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Engenharia Civil- Temas, Técnicas e Aplicações - Volume II

Centro Universitário de João Pessoa

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J oão P essoa - PB 2017 VO L. I I J oão P essoa - PB 2017 OR GANIZADORES Antônio da Silva Sobrinho Júnior Ev el yne Emanuelle P ereira Lima Ana Maria Nascimento Henriques e Silva VO L. I I Capa Ale xandre Ca valcanti de Sousa Diagramação Raiff Pimentel Félix Almeida Conselho Editorial Ana Maria Nascimento Henriques e Silva Antônio da Silva Sobrinho Júnior Ev el yne Emanuelle P ereira Lima V alkisfr an Lira de Brito Viviane Brito dos Santos Wilson Cartaxo Soares Filipe Car v alho de Almeida Re visão Final Antônio da Silva Sobrinho Júnior Ana Maria Nascimento Henriques e Silva Impresso no Brasil - 2017 S677e Sobrinho Júnior , A. S . Engenharia Ci vil- T emas , Técnicas e Aplicações - V olume II/ Antônio da Silv a Sobrinho Júnior; Ev elyne Eman uelle P ereira Lima; Ana Maria Nascimento Henriques e Silv a - J oão P essoa, 2017. 545p ISBN: 978-85-87868-34-3 1. Engenharia Ci vil, 2. T emas , Técnicas e Aplicações-V olume II. I. Sobrinho Júnior , A. S . II. Lima, E. E. P . III. Henriques e Silv a, A. M. N . IV . Centro Univ ersitário de João P essoa. V . Título . CDU 624 CDD 360 UNIPÊ/BC Cop yright@ b y Institutos P ar aibanos de Educação DOI: 10.5281/zenodo.17675045 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 16 Feito isto, foi necessário fazer uso das peneiras de #16 e #19 mm com o material moído, a fim de distinguir o que poderia ser classificado como agregado graúdo (todo o material passante) e o que seria descartado por ser considerado agregado miúdo. P ar a o a g regado miúdo na tur al, utilizou-se areia la vada pro v eniente do labora tório do UNIPÊ. O ma terial foi seco ao ar , homogeneizado manualmente e , log o após , passado na peneira de malha #4,8 mm, sendo retirada toda a fr ação superior a essa malha. Após a caracterização dos ma teriais , realizou-se a dosagem e xperimental do concreto conv encional e do reciclado , e assim f or am moldados os corpos de pro va cilíndricos , se guindo os parâmetros da NBR 5738:2011 com 10 cm de diâmetro e 20 cm de altura, com o uso da dosagem 1: 1,50:1,92:1,4, utilizando o cimento P or tland CP V . O procedimento se iniciou com a e x ecução do concreto conv encional, e de pois se repetiu por mais três v e zes , só que com as devidas substituições de 7%,10% e 15% empreg adas com o R CD que e xerceram o papel do ag reg ado g r aúdo na tur al. F oram produzidos pelo menos 4 cor pos de pro va para cada traço de concreto produzido e a cur a f oi realizada nas primeiras 24 horas ao ar , e após esse período , foram desmoldados e curados em câmara úmida até o momento do seu rompimento para a v erificação da resistência do concreto aos 7,14 e 28 dias , quando então foi possív el fazer as devidas análises que estão apresentadas nos resultados . Ca be ressaltar que todos os ensaios foram realizados no Labora tório de Ma teriais do UNIPÊ – Centro Univ ersitário de J oão P essoa e que todos os equipamentos foram disponibilizados também pela própria univ ersidade, mas os R CD’s necessários par a o estudo f oram for necidos por uma construtor a da cidade . RE SUL T ADOS E DISCU SSÕE S ENSAIO GRANUL OMÉTRICO DO MA TERIAL GRA ÚDO Com o ma terial cerâmico após o processo da moa gem, foi executado o ensaio de g ranulometria se gundo a NBR 248 (ABNT ,2003) – Ag regados – Deter minação da composição g ranulométrica. A amostra de 5 kg foi devidamente colocada na série de peneiras segundo a T abela 1 e depois , foi feita a pesagem do que fic ou retido em cada uma delas , e assim, tor nou-se possív el classificar o resíduo e fazer a seguinte relação , atra vés da Equação (1): amostra retido peso peso x = * 100% (1) Onde: P eso retido : P eso retido em cada peneir a; P eso amostra : P eso de 3,00kg da amostra. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 17 T a bela 1 – R esultados dos ensaios de g ranulometria dos R CD P eneir as (mm) P eso r etido (g) % R etida %R etida Acumulada 25 242, 17 8, 07 8, 07 19 760,68 25,37 33, 44 16 1586, 40 52,88 84,32 9, 5 332,30 11 ,08 9 7,4 F undo 78, 45 2,61 100, 0 T otal do peso retido: 3, 0 kg F onte: Os autores Então , foi feita a soma da porcenta gem acumulada (Ac), conforme a NBR NM 248( ABNT , 2003) obtendo um valor de 323,23 e um módulo de finura de 3,23. Após a análise em que a amostr a empreg ada foi considerada como ag reg ado g raúdo empre gou-se referências da NBR NM 53 (ABNT , 2003) - Ag regado Graúdo - Deter minação de massa específica, massa específica aparente e absorção de água. ENSAIO DE MAS SA E SPE CÍF ICA E ABSOR ÇÃ O DE ÁGU A Seguindo as especificações da NBR NM 53/2003 que tr a ta sobre o método para a deter minação da massa específica e absorção de água dos ag reg ados g raúdos , na condição sa turada em superfície seca, sempre sendo destinados ao uso de concreto , fe z-se o seguinte ensaio com uma amostr a gem total de 2,15 Kg de R CD e uma amostragem total de 2,05 Kg de brita, onde foram dividas em três amostras , apresentadas como amostr a 1, amostra 2 e amostra 3, que posterior mente foram todas pesadas ainda em estado seco . A tabela 2 mostra os pesos das amostras com os resíduos cerâmicos e com as britas: T a bela 2 – P esos das amostr as dos a g regados secos A gr egados gr aúdos Amostr a 1 (g) Amostr a 2 (g) Amostr a 3 (g) R esíduos cer âmicos 583,66 532, 43 1 .034, 18 Britas 718,50 745,50 584,50 F onte: Os autores Com o peso dos resíduos cerâmicos e das britas ainda em estado seco , tor nou-se possível obter as massas específicas dos dois a g regados , atra vés da Equação (2). E a partir disso , deter minou-se os va lores apresentados na T abela 3. a sat s m m m d − = (2) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 18 Onde: d = massa específica; m s = massa ao ar da amostra seca; m sat = massa ao ar sa turada com superfície seca; m a = massa em água da amostra. T a bela 3 – Massa específica dos ag reg ados secos A gr egados gr aúdos Amostr a 1 (g/ cm³) Amostr a 2 (g/ cm³) Amostr a 3 (g/ cm³) R esíduos cer âmicos 1,4 3 0 1 ,232 1 ,305 Britas 1,7 6 1 1,7 6 0 1 ,694 F onte: Os autores Os ag reg ados em condição seca foram colocados em um recipiente com água, onde ficaram submer sos por 24 horas , e de pois desse tempo , foram feitas as devidas pesa gens com os resultados contidos na ta bela 4. T a bela 4 – P esos das amostr as dos a g regados na condição sa tur ada A gr egados gr aúdos Amostr a 1 (g) Amostr a 2 (g) Amostr a 3 (g) R esíduos cer âmicos 761 ,50 686,50 1381,50 Britas 842, 00 874, 00 697 ,50 F onte: Os autores Consequentemente, f oi possív el descobrir as massas específicas na condição sa turada das três amostr as de cada a g regado , a través da Equação (3). Os dados encontrados são apresentados na T abela 5. (3) T a bela 5 – Massa específica dos ag reg ados na condição sa turada A gr egados gr aúdos Amostr a 1 (g/ cm³) Amostr a 2 (g/ cm³) Amostr a 3 (g/ cm³) R esíduos cer âmicos 1 ,866 1 ,589 1,7 3 3 Britas 2, 064 2, 069 2,052 F onte: Os autores a sat sat s m m m d − = ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 19 ABSOR ÇÃ O DE ÁGU A A partir dos valores das massas específicas na condição sa turada e das massas específicas no estado seco dos resíduos cerâmicos e das britas , foi possív el encontr ar a a bsorção d’água dos a g re g ados estudados par a cada amostra na T abela 6, a tr a vés da Equação (4): (4) Onde: A = absorção d’água. T a bela 6 – Absorção de água A gr egados gr aúdos Amostr a 1 (%) Amostr a 2 (%) Amostr a 3 (%) R esíduos cer âmicos 11 ,56 1 1,4 9 12,01 Britas 6, 47 6,58 4,59 F onte: Os autores Com base nos resultados obtidos das massas especificas nas três condições do ensaio , e as absorções de água encontradas , foi possív el gerar um g ráfico com as médias de cada item analisado e assim, compar ar as diferenças entre os dois tipos de ag reg ados . Gráfico 1 - Média das massas específicas e absorção de água dos ag reg ados em estudo F onte: Os autores 100 * s s sat m m m A − = ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 20 Nota-se que os R CD’s apresentar am uma taxa de a bsorção bem consideráv el em relação ao ag reg ado brita, devido a utilização do ma terial b loco cerâmico para realização do ensaio , onde a porosidade dos ag reg ados de R CD’s influencia na massa específica, estando esta relacionada com a absorção de água. Com isso a presença da cerâmica v er melha nos R CD’s faz com que ag reg ado tenha também uma maior taxa de porosidade que o ag reg ado brita. (ANGUL O , 2005). CARA CTERIZA ÇÃ O DO TRAÇ O P ARA F ABRICA ÇÃ O DO CONCRET O INSERINDO RESÍDUOS DE AL VENARIA Depois de definido o traço do concreto base de 1: 1,5: 1,92: 1,4 e considerando os ensaios granulométricos da amostra apresentados acima, determinou-se o traço do concreto com a adição de resíduos sólidos, denominado concreto reciclado. A relação água/cimento desse traço aumentou proporcionalmente à medida que os teores de substituição tam- bém aumentaram, pois com a alta absorção de água do agregado, é necessário o acréscimo de mais água para não comprometer a trabalhabilidade. No decorrer da rodagem do concreto com utilização do a g re g ado reciclado de b locos cerâmicos , não encontrou-se muitas dificuldade em alcançar o resultado desejado no Slump T est, pois com o teste de g ranulometria, identificamos boa parte dos ‘’finos’’ e xistentes na amostr a a partir da moagem . CONSIS TÊNCIA DO CONCRET O A TRA VÉS DO SLUMP TEST A consistência do concreto geralmente é deter minada pelo Slump T est – Ensaio de Aba timento do Tronco de Cone. O ensaio f oi feito pelo se guinte procedimento: In ic i a l me nt e s e c ol oc ou o t ro nc o d e cone de 30 cm de altura, sobre uma placa metálica nivela da, conhecido como cone de Adams , sendo preenchido com três camadas individuais compactadas a través de uma haste de ponta arredondada com 25 golpes cada camada, sempre a tentando par a que a 2º e 3º camada não ultrapassar a 1º camada, como é de e xigência do procedimento . A p ó s p re e nc h id a as três camadas , niv elou-se o que e xcedeu do concreto com a base do cone para que em se guida pudesse ser retirado o tronco de cone. Colocou-se a haste sobre o cone e com uma régua f oi medido a quantidade aba tida. A seguir os resultados do Slump Test , referentes aos dois tipos de concreto estudados, visto que o objetivo era atingir o mesmo abatimento para ambos concretos. T a bela 7 – R esultados do ensaio de Aba timento Tronco de cone Abatimento (cm) Concr eto c onv encional 8 Concr eto c om 7% de agr egado cer âmico 7, 5 Concr eto c om 10% de agr egado cer âmico 7 Concr eto c om 15 % de agr egado cer âmico 8 F onte: Os autores ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 21 DETERMINAÇÃ O DO TE S TE DE RESIS TÊNCIA DOS CORPOS DE PRO V A P ar a realizar o teste de resistência a compressão , seguiu- se as nor mas de acordo com a NBR 5739/2007: Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prov a cilíndricos no qual ocorre o processo de rompimento de um corpo de prov a por meio de uma prensa hidráulica. Na tabela 8 a baix o , pode-se obser var os resultados obtidos de cada amostra, aos 7, 14 e 28 dias . A cada três amostras de um deter minado tr aço , foi feito a média das resistências . T a bela 8- R esultados do Ensaio de resistência à compressão do concreto R esistência a compr essão em MPa Corpos de Pr o va 7 dias 14 dias 28 dias Concr eto c onv encional 2 9,4 4 30, 09 31 , 90 Concr eto c om 7% de agr egado cer âmico 24, 39 27 , 99 32,60 Concr eto c om 10% de agr egado cer âmico 21 , 99 25, 06 29 , 10 Concr eto c om 15 % de agr egado cer âmico 19 ,21 20, 12 23,45 F onte: Os autores F azendo a compar ação das resistências de todos os concretos produzidos , consta tou-se que a resistência à compressão aos 28 dias do concreto com 7% de agre g ado cerâmico foi maior que a resistência dos demais concretos . CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Baseado nos resultados foi possív el verificar a via bilidade técnica da substituição do a g re g ado g raúdo natural por resíduos de b locos cerâmicos na fabricação de concreto , e foi visto que esse concreto reciclado ser v e como uma boa alter na tiva para aplicações de concretos lev es , como contrapisos , contramarcos de janelas , env elopamento de tub ulações , entre outros elementos que não possuam função estrutur al. T endo como base o valor de resistência à compressão em 32 MP a, percebeu-se que, na produção do concreto com substituição de 7% do ag reg ado na tural pelo reciclado foi obtido o resultado mais sa tisfa tório , pois aos 28 dias a sua resistência à compressão foi superior ao concreto conv encional, além de apresentar um menor peso específico também. Os resíduos cerâmicos apresentaram uma taxa de absorção de água bastante elev ada, ha v endo , por tanto , a necessidade de compensar a relação a/c à medida que houv e o aumento dos teores de substituição do ag reg ado reciclado de R CD dur ante a confecção dos concretos para que a trabalhabilidade dos mesmos não f osse comprometida. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 22 P or tanto , analisando-se os resultados alcançados , pode-se concluir que o estudo v em contribuir para a melhoria da qualidade de vida, a través da redução da poluição e dos impactos ambientais causados muitas v e zes pela geração de entulhos nos g r andes centros urbanos , além de abrir espaço para a utilização de um ma terial alter nativ o , preser vando , deste modo , as reser vas na tur ais e contribuindo com a sustenta bilidade. REFERÊNCIAS ARIAS, M. M.; P ALMEIRA, E. M . Ag regados P ar a a Construção Civil. In: ISAIA, G . C. M a teriais de construção ci vil e princípios de ciência e engenharia de materiais . São P aulo: Ibr acon, 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ( ABNT). NBR 5738: Moldagem e cura de corpos-de-prov a cilíndricos ou prismáticos de concreto . Rio de J aneiro , 2003. Emenda 1:2008. ______. NBR 5739: Concreto: ensaio de compressão de corpos-de-prov a cilíndricos . Rio de J aneiro , 2007. ______. NBR NM 53: Ag re g ado g raúdo – Deter minação de massa específica, massa específica aparente e absorç ão de água. Rio de J aneiro , 2003. ______. NBR NM 248: ag reg ados: deter minação da composição g ranulométrica. Rio de J aneiro , 2003. ANGUL O , Sérgio C. Car acterização de agreg ados de resíduos de construção e demolição r eciclados e a influência de suas características no comportamento de concretos . T ese( Doutor ado) Escola P olitécnica da Univ ersidade de São P aulo . São P aulo , 2005. B UTTLER, A. M. Concreto Com Agreg ado Gr aúdo Reciclado: influência da idade de reciclagem nas propriedades dos agr egados e concr etos reciclados . São Carlos , 2003. Disser tação (Mestrado em Engenharia Civil) - Escola de Engenharia de São Carlos , Univ er sidade de São P aulo . São Carlos , 2003. GEYER, André Luiz B. Impor tância do contr ole de qualidade do concr eto no estado fresco . Informativ o técnico - R ealmix, Ano 2, n.2, 2006. LEVY , Salomon Mony . Contrib uição ao estudo da dura bilidade de concretos , pr oduzidos com resíduos de concreto e alv enaria. São P aulo: USP , 2001. T ese (Doutor ado) Engenharia Civil). Escola P olitécnica da USP . Univ ersidade de São P aulo , 2001. ______. Reciclagem de entulho de construção ci vil para utilização como agreg ado de arg amassas e concreto . 145p . Disser tação (Mestrado) – Escola P olitécnica. Univ er sidade de São P aulo . São P aulo , 1997. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 23 AR QUITE TURA EMER GENCIAL: ABRIGOS EFÊMEROS C OMO CONTRIB UIÇÃ O P ARA PR O BLEMAS CONTEMP ORÂNE OS Ana Gomes Negr ão 1 , Antônio da Silva Sobrinho Júnior 2 , Dimitri Costa Castor 3 , Lizia Agr a Vil larim 4 , P edro Iv o Gomes Negr ão 5 . 1 Doutor anda em Ar quitetur a e Urbanismo (UFRN). Pr ofessor a do Curso de Ar quitetur a e Urbanismo do Unipê. E-mail: agnegr [email protected] om 2 Engenheir o Civil e Doutor em Engenharia Mecânica. Pr ofessor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. Pr ofessor do Departamento de Arquitetur a e Urbanismo da UFPB. E-mail: [email protected] 3 Doutor ando em Ar quitetur a e Urbanismo (UFRN). E-mail: [email protected] 4 Mestr e em Desenvolvimento Urbano (UFP E). Pr ofessor a do Curso de Ar quitetur a e Urbanismo do Unipê. E-mail: liziaagr [email protected] om 5 Mestr e em Engenharia Miner al (UFP E). E-mail: pedronegr [email protected] om CAPÍTUL O 2 RE SUMO P ode-se dizer que, a tualmente, as ca tástrofes na turais , as perse guições e guerr as , passam a fomentar projetos de arquitetura emergencial, enfa tizando a contrib uição social da arquitetura, urbanismo e engenharias , em div er sos países . No Br asil, as soluções adotadas como arquitetura emergencial são ine xistentes ou improvisadas , porém, tem-se conhecimento de algumas soluções criadas inter nacionalmente. Este ar tig o resulta da pesquisa, em andamento , que é realizada de forma colabora tiva entre Arquitetura e Urbanismo , e Engenharias , cujo objetiv o principal é estudar propostas de abrig os emergenciais confeccionados com ma teriais alter na tiv os de constr ução civil, nos âmbitos nacional e inter nacional, e que possam ger ar diretrizes de projeto para abrigos emergenciais v oltados par a o território brasileiro . Assim, é compreendido por uma brev e revisão de literatura sobre o tema abordado , e a etapa de sistematização dos referenciais projetuais em fichas ca talo g ráficas , com a ilustr ação de três e x emplos , que apresentam diretrizes de projeto per tinentes a serem trabalhadas no Brasil. Dessa for ma, percebe-se a importância de pesquisas dessa na ture za que possam oferecer melhores soluções para propostas de abrig os emergenciais v oltados par a o local supracitado . P alavr as-Cha v e: Concreto reciclado . R esíduos de constr ução e demolição (R CD). Cerâmica v er melha. Ag regados reciclados . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 24 INTRODUÇÃ O Algumas pesquisas ressaltam que desde o início do monitoramento climático , por v olta de 1850, a primeira década do século XXI foi a mais quente da história da humanidade. O aumento da tempera tura global impulsionou uma maior incidência de ev entos climáticos e xtremos em todo o mundo , ocasionando situações de desastres naturais e, consequentemente , emergenciais (PR OJET AR, 2016). Outra questão que se relaciona com as situações emergenciais , são as guerr as e perse guições , que colocam o ser humano , e a té países por completo , em situações vulneráveis , como ocor re a tualmente na Síria. A demanda por arquitetura de emergência tem aumentado considerav elmente no âmbito mundial devido à frequência, cada v e z maior , dos fenômenos mencionados anterior mente . Sendo assim, consider ando a moradia, o abrigo emergencial de caráter efêmero pode contrib uir com esse prob lema (BARBOSA, 2012). T endo em vista esses fa tos , em 1984, a Organização das Naçõe s Unidas (ONU), apresentou um rela tório contendo diretrizes para a prestação de assistência nas situações de calamidade , intitulado “O abrig o de pois do desastre”, direcionando as ações de competência tanto para a arquitetur a e engenharia quanto para o go v er no , a través dos órgãos assistenciais correspondentes (RÊGO , 2013). No conte xto de um cenário urbano emergencial, de v em ser mencionados alguns prob lemas , tais como , ausência de moradia, destr uições de ecossistemas e infraestr utura urbana, fome e doenças div er sas . Neste sentido , pensar em como abrig ar a população afetada passa a ser uma das a tribuições dos arquitetos e urbanistas , e engenheiros , contemporâneos . Desta forma, é relevante afirmar que essa temática se relaciona com os ma teriais construtiv os que dev em ser empre g ados par a a confecção da arquitetura emergencial, os quais dev em ser de baix o custo , devido às perdas financeiras resultantes dos desastres naturais ou das perse guições e guerras . Obser va-se , atualmente , a retomada do uso de ma teriais na turais e confeccionados com ma térias-primas pro v enientes de resíduos sólidos , denominados de ma teriais alter nativ os ou não conv encionais , enquadrando- se em um conte xto de racionalização na produção da construção , o qual se dev e consider ar , a escolha das ma térias-primas , o uso de fontes de energia, e o processo de fabricação e transporte de produtos . Dentro desse cenário , alguns casos podem ser e xemplificados , como a produção do arquiteto Shigeru Ban, que utiliza a celulose em g rande parte de seus projetos , a partir rolos de papel prensado . O arquiteto iniciou a aplicação desse ma terial em a brigos emergenciais e temporários , localizados em áreas dev astadas por tragédias , passando a utilizá-los em residências de alto padrão construtiv o . Este artigo resulta de uma pesquisa acadêmica, em andamento , que é realizada de forma colabora tiva entre alunos e professores dos cursos de Arquitetura e Urbanismo , e Engenharia Civil do Centro Univ ersitário de J oão P essoa (UNIPÊ) e pesquisadores colaboradores e xter nos à instituição , cujo objetiv o principal é estudar propostas de abrigos emergenciais e efêmeros confeccionados com ma teriais alter na tiv os de constr ução civil, nos âmbitos nacional e inter nacional, e que possam ger ar diretrizes de projeto ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 25 para abrigos emergenciais e efêmeros v oltados par a o território br asileiro . A pesquisa possui cunhos teórico e propositiv o , e tem como procedimentos metodológicos principais: a) pesquisa bib liog ráfica e de referenciais projetuais em bases de dados científicas e de instituições não go ver namentais , e em sítios de inter net especializados no tema; b) sistema tização dos projetos de referência em fichas ca talo g ráficas; c) análise das propostas identificadas e a definição de diretrizes de projetos; e d) simulações bi e tridimensionais utilizando prog ramas computacionais – tipo CAD – de propostas para abrigos emergenciais v oltados par a o território brasileiro . Como a pesquisa se encontra em andamento , este ar tig o apresenta uma brev e fundamentação teórica sobre o tema abordado , e a etapa de sistema tização dos referenciais projetuais em fichas ca talog ráficas , com a ilustração de três e xemplos , que apresentam diretrizes de projeto per tinentes a serem trabalhadas no Brasil. Dessa forma, percebe-se a impor tância de pesquisas dessa na ture za que possam oferecer melhores soluções para propostas de abrig os emergenciais v oltados par a o território brasileiro . MET ODOL OGIA A pesquisa tev e início com um estudo biblio g ráfico sobre os seus conceitos-cha v e princiais: arquitetura emergencial – enfatizando os abrig os emergenciais e efêmeros – e ma teriais alter nativ os de constr ução civil, descritos , de forma sintética, no item relacionado ao referencial teórico deste ar tig o . Em se guida, f oi iniciada a análise de referenciais projetuais , em bases de dados científicas e de instituições não go ver namentais , e em sítios de inter net especializados , buscando projetos que contemplassem as características per tinentes à temática trabalhada. Como forma de organização par a a coleta de dados , as equipes foram divididas de acordo com os continentes . A sistema tização dessa etapa ocorreu com a ca talog ação em fichas que abordam os seguintes dados referentes ao projeto analisado: título; local; ano; autores; situação – proposta, protótipo ou construído; materiais; ima gens; outras informações relev antes – como as intenções de projeto e técnicas utilizadas . O modelo da ficha está ilustrado na Fig. 1. Figura 1 - Modelo de ficha par a ca talog ação dos referenciais projetuais PROJ ETO *Título do pr ojeto Local: *Indicar local de destino do pr ojeto. Ano: *Ano do pr ojeto Autor(es): *A utor(es) e Coautor(es)o pr ojeto. Materiais: *Principais materiais utilizados no pr ojeto. Situação: *Indicar a situação do pr ojeto (pr oposta, pr otótipo e construção). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 32 desenv olvida, no início de 1980, pelo Centro de P esquisa e Desenv olvimento (CEPED) , em Camaçari/Bahia, por meio do g rupo de pesquisadores do Prog rama de T ecnologias de Ha bitação (THABA). Segundo Cerchiaro (2010), após a a valição das fibras disponív eis , os pesquisadores concentrar am seus trabalhos nas fibras de sisal e coco , com estudos sobre a inf luência do teor e comprimento das fibras e dos processos de moldagem em ma trizes cimentícias . Em 1999, Agop yan e Sa vastano Jr . (2007) desenv olveram telhas com polpa de celulose – Eucal yptus g r andis – e cimento P or tland , com base nos estudos desenv olvidos na Inglaterra, dur ante a década de 1970. Outra aplicabilidade dos ma teriais alter na tiv os foi destacada pela professora Lar a Barbosa, da Univ er sidade de São P aulo(USP) ao publicar , no ano de 2012, uma pesquisa sobre a confecção de a brigos temporários com caráter emergencial, evidenciando o potencial uso de ma térias-primas pro v enientes do reuso de resíduos sólidos par a essa finalidade , como a produção do arquiteto Shigeru Ban. Quanto aos ma teriais alter na tiv os produzidos em escala industrial, dev em ser mencionados os painéis e telhas feitos com polpa de celulose e o cimento P ortland tipo III (CPIII), produzido com resíduos de altos for nos de metalúrgicas e siderúrgicas – escórias de alto for no – e amplamente utilizado em obras de engenharia de g r ande porte, como as barr a gens . Considerando esse conte xto , Rêgo (2013) coloca que é na transitoriedade que se encontr a o principal elemento da relação entre o abrig o efêmero para situações de emergência e as diversas culturas: corresponder adequadamente ao meio ambiente, minimizando o impacto . Dessa forma, a escolha cor reta do ma terial empre g ado na sua confecção é de enor me importância. CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Este artigo apresenta um brev e recorte do conteúdo coletado na pesquisa, sendo assim, dev e-se apontar que foram identificadas várias idéias , principalmente no âmbito inter nacional, de propostas e protótipos de abrig os emergenciais e efêmeros . P ode-se dizer que, a tualmente, as ca tástrofes na turais , e as perse guições e gueras , passam a fomentar projetos emergenciais , enfa tizando a contribuição social da arquitetur a, urbanismo e engenharias . Dentro deste conte xto , é impor tante que equipamentos desta na ture za sejam objetos de estudo para esta categoria de profissionais , democr a tizando-os par a div ersos países . P or tanto , após o conteúdo e xposto , pode-se afir mar que o estudo de propostas para abrigos emergenciais e efêmeros no âmbito inter nacional podem e dev em auxiliar na conce pção de equipamentos desta na ture za v oltados par a o território brasileiro , uma v e z que foram identificadas tomadas de decisões que se repetem, e são per tinentes para a conce pção projetual destes equipamentos . Quanto ao uso de ma teriais alter nativ os de constr ução civil, dev e- se ressaltar a abrangência do território br asileiro em recursos na turais , que podem ser apro v eitados para esta finalidade, como a terr a crua, o bambu e as fibras vegetais . Assim, pode-se apontar que pesquisas desta na ture za são per tinentes no Brasil. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 33 REFERÊNCIAS A GOPY AN, V ahan. JOHN, V anderley M. O desafio da sustenta bilidade na construção ci vil. São P aulo: Blucher , 2014. _____.; SA V AST ANO Jr ., Holmer . 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ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 35 PL ANEJ AMENT O E CONTR OLE D A PR ODUÇÃ O UTILIZANDO TÉ CNICAS D A LEAN CONS TR UCTION Maria Luiza Abath Esc or el Bor ges 1 , Henrique Sér gio R êgo de Holanda Sá Sobrinho 2 , July ana Kelly T avar es de Ar aújo 3 . 1 Engenheir a Civil (UNIP Ê). E-mail: [email protected] 2 Engenheir o Civil e Especialista MBA Gestão Eficaz de Obr as e Projetos. Pr ofessor do Cur so de Enge- nharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] 3 Estatística e Mestr e em Engenharia de Pr odução. Pr ofessor a do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] om CAPÍTUL O 3 RE SUMO O modo com que uma construtor a define o gerenciamento de uma obra influencia diretamente na sua produção . Isso implica na maneir a com que uma empresa se fir ma diante de seus concorrentes , for necedores e clientes , como também, na sua posição per ante os desperdícios e como consequência, seus lucros . Com o acir ramento da concorrência e consumidores mais e xigentes , o aumento do valor a g regado aos produtos e a redução dos custos , por meio de um sistema de produção e de gerenciamento mais eficazes , tor nam-se condições necessárias para garantir respostas sa tisfa tórias à empresa. A indústria da construção civil tem adaptado técnicas gerenciais de setores industriais para sua realidade, com o intuito de eliminar desperdícios e aumentar a eficiência dos processos . É nesse cenário que surge a Lean Constr uction , filosofia que visa melhorar o gerenciamento de informações , materiais e pessoas na construção civil. Desenv olvida por Kosk ela (1992), é uma adaptação do Sistema T oy ota de Produção , que tem o objetiv o de eliminar os desperdícios e ag reg ar valor a tr a vés da aplicação de onze princípios . É admitindo a impor tância econômica e social desse setor que essa pesquisa foi desen v olvida, com o objetiv o de a valiar o g rau de aplicação dos princípios da construção enxuta nas empresas que funcionam na cidade de J oão P essoa. Assim, utilizando um questionário como ferr amenta de coleta de dados , foi possív el identificar , em ter mos percentuais , o desempenho a tual de cada empresa estudada em relação à utilização da construção enxuta. P alavr as-Cha v e: Lean Construction. Planejamento . Produção . Desperdício . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 36 INTRODUÇÃ O Nas últimas décadas , as empresas br asileiras vêm passando por transfor mações na b usca contínua pela competitividade. Isso se de v e às dificuldades geradas pela aber tura da economia ao mercado estrangeiro , quando Associação Brasileir a de Normas Técnicas ( ABNT) adotou, em 1990, as nor mas da série ISO 9000, pub licada pela Inter national Or ganization for Standar dization (ISO), uma organização inter nacional cujo objetiv o é padronizar as nor mas industriais . No mesmo período , o país passav a por uma crise econômica, o que causou a queda do v olume de financiamentos púb licos par a o mercado ha bitacional, a g r a v ando a situação das empresas do setor . Essa situação as estimulou ainda mais a entrar no movimento da busca por competitividade (HEINECK, 2004). Esse mo vimento se baseia na melhoria do trinômio: produtividade, qualidade e f le xibilidade. Tradicionalmente, o conceito de qualidade se resumia à produção de produtos em conf or midade com seus requisitos . Esse conceito v em se ampliando e, moder namente, qualidade significa o a tendimento dos requisitos do produto e das necessidades individuais dos clientes , com economia, produtividade, eliminação de desperdícios , inclusão dos ser viços a g re g ados ao produto e maximização de seu valor (bom desempenho por um preço aceitáv el). A má administração é apontada por div ersos autores como a principal causa dos problemas de qualidade . Assim, div ersas metodologias gerenciais são desenv olvidas , visando a tingir melhores nív eis de desempenho por meio de inv estimentos em gestão e tecnologia da produção (POLIT O , 2015). É nesse cenário que a Lean Constr uction adquire notoriedade . O modelo de gestão utilizado por g rande par te das construtor as é baseado em processos de conv er são , que tr ansf or mam insumos em produtos inter mediários ou finais . P orém, essa definição de produção tem ignor ado , muitas v e zes , algumas a tividades que compõem os f luxos físicos entre as a tividades de conv er são , como por e xemplo , a movimentação de ma teriais , de pessoas e de informações , inspeção , espera, etc. Essas a tividades são caracterizadas por não ag regar v alor ao produto . A filosofia Lean Constr uction tem como objetiv o principal estudar a relação entre a tividades de conv er são e de f luxo , par a reduzir ou a té eliminar operações que não ag reguem valor para aquele processo e que resultem em perdas de tempo e produtividade (REZENDE et al., 2012). Diante disso , este estudo tev e como objetiv o fazer uma revisão bib liográfica da utilização dos princípios e fer ramentas da Lean Constr uction como estra tégia de planejamento e controle para a otimização de obras da constr ução civil, além de realizar uma pesquisa de campo para identificar e discutir o nível de conhecimento e de aplicação desta filosofia de gestão em construtor as da cidade de J oão P essoa. FUND AMENT AÇÃ O TE ÓRICA DE SP ERDÍCIO NA CONS TR UÇÃ O CIVIL ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 37 A construção civil é car acterizada por ser um setor que possui um alto índice de desperdício . F or moso et al. (1996), define perda como sendo algo muito além do que o desperdício de ma teriais . É qualquer ineficiência que ocorre no uso de equipamentos , ma teriais , mão de obra e capital, que acarrete em maiores quantidades àquelas necessárias par a construção da edificação . Esse conceito v em g anhado espaço por meio da Lean Constr uction , onde o desperdício está intimamente lig ado à ideia de ag reg ar valor . Ou seja, perda é uma resposta quanto à e x ecução de a tividades desnecessárias que geram custos adicionais que não ag regam valor . P or tanto , é impor tante apontar as a tividades que contribuem para as perdas e eliminar aquelas que absorvem recursos , que não criam valor . Shingo (1996) dividiu as perdas em sete ca te g orias: • P or super produção: São aquelas que ocorrem por produção de um produto em quantidades superiores às necessárias; • P erdas por esper a: Está relacionada com as a tividades de flux o de ma teriais e trabalhadores , como por e xemplo , par ada no ser viço por conta de falta de ma teriais; • P erdas por tr ansporte: Está associada ao manuseio e xcessiv o ou inadequado de ma teriais e componentes devido a uma má pro g ramação de atividades ou de um la yout de canteiro ineficiente, como por exemplo , estoque de material distante do ponto de utilização; • P erdas no processamento em si: Está associada a falta de padronização nas a tividades , ineficiência no método de tr a balho e mão de obra desqualificada. P or e xemplo , quebra manual de blocos por de meios-b locos , r asg os na alv enaria para instalações elétricas e hidráulicas; • P erdas nos estoques: São aquelas que decor rem de estoques excessiv os , devido a pro g r amação inadequada de compra, entrega do ma terial ou er ro na orçamentação , e que podem resultar em falta de local adequado par a a disposição dos mesmos . São e xemplos: deterioração do cimento por ar mazenamento em conta to com o solo e pilhas muito altas; • P erdas no movimento: São aquelas que decorrem da e x ecução de mo vimentações desnecessárias por par te dos trabalhadores durante a realização de suas a tividades , por causa de frentes de tr a balho distantes , la yout inadequado do canteiro ou pro g ramação de uma sequência inadequada da a tividades; • P erdas pela elaboração de produtos defeituosos: São aquelas que resultam em retrabalho ou redução no desempenho do produto final. Surgem da falta de integ r ação entre o projeto e a e x ecução , das deficiências do controle do processo produtiv o ou da falta de treinamento dos funcionários . São e x emplos: paredes fora de esquadro e descolamento de azulejos . Obser vando que existem diversos fa tores que inf luenciam no processo de produção , pode-se ver como é ineficiente o modelo de gestão comum. A Lean Constr uction v eio modificar o conceito tr adicional de processo de produção , com a intenção de aumentar a eficiência global dos empreendimentos do setor , buscando eliminar o máximo possív el de a tividades como mo vimentação , esper a e inspeção , que não ag regam v alor e consomem bastante tempo no processo produtiv o (P AIXÃO , 2011). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 38 SIS TEMA T O Y O T A DE PRODUÇÃ O A conjuntura sócio-política e econômica do J apão guiav a a família T oy oda à indústria automobilística. Diz-se que o seu interesse para com o setor automobilístico surgiu após uma via gem aos Estados Unidos , onde tomar am conhecimento do “Modelo T” de F ord e sua crescente popularidade. Em decorrência do entusiasmo e da crença de que a indústria automobilística em brev e se tor naria o car ro-chefe da indústria mundial, Kiichiro T oy oda criou o depar tamento automobilístico na T o yoda Automatic Loom W ork s , a g r ande fabricante de equipamentos e máquinas têxteis da família T oy oda, par a, em 1937, fundar a T o yota Motor Compan y Ltda (REIS, 2005). A T o yota iniciou sua produção na indústria automobilística, mas seu interesse esta va em aderir à técnica de produção em larg a escala de car ros de passeios . P orém, a par ticipação do J apão na II Guerr a Mundial adiou os anseios da empresa. No findar da Guerr a em 1945, a T o yota resg a tou seus planos de tor nar-se uma g r ande montadora de veículos . Contudo , os americanos fordistas esta vam muito à frente na sua produção e essa desvanta gem ser viu para estimular os japoneses a se equiparar à indústria americana, o que v eio a acontecer anos à frente (W OMACK, 2004). De acordo com Isa tto et al. (2000), a diferença de produtividade só poderia ser e xplicada pela e xistência de perdas no sistema de produção japonês . A par tir daí, começou a estruturação de um processo par a identificar e eliminar perdas . P or esse motiv o , o Sistema T o yota de Produção (STP) também é conhecido com Lean Production , ou Produção Enxuta. Com o passar do tempo a empresa ficou conhecida mundialmente, principalmente na Crise do P etróleo em 1973, pois , foi uma das poucas empresas que conseguir am escapar dos efeitos da crise . Algumas ferr amentas utilizadas para aplicação dos princípios básicos da T oy ota são muitas v e zes confundidas com o próprio STP . P or isso , é necessário que os conceitos de Justin in Time , K anban , Jidoka e o Método dos 5 P or quês sejam bem definidos par a que não haja essa confusão . O Just in Time (JIT) é um sistema de administração da produção simples , porém eficaz. Ele possibilita a produção eficaz em ter mos de custo , assim como o for necimento apenas da quantidade correta, no momento e local corretos , utilizando o mínimo de instalações , equipamentos , ma teriais e recursos humanos . O JIT é dependente do equilíbrio entre a flexibilidade do for necedor e a f le xibilidade do usuário . De maneir a simplificada, J ust in Time quer dizer que os produtos não dev em ser produzidos nem antes do tempo , par a que não se tor nem estoque, nem depois , par a que os clientes não precisem aguardar (KRAJEWSKY , 2009). O controle K anban , algumas v e zes , foi utilizado , equiv ocadamente, como equivalente ao “planejamento e controle JIT”. Segundo Slack et al. (2009), esse é um método de operacionalizar o sistema de planejamento e controle puxado . Kanban é a pala vr a japonesa para car tão ou sinal. Ele é chamado algumas v e zes de “correia invisív el”, que controla a tr ansferência de ma terial de um estágio a outro da operação . Outro conceito que dev e ser entendido é o Jidoka . A sua tr adução significa automação . Jidoka é um sistema de tr ansferência de inteligência humana para máquinas automáticas , de modo que sejam capazes de detectar o processamento de qualquer anor malidade parar a produção e acionar ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 39 um alar me . Isso per mite a um único operário controlar várias máquinas sem correr risco de produzir g r andes quantidades de peças defeituosas (W OMACK, 2004). O Last Planner System pode ser entendido como um instr umento de transfor mação daquilo que de v eria ser feito , para o que pode ser feito e o que será feito . Assim, cria-se um acúmulo de tr a balho disponível, e a partir daí o planejamento semanal pode ser criado (REIS, 2005). O método dos “5 P or quês” é uma prática utilizada na solução de anomalias com a finalidade de descobrir sua causa principal. De acordo com Cunha (2009), perguntar “P or quê?’ 5 vezes impede que a inv estig ação seja concluída antes de a tingir a raiz do problema, que é o objetiv o fundamental da melhoria. LEAN CONSTRUCTION Em 1985, foi pub licado um rela tório pelo Massachussets Institute of T echnolog y (MIT), respeitada instituição acadêmica dos Estados Unidos , procurando av aliar as causas do sucesso da indústria automobilística japonesa e o que poderia ser aprendido pelas indústrias estadunidenses . Esse rela tório tinha como autores , entre outros , J . W omack e D . J ones , que logo em seguida publicaram um livro com o nome de “ A Máquina que mudou o Mundo”. Esse v olume faz par te da bib lioteca obrig a tória dos praticantes da produção enxuta e é apresentado como referência bib liog ráfica para esta pub licação (NUNES, 2010). Em 1992, um pesquisador finlandês , Lauri Kosk ela, realizou um estágio na Univ ersidade de Stanford e emitiu um rela tório técnico , entitulado Application of the New Production Philosophy to Constr uction , que se tor nou clássico par a a construção civil. No seu te xto , ele adaptou os conceitos da Lean Production para a construção civil, propondo assim, a Lean Constr uction, e enumerou os seguintes onze princípios para a melhoria do f luxo da no va filosofia de gestão (DEN ARI, 2010): 1 – Aumentar o v alor para o cliente mediante a consider ação de seus requisitos: Kosk ela inicia os princípios com o conceito centr al da qualidade . A produção só tem sentido para atender os desejos dos clientes . Estes desejos dev em ser reconhecidos e tr ansformados em bens e ser viços que a tendam e xa tamente a esta demanda. 2 – Diminuir as a tividades que não ag reg am valor no processo produtiv o: tendo definido o que o cliente quer , tudo aquela que não a g re g a valor para o cliente é definido como desperdício , perda, e dev e ser eliminado . 3 – Simplificar o processo produtiv o: principalmente com ações ligadas aos projetos da edificação (arquitetônico , estr utural e de instalações), dev endo- se buscar soluções projetuais simples , minimizando o número de par tes , interfaces e operações env olvidas . 4 – R eduzir o tempo de ciclo: tr abalhar uma pequena quantidade de produtos a cada v e z, g ar antindo que estes estejam prontos antes de se iniciar o no v o lote. Esta redução do tamanho do lote leva à redução do tempo de ciclo para sua e x ecução . 5 – Diminuir a varia bilidade: também é um conceito a trelado a qualidade, ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 40 mas nesse princípio a intenção é tentar diminuir a va riabilidades antes que o processo comece, por um projeto mais padronizado , pela escolha de mão de obr a homogênea e pelo oferecimento de condições de tra balho estáv eis . 6 – Aumentar a transparência: o objetiv o é que se entenda o que cada um esteja fazendo , que isto seja descrito em manuais de procedimentos e que haja uma clara identificação de ma teriais , fer ramentas , estoques , f lux os de suprimentos e trabalhadores . Indicadores e medidas rela tivas a produção , em ter mos de qualidade e produtividade , também dev em estar disponív eis . 7 – F ocar o controle no processo como um todo: o objetiv o é entender como acontece a produção de cada parte do produto e av aliá-lo em conjunto . Na visão tradicional de gerenciamento , busca-se medir apenas resultados lig ados a produtos prontos , sem que haja análise, dos produtos que ainda estão na linha de produção , em fase de montagem. 8 – Alter nar esforços de melhoria de con v er são e de f lux o: por con v er são entende-se o trabalho isolado e x ecutado em um posto oper a tiv o . P or flux o entende-se a mo vimentação de ma teriais , informações e produtos em processo a té chegar a este posto . K osk ela recomenda este equilíbrio no processo de melhoria, temendo que os praticantes da Lean Construction v enham a se a ter apenas à melhoria dos f luxos . Melhor ar o produto e a execução de suas partes , com a melhor mão de obra, materiais e equipamentos , é um objetiv o que não dev e ser abandonado . 9 – F azer benchmar king : é o processo de tomar como referência os melhores procedimentos que podem ser encontrados par a cada etapa da produção e adaptá-los à empresa em questão . Estes procedimentos ideais podem ser encontrados nas organizações do mesmo setor , ou, melhor ainda, nas fir mas de outros ramos que se notabilizam pela excelência naquele aspecto específico da operação . 10 – Praticar o kaizen : é a b usca pela melhoria contíuna, sistemática, de forma perene, ao longo do tempo , não tendo uma meta fixa a tingir . É um processo de melhoria que tem início , mas não tem fim. 11 – Aumentar a f le xibilidade de saída: está ligado à possibilidade de modificar as características dos produtos de acordo com os requisitos de clientes específicos , sem aumentar significa tivamente os custos de produção . Geralmente isto é obtido incor porando-se as modificações somente nas últimas etapas do processo produtiv o . Em uma revisão de seus postulados , realizada em 2000, na pub licação de sua tese de doutorado , Kosk ela simplifica a produção enxuta, enunciando apenas três g randes princípios , um misto de aspectos conceituais e filosóficos . Segundo ele, ser Lean é focar em transformação , f luxo e v alor . F ocar em transformação é fazer bem feito o produto , cuidar da qualidade na sua e x ecução e aplicar da melhor maneira o esforço produtiv o de máquinas e operários . F ocar em flux o é não deixá-lo par ar , g ar antindo a sua continuidade por alguma sistemática de planejamento da produção , idealmente aquelas que deter minam que um produto só dev a ser produzido se ele é requerido . P or fim, focar no v alor é admitir a relevância do cliente no processo produtiv o . A transfor mação e o f lux o só adquirem sentido se a tenderem aos requisitos daqueles que vão usufr uir dos bens ou serviços assim produzidos (HEINECK, 2009). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 41 MET ODOL OGIA PR OCEDIMENT OS O presente estudo pode ser classificado como sendo uma pesquisa dos tipos biblio g ráfica e e xplora tória, de na ture za qualita tiva. P ar a a sua realização , o trabalho foi executado em três etapas . Na primeira, foi produzida a re visão bib liog ráfica, a través de mono g rafias , livros , disser tações , ar tigos científicos e pub licações em revistas rele vantes para o tema abordado . Além disso , foi ela borado um questionário fundamentado nos conhecimentos adquiridos nessa fase. Na segunda etapa, f oi realizada a seleção de 30 empresas a tuantes no setor de edificações na cidade de J oão P essoa. A seleção foi feita pelo método con v encional e os questionários , instrumentos de coleta de dados do tr a balho , foram respondidos por responsáv eis por obras das empresas escolhidas . Depois de coletar os dados nas construtor as , foi feita a análise dos dados , sendo essa a terceira e última etapa do estudo . ANÁLISE DOS D ADOS O questionário foi dividido em duas partes . A primeir a a valia o g rau de aplicação dos princípios da Lean Construction . P ar a isso , foram feitas três perguntas para cada um dos onze princípios , em que os responsáveis responderam com um número de 1 a 5. Sendo assim, a pontuação máxima por princípio é de 15 pontos , e o soma tório máximo possív el das respostas é de 165 pontos . Já na segunda par te do questionário , foram av aliados os g raus de conhecimento a respeito da filosofia e de interesse em aplicá-la, além dos entrav es par a isso . As 30 empresas foram divididas entre g rande e pequeno por te, conforme elas se auto classificar am após questionadas , resultando em 12 de g rande e 18 de pequeno porte. P ara cada questionário respondido , foi calculado o desempenho da empresa, a través soma tório dos pontos obtidos , dividido pelo soma tório dos pontos possív eis . Assim, pôde-se obter a maior , a menor e a médias das médias . Com a ajuda do software SPSS Statistics , obteu-se a mediana das médias de todas as empresas . De acordo com Bisquera (2004), a mediana é uma medida de localização do centro da distribuição dos dados , ou seja, 50% dos elementos da amostra são menores ou iguais à mediana e os outros 50% são maios ou iguais à mediana. A partir disso , foram ger adas tabelas a valiando o interesse, conhecimento , entr a v es e aplicação da Lean Constr uction nas construtoras de J oão P essoa. RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O Depois de fazer a coleta de dados , foi percebida uma diferença g rande de pontuação entre o maior e o menor soma tório , sendo de 127 e 63 pontos , respectivamente . A média de todos os soma tórios foi de 96,1 pontos . Sabendo do soma tório dos pontos obtidos por cada empresa e dividido pelo soma tório máximo possív el (165 pontos), foram analisadas as médias individuais . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 48 INTRODUÇÃ O O surgimento dos primeiros projetos feitos na pla taforma 3D (três dimensões , eixos X, Y e Z do plano cartesiano) trouxe ainda mais domínio e facilidade na visualização dos projetos principalmente para as equipes de e x ecução de obr a. Com a contínua ev olução , chega a pla taforma Building Information Modeling (BIM) ) e seus div ersos “D’s”. Ao escutar um ter mo 4D , 5D , 6D e 7D uma pessoa que desconheça do assunto não tem ideia do que se trata, principalmente pelo fa to desses D’s não estarem contidos no nosso plano cartesiano do ensino fundamental, logo surge a curiosidade , mas realmente, esses D’s não tem lig ação com o plano cartesiano . F oram ter mos criados par a facilitar as div er sas a tividades lig adas a tecnologia BIM. O 3D como mais conhecido , tr a ta-se da própria modelagem da edificação . O 4D tr az a interação do que está sendo planejado com a modelagem. O 5D v em par a mostrar valores e custos aos D’s citados anterior mente . Não menos impor tante porem ainda pouco utilizados o 6D e o 7D que trata da sustenta bilidade e manutenção respectiv amente. Das principais características e funções dentro da tecnologia BIM é a interação entre os projetistas , que agora passam a trabalhar de forma inte g rada e instantaneamente com o uso de um ser vidor , onde erros de incompa tibilidade que a té então só poderiam ser visualizadas durante a e x ecução da obra, com o auxílio dessa fer ramenta, e bem gerenciada pelo gestor , podem ser previstos e tomadas as de vidas ações corretivas . Essas alterações não mais irão acar retar em retrabalhos como ocorre por e xemplo em um lev antamento de quantitativ os que foi elaborado em uma planilha eletrônica, onde o engenheiro terá que refazer parte do orçamento ou a té todo o orçamento a depender da alter ação que o projeto precisou sofrer . MET ODOL OGIA A metodologia aplicada neste tr a balho foi baseada em pesquisas bib liog ráficas sobre o assunto estudado com o objetiv o de analisar os projetos de obras que estão em e xecução , obser var se houv e estudo de compa tibilização de projetos , elaborar um estudo de compa tibilização e analisar os resultados trazidos por fer ramentas específicas dentro da metodologia BIM. P osterior mente, f oi feita a coleta dos projetos direto com os diretores das empresas escolhidas , par a o estudo . F oram usados projetos estrutur ais , arquitetônicos e hidrossanitários de duas obras em execução na cidade de J oão P essoa e, a partir deles , iniciou-se a e xecução virtual do empreendimento e, em seguida, foi feita a v erificação das incompa tibilidades dos projetos em questão . P ar a a análise de compa tibilização foram utilizados como principal ferr amenta a metodolo gia BIM com a utilização dos softwares Revit onde f oi feita toda a construção vir tual do empreendimento e o Naviswor ks foi o software responsáv el por detectar de forma automática todas as interferências entre disciplinas . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 49 FUND AMENT AÇÃ O TE ÓRICA Esquecida, relev ada e não dada a importância necessária, a compa tibilização de projetos é uma aliada a todo o trabalho de projetos , orçamentação e planejamento de obras . Sem o conhecimento adequado par a tal, muitas empresas não se a tentam para tal fer ramenta e passa a conviv er com um aliado desagr adáv el ao seu lado . A par tir do momento que se inicia a obra sem se ter feito um estudo adequado das incompatibilidades existente entre os projetos , é com a sor te que o gestor v ai precisar contar para que todo o seu trabalho de “pré-obra”, não vá as r uinas . P ar a o orçamento , pode-se citar como e x emplo os furos em vig as que será necessário para poder concluir a rede de esgoto , pior , se esse furo for necessário em todos os trinta pa vimentos de um edifício , o quanto isso vai pesar para o orçamento? E se esse item não foi incluído no orçamento? P ar a o planejamento , o desvio de frente de tr a balho que será necessário para a equipe de bombeiros hidráulicos não par ar , o tr a balho adicional para o gestor , contra tar uma equipe ou empresa que não estav a nos seus planos e o a traso que acar retará para outras equipes que estav am aguardando esse trabalho ser concluído . P equenos e xemplos que se pode obser v ar o quanto é impor tante essa a tividade. Callegari (2007), afirma se tr a tar de ações que detectam falhas entre projetos de arquitetura com as demais disciplinas , tem a finalidade de gerenciar e integ r ar os projetos para que haja obtenção de padrões de controle de qualidade, a g regando a otimização de ma teriais , mão de obra e posteriores manutenções . P odem trazer custos adicionais par a o empreendimento em ações que v enha ser tomada de forma equiv ocada. “O desenv olvimento de projetos sem a análise da compa tibilização pode gerar consequências nega tivas , tais como , aumento de retrabalho , atraso no cronog rama de e x ecução , e falhas na qualidade da edificação , que frequentemente conduzem acréscimo dos custos das obras . A compa tibilização de projetos visa à redução das possív eis falhas que ocorrem na fase conce pção a té a fase de e xecução da obra arquitetônica. Na fase de elaboração de projeto propõe-se como melhoria a conscientização da participação dos projetistas env olvidos , bem como a e xistência do coordenador que integ ra os processos e v erifica possív eis incompa tibilidades físicas e funcionais dos projetos desenv olvidos . Atua como mediador e transmissor das infor mações , e gerencia as propostas e soluções a serem aplicadas” (CALLEGARI, 2007, p . 2). Uma hipótese para a desvalorização dessa a tividade é o quanto oneroso ela se tor na par a a empresa. O método a tual necessitaria de um engenheiro ou algum profissional que tenha um cargo inferior hierarquicamente po- rem seu custo também não seria baix o , pois esse profissional dev e ter uma ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 50 e xperiência impar para detectar as possív eis falhas e preencher planilhas comple xas que trazem informações de difícil visualização par a apresentar , comparada a for ma a tual de compatibilização . T a bela 1 - Custo incorpor ado ao planejamento F onte: CALLEGARI, 2007. Nas colunas indicadas pelas letras A, B e C, da tabela 1 mostram as obras em estudo . E as células mostram a quantidade de er ros encontrados sobre a quantidade analisada. Dessa maneira seriam necessárias mais informações par a correção desses itens . P ara equipe de obr a e para os projetistas essa informação se tor naria inválida por não trazer o local e xa to onde ocorre tal er ro . Com a chegada da tecnolo gia BIM e suas ferr amentas essa a tividade ag ora de for ma automa tizada, ficou menos onerosa, tr az resultados rápidos e com imagens que facilita o entendimento (figura 7). Figura 7 - Seleção das disciplinas a serem analisadas F onte: Os autores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 51 Através da ferramenta “ Clash Detective ” do software Na viswor ks podemos indicar as disciplinas e itens que desejamos analisar . Nesse caso , analisamos o projeto de estrutur a com o projeto hidrossanitário . Figura 8 - R esultado da análise F onte: Os autores . O software nos traz a quantidade de interferências encontr adas , a lista de todas as interferências , a situação a tual que pode ser alter ada conforme for resolvida, e junto a lista, ima gens , data, responsáv eis , descrição , comentários e distância. Na figur a 8 podemos observar a vig a sendo transpassada pela tubulação de esgoto . Nesse caso , não hav endo um estudo de compatibilização entre tais projetos , esse problema certamente iria ser resolvido dur ante a execução da tubulação pelo bombeiro hidráulico que muitas v e zes não consulta o engenheiro responsáv el pela obra podendo tr azer outros prob lemas para o empreendimento essa maneir a resolv eria esse prob lema e afetaria diretamente o lev antamento de quantita tiv os e os quantita tiv os de material da obra. E se caso fosse necessário e x ecutar um furo na vig a? O local para passar a tubulação é o mais adequado par a não a tingir alguma ar madura da vig a? Esse furo de vig a foi incluído no orçamento da obra? Essas perguntas são apenas hipóteses lev antadas para esse er ro . Esses prob lemas tr azem para o gestor da obra desvio de atividades que podem ser resolvidas com um estudo bem elaborado de incompa tibilidades de projetos . E S TUDO DE CASO Serão apresentados , no estudo de caso , as análises dos estudos de duas edificações de pequeno por te com finalidades similares de obras residenciais multifamiliares localizadas em J oão P essoa – PB, todas em fase de construção . Nesse caso , foram adotadas as nomenclaturas “ A ” e “B”, respectivamente , para cada edifício . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 52 EMPREENDIMENT O “ A ” Trata se de uma edificação residencial multifamiliar composta por um pa vimento térreo (semi-pilotis), dois pavimentos tipo e coberta. A obra encontr a-se na fase de conclusão da estrutur a e início das divisórias de alv enaria . DE SCRIÇÃ O DO PROJET O ARQUITET ÔNICO O empreendimento em questão é composto por um único bloco , locado no terreno com área de 360,00m², taxa de ocupação de 51% e 1,33 de índice de apro v eitamento . Oito unidades ha bitacionais com área total construída de 480,94m², sendo , no térreo , uma unidade com área de 54,20m² e uma unidade com 48,90m². No pa vimento tipo , uma unidade com 52,23m², uma com 60,91m² e uma com 51,21m². Inter namente, os apartamentos recebem cerâmica em todo o piso e nas paredes das áreas molhadas . As demais áreas de parede e teto , recebem pintura. Na fachada será aplicada rev estimento cerâmico de três cores . DE SCRIÇÃ O DO PROJET O ES TRUTURAL A estrutur a do empreendimento será composta de sapa tas , pilares , vigas e lajes de concreto ar mado moldados no local a tr a vés de forma de madeira. O concreto terá f ck de 25 MP a. O aço será CA-50 e CA-60 cortados e dobr ados na obra. As fundações do edifício , é do tipo direta e rasa, composta por sapa tas isoladas interlig adas por vig as no nív el do terreno . Nesse empreendimento o projeto de estrutur a já foi modelado em três dimensões e integ r ado ao projeto de arquitetura. DE SCRIÇÃ O DO PROJET O HIDROSS ANIT ÁRIO O projeto hidrossanitário contempla toda a rede hidráulica do edifício em questão , composto por um reser va tório inferior que recebe a água da concessionária, sendo elev ada a través de bombas para o reser va tório superior , desce para o quadro de hidrômetros e por fim elevado aos apartamentos . T ambém o esgoto sanitário que é coletado nos apar tamentos , conduzidos por tubos devidamente calculado e transferido por g ravidade a té a caixa coletora, em se guida para a fossa séptica e sumidouros . O projeto hidrossanitário desse empreendimento também foi modelado em três dimensões com o uso do software R evit, porém não f oi elaborado nenhum estudo de compa tibilidades de projetos pela em empresa. RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE E S TR UTURA E AR QUITETURA O método de compa tibilização foi feito a tr a vés da modelagem simulada de todas as etapas da obra de acordo com dados retir ados dos projetos . P ar a essa etapa é necessário além da utilização do software , ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 53 a e xperiência de e x ecução de obra par a que não haja falhas durante a v erificação das incompa tibilidades (figuras 9 e 10). Figura 9- Vista suíte tér reo . F onte: Os autores . Figura 10- Vista Suíte na Constr ução Virtual F onte: Os autores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 54 P elo fa to do projeto estr utural ter sido modelado a par tir do projeto de arquitetura, a figur a acima, mostra a única incompa tibilidade que foi detectada em questão . A aplicação da esquadria teoricamente não será possív el, pois para aplicação da esquadria seria necessário além do aro (forra) da por ta, dois centímetros para cada lado , totalizando oitenta centímetros . RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE E S TR UTURA E HIDROS SANIT ÁRIO O método para a compatibilização das disciplinas citadas , foi feita a través da utilização do software N A VISW ORK . P ar a isso , é necessário a modelagem de ambas , e a utilização da fer ramenta “ Clash detective” do mesmo . Figura 11 - Compatibilização Estrutura x Hidrossanitário F onte: Os autores . Na figura 11 pode-se obser var que o software traz a lista de todas as incompa tibilidades encontradas e também as imagens destacadas como na figura 18. Nesse caso , foram encontradas de zesseis interferências entre as disciplinas . RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE CAIXAS SANIT ÁRIAS DO TÉRREO C OM O PR OJET O HIDRÁULICO Esse estudo mostra as incompatibilidades existentes apenas no pa vimento térreo entre os tubos de água fria e as caixas de passagem, reser va tório inferior , fossa e sumidouros . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 55 Figura 12 - Compatibilização Caixas sanitárias x hidráulica F onte: Os autores . Na figura 12 podemos obser var um número bastante expressiv o , por ser uma área onde há uma concentração alta de tubulações com finalidades distintas . Nesse estudo foram encontr ados 51 (cinquenta e uma) interferências . RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE INS T AL AÇ ÕE S HIDRÁ ULICAS E SANIT ÁRIAS A análise mostrada na figur a 13, v emos as incompatibilidades e xistentes entre as tub ulações de água fria e esgoto , detectadas pelo software. Figura 13 - Compatibilização Instalações sanitárias x hidráulicas F onte: Os autores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 56 O software detectou 22 (vinte e duas) incompa tibilidades semelhantes a que está ilustrada na figur a 20 onde as tubulações se interceptam. EMPREENDIMENT O “B” Trata se de uma edificação residencial multifamiliar composta por um pa vimento tér reo (g ar a gem), qua tro pa vimentos tipo , uma cobertur a com piscina, barrilete e caixa d’agua. A obra encontr a-se na fase de e x ecução da estrutur a (quarta laje). T odos os projetos desse empreendimento , foram elaborados em duas dimensões , por tanto , fe z-se necessário a modelagem em BIM de todas disciplinas . DE SCRIÇÃ O DO PROJET O ARQUITET ÔNICO O empreendimento em questão é composto por um único bloco , locado no terreno com área de 600,00m², taxa de ocupação de 38,25% e 1,83 de índice de apro v eitamento . De zessete unidades residenciais com área total construída de 1127,56m², sendo , no térreo , constituído apenas de g aragem. No pa vimento tipo , quatro unidades com área média de 48m² e uma unidade na cobertur a com área de 107,87m². Inter namente os apar tamentos receberão porcelana to em todo o piso , cerâmica nas paredes das áreas molhadas , as demais áreas , receberão pintura. Na fachada será aplicada rev estimento cerâmico partilhado na cor azul e branco . DE SCRIÇÃ O DO PROJET O ES TRUTURAL A estrutur a do empreendimento será composta de sapa tas , pilares , vig as e lajes ner vurada de concreto ar mado moldados no local a través de forma de madeir a. O concreto terá fck de 30 MP a. O aço será CA-50 e CA- 60 for necidos cortados e dobr ados na obra. As fundações do edifício , é do tipo direta e rasa, composta por sapatas isoladas interligadas por vigas no nív el do terreno . DE SCRIÇÃ O DO PROJET O HIDRÁULICO O projeto hidráulico contempla toda a rede de água fria edifício em questão , composto por um reser va tório inferior que recebe a água da concessionária, essa é elev ada a través de bombas para o reser v a tório superior , desce para o quadro de hidrômetros e por fim elevada par a os apartamentos . O edifício dispõe de medição individual de água. O projeto sanitário não foi f or necido pelo proprietário . Da mesma maneira, o projeto hidráulico também foi modelado em duas dimensões . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 57 RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE E S TR UTURA E AR QUITETURA Como citado anterior mente , algumas incompa tibilidades são detectadas durante a e xecução virtual da obr a. P ar a as disciplinas estudadas nesse item, como realmente é feito durante a e xecução de qualquer obra, a primeira etapa é a estr utura e em se guida a alv enaria confor me projeto de arquitetura e é dessa maneir a que foi feita a modela gem até cheg ar aos resultados abaix o sobre estr utura modelada (figur a 14). Figura 14 - Sobre posição Figura 15 - Sobre posição da da planta de arquitetura Figur a planta de arquitetura F onte: Os autores . F onte: Os autores . Nessas imagens podemos observar que após a e x ecução virtual da estrutur a e ao tentar lançar as alv enarias pelo projeto de arquitetur a, foi possív el visualizar que no trecho dos quar tos o projeto de arquitetura não coincide com o projeto de estrutur a. No caso da Figura 15, é possív el obser var também que a esquadria de canto ao ser deslocada junto com a alv enaria para o local onde a laje (já e xecutada) está, não será mais possív el a utilização da mesma, trazendo um tr anstor no maior para o proprietário . RE SUL T ADO DO ES TUDO ENTRE E S TR UTURA E HIDRÁULICO. P ar a o estudo desse item, f oi utilizado a modelagem feita e posterior mente lançado no Na vis works . P orem durante a e xecução virtual do projeto hidráulico foram obser v ados vários pontos que seria inevitáv el não chegar aos resultados dados pelo software (figura 16). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 64 REFERÊNCIAL TE ÓRICO SET OR D A CONS TRUÇÃ O CIVIL De acordo com Diesel et al. (2001), a construção civil é o setor dos mais impor tantes do país de vido ao seu g r ande v olume, capital que nele circula, enor me utilidade dos produtos e principalmente , pelo g r ande número de empregos gerados . Medeiros e Rodrigues (2002) têm posição semelhante em estudo onde afir mam que a inf luência do setor da construção civil em no país é significa tiva, pois além de ser importante para o desenv olvimento econômico nacional, onde tem g rande desenv olvimento tecnológico com intensidade variante , e env olve consig o estrutur as culturais , sociais e políticas . Nesse aspecto não div ergem do entendimento que Véras et al. (2003), têm destacado que a construção civil é um setor com g r ande capacidade para o desenv olvimento de um país , impactando a produção , os inv estimentos , a ger ação de emprego e o nív el de preços , devido terem g rande par ticipação no Produto Inter no Br uto (PIB), no que concordam Damião (1999) e R olim (2004). Quanto sua capacidade de ger ação de empregos absorver mão de obra, esse setor também possui enor me capacidade de realização de inv estimento , contrib uindo para o equilíbrio da balança comercial e na geração de empregos conforme identificam Damião (1999) e Véras et al. (2003). Uma característica dessa a tividade econômica, é que não é utilizado o processo fabril tradicional de produção com os produtos passando pelos postos de trabalho , onde então se ag reg a valor aos mesmos a té seu estado final. Na construção o produto é fixo e geralmente único , sendo que os postos de trabalho passam pelo produto ag reg ando valor . Quanto às suas características da mão-de-obr a, o setor da construção apresenta características marcantes nos aspectos quanto ao se x o , origem, escolaridade, qualificação , remuner ação , rota tividade, e sindicalização , aspectos estes que estão diretamente vinculados com os seus prob lemas de org anização do trabalho . Div ersos autores afir mam que essas car acterísticas definem um perfil da mão-de-obra, a nível nacional, onde predominantemente o se x o masculino , a procedência da zona r ural, o analfabetismo , a desqualificação profissional, baix os salários , g r ande rota tividade, pouco índice de sindicalização , precária for ma de org anização de tr a balho (T AIGY , 1994; D AMIÃO , 1999; V ALENÇA, 2003; NÓBREGA, 2004; R OLIM, 2004). Quanto sua função o trabalhador , estudo realizado por Car v alho et al. (1998), conseguiu identificar que a mão-de-obr a, é composta em sua g rande par te por ser v entes (52,40%), seguida por pedreiros (21,65%), carpinteiros (13,05%), fer reiros (7,49%). Com relação à faixa etária, obser v a – se que tanto entre os ser v entes como entre os oficiais , 44% deles estão entre 30 e 40 anos , enquanto que 75% dos mestres e encar reg ados estão entre os 40 e 50 anos . Acima dos 50 anos , o percentual é de 7,8%. 84% deles são casados . Esse estudo consta ta que seu g rau de escolaridade, 41% não são alfabetizados ou só assinam o nome, 45% têm ensino fundamental incompleto e apenas 8% concluíram o ensino fundamental, 4% o ensino ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 65 médio incompleto e 2% o ensino médio completo (CAR V ALHO et.al., 1998). Esse perfil acidentário pode ser visto como gerador de inúmer as perdas de recursos tanto humanos quanto financeiros par a osetor (MEDEIR OS; R ODRIGUES, 2002). MET ODOL OGIA CARA CTERIZA ÇÕE S DO ES TUDO Neste trabalho foi desen v olvido o tipo de pesquisa e xploratória, na qual visa proporcionar maior afinidade com o prob lema visando tor ná- lo e xplícito , fazendo com que sejam analisadas melhorias na constr ução civil a partir do esclarecimento da impor tância, que se dev e ter ao e x ecutar ser viços oriundos da construção civil de acordo com a NR 18 na cidade de J oão P essoa – PB. ABORD AGENS DO E S TUDO Esta pesquisa contemplou a aborda gem indireta e quantitativ a, pois é composta por pesquisa documental e aplicação de questionário . PR OCEDIMENT OS O lev antamento se deu por meio de pesquisas via inter net, livros , pub licações em ger al e entre vistas , consultas a órgãos públicos responsáv eis tais como Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na área referida. INS TRUMENT OS DE COLET A DE D ADOS P ar a a realização da pesquisa, f oram visitados 06 canteiros de obr a na cidade de J oão P essoa, de forma aleatória em fase de estrutura e acabamento , pois esta vam executando tarefas div ersas , tais como: pre paro e lançamento do concreto , montagem e colocação das f or mas , ar mação das ferragens e fase de acabamento , pois são nessas fases que o alto índice da constr ução civil, devido ao não uso do Equipamento de proteção individual (EPI). Essa pesquisa consistiu no acompanhamento das tarefas citadas acima, a través de observações “in loco”, para verificação dos riscos de acidentes de trabalho , quanto ao uso de EPI e Equipamento de Proteção Coletiv o (EPC) e os fa tores a g r a v antes que possam interferir no tr a balho do funcionário . PR OCEDIMENT OS DE COLET A DE D ADOS No total, foram obser v adas 06 empresas , distribuídas em fases distintas e com padrões e portes constr utiv os distintos , atra vés de um questionário com 13 perguntas , elaborado de acordo com itens da nor ma NR 18 condições e meio ambientede trabalho na indústria da construção civil. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 66 INS TRUMENT O DE COLET A DE D ADOS Quadro 1 – Questionário aplicado  Questionário T C C Data: Obr a:  Construtor a  1 Qual o tempo de atuação no mer cado?  5 A 10 Anos  10 A 20 Anos  2 Quantos c olabor adores atualmente na obr a?  10 A 20  21 A 30  Mais de 30 3 Qual f ase atualmente na obr a?  4 Já houv e acidente de tr abalho?   Sim  Não   5 Sesim, houv e morte?   Sim  Não   6 Houv e afastamento pelo INS S ?   Sim  Não   7 A empr esa tem Engenheir o de Segur ança do tr abalho?   Sim  Não   8 Se não houv er Engenheir o tem c onsultoria?   Sim  Não   9 A empr esa tem T écnico de Segur ança do tr abalho?   Sim  Não   10 Os tr einamentos são c onstantes e periódicos?   Sim  Não   11 Quais são os tr einamentos e a periodicidade?  12 A empr esa c onstituiu CIP A ?  Sim  Não  13 Quais ór gãos fiscalizar am a obr a? CREA .MTE PMJP T ODOS Nenhum F onte: Os autores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 67 RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O F oram feitas 06 visitas técnicas em obr as da g rande J oão P essoa – PB, com o intuito de dia gnosticar acidentes ocor ridos e não conf or midades de acordo com a NR - 18 nas obras da g r ande J oão P essoa. P ar a isso foi aplicado um questionário com perguntas formuladas especialmente par a este diagnostico a fim de tentar ta bular dados para que possa ser diagnosticado a ocorrência e o porquê de tantos acidentes ocor ridos em obras no setor da construção civil. GRÁFICOS Gráfico 1 – T empo de a tuação no Mercado F onte: Os autores . O g ráfico nos mostra que 67 % das empresas pesquisadas atuam no mercado imobiliário a cera de 5 a 10 anos , ou seja, consider adas no vas comparadas a outr as pelo Brasil e própria cidade de J oão P essoa – PB e somente 33% possui entre 10 e 20 anos . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 68 Gráfico 2 - Quantos colaboradores a tualmente na obr a? F onte: Os autores . Cerca de 50% das obras pesquisadas possuem mais de 30 colaboradores e cerca de 17% possuem entre 21 e 30 funcionários ,por tanto obrig a toriamente terá que ser constituído CIP A e cerca de 33% possuem apenas 10 a 20 funcionários . Gráfico 3-Qual fase a tualmente da obra? F onte: Os autores . O g ráfico mostra que 67% das obr as pesquisadas estão na fase de acabamento finais sejam elas (cerâmicas inter nas , e xter nas , louças e metais , etc) e apenas 33% estão na fase de estrutur a ou super estrutur a. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 69 Gráfico 4 – Já houv e acidente de trabalho? F onte: Os autores . O g ráfico afir ma que 83% das empresas consultadas , afir mam que já sofreram acidentes sejam elas de natureza lev e, médio ou g rav e e apenas 17% das empresas afir mam que nunca sofreram acidentes . Gráfico 5 - Houv e mor te? F onte: Os autores . Com base nesse g ráfico 83% das empresas ,afir mam que em suas contruções não houve acidente com vítimas fa tais e apenas 17% das empresas assumem que já houv e na empresa acidentes com vítimas fa tais . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 70 Gráfico 6 - Houv e afastamento pelo INSS F onte: Os autores . Cerca de 83% afir mam que seus cola boradores já foram ou estão afastados pelo INSS devido a acidentes de trabalho e apenas 17% afirmam que não sofreram afastamento . Gráfico 7 –A empresa tem Engenheiro de Segur ança do trabalho? F onte: Os autores O g ráfico mostra uma realidade preocupante em relação à segur ança na construção civil, pois 100% das empresas pesquisadas não possuem engenheiro de segur ança do trabalho em seu quadro e sim apenas assessoria, pois a NR 4 lhe respalda para que não esteja em seu quadro per manente de corpo técnico . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 71 Gráfico 8 –Se não houv er Engenheiro ,tem consultoria? F onte: Os autores . O g ráfico mostra que as empresas terceirizam os ser viços de engenheiro do trabalho e que 100% das empresas pesquisadas afir mam que possuem ser viços de segur ança terceirizados e/ou consultoria, mas estão ressalvadas pela NR 4, de vido ao número de funcionários Gráfico 9 – A empresa tem Técnico de Segur ança do Trabalho? F onte: Os autores . Mostra que apenas 50% das empresas , possuem técnicos de segur ança em seu quadro de empreg ados e 50% são terceirizados e/ou consultoria. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 72 Gráfico 10 – Os treinamentos são constantes e periódicos? F onte: Os autores . De acordo com o g ráfico , 67% das empresas os treinamentos são constantes e periódicos , e apenas 33% afir mam que não fazem com tal peridiocidade. Gráfico 11 – Quais são os treinamentos e a periodicidade? F onte: Os autores . O g ráfico nos mostra que 50% das empresas consultadas der am treinamento referente a NR – 35 (trabalho em altura), 33 % dão o treinamento referente a queda de ma teriais em suas obras e apenas 17% dão palestr as e treinamentos sobre doenças se xualmente transmissív eis (DST´s). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 73 Gráfico 12- A empresa constituiu CIP A? F onte: Os autores De acordo com o g ráfico 67% das empresas , possuem CIP A e apenas 33% não possuem. Gráfico 13 –Quais órgãos fiscalizaram a obr a? F onte: Os autores De acordo com o g ráfico 50% das empresas foram fiscalizadas pela prefeitura, ministério do tr a balho e prefeitur a, apenas 17% afirmam que foram apenas pela prefeitura, 17%pelo MTE e 17% pelo CREA-PB. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 80 Mictório sem limpe za constante colocando assim a higiene e saúde do trabalhador em risco . Conclui- se que a empresa B, está com seu canteiro de obras totalmente fora de nor ma e o não cumprimento das normas do PCMA T , acarretando assim problemas para os colaboradores de higiene no canteiro . EMPRE SA C Esta construtor a com a tuação no mercado de 05 a 10 anos , construindo o seu primeiro prédio com 22 pavimentos , sendo o primeiro de estacionamento e um de cobertur a, sua área de a tuação é de apartamentos de médio padrão na cidade de J oão P essoa – PB. Figura 13 - Estr utura sem bandeja primária e falta de guardas corpo nas periferias F onte: Os autores . P eriferia totalmente e xposta colocando em riscos os funcionários e colaboradores Figura 14 – Área de carga e descarg a de materiais , com falta de proteção de coletiva e funcionário em local totalmente errado F onte: Os autores ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 81 Funcionário em área de risco de queda de ma teriais , colocando assim o funcionário em risco g rav e de acidente . Figura 15 – Bancada de ser ra, totalmente inadequada, pó de ser ra com perigo de incêndio e falta de extintor F onte: Os autores . Funcionário operando a máquina sem EPI adequada e com ma teriais e xpostos e pós com risco de incêndio e sem a presença de extintores . Conclui – se que a empresa, não está preocupada em nenhum momento no bem estar do seu colaborador , colocando – o em constantes riscos para sua vida e seu bem estar , pois ela não segue nenh um tipo de NR oriundas da construção civil e como também não se gue o PCMA T do canteiro . EMPRE SA D Esta construtor a com a tuação no mercado de 10 a 15 anos , construindo prédios de alto luxo . Este prédio conta com cerca de 40 pa vimentos sendo edifício misto no bair ro nobre de J oão P essoa – PB. Figura 16 – Lixo em local inadequado F onte: Os autores ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 82 Ma teriais más acondicionados , com riscos de queda de funcionários dos jaú´s , e risco de incêndio . Figura 17 – F alta de proteção coletiva na periferia do poço de ele vador F onte: Os autores P eriferia sem guarda cor po e não isolados com risco iminente de queda de colaboradores e funcionários . Figura 18 – Canteiro de obr a com restos de ma teriais e com falta de sinalização F onte: Os autores Canteiro sujo e ma teriais mal acondicionados , podendo ocasionar acidentes aos colaboradores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 83 Figura 19 – Estr utura com falta de bandeja primária F onte: Os autores Ausência de bandejas na periferia e falta de proteção nas periferias , colocando assim os colaboradores e visitantes em riscos . Conclui-se que a empresa, possui um corpo de técnicos de segur ança eng ajados com a empresa, mas que deixa falhas g r a víssimas em relação à segur ança na qual poderá acarretar acidentes g r a ves com os colaboradores EMPRE SA E Esta construtor a com a tuação no mercado de 15 a 20 anos , construindo prédios de alto luxo . Este prédio conta com cerca de 35 pa vimentos sendo edifício residencial no bair ro nobre de J oão P essoa – PB. Figura 20 – Acesso inadequado F onte: Os autores ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 84 O acesso por esta passa gem está completamente er rado , pois este tipo de passagem não pode ser simplesmente apoiado em madeirites usados , sem proteção la teral, além de está numa periferia com riscos iminentes de mor te . Figura 21 – Funcionário com risco iminente de queda F onte: Os autores . A fiscalização da obra não pode deixar ocor rer este tipo de situação , pois ele está com alto risco de queda, pois a ´´ponte´´, utilizada está totalmente err ada e como também o funcionário de v erá estar a tento para não cor rer o risco e se f or o caso ,chamar a se gurança da obra par a que seja resolvido o prob lema. Figura 22 – Acesso adequado – Área de isolamento F onte: Os autores . Área isolada, para a circulação de pessoas e mercadorias , devido às periferias estarem abertas e possuir alto risco de queda. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 85 Figura 23 – Oper ador de guincho com cinto de segurança F onte: Os autores . Funcionário em meio insalubre, com várias pedras no seu local de manejamento do guincho fo guete , as instalações elétricas aparentes com fios suspensos e mal acondicionados , e o seu cinto amarr ado de maneira precária. Figura 24 – Área de risco sem Equipamentos de proteção coletiva F onte: Os autores . Área totalmente err ada, pois a área não esta isolada, as bandejas não estão instaladas corretamente e com isso o risco iminente além do local não está sinalizado , ou seja, mais uma vez o local está totalmente er rado . Conclui-se que a empresa, possui g r andes erros de segur ança colocando assim em risco a segur ança dos seus cola boradores , por não obedecer à nor ma NR 18, não regulamentadora que a construção civil adota como nor ma para a segur ança de todos os funcionários . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 86 EMPRE SA F Esta construtor a com a tuação no mercado de 20 a 25 anos , construindo prédios de alto luxo . Este prédio conta com cerca de 40 pa vimentos sendo edifício residencial no bair ro nobre de J oão P essoa – PB. Figura 25 – Canteiro de obr as sujo e Equipamentos de proteção coletiv a com tela rasgada e sem sinalização F onte: Os autores . Laje totalmente cheia de entulhos e guarda corpos r asg ados e mal isolados com risco g rande na periferia, pois analisasse a foto e notasse o descaso e a impro visação que algumas obras ainda hoje em dia se submetem. Figura 26 – Canteiro de obr as com uso de proteção coletiv a adequado para o poço de ventilação F onte: Os autores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 87 Área isolada corretamente, mas com ressalv as , pois não possuem placas de sinalização de fácil visualização , pondo assim em risco os colaboradores e visitantes . Figura 27 – Área de periferia com uso cor reto de isolamento de periferia e laje sem entulhos F onte: Os autores . Área limpa, ferr amentas e ma teriais armazenados de maneir a adequada, g arantido assim a se gurança dos colaboradores e visitantes . Figura 28 – Linha de vida inadequada F onte: Os autores . Linha de vida inadequada, além de ter ferr a gens aparentes sem proteções em suas cabeças para que não ocorr a acidentes . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 88 Figura 29 – Equipamento de proteção par a a bafamento de pilar adequado e bandeja terciária adequada F onte: Os autores . Proteção para o abafamento do pilar pela periferia, mas a f oto no seu entor no , nos mostra a ausência de linha de vida e ma teriais e xpostos na laje,colocando em risco assim os cola bor adores da obra. Figura 30 – Escadas sem proteção lateral e placas de sinalização F onte: Os autores . Escada e seu entor no com bar reiras de ma teriais dificultando assim a passagem a lém do seu guarda cor po la ter al está totalmente err ado , pois teria que possuir telas e ter uma altura mínima a ser definida pelo seu PCMA T . Conclui - se que a empresa, possui um corpo de se gurança do trabalho empenhado em diminuir os erros oriundos da não aplicação das nor mas regulamentadoras , em especial as NR – 18 abordada em nosso estudo com maior ênfase, deixando erros g ravíssimos primários colocando em riscos a segur ança dos seus cola boradores . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 89 CONSIDERA ÇÕE S FINAIS A construção civil continua sendo um dos setores que ger am mais empregos e mo vimenta milhões de reais anuais mo vimentando assim toda a economia, mas este setor precisa cada v e z mais se a tualizar , se adequando as nor mas virgentes impostas pelo . MTE e órgãos fiscalizadores , pois o que foi e xposto neste trabalho fica e vidente que as empresas na cidade de J oão P essoa – PB, não estão se importando com os colaboradores das suas respectiva s empresas , isto é um fa to alar mante , pois sem inv estimentos neste setor par a a saúde e segur ança do trabalhador a g rande probabilidade de ocorrer mais acidentes é enor me . P ois os funcionários são mal treinados , mal remuner ados e não trabalham em um ambiente salubre na maioria dos casos . Os colaboradores têm que sujeitarem as tais condições de trabalho para poderem levar sustento para as suas famílias , pois não e xiste alter nativ a, ou seja, tem que trabalhar em um ambiente deg r adante a dignidade da pessoa humana fica em último lug ar , colocando as suas vidas em riscos para que empresas lucrem cada vez mais valores e x orbitantes , colocando cada v e z mais a vida dos trabalhadores em risco . A realidade da construção civil é muito bem delineada por Sampaio (1998), onde diz o seguinte: “ A constr ução civil é um dos ramos de a tividade mais antigos do mundo . Ao longo do tempo passou por uma g rande tr ansf or mação . Em decor rência da e v olução por parte das obr as , tev e – se a perda de milhares de vidas , prov ocadas por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais , causadas , principalmente, pela falta de controle do meio ambiente do trabalho , do processo produtiv o e da orientação dos operários .” P or fim os dados coletados nos mostram que os empre g ados e em- pregadores têm que planejarem melhor os serviços , fazerem mais inv esti- mentos em segur ança afim de que , sobretudo a previdência social, não sofra com tantas pessoas inv alidas , ou viúvas recebendo pensão por morte de seus cônjuges , pois o Br asil perde J oão P essoa – PB e principalmente a pessoa que tev e sua vida ceifada ou inutilizada em cadeir as de rodas , deixar am de produzir para suas famílias e o estado que arcará com estes custos , por conta de uma estrutur a deficitária e carente de inv estimentos . REFERÊNCIAS ANUÁRIO brasileiro de proteção (ABP) 2005. Nov o Hamburgo: MPF Pu- b licações Ltda, 2005. Edição especial da revista proteção . D AMIÃO , Mar y-Else Moreira . Controle das per das em canteir os de obras:uma contrib uição da engenharia de pr odução para a melhoria das condições de tra balho e aumento da produti vidade . J oão P essoa,1999,129 p . Dissertação(Mestr ado em Engenharia de Produção) – Univ ersidade F ederal da P araíba. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 96 ser utilizado em conjunto com a car ta solar da localidade do projeto para seu devido dimensionamento . Figur a 3 – Tr ansferidores de ângulos de sombr a, alfa, beta e g ama Essas ferr amentas , em conjunto , for necem as máscar as de sombras par a cada orientação em projeto . A deter minação dos ângulos de proteção é obtida a través dos passos a seguir indicados . Com a car ta solar , correspondente a la titude do projeto , marca-se o período desejáv el de proteção (inter valo de meses e hor as). A seguir , sobreposto a ela os transferidores auxiliares de sombr as , alfa, beta e g ama. Escolhe-se o tipo de solução a ser utilizada – horizontal, v ertical ou mista, re presentadas pelos ângulos alfa e beta e complementada por g ama. Alinha-se então ao centro da carta solar o alinhamento horizontal do tr ansferidor (plano de fachada), de acordo com sua orientação . Marcam-se então quais linhas cobrirão o período selecionado de proteção , definindo a par te protegida como aquela que estará dessa linha do transferidor ao plano da fachada. Obtêm-se, então , os valores de suas angulações a serem lançadas nas proteções . (figur a 4). A correta adoção desses dados per mite estabelecer apropriadamente o g rau de proteção par a as a ber turas de uma edificação para um período desejáv el de proteção , indicar o período de insolação ao longo do ano sobre as fachadas , bem como deter minar o sombreamento da edificação em seu entor no . Este processo pode ser e x ecutado para desenv olvimento de projetos nov os e também na análise de projetos e xistentes . AS UNID ADES HABIT ACIONAIS O Projeto Habitacional Manga beir a foi um g rande labora tório para as e xperiências projetuais , onde foram e xplor adas ao máximo as possibilidades urbanísticas e arquitetônicas , inclusos a diversificação tipológica das habitações . F oi previsto o uso de deter minadas tipolo gias nas F onte: Adaptado do prog rama SOL-AR. Figura 4 - Ângulos alfa, beta e gama F onte: Adaptado de FR OT A, 1995. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 97 quadras que varia vam em área, número de dormitórios , como também a sua morfolo gia. No entanto , contav am sempre com: sala, cozinha, banheiro , quar to e área de serviço e xter na, em alguns casos ainda apresenta vam o terr aço . F or am determinadas 10 (de z) tipologias denominadas pela Cehap a través dos códig os: PB15, PB17, PB18, PB19, PB20, PB21, PB23, PB24, PB26 e PB27. Esses modelos habitacionais podem ser classificados em Isoladas , Geminadas e Duple x. A seguir serão retr a tados , sinteticamente, as de z plantas baixas dos modelos ha bitacionais , implantados no Projeto Mang abeira, identificados por seus códigos . Figura 5 - Tiplogias habitacionais do Conjunto Mang abeira PB 15 PB 20 PB 18 PB 27 PB 19 PB 17 PB 21 PB 26 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 98 F onte: LIMA, 2013. F oram distribuídos em quadras predominantemente or tog onais . Como decorrência da orientação dada aos padrões , as quadr as teriam suas maiores e xtensões orientadas segundo as direções dos v entos predominantes . De uma maneira ger al as Tipolo gias estão orientadas conforme Quadro 1 abaix o: Quadro 1- Tipologias por ca tegoria Tipo Nº de Padr ões Tipologias Orientação Isoladas 7 PB15,PB17 , PB18, PB19, PB20, PB26 e PB27 Norte, Sul, Leste, Oeste Geminadas 1 PB21 Norte, Sul Duple x 2 PB23 e PB24 Leste, Oeste T otal 10 PB17 , PB18, PB19 , PB20, PB21 , PB23, PB24, PB26, PB27 e PB29A -B F onte: LIMA, 2013. Visando demonstrar a fácil utilização das car tas solares e transferidores , bem como sua importância par a projetos que prezam pelo conforto ambiental, foram realizados os seguintes procedimentos: O primeiro passo foi a coleta de dados a respeito das unidades habitacionais , sua conce pção urbanística, época da sua construção , par tido arquitetônico , plantas baixas , cor tes , soluções adotadas , enfim, todos os dados que corroborem ao entendimento pleno do empreendimento . No segundo , de acordo com a carta solar e tr ansferidor de ângulo de sombras , elaborou-se o mascaramento das orientações das a ber turas dos ambientes de per manência prolong ada (salas e quar tos). As unidades habitacionais de Mang abeira estão sempre orientadas para nor te, sul, leste e oeste . F oi analisada cada uma dessas orientações , identificando as combinações de proteções , sejam horizontais , verticais ou mistas , par a o período do v erão das 10:00 as 16:00. Utilizou-se a la titude 8ª sul como referência da carta solar , correspondente a J oão P essoa-PB. PB 23 PB 23 PB 24 PB 24 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 99 Ao final, foi esta belecido um quadro resumo dos dados necessários para as soluções de proteção das abertur as e algumas propostas arquitetônicas . O principal instrumento par a análise da insolação direta nas tipologias do projeto Mang abeira foi a carta solar e tr ansferidor a tendendo o período selecionado , consider ado crítico . Alguns softwares der am suporte à referida análise, tais como o Sol-Ar , Sk etchup , Autocad e R evit, para apresentação dos resultados . RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O As unidades habitacionais de Mang abeira, orientadas sempre no sentido leste-oeste, norte-sul, após sobre posição da carta solar e transferidores de sombr as , tiv eram seus mascar amentos de sombras efetiv os deter minados para o período em análise. Os dados f oram sintetizados para cada orientação de fachada e os tipos de soluções par a as a bertur as recomendados para garantir eficácia da proteção . P or meio da utilização dessa fer ramenta, se obtev e também o período de insolação incidente, durante o ano , par a todas as orientações , conforme o g ráfico 1. Constata-se que durante o v erão a fachada norte possui menor incidência solar quando comparada às demais , sendo a sul a mais afetada. As fachadas leste e oeste vêm a seguir , porém com apresentando incidência de praticamente a metade da sul. Essa inf ormação já é uma premissa para estr a tégias projetuais a serem contempladas quanto ao conforto tér mico , tendo em vista que a insolação direta é responsável por g rande par te dos g anhos de calor no interior das edificações . Gráfico 1- Duração média da insolação nas fachadas dur ante o ano F onte: LIMA, 2013. Como o foco da análise são as a bertur as dos ambientes de per manência prolong ada, no caso - sala e quarto – e de posse dos dados obtidos nos mascaramentos é possível esta belecer as propostas de proteção das mesmas . Estas janelas possuem as dimensões de 0,90 x 1,20 x 0,90 (base x altura x peitoril) e são denominadas J1. Compreendendo que as fachadas Nor te e Sul sofrem principalmente os efeitos da insolação relacionados ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 100 ao azimute, as proteções do tipo v er tical são as mais indicadas . Aquelas orientadas para leste e oeste, sofrem principalmente com relação à altura solar e, consequentemente , o tipo de proteção que melhor a tua é a horizontal. Após comparar as diversas possibilidades de mascaramentos , a solução que melhor se adéqua a situação estudada compõe o quadro 2 abaix o . Quadro 2- Máscaras de sombr as ORIENT AÇÃ O / MÁSCARAS NOR TE SUL LE S TE OE S TE ÂNGUL OS DE SOMBRAS α = 80º β = 85º β = 85º α = 55º β = 65º β = 65º α = 30º γ = 60º γ = 80º α = 30º γ = 80º γ = 55º TIPO DE P RO TEÇÃ O HORIZ ONT AL + VER TICAL HORIZ ONT AL + VER TICAL HORIZ ONT AL HORIZ ONT AL F onte: Os autores . A partir desse quadro acima referido , foi possív el estabelecer , nos projetos selecionados , os tipos de soluções , com identificação da orientação das aberturas presentes nas tipologias (quadro 3). Quadro 3- Tipo de proteções por tipologia e presença de a bertur as segundo orientação TIPOL OGIA NOR TE SUL LE S TE OES TE PB- 15 α + β α + β Não se aplica α + γ PB- 17 Não se aplica α + β Não se aplica PB- 18 Não se aplica α + β α + γ Não se aplica PB- 19 α + β α + β α + γ Não se aplica PB- 20 α + β α + β Não se aplica α + γ ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 101 PB- 21 α + β Não se aplica Não se aplica α + γ PB- 23 Não se aplica Não se aplica α + γ α + γ PB- 24 Não se aplica Não se aplica α + γ α + γ PB- 26 Não se aplica α + β Não se aplica α + γ PB- 27 Não se aplica α + β Não se aplica α + γ F onte: Os autores . Conclui-se que os dois tipos de solução , mista e a horizontal estarão presentes para todas as tipologias , toda via, por não apresentarem janelas v oltadas par a todas as orientações , em algumas orientações não se aplica a proteção . Obser va-se que quando a orientação da janela está para o nor te, e esta possuir o beiral, o mesmo , já a tinge o necessário para proteger da insolação no período selecionado . O mesmo não ocor re quando se tra ta das outras fachadas , na sul verifica-se que para a tingir o objetiv o seria necessário estender o beiral cerca de 50cm além do original, passando o beir al a possuir 1,00m. No caso da fachada leste e oeste , esse procedimento na seria muito indicado , pois acar retaria um custo maior para supor te do beiral. (figur a 6) Figura 6 – Ângulos de proteção alfa se gundo a orientação da a bertur a F onte: Os autores . P ar a essa orientação , seria indicado o uso de brises-soleis horizontais para sombreamento . Aplica-se a mesma solução de angulação , porém, com uso diferente na solução arquitetônica, trabalhando de f or ma a minimizar os custos adicionais quando se tiv er restrição econômica ou estrutur al. A figura 7 demonstr a algumas possibilidades . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 102 Figura 7 – Demonstr ação de possibildiades de arr anjos nas proteções horizontais F onte: Os autores . Com o uso da carta solar e tr ansferidor de ângulos de sombras fica fácil a solução arquitetônica quando se pretende proteger as abertur as da insolação direta incidente. É papel do arquiteto decidir aquela que melhor sa tisfaça as questões funcionais e estéticas , de acordo com o conte xto de inserção da no va edificação , bem como as questões socioeconômicas , entre outros fa tores . Aponta-se que, em muitos casos , com pequenas alter ações e ajustes de projeto , já seria possível g ar antir eficiência sobre esse tema, caso tiv esse sido utilizado este recurso . T al fa to poderia e dev eria ser mais bem analisado nos projetos desde o momento de sua concepção . CONSIDERA ÇÕE S FINAIS A proposta representa um e xercício de uma no va a borda gem que redirecione a concepção dos projetos arquitetônicos tendo em vista um melhor a tendimento as questões de conf or to ambiental, em especial no correto dimensionamento e localização e tipo de proteção frente à insolação direta nas aberturas . Visando , dessa for ma, uma melhor sensação de conf orto dos usuários das edificações propostas . Quando esta ferr amenta é utilizada no dia a dia dos projetistas , se tor na um g r ande auxiliar para obtenção de melhor desempenho das edificações , tendo em vista que ela é capaz de for necer dados diretos e impor tantes para proteção das aberturas da insolação . Sabe-se que a negligência desse aspecto , por desconhecimento ou por comodismo , pode influenciar significa tivamente nos custos da operação e manutenção da edificação ao longo da sua vida útil. Os benefícios obtidos serão desfrutados pelos usuários , e ampliados para as cidades como um todo , pois a tuam na redução dos efeitos do calor e de seus desdobramentos com gastos energéticos . A despeito dessa consta tação , as tenta tivas são sempre válidas e merecem ser consideradas para uma melhor adequação dos projetos futuros nessa área. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 103 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15220-3: projeto 02:135.07-001/3: desempenho tér mico de edificações parte 3- zoneamento bioclimático br asileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Rio de J aneiro , 2005. _____. NBR 15220-3 : desempenho tér mico de edificações p arte 3: zone- amento bioclimático brasileiro e diretrizes constr utiv as par a ha bitações unifamiliares de interesse social. 2005. BITTENCOUR T , Leonardo . Uso das cartas solar es : diretrizes par a arquitetos . Maceió: Edufal, 2004. BR O WN, G . Z. ; DEKA Y , M. Sol, v ento & luz : estr a tégias par a o projeto de arquitetura. 2ed. P or to Aleg re: Bookman, 2004. CORBELLA, Oscar . Em busca de uma ar quitetur a sustentáv el para os trópicos: conforto Ambiental. Rio de J aneiro: Ed. R ev an, 2003. CORREIA, Ludmila de Araújo . Confor to ambiental e suas r elações subjeti v as: análise ambiental inte g rada na habitação de interesse social. Brasília. Disser tação (Mestrado). Universidade de Brasília. Br asília, 2010. CUNHA, Eduardo Grala da (org.). Elementos de Arquitetur a de climatização na tur al : método projetual buscando a eficiência nas edificações . P or to Aleg re: Masquatro , 2006. FONSECA, Ing rid C. L. et al. Ar quitetura moder na e confor to ambiental nos trópicos: diretrizes aplicáv eis a casas de Lúcio Costa na Gáv ea, Rio de J aneiro . 2009. Disponív el em: <http://www .docomomo .org .br>. Acesso em: 3 no v . 2013. FREIT AS, R uskin. O que é conforto . 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A plicação de técnicas de geopr ocessamento par a análises das relações entre o fa tor de visão do céu e as difer entes orientações da malha urbana . J oão P essoa. Monog rafia (Gr aduação) Instituto F ederal de Educação , Ciência e T ecnológica da P ar aíba, 2003. SIL V A, Antônio Willam ys F er nandes da. Transf ormações urbanísticas em um bairr o planejado: o caso do projeto habitacional Mang abeira em J oão P essoa – PB. Dissertação (Mestr ado) - Univ er sidade F ederal da P ar aíba. J oão P essoa, 2005. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 105 ANÁLISE COMP ARA TIV A DOS TIPOS DE E S T A CAS, F A T ORE S DE E SCOLHA E SU AS APLICA ÇÕE S Érika Suy ani Maria de Fr eitas Alv es 1 , Matheus V ar ela Cavalcanti 2 , Antônio da Silva Sobrinho Júnior 3 , Ulisses T ar gino Bezerr a 4 1 Gr aduanda do cur so de Engenharia Civil. E-mail: erika_suyanef@liv e.c om 2 Gr aduando do cur so de Engenharia Civil. E-mail: matheusvar [email protected] om 3 Engenheir o Civil e Doutor em Engenharia Mecânica. Pr ofessor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. Pr ofessor do Departamento de Arquitetur a e Urbanismo da UFPB. E-mail: [email protected] 4 Engenheir o Civil e Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais (UFRN). E-mail: dartarios@y ahoo.c om.br CAPÍTUL O 7 RE SUMO A engenharia de fundações é a área especializada que tem com finalidade lidar com projetos e e x ecução de fundações . As fundações são elementos de infraestr utura que tem como funcionalidade supor tar as carg as prov enientes da superestr utura e tr ansmiti-las , com a devida segurança, ao ter reno em que ela se apoia. As estacas são um tipo de fundação profunda e que apresentam vários tipos de acordo com o ma terial ou método executiv o . A escolha do tipo de estaca empregada é de total responsa bilidade do engenheiro de fundações e este se depar a com alguns fa tores antes de deter minar a solução adequada para deter minado caso . P or tanto , diante destes fa tores , este trabalho tem como objetiv o uma análise compar a tiva dos diferentes tipos de estacas e suas aplicações , a través de estudos de casos . Este trabalho consistiu em uma revisão bib liográfica de conceitos e aplicações das fundações e xistentes , e posterior mente, na análise de estudos de casos . F or am analisadas duas obras que optaram por estaca como fundação , que apresentar am dois tipos diferentes de solo e condições de vizinhança diferenciadas . No primeiro , a empresa escolheu a opção que apresenta va um bom histórico na região . Já no segundo caso , ela preferiu uma solução mais cara, porém mais segur a no que diz respeito ao método executiv o , pois o solo era bastante mole, além disso , procurou evitar quaisquer transtor nos com a vizinhança. P or tanto , em ambos os casos , pôde ser visto que a empresa responsáv el optou por soluções segur as , evitando possív eis prob lemas futuros , os quais poderiam acar retar em custos maiores . P alavr as-Cha v e: Constr ução Civil. Fundações . Estacas . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 112 solos bastante moles nesta região . Conta tou-se, por tanto , que os solos que possuíam Nspt igual a 1,estão presentes nas faixas de profundidades de 1 m a 11 m, tendo um aumento da resistência em 12 m, com um Nspt de 22 e caindo aos poucos a té 22 m, após esta profundidade é consta tado o aumento na resistência à penetração até que não f osse possív el a continuação do ensaio a percussão , ou seja, atingiu a rocha calcaria. O nív el do lençol freático foi v erificado a 1,35 m de profundidade. Estacas sugeridas Nesta obra, houve a particularidade do solo ser bastante mole e apenas apresentando resistência a partir de 22 m de profundidade . No que diz respeito às capacidades de carg as poderiam ser utilizadas as mesmas soluções do caso anterior , mas , como o solo apresenta esta peculiaridade e apresentar lençol freático , aconselha-se e xcluir o uso das estacas moldadas in loco , log o se recomenda o uso das estacas pré-moldadas (metálicas e de concreto ar mado). Este motiv o se dá pelo fa to de que as estacas moldadas in loco , neste tipo de solo , necessitam de controles e cuidados minuciosos na e x ecução , devido ao risco de estr angulamento do fuste . Obr as vizinhas A obra do estudo de caso está localizada próxima a diversas edificações altas , destinadas ao uso residencial e que, aparentemente , apresentam condições nor mais de uso . Além disso , em sua pro ximidade há uma escola de ensino infantil. Estaca esc olhida O tipo de estaca foram estacas metálicas de perfil HP 310 x 79 crav adas em comprimentos variando de 22 m a 24 m, com carg as admissív eis de 120 tf. Consider aç ões da c onstrutor a O diretor técnico da construtor a afirma que, como discutido no caso anterior , analisou em conjunto com os engenheiros , de estr uturas e geotécnico , as soluções par a este caso específico , e chegaram a três tipos de fundações , a estaca metálica, a hélice continua e a estaca tipo Franki. No que diz respeito , a análise de histórico de fundações da re gião , o diretor alegou que os prédios presentes no quar teirão onde a obra se encontra, apresentam fundações com estaca metálica, outros com o tipo Franki e alguns com estaca hélice continua. Deste modo , par tiram par a a análise de alguns fa tores , como possív eis transtor nos com a vizinhança. Log o de imedia to a solução tipo F ranki foi descar tada, visto que ha via uma escola nas pro ximidades e este tipo de fundação gera vibr ações enormes durante sua e xecução . Sobre a estaca metálica, apresentou como v antagem ser cra vada por um ba te-estaca, o qual foi a nalisado antecipadamente e pessoalmente pelo diretor técnico , que concluiu que a vibr ação gerada era mínima. Embor a, gerasse mais r uídos do que a estaca hélice continua, toda a fundação ficou pronta em 15 dias , pois não de pendia de concreteiras para a e xecução . Além disso , a estaca metálica ainda apresentav a como vanta gem, a integ ridade da ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 113 estaca no que diz respeito à profundidade, após a tingir a nega. Este tipo de estaca só apresentou mesmo o custo como desvanta gem par a empresa. T anto a estaca hélice contínua quanto a tipo F ranki, apresentav am riscos de estrangulamento do fuste, já que dependia da habilidade do operador e a construtor a não queria ficar refém desta ha bilidade. Embora, segundo as empresas responsáv eis pela e x ecução da fundação , houvesse g ar antias da segur ança durante a e xecução , a constr utora decidiu pela se gurança na escolha da estaca metálica mesmo seu custo sendo mais elev ado . Em suma, a construtor a, mais uma v e z, preferiu par tir para segur ança na escolha da estaca metálica, pois as mesmas apresenta vam div ersas vantagens em relação às outras , principalmente no fa to da segur ança, rapide z e conforto ao evitar transtor nos com os vizinhos . CONSIDERA ÇÕE S FINAIS As fundações são elementos estruturais de mportância igual à de uma superestrutura, pois é responsável por transmitir todas as cargas com segurança ao solo. Além disto, estes elementos podem ser de vários tipos de acordo com o material ou processo executivo, possuindo vantagens e desvantagens relacionadas a determinadas situações. Deste modo, é muito importante que o engenheiro civil responsável pela construção de novas edificações conheça as peculiaridades de cada fundação existente e saiba lidar com as diferentes situações na prática, que ocorrem ao determinar o tipo de estaca, pois são diversos os fatores que estão diretamente ligados a este processo. Primeiramente, podemos relatar o fato de o solo possuir propriedades relativas a determinadas regiões e que deve ser analisado com bastante cautela e segurança ao se escolher a fundação adequada. No que diz respeito ao caso dos solos, a empresa responsável pela execução dos estudos de casos analisados neste trabalho, tratou este fator com bastante segurança, ao fazer um estudo prévio do histórico das fundações mais utilizadas na região e com índice de insucesso nulo. Além disso, foi visto que a empresa se preocupava com os possíveis transtornos causados às obras vizinhas devido à execução de algumas estacas, colocando como um dos fatores principais para determinação do tipo de estaca. Sobre os custos da fundação, a empresa decidiu colocá-los como último fator de escolha, pois preferiu agir de forma segura e confortável, evitando possíveis problemas futuros, os quais podem acarretar em custos maiores. V ale ressaltar também, que as empresas specializadas na e x ecução das fundações podem influenciar na escolha do tipo de fundação , ao sugerir outros tipos que podem ou não ter sido utilizada naquela região . Entretanto , cabe ao engenheiro responsáv el à decisão final, se vai ou não assumir deter minados riscos . P or tanto , diante do que foi proposto , acredita-se que, além dos outros fa tores , a análise do histórico de fundações da região foi uma solução bastante interessante para decidir o tipo de fundação com se gurança. Deste modo , pesquisas com ênfases nos tipos de fundações mais utilizadas em deter minadas regiões para uma análise, é de bastante interesse e de suma impor tância para soluções futuras . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 114 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6122 : projeto e e x ecução de fundações . Rio de J aneiro: ABNT , 2010. 91 p . ______. NBR 6484: solo – sondagens de simples reconhecimento com SPT – método de ensaio . Rio de J aneiro: ABNT , 2011. 17 p . ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO POR TLAND (ABCP). Manual de Estrutur as: Fundação . R ede F ederal – Educação T ecnológica – SETEC . Disponív el em: < http://portal.mec.g o v .br/e xpansao-da-rede- federal>. Acesso em: 24 out. 2016. AL ONSO , U . R. Ex ercício de Fundações . São P aulo: Edg ard Blucher Ltda,1983. A OKI, N .; CINTRA, J . C. A. Fundações por estacas : projeto geotécnico . São P aulo:Oficina de T e xtos , 2010. 96 p . BRA GA, V . D . F . 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Fundações: critérios de projeto , inv estig ação do subsolo , fundações superficiais , fundações profundas . São P aulo: Oficina de te xtos , 2010. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 115 ANEX O - SOND A GEM: Caso B: Edificio de 20 pa vimentos . SOND A GEM: Caso B: Edificio de 20 pa vimentos (Continuação). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 116 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 117 SOND A GEM: Caso A: Edificio de 18 pa vimentos . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 118 E S TUDO D AS P A T OL OGIAS CA U S AD AS POR RE CAL QUE DE FUND A ÇÕE S RASAS Bruno Monteir o Cunha 1 , Bruno Luiz David Costa 2 , Victor Amorim de Carvalho 3 , R amon Silva Menezes 4 , Wilson Cartaxo Soar es 5 . 1 Gr aduando em Engenharia Civil. E-mail: eng.brunomonteir [email protected] om 2 Gr aduando em Engenharia Civil. E-mail: brunoldc [email protected] 3 Gr aduando em Engenharia Civil. E-mail: victor [email protected] 4 Gr aduando em Engenharia Civil. E-mail: r [email protected] 5 Doutor em Engenharia Civil - Ár ea Geotecnia. Profes sor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: wilson.soar [email protected] CAPÍTUL O 8 RE SUMO Os prob lemas prov enientes de projeto , e x ecução ou do uso de qualquer construção são deter minados por vários tipos de manifestações que se tor nam visíveis ao long o do tempo . Essas manifestações são e xplor adas com o intuito de identificar suas causas e origens , com o objetiv o de se obter uma melhor solução para o problema. Entretanto , isto se tor na mais difícil ao serem analisados elementos de fundações , pois os mesmos se encontram enter rados no ter reno . O objetiv o do presente trabalho é abordar a impor tância da identificação e conhecimento das causas de pa tolo gias , como fissur as , r achaduras e trincas , prov ocadas por recalque pro v enientes de fundações rasas . A pesquisa tev e, como base, uma re visão bib liog ráfica sobre o aparecimento de pa tologias em edificações , tendo como origem as deformações do solo . Nessa revisão foram analisadas as principais causas do aparecimento de recalques diferenciais nos solos e como estes recalques induzem o aparecimento de danos nas edificações , com objetiv o de tor nar possível a correta identificação , prev enção e solução das manifestações pa tológicas que são pro v enientes dos recalques das fundações rasas . P alavr as-Cha v e: R ecalque. Fundações rasas . P a tologia estrutural. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 119 INTRODUÇÃ O O acelerado crescimento da constr ução civil pro v ocou a necessidade de ino vações que troux eram uma aceitação implícita de maiores riscos . Aceitos estes riscos , ainda que dentro de cer tos limites , o a vanço do desenv olvimento tecnológico aconteceu naturalmente e, com isso , houve um aumento do conhecimento sobre estrutur as e ma teriais , em particular a través do estudo e análise dos erros ocorridos , que tem resultado em deg r adação precoce ou em acidentes (SOUZA E RIPPER, 1998). Neste ramo , é possív el encontrar diversos problemas causados na estrutura de uma obra e um dos motiv os é a fundação , onde tor na-se um problema mais delicado , pois após a sua conclusão , ela encontra-se enter rada, tor nado difícil a sua inspeção em busca de erros . Quando se trata de terreno , o solo é o principal objeto de estudo , afinal é ele quem recebe as cargas de uma estrutur a e a sua má análise , má e xecução ou uso de ma teriais indevidos podem gerar diversos sintomas futuros , causando pa tologias na edificação . Segundo Quintana e Ribeiro (2014), a pa tologia da fundação é o estudo da causa e dos efeitos dessas falhas na fundação , fazendo o diagnóstico e em seguida é feito um estudo para a elaboração de uma solução contemplando a recuperação , reforma, limitação de uso ou demolição total ou parcial da área afetada pela pa tolo gia. Como nos últimos anos houv e um acréscimo no número de casos de erros nas constr uções , os estudos sobre o tipo de fundação e o solo a ser e x ecutado passaram a ter uma atenção dobrada na projeção de uma edificação . Neste tr a balho será apresentado as principais pa tologias causadas em estrutur as com fundações rasas e seus principais fa tores responsáv eis pelo surgimento das manifestações pa tológicas encontradas na edificação e no final será apresentado um estudo de caso de um edifício que sofreu pa tologia e será analisado as suas causas e a solução apresentada para contor nar esse problema. MET ODOL OGIA Objetivando obter maiores compreensões no que se refere aos prob lemas ocor ridos em construções , devido aos processos pa tológicos transmitidos dos elementos de fundação par a o restante da estrutur a, a análise feita pelo presente estudo e informações aqui apresentadas foram obtidas a través de ma teriais biblio g ráficos tais como: livros , periódicos , teses , ar tig os e documentos publicados na inter net. Obser v ações entre resultados de pesquisas realizados por vários autores sobre a mesma área de estudo pa tológico das fundações f oram feitas par a que as informações conclusivas con v ergissem em um trabalho final conciso , acrescentando conhecimento técnico e teórico ao leitor . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 120 FUND AMENT AÇÃ O TE ÓRICA P A T OL OGIA ES TR UTURAL De acordo com Souza e Ripper (1998), designa-se genericamente por pa tologia das construções esse no v o campo da engenharia das construções que abrange o estudo das origens , for mas de manifestação , consequências e mecanismos de ocorrência dos er ros e dos sistemas de deg r adação das estrutur as . O surgimento de prob lemas pa tológicos nas edificações pode ter as mais div ersas origens . T ais problemas podem ter inicio por vários fa tores: inter nos , e xter nos e da na ture za. Os fa tores inter nos , que são os mais comuns , englobam os er ros de projeto , de e xecução , equív ocos nas escolhas de ma teriais e o uso final da construção . Os fa tores e xter nos são os acidentes que, por um acaso , podem acontecer , como por e xemplo: um incêndio na edificação ou uma ba tida de um automóv el com um pilar . A na ture za, por sua v e z, pode causar adversidades com o passar do tempo . Como , por e xemplo , enchentes , alag ando o solo e diminuindo a resistência e coesão do mesmo (SOUZA ; RIPPER; 1998). A pa tolo gia pode ter seu principio ainda na fase de projeto , dur ante a concepção da estr utura da edificação , podem, também, ser originadas na fase de e x ecução do edifício , ou ainda após sua conclusão , quando o uso efetiv o é diferente daquele previsto para aquela edificação . Segundo Caputo (2012), toda edificação está sujeita a deslocamentos v er ticais (recalques), durante ou mesmo após a sua conclusão , por um deter minado período de tempo , até que o equilíbrio entre o carre g amento aplicado e o solo seja atingido . Essas atividades podem pro v ocar falhas ev entuais , evidenciadas pelos desniv elamentos de pisos , trincas e desapr umos da edificação . O estudo das origens , tipos de manifestações e consequências das falhas caracteriza o conceito de patolo gia nas construções . Segundo Milititsky et al. (2008), a causa mais frequente de prob lemas de fundações é a ausência ou incompleta inv estigação do subsolo . Em mais de 80% dos casos de mau desempenho de fundações de obras médias e pequenas , a ausência completa de inv estigação é o motiv o da escolha de solução desapropriada. Prob lemas típicos decor rentes da privação de in v estig ação para fundações r asas são: • T ensões de conta to e xcessiv as , incompa tív eis com as reais características do solo , resultando em recalques inadmissív eis ou ruptur a do solo; • Fundações sobre solos compressív eis sem estudos de recalques , resultando g randes defor mações; • Fundações apoiadas em ma teriais de comportamento muito diferente, hetero gêneos , ocasionando o aparecimento de recalques diferenciais; ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 121 • Fundações apoiadas em crosta dura sobre solos moles , sem análise de recalques , ocasionando a r uptura ou g randes deslocamentos da fundação . SINT OMAS, DIAGNÓS TICOS E TRA T AMENT OS Frequentemente durante e/ou após a e x ecução de obras , depois de horas , dias ou a té anos , podem surgir sintomas e consequentemente danos devido as pa tologias das construções . As trincas e fissur as são uns dos principais sinais que chamam a tenção . P or tanto é necessário fazer uma análise profunda para saber qual o real motiv o desses danos acontecerem (FIGUEIREDO , 2005). Segundo Gonçalves (2015), podemos destacar algumas razões para que as fissur a apareçam: em função da compressão , retr ação hidráulica, variação de tempera tura, flexão , cisalhamento e torção . Essas r upturas ocorridas no concreto dev em ter uma minuciosa obser vação para confirmar uma dessas fontes geradoras de abertur a. Outro tipo de sintoma que podemos encontrar nas constr uções de modo geral é a cor rosão do aço , fa tor que ger a um aumento no seu v olume, f or necendo uma força de tração muito superior à estipulada em projeto , fazendo com que o concreto não supor te e consequentemente se rompa (GONÇAL VES, 2015). É consideráv el lembrar que a cor rosão da ar madura acontece de forma g r ada tiva, ou seja, com o decorrer do tempo vai se comprometendo ainda mais . Quanto as suas origens , os fa tores mais frequentes par a que ocorr a esta pa tologia são produzidas pela ação do tempo , e xibição a águas agitadas e a ação de gases presentes na a tmosfer a, concreto com resistência inadequada e má e x ecução (HELENE,1992). Segundo Appleton (2002), par a se cheg ar a um diagnóstico de um efeito de pa tologia de forma eficaz, utilizando método empírico , em que se baseia na e xperiência do engenheiro civil pa tologista, método científico , onde são utilizados e xperimentos in situ ou em la boratório e modelações ma temáticas , ou uma combinação dos dois métodos , que utilizará o método científico para confir mar a obser vação empírica do engenheiro . Depois de ter realizado todos os processos de verificação e diagnosticado de f orma eficaz o problema, certifica-se qual a melhor solução para cor rigir a pa tologia, colocando a viabilidade econômica como a principal fonte de decisão . Obser vando que há g randes limitações par a a sua utilização mesmo depois da cor reção de seus esf orços estrutur ais e um vasto desperdício de dinheiro é recomendado a possív el demolição da estrutur a (DO CARMO , 2003). FUND AÇ ÕE S A fundação é o elemento responsáv el por transmitir as cargas das construções ao solo . Em geral, são utilizadas várias fundações na construção de um edifício . Existem div er sos tipos de fundação , e elas são projetadas lev ando em consideração a carga que recebem e o tipo de solo onde vão ser construídas , conf or me NBR 6122 (2010). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 128 Figura 4 – História da constr ução com acréscimos de carg a F onte: Burland et al. (2009) E SCRIÇÃ O DO PRO BLEMA Segundo Burland et al. (2009), isso ocorreu devido à camada de solo abaix o da tor re , que consiste em três tipos de solo: Os 10 (de z) primeiros metros são compostos por areia e silte argiloso . De pois há uma camada com cerca de 30 metros de profundidade f or mados por argila marinha, um solo que perde muita rigide z quando submetido a tensões . Nos 20 metros seguintes , e xiste uma camada de areia marinha densa, confor me apresentado na Figura 5. O contato entre a camada A e a camada B a baix o da T orre se apresenta de for ma cônca v a, o que indica um adensamento na camada B pro v ocada pela distribuição de tensões da fundação . Figura 5 – Tipologia do terreno F onte: BURLAND et al. (2009) . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 129 F oi possív el consta tar que o prob lema reside mais na instabilidade da inclinação do que na capacidade de carg a do solo . Se gundo Burland et al. (2009), a instabilidade da inclinação não é de vido à capacidade de carg a do solo , mas devido à sua rigide z. A seção de máxima inclinação da T orre foi de 5,5 g r aus , antes de ser iniciado o processo de estabilização , em 1993. De acordo com Burland et al. (2009), a tensão média na fundação é de 500 kP a. Uma análise computadorizada e detalhada indicou que a tensão no lado sul da T orre er a de quase 1000 kP a, enquanto que no lado nor te a tensão era próxima de zero . SOL UÇÕE S ADO T AD AS O go ver no italiano preocupado com a crescente inclinação da T orre de Pisa e consciente do risco de colapso da estr utura estabeleceu, em 1990, um Comitê Inter nacional com a intensão de estabilizar a estrutur a. De acordo com Burland et al. (2009), uma solução per manente foi a redução das tensões na alv enaria no lado sul da T or re , estabilizando a fundação . Dessa for ma, em 1993, f oi aplicada uma carg a de 600 toneladas de chumbo no lado nor te a tr a vés de um anel de concreto remo vív el, colocado ao redor da base da T orre. Os pesos reduziram a inclinação em cerca de um minuto de arco , ou seja, aproximadamente 0,0167 g raus . Assim como reduziu também o momento que a tua nas fundações . Segundo Burland et al. (2009), dois anos após a aplicação da carg a, em setembro de 1995, foi realizada uma tenta tiva de substituir a carg a por tirantes fixados ao anel de concreto . P ar a esse procedimento f oi utilizada uma técnica de congelamento de solo para conter o movimento da T orre dur ante a e x ecução . P orém, o congelamento do solo fe z com que o v olume de água já e xistente no solo fosse aumentado , prov ocando o deslocamento do anel de concreto e fazendo com que a T orre recalcasse mais . O procedimento foi então interrompido e fe z-se necessário aumentar de 600 toneladas para 900 toneladas a carga de chumbo a fim de controlar a aceleração do movimento . Com finalidade de estabilizar o nív el do lençol freático do solo , ao instalar pie zômetros no solo f oi consta tado que nos meses em que as chuvas eram intensas , a v elocidade de inclinação da T orre aumentav a. P orém, foi obser vado que o aumento no nív el da água não er a linear , no lado nor te era maior do que no lado sul da T orre. Como o lado sul sofre as maiores carg as devido à inclinação , a e xpulsão da água no solo é maior , ocasionando uma diminuição na poropressão e contrib uindo par a a rotação em direção ao sul. Em 1999 foi adotado um processo de retirada de uma parte do solo abaix o da fundação , ao norte. Este método , conhecido como esca vação subterrânea, consiste em instalar tubos de e xtração de solo abaix o da fundação . Estes tubos são compostos por uma hélice contínua dentro de outro tubo que gira em sentido contrário par a contrabalancear e diminuir a vibração na escav ação . O processo resultou em uma redução na inclinação da T orre de 80 se gundos de arco , cerca de 1,33 g raus , a té junho de 1999, quando a e xtr ação f oi parada. O sistema foi implementado em 2002 e le v ou a uma diminuição na poropressão assim como uma significante redução na variação do lençol ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 130 freático . O sistema induziu a T or re a um mo vimento no sentido norte, contribuindo na diminuição da inclinação (B URLAND et al., 2009). EDIFÍCIOS DE SANT OS A construção de obr as civis e industriais na região da Baixada Santista constitui-se, de há muito tempo , num desafio para a Engenharia Geotécnica, face à e xistência de extensas e profundas camadas de argilas marinhas muito compressív eis , dificultando a sua trav essia por estradas , e, outras vezes , subjacentes a estra tos arenosos , onde soem apoiarem-se as fundações diretas de edifícios , como é o caso na Cidade de Santos . No período entre anos de 1940 e 1970, Santos viv eu uma g rande e xpansão imobiliária, com a construção de edifícios ao longo da orla praiana, com a té 18 pa vimentos , apoiados em sapa tas ou “radier s”, sobre uma camada de areia medianamente a muito compacta, sobrejacente a mais de 30m de argila mole a média, às v e zes rija. Em geral, o recalque máximo situou-se entre 40 e 120 cm. Além disso , mais de 100 edifícios são inclinados; Um caso e xtremo e muito conhecido , o Edifício Núncio Malzoni inclinou-se 2,2° e foi reaprumado com o empre go de fundação profunda (MAFFEI et al., 2003). DE SCRIÇÃ O DO PRO BLEMA Devido ao tipo de solo f or mado por uma consideráv el camada de areia medianamente compactada, seguida de uma camada muito espessa de argila marinha, podendo ha v er ou não outra faixa de areia, e por ultimo uma camada de solo resistente formada por rochas (Figura 6). A escolha por uma fundação rasa lev ou o Edifício Núncio Malzoni constr uído em 1967, com de zessete andares (com um apartamento de 240 metros quadr ados por andar) recalcar de forma ir regular , tombando para seu lado direito . A diferença entre uma la teral e outr a é de 45 centímetros , o que re presenta um deslocamento do topo de 2,10 metros . A cada ano , notav a-se que o desaprumo aumentav a um centímetro (Figura 7). Figura 6 – Sondagem do solo de Santos . F onte: https://petciviluem.com F onte: http://www .muitobem.net.brl Figura 7 - Inclinação do Edifício Núncio Malzoni. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 131 SOL UÇÕE S ADO T AD AS O projeto de reaprumo do prédio , desenv olvido pelos professores Carlos Eduardo Moreira Maffei, Heloísa Helena Silva Gonçalv es e P aulo de Ma ttos Pimenta, do Depar tamento de Engenharia de Estrutur as e Fundações da Escola P olitécnica da USP , considerado inédito no mundo , para cor rigir o recalque estão f oram colocados 14 macacos pneumáticos de alta potência nas la terais do prédio . Estes equipamentos receberam pressão variáv el de a té 900 toneladas para erguer a estr utura. No entanto , para fazer o monitor amento de todo o prédio , inclusive dos apartamentos , os mor adores tiv er am que deixar suas residências durante o dia e retor nar à noite. P ois poderiam ocorrer rompimentos de tubulações ou então ser preciso interromper o for necimento de energia. P ar a execução do projeto de reaprumo da estr utura, foi seguida as seguintes etapas: • F oi feita a implantação de fundações profundas com a e xe- cução de oito estacas de cada lado do edifício . Com diâmetro variando de 1,0 a 1,4m, estas estacas têm uma profundidade média de 57,0 m e a tingem um solo residual resistente e segu- ro situado abaix o da camada de argila mole. • Em seguida, foram e xecutadas oito vig as de tr ansição com cerca de 4,5 m de altura par a receber os esf orços dos pilares e transmiti-los às nov as fundações . • P or fim, 14 (qua torze) macacos hidráulicos acionados por seis bombas , instalados entre as vigas de transição e os no v os blo- cos de fundação , foram utilizados par a reaprumar o edifício . Os vãos em que esta vam os macacos f oram preenchidos com calços metálicos e posterior mente concretados . Dessa forma, a fachada la teral esquerda do edifício f oi lev antada 45 cm e a fachada posterior , 25 cm, lev ando o prédio a ficar no vamente no prumo . R eaprumado , o Núncio Malzoni repousa hoje sobre as nov as estacas , que transmitem suas 6500 tf ao solo residual seguro e resistente situado a cerca de 60 m de profundidade. CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Este estudo descrev eu as causas de recalques de fundações rasas e as possíveis pa tologias decorrentes desses movimentos . Ajudando na identificação da e xistência de recalques de fundações rasas a través das pa tolo gias apresentadas , enfatizando a impor tância do controle e estabilização dos recalques diferenciais . F oram apresentadas e xperiências profissionais obtidas atra vés de estudos de casos em diferentes tipos de construções com o objetiv o de aprimorar os conhecimentos sobre a área e contribuir com o meio técnico . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 132 Como forma de prev enção ao recalque de fundações rasas , antes de iniciada sua e x ecução , conclui-se que seja fundamental a realização de inv estigações geotécnicas e análises do solo observando o disposto na nor ma. P ode-se sugerir inv estig ações complementares ou número de sonda gens superior ao mínimo deter minado na norma, como for ma de minimizar os riscos de resultados falsos . É impor tante que seja obtido inf or mações sobre as edificações vizinhas com o objetiv o de evitar possív eis interferências . REFERENCIAS ALB UQ UER QUE, J . J . R. et al. Análise do Atrito Lateral em Estacas Hélice Contínua Instrumentadas por meio do Conceito de Rigide z. In: CONGRESSO BRASILEIR O DE MECÂNICA DOS SOL OS E ENGENHARIA GEOTÉCNICA., 16. P or to de Galinhas , 2012. AL ONSO , U . R. Previsão e Controle das Fundações . São P aulo: Edgard Blucher , 1991. BJERR UM, L. R ecalque P er mitido de Estr uturas , procedimentos . 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E-mail joalissonoliv eir [email protected] 4 Engenheir o Civil e Doutor em Engenharia Mecânica. Pr ofessor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. Pr ofessor do Departamento de Arquitetur a e Urbanismo da UFPB. E-mail: [email protected] CAPÍTUL O 9 RE SUMO O crescimento populacional nos dois últimos séculos propiciou inúmeras transfor mações , porém, uma conseqüência deste sucesso humano ficou evidente na deg radação acentuada dos recur sos na turais . Diante disto , é notório o surgimento de uma corrente preocupada em amenizar estes impactos . Assim como em outras áreas , a engenharia civil tomou para si a responsabilidade de promo ver a construção de edificações mais sustentáv eis . Diante deste cenário , este tr abalho te v e por objetiv o fazer uma revisão literária acerca de ma teriais de constr ução sustentáv eis aplicados na construção civil. P ara tanto , f oi realizada uma revisão literária de na ture za qualita tiva, visando demonstrar a utilização de alguns ma teriais de uso sustentáv eis na área da engenharia civil, a exemplo do Abobe, Bamb u e T err a Crua, atra vés de inspeções via inter net nos endereços eletrônicos de revistas cientificas especializada, alem de livros da área de engenharia civil, arquitetura e outr as especialidades . Também se fe z uso de notas técnicas e boletins inf or ma tiv os . No conte xto geral do trabalho , foram evidenciados três ma teriais sustentáv eis bastante utilizados na construção civil, o adobe, que nada mais é um tijolo de terr a crua com fibr as adicionadas f or mando um b loco sólido após ser seco , o Bambu, que é uma ma terial de constr ução de origem v e getal mas com alta v ersatilidade , bastante utilizado em países como Bangladesh, onde cerca de 90% das habitaç ões são feitas de bambu e a terra cr ua que v em sendo utilizadas desde mais de 7.000 anos A.C .. Onde os seres humanos vêm aprimorando diferentes técnicas de constr ução , como a construção em taipa. P ode-se concluir com o tr a balho que diante do que foi visto , todas as questões que afetam as cidades , devido ao meio ambiente e/ ou edificações pouco ou não sustentáv eis , teriam que ter g r ada tivamente corrigidas suas distorções , par a se alcançar o equilíbrio ecológico e sustentáv el. P alavr as-Cha v e: Constr uções ecológicas . Abobe. Bamb u. T er ra crua. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 135 INTRODUÇÃ O Os fa tos marcantes da ev olução no mundo apontam par a uma construção civil que se moldou par a acolher as aspirações primarias e imedia tas do homem. As civilizações humanas são consideradas diferentes das outras espécies por diversas peculiaridades , uma delas pudesse a tribuir a sua inteligência e capacidade de construir e modificar sucessivamente suas técnicas por meio de aprimoramento e obser vação sucessiv a dos resultados . O desenv olvimento das áreas urbanas ordenou muito mais esforço técnico para se constr uir edificações cada v e z mais sustentáveis , surgindo assim, as edificações com maior responsabilidade social. Atualmente a sociedade moder na, vem procurando um modelo de vida com maior praticidade e bem-estar comum aos membros da família, propiciado pelas no vas instalações que cada v e z mais sur preendem pela v elocidade de desenv olvimento , sobretudo nos últimos anos no Br asil. Contudo , também e xiste a necessidade de conscientização acerca das conseqüências originadas pelas construções a natureza, a fim de tor nar mínimo os impactos causados ao meio ambiente a longo prazo . De acordo com Beltrame (2013), as constr uções consomem 34% do mantimento mundial de água, 66% de toda a madeira e xtraída, e sua inter v enção esgotam mais de 40% de toda a energia produzida no mundo . Wines (2000) aponta o caso da Europa, onde cerca de 50% da energia consumida é empregada para a construção e manutenção de edifícios e outros 25% são desperdiçados em transpor te. Esta energia é gerada na sua g rande maioria por fontes de comb ustív eis fosseis não reno váveis , ger ando resíduos da conv er são destes recursos em energia, que por sua vez acar retam em impactos ambientais como o efeito estufa. T oda via, a pressão da sociedade e ambientalistas aos go ver nos , tem lev ado a industria e profissionais de engenharia, à uma frenética busca por métodos menos a g ressiv os à natureza. Se gundo pesquisa da revista Business W eek, realizada em 2006, constata-se que as futuras gerações acrescentarão dr ama ticamente a demanda por itens ligados a sustentabilidade , sendo que dos a valiados , 89% confir mam que preferem marcas lig adas a essa no va realidade sustentáv el (FEBRABAN, 2010). Diante desde cenário , faz-se necessário a implantação de projetos v oltados a inv estigar no v os produtos e metodologias de trabalho que v enham contribuir com o conceito de sustentabilidade nas futuras edificações , podendo assim g ar antir uma melhor qualidade de vida a está e as futuras ger ações que viram. O BJETIVOS O BJETIVO GERAL F azer uma revisão literária acerca de ma teriais de construção sustentáv eis aplicados na construção civil. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 136 O BJETIVOS E SPE CÍF ICOS • F azer uma abordagem sobre sustenta bilidade na construção civil visando principalmente alguns ma teriais de construção não conv encionais como o bambu, terr a crua, adobe, entre outros . • Demonstrar aplicações dos materiais estudados em edificações nas mais diferentes regiões do mundo . MA TERIAL E MET ODOS O trabalho preponder a-se a na ture za qualitativ a, pois estes tipos de trabalho se propõem a identificar , interpretar e conceituar fenômenos , não fazendo uso de ferr amentas e técnicas esta tísticas . A coleta de dados foi realizada a través de inspeções via inter net nos endereços eletrônicos de revistas cientificas especializada, alem de livros da área de engenharia civil, arquitetura e outr as especialidades . Também fe z-se uso de notas técnicas e boletins inf or ma tiv os . RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O SU S TENT ABILID ADE: CONCEIT O E P ARADIGMAS R ecentemente tem aumentado o empenho de estudiosos na inv estigação de no v os ma teriais alter na tiv os par a o uso na construção civil, com a finalidade de tor nar a sociedade, e as construções nela inserida, mais sustentáv eis . Sar tori e Pinho (2006) consideram que a consciência social da deg r adação cada v e z mais acelerada dos recursos naturais é a fonte desse interesse. A a tual crise ambiental, par a ser superada, e xige um no v o olhar uma no va trilha, uma diferente direção . P ar a Elkington (2012), o mundo viv encia o início de uma quar ta onda ambiental, cuja pala vra foco finalmente é a sustentabilidade . Uma série de acontecimentos ocorrer am desde 2010, entre eles cinco Conferências do Clima, org anizadas anualmente pela Org anização das Nações Unidas (ONU) nos últimos cinco anos , e a Rio +20, nov amente na cidade do Rio de J aneiro . Cinco anos depois , a COP 20 de 2015 ainda “encor aja”, mas não “decide” (CÂMARA DOS DEPUT ADOS, 2014). As dimensões apontadas pelo desenv olvimento sustentável contemplam aspectos que vão além das causas ambientais . As esferas econômicas e sociopolíticas somam-se aos aspectos biofísicos como base para tentar interferir no modelo predatório de recursos vigente. J acob (2003) defende como sendo uma estratégia que de v e lev ar em conta tanto a viabilidade econômica como a ecológica, ao pensar em medidas que mig rem do conceito para a ação . Ou seja, uma das principais questões da sustentabilidade é como o desenv olvimento social e econômico podem ser alcançados mundialmente sem colocar em perigo os ecossistemas do planeta. A conclusão do conceito também pode ser descrita como a capacidade de assegur ar qualidade de vida às sociedades e criar as condições necessárias para seu bem-estar . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 137 Neste sentido , o ter mo sustentabilidade está cada v e z mais em foco , podendo assim ser evidenciado como uma ter minação utilizada para deliberar todas as atividades e ações que possuem como objetiv o suprir as necessidades a tuais dos seres humanos , relacionadas à qualidade de vida no geral, sem comprometer as futur as gerações . A sustentabilidade está lig ada ao desenv olvimento econômico e social de uma deter minada região , sem ag redir de modo significa tiv o o meio ambiente , minimizando o consumo dos recursos naturais primários , substituindo-os por recur sos reno váveis . Sendo assim, o ter mo sustenta bilidade pode ser definido como o a tributo de um princípio que responde às necessidades do a tual sem comprometer a capacidade das gerações futur as de responder às suas necessidades (A GEND A 21, 2002). CONS TR UÇÕE S SUS TENT Á VEIS: UMA TENDÊNCIA MUNDIAL As edificações são aparelhos de amplo v alor par a a esta bilização social, pois o lar representa o abrigo na tur al e seguro da família, sendo esta a célula da estrutur a social de uma nação . Neste sentido , pode se dizer que a muito tempo a demanda habitaciona l no planeta v em crescendo considerav elmente no mundo , isso se dev e pro va v elmente devido ao crescimento acelerado da população mundial principalmente nas ultimas décadas . Segundo P eliano (2004) a moradia condigna configur a um dos mais impor tantes direitos do homem e o acesso a ela constitui uma das mais legítimas aspir ações do cidadão , é uma condição básica para a promoção de sua dignidade, o que faz dela um importante fa tor de estabilidade social e política. Muitos estudiosos abordam este tema num aspecto processual, trazendo o conceito par a as g randes cidades , ampliando a visão além da simples dimensão ambiental. Diante disto , pode-se afir mar que a constituição da sustentabilidade nas cidades demanda o enfrentamento de diferentes questionamentos e desafios , como a centralização de renda e a espantosa disparidade econômica e social principalmente em países subdesenv olvidos . AL GUNS MA TERIAIS SUS TENT Á VEIS UTILIZADOS NA CONS- TR UÇÃ O CIVIL (TER RA CR U A, BAMBU, ADO BE) Ma teriais podem ser definidos como substâncias onde os a tributos podem ser utilizados direta ou indiretamente para diferentes finalidades . Metais , cerâmicas , polímeros , semicondutores , vidros , fibr as , madeira, areia, pedr a e vários outros componentes e compostos podem ser citados . Sua fabricação e processamento visando a construção de produtos acabados a bsor v em alta porcentagem dos empregos e g rande parcela do produto inter no br uto de um país (CAIADO , 2014). A união fundamental dos ma teriais com o desenv olvimento das sociedades se dá por conta da vinculação a eles , em par ticular à sua disponibilidade, assim como seu incremento . Caiado (2014) g arante que a narr a tiva dos ma teriais se confunde com a história humana, uma v e z que o aumento dos g r upos ao long o das eras decretou o aprimor amento dos ma teriais já popularizados , fazendo com que houv esse uma busca por ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 144 ser g radativ amente corrigido suas distorções , para se alcançar o equilíbrio ecológico e sustentáv el. 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Com a crescente necessidade de se reduzirem gastos energéticos com a clima tização dos edifícios , foi concebido o sistema de fachada v entilada, que associa rapide z de e xecução , tr azendo o caráter industrial ao processo construtiv o , com um desempenho superior rela tivamente a fachadas aderidas , satisfazendo ambos os critérios . O sistema de fachada v entilada surgiu no hemisfério nor te . No inv er no , as perdas de calor dev em ser minimizadas e no v erão , a absorção de ca lor pela fachada dev erá ser mínima de modo a que não sejam necessários equipamentos de clima tização . Com a chegada da no va norma de desempenho , criaram-se critérios mais e xigentes para o desempenho tér mico-acústico das edificações . Sendo assim, a fachada v entilada, tor na-se num e xcelente instrumento que auxilia o cumprimento dessas nor mas e que tem g rande impacto no gasto energético associado à clima tização das edificações . O sistema de fachada v entilada foi introduzido recentemente no pais , tendo sido e x ecutadas já algumas obras com o sistema, comprov ando-se o seu desempenho tér mico-acústico . O presente trabalho apresenta os principais resultados de alguns estudos de caso realizados no Brasil onde o sistema de fachada v entilada foi utilizado . P alavr as-Cha v e: F achada. V entilada. Sistema. F achada inteligente ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 148 INTRODUÇÃ O Em razão da sua impor tância técnica e econômica, as tecnolo gias construtivas responsáv eis pela e x ecução das fachadas vêm passando por constantes ev oluções ao longo dos últimos anos , como o surgimento das fachadas “inteligentes”, as quais são formadas por elementos lev es e a tiv os que, muitas v e zes , têm função de ar mazenar e gerar energia par a o edifício (BAIRD , 2001; OLIVEIRA, 2002; FERN ANDES, 2008). Segundo Mazzarotto apud Santos Filho (2015), uma fachada ino vadora dev e per mitir o conforto ambiental inter no , proteção acústica, ao mesmo tempo em que reduz a demanda por energia e xtra. O Sistema de F achadas V entiladas foi desenv olvido nas últimas décadas por labora tórios europeus , a par tir da necessidade de redução dos custos com energia para refriger ação e calefação das edificações (F A CHAD AS respirantes , 2009). Com esse estudo , foram obtidos como resultado: eficiência energética, e conforto tér mico . R elevante sempre a tentar par a o projeto da fachada, pois g rande par te das manifestações pa tológicas em fachadas é decorrente de um processo e e x ecução inadequados . De acordo com o manual técnico da Mirage (2008), os projetos de fachada v entilada dev em ser ar ticulados da seguinte for ma: • Análise do projeto arquitetônico da fachada; • Identificação dos ma teriais relacionado à estrutur a da fachada, depois a escolha do tipo de rev estimento adequado para a edifica- ção , escolhendo o tipo de rev estimento tem-se a definição da es- trutur a suporte (perfil metálico) par a a fixação do rev estimento; • Análise do projeto estrutur al e a estima tiva de custo , e a elabora- ção do desenho g ráfico para a e xecução da fachada. F oram coletados os mais recentes tr a balhos sobre a utilização do sistema de fachada v entilada no Brasil e está sendo acompanhada a e xecução de uma obra na cidade de J oão P essoa, P ar aíba, onde está sendo utilizado pela primeira vez o sistema de fachada ventilada. FUND AMENT AÇÃ O TE ÓRICA SIS TEMA DE F A CHAD A VENTIL AD A O sistema de fachada v entilada é caracterizado pelo fa to de hav er a reno vação de ar entre as camadas f or madas pelo sistema. O sistema é composto basicamente por: uma estrutur a de v edação , podendo ter uma camada de isolamento ou não uma subestrutur a metálica; o rev estimento e xter no; câmar a de ar - espaço vazio f or mado entre o re v estimento e xter no e a estr utura de v edação . Se gundo Campos (2011), a tr a vés desse espaço , promov e-se uma v entilação na tural, tem-se a renov ação do ar , pro v ocada por efeito chaminé.A camada de base, para o início das instalações do sistema de fachada v entilada, ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 149 dev erá estar finalizada, com uma camada imper meabilizante , visando g arantir a estanqueidade e planicidade do sistema. A camada de isolante tér mico ser v e par a conter a transferência de calor para o interior da edificação . P ar a Siqueira Jr . (2003), uma das vanta gens do ma terial isolante é que ele reduz a perda de calor no in v er no e reduz calor no v erão , podendo promov er uma economia com a refriger ação e o aquecimento do ar . Na base são fixados os perfis onde será encaixado o rev estimento e xter no . A estrutur a de fixação é composta por perfis v er ticais e horizontais , e guias que são distribuídos seguindo o projeto de fachada, de acordo com a paginação dos re v estimentos . Os perfis guias são tomados como base de alinhamento para os perfis verticais , par a g ar antira retilineidade e a planicidade do sistema. Os perfis horizontais são distribuídos para g arantir a fixação junto ao rev estimento e xter no . A instalação do rev estimento e xter no é a par te final da e xecução do sistema de fachada v entilada. Segundo Direito (2011), os rev estimentos são fixados à estrutur a com o apoio de peças metálicas . Nor malmente, quando as fixações são pontuais , os rev estimentos são ligados por parafusos ou encaixes , uma peça fixada no rev estimento e outra na fachada, fazendo assim a junção das mesmas . A maior dur a bilidade do sistema se dá pelo fa to de que o rev estimento e xter no trabalha como uma barreir a para proteger o isolamento tér mico contra as ações das intempéries , como também protege a estrutur a interior . Um item importante a ser consider ado no sistema de fachada v entilada são as juntas entre os rev estimentos . As a ber turas entre os rev estimentos são impor tantes para o desempenho tér micos das edificações pois proporcionam um escape e entrada de ar no sistema, facilitando assim a reno vação de ar junto a câmara de ar . Estudos recentes (Maciel, 2013), mostram que sistemas de fachada ventilada utilizando A CM são as mais eficientes nos quesitos energéticos . O sistema é ilustr ado na figura 1. Figura 1 – Componentes do sistema de fachada ventilada F onte: https://engenhariacivil.files .wordpress .com/2008/01/fachada2.jpg. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 150 V ANT AGENS E DE SV ANT AGENS DO SIS TEMA A fachada v entilada é um sistema que apresenta v antagens quando comparada com o método tr adicional de fachada com rev estimentos aderidos , tais como: • Economia de energia, pois o isolamento tér mico permite a diminuição do calor de dispersão; • Melhoria no conforto tér mico e acústico; custo com manutenção reduzido; prob lema com infiltr ação diminui, pois o re v estimento e xter no não fica diretamente conectado com a estrutur a de v edação do edifício; menor risco com destacamento dos rev estimentos; • Produtividade alta, comparado com o sistema conv encional, podendo proporcionar redução no prazo da obr a. Além disso , a chuva não impede a continuidade dos trabalhos , pois a instalação do sistema não depende da secagem de nenhum ma terial (CA USS, 2014). • F acilidade de manutenção: Na ocor rência da quebra do rev estimento , a troca pode ser realizada de maneira rápida e limpa. O sistema de fachada v entilada apresenta algumas desvanta gens , tais como a não e xistência de normas br asileiras especificas e o alto custo inerente ao sistema (F A CHAD AS respirantes , 2009). MANIFE S T AÇ ÕE S P A T OL ÓGICAS OBSER V AD AS NO SIS TEMA DE F ACHAD A VENTIL AD A O surgimento das pa tologias pode ter div ersas origens , tais como ine xistência de especificação em projeto , não trazendo infor mações necessárias para o controle e e xecução , uso de ma terial inadequado , materiais com pouc a durabilidade e a qualidade comprometida, etc . Existem ainda interferências decorrentes do meio ambiente, ações climáticas . P odemos identificar como causas de manifestações pa tológicas encontradas no SFV as seguintes: 1. Quebra ou trinca do rev estimento e xter no; 2. V andalismo; 3. Oxidação das peças de fixação; 4. V ariação de cor do rev estimento; 5. Infiltração na câmar a de ar; ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 151 Note-se que apenas os itens infiltração na câmar a de ar e o xidação das peças de fixação são inerentes ao processo construtiv o . DE SEMP ENHO DOS SIS TEMAS DE F A CHAD A VENTIL AD A Campos (2011) mostrou que os custos de fachada v entilada por m² variam de R$ 259,00 a R$ 762,00, correspondentes a fachada v entilada com acabamento em A CM e vidro – Glazing . Os custos associados a fachada v entilada com rev estimento e xter no em porcelana to foram estimados em R$ 530,00. A produtividade dos sistemas obser vada f oi de 350 m²/mês . De acordo com os dados coletados em uma construtor a em J oão P essoa, o custo da fachada v entilada por metro quadr ado f oi quase três v e zes superior ao custo de e x ecução de fachada pelo método conv encional, porém o tempo de e x ecução da fachada foi reduzido de 18 meses para apenas 8. F oi utilizado um sistema de fachada v entilada com rev estimento de porcelanato . O custo por m² for necido pela construtor a f oi de R$ 255,00 por m² de fachada. A produtividade medida foi de apro ximadamente 500 m² por mês . Em ter mos de desempenho térmico , Marcondes (2004) mostrou a viabilidade de utilização de sistemas de fachada v entilada em edifícios altos na cidade de São P aulo . O autor mostrou que o tempo de ocupação da edificação sem a utilização de um sistema de refrigeração poderia ser aumentado em 40%, rela tivamente ao sistema de fachada con v encional. A fachada v entilada aumentou o período de v entilação na tural em a té 15% do que o melhor sistema conv encional. Mazzarotto (2011) mostrou que o desempenho tér mico dos sistemas v entiladas é superior aos sistemas simples , promov endo um menor g asto de energia recorrendo a sistemas ativ os de climatização e tor nando os ambientes mais ag radáv eis durante um maior tempo de ocupação . Causs (2014) afir ma que o uso de fachada v entilada contrib ui para a obtenção de a té 18 pontos par a a certificação Leader ship in Energ y and En vironmental Design ( LEED) . O mesmo ainda expõe que a dur a bilidade associada ao sistema v entilado é superior à do sistema con v encional, pois não é necessária a aplicação de rejunte , reduzindo a absorção de água pela fachada e, consequentemente , as manifestações pa tológicas associadas à presença de água. CONSIDERA ÇÕE S FINAIS O sistema de fachada v entilada ainda é um sistema recente no Brasil, não hav endo ainda muitos estudos sobre o desempenho destes , o que implica em uma limitação no estudo destes sistemas . Nos trabalhos apresentados , obser va-se que o desempenho térmico superior dos sistemas v entilados rela tivamente aos sistemas con vencionais é uma realidade e que se traduz em um menor gasto com a refrigeração e calefação das edificações de modo a proporcionar um ambiente ag radáv el. Os sistemas v entilados surgem então como uma alter nativ a viáv el par a os cumprimentos de nor mas de desempenho vigentes , embor a não exista ainda uma nor ma técnica que regulamente a sua e xecução , o que se traduz em uma falta de padronização do sistema. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 152 REFERÊNCIAS BAIRD , G . The architectur al expression of en vironmental contr ol system .3.ed. R outledge : Ta ylor & Francis Books , 2001. 304p . BL OG: Disponív el em:< https://engenhariacivil.files .wordpress . com/2008/01/fachada2.jpg>. Acesso em: 22 set.2016. CAMPOS, Karina F . Desen v olvimento de sistema de fixação de fachada v entilada com porcelanato de fina espessur a . 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ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 153 O BAMB U NO ANTEPR OJE T O DE UM P A VILHÃ O DE EXPOSIÇ ÕE S F r ancisca Amanda Vieir a Queir oga 1 , Antônio da Silva Sobrinho Júnior 2 . 1 Gr aduanda do Cur so de Arquitetur a e Urbanismo. E-mail: amanda-queir [email protected] 2 Engenheir o Civil e Doutor em Engenharia Mecânica. Pr ofessor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. Pr ofessor do Departamento de Arquitetur a e Urbanismo da UFPB. E-mail: [email protected] CAPÍTUL O 11 RE SUMO A construção civil é a a tividade humana que mais ger a resíduos sólidos , causando um g r ande impacto ambiental. P ar a amenizar esse problema, uma das recomendações é o uso de ma teriais que não ag ridam a na ture za. O bambu tem sido uma alter na tiva por ser um ma terial na tural, renováv el, biode g radável e de rápido crescimento , com potencial de aplicação em diferentes etapas do projeto , além de conseguir substituir materiais comumente usados . Este tr a balho tem como objetiv o desenv olv er um estudo sobre a aplicabilidade do bambu em um anteprojeto de um P avilhão de Exposições e estudar algumas técnicas de utilização . O ante projeto proposto f oi projetado usando o bambu como principal ma terial constr utiv o e em conjunto com concreto e eucalipto , demonstr ando , as lig ações entre as peças , formas de uso e plasticidade. P alavr as-Cha v e: Bambu. Arquitetura. Constr ução civil. Sustentabilidade . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 256 planalto .go v .br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm>. Acesso em: 26 out. 2016. ______. Lei nº 13.308, de 6 de julho de 2016. Altera a Lei nº 11.445, de 5 de janeir o de 2007, que estabelece dir etrizes nacionais par a o saneamento básico , determinando a man utenção pre v enti v a das redes de drenagem pluvial. Disponív el em:<http://www .planalto .go v .br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2016/Lei/L13308.htm>. Acesso em: 6 no v . 2016. 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E-mail: [email protected] om CAPÍTUL O 19 RE SUMO No sertão par aibano no município de Itaporanga, onde sua economia girar em tor no de fábricas , ger ando empregos e mo vimentando a economia do V ale do Piancó, local onde está situada a olaria em estudo . Neste tr a balho apresenta a análise do processamento e propriedade dos produtos cerâmicos da olaria MM. F oram coletados corpos de prov a dos produtos de cerâmica v er melha, os quais foram v erificados conforme a nor ma técnica da ABNT 15270:2005. Onde passaram pelos ensaios de car acterizações visuais , geométricos , físico , mecânico . O processo produtiv o de fabricação (extr ação , sazonamento , confor mação , cor te , seca gem e queima) da olaria foi analisado “in loco” com alguns instr umentos de coleta de dados como formulário , entrevistas e observação , desdá e xtr ação da ma téria-prima a té o produto final. Com os resultados das análises , foi consta tado que algumas das caracterizações técnicas apresentam valores fora das tolerâncias da nor ma e a necessidade do melhoramento de algumas etapas do processo produtiv o , com isso os produtos de cerâmica v er melha estão com baixa qualidade técnica. Desse modo , os resultados mostram a necessidade do melhor amento do processo produtiv o da olaria em estudo par a alcançar produtos cerâmicos conforme as especificações deter minadas pela nor ma técnica, assim se mantendo em um mercado que a cada dia aumenta a concorrência. P alavr as-Cha v e: Indústria cerâmica. Bloco cerâmico . Processo produtiv o . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 259 INTRODUÇÃ O O setor de cerâmica é uma das indústrias mais antig as do mundo e do país , tendo uma a tuação no PIB (Produto Inter no Br uto) de há apro ximadamente 1%, (ABC, 2009). O crescimento do setor de cerâmica v er melha v er a necessidade de inv estimento e melhoria na qualidade e produtividade dos produtos cerâmicos (MOTT A; ZAN ARDO; CABRAL JUNIOR, 2001). Viv emos em um mundo que está em constantes ev oluções tecnológicas , o que deixa o mercado cada v e z mais competitiv o , com nor mas mais e xigentes e deste modo melhorando os produtos , proporcionando uma melhor sa tisfação do consumidor . Com o crescimento do setor de cerâmica v er melha, os ma teriais não poderiam ficar de fora dessas ev oluções , tendo a necessidade de aumentar o número de análises durante o processo produtiv o , ensaios dos produtos acabados em la bora tórios par a o conhecimento das propriedades química, física e mecânica destes produtos . P ar a acompanhar as e v oluções constantes no mercado de produtos cerâmicos , pesquisas v eem sendo desenv olvidas e vão desde da ma téria-prima a té o produto final, visando o melhoramento do processo produtiv o além de conse guir se adaptar a essas e v oluções (MAIA, 2012). Na cidade de Itaporanga localizada no interior da P ar aíba onde sua economia gira em tor no de fábricas , a qual ger a empregos . Local que está situada a olaria, a mesma tem cerca de 30 funcionários do município onde é situada e de municípios vizinhos . No entanto a fabricação dos produtos é de forma empírica, no qual possa ser um dos maiores problemas para o processo de fabricação , levando a uma perda de produção . A utilização de duas ou mais massas argilosas com características diferentes são utilizadas nessa olaria de cerâmica v er melha. O produto campeão de v endas é o tijolo v er melho , mas recentemente começou a fabricação de lajotas . As argilas utilizadas nos produtos (tijolos e lajotas) ainda não foram estudadas , mostr ando a necessidade deste estudo , com intuito de conhecer as propriedades tecnológicas e indicar o melhor processo produtiv o e consequentemente os melhores produtos a serem fabricados . O processo cerâmico lida com uma produção cada v e z mais criteriosa, diante desse cenário , é preciso conhecer com muita precisão todas as etapas que contemplam tal processo , o que almeja detalhar o presente estudo . T endo como objetiv o , a av aliação do processo de produção de produto de cerâmica v er melha, fa bricado no município de Itaporanga – PB. Analisando as características físicas , visuais , geométricas e mecânica após a fabricação da cerâmica v er melha, conforme a nor ma técnica da ABNT (Associação Brasileir a de Normas Técnicas), assim identificando as principais causas de perdas no processo de produção , e assim diminui-los , aumentando a qualidade e a redução dos custos dos produtos cerâmicos . MET ODOL OGIA A característica da pesquisa se tr a ta de um estudo de caso , uma a valiação do processo produtiv o de uma olaria, a qual está situada no município de Itaporanga – PB . O univ erso da pesquisa é o process o produtiv o e a amostr a é os ma térias cerâmicos . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 260 O principal objetiv o da análise foi documentar todo o processo produtiv o da olaria (sazonamento , conf or mação , cor te, seca gem e queima) em estudo . P ara essa análise do processo foi utilizado os instrumentos de coleta de dados o qual é separ ado por documentação indireta (bib liog ráfica e documentação) e documentação direta (obser v ação , entrevista, formulário e teste) (LAKA TOS, 2013). O processo de coleta de dados ocorreu por meio de visitas a cerâmica e com o apoio dos proprietários e dos funcionários onde os mesmo ajudaram nas ev oluções dos estudos . A análise do processo industrial da olaria ocorreu atra vés de um formulário , onde o mesmo apresenta informações significa tivas como: fa bricação mensal, uso das nor mas técnicas , pre paração da ma térias-primas , elaboração da massa argilosa, conformação dos produtos , método de secagem e método de queima. T ev e também entrevistas e a observação do processo “in loco”. Os testes de qualidades ocorreu de acordo com a nor ma da ABNT NBR 15270 (2005) onde foi realizado as caracterizações dos produtos cerâmicos que são visuais , geométricas , físicas e mecânica. P or motiv os de ética par a preser v ação da olaria foi adotado um código para identificar a mesma que foi o MM. A análise de dados ocorreu de acordo com os resultados dos processos quantita tiv os dos ensaios e dos qualita tiv os que foi a análise do processo produtiv o , na qual foi proposto algumas sugestões no processo produtiv o , assim melhorando o produto final. FUND AMENT AÇÃ O TE ÓRICA O setor de artefatos cerâmicos é o mais difundido no Brasil. Está presente na maioria das cidades brasileir as , em olarias e pequenas fábricas . Geralmente são empresas familiares , que produzem tijolos e blocos de barro , telhas de bar ro e manilhas de barro (CRIVELAR O , 2014, p.98). A indústria de cerâmicas v er melhas , tem um g rande desafio que é produzir uma g rande quantidade de produtos pr a ticamente idênticas , isto é com as mesmas características técnicas e estéticas , de modo que as características da ma téria-prima são variáv eis . Dependendo dessas variações podem afetar a qualidade do produto final (MEL CHIADES, 2002). Argilas são ma teriais terrosos na tur ais que apresenta alta plasticidade quando é misturados com quantidade deter minada de água. F or mados basicamente por partículas cristalinas bem pequenas , constituído de poucas substâncias . Estas por sua v e z são conhecidas como argilominerais , onde as argilas podem apresentar um ou mais argilominerais (BA UER, 2015). Com a facilidade de encontrar a argila, que está quase em toda a superfície terrestre, dev e-se lembr ar que as propriedades delas v ariam de forma e de acordo com o lug ar que são encontradas (CHRISPIM et al., 2010). Em geral as argilas encontr adas não são totalmente puras , têm mais de um tipo de mineral argiloso , mas se considera o miner al que mais se predomina. T emos vários tipos de argilas como: Caulim, bentonita, argila de g rês , argila vermelha, argila refr a tária, argila bola e outr as . A utilizada na ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 261 fabricação de tijolos é a argila vermelha que após seu cozimento apresenta tonalidade a v er melhada, pela presença de óxido de ferro na sua composição . A Caulinita é considerado o argilominer al mais puro , par a ser utilizado na fabricação de cerâmica sanitária, refr a tários e porcelana (PETR UCCI, 1998). Figura 1 - Processo de fabricação de cerâmica v er melha F onte: O autores . Ao localizar a jazida de argila, dev e-se fazer uma análise especifica das características do ma terial e do v olume total do material da mesma (PETR UCCI, 1998). Com a pesquisa concluída, conse gue definir misturas com outras argilas ou materiais e , por fim, escolher quais os equipamentos e processos que iram ser utilizados par a o produto solicitado . (L O YOLA, 1998). O sazonamento pode ocorrer de três maneir as pilhas separ adas , em camadas ou montes já misturados , a v ariação de tempo desse processo depende da olaria, podendo dur ar meses ou a té anos . As vanta gens são diminuição das tensões causadas pelas quebra das ligações químicas , eliminação de ma téria orgânica, melhor trabalha bilidade da plasticidade das argilas entre outros (MAIA, 2012). A prepar ação da mistura em via mecânica são divididas ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 262 em algumas etapas , as quais são: Britagem ou moa gem – diminuir a g ranulometria, Dosagem e alimentação – dosagem por peso , atra vés de um caix ote alimentador , Controle de umidade – v erificado após as etapas de britagem e moa gem, Desinte g ração – redução dos tor rões , Misturador – deixa a massa mais homogenia e se necessário pode ser acrescentado água e Laminação – desinteg r ação dos torrões ainda e xistentes na argila (MAIA, 2012; MÁS, 2002; MOTT A et al., 2001; PETR UCCI, 1998). É na etapa da conformação é formado por quatro métodos , aonde o processo de fa to da forma a peça. A maromba ou e xtrusor a é nome do equipamento responsáv el pela processo de e xtrusão , o qual dar o f or ma to desejado ao produto . No interior da mesma possui um eixo helicoidal (hélice) que gira, comprime e puxa a massa argilosa par a dentro da ca vidade. A e xtrusão ocor re no momento que a massa passa por alta pressão pela boquilha (peça de aço que tem o formato do perfil do b loco cerâmico que está localizada na saída e xtrusor a para fazer a moldagem da massa (MAIA, 2012; GALASSI, 2013). O corte acontece de for ma mecanizada, onde é instalada no final da e xtrusor a, que se realiza de acordo com o deslocamento das peças (GALASSI, 2013). O responsáv el pela dimensão do comprimento da peça é o corte, que segue um modelo de cor te padronizado do qual está sendo processado . Existem dois tipos de cor tadores o automático e o manual (MAIA, 2012). Geralmente a secagem dos b locos cerâmico acontece de forma lenta e em lug ares fechados , assim evitando o surgimento de fissuras na parte e xter na. Dev e acontecer de f or ma uniforme par a e vitar defeitos nas peças . Mas o que define essa secagem é a olaria, são conhecidos cinco processos de secagem de produtos cerâmicos: Seca gem natural, secadores de for nos , secagem artificial, secador de câmara e secador túnel (GALASSI, 2013; MAIA, 2012). A secagem na tur al é também conhecida como seca gem ao ar livre. É o processo mais utilizado nas olarias pelo baix o custo , mas é demor ado e precisa de g randes espaços (BA UER, 2015). No entanto os secadores não dev em ter obstáculos , para facilitar a circulação do ar . Os secadores são g alpões g r andes e cobertos par a que haja proteção da chuv a e raios de sol. Onde sua construção é levado em consideração a direção dominante do v ento (MAIA, 2012). A queima é considerada uma das etapas mais impor tante da fabricação dos ma teriais cerâmicos (BA UER, 2015). A qual é consider ada a que tem o custo mais elev ado do processo produtiv o , pois o custo para manter a fonte térmica é muito alto , o qual é um procedimento essencialmente energético . Os principais combustív eis para ger ar essa tempera tura é o gás , óleo ou lenha, no entanto a lenha é o mais acessív el ás cerâmicas brasileir as (VIEIRA, 2003). No mercado e xistem inúmeros tipos de f or nos , os mais utilizados são: for no de Hoffmann, for no túnel, f or no cedan, for nos de chama direta tipo caieira ou caipira e os for nos tipos chama inv ertida ou chama rev ersível (MAIA, 2012). O for no cedan também conhecido como f or no câmara, tem algumas semelhanças do for no Hoffman como: sistema de queima, com zonas de fo go móv el e carg a fixa além do aprov eitamento de calor entre as câmaras , em relação a for ma de con v ecção de calor é diferente. (GALDINO; T ADEU; GILKSAN A, 2014). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 263 RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O A V ALIAÇÃ O DO PR OCE SSO P RODUTIV O A olaria MM utilizada dois tipos de argilas a “forte” e a “fr aca” os quais são localizada no município de P edr a Branca – PB. A jazida da argila “forte” são bar ro bruto , e a argila “fraca” é a lama de açude. Onde seu consumo mensal de argila foi estimado em 1000 a 2000 toneladas de argilas . A mesma não aplica nenhum ensaio de características físicas e miner alógica nas ma térias-primas empregadas no processo . O sazonamento acontece em forma de pilhas se paradas , as argilas “forte” e “fraca” descansam se paradamente. O período de sazonamento era em média de 6 meses mas com o aumento da demanda e da falta de espaço hoje passou a ser de 2 dias . Como o processo utiliza apenas argilas como ma téria-prima, são utilizados dois tipos de argila com propriedades distintas . F az a mistura da argila “forte” no qual tem car acterística a alta plasticidade e da argila “fraca” onde tem pouca plasticidade, as mesmas são misturadas diariamente com a adição de água, essa mistura é de for ma mecânica onde é utilizado uma retroesca vadeira. No qual é chamado de argila “curtida”, seu tr aço é de 1:1 e a quantidade de água é pela e xperiência do funcionário , a qual passa por um período de 2 dias de descanso . P ar a a preparação da massa a mesma passa por alguns processos que são: caixão alimentador , desinteg r ador , laminador 01, laminador 02 e misturador . Após os 2 dias que a massa passa “cur tindo” a mesma é colocado no caixão alimentador mecânico , equipamento que tem “facões” para cor tar a argila para diminuir os tor rões , no final desse equipamento tem um registro para controlar a saída da argila. Em seguida acontece a desinte g ração de forma manual, onde um funcionário faz a retir ada de pedras , r aízes , metais e outras coisas que possam vir a a tr apalhar o processo , essa fase é par a deixar a argila mais limpa. A esteira rolante conduz a argila par a os laminadores , onde o laminador 01 tem uma abertura de 3 cm por onde passa a argila, esse mecanismo é para eliminar tor rões que ainda e xistem que não f oram desfeitos em fases anteriores . No mesmo instante passa para o laminador 02 o qual é mais fechado e sua abertura é de 1,5 cm, deixando as partículas mais aglomeradas para facilitar as próximas fases e ocasionando a diminuição de manutenções com quebras de equipamentos . É utilizado um misturador horizontal, o qual deixa a massa mais homogêneo , onde pode ter a adição de água, que é variáv el. Quando o solo está muito seco a quantidade aumenta e quando está muito fluido a quantidade diminui. Após essa fase a argila está pronta para a e xtr usão equipamento conhecido como maromba. O processo de conformação dos blocos cerâmico ocorre na e xtrusor a, de f or ma automática. A mesma possui uma câmara de vácuo que é o “coração” da maromba, que tem como principal função a retirada da umidade necessária e o ar presente na argila a través de uma bomba, para que a mesma tenha compacidade, assim gerando a ar mação do tijolo , fazendo com quer a peça saia ao passar na boquilha tenha forma adequada. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 264 A boquilha da olaria MM é um perfil de porcelana. Após esse processo a massa é encaminhada por rolos de plásticos rígidos , par a o corte, no qual a olaria MM utiliza o corte automático v er tical. Os b locos cerâmicos são lev ado para secagem a través de um reboque , onde tem capacidade para 300 tijolos . Os blocos cerâmicos são encaminhado para o g alpão onde acontecer a secagem. Onde é utilizado a seca gem na tur al em g alpões . Seu tempo de secagem é de apro ximadamente 3 dias . O for no utilizado na olaria MM é o for no cedan, o qual são formados por 14 câmar as e cada uma tem uma capacidade para 14 milheiros , onde sua queima é continua. Um entrevistado falou sobre o fechamento das por tas que é realizado com tijolo e argila e acontece da seguinte f or ma, pra começar a queima a câmara da frente dev e está fechada e queimada e para abrir de v e ter duas câmaras na frente queimada e fechada. O combustív el utilizado é apenas a lenha. A temper a tur a da queima é apro ximadamente 820 °C, essa tempera tura é acompanhada a través de um quadro de tempera tura e de uma ficha de temper a tur a no qual faz anotações na mesma de 30 em 30 minutos . E seu tempo médio de queima é cerca de 12h. Após esse tempo a câmara é aberta e os tijolos cerâmicos estão prontos . As perdas tem uma variação de 2% a 5% de perdas , tijolos quebrados e com defeitos que não dar pr a ser aplicado na sua função especifica. Em relação aos ensaios de propriedades física e mecânicas não são realizados no produto final. CARA CTERIZA ÇÃ O DOS PRODUT OS CERÂMICOS A T a bela 01 apresenta as caracterizações visuais obtidos par a os produtos cerâmicos da olaria MM, o qual f oi realizado com 13 corpo- de-pro va (C .P .), as amostr as f oram recebidas dia 14/10/2016 e no mesmo dia foi realizado o ensaio . Na Ta bela 01 contém a tolerância da altura das caracteres confor me a norma da NBR 15270 ( ABNT ,2005). T a bela 1 – Caracterização visuais F onte: Os autores Os valores das alturas das caracteres do C.P . (13) está fora da tolerância da Nor ma 15270 (2005). P odemos obser v ar que pela T abela 02 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 265 que os b locos tiv er am a aceitação , pois 12 C.Ps . estão conforme a tolerância da nor ma. T a bela 2 – Aceitação e rejeição para car acterização visuais F onte: ABNT , 2005. Os resultados das caracterizações geométricas estão nas T abela 04, T abela 5, T a bela 06, T abela 7 e T abela 8 os quais f oram obtidos atra vés dos produtos cerâmicos da olaria em estudo . F or am utilizados 13 C .Ps ., os quais foram recebidos e analisados dia 14/10/2016. Os resultados serão analisados pela T abela 3. T a bela 3 - Aceitação e rejeição na inspeção por ensaios para car acterização geométricas F onte: ABNT , 2005. A T abela 4 apresenta os valores das dimensões efetiv as dos produtos cerâmicos da olaria MM. As dimensões das larguras individuais , todos os C .Ps . estão dentro de nor ma e a dimensões médias apenas o C.P . (1) está fora de nor ma, mas pela T abela 3 a largura tev e a aceitação conf or ma a Nor ma 15270 (ABNT , 2005). Em relação as dimensões das alturas individuais , todos os C.Ps . estão dentro de nor ma e a dimensões médias apenas o C .P . (13) está acima da tolerância da nor ma, no entanto a altura tem a aceitação pela T abela 3. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 272 MAIA, F er nanda dos Santos . A v aliação de massas cerâmicas, pr ocessamento e pr opriedades dos pr odutos de cerâmica v ermelha do pólo cerâmico de campos dos go ytacazes. 2012. 115 f. Dissertação (Mestrado) - Cur so de Engenharia e Ciência dos Ma teriais , Centro de T ecnologia da Univ er sidade Estadual do Nor te Fluminense Darcy Ribeiro , Rio de J aneiro , 2012. Disponív el em: <http://uenf.br/posg raduacao/ engenharia-de-ma teriais/wp-content/uploads/sites/2/2013/07/ Diser tação-F er nanda-dos-Santos-Maia.pdf>. Acesso em: 5 mar . 2016. MAR CONI, Marina de Andr ade; LAKA TOS, Ev a Maria. Metodologia do tra balho científica. 7. ed. São P aulo: Atlas , 2013. 225 p . MOTT A, J osé Francisco Marciano; ZAN ARDO , Antenor; JUNIOR, Marsis Cabral. As Ma térias-Primas Cerâmicas . P ar te I: O P erfil das Principais Indústrias Cerâmicas e Seus Produtos . Cerâmica industrial, 2001, p .28-38. PETR UCCI, Eladio G . R.. Materiais de construção . 11. ed. São P aulo: Globo , 1998. 435 p . PINHEIR O , Antônio Carlos da F onseca Br ag ança; CRIVELAR O , Marcos . Materiais de Construção . São P aulo: Érica, 2014. 144 p . TEIXEIRA, R enata A.; MEL CHIADES, Fábio G .; BOSCHI, Anselmo O . A v ariação das características das ar gilas e o processo cerâmico . 2002, p .29-32. VIEIRA, C .M.F .; SO ARES, T .M.; MONTEIR O , S.N .. Massas cerâmicas para telhas: car acterísticas e comportamento de queima. Cerâmica. São P aulo , v .49, out./de z. 2013. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 273 ANÁLISE DE DE SAS TRE S EM E S TR UTURAS ME T ÁLICAS E DE CONCRET O ARMADO: UMA REVISÃ O D A LITERA TURA Matheus V arela Cavalcanti 1 , Érika Suy ani Maria de Fr eitas Alv es 2 , Antônio da Silva Sobrinho Júnior 3 , Ulisses T ar gino Bezerr a 4 . 1 Gr aduando em Engenharia Civil. E-mail: matheusvar [email protected] 2 Gr aduanda em Engenharia Civil. E-mail: erika_suy [email protected] om 3 Engenheir o Civil e Doutor em Engenharia Mecânica. Pr ofessor do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. Pr ofessor do Departamento de Arquitetur a e Urbanismo da UFPB. E-mail: [email protected] 4 Engenheir o Civil (UFPB). Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais (UFRN). E-mail: [email protected] om.br CAPÍTUL O 20 RE SUMO O a to de construir nos per mite o desenv olvimento de obr as impor tantes que afetam diretamente e indiretamente a economia de uma região . É função do engenheiro civil projetar , gerenciar e e x ecutar obras como casas , prédios , pontes , viadutos , estr adas e barr a gens , ou seja, vários tipos de estr utura. Estr uturas são definidas como sendo elementos que tem a finalidade de supor tar algum tipo de carre g amento e g arantir o equilíbrio da constr ução . T oda via, nem sempre a estabilidade e a segurança da edificação são garantidos , ocasionando pa tolo gias . Com a saúde comprometida, podem-se ocor rer desastres . Os desastres são acontecimentos súbitos , imprevistos ou e xtraordinários , que prov ocam prejuízos sev eros na vida das pessoas , afetando , de alguma for ma, suas funções na sociedade . Na construção civil, quando se fala em desastres , ger almente , são acontecimentos relacionados a g randes fatalidades , acar retando na perda de vidas e prejuízos de empresas que esta vam ou não diretamente lig adas àquele empreendimento . P or tanto , este trabalho tem como objetiv o estudar os motiv os pelos quais ocor rem desastres em estrutur as metálicas e de concreto ar mado e como poderiam ter sido e vitados ou solucionados ao se ter conhecimento dos motiv os causadores a través de estudos de caso . F or am analisados dois casos de desastres , por motiv os distintos , um no Br asil e um na P olônia. No primeiro , um erro de projeto e de manutenção ocasionou o desabamento da coberta da estrutur a. Já no segundo caso , uma das vig as da v ar anda te v e a ar madura completamente cor roída por uma falha de manutenção e possiv elmente de e xecução . P alavr as-Cha v e: Engenheiro Civil, Estrutur a, Desastres . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 274 INTRODUÇÃ O O a to de construir nos per mite o desenv olvimento de obr as impor tantes que afetam diretamente e indiretamente a economia de uma região , a través da criação de moradias , praças , academias , bancos , super mercados , entre outros . Entretanto construir é mais do que empilhar tijolos , constr ução é executar um projeto previamente ela borado e acima de tudo criar espaços com alguma finalidade e o profissional responsáv el pela e x ecução e fiscalização desse projeto é o engenheiro civil. É função do engenheiro civil projetar , gerenciar e e x ecutar obras como casas , prédios , pontes , viadutos , estradas e bar ragens . Ele acompanha todas as etapas de uma construção ou refor ma, da análise do solo e da v entilação do local a té a definição dos tipos de fundação e os acabamentos . Especifica as redes de instalações elétricas , hidráulicas e de saneamento do edifício e define o ma terial a ser usado . Chefia as equipes de tr abalho , super visiona prazos , custos , padrões de qualidade e de segur ança. Ca be a ele g arantir a estabilidade e a segur ança da edificação , calculando todos os possív eis efeitos causados na mesma. T oda via, nem sempre a estabilidade e a segurança da edificação são g arantidos , ocasionando pa tologias . F alta de conhecimento , er ros de cálculo ou de projeto , má fiscalização da e xecução , pressa, são alguns dos er ros que engenheiros acabam cometendo e c omprometendo a saúde da obr a. Com a saúde comprometida, podem-se ocorrer desastres . Esses desastres podem causar danos ao pa trimônio pessoal ou a té mesmo à vida de cidadãos inocentes . É impor tante , então , descobrir onde e de quem f oi o erro , para que pessoas indevidas não sejam punidas . Não são só os g randes acidentes que tr azem lições a serem bem aprendidas pelos profissionais . As pequenas imperfeições , os pequenos equív ocos , as pequenas desatenções , sejam elas nos projetos , nas técnicas de construção , nos ma teriais empregados , no controle da e xecução , no seu uso durante sua vida útil, podem estar na origem de g r a v es anomalias , e g randes prejuízos (CUNHA et al, 1996). P or tanto , é interessante estudar os motiv os pelos quais ocor rem desastres em estrutur as metálicas e de concreto ar mado e como poderiam ter sido evitados ou solucionados ao se ter conhecimento dos motiv os causadores a través de estudos de caso . MET ODOL OGIA A metodologia utilizada para a elaboração deste trabalho f oi constituída por uma revisão bib liográfica atra vés da leitur a de trabalhos acadêmicos , ar tig os técnicos , monog rafias e livros , tendo como principal ênfase fazer um estudo dos desastres ocorridos nas estr uturas de aço e concreto ar mado no mundo . A partir desses dados , utilizando-se de g ráficos e tabelas , será feita uma relação entre as causas e a ocorrência delas em desastres . Além disso , serão realizados alguns estudos de caso , um nacional e um inter nacional, em que serão analisadas outr as possív eis causas dos desastres e sugeridas possív eis soluções para que este tivesse sido solucionado , e consequentemente, evitado . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 275 REFERENCIAL TE ÓRICO E S TRUTURA De acordo com Hibbeler (2013), estrutura é um sistema composto por elementos conectados que têm o objetiv o de supor tar uma deter minada carg a. Além disso , Car valho (2015) afirma que estr utura é o elemento da construção responsável por resistir aos diferentes tipos de ações com intuito de assegur ar a esta bilidade das edificações . P or tanto , estr uturas são definidas como sendo elementos que tem a finalidade de supor tar algum tipo de carre g amento e g arantir o equilíbrio da constr ução . T oda estrutur a é composta por elementos estrutur ais , como tirantes , vig as , colunas , lajes e etc. O conjunto destes é conhecido como sistema estrutur al. O estudo da interação entre os elementos estr uturais e os esforços inter nos é conhecido como análise estrutur al. P ara projetar uma estrutur a o engenheiro dev e realizar uma análise estr utural que relacione as forças inter nas e os deslocamentos nos elementos estrutur ais devido às carg as atuantes . P or tanto , é de suma impor tância o engenheiro tomar conhecimento de todos os esforços a tuantes par a que os elementos estrutur ais sejam dimensionados de forma se gura e econômica. Os ma teriais construtiv os mais conhecidos são madeira, aço e concreto ar mado . A seguir , serão estudadas as estr uturas compostas pelos dois mais utilizados , são elas as estr uturas de concreto ar mado e as estrutur as metálicas . CONCRET O ARMADO O concreto ar mado é um ma terial nov o , tanto que os sistemas construtiv os mais usuais a té o final do século XIX eram estr uturas de madeira e alvenaria de pedras . (CAR V ALHO , 2008). De acordo com Botelho (2013), os romanos , para conse guir v encer g randes vãos com o uso da pedr a, que embora fosse duráv el e resistia bem a esforços de compressão não conseguia v encer g randes vãos devido a tração na par te inferior a qual não era resistente (ver fig . 1), desenv olv eram uma estrata gema, o uso de arcos , per mitindo assim que cada peça de pedra pudesse trabalhar apenas sob compressão (v er fig . 2). Figura 1- A carga na parte superior da pedra ger a esforço de tração na parte inferior . F onte: BOTELHO , 2013 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 276 Figura 2- Múltiplos arcos er am utilizados , de forma que todos os elementos trabalhassem sob com- pressão e assim pudessem v encer g r andes vãos . Fonte: BOTELHO, 2013 O ma terial composto de água, cimento e a g re g ados é denominado concreto . O problema é que o concreto tem a mesma deficiência da pedra, citada acima, não consegue resistir à tr ação . O uso de múltiplos arcos era a única solução par a v encer g randes vãos mas o processo er a difícil, devido a tecnolo gia da época. Então surge a idéia: por que não usar uma mistura de um material bom para compressão na parte comprimida e um bom para tr ação na parte tr acionada? Isso permitiria mais simplicidade nas construções . Essa é a idéia do concreto armado e devido a sua facilidade é utilizado a té nos dias de hoje e é regulamentado pela NBR 6118:2014. Segundo Car valho (2015), o concreto armado , como todo e qualquer outro ma terial, apresenta vanta gens quanto ao seu uso estr utural, entre elas: apresenta boa resistência à maioria das solicitações , tem boa trabalhabilidade , as técnicas de execução são razoav elmente dominadas em todo o país , apresenta dur a bilidade e resistência ao fo go superiores em relação à madeira e ao aço , possibilita a utilização da pré-moldagem, proporcionando maior rapide z e facilidade de e xecução , é resistente a choques e vibrações , efeitos térmicos , a tmosféricos e desg astes mecânicos . As principais desvanta gens são: resulta em elementos com maiores dimensões que o aço , o que, com seu peso específico elev ado , acar reta em peso próprio muito g rande, limitando seu uso em deter minadas situações ou elev ando bastante seu custo , as refor mas e adaptações são , muitas ve zes , de difícil e x ecução , é bom condutor de calor e som, e xigindo , em casos específicos , associação com outros ma teriais par a sanar esses prob lemas , são necessários um sistema de fôr mas e a utilização de escoramentos (quanto não se faz uso da pré-moldagem) que geralmente precisam per manecer no local a té que o concreto alcance resistência adequada. MET ÁLICAS A primeira aparição do fer ro se deu em apro ximadamente 6 mil anos a.C ., em civilizações como Egito , Babilônia e Índia. O ma terial era considerado nobre, devido à sua raridade, sendo seu uso limitado a fins militares ou como efeitos de estética nas construções . (BELLEI, 2008). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 277 P orém, de acordo com Chamberlain et al (2013), o fer ro só começou a ser usado em escala industrial em meados do século XIX, devido a R ev olução Industrial na Europa. Um dos marcos das aplicações em edifícios foi a construção do P alácio de Cristal, em 1851, em Londres , com um sistema de fabricação e monta gem muito próximo ao atual nas construções metálicas . Prosseguindo , Coelho (2011), afir ma que: Desde o século XVIII, quando se iniciou a utilização de estrutur as metálicas na construção civil a té os dias a tuais , o aço tem possibilitado aos arquitetos , engenheiros e construtores , soluções arrojadas , eficientes e de alta qualidade. Das primeiras obras - como a P onte Ironbridge na Inglaterra, de 1779 - aos ultramoder nos edifícios que se multiplicaram pelas g randes cidades , a arquitetura em aço sempre estev e associada à idéia de moder nidade, ino vação e vanguarda, traduzida em obras de g r ande expressão arquitetônica e que inv aria v elmente tr aziam o aço aparente. No que diz respeito ao Brasil, Chamberlain et al (2013), aponta que o Brasil deu início ao uso do aço no fim do século XIX, porém, como não ha viam indústrias siderúrgicas , impor ta vam-se g randes quantidades de componentes de ferrovias da Ingla ter ra. Entre as duas g r andes guerr as , em consequência da paralisação das impor tações , tor nou-se necessário começar o processo de criação e desenv olvimento das siderúrgicas nacionais . Com a e xpansão do uso de no vas tecnolo gias na constr ução civil, o aço tem se destacado e redescober to pelos projetistas que procuram tomar pro v eito de suas vanta gens . Atualmente, o maior mercado para o aço dentro da construção civil se encontr a na construção de prédios industriais e de shopping centers devido às suas características de estética, de industrialização e rapide z, e em alguns casos , à sua elev ada capacidade de carg a. (CASTR O , 1999). Cha v es (2007), acrescenta que: O processo para constr uções em estruturas em aço se destaca, pois o aço tem uma maior resistência mecânica se comparada a outros materiais . É um dos processos construtiv os mais v elozes e é o que supor ta os maiores vãos . P or isso são muito utilizados principalmente em indústrias e super mercados que precisam de g randes vãos e v elocidade na e x ecução e também é bastante utilizado em ginásios , pavilhões , telhados , torres , guindastes , escadas , passarelas , pontes , garagens , hang ares , de pósitos , lojas entre outros . Segundo Chamberlain et al (2013), a utilização de estr uturas de aço a trib uem as seguintes vantagens: alta resistência à diferentes estados ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 278 de tensão , redução das solicitações nas fundações , aumento da área útil, redução do tempo de montagem, f le xibilidade e agilidade . P orém, também há certas desvantagens a serem consideradas , sendo elas: de pendendo do planejamento da obras , pode custar mais caro que uma estrutur a de concreto equivalente , e xige mão de obra altamente especializada, em algumas regiões , às v e zes é difícil encontrar deter minados aços e perfis , muitas regiões do Brasil não têm tr adição em utilizar estrutur as de aço , necessita de mercado de componentes desenv olvido , viabiliza somente elementos lineares , par a lajes necessita da associação com concreto . DE SAS TRE S NA CONS TRUÇÃ O CIVIL Os desastres são acontecimentos súbitos , imprevistos ou e xtraordinários , que prov ocam prejuízos sev eros na vida das pessoas , afetando , de alguma for ma, suas funções na sociedade . Na construção civil, quando se fala em desastres , ger almente , são acontecimentos relacionados a g randes fatalidades , acar retando na perda de vidas e prejuízos de empresas que esta vam ou não diretamente lig adas àquele empreendimento . Os sinistros na engenharia civil ocorrem por diversos motiv os , dentre eles , pode-se destacar , os erros de projetos e de e xecução , causados devido à g anância, desconhecimento , negligência e pressa de alguns profissionais desta área. Além disso , estes problemas também são acarretados devido à condições adv er sas , tais como mudança de uso , alter ações das condições locais , obr as vizinhas , ação do tempo e do meio ambiente, e tantas outras situações que podem, em deter minado instante, alterar as condições de estabilidade de uma edificação . (MAR CELLI, 2007). Segundo Cánov as (1988), quando ocorrem acidentes catastróficos , como prédios que vão a ruina, não são obedecidos apenas uma origem agindo por si só, mas sim várias que juntamente aca bam lev ando a estrutur a ao colapso . Não é difícil encontr ar estrutur as nas quais f oi cometido g randes er ros em qualquer uma das etapas e mesmo assim não apresentam g randes danos . De modo contrário , poderia ser encontr ado estruturas que apresentem g r andes danos que acarretam na redução da durabilidade e resistência mecânica, mas que sua causa é pro v eniente de erros ou falhas menores , mas quando a tuam de maneira conjunta, super pões seus efeitos e trazem g r a v es consequências . VID A ÚTIL, DESEMEP NHO, DURABILID ADE E MANUTENÇÃ O A vida útil de um deter minado ma terial é o período pelo qual suas propriedades per manecem acima do limite mínimo especificado . É impor tante tomar conhecimento a respeito da vida útil, pois é fundamental, principalmente, para confecção de prog ramas de manutenção adequados e mais próximos da realidade da obra. (SOUZA ; RIPPER, 1998) A NBR 15.575 -1 (ABNT , 2013) define desempenho como sendo o comportamento em uso de uma edificação e de seus sistemas . V ale salientar , que mesmo quando e xistem prog ramas de manutenção bem definidos , as estrutur as e seus ma teriais ainda são passív eis de deterior ação . O ponto que cada estrutur a a tinge seu nível de desempenho insa tisfatório v aria de acordo com seu tipo e algumas delas já iniciam sua vida útil de forma inadequada, ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 279 enquanto outras che g am ao final de suas vidas com bom desempenho . P orém, apresentar desempenho insa tisfa tório não necessariamente condena a estrutur a, pois pode ha v er imedia ta inter v enção técnica de for ma que ainda seja possív el sua reabilitação . A durabilidade é entendida como sendo o produto da interação entre a estrutur a, o ambiente e as condições gerais de uso , como manutenção e operação , deter minando então a vida útil da construção . É impor tante mencionar que uma mesma estrutur a pode possuir diferentes funções de durabilidade no tempo , de acordo com seus diversos elementos , a té dependendo da for ma de utilizá-la. (HELENE, 2001) De acordo com Souza e Ripper (1998), a manutenção de uma estrutur a é o conjunto de rotinas que têm como finalidade a e xtensão da vida útil da obra, a um custo viável, g ar antindo o seu desempenho . É responsabilidade dos usuários arcar com o custo da manutenção concebida pelos projetistas . P A T OL OGIAS EM GERAL P a tologia é definida como sendo a área da Engenharia que procura estudar os sintomas , o mecanismo , as causas e as origens pro v enientes dos defeitos das construções civis , ou seja, é o estudo das partes que compõem o diagnóstico do prob lema. (HELENE, 1988) Souza e Ripper (1998) afir mam que a P a tologia das Estr uturas não consistem em apenas um no v o campo no que diz respeito a identificação e conhecimento das anomalias , mas também referente à conce pção e ao projeto das estrutur as , e, mais amplamente , à própria formação do engenheiro civil. O que ocorre é que todo o aprendizado da engenheir a de estrutur as tem sido feito , em nível de projeto e execução , atra vés da aborda gem das serem construídas . Em estrutur as de aço e de concreto armado , as pa tologias mais comuns ocorrem devido a div ersos fatores sendo , as principais , as falhas humanas durante a conce pção do projeto , dur ante a execução e durante a fase de utilização . RE SUL T ADOS E DISCUS SÕE S Caso I: Sala de e xposições em Ka towice , P olônia  Descrição do caso Durante a F eir a Inter nacional de K a towice , na Pôlonia, o teto de uma das salas de e xposições entrou em colapso em 28 de J aneiro 2006, acarretando em 65 mor tes e mais de 170 feridos . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 280 Figura 3 – T elhado em ruínas da sala de e xposições em K a towice, P olônia. F onte: WIKISP A CES, 2016. No dia da ca tástrofe , a nev e no topo do telhado esta va duas v e zes maior do que o esperado em projeto . O telhado do local já ha via demostrado sinais de que não er a capaz de suportar o peso da nev e antes do ev ento , porém devido a negligência dos org anizadores o ev ento prosse guiu, acarretando neste desastre. Descrição do sinistr o O teto ruiu em dois eixos adjacentes , acar retando no deslizamento da estrutur a e apenas a vig a principal dos dois outros eix os se mantiv eram na coluna. T ambém houveram danos nas par tes superiores das colunas ao passo que eles não esta vam conectados corretamente aos outros elementos estrutur ais . As paredes e xter nas foram tombadas no sentido inter no da edificação assim que a parte centr al ruiu. O sistema estav a instáv el com a vig a principal distorcida, porém ainda eng astada ao pilar que a apoia va. A vig a principal desabou com o colapso da parte inferior , causando a queda da outra viga principal como pode ser vista na figura 4. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 281 Figura 4 – Vigas principais que sustenta vam o teto . F onte: WIKISP A CE, 2016. O Wikispace (2016) rela ta que este edifício foi projetado com uma série de erros dur ante a ela bor ação do projeto , tanto na resolução das cargas quanto nas lig ações entre os elementos estrutur ais , pois esta edificação não previa o mo vimento da estrutur a, afinal as lig ações não estav am eng astadas . Além disso , a estr utura não foi capaz de resistir a quantidade enorme de nev e de positada naquele dia, sendo o dobro do que o projeto ha via previsto . De acordo com Chmielewski e K ozminski (2014), o projetista enfa tizou a construtor a que a utilização adequada do edifício era que em caso de presença de nev e no telhado , os usuários teriam de removê-la adequadamente, para que não houv esse acumulo de nev e podendo acar retar em colapsos . Pr oblemas encontr ados • Erro de projeto: Carga de ne v e não prevista; • F alta de manutenção . Análise de possív eis pre v enç ões O dimensionamento da estrutur a foi insuficiente , os elementos estrutur ais não foram conectados corretamente par a distrib uir a carg a. Ha viam carg as horizontais bastante elev adas nos pilares , devido falhas na construção , as vig as não eram resistentes o suficiente par a suportar a carg a horizontal e o topo dos pilares esta vam inaca bados , portanto eles não esta vam conectados aos outros elementos como uma estrutura monolítica. Este acidente poderia ter sido evitado ao se eng astar o teto à estr utura, evitando carg as horizontais acima do nor mal, o que causou altíssimas torsões nas vigas principais , e também adequando a constr ução correta ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 288 INTRODUÇÃ O Desde a R ev olução Industrial, obser va-se um constante crescimento econômico do mundo . P orém é algo inegáv el que os resultados desse crescimento econômico devido a um a vanço tecnológico muito g r ande colocaram o Planeta T er ra em uma posição desfav orável em relação aos impactos ambientais decorrentes das atividades produtiv as , mobilizando as empresas a buscarem cada v e z mais as alter nativ as sustentáv eis . Diante do e xposto , uma das maiores dificuldades encontr adas no cenário a tual da construção civil é a destinação dos resíduos , ger almente tratados de f or ma inadequada, como ma téria-prima e insumos . O reapro v eitamento dos mesmos aparece como questão fundamental na melhoria do meio ambiente, tanto em função da redução de desperdícios de ma teriais , quanto na minimização dos impactos ambientais oriundos da disposição final dos resíduos . A legislação ambiental br asileira tem passado a e xigir das empresas maior responsabilidade , como forma de eliminar os impactos ambientais decorrentes das atividades relacionadas à geração , tr ansporte e destinação desses ma teriais . A P ar aíba v em se destacando no cenário nordestino dentro do segmento da constr ução civil como uma das capitais que mais tem expandido neste setor , sendo responsáv el por uma g rande ger ação de resíduos . A maioria das construtor as não apresentam projetos que tra tem de forma adequada os resíduos gerados no processo constr utiv o , sendo assim estes acabam sendo depositados em lixões ou lev ados para a ter ros sanitários da cidade (SINDUSCON , 2016). A prefeitura municipal de J oão P essoa (PMJP) instituiu a través da Lei Nº 11.176 ( JOÃO PESSO A, 2007), o Sistema de Gestão Sustentável de resíduos da construção civil e demolição e o Plano Inte g rado de gerenciamento de resíduos da construção civil e demolição . Com a e xpansão a tual do desenv olvimento sustentável, cada v e z mais , as empresas têm buscado práticas relacionadas à otimização do uso dos recursos ambientais em suas atividades e a diminuição do seu impacto no meio ambiente, uma v e z que, a sociedade como todo v em adquirindo preceitos de responsabilidade social. O presente trabalho visa a valiar à implantação do reuso de arg amassa estabilizada como uma solução sustentáv el, já que o desperdício dos ma teriais em geral está na ordem de 30% e o uso dessa nov a tecnologia alinhada à durabilidade, a economia e o desempenho do ma terial. O estudo de caso tem como objetiv o o reaprov eitamento da arg amassa, transfor mando-a, durante o processo construtiv o , em ag regado miúdo o qual poderá ser utilizado em div ersas aplicações , entre elas a elaboração do traço de chapisco e contr apiso . Baseado nesta estratégia, uma construtora do Nordeste, com empreendimentos na P ar aíba e no Rio Grande do Nor te , tem buscado , soluções que reduzam a perda de ma terial no canteiro de obra, fazendo assim o reapro v eitamento do mesmo . P ara o estudo de caso , foi escolhida uma obra vertical residencial localizada na cidade de J oão P essoa capital da P ar aíba, no Bairro dos Estados . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 289 MA TERIAIS E MÉT ODOS PR OCEDIMENT OS Os ma teriais empregados no reapro veitamento da arg amassa estabilizada, f oram os se guintes: Cimento P ortland F oi utilizado o cimento P or tland tipo CP II- Z, fabricado pela CIMPOR. O cimento foi condicionado em sacos plásticos de vidamente fechados e posto em locais adequados para não hav er uma hidr a tação prévia. A justifica tiva pa r a a escolha deste tipo de cimento reside no fa to de conter ma terial pozolânico , o qual tor na a arg amassa mais imper meáv el e por isso mais duráv el. A gr egado miúdo F oi utilizado como ag reg ado miúdo areia e arg amassa estabilizada peneirada, promov endo o retardo do início da pe g a e per mitindo que as características e propriedades se mantenham por um período de tempo maior . Água F oi utilizada água potáv el pro v eniente do sistema de abastecimento da referida obra. O resíduo foi coletado in loco e manualmente , pro v eniente dos restos das arg amassas estabilizada de re v estimento da fachada, onde a maior quantidade se acumula va na bandeja de proteção coletiv a. O ma terial inicialmente ar mazenado no subsolo da obra passou por um processo coleta seletiv o , onde f or am descartados todos e quaisquer ma teriais que não fossem ser reutilizados nesse processo , tais como: restos de EV A, madeir a, papelão , plástico , etc, conf or me a figura abaix o (Figur a 1). Figura 1- Ar mazenamento do ma terial na obra. F onte: Autor , 2016. (b) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 290 A arg amassa estabilizada pro veniente do desperdício seguiu para o procedimento em uma peneira rotativ a mecânica (Figura 2), com malha de #5mm, na qual todo o ma terial que passou pela peneira foi reapro v eitado , na ordem de 75%, como agre g ado miúdo e o restante seguiu par a a usina de beneficiamento da empresa Atrevida/Ambiental. Figura 2- P eneiramento da argamassa esta bilizada. F onte: Autor , 2016. Após o processo de peneiramento , a arg amassa estabilizada f oi colocada na betoneira e mistur ada junto com água e cimento para elaboração do traço do chapisco e contr apiso . ANÁLISE DOS D ADOS Durante o processo da produção do tr aço , várias composições foram testadas in loco , e após análise técnica cor pora tiva observ ou-se que o traço que melhor atendeu as necessidades de tra balhabilidade e retenção de água foi aquele que apresenta va maior percentual de substituição , conduzindo-nos assim ao maior teor de resíduos incorpor ados , razão pela qual houv e a substituição total da areia pela arg amassa esta bilizada, com a manutenção das propriedades mecânicas (Figura 3 (a), (b)). (a) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 291 Figura 3 - (a) Argamassa esta bilizada no traço do chapisco F onte: Autor , 2016. No entanto , o padrão selecionado pela empresa foi o traço unitário em massa de 1.00:2.00:0.90 (cimento/arg amassa beneficiada/ água) utilizado como arg amassa para chapisco , e 1.00:3.00:0.50 (cimento/ arg amassa beneficiada/água) para o tr aço unitário em massa para utilizado como contrapiso . P ar a v erificar sua resistência mecânica foram utilizados parâmetros estabelecidos pela NBR 13279/2005 no qual moldou-se 16 corpos de prov a prismáticos , sendo 8 cor pos para chapisco e 8 para contrapiso . Após este procedimento os corpos de prov a foram submer sos em água, para hav er a cur a do ma terial. No dia se guinte , colocaram-se os mesmos em estufa durante 24 hor as , em se guida realizou-se o capeamento de dois corpos de prov a, os quais foram rompidos de forma mecânica após 7 e 14 dias . T ais traços apresentam um consumo zero de areia na tural, isto faz com que este estudo esteja mais que alinhado com os anseios da sociedade a tual, visto que a areia é uma ma téria prima não reno váv el. O processo de reapro v eitamento deste ma terial é feito segundo o f luxo g rama a se guir . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 292 Figura 4 - F luxo g rama: o processo de reaprov eitamento da arg amassa estabilizada. F onte: Autor , 2016. RE SUL T ADOS E DISCUS SÕE S P ar a e vidências do trabalho foi feito a v erificação dos materiais a través da análise de a bsorção onde os corpos de prov as são secos em estufas e pesados para deter minar a massa da amostra, após isso , submersos em água durantes 3 dias e realizou-se uma nov a pesagem para concluir o teste de absorção , confor me a NBR 9778 ( ABNT , /2009) - Argamassa e concreto endurecidos -Deter minação da a bsorção de água, índice de vazios e massa específica. Os resultados estão e xpostos a baix o (T abela 1). T a bela 1- Distribuição dos resultados obtidos no LABEME Material Peso Sec o(g) P eso úmido(g) Absor ção (%) Chapisc o 328,5 353,6 7,1 Contr apiso 329 ,2 353,5 6,87 F onte: Autor ,2016. De acordo com os resultados obtidos , o teste de absorção re v elou que o chapisco apresentou um maior teor de absorção de água do que o contrapiso , correspondendo ao esper ado visto que o fa tor água/cimento no traço do chapisco é maior (Gráfico 1) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 293 Gráfico 1- Distribuição dos resultados do teste de a bsorção F onte: Autor , 2016. A resistência à compressão foi calculada de acordo com o que a NBR 13279/2005 prescrev e, a través do ensaio em corpos de pro va cilíndricos de 5 cm de diâmetro e 10 cm de altura. Obtev e-se com 7 dias uma resistência de compressão de 6,7 MP a par a chapisco e 4,1 MP a para contrapiso . Aos 14 dias os valores encontrados foram 8,6 MP a par a chapisco e 4,7 Mpa para contr apiso (Figura 7 e Gráfico 2). Figura 5 - Ensaio de resistência à compressão . F onte: Autor , 2016. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 294 Gráfico 2 – Distribuição dos resultados do ensaio de resistência à compressão F onte: Autor , 2016. Após a ruptur a dos corpos de prov a percebeu-se que o chapisco obtev e uma resistência à compressão maior . Se gundo a NBR 131281 (ABNT , 2005) essa argamassa apresenta uma classificação do tipo P5, ou seja, este ma terial proporciona uma boa resistência. CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Consta tou-se nos resultados obtidos que a reutilização da arg amassa estabilizada apresentou resultados positiv os nas suas propriedades físico-mecânicas onde todos os resultados estão de acordo com as especificações técnicas das nor mas da ABNT . Através deste estudo , conseguiu-se um material que reduziu o consumo desse recurso não renováv el que é a areia, uma vez que se conseguiu a substituição total do ag regado miúdo no traço do chapisco e contrapiso pela argamassa esta bilizada beneficiada. Mitig ando assim os danos causados ao meio ambiente e trazendo economia par a a empresa, alcançando os objetiv os propostos pela pesquisa. As substituições de a g re g ados naturais por resíduos de arg amassa estabilizada de v em ocorrer em proporções controladas por v olume . A resistência à compressão ficou de acordo com a esta belecida na NBR 13279( ABNT ,2005). P ar a pesquisas futuras é interessante utilizar os resíduos de arg amassa estabilizada para o desenv olvimento de nov os compósitos cimentícios destinados ao mercado da construção . REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 131281: . arg amassa para assentamento e rev estimento de paredes e tetos- requisitos . Rio de J aneiro , 2005. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 295 ______. NBR 9778: arg amassa e concretos endurecidos- Deter minação da absorção de água, índice de v azios e massa específica . Rio de J aneiro , 2009. ______. NBR 13279 : arg amassa par a assentamento e re v estimento de paredes e tetos- deter minação da resistência à compressão simples- Método de Ensaio . Rio de J aneiro , 2005. ______. NBR 7215 : cimento por tland – determinação da resistência à compressão . Rio de J aneiro , 1997.. ______. NBR 1004: resíduos sólidos – c lassificação . Rio de J aneiro , 2004.. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente ( CON AMA). R esolução no 307, de 05 de julho de 2002. Estabelece diretrizes , critérios e procedimentos par a a gestão dos resíduos da construção civil. Diário Oficial da Repúb lica F eder ati v a do Brasil, Brasília, DF , n. 136, p . 95-96 , 17 jul. 2002. Seção 1. INSTITUTO BRASILEIR O DO CONCRETO . AR GAMASSA EST ABILIZAD A ( IBRA CON).. Disponív el em: <http://www .ibracon.org. br/ev entos/53cbc/pdfs/AR GAMASSA_EST ABILIZAD A.pdf>. Acesso em: 15 set. 2016. JOÃO PESSO A (Município). Lei nº 11.176, de 10 de outubro de 2007. R esíduos da constr ução civil. Institui o sistema de gestão sustentáv el de resíduos da construção civil e demolição e o plano inte g rado de gerenciamento de resíduos da construção civil e demolição de acordo com o CON AMA Nº 307, de 50 de julho de 2002, e dá outras providências . Legislação do Município de J oão P essoa, PB. Disponív el em: <http:// www .joaopessoa.pb .go v .br/por tal/wp-content/uploads/2015/02/Lei- Municipal-n_-11.176-2007-R esiduos-da-Constr ucao-Civil.pdf ?4028d8 >. Acesso em: 28 set. 2016. OLIVEIRA, D . F . C ontribuição ao estudo da dura bilidadede b locos de concreto pr oduzidos com a utilização de entulho da construção ci vil . T ese (Doutor ado). Univ er sidade F ederal de Campina Gr ande/PB. Campina Grande/PB, 2004. SINDICA TO D A INDÚSTRIA D A CONSTR UÇÃO CIVIL DE JOÃO PESSO A (SINDUSCON-JP). Disponível em:< www .sindusconjp .com.br>. Acesso em : 30 out. 2016. SOUZA, J . Estudo da dura bilidade de arg amassas utilizando cinzas e casca de arr oz. T ese ( Doutorado). Universidade F eder al de Campina Grande. Campina Grande/PB, 2008. VIAN A, K. Metodologia simplificada de gerenciamento de resíduos sólidos em canteir os de obras . T ese ( Doutorado). Universidade F eder al da P ar aíba. J oão P essoa, 2009. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 296 . ANÁLISE DO PR OCE SSO DE DEGRAD A ÇÃ O AMBIENT AL EM POMB AL - PB UTILIZANDO SENSORIAMENT O REMO T O Lucivânia R angel de Ar aújo Medeir os 1 , V aléria Peix oto Bor ges 2 . 1 Engenheir a Ambiental e Mestr e em Engenharia Civil e Ambiental. E-mail: lucivaniar [email protected] 2 Engenheir a A gr ônoma, Mestre em Ciências A gr árias e Doutora em Meteor ologia. E-mail: valpbor [email protected] CAPÍTUL O 22 RE SUMO No Estado da P ar aíba, dois terços da área total do Estado correspondem ao ecossistema Caating a, bioma que é frágil e vulnerável à deser tificação . Um instrumento que tem sido amplamente utilizado para fazer o levantamento e reconhecimento de áreas em processo de deser tificação é o sensoriamento remoto . O objetiv o do presente trabalho foi analisar e mapear a e v olução do processo de deg radação do município de P ombal entre os anos de 1985, 1995, 2006 e 2009 por meio do estudo do Albedo . Em boa par te do município , os valores de albedo aumentaram com o decor rer dos anos , evidenciando além da e xpansão urbana, o crescimento da deg r adação da v e getação na tural e o aumento de áreas de solo e xposto , fenômenos inerentes ao processo de deg r adação . P alavr as-Cha v e: Deg r adação . Sensoriamento R emoto . Albedo . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 297 INTRODUÇÃ O O meio ambiente oferece todos os recursos utilizados nas a tividades humanas , sendo de vital impor tância para a manutenção da vida. Nas últimas décadas a literatura acadêmica e mesmo os noticiários vêm destacando a celeridade do processo de deg r adação do meio ambiente , o que é, sem dúvida, uma informação alar mante e nega tiva para todas as espécies do planeta. (MA Y ; LUST OSA, 2003). Um g rav e prob lema ambiental, amplamente discutido nos últimos anos é a desertificação , que pode ser definida a través do capítulo 12 da a genda 21 do United Nations Confer ence on En vironment and De velopment (UNCED), como: “a deg r adação de terr as em áreas áridas , semi- áridas e subúmidas secas , resultante de vários fa tores , incluindo variações e a tividades humanas”. A deg r adação da terr a corresponde à deg r adação dos solos , dos recursos hídricos , da v egetação e da biodiversidade. A deg radação está ligada diretamente à redução da qualidade de vida das populações afetadas pelo conjunto combinado desses fa tores (PR OGRAMA DE AÇÃO , 2004). Um instrumento que tem sido amplamente utilizado para fazer o lev antamento e reconhecimento de áreas em processo de desertificação é o sensoriamento remoto . Essa tecnologia permite a realização de lev antamentos da superfície a custos rela tiv amente baixos , compar ado a outras tecnologias , apresentando uma relev ante impor tância em consequência do seu enfoque espacial, intrínseco e multitemporal, podendo suprir em longo prazo e long a escala obser vações necessárias par a detectar os processos de deg r adação ambiental. (L OPES, et al., 2005). O sensoriamento remoto nos auxilia a entender a situação da área estudada, identificando antecipadamente a tendência de desenv olvimento do fenômeno da deser tificação a tr a vés do monitoramento de vários parâmetros de superfície, sobretudo nos f or nece dados par a pesquisa sobre mecanismos inter nos , processos a tuais e difer enças no tempo e no espaço do processo em questão (SUN WU , 2000; L OPES, et al. , 2005). P or tanto , esta pesquisa tev e como objetiv o principal analisar e mapear a ev olução do processo de de g radação no município de P ombal entre os anos de 1985, 1995, 2006 e 2009 por meio do estudo do Albedo no referido período , ger ados a partir de imagens TM – Landsa t5. O estudo em questão proporcionou analisar a ev olução do processo de deser tificação a través do parâmetro físico Albedo , além disso , identificando as principais áreas dentro do município que estão com os maiores nív eis de deg radação e aquelas que dev em ser preser vadas ou recuperadas . MA TERIAIS E MÉT ODOS L OCALIZAÇÃ O E CARA CTERIZA ÇÃ O D A ÁREA DE ES TUDO O município de P ombal, localizado no estado da P ar aíba (06º46’13” de latitude S, 37º48’06’’ de longitude W , altitude média de 184m), possui uma área de 889,7 km² e está inserido na mesorre gião do Sertão P ar aibano na microrregião de Sousa, como pode-se conferir na Figur a 01. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 304 Figura 2 - Mapa do albedo do município de P ombal- PB par a o ano de 1985 F onte: Elaboração Própria Esses valores de albedo estão bem próximos dos trabalhos realizado por Cha v es et al. (2009) na bacia do F orquilha, Ceará e por Lopes et al. (2010), na Bacia do Rio Brígida no Oeste do P er nambuco . Á área do município de P ombal, como foi dito anteriormente, é de 889,7km 2 , desse total, as classes que mais destacaram foram 04; 05 e 06, apresentando respectivamente uma área de 79,0 km 2 ; 526,7 km 2 e 270,1 km 2 . No ano de 1995 (Figura 03), percebe-se que a cor verde claro (albedo= 0,15-0,20) é a que predomina no mapa, indicando uma área de v egetação de caa ting a aberta. Os pixels em tons de v erde escuro (albedo 0,10-0,15) também se destacam, representando uma área de vegetação densa na porção noroeste do município em análise. As classes que se destacaram neste ano também foram 4, 5 e 6. Obser v ou-se um aumento na área da classe 4, a qual passou a dominar 140,8 km 2 . Estes pixels , representados pela cor amarela (albedo 0,20-0,25), são muito presentes ao longo do rio Piancó, caracterizando solo e xposto a tr a vés da ação antrópica na área analisada, ou seja, houv e um a vanço no desma tamento nas faixas marginais do rio para uso do solo , pro va velmente para a ag ricultura. Desta forma, os valores no albedo aumentaram na área em estudo . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 305 Figura 3- Mapa do albedo do município de P ombal- PB para o ano de 1995. F onte: Elaboração Própria Outra justificativ a para esses valores de albedo f oi a má distribuição da precipitação pluviométrica ao longo do ano de 1995, se obser vamos o mês que a ima gem f oi capturada, setembro , e os meses que o antecedem, a precipitação a tingiu v alores bem baixos , apesar do total de chuva anual ser 990,2 mm, considerado que esse valor está acima da média pluviométrica do município . Na pesquisa da bacia de drenagem do açude Soledade , localizada na microrre gião do Curima taú Ocidental do estado da P araíba, realizada por Silva et al. (2007) o albedo para área cultivada apresentou um v alor de 0,2. Nas áreas de v egetação r ala, v e getação a ber ta e v e getação mais densa, o albedo foi de 0,22, 0,18 e 0,13, respectiv amente . T odos esses valores estão análog os à pesquisa em questão . Os valores encontrados estão também de acordo com os repor tados por Oliv eira et al. (2009) par a o estudo da bacia do rio Mo xotó, no semiárido nordestino . As áreas com atividades antrópicas ap resentar am valores de albedo v ariando entre 0,20-0,25 enquanto que , que as áreas com valores no albedo entre 0,10 e 0,20 eram com presença de v egetação . Na imagem seguinte , a do ano de 2006 (Figur a 04), há um aumento perceptível do albedo da cena como todo , destacando-se os pixels nas cores amarelo claro (albedo=0,20-0,25) e laranja (0,25-0,30), sendo esta última representante de áreas de solo e xposto , pro va velmente retra tando áreas urbanas . As classes 04 (258,8km 2 ), 05 (517,5 km 2 ) e 06 (79,9km 2 ) continuam predominando no mapa. O destaque vai para a classe 3, que tor na-se perce ptív el especialmente no perímetro urbano do município e totalizou 27 km 2 . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 306 Figura 4- Mapa do albedo do município de P ombal- PB para o ano de 2006. F onte: F onte: Elaboração Própria O aumento do albedo da superfície em 2006 pode ser e xplicado tanto pela baixa pluviosidade deste ano , re gistrando a menor precipitação total anual (976,9mm) dos anos analisados , quanto pelas características inerentes da v egetação de caa ting a, a qual deixa cair sua folha gem no período de estiagem. Outro fa tor que pode justificar os altos valores no albedo f oi a intensificação da e xploração ag rícola sem um manejo adequando nos anos que antecederam essa imagem, e a e xpansão da área urbana, sendo bem definida no mapa pelos pixels de tom laranja (albedo= 0,25-0,30). Esses valores de albedo estão de acordo Silva et al. (2010) que pesquisou as alterações climáticas decor rentes de mudanças do uso da terr a na Bacia do rio J aguaribe , Ceará, e encontrar am albedo entre 0,16 e 0,18 para as áreas de vegetação na F azenda Frutacor . Nas margens do rio J aguaribe a v ariação no albedo foi de 0,22–0,26 para áreas ag rícolas , mais especificamente plantações de melão . Oliv eira et al. (2012), re gistrar am v alores no albedo entre 0,23- 0,28 para as áreas urbanas dos municípios que inte g ram os limites da Bacia do Rio T apacurá, sub-bacia do rio Capibaribe , PE. T ais resultados estão bem próximos aos encontrados par a as áreas urbanas da análise do município de P ombal (albedo=0,25-0,30). No mapa de albedo do ano de 2009 (Figura 5), os pixels nos tons v erde claro (albedo= 0,15-0,20) são os que mais se destacam, representando uma v egetação de caa ting a aberta. A cor v erde escuro , car acterizando uma v egetação densa (albedo=0,10-0,15), está bem evidente na porção noroeste da área analisada. Esta classe apresentou consideráv el crescimento , aumento sua área em 302,6 km 2 . A cor amarelo claro (albedo=0,20-0,25), que representa, confor me discutido acima áreas de solo e xposto e/ou v egetação r ala, te v e uma consideráv el redução nesse ano . Do total de 258,8 km 2 apenas per maneceram 52,7km 2 . Contudo , os pixels no tom laranja (albedo=0,25-0,30) ainda estão em destaque no mapa, representando bem as áreas urbanas do município de P ombal (2,7 km 2 ). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 307 Figura 5- Mapa do albedo do município de P ombal- PB para o ano de 2009 F onte: Elaboração Própria O valor do albedo é in v ersamente proporcional ao da vegetação . Desta forma, as áreas vegetadas aumentaram e as de solo e xposto diminuíram, resultando na redução do valor do albedo da c ena como um todo . Esses valores podem ser justificados de vido ao índice pluviométrico total (1325,9 mm/ano) e a distribuição das chuv as no ano analisado , este sendo consider ado um ano a típico par a o Nordeste brasileiro . A alta pluviosidade afetou o compor tamento do albedo da superfície , em consequência de que após um ev ento chuv oso há redução da radiação refletida pelo solo e , no caso da Caating a, aumentam o índice de área foliar da v egetação . P or tanto , não se pode afir mar , pela diminuição da reflectância da superfície, que o processo de deg radação ambiental do município de P ombal reduziu. R odrigues et al. (2009) apresentar am na estação seca, para bacia do Trussu-CE, albedo de 0,10 a 0,15 par a áreas de cobertur a v e getal nos pontos de maior elev ação . A se gunda maior porção , apro ximadamente 40,16% do território da bacia, demonstrou valores de albedo entre 0,15 e 0,20, representando a vegetação típica da área (caa tinga); e os v alores de albedos variando de 0,26 a 0,36 caracterizaram áreas desprote gidas , tipicamente encontradas em re giões semiáridas . Na pesquisa de Souza et al. (2012) realizada na Chapada do Araripe, PE, o valor médio do albedo para caa tinga deg r adada f oi de 0,16 durante o período chuv oso . Este resultado é cor rela to aos valores de albedo que mais se destacam na nossa área de estudo no ano de 2009, o qual f oi de chuvas acima da média. P or tanto , este resultado pode apontar par a uma condição de v egetação sofrendo processo de de g radação . CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Em decorrência da redução da vegetação entre o ano de 1985 e o de 2006, pode-se inferir que a deg r adação do solo localizado no município de P ombal-PB é crescente. As áreas próximas ao rio Piancó f oram as que sofreram maior impacto com a supressão da cober tura vegetal, uma v e z que ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 308 o rio contribui para o adensamento populacional e e xploração dos recur sos na turais . Se não houver uma mudança no hábito da população essas áreas se tor narão improdutivas , dessa forma, tor na-se necessário uma fiscalização mais eficiente das mesmas por parte do P oder Público e da sociedade , tendo em vista que as ma tas ciliares são áreas de proteção per manente . REFERÊNCIAS A GÊNCIA EXECUTIV A DE GESTÃO D AS ÁGU AS DO EST ADO D A P ARAÍBA. Monitoramento Pluviométrico . Disponível em: <http://www . aesa.pb .go v .br/ >.Acesso em: 27 fev . 2013. ALLEN , R.G ., PEREIRA, L.S., RAES, D ., SMITH, M., 1998. Crop e v apotr anspira tion. Guidelines for computing cr op wa ter requ irements . F A O Irriga tion and Dr ainag e P aper 56, Roma, 300 p . ______. Tre zza, R. ; T asumi M. Surface energy balance algorithms f or land. Ad v ance training andusers man ual. 2002. 98p . version 1.0. ANDRADE, K. S.; FEITOSA, P . H. C.; BARBOSA, M. P . Sensoriamento R emoto e Sig na Identificação de Áreas em Processo de Deser tificação no Município de Serr a Branca – PB: estudo de caso . 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P or tanto , quanto maior for a perda existente em um projeto (empreendimento), maior será o custo do empreendimento e menor será o lucro da empresa construtor a/incorpor adora. A construção racionalizada apresenta-se como solução par a ref or mulação dos processos construtiv os tradicionais , tor nando-se indispensável à sobrevivência da indústria da construção . Este capítulo apresenta alguns dos resultados de um trabalho de conclusão de curso que se propôs a identificar e analisar as práticas de racionalização constr utiv a nas edificações v erticais da g rande J oão P essoa. O objetiv o do tr a balho , além de divulg ar os resultados da pesquisa, é ser vir como referencial para pesquisas cor rela tas e , principalmente, ser vir como subsídio para a tomada de decisões por par te das empresas construtor as . Com o auxílio de um questionário aplicado nos canteiros de obras , 17 construtor as a tuantes em J oão P essoa foram analisadas . P ode-se consta tar que 53% das empresas pesquisas utilizam processos de racionalização constr utiv a. A falta de conhecimento sobre o tema e as dificuldades em se implementar no vas técnicas são os motiv os par a não implementam em suas obras a r acionalização . P alavr as-Cha v e: Racionalização . Construção civil. J oão P essoa. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 312 INTRODUÇÃ O A racionalização na constr ução b usca a melhor utilização dos recursos e xistentes em todas as etapas da obr a. Ela está presente em no v as técnicas criadas com os recursos disponíveis nos canteiros de obras , a través de um conjunto de pequenas medidas para o aumento de produtividade e qualidade, ou na substituição total de sistemas de construção tradicionais . P ar a tanto , as metodologias da racionalização dev em ser bem empregadas com uma mudança org anizacional dos processos tr adicionais de construção . No Brasil, a maioria dos edifícios são verticais em estrutur a de concreto ar mado moldados no local e v edação em blocos cerâmicos . Esse modelo de construção ainda utiliza processos constr utiv os essencialmente manuais que geram perdas consideráveis . P ortanto , quanto maior for a perda existente em um projeto (empreendimento), maior será o custo do empreendimento e menor será o lucro da empresa construtor a/incorpor adora. Com o aumento da concorrência do mercado da constr ução civil, as empresas têm que buscar soluções para enfrentar os desafios relacionados com a qualidade do produto , os custos de constr ução e o v alor de v enda (MAR Q UES, 2013). Thomaz (2011) destaca que as construtor as brasileiras como reg r a geral ainda utilizam pouco dos recur sos tecnológicos mais moder nos , entretanto a construção no pais está entr ado numa no va fase , adotando g radualmente processo constr utiv o de maior r acionalidade , no intuito de obter economia de insumos e redução do dispêndio de força física pelos trabalhadores , e por consequência, a otimização da relação insumos consumidos v ersus benefícios alcançados . As construtor as brasileir as já sofreram na tenta tiva de trazer para seu processo no vas tecnolo gias . Isso aconteceu porque, depois de adquiri-las , perceberam que não havia f or necedores aptos par a a reposição de ma teriais e operários qualificados (THOMAZ, 2001). As objeções encontradas pelas empresas na adoção da racionalização nos processos construtiva também são inerentes da carência de env olvimento da equipe inte g rante nas etapas construtivas . Pro vidências na direção da racionalização podem ser empre g adas em diferentes etapas construtivas . Os sistemas tr adicionais de construção podem desenv olver dentro da sua realidade procedimentos e ferramentas que buscam a tender os conceitos de r acionalização . Este capítulo apresenta alguns dos resultados de um trabalho de conclusão de curso que se propôs a identificar e analisar práticas de racionalização constr utiv a nas edificações v er ticais da g rande J oão P essoa. O objetiv o do tr a balho , além de divulgar os resultados da pesquisa, é ser vir como referencial para pesquisas cor rela tas e, principalmente, ser vir como subsídio para a tomada de decisões por par te das empresas construtor as . RA CIONALIZA ÇÃ O EM CANTEIROS DE O BRAS A construção civil r acionalizada pode ser a alter na tiva para a ampliação da produtividade nos processos , agilidade na execução , qualidade ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 313 do edifício e otimização dos custos (SOUZA et al., 2011). Com um processo construtiv o racionalizado pretende-se ter suas tarefas e xecutadas somente uma v e z, com o mínimo de retrabalhos ou esperas . Sab ba tini (1989) afirma que a r acionalização nada mais é que uma ferr amenta da industrialização , é um processo composto pelo conjunto de todas as ações , que tenham por objetiv o otimizar o uso de recur sos ma teriais , humanos , organizacionais , energéticos , tecnológicos , tempor ais e financeiros disponív eis na construção em todas as suas fases . O conceito de racionalização pode ser aplicado em todas as etapas dos processos construtiv os tradicionais , tais como: Pr ojeto: Através da compa tibilização de projetos é possível pre v enir falhas devido a interferências entre projetos das diferentes disciplinas e minimizar o retrabalho , reduzindo pr azos de execução , desperdícios e custos . Do estudo preliminar ao projeto e x ecutiv o , ajustar as incompa tibilidades entre vários projetos , av eriguar os ajustamentos necessárias , é primordial par a evitar prob lemas após a entreg a da obr a. Canteir o de Obras: Ela boração de Projeto de Canteiro de Obr as , com a análise do la yout e a logística do canteiro . Com a implantação da racionalização atra vés de métodos direcionados aos processos no canteiro de obras , concentrando-se no planejamento e o controle na pre paração e org anização do trabalho , per mitirá o aumento da produtividade, redução dos custos no deslocamento do ma terial e melhoria do f lux o de informações do canteiro de obras . Estrutura: R acionalizar nesta etapa com a implantação e utilização de sistemas totalmente ou parcialmente pré-fabricados , pode aumentar sua produtividade e maximizar potencialmente os processos construtiv os adotados . Alv enaria de v edação: Utilização da alv enaria racionalizada per mite a redução desperdícios e aumento da produtividade. Re v estimentos: As medidas que visam à r acionalização construtiva desenv olvendo metodolo gias aplicadas nos rev estimentos de argamassa e cerâmicos podem obter melhor desempenho na e x ecução , menor desperdícios , maior produtividade e menor incidência de problemas pa tológicos . Instalações hidráulicas e elétricas: Kits hidráulicos e elétricos ajuda a racionalização do processo e xecutiv o , facilita a sequência de etapas , reduzindo as “horas improdutivas”, e ainda cola bor a para o melhor controle dimensional da obra. MA TERIAIS E MÉT ODOS A pesquisa é classificada como e xplora tória, descritiva e bib liog ráfica, com método de obser v ação e análise de na ture za quantita tiva, utilizada no intuito de a valiar a lógica que en v olve os processos de racionalização constr utiv a e seus efeitos/consequências par a com os ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 320 A NBR 15575(ABNT , 2013). orienta que as empresas constr utoras dev em realizar estudo de viabilidade na concepção do produto (Edificação). No que diz respeito a viabilidade , 12 (70,59%) das construtor as pesquisadas realizam analise de viabilidade do projeto com f oco em relacionar a qualidade e desempenho das edificações . V ale salientar que analisando os resultados obtidos (Gráfico 5), é possív el identificar que os de processos de racionalização constr utiv a têm contribuído para a qualidade e desempenho dessas edificações , tomando como referencial a Nor ma de Desempenho para Edificações Habitacionais , a NBR 15575 ( ABNT , 2013). A maioria das empresas pesquisas buscam a tender os requisitos e xigidos nas referidas normas . CONSIDERA ÇÕE S FINAIS Conclui-se que a maioria das construtor as (53%) já aplicou metodologias da racionalização construtiva em suas obras e que a sua aplicação per mite a melhor utilização dos recursos e xistentes em todas as etapas da obra. Ainda pôde-se v erificar o aumento na v elocidade de e x ecução , produtividade nos processos , qualidade do produto final e otimização dos custos nas obras que fazem uso dos conceitos de r acionalização construtiva. O medo do no v o ainda é o freio par a o uso da racionalização construtiva. T odas construtor as pesquisadas afirmar am não implementar no vas técnicas por ser um obstáculo , em r azão da necessidade de mudança org anizacional dos processos tradicionais de constr ução . P orem todos os profissionais entrevistados procuram conhecer e na medida que for possív el aplicar práticas com a filosofia da r acionalização construtivas em seus respectiv os canteiros de obr as . Com esse resultado , se deduz que no momento o setor da construção civil está vivendo uma tomada de consciência mais ampla sobre a necessidade de construir de for ma mais eficiente , com foco na racionalização (redução de custos , otimização de sistemas , análise de viabilidade, etc). A julg ar-se pelo que se consta ta nos dados da pesquisa, de forma ger al, a NBR 15575:2013 v em contribuindo g r ada tivamente para a racionalização constr utiv a, 65% das empresas pesquisadas elaboram manual do usuário , 70% realizar am análise de via bilidade do projeto em relação a qualidade e desempenho das edificações . Evidentemente este trabalho não pretende esgotar o assunto , pois racionalização constr utiv a e a Nor ma de desempenho abrange de maneira profunda o amplo espectro da arquitetura e da engenharia, que por sua vez também estão em constante ev olução . REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 14037: diretrizes par a ela boração de manuais de uso , operação e manutenção de edificações – requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos . Rio de J aneiro , 2011. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 321 _______. NBR 15575: edificações habitacionais – Desempenho . Rio de J aneiro , 2013. MAR Q UES, V . P . 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ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 322 . CONSER V A ÇÃ O DE Á GU A EM CENTROS DE ENSINO UNIVERSIT ÁRIOS: U SO DE TE CNOL OGIAS E CONOMIZADORAS V ânia Paiva Martins 1 , Maria Jacy Cajú do Egito 2 , Thaiane Rabelo Da Costa 3 , Gedeão Costa Floriano dos Santos 4 , Julliana Caldas 5 . 1 Mestr e em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PR ODEMA) UFPB/ UEPB. Pr ofessor a do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] 2 Mestr e em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PR ODEMA) UFPB/ UEPB. Pr ofessor a do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] 3 Gr aduanda do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: thaianer [email protected] 4 Gr aduanda do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] om 5 Gr aduanda do Cur so de Engenharia Civil do Unipê. E-mail: [email protected] CAPÍTUL O 24 RE SUMO A água, embora seja consider ado o recurso na tur al mais presente no planeta, tem se escasseado com o passar do tempo . A redução da água para consumo , pro v ocada por agentes distintos , é constante e, por v e zes , não percebida por todos . T al ruído tende a ser notado apenas quando já for tarde para agir . Nesse sentido , uma preocupação geral e, em particular , no meio acadêmico passa a e xistir com relação a ela. Assim, a temática da conser v ação da água em centros de ensino univ ersitário é uma necessidade par a a sensibilização dos futuros profissionais sobre o consumo consciente e eficiente deste recurso na tural. Esta pesquisa av alia o consumo com o uso de tecnolo gias economizadoras e demonstr a o impacto de redução ao substituir os aparelhos conv encionais pelos aparelhos redutores . Tr a ta-se de inv estigação teórica em que se procura entender a a tual situação do consumo de água em um bloco de uma instituição de ensino superior . O estudo mostrou que ha v endo a substituição do sistema a tual por aparelhos economizadores em apenas um bloco da instituição , é possív el ter uma redução de 51,33% referente ao consumo de água. P alavr as-Cha v e: Água. Conser vação . T ecnologias economizadoras . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 323 INTRODUÇÃ O A água é o recurso natural mais ab undante do planeta T err a, mas ao contrário do que se pensa é um recurso esgotáv el. Ela está presente na vida de todos os seres que habitam o planeta. P orém, o recurso mais fundamental para a vida na ter ra enfrenta uma crise de abastecimento . Existem vários casos de regiões que seus habitantes viv em uma situação de estresse hídrico e o quadro se ag ra va a cada ano . A preser vação dos recursos hídricos para as ger ações futuras tr a ta-se, portanto , de um g rande desafio da a tualidade. Diante desta situação alar mante , com previsão de aumento g radativ o da escasse z de água no mundo , vê-se a obrig ação de pensar em alter nativ as para evitar o desperdício deste recurso natural e utilizá-lo da maneira mais r acional possív el. Uma maneira de se alcançar esse uso r acional da água é utilizando tecnologias economizadoras de água. Estes aparelhos utilizam uma tecnologia que funciona com v azão reduzida, evitando o desperdício ocasionado pelo mau fechamento dos aparelhos conv encionais . O objetiv o principal desta pesquisa é verificar a a tual situação do consumo de água referente a um dos Blocos de aula de uma instituição de ensino , par ticular mente o b loco F , e da possív el implementação de dispositiv os poupadores de água neste ambiente. A presente temática é de e xtrema importância, pois além de buscar sensibilizar sobre o uso da água a toda uma comunidade acadêmica que cotidianamente usufrui desse bem precioso , traz contribuição para que todos os env olvidos na área da Engenharia e afins possam compreender a temática e passar a utilizar as tecnolo gias economizador as . MET ODOL OGIA Este trabalho é uma pesquisa teórica com a finalidade de construir um embasamento sobre a conser v ação da água em centros univ ersitários de ensino . O procedimento metodológico consistiu inicialmente na fundamentação teórica com uma pesquisa bib liog ráfica sobre conser v ação da água e as tecnologias economizadoras nos pontos de consumo a tr a vés de estudos e pesquisas sobre o assunto . Em seguida, utilizando como estr a tégia de pesquisa o estudo de caso e gerando uma pesquisa de campo , conforme V erg ara (2000), o presente estudo pôde ser classificado considerando-se os se guintes aspectos: quanto aos fins e quanto aos meios . Quanto aos fins , tr a ta-se de pesquisa e xplor a tória, aplicada e descritiva. Explora tória porque e xiste a necessidade de in v estig ar a realidade, e xistente no Bloco F , com relação ao consumo da água a fim de obter os dados necessários para a elaboração da análise, e aplicada porque f oi criada a partir da necessidade de resolv er um prob lema concreto . Nesse sentido , Silva e Mene zes (2001, p . 21) define a pesquisa aplicada como aquela que: “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigida a solução de prob lemas específicos . Env olv e v erdades e interesses locais”. P or isso , procedeu-se a pesquisa visando um dia gnóstico geral do b loco F do campus univ er sitário . P ar a isto f oi realizado registro foto g ráfico , a apresentação de tecnologias economizadoras e o cálculo das estima tiv as de ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 324 consumo a tuais do referido b loco e também o cálculo da redução de consumo com a instalação destas tecnolo gias a par tir de uma a bordagem quantita tiva. REFERENCIAL TE ÓRICO A escasse z de água pro v ocada pelo crescimento e xtremamente acelerado da população mundial, pelo consumo e xagerado e pela deg r adação do recurso , necessita de políticas públicas e de estruturas e sistemas de gestão sustentáv eis adequados às div ersas cultur as mundiais . No Brasil, apesar da g r ande disponibilidade hídrica, em algumas regiões obser va-se uma escassez quantitativ a e qualita tiva do recur so pro v ocada pela poluição , aquecimento global, desperdício e consumo e xagerado . As mudanças climáticas afetam diretamente os recursos hídricos disponív eis a través da modificação do regime de precipitações a nív el mundial. Conforme Gonçalves (2006), a conservação de água compreende o uso racional da mesma, que pressupõe o uso eficiente, e o uso de f ontes alter nativ as de água, como a captação de água de chuv a, o reuso , a utilização de aparelhos economizadores , etc. No caso dos aparelhos com tecnologia economizadora de água nos pontos de consumo , funcionam com v azão reduzida evitando o desperdício . A crescente aceitabilidade destes aparelhos pro va velmente decorre do fa to de serem medidas que de pendem menos de hábitos e motivações permanentes do que de uma tomada de decisão sobre a aquisição dos equipamentos . Assim sendo , em uma edificação , a utilização de tecnologias economizadoras de água é de suma impor tância para a redução dos custos , a curto ou a longo prazo , pois funcionam com vazão reduzida e/ou e vitam o desperdício devido ao mau fechamento de componentes con v encionais . P ar a enfa tizar e e xemplificar isto , um estudo realizado sobre estima tiva de uso final de água em de z edifícios púb licos na cidade de F lorianópolis demonstra que os percentuais referentes aos vasos sanitários representam 47,70%, enquanto o consumo de mictórios 30,60 % e por último a limpe za, reg a e lav a gem de car ro 4,90 % do total consumido . Com isto , as autoras verificam que apro ximadamente 78,30 % da água consumida em edifícios públicos não precisa ser potáv el, uma v e z que diz respeito ao uso de bacia sanitária e mictório (KAMMERS; GHISI, 2006). A Associação Brasileir a de F abricantes de Ma teriais e Equipamentos para Saneamento (ASF AMAS, 2013) que car regam em seus produtos o selo do Prog rama Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habita t (PBQP-H), instrumento do Gov er no F eder al, divulg ou em setembro deste ano que 89% dos fabricantes brasileiros do setor de aparelhos economizadores estão em conformidade. Baseado nessa inf or mação , no Br asil, o PBQP-H determinou que a partir de 2003 todas as bacias sanitárias produzidas no país utilizassem par a o consumo , no máximo , de 6 a 8 litros/descarg a, independente do sistema em que fossem adotadas (BRASIL, 2014). Com esta necessidade definida como lei, procuramos verificar os tipos de equipamentos disponív eis no mercado . Atualmente, são três tipos de equipamentos sanitários: por g ravidade , a vácuo e por pressão; sendo o primeiro mais utilizado nacionalmente. As bacias sanitárias por g ra vidade funcionam por meio de div ersos tipos de acionamento , tendo como os mais usuais: válvula de descarg a e caixa de descarg a conv encional ou acoplada. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 325 Ademais , e xistem dispositiv os conhecidos como duo-f lash que funcionam com descarg as de três litros para o descar te de efluentes líquidos , enquanto que para o de efluentes sólidos são necessários seis litros . Estes dispositiv os são for necidos tanto em caixas acopladas como par a válvulas de descarg as . As empresas fabricantes do produto afirmam que e xiste uma economia de água do aparelho economizador em relação ao con v encional considerando que as descargas para eliminação dos dejetos líquidos representam 80% e que o sistema conv encional consome 6L por acionamento . Outro elemento complementar ao próprio aparelho sanitário , e que contribui para a redução do consumo de água, é a utilização de água para pia que fica acoplada prov eniente do reuso , pouco utilizada ainda no Brasil (Quadro 1). Quadro 1 - Bacias sanitárias e válvulas economizadoras de água *Economia de água do aparelho economizador em relação ao conv encional consider ando que as descarg as para eliminação dos dejetos líquidos re presentam 80% e que o sistema conv encional consome 6L por acionamento. F onte: Baseado em A CQ U AMA TIC; DECA; DOCOL; R OCA, 2016. V ale ressaltar que para a pia acoplada à bacia sanitária, se dev e ter cuidado na hora de utilizá-la par a descartar substâncias que apresentem cor e/ou cheiro diferenciado impossibilitando , assim, o seu reuso . No caso dos mictórios , estes equipamentos podem, dependendo da tipologia, consumir g rande quantidade de água para que haja a remoção da urina e nos mais antigos , o acionamento de água ocor re de f or ma contínua. Atualmente, no mercado , e xistem dois tipos de válvulas que ao ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 326 serem acionadas remo v em os efluentes líquidos: fechamento automático e por acionamento infrav er melho . Este tem como prob lema o fa to da sensibilidade do sensor , o qual é acionado , às vezes , simplesmente pelo fa to de ha v er uma pessoa próxima do mesmo . Grande av anço se deu, em relação à economia significa tiv a de água, com a fa bricação de mictório economizadores , que funcionam sem a necessidade de água para eliminar os dejetos , o fecho hídrico é feito a tr a vés de um líquido de coloração azul, menos denso que a urina, conhecido por EcoT r a p e de mictórios com lav a tórios . Ambos são pouco utilizados devido ao custo de compra (Quadro 2). Quadro 2 - Mictórios economizadores de água *Economia de água do aparelho economizador em relação ao conv encional consider ando que o uso de descarg as para efluentes liquídos , no mictório, consome 1,2L e , no sistema conv encional, 6L. F onte: Baseado em DECA; DOCOL; DRA CO , 2016. T al produto , ou seja, aparelho economizador , segundo os fabricantes , pode ger ar economia de água em relação ao con v encional considerando que o uso de descargas para efluentes líquidos , no mictório , consome 1,2L e, no sistema con v encional, 6L. As tor neir as apresentam seu consumo diretamente lig ado à sua vazão e ao período de tempo em que o usuário utiliza a mesma. P ar a tal, visando à economia do consumo , e xiste no mercado acessórios incor porados à tor neir a como: arejador , re gulador/restritor , fechamento automático e acionamento fotoelétrico (L OMBARDI, 2012). Os arejadores são instalados na saída da bica da tor neir a e é composto por uma tela fina que reduz a área e possibilita a entrada de ar pelas la terais . Enquanto que os restritores de v azão limitam a quantidade de água das tor neir as (Quadro 3). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 327 Quadro 3-T or neir as e dispositiv os economizadores de água *Economia de água do aparelho economizador em relação ao convencional. F onte: Baseado em DECA; DRA CO (2016) As tor neir as com fechamento automático e acionamento fotoelétrico são indicadas em locais com alto f luxo de pessoas , tendo o retor no do inv estimento em um curto período de tempo devido à redução no desperdício de água (L OMBARDI, 2012). De acordo com a NBR 10.281 (ABNT , 2003) a tor neir a dotada de arejador dev e apresentar vazão mínima de 0,05L/s , nas mesmas condições de alimentação estabelecidas pa r a o ensaio sem arejador (limite mínimo de 0,10L/s para a vazão quando a tor neir a é alimentada por água na pressão de 15kP a). P ar a se ter um parâmetro do custo/benefício , foi realizada uma pesquisa em relação ao valor de algumas tecnologias economizadoras e xistentes nas lojas de ma teriais de construção da cidade de J oão P essoa e consta tou-se que as tor neir as automáticas e de sensor , as bacias sanitárias por acionamento dual e os arejadores de vazão podem ser encontr ados em div ersas marcas e em pr a ticamente todos os estabelecimentos (T a bela 1). Como também, notou-se que algumas tor neir as já apresentam o dispositiv o incorpor ado . T a bela 1- Custo dos produtos conv encionais e economizadores de água PR ODUT O TIPO PREÇ O 1* PRE ÇO 2* BA CIA SANIT ÁRIA Dual Conv encional R$ 467 ,82 R$91 , 15 R$584, 91 R$ 105,30 MICT ÓRIO Conv encional (sem acionamento) R$256, 79 R$277 ,86 ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 328 T ORNEIRA Automátic o Sensor Conv encional R$119 ,87 R$277 ,55 R$79 ,83 R$125, 91 R$362,89 R$83, 97 AREJ ADOR - R$ 19, 90 R$31 , 90 *V alores monetários a tuais de referência F onte: Elaborada pelos autores (2016) Entretanto , diante do e xposto na referida T abela, percebe-se a dificuldade em encontrar produtos economizadores nos estabelecimentos comerciais , tais como: bacia e mictórios acoplados na pia, mictórios sem água e bacia com f luxo de 2 litros por acionamento . Esta foi encontrada no próprio site da for necedora, Acquamatic , por um preço de R$498,00. Ademais , é notório que o custo da tor neir a por acionamento automático em relação à con v encional é ir risório , tendo-se o custo/benefício em cur to prazo . Já o valor associado à bacia sanitária, mesmo sendo uma diferença de custo um pouco maior , em médio prazo conseguiria eficácia na relação custo/benefício . RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O P ar a alcançar o objetiv o proposto neste estudo , foram escolhidos os sanitários púb licos masculino e feminino localizados no Bloco F , onde funcionam salas de aulas dos cursos de Engenharia Civil e Direito , localizado no Centro Univ ersitário de J oão P essoa (UNIPÊ) (Figura 1). Figura 1 - Centro Universitário UNIPE, localizado no bairro Água Fria em J oão P essoa-PB F onte: Os autores . O objeto de estudo são os sanitários púb licos masculino e feminino localizados no Bloco F , onde funcionam salas de aulas dos cur sos de Engenharia Civil e Direito , localizado no Centro Universitário de J oão BLOCO F ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 329 P essoa (UNIPÊ) (Figur a 2). Neste ponto da pesquisa, passamos a apresentar a presente situação dos sanitários em análise para que se possa entender o consumo de água e xistente no local. Figura 2 - Planta de cober ta e La yout do Bloco F F onte: Os autores . No sanitário púb lico feminino estão localizadas três bacias , todas elas com caixa de descarg a alta não acoplada sendo uma para por tadores de deficiência física. Há a e xistência também de três la va tórios , cada um com tor neir a sem acionamento automático (Figura 3). Figura 3 – Sanitário Público F eminino – Bloco F F onte: Os autores . Sanitários masculino e feminino ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 336 . E S TR UTURAS MÓ VEIS P ARA REALIZA ÇÃ O DE EVENT OS V aléria Vieir a da Silva 1 , José Ykar o Alv es da Costa Macedo 2 , Daniel R odrigues Bar r eto Junior 3 , Edgar Gr anja Bezerr a Neto 4 , Maria Jacy Cajú do Egito 5 . 1Gr aduanda do Cur so de engenharia Civil do Unipê. E-mail: valeria_vieir [email protected] 2Gr aduando do Cur so de engenharia Civil do Unipê. E-mail: ykar [email protected] om 3Gr aduando do Cur so de engenharia Civil do Unipê. E-mail: dr [email protected] 4Gr aduando do Cur so de engenharia Civil do Unipê. E-mail: edgar gr [email protected] 5 Mestr e em Desenvolvimento e Meio Ambiente – UFPB- UEPB. Pr ofessor a do Curso de Engenharia Civil – Unipê. E-mail: [email protected] CAPÍTUL O 25 RE SUMO Ev entos acontecem diariamente em todo o mundo . Contudo , para que ocorr a a realização deles faz-se necessário uma equipe técnica e um intenso estudo sobre o local e também a estrutur a a ser montada. A presente pesquisa se v olta à se gurança e necessidade da presença de um engenheiro no momento em que se erguem as estr uturas para a realização dos ev entos , pois ev entuais erros podem ocor rer colocando em risco as vidas de pessoas que estão env olvidas direta ou indiretamente com o ev ento denotando , assim, um descaso com as leis e nor mas da construção civil. Trata-se de uma pesquisa de obser vação e tem o foco de apontar erros detectados , com dados coletados em pesquisa de campo e com a ajuda de software de análise estrutur al que v em nos dar uma visão mais ampla dos possív eis erros estrutur ais . Consta tou-se que, embora o orgão fiscalizador CREA, ev entualmente, esteja presente para re gularizar e deixar o seu selo de cer tificação , de aprovação , dev eria ha v er cálculos mais precisos realizados por um engenheiro para que er ros estrutur ais não v enham a acontecer . P alavr as-Cha v e: Estrutur as . F alta de planejamento . Calculo estrutur al. Engenheiro . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 337 INTRODUÇÃ O Ev entos acontecem praticamente todos os dias e , para ocorrer com a devida qualidade e segurança, são necessários equipamentos que promo vam tais finalidades . Nesse conte xto , é preciso ter uma estrutur a de fácil montagem e de locomoção simples que supor te uma g rande carga e que tenha uma boa resistência ao desg aste diário . Esse estudo tem como objetiv o apresentar estr uturas que são montadas em ev entos e como é realizada a sua montagem, já que, caso ela não seja bem colocada pode trazer sérias consequências ne g ativ as ao ev ento . Trata-se portanto , de uma analise estr utural necessária a estabilidade da montagem e segurança do ev ento . Além disso , a falta de um engenheiro nas obras dificulta ainda mais a se gurança e o estabelecimento dos padrões corretos do procedimento da obr a, possiv elmente decorrente de uma falha da gestão das empresas env olvidas , que não cobram isso dos engenheiros contratados . V ale salientar que e xiste ma terial especifico que compõe uma estrur a no qual é utilizado diariamente em muitos sho ws com o objetiv o de sustentar iluminação , o som, o palco e tudo que for necessário para a realização do ev ento . T ais equipamentos são usados na monta gem de palcos , trav es par a telões , torres de sustentação para sistema de som, passarelas e cobertur as de camarotes . Cada uma dessas estrutur as tem uma forma correta de montagem. P ara a presente pesquisa, foi descrito especificamente os seguintes materiais: treliça bo x truss Q30, cubo tipo ST30, pau de carga, trav a Q30, base quadrada S30, sleev e ST30 e os parafusos de 5/8 de aço com arr uelas e porcas . A presente temática é pertinente, a tual e relev ante, e plenamente inédita, pois estudos não se encontram v oltados a essa área de interesse. P or isso , compete a engenheiros , estudantes de engenharia e áreas afins refletir sobre tal assunto , pois devido a impor tância dos e v entos no nosso meio social, uma situação ca tastrófica afeta todos os en v olvidos no ev ento e também usuários dele, ou seja, interfere na vida de toda uma sociedade. MET ODOL OGIA O presente estudo é uma pesquisa de campo em que analisamos dois tipos diferentes de estrutur as de palco e, conjuntamente , usamos a entrevista como instrumento de coleta de dados com o objetiv o de colher mos inf or mações de alguns operários que trabalharam nas estr uturas em questão , além de conse guir v arias imagens utilizadas para a análise. P ar a a realização dos cálculos , focamos em uma área da estrutur a, onde a carg a aparenta va ser maior , utilizamos o software Ftool e conseguimos os g ráficos de momento e cor tante . Utilizamos também o Auto cad 2016 e realizamos a representação de como estav a montada a estrutur a. R e gistro foto g ráfico tembém foi realizado objetiv ando colher ima gens dos principais erros na montagem das estruttur as visitadas . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 338 PL ANEJ AMENT O E CUID ADOS NA MONT AGEM De modo a iniciar uma obra, é vital diversos cuidados prévios e um bom planejamento para que a mesma seja entre gue com segur ança e qualidade. Isso se faz necessário pois uma obra mal planejada pode estar sujeita a todo tipo de problema que comprometa seu andamento e seu resultado final. Sendo assim, uma análise prévia do local e do tipo de construção dev e ser feita de modo a perceber quais são os equipamentos ideais , insumos necessários , métodos de se gurança, estr uturas de apoio , e tipo de mão de obra que ser virão a e xecução daquela construção de forma mais efetiva. Além disso , é evidente a importância de um engenheiro no desenv olvimento do projeto , para que haja um cálculo bem feito dos recur sos a serem utilizados , da iluminação ideal, entre outros fa tores . Assim, faz-se menos pro váv el que ocor ram imprevistos e g randes problemas na e x ecução do projeto que prejudiquem sua qualidade, seu tempo de entreg a ou que aumente seu orçamento . Durante o planejamento , dev e-se atentar para além da par te técnica da obra. As documentações necessárias par a a sua execução são tão impor tante quanto esses detalhes , pois a falta de um documento , licença ou apro vação , pode comprometer todo o andamento da obra. É de suma impor tância que se obtenha uma licença do CREA, a a tuação do engenheiro , uma licença ambiental, documentos do contratante , e a análise desses documentos dev e ser feita por uma equipe capacitada e eficiente, para que não haja erros . Em um dos locais da pesquisa, na cidade, encontramos um adesiv o do Órgão R e gulamentador - CREA (Conselho R e gional de Engenharia e Ag ronomia) que fiscaliza as obras de engenharia e, no caso especifico , estrutur a de ev ento (Figur a 1). Figura 1- Selo do CREA-PB F onte: Acer v o pessoal (2016) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 339 Entretanto , nesse mesmo local, identificamos ir regularidades na estrutur a montada, mesmo recebendo o certificado do CREA. T al consta tação se apresentam nas figuras 2 e 3, em que estão evidenciados os erros e ne gligências dos responsáv eis pela estrutur a. Figura 2- F alta de dois parafusos na montagem F onte: Acer v o pessoal (2016) Figura 3- Estr utura de aluminio flexionada pela quantidade de peso F onte: Acer v o pessoal (2016) Como se pode perceber , a falta de parafusos pode ger ar prob lema estrutur al, de segur ança, assim como a nítida situação de estrutura que está sofrendo uma carg a mais intensa do que a que na turalmente pode supor tar , ou seja, produzindo esforço que tende a curvar o eix o longitudinal, pro v ocando tensões nor mais de tr ação e compressão na estrutura. ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 340 RISCOS NAS E S TR UTURAS A falta de um engenheiro obser vando e fiscalizando se a montagem esta correta e se a quantidade de ma terial estará na carga ideal para a estr utra é bastante comum. Como elas são móv eis , então cada ev ento precisa de um cálculo e uma quantidade de ma teriais diferentes e a ausência de um engenheiro especializado traz o risco de colocarem uma quantidade de peso e xa gerado em uma estr utura e causar danos g r a v es . Em tal situação , os operários não podem ser culpados , pois muitos não têm a noção adequada de cálculo para saber se a estrutur a v ai supor tar . Outro risco é não pensar nos feitos na turais que desgastam o ma terial e, principalmente, a f orça do v ento que pode prejudicar a estrutur a ao ponto de cair . EXEMPL OS MAIS COMUNS DE A CIDENTE S Convém esclarecer , nesse ponto do estudo , as prob lemáticas mais comumente ocorridas em ev entos . • Quedas de palco: cada palco é montado praticamente da mesma forma, o que muda é que, dependendo do tamanho das estr utu- ras , aumenta a quantidade dos equipamentos e , além disso , são acrescentados à estrutur a luzes , som, instrumentos musicais e outras peças par a o sho w . Assim, o peso vai ficar todo na estrutura de aço e nem sempre ela supor ta essa carg a ocor rendo , assim, a queda do palco . P ossiv elmente por não ter ha vido cálculo tal qual ocorreu em Indiana, Estados Unidos (Figur a 4). Figura 4 - R ompimento de uma estr utura e queda de um palco F onte: P or tal rock line (2011) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 341 • Acidentes com operários: a falta de uso de equipamentos podem causar vários tipos de acidentes como , por e xemplo , sem as luvas podem ocorrer cor tes; falta de capacete -pode causar danos na ca- beça com a queda de equipamentos; não utilizar protetores sonoros traz prejuízos à audição; não usar botas pode aumentar o risco de descarg as elétricas; falta de protetores de coluna pode trazer aos operários danos futuros e deixar eles sem poder lev antar pesos e um dos EPI’s menos utilizados são os cintos para subir em um ponto elev ado e qualquer descuido , pode causar um acidente g r a v e. Ao obser v amos as nor mas vigentes , é perceptíivel que , conforme a P or taria n.º 3.214, de 08 de junho de 1978, a empresa é obrig ada a for necer aos empregados , g r a tuitamente, EPI adequado ao risco , em perfeito estado de conser vação e funcionamento (MTE, 1978), mas por não ter fiscalização ou cobrança da empresa, os operários que trabalham na montagem simplesmente não utilizam a segurança necessária. Então , eles ficam e xpostos a riscos que podem afetar a vida de todos os en v olvidos em ev entos realizados com essas estr uturas . Um e x emplo de acidente rela tado um uma das entrevistas f oi o erro de um dos operários que esqueceu de colocar parafusos de um lado da estrutur a deixando-a solta no referido lado e , ao subir outro operário , este percebeu que um lado esta va solto e isso quase causou a queda do operário , mas como um dos lados esta va de vidamente encaixado , ele tev e tempo suficiente para descer da estr utura evitando algo pior . Com isso , se confir ma a importância da presença de um engenheiro na montagem, como também uma fiscalização mais rígida antes do inicio do ev ento . RE SUL T ADOS E DISCUS SÃ O Nos propomos , neste ponto do estudo , inf or mar sobre obser v ações realizadas no cotidiano da vivência de monta gem de estr uturas para ev entos , onde a monta gem de g rids ocor re sem fiscalização , sem o cálculo correto , sem analise de iluminação e com a falta de engenheiro presente na montagem para propor construções estr uturais per tinentes ao e v ento em questão . A constr ução civil é uma indústria delicada, que requer g rande planejamento na e x ecução das obras , pelo alto risco que falhas podem trazer tanto para a se gurança do trabalhador , quanto no resultado final da obra. P ar a que as barras de treliças estejam submetidas apenas às forças normais , como hipótese de cálculo, é necessário que essas peças estejam igualmente articuladas e sejam perfeitamente retilíneas . Nenhuma barr a será considerada contínua de um nó para outro . Na prática, essas condições ideais não ocorrem perfeitamente. Existem muitos fa tores que opacam a teoria quando se caminha para a prática dos ma teriais . Isto se dá, principalmente, pelas condições intrínsecas das partes que compõem as peças elementares das treliças . Os nós , por e x emplo , ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 342 sempre oferecerão alguma resistência estática à rotação plena da rótula ideal que para ele se admita por hipótese. No caso das peças metálicas , por e x emplo , essas articulações não podem ser perfeitas porque são formadas de chapas soldadas , parafusadas , arrebitadas , etc . Sempre ha verá certa rigide z real nisto mesmo quando as carg as são aplicadas somente e diretamente nos nós de transição . Na prática, acaba ha vendo alguma solicitação de momento (“M”) às barr as (FRANCO , 2012). O referido autor (2012) complementa afir mando que a diferença (real) que ocorre entre as tensões reais e as tensões de projeto chamadas “tensões primárias”que lev arão às “tensões ocultas” ou “secundárias”. No entanto , se pode garantir que as bar ras de treliças quando cuidadosamente dispostas de maneira a fazer com que seus eix os (prolongamento do perfil longitudinal que passa por todos os centros de g ravidade “CG” de cada unidade de seção da bar ra) se cruzem num único ponto em cada nó as g r andezas dos esforços primários pouco se alterará por motiv o das tensões ocultas . Nesta condição , estes poderão ser despre zados . O compor tamento das treliças pode ser comparado ao das vigas submetidas à f le xão simples . Ger almente para uma treliça bi-apoiada. Compreendendo isto , nos propomos , neste estudo , a lev antar os cálculos refrentes a monta gem de uma estr utura. A que foi escolhida para análise foi a que se apresenta na figura 5. Figura 5 – R e presentação em CAD da estrutura par a ev ento F onte: Elaborada no Autocad pelos autores (2016) ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 343 Assim, para melhor visualização desse estudo , desenhamos a estrutur a com auxílio da ferr amenta A utocad2016, em que é possiv el v er a vista superior , a vista la teral esqueda e a vista frontal da estrutur a em análise. Em seguida, montamos a estr utura no prog rama de analises estrutur al Ftool para, assim, obter um resultado com relação a estabilidade e esforços (Figura 6). Figura 6 – A Distribuição das barr as e carg as é feita de forma simétrica par a g ar antir a esta bilidadeda estr utura. F onte: Elaborada no software Ftool pelos autores (2016) Os esforços axiais podem ser de dois tipos: tração e compressão . Como podemos obser var na estr utura, há uma forca horizontal que impulsiona a estrutur a para a tr ação e compressão , que se mantem em equilíbrio (Figura 7). Figura 7- Esforços da estrutur a F onte: Elaborada no software Ftool pelos autores (2016) Obser vando os esf orços v er ticais e, de acordo com a distrib uição das carg as na estrutur a e com o auxilio do ferr amenta Ftool, f oram obtidos as reações de apoio conf or me a Figura 8 e che g ou-se a conclusão de que elas estão em perfeita har monia e equilíbrio , pois a treliça não chega a romper e quebrar . ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 344 Figura 8- Esforços constantes F onte: Elaborada no software Ftool pelos autores (2016) A força momento do ma terial também foi obser v ada e percebeu-se que a estrutur a tem uma elasticidade consideráv el no limite da sua carga (Figura 9). Figura 9- F orça momento Fonte: Elaborada no software Ftool pelos autores (2016) P or tanto , usando os dados coletados e utilizando o prog rama de analises estrutur al Ftool, para che g ar a uma conclusão estr utural confiável neste show , podemos v erificar que essa estr utura, em par ticular e montada de forma peculiar não apresenta problemas de segurança e, consequentemente, nãotrará risco par a os participantes do ev ento (Figura 10). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 345 Figura 10 - Estr utura montada de um ev ento F onte: Acer v o pessoal (2016) Ao realizar mos os cálculos e encontrar mos situação estrutur al fa v orável da monta gem deste ev ento em par ticular , não inibe a preocupação em se ter plena a tenção e fiscalização nas distintas monta gens de estr uturas . T al ref le xão se confirma a par tir de entrevista realizada in loco com os operários , pois de acordo com ela, costa tou-se que as medidas de segur ança do trabalho são muitas v e zes negligenciadas , e g r andes consequências podem surgir disso . Diversos acidentes em construções evidenciam essa realidade e escancaram a falta de planejamento de se gurança. Ainda segundo os entrevistados , a negligência dur ante a montagem e no decorrer da obra pode ser percebida cotidianamente. De acordo com um operário entrevistado , é dado aos trabalhadores o equipamento básico , conhecidos como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que consiste em botas , protetores auriculares e luvas , mas proteções e xtras , tais como capacetes e proteção de coluna par a redução de riscos , não são oferecidos nor malmente . Com isso , as empresas responsáveis , tendem a seguir o mínimo possivel do esta belecido pelas nor mas . Nesse sentido , a questão de se gurança se estende do básico – proteção do operário env olvido - até a própria questão estrutural. T odo esse quadro de segur ança precária é uma g rav e falha na indústria da construção civil. O planejamento de se gurança é uma fase essencial da obra, de modo que dev e ha v er uma a valiação das áreas de risco e inv estimento na proteção para evitar , ao máximo , os riscos de possíveis acidentes . V ale ressaltar que, na Secretaria de Comunicão Social (SECOM), as orientações são bem especificas sobre as monta gens de ev entos indo da indicação do projeto básico , local de realização a té a montagem do palco em que se dev e infor mar: O número de pessoas que o utilizarão; Equipamentos que estarão dispostos no espaço; P osicionamento das peças de ambientação e comunicação e, por fim, Condições de acesso , se gurança e visibilidade (SECOM, 2015). ENGENHARIA CIVIL | T emas, técnicas e aplicaç ões - V olume II 352 principais medidas de proteção ao meio ambiente já vêm sendo implantadas nos projetos das futuras edificações . A maioria dos antigos edifícios , no entanto , não contempla projetos ou equipamentos com esses objetiv os de sustentabilidade , ou outras medidas que propiciem maior proteção ao meio ambiente, motiv o da impor tância de se incluir esses itens no plano de manutenção de melhoria (GOMIDE, 2007). A construção civil desenv olve no vas tecnolo gias de constr ução , no intuito de contribuir com a preser vação do meio ambiente . Essas no vas tecnolo gias podem colaborar para solução de questões ambientas , e implementar a sustentabilidade em uma tenta tiva de minimizar a deg r adação do meio ambiente. Em função desse cenário , surgem os cer tificados para obr as sustentáv eis . As soluções aplicadas às obras , estão beneficiando a melhoria de saúde e bem-estar de quem utiliza o espaço e a otimização da relação das pessoas com o ambiente, a redução dos estra gos pro g ressiv os ocasionados pela contaminação , o xidação e deterior ação dos ma teriais . Atualmente, existem vários sistemas inter nacionais de cer tificação e orientação ambiental para edificações , que possuem o intuito de incentivar a transformação dos projetos , obr a e operação das edificações , sempre com foco na sustenta bilidade de suas a tuações . Os cer tificados mais utilizados no Brasil são: o cer tificado inter nacional LEED , o Processo A Q U A e o Selo Casa Azul. Desenv olvido em 1998 pelo U .S . Green Building Council ( USGBC) o LEED ( Leader ship in Energ y and Envir onmental Design ) é um selo inter nacional que cer tifica edifícios que priorizam o conforto dos usuários com sistemas eficientes de redução de desperdícios . Os empreendimentos que possuírem essa certificação indicam que atenderam aos critérios estabelecidos de desempenho de energia, água, redução de CO2, qualidade do interior dos ambientes , uso de recur sos na tur ais e impactos ambientais . A certificação ocor re a través de um sistema de pontos que define o nív el de proteção ambiental adquirido no empreendimento . O selo LEED possui 4 (qua tro) nív eis: Cer tificado , Prata, Ouro e Pla tina (GR ÜNBER G , [s .d]; LEITE, 2011). De acordo com Mandai et al. (2011), a constr ução sustentáv el pode custar 5% a 7% mais que a conv encional, porém o retor no do inv estimento de empreendimentos cer tificados pelo LEED é de três a cinco anos , enquanto o de edifícios conv encionais pode che g ar a de z anos . O Processo de Alta Qualidade Ambiental (A Q U A) é o primeiro selo brasileiro que nor teia a construção sustentável. Os empreendimentos cer tificados pelo Processo A Q U A foram av aliados pelo seu desempenho ambiental e apresentam benefícios como economia de água e energia e qualidade de vida dos usuários (MAND AI et al., 2011). O Processo A Q U A compõe-se do Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) e do referencial de Qualidade Ambiental do Edifício (Q AE). Desenv olve uma metodolo gia na qual são v erificadas qua torze ca te gorias e incorpora elementos que facilitam o desempenho ambiental após a entrega da obra (GR ÜNBER G , [s .d.). O Selo Casa Azul tem por objetiv o estimular o uso inteligente dos recursos naturais , reduzir as despesas mensais dos usuários e incentivar as vanta gens das construções sustentáveis . São av aliadas as soluções eficazes utilizadas na construção , manutenção , uso e ocupação das edificações . A adesão ao selo não é obrig a tória e é aplicada apenas em construções [Document text truncated for crawler view.]