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Extension Course Notes: Basic Laboratory Safety Information.

DA SILVEIRA, KELLY CRISTINE

Abstract

Extension Course Notes: Basic Laboratory Safety Information. Apostila do Curso de Extensão: Informações Básicas de Segurança em Laboratórios.

Full text

Universidade do Estado do Rio de Janeiro Instituto Politécnico Laboratório de Ensaios Mecânicos e Metrologia – LEMec Laboratório Químico Curso de Extensão Informações Básicas de Segurança em Laboratórios Nova Friburgo Versão 3 2023 Laboratório de Ensaios Mecânicos e Metrologia – LEMec Laboratório Químico Curso de Extensão A presente apostila foi organizada pela Dra. Kelly Cristine da Silveira, pós-doutoranda do Instituto Politécnico (IPRJ/UERJ), para o curso de extensão “Informações Básicas de Segurança em Laboratórios”. O objetivo deste curso é proporcionar conhecimentos introdutórios de segurança em laboratório, evitando eventuais acidentes durante a realização de experimentos diversos. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 4 2. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NO LABORATÓRIO 5 2.1 COMPORTAMENTO INDIVIDUAL 5 2.2 REALIZAÇÃO DO EXPERIMENTO 9 3. MATERIAL DE LABORATÓRIO E SUA UTILIZAÇÃO SEGURA 9 3.1 VIDRARIAS 9 3.2 MATERIAL DE PORCELANA 11 3.3 USO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS 12 3.4 USO DE CHAMA 12 3.5 USO DE ESTUFAS 13 3.6 USO DE BANHO-MARIA 14 3.7 USO DE PLACA, CHAPA OU MANTA DE AQUECIMENTO 15 3.8 USO DE DESSECADOR E DESSECANTES 16 3.9 MANUSEIO DE REAGENTES E AMOSTRAS 17 3.9.1 MANIPULAÇÃO DE LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS E COMBUSTÍVEIS 18 3.9.2 MANIPULAÇÃO DE PRODUTOS TÓXICOS 20 3.9.3 MANIPULAÇÃO DE PRODUTOS CORROSIVOS 22 3.9.4 MANIPULAÇÃO DE PRODUTOS ESPECIAIS (PERÓXIDOS, PERCLORATOS, CLORATOS, NITRATOS) 23 3.9.5 MANIPULAÇÃO DE PRODUTOS PIROFÓRICOS 24 4. ARMAZENAMENTO DE REAGENTES 24 5. DESCARTE DE RESÍDUOS 29 6. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO 31 7. FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS – FISPQ 33 8. PRIMEIROS SOCORROS 34 REFERÊNCIAS 37 ANEXOS 39 ANEXO I. LISTA DE SUBSTÂNCIAS INCOMPATÍVEIS 40 ANEXO II. PICTOGRAMAS DE PERIGO 44 ANEXO III. QUEIMADURAS – PRIMEIROS SOCORROS 45 ANEXO IV. MAPAS DE RISCOS DO LEMEC 46 ANOTAÇÕES 48 4 1. INTRODUÇÃO A segurança em laboratório é crucial para garantir a saúde e bem-estar dos trabalhadores, além de proteger o meio ambiente e evitar danos ao equipamento e instalações. É importante seguir as normas de segurança e as instruções de manuseio de equipamentos e substâncias químicas para evitar acidentes e incidentes. Além disso, é importante ter medidas de segurança em caso de emergência, como extintores de incêndio e equipamentos de proteção individual. A conscientização e o treinamento regular são essenciais para manter a segurança nos mais diversos laboratórios. Os laboratórios químicos apresentam riscos como absorção de substâncias presentes no ar, contaminação em caso de acidentes com produtos químicos e uso inadequado de equipamentos. Especificamente, esses riscos incluem a absorção cumulativa de substâncias presentes na atmosfera laboratorial por meio de inalação, absorção cutânea ou ingestão, contaminação em grande escala devido a acidentes com produtos químicos como explosões e projeção de ácidos, e mau uso de materiais de vidro e equipamentos elétricos. Os profissionais que trabalham em laboratórios devem estar cientes da importância das orientações e medidas preventivas para minimizar acidentes. A compreensão dos riscos associados ao manuseio inadequado de substâncias e materiais químicos é indispensável para garantir a segurança de todos. A Figura 1 apresenta uma relação dos principais riscos relacionados à prática laboratorial inapropriada. Figura 1: Riscos relacionados ao manuseio inadequado de produtos químicos: Acidentes Pessoais Adaptado de: http://www.iqm.unicamp.br/ 5 Neste contexto, esse Manual de Segurança visa fornecer as recomendações básicas para o uso adequado de produtos químicos, materiais e equipamentos comuns em laboratórios de ensino e pesquisa, além de orientações sobre comportamentos seguros para manter uma boa prática de segurança nas atividades experimentais. As orientações aqui apresentadas foram personalizadas para as atuais demandas do Laboratório Químico da UDT/LEMec, entretanto, são orientações universais a diferentes realidades laboratoriais. 2. PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NO LABORATÓRIO Para garantir a segurança de todos, é importante seguir as normas e procedimentos de segurança ao entrar em um laboratório. No entanto, essas regras simples são frequentemente desconsideradas no dia a dia do laboratório. Portanto, é responsabilidade do professor orientador lembrar as regras de segurança necessárias antes de iniciar cada atividade e verificar se os alunos estão cumprindo as recomendações. Para garantir um ambiente de trabalho seguro no laboratório, é fundamental seguir os procedimentos destacados a seguir. 2.1 Comportamento Individual É obrigatório o uso de um jaleco de manga longa, confeccionado em algodão, preferencialmente, durante qualquer prática laboratorial, garantindo proteção contra substâncias tóxicas e corrosivas. Os alunos devem manter seus cabelos presos, evitar roupas muito largas que possam atrapalhar o manuseio de vidrarias e materiais em geral. Acostume-se a usar, no laboratório, um sapato/tênis fechado, de salto baixo e sola pouco escorregadia ou antiderrapante. É vetada a utilização de bermudas, saias ou similares; sempre trabalhe no laboratório com calças longas, para sua própria segurança. Óculos de segurança são altamente recomendados no laboratório, especialmente onde o uso é obrigatório; sempre que houver riscos potenciais, usar e fazer com que as demais pessoas usem. Conhecer as saídas de emergência (quando existentes), localização dos extintores, caixa de primeiros socorros e contatos de emergência. Indispensável a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs) durante a permanência em laboratório. Ainda, é importante a utilização de equipamentos de proteção coletiva (EPCs), como capelas de exaustão, e o conhecimento sobre a utilização de lava-olhos e chuveiro de emergência, por exemplo. 6 Ao sair do laboratório, verifique se todos os equipamentos estão desligados, torneiras e janelas fechadas e luzes apagadas para garantir a segurança de todos. O último a sair do laboratório deve fazer essa verificação. As regras de segurança para utilização de laboratório químico variam de acordo com o tipo de trabalho e os materiais utilizados, mas algumas medidas gerais incluem: 1. Usar equipamento de proteção pessoal, como óculos de segurança, luvas, jaleco e sapatos fechados. 2. Conhecer os riscos e precauções associadas a cada material químico utilizado, incluindo informações sobre toxicidade, inflamabilidade e reatividade (consulte a ficha de segurança - FISPQ). a. Prepare-se para qualquer experiência, lendo as orientações e fichas de segurança antes de ir para o laboratório; siga as instruções de seu orientador, anotando com cuidado todas as precauções a tomar em cada etapa da atividade experimental; b. Acostume-se a registrar suas atividades em seu caderno de laboratório e nas planilhas/cadernos disponíveis no laboratório em caso de uso de equipamento ou descarte de material; c. Realizar somente as experiências após sua discussão com o professor e com os colegas; d. Considere todos os produtos químicos como perigosos, verificar o procedimento para manuseio e descarte, toxidez e incompatibilidade dos produtos químicos diretamente em suas fichas de segurança. Lembre-se: todo produto químico tem um risco associado! Evite exposição desnecessária. 3. Seguir as instruções gerais de utilização do ambiente laboratorial. a. Manter o local de trabalho bem ventilado e iluminado; b. Nunca seque vidrarias volumétricas tais como: pipeta volumétrica, bureta e balão volumétrico, em estufa; c. Armários de uso pessoal, no laboratório, devem conter apenas as suas roupas e objetos de uso pessoal. Não utilize esse espaço para materiais de laboratório; d. É vetada a colocação de qualquer tipo de alimento sobre as bancadas, em armários e em geladeiras de laboratório; e. Nunca utilize vidraria de laboratório (béquer, erlenmeyer) como utensílio doméstico (copo, reservatório) - o risco é óbvio; 7 f. É vetado o hábito de alimentar-se no laboratório (água/café também não pode!) e evite o uso de lentes de contato: os produtos químicos (vapores) podem danificála, causando graves lesões nos olhos; g. Mantenha as bancadas sempre limpas e livres de materiais que não serão utilizados naquele momento e deixe o espaço limpo para o próximo usuário; h. Ao se ausentar da bancada de trabalho ou deixar um experimento durante a noite, faça a identificação adequada do experimento (ver modelo de ficha do LEMec); i. Não deixe desatendidos fontes de calor (bicos de gás ou maçaricos, placas de aquecimento ou mantas), bombas de vácuo e trompas d’água. Desligue antes de se ausentar; j. Papéis e resíduos utilizados devem ser colocados no recipiente de coleta de lixo comum, somente quando não apresentarem risco (contaminação); k. Não use material quebrado ou em condições de risco. Faça o descarte adequado e registre; l. Dar tempo suficiente para que um vidro quente resfrie; não coloque diretamente sobre a bancada fria, use suporte de adequado e indique o risco de queimadura (coloque uma etiqueta de aviso). 4. Armazenar os materiais químicos de forma adequada e seguir as instruções de segurança dos rótulos. a. Evitar a mistura de produtos químicos incompatíveis, como ácidos e bases, por exemplo. Verificar a tabela de incompatibilidade; b. Verificar, periodicamente, possíveis derramamentos ou vazamentos nos armários de reagentes; c. Fazer a verificação regular de reagentes formadores de peróxidos ou subprodutos perigosos (kit de prevenção); d. Os reagentes devem ser, preferencialmente, armazenados em armários de segurança, com propriedades anti explosão e/ou corta fogo, por exemplo (muito comum para líquidos inflamáveis). 5. Seguir as instruções de segurança para o manuseio de materiais tóxicos, inflamáveis e corrosivos. a. Não fumar no laboratório e manter recipientes com solventes inflamáveis longe de fontes de calor; b. Não identificar reagentes pelo cheiro ou sabor; c. Verificar o rótulo do frasco que contém um dado reagente antes de retirar dele qualquer porção do seu conteúdo. Rotular imediatamente esse novo recipiente; 8 d. Risco de contaminação. As porções de reagentes que não forem usadas nunca devem voltar para o frasco de onde forem retiradas; evite introduzir qualquer objeto no frasco de um reagente, exceção feita para o conta-gotas com o qual ele possa estar equipado; e. Não adicionar água ao ácido, mas sim ácido à água (risco de projeção de líquido); f. Nunca pipete com a boca, nem mesmo água: para isso existem pêras de borracha, pipetas automáticas e seringas descartáveis; não vale a pena o risco - você não tem nenhuma garantia da limpeza da extremidade da pipeta e do caráter “inofensivo” do produto químico; g. Lave cuidadosamente as mãos, com bastante água e sabão, antes de sair do laboratório. Ainda, recomenda-se não tocar o rosto/corpo com as luvas (estão contaminadas); h. Rotule imediatamente qualquer reagente ou solução preparados e as amostras coletadas; rapidamente você poderá não saber mais o que é o quê, muito menos seu colega de trabalho; i. A destilação de solventes ou simples manipulação de ácidos e/ou materiais tóxicos deve ser realizada em capela de exaustão. 6. Conhecer os procedimentos de emergência, incluindo como lidar com vazamentos, incêndios e exposições. a. Limpe imediatamente todo e qualquer derramamento de produtos químicos (alguns laboratórios têm kit especial para derramamentos); use EPIs adequados para realizar esta atividade; derivados de petróleo podem ser embebidos em estopa, que deve ser descartada em recipiente adequado para tal (material inflamável); ácidos e bases fortes devem ser neutralizados (com vermiculite, calcário, serragem, areia seca, etc.) antes de serem removidos; b. De forma geral, se ocorrer um derramamento de líquidos inflamáveis, produtos tóxicos ou corrosivos, proceda da seguinte maneira: 1) interrompa o trabalho; 2) advirta as pessoas próximas ao local sobre o ocorrido; 3) solicite ou realize a limpeza imediatamente; 4) alerte seu orientador ou responsável pelo laboratório; 5) solicite e corrija a causa do problema; 7. Manter registros detalhados de todas as operações químicas realizadas no laboratório. a. Acidentes no laboratório; b. Descarte de resíduos; c. Utilização de equipamentos por pessoas externas; d. Registro diário de temperatura de refrigeradores; e. Aferição da balança analítica, empregando-se o peso padrão (utilize luvas adequadas – encontra-se junto à caixa do padrão – UDT/LEMec). 9 8. Revisar regularmente as regras de segurança para garantir que estejam atualizadas e adequadas às condições atuais do laboratório. E, da mesma forma, oferecer treinamento periódico aos usuários do laboratório. Na dúvida, pergunte! Não execute nenhuma atividade que coloque sua segurança e dos demais em risco. 2.2 Realização do Experimento Como já mencionado, os laboratórios apresentam potenciais riscos e, portanto, é importante que os alunos evitem brincadeiras e estejam atentos durante as atividades. O uso de equipamentos de segurança, como jaleco, óculos de segurança e luvas, é obrigatório para todos. Nenhum experimento deve ser feito sem o prévio conhecimento das condições seguras para sua realização. Além disto, toda a atividade deve ser previamente discutida com o orientador ou supervisor, sendo destacados os riscos e os protocolos seguros para o êxito do experimento. Destaca-se a necessidade do conhecimento prévio de possíveis subprodutos reacionais, além da toxicidade dos reagentes precursores. Além disso, o procedimento adequado em caso de derramamentos e o adequado descarte dos resíduos gerados no experimento. Sempre consulte as Fichas de Segurança disponíveis no laboratório. 3. MATERIAL DE LABORATÓRIO E SUA UTILIZAÇÃO SEGURA Os materiais frequentemente usados nos laboratórios compreendem: vidrarias de uso geral; materiais de porcelana e metálicos (pinças, bicos de gás, por exemplo) e equipamentos elétricos (fornos, estufas, mantas, equipamentos de caracterização). Sua utilização segura requer alguns cuidados e condições adequadas de manuseio. Observe algumas recomendações específicas a seguir. 3.1 VIDRARIAS O uso de vidraria danificada pode causar riscos desnecessários aos usuários e afetar os resultados dos experimentos. É importante verificar regularmente a condição da vidraria e remover imediatamente qualquer item danificado ou fora das condições de uso. Além disso, é importante descartar a vidraria de forma segura e adequada, de acordo com as regulamentações locais. 16 superaquecimento, para isso, utilizam-se barras magnéticas, pérolas de aquecimento ou simplesmente pedaços de cerâmica (restos da tua xícara de café, que quebrou!) Figura 7: Exemplos de equipamentos para aquecimento Fonte: Equipe LEMec 3.8 USO DE DESSECADOR E DESSECANTES O dessecador é utilizado para manter amostras secas enquanto esfriam e antes de serem pesadas, e em alguns casos, para secar uma amostra úmida. Um dessecante, como o cloreto de cálcio ou sílica gel, é adicionado na parte inferior do dessecador para absorver a umidade. É importante trocar o dessecante periodicamente. Quando um objeto aquecido é colocado no dessecador, é recomendado esperar cerca de 60 segundos antes de colocar a tampa, pois isso pode causar aumento de pressão no interior do dessecador e romper a vedação entre a tampa e a base. Depois de esfriar, pode ocorrer o efeito oposto, ou seja, pressão reduzida no interior do dessecador, o que pode causar perda de amostra. Emprega-se com maior frequência a sílica gel, que pode ser reaproveitada, apenas sendo necessária sua secagem em estufa, até que a cor original seja reestabelecida, indicando a remoção total da água (de rosa para azul, por exemplo). 17 Figura 8: Dessecador e o dessecante sílica gel azul (dentro do dessecador e na embalagem original); e dentro do béquer a sílica gel azul que absorveu umidade (rosa) Fonte: Arquivo pessoal 3.9 MANUSEIO DE REAGENTES E AMOSTRAS Manipular reagentes químicos requer precauções e cuidados específicos. O primeiro passo é ler a etiqueta do reagente e identificar informações básicas, como massa molar, fórmula química e grau de pureza. A etiqueta também deve conter informações de perigo, riscos e orientações de primeiros socorros, além de indicações de incompatibilidade química. Embora a etiqueta forneça informações importantes, destaca-se que elas são básicas e mais informações podem ser encontradas nas fichas técnicas ou de segurança fornecidas pelo fabricante, que contém detalhes como função, descrição física, armazenamento, composição, impurezas, toxicidade e primeiros socorros. Os reagentes químicos são fabricados com diferentes graus de pureza, que são importantes na escolha adequada do reagente para um determinado procedimento experimental. Existem reagentes com graus especiais para propósitos específicos, como grau espectral e grau cromatográfico. Dependendo da aplicação, os reagentes passam por diferentes processos de purificação e controle de qualidade. Os reagentes para análises gerais, como volumetria, potenciometria e titulação, são diferentes dos reagentes para casos específicos, como cromatografia líquida, cromatografia gasosa e análise de resíduo de pesticidas, que são purificados especificamente para remover impurezas que podem interferir em uma aplicação particular. Manipular reagentes de forma correta é crucial, não somente devido aos riscos inerentes a cada reagente, mas também para preservar as condições do reagente. Várias regras devem ser seguidas para evitar contaminação. Além disso, é importante escolher e limpar 18 cuidadosamente o material de coleta, como espátulas de aço inoxidável ou porcelana. Em particular, para reagentes líquidos concentrados (ácidos, por exemplo), é recomendado retirar a quantidade necessária do reagente e colocá-lo em outro recipiente, como um béquer, antes de utilizar a vidraria volumétrica para retirar a quantidade desejada para o experimento. O conteúdo restante não deve retornar ao frasco original, deve-se descartá-lo adequadamente. A B Figura 9: Manipulação de amostras e reagentes. A) Combustão de amostra de hidrato de ciclopentano; B) Teste qualitativo de contaminante em água Fonte: Equipe LEMec e arquivo pessoal 3.9.1 Manipulação de líquidos inflamáveis e combustíveis Líquidos inflamáveis são aqueles que apresentam ponto de fulgor 1 abaixo de 70 ºC. São classificados de acordo com suas propriedades físicas: 1 É a temperatura mínima na qual um combustível libera vapor em quantidade suficiente para formar uma mistura inflamável por uma fonte externa de calor; entretanto a chama não se mantém devido à insuficiência da quantidade de vapores. 19 • Ponto de Fulgor até 37,7 ºC: CLASSE I • Ponto de Fulgor de 37,7 ºC até 70 ºC: CLASSE II Os líquidos combustíveis (CLASSE III) apresentam ponto de fulgor acima de 70 ºC; quando aquecidos a temperaturas superiores ao seu ponto de fulgor, comportam-se como líquidos inflamáveis. Tabela 1. Líquidos inflamáveis comumente utilizados em laboratório Líquidos inflamáveis Ponto de Fulgor (ºC) Líquidos inflamáveis Ponto de Fulgor (ºC) Acetato de etila -4,4 Cicloexano -20 Acetato de metila -9 1,2-dicloroetano 13 Acetona -38 Éter etílico -45 Álcool etílico 12 Éter de petróleo -30 Álcool isopropílico 12 Dissulfeto de carbono -30 Álcool metílico 23 Hexano 23 Benzeno 11 Trietilamina -7 Os líquidos inflamáveis e combustíveis são altamente perigosos e devem ser manipulados com extrema precaução. Riscos associados incluem incêndios e explosões, além de queimaduras graves. Algumas orientações a seguir incluem: • Utilize somente recipientes apropriados para armazenar e transportar esses líquidos. • Verifique se há extintores de incêndio disponíveis no local e familiarize-se com sua utilização. • Mantenha esses líquidos longe de fontes de calor, chama ou faíscas. • Utilize equipamento de proteção pessoal, como luvas e óculos de segurança, ao manipular esses líquidos. • Evite fumar ou usar dispositivos elétricos enquanto manipula esses líquidos. • Certifique-se de que o local de trabalho está bem ventilado. • Não jogue na pia líquidos inflamáveis e/ou voláteis (consulte as recomendações para recolhimento dos resíduos gerados); • Estoque-os em recipientes de despejo previstos para isto, e adequadamente rotulados; • Guarde frascos contendo líquidos inflamáveis e/ou voláteis, especialmente nos dias quentes de verão, em geladeiras apropriadas; 20 • Tenha cuidado ao realizar qualquer tipo de mistura, os riscos podem ser aumentados. 3.9.2 Manipulação de produtos tóxicos A manipulação de produtos tóxicos requer uma série de precauções para garantir a segurança dos usuários. Deve ser evitada ou minimizada. Algumas das medidas a serem tomadas incluem: • Não manipular produtos tóxicos sem o conhecimento da toxidade e de seus mecanismos de intoxicação (cutânea, oral); • Evite aspirar vapores, pois muitos compostos são extremamente irritantes, quando não tóxicos, para isso, trabalhe somente na capela, com EPIs adequados; • Ao transferir ou manejar solventes voláteis ou substâncias que desprendem vapores tóxicos ou corrosivos, utilize uma capela ou trabalhe um local bem ventilado (aberto). • Nas reações onde ocorre desprendimento de vapores ou gases nocivos, providenciar a instalação de um trap (armadilha) eficiente; • Não jogue produto tóxico na pia (reagentes ou subprodutos da reação); • Evite o contato de produtos tóxicos com a pele, mas em caso de contaminação, lavar a parte afetada com água em abundância. Apenas água. • A transferência de sólidos deve ser efetuada com o auxílio de espátulas; líquidos devem ser transferidos com o auxílio de provetas ou pipetas (volumétricas ou graduadas); • Evitar que um líquido, ao ser vertido do frasco que o contém, escorra sobre o respectivo rótulo, danificando-o; • Qualquer sintoma de mal-estar, interrompa o trabalho, imediatamente, e avise seu supervisor ou orientador, acompanhado, então, dirija-se ao socorro médico, com a ficha de segurança do produto manuseado. É importante evitar respirar até mesmo pequenas concentrações de gases e vapores tóxicos, pois muitos deles têm efeitos diretos sobre o sistema nervoso central, fígado e rins, mesmo que sintomas agudos de envenenamento não sejam observados imediatamente. Por exemplo, o metanol e o brometo de metila causam danos irreversíveis ao nervo ótico, o benzeno afeta a medula cerebral e o tetracloreto de carbono é altamente tóxico para o fígado. Se possível, esses reagentes devem ser substituídos por alternativas menos tóxicas, como etanol, tolueno e hexacloroetano, respectivamente. Além disso, é importante estar ciente de que gases como monóxido de carbono, ácido cianídrico e ácido sulfídrico podem ser fatais 21 quando inalados, mesmo em pequenas concentrações. É importante estar ciente dos riscos e precauções a serem tomadas ao lidar com esses reagentes. Tabela 2. Produtos tóxicos frequentemente utilizados em laboratório Agente Químico Avaliação de Riscos* Inalação Ingestão Irritação cutânea Contato ocular Ácido cianídrico 4 4 2 4 Ácido fluorídrico 4 4 4 4 Ácido fórmico 4 3 4 4 Ácido oxálico 3 3 3 3 Acroleína 4 3 3 4 Anidrido ftálico 3 - 2 3 Anilina 3 3 2 2 Benzeno 3 2 2 2 Bromo 4 4 4 4 Cianeto de potássio - 4 3 4 Cloro 4 - 3 4 Cloronitrobenzeno 4 3 3 3 Etanolamina 3 2 2 3 Fenol 2 3 4 4 Flúor 4 - - - Formaldeído 3 3 3 3 Hidrocarbonetos halogenados 4 3 2 3 Iodo 4 4 4 4 Iodometano 4 - - - Isocianatos 4 - 3 3 Mercúrio 4 1 - 1 Nitrobenzeno - 4 3 4 Piridina 3 2 2 3 Vapores nitrosos 4 - 2 3 *Exposição acidental pode acarretar: (1) Lesão mínima, (2) Lesão leve, (3) Lesão moderada, (4) Lesão grave. Vapores de mercúrio e poeira de chumbo e sílica são venenos que se acumulam no corpo e causam doenças crônicas se inalados em baixas concentrações por longos períodos. 22 Por isso, é importante manipulá-los em capelas de segurança e, no caso da sílica e do chumbo, usar máscaras com filtros de proteção. Em caso de derramamento de mercúrio, pode-se espalhar enxofre em pó, pois as pequenas gotas de mercúrio aderem ao enxofre e podem, então, ser facilmente removidas varrendo-se o enxofre espalhado. Alguns produtos químicos são conhecidos como cancerígenos. Essas substâncias devem ser manuseadas com extrema precaução ou, se possível, evitadas completamente. Exemplos de cancerígenos conhecidos incluem betanaftol, alfanaftilamina, benzeno, 3,4-benzopireno e outros hidrocarbonetos de estrutura semelhante. Ainda, compostos alifáticos e aromáticos contendo grupos nitroso e nitrosoaminas também foram incluídos nesta categoria. O vapor da mistura sulfocrômica (usada para limpeza de vidrarias) também é considerado cancerígeno, portanto, recomenda-se a interrupção de seu uso. 3.9.3 Manipulação de Produtos Corrosivos Os líquidos corrosivos devem ser manipulados com extrema precaução, pois podem causar queimaduras graves em contato com a pele ou tecidos vivos. É importante usar luvas (PVCCloreto de polivinila), óculos de segurança e outros equipamentos de proteção para minimizar o risco de acidentes. Além disso, os recipientes que armazenam esses produtos devem estar devidamente etiquetados e o local de armazenamento deve ser ventilado adequadamente. Se esses líquidos entrarem em contato com outros materiais, como o ácido sulfúrico e dicromato de potássio, pode haver risco de incêndio. Estão nesta categoria as bases e ácidos fortes, alguns agentes fortemente oxidantes. Por isso, é importante seguir as instruções de segurança e manuseio fornecidas pelo fabricante. • Não jogue produtos corrosivos concentrados na pia; alguns podem ser descartados depois de neutralizados e diluídos. Verifique as orientações de descarte. Tabela 3. Produtos tóxicos comumente utilizados em laboratório Ácido bromídrico Bromo Ácido cloroacético Cloreto de acetila Ácido fluorídrico Cloreto de estanho Ácido fórmico Fenol Ácido iodídrico Hidróxido de sódio e potássio Ácido nítrico Oxicloreto e tricloreto de fósforo Ácido perclórico Água oxigenada Mistura sulfocrômica Peróxido de sódio Ácido sulfúrico 23 3.9.4 Manipulação de Produtos Especiais (Peróxidos, Percloratos, Cloratos, Nitratos) Os peróxidos orgânicos são moléculas que possuem ligação -O-O-, podendo ser extremamente instáveis e decompondo-se espontaneamente. Quase todos os peróxidos são foto e termicamente sensíveis, pois essa ligação química é muito fraca e, portanto, facilmente rompida. São classificados entre os produtos mais perigosos. Alguns peróxidos manipulados em laboratórios são mais sensíveis ao choque do que o TNT-Trinitro tolueno. É importante seguir as instruções de segurança do fabricante e as normas locais para o armazenamento. Outros produtos, como os cloratos, percloratos e nitratos, também têm comportamento perigoso face a impactos e exposição à luz, por exemplo. Alguns reagentes formam peróxidos com facilidade, pois reagem com o oxigênio do ar. Esses peróxidos instáveis podem explodir violentamente quando concentrados por evaporação ou destilação, aquecidos ou submetidos ao choque/fricção (acetato de vinila, aldeídos, tetrahidrofurano (THF), cetonas cíclicas, ciclohexano, cicloocteno, decalina, éter etílico e isopropílico, p-dioxano, entre outros); requerem cuidados especiais para a sua manipulação e seu armazenamento. Não podem ser jogados na pia! Risco de explosão! Ainda, a embalagem deve ser incinerada numa instalação de incineração adequada. Com a necessidade de utilização desses reagentes, orienta-se a compra de kits de verificação da presença desses subprodutos e de remoção desses peróxidos. Alguns reagentes possuem inibidor, como o BHT, entretanto, ainda existe a necessidade de teste qualitativo ou semiquantitativo para verificação desses subprodutos. Diversos protocolos de verificação e controle de peróxidos estão disponíveis na literatura. Observe na sua manipulação alguns cuidados: • Não use espátula de metal para manipular peróxidos; • Não retorne ao frasco original qualquer quantidade de peróxido ou compostos formadores de peróxidos não utilizados; • Não jogue peróxidos na pia; eles devem ser altamente diluídos, e descartados adequadamente; • Não resfrie soluções com peróxido abaixo da temperatura de congelamento deles; na forma cristalina, são mais sensíveis ao choque; • Absorva imediatamente, com vermiculite, por exemplo, soluções de peróxidos derramadas; • Verifique a formação de peróxidos periodicamente de acordo com a necessidade de cada produto. Alguns laboratórios possuem fita para teste de formação desses subprodutos (kit de prevenção). 24 3.9.5 Manipulação de Produtos Pirofóricos Produtos pirofóricos são aqueles que, em condições ambiente normais (atmosfera, temperatura e umidade), reagem violentamente com o oxigênio do ar ou com a umidade, gerando calor, gases inflamáveis e fogo. Dentre estes, podem ser citados os metais alcalinos e alguns derivados organometálicos: butil-lítio, dietil-zinco, potássio, sódio, lítio, trietilalumínio. Cuidados: A manipulação destes produtos requer cuidados especiais, de acordo com o seu estado físico: Sólidos: • Lítio, sódio e potássio, são sólidos; devem ser manipulados sob um líquido inerte, geralmente querosene; exposições prolongadas ao ar podem levar à ignição espontânea. • Não jogue aparas de metais alcalinos na pia; podem explodir e provocar incêndios! • Conserve os produtos pirofóricos sólidos longe de solventes inflamáveis para evitar propagação do fogo; • Descarte aparas de metais alcalinos vertendo-as, aos poucos, em metanos, etanos ou propanol (secos). Líquidos: • Os derivados organo-metálicos, com exceção do Butil-lítio; são líquidos que devem ser acondicionados em recipientes metálicos, munidos de uma válvula. • A manipulação destes produtos só deve ser feita sob a orientação de especialista; • Nunca se deve abrir a válvula para a atmosfera; • Os recipientes só devem ser abertos para atmosfera de gás inerte seco ou em câmara especial; • A transferência destes produtos diretamente sob o solvente da reação, diminui o perigo de incêndio; diluídos, tornam-se menos inflamáveis; • Nunca utilize água para apagar incêndio desta natureza; use extintor de pó químico seco ou areia seca. 4. ARMAZENAMENTO DE REAGENTES A estocagem e o manuseio dos produtos químicos são atividades que exigem cuidado e precaução, pois em um laboratório é manipulada e estocada uma grande variedade de 25 substâncias químicas, com as mais diferentes propriedades físicas e químicas. Deve-se conhecer a interação entre os produtos químicos, seus comportamentos em diferentes condições (temperatura, umidade, incidência direta de luz solar), e sua toxicidade. Quando as propriedades físicas e químicas dos produtos armazenados no laboratório são ignoradas, os riscos podem aumentar de tal forma que acidentes como explosões, emissões de gases tóxicos ou incêndios tornam-se inevitáveis. Verifique a tabela de incompatibilidade para adequado armazenamento. Figura 10: Armazenamento de reagentes no LEMec Fonte: Arquivo pessoal 4.1 CAPELA DE EXAUSTÃO Quando se trabalha com substâncias voláteis (baixa temperatura de vaporização) ou com reações que desprendam produtos gasosos, faz-se necessário o uso de uma capela de exaustão. Ainda, recomenda-se seu uso durante trabalhos (pesagem, mistura, reações) com reagentes potencialmente tóxicos. Mantenha a capela limpa e desocupada ao acabar seu trabalho. 32 3. CHUVEIRO DE EMERGÊNCIA: deverá possuir um diâmetro de 20 a 30 cm, ser acionado com válvula de abertura rápida (alavanca pendente tipo triângulo), ter a vazão garantida por 15 minutos (não esquecer de testar semanalmente para evitar emperramento). 4. EXTINTOR DE INCÊNDIO: deverá haver pelo menos um extintor de incêndio em cada laboratório, sendo que é importante ressaltar que cada tipo de extintor de incêndio destina-se a um tipo específico de fogo. Ainda, é necessário que haja um treinamento constante no manuseio dos mesmos. 5. JALECO: usar de preferência jaleco ou guarda-pó branco de manga longa, em algodão; evitar o uso de tecidos sintéticos devido a inflamabilidade destes. 6. LAVA-OLHOS: deverá possuir um esguicho duplo em sentido transversal, e acionado por alavanca lateral (não esquecer de testar semanalmente para evitar emperramento). 7. LUVAS DE KEVLAR: deverão ser utilizadas exclusivamente nos trabalhos com material quente, retirado da estufa, por exemplo. 8. LUVAS DE BORRACHA: deverão ser utilizadas nos trabalhos com substâncias tóxicas e/ou corrosivas, na limpeza de material e/ou do próprio laboratório (não esquecer de descartar as luvas furadas para evitar possíveis acidentes). 9. LUVAS DESCARTÁVEIS: deverão ser utilizadas o tempo todo durante a realização de qualquer procedimento no laboratório. Podem ser nitrílicas ou de látex, por exemplo, desde que não sejam muito finas. 10. MÁSCARA CONTRA GASES: deverá ser utilizada nos casos em que haja trabalho com substâncias voláteis tóxicas e/ou corrosivas, sem que possa ser utilizada a capela de exaustão, sendo que o filtro utilizado deve ser adequado para a(s) substância(s) com a qual esteja trabalhando. Controlar o prazo de validade dos filtros, e uma vez aberto o lacre do filtro, o mesmo deverá ser guardado em dessecador, ao abrigo do ar, ou em ambiente externo ao laboratório. 11. ÓCULOS DE SEGURANÇA: confeccionado em material resistente ao impacto, com abas laterais protetoras, indispensável utilizar quando estiver trabalhando com vácuo, com reações que podem produzir projeções de material e/ou compostos químicos perigosos (siga as orientações de segurança – FISPQ – de cada composto). 12. PIPETADOR DE BORRACHA: poderá ser utilizado o modelo simples (uma só via) ou modelo com três vias, devendo ser utilizado nos casos de líquidos corrosivos, tóxicos e/ou irritantes (substâncias puras e/ou soluções) - para conservar o pipetador evitar de aspirar o líquido até o bulbo do mesmo, ou seja, atender os limites da escala da pipeta. 33 13. PROTETOR FACIAL: confeccionado em material resistente ao impacto, este equipamento substitui os óculos de segurança devendo estar convenientemente adaptado ao rosto da pessoa que irá utilizar. 7. FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS – FISPQ A FISPQ é um documento normalizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) conforme norma, ABNT-NBR 14725. Este documento, denominado “Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos”, deve ser recebido pelos usuários de produtos químicos, tornando-se um documento obrigatório para a comercialização destes produtos. A FISPQ fornece informações sobre vários aspectos dos produtos químicos (substâncias ou misturas) quanto à segurança, à saúde e ao meio ambiente; transmitindo desta maneira, conhecimentos sobre produtos químicos, recomendações sobre medidas de proteção e ações em emergência. A FISPQ é um instrumento de comunicação dos perigos e possíveis riscos levando em consideração o uso previsto dos produtos químicos; o documento não leva em conta todas as situações que possam ocorrer em um ambiente de trabalho, constituindo apenas parte da informação necessária para a elaboração de um programa de saúde, segurança e meio ambiente. MSDS/SDS (Material Safety Data Sheet/ Safety Data Sheet) são as siglas mundialmente conhecidas referentes a este documento, o qual é apresentado por diversos modelos. Caso não esteja disponível a FISPQ do material que pretende utilizar no laboratório, solicite ao seu orientador que a disponibilize para você e compartilhe a cópia impressa com os demais colaboradores do LEMec, que deve ser guardada na pasta disponível no laboratório químico, denominada FICHAS DE SEGURANÇA. 34 Figura 13: As FISPQs relativas aos reagentes disponíveis no LEMec estão disponibilizadas para todos os usuários do laboratório Fonte: Arquivo pessoal Consulte as Fichas de Segurança disponíveis aqui: http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/produtos/produto_consulta_completa.asp 8. PRIMEIROS SOCORROS No laboratório podem ocorrer, principalmente, vertigens, corpos estranhos e substâncias químicas nos olhos, queimaduras, cortes e envenenamentos. Alguns lembretes importantes para auxiliar nos procedimentos de primeiros socorros: 1. Ter no laboratório um cobertor, para caso de fogo e proteção de feridos. 2. Evitar, sempre que possível, tocar ferimentos com as mãos, peças de roupas ou qualquer outro material contaminado. 3. Em caso de desmaio, deitar o indivíduo de costas, com a cabeça mais baixa que o corpo, fazendo-o respirar amoníaco ou vinagre. 4. Em caso de sinais de desmaio sentar o indivíduo e curvar sua cabeça entre as pernas, fazendo-o respirar profundamente. 5. Em caso de hemorragias, fazer compressão do ferimento com curativos esterilizados. Dependendo do local do ferimento, esta compressão poderá ser feita diretamente ou a uma certa distância do mesmo. 6. Em caso de contato da pele com substâncias químicas promover uma lavagem abundante do local com água. 35 7. Em caso de queimaduras por contato ou respingos, providenciar a lavagem da área com água fria, por um período de pelo menos 20 minutos, encaminhando em seguida o acidentado ao socorro médico mais próximo. 8. Corpos estranhos nos olhos: com muito cuidado lavar os olhos abundantemente com água limpa e após manter a pálpebra fechada. 9. Substância química nos olhos: lavar os olhos abundantemente com água limpa. Evite a utilização de substâncias neutralizantes de acidez ou basicidade, colírios anestésicos, entre outros. 10. Queimaduras: a queimadura pelo calor deve ser lavada abundantemente com água fria até melhora do quadro e após, conforme a extensão, procurar auxílio médico. Se for queimadura química, deve-se lavar com água fria abundantemente até a eliminação da substância (no mínimo 20 minutos). Não usar produtos para queimadura. Procure ajuda médica imediatamente. 11. Ingestão de produtos químicos: não provocar vômito. Procure ajuda médica imediata. Se a ingestão não foi acidental, procure ajuda psiquiátrica também. 12. Produtos químicos em contato com a pele: deve-se promover a diluição e eliminação da substância através de lavagem exaustiva com água. Evite colocar substâncias que podem ocasionar desenvolvimento de outra reação química na pele, como por exemplo, reações de neutralização. 13. Cortes: lavar abundantemente o local do ferimento com água. Não retirar fragmentos fixados no local do corte. Se necessário interrompa a perda de sangue (hemorragia) por elevação do membro ferido, seguido de pressão próxima do ferimento. Evite fazer torniquete. Procure ajuda médica caso a perda de sangue não pare e/ou em caso de contaminação por reagentes químicos durante o acidente. É obrigatório que todos os acidentes de laboratório sejam comunicados (Preencher a planilha disponibilizada junto ao kit de primeiros socorros). Orientação médica deve ser procurada com urgência, em qualquer caso. Ao final deste curso, como novo membro do laboratório Químico do LEMec, você será responsável por sua segurança e de seus colegas. Siga as diretrizes básicas de segurança que você aprendeu aqui e as que seu professor orientador recomendar. 36 Figura 14: Orientações de primeiros socorros, kit de primeiros socorros, telefones de emergência e Protocolos de Operação Padrão (POPs) para todos os equipamentos disponíveis no LEMec Fonte: Arquivo pessoal Na dúvida, pergunte! Por favor, caso seja aluno do LEMec ou LEMA, preencha a Ficha de Dados Pessoais e a Declaração de Responsabilidade para que seu cadastro, junto ao LEMec, seja efetuado. 37 Contatos Importantes Telefone de Emergência Pró-Química/Abiquim: 0800-118270 Peróxidos do Brasil: 0800-418182 Polícia Militar: 190 Polícia Rodoviária Federal: 191 Ambulância: 192 Bombeiros: 193 Defesa Civil: 199 REFERÊNCIAS Autoria desconhecida. Lista completa de todos os produtos químicos. http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/produtos/produto_consulta_completa.asp. Acesso em: 6 de maio de 2017. Autoria desconhecida. Lista de substâncias incompatíveis. https://www.unifesp.br/campus/san7/images/pdfs/Tabela_Incompatibilidade.pdf. Acesso em: 26 de junho de 2017. Azzi, Gabriel Luis. Manual de Procedimentos de Segurança do Trabalho para os Laboratórios de Pesquisa do CBPF. 2011. https://www.ipen.br/biblioteca/slr/cel/0133. Acesso em: 26 de maio de 2017. Del Pino, José Claudio. Segurança no laboratório. http://www.iq.ufrgs.br/aeq/html/publicacoes/matdid/livros/pdf/Seguranca%20laboratorio.pdf. Acesso em: 27 de abril de 2017. 38 Galacho, Cristina. Nova Classificação e rotulagem de Produtos Químicos: Regulamento CLP. 2015. http://www.spq.pt/magazines/BSPQ/670/article/30001991/pdf. Acesso em: 28 de maio de 2017. Val, Amélia Maria Gomes; Nascentes, Clésia Cristina; Machado, José Caetano. Segurança e Técnicas de Laboratório I. 2008. http://www.ufjf.br/quimicaead/files/2013/09/TecnicasBasicasSegLab_I_final_editora_130409.pdf. Acesso em: 12 de maio de 2017. Verga Filho, Antonio Ferreira. Segurança em laboratório químico. 2008. http://www.iqm.unicamp.br/sites/default/files/manual_de_seguran%C3%A7a_em_laboratorio _quimico.pdf. Acesso em: 26 de junho de 2017. 39 ANEXOS 40 Anexo I. Lista de substâncias incompatíveis SUBSTÂNCIA INCOMPATÍVEL COM (Não devem ser armazenadas ou misturadas com) Acetona Ácido nítrico (concentrado); Ácido sulfúrico (concentrado); Peróxido de hidrogênio Acetonitrila Oxidantes, ácidos Ácido Acético Ácido crômico; Ácido nítrico; Ácido perclórico; Peróxido de hidrogênio; Permanganatos Ácido clorídrico Metais mais comuns; Aminas; Óxidos metálicos; Anidrido acético; Acetato de vinila; Sulfato de mercúrio; Fosfato de cálcio; Formaldeído; Carbonatos; Bases fortes; Ácido sulfúrico; Ácido clorossulfônico Ácido clorossulfônico Materiais orgânicos; Água; Metais na forma de pó Ácido crômico Ácido acético; Naftaleno; Cânfora; Glicerina; Álcoois; Papel Ácido fluorídrico (anidro) Amônia (anidra ou aquosa) Ácido nítrico (concentrado) Ácido acético; Acetona; Alcoóis; Anilina; Ácido crômico Ácido oxálico Prata e seus sais; Mercúrio e seus sais; Peróxidos orgânicos Ácido perclórico Anidrido acético; Alcoóis; Papel; Madeira Ácido sulfúrico Cloratos; Percloratos; Permanganatos; Peróxidos orgânicos Metais alcalinos e alcalinoterrosos (como o sódio, potássio, lítio, magnésio, cálcio) Dióxido de carbono; Tetracloreto de carbono e outros hidrocarbonetos clorados; quaisquer ácidos livres; Quaisquer halogênios; Aldeídos; Cetonas. NÃO USAR ÁGUA, ESPUMA, NEM EXTINTORES DE PÓ QUÍMICO EM INCÊNDIO QUE ENVOLVAM ESTES METAIS. USAR AREIA SECA. Álcool amílico, etílico e metílico Ácido clorídrico; Ácido fluorídrico; Ácido fosfórico Álquil alumínio Hidrocarbonetos halogenados; Água Amideto de sódio Ar; Água Amônia anidra Mercúrio; Cloro; Hipoclorito de cálcio; iodo, bromo, Ácido fluorídrico, Prata Anidrido acético Ácido crômico; Ácido nítrico; Ácido perclórico; Compostos hidroxilados; Etileno glicol; Peróxidos; Permanganatos; Soda cáustica; Potassa cáustica; Aminas 41 Anidrido maleico Hidróxido de sódio; Piridina e outras aminas terciárias Anilina Ácido nítrico; Peróxido de hidrogênio Azidas Ácidos Benzeno Ácido clorídrico; Ácido fluorídrico; Ácido fosfórico; Ácido nítrico concentrado; Peróxidos Bromo Amoníaco; Acetileno; Butadieno; Butano; Metano; Propano; Outros gases derivados do petróleo; Carbonato de sódio; Benzeno; Metais na forma de pó; Hidrogênio Carvão ativo Hipoclorito de cálcio; Todos os agentes oxidantes Cianetos Ácidos Cloratos Sais de amônio; Ácidos; Metais na forma de pó; Enxofre; Materiais orgânicos combustíveis finamente -divididos Cloreto de mercúrio Ácidos fortes; Amoníaco; Carbonatos; Sais metálicos; Álcalis fosfatados; Sulfitos; Sulfatos; Bromo; Antimônio Cloro Amoníaco; Acetileno; Butadieno; Butano; Propano; Metano; Outros gases derivados do petróleo; Hidrogênio; Carbonato de sódio; Benzeno; Metais na forma de pó Clorofórmio Bases fortes; Metais alcalinos; Alumínio; Magnésio; agentes oxidantes fortes Cobre metálico Acetileno; Peróxido de hidrogênio; Azidas Éter etílico Ácido clorídrico; Ácido fluorídrico; Ácido sulfúrico; Ácido fosfórico Fenol Hidróxido de sódio; Hidróxido de potássio; Compostos halogenados; Aldeídos Ferrocianeto de potássio Ácidos fortes Flúor Isolar de tudo Formaldeído Ácidos inorgânicos Fósforo (branco) Ar; Álcalis; agentes redutores; Oxigênio Hidrazina Peróxido de hidrogênio; Ácido nítrico; qualquer outro oxidante Hidretos Água; Ar; Dióxido de carbono; Hidrocarbonetos clorados Hidrocarbonetos (como o benzeno, butano, propano, gasolina, etc.) Flúor; Cloro; Bromo; Ácido crômico; Peróxidos Hidróxido de amônio Ácidos fortes; Metais alcalinos; agentes oxidantes fortes; Bromo; Cloro; Alumínio; Cobre; Bronze; Latão; Mercúrio Hidroxilamina Óxido de bário; Dióxido de chumbo; Pentacloreto e tricloreto de fósforo; Zinco; Dicromato de potássio 48 Anotações