CUIDANDO COM EFETIVIDADE: ESTRATÉGIAS DE ENFERMAGEM PARA A QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM HIV
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132 CUIDANDO COM EFETIVIDADE: ESTRATÉGIAS DE ENFERMAGEM PARA A QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM HIV Jamilly Victorya Nunes da Silva (E-mail: jamillyv[email protected] ) Isabely de Lima Moura Deborah Helena Batista Leite DOI 10.5281/zenodo.17675361 Resumo Objetivo: descrever as estratégias de enfermagem voltadas para a promoção da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, na qual foram selecionados artigos científicos publicados nos últimos cinco anos sobre o papel da enfermagem no cuidado a pessoas vivendo com HIV. A revisão incluiu estudos que abordaram tanto as ações de tratamento como as de prevenção, com foco nas práticas que contribuem para o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes. Resultados e Discussão: Os resultados evidenciam que as estratégias de enfermagem são fundamentais para o cuidado holístico de pessoas vivendo com HIV. As práticas de enfermagem destacam-se na promoção de uma assistência humanizada, na adesão ao tratamento antirretroviral, no manejo das comorbidades associadas ao HIV, e no apoio psicossocial. As evidências apontam que o cuidado de enfermagem, ao ser integral e centrado na pessoa, contribui de forma significativa para a melhoria da qualidade de vida desses indivíduos. Considerações Finais: A pesquisa reforça a relevância das práticas de enfermagem no cuidado integral de pessoas vivendo com HIV. Recomenda-se que futuras investigações explorem com mais profundidade a atuação da enfermagem na profilaxia pré e pós-exposição (PrEP e PEP), ampliando o escopo das estratégias de prevenção e cuidado com enfoque na integralidade e na dignidade humana. Descritores: HIV-1; Síndrome da Imunodeficiência Adquirida; Enfermagem; Qualidade de Vida; Cuidados de Enfermagem, Introdução O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) afeta o sistema imunológico, reduzindo a capacidade do organismo de combater
133 infecções e favorecendo a evolução para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) na ausência de tratamento. Desde seu reconhecimento na década de 1980, a infecção por HIV tem sido marcada por estigmas sociais que afetam a qualidade de vida das pessoas acometidas, gerando consequências físicas, psicológicas e sociais significativas (UNAIDS, 2024). Apesar dos avanços terapêuticos, a permanência desses estigmas ainda dificulta o acesso a cuidados de saúde adequados e ao suporte social, o que agrava o sofrimento dessas pessoas (Campany; Amaral; Santos, 2021). Neste contexto, a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV é impactada pela adesão ao tratamento antirretroviral, pela rede de apoio social e pela presença ou ausência de discriminação (UNAIDS, 2024). O autocuidado, o fortalecimento de vínculos sociais e o suporte emocional são elementos-chave para o bem-estar desses indivíduos. A APS é um cenário ideal para a promoção de uma abordagem integral e humanizada, que vai além do cuidado clínico e inclui a redução do estigma e a promoção de ambientes inclusivos (Melo et al., 2021). A atuação da enfermagem é central no cuidado às pessoas vivendo com HIV, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) (Ayres, 2022). Entretanto, ainda são escassos os estudos que sintetizam as práticas de enfermagem mais efetivas na promoção da qualidade de vida dessa população, o que evidencia uma lacuna no conhecimento e justifica a realização da presente revisão. A relevância desse tema reside no impacto direto que o cuidado de enfermagem, especialmente no contexto da APS, pode ter na melhoria da qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV, contribuindo para sua autonomia e bem-estar. Portanto, o objetivo deste estudo é descrever as estratégias de enfermagem voltadas para a promoção da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV.
134 Metodologia Este estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa. A questão norteadora que guia essa revisão é: "Quais são as estratégias de enfermagem voltadas para a promoção da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV disponíveis na literatura?". A formulação da questão de pesquisa foi estruturada com base na estratégia PICO, considerando: P (Paciente/Problema) como pessoas vivendo com HIV, I (Intervenção) como a atuação da enfermagem no cuidado dessa população, C (Comparação) não sendo aplicável, pois o foco é entender a atuação da enfermagem sem comparação com outras abordagens, e O (Resultado) como a promoção da qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV. A coleta de dados foi realizada em março de 2025, utilizando as bases de dados SciELO e a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) com foco em publicações entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Para a estratégia de busca, foram utilizadas combinações de descritores estruturados com operadores booleanos. As equações de busca para cada base foram as seguintes: na SciELO, a equação de busca foi ("HIV" OR "Síndrome da Imunodeficiência Adquirida" OR "AIDS") AND ("Enfermagem" OR "Cuidados de Enfermagem") AND ("Qualidade de Vida" OR "Promoção da Saúde"); na BVS, aplicou-se ("HIV" OR "Infecção por HIV") AND ("Assistência de Enfermagem" OR "Intervenções de Enfermagem") AND ("Qualidade de Vida" OR "Bem-Estar"); com filtros manuais de relevância e ano de publicação. Os operadores booleanos AND e OR foram usados para expandir ou restringir os resultados conforme a especificidade de cada base. Os critérios de inclusão para os estudos foram: artigos originais, publicados em periódicos revisados por pares, disponíveis na íntegra, que
135 abordassem a atuação da enfermagem no cuidado a pessoas vivendo com HIV e seu impacto na qualidade de vida. Foram excluídas dissertações, teses, editoriais e artigos duplicados entre bases. A seleção dos estudos seguiu um processo de leitura em três etapas: na primeira, foi realizada a leitura dos títulos para verificar a pertinência com os critérios de inclusão. Na segunda etapa, foram lidos os resumos, considerando a relevância do estudo em relação ao foco da pesquisa. Por fim, na terceira etapa, foram feitas as leituras na íntegra para garantir que os estudos atendiam a todos os critérios de inclusão. Foram identificados os principais achados de cada estudo, visando a compreensão dos diferentes aspectos da atuação da enfermagem no cuidado de pessoas vivendo com HIV e na promoção da qualidade de vida. Por fim, os resultados foram sintetizados e interpretados, com a discussão dos achados à luz da literatura existente. Resultados e Discussão A amostra final foi composta por sete estudos publicados entre 2020 e 2025, originários majoritariamente de países da América Latina. Os resultados desta revisão integrativa evidenciam três principais eixos de intervenção da enfermagem no cuidado à pessoa vivendo com HIV na Atenção Primária à Saúde (APS): promoção da adesão ao tratamento antirretroviral, suporte psicossocial e enfrentamento do estigma associado à doença. Os achados desta revisão indicam que a atuação da enfermagem no cuidado à pessoa vivendo com HIV ultrapassa a dimensão biomédica, exigindo práticas que reconheçam as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas por essa população (Agostini et al., 2019). A adesão ao tratamento, embora essencial para o controle da infecção, exige abordagens que considerem as necessidades emocionais e sociais
136 dos pacientes, reforçando a importância de intervenções educativas e suporte contínuo (UNAIDS, 2024). O suporte psicossocial emerge como ferramenta central para a promoção da qualidade de vida, uma vez que contribui para a resiliência frente às barreiras impostas pelo estigma social (Campany; Amaral; Santos, 2021). Além disso, as iniciativas voltadas à sensibilização de profissionais de saúde são imprescindíveis para a construção de ambientes de cuidado livres de preconceito, fortalecendo o vínculo terapêutico e favorecendo a permanência dos usuários nos serviços. Assim, reafirma-se o papel estratégico da enfermagem na implementação de ações integradas que respeitem a singularidade dos indivíduos e promovam seu protagonismo no processo de viver com HIV (Knauth; Pilecco, 2024). As estratégias de enfermagem concentram-se no apoio, na escuta ativa e qualificada, contribuindo para a redução do isolamento, a adesão ao tratamento e a promoção de uma melhor qualidade de vida para os idosos vivendo com HIV (Augusto et al., 2024). A enfermagem também pode atuar na promoção de hábitos saudáveis, no fortalecimento dos vínculos interpessoais, no incentivo à adesão ao tratamento, por meio de escuta ativa e qualificada, bem como no estímulo à autonomia e à continuidade do cuidado dos pacientes acometidos pelo HIV (Augusto et al., 2024). Estratégias como escuta qualificada, apoio emocional, incentivo à adesão ao tratamento, estímulo a hábitos saudáveis, cuidado multiprofissional contínuo e articulação com redes de suporte social são fundamentais para assegurar um cuidado humanizado e centrado na pessoa (Agostini et al., 2019). Esta revisão integrativa apresenta algumas limitações, como o número reduzido de estudos incluídos, a diversidade metodológica dos trabalhos analisados e a restrição do recorte temporal, o que pode limitar a generalização dos achados. Recomenda-se que futuras pesquisas ampliem o número de bases de dados consultadas e
137 considerem diferentes contextos socioculturais para uma compreensão mais abrangente da temática. Considerações Finais Em suma, os resultados desta revisão reafirmam que as estratégias de enfermagem desempenham um papel central na promoção da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV, assegurando um cuidado integral, humanizado e eficaz, voltado às dimensões física, emocional e social do bem-estar. Esta pesquisa contribui para o fortalecimento de uma assistência de enfermagem mais qualificada e responsiva às múltiplas necessidades das pessoas vivendo com HIV. Recomenda-se que investigações futuras aprofundem a atuação da enfermagem na profilaxia pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP), ampliando o escopo das estratégias de prevenção e cuidado, em uma perspectiva que valorize a integralidade e a dignidade humana. Referências AGOSTINI, R. et al. A resposta brasileira à epidemia de HIV/AIDS em tempos de crise. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, n. 12, p. 4599-4604, dez. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/8kskKTq9StVQYtMxrwrb4KL/?lang=pt. Acesso em: 27 abr. 2025. AUGUSTO, P. dos S. et al. Health Management of an HIV Testing and Counseling Center: Nursing Contributions. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 1, p. e20230217, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2023-0217. Acesso em: 27 abr. 2025. AYRES, J. R. Vulnerabilidade, cuidado e integralidade: reconstruções conceituais e desafios atuais para as políticas e práticas de cuidado em HIV/Aids. Saúde em Debate, v. 46, n. spe7, p. 196-206, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/MmhcWVjggvV9myjqqz3XJTh/?format=ht ml&lang=pt. Acesso em: 27 abr. 2025.
138 CAMPANY, L. N. da S.; AMARAL, D. M.; SANTOS, R. N. de O. L. dos. HIV/AIDS no Brasil: feminização da epidemia em análise. Revista Bioética, v. 29, n. 2, p. 374-383, abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/59QZ8jvL3p5Kq6qJnSKqdrJ/. Acesso em: 27 abr. 2025. KNAUTH, D. R; PILECCO, F. B. Aids e prevenção do HIV entre adolescentes e jovens em seis municípios brasileiros. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 33, n. 1, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S010412902024230789pt. Acesso em: 27 abr. 2025. MELO, E. A. et al. Cuidado de pessoas vivendo com HIV na atenção primária à saúde: reconfigurações na rede de atenção à saúde? Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 12, p. e00344120, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311X00344120. Acesso em: 27 abr. 2025. UNAIDS. Relatório Global 2024: A urgência do agora — A AIDS frente a uma encruzilhada. Disponível em: https://unaids.org.br/wpcontent/uploads/2024/07/RelatorioGlobalPTBR.pdf. Acesso em: 27 abr. 2025. UNAIDS. Dia Mundial de Luta Contra a AIDS 2024: Sigamos o caminho dos direitos. Disponível em: https://unaids.org.br/2024/11/dia-mundialde-luta-contra-a-aids-2024-sigamos-o-caminho-dos-direitos/. Acesso em: 27 abr. 2025.