scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE A MANOBRA DE DESENGASGO PARA GESTANTES E PUERPÉRAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Centro Universitário de João Pessoa

Full text

110 EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE A MANOBRA DE DESENGASGO PARA GESTANTES E PUERPÉRAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA Ayssa Joyce Alves Vieira (E-mail: ayssajoyce[email protected]) Karolinne Alves Figueiredo Thully Gleice Marinheiro Leonardo DOI 10.5281/zenodo.17675313 Resumo Objetivo: relatar a experiência dos estudantes do curso de Bacharelado em enfermagem ao desenvolver uma ação de educação em saúde em uma instituição social, sobre a temática manobra de desengasgo para gestantes e puérperas. Metodologia: Consiste em um relato de experiência de caráter descritivo, no qual apresenta a vivência dos acadêmicos do curso de Bacharelado em enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ, durante as atividades do projeto de extensão “Cuidado no Gestar” realizado na instituição social Colo de Mãe João Pessoa-PB, localizado do bairro dos Ipês, no mês de setembro de 2024. Descrição da experiência: dividiu-se a ação em dois momentos, o primeiro, consistiu em abordar de maneira prática o passo a passo para realizar a manobra de Heimlich. Posteriormente, foi proposto uma dinâmica de perguntas sobre o tema, destacando a importância da realização correta da manobra em possíveis situações de engasgo na criança. Considerações finais: A ação demonstrou-se eficaz na promoção do conhecimento sobre primeiros socorros entre as integrantes do projeto social, contribuindo para o empoderamento materno diante de situações de risco, e também, fortalecendo vínculo mãe-filho na promoção de maior segurança no cuidado domiciliar. Descritores: Engasgo; Manobra de Heimlich; Educação em Saúde. Introdução A obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE), conhecida como engasgo, caracteriza-se pela falha na troca gasosa, deglutição ineficaz e aspiração de objetos (Jonge et al., 2020). Sendo classificada como obstrução grave (total) e leve (parcial). A grave consiste na obstrução das vias aéreas causada por aspiração de corpo 111 estranho, geralmente, localizado na laringe ou traqueia. A vítima pode estar consciente ou inconsciente, não consegue respirar ou apresenta ruídos adventícios (sibilos e/ou estridor) à respiração e/ou tosse silenciosa, cianose labial e/ou de extremidades e sinais de asfixia. Já a parcial, consiste na obstrução das vias aéreas por corpo estranho, geralmente, à nível de epiglote. O indivíduo tem a capacidade de responder, tossir, podendo ter ou não dificuldade respiratória e referir náusea (Pereira et al., 2024). Segundo a sociedade brasileira de pediatria mais de 50% dos casos de aspirações ocorrem em crianças menores de 4 anos e antes dos 7 anos, mais de 94% dos casos. Até os três anos, oferecer alimentos em forma de grão ou com consistência solida torna-se perigoso, pois o desenvolvimento dentário não está completo para fazer a trituração adequada fazendo com que a deglutição seja direta. Além disso, na infância elas possuem o hábito de levar qualquer objeto a boca, então brinquedos não específicos para faixa etária aumentam o risco de acidentes envolvendo aspiração (Brasil, 2022). Nos primeiros socorros, a intervenção adequada para desobstrução de vias aéreas é a manobra de Heimlich. Em casos de crianças que possuem uma obstrução total, maiores de um ano, a manobra consiste em compressões abaixo das costelas, com sentido para cima, abraçando a criança por trás até que o corpo estranho seja deslocado da via aérea para a boca e expelindo. Em casos de menores de um ano, devem ser efetuadas 5 batidas com a mão na região das costas, a criança com a cabeça virada para baixo, seguida de 5 compressões na frente até que o corpo estranho ou a criança volte a responder e reagir (Brasil, 2022). A manobra é essencial para reverter quadros de asfixia, sendo importante que pais e cuidadores estejam aptos a realizá-la, independentemente de serem profissionais da saúde. A enfermagem, 112 nesse contexto, tem papel fundamental na promoção da saúde, especialmente ao capacitar gestantes e puérperas para atuar em situações de emergências no ambiente domiciliar. Portanto, o presente estudo tem como objetivo descrever a experiência de discentes do curso de Bacharelado em enfermagem na ação de educação em saúde sobre manobra de desengasgo com gestantes e puérperas, desenvolvido em um projeto de extensão universitária. Metodologia Trata-se de um relato de experiência, do tipo descritivo, baseado na vivência de estudantes do projeto de extensão “Cuidado no Gestar” do curso de Enfermagem, do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ durante uma ação educativa realizada em 25/09/2024 em uma instituição social localizada no bairro do Ipês, que desempenham atividades com gestantes e puérperas em João Pessoa – PB. Relato de experiência A atividade consistiu em uma oficina prática produzida por um grupo de alunos do curso de Enfermagem, extensionistas de um projeto voltado para ações de promoção da saúde em gestantes e puérperas. A dinâmica interativa abordou a manobra de Heimlich para diferentes faixas etárias, com demonstrações realizadas em bonecos por discentes previamente capacitados. A técnica para bebês menores de 1 ano incluiu compressões interescapulares e torácicas, enquanto a versão para crianças maiores envolveu compressões abdominais. Antes da demonstração foi realizada uma breve explicação sobre o tema, destacando sua importância e exemplificando situações cotidianas que podem se tornar 113 perigosas, como oferecer brinquedos ou alimentos inadequados para faixa etária. Exigindo que as mães saibam aplicar a manobra de maneira correta. As participantes mostraram-se receptivas aos alunos e interessadas na temática discutida. Após a demonstração realizada pelo grupo, as integrantes do projeto social foram convidadas e estimuladas a reproduzir o passo a passo da manobra, com a finalidade de tornar o momento mais dinâmico e como forma de colocar em prática o conhecimento adquirido. Em seguida, foi promovido um momento de esclarecimento de dúvidas. As mesmas interagiram de maneira dedicada, contribuindo para o êxito da atividade e enriquecimento da discussão sobre o assunto. Desenvolveu-se, ainda, uma dinâmica com perguntas acerca das simulações, como: “Qual sinal de que o bebê desengasgou após a manobra de desobstrução?”, com entrega de premiações simbólicas às participantes que responderam corretamente, objetivando ajudá-las na compreensão do tema. Nas ações posteriores, uma participante relatou que, dias após a oficina, aplicou com sucesso a manobra em seu filho durante um episódio de engasgo, reforçando a efetividade da ação educativa realizada pelos extensionistas. Considerações finais A ação extensionista demonstrou-se eficaz na promoção do conhecimento sobre primeiros socorros e entre gestantes e puérperas, contribuindo para prevenção de agravos e o empoderamento materno diante de situações de risco. A disseminação de informações acessíveis associadas a prática demonstrativa, amplia a capacidade de resolução frente a emergência doméstica em casos de engasgo, fortalece o 114 vínculo mãe-filho, promove maior autonomia da mãe e segurança no cuidado domiciliar. Além disso, a experiência também foi enriquecedora para os discentes, considerando conhecimento teórico-prático adquirido através da implementação da ação extensionista. Tal vivência gerou impacto positivo na formação acadêmica dos discentes, tornando-os mais capacitados para a vida profissional e sensíveis as demandas da sociedade. Referências A LVARENGA, E. H. L. Recomendações da associação brasileira de otorrinolaringologia e cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) sobre a atenção ao engasgo dificuldade de deglutição (disfagia). 2024. Disponível em: https://aborlccf.org.br/wpcontent/uploads/2024/03/NotaTecnica_ABOR L-CCF_Disfagia_01-de-marco-de-2024.pdf. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Mais de 94% dos casos de asfixia por engasgo ocorrem em crianças menores de sete anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/noticias/2022/dezembro/mais-de-94-dos-casosdeasfixia-porengasgo-ocorrem-em-criancas-menores-de-sete-anos. Acesso em: 1 maio 2025. JONGE, A. L. J. et al. Conhecimentos de profissionais de educação infantil sobre obstrução de vias aéreas por corpo estranho. Enfermagem em foco, [S. l.], v.11, n. 6, p. 192198, 2020. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n6.3425. Disponível em: https://enfermfoco.org/article/conhecimentos-de-profissionais-deeducacao-infantilsobreobstrucao-de-vias-aereas-por-corpo-estranho/. Acesso em: 25 nov. 2025. PEREIRA, F. A. et al. Obstrução de vias aéreas por llcorpo estranho In: SANTOS, S. M. J; CARDOSO, E. F. F; FILGUEIRA, V. M. G. (org.). Suporte de vida nas urgências e emergências pré-hospitalares. João Pessoa, PB: CCTA, 2024. p. 97-114.