling ).
Atualmente, a coordenação do projeto através da metodologia
BIM já vem sendo utilizada de forma prática no Brasil e em outros países,
atingindo níveis de resultados mais efetivos em comparação ao processo
convencional. No entanto, segundo Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), a implementação dessa tecnologia no Brasil ainda é
considerada precoce. Porém, esse cenário está mudando com o tempo,
tanto do ponto de vista das Normas T écnicas mais rígidas, quanto das
exigências dos órgãos públicos em suas licitações, como a Caixa Econômica
Federal. Assim, pode-se afirmar que as principais vantagens ao longo da
sua implementação, estão a redução incisiva nos erros de projeto, redução
dos custos finais do projeto, melhoria nas tomadas de decisões da obra,
assim como aumento do desempenho e qualidade do produto final.
No processo convencional de desenvolvimento de projetos
imobiliários, o fluxo de informação é extremamente segmentado, no qual
não existem colaborações entre as disciplinas do projeto (arquitetos,
engenheiros e colaboradores) e, quando existem, o nível de referências é
muito baixo, diminuindo assim a asser tividade das tomadas de decisões
ao decorrer do projeto. A falta de copar ticipação das disciplinas, além de
erros relacionados à falta de comunicação, também inter fere no prazo e
custo final do projeto, dentro do qual uma das etapas mais afetadas é a de
compatibilização dos projetos.
Neste contexto, o objetivo desse ar tigo é analisar os conceitos,
caracterização dos processos e aplicação de BIM por meio dos projetos
arquitetônicos, de estrutura e de instalações prediais já existente, assim
320
Figura 2 – Park Del Prado Pavimento T ipo
Fonte: adaptado de CRN Arquitetura (2018)
DESENVOL VIMENTO DOS MODELOS
O modelo do projeto foi desenvolvido em três disciplinas: modelo
arquitetônico, estrutural e de instalações. Cada um foi desenvolvido
separadamente por empresas distintas com seus respectivos templates e com
as devidas especificações técnicas e gráficas. Para objeto desse estudo, foi
utilizado como referência o pavimento tipo do empreendimento.
321
Figura 3 – Park Del Prado Modelo T ridimensional Arquitetura, Estrutura e Instalações
322
Fonte: adaptado de CRN Arquitetura (2018)
ARQUITETURA
O modelo de arquitetura foi desenvolvido pela empresa CRN
Arquitetura. Sua modelagem foi desenvolvida pelo software ArchiCad®,
onde se inicia pela definição dos níveis dos pavimentos. A par tir dos níveis,
são projetadas as plantas em duas dimensões e logo depois, foram inserido
os eixos ver ticais dando forma ao modelo tridimensional do projeto.
O modelo final de arquitetura com especificações de paredes
internas, por tas, janelas, é apresentado na Figura 4.
323
Figura 4 – Park Del Prado Modelo T ridimensional Arquitetura Tipo
Fonte: adaptado de CRN Arquitetura (2018)
ESTRUTURA
Já o modelo estrutural, foi desenvolvido se iniciou logo após as
definições inicias da arquitetura. Desenvolvido pela T ecncon e utilizando
o software TQS®, o modelo de estrutura foi elaborado a par tir de um
pré-lançamento dos elementos estruturais e seu dimensionamento. É nesse
momento, também, que ocorre a interação com o modelo de instalações,
no qual é necessário prever com antecedência os furos para passagem de
tubulações ver ticais e horizontais nas vigas e lajes.
324
A disposição final do modelo de estrutura é mostrada na Figura 5.
Figura 5 – Park Del Prado Modelo T ridimensional Estrutura Tipo
Fonte: adaptado de T ecncon Engenharia (2018)
INST ALAÇÕES PREDIAIS
Considerada como a última etapa a ser iniciada, para o modelo
de instalações foi necessário a impor tação dos modelos de arquitetura
e estrutura, de forma que toda a elaboração dos projetos de instalações
se dê a par tir da compatibilização dos outros dois modelos, estrutura e
arquitetura. Os softwares com metodologia BIM têm como característica
a interoperabilidade, que permite o compar tilhamento dos arquivos de
programas diferentes em um único formato, o IFC.
Os projetos de instalações foram desenvolvidos com o software
REVIT® pela PEX ENGENHARIA.
A modelagem par te do estudo entre a interação de Arquitetura x
Estrutura, assim, evitando eventuais incompatibilidades mais fáceis de serem
evitadas.
325
Para esse estudo, levou-se em consideração apenas as
incompatibilidades encontradas no modelo hidrossanitário do
empreendimento.
Figura 6 – Park Del Prado Modelo T ridimensional Instalações Tipo
Fonte: adaptado de PEX Engenharia. (2018)
PROCESSO DE COMP A TIBILIZAÇÃO
Após o desenvolvimento dos projetos, foram reunidos os modelos
em um único modelo para que seja possível o relatório de conflitos, como
mostra a Figura 10.
Para compatibilização através do software Navisworks com
auxílio do plug-in BIMCollab, no qual é responsável por identificar as
inter ferências entre as três disciplinas em estudo. Para esse estudo de caso,
foram relacionadas todas as disciplinas com cada uma, como mostra a
T abela 1 a seguir .
326
T abela 1 – Matriz de Compatibilização das Disciplina
Fonte: Autoria Própria (2019)
Por fim, foi gerado o relatório de inter ferências, onde é possível
selecionar os elementos incompatíveis. A Figura 7 apresenta o relatório
de inter ferência gerado pelo programa. Nesse exemplo, evidenciam-se
inter ferências entre tubulações hidrossanitárias e estrutura.
Figura 7 – Relatório de Interferências
Fonte: Autoria Própria (2019)
327
No entanto, o relatório gerado automaticamente elenca diversos
conflitos que não inter ferem diretamente no custo e tempo da construção.
Krieger (2013) explica a diferença entre “boa modelagem” e “modelagem
per feita”, explicando que seguir os relatórios de conflitos como regra pode
ocasionar uma grande perda de horas de trabalho para julgar e alterar
as incompatibilidades detectadas, indo assim contra as premissas da
metodologia BIM, de economia de tempo e grande produtividade.
No caso desse modelo, foram encontrados 550 conflitos
automáticos, os quais foram estudados e discutidos quais conflitos inter feriam
diretamente no custo e tempo da construção.
A seguir , exemplos de incompatibilidades detectadas na fase de
projeto, onde eventualmente poderiam ocasionar em um custo não previsto
no orçamento final.
Figura 8 – Exemplos Incompatibilizações do Sistemas
(a) (b)
(a) Elétrico x Hidrossanitário; (b) Elétrico x Estrutura;
Fonte : Autoria Própria (2019)
RESUL T ADOS E DISCUSSÕES
Com esse estudo, ficou evidenciado a otimização do BIM em
relação a identificação de incompatibilidades no projeto e com isso,
diminuindo o tempo gasto com retrabalhos em fase de projeto e em custo
em fase de construção.
328
As incompatibilidades encontradas, depois de analisadas quais
são mais relevantes, são facilmente modificadas e compatibilizadas,
ajustando-se em todos os parâmetros dos projetos graças aos elementos
paramétricos que os softwares com metodologia BIM oferecem, isso permite
um avanço na produtividade da produção do “ as built ”, que costuma ser
um processo longo e cansativo em relação ao retrabalho gerado. A seguir ,
apresenta-se uma incompatibilidade Instalação x Estrutura e sua respectiva
solução na fase de projeto.
Figura 9 – Exemplos Solução para Incompatibilidade Estrutura x Hidrossanitário.
(a) (b)
(a) Incompatibilidade; (b) Solução
Fonte: Autoria Própria (2019)
Neste estudo de caso, foi utilizado uma edificação em concreto
armado e instalações prediais convencionais. No entanto, o método de
compatibilização utilizando o BIM pode atender qualquer tipo de construção,
principalmente às construções com elaborados sistemas, pré-fabricados e
com margem de retrabalho mínima. Isso porque, quanto mais complexa a
edificação, maior o número de documentação de projeto a serem gerados
e consequentemente o maior número de compatibilizações necessárias
assim, aumentando a possibilidade de incompatibilidades encontradas e em
consequência, elevando o custo final da obra com retrabalhos e mudanças
não previstas.
No entanto, deve-se ressaltar que existem barreiras que impede
à não opção do sistema BIM. A primeira delas é a barreira criada pelas
empresas em implantar a metodologia em seus projetos, alegando falta de
tempo para implantação e, quando investem tempo, se deparam com os
altos custos de implantação de hardware (computadores, processadores,
internet, etc.). A visão dos clientes que se trata de um custo e não um
329
investimento, tendo em vista o aumento do valor do projeto devido ao custo
da implantação dos escritórios é também uma barreira na implementação
do sistema. Em casos que todas essas barreiras sejam resolvidas, existe a
dificuldade dos projetistas que colaboram não trabalharem com BIM, já
que é pouco provável que uma única empresa faça todos os projetos de um
empreendimento.
Em relação ao modo convencional de compatibilização, as
empresas costumam terceirizar esse ser viço através de consultorias com um
coordenador de projetos, sendo o mesmo responsável pela compatibilização
mais minuciosa dos projetos. Na metodologia BIM, o coordenador não é
excluído, porém, seu trabalho é facilitado através de software responsáveis
em gerar os conflitos que acontece com os modelos, como foi explicado neste
estudo de caso. No entanto, esse processo deve ser feito periodicamente pelo
coordenador , onde todas as disciplinas são disponibilizadas semanalmente,
ou até diariamente, mostrando o avanço dos seus modelos. Para isso, é
necessário que exista uma interação, tanto em fase de projeto quanto na fase
de execução, que muitas vezes se inicia antes da finalização dos modelos de
projeto, com isso resolvendo problemas de incompatibilidades no canteiro
de obras, o que aumenta custo e compromete todo o cronograma da obra.
Por fim, é impor tante ressaltar que o avanço da tecnologia está
relacionado à otimização dos processos, melhora do desempenho do
projeto e aumento da facilidade de tomada de decisão. Contudo, isso não
exclui a responsabilidade do projetista em entender , adaptar e explorar as
melhores decisões de acordo com suas necessidades.
CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo analisar capacidade do BIM
como uma ferramenta de compatibilização de projeto, mostrando as etapas
de modelagem das disciplinas, a interação entre elas e a geração de
conflitos de incompatibilidade.
V ale ressaltar que a compatibilização de projeto é essencial para
evolução e desempenho da construção civil, que está diretamente ligada à
qualidade e produtividade da execução. T ambém, pode indicar fatores como
as falhas provenientes de projetos e o processo de gestão e planejamento
de projetos falhos, os quais geram retrabalhos, provenientes de falhas por
336
O valor obtido através dos materiais de campo é o de Altura
infiltrada (mm) , para a obtenção de demais valores se faz necessário o uso
de fórmulas matemáticas, utilizando os valores encontrados.
Para o cálculo do valor total de V olume Infiltrado (ml), é necessário
saber a altura infiltrada total e associá-la a área do infiltrômetro, produto
entre o raio e a constante π (a unidade de medida final, mililitros, é obtida
sem demais cálculos se for utilizado o valor da altura infiltrada e o raio em
centímetros). O cálculo é feito utilizando a fórmula a seguir:
Outro valor impor tante para o estudo é a T axa de Infiltração
(ml/min), essa é encontrada a par tir dos valores de tempo de realização.
No estudo foi utilizado o inter valo de tempo de 15 minutos, e do volume
infiltrado (ml). A obtenção do valor é mediante a seguinte operação:
Com o fim da coleta de dados e finalização da tabela, pode-se
analisar melhor a dinâmica da água com os três tipos de solo. Com isso
serão examinados e expostos os resultados individualmente para cada teste
e após um comparativo dos mesmos.
Figura 2: Infiltrômetro de Hills em campo.
Fonte: Autores (2017)
337
RESUL T ADOS E DISCUSSÕES
O primeiro teste foi realizado em um solo em fase de encrostamento.
Por ser uma área próxima de jardim, conforme apresentam as Figuras 3
e 4, o solo se encontrava úmido e não apresentava fragmentos rochosos
na área de aterramento do infiltrômetro, facilitando assim a penetração do
objeto de teste ao solo. Os resultados expressos no Gráfico 1 mostram o
compor tamento do solo ao ensaio.
Figura 3: Instalação do infiltrômetro Figura 4: Execução do teste de Infiltração.
Fonte: Autores (2017) Fonte: Autores (2017)
Gráfico 1: Quantitativo da Infiltração no solo em fase de encrostamento
Fonte: Autores (2017)
338
Na área, obteve-se um acúmulo aproximado de 360 ml conforme
mostra o Gráfico 1, e um nível de infiltração acumulada inferior a 5 cm
(Anexo I). A par tir desses resultados chegou-se a uma taxa de infiltração de
24 ml/min. Uma das possíveis causas para esse resultado é o fato do local
de execução do teste já se encontrar saturado, dificultando a infiltração da
água solo.
O segundo teste foi realizado em uma área de solo encrostado
A característica de encrostamento se deve ao fato de o solo passar por um
processo de compactação devido ao trânsito de caminhões nesse local.
Essa característica do solo dificulta a passagem de água por meio de
infiltração, fato que é confirmado nos resultados do teste. A característica
ficou mais evidente na própria cravação do infiltrômetro, visto a dificuldade
de penetração do objeto.
Figura 5: Instalação do infiltrômetro Figura 6 : Execução do teste de Infiltração
Fonte: Autores (2017) Fonte: Autores (2017)
Nesta etapa da atividade, pode-se notar que as características
do solo seco, pobre em nutrientes e/ou matéria orgânica, influenciaram
diretamente na sua capacidade de infiltração. Essa afirmativa se evidencia
nas informações geradas durante o teste, onde o processo de infiltração se
deu de forma lenta. É perceptível no Gráfico 2 que o período de início ao
fim do processo se deu de forma lenta e gradativa.
339
Gráfico 2: Quantitativo da Infiltração no solo encrostado
Fonte: Autores (2017)
O gráfico mostra que o segundo teste resultou em uma infiltração
total de 230 ml e um nível de infiltração próximo a 3 cm (Anexo I). A taxa
de infiltração do teste 2 foi de 15,3 ml/min. A par tir dos resultados do
teste, foi comprovada a baixa capacidade de infiltração do solo com essas
características.
O último teste foi realizado em uma área com cober tura vegetal,
com a presença de ár vores de médio por te, sendo uma área plana e um
terreno rebaixado, que também favorece a captação das águas provenientes
das áreas mais elevadas do terreno e um solo rico em material orgânico e
nutrientes, evidenciado nas Figuras 7 e 8. Neste local foi obtido o maior
índice de absorção de água pelo solo, em comparação aos outros testes
realizados. Esse resultado já se era esperado, visto que a presença de
material orgânico, facilita a capacidade de infiltração do solo, apresentando
sempre valores maiores em relação a solos compactados e pisoteados, o
que é mostrado no Gráfico 3.
340
Figura 7: Instalação do infiltrômetro Figura 8: Execução do teste de Infiltração
Fonte: Autores (2017) Fonte: Autores (2017)
Gráfico 3: Quantitativo da Infiltração no solo com cobertura vegetal
Fonte: Autores (2017)
De acordo com o Gráfico 3, pode-se notar um registro de infiltração
acumulada de 2.034,18 ml, e uma altura de infiltração um pouco maior
de 25 cm, sendo os maiores valores dentre os testes feitos, confirmando o
que foi falado acima. O teste apresentou uma taxa de infiltração de 135,6
ml/min taxa muito superior as demais encontradas. Notou-se que até os 6
primeiros minutos há um total de 1013,16 ml infiltrado, pouco menos da
metade do valor total. No tempo restante, 9 minutos, é infiltrada a segunda
metade da quantidade total, mesmo demorando mais tempo para infiltrar
341
a mesma quantidade de água, o solo continua com uma boa taxa de
infiltração, mesmo apresentando características de saturação. Isso mostra
a excelente capacidade de infiltração de solos em áreas de vegetação. O
Gráfico 4 evidencia essas diferenças e faz um comparativo entre os três
testes realizados.
Gráfico 4: Comparativo dos T estes
Fonte: Autores (2017)
O Gráfico 4 mostra a comparação entre os três testes, onde
deixa claro que a maior infiltração acumulada ocorre no solo cober to por
vegetação, com uma diferença exorbitante em relação aos outros dois
testes. Dentre esses, o solo encrostado apresenta a menor quantidade de
água infiltrada e, por conseguinte, o segundo melhor resultado é do solo
em fase de encrostamento. Porém, apresenta uma grande diferença para o
melhor resultado e valores próximos quanto ao pior resultado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse estudo teve como objetivo analisar áreas de solo por meio da
determinação das cur vas de infiltração e taxa de infiltração de água no solo
de João Pessoa pelo método do infiltrômetro de Hills.
No estudo foi obtida a resposta para algumas perguntas chaves
a respeito do tema. T ais como, se há diferença de infiltração em diferentes
tipos de usos do solo e, se há essa diferença, qual é o solo que apresenta
342
o melhor e o pior resultado? Com o estudo chegou-se à resposta para
essas duas perguntas. Há sim diferença entre os tipos de solo e o estado
de encrostamento é fator determinante para essa desigualdade. Esse fato
fica evidenciado nos valores de infiltração obtidos nos testes, onde um
solo com cober tura vegetal apresentou um nível e uma taxa de infiltração
exorbitantemente elevada em comparação aos dois outros ensaios.
Esse resultado mostra a impor tância de se preser var a vegetação
nativa para o bom estado da cidade e da população, evitando, através
de locais com elevada taxa de infiltração, problemas como enchentes, que
são comuns em grandes centros. Isso se deve ao alto número de áreas
construídas, ação que causa o impedimento da passagem de água por
infiltração natural, que pode ser comparado ao solo encrostado e, no
estudo, é perceptível a diferença entre essas duas situações. Assim, é
constatada a impor tância de se dar a devida relevância à infiltração do solo
para qualquer ação que possa causar desmatamento e consequentemente
encrostamento do solo.
Embora a pesquisa traga alguns fatos relevantes é impor tante
que novos estudos sejam feitos ou até a adaptação desse trabalho, como
aumentar o número de amostras, realizar esse tipo de teste em grandes
centros urbanos, fazer um mapeamento de zonas de infiltração na cidade
de João Pessoa, mediante o teste super ficial de infiltração de Hills.
REFERÊNCIAS
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Disponível em: <www .ufrrj.br/institutos/it/deng/leonardo/downloads/
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atualização de bases e conceitos. GUERRA, A. J. T . e CUNHA, S. B. (ORG)
3° Edição. Rio de Janeiro. Ed. Ber trand Brasil, 1996.
343
GUTIERRES, H.E.P . O risco geomor fológico na comunidade Satur nino de
Brito na cidade de João Pessoa-PB. In: SOBRINHO JÚNIOR, A. da S.; LIMA,
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MENDONÇA, L.A.R. et al. A valiação da capacidade de infiltração de solos
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MOLINARI, D. C; VIEIRA, A. F . G. Considerações preliminares sobre a
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REICHARDT , K. A água em sistemas agrícolas. São Paulo, Manole, 1987.
188 p.
SANTOS, Denise Cristiane Maciel dos; SANCHES, Fábio. Análise do run off
em áreas de mata atlântica e eucalipto na arie (área relevante de interesse
ecológico) da pedra branca, T remembé-SP - Anais do XI Simpósio Brasileiro
de Geografia Física Aplicada – 05 a 09 de setembro de 2005 – USP
SOARES, W anessa Cartaxo. Banco de dados geológico-geotécnicos
com base em sondagens à percussão e uso de SIG: análise espacial da
profundidade do lençol freático e do\’N IND. SPT\’para obras de fundação
em João Pessoa-PB. 2011. T ese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
344
ANEXO I
FICHA DE CAMPO DOS TESTES DE INFIL TRAÇÃO
345
352
A grande quantidade de PET não reciclada gera grandes impactos
ambientais, principalmente pelo descar te inadequado no meio ambiente,
que, na maioria das vezes, é levado a rios e lagos, intensificando a
poluição da água e consequentemente gerando problemas de alagamentos
nas cidades, além da perda de biodiversidade.
Em decorrência da alta utilização deste material e levando em
consideração o tempo de decomposição, tem-se gerado grande acumulo de
resíduos. Dessa forma, tem-se usado como alternativa a reciclagem desse
material. A reutilização está em grande progresso no Brasil e no mundo,
possibilitando benefícios como a redução de lixo coletado.
A reciclagem é de grande impor tância e tem como base o pilar da
sustentabilidade, que beneficia o meio-ambiente, a economia e a sociedade.
Consequentemente diminui a poluição, valoriza a limpeza pública e a
consciência ecológica. Explorar a opor tunidade da comercialização
internacional de garrafas PET recicláveis, destacando não somente na
matéria prima, como também seus derivados, é uma vantagem competitiva
na gestão de organizações verdes (LUCARELLI, 2018).
REFORÇO DE SOLOS COM FIBRAS
Com a finalidade de se encontrar alternativas para os resíduos de
garrafas PET , alguns estudos foram realizados com o objetivo de se analisar
a inclusão do resíduo de PET no solo e os efeitos causados pelo mesmo.
(LUCARELLI, 2018).
De acordo com Santos (2005), qualquer destino dado aos resíduos,
com exceção de aterros sanitários, são soluções viáveis para amenizar o
descar te dos mesmos no meio ambiente. Um dos possíveis empregos que
vem sendo estudado e inserido esse material são as obras de geotecnia,
reduzindo os problemas ambientais, diminuindo os custos com obras e
incentivando pesquisas e investimentos mais aprofundados.
De acordo com Senez (2016), há apenas três décadas iniciaram
os estudos da inserção de fibras ao solo como reforço. Os primeiros estudos
utilizavam raízes de plantas de forma aleatória para avaliar sua influência
quanto a resistência ao cisalhamento, porem atualmente existem diversos
estudos com diferentes tipos de fibras, dentre elas podem ser citadas as
353
fibras metálicas, fibras vegetais, fibras poliméricas, nessa última, são onde
se encaixam as fibras de PET .
Reforço de solo é definido como uma técnica para melhorar as
características geotécnicas do solo, por meio de mistura de materiais com
objetivo de melhorar as propriedades. As melhorias das propriedades
mecânicas de um material podem ocorrer tanto por processos químicos e/
ou físicos. Quando se trata de melhoria de solo, este está associado aos
processos químicos de estabilização, enquanto que o reforço de solo está
associado aos processos físicos. (SENEZ, 2016).
A maioria dos estudos realizados tem a finalidade de comparar o
compor tamento quanto a resistência e deformabilidade dos solos reforçados
com o de solos não reforçados. De acordo com Dal Pont (2018) apud
T aylor e Hannant (1994), a inserção de fibras não impede a formação
de fissuras, porém as mesmas são inseridas com o intuito de aumentar a
resistência à tração pelo controle de propagação das mesmas, mantendo
as inter faces das fissuras juntas, melhorando as propriedades mecânicas no
estado pós-fissuração.
P A VIMENTOS
O setor de transpor te é responsável por maior par te do setor
econômico, sendo necessário para o desenvolvimento de uma cidade,
região ou pais. O setor também é responsável pela integração entre áreas
de produção e de consumo no mercado interno e externo. O transpor te
de cargas no Brasil é predominantemente dependente de rodovias. O
investimento na estrutura rodoviária do Brasil pode atingir bilhões de
reais por ano, porém estes investimentos não são suficientes para suprir a
necessidade do país (ANTE, 2012).
O Brasil possui mais de 61 mil quilômetros de vias federais
pavimentadas, sendo o país com a terceira malha rodoviária mais extensa
do mundo, porém, ainda assim, só apresenta 13,5% das vias pavimentadas.
Apesar da extensa malha, o país não possui tradição de manutenção e
conser vação das estradas, muitas vezes a construção é realizada com
utilização com matérias de não tão boa qualidade e ainda assim são
restauradas de forma inadequada (ANTE, 2012).
354
Como par te das soluções para conser vação de rodovias, são
utilizados métodos de estabilização do solo, quando se deseja melhorar
as características do mesmo, dentre essas podem ser citadas misturas
granulométricas, uso de geossintéticos, inclusão de fibras e uso de
aglomerantes como cimento e cal.
De acordo com o manual de pavimentação do DNIT (2006),
pavimento de uma rodovia é definido como “superestrutura constituída
por sistema de camadas de espessura finitas, assentes sobre um semi-
espaço considerado teoricamente como infinito a infraestrutura ou terreno
de fundação, a qual é designada de subleito”. Pavimentos podem ser
classificados como flexível que é aquele em que toda as camadas sofrem
deformação elástica, semirrígido e rígido são aqueles em que o revestimento
tem uma elevada rigidez em relação às camadas inferiores.
O pavimento flexível é formado pelas seguintes camadas: subleito,
regularização do subleito, reforço do subleito, sub-base, base e revestimento.
Já o pavimento rígido é formado por camadas que atuam à tração. São
constituídos por placas de concreto que são assentadas em sub-base.
CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO SOLO
A caracterização física do solo permite identificar características
impor tantes que são empregadas durante sua classificação e posterior
avaliação do seu uso. Neste estudo serão apresentados os conceitos
relacionados aos ensaios de granulometria, Limites de Plasticidade e Limite
de Liquidez, bem como a determinação do Índice de Plasticidade.
GRANULOMETRIA
A análise granulométrica é a análise realizada para determinar
o tamanho das par tículas de um solo. Essa análise pode ocorrer de duas
formas diferentes, através dos ensaios de sedimentação e peneiramento,
sendo respectivamente para solos cujas par tículas são inferiores e superiores
a 0,075 mm (DAS, 2014).
Para o ensaio de peneiramento a NBR 7181 (ABNT , 1994),
define um conjunto de peneiras (1,2; 0,6; 0,42; 0,25; 0,15; 0,075 mm²)
em que são depositadas amostras do solo, para verificar as frações retidas
355
nas respectivas malhas, afim de se obter uma cur va granulométrica. Após
a concepção da cur va, o solo pode ser classificado quanto à sua natureza
física.
LIMITES DE A TTERBERG
Um dos fatores mais impor tantes para caracterização das
propriedades físicas do solo é sua capacidade de moldagem, definida
como plasticidade. A figura 4, ilustra os estados físicos do solo de acordo
com o decréscimo de umidade (CAPUTO, 2014).
O primeiro deles é o limite de liquidez (LL), que está relacionado
a capacidade de fluidez do solo, é obtido pelo ensaio com o aparelho de
casa grande. Nesse aparelho o solo é moldado na cuba metálica e com a
ajuda de um cinzel feita uma ranhura de 1 cm, de modo que após o impacto
contra a mesa o solo feche de forma uniforme em ambos os lados. Após
estar devidamente fechada é registrado o número de golpes necessários nos
inter valos estabelecidos por norma (CRAIG, 2015).
O limite de plasticidade (LP) segundo (DAS, 2014, p. 76) “é
definido como o teor de umidade expresso em porcentagem, em que o
solo fissura, quando moldado em cilindro de 3,2 mm de diâmetro”. Para
esse ensaio o solo é moldado em uma placa de vidro e moldados cordões
cilíndricos, que são divididos e levados a estufa para secagem e verificação
do limite.
Figura 4 – Limites dos solos.
Fonte: Caputo, 2014.
Após os resultados dos limites de plasticidade e liquidez, é
realizado o cálculo dos Índice de Plasticidade (IP) e Consistência (IC) do
solo. Esses índices são impor tantes para caracterização dos solos finos, pois
podem relacionar o teor de umidade e as propriedades físicas. As equações
a seguir explicitam a metodologia de cálculo empregado para os resultados.
(1)
356
(2)
Em que:
W é a umidade do solo;
IP é o índice de plasticidade;
LL é o limite de liquidez;
A par tir dos valores obtidos dos índices de consistência e plastici-
dade é possível verificar a classificação baseado nos inter valos propostos
pela literatura, cujo resumo é apresentado pela adaptação do estudo de
Monteiro (2018).
Quadro 1 - Índice de plasticidade e índice de Consistência do solo.
ÍNDICE DE PLASTICIDADE (IP) ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA (IC)
Não Plástico IP ≤ 0 Muito Moles IC < 0
Fracamente Plástico 1 < IP < 7 Moles 0 < IC < 0,50
Medianamente Plástico 7 < IP < 15 Médias 0,50 < IC < 0,75
Altamente Plástico IP > 15 Rijas 0,75 < IC < 1
Duras IC < 1
Fonte: Adaptado de MONTEIRO, 2018.
COMP ACT AÇÃO
A compactação é um processo muito empregado na estabilização
de solos para fins diversos, em que é possível se obter melhores condição de
usabilidade. Para Massad (2010), a compactação é uma redução do índice
de vazios do solo através de processos mecânicos.
Os ensaios de compactação visam obter o teor de umidade ótima
do solo e relacionar com a massa específica seca máxima. Dessa forma,
é possível se obter , por meio de gráficos, o ponto de inflexão da cur va de
compactação, o teor de umidade e a quantidade de água necessária a
maximização da resistência e a redução dos vazios (CRAIG, 2015).
357
ÍNDICE DE SUPOR TE CALIFÓRNIA (ISC)
O índice de Supor te Califórnia ou CBR ( Califor nia Bearing Radio )
é um ensaio que verifica a resistência a penetração de um pistão em uma
amostra compactada de solo, relacionando com um valor padrão de
resistência a penetração em uma brita padronizada (DNIT , 2006).
O valor do ISC pode ser obtido através da equação 03 a seguir
(3)
O ensaio consiste em compactar 3 amostras de solo, em cilíndricos
metálicos com 55, 26 e 12 golpes respectivamente a fim de se obter a
resistência a penetração. Os corpos de prova são mantidos submersos
em água para se verificar a expansão, permitindo considerar se não há
presença considerável de vazios (CAPUTO, 2014).
RESUL T ADOS E DISCUSSÕES
Baseado nos ensaios realizados foram resumidas as características
físicas do solo, apresentadas na T abela 1. Conforme ilustrado, o índice de
plasticidade de 12% permite classificar o solo como medianamente plástico
(ver quadro 1), inferindo, por tanto, que o solo apresenta características
pouco moldável, necessitando de maior quantidade de água para melhorar
sua trabalhabilidade.
Os resultados também apresentam o tipo de solo, classificado
pelo método rodoviário Highway Research Boar – HRB, pelo qual foi obtida
classificação foi do tipo A-6, possuindo características de materiais mais
argilosos com características resistivas enquadradas em materiais de fraco
a pobre para uso em subleitos de rodovias.
358
T abela 1 – Resultados dos aspectos físicos do solo natural.
Resultados
Granulometria Passa na #200; 55%
Limite de Liquidez 28%
Limite de Plasticidade 16%
Índice de Plasticidade 12%
Índice de Grupo 5
T ipo de Solo A-6
Umidade ótima 14,45%
Massa específica seca Máxima 1,170 g/cm³
Fonte: Autoria própria, 2019.
Obser vando o percentual passante na peneira #200 no gráfico 1
abaixo, fica evidente que o número de par tículas finas passantes é majoritário,
implicando em solos coesivos e que necessitam de boa estabilização, cujo
grau de compactação exige pouca variação, podendo em alguns casos
gerar deformações excessivas.
Gráfico 1 – Distribuição granulométrica do solo natural
Diâmetro das partículas (mm)
Fonte: Autoria própria, 2019.
O ensaio de compactação tem como objetivo eliminar os vazios
presentes no solo pela expulsão do ar . Por meio do gráfico é possível obter
o teor de umidade ótima do solo e relacionar com a massa específica seca
máxima (tabela 2). O ensaio foi realizado utilizando o cilindro e soquete
grande, compreendendo em 5 camadas de solo e em cada camada 12
359
golpes. O gráfico 2 mostra os resultados finais da cur va de compactação
para cada uma das amostras
T abela 2 – Resumo dos resultados de compactação.
Corpo
Prova
Solo Natural Adição 1% Adição 3% Adição 5%
W óti ρ máx W óti ρ máx W óti ρ máx W óti ρ máx
1 14,81% 1,170 15,10% 1,170 13,95% 1,136 15,20% 1,103
2 14,45% 1,140 13,00% 1,182 13,95% 1,150 14,80% 1,160
3 14,34% 1,180 13,10% 1,198 13,99% 1,152 15,20% 1,160
Média 14,53% 1,160 13,72% 1,182 13,96% 1,146 15,06% 1,140
Fonte: Autoria própria, 2019.
Gráfico 2 – Distribuição granulométrica do solo natural
Fonte: Autoria própria, 2019.
O Índice de Supor te Califórnia (ISC ou CBR – Califor nia Bearing
Ratio ) é o método capaz de verificar a resistência do solo utilizado com
e sem a inserção de fibras de PET para aterros de rodovias, e assim, ser
definido através do ensaio de penetração e expansão. T odo o ensaio foi
acompanhado e realizado pelo DNER-ME 049/94.
A energia adotada para a compactação do solo foi pelo Método
A – Normal, que consiste em 5 camadas de solo, aplicando 12 golpes com
o soquete de 4,5kg.
360
Dessa forma, com base na tabela 3, é obser vado o aumento da
resistência mecânica em mais de 8% em relação ao solo natural e com
adição de fibras de PET com proporção de 3%, resultando no valor médio
de ISC de 6,7% e 14,8%, respectivamente. Em continuidade, com o aumento
da quantidade de fibras para proporção de 5%, foi analisado uma queda
considerável em mais de 10%, com percentual médio do ISC de 4,7%.
T abela 3 – Resumo dos resultados do ISC.
ISC
Corpo Prova Solo Natural Adição 1% Adição 3% Adição 5%
1 4,7% 7,5% 13,3% 4,9%
2 4,1% 12,3% 16,3% 4,5%
Média 4,4 % 9,9% 14,8% 4,7%
Fonte: Autoria própria, 2019.
Após as leituras efetuadas no extensômetro durante a fase de
imersão dos corpos de prova, elaborou-se a tabela 4 abaixo, que reúne os
valores relativos à expansão das amostras. De acordo com esses resultados
é perceptível que o solo não apresentou elevada absorção de água,
demonstrando que não houve acréscimo do número de vazios. Os valores
também demostram que os percentuais de 1% e 3%, sofreram considerável
expansão quando comparados com os demais, ao se obser var o resultado
do ISC, para tanto percebe-se que estes também são os maiores valores.
Nesse sentido, para essa faixa de acréscimo da fibra, ocorrem maiores
expansões, embora o valor do ISC também cresça.
T abela 4 – Resumo dos resultados da expansão
Expansão
Corpo Prova Solo Natural Adição 1% Adição 3% Adição 5%
1 0,1 % 0,9% 0,2 % 0,1 %
2 0,1 % 0,9 % 0,1 % 0,1 %
Média 0,1 % 0,9 % 1,5 % 0,1 %
Fonte: Os autores, 2019.
361
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A par tir da discussão dos ensaios realizados e com a contribuição
literária abordada, é possível avaliar como satisfatório o emprego da fibra de
PET para aumento das condições resistentes do solo. Os dados apresentados
ilustram que a adição de 3% possibilitou expressivo crescimento do ISC,
evidenciando que o solo atende às condições para o uso em camadas de
subleito de rodovias.
Conforme estabelece o DNIT (2009), o solo necessita ter
capacidade de supor te (ISC ≥ 2%) e expansão inferior a 4%. Como visto nos
resultados, o solo em estudo apresentou nas condições naturais resultados
satisfatórios, embora, após o acréscimo da fibra houve um acréscimo de
resistência. Dessa forma, aumentando-se a capacidade resistiva do subleito
é possível reduzir a espessura da camada de reforço ou, dependendo das
condições de tráfego, suprimir a camada.
Por se tratar de um resíduo sólido inser vível após alguns ciclos
de reutilização, o PET pode ser implantado para melhorias das condições
de aterros, bem como suprimir a deposição do material na natureza.
Comprovada a eficácia do material para as condições em análise, sugere-
se variar as percentagens de adição da fibra e verificar o compor tamento
em solos distintos, afim de se avaliar a viabilidade nesses casos.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7181:
Solo – Análise granulométrica. Rio de Janeiro/RJ, (1984).
ANTE, Jaime Rafael Obando. Geossintéticos como reforço de revestimentos
em pavimentação . 2012. Disser tação (Mestrado em Geotecnia) -
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, Brasília, 2012.
BRASIL. Depar tamento Nacional de Infraestrutura de T ranspor tes. Diretoria
de Planejamento e Pesquisa. Coordenação Geral de Estudos e Pesquisa.
Instituto de Pesquisas Rodoviárias. Manual de Drenagem de Rodovias – 3
ed. – Rio de Janeiro, 2006. 304p.
368
vem sendo implantado e realizado a T ransposição das águas do Rio São
Francisco para o eixo que abastece as regiões mais afetadas pela seca.
O ABASTECIMENTO DE ÁGUA NA CIDADE DE JOÃO PESSOA
A Região Metropolitana de João Pessoa é composta por 13
municípios com uma população que corresponde a 39% da população
urbana do Estado (ANA, 2010). De acordo com o Plano Municipal de
Saneamento Básico da Prefeitura Municipal de João Pessoa (2015), o
sistema existente, de abastecimento de água do município, é composto
basicamente pelas seguintes unidades:
• Seis (06) Mananciais, sendo três barragens de acumulação (Barragem
de Marés, Barragem Gramame/Mamuaba, Barragem de Cupissura —
projetada), duas captações à fio d’água (uma no rio Mumbaba a e outra no
rio Abiaí), o aquífero Beberibe (43 poços tubulares profundos) e aluviões do
rio Jaguaribe (poços rasos do manancial de Buraquinho).
• Duas (02) estações de tratamento de água convencionais, ET A - Marés e
a ET A - Gramame.
• T rês (03) estações elevatórias de água bruta, sendo uma no rio Gramame,
outra no rio Mumbaba e a terceira no manancial de Buraquinho
• Quatro (04) adutoras de água bruta.
• Doze (12) estações elevatórias de água tratada.
• T rês (03) adutoras de água tratada.
• Vinte (20) sub-adutoras de água tratada;
• T rinta e três (33) reser vatórios;
• A rede de distribuição possui comprimento de 1.437,68 km, com diâmetros
variando ente 50 e 600 mm.
• Há 233.844 ligações cadastradas de água.
(PMJP , 2015)
369
PERCURSO METODOLÓGICO
A população da comunidade do T imbó tem sofrido com a falta
de água e com isso vem, constantemente, realizando protestos em buscas
por soluções, estes frequentemente destacados nos veículos de comunicação
local.
Entretanto, surgiu a necessidade de investigar sobre a qualidade
do ser viço público prestado. Por isso, o diagnóstico foi desenvolvido com
estudos e coleta de dados que foram realizadas em vários momentos com a
população da comunidade e com a companhia de abastecimento de água
local.
CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
T rata-se de uma pesquisa de campo descritiva e transversal
com abordagem qualitativa. Caracterizada pela busca de informações e
fenômenos que acontecem no real em uma comunidade, para determinar o
status do ser viço público prestado e obter informações essenciais para que
soluções sejam propostas afim de que os problemas possam ser resolvidos.
CAMPO DA PESQUISA
O cenário dessa investigação é a comunidade do T imbó, que está
localizada na região Sul da cidade de João Pessoa – PB. Ela se encontra
entre os bairros Por tal do Sol e Bancários, onde passa o Rio T imbó, rio
que deu origem ao nome da comunidade. Devido sua caracterização
geomor fológica, ela é subdivida em duas, sendo o T imbó I e o T imbó II, ou
T imbó de cima e T imbó de baixo.
Sobre a população da comunidade, hoje, não se tem dados
quantitativos, entretanto, Pita (2012) informa através dos dados da Fundação
de Ação Comunitária (F AC) que no ano de 1998 existiam 706 domicílios
na comunidade. Em 2002 houve um pequeno crescimento e passaram a
existir 800 domicílios, onde 568 per tencentes ao T imbó II e 232 ao T imbó
I. Em 2007, com um levantamento realizado pela prefeitura, constaram
aproximadamente 900 domicílios.
370
A comunidade possui 13 ruas nomeadas e algumas ainda sem
nome, além da T ravessa São Paulo. A principal e a maior rua da comunidade
é a Margarida Maria Alves, a rua tem uma extensão de aproximadamente
550 metros, se inicia na par te mais alta e vai até a par te mais baixa da
comunidade. A Rua Abelardo Pereira dos Santos é a responsável pela
divisão entre a comunidade e o bairro dos Bancários.
INSTRUMENTO DE COLET A DE DADOS
Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas
juntos aos sujeitos, significando um meio formal para obter informações e
dados através da fala dos autores. Foram incluídas pessoas/par ticipantes
que seguem a caracterização da amostra (pessoas de ambos os sexos, acima
de 18 anos adultos e idosos), sendo eles moradores da comunidade T imbó I
e II (ou T imbó de Cima e T imbó de Baixo), onde não foram per mitidos mais
de dois entrevistados que residem na mesma residência.
CRITÉRIOS ÉTICOS DA PESQUISA
Por se tratar em uma pesquisa envolvendo seres humanos, foram
atendidas as exigências propostas pelo Conselho Nacional de Saúde,
através da Resolução n. 466/12 (BRASIL, 2012), e a pesquisa só foi iniciada
após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário
de João Pessoa - UNIPÊ.
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO
O sistema de abastecimento de água da comunidade T imbó é do
tipo convencional. Atualmente este sistema é alimentado diretamente da ET A
Gramame.
Segundo Pita (2012), apesar do sistema ser de domínio da
CAGEP A, o abastecimento de água não é regular em toda a comunidade, de
acordo com os moradores das áreas mais altas, falta água com frequência
em suas residências, devido à pressão não ser suficiente para alcançar a
altura. Apesar de existir falta de água nesta par te da comunidade, em outra
par te os moradores afirmam não ocorrer a suspensão da água. Porém, a
371
sua qualidade deixa a desejar , pois as águas se apresentam barrentas e
causam dores abdominais.
No acer vo da CAGEP A não foi possível encontrar informações
sobre projetos já executados no T imbó. Por tanto, destaca-se que as
instalações da rede na comunidade foram feitas sem o auxílio de um projeto
de abastecimento de água adequado. A rede de distribuição é do tipo
ramificada e as informações que constam no cadastro CAGEP A pode ser
obser vada na figura 1 abaixo:
Figura 1 – Rede de abastecimento de água da comunidade T imbó
Fonte : CAGEP A (2017a)
No sistema de cadastro, consta que as tubulações da rede na
comunidade possuem diâmetro nominal de 60mm e 50mm. Entretanto, por
falta de informações no cadastro da companhia não foi possível verificar as
características de toda a rede. De acordo com a CAGEP A, nos vários trechos
onde é possível identificar os imóveis não constam tubulações, devido as
características da área, pode ser considerado que tenham tubulações com
diâmetro nominal de 50mm.
As informações referentes às ligações domiciliares foram coletadas
no campo, no momento da pesquisa. A situação de ligação de muitas
residências encontra-se irregular e uma parcela das ligações é clandestina.
Muitas famílias não conseguiram realizar o pagamento da conta de água
e esgoto e tiveram a interrupção no recebimento de água por par te da
CAGEP A.
372
Sobre a quantidade de consumo de água realizado pela
comunidade, não foi possível obter informações. Os resultados e
informações obtidas por meio das entrevistas realizadas com os moradores
da comunidade estão relacionadas nos tópicos a seguir:
Timbó I (ou Timbó de Cima)
O T imbó I (ou T imbó de Cima) apresenta uma menor quantidade
de residências quando comparado ao T imbó II (ou de T imbó de baixo). O
número de pessoas entrevistadas nesse setor foi bem menor em comparação
aos demais. Foram realizadas no total 40 entrevistas, sendo 81% mulheres
e 19% homens.
Quanto à classificação do abastecimento, percebe-se, por meio
da Figura 18, que o total de pessoas que o classificam como ótimo e bom,
somam-se 57%, já a quantidade de pessoas que o classificam como regular
e ruim, somam-se 44%, um pouco menor comparado às outras alternativas.
É possível obser var que, parcialmente, as pessoas encontram-se satisfeitas e
insatisfeitas com o SAA da comunidade.
Sobre a CAGEP A, em relação ao abastecimento, o número de
pessoas que classificam o interesse da companhia como ruim é maior do
que as demais alternativas. Esses valores ficam perceptíveis na Figura 2, a
seguir:
Figura 2 – Classificação do SAA no T imbó I
Fonte: Autor (2017)
373
Quando questionados a respeito das águas provenientes do
sistema de abastecimento público da comunidade, a Figura 3 apresenta
que o nível de aprovação da população, em relação as características das
águas, é satisfatório. Nota-se que maior parte da população as define como
em estado ótimo. Suas características, como odor , gosto e cor , praticamente,
não apresentam problemas. Ainda assim, uma minoria dos entrevistados
reclama das suas qualidades e afirmam que as águas são barrentas, com
gosto de cloro, e muitas vezes com cheiro desagradável.
Nota-se que a responsabilidade da CAGEP A com relação às
águas distribuídas é um dos pontos for tes da empresa. As mudanças na cor
das suas águas acontecem devido os problemas de vazamentos que podem
ocorrer em qualquer ponto da adutora de água tratada da cidade.
Figura 3 – Classificação quanto as características da água no T imbó I
Fonte : Autor (2017)
Em relação à falta de água, quando foi perguntado se existiam
tais problemas, os maiores números de respostas foram positivas,
correspondentes a 50%. Foi possível perceber , no momento das entrevistas,
que uma boa par te dos entrevistados que respondeu “não”, afirmou que
existiu falta de água há alguns anos atrás.
Ainda sobre a falta de água, percebe-se que 66% dos entrevistados
responderam que a água faltava, principalmente, no período da manhã.
Chegando à conclusão que este é o período mais crítico da falta de água
potável, devido a manhã ser horário de pico. Essa foi uma questão de
374
múltiplas escolhas. Alguns dos entrevistados afirmaram não ter água o dia
todo.
A falta de água obser vada no T imbó I está presente na par te
mais alta da Rua Maria Margarida Alves, onde a água, provavelmente,
não consegue atingir a pressão necessária para chegar até as residências,
devido ao horário de pico. Esta falta de pressão é justificada devido a
rede de distribuição do T imbó iniciar no ponto mais baixo e se ramificar
para os outros pontos e por fim chegar até a barreira (o ponto mais alto da
comunidade).
A maior quantidade de tempo, em horas, que a água demora para
voltar as residências, está entre 8h às 12h. Algumas pessoas responderam
faltar água durante o dia todo, 13% afirmaram já ter ficado sem água por
mais de 24 horas ou nunca ter ficado sem água.
Com finalidade de procurar entender e solucionar o problema
de falta de água na comunidade. Foi levado até a população algumas
alternativas sobre o abastecimento não convencional de água. E os
resultados foram: Utilização de água de chuva (28%), poços ar tesianos
(31%), todas (5%) ou nenhuma das alternativas (36%).
A porcentagem maior foi verificada na alternativa “nenhuma
das opções”. Demonstrando que a falta de informação sobre o uso do
reaproveitamento de água é limitada. Esse é um problema não só referente
à população entrevistada.
O poço ar tesiano, apesar de corresponder a 31% das alternativas
seria uma opção inviável para a problemática da falta de água no T imbó 1.
Esse é o setor mais elevado da comunidade, o que impossibilita a presença
de águas subterrâneas em poucos metros abaixo da super fície.
Timbó II (ou Timbó de Baixo)
O T imbó II (ou T imbó de Baixo) apresenta uma maior quantidade
de residências quando comparado ao T imbó I. O número de pessoas
entrevistadas nesse setor é duas vezes maior em comparação aos demais.
Foram realizadas no total 81 entrevistas, sendo 82% mulheres e 18%
homens.
Quanto à classificação do abastecimento, percebe-se, por meio
da Figura 4, que o total de pessoas que o classificam como ótimo e bom,
375
somam-se 81%, já a quantidade de pessoas que o classificam como regular
e ruim, somam-se 19%, bem menor comparado as outras alternativas. É
possível obser var que no geral as pessoas encontram-se satisfeitas com o
SAA da comunidade.
Sobre a CAGEP A, em relação ao abastecimento, o número de
pessoas que classificam o interesse da companhia como ruim é maior do que
as demais alternativas, esse valor corresponde a 39%. T ambém é possível
obser var que 32% das pessoas dessa região o classificam como bom.
Figura 4 – Classificação do SAA no T imbó II
Fonte : Autor (2017)
Uma das perguntas no questionário faz referência à qualidade
quanto as características da água proveniente do SAA público da
comunidade. Na Figura 5 é possível obser var que as águas apresentam
um nível alto de aprovação pela população. Nota-se que maior par te da
população as define como em estado ótimo.
Suas características, como odor , gosto e cor , praticamente, não
apresentam problemas. Ainda assim, uma elevada par te da população
reclama das suas qualidades e afirmam que as águas causam dores
abdominais nas crianças, pois segundo a população essas águas se
misturam com o esgoto, que na rua Maria da Glória Alves, apresentou-se
a céu aber to, mesmo está possuindo um sistema de esgotamento sanitário.
376
Figura 5 – Classificação quanto as características da água no T imbó II
Fonte: Autor (2017)
Em relação à falta de água, quando foi perguntado se existiam
tais problemas, os maiores números de respostas foram negativos,
correspondente a 49%. Apesar de boa par te responder que não, a
quantidade de pessoas que afirmaram a falta de água com frequência e
raramente somam-se 42%. Apenas 9% responderam nunca faltar água. Esta
análise pode ser obser vada na Figura 5.
Ainda sobre a falta de água, percebe-se que 47% dos entrevistados
responderam que a água faltava, principalmente, no período da manhã,
sendo este o período mais crítico da falta de água potável, em vir tude de a
manhã ser horário de pico. T ambém é impor tante destacar que, diferente do
T imbó I, neste setor a população afirmou receber notificações da CAGEP A
quando haveria interrupção da distribuição de água.
Existe uma variação de tempo, em horas, que a água demora para
voltar as residências. Algumas pessoas responderam faltar água durante o
dia todo, 15% ficam sem água por 24 horas, 22% afirmaram já ter ficado
sem água por mais de 24 horas ou nunca ter ficado sem água.
V erificando como a população se comporta com a relação
a problemática da falta de água, a grande maioria, correspondente a
72%, utiliza a água armazenada em casa. Uma par te fica sem água e
outros compram água para beber . O resultado sobre as alternativas não
convencionais do abastecimento de água, já citados no tópico anterior ,
377
foram: Utilização de água de chuva (47%), poços ar tesianos (8%), todas
(25%) ou nenhuma das alternativas (20%).
O poço ar tesiano, apesar de corresponder a 8% das alternativas
seria uma opção viável para a problemática da falta de água no T imbó
II. Esse setor é o mais próximo do Rio T imbó, possibilitando a presença
de águas subterrâneas em poucos metros abaixo da super fície, entretanto,
o rio está altamente poluído, o que provavelmente poderia prejudicar a
qualidade das águas subterrâneas. Um dos moradores da comunidade,
afirmou já ter utilizado de água de poço no T imbó.
CONCLUSÃO
Através das informações técnicas coletadas com a CAGEP A,
sobre a rede de distribuição do T imbó, foi possível caracterizar uma par te
do sistema público de abastecimento de água da comunidade. T ambém foi
possível identificar problemas no controle e gestão da empresa quanto às
informações sobre a sistema local, pois não se tem informações sobre boa
par te da rede de distribuição. Justificando assim, a falta de interesse da
Companhia quanto à prestação do ser viço aquela população.
Com as entrevistas realizadas no T imbó, ficou evidente a
identificação dos problemas com o recebimento de água das áreas mais
altas da comunidade. Metade da população entrevistada no T imbó I
afirmou não ter água durante a manhã e boa par te da tarde. Esta questão
de falta de água foi mencionada por Pita em 2012, passados cinco anos e
o problema persiste.
Além da falta de água, outra objeção existente no seu SAA do
T imbó, foi a questão da qualidade das águas na Rua Maria da Glória Alves,
que segundo uma parcela da população, causam problemas relacionados
à saúde das crianças na comunidade. Apesar desta informação ter sido
coletada apenas por meio das entrevistas aplicadas a população, não se
pode comprovar a qualidade dessas águas.
É fato que a qualidade da água proveniente do abastecimento
público deve atender aos requisitos mínimos da população, promovendo
a saúde e o bem-estar social, por isso, a existência, por menor que seja,
das águas da comunidade causarem problemas de saúde as crianças é
384
Figura 1: Corrosão Uniforme Figura 2: Corrosão por Frestas
Fonte: Adaptado Oliveira (2012). Fonte: Adaptado Oliveira (2012).
Figura 3: Corrosão por Pites Figura 4: Corrosão Galvânica
Fonte: Adaptado Oliveira (2012). Fonte: Adaptado Oliveira (2012).
AÇOS P A TINÁ VEIS
Existem alguns tipos de aço que mesmo sem nenhuma proteção
adicional, podem resistir mais à corrosão atmosférica. Esses são os
chamados aços patináveis. São conhecidos comercialmente como aço
COR TEN e utilizados nas diversas áreas da construção civil, dentre eles, na
forma de chapas e per fis.
Segundo Pannoni (2004), a formação da pátina se dá através de
três fatores principais, sendo o primeiro ligado à composição química do
próprio aço. Alguns elementos de liga podem contribuir para o aumento da
resistência do aço à corrosão, dentre eles estão o cobre, fósforo, cromo,
níquel e silício. Em segundo lugar , estão envolvidos os fatores ambientais,
enquanto a presença de dióxido de enxofre favorece o desenvolvimento da
pátina, o cloreto de sódio presente na atmosfera afeta suas propriedades
protetoras. Por último, a disposição da geometria dos per fis na estrutura é um
fator que explica porque duas peças do mesmo aço podem ser afetadas de
385
forma diferente, dependendo de suas condições, furos de drenagem, ciclos
de molhagem e secagem, entre outros. O gráfico da figura a seguir valida
o desempenho do aço patinável quanto à corrosão, quando comparado a
um aço comum sob atmosfera urbana.
Figura 5: Resistencia à corrosão
Fonte: Pannoni (2004).
Como visto na Figura 5, onde mostra a comparação da resistência
à corrosão de um aço carbono comum (ASTM A36) com um aço patinável
(ASTM A242), sob condições de uma atmosfera urbana, o aço resistente à
corrosão perde menos massa em função do tempo do que o aço comum.
MEIOS DE PROTEÇÃO
CUIDADOS NO PROJETO
É prudente que alguns cuidados sejam tomados com os elementos
metálicos ainda na fase projeto, visando evitar eventuais problemas que
venham resultar em corrosão. São eles:
386
• Furos de drenagem, para garantir o escoamento da água possivelmente
acumulada;
• Posição das cantoneiras, de maneira que o ar circule livremente
possibilitando a secagem da super fície;
• Acesso para manutenção;
• Controle de qualidade no processo de soldagem;
A disposição dos per fis na estrutura inter fere diretamente na
durabilidade do aço, por tanto, devem ser posicionados de maneira
estratégica, evitando agentes externos que provocam o processo de
corrosão.
Figura 6: Disposição dos perfis
Fonte: Dias (1997).
Além do posicionamento correto e estratégico dos per fis, uma
solução interessante para fugir das intempéries é a interposição de barreiras
não-metálicas, com a utilização de materiais iner tes. Outro caso que pode
ser considerado é o uso de estruturas mistas de concreto e aço, onde a
camada de concreto ser ve como proteção para o aço, além de integrar as
vantagens dos dois métodos construtivos.
387
PREP ARAÇÃO DA SUPERFÍCIE
Ao chegar na metalúrgica, alguns cuidados devem ser tomados
com os per fis, com o objetivo de aumentar seu tempo de vida útil. Para
garantir uma boa qualidade do revestimento que será utilizado no per fil, é
imprescindível que ocorra uma preparação da super fície adequada. O metal
pode apresentar um cer to grau de corrosão, condição que é mostrada nas
figuras a seguir . O estado do metal quanto a corrosão pode ser classificado
em:
• GRAU A: super fície com pouca corrosão e carepa de laminação intacta;
• GRAU B: corrosão inicial com presença de carepa;
• GRAU C: super fície com carepa comprometida pela corrosão;
• GRAU D: corrosão generalizada com presença de pites.
Figura 9: GRAU A Figura 10: GRAU C
Fonte: Cabral (2019). Fonte: Cabral (2019).
Figura 11: GRAU B Figura 12: GRAU D
Fonte: Cabral (2019). Fonte: Cabral (2019).
388
LIMPEZA
O processo de limpeza é dividido e classificado quanto ao tipo e
eficiência. Dentre eles, os mais utilizados são:
• St 2 – Limpeza Manual: por meio de lixas, esmeril, talhadeiras, entre
outros ;
• St 3 – Limpeza Mecânica: por meio de lixadeiras rotativas, pistolas de
agulhas, entre outros;
• Sa 1 – Jato abrasivo ligeiro: impelidos por ar comprimidos, a granalha
de aço remove rapidamente as impurezas;
• Sa 2 – Jato abrasivo comercial: remove 65% das impurezas;
• Sa 2 ½ - Jato abrasivo ao metal quase branco: remove 95% das
impurezas;
• Sa 3 – Jato abrasivo ao metal branco: chamado jateamento perfeito,
remove toda a impureza da super fície.
O abrasivo utilizado nos jateamentos é a granalha de aço. A areia,
antes utilizada em grande escala, teve o seu uso proibido pela secretaria
de inspeção do trabalho, no Brasil, por taria nº99 de 19 de outubro de
2004. Devido à grande presença de poeira em seu processo de jateamento,
além da alta concentração de sílica cristalina (quar tzo) que pode acarretar
problemas de saúde ao operário.
PINTURA
A pintura em estruturas metálicas é uma boa opção de revestimento.
Essa é responsável pela proteção direta do material para com agentes
externos. Uma boa pintura pode prolongar a vida útil de uma estrutura
metálica. Já um processo de pintura mal executado pode acarretar em
patologias no metal precocemente.
Segundo Dias (1997), para pinturas em estruturas metálicas há
diferentes tipos de camadas. Essas são classificadas em: Primer , Inter mediária
e de acabamento. Primer é a primeira demão de tinta na super fície metálica.
Geralmente é um produto fosco, que contém anticorrosivos para garantir a
proteção necessária ao substrato. As intermediárias geralmente, são tintas
389
de elevada espessura e aplicadas entre o primer e o acabamento, com
o objetivo de melhorar a proteção do sistema e aumentas a espessura.
Normalmente não apresentam pigmentos anticorrosivos nem coloridos,
sendo consideradas tintas de enchimento. Já acabamento. Como seu nome
já diz, essa é a tinta utilizada para acabamento, ela dará a aparência
final ao substrato. Por ser a tinta que ficará exposta na superfície, ele tem
diferentes cores e acabamentos brilhantes.
A pintura pode agir em três tipos diferentes mecanismos de
proteção, são eles: proteção por barreira, proteção anódica, proteção
catódica. Dias (1997) as define como:
• Proteção por barreira: Ocorre quando a tinta não apresenta pigmentos
anticorrosivos, ou seja, essa age apenas como barreira mecânica contra
os agentes externos impedindo a corrosão. Por esse motivo, o número
de camadas deve ser o mais planejado para atender aos requisitos de
anticorrosão ideal, assim evitando a precoce aparição de patologias na
estrutura e prolongando sua vida útil.
• Proteção Anódica: Essa proteção se caracteriza pela presença de
pigmentos anticorrosivos nas tintas, esses têm a capacidade e inibir a
corrosão. A junção dos pigmentos e do efeito barreira propiciam uma
boa qualidade a peça à qual for aplicada.
• Proteção Catódica ou Galvanização a frio: Quando dois metais estão
em contato, sempre haverá corrosão no metal mais eletronegativo.
A proteção catódica se baseia nessa situação, surgindo assim uma
proteção de sacrifício, onde o metal mais eletronegativo entra em
processo de corrosão e o outro metal não é afetado, isso só ocorre após
a corrosão completa do metal de sacrifício, expondo assim a peça ao
meio externo. O metal mais utilizado nessa técnica para estruturas de
aço é o zinco.
SISTEMA DE PINTURA
O objetivo de um sistema de pintura é proporcionar para a estrutura
uma boa proteção a um menor custo possível. Na Figura 7, que demonstra
as possíveis combinações, devem ser avaliados os itens necessários para
a realização da pintura mediante as condições do ambiente em que a
estrutura está exposta.
390
Uma das principais informações encontradas no sistema de pintura
é o tipo de tinta que será utilizada, as resinas de tintas mais comuns são:
Alquídica, Acrílica, Epóxi, Etil Silicato e Poliuretana. As demais abordagens
do sistema de pintura são: grau de preparação, tipo, demãos e espessura
seca das camadas e durabilidade estimada.
Quadro 1: Sistema de pintura
Fonte: Abnt (2018).
391
As tintas alquídica e acrílica são as que apresentam menor preço
entre as demais, o que faz com que as mesmas sejam sempre as preferidas
pelos construtores, pois geram uma boa economia no custo inicial da obra.
Porém essas só são recomendadas para ser vir como proteção anticorrosão
em estruturas localizadas em ambientes não ou pouco agressivos, pois
seu uso em ambientes agressivos, embora reduza o curso inicial da obra,
quando se é levado em consideração o custo global esses tintas podem
representar prejuízo, já que o número de manutenções durante os anos será
maior .
Já as tintas epóxi e poliuretano são utilizadas em ambientes
agressivos e seu alto custo faz com que eles não sejam tão bem aceites para
construtores quando levada em consideração a economia da obra. Porém
como já foi dito anteriormente, o seu uso faz com que a obra tenha um
melhor custo benefício. Isto que as manutenções serão em maiores espaços
de tempo em relação às tintas alquídicas e acrílicas.
Por fim, as tintas de etil silicato, também chamadas de galvanização
a frio, são recomendadas para ambientes muito agressivos e, por esse
motivo, apresentam o maior preço entre as demais, sendo utilizadas
geralmente apenas em casos extremos.
GAL V ANIZAÇÃO A FOGO
O processo de galvanização é um meio geralmente indicado para
ambientes agressivos, como locais próximos à maresia, estruturas expostas
a produtos químicos ou atmosfera, lugares com longo período de chuva. O
procedimento é realizado através da imersão do aço à camada de zinco,
revestindo-o com uma película protetora que envolve toda a peça.
O processo de imersão da peça de metal subdivide-se em algumas
etapas, como mostra a ´Figura 8:
Figura 8: Fluxograma do processo de galvanização
Fonte: Galvaniza (2019).
392
O procedimento tem início com a limpeza da estrutura com a
utilização de produtos químicos, retirando todos os resquícios de matéria
orgânica, óleo ou graxa. É impor tante que ao longo das etapas a peça
esteja livre dessas impurezas.
A remoção das sujeiras se inicia no desengraxe, onde é utilizado
solução alcalino aquosa a quente, entre outros produtos químicos. Após isso
a peça é enxaguada e direcionada a decapagem, nesta etapa a estrutura
é imersa em ácido a fim de retirar restos de carepa, resíduos de soldagens,
graxa pesada e outros.
No processo de fluxagem, é aplicada na super fície da peça
uma camada de cloreto de zinco e de amônio para garantir a remoção
dos óxidos que se formaram na super fície após a decapagem, impedindo
a formação de corrosão antes da imersão da peça no banho de zinco.
Após a fluxagem, a peça é mergulhada em um banho, no qual 98% da
composição é de zinco, composto de outros aditivos, a uma temperatura de
em média 450 °C. Esse estágio dura até que a estrutura mergulhada atinja
a temperatura do banho.
Ao final do processo, a peça é retirada do banho e resfriada
por solução passiva ou água. É impor tante que essa etapa aconteça com
cer ta agilidade para evitar a cristalização grosseira e frágil, ou “corrosão
branca”.
O Quadro 2 mostra as vantagens e desvantagens do processo.
Quadro 2: V antagens e Desvantagens da Galvanização a Fogo
V antagens Desvantagens
A galvanização a fogo, de modo geral, possui custos
muito competitivos quando comparados a outras
formas de proteção especificadas na proteção do
aço. O custo de aplicação de revestimentos que
requerem mão de obra intensiva, como a pintura,
tem crescido mais do que os custos de aplicação (em
fábrica) da galvanização a fogo.
A soldagem de componentes galvanizados
resultará na perda, em algum nível, de parte
da camada de revestimento. A camada é
volatilizada durante o processo. T orna-se
necessário, assim, o recondicionamento do
revestimento ao longo do cordão de solda e
áreas adjacentes, através da metalização, da
utilização de tintas ricas em zinco ou outro
método.
Mesmo nos casos onde o custo inicial da
galvanização a fogo é maior do que revestimentos
alternativos, a galvanização apresenta menores custos
de manutenção ao longo da vida útil do componente/
estrutura.
Existe o risco de que, painéis grandes e
planos, não enrijecidos, possam sofrer
distorções, assim como o empenamento de
perfis I, H ou U, de grandes dimensões e
pequena espessura de alma/mesas. Um bom
projeto aliado à boa prática de galvanização
previne as distorções.
393
A expectativa de vida de revestimentos galvanizados
aplicados sobre componentes estruturais excede os 40
anos na maior parte dos ambientes rurais, e se situa
entre 10 a 30 anos na maior parte dos ambientes
agressivos, urbanos e costeiros.
A galvanização a fogo não pode ser feita
no canteiro de obras, assim o processo
sópode ser feito em uma unidade industrial, a
galvanizadora.
O revestimento obtido através da galvanização a
fogo está ligado metalurgicamente ao substrato de
aço, não é tóxico e não contém substâncias voláteis.
A coloração do zinco somente pode ser
alterada através da pintura.
T odas as superfícies de um componente galvanizado
a fogo são protegidas tanto internamente quanto
externamente, incluindo rebaixos, cantos-vivos e
áreas inacessíveis à aplicação de outros métodos de
revestimento.
As dimensões dos componentes ou estrutura a
galvanizar são limitadas pelas dimensões da
cuba de zinco líquido.
Fonte: Adaptado Pannoni (2008).
Analisando a tabela acima, pode-se concluir que se o objetivo for
o ganho de durabilidade ou aumento da vida útil possível, e respeitando
também, o grau de corrosividade do ambiente em que a estrutura será
montada, é notável a viabilidade do processo de galvanização por imersão
a zinco.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
T oda estrutura quando não é devidamente protegida, fica
susceptível a agentes externos que podem agredir e comprometer a sua
vida útil. O metal, por sua vez, tem como seu principal inimigo a água na
presença de oxigênio, além de outros agressores que também devem ser
evitados, como a poeira. É necessário o conhecimento do local da obra e
suas características, para tomada de decisão dos meios e processos dos
aspectos de durabilidade do metal, escolha da preparação da super fície,
tipo e espessura da tinta ou galvanização, já que, um ambiente mais
agressivo irá exigir uma melhor preparação que, consequentemente, terá
um custo mais elevado.
Alguns fatores inter ferem nas decisões do responsável da obra.
O primeiro deles é a questão econômica, que dependerá do cliente e deve
ser alinhado sempre, deixando claro os pontos positivos e negativos da
tomada de cada decisão. O uso do aço patinável em estruturas metálicas
pode ser uma solução viável e de custo relativamente baixo, já que é um
aço resistente à corrosão sem a utilização de proteção adicional. Como
400
Figura 1 – Linha do tempo da NBR 15575.
Fonte: Adaptado de BUILDIN , 2019.
Na versão de fevereiro de 2013, a ABNT NBR 15575 está
estruturada em seis par tes. Cada uma delas equivale a um elemento diferente
de uma construção:
ABNT NBR 15575-1 – Parte 1: Requisitos Gerais
Em terminologia, destacam-se três definições dos termos confor me
destaca a referida norma.
A. Desempenho : Conduta do uso de uma edificação e seus mecanismos.
B. Especificações de desempenho : Concomitante de exigências e parâmetro
de desempenho definidos para a edificação ou seus mecanismos. As
exigências de desempenho são termos das utilidades demandado da
edificação ou de seus sistemas e que condisseram a um uso nitidamente
delineado, esta norma refere-se ao uso da edificação.
C. Norma de desempenho : Ligações de requisitos e critérios definidos para
uma edificação habitacional e seus sistemas, com base em critérios do
usuário, altivamente da sua configuração ou dos materiais empregados.
Com relação ao fornecedor de material, insumos e componentes,
a norma estabelece que o fornecedor deva qualificar o desempenho de seus
produtos. No entanto, se o produto não for brasileiro, o fornecedor deve
401
fornecer dados comprobatórios baseados em normas inter nacionais. Cabe
ao projetista definir os materiais, os produtos e processos construtivos que
serão utilizados na edificação. A norma caracteriza como incorporador o
encarregado pela análise técnica e de riscos. Já o construtor é incumbido
pela elaboração e revisão do manual de uso, operação e manutenção. A
incumbência quanto ao usuário se caracteriza pela manutenção, conforme
estabelecida pelo manual de uso e operação de modo a não reduzir a vida
útil da edificação.
Manutenibilidade
Caracteriza pela execução de ações de manutenção sobre um
sistema ou produto. Conforme a ABNT NBR 5674 (2012), manutenção
é um conjunto de atividades realizadas para conser var e ou recuperar a
capacidade funcional da edificação e atender as necessidades e segurança
de seus usuários. A figura abaixo evidencia o gráfico de desempenho ao
longo do tempo em função da manutenção.
Figura 2 – Desempenho com e sem manutenção
Fonte: ABNT NBR 15575/2013.
402
A gestão de manutenção deve ser prevista no manual de uso,
operação e manutenção, para atender a vida útil de projeto. A norma
destaca que, se a utilização da edificação for diferente das previstas em
projeto, vários requisitos de desempenho podem deixar de ser atendidos.
“As condições de operação das edificações, especialmente a elaboração
e a implementação de programas de manutenção corretivas e preventiva,
também afetam de maneira impor tante a obtenção do desempenho esperado
ao longo do tempo” (BORGES, 2008).
Adequação Ambiental
A sustentabilidade é um fator impor tante para minimizar os
impactos ambientais na fase de elaboração do projeto e da gestão
de resíduos no canteiro de obra. A norma menciona que não há como
estabelecer critérios, pois as técnicas de conjectura de impacto ambiental
resultantes estão em processo de pesquisa.
“A implantação do empreendimento deve considerar os riscos de
desconfinamento do solo, deslizamentos de taludes, enchentes, erosões,
assoreamento de vales ou cursos d’água, lançamentos de esgoto a céu
aber to, contaminação do solo ou da água por efluentes ou outras substâncias,
além de outros riscos similares” (ABNT NBR 15575-1,2013).
Manual de uso, operação e manutenção
De acordo com a norma, o Manual de uso, operação e manutenção
deve conter informações como prazos de garantia, vida útil de projeto, a
correta utilização da edificação, cronograma de manutenções, áreas de
acesso, especificação dos materiais utilizados.
Vida útil de projeto e garantia
Para a definição da vida útil de projeto, a norma define
um método de cálculo. Além disso, ela prevê prazos de garantias para
elementos da edificação, no entanto, este são baseados nos prazos utilizados
atualmente pelos fornecedores de material. De acordo com Santos (2014),
diversas etapas do processo de construção de uma edificação inter vêm
na qualidade final do produto, tendo como fase mais impor tante a fase
403
de projeto como: programação de todas as etapas da obra, os desenhos,
as especificações e as descrições das ações, a escolha dos materiais, a
qualidade e a conformidade com as especificações. O controle e os aspectos
de vida útil de projeto são impor tantes no desenvolvimento da edificação,
pois grande par te das patologias provenientes do processo de construção
poderia ser eliminada se realizasse um melhor detalhamento do projeto e da
escolha adequada dos materiais. A norma centraliza os elementos de uma
edificação associado ao atendimento dos requisitos dos usuários do prédio.
Por tanto, devem ser seguidos os objetivos da figura abaixo.
Figura 3 – Exigências da NBR 15575.
Fonte: Adaptado de ABNT NBR 15575/2013.
ABNT NBR 15575-2 – Parte 2: Requisitos para os sistemas estr uturais
Na par te 2, a norma descreve o supor te às nor mas especificas dos
sistemas construtivos, tanto no estado limite último, quanto no de ser viço.
Ademais, são aconselhados dois ensaios para analisar a resistência à
ruptura e instabilidade. Esses ensaios são os de corpo mole e o de impacto
de corpo duro.
404
Segurança estrutural: Requisitos para a edificação habitacional em geral
De acordo com a ABNT NBR 15575-2, uma edificação deve
atender durante toda sua vida de projeto as diversas condições de exposição
tais como: ação do peso próprio, atuação do vento, sobrecarga e outros.
Estabilidade e resistência do sistema estrutural e demais elementos com função estr utural
Segundo a ABNT NBR 15575-2, as edificações habitacionais
devem apresentar um nível específico de segurança contra a ruína, consi-
derando-se as combinações de carregamento de maior probabilidade de
ocorrência, ou seja, aquelas relacionadas ao estado-limite último. O critério
para verificação do desempenho referente a este requisito é o estado-limite
último. De acordo com este critério, as edificações habitacionais devem
atender às disposições aplicáveis das normas que abordam a estabilidade e
a segurança estrutural para todos os componentes estruturais da edificação
habitacional, incluindo-se as obras geotécnicas.
Impactos de corpo mole e corpo duro
Para atender ao requisito impactos de corpo mole e corpo duro, a
ABNT NBR 15575-2, determina que o sistema estrutural de uma edificação
habitacional não pode sofrer ruptura ou instabilidade sob as energias de
impacto indicadas nas tabelas específicas na mesma.
ABNT NBR 15575-3 – Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos
Nesta terceira par te destaca-se a definição de piso como sistema
horizontal ou inclinado composto por um conjunto parcial ou de camadas
destinado a atender a função de estrutura e tráfego, também englobando
os elementos e componentes, tanto para áreas de uso privativo quanto para
áreas de uso comum interna e externas da edificação. Julga-se o sistema de
piso a camada de impermeabilização, composição estrutural, camada de
contrapiso e de acabamento conforme a imagem abaixo.
405
Figura 4 – Exemplo genérico de um sistema de pisos e seus elementos.
Fonte: ABNT NBR 15575-3
A necessidade de resistência ao escorregamento, os desníveis e
frestas máximas são alguns requisitos de segurança imposta pela norma. O
desempenho da edificação não deve se restringir ao desempenho funcional,
ou seja, todo sistema deve apresentar confor to visual, tátil e antropodinâmico.
Desempenho estrutural e segurança ao fogo dos sistemas de pisos
Conforme a ABNT NBR 15575-3, a resistência estrutural e a
estabilidade da camada do sistema de piso são analisadas em função
das combinações de ações possíveis de ocorrerem durante a vida útil da
edificação.
ABNT NBR 15575-4 – Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações ver ticais internas e
externas – SVVIE
Na par te 4, são abordados os sistemas de vedações ver ticais
internos e externos. Paredes, por tas, janelas e fachadas fazem par te desse
sistema de vedação.
Desempenho Estrutural dos SVVIE
Quanto aos deslocamentos, fissuração e ocorrência de falhas a
Norma determina a consideração de carregamentos e solicitações dividindo
406
em três grupos de SVVIE, os com função estrutural, os sem função estrutural
e as fachadas (com e sem função estrutural).
Nos elementos internos, são toleráveis fissuras no corpo ou nos
seus encontros com elementos estruturais, destacamentos entre placas de
revestimento e outros seccionamentos do gênero, desde que não sejam
detectáveis a olho nu e descolamentos localizados, detectáveis visualmente
ou verificando se apresenta som cavo, não ultrapassando área individual de
0,15m² ou área total correspondente a 15 % do elemento em análise e não
havendo risco de projeção de material ou descontinuidades. Já para o SVVE,
a diferença está no limite de deslocamentos, que não podem ultrapassar a
área individual de 0,10m² ou a área total correspondente a 5% do plano
de fachada analisado.
Algumas dessas solicitações, provém de carregamentos de peças
suspensas (armários, prateleiras, lavatórios, hidrantes, quadros e outros).
Para verificar o cumprimento à Norma é fixado no elemento uma mão-
francesa com carga de ensaio aplicada em cada peça de 0,8 kN.
Para as “redes de dormir”, a Norma pede para que seja considerado um
carregamento de 2 kN, aplicado a 60° com a vedação, admitindo-se um
fator de segurança igual a dois para a carga de ruptura. Além desses dois
ensaios, os sistemas de vedação também devem ser submetidos aos ensaios
de corpo duro e mole, com diferentes energias de impacto, não devendo
apresentar fissuras, escamações, delaminações ou qualquer outro tipo de
dano (sendo admitidas mossas localizadas, para os impactos de corpo
duro).
Em relação às ações transmitidas por por tas, os sistemas de
vedação não devem apresentar falhas, tais como rupturas, fissurações,
destacamentos no encontro com o marco, cisalhamento, destacamentos em
juntas entre componentes das paredes e outros quando submetidos a dez
operações de fechamento brusco ou ao impacto de corpo mole aplicado no
centro geométrico da por ta.
Segurança Contra Incêndio
A Norma determina que os SVVIE devem dificultar a ocorrência da
inflamação generalizada no ambiente de origem do incêndio e não gerar
407
fumaça excessiva capaz de impedir a fuga dos ocupantes em situações de
incêndio.
Estanqueidade
É exigida adequação à infiltração de água nas fachadas e à
umidade nas vedações ver ticais externas e inter nas decorrente da ocupação
do imóvel.
Para as condições de estanqueidade, levando também em
consideração as condições de exposição ao vento, conforme a Figura 5,
os SVVIE incluindo suas junções com as esquadrias, não devem apresentar
infiltrações na sua face interna, com quantidade de água, numa área
exposta com dimensões de 34x16cm, não devendo ser superior a 3cm³
infiltrados num período de 24 horas.
Figura 5 – Condições de exposição conforme as regiões brasileiras
Fonte: ABNT NBR 15575-4
408
Desempenho T érmico
Os SVVE podem ser avaliados, primeiramente, de acordo com
os critérios de desempenho constantes desta par te da ABNT NBR 15575,
considerando o procedimento simplificado de análise. Caso o SVVE não
atenda aos critérios analisados conforme o procedimento simplificado, é
necessário aplicar o procedimento de análise de acordo com a ABNT NBR
15575-1, considerando o procedimento de simulação do desempenho
térmico ou o procedimento de realização de medições em campo.
Desempenho Acústico
Esta par te 4 da ABNT -NBR-15575 apresenta os requisitos e
critérios para a verificação do isolamento acústico entre o meio externo e o
interno, entre unidades autônomas e entre dependências de uma unidade e
áreas comuns.
Os valores normativos são obtidos por meio de ensaios realizados
em campo para o sistema construtivo. No Anexo F da Norma, são
apresentados valores de referência, considerando ensaios realizados em
laboratório, em componentes, elementos e sistemas construtivos.
ABNT NBR 15575-5 – Parte 5: Requisitos para os sistemas de cober turas
Esta Par te da ABNT NBR 15575 se refere às exigências dos
usuários e aos requisitos referentes aos Sistemas de Cober turas (SC).
Quanto ao desempenho estrutural, a Norma exige segurança,
em níveis satisfatórios, contra a ruína e que não apresente deformações
e deslocamentos, prejudicando assim sua funcionalidade. Devem também
supor tar cargas transmitidas por pessoas e objetos, em sua fase de
montagem, o cálculo dos deslocamentos e da resistência deve ser elaborado
com base nas propriedades dos materiais e nas Normas NBR 6118, NBR
7190, NBR 8800, NBR 9062, NBR 14762.
Em relação à resistência contra o fogo dos sistemas de cober tura,
devem ser atendidos os requisitos da NBR 14432 - Exigências de Resistência
ao Fogo de Elementos Construtivos de Edificações, considerando um valor
mínimo de exposição de 30 minutos.
409
A fim de preser var a integridade e a segurança do uso, o SC
não pode apresentar par tes soltas ou destacáveis, que comprometam sua
estanqueidade e sua manutenção. Para cober turas com inclinação acima
de 30°, devem ser disponibilizados equipamentos de segurança supor tados
pela estrutura principal, além disso, caso a cober tura seja acessível aos
usuários, devem apresentar guarda corpos conforme a NBR 14718.
Os SC, segundo ao ensaio de impermeabilidade (NBR 5642), não
podem apresentar escorrimento, gotejamento de água ou gotas aderentes.
Aceita-se o aparecimento de manchas de umidade, desde que restritas a no
máximo 35% da área das telhas.
Outro ponto impor tante é o desempenho acústico, descrito na
Norma ISO 140-5, que determina, de for ma rigorosa, o isolamento acústico
global da vedação externa (conjunto fachada e cober tura) em relação a
ruídos aéreos.
ABNT NBR 15575-6 – Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários
As instalações hidrossanitárias são responsáveis diretas pelas
condições de saúde e higiene necessárias à habitação. Por sua vez, a
avaliação do desempenho é medida em relação à segurança estrutural, à
segurança contra incêndio e ao uso e operação.
Devem apresentar resistência às solicitações mecânicas durante
o uso, além de estanqueidade, não provocando golpes e vibrações que
impliquem risco de instabilidade.
É de extrema impor tância, em casos que a edificação necessita
de sistema de hidrante, que possua reser vatório de água fria, superior ou
inferior , de volume de água necessário para o combate a incêndio, cuja
verificação encontra-se discriminada no Anexo A da Norma, separado do
volume destinado ao consumo dos usuários.
DESCUMPRIMENTO DA NORMA DE DESEMPENHO
A norma de desempenho NBR 15575, foca na qualidade das
técnicas da construção habitacional e suas par tes.
De acordo com a legislação brasileira, a ABNT é um órgão
reconhecido e tem como uma de suas funções criar padrões mínimos de
501
PROPOST AS DE INTERVENÇÃO A TRA VÉS DE MÉTODOS
DA ENGENHARIA CIVIL NA BARREIRA NA BR-230
TRECHO CASTELO BRANCO, JOÃO PESSOA-PB
Alan de Oliveira Feitosa 1
Adam D’Lucca Aguiar Santos 2
Carlos Sandriel Leite de Andrade 3
Iulian Mateus Lima de Menezes 4
Williene Marques Oliveira 5
RESUMO
O crescimento das grandes cidades muitas vezes ocorre de maneira
desordenada, causando diversos problemas de infraestrutura e sociais,
entre eles a ocupação de áreas de risco, principalmente por par te da
população mais pobre. A ocupação de regiões de instabilidade de
encostas é um problema recorrente em várias cidades brasileiras, como é o
caso de João Pessoa-PB, mais especificamente na barreira localizada nas
proximidades do km 19 da BR-230, no bairro do Castelo Branco, local
que sofre com constantes processos de erosão e deslizamentos, causados
pela pluviosidade da região e pelas características do solo sedimentar ,
prejudicando a segurança dos veículos que circulam por este trecho da
rodovia. Nessa encosta há também, indevidamente, diversas construções de
pequeno por te, que oferecem um alto risco à população que nelas habitam.
Esses fatores somados geram problemas sociais e riscos ambientais graves.
A finalidade deste trabalho é estudar as várias técnicas existentes no campo
da Engenharia Civil para contenção de taludes, e sugerir dentre elas,
quais seriam as mais eficazes, técnica e economicamente na resolução do
problema da barreira em estudo, de forma a contribuir para a melhoria da
comunidade que vive nas proximidades da barreira, sem prejudicá-la e nem
inter ferir no tráfego de veículos da BR-230, rodovia de grande impor tância
para a cidade.
1 Doutor em Engenharia de Materiais. Mestre em Engenharia Civil e Ambiental. E-mail: [email protected]
2 Graduando em Engenharia Civil pelo UNIPÊ. E-mail: [email protected]
3 Graduando em Engenharia Civil pelo UNIPÊ. E-mail: [email protected]
4 Graduando em Engenharia Civil pelo UNIPÊ. E-mail: [email protected]
5 Graduanda em Engenharia Civil pelo UNIPÊ. E-mail: [email protected]
502
Palavras-chave: Barreira. T alude. Encosta. Comunidade. Área de risco.
INTRODUÇÃO
O rápido desenvolvimento das áreas urbanas está profundamente
relacionado ao regime capitalista, que incentiva cada vez mais a concentração
da população nas grandes cidades. Esta rápida expansão, muitas vezes,
ocorre de forma descontrolada e sem o devido planejamento, causando
problemas de infraestrutura. A marginalização da parcela mais pobre da
população em regiões de risco é outra consequência desta realidade.
Surgem, então, problemas sociais que podem tomar grandes proporções,
podendo prejudicar não somente a população da localidade, como também
o restante da cidade, quando, por exemplo, estas áreas de risco encontram-
se próximas a vias de alto fluxo de veículos.
É o caso do trecho nas imediações do km 19 da BR-230 localizado
na comunidade Santa Clara no bairro Castelo Branco em João Pessoa,
que será abordado neste ar tigo, pois esta rodovia possui uma enorme
impor tância para o trânsito da grande cidade, e possui em uma de suas
margens uma região de talude, sobre a qual localizam-se, indevidamente,
casas de pequeno por te da comunidade citada. Os principais fatores
que integram essa problemática são a má ocupação de espaço nesta
barreira e à falta de um sistema de drenagem eficaz. Devido a esse fato,
quando ocorre um alto volume de precipitações na cidade todo o volume
de água da comunidade escoa para a barreira, provocando frequentes
processos de erosão e deslizamentos, despejando sedimentos sobre a
rodovia, aumentando o risco de acidentes e provocando engarrafamentos.
Assim como o relevo e a estrutura geológica do terreno influenciam nesse
fenômeno, ações humanas como cor tes, retirada da cober tura vegetal e
plantações impróprias no terreno agravam a situação.
Este trabalho tem a pretensão de fazer uma análise dessa
problemática, e através de conhecimentos e técnicas da Engenharia Civil,
sugerir soluções técnica e economicamente viáveis para reforçar a estrutura
da barreira, eliminando o risco de desabamento da mesma, melhorando
a situação da comunidade, evitando problemas futuros e diminuindo o
percentual de acidentes na região.
503
METODOLOGIA
Para realização deste trabalho, foram feitas pesquisas bibliográficas
sobre as características geomor fológicas da região de estudo e acerca de
métodos e estruturas de estabilização de encostas, identificando as principais
vantagens e desvantagens destes métodos e quais, dentre eles, melhor se
aplicariam na resolução do problema abordado. Foi feita uma visita à
localidade a fim de coletar informações e para identificação dos principais
problemas relacionados ao tema, tais como a falta de drenagem do solo, o
lixo acumulado, o mau planejamento das construções residenciais naquela
área e as consequências do cor te do solo para a construção da barreira
sem o devido planejamento para evitar o escoamento na direção desta,
acarretando no enfraquecimento do solo e na ocorrência dos desabamentos
e no risco aos moradores da área. As pesquisas bibliográficas ser viram
como princípio para o desenvolvimento desse ar tigo, pois, através destas
foi possível obter conhecimento teórico sobre técnicas de reforços dos solos
e medidas estruturais a serem tomadas para estabilizar regiões de encostas,
além de ser vir como base para a proposta de solução.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
A COMUNIDADE SANT A CLARA
A comunidade Santa Clara que se localiza na cidade de João
Pessoa, no bairro Castelo Branco II nas imediações do km 18 da BR-230,
teve um processo de urbanização desenfreado, ocupando uma região
inadequada para construção, sendo a sua ocupação remota ao ano
de 1981 (GARCIA, 2013). Esse fato ocorreu principalmente devido à
comunidade estar localizada próxima da UFPB – Universidade Federal da
Paraíba, construída em meados de 1955. Algumas casas possuem sistemas
de esgoto e drenagem, porém algumas ruelas principais não possuem em
sua grande maioria. Nela encontra-se um padrão de ocupação desordenado
e um sistema de pavimentação precário e traçado urbano irregular , fator
comum em comunidades de baixa renda, tendo principalmente construções
de alvenaria.
504
Figura 1: Mapa de localização da Comunidade Santa Clara no
bairro do Castelo Branco em João Pessoa-PB
Fonte: (GARCIA, 2013)
Par te da comunidade encontra-se sobre um talude instável, que,
segundo Almeida (2016), possui aproximadamente 170 metros de extensão,
altura média de 15,5 metros e ângulo de inclinação médio de 51º.
505
Para evitar os deslizamentos na encosta, são tomadas ações
preventivas por par te da Guarda Civil Municipal e Defesa Civil da cidade
de João Pessoa, que consistem na implantação de lonas para evitar a
infiltração de água no solo. Segundo o que o técnico da Defesa Civil, Luís
Antônio Brito explicou durante entrevista para o site da prefeitura de João
Pessoa (2014), as lonas precisam ser trocadas constantemente devido ao
desgaste que o material sofre ocasionado pela mudança de temperatura na
cidade.
Figura 2: Construção em área de risco sobre o talude
Fonte: Acer vo pessoal 2018
506
Figura 3: Lonas para evitar a infiltração no talude
Fonte: Acer vo pessoal 2018
507
CARACTERIZAÇÃO DO SOLO
O solo deve ser compreendido como material de construção pelo
ramo da Engenharia Civil, pois ele é a base de qualquer obra e, por tanto, é
de suma impor tância a determinação do tipo do mesmo em que se pretende
construir .
A cidade de João Pessoa se caracteriza por ter um solo sedimentar
em toda sua extensão, sendo os terrenos sedimentares constituídos de duas
unidades geomor fológicas: os baixos planaltos costeiros (tabuleiros) e a
baixada litorânea com as feições de praias, cordões litorâneos, restingas e
dunas. Uma unidade que caracteriza bem e constitui a região estudada é
o de baixos planaltos costeiros, pois, segundo Nascimento (2009), são as
fáceis do relevo predominante no município de João Pessoa, pois há uma
for te presença de tabuleiros como são regionalmente conhecidos. Este tipo
de solo facilita as problemáticas presentes no estudo, pois se caracterizam
principalmente pela acentuada inclinação de relevo, favorecendo
deslizamentos de maciço rochoso destes tabuleiros, sendo esta a principal
descrição do relevo presente na comunidade.
MEDIDAS ESTRUTURAIS P ARA EST ABILIZAÇÃO DE ENCOST AS OCUP ADAS
Há uma grande variedade de alternativas técnicas utilizadas
para prevenção e controle de acidentes em áreas de risco geológico, tais
como encostas em áreas urbanas. Brasil (2007, p. 129), apresenta algumas
dessas técnicas construtivas:
“Obras de contenção de encostas incluem os
retaludamentos e aterros, as diversas tipologias de
estruturas de contenção e proteção super ficial de
taludes e sistemas de drenagem específicos. Os
retaludamentos compreendem obras de estabilização
a par tir da mudança na geometria das encostas,
por meio de cor tes e aterros, com ou sem estruturas
de contenção, como os atirantamentos e os aterros
reforçados com geotêxtil. As obras com estruturas de
contenção incluem os muros de gravidade (muros de
508
pedra seca, pedra argamassada, gabião, concreto
ciclópico e concreto armado) cujo dimensionamento
pressupõe que o próprio peso da estrutura supor tará os
esforços do maciço que precisa ser estabilizado. Obras
específicas para deslizamentos em maciços rochosos
incluem desde os desmontes manuais de lajes e blocos
de rocha, até obras de engenharia mais complexa
e bem mais custosa envolvendo atirantamentos e
muros de proteção. As obras de proteção contra
deslizamentos incluem ainda as barreiras vegetais e os
muros de espera.”
Estas técnicas são implantadas em áreas urbanas com justificativas
coerentes para com a problemática apresentada na área a ser alterada
e construída a obra de contenção, visando uma solução que seja eficaz
na solução do problema e também levando em consideração fatores como
o impacto social da obra e o bem-estar das pessoas beneficiadas com a
mesma.
EST ABILIZAÇÃO SEM ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO
RET ALUDAMENTOS
A inclinação da encosta é suavizada, de forma que os esforços
solicitantes no maciço sejam reduzidos, podendo ser realizado um cor te
no topo e/ou aterro na base do talude para obter a estabilização do
mesmo. Em encostas ocupadas desordenadamente, em geral, não é viável
a execução desse tipo de obra por questões de espaço e segurança. Por ser
uma solução não estrutural possui baixo custo de implantação.
509
Figura 4: obra de retaludamento
Fonte: PESCARINI, 2011
DRENAGEM
A drenagem é o ordenamento do escoamento das águas
super ficiais de uma determinada região e tem o objetivo de captar e
conduzir as águas super ficiais e subterrâneas das encostas, evitando a
infiltração, erosão e o acúmulo da água no solo, principais responsáveis
pela ocorrência de deslizamentos. Essas águas podem ter origem natural
como chuvas, minas e fontes e podem se originar também das águas
ser vidas e lançadas de maneira desordenada encosta abaixo na forma de
esgoto, e são concentradas por diversos tipos de inter venção nas encostas,
como é o caso das edificações da comunidade Santa Clara.
Seu processo de infiltração pode alterar as condições naturais
do talude, reduzindo a sucção (pressões negativas) e/ou aumentando
a magnitude das pressões de água (pressões positivas), provocando a
redução da tensão efetiva e também a perca de resistência ao cisalhamento
do solo (SANT ANA, 2006), causando instabilidade deste. Percebe-se que a
drenagem é uma das medidas estruturais mais impor tantes para a prevenção
de acidentes de deslizamentos em áreas de risco, já que melhoram as
516
Figura 10: Seção T ransversal de Cor tina de Concreto Atirantada
Fonte: PINI
Podendo ser executada para a contenção de encostas, sustentação
de muros de arrimo, contenção de taludes ou maciços, é uma técnica muito
utilizada em rodovias e na execução de subsolos em áreas urbanas.
Solo grampeado: é uma técnica de melhoria de solos, que permite a
contenção de taludes por meio da execução de chumbadores (barras de ferro)
e posterior recobrimento do talude com tela metálica fixada por pinçadores,
aplicação de concreto projetado com 7 a 10 cm de espessura e drenagem,
em suma, o maciço é reforçado através da inserção de barras metálicas
que atuam passivamente. Aplicável em taludes de cor te em solo, possui
vantagens como a não necessidade de escavações, fôrmas, escoramentos
ou andaimes. Os chumbadores promovem a estabilização geral do maciço,
o concreto projetado dá estabilidade local junto ao paramento e a drenagem
age em ambos os casos. O método se faz presente na execução de estradas,
túneis, remediações de deslizamento, entre outras obras.
517
Figura 11: Seção transversal de solo grampeado
Fonte: PINI
Geossintéticos: Maciço formado por mantas geotêxteis ou geogrelhas
intercaladas com camadas de aterro compactado. Funciona como uma
estrutura de contenção convencional. Cabe aos elementos geossintéticos,
além do confinamento do solo junto à face externa, resistir aos esforços de
tração desenvolvidos no maciço. Apresenta vantagens como rapidez de
execução, simplicidade e baixo custo.
Figura 12: Vista Isométrica em corte de Solo Reforçado com Geossintéticos
Fonte: PINI
518
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dentre os principais problemas identificados, estão a instabilidade
causada na encosta por má ocupação, com frequentes deslizamentos
e escorregamentos, o processo erosivo constante causado pelo despejo
de água provenientes da comunidade e por problemas de drenagem,
evidenciado pela presença de algumas grandes voçorocas. Um aspecto
relevante é o desgaste da cober tura vegetal, composta basicamente por
algumas ár vores de médio por te e plantas rasteiras, o que torna o solo
pouco resistente à infiltração. Existe uma grande quantidade de lixo
depositada nos dutos de drenagem, nas voçorocas e na própria barreira.
Par te da comunidade se situa em área de risco, com casas construídas muito
próximas a BR-230, com grandes desníveis de terreno, o que pode dificultar
a realização de uma inter venção que necessite de grandes movimentações
de terra. A proximidade com a rodovia de alto fluxo de veículos inviabiliza
ações que demandem muito espaço para a execução da construção. O
talude é de difícil acesso, e por isso deve dificultar ao acesso de operários.
A infraestrutura local pede obras que se adequem ao mesmo, no
sentido de serem duradouras e de fácil implantação. Para que os governantes
se interessem por financiar a obra, é necessário que a solução adotada
apresente um custo não muito elevado, tendo em vista o local de implantação
e a fonte do financiamento. Deve também ser levado em consideração o
foco social, isto é, a solução empregada deve contribuir não somente para
a mitigação do risco e da instabilidade da encosta, mas também para
a melhoria das condições de vida dos habitantes da comunidade Santa
Clara. Em vir tude de todos esses aspectos, já podemos eliminar algumas
soluções estruturais por inviabilidade técnica e econômica. Os muros de
gravidade ou arrimo são indicados para taludes com altura máxima entre
5 e 7 metros, enquanto o talude abordado aqui apresenta altura média de
15,5 metros, por tanto, esse tipo de estrutura de contenção não é o ideal.
As estabilizações sem estrutura de contenção também não seriam as mais
apropriadas, tendo em vista a necessidade de uma inter venção que seja
segura e ao mesmo tempo perdure. O retaludamento se torna inviável pela
impossibilidade de suavizar a inclinação, pela falta de espaço na base e
no topo. A implementação de um sistema de drenagem ou de proteção
519
super ficial, não teriam a mesma efetividade, considerando o fato de o
talude ser bastante íngreme e instável.
A cor tina atirantada é uma alternativa interessante e viável
para a contenção da encosta em estudo, devido a características como
aplicabilidade em taludes de qualquer altura, inclinação e tipo de solo, desde
que esse solo possua em seu interior pontos fixos para fixação dos tirantes,
e também por não demandar muito espaço para construção, evitando
transtornos significativos na rodovia. Essa estrutura de contenção é bastante
eficaz para regiões de ocupação desordenada, já que em seu processo
construtivo não há necessidade de realizar grandes cor tes no terreno, e,
por tanto, reduziria o risco à comunidade. Entretanto, o custo dessa solução
é elevado em comparação com outras estruturas de contenção.
Outra solução que muito bem se adapta ao tipo de situação estudado
é o solo grampeado. Esta técnica se assemelha a cor tina atirantada, porém,
em comparação de custo de implantação, os solos grampeados são mais
econômicos. Esse método de contenção de taludes possui maleabilidade
para trabalhar com taludes de qualquer geometria, o que dispensa a
necessidade de grandes movimentações de terra e terraplanagem. Este tipo
de técnica torna a execução mais barata por utilizar menos equipamentos.
Outra vantagem desse tipo de contenção é a rapidez na sua execução,
podendo ser realizado os trabalhos de escavação, per furação, injeção, de
forma simultânea. Com base no objetivo de implementar uma estrutura de
contenção eficiente na solução dos problemas e com bom custo/benefício,
o solo grampeado figura como principal alternativa. Essas propostas de
inter venção, se implementadas, serão eficazes na resolução da problemática
abordada neste ar tigo, trazendo segurança para o tráfego de veículos da
rodovia BR-230 e proporcionando a melhoria da qualidade de vida para a
região da comunidade.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Allisson D. C. Propostas Para Estabilização de T alude na Rodovia
BR-230, km 19. T rabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal da
Paraíba. 2016.
520
BRASIL. Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas T ecnológicas –
IPT . Mapeamento de Riscos em Encostas e Margem de Rios. Celso Santos
Car valho, Eduardo Soares de Macedo e Agostinho T adashi Ogura,
organizadores – Brasília: Ministério das Cidades; Instituto de Pesquisas
T ecnológicas – IPT , ISBN 978-85-60133-81-9, 176 p., 2007.
COST A, Daiane; SIL V A, Fabiula. Estudo de Viabilidade T écnica da Implantação
de um Viaduto com T erra Armada- Uma Alternativa Para Diminuir o
Congestionamento no Acesso ao Município de Gar uva- SC. T rabalho de
Conclusão de Curso. Universidade T ecnológica Federal do Paraná, 2016.
GARCIA, Daivson M. Riscos Ambientais Em Comunidades Subnormais - A
Comunidade Santa Clara No Bairro Do Castelo Branco . Universidade Federal
da Paraíba. 2013.
MARANGON, M. T ópicos em Geotecnia e Obras de T erra. Notas de aula.
2006. Disponível em: < http://www .ufjf.br/nugeo/files/2009/11/togot_
Unid03-GeoContencoes-Par te01-2006-2.pdf > Acesso em 20 set. 2018
Prefeitura de João Pessoa. Guarda Municipal e defesa civil fazem inter venção
em barreira do Castelo Branco. Disponível em:
<http://www .joaopessoa.pb.gov .br/guarda-municipal-e-defesa-civil-fazem-
inter vencao-em-barreira-no-castelo-branco/>. Acesso em 19 set. 2018.
RIZZON, M, M. Risco Geotécnico de Encostas Ocupadas: A valiação e
Indicação de Soluções para Mitigar problemas na vila Graciliano Ramos
em Por to Alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. T rabalho de
Diplomação. Por to Alegre, 2001.
SANT ANA, Rafael G. Análise de soluções de engenharia para estabilização
de encostas ocupadas na região metropolitana do recife-PE. Estudo de caso:
Ruptura ocorrida em encosta com ocupação desordenada na UR 2, Ibura.
Universidade Federal de Pernambuco. T ese de Mestrado. Recife, 2006.
521
RDC’ s: DO LIXO AO LUCRO
Jackson da Silva Araújo 1
Francisco Adênio Rodrigues Leite 2
Igor Alves de Araújo 3
Gabriel Gomes Passos de Caldas Lacerda 4
Antônio da Silva Sobrinho Júnior 5
RESUMO
Para um país que postula ser considerado desenvolvido, modernizar seus
meios de produção é de suma impor tância. Gerir de forma eficiente seus
recursos tem sido um grande desafio para quem aspira a esse título. Com
o Brasil não é diferente. A construção civil é um dos principais pelares do
desenvolvimento nacional. Porém, é um dos setores que mais desperdiça
seus recursos. Associações como a ABRECON e a ABRELPE, divulgam
pesquisas anuais que dão a devida dimensão do problema, que tem como
denominador comum os RCD’ s. Essa ingerência, além de interferir na
sustentabilidade, afeta diretamente as finanças do setor . Diante disso, foi
feita uma pesquisa que busca mostrar aos empreendedores da indústria
da construção civil, algumas formas de como gerirem melhor suas obras.
Dentre essas sugestões, as que mais tomam destaque são a reciclagem e
a reutilização desses resíduos gerados, pois convergem e tentam sanar
as principais consequências do problema, o desperdício e o impacto
ambiental. Entretanto, é necessário que essa ideia seja difundida nesse
meio, pois a falta de informação sobre o assunto, atrelada a uma visão
rasa dos envolvidos a respeito das perspectivas do mercado, impedem o
desenvolvimento dessas práticas.
Palavras-chave: Construção civil. RCD’ s. Reciclagem. Sustentabilidade.
Finanças.
1 Graduando do curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
2 Graduando do curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
3 Graduando do curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
4 Graduando do curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
5 Engenheiro Civil e Doutor . Professor Adjunto do Depar tamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB.
Professor do Curso de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected]
522
INTRODUÇÃO
A III Revolução Industrial trouxe consigo um enorme desenvolvimento
tecnológico, o qual deu um upgrade nos meios de produção e gerou um
grande impacto econômico que consagrou as grandes potencias industriais
da atualidade, Estados Unidos, Japão, Alemanha e China. T odavia, o
impacto econômico não foi o único a ser gerado. O meio ambiente vem
sofrendo desde então com as frequentes atividades antrópicas. Outro
grande fenômeno causado pela revolução foi o êxodo das pessoas para
os grandes centros em busca de opor tunidades de emprego e pelas más
condições de vida no campo, segundo Por tella (2014). Ainda seguindo o
pensamento de Por tella, esse movimento deu origem às metrópoles de hoje,
e consequentemente à necessidade de expandir território com a ajuda da
construção civil.
A indústria da construção civil teve grande crescimento durante as
últimas décadas. T al progresso também tem suas consequências negativas,
e a maior delas é a geração de resíduos. Segundo pesquisa setorial feita
pelo ABRECON (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da
Construção Civil e Demolição) em 2014, levando em consideração uma
estimativa feita em 2012 pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), o qual afirma que a produção média anual de resíduos de
construção e demolição (RCD’ s) é de, aproximadamente, 500kg/hab,
estima-se que o Brasil gere mais de 84 milhões de m³ anuais de RCD’ s.
No entanto, em meio a esse caos surge um nicho bastante
interessante que consegue unir o útil ao agradável. A reciclagem desses
resíduos e sua reutilização é algo pouco empregado no mercado de acordo
com ABRECON. A difusão dessa ideia propõe reduzir significativamente
o número de resíduos produzidos, bem como estabelecer um mercado
lucrativo. Ainda segundo a ABRECON, os Estados Unidos reciclam cerca
de 140 milhões de toneladas de resíduos de concreto, enquanto o Brasil
só recicla 5% dessa quantidade. Algo que só reforça ainda mais essa
ideia, e mostra que os empreendedores estão desperdiçando seus recursos
financeiros.
Assim sendo, o objetivo desse estudo é expor a possibilidade de
construir e contribuir com o meio ambiente de forma simultânea. E como
523
dito anteriormente, o mercado tem suas fontes não exploradas as quais têm
potencial para serem bastante lucrativas, basta apenas dar -lhes visibilidade.
METODOLOGIA
A produção desse estudo se deu através de levantamentos
bibliográficos oriundos de ar tigos atualizados, revistas de associações
confiáveis e sites técnicos. A pesquisa é caracterizada como sendo
exploratória, tendo em vista que seu objetivo é disseminar o conhecimento
sobre o objeto de estudo. De acordo com Gil (2002), a pesquisa exploratória
tem o propósito de promover uma maior familiaridade com o problema, com
a finalidade de explicitá-lo ou construir hipóteses.
O trabalho também se caracteriza por ter uma abordagem híbrida,
o qual utiliza de aspectos qualitativos e quantitativos, em busca de abranger
a visão sobre o problema exposto.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
De acordo com a Associação Brasileira de Limpeza Pública e
Resíduos Especiais - ABRELPE (2017), os municípios do Brasil coletaram
mais de 45 milhões de toneladas de RCD’ s, como mostra o Quadro 1 a
seguir . Esse dado representa um aumento de aproximadamente 7,2% em
relação a anos anteriores, porém praticamente não variou comparado a
2016, apenas 0,1%.
Praticamente todas as atividades desenvolvidas no
setor da construção civil são geradoras de entulho.
No processo construtivo, o alto e polêmico índice de
perdas do setor é a principal causa do entulho gerado.
Embora nem toda perda se transforme efetivamente
em resíduo, pois uma par te acaba ficando na própria
obra, o entulho corresponde, em média, a cerca de
50% do material desperdiçado relacionado ao material
que entra na obra. Reduzir o desperdício é de fato a
primeira grande contribuição ambiental da construção.
(IMBELLONI, 2005).
524
Quadro 1. Quantidade de RCD’ s coletados em 2016 e 2017 pelos municípios.
Fonte: Panorama de Resíduos Sólidos do Brasil, 2017.
O quadro acima corrobora com a narrativa dos RCD’ s no país,
e dá uma cer ta dimensão da problemática. Os números mostram apenas
o que foi coletado. Sabendo-se que é estimada uma produção de mais de
84 milhões de toneladas desse resíduo por ano, e que foram coletados 45
milhões, surge um déficit em torno de 39 milhões. Qual foi o destino desse
déficit? Essa mesma pesquisa ainda mostra que os RCD’ s representam mais
de 60% dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) recolhidos no referido ano,
como também informa que 40,9% dos resíduos recolhidos estavam em locais
inadequados. Isso expõe a mentalidade indiferente dos responsáveis da
indústria da construção com o meio ambiente, mas também sua incapacidade
de gerir o próprio negócio, que mesmo com todas as recomendações da
Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) sobre
a gestão desses resíduos, insistem em ter prejuízo.
O cliente, ciente dos desperdícios, não está disposto a pagar por
esses gastos, é o que afirma Sousa et al. (2014, apud BASTOS, 2015). Isso
só reforça o pensamento de Noro (2012), que afirma que muitas empresas
da indústria da construção civil estão perdendo espaço no mercado e até
mesmo sendo extintas pela falta de competitividade e ineficiência em sua
gestão.
LUCRO E SUTENT ABILIDADE
A busca por cer tificações de “ greenbuilding” tem aumento
significativamente, e nesse contexto o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking
em construções que buscam o selo LEED ( Leadership in Energy and
Environmental Desing ), afirma Felipe Faria, diretor do Green Building
Council Brasil , empresa responsável por essa cer tificação. Entretanto,
existem outros sistemas de cer tificação, mas que compar tilham do mesmo
525
objetivo, o desenvolvimento sustentável. A própria Caixa Econômica Federal
criou em 2008 seu selo de qualidade, o Casa Azul. Com essa iniciativa, a
Autarquia Pública condiciona o recebimento de investimento aos projetos
que atenderem, ao menos, aos requisitos mínimos exigido pelo programa.
Figura 1. Níveis de Certificação Casa Azul.
Fonte: Guia Caixa: Sustentabilidade Ambiental, 2010
De acordo com Rech et al. (2018), no inter valo de tempo de um
ano, 2013/2014, o número de empreendimentos com cer tificados LEED
aumentou de 27 para 42. Porém, dada a dimensão da construção no país,
esses números tornam-se ínfimos.
Uma pesquisa publicada pelo Sistema FIEP em 2019, aponta que
cerca de 87% dos consumidores preferem adquirir produtos de empresas
sustentáveis, e que 70% dos entrevistados não se impor tam em pagar
mais por isso. De acordo com o pesquisador do Sistema FIEP , Augusto
Machado, “Os gestores industriais têm percebido que, para seus negócios
perdurarem, é fundamental gerenciar os recursos de toda a sua cadeia
produtiva, além de atuar de maneira transparente e responsável, gerando
maior competitividade e diferenciação no mercado”.
532
INTRODUÇÃO
No século passado, quando se iniciou a chegada dos transpor tes
no Brasil, o principal modal utilizado era o ferroviário. No entanto, com
o grande incentivo às indústrias automobilísticas, feito no governo JK, e
problemas com a variedade de bitolas, que dificultavam o trânsito entre
determinadas cidades, fizeram com que esse modal fosse sendo substituído
pelo rodoviário. Mais de meio século depois, o descaso com as ferrovias
criou um monopólio nos meios de transpor te do país. A grande demanda
de veículos tem cada vez mais saturado esse modal. Devido a isso, se
intensificou a construção de mais rodovias. Essa produção desenfreada leva
o profissional, no intuito de agilizar o andamento da obra, a negligenciar
alguns aspetos físicos do local, e que, consequentemente, trará problemas
futuros de desempenho.
A utilização do método de inserção de materiais para a melhoria
da capacidade do solo não é nova, consta que os romanos já utilizavam
essa técnica, e que par tes da Muralha da China foram construídas com
argila, cascalhos e fibras naturais. Para o uso de reforço de pavimentos essa
técnica foi aplicada entre as décadas de 40 e 60 nos Estados Unidos, depois
disso a criação de novas tecnologias para o uso de materiais sintéticos
avançou rapidamente.
Geossintético pode ser designado como um produto plano
fabricado a par tir de materiais poliméricos (sintéticos ou naturais) usado
em contato com os maciços naturais, solos ou rochas, ou outro material
geotécnico em obras de Engenharia, afirma Da Costa et al. (2015). Esses
produtos são constituídos por uma grande variedade de materiais e formas,
cada adequado a um determinado uso ou necessidade. Em geotécnica as
principais obras que utilizam esses materiais são: aeropor tos, ferrovias,
rodovias, aterros, estruturas de contenção, reser vatórios, canais e barragens.
Dentre as aplicações de geossintéticos em geotécnica existem
algumas que exigem o conhecimento das características de interação entre
o solo e o geossintético, a fim de obter melhores resultados na resistência
final. A grande vantagem da utilização de geossintéticos consiste em prover
uma melhor qualidade no desempenho do pavimento, onde as técnicas
convencionais não oferecem confiabilidade.
533
Diante disso, esse estudo tem como objetivo mostrar uma solução
para solos problemáticos na construção de rodovias, que é a utilização
de geossintéticos. Mas também expor , através de um estudo de caso, o
desempenho que esses materiais proporcionam ao solo.
METODOLOGIA
O método que foi utilizado para a realização dessa pesquisa é o
qualitativo, com a finalidade de estudar e buscar tipos de geossintéticos, para
a utilização em pavimentação, que de acordo com Gil (2002), é a estrutura
construída sobre a terraplanagem e destinada, técnica e economicamente,
a resistir aos esforços ver ticais oriundos do tráfego e distribui confor to e
segurança e resistência durável a super fície de rolamento.
Com caráter bibliográfico, foram utilizados livros, e ar tigos
acadêmicos para o melhor entendimento das funções desempenhadas por
esse material, buscando ressaltar as melhorias propiciadas pelo seu uso em
rodovias.
FUNDAMENT AÇÃO TEÓRICA
P A VIMENT AÇÃO DE RODOVIAS
Rodovia (Figura 1) é destinada ao tráfego de veículos de todos
os tamanhos, mas principalmente os de grande por te, e é vista como um
elemento linear que se estende por diversas regiões. Por elas passam as
principais transpor tadoras de cargas e passageiros do Brasil
534
Figura 1 - Rodovia duplicada.
Fonte : GOVERNO DE SÃO P AULO (2018)
No entanto, por trás do projeto de construção de uma rodovia,
há diversas premissas a serem seguidas, como o desenvolvimento social,
econômico e a interligação de regiões para o transpor te de pessoas e bens.
O processo de construção de rodovias é extenso, entre as etapas
mais impor tantes estão:
• Desmatamento com trator de esteira
• Fundação da estrutura
• Estaqueamento
• T erraplanagem
• Escavação e carga
• Escavação e cor te
• Compactação do solo
535
TIPOS DE P A VIMENTO
O pavimento tem como objetivo propiciar um tráfego confor tável e
seguro, supor tando os esforços decorrentes das ações do tráfego combinado
com as condições climáticas, sendo o mais econômico possível e garantindo
um bom desempenho ao longo do período da vida útil (SOUSA, 2017).
Ainda segundo Sousa (2017), as estruturas do pavimento (Figura 2) são
dividas na engenharia rodoviária de acordo com a rigidez do seu conjunto:
rígidas e flexíveis.
Figura 2 - Detalhamento da estrutura do pavimento
Fonte : TRANSBRASILIANA (2018)
O pavimento rígido é associado ao concreto, sendo um
revestimento feito de placas de concreto que podem ser armadas ou não
com barras de aço, apoiada geralmente sobre uma sub-base de material
granular ou de material estabilizado com cimento. A espessura é fixada em
função da resistência à flexão das placas de concreto e das resistências das
camadas subjacentes. O pavimento rígido tem uma maior durabilidade e
resiste às ações do tempo, sem precisar de manutenção e com o tempo ele
vai ganhando mais resistência.
Segundo Bernucci (2006), os pavimentos flexíveis têm em sua
composição uma camada asfáltica (revestimento), apoiada sobre camadas
de base, sub-base e reforço de subleito, que tem em sua constituição
536
materiais glanulares, solos ou misturas, ilustrado na Figura 3. Este tipo de
pavimento é uma das soluções mais tradicionais e utilizadas na construção
e recuperação de vias urbanas, estradas e rodovias.
Figura 3 - Disposição das camadas em solos rígidos e flexíveis.
Fonte : ALÉM DA INÉRCIA (2019)
GEOSSINTÉTICOS
Segundo a NBR 12553 o nome geossintéticos é dado a produtos
poliméricos, sintéticos ou naturais, criados para uso em obras geotécnicas,
podendo desempenhar uma ou mais funções. dentre os geossintéticos os
que se destacam são:
Geogrelha: Produto com estrutura em forma de grelha, com função
predominante de reforço, cujas aber turas permitem a interação do meio
em que estão confinadas, constituído por elementos resistentes à tração,
sendo considerado unidirecional quando apresenta elevada resistência à
tração apenas em uma direção e bidirecional quando apresenta elevada
resistência à tração nas duas direções principais (or togonais). Em função do
processo de fabricação, as geogrelhas podem ser extrudadas, soldadas ou
tecidas. Conforme a Figura 4
537
Figura 4 - Geogrelha
Fonte: INOV AGEO (2014)
Geotêxteis: Produto têxtil bidimensional, permeável, composto de fibras
cor tadas, filamentos contínuos, monofilamentos, laminetes ou fios, formando
estruturas tecidas, não-tecidas ou tricotadas, cujas propriedades mecânicas e
hidráulicas permitem que desempenhe várias funções numa obra geotécnica.
Dependendo de sua fabricação os geotêxteis pode ser de diferentes tipos
onde os principais são o geotêxtil tecido e não-tecido
• Geotêxtil não-tecido: Produto composto por fibras cor tadas ou filamentos
contínuos, distribuídos aleatoriamente, os quais são interligados por
processos mecânicos, térmicos ou químicos (Figura 6).
• Geotêxtil tecido: Produto oriundo do entrelaçamento de fios,
monofilamentos ou laminetes (fitas), segundo direções preferenciais de
fabricação denominadas trama (sentido transversal) e urdume (sentido
longitudinal) (Figura 5).
538
Figura 5 - Geotêxtil tecido
Fonte: NTC BRASIL (2019)
Figura 6 – Geotêxtil não-tecido
Fonte: INOV AGEO (2014)
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