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Anais do Cong esso B asilei o de Iniciação Cien í ica Vol2 nº3 (2025) 717
(Ciências Sociais)
RAÍZES DO MAR: REVITALIZAÇÃO DO MERCADO DE
PEIXES E PORTO DE PESCA DE PERUÍBE
ROOTS OF THE SEA: REVITALIZATION OF THE FISH
MARKET AND FISHING PORT OF PERUÍBE
Gio anna Se a San os, Fe nanda Fa ia Meneghello
Uni e sidade San a Cecília – Cu so de A qui e u a e U banismo
E-mail pa a con a o: [email p o ec ed]
RESUMO – Es e a igo ap esen a uma p opos a de e i alização do Me cado de
Peixes e Po o de Pesca de Pe uíbe, com o obje i o de in eg a sus en abilidade,
uncionalidade e iden idade cul u al em um espaço u bano cos ei o. A pesquisa
analisa o con ex o his ó ico e u bano da cidade, a impo ância da pesca a esanal e
as no mas sani á ias que o ien am a equali icação do espaço. A me odologia
en ol eu le an amen o de campo, e isão bibliog á ica e análise compa a i a de
es udos de caso, pe mi indo comp eende di e en es abo dagens a qui e ônicas
aplicadas em con ex os simila es. O a igo busca demons a como a e i alização
desses espaços pode a ua como um ins umen o de alo ização cul u al e
desen ol imen o u bano sus en á el, e o çando o papel social da a qui e u a em
e i ó ios cos ei os.
Pala as-cha e: Re i alização u bana; Me cado de Peixes; Sus en abilidade;
Iden idade local; A qui e u a cos ei a.
ABSTRACT – This a icle p esen s a p oposal o he e i aliza ion o he Fish Ma ke
and Fishing Po o Pe uíbe, aiming o in eg a e sus ainabili y, unc ionali y, and
cul u al iden i y in o a coas al u ban space. The esea ch analyzes he ci y's his o ical
and u ban con ex , he impo ance o a isanal ishing, and he sani a y s anda ds ha
guide he equali ica ion o he a ea. The me hodology in ol ed ield su eys,
bibliog aphic e iew, and compa a i e analysis o case s udies, allowing an
unde s anding o a chi ec u al app oaches applied in simila con ex s. The a icle
seeks o demons a e how he e i aliza ion o such spaces can se e as a ool o
cul u al app ecia ion and sus ainable u ban de elopmen , ein o cing he social ole
o a chi ec u e in coas al e i o ies.
Keywo ds: U ban e i aliza ion; Fish ma ke ; Sus ainabili y; Local iden i y; Coas al
a chi ec u e.
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(Ciências Sociais)
1 INTRODUÇÃO
A cidade de Pe uíbe, localizada no li o al sul do Es ado de São Paulo, ap esen a uma
p o unda elação his ó ica, cul u al e econômica com o ma . Desde os p imei os núcleos de
ocupação, a pesca a esanal consolidou-se como uma das p incipais a i idades de subsis ência da
população local, sendo esponsá el não apenas pelo sus en o econômico de inúme as amílias, mas
ambém pela p ese ação e ansmissão dos sabe es adicionais da cul u a caiça a. Essa p á ica,
passada de ge ação em ge ação, moldou a iden idade cole i a e con ibuiu signi ica i amen e pa a
a o mação do modo de ida da comunidade li o ânea.
Nesse con ex o, o Me cado de Peixes e o Po o de Pesca de Pe uíbe con igu am-se como
espaços emblemá icos, ep esen ando ma cos ma e iais e simbólicos da elação en e o homem e o
ma . Esses equipamen os u banos não apenas cump em unções econômicas — ligadas à
come cialização e ao desemba que de pescado —, mas ambém desempenham papel essencial
como pon os de encon o, con i ência e exp essão cul u al. São locais onde se mani es a a
sociabilidade en e pescado es, mo ado es e u is as, e o çando o sen imen o de pe encimen o e
a alo ização da iden idade local.
Con udo, nas úl imas décadas, o p ocesso de c escimen o u bano deso denado, somado à
ausência de polí icas públicas e icazes ol adas à manu enção, conse ação e mode nização desses
espaços, esul ou em um isí el quad o de deg adação ísica e uncional. O Me cado de Peixes,
an es econhecido po seu mo imen o in enso e pela a mos e a acolhedo a, passou a ap esen a
p oblemas es u u ais, al a de acessibilidade, condições p ecá ias de higiene e en ilação, e
desa iculação com o en o no u bano. O Po o de Pesca, po sua ez, en en a ca ência de
in aes u u a adequada, al a de segu ança náu ica, asso eamen o e baixa in eg ação com as á eas
públicas e u ís icas adjacen es.
Essa ealidade e idencia a necessidade u gen e de equali icação u bana e a qui e ônica, de
modo a esga a o alo social e cul u al desses espaços. A e i alização, nesse con ex o, su ge
como ins umen o es a égico de ans o mação u bana, capaz de econec a o e i ó io à sua
ocação ma í ima, o alecendo o elo en e pa imônio, paisagem e comunidade. A p opos a busca
não apenas ees u u a isicamen e o edi ício e suas ins alações, mas ambém epensa o papel do
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me cado e do po o na dinâmica con empo ânea da cidade, p omo endo no os usos, luxos e
expe iências espaciais que es imulem o con í io, o u ismo sus en á el e a economia local.
O p oje o pa e de p incípios de sus en abilidade ambien al, alo ização cul u al e inclusão
social, p opondo um espaço mul i uncional capaz de acolhe a i idades a iadas: desde a enda e
p ocessamen o do pescado, a é ações educa i as, ei as cul u ais, o icinas e e en os comuni á ios.
A in enção é in eg a o isi an e e o mo ado em um ambien e de i ência e pe encimen o, onde
a a qui e u a a ue como mediado a en e o na u al e o cons uído, en e o passado e o p esen e.
Assim, o p esen e a igo p opõe uma análise do p ocesso de e i alização do Me cado de
Peixes e do Po o de Pesca de Pe uíbe sob a ó ica da a qui e u a e do u banismo, des acando a
impo ância dos p oje os cos ei os sus en á eis pa a o o alecimen o das elações en e cidade,
na u eza e sociedade. Busca-se comp eende de que manei a a a qui e u a pode se u ilizada como
e amen a de ans o mação social, p omo endo a e alo ização da memó ia cole i a, o esga e
da iden idade caiça a e a c iação de espaços públicos mais inclusi os, acessí eis e in eg ados ao
ecido u bano e ambien al de Pe uíbe.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A me odologia aplicada nes a pesquisa oi es u u ada em ês e apas p incipais, cada uma
com p ocedimen os especí icos pa a ga an i a consis ência e a ele ância dos esul ados:
diagnós ico, análise compa a i a e p oposição de di e izes.
A p imei a e apa consis iu em um le an amen o de alhado das condições exis en es do
me cado e do po o de pesca de Pe uíbe. Pa a an o, o am ealizadas isi as in loco, com
obse ação di e a de odas as á eas e a i idades desen ol idas no local. Du an e essas isi as, o am
egis ados dados quan i a i os e quali a i os, incluindo dimensões ísicas, disposição de
equipamen os, ci culação de pessoas e eículos, além de condições ambien ais, como iluminação
na u al, en ilação e ní eis de con o o é mico. Fo og a ias e esquemas complemen a es o am
p oduzidos pa a documen a as condições es u u ais, uncionais e ambien ais, pe mi indo uma
análise p ecisa das po encialidades e limi ações do espaço. Adicionalmen e, o am iden i icadas
á eas de con li o, pon os de conges ionamen o, luxos de ci culação ine icien es e es ições da
in aes u u a exis en e, c iando uma base sólida pa a as e apas subsequen es.
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Na segunda e apa, oi ealizada uma in es igação de es udos de caso in e nacionais e
nacionais que ap esen am es a égias consolidadas de equali icação u bana de me cados e po os
de pesca. Fo am selecionados o Me cado de Peixes de San os (B asil), o Po o de Bei u e (Líbano)
e o Sydney Fish Ma ke (Aus ália), em azão da di e sidade de con ex os e da e icácia de suas
soluções a qui e ônicas e u banís icas. Cada es udo de caso oi analisado quan o à in eg ação en e
pa imônio cul u al, u ismo, sus en abilidade e uncionalidade ope acional. Aspec os como
ma e iais cons u i os, ci culação in e na, en ilação na u al, acessibilidade, c iação de á eas
públicas abe as e in e ação com o en o no u bano o am c i e iosamen e compa ados. A análise
pe mi iu iden i ica boas p á icas que pode iam se adap adas à ealidade de Pe uíbe, conside ando
o clima, a cul u a local e a escala do me cado e do po o.
A e cei a e apa consis iu na elabo ação de di e izes a qui e ônicas e u banís icas que a endam
às necessidades iden i icadas no diagnós ico e que inco po em as soluções inspi adas nos es udos
de caso. As di e izes o am o ganizadas em qua o eixos p incipais:
1. In aes u u a sani á ia e uncional: comp eende p opos as de melho ia da ci culação,
a mazenamen o e manuseio de p odu os, adequação de ins alações sani á ias e
equipamen os, além da o imização do espaço pa a ope ações come ciais e logís icas.
2. Sus en abilidade ambien al: engloba es a égias de ap o ei amen o da en ilação na u al,
iluminação e icien e, uso de ma e iais locais e soluções de ges ão de esíduos e ecu sos
híd icos, p omo endo edução de impac os ambien ais e con o o é mico.
3. Valo ização cul u al: oca na p ese ação e p omoção da iden idade local, incluindo a
in eg ação de elemen os his ó icos, mani es ações cul u ais e p á icas adicionais ligadas à
pesca e ao me cado, o alecendo o ínculo en e comunidade e espaço.
4. In eg ação u bana: p opõe a a iculação do me cado e do po o com o ecido u bano de
Pe uíbe, c iando espaços públicos acessí eis, p omo endo conec i idade com ias de
ci culação, á eas de laze e zonas u ís icas, es imulando a in e ação social e o luxo
con ínuo de isi an es.
Cada eixo con empla soluções de alhadas que isam à e iciência espacial, ao con o o ambien al,
à uncionalidade ope acional e à c iação de uma iden idade isual coe en e, ga an indo que o
p oje o inal seja iá el, sus en á el e ep esen a i o da cul u a local.
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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os esul ados ob idos po meio das análises sis emá icas e obse ações di e as indicam que
o Me cado de Peixes e o Po o de Pesca de Pe uíbe ap esen am um ele ado po encial pa a se
consolida em como e e ências egionais em p oje os de equali icação u bana sus en á el. A
in es igação demons ou que, embo a a á ea ap esen e sinais e iden es de desgas e e deg adação
es u u al, uncional e ambien al, exis em condições a o á eis pa a a implemen ação de um
p og ama de e i alização que con emple simul aneamen e aspec os de e iciência ope acional,
qualidade es é ica e sus en abilidade socioambien al.
As di e izes p opos as de i am das necessidades iden i icadas du an e o diagnós ico e da
adap ação de boas p á icas obse adas em es udos de caso nacionais e in e nacionais. En e elas,
des aca-se a eo ganização dos espaços in e nos de come cialização, isando o imiza o luxo de
me cado ias e de pessoas, eduzindo pon os de conges ionamen o e acili ando as ope ações diá ias.
P opõe-se, ainda, a c iação de á eas de apoio logís ico, incluindo câma as ias, depósi os e zonas
de p epa o e a mazenamen o, a im de adequa o me cado aos pad ões de e iciência e higiene
exigidos pa a o comé cio de p odu os pesquei os.
Em e mos de in aes u u a, a pesquisa ecomenda melho ias signi ica i as nas ins alações
sani á ias e hid áulicas, ga an indo a segu ança alimen a e o bem-es a dos usuá ios.
Pa alelamen e, a implan ação de sis emas de en ilação c uzada e iluminação na u al isa eduzi
o consumo ene gé ico e p omo e con o o ambien al, e o çando o comp omisso com p á icas de
a qui e u a sus en á el. Complemen a men e, o uso de ma e iais de baixo impac o ambien al, como
madei a ce i icada, e es imen os eciclá eis e soluções cons u i as de baixo consumo
ene gé ico, con ibui pa a a edução da pegada ecológica do emp eendimen o.
A p opos a a qui e ônica ambém con empla a c iação de á eas de con i ência e
pe manência ao longo da o la, p omo endo a in eg ação en e o me cado, o po o e o ecido u bano
da cidade. A inclusão de decks de madei a, á eas somb eadas e espaços des inados a e en os
cul u ais e o ça a unção social do local, incen i ando o u ismo e a alo ização da cul u a
pesquei a local. Ou o aspec o ele an e é a p omoção da mobilidade a i a, po meio de calçadas
acessí eis e ciclo ias que conec em o me cado às á eas cen ais de Pe uíbe, a o ecendo a
ci culação de pedes es e ciclis as e incen i ando p á icas u banas sus en á eis.
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A análise compa a i a com os casos in e nacionais e idencia que a equali icação de
espaços cos ei os eque a enção às especi icidades locais, e i ando a aplicação de soluções
pad onizadas. Obse ou-se que o Sydney Fish Ma ke p io izou o u ismo e o design
con empo âneo, enquan o o Me cado de Peixes de San os p ese ou seu ca á e popula e
uncional, e o Po o de Bei u e en a izou esiliência e econs ução cul u al após con ex os de
con li o. No con ex o de Pe uíbe, o desa io consis e em equilib a adição e mode nidade,
ga an indo que o espaço con inue sendo um pon o cen al pa a a comunidade pesquei a, ao mesmo
empo em que se amplia a acessibilidade e se po encializa o alo cul u al, social e econômico do
en o no.
Dessa o ma, os esul ados apon am que a e i alização do Me cado de Peixes e do Po o
de Pesca de Pe uíbe não se limi a à ees u u ação ísica, mas en ol e uma in e enção in eg ada,
que a icula uncionalidade, sus en abilidade ambien al, iden idade cul u al e in eg ação u bana,
con ibuindo pa a o desen ol imen o egional e pa a o o alecimen o da ocação u ís ica e
comuni á ia do município.
4 CONCLUSÃO
A e i alização do Me cado de Peixes e do Po o de Pesca de Pe uíbe con igu a-se como
uma in e enção es a égica de equali icação u bana, cuja impo ância anscende a es e a
pu amen e a qui e ônica. T a a-se de um p oje o capaz de a icula desen ol imen o econômico,
inclusão social e sus en abilidade ambien al, o e ecendo soluções in eg adas que espondem às
demandas con empo âneas de cidades li o âneas. A p opos a busca es abelece e o alece o
ínculo en e a cidade e o ma , econhecendo a cul u a caiça a como elemen o cen al de iden idade
local e sen imen o de pe encimen o comuni á io, o que e o ça a dimensão simbólica do e i ó io
em pa alelo às suas unções p odu i as. Os esul ados da pesquisa e idenciam que a e i alização
de espaços cos ei os de e se concebida como pa e de um p ocesso ab angen e de planejamen o
u bano, no qual a a qui e u a a ua como mediado a en e adição e ino ação. Nesse con ex o, o
p oje o não se limi a à ees u u ação ísica das edi icações e á eas ex e nas, mas p opõe a c iação
de in aes u u a adequada e espaços de con i ência que p omo am in e ação social, laze e
alo ização cul u al. Ao in eg a aspec os uncionais, ambien ais e simbólicos, a in e enção
con ibui pa a o o alecimen o da economia local, es imulando o comé cio de pescados, o u ismo
sus en á el e o emp eendedo ismo comuni á io, ao mesmo empo em que p ese a o pa imônio
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cul u al e ambien al da egião. Ademais, a expe iência de Pe uíbe o e ece subsídios pa a u u as
in e enções em cidades li o âneas b asilei as, se indo como e e ência pa a polí icas públicas
ol adas à equali icação de á eas po uá ias, à alo ização de comunidades adicionais e à
p omoção de p á icas u banas sus en á eis. O p oje o e idencia a ele ância de se epensa o papel
dos me cados de peixes e po os de pesca, não apenas como espaços de p odução e comé cio, mas
como cen os de ida u bana, cul u al e ecológica, capazes de a icula a cidade ao seu en o no
na u al e his ó ico, p omo endo iden idade, coesão social e desen ol imen o e i o ial in eg ado.
Dessa o ma, a p opos a pa a Pe uíbe ep esen a uma abo dagem ino ado a de planejamen o
u bano cos ei o, na qual a a qui e u a e o u banismo a uam como ins umen os de ans o mação
social e ambien al, ea i mando a impo ância de in e enções que ha monizem uncionalidade,
es é ica, adição e sus en abilidade, em consonância com os desa ios con empo âneos das cidades
li o âneas b asilei as.
5 REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. M. In odução à me odologia do abalho cien í ico. São Paulo: A las, 2005.
ROLNIK, R. Li o al de São Paulo: além do sol e ma . São Paulo: Edi o a 34, 2011.
PREFEITURA DE SANTOS. Me cado Municipal de Peixes de San os. Disponí el em:
www.san os.sp.go .b .
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GIESTA, M. A impo ância dos po os his ó icos na e i alização u bana. Re is a de A qui e u a
Con empo ânea, 2022.
PREFEITURA DE PERUÍBE. Plano Di e o do Município. Pe uíbe, 2018.
VILAS BOAS, R. A qui e u a cos ei a e sus en abilidade: desa ios con empo âneos. Re is a
Cidades e Espaços, 2021.