HISTÓRIAS DO CAMPUS
MONTEIRO DO IFPB:
ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO E
ORIENTAÇÃO NO CARIRI PARAIBANO
José Maxsuel Lou enço Al es
Vic o Ca alcan i Ma iano
Ma celo da Sil a A aújo
(O ganizado es)
Campina G ande - PB
2025
5
AGRADECIMENTOS
Es e li o só oi possí el g aças ao empenho, dedicação e a-
len o de odas as pessoas en ol idas em sua concepção e ealização.
Nosso p imei o e mais since o ag adecimen o ai aos au o es que acei-
a am o con i e pa a con ibui com es a cole ânea, en iquecendo-a
com suas e lexões, expe iências e conhecimen os. Ag adecemos am-
bém a Alexand e Mon ei o e Ana Luzia de Souza, que abalha am
como e iso es des es a igos e a Jo ge B asil, que nos apoiou mui o
além da esc i a do p e ácio.
Reconhecemos o apoio essencial do Ins i u o Fede al de Ciência
e Tecnologia da Pa aíba, Campus Mon ei o, onde as expe iências
na adas no li o acon ece am e da edi o a da Uni e sidade Es a-
dual da Pa aíba. Além disso, nossa p o unda g a idão às nossas a-
mílias e amigos que, com paciência e incen i o, o na am mais le e
o desa io de ealiza es e p oje o. Espe amos que es a ob a inspi e,
in o me e mo i e deba es cons u i os. Po im, ag adecemos a o-
das e odos que, di e a ou indi e amen e, con ibuí am pa a que ela
se o nasse ealidade.
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS, 5
PREFÁCIO, 8
APRESENTAÇÃO, 12
RECICLAGEM DE ÓLEO DE FRITURA DE
ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS DO MUNICÍPIO DE
MONTEIRO – PB COMO ESTRATÉGIA DE REMEDIAÇÃO
AMBIENTAL: RELATO SOBRE AÇÕES E IMPACTOS DE
EXTENSÃO NA ÁREA DE QUÍMICA, 17
F ancisco Gilmá io Nunes Filho
FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DAS EGRESSAS DO CURSO
TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES ENTRE 2020 A 2021:
PERCURSOS E TRAJETÓRIAS, 23
Ka en Emanoele Beze a Fei osa
Ma celo da Sil a A aujo
SOCIOLOGIA URBANA EM IMAGENS: EXPERIÊNCIA
PEDAGÓGICA EM TURMAS DE 3ª SÉRIE DOS CURSOS
INTEGRADOS DE ENSINO MÉDIO, 42
Ma celo A aujo
SOCIOLOGIA, INTERDISCIPLINARIDADE E “CURRÍCULO
INTEGRADO”: REFLEXÕES COMO PREÂMBULO DE UM
RELATO DE TRABALHO ENVOLVENDO FOTOGRAFIA E
ESTUDOS URBANOS, 64
Ma celo A aujo
CLUBE DE MATEMÁTICA OBMEP: RELATO DE PROJETO DE
ENSINO PARA INCENTIVO E PREPARAÇÃO DE ALUNOS DO
IFPB - MONTEIRO PARA A SEGUNDA FASE DA OLIMPÍADA
NACIONAL DE MATEMÁTICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS E
PRIVADAS, 78
Wuallison Fi mino dos San os
TEM NEGROS E INDÍGENAS NA ONHB?: HISTÓRIA E
CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NA OLIMPÍADA
NACIONAL DE HISTÓRIA DO BRASIL, 91
José Maxsuel Lou enço Al es
Dacyelle Sil a Ba is a
Alisson de Mo ais Sil a
Aíla Ka ollyne Al es de Oli ei a
Riquelmy Beze a Cos a
O USO DE METODOLOGIAS ATIVAS E A RESSIGNIFICAÇÃO
DA APRENDIZAGEM: CONSTRUINDO RECURSOS
DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS PARA O ENSINO DE LÍNGUA
PORTUGUESA, 127
Ande son Mon ei o And ade
Vic o Ca alcan i Ma iano
Jucélio To es Al es
Luis Hen yque San os Beze a
Iasmim Danielle Beze a da Sil a
Aldomá io Hen ique Pe ei a A cilio
SURGIMENTO DOS GRUPOS ARTÍSTICOS E EVENTOS
DE FORMAÇÃO MUSICAL NO IFPB CAMPUS
MONTEIRO ATRAVÉS DO PROJETO DE EXTENSÃO
APERFEIÇOAMENTO INSTRUMENTAL NOS ANOS DE 2016
E 2017, 143
Ma lon Ba os de Lima
SOBRE AS AUTORAS E OS AUTORES, 160
SOBRE AS PARECERISTAS E OS PARECERISTAS, 163
8
PREFÁCIO
No Ca i i pa aibano, onde a adição se en elaça com a
ino ação, a a e com o desen ol imen o, lo esceu um oásis de
conhecimen o: o Campus Mon ei o do Ins i u o Fede al da Pa aíba.
Nas páginas seguin es, o lei o encon a á his ó ias de uma ins i uição
que, em um con ex o ma cado po desigualdades e desa ios, ao longo
dos anos, em p omo ido uma in e ação ica en e o conhecimen o
écnico e as necessidades eais da comunidade local, con ibuindo pa a
o desen ol imen o sus en á el e social do Ca i i pa aibano.
Desde a sua implan ação, em 2009, o Campus em se consolida-
do como um impo an e agen e ca alizado de ideias, de expe iên-
cias, de pesquisas, de inclusão, de equidade e de mudanças na e-
gião. Po ém, mui o do que oi i ido no Campus Mon ei o, ao longo
des es anos, deixou a memó ia, consumido pelo passa do empo,
pois mui as mudanças de es udan es e se ido es docen es e écni-
cos oco e am com os anos. Po isso, es e li o é uma cole ânea de
ela os sob e algumas dessas expe iências e e lexões que su gi am
a pa i de p á icas pedagógicas, de pesquisa e de ex ensão desen-
ol idas aqui, pa a que as p óximas ge ações possam lemb a do
que oi ealizado, como um alice ce pa a alcança no os alo es e
descobe as. Nesse sen ido, ao longo dos úl imos anos, essas inicia-
i as êm e idenciado o papel ans o mado da educação écnica
na egião, especialmen e em um momen o ma cado pelos desa ios
azidos pela pandemia de COVID-19 e pelo pós-pandemia.
A a és dessas expe iências aqui ela adas, ocê i á conhe-
ce as po encialidades do enlace en e o desejo de ans o mação
e o conhecimen o cien í ico, a ís ico e pedagógico. Se á possí el
9
conhece um pouco de como essa ins i uição em con ibuído pa a
a o mação de cidadãos c í icos, c ia i os e engajados com os p o-
blemas da sua comunidade. A a és de p á icas ino ado as e p o-
je os comuni á ios, a ins i uição em sido um espaço de diálogo e
oca de ideias, em que a di e sidade é alo izada e o conhecimen o
é compa ilhado a a és dos p oje os desen ol idos po pessoas
que p oduzem e di ulgam o conhecimen o como p opos a de ape -
eiçoamen o de oda uma comunidade.
Ao explo a es e li o, o lei o encon a á ela os sob e como a
educação écnica em se alinhado às demandas da sus en abilidade.
Um exemplo cla o disso é o es o ço pa a desen ol e soluções p á-
icas e ambien ais, p omo endo a conscien ização ecológica en e
os es udan es e a comunidade, ao in eg a p á icas de eciclagem
e eap o ei amen o de ecu sos, con ibuindo pa a a p ese ação
ambien al local.
Ou o ema que a a essa as expe iências ela adas é a e lexão
sob e ques ões sociais, como as ba ei as que ainda exis em no
me cado de abalho, especialmen e pa a mulhe es em á eas éc-
nicas. O es udo sob e a aje ó ia de ex-alunas do cu so de Edi i-
cações e ela os desa ios en en ados na inse ção p o issional e as
di iculdades impos as po es u u as his o icamen e excluden es,
des acando a impo ância de se pensa o papel da educação na p o-
moção da equidade.
O li o ambém me gulha nas es a égias ado adas pa a es imu-
la o ap endizado e o desen ol imen o acadêmico. P oje os ol a-
dos ao ensino de Ma emá ica, po exemplo, êm mos ado como a
c iação de espaços de incen i o ao es udo pode não apenas p epa-
a os es udan es pa a compe ições nacionais, mas ambém p omo-
e uma o mação mais in e a i a e en ol en e. A ob a az ainda
discussões essenciais sob e o ensino de His ó ia e a necessidade de
se epensa a manei a como abo damos a di e sidade cul u al no
ambien e escola . Ao longo dos anos, inicia i as êm buscado in-
clui de o ma mais ab angen e ques ões elacionadas à his ó ia e à
cul u a a o-b asilei a e indígena, en iquecendo o con eúdo educa-
cional e omen ando uma isão mais plu al, c í ica e inclusi a en e
os alunos.
16
oi de e minan e na o mação dos g upos musicais p esen es a é
hoje no Campus e como omen ou a abe u a do Cu so Técni-
co Subsequen e em Ins umen o Musical do IFPB Mon ei o. Po
meio da ealização de e en os, como encon os de ins umen is as
e mas e classes, o p oje o con ibuiu pa a a o mação de di e sos
ins umen is as na egião do Ca i i pa aibano e de Pe nambuco.
Além do p o esso Ma lon e dos es udan es e con idados, o p oje o
con ou com a pa icipação signi ica i a de pa e do co po docen e
do Campus, azendo a o ça do abalho em equipe no desen ol-
imen o dos cu sos écnicos in eg ados ao Ensino Médio e subse-
quen e em ins umen o musical. Apesa de ela a apenas os dois
p imei os anos de p oje o, o au o az as ele an es con ibuições
e os alice ces sólidos que o p oje o es abeleceu no aze pedagógico
em ins umen o musical, no Campus e na egião como um odo.
Há um abismo en e o i ido e o na ado, en e as ince ezas de
p opo uma a i idade pedagógica e as aleg ias e e lexões que ma -
cam o seu pos e io egis o. En e es es dois, mui o da expe iência
é incap u á el e in ansponí el pa a o uni e so da esc i a, mui o
das pala as e imagens de o mam e ans o mam as imagens do
que passou. C emos se p eciso olha es e abismo de en e e nos
olhos, com menos ilusões sob e o pode de nosso ealismo, mas com
o comp omisso é ico e es é ico de nos comunica mos com anque-
za e espe ança de que es as pala as possam e e be a em ou os
luga es. Há um abismo, po ém c emos que ambém haja pon es que
pe mi am que o i ido, que só exis e pela cen elha da memó ia e da
esc i aque o eanima, in e pele o lei o e o p o oque a pensa na
po ência do abalho educacional do IFPB Campus Mon ei o.
José Maxsuel Lou enço Al es e Vic o Ca alcan i Ma iano.
17
RECICLAGEM DE ÓLEO DE FRITURA DE
ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS DO
MUNICÍPIO DE MONTEIRO – PB COMO
ESTRATÉGIA DE REMEDIAÇÃO AMBIENTAL:
RELATO SOBRE AÇÕES E IMPACTOS DE
EXTENSÃO NA ÁREA DE QUÍMICA
F ancisco Gilmá io Nunes Filho
In odução
A emissão de deje os p o enien es de a i idades an opogênicas
u ge a implemen ação de medidas de emediação ambien al, de-
ido à possibilidade de di e sos impac os ambien ais associados.
Dessa o ma, pe spec i as de cole a e eap o ei amen o de óleo de
i u a domicilia e de es abelecimen os das comunidades do mu-
nicípio de Mon ei o - PB são es a égias de a enuação dos impac os
ambien ais causados pelo desca e inadequado desse ejei o e de
p ese ação dos ecu sos híb idos em uma localidade com cená io
his ó ico de di iculdade de abas ecimen o de água, assim como uma
medida de p omoção de conscien ização ambien al. O p oje o am-
bém ap oximou discen es do ambien e labo a o ial e da disciplina
de Química, como ambém o p o imen o de comunicação e ocas
en e o IFPB - Campus Mon ei o e a comunidade local, aca e ando
bene ícios mú uos e consolidando pe spec i as de ex ensão.
O aumen o das a i idades e demandas an opogênicas de cunho
indus ial e domicilia em ge ado ele ada di e sidade de impac-
os ambien ais, equen emen e associadas à ge ação de esíduos
e con aminan es p o enien es (B i o e al., 2018). Po exemplo, o
consumo global de óleo de cozinha domés ico aumen ou de o ma
18
cons an e, com mais de 200 milhões de oneladas de óleo de cozi-
nha ege al consumidos, em 2021, (Jing e al., 2022). Conside ando
que um li o de óleo pode con amina a é 25 mil de água po á el,
pode-se dimensiona a ele ância do desca e e des inação adequa-
da desse ejei o.
No B asil, a maio pa e do óleo ege al esidual o iundo do
consumo humano é desca ado na ede de esgo os, sendo consi-
de ado um c ime ao meio ambien e de aco do com a esolução do
CONAMA, Lei Fede al n° 9605/98. O desca e de óleo esidual usa-
do nos blocos de esgo o di icul a o luxo de águas esiduais pa a
as es ações, o que esul a na poluição da água. O desca e desse
ejei o ambém causa poluição do solo se o despejado em a e os
municipais de esíduos sólidos. Ge almen e, em países, al amen e,
populosos como China, Es ados Unidos da Amé ica, Índia e Japão,
a ge ação ap oximada de óleo esidual domés ico oi ela ada em
5,6 milhões de oneladas, 1,2 milhão de oneladas, 1,1 milhão de o-
neladas e 0,57 milhão de oneladas no úl imo ano, espec i amen-
e, sem conside a o pe cen ual de u ilização. No B asil, ce ca de 9
bilhões de li os de óleo esidual domés ico e am desca ados odos
os anos, sendo que apenas 2,5% desses ejei os e am ein oduzidos
no ciclo de p odução (Foo e al., 2022).
Além da poluição híd ica, a baixa solubilidade de óleos ege ais
na água cons i ui um a o nega i o aos p ocessos de a amen o
de água quando p esen es em mananciais u ilizados pa a abas eci-
men o público, como mencionado (Yada , 2022). A p esença desse
ma e ial diminui a supe ície de con a o da água com o a a mos é-
ico, impedindo a en ada de oxigênio no e luen e, o que, somado
aos p ocessos de deg adação ae óbica do ejei o, eduz o oxigênio
dissol ido, ele ando a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO),
causando al e ações g a es nos ecossis emas aquá icos (Foo e al.,
2022). Além de p ejudica ecossis emas e polui o solo, a poluição
híd ica com óleos domés icos em sido associada a p oblemas de
saúde pública, como geno oxicidade, mu agênese e ca cinogênese
(Jing e al., 2022).
Uma das es a égias mais iá eis pa a amenização de ais im-
pac os é a cole a e eap o ei amen o do ejei o. O óleo de cozinha
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usado pode se i como ma é ia-p ima na ab icação de di e sos
p odu os, ais como biodiesel, in as, óleos pa a eng enagens, sa-
bão, de e gen es, ação animal, sol en es e des, p odu os e men-
a i os, g axas e biolub i ican es usando ecnologias exis en es
(Yuen; Hameed, 2009; Yunus e al., 2022).
O eap o ei amen o do óleo de cozinha, além de ge a impac-
os ambien ais e socioeconômicos posi i os, ambém diminui gas-
os de ecu sos e ma é ia-p ima escassos. Tal eap o ei amen o
na p odução de sabão é uma p á ica comum em di e sos se o es e
comunidades, desencadeando en e ou os aspec os posi i os, im-
pac os sociais impo an es como on e de enda secundá ia e cons-
cien ização ambien al. A p odução do sabão de óleo esidual pode
se ealizada de modo simples, com ma e iais de ácil acesso e de
baixo cus o, o que iabiliza sua p odução em casa, em ou a pe s-
pec i a ambém pode se uma e en e impo an e pa a come cia-
lização de su ac an es de base biológica pa a subs i ui os ecu sos
ósseis (Foo e al., 2022).
A sín ese é ob ida po eações de saponi icação, em que se u i-
liza uma base o e e soda cáus ica ou po ássica, que podem se
adqui idas, come cialmen e, pa a eagi em com os iglice ídeos,
que são os óleos e, como p odu os, ob ém-se o glice ol (glice ina),
o mando sais dos ácidos g axos co esponden es.
O sabão, que já é conhecido, há milha es de anos pelas ci iliza-
ções, o nou-se um p odu o impo an e pa a usos di e sos como
um agen e emulsi ican e, diminuindo a ensão supe icial en e a
água e a sujei a e p omo endo a limpeza.
A p odução de sabão casei o a pa i de óleo domés ico é uma
es a égia de baixo cus o e ecoamigá el de aze a des inação desse
esíduo. No cená io pandêmico, causado pela COVID-19, mesmo
dian e de seus es ágios mais con olados, aumen ou a necessidade
de cuidados de higienização. Com a al a demanda e enca ecimen o
dos p odu os de limpeza, a p odução de sabão a pa i do óleo de
cozinha é uma excelen e al e na i a pa a economiza com p odu os
de limpeza, ge ando impac o econômico posi i o pa a amílias ca-
en es. Além disso, a u ilização do sabão casei o é uma pe spec i a
ecológica impo an e pa a e i a con aminação híd ica, de modo
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que ais p á icas são ainda mais ele an es em egiões de cená ios
his ó icos de p oblemas de abas ecimen o, como é o p esen e caso
do Ca i i pa aibano.
Assim, o p esen e abalho de ex ensão buscou cole a e eap o-
ei a óleo esidual de i u as p o enien es de se o es p i ados,
públicos e domés icos do município de Mon ei o pa a p odução de
sabão e ou os possí eis de i ados desse ejei o, como es a égia
de implemen ação de pe spec i as socioambien ais e de emedia-
ção ambien al. Além de p omo e es a égias de o mação e diálogo
en e o IFPB Campus Mon ei o e a comunidade local na pe spec i a
de o mação e conscien ização ambien al.
Me odologia
O abalho oi desen ol ido em e apas. A p imei a comp eendeu
a e isão de li e a u a. As in o mações cole adas o am discu idas
e expos as em comunicações de exposição dos esul ados a im de
es abelece coe ência en e impac os ambien ais e soluções de ácil
acesso pa a se em desempenhadas pela população de manei a ge-
al, em odas de con e sa, deba es e aulas exposi i as dialogadas
en e o g upo de ex ensão.
A segunda consis iu na cole a e p odução de sabão. Os discen es
cole a am o óleo esidual em um es au an e p i ado, p ees abele-
cido com os pa cei os sociais, semanalmen e. O óleo oi a mazena-
do no labo a ó io de Química e Biologia do IFPB Campus Mon ei o,
sendo pos e io men e coado pa a e i ada de ejei os e eap o ei a-
men o na p odução de sabão.
Na es a égia sin é ica inicial pa a a p epa ação do sabão, a água
il ada é aquecida (em o no de 40°C) e ans e ia pa a um eci-
pien e de plás ico pa a a solubilização da soda cáus ica come cial
(NaOH), len amen e e em pequenas po ções. A p opo ção u ilizada
oi de 250g de soda cáus ica dissol idas em cada 1L de óleo usado.
Os discen es o am ins uídos sob e os cuidados com a manipula-
ção da base o e, que em p op iedades co osi as, e acompanhados
du an e o p ocesso, pa a e i a aciden es. Fo am u ilizados ecipien-
es plás icos de ma e ial espesso e esis en e, su icien emen e al os
pa a e i a de amamen o da mis u a po e e escência e agi ação.
21
Pa a auxilia a dissolução, o meio oi agi ado com bas ão de id o
a é dilui comple amen e o hid óxido de sódio (NaOH). Depois da
e i ada de impu ezas e aquecimen o do óleo (a uma empe a u a
de 40°C), adicionou-se soda cáus ica bem len amen e, em pequenas
po ções, mis u ando-a con inuamen e, pa a ga an i um p odu o
de melho qualidade. Mis u ou-se somen e o óleo e a soda cáus ica
po ce ca de in e minu os, a é a mis u a adqui i consis ência. É
necessá io espei a esse empo de mis u a pa a que haja a eação
en e os dois compos os. En ão, a mis u a oi despejada em o -
mas plás icas pa a o sabão oma o ma e passa pelo p ocesso de
cu a, de 24 a 48h. Esse p ocesso isou a ga an i a eação comple a
da soda cáus ica, além de pe mi i ao sabão pe de o excesso de
umidade.
Na e apa inal, as in o mações ob idas são u ilizadas pa a mon-
a um quad o compa a i o, c iando um pe il da qualidade des-
ses sabões. Es a égias e p ocessos de comunicação, como o icinas,
p odução de ca ilhas e exposições se ão ealizadas com a comu-
nidade acadêmica e local pa a ap esen ação dos esul ados e como
es a égia de o mação.
Resul ados Alcançados
O Le an amen o bibliog á ico e discussões sob e eações de sapo-
ni icação, es e i icação química dos sais o gânicos e dos sabões o-
am ealizados obse ando domínio e comp eensão dos sis emas
de p odução e consciência ambien al po pa e dos discen es. Ade-
mais, pôde-se abalha com os alunos em o mação de écnicas de
segu ança no labo a ó io e ins umen ação no labo a ó io de Quí-
mica. No o al, obse ou-se cole a e eap o ei amen o de 25 L de
óleo de i u a, com a p odução de sabão casei o em ba as.
Disseminação de Resul ados
O p oje o possibili ou o eap o ei amen o de g ande olume de
óleo de i u a p oduzido em es abelecimen o come cial, e i ando
que ele osse desca ado e iesse a e con a o com o meio ambien e,
azendo impac os ambien ais posi i os pa a o município de Mon-
ei o e comunidades locais. Ademais, essal a-se a impo ância da
22
p ese ação dos ecu sos híd icos no con ex o his ó ico no eado
pela escassez desse ecu so no âmbi o do Ca i i pa aibano. A ex en-
são ambém possibili ou o con a o do discen e com p á icas labo-
a o iais, desen ol endo habilidades que con emplam as emá icas
de eações químicas e ins umen ação em Química. Os es udan es
i e am a possibilidade de p omo e o conhecimen o cien í ico em
p ol da comunidade local, abalhando pe spec i as que le am à
conscien ização ambien al e à p ese ação dos ecu sos na u ais.
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23
FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DAS EGRESSAS DO
CURSO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES ENTRE
2020 A 2021: PERCURSOS E TRAJETÓRIAS
Ka en Emanoele Beze a Fei osa
Ma celo da Sil a A aujo
In odução
Desde há mui os séculos, as sociedades o am es u u adas com
base no modelo pa ia cal. Tal modelo de inha supe io idade sob e
odas as coisas, p incipalmen e no que ange ao papel da mulhe ,
an e io men e is a como um se que se ia como uma máquina
pa a a pe pe uação das ge ações. Sendo assim, apesa des e con ex-
o e causado um g ande impac o no passado, a ualmen e ainda há
es ígios des as ideias e concepções. Des a manei a, com o passa
do empo, as mulhe es o am ganhando o ças pa a lu a em pelos
seus di ei os. Assim, um dos g andes a o es que as es imula am a
lu a po es a alo ização social e p o issional oi a necessidade de
ocupações dis ibuídas em á ias o mações, em especial em Enge-
nha ia Ci il, po exemplo.
Com o su gimen o de a iadas p o issões, hou e a c iação do
Cu so Técnico em Edi icações, o qual es á inse ido no amo da A -
qui e u a e da Engenha ia Ci il. Assim, com o ad en o dessas p o-
issões, ambém se in ensi icou o p econcei o con a as mulhe es,
p incipalmen e de ido ao in e esse delas em uma á ea adicio-
nalmen e dominada po homens. Como consequência, os homens
p edominam nes e cu so, pa icula men e quan o à a uação na in-
dús ia (se compa a mos es e dado com o núme o de mulhe es que
24
ob êm êxi o na consecução de um emp ego nes a á ea). A supe a-
lo ização dos g upos socioeconômicos na idealização dos homens
como possuido es de melho es condições pa a desempenha em
unções e e en es à á ea que es ão, po consequência, mais ap os
pa a o ca go, apenas e o ça a complexidade exis en e quan o à in-
se ção da mulhe como uma p o issional espei ada e impo an e
pa a as o ganizações.
Es e capí ulo ap esen a os esul ados de uma in es igação ace -
ca das expe iências das p o issionais o madas no Cu so Técnico
em Edi icações. P opomo-nos a examina suas expe iências du an-
e e depois da o mação, isando conhece as ba ei as en en adas
no co idiano labo al e, p incipalmen e, quais as causas que impli-
cam na sua baixa inse ção na indús ia como Técnicas em Edi ica-
ções. Assim, as nuances que a á ea possui, sendo econhecida so-
cialmen e como um se o de na u eza ainda masculinizada e, po
consequência, endencialmen e machis a ( a o que impõe g andes
desa ios às mulhe es que desejam se inse i nesse amo), jus i icam
a impo ância des e ex o.
O ex o es á es u u ado em 3 pa es. Na p imei a, delimi a-se o
ema. Na segunda, ap esen a-se uma b e e undamen ação eó ica
com is as a ap esen a os mé odos ado ados na pesquisa o iginal.
Na e cei a, ap esen amos e in e p e amos as in o mações o neci-
das pelas eg essas, de modo a enquad a os p incipais dilemas de
sua o mação e o impac o des es na pós-ce i icação, no adamen e
no mundo do abalho. Po im, desc e em-se as conside ações i-
nais e con ibuições do es udo.
Mulhe es na cons ução ci il: his ó ia, o mação e limi es
sociais
A pa i dos anos 1970, ao mesmo empo em que se iniciou o p o-
cesso de ees u u ação p odu i a, a ingiu-se um a anço p opo -
cionado pelo mo imen o eminis a, no sen ido de conscien ização
da lu a pela au onomia da mulhe , sendo, en e ou os pon os,
ques ionada a sua inse ção na p odução capi alis a. Assim, segun-
do B uschini e Lomba di (1999, p. 22),
25
[...] ao ompe em os pad ões sociais que impu a-
am à mulhe o casamen o e a ma e nidade como
al e na i a p imei a pa a a aje ó ia de ida, as jo-
ens dos anos 1970 passa am a coloca en e suas
p io idades o es udo e a ca ei a p o issional.
À medida que essas a ibuições deixa am de se uma escolha
p i ilegiada na aje ó ia de ida das mulhe es – seja a a és de
maio inse ção p odu i a pa a auxilia no sus en o da casa, como
apon am B uschini (1994), Ma os e Bo elli (2012), seja pela p óp ia
necessidade dinâmica do sis ema (Agéno ; Canu o, 2015), ou po
meio de mo imen os polí icos – como o eminis a – as aje ó ias
p o issionais passa am a so e al e ações. Des e modo, a classe a-
balhado a do século XXI é a mais di e si icada de odos os empos.
En e an o, o pode do desen ol imen o não é idên ico pa a odos,
selecionando, assim, os mais adap ados den o da pi âmide social.
Es es podem in es i e con ola o desen ol imen o con o me seus
in e esses. Nes a si uação, o papel do Es ado, mui as ezes, pa ece
se o de echa os olhos pa a o es an e do po o, o que ge a, de
ce o modo, uma me amo ose nas agas de emp ego exis en es na
indús ia, as quais não são su icien es pa a milha es de indi íduos.
Como consequência, isso az com que a in e ação do me cado de
abalho es abeleça que o mais p epa ado isicamen e ocupe a aga.
Tal cená io es á mui o p esen e no ambien e da cons ução ci il.
Nes e amo, um dos p incipais p oblemas é o p econcei o en e
os gêne os: o núme o de homens g aduados, em qualque á ea e-
lacionada, é supe io ao de mulhe es que se dis ibuem em um pe -
cen ual abaixo de 20% do o al des es p o issionais. Mesmo assim,
segundo pesquisa do Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica
(IBGE), hou e um aumen o de ce ca de 120% no núme o de mulhe-
es p esen es na cons ução en e os anos de 2007 e 2018 (Sienge,
2022). Pa a o que nos in e essa aqui, ale a menção de que o dado
acima coincide com o ano em que e e início o cu so Técnico em
Edi icações, 2018.
32
No início, ha ia uma boa expec a i a em elação ao cu so, a
quali icação das disciplinas, dos labo a ó ios e ambém dos docen-
es (p o issionais capaci ados pa a o ensino), en e an o exis iam
alhas. O cu so e a, a p incípio, mui o in e essan e. E a algo no o.
Mas, com o passa do empo, mui as ela a am que udo isso i-
cou “mui o monó ono”, uma ez que, segundo elas, “as disciplinas
inham mui a eo ia e pouquíssimas aulas p á icas”. Além disso,
as espos as indicam que os labo a ó ios não possuíam odos os
equipamen os necessá ios pa a as a i idades. Po mais que es es
ais equipamen os exis issem, sua quan idade e a insu icien e.
Po es e mo i o, os es udan es euniam-se em g upos – e não in-
di idualmen e, como se ia o ideal – pa a ealiza em as a i idades.
Isso e a, sem dú ida, algo bom pa a a in e ação e inclusão, po ém
com a con apa ida nega i a de que mui as ica am sem condi-
ções de acessa em e de ap ende em, adequadamen e, a maneja
as e amen as.
Além disso, as ques ões elacionadas aos es ágios e aos con ê-
nios e am bas an e di íceis. O cu so inha essa ca ência, causando
p ejuízos às alunas, as quais, com isso, não podiam ap o ei a ao
máximo essas expe iências. Assim, ica cla o o egis o de que as
p incipais di iculdades en en adas pelas eg essas no Campus e am
acadêmicas. De aco do com os sen idos dados às espos as, es as
o am esponsá eis pela pe da de in e esse a que aludimos acima.
Vale in o ma que boa pa e des as di iculdades se o iginou das di-
iculdades com a disciplina de “Cálculo”. Ou as, po ém, podem se
igualmen e ci adas, como a disciplina “Es abilidade”, mencionada
no ex a o da en e is a. Tais con eúdos, pa a ica mos apenas na-
queles de g au de di iculdades epu adas pelas en e is adas como
mais ep esen a i os, demandam azoá el conhecimen o ma emá-
ico, o qual, como dissemos acima, não es a a ao alcance de algu-
mas es udan es nem em sua classi icação básica (“conhecimen os
básicos”). O mesmo cená io com elação à disciplina “Física”.
Fo am, oda ia, analisados ou os impasses. Nas disciplinas aci-
ma mencionadas, po sua ligação com a á ea da Engenha ia, são
imp escindí eis as aulas p á icas. Po ém, no auge do pe íodo pan-
dêmico, não se ez possí el o e ece às hoje eg essas opo unidades
33
des e ac éscimo (de aulas p á icas) em elação aos conhecimen os
i enciados ocasionando uma de iciência em suas “expec a i as
conc e as de expe iências” (como as es ições ace ca das isi as
écnicas). Tais de iciências impossibili a am uma mais la ga e am-
pla comp eensão dos emas abo dados, já que seu o ma o, ale
ea i ma , e a, no pe íodo, em modo emo o. Po an o, as p inci-
pais causas ci adas pelas en e is adas são esul ado da al a de
adminis ação (ou o ganização inadequada) das disciplinas do cu -
so in eg ado ao Ensino Médio. Is o é, as es udan es a i mam não
e em se habi uado à ca ga ho á ia das disciplinas. Es as, po se-
em in eg adas ao Ensino Médio, p oduzi am di iculdades pa a o
cump imen o das demandas das chamadas disciplinas básicas (de
o mação ge al), o que especialmen e oco ia no pe íodo de a a-
liações. Além do que, concilia udo isso com a aze es domés icos,
ou mesmo com o abalho ex e no e emune ado, jun o à al a de
in e esse na con inuidade do cu so, do medo das ep o ações, dos
p oblemas inancei os e/ou amilia es, o nou-se de ex ema di i-
culdade a ul apassagem e ansposição.
Apesa de os ela os se o na em eais na sociedade e no me -
cado de abalho, pelo menos no Ins i u o Fede al, as mulhe es
e am a adas com igualdade, segundo algumas eg essas. E am,
pois, espei adas pelos colegas de u ma, p o esso es e écnicos.
Des e modo, os mo i os que al ez enham p ecedido a oco ên-
cia de desigualdade en e os gêne os enham sido ca ac e izados
pelo a o de os p o esso es, no pe íodo em ques ão e em si uações
como as das aulas p á icas, o e ecessem mais a enção aos homens.
Es es e am is os como “mais o es isicamen e”, p incipalmen e
nas aulas p á icas, em que inham p e e ência quan o à escolha dos
ma e iais que se iam u ilizados. Quan o a es e a amen o quali i-
cado como di e enciado en e mulhe es e homens na expe iência
no Campus Mon ei o, uma eg essa a gumen ou:
Algumas ezes, eu sen ia que os p o esso es e am
mais “legais” e “a enciosos” com os meninos, mas
eu ele a a a di e ença e no maliza a, pois acha a
que e a coisa da minha cabeça. Ou as [ ezes eu]
34
sen ia que nas aulas p á icas os meninos inham
p e e ência em segu a ma e iais.
Nes e caso, ea i ma-se o acima ci ado em des a o das eg es-
sas po que, nos momen os de se u iliza em os equipamen os no
labo a ó io, ou a é mesmo ao a li e, as condições e am comple-
xas. Além disso, al sen imen o de se em p e e idas ou mesmo de
in e io ização e a c iado, de aco do com elas, pelo p óp io co po
docen e, ainda que de o ma inconscien e, jus amen e po não se-
em pe cebidas as pa icula idades que azem com que alguns in-
di íduos pa icipem menos que ou os das a i idades p á icas. Po
causa disso, mui as sen iam-se incomodadas e descon o á eis em
elação a ques ões indi iduais. No en an o, de o ma ge al, as/os
docen es e am desc i as/os como ó imas/os p o issionais. Assim,
apesa da exis ência des as si uações, as esponden es diziam-se
espei adas, bem como da am des aque ao a o de a g ande maio ia
do quad o de docen es da á ea écnica se compos o po mulhe es.
De odo modo, o ecado mais amplo é o de que, mesmo que a/o
p o issional seja quali icada/o e enha um ó imo posicionamen o
pedagógico jun o às alunas, é impo an íssimo analisa si uações
p oblemá icas como es a e en a o mula -lhe uma solução. O in-
ui o é o de que nenhum indi íduo ique de lado e deixe, com isso,
de pa icipa em condições simila es às de ou os.
Pós-ce i icação: pe spec i as e umos
Olhando pa a o ho izon e imaginado e conc e o da a uação como
écnicas em Edi icações, mui as eg essas se sen iam descon o á-
eis com a concepção de que a á ea da cons ução ci il é “di ícil pa a
a mulhe ”. Assim, es a é cons an emen e julgada po não possui ,
segundo o imaginá io da sociedade pa ia cal, a mesma o ça ísica,
ou seja, a mesma capacidade que a dos homens de exe ce a p o-
issão. A maio ia das esponden es op ou po não segui na á ea
écnica em Edi icações, con udo mui as es ão en ando ou as o -
mações den o da p óp ia á ea es i o senso (Engenha ia Ci il, ale
dize ). Des a o ma, cons a amos que apenas uma eg essa seguiu
na á ea e ealiza o cu so supe io na ins i uição. Mui as op a am
35
po segui á eas como Engenha ia de P odução, Psicologia, á ea
écnica elacionada às lici ações, Design de in e io es, Pedagogia,
Análise e Desen ol imen o de Sis emas, Ciências Con ábeis, Me-
dicina, Adminis ação e Química. Vis o que conside á el p opo -
ção das en e is adas segue á eas dis in as daquela em que se o -
ma am, comp eendemos que os mo i os se ligam à iabilidade de
ealização pessoal, à al a de iden i icação com o cu so, de opção
no me cado pa a abalha em como écnicas e de opo unidades
de emp ego na á ea, no município de Mon ei o e egião. Mas hou-
e, apesa de odos os mo i os quali icados como des a o á eis ao
cu so écnico, casos em que duas en e is adas consegui am segui
na á ea (em Engenha ia), a qual oi ca ac e izada como “bem mais
ampla e com acilidade de emp egabilidade”.
A azão pa a que haja poucas opo unidades de emp egabilida-
de pa a écnicas em Edi icações é, ia de eg a, o a o decisi o do
me cado de abalho. Es e, con am-nos as en e is adas, p e e e a
g aduada em ní el supe io . Além disso, o município de Mon ei o
e ci cun izinhança não são su icien emen e indus ializados e, po
isso, insa is a ó ios pa a opo unidades de emp egabilidade e de
c escimen o na á ea écnica em Edi icações.
Sendo assim, a maio ia ainda es á en ando ob e uma o mação
na á ea desejada, a qual, como ela ada acima, é, po ezes, dis in a
daquela em que se o ma am. Quando pe gun adas se se conside a-
am p o issionais quali icadas pa a o me cado de abalho, algumas
disse am que sim, ou as que não. O “não” de e-se à cons a ação
pessoal das esponden es da ausência de expe iências p á icas na
o mação. Assim, mui as não p e endem p ocu a po um aba-
lho co esponden e à sua o mação écnica. Tal a o deixa cla o o
mo i o de ha e uma p opo ção igual en e quem es á p ocu ando
abalho, há menos de um mês, e quem es á à p ocu a dele há mais
de um ano. A es ima i a de salá io, no município, é pouco acima de
um salá io mínimo, enquan o o a es á en e dois e ês ou mesmo
ês e qua o salá ios.
A maio ia das eg essas op ou po não abalha , e nem aba-
lhou, na á ea de Edi icações nos úl imos dois anos. Não consegui
abalho como écnica, decepção com a p o issão no pe íodo do
36
cu so ou do es ágio, expec a i as p o issionais não conc e izadas,
den e ou os mo i os que não o am mencionados, ace à inexa i-
dão das espos as, são os p incipais mo i os. Po an o, quase nin-
guém p e ende abalha ou con inua abalhando como écnica
em Edi icações. Mui as, po ém, mos a am-se indecisas (is o é, i-
ca am en e não abalha e não sabe esponde “sim” ou “não”
de manei a conc e a) as en e is adas em elação a abalha em na
á ea écnica.
É impo an e essal a que es a indecisão sob e abalha ,
u u amen e, como écnicas em Edi icações pode indica que há
uma possibilidade de elas ainda i em a a ua na á ea. Em elação
às que abalham (e, ob iamen e, são emune adas), o endimen o
mensal es á es ipulado em ce ca de um salá io mínimo. Toda ia,
es a a i idade não é conside ada ixa, sendo classi icadas desde
auxilia escola a écnica em lici ações (a i idade mui o pa ecida
com uma disciplina do cu ículo do cu so, sendo, pois, de inida
como a i idade de planejamen o e o çamen o de ob as) e a é
mesmo emp eendedo as. Já ou as espos as de am con a de
a i idades como apoio escola , e o ço escola , abalho au ônomo
em obje os a esanais, assis en e e ecepcionis a. Em g ande me-
dida, são abalhos em emp esas p i adas (aliás, somen e uma das
esponden es é se ido a pública).
Quando se ques ionou qual se ia o núme o de p o issionais do
sexo eminino na mesma emp esa das en e is adas, o o al gi ou
em o no de um a dez e de dez a cinquen a indi íduos. En e an-
o, duas pessoas esponde am que abalham ou abalha am sozi-
nhas e, possi elmen e, i e am conhecimen o da aga de emp ego
a a és de alguma indicação amilia ou de algum amigo.
Na sequência, pe gun amos às eg essas quais os p incipais
mo i os exigidos pela emp esa pa a que se p eenchesse a aga de
emp ego. As espos as cole adas o am e expe iência p o issio-
nal an e io , se ap o ada no es e ou en e is a e po indicação.
ques ionamos as ex-alunas sob e os p incipais equisi os exigidos
pelas emp esas pa a p eenche uma aga de emp ego. As espos as
ob idas indica am a necessidade de expe iência p o issional p é ia,
ap o ação em es e ou en e is a e indicação pessoal.
37
Em elação à ob enção de uma p omoção p o issional, mui as
esponde am que a compe ência, o bom elacionamen o com as
pessoas in luen es e a consecução de es udos em ní el supe io são
conside ados os p incipais a o es pa a uma p omoção. Fei a es a
análise, esul a no ó io que pa a se log a emp egabilidade e maio-
es possibilidades de se consegui e de se man e no ca go, é neces-
sá io e expe iência p o issional an e io .
Assim, cons a a-se que a quali icação e as elações pessoais se
o nam coesi as, ao mesmo empo em que se necessi a de sua co-
exis ência em dis in os (e a é desiguais) pe cen uais. Dessa o ma,
é impo an e e econhecimen o cole i o, mas especialmen e o e-
conhecimen o pessoal. A indicação de que é semp e p eciso melho-
a a comunicação in e pessoal, em especial com aquelas que azem
pa e do ambien e de abalho, mesmo que o a o de e minan e
pa a a boa quali icação seja o conhecimen o que se possui e o a o
de se es a dispos a a ino a p o issionalmen e.
Pe cebemos, nes a pesquisa, po in e médio da análise e do le-
an amen o dos dados cole ados, que as expe iências discen es e
p o issionais das eg essas as ize am não hesi a em demons a as
alhas que impac a am no seu ap endizado pessoal e no ap o ei a-
men o de udo aquilo que es a a compo ado den o do p ocesso
de o mação acadêmica, o mação pela qual, ale essal a , mui as
nu iam g andes expec a i as.
Conside ações inais
Es e ex o ap esen a os esul ados de uma in es igação das expe-
iências das eg essas do Cu so Técnico em Edi icações do Campus
Mon ei o do Ins i u o Fede al da Pa aíba. Isso oi ealizado po
in e médio de en e is as semies u u adas ia Google Fo ms. Na
e e ida pesquisa, o obje i o de le an a , num p imei o momen o,
in o mações sob e es e g upo, ecuando-se ao empo de sua o -
mação. Num segundo momen o, cap a sua a uação no me cado de
abalho, bem como cons ui uma pe cepção sob e es a a uação.
Buscou-se, pois, conhece as ba ei as que esse g upo em en en-
ado no ambien e de abalho. Os esul ados mos a am que, ape-
sa de as mulhe es es a em p esen es em odas as o ganizações que
38
es u u am a sociedade, al público ainda en en a, no que ange
ao se o cons u i o, g andes desa ios na cap ação, seleção, p omo-
ção, ques ão sala ial e pe manência (ou es abilidade) nas emp esas
do amo, p incipalmen e se o em a ua como écnicas. Cons a ou-
-se que, en e os dados analisados, as mulhe es mais jo ens, as me-
nos expe ien es e as mães são as que mais encon am di iculdades
nes e me cado. Fa o es como a al a de expe iência e de a ualização
p o issional que possam u bina o cu ículo, a ma e nidade e a ne-
gação es u u al da mulhe como ealizado a de um abalho ão
bom quan o o do homem, o am apon ados como alguns dos g an-
des desa ios pa a a en ada e pe manência no nicho da cons ução
ci il. Tais a o es es ão o almen e in e ligados com algumas das
explicações dadas pelas en e is adas, as quais mos a am que as
di e gências oco em com mais equência em âmbi os educacio-
nais e emp esa iais. Além disso, a al a de iden i icação com o cu so
oi uma azão e ocada po g ande pa e delas, o que é cons an e-
men e a i ado pelo a o de que, apesa de desempenha em o mes-
mo ca go den o de uma o ganização, homens e mulhe es possuem
salá io dis in os, sendo o das úl imas conside a elmen e meno .
Po an o, os homens, quando compa ados às mulhe es, são co-
idianamen e conside ados melho es pa a os abalhos epu ados
pesados. Dessa o ma, en ende-se o quão di ícil é pa a mulhe es
aden a em em se o es com a e as assim classi icadas. O se o da
cons ução é, po an o, um dos que pa ece despe a mais p econ-
cei o e desigualdade, o qual, apesa da coexis ência p oblemá ica
en e os gêne os, em len amen e se ans o mando. Pode-se, nes-
sa conjun u a, chega à conclusão de que es es são alguns dos mo i-
os que le am as mulhe es a segui em ca ei as p o issionais mais
associadas às unções adminis a i as e bu oc á icas. Tal a o ge a
a sub alo ização da capacidade eminina pa a a execução dos mes-
mos abalhos que os homens.
As indagações de mui as das eg essas su gi am de ido ao mo-
men o epidemiológico que se espalhou pelo mundo em 2020, o qual
a e ou e e gueu ba ei as no sis ema educacional. Des a manei a,
po um lado, a ida das alunas daquela época oi di e encialmen e
impac ada. A al a de opo unidades, de expe iências quali a i as e
39
explo a ó ias no cu so, a dinamicidade com o mesmo, as alhas no
p ocesso de ap endizado, mesmo após ce i icadas, são elemen os
semp e p esen es nos ela os das eg essas.
O p esen e es udo az implicações impo an es pa a a acade-
mia, pa a as o ganizações e pa a a p óp ia sociedade. Pa a a ciên-
cia, ap esen a a necessidade de ealiza no as pesquisas, a im de
ap o unda o conhecimen o em elação ao público al o, ou seja, as
eg essas. Ac edi amos se possí el omen a , a pa i des a pesqui-
sa, di ecionamen os in es iga i os que sejam amplos e di e si ica-
dos, os quais de em ab ange desde seu pe íodo de o mação, pas-
sando pela sua inse ção p o issional e pela ealização pessoal das
abalhado as.
No que ange às emp esas e aos Ins i u os Fede ais, obje i am-
-se le a ges o es e p o issionais à e lexão sob e a igualdade en e
os gêne os. En a iza-se que homens e mulhe es possuem a mesma
capacidade pa a execu a em, de manei a e e i a, qualque ipo de
abalho. Pa a a sociedade, a pesquisa em a p e ensão de le a ao
conhecimen o cole i o que o papel da mulhe é ex emamen e im-
po an e pa a o desen ol imen o da nação, e que a sua unção a ual
nos di e sos segmen os p odu i os ai além dos cuidados amilia-
es e domés icos. Há, po im, a expec a i a de que es e abalho
enha con ibuído pa a o amadu ecimen o eó ico e cien í ico de
um ema a ual e impo an e.
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48
Fei as e me cados
As ei as são uma adição na maio ia das cidades.
Es a enda de u as, ca nes e legumes nunca sai
de moda. Mui os de nós emos memó ias associa-
das às ei as de ua. O chei o de u as, doces, o
bu bu inho das bancas do me cado. Com o passa
dos anos, as ei as se segui am. “Acaba ão”, dizem
os mais pessimis as, p o ando que não ha e á, na
ida digi al e mode na, espaço pa a adições an-
igas. (T echo da análise dos es udan es sob e a
imagem p oduzida).
Es a passagem p oduzida po es udan es do cu so de Edi ica-
ções é, em si mesma, epig á ica. Com os e mos “ adição” e “me-
mó ias”, exp essa a impo ância econômica – ob iamen e –, mas
ambém de undo a e i o das cidades em ge al, em especial as pe-
quenas e médias.
As imagens que seguem, pa icula men e a p imei a, a es-
am que o desen ol imen o do município de Mon ei o es á
in ei amen e ligado ao seu me cado público. Po causa, e em
azão disso, a pesquisa econômica da/sob e a ei a a a es-
sa di e en es á eas das Ciências Sociais. Como diz um dos a-
balhos a aliados, “a ei a, an es is a como li e comé cio, ai
um passo além e in eg a a economia e in e ação social, con-
ibuindo ao negócio local, dando-lhe di e en es significados”.
49
Figu a 2 – Me cado público
Fon e: Au o es: Ani a da Sil a Melo, Je e son Rod igues Fe nandes José Juan
Pablo de Almeida Fei osa e Tu ma: 3ª sé ie de Edi icações. Da a: 27 de ab il de
2022
Os g upos que escolhe am es e ema impo a am-se pa icula -
men e pelo seu passado. Na isão deles, “his o icamen e, sabemos
que o me cado público e as casas em seu de edo o am cons uí-
dos com a mão de ob a neg a”. Isso, con inuam, “e idencia uma ce -
ei a he ança daquelas pessoas que, em ou os empos, não inham
seque a libe dade de escolhe ”. A a ualidade pa ece, en ão, não e
al e ado (ou a ualizado) es a elação, de ez que “po ás de cada
p odu o endido, há um abalho b açal en ol ido na ab icação
dos mesmos”. Po consequência, “pa a que esses p odu os cheguem
nas mãos dos come cian es acon ecem á ios p ocessos. Um deles
é o abalho b açal pa a o cul i o e a expo ação das me cado ias”.
50
[...] algumas a i idades den o da ei a podem se
associadas a uma elação de esc a idão, ul apas-
sando os limi es den o do que “é no mal” pa a
a idade de uma c iança que abalha no local (...)
De an a aleg ia, es e momen o de simpa ia deixa
o abalho in an il p a icamen e igno ado. (T e-
cho da análise dos es udan es sob e a imagem
p oduzida).
Es as se iam, assim, uma “he ança da nossa cul u a a é os dias
a uais, com ag icul u a amilia que em p ese ando essa nossa
iden idade dos esc a os no nosso co idiano”. Na mesma lógica de
c í ica, os au o es a gumen am que a ei a é um g ande cen o pa a
a economia da cidade, uma ez que “a população u al, u bana e a é
de ou as cidades izinhas cos umam i a es e local”. A p esença
da ei a, com es e luga de p ese ação de aços nega i os acumu-
lados, ocupa ia “uma g ande á ea habi acional em compa ação às
pequenas casas que pode iam se cons uídas e dis ibuídas pa a
pessoas que possuem ulne abilidade social diminuindo assim in-
di íduos em condições de ua”.
Nes e echo, emos combina em-se anali icamen e as ideias do
ilóso o ancês Hen i Lé èb e (2001), pa a quem, em sua eo iza-
ção, ap esen a-se uma ên ase no u bano como um espaço social-
men e p oduzido, baseado na inexis ência de um co e p o undo
en e u al e u bano (es es, segundo ele, não se encon am em con-
aposição abe a, mas sim em cons an e in e pene ação) a uma
in e p e ação à b asilei a ao Pa adigma da Ma ginalidade e às no-
ções de espoliação u bana e de pe i e ização, pelo sociólogo Lucio
Kowa ick (1979), conec ando-se, des e modo, com análises que se
con e em em peças undamen ais pa a se comp eende o nasci-
men o e o desen ol imen o da sociologia u bana o a dos cen os
eu opeus e es adunidenses.
Os es udan es, como mencionados mais acima, ambém obse -
am que “o me cado se encaixa no ecossis ema (no qual a ei a li e
pode se equen ada po odos an o de classe al a ou baixa) u -
bano po meio da necessidade ou ‘comunidade biológica’”. Assim:
51
[...] o ecossis ema social, pode-se dize , semp e
e cada ez mais es á em cons an e desequilíb io,
pois as pessoas que não são “p i ilegiadas” com um
ipo de iqueza e passa[m] a i e em um ecossis e-
ma di e en e daqueles que são icos, po que como
diz a ase “o indi íduo ale o pon o geog á ico que
ele ocupa” [ e e indo-se a uma céleb e ase cunha-
da pelo geóg a o Mil on San os], elacionando essa
ase do espaço geog á ico com o ecossis ema so-
cial ende à ideia de desigualdade.
Ou seja, o ecossis ema de classe baixa se ia a pe i-
e ia dos bai os mais pob es, já o ecossis ema de
classe al a são os bai os melho es com mais opo -
unidades, os bai os icos. Nesse con ex o, em
a ideia de um abismo de desigualdade en e esses
ecossis emas. (T echo da análise dos es udan es
sob e a imagem p oduzida).
Segundo eles, nes e ecossis ema, di e en es indi íduos “necessi-
am in e agi uns com os ou os, deixando um pouco de lado o seu
nicho ecológico e se mis u ando, não po on ade p óp ia, mas sim
po pu a in e dependência”.
Apesa de es e não se comunica his o icamen e com a Escola
de Chicago, o concei o a al e idade, o “ou o”, p opõe uma subje-
i idade que pode “se aplica ao endedo e ao clien e: o endedo
come cializando sua me cado ia com o clien e, [o qual] com algum
aspec o ou ins in o, em po si um jei o de ca á e di e en e”. Há
uma “ iloso ia da al e idade” no comé cio, pos o que o endedo
“con a a uncioná ios de modo di e en e de emp esas pad oniza-
das; na maio ia dos casos, os donos dessas lojas con a am uncio-
ná ios com os quais já êm algum ipo de elação ou conhecimen o”.
Finalizam, associando ci u gicamen e o con ex o des es espa-
ços de ocas econômicas àquele dos insumos o necidos a eles, o
papel elegado à mulhe . Pa a eles, na a ualidade, “o pa ia cado
ainda ege a ida de algumas pessoas, p incipalmen e no âmbi o da
ag icul u a”. Po ém, indicam uma ( adical) mudança de cená io: o
52
empode amen o e o p o agonismo come cial das mulhe es igu am
como elemen os ans o mado es de uma sociologia p op iamen e
u bana. Se não, ejamos:
[...] algumas mulhe es ocupam uma si uação su-
bo dinada na ag icul u a, [nela] seus abalhos nas
plan ações são concei uados como uma o ma de
ajuda ao ag icul o (ma ido). (T echo da análise
dos es udan es sob e a imagem p oduzida).
Concluem a i mando que
[...] quando analisamos minuciosamen e a po cen-
agem de mulhe es que ocupam as compa ições
(sic) do me cado público, é no ó io como es as da-
mas se desp ende am das ideias pa ia cais impos-
as no deco e dos séculos impondo, assim, um
equilíb io de gêne o. (T echo da análise dos es u-
dan es sob e a imagem p oduzida).
53
In isibilidade social
Figu a 3 – Ceguei a da Sociedade
Fon e: Au o as: Ana Cla a Vasconcelos dos San os; Anna Lí ia Caldei a Ma ins,
Celline Campos da Sil a e S e any Gonçal es Xa ie . Tu ma: 3ª sé ie de
Manu enção e Supo e em In o má ica. Da a: 24 de ab il de 2022.
O município de Mon ei o não escapa às mazelas das mé-
dias e g andes cidades b asilei as: há uma população de ua nas
54
p oximidades de seus p incipais equipamen os econômicos ( ei as
e comé cio em ge al). Assim, os cliques nes es indi íduos ei os à
dis ância (a dú ida é se são, de a o, aquilo que denominamos co-
mumen e de “população em si uação de ua”) co obo am com o
a o de que mesmo nos municípios meno es a si uação socioeco-
nômica ob iga cidadãos e cidadãs a aga em em busca de sus en o,
mesmo (e especialmen e) que ele se ap esen e como desca e ou
acondicionado em po encial deg adação.
Os es udan es que op a am po es e ema, u iliza am-se de uma
e e ência já mencionada acima: o sociólogo alemão Geo g Simmel.
De aco do com eles, in e p e ando os a gumen os do pensado , a
cidade con empo ânea – assim como a do século XIX, que inspi-
ou Simmel – com o “ i mo acele ado... c ia an os es ímulos ao
indi íduo, que chega um momen o que ele pa a de eagi ”. Des e
modo, os es udan es indicam que o concei o do acima e e ido pen-
sado , a “a i ude blasé”, associa-se ao “anes esiamen o do sujei o”,
uma ez que “o que ce ca deixa de se signi ica i o, in e essan e ou
ele an e”.
Assim, o ema da seg egação socioespacial su ge na ala dos
au o es da o og a ia. Embo a o ema em ques ão seja o da in isi-
bilidade social há, po inc í el que pa eça, algo pio , uma ez que
mobiliza es e anes esiamen o: a população em ge al “ao encon a
an o so imen o no mundo, e i a se p eocupa com a si uação”
e ans o ma ais pessoas em “só mais um elemen o da paisagem
u bana”. Es a ealidade, segundo eles, é “comumen e assis ida, mas
di icilmen e is a”. Is o é, “po mais que seja isí el isicamen e, a
mesma se ia in isí el – pelos a o es ci ados – pa a o Es ado e a é
mesmo pa a a sociedade”.
Des a manei a, pensando na cidade a pa i das ob as do soci-
ólogo Geo g Simmel e do assis en e social e sociólogo Louis Wi h
(es e in eg an e da Escola Sociológica de Chicago), “a a i ude bla-
sé e a ese a do a iam o homem me opoli ano de uma libe dade
que des oa [do odo], se compa ada à pequenez e aos p econcei os
p esen es nas pequenas cidades”. Nesse sen ido, ainda de aco do
com es es au o es, o “aumen o da população é di e amen e p opo -
cional ao aumen o da indi e ença do cidadão”. Essa ca ac e ís ica
55
es a ia, po an o, ligada ao dilema “se mais um no meio de uma
mul idão”, ao sen imen o de solidão dos cidadãos. Con udo, como
imos linhas acima, o amanho da cidade pa ece não e , no empo
a ual, an a inge ência sob e os mecanismos de seg egação popula-
cional u bana...
A pe cebida seg egação socioespacial pa ece e conjunções com
o mas ou as de seg egação. Daí que alguns es udan es comp e-
ende am a elas icidade des a seg egação ao pon o de associá-la a
ou o p oblema his ó ico-es u u al de nosso país: o acismo. Se-
gundo eles:
Ao en a mos nos comé cios localizados no cen-
o, a g ande maio ia dos donos desses luga es são
b ancos, e as pessoas que abalham nesses am-
bien es [em sua] maio pa e são pa dos e b ancos.
Há pouquíssimas pessoas p e as! Isso se dá po
causa da g ande desigualdade acial exis en e, e é
uma consequência do acismo. (T echo da análise
dos es udan es sob e a imagem p oduzida).
No B asil, a desigualdade é di e amen e ligada à
colonização e à esc a idão. Po con a dessa he an-
ça his ó ica, inda de cen enas de anos de esc a i-
dão, nasce o que chamamos de acismo es u u al.
(T echo da análise dos es udan es sob e a imagem
p oduzida).
Es a pe cepção o na-se pon e pa a uma ou a. Aliás, ou a pe -
cepção em ou a disciplina, a Filoso ia. Os es udan es conseguem
c ia um link com a Filoso ia da Al e idade, em pa icula aquela
abalhada pelo ilóso o Emmanuel Lé inas. A in isibilidade so-
cial, associada à noção de al e idade, se ia o opos o – ou o an ído-
o – da noção de que “nós, como ci ilização, emos uma sociedade
baseada no indi idualismo e no egocen ismo”. Nes a, “o ou o só
exis e po que nós exis imos pa a alida a sua exis ência”. Desse
modo, “se eu não ac edi a ou simplesmen e igno a o ou o, isso
56
não in e e e na minha exis ência como indi íduo”, in o mam nos
ex os que esc e e am pa a jus i ica suas escolhas emá icas.
Os es udan es e le em no a o de que há uma “ce a di iculdade
em pe cebe o Ou o, eduzindo-o à o alidade”. Assim, e ocando
Lé inas, iden i icam que o “so imen o do Ou o não me a e a”.
Des a ei a,
[...] podemos en a [nos] coloca no luga dessas
pessoas, en a comp eendê-las sem julgamen os.
Só assim a al e idade - que é sob e como as pes-
soas se colocam no luga do ou o - deixa á de se
um concei o e se o na á uma p á ica co idiana.
(T echo da análise dos es udan es sob e a imagem
p oduzida).
Po im, a in isibilidade social e ia, epe indo o que disse aci-
ma, como an ído o a al e idade, uma ez que “ emos consciência de
nós po que es amos em nós” e “pa a e uma consciência do ou o
equi alen e à minha [ca ece] es a nele”.
P aça pública como cen alidade
Figu a 4 - Uma isão a a és do ób io
Fon e: Au o as: Jenni e Lo any de F ei as Sil a; Lí ia Gonçal es de
Lima; Ma ia Edua da Ma ques Leal e Ri ânia da Sil a Rod igues. Tu ma:
3ª sé ie de Manu enção e Supo e em In o má ica. Da a: 27/04/2022.
57
A P aça P esiden e João Pessoa é a p aça cen al do município
de Mon ei o. Segundo a i mam os es udan es que escolhe am es e
ema, a imagem se elaciona com a u banização da cidade, com a
in e a i idade en e as pessoas e a expansão das cidades que au-
men am cada dia mais.
Pa indo dessa cons a ação, podemos nos ques iona : quais
se iam as ca ac e ís icas básicas que podemos cap a na imagem
o og á ica de uma p aça? Sim, qualque p aça. Ce amen e, pode-
íamos menciona suas dezenas de ca ac e ís icas mais ge ais, ais
como o co e o, os b inquedos in an is, o cená io dos encon os de
namo ados, en e ou os... Mas, sem dú ida, nada é, em seu espa-
ço, ão ma can e quan o o binômio, ca o ao campo da Sociologia,
mudança/pe manência.
Es e, ac edi o, é o pon o de maio impo ância quan o ao en oque
dos monumen os u banos (especialmen e as p aças) como espaços
de celeb ação, passí eis de mudanças e de pe manências e como
singula es espaços de sociabilidade e con i ência comuni á ia.
Na a ual unção capi alis a, como locus da u be, os caminhos se-
guem uma lógica baseada no ânsi o uncional das me cado ias
e das pessoas, o imizando as possibilidades que o planejamen o
u bano o e ece. Qualque cidade em a elocidade como ca ac e-
ís ica mais eme gen e. Suas qualidades ou de ei os, mui as ezes,
são medidos pela apidez com que pode assimila / echaça o que se
encaixa ins umen almen e em sua cons ução, em seu desempe-
nho u bano.
Nes e caso, a a iá el empo cong ega-se à a iá el espaço: são
mais do que medidas abs a as, são pa âme os de possibilidades
com as quais se abalha, is o é, a máxima “ empo é dinhei o” sig-
ni ica mais do que um simples ja gão: ela é, ou ossim, pala a de
o dem do sis ema inancei o. E es e, po sua ez, condiciona, en e
ou as coisas, a manei a como se ai lida com seus monumen os
u banos na elação conse ação-p ese ação-des uição ísicas.
Mas, ol ando às pe cepções dos es udan es. A gumen ando
que o cen o é o “bai o nob e de Mon ei o”, a e e ida p aça, em
seu “espaço comple o”, encaixa-se “em um dos a o es da seg e-
gação socioespacial”, o qual se iam as “polí icas de cons ução de
64
SOCIOLOGIA, INTERDISCIPLINARIDADE
E “CURRÍCULO INTEGRADO”: REFLEXÕES
COMO PREÂMBULO DE UM RELATO DE
TRABALHO ENVOLVENDO FOTOGRAFIA E
ESTUDOS URBANOS
Ma celo A aujo
In odução
Em que a Sociologia pode con ibui pa a a educação p o issional e
ecnológica? Es e ques ionamen o, í ulo de um ex o de Oli ei a
(2013) de que me u iliza ei bas an e, e de apa ência ão somen e
e ó ica, gua da uma p o unda dú ida. Tal dú ida mui o p o a el-
men e não se sus en a ia em uma modalidade egula de ensino – a
chamada o mação ge al. Nes a, desde a Lei nº 11.684/08, a Socio-
logia apa ecia como ob iga ó ia no Ensino Médio. Já na educação
écnica, a disciplina é inse ida de o ma concomi an e à ans o -
mação em Ins i u os Fede ais de Educação, Ciência e Tecnologia da
maio pa e dos Cen os de Educação Tecnológica (CEFETs) e Esco-
las Ag o écnicas Fede ais. Es as ins i uições passam, assim, a o e-
ece cu sos de Ensino Médio In eg ado ao Técnico, onde, em ese,
as aulas de Sociologia de e iam es a p esen es em odas as sé ies
do Ensino Médio. Digo “em ese”, pois é possí el iden i ica , em
a iadíssimos Ins i u os Fede ais pelo B asil a o a, que es a não é
uma eg a ob iga o iamen e p a icada. Sem deseja aqui, po al a
de espaço e de escopo, ci á-los e aos seus Campi, deixamos à/ao lei-
o a/lei o a suges ão de con i ma , ia pesquisa, es a in o mação.
No que diz especi icamen e espei o à Educação P o issional
e Tecnológica (do a an e EPT), a Sociologia possui uma his ó ia
65
singula , a qual é ma cada po encon os e desencon os. Na p i-
mei a me ade do século XX, enquan o es a disciplina compunha
o cu ículo dos cu sos complemen a es ( ol ados pa a a o mação
das eli es que ing essa am nos cu sos uni e si á ios), o ensino p o-
issionalizan e su ge, nesse mesmo pe íodo, com ou a inalidade,
a qual e a jus amen e ol ada pa a as classes menos p i ilegiadas.
P oje a-se, de um sal o, a segunda me ade do mesmo século, o de-
sen ol imen o en e a Sociologia e a Educação P o issional que
se deu, po oposição, no deco e dos anos de 1970, pe íodo em
que é p opos a, pelo Minis é io da Educação, a p o issionalização
compulsó ia do Ensino Médio no B asil. Tal p o issionalização se
alinha a às polí icas educacionais que alimen a am os in e esses
in e nacionais e os das eli es nacionais, associadas ao capi al in e -
nacional. De aco do com Sil a (2007, p. 14), al cená io in luenciou
mui o do que oi o pe il da disciplina nas décadas seguin es.
Assim, como se em ei o abe amen e en e os “p a ican es”
da Sociologia no Ensino Básico, jus i ica a disciplina em i ude
da o mação pa a a c í ica e pa a a cidadania p essupõe p epa a
os jo ens pa a “um depois”. Eles p ecisam, pois, ap ende ce os
con eúdos pa a, “um dia”, exe ce em essas condições. Mas… A es-
cola não az pa e da ama social a ual?!? A gumen a sob e a im-
po ância do conhecimen o sociológico, segundo aquele ho izon-
e, pode nega aos jo ens es udan es a pa icipação polí ica, bem
como pode-se, com isso, p o ela essa possibilidade, em is a dos
“desin e esses, descomp omissos, apa ias” (Oli ei a, 2013, p. 169)
des es, como equen emen e são ca ac e izados po p o esso es.
Não ac edi ando – nem de longe! – nes es “di ames” quan o –
mais uma ez en e aspas! – aos “desin e esses, descomp omissos,
apa ias” dos es udan es do Ensino Médio, gos a ia de lemb a que as
O ien ações Cu icula es Nacionais de Sociologia, de 2006, indicam
a “p odução do es anhamen o” e da “desna u alização da ealidade
social” como guias, os quais p ecisam se ealizados a iculando-se
os concei os, emas e eo ias. Nesse sen ido, pode-se obse a que
a Sociologia escola em ajudado os sujei os, de aco do com Giddens
(2005, p. 286), po meio de ês aspec os, p incipalmen e: a) a consci-
ência das di e enças cul u ais, endo em is a que ela nos possibili a
66
e o mundo a pa i de ou os pon os de is a que não exclusi a-
men e o nosso; b) a a aliação dos e ei os das polí icas, já que a pes-
quisa sociológica nos o nece elemen os pa a a a aliação de inicia-
i as polí icas; c) o au oescla ecimen o, uma ez que, quan o mais
sabemos o po quê de agi mos como agimos e como se dá o comple o
uncionamen o de nossa sociedade, p o a elmen e se emos mais ca-
pazes de in luencia nossos p óp ios u u os.
Pa a aseando Schü z (apud Oli ei a, 2013, p. 172), “somos odos
sociólogos espon âneos e, em pa e, é essa ‘sociologia espon ânea’
que é azida à consciência quando o con ex o é en a izado”. Assim,
o luga que a Sociologia ocupa na ede de EPT a ia não apenas de
aco do com a concepção que é o mulada em o no das Ciências
Humanas, mas sim com a p óp ia concepção do que é a ecnologia
e o sabe ecnológico.
Como e emos a pa i da p óxima seção, es e ex o, que a-
a das con ibuições da Sociologia escola , inspi a-se na a aliação
dos esul ados acadêmicos (is o é, dos abalhos con eccionados e
en egues pelas/os es udan es) que a ende am a uma “a i idade
in e disciplina ” en ol endo os componen es cu icula es Emp e-
endedo ismo, Filoso ia, His ó ia e Sociologia. P e ende-se, pois, e-
la a a expe iência de um abalho em u mas de 3ª sé ie do Ensino
Médio In eg ado dos cu sos de Ins umen o Musical (IM), Manu-
enção e Supo e em In o má ica (MSI) e Edi icações (TED) com o
ema “cidade”. Pa a an o, a e lexão documen al e isual do muni-
cípio de Mon ei o cons ói na a i as e econcei uações ace ca dos
emas pe encimen o, pa imônio, espaços de p á icas econômicas
e enquad amen os sociais, en e ou as ca ego ias impo an es na
ca ac e ização de um luga , no sen ido sociológico.
Vale adian a que, se especi iquei acima os cu sos de o igem
dos es udan es que con ecciona am os abalhos, na seção em que
eu os examino, codi ico e analiso – no ex o complemen a a es e,
como in o mo abaixo –, ais on ei as desapa ece em. Is o é, na
in e p e ação das imagens p oduzidas e suas in e seções e lei u as
sociológicas, a au o ia cole i a é p i ilegiada.
Vale ambém, po im, in o ma que es e capí ulo se desdob a,
endo po inalidade a dida ização daquilo que comunica, em duas
67
pa es (a seção de análise a que me e e i acima cons a, inclusi e, da
pa e complemen a ). Se nes a os dados p eambula es da disciplina
sociológica e de elemen os de in e disciplina idade em um “cu í-
culo in eg ado” são o pon o ocal, na seguin e o al o é o a amen o
de passagens conc e as da e e ida p opos a de a i idade pedagógi-
ca, a qual inco po a os emas das ciências sociais, bem como consa-
g a a au o alidade dos es udan es na cons ução do conhecimen o
sob e o município que ab iga o Campus.
Re lexões sob e in e disciplina idade
No p ocesso de seleção das e e ências pa a a cons ução do con-
ex o eó ico- e lexi o des e capí ulo, algumas concepções ace ca
do concei o de in e disciplina idade o am encon adas. Com elas,
ie am o econhecimen o de sua impo ância na discussão do pen-
samen o sob e uma p á ica in eg ada na ge ação e na ges ão do co-
nhecimen o escola .
Uma o ma, em pa icula , de e al concei o exigiu um posi-
cionamen o c í ico a seu espei o. Pa ece ha e uma lei u a que, se
não é majo i á ia, di undiu-se bas an e sob e a concepção do que é
e de como é p a ica a in e disciplina idade. Pa a es a lei u a, como
encon amos em Ha mann e Zimme mann (2007, p. 47), aze in-
e disciplina idade na escola
[...] é mais do que simplesmen e p omo e condi-
ções pa a que o es udan e es abeleça elações en e
in o mações pa a cons ui um sabe in eg ado. Ela
eúne uma segunda condição, que consis e em es-
abelece e man e o diálogo en e p o esso es de
di e en es disciplinas com o obje i o de es abele-
ce um abalho compa ilhado en e eles (g i o
meu).
Ac edi o que as ações – a cons ução de um sabe in eg ado e o
es ímulo ao diálogo pe manen e en e colegas docen es de á eas
dis in as – andam jun as e independem, pois, da u ilização con-
cei ual da noção de in e disciplina idade. T a a-se, na e dade, de
68
uma pos u a epis êmica que é acionada sem que se pense no que
es á sendo ei o. Essa é a chamada in e disciplina idade.
Po an o não é, nesse sen ido, necessá io eo iza se es a p á-
ica é ou não uma o ma de p oduzi in e disciplina idade. Isso
po que, pela disposição na u al de docen es da escola básica em
ealizá-la (ainda que de o ma descon inuada), em azão das con-
dições eais do abalho escola , in eg a seus o ícios e con eúdos
p og amá icos se ap esen a mais como uma p emen e necessidade
do que como uma escolha.
Con udo, aço aqui uma concessão: se a in e disciplina idade é,
como de ine Lück (1994), o p ocesso que en ol e a “in eg ação e
o engajamen o de educado es, num abalho conjun o (de in e a-
ção das disciplinas do cu ículo escola en e si e com a ealidade)”,
en ão es a pe spec i a é sa is a ó ia. Isso po que es e modo de
concei ua a in e disciplina idade se ansmu a em um p incípio
pedagógico impo an e pa a a o mação dos es udan es, capaci an-
do-os pa a cons uí em um conhecimen o in eg ado que supe e a
agmen ação do ensino.
Pode se des acado, con udo, como bem adian a Ha mann e
Zimme mann (2007, p. 5), o não se “ undi em disciplinas”, mas a
p omoção do auxílio aos es udan es no que ange ao es abeleci-
men o de ligações de in e dependência, de con e gência e de com-
plemen a idade en e elas. Assim, a ca ac e ização do abalho
como in eg ado pa ece se i pa a além de um ó ulo in e disci-
plina , pos o que, conec ando os aspec os cien í icos e sociocul u-
ais, é possí el p omo e condições pa a uma o mação in eg al do
es udan e.
Como bem adian a a educado a I ani Fazenda (apud Ha mann
e Zimme mann, 2007, p. 5), co oando o que pensa o au o des e
ex o, a in eg ação não é uma sín ese disciplina , mas apenas um
momen o do p ocesso. Momen o que possibili a chega a “no os
ques ionamen os, [a] no as buscas, pa a uma mudança na a i ude
de comp eende e en ende ” (Ha mann e Zimme mann, 2007, p.
5).
69
“Cu ículo in eg ado” e a a i idade in eg ada
Mas, e o que dize do e mo “in eg ado”, não como uma a i ida-
de ealizada em cu sos in eg ados, mas sim como um p odu o que
angencia um “cu ículo in eg ado”?
Aqui, inspi o-me na p o esso a Ma ize Ramos (2009). Pa a ela, o
“cu ículo in eg ado” (2009, p. 1) pode se ca ac e izado como uma
o ma de comp eensão global do conhecimen o, cuja ealização se
dá, em sua cons ução, a a és da p omoção de maio es pa celas
de in e disciplina idade. A in eg ação essal a ia, pois, a unidade,
a qual de e exis i “en e as di e en es disciplinas e o mas de co-
nhecimen o nas ins i uições escola es” (Ramos, 2009, p. 2). Esse
iés de en endimen o é de que al in eg ação coloca as disciplinas
e cu sos isolados numa pe spec i a elacional. Es a p omo e, ines-
capa elmen e, maio in eg ação dos sabe es escola es com os sa-
be es co idianos dos alunos, o que aca e a ia uma modelagem de
socialização su icien emen e ap op iada do conhecimen o, sendo,
po an o, capaz de a ende às mudanças em cu so no mundo do
abalho, po exemplo.
Assim, a necessidade de elaciona o âmbi o escola à p á ica
social conc e a e à á il comp eensão da ealidade pa a além de sua
apa ência p oduzi á, ambém, uma in eg ação da o mação ge al,
écnica e polí ica, na qual o p ocesso o ma i o p opo ciona á a
comp eensão da his o icidade da p odução cien í ica. Não se ia,
des e modo, exage o especula que a supe ação do enciclopedismo
(aqui comp eendido no sen ido, o a conscien e o a não, de quando
concei os his ó icos são ans o mados em dogmas) e do espon-
aneísmo ( o ma ac í ica de ap op iação dos enômenos que não
ul apassa o senso comum) são solapadas no p ocesso de ap endi-
zagem ine en e ao abalho in eg ado.
Vale lemb a , assim, que um concei o especí ico – no caso, o de
cidade – não é abo dado de o ma écnica e ins umen al só e uni-
camen e, mas o é isando a comp eendê-lo como cons ução his ó-
ico-cul u al, senso cons i uído pelo p ocesso de desen ol imen o
das ciências que o abo dam. Nesse sen ido, nenhum concei o ap o-
p iado p odu i amen e pode se o mulado ou comp eendido de-
sa iculadamen e das ciências e das linguagens. Ou seja, como o
70
a i ma Ramos (2009, p. 3), o cu ículo o mal exige a “seleção e a
o ganização desses conhecimen os em componen es cu icula es,
sejam eles em o ma de disciplinas, módulos, p oje os”. Po ém, a
in eg ação p essupõe o ees abelecimen o da elação en e os co-
nhecimen os selecionados. En ão, como o cu ículo não pode com-
p eende a o alidade, a seleção é o ien ada pela possibilidade de
p opo ciona a maio ap oximação do eal, po exp essa as ela-
ções undamen ais que de inem a ealidade. E es a “ap oximação
do eal” é dida icamen e mediada pelas disciplinas que se ocupam,
den o das ciências humanas e sociais, do ema “cidade”, o qual,
insc i o nas limi ações de se abalhá-lo em classes de Ensino Mé-
dio, é abo dado ia de eg a po meio da expe iência (indi idual e
cole i a) das e dos es udan es.
Des e modo, buscando eliga es e ema com o início de minha
ap esen ação, em-se que a in e disciplina idade, como mé odo, é a
econs i uição da o alidade pela elação en e os concei os o igina-
dos a pa i de dis in os eco es da ealidade. Is o é, dos di e sos
campos da ciência ep esen ados em disciplinas, o que encaminha,
como obje i o, a possibilidade da comp eensão do signi icado dos
concei os, das azões e dos mé odos pelos quais se pode conhece o
eal e ap op iá-lo em seu po encial pa a o se humano.
Na p á ica que undamen a es e ela o, não pa o dos con eúdos
o iginais pa a consegui es abelece a ap oximação en e as á eas
que co espondem às disciplinas o iginalmen e en ol idas, mas
busco iden i ica uma si uação emá ica que pode se abo dada a
pa i delas. Tenho, des e modo, consciência de que mui os au o-
es p imam, pa a es abelece a ap oximação aludida, pela “p ocu a
[po ] iden i ica [n]uma si uação eal o que pode se abo dado a
pa i delas” (Ha mann e Zimme mann, 2007, p. 11). En e an o,
pela p opos a o iginal de abalho compo a as disciplinas Emp e-
endedo ismo, Filoso ia, His ó ia e Sociologia, es a “si uação eal”
se ez não pela ap oximação expe imen al, empí ica, mas sim pelo
con as e com o mundo con empo âneo e suas es u u as ecnoló-
gicas – inclusi e as que, de ce o modo, nos ap isionam enquan o
indi íduos.
71
Mas... E sob e a cidade – ou, mais especi icamen e, a
Sociologia U bana –, ema mo i ado des e ex o?
Dize que a cidade é o luga da di e sidade é uma a i mação que e-
o ça uma desnecessá ia ob iedade. Pa a odas as ciências que dela
se ocupam, e sem medo de come e uma edução ociden alis a e
pa a lá de pa cial, a cidade é o mo o de nossa ci ilização. Sem dú i-
da, ela se con igu a como o locus da ida econômica, eligiosa, polí-
ica, a e i a, en e ou as mani es ações p o undamen e humanas
da hoje imensa maio ia dos indi íduos que agem sob e o plane a.
No conjun o, as cidades dialogam com seus habi an es e com
odos aqueles que, de alguma o ma, desejam dela i a p o ei o,
que seja pela manu enção da sob e i ência, que pela necessidade
social de compa ilha , de es a jun o. Não alamos apenas daque-
las que, e i o ial ou sociologicamen e, são denominadas g andes
cidades ou das que so em sua in luência di e a. Mesmo aquelas
cidades que não es ão em o no de uma capi al ou de um cen o co-
me cial impo an e con ibuem com sua plu alidade pa a o ma o
se u bano que as cons i ui e é cons i uído co idianamen e po elas.
As di e sas disciplinas que compõem as ciências humanas, mas
não só elas, se p eocupam e ap endem mui o com a cidade, ou me-
lho , com a expe iência u bana. Des e modo, a Sociologia, a An o-
pologia e a Ciência Polí ica, ma izes adicionais dos cu sos uni-
e si á ios b asilei os de ciências sociais que disponibilizam seus
con eúdos, me odologias e o ien ações no p ocesso de ansposi-
ção pa a o Ensino Básico das ins i uições o mais de educação, êm
como ob igação e como esponsabilidade pedagógica e o ma i a
aze da discussão das ca ac e ís icas e possibilidades o necidas
pela cidade uma on e de pe manen e ap endizado.
Assim, a iculadas em o no do con eúdo e abalhando em con-
jun o na o ma, a a i idade não somen e especula i a, mas am-
bém in e p e a i a sob e os espaços u banos p óximos pode con e-
i um quali a i o labo a ó io de explo ação e, consequen emen e,
um canal pa a e inadas aquisições no campo do sabe .
En ão, comp eendendo a cidade como cons ução social, os
es udan es cap a am imagens ace ca de emas adicionalmen e
u banos, buscando comp eende como as eo ias sob e a cidade
72
podem se aplicadas empi icamen e. Como esul ado, oi-lhes pos-
sibili ada uma ap oximação e lexi a, eó ica e concei ual, sob e
uma ealidade i enciada em seu p óp io co idiano. Nessa al u a
da ida escola , úl ima sé ie do Ensino Básico, eles e elas já acumu-
la am uma ica discussão ace ca do ema, especialmen e quando
associadas às con ibuições das disciplinas das humanidades. Con-
cei os como me ópole, exclusão e seg egação, em si mesmos com-
plexamen e polissêmicos, já o am sa is a o iamen e abso idos e
se em como pon o de pa ida analí ico do ema.
Aqui, ale o egis o. Mui os es udan es u iliza am-se do e e-
encial da chamada Escola Sociológica de Chicago. Impo an e e
pionei o cen o de pesquisa sob e o ambien e u bano, a pe spec i a
des a Escola sob e a cidade e a de que se a a a de um labo a ó io
pa a “es uda a sociedade”. Es es es udan es menciona am inúme-
as ezes o sociólogo Robe Ez a Pa k (1864-1944), o qual, assim
como a p opos a do abalho ealizado, não à oa, es a a o empo
odo p eocupado em manda seus discípulos e alunos não somen e
pa a as cidades g andes, mas ambém pa a médias, pequenas e a é
pa a o in e io .
Es es es udan es pa ecem e comp eendido que, no pensamen-
o de Pa k, de aco do com Joseph (2005, p. 111), uma cidade é “algo
esponjoso que a ai e epele ao mesmo empo”. Es á longe, con udo,
de se a p io i a única o ma de eunião, ampouco a melho delas.
Ela não é apenas um meio que ole a as di e enças; ela as p emia,
assim como acen ua as “excen icidades”, sejam elas p o issionais
ou cul u ais. E es a “a ação” e “ epelência” pode, en e ou as ias,
se a es ada po in e médio da o og a ia.
Fo og a ia como eículo pa a uma Sociologia isual
A década de 1980 é ida como o ma co inicial, no B asil, do eco-
nhecimen o do es a u o acadêmico da o og a ia como documen o
na pesquisa em ciências humanas. A o og a ia é indubi a elmen e
po ado a de um g ande po encial pa a, já que pode, en e ou os
aspec os, comunica uma a mos e a e exp imi sen imen os.
Já é ex ensa, conhecida e de qualidade a bibliog a ia que a a
do apa ecimen o da o og a ia e de suas u ilizações pa a as mais
73
di e sas inalidades. Den e alguns au o es que pensam sob e ela,
podemos ci a , no cená io in e nacional, nomes como o de Roland
Ba hes (1984 e 2000), Philippe Dubois (1992) e Wal e Benjamin
(1994 e 2000), e, no plano nacional, au o es como Ana Ma ia Mauad
(1996 e 2000), An ônio Oli ei a Júnio (2000) e Bo is Kossoy (1989
e 1993), en e mui os ou os.
Nes e capí ulo, a e lexão sob e algumas ques ões eó ico-me-
odológicas que en ol em a o og a ia é um elemen o no eado .
Con udo, em azão do espaço de que dispõe seu au o , es a a e a
se á ão somen e pinçada, na condição de undo in e p e a i o em
que se alice ça. Impo a, po ém, in o ma , desde logo, que a seleção
dos exempla es ma e iais de que me u iliza ei é p odu o de escolhas
e opções delibe adas, que se ão, em empo opo uno, explici adas.
Não é meu obje i o me de e em ques ões ligadas ao apa eci-
men o da o og a ia como elemen o p oposi o de uma no a ea-
lidade. Aqui me in e essa co eja as in o mações mais elemen a es
no ocan e à pesquisa his ó ica. En e an o, é necessá io lemb a
que, em elação aos seus p imó dios, o al o cus o que en ol ia odo
o apa a o de sua p odução e di usão limi a a a sua acessibilidade
– is o é, encomenda e posse – apenas àqueles que dispusessem de
capi al inancei o. Em ou as pala as, po especí icos g upos da
sociedade.
A o og a ia des es empos azia consigo a possibilidade de um
no o p ocesso de conhecimen o do mundo, que ago a se ap esen-
a a de o ma de alhada. Nes e sen ido, pode -se-ia dize ha e um
pa adoxo: pe dia-se em e mos con ex uais o que se ganha a em
de alhes. Nes a cons ução, a o og a ia passa a a e e i a -se como
indício de e dade, do que ealmen e acon eceu. O momen o espe-
cí ico acaba a po o na -se ep esen a i o do odo e do ge al.
Como já en e is o, al pensamen o em sido descons uído,
nas úl imas décadas, pelos pesquisado es que azem des e ecu so
documen al o seu in e esse de pesquisa. Sabemos hoje que elas, as
o og a ias, nos mos am um agmen o selecionado da apa ência
das coisas, das pessoas, dos a os, al como o am es e icamen e
congelados num dado momen o de sua exis ência/oco ência. No
momen o em que eu esc e o é o e o mo imen o que de ende que
80
di iculdades dos alunos nessa disciplina com o abalho de p o es-
so es, como apon a A aújo:
Um dos a o es desmo i ado es na p á ica docen e
é pe cebe que o aluno é eme oso em ap ende a
ma emá ica de ido a es e eó ipos es abelecidos na
passagem em cada ní el de educação, a a és de in-
luências in e nas e ex e nas ao ambien e escola ,
p esenciando ais a i udes dos docen es quando
ela am que ap ende ma emá ica é complicado e
que jamais i ão ap ende e/ou memo iza ais ó -
mulas, apenas le ando em conside ação que mui-
os dos p o esso es lançam os con eúdos p opos-
os em seus cu ículos sem mos a ou demons a
suas u ilidades, aplicações e con ex ualizações
(A aújo, 2017, p. 31).
Com uma a i idade ex aclasse é possí el desmis i ica a Ma-
emá ica nos e mos da ap endizagem, mos ando que é possí el
ap ende Ma emá ica a pa i de ou as o mas, olha es e p á icas,
a endendo o ca á e inclusi o dos obje i os da OBMEP, que é p o-
po ciona a odos os alunos b asilei os opo unidades de ap endi-
zagem em Ma emá ica.
Com isso, o p oje o Clube de Ma emá ica OBMEP buscou desen-
ol e habilidades e compe ências elacionadas à á ea de Ma emá-
ica a pa i do es udo de p oblemas ime sos em um ambien e in e-
a i o o mado po alunos selecionados na segunda ase da OBMEP
no ano de 2022 e p o esso es do IFPB - Mon ei o.
Pa a alcança bons esul ados na 17ª edição da olimpíada, de-
sen ol e am-se ações que es imulam p á icas de ampliação do uni-
e so de i ências dos es udan es pa a além daquelas já p e is as
no Plano Pedagógico de Cu so (Edi icações, Ins umen o Musical
e Manu enção e Supo e de In o má ica), além da ampliação das
discussões iniciadas em sala de aula, con ibuindo pa a a melho ia
da qualidade da educação básica, pa a a consolidação dos con eú-
dos p og amá icos do componen e cu icula de Ma emá ica e pa a
81
a pe manência e o êxi o dos es udan es po meio de no as abo -
dagens no ensino de Ma emá ica, possibili ando a iden i icação de
jo ens alen os e a di usão das compe ições acadêmicas como es a-
égia de engajamen o e ap endizagem dos es udan es nas di e sas
á eas do conhecimen o.
Me odologia
O p oje o pa iu do p incípio da ação de in e enção como um p o-
cesso, o qual buscou sis ema iza uma sé ie de a i idades que a en-
dam aos obje i os açados. Inicialmen e, pensando na OBMEP
como uma e amen a pedagógica, a di ulgação oi ealizada po
meio de ap esen ações do egulamen o da 17ª edição pa a a comu-
nidade escola , engajando o maio núme o possí el de es udan es
no p oje o e isando a uma melho in eg ação en e as a i idades
cu icula es e ex acu icula es.
As a i idades elacionadas às ques ões olímpicas de Ma emá ica
o am desen ol idas po meio da discussão e esolução de p oble-
mas e desa ios pa a o ap imo amen o da edação ma emá ica. De
o ma complemen a , o am desen ol idas aulas exposi i as e dia-
lógicas em sala de aula e ambien e i ual.
Ao longo do pe íodo de explo ações dos p oblemas, o p o esso
o ien ou os alunos na esc i a ma emá ica e auxiliou na esolução
das ques ões, possibili ando o ape eiçoamen o de écnicas de e-
solução de p oblemas ma emá icos de o ma c ia i a.
Nesse sen ido, odos os alunos p é-selecionados pa a a segunda
ase da OBMEP, que con a com 19 alunos a iados das ês sé ies do
Ensino Médio e dos ês cu sos écnicos in eg ados, pa icipa am
do Clube de Ma emá ica.
Na semana que an ecedeu a aplicação da p o a da segunda ase,
oi ealizada uma eunião com a i idades mo i acionais, e o çan-
do com os alunos a impo ância de aze pa e de um e en o olím-
pico an o na ida pessoal como na acadêmica.
Resul ados e Discussões
Conside ando os obje i os do p oje o de Clube de Ma emá ica,
ap esen am-se os esul ados da OBMEP, edição 17 no ano de 2022,
82
na qual se obse ou a e olução no núme o de alunos p emiados na
e e ida compe ição em elação aos anos an e io es, pa indo da
ação de in e enção com p epa ação especí ica pa a a segunda ase.
Comp eende-se que o IFPB Campus Mon ei o enha semp e
ap esen ado esul ados signi ica i os nas edições an e io es da
OBMEP, mas se des aca a impo ância de uma in e enção pa a
uma p epa ação pa a a segunda ase da olimpíada, que eque dos
alunos uma sis ema ização dos conhecimen os ma emá icos ad-
qui idos nas soluções dos p oblemas p opos os, indicando como a
o ien ação docen e con ibuiu pa a ais esul ados.
Nos úl imos cinco anos, a é o ano de 2021, nas pa icipações da
ins i uição na olimpíada, ob i e am-se 3 menções hon osas, sen-
do uma no ano de 2019 e duas na edição bienal (2020-2021). No
ano de 2022, no qual se implemen ou o p oje o de ensino Clube de
Ma emá ica, o am ob idas se e menções hon osas. Embo a ain-
da sem conquis as de medalhas, do pon o de is a das p emiações
olímpicas, ei e a-se um a anço signi ica i o, pois se a a de uma
p emiação em ní el nacional de uma compe ição de al o ní el e que
em se consolidando, há quase duas décadas, com en ol imen o de
milhões de es udan es de escolas públicas b asilei as. Pa a além das
p emiações, ealçam-se os esul ados signi ica i os na ap endiza-
gem dos alunos en ol idos e das p á icas docen es.
Pa a elucida boas p á icas educa i as como o Clube de Ma emá-
ica, pa e-se de San os e Ab eu (2011), que apon am qua o ca e-
go ias dis in as e complemen a es na in eg ação de ações didá icas
e de o ganização adminis a i a que co obo am pa a o êxi o dos
alunos na OBMEP.
En ol imen o das amílias dos alunos nas ações da OBMEP
T a a-se de uma p á ica que en ol e os amilia es dos alunos
nas a i idades escola es, seja po meio de euniões ou encon os
com ins sociais. No que conce ne ao p oje o, esse en ol imen o
se es ingiu à di ulgação dos esul ados da olimpíada, da classi-
icação pa a a segunda ase e dos p emiados. Conside a-se que,
o nando esses esul ados públicos, há uma mobilização posi i a
po pa e dos pais ou esponsá eis dos alunos, p incipalmen e na
83
classi icação da segunda ase, na qual se abalhou pa a minimiza
o quad o de ausência no dia de ealização da p o a.
Assegu amen o da in aes u u a humana, logís ica e
inancei a de supo e
Con igu ou-se como uma p á ica exi osa ao passo que o am de-
sen ol idas algumas es a égias de en ol imen o dos p o esso es
na aplicação das p o as na p imei a ase, e le indo o comp omisso
da comunidade escola com o p ocesso o ganizado e sé io da olim-
píada, além da p epa ação dos alunos pa a a 1ª ase de o ma ainda
ímida, mas semp e buscando-se mo i á-los a pa icipa e a a
a p o a de 1ª ase como mais um momen o de ap endizagem em
Ma emá ica.
Na segunda ase, hou e uma mobilização ainda maio pa a a
p epa ação dos alunos, p incipalmen e no que se e e e ao engaja-
men o deles na esc i a ma emá ica, o que esul ou em momen os
ímpa es de ap endizagem, salu a à habilidade de a gumen ação
ma emá ica.
A Base Nacional Comum Cu icula (2017) coloca a a gumen a-
ção como uma habilidade essencial pa a o desen ol imen o do le-
amen o ma emá ico e do pensamen o compu acional. Po an o,
o am desen ol idas ações e e i as na p epa ação da segunda ase
no que ange às habilidades necessá ias aos alunos.
Ainda, ei e a-se a pa icipação da ges ão da ins i uição na o -
ganização e o e ecimen o dos espaços e ma e iais pa a o desen ol-
imen o das ações do clube, inclusi e na o e a de ki s con endo
bolsa, cane as, ga a a e chocola e como incen i o à pa icipação da
segunda ase, como se obse a na o og a ia (Figu a 1) a segui , em
que se egis ou a en ega desses ki s.
84
Figu a 1 - En ega de Ki s aos alunos selecionados pa a a segunda ase da
OBMEP
Fon e: O au o (2023).
O e ecimen o de a i idades ex acu icula es
p epa a ó ias pa a a OBMEP
Essa p á ica é a mais e e i a dian e do obje i o do p oje o Clube
de Ma emá ica. Comumen e, os alunos apon am que se sen em
desmo i ados a pa icipa da segunda ase da OBMEP, pois con-
side am que não es ão ap os a desen ol e as ques ões da p o a.
De a o, as seis ques ões discu si as da segunda ase, di e en e da
p imei a, são elabo adas pa a elucida o ní el de aciocínio lógico-
-ma emá ico, com i ens que podem i de “A” a “D” e que aumen am
a complexidade p og essi amen e. Esse o ma o não é bem emp e-
gado nas a i idades cu icula es de Ma emá ica nas escolas, que
po ezes seguem os pa âme os de ques ões obje i as ou, quando
abe as, são conside adas apenas a ap esen ação de uma espos a a
pa i de cálculos ou esquemas.
Nesse sen ido, nos encon os que o am ealizados, o p o es-
so ez algumas ecomendações e deu algumas o ien ações pa a a
85
esc i a ma emá ica adequada na esolução de p oblemas, além de
en a iza a o ganização do empo e espaço de es udos dos alunos,
buscando le e comp eende ques ões do banco de ques ões da OB-
MEP e das p o as de segunda ase das edições an e io es, a im de
uma amilia ização com o o ma o das ques ões e da esc i a ma e-
má ica ap esen ada nas soluções delas. Recomenda am-se ambém
alguns ídeos com aulas emá icas no po al da OBMEP. A segui
se obse am egis os (Figu as 2 e 3) dos momen os p esenciais e
i uais ( emo os).
Figu a 2 - Regis o em mosaico de encon os p esenciais com alunos
Fon e: O au o (2023).
86
Figu a 3 - P in de celula de momen os sínc onos (encon os i uais) com
alunos
Fon e: O au o (2023).
Além dos encon os, o am disponibilizadas ques ões de Ma e-
má ica a pa i da me odologia de esolução de p oblemas ia g u-
po de Wha sApp, em que os alunos discu i am es a égias com o
p o esso e demais colegas ace ca de como chega a uma solução
e ap esen a uma esc i a pa a a esolução do p oblema, como se
obse a a segui (Figu a 4).
87
Figu a 4 - P in de celula do g upo de Wha sApp em que alunos discu am a
solução de uma ques ão da OBMEP
Fon e: O au o (2023).
Nessa ação, pe cebeu-se como os alunos i e am que desen ol-
e habilidades ípicas pa a a esolução de p oblemas e que são p o-
pos as pela BNCC (2017), como o desen ol imen o do aciocínio
compu acional. As ques ões selecionadas o am e i adas de p o as
de edições an e io es, dos li os do P og ama de Iniciação Cien í-
ica (PIC) – p óp ios dos cu sos o e ados aos alunos medalhis as
–, assim como dos desa ios pos ados pela OBMEP em suas edes
sociais.
A u ilização da mídia do Wha sApp ambém omen ou uma dis-
cussão en e eles num ambien e que lhes é amilia , assim como
88
nos encon os p esenciais em que a in e a i idade se deu pela di-
isão em g upos pa a socialização das espos as encon adas po
cada um, p opiciando um deba e sob e as es a égias pa a esol e
o p oblema p opos o.
Elucida-se ainda que ais discussões possibili a am uma e isi-
ação de ópicos impo an es do componen e cu icula de Ma e-
má ica, como ope ações com ações, ope ações in e sas e unções,
con ibuindo pa a a melho ia do endimen o escola dos alunos.
A es a égia de p opo ques ões da segunda ase de edições an e-
io es apon ou ambém uma desmis i icação sob e as di iculdades
dessa p o a, que e a mo i o de desmo i ação pa a alguns.
In eg ação da OBMEP ao p oje o cu icula -pedagógico da
escola
Conside a-se que se cons i ui uma boa p á ica a se implemen ada,
uma ez que na ealidade da ins i uição ainda há lacunas nesse que-
si o. De o ma emb ioná ia, os p o esso es de Ma emá ica e ges ão
buscam es abelece um núcleo de ap endizagem sis ema izado e
cons i uído po p o esso es e ou os p o issionais pa a a o ganiza-
ção das olimpíadas de conhecimen o, mas ainda não há ações e e-
i as pa a al ei o.
Embo a haja uma a iculação en e os p o esso es de Ma emá-
ica, ges ão e ou os docen es na o ganização das a i idades e e-
en es à OBMEP, não se açou sis ema icamen e um p oje o que
a elado à OBMEP du an e o ano de o ma in eg ada aos compo-
nen es cu icula es, icando as ações es i as aos p o esso es de
Ma emá ica.
No en an o, esse p oje o apon a pa a al possibilidade, na pe s-
pec i a da alo ização do pensamen o ma emá ico com oco na
OBMEP, isando à c iação de ambien es o ma i os em Ma emá i-
ca e Educação Ma emá ica.
Conside ações inais
O desen ol imen o do p oje o Clube de Ma emá ica OBMEP não
ob e e êxi o apenas na con igu ação e conquis a de se e men-
ções hon osas (maio p emiação nas úl imas cinco edições), mas
89
ambém no p o imen o de ações o ganizadas en e p o esso es de
Ma emá ica, alunos e ges ão.
A OBMEP não seleciona apenas os alen os, mas e idencia
aqueles que possuem di iculdades de ap endizagem e êm nela uma
opo unidade de mos a que é possí el e êxi o na ap endizagem
ma emá ica, com dedicação e es udos ap op iados. Nesse cená io,
ei e a-se o impac o posi i o que a olimpíada p opo cionou na ida
dos sujei os en ol idos a pa i do c escimen o in elec ual, p o is-
sional e acadêmico.
Pa a o p o esso coo denado do p oje o, é salu a a coope a-
ção no p ocesso de ap endizagem. Po isso, a opção pelo emp ego
de me odologias que e e be am o cole i o. A socialização de e se
obje o de es udo e p á ica cons an e nas a i idades cu icula es e
ex acu icula es.
É indiscu í el a o ganização da OBMEP como olimpíada nacio-
nal, mas se salien a ainda algumas di iculdades quan o à logís ica
do dia de aplicação da segunda ase, que acon ece no sábado, e na
dinâmica de deslocamen os de alunos a é o cen o de aplicação.
Mui os não azem a segunda ase de ido a ques ões de inacessibili-
dade ao local de aplicação, uma ez que a aplicação da p o a acon e-
ce no pe íodo da a de, o que di icul a ainda mais o deslocamen o,
p incipalmen e de alunos de zona u al e cidades ci cun izinhas.
Po isso, ac edi a-se que cabem es udos que conside em ais eali-
dades pa a que haja maio pa icipação dos alunos numa e apa ão
impo an e da olimpíada.
Re e ências
ARAÚJO, Joseli o Elias de. Um Es udo dos Regis os de Re-
p esen ação Semió ica Aplicado a P oblemas da Olimpíada
B asilei a de Ma emá ica das Escolas Públicas (OBMEP). Dis-
se ação (Mes ado) – Uni e sidade Es adual da Pa aíba – UEPB,
Campina G ande, 2017. 121 .
BRASIL. Base Nacional Comum Cu icula – Componen e cu i-
cula de Ma emá ica. Disponí el em: <h p://basenacionalcomum.
96
esc i os. Seu ace o é um caleidoscópio semió ico sob e o p esen-
e e o passado. Pa a sis ema iza esse mo imen o, oi necessá ia a
classi icação emá ica das ques ões e a abulação des es dados pa a
a demons ação das a iações das emá icas ao longo do empo.
Nesse sen ido, os esul ados des a p esen e pesquisa se ize am
após análise con ínua das ques ões ealizadas na ONHB du an e
os anos de 2009 a 2022. Assim, a pa i delas, oi pe cebido que
ques ões que alam sob e neg os e indígenas ocupam um espaço
conside á el na p o a como um odo, endo em média de uma a
duas em cada ase, deno ando assim de um o al de qua o a se e
ques ões nas qua o ases de cada edição. Como oi possí el pe -
cebe , as emá icas neg a e indígena es i e am p esen es em oda
a ONHB, ocupando 9,6 e 5,1 po cen o, espec i amen e, como é
possí el cons a a no g á ico a segui :
G á ico 1 - G á ico da pe cen agem de ques ões po ema
Fon e: Dos au o es.
97
Em p imei o luga , há que se essal a que cada um des es ópi-
cos oi ema izado em um olume in e io a 10% da p o a. Em um
país cuja maio ia da população é p e a, pa da ou indígena, as na -
a i as que elabo am sua his ó ia pe manecem majo i a iamen e
sendo cen adas na b anqui ude; mesmo quando a amos da mais
ino ado a olimpíada do conhecimen o b asilei a. No en an o, é
pouco p odu i o do pon o de is a epis emológico pe manece ,
ago a, nes a pau a sob e a pouca p esença de con eúdo sob e ne-
g os e indígenas na ONHB. Ela é e lexo e pa e das demais elações
sociais do país, nas quais o mesmo oco e, e em sendo la gamen e
discu ido an o na his o iog a ia quan o nos mo imen os sociais.
Nes e sen ido, pa a os limi es des a pesquisa, o melho é p osse-
gui com a análise. É possí el pe cebe que, mesmo en e os al os e
baixos que as edições i e am du an e os anos, ques ões cujo ema
e am neg os, man i e am-se, em e mos de quan idade, acima da-
quelas que se p opuse am em ala de indígenas em seu con eúdo.
De al o ma, mesmo com a g adual queda de ques ões o ais ao
longo do empo, de 56 pa a 40, neg os e indígenas ainda man êm a
p opo ção de ques ões. Abaixo encon am-se os esul ados ob idos
ano a ano, onde pe cebe-se com mais de alhes uma melho isuali-
zação das a iações ao longo dos anos.
,
98
G á ico 2 - G á ico do quan i a i o de ques ões po ema, po ano de aplicação
Fon e: Dos a o es.
Nos dois p imei os anos da ONHB, obse a-se maio núme o
de ques ões o ais e ambém ques ões a espei o de neg os e indí-
genas. De ce o modo, is o e ela um aço ca ac e ís ico da Olim-
píada que é a conexão com as ques ões do p esen e. Enquan o as
uni e sidades e escolas demo am algum empo pa a eagi à in e -
pelação das leis em es udo, a ONHB, po sua iden idade de disposi-
i o de p omoção da ino ação no ensino de His ó ia, apidamen e
omou pa a si a demanda, azendo 6 ques ões sob e neg os e 4
ques ões sob e indígenas em 2009 e 8 ques ões sob e neg os e 3
sob e indígenas em 2010.
No en an o, com o passa do empo, é possí el supo que a de-
manda pela his ó ia e cul u a a o-b asilei a e indígena enha sido
en endida como uma demanda do p esen e já a endida e ou as
ques ões passa am a se os al os da ONHB ano a ano. Ques ões
sob e neg os e indígenas se man i e am em odas as edições, mes-
mo que em meno núme o e com a manu enção de uma p opo ção
99
abaixo dos 10 % pa a cada emá ica, com maio p esença sob e ne-
g os que indígenas. O exemplo mais pe cep í el dis o oi, em 2020,
quando, po con a da pandemia de Co id-19, a ONHB e e o nú-
me o de ques ões eduzido pa a 29 e as ques ões sob e neg os (3) e
indígenas (2) acompanha am es e mo imen o.
Temas eco en es, sinopses e pe spec i as
Dian e das análises quan i a i as e quali a i as pe cebidas nos g á-
icos, oi possí el cons a a a p esença cons an e das emá icas em
es udo em odas as edições da ONHB, a pa i da abulação dos
dados de odas as edições. Is o ei o, cabe-nos p omo e o encon o
des es dois eixos, a análise das ques ões do pon o de is a quali a-
i o à luz do a ual deba e sob e descolonização, neg i ude e de esa
de pe spec i as não eu ocên icas.
Quando se obse a do que a am as ques ões da ONHB que êm
a emá ica neg a e indígena, é possí el pe cebe que as ques ões a-
am majo i a iamen e da esc a idão e do p econcei o so ido po
neg os e indígenas. Po ou o lado, oi possí el pe cebe que, as ques-
ões mais ecen es ende am a inclui a is as neg os e indígenas na
análise das ques ões, de modo a comp eende a his ó ia a pa i de
suas na a i as. Pa a ap esen a essa discussão, op ou-se pela p odu-
ção de b e es sinopses de algumas ques ões ano a ano, e ase a ase,
pa a comp eende mos o que oi discu ido ao longo des a aje ó ia
das emá icas neg a e indígena na ONHB en e 2009 e 2022.
2009 – 1ª Fase
Ques ão 2: T a a da p imei a ca a a ela a algo sob e o B asil, A
ca a de Pe o Vaz de Caminha ao Rei de Po ugal em 1° de maio de
1500. Ela desc e e a e a encon ada — Amé ica do Sul. Ademais,
disse a sob e os indígenas, sendo ep esen ados como indi íduos
gen is, bondosos e me ecedo es de des aque pela sua o ma de ida
di e en e e especí ica. Além disso, a ca a ambém ensina o mas de
ele a o alcance do C is ianismo a a és da aplicação de al eligião
aos indígenas. E po im, mos a ambém mé odos de se ob e em
iquezas daquelas e as. Um e lexo disso é a linhagem dos ciclos
econômicos que, desde 1500, se es abelece am no B asil.
100
Ques ão 8: A imagem e a a uma ce idão de enda de um esc a-
o. Ela ap esen a esc a os e seus senho es com o obje i o de educa
as pessoas anal abe as sob e a na u eza come cial dessa p á ica, i-
gen e no me cado de esc a os. Em ou as pala as, a imagem se e
como um documen o isual de comp a e enda de esc a os, e iden-
ciando que a posse e o domínio de esc a os e am egidos po leis.
2ª Fase
Ques ão 12: O ex o desc e e as condições de ida dos neg os nos
me cados de esc a os, ilus ando a si uação e í el em que se en-
con a am, con o me ela adas po iajan es da época. Além disso,
des aca as dispa idades econômicas, sociais e cul u ais en e as al-
deias u ais do in e io e os pad ões bu gueses eu opeizados dos
g upos sociais abas ados da co e. O ex o ambém na a uma ia-
gem do século XIX, en elaçando in o mações his ó icas ao longo
da na a i a.
Ques ão 16: Es a ques ão disse a sob e o omance Bom C ioulo,
de Adol o Caminha, publicado em 1895. A ob a e a a o co idiano
dos ma inhei os do século XIX, ma cado pelas punições ísicas que
so iam nas emba cações b asilei as. Esses cas igos e a desigualda-
de social se iam a causa, do que, mais a de, da ia início à Re ol a
da Chiba a de 1910, um mo im lide ado po João Cândido e ou os
ma inhei os neg os que se ebela am con a os di e sos a os de
iolência ex ema p a icados pela Ma inha do B asil. Além disso,
o Bom C ioulo, p o agonis a do omance, é e a ado como um ho-
mem manso e submisso aos seus supe io es. Condição de mui os
neg os a é meados do século XX, os quais so iam di e sos a os de
iolência ísica e psicológica, que mui as ezes le a am à mo e.
3ª Fase
Ques ão 21: T a a do ela o do iajan e Jean de Lé y (1534-1611),
que oi um pas o cal inis a e esc i o ancês que pa icipou da ex-
pedição de Villegagnon ao B asil, em 1556, com o obje i o de unda
uma colônia ancesa na Baía de Guanaba a, a ual es ado do Rio de
Janei o. Du an e sua es adia no B asil, en e 1557 e 1558, ele con i-
eu com os upinambás, que e am aliados dos anceses con a os
101
po ugueses. Ele obse ou e egis ou a na u eza exube an e e os
cos umes indígenas com g ande cu iosidade e admi ação. Em 1578,
ele publicou sua ob a “Viagem à Te a do B asil”.
Nessa ob a, ele na a uma con e sa que e e com um elho u-
pinambá, que lhe pe gun ou po que os anceses que iam an o o
pau-b asil. Essa con e sa e ela o con as e en e a isão capi alis a
dos eu opeus, baseada na acumulação excessi a de iquezas e na
explo ação dos ecu sos na u ais, e a isão dos indígenas, baseada
na economia de subsis ência e na ha monia com o meio ambien-
e. Pa a os upinambás, a acumulação de bens e a comple amen e
desnecessá ia e absu da, pois i iam do que a e a lhes o e ecia.
Além disso, a con e sa mos a a di e sidade cul u al e a iqueza de
conhecimen os dos po os indígenas do B asil colonial que, mui as
ezes, o am igno ados ou desp ezados pelos colonizado es.
Ques ão 27: O ex o analisa uma cha ge de Ângelo Agos ini,
publicada na imp ensa em no emb o de 1880, que ilus a a pos-
u a dos senho es de esc a os en e ao mo imen o abolicionis a.
A imagem ap esen a um senho de esc a os en ando se p o ege
com um gua da-chu a, enquan o impede que seus esc a os pe -
cebam as nu ens de chu a que se o mam, man endo-os ocados
apenas no abalho. A legenda abaixo do desenho, “uma nu em que
c esce cada ez mais”, é uma alusão à esis ência e às es a égias
dos senho es de esc a os dian e do c escimen o do mo imen o
abolicionis a.
Ques ão 29: O ex o abo da um echo do li o “B ás, Bexiga e
Ba a Funda”, do esc i o mode nis a Alcân a a Machado. Ele e-
a a a eação dos b asilei os, indígenas e neg os, à chegada dos i a-
lianos e à busca des es po casamen o com as b asilei as. O ex o
az uma i onia à noção de que o encon o in e é nico é uma cons-
an e na his ó ia do B asil, esul ando em indi íduos miscigenados
que man êm laços com suas o igens eu opeias.
Ques ão 34: O ex o p opõe uma e lexão sob e um a igo da
e is a Ciências Hoje, que az uma esenha do li o “O T a o dos
Vi en es”, de Luis Felipe de Alencas o. A ob a explo a o á ico
a lân ico de esc a izados p o enien es de Angola e as elações que
molda am o B asil a pa i des a dinâmica de pilhagem da Amé ica
102
Po uguesa sob e es a egião a icana. Os lusi anos incen i a am
Angola a pe manece em um es ado de gue a cons an e pa a p o-
duzi esc a izados, p a icamen e sem in e upções, du an e os sé-
culos XVI e XVII.
Ques ão 38: O ex o abo da os ela os do pad e jesuí a An ônio
Viei a e do bandei an e Domingos Jo ge Velho, ambos exp essan-
do suas pe cepções sob e suas elações com os indígenas no século
XVII. Ao analisa esses ex os, pe cebe-se que, enquan o o jesuí a
condena a esc a idão dos indígenas como algo abominá el e injus-
o, o bandei an e jus i ica essa mesma esc a idão, a gumen ando
que ela ga an i ia aos indígenas alimen os pa a sua subsis ência.
Ao con as a essas isões, a ONHB es imula a e lexão sob e as
ensões en e os g upos en ol idos na colonização da Amé ica
Po uguesa.
2010 – 2ª Fase
Ques ão 11: Es a ques ão abo da as ob as “O In e no” e “A Ado ação
dos Magos”. A p imei a des aca a necessidade de um g upo c ia i o
de pessoas escla ecidas pa a p omo e Po ugal e sua cul u a. Es e
p oje o, dedicado à ein enção e ein e p e ação da ep esen ação
adicional dos elemen os da cul u a po uguesa, desen ol eu um
concei o g á ico em o no de g andes esc i o es, es as e símbolos
popula es. O p odu o inal se di ide em ês á eas p incipais: pape-
la ia, ce âmica e êx il. A segunda ob a, “A Ado ação dos Magos”,
e a a um episódio e angélico da Na i idade. T ês Magos, guiados
pela es ela de Belém, encon am Jesus após seu nascimen o e lhe
o e ecem ou o, incenso e mi a como p esen es, econhecendo-o
como o “Rei dos Heb eus”. A pa i do século XII, e com mais e-
quência a pa i do século XV, os T ês Reis Magos são ep esen a-
dos como igu as das ês pa es conhecidas do mundo. Bal asa é
ge almen e e a ado como um jo em a icano ou mou o, Gaspa
como um elho com aços ou oupas o ien ais, e Belchio como um
jo em de meia-idade ep esen ando os eu opeus.
Ques ão 14: Em esumo, a ques ão des aca a singula idade da
culiná ia da Amazônia, uma cul u a gas onômica única e ap ecia-
da em odo o mundo, que p ese a suas o igens indígenas. Embo a
103
haja pouca in luência a icana e po uguesa, não se pode igno a
a con ibuição desses po os pa a a culiná ia da egião amazônica.
Além disso, é impo an e essal a que a gas onomia amazonense
e le e um p ocesso his ó ico: a colonização. Esse p ocesso inclui o
ciclo da bo acha com especia ias, e idenciando o in e esse da Co-
oa Po uguesa pela Amazônia de ido ao o e po encial come cial
na explo ação de cacau, cas anha, gua aná e ou as u as conheci-
das como D ogas do Se ão.
Ques ão 15: De aco do com a ques ão, a ob a “Abolicionismo”
é conside ada um ma co c ucial pa a a abolição da esc a a u a
no B asil. A ob a p opõe como missão imedia a, daquela época, a
emancipação dos esc a os e de seus descenden es, além de busca
anula os e ei os de um egime que, du an e ês séculos, c iou e
nu iu si uações que mina am o espí i o de jus iça e humanidade.
3ª Fase
Ques ão 30: Em esumo, as ques ões des acam dois p oeminen es
líde es quilombolas, Ganga Zumba e Zumbi, sendo es e úl imo
elei o che e do quilombo. A his ó ia de Palma es é ma cada pela
esis ência e lu a con a os colonizado es. Du an e a in asão holan-
desa no No des e do país (1630-1654), o quilombo expe imen ou
um c escimen o signi ica i o, o que di icul ou a busca po esc a os
ugi i os e diminuiu a igilância, acili ando as ugas. No en an-
o, ao longo do século XVII, os habi an es de Palma es i e am que
lu a cons an emen e pela sob e i ência. Inúme as expedições de
colonos o am ealizadas pa a des ui o quilombo, com a p imei a
egis ada em 1602. Os holandeses ambém o ganiza am expedi-
ções pa a acaba com Palma es, mas sem sucesso.
Ques ão 31: A ques ão abo da a ideia de que indígenas e b ancos
o am e a ados como iguais. Embo a os indígenas pudessem e
ado ado as ecnologias dos b ancos, eles op a am po segui um
caminho di e en e, p e e indo man e o uso do a co e lecha em ez
da espinga da. No segundo ex o, os deuses indígenas são ap esen-
ados como equi alen es aos b ancos, usando oupas e ou os i ens
associados aos b ancos, o que e a is o como uma aspi ação. Po -
an o, a ques ão suge e que nos mi os ci ados, indígenas e b ancos
104
são e a ados como iguais, a única dis inção é que os b ancos i-
em em cidades e os indígenas em lo es as.
Ques ão 37: A ques ão abo da a época das azendas e da esc a i-
dão, onde e a comum en e os esc a os neg os a ealização de e-
zas. O pad e, po exemplo, pa icipa a dessas celeb ações, não em
sua unção sace do al, mas como um cidadão comum. A ques ão
ambém menciona o elho p e o, um ancião esc a o que conduzia
a missa à manei a de um pad e, p á ica que e a comum en e os
neg os. Isso pode e sido uma con enção eligiosa impos a. Como
é sabido, indígenas e neg os e am ob igados a ade i ao ca olicis-
mo. No en an o, com o passa do empo, essa p á ica começou a se
o na comum.
4ª Fase
Ques ão 41: A ca a de al o ia mencionada na ques ão e a um do-
cumen o concedido a um esc a o pelo seu p op ie á io. E a uma
espécie de “ce i icado” de libe dade no qual o dono enuncia a aos
di ei os de p op iedade sob e o esc a o. No en an o, quando os
esc a os inalmen e ob i e am a libe dade o al de seus ínculos
com seus senho es, mui as ezes eles se encon a am sem um luga
pa a i e sem opo unidades de abalho. Isso oco ia po que o p e-
concei o dos b ancos ainda e a o emen e p a icado na sociedade.
Ques ão 45: A ques ão ap esen a a imagem de um indígena
deslocado de seu ambien e na u al. A imagem e a a um homem
b anco elaxado, exibindo a e o ia em cons ução, enquan o o in-
dígena pa ece es a em es ado de ale a, não po um pe igo imedia-
o, mas po uma ameaça la en e. A imagem en a ansmi i uma
si uação de igualdade en e os dois, mas alha ao mos a um ho-
mem b anco elaxado em um e i ó io que não é o seu, enquan o o
indígena pa ece descon o á el e deslocado dian e da si uação que
es á i enciando.
Ques ão 54: O se mão p o e ido pelo pad e inha como obje i o
enco aja os esc a os a con inua em abalhando e a não eclama-
em das condições de abalho. No a-se uma compa ação dos esc a-
os com Jesus, o mais san o, já que os neg os já celeb a am missas.
Essa e a uma es a égia que o pad e ha ia c iado. Ele p o e ia á ias
105
ases, como “C is o passou ome du an e o dia e ós es ais amin-
os aqui”, “C is o não do miu du an e a noi e e andou du an e o
dia”, “ ocês abalham du an e a noi e e du an e o dia ambém”.
Po an o, conclui-se que a á ica do pad e uncionou. Os neg os se
sen iam inspi ados, o que e i a a e ol as e os man inha em seus
abalhos.
Ques ão 55: A ques ão des aca as elações sociais que molda-
am e o alece am as posições de di e en es g upos, incluindo a-
zendei os, come cian es e esc a os, que es abelece am elações na
p odução de açúca e a posição des e p odu o no me cado. Embo a
enham exis ido ou os g upos e a i idades no B asil po uguês
desde o início, o açúca e a esc a idão desempenha am um papel
c ucial na o mação e consolidação da sociedade b asilei a. Isso se
deu não apenas po que o açúca se man e e como uma a i idade
econômica impo an e, mas ambém po que os p incípios que un-
damen a am a sociedade açuca ei a o am amplamen e compa -
ilhados, adap ados a no as si uações e sancionados pela Ig eja e
pelo Es ado.
Ques ão 59: A ques ão abo da a ca a que Edmund S u ge, um
de enso de causas libe ais, en iou ao S . Nabuco como ag adeci-
men o pela ca a que es e úl imo ha ia en iado. A co espondên-
cia des aca o no á el in e esse da P incesa Impe ial. Além disso,
S u ge exp essa sua g a idão pela ex inção da esc a idão em odo
o mundo ociden al.
2011- 1ª Fase
Ques ão 8: O ex o ap esen a a ideia de que o plano de in eg ação
nacional se baseia na expansão da malha odo iá ia, exempli icado
pela odo ia Ac e-B asília. É e iden e que a o og a ia expõe po-
lí icas econômicas ol adas pa a a in eg ação nacional du an e os
anos 50 e 70, elacionando os concei os de p og esso e in e io iza-
ção com as ealidades do in e io do B asil. Uma dessas ealidades
é a de as ação do as o e i ó io indígena de ido à cons ução da
odo ia Ac e-B asília, já que o Ac e ab iga uma g ande di e sidade
de po os indígenas. Além disso, há a ques ão de mi iga a exclusão
dos indígenas ao in e io iza as odo ias a é o Ac e, um e i ó io
112
c iminoso de uma boa pa e da população, que busca alcança es-
abilidade inancei a po di e sos meios. Di e en e de ou as ques-
ões da ONHB, essa se des aca po se uma das poucas que a am
da con empo aneidade, ou seja, a sociedade a ual. Baseando-se
nos a gumen os de G ada Kilomba, o acismo é ap esen ado não
como um p oblema supe icial, mas como uma ques ão es u u al
en aizada na sociedade. Isso esul a em uma sociedade cujo cen o
econômico é dominado pela b anqui ude, deixando apenas as ma -
gens pa a a população neg a. G ada ques iona quem em condições
de p oduzi conhecimen o. Segundo ela, o colonialismo empu a
o neg o pa a as ma gens da sociedade, c iando uma hie a quia so-
cial onde o b anco é is o como supe io e o neg o como subo di-
nado. “Onde há op essão, há esis ência”, e essa op essão c ia as
condições pa a a esis ência. A des alo ização da pessoa neg a é
mo i ada pelo medo de compa ilha espaço, um espaço que am-
bém é uma o ma de ep essão. Esse mesmo aciocínio se aplica ao
machismo, onde os homens desac edi am os discu sos eminis as,
a i mando que são exage os emininos e que odos os di ei os já são
jus os, simplesmen e po medo de pe de sua dominância.
2ª Fase
Ques ão 13: A imagem em ques ão e a a a p imei a missa ealiza-
da no B asil, um e en o que despe ou su p esa e cu iosidade en e
os indígenas, que nunca ha iam p esenciado algo semelhan e. A
missa oi conduzida com g andiosidade, com o obje i o de ca equi-
za os na i os.
Ques ão 16: O ex o abo da o cená io da esc a idão, no B asil,
du an e o segundo einado, especi icamen e na egião Sul, no es a-
do do Rio G ande do Sul. O comé cio de cha que, uma ca ne bo ina
de al o alo , e a p edominan e na egião e, consequen emen e, a
mão de ob a esc a a e a explo ada in ensamen e, como e a ado
na música de Ne o Fagundes. É impo an e lemb a que a popu-
lação neg a so eu maus- a os po pa e do sis ema esc a is a
b asilei o po ce ca de ês séculos. Os p op ie á ios de e as ex-
plo a am essa mão de ob a ba a a, o necendo-lhes pouca alimen-
ação, impondo jo nadas de abalho in indá eis e punições se e as
113
àqueles que não cump issem os equisi os. A au o a G ada Kilomba
abo da p incipalmen e as consequências a uais da esc a idão, mais
do que a esc a idão em si. Uma de suas eses é que o acismo ope a
po meio de omissões. No caso da ques ão em discussão, não se
a ibui um causado conc e o dessas desumanidades, mesmo sa-
bendo que se a a a dos azendei os da época colonial. Isso oco e
p incipalmen e po causa do pode polí ico eu opeu ou eu o coloni-
zado , que hoje o nou a Eu opa uma “ o aleza”. Po esse mo i o,
a b anqui ude ende a localiza o acismo no passado e a nega sua
p esença no p oblema cen al da polí ica eu opeia. A comunidade
neg a só se o na isí el quando se o na um incômodo pa a a b an-
qui ude, seja no âmbi o acadêmico ou social. Como Paul Meche-
il apon a: “somos is os como p oblema imig an e”, e o çando a
ideia de que o acismo é alimen ado pelo pode polí ico cul u al.
Ques ão 17: A imagem em ques ão e a a uma ibo indígena
ealizando um i ual de canibalismo, ambém conhecido como an-
opo agia. Es e i ual en ol e o consumo da ca ne de gue ei os,
undamen ado na c ença indígena de que a o ça, in eligência e as-
úcia do gue ei o se iam abso idas ao consumi-lo.
3ª Fase
Ques ão 25: As imagens e a am esc a os ealizando uma a e a
humilhan e: ca ega os deje os de seus senho es em baldes sob e
suas cabeças. O líquido epugnan e esco ia pelo co po dos esc a-
os, deixando ma cas que lemb a am as lis as de um ig e.
2016
Ques ão 3: O ex o in oduz a música “A Menina dos Olhos de Oyá”
e, em sua composição, inco po a á ias pala as de o igem indígena
pa a o na a le a o mais au ên ica possí el ao seu ema p incipal.
O obje i o da música é ap esen a um conjun o de mi os indígenas
e a icanos que se en elaçam, o mando uma na a i a pa alela
den o da p óp ia his ó ia.
Ques ão 9: A ques ão des aca a in isibilidade dos indígenas na
sociedade, ilus ada pelo a o de que mesmo um assassina o b u al
de um jo em indígena inocen e não conseguiu chama a a enção
114
das mídias sociais, dos go e nan es ou do público em ge al. Como
a p óp ia ques ão indica, o “mas” é a cha e do assun o. Apesa de
Vi o se apenas uma c iança, uma í ima e o assassinado, ele ainda
e a um indígena. Mesmo com odas essas ci cuns âncias, os indí-
genas são equen emen e apagados do nosso meio social, mui as
ezes esquecidos po comple o e quase pe manen emen e.
Ques ão 10: P osseguindo com o mesmo ema da ques ão 9, es a
ques ão se e pa a en a iza o assun o em discussão. Man ém Vi-
o como o ema cen al e in oduz no os ques ionamen os sob e a
si uação i ida po ele.
Ques ão 14: Ao analisa mos a pin u a e o con ex o his ó ico a
que ela se e e e, podemos ques iona se as expedições dos ban-
dei an es em busca de neg os ugi i os e indígenas ealmen e e-
p esen am a os he oicos que con ibuí am pa a o desen ol imen o
econômico e social do país naquela época. A inal, como a imagem
suge e, pessoas que pode iam não se nem uma coisa nem ou a
e am seques adas indisc iminadamen e e o çadas a abalha na
ex ação de ou o, nas egiões que hoje co espondem a Minas Ge-
ais. Essas emp ei adas começa am no mesmo pe íodo.
Ques ão 15: O documen o na a a abolição da esc a idão em
Mosso ó de uma pe spec i a he oica. Com epe idas e e ências à
pala a ‘he ói’, o documen o busca en a iza a impo ância desse
dia ma can e na his ó ia do município. No en an o, ambém pa ece
en a apaga da memó ia cole i a os anos de esc a idão e o so i-
men o que os acompanhou. Como se, pelo a o de a esc a idão e
sido abolida na cidade, oda a his ó ia que ela ep esen ou em seu
desen ol imen o se o nasse i ele an e.
Ques ão 18: Neg inha é e a ada como um “ emédio pa a os
enesis” de Dona Inácia, uma mulhe que não acei ou o im da es-
c a idão. Es a con i ência en e uma mulhe p esa ao passado e
uma jo em menina que nunca i enciou a esc a idão ilus a que,
embo a a esc a idão enha sido abolida na p á ica, ela pe sis iu po
mui o empo – e às ezes ainda pe sis e – c a ada na ca ne e na me-
mó ia daqueles que não acei a am, e ainda não acei am, o seu im.
Essas pessoas des u a am de uma ida luxuosa e ex a agan e às
cus as do po o neg o.
115
Ques ão 27: A Companhia Neg a de Re is a eme giu como um
impo an e mo imen o a ís ico b asilei o da época, seja po suas
peças me iculosamen e elabo adas ou pelas c í icas e ques iona-
men os que ap esen a am ao seu público. No en an o, isso não im-
pediu que ecebessem a desap o ação de uma pa e signi ica i a de
sua audiência, que du ida a da au en icidade do que e a ap esen a-
do. A inal, mesmo que “o p e o es i esse na moda”, uma upe ea-
al in ei amen e compos a po pessoas neg as, abo dando emas
neg os, colocando o neg o em des aque e exal ando o neg o em
oda a sua essência – especialmen e em sua peça p incipal, “Tudo
P e o” – ainda não e a algo o almen e acei o po ce as classes que
ejei a am a no a endência na qual es a am inse idos.
Ques ão 38: Na canção “Can o das T ês Raças”, Mau o Dua e e
Paulo Césa Pinhei o buscam nos lemb a que o B asil que conhece-
mos hoje oi moldado pelo sangue de amado de neg os, indígenas
e a é mesmo b ancos. Como exp esso na es o e: “E de gue a em
paz / de paz em gue a / odo o po o dessa e a / quando pode
can a / can a de do ”, a música essal a a do e o so imen o que
pe meiam a his ó ia do país.
2017 – 1ª Fase
Ques ão 2: A análise do ex o “En e Zumbi e Pai João” le an a uma
ques ão inal in igan e: a his ó ia e ia sido di e en e se os esc a-
os i essem lu ado a i amen e con a a esc a idão, em ez de se
en ol e em em con on os isolados? A con aposição en e Zumbi
dos Palma es, o ebelde, e Pai João, o submisso con o mado, aju-
da-nos a en ende que semp e exis i am dois ex emos na his ó ia:
aqueles que deseja am acima de udo a sua libe dade e a de seus
i mãos; e aqueles que já ha iam acei ado sua ealidade e deseja am
apenas con inua suas idas mise á eis de uma manei a menos
so ida.
Ques ão 6: Embo a mui os ac edi em que o es udo de documen-
os his ó icos da época da esc a idão seja a única manei a de en en-
de como os e en os oco e am, essa isão não es á o almen e co -
e a, embo a ambém não es eja o almen e e ada. Documen os
his ó icos são, sem dú ida, uma on e aliosa de in o mação, mas
116
não são a única. As esca ações a queológicas em busca de obje os,
es imen as e a é mesmo es os mo ais de esc a os o e ecem ma-
nei as únicas e aliosas de descob i como eles i iam, se es iam
e se locomo iam em um B asil em cons an e mudança, con o me
discu ido na “A queologia da Esc a idão numa Vila Li o ânea”.
Ques ão 7: É suge ido que os índios Tapajós possuíam um ce o
descon o o, que equen emen e e oluía pa a emo , em elação
aos pad es missioná ios que isi a am sua aldeia. E a de conhe-
cimen o ge al que esses pad es equen emen e abusa am de sua
au o idade pa a se ap op ia de bens à sua escolha e, em algumas
ocasiões, a é ul apassa am esse limi e. Além disso, eles cos uma-
am da o dens a bi á ias, con o me lhes con inha.
2ª Fase
Ques ão 13: Es e ex o discu e o po o Timbi a, an igos mo ado es
do Ma anhão e do no e do Pa á, e suas ce imônias de casamen-
o, conhecidas como co ida de o as. De ido à na u eza epen ina
dessas ce imônias, que mui as ezes oco iam no mesmo ins an e
em que e am anunciadas, e à sua du ação ex emamen e b e e, as
in o mações sob e elas se o na am a as.
Ques ão 17: O ex o e a a dois indi íduos neg os, um que ob-
e e a al o ia e ou o que não. Isso ilus a uma isão de mundo
onde, mesmo endo expe imen ado as do es e humilhações da es-
c a idão, o p imei o não hesi a em b andi seu chico e con a o se-
gundo, que ainda so e essas mesmas do es e humilhações. Essa
oi uma ealidade bas an e comum logo após a c iação da ca a de
al o ia. Mui as ezes, quando um neg o conseguia sua libe dade e
aspi a a a se in eg a à sociedade b anca como um igual, ainda e a
julgado po sua ascendência. Isso equen emen e o le a a a com-
p a esc a os como uma o ma de se sen i supe io ou po uma
a iedade de ou os mo i os.
3ª Fase
Ques ão 28: Es e ex o explo a o pensamen o de Ail on K enak,
que p opõe a ideia de que a his ó ia indígena b asilei a pode se
o almen e descobe a um dia, mas nunca se á comple amen e
117
comp eendida. A inal, a iqueza cul u al e ma e ial desses po os é
ão as a que nunca pode á se o almen e ap eendida po alguém
que não a i enciou di e amen e, nem mesmo po ou os po os
indígenas. K enak ambém e a a o índio como um pe sonagem
comum, sem impo ância na his ó ia. Ele se concen a na his ó ia
indígena em ge al, não especi icamen e na his ó ia indígena b asi-
lei a: ele se e e e a uma época an e io à exis ência do B asil como
conhecemos hoje, an es da chegada dos po ugueses. Nesse con-
ex o, o índio não desempenha um papel de des aque na his ó ia.
2018 - 1ª Fase
Ques ão 6: As duas imagens ilus am es i idades ípicas das comu-
nidades quilombolas, especialmen e aquelas de o igem a icana,
des acando-se as danças i uais e as exp essões musicais cul u ais.
Ques ão 9: O ex o discu e as condições desumanas en en adas
pelos índios sob a u ela do SPI, que na época es a a en ol ido em
uma sé ie de escândalos de co upção. Os índios e am subme idos a
abalho esc a o, so endo ag essões se e as, independen emen e
de se em adul os ou c ianças. Sua humanidade oi igno ada
e passa am a se a ados como me os obje os aos olhos dos
memb os do Se iço de P o eção ao Índio. Além do abalho
esc a o, eles ambém e am explo ados a a és do oubo de seus
p odu os de abalho. Tudo isso oco ia po que e am o ulados
como ‘i acionais’ pelos supos os ‘ acionais’. No en an o, o ex o
suge e que os e dadei os ‘i acionais’ e am aqueles que come iam
ais a os desumanos e epugnan es.
2ª Fase
Ques ão 12: Ao epe i o e ão ‘a ca ne mais ba a a do me cado é a
ca ne neg a’, a música simula a ideia de que os neg os podem so-
b e i e com mui o pouco, sem g andes di iculdades. Isso e le e
uma ealidade que a canção en a e a a semp e que menciona a
habilidade da comunidade neg a de se adap a bem em si uações
de necessidade. Essa ideia é e o çada a cada no o e so da música.
Ques ão 19: O ex o desc e e o p ocesso de o mação de comuni-
dades indígenas, des acando sua p e e ência po se es abelece em
118
em á eas p óximas a ios, como o Rio Madei a, ambém conhecido
como Caya i. Essa p oximidade com os ios acili a a o sis ema de
cole a, pe mi indo a ealização de plan ações pe o das águas e a
pesca nas imediações da aldeia. Além disso, o io se ia como um
po encial pon o de uga em caso de a aques de inimigos pode osos.
3ª Fase
Ques ão 32: O ex o abo da uma homenagem ealizada no Dia da
Consciência Neg a na cidade de Join ille, onde 15 indi íduos ne-
g os o am sepul ados e hon ados. Es e e en o ep esen ou um
ma co signi ica i o na his ó ia da cidade, sendo a p imei a ez que
al inicia i a oi ealizada.
2019 - 1ª Fase
Ques ão 10: O ex o abo da a al a de p epa o de alguns p o esso es
uni e si á ios pa a lida com es udan es indígenas. De ido a essa
al a de p epa o, esses educado es acaba am po exp essa p econ-
cei os, subes imando a capacidade desses alunos.
2ª Fase
Ques ão 13: O ex o é uma c ônica de Machado de Assis que ap e-
sen a um diálogo en e dois esc a os. No en an o, na na a i a, es-
ses pe sonagens são ep esen ados po bu os.
Ques ão 18: Es e ex o analisa uma página de um jo nal do iní-
cio do século XX, des acando a p esença do ea o neg o em uma
sociedade ca ioca ma cada po p econcei os a aigados deco en-
es do p ocesso de esc a idão. O ex o p opõe discu i , po meio
de á ias pe spec i as, an o o público-al o, os pa icipan es do
ea o, quan o o p óp io jo nal. Ele menciona igu as impo an es
pa a a ges ão do espaço ea al e o u u o caminho omado pela ins-
i uição, demons ando um cla o oco na cul u a neg a. Isso exige
do lei o um conhecimen o social e his ó ico amplo desse aspec o.
As opções ap esen adas e le em essa in enção, pois pa a escolhe
a al e na i a co e a, é necessá io comp eende o papel do ea o
e de alguns de seus a o es mais impo an es no cená io nacional.
Isso es á de aco do com a Lei de Di e izes e Bases da Educação
119
Nacional, que es abelece que o ensino da cul u a a o-b asilei a
de e se um componen e ob iga ó io das disciplinas de His ó ia,
Li e a u a, Sociologia, en e ou as.
3ª Fase
Ques ão 27: A ques ão ap esen a a his ó ia de um local de acolhi-
men o pa a mulhe es neg as, que ambém se e como um espaço
de p ese ação da his ó ia neg a do B asil. T a a-se da casa de ne-
g os mais an iga do país, onde os po os de Benin (an igo Daomé)
se euniam pa a cul ua as di indades da amília eal. Es e local é
p o egido pelo IPHAN (Ins i u o do Pa imônio His ó ico e A ís-
ico Nacional). A maio ia das al e na i as discu e a o namen ação
e a ada na imagem, deixando o ex o in odu ó io da ques ão em
segundo plano. O oco p incipal é a ele ância cul u al dos obje os
e ade eços na imagem, que con am a his ó ia da esidência. En e
esses obje os de o igem a icana es ão bonecas odus, ambo es,
bens mó eis aliosos e es imen as da cul u a a icana. A ques ão
o e ece uma ica isão da cul u a neg a, com pouco en oque no
deba e sob e o acismo. Não há es ígios de p econcei o acial; ao
con á io, a ques ão abo da como p o ege essa cul u a, que sob e-
i eu po quase dois séculos no e i ó io b asilei o.
Ques ão28: Es e é um omance g á ico que e a a a jo nada de
dois esc a os, ma cados isicamen e pelos aumas da esc a idão,
em uga com o obje i o de alcança Palma es.
Ques ão 32: O ex o e e e-se a uma pales a minis ada po um
memb o da ibo Mundu uku, na qual ele dis ingue en e os e -
mos ‘índio’, ‘indígena’ e ‘Mundu uku’. Ele c i ica o sis ema educa-
cional e explica a isão de mundo de seu g upo.
2020 – 1ª Fase
Ques ão 5: O ex o desc e e uma bandei a que oi inicialmen e c ia-
da com o obje i o de busca no as minas de ou o. No en an o, seu
obje i o p incipal logo se o nou a cap u a de esc a os ugi i os
do Quilombo de Piolho. Ao inal da missão, ac edi a-se que odos
os esc a os es an es o am cap u ados, o alizando 54 pessoas, in-
cluindo indígenas, neg os e cabo és; homens e mulhe es.
120
Ques ão 6: F ei Vicen e busca elucida a o igem dos po os indí-
genas que habi a am as Amé icas. Segundo sua eo ia, esses po os
e iam mig ado de e as dis an es, já assoladas pela gue a, e as-
sim colonizado o con inen e ame icano. No en an o, de ido à au-
sência de documen os ou qualque ou o ipo de egis o his ó ico
desse pe íodo, sua eo ia pe manece como al, uma ez que não há
meios de con i ma suas a i mações.
3ª Fase
Ques ão 19: O ex o discu e a ibo Mundu uku e sua p o unda cone-
xão com a na u eza, i endo em ha monia com ela e o ien ando suas
idas de aco do com seus i mos. Ele des aca o p oblema da cons u-
ção da ba agem de Tapajós e as consequências que isso e ia pa a a
ida dos na i os da egião. No en an o, os Mundu uku lu a am pelos
seus di ei os e se ecusa am a pe mi i que suas e as ossem o-
madas – e as essas que o am ansmi idas po seus an epassados,
jun amen e com os ensinamen os sob e a e a e seu po o”.
4ª Fase
Ques ão 35: Explica o uncionamen o das e as indígenas a a és
da cons i uição de 1988, onde seus di ei os es ão bem de inidos e
enclausu ados. Também ap esen a um mapa onde se encon am as
e as indígenas em oda a sua ex ensão.
Ques ão 36: A ques ão abo da o ‘Pequeno Manual An i acis-
a’ de G ada, no qual ela ap esen a sua isão de que o acismo é
um p oblema c iado pelos b ancos. Po an o, segundo ela, é es-
ponsabilidade dos indi íduos b ancos econhece e esol e esse
p oblema.
2021 – 1ª Fase
Ques ão 5: Es e é um ela o de uma conquis a signi ica i a pa a a
comunidade neg a, pois o ea o onde Emicida ealizou um show
e a conhecido po se um espaço equen ado p edominan emen e
po b ancos. Além de se uma conquis a pessoal pa a o a is a, o
e en o con ou com a p esença de memb os do MNU (Mo imen o
Neg o Uni icado), e o çando seu impac o e ele ância.
121
2ª Fase
Ques ão 16: A música “Re o no” des aca a esis ência dos indígenas
que, apesa da longa his ó ia de ca equização e lu a, pe manecem
i mes e p esen es. Ela en a iza que o uso de ecnologias mode nas,
como um celula , não in alida a his ó ia, cul u a e sabedo ia desses
po os. Além disso, a canção essal a como a his ó ia dos po os da
lo es a es á se o nando obje o de es udo e como suas e as con-
inuam sendo al o de injus iças.
Ques ão 18: A ques ão abo da um inciden e de acismo oco i-
do em São Paulo en ol endo a a is a Ca a ina Dunham no ano de
1950. A epe cussão desse caso oi ão signi ica i a que culminou na
p omulgação de uma lei an i acis a em 1951.
Ques ão 21: O ex o abo da os desa ios en en ados na come cia-
lização de esc a os, que incluíam lida com pi a as, co sá ios e nau-
ágios, além da mo e de esc a os de ido a doenças. Esses a o es
esul a am em p ejuízos pa a o á ico neg ei o, que cons i uía a
base de odas as elações en e Po ugal, Á ica e B asil.
3ª Fase
Ques ão 28: A ques ão des aca o abalho do a is a Gê Viana, cuja
ob a consis e em uni o passado e o p esen e dos indígenas a a és
de o omon agens. Ele demons a que, apesa de odos os es o ços
pa a apaga ou minimiza a his ó ia e a cul u a indígena, elas pe -
sis em e con inuam sendo ansmi idas de ge ação em ge ação.
Ques ão 32: O p imei o documen o e ela a pe spec i a dos po -
ugueses sob e os indígenas, is os como demônios po le a em um
es ilo de ida dis in o e como c ianças po possuí em conhecimen os
conside ados insigni ican es. Segundo essa isão, assim como uma
c iança, os indígenas p ecisa iam se ensinados – nes e caso, a a és
da ca equização ealizada pelos homens b ancos. Já o segundo do-
cumen o indica que as nações indígenas do Amazonas es ão se o -
nando mes iças e, com a chegada de ou as aças, a endência é que
os po os da lo es a se o nem b ancos ou desapa eçam, assim como
oco eu com os po os indígenas da Amé ica do No e.
Ques ão 33: O ma e ial ap esen a, po meio de quad inhos, a his-
ó ia e a cul u a a o, na ando a c iação de cada elemen o e seus
128
Em e mos me odológicos, a pesquisa, de na u eza quali a i a,
oi desen ol ida com consul a bibliog á ica conce nen e a me odo-
logias a i as pa a o ensino de Língua Po uguesa, em que se des-
acam as con ibuições de Eloisa Pila i (2017), Pila i e . al. (2011) e
Xa ie (2012). No ocan e às noções básicas da eo ia ge a i a, as
discussões ap o unda am as ideias de Chomsky (1957; 1986; 1995;
2005; 2007) e Be wick e Chomsky (2016) pa a undamen a o de-
sen ol imen o da me odologia, pois ais au o es de endem que os
alan es possuem um conhecimen o ina o da es u u a da sua p ó-
p ia língua, o que possibili a uma abo dagem me odológica ol ada
pa a descobe a desse sabe que os es udan es já possuem. Assim,
o am e isi ados con eúdos g ama icais, obse ando-se o que es-
abelecem a g amá ica no ma i a e a g amá ica de base ge a i a (a
eo ia da G amá ica Ge a i a se baseia na in es igação da compe-
ência linguís ica, ou seja, do conhecimen o ina o). Ademais, o-
am ealizadas consul as bibliog á icas sob e o RPG e seu uso como
e amen a didá ico-pedagógica, especialmen e a p odução de Vas-
ques (2008) e Pe ei a (2003) isando à elabo ação de um sis ema de
jogo inspi ado no RPG.
A in es igação oi ealizada conside ando o con ex o dos Cam-
pi Mon ei o e Pa os do Ins i u o Fede al de Ciência e Tecnologia
da Pa aíba (IFPB) pa a que a aplicação u u a do RPG p oduzido
pudesse o imiza a ansposição didá ica de con eúdos g ama icais
pa a a disciplina Po uguês Ins umen al em cu sos de g aduação
e écnicos subsequen es e da disciplina Língua Po uguesa e Li e-
a u a B asilei a em cu sos de o mação écnica de Ensino Médio.
Des e modo, espe a-se con ibui pa a as e lexões sob e o ensi-
no de G amá ica da Língua Po uguesa como Língua Ma e na, bem
como pa a a possibilidade de p á icas ino ado as em sala de aula
de Língua Po uguesa, em que se possam c ia con ex os que ins i-
guem a cu iosidade e a au onomia. Nes e sen ido, o ex o que o a
se ap esen a es á dispos o em ês pa es, além des a in odução e
das conside ações inais. A p imei a, in i ulada B e e con ex ualiza-
ção do ensino de G amá ica ap esen a b e emen e o deba e ace ca do
ensino de G amá ica en e os séculos XX e XXI; a segunda, in i u-
lada O RPG e sua possibilidade de uso como me odologia a i a disco e
129
ace ca do RPG como es a égia didá ica e suas o igens no país e
a e cei a Os Reinos Mis é io da G amá ica desc e e o RPG c iado
como e amen a didá ica pa a o ensino de G amá ica.
B e e con ex ualização do ensino de G amá ica
O ensino de Língua Po uguesa, seja na educação básica ou no ensi-
no supe io , em passado po signi ica i as mudanças no que ange
a e o mulações que en ol em, sob e udo, o mé odo. A é a década
de no en a do século XX, a ansposição didá ica do ensino de Lín-
gua Po uguesa pau ou-se po me odologia cen ada em p ocessos
de memo ização de eg as g ama icais (conjugação e bal, análise
mo ossin á ica e c.) descon ex ualizadas do uso co en e da língua
e sem o ampa o de uma base eó ica linguís ica que pudesse a i i-
ca o po quê de de e minado uso que, po encialmen e, de e ia se
seguido sem que osse, necessa iamen e, a mani es ação linguís ica
eal e co en e de comunicação en e os usuá ios da língua (Pila i,
2017). E a, po an o, um ensino que p i ilegia a ases sol as e des-
con ex ualizadas de si uação discu si a eal do uso da língua.
Com o ad en o dos documen os pa ame izado es e com a ado-
ção de pos ulados da linguís ica aplicada, o ensino de Língua Po u-
guesa passou a e como obje o de ensino o ex o. Assim, passou-se
a p i ilegia , como ins umen o capaz de assegu a o conhecimen-
o de ques ões linguís icas (g ama icais, ex uais, discu si as), o
elemen o com que nos comunicamos em si uações o mais e in o -
mais do uso da língua: o ex o. Pe cebe-se, en ão, um a anço, no
que diz espei o ao a amen o me odológico ado ado, uma ez que
es e deixou de le a em conside ação apenas o uso ideal, u o da
concepção de exis ência de homogeneidade e unidade linguís ica
ep esen ada pelo uso de p es ígio e passou a con empla o aba-
lho com gêne os ex uais (lei u a e p odução), a iedades linguís-
icas en e ou as especi icidades. En e an o, obse a-se, nesse
a anço, ainda uma lacuna no que ange ao a o da língua como
sis ema, ou seja, na comp eensão das eg as que pe mi em aos a-
lan es cons ui sen enças em sua língua ma e na nas suas di e sas
a iedades. Tal lacuna é que os es udos, no escopo des e p oje o,
isa am a aba ca .
130
No limia do século XXI, em deco ência da c escen e e cada ez
mais consolidada ecnologia da in o mação e comunicação, o ensi-
no de Língua Po uguesa p i ilegia os le amen os múl iplos e as
me odologias a i as capazes de subsidia o ensino e a ap eensão de
conhecimen o. Pa indo-se do p incípio de exis ência de consolida-
das eo ias linguís icas, ac edi amos que u ge a necessidade de que
sejam u ilizadas me odologias que en ol am os alunos de modo
a obse a em a língua po meio de ma e iais conc e os e que se
possa, de algum modo, manipula ins umen os, ma e iais, a e a-
os e c., que espelham o uso eal da língua e o seu uncionamen o.
Ac edi amos, po an o, que o sucesso e e icácia do ensino-ap endi-
zagem de Língua Po uguesa e e i am-se quando do uso de me o-
dologias a i as, em que os discen es são, ambém, p o agonis as do
p ocesso educacional, e essa in enção se con igu ou como o p inci-
pal obje i o da pesquisa ealizada, qual seja: busca me odologias
que colocassem os es udan es como p o agonis as do p ocesso de
ap endizagem de Língua Po uguesa po meio de uma e amen a
didá ico-pedagógica (jogo de RPG).
Desde Saussu e (2012), conside ado pai da linguís ica mode na,
no início do século XX (o ex o aqui ci ado é a edição mais ecen-
e em po uguês), as línguas na u ais são is as como sis emas,
no caso em ques ão, de signos que, ao se combina em a pa i de
eg as especí icas, dão ao homem a capacidade de in e agi en e
si e com o mundo à sua ol a. Em meados do século XX, Noam
Chomsky (1957 e pos e io es) e igo ou a isão de que as línguas
na u ais são sis emas que ope am a pa i de eg as especí icas pa a
a cons ução de sen enças com ma e ialidade ísica (seja sono a ou
ges ual) e signi icado. A eo ia chomskyana icou conhecida como
Teo ia da G amá ica Ge a i a, ou simplesmen e Teo ia Ge a i a ou
G amá ica Ge a i a. Chomsky oi além, p opondo que a capacidade
humana de adqui i uma língua é um a ibu o gené ico da espécie
humana (Chomsky, Be wick, 2016), uma ez que as di e sas línguas
humanas compa ilham p op iedades uni e sais (a que Chomsky
denominou de P incípios) e que as p op iedades que as di e em a-
iam em um escopo p edizí el (a que o linguis a denominou Pa â-
me os). Assim, Chomsky (1986) p opunha que a aquisição de uma
131
língua se ia um p ocesso de ma u ação de um disposi i o men al
ina o que, ao se localiza na men e dos indi íduos humanos, guia-
ia o ap endizado, a a és dos P incípios e Pa âme os. Esse dis-
posi i o ina o icou conhecido como G amá ica Uni e sal, que az
pa e, pa a Chomsky, do ó gão men al da linguagem denominado
Faculdade da Linguagem.
En e an o, apesa de quase 70 (se en a) anos de pesquisa lin-
guís ica ol ada pa a a á ea da G amá ica Ge a i a, os manuais de
G amá ica dos Ensinos Fundamen al e Médio con inuam a ca ac-
e iza a língua como aquela desc i a po eles, desconside ando a
a iação que oco e den o de uma mesma língua – que é apon-
ada po á ios pesquisado es, desde o abalho clássico de Labo
(1972/2008), em odas línguas do mundo, em especial no po uguês
b asilei o po pesquisado es como Lucchesi (2015) e c. – e o sis ema
uni o me que é de conhecimen o do alan e. Nesse sen ido, emos,
no po o b asilei o, uma cons an e sensação de desconhecimen o
da p óp ia língua que ala, uma ez que os manuais dis anciam o
es udo linguís ico do conhecimen o que os alan es possuem da
p óp ia língua. Nesse sen ido, ca ece-se de ma e iais pedagógicos
que busquem ap o ei a o conhecimen o implíci o, ocando nas e-
gula idades do sis ema linguís ico, ao in és de oca em apenas nas
i egula idades (como se elas ossem a língua e que somen e elas
de em-se ap ende , pois não são usadas como pau as de e lexão
e deba e). Não a o é possí el ou i dos alan es na i os do po u-
guês b asilei o que a língua é di ícil, po que possui mui as eg as
pa a “deco a ”, como se os alan es na i os já não conhecessem, de
o ma áci a, essas eg as, e não p ecisassem pensá-las e deba ê-las
pa a que pudessem e le i como a sua p óp ia língua se es u u a
(Pila i, 2017).
Dessa o ma, a pesquisa ealizada isou a colabo a , jun amen e
com ou as desen ol idas no país (Pilla i, 2017; Pila i e . al., 2011) e
o a do país (Xa ie , 2012), com o es udo, desen ol imen o e aplica-
ção de me odologias a i as no ensino de G amá ica da Língua Po -
uguesa pa a es udan es de odos os ní eis de ensino em que dis-
ciplinas de Língua Po uguesa possam se encaixa , p incipalmen e
no âmbi o da Rede Fede al de Educação P o issional, Cien í ica e
132
Tecnológica. Assim, a pesquisa buscou o desen ol imen o do uso
e da c iação de uma me odologia de p ocesso de ensino-ap endiza-
gem pa a es udan es, em uma á ea do conhecimen o em que eles,
mui as ezes, ap esen am di iculdades e incomp eensão. Nessa
pe spec i a, é impo an e usa de me odologias de ap endizagem
a i a, em que a au onomia e o conhecimen o dos es udan es são
ins igados, a im de cons ui o conhecimen o de o ma in e a i a e
espei ando idiossinc asias (F ei e, 2019), com o obje i o de ence
o ensino de memo ização de eg as g ama icais e in oduzi a e le-
xão e o deba e da es u u a linguís ica.
O RPG e sua possibilidade de uso como me odologia a i a
Inicialmen e, ale des aca que a p eocupação com a g adual cons u-
ção dos concei os de me odologia a i a e a o mação de uma pe spec-
i a educacional ampla e c í ica sob e a aplicação des as na Educação
Básica e Supe io , com ên ase, especi icamen e, no ensino de con e-
údos g ama icais, oi algo p esen e nas discussões iniciais do p oje o
de pesquisa. Logo, esses deba es iniciais se i am como encaminha-
men o eó ico que se iu de alice ce pa a que alcançássemos os obje-
i os p opos os. É impo an e des aca que as a i idades do p oje o
p opicia am o disce nimen o de que o uso da ecnologia desampa-
ado de uma lógica sis ema izada, o ganizada e sem me odologia
de inida de ensino não assegu a a e iciência da ap endizagem. A li-
e a u a es udada pe mi iu obse a c í ica e e lexi amen e o luga
do mé odo em con ex o de ensino, opo unizando que os discen es
sejam p o agonis as da cons ução do conhecimen o, pa icipando,
po an o, a i amen e des e p ocesso. Além disso, a o ganização de
lei u as indi iduais e g upais oi de suma impo ância pa a omen-
a o en ol imen o dos discen es no p oje o de pesquisa a é a sua
conclusão. Vale ci a ambém que oi essal ada a impo ância da de-
inição de mé odos de ichamen os e o ganização de lei u as, a a és
da con ecção de documen os compa ilhados no a mazenamen o em
nu em, p opiciando, assim, o en ol imen o com o “uni e so” acadê-
mico, c edenciando, po an o, os bolsis as à iniciação cien í ica.
Nessa pe spec i a, oi is o que a p incipal ca ac e ís ica de
um RPG é a c iação de uma his ó ia que insi a os pe sonagens dos
133
jogado es nos a os na ados. Desse modo, an o o planejamen o
quan o a imp o isação da na a i a são aços p esen es du an e as
sessões, is o que, po ezes, as escolhas dos jogado es são inespe-
adas. O RPG se cons i ui, po an o, em uma a i idade in e a i a,
em que a in e p e ação, as dispu as e con li os c iam ensões que
ins igam os pa icipan es. Ademais, o RPG, enquan o modelo de
jogo, é uma na a i a di e en e da adicional con ação de his ó-
ias, endo em is a que ge almen e con a com a con ibuição de
odos os pa icipan es, que são esponsá eis po c ia suas p óp ias
his ó ias de ida a pa i do li o de eg as do jogo (Vasques, 2008;
Pe ei a, 2003).
Em is a disso, a c iação de a en u as, desa ios e pe sonagens
po pa e das u mas como a i idade pedagógica ol ada pa a o
ensino de Língua Po uguesa pe mi e o exe cício da imaginação e
ompe as ba ei as en e na ado e ecep o , além de a o ece a
o mação de um banco de desa ios e ques ões ol ados a di e en es
con eúdos. Ressal a-se, no en an o, que nem semp e se á possí el
exe ci a odas as ases de c iação do RPG com as u mas, uma ez
que há a necessidade de a ança nos con eúdos e a aliações pla-
nejados pa a o bimes e/ imes e/ano le i o. Nes e sen ido, a
exis ência de bancos p on os de mis é ios, missões e desa ios, bem
como de um li o de eg as p óp io a o ecem a u ilização do RPG
como me odologia a i a, mesmo que nem semp e seja possí el da
aos es udan es a possibilidade de c iação o al do jogo. De mais a
mais, o RPG pe mi e a u ilização de di e sas linguagens po pa e
dos discen es, desde a linguagem esc i a o mal, imagé ica, o al e
co po al.
Vasques (2008), baseado em Pe ei a (2003), des aca ainda que o
RPG u ilizado em sala de aula de e gua da ca ac e ís icas e pa i-
cula idades di e sas ao RPG des inado à come cialização, e que o
p o esso , ao u ilizá-lo, de e es a amilia izado com es e uni e so.
A ampla di e sidade de sis emas e de jogabilidade pe mi e que o
RPG possa se u ilizado em di e en es ní eis de ensino e ealidades
escola es, ap esen ando adap ações e complexidade compa í eis
com a sé ie em que se deseja abalha . Nes e sen ido, não se ia
possí el c ia uma me odologia uni e sal pad ão pa a a u ilização
134
do RPG pa a ins educacionais o que, pe se, descon igu a ia a na-
u eza do RPG de abe u a à cons ução de na a i as e mundos.
É impo an e des aca ainda que o sucesso da u ilização do
RPG como me odologia a i a depende da ação do p o esso e sua
in encionalidade, que podem pe passa desde a cons ução de
um sis ema de jogo in ei amen e no o a é a adap ação e aplicação
de um sis ema exis en e (Vasques, 2008; Pe ei a, 2003). Assim,
a u ilização do RPG, como me odologia a i a, pode se ealizada
em odas as á eas do conhecimen o, desde Ma emá ica e Física
a é linguagens a ís icas e humanidades, além de pode o igina
p oje os in e e ansdisciplina es que a o eçam a ap endizagem
signi ica i a, a au onomia es udan il em mais de uma á ea do co-
nhecimen o e a o mação omnila e al, que pau a a Rede Fede al de
Educação P o issional, Cien í ica e Tecnológica.
A p opos a de RPG desen ol ida nos Campi Mon ei o e Pa os do
IFPB, pa a u ilização como me odologia a i a no ensino de Língua
Po uguesa, é a de solução de mis é io. De aco do com Lodge (2010),
os p incipais elemen os que compõem um en edo de mis é io são:
enigma, í ima, culpado, de e i e, pis as e solução do p oblema.
Nessa lógica, essa escolha oi ei a po que a esolução de um mis é-
io con o a o lei o , já que, inicialmen e, a si uação de caos lógico
na si uação-p oblema o incomoda. Assim, quando inalmen e udo
é esol ido, eles sen em uma sensação de es abilidade, is o que o
en edo oi comple amen e des endado. Lodge (2010) a i ma ain-
da que, di e en emen e do suspense, o mis é io ca ac e iza-se pelo
desconhecimen o an o do pe sonagem de e i e quan o do lei o
sob e o eal desdob amen o da his ó ia. Toda ia, az-se necessá io
que o au o de enha esse conhecimen o e, consequen emen e, dê
pis as pa a que o enigma possa se esol ido in eg almen e
Além disso, po in e médio das discussões e lei u as ealizadas,
oi possí el desen ol e um sis ema de jogo baseado no RPG, que
englobasse os con eúdos de G amá ica e que pudesse se adap á el
a ou os assun os, an o da Língua Po uguesa, como ambém de
ou as disciplinas. Des a o ma, o sis ema oi nomeado como Rei-
nos do Mis é io da G amá ica (RMG), desen ol ido a pa i de de-
sa ios sepa ados po “ einos”, odos com um só in ui o: a esolução
135
de um mis é io, o nando a aula mais in e a i a e a aen e aos alu-
nos, que é b e emen e ap esen ada na sequência.
O Reino dos Mis é ios da G amá ica
O p incipal esul ado da pesquisa aqui b e emen e ap esen ada oi o
desen ol imen o de uma me odologia a i a, que se baseou no p o-
cesso de gami icação pa a elabo a um RPG. Nessa pe spec i a, o-
am obse ados os aspec os p incipais que compõem um sis ema de
RPG, quais sejam: a con ex ualização de si uações-p oblema den o
de uma na a i a, a in e ação dos jogado es com essa his ó ia a a-
és dos pe sonagens e a sis ema ização do modo de pa icipação de
cada componen e. Desse modo, oi elabo ado O Reino dos Mis é ios
da G amá ica (RMG), jogo de RPG de mis é io que abo da con eúdos
g ama icais e que pode se usado nas aulas, po meio da di isão das
u mas em g upos, em que cada equipe in e p e a á um pe sonagem
do jogo. Nesse sen ido, isando alcança os obje i os acima desc i-
os, o RMG adap ou as ca ac e ís icas de um RPG de mis é io a im
de que a jogabilidade pudesse se luída e dinâmica em sala de aula.
Com ên ase no abalho de g upo e na esolução de puzzles lógi-
cos, o RMG isa ins iga os discen es a iden i ica em e soluciona-
em desa ios p opos os com base nos con eúdos abalhados em
sala, po meio da in e p e ação de pis as pa a elucida o mis é io
indicado pelo mes e.
Em e mos de sua o ganização es u u al, o p o esso desem-
penha o papel de mes e do jogo, cabendo a ele c ia um mis é io,
que de e es a elacionado a um e és, uma agédia ou uma ação
ilegal po pa e de algum pe sonagem, o qual não de e se e elado
(po exemplo, um oubo, um aciden e e c.). Assim, a descobe a de
quem causou o in o únio é jus amen e o “mis é io” a se solucio-
nado, po meio de “pis as” que se ão dadas a a és da ealização
de “missões” ao longo do jogo – es as de em se elaciona com o
con eúdo de G amá ica que es á sendo abalhado pelo p o esso .
Após a c iação da p imei a pa e da his ó ia, c ia-se um cená-
io em que as missões se ão desen ol idas, a pa i des e, passa-se
à o mulação hipó eses pa a iden i ica os possí eis pe sonagens
suspei os, como indica o luxog ama abaixo, na Figu a 1.
136
Figu a 1 - Fluxog ama de c iação de mis é ios pa a o RMG
Fon e: Dos au o es.
Tendo em is a o obje i o de abalha , em sala de aula, o con-
eúdo (além de compe ências e habilidades), hou e uma necessida-
de de adap ação do mis é io pa a que ele seja ela i amen e cu o.
Nessa lógica, a dinâmica é cen ada na associação di e a en e e i-
dências e a os po que, dessa manei a, a na a i a o na-se mais
ápida e dinâmica pa a os pa icipan es. En e an o, ale des aca
que se pe de no quesi o p o undidade da his ó ia, que demanda-
ia maio empo de desc ição dos cená ios, pe sonagens e de alhes
en ol idos.
Ressal a-se que o RMG pode se ealizado em apenas uma ses-
são de 50 minu os, cená io em que apenas se á esol ido um único
mis é io po equipe ou di idido em qua o sessões pa a possibili a
a o ação en e os pe sonagens. A escolha da o ma de ealização
do RMG depende, po an o, das ca ac e ís icas da u ma e da in-
encionalidade didá ica do p o esso , conside ando a quan idade
de aulas disponí eis no dia, o engajamen o discen e e o ní el de
di iculdade que a u ma em com elação ao con eúdo abalhado.
137
Em suma, o jogo con a com os seguin es pe sonagens e com a
seguin e es u u a de jogabilidade:
• 1 delegado: mes e do jogo, esponsá el po ap esen a o mis-
é io, as missões e seus espec i os desa ios. Ao es abelece os g u-
pos, o p o esso de e á c ia a quan idade de desa ios equi alen e
à quan idade de equipes na sala de aula (nes e exemplo, os g upos
são es abelecidos idealmen e como 4 equipes de 4 a 6 jogado es). As
equipes se ão nomeadas e enume adas de modo que a equipe 1 seja
esponsá el po esol e odos os desa ios 1, pa a que a his ó ia e
exce os dos quais es ão incumbidos sejam lógicos e pe mi am que
os es udan es cheguem às conclusões com as pis as dadas.
• 3 missões: cada uma elacionada a um con eúdo de G amá-
ica abalhado pelo p o esso em classe. De modo a iabiliza a
execução do RMG, as missões es ão es u u adas de aco do com
o seguin e o ei o: a) a p imei a missão en ol e um desa io sob e
uma con e sa ou depoimen o en e suspei os; b) a segunda missão
implica em esol e um desa io ace ca de um ela o do oco ido pela
í ima ou es emunha; c) a e cei a missão incula-se à solução de
um desa io ace ca da desc ição do local do c ime.
• 4 Suspei os: são os pe sonagens do jogo. Cada g upo i á pe -
soni ica um deles. Na p imei a missão, cada g upo se á espon-
sá el po in es iga um dos suspei os. Nessa missão, cada g upo
ecebe á como desa io um ex o, con e sa ou o depoimen o de um
dos suspei os, jun o às desc ições o ais de suas pe sonalidades e
ca ac e ís icas que se ão ei as pelo p o esso – se ele p e e i , pode
ambém u iliza de uma imagem ep esen a i a. Po exemplo, e-
jamos uma p opos a de Missão 1 que se ia do g upo de Desa ios
1 pa a o G upo 1 (Loba o), sob e o con eúdo de uso da í gula – o
g upo 1 ecebeu o seguin e exce o de uma con e sa de Wha sApp
en iada po Loba o dias an es do c ime:
Tendo esse ex o em mãos, a equipe de e á analisa o con ex o
das ases e pon ua co e amen e as mensagens de Loba o pa a
en ende sua eal in enção e, po an o, sua culpa ou não. De aco -
do com a eação de choque de Ma lon en e à p imei a pe gun a,
iden i ica-se que a p imei a ase ca ecia de pon uação após “eu
não”. Do mesmo modo que ca ece de í gula a segunda ase do
144
C iação de G upos Musicais:
• G upo de Me ais do Ca i i Pa aibano (2016-2016), coo denado
po Ma lon Ba os;
• Ca i ibones (Co al de T ombones e Tuba do IFPB Campus
Mon ei o) - 2017- A ual), coo denado po Ma lon Ba os;
• Qua e o de T ombones do IFPB (2017-2017), coo denado po
Ma lon Ba os;
• Qua e o de Saxo ones (2017-2019), coo denado po Abimael
de Oli ei a.
E en o Realizado:
I Encon o de Me ais do Ca i i Pa aibano em 2017.
Nos anos seguin es, 2018 e 2019, hou e a ampliação do encon o
de me ais, ab angendo ou os ins umen os o iundos da o mação
de bandas, ais como, cla ine e, lau a ans e sal, saxo one e pe -
cussão, que oi in i ulado de O icina pa a Músicos de Bandas do
Ca i i Pa aibano, que oco eu po dois anos seguidos. Em elação
aos g upos, em 2019, oi undada a Banda de Música do IFPB Cam-
pus Mon ei o (2019-A ual), coo denada pelos p o esso es Ma lon
Ba os e Abimael de Oli ei a, com o obje i o de p opo ciona a i i-
dades de p á ica de conjun o an o pa a os alunos do p oje o Ape -
eiçoamen o Ins umen o, quan o os alunos de ins umen os de
sop o do CTIM In eg ado e Subsequen e.
Des a o ma, a impo ância des e ipo de p oje o pa a os mú-
sicos de uma de e minada egião dialoga com os obje i os da ex-
ensão uni e si á ia, que ambém busca ap oxima a comunidade
da ins i uição. And ade (2018, p. 103), ao ala sob e a ex ensão no
IFPB, des aca que:
[...] a Ex ensão é um p ocesso in e disciplina edu-
ca i o, polí ico, social, que p omo e a in e ação
dialógica e ans o mado a en e ins i uições e a
sociedade, o ien ado pelo p incípio cons i ucional
da indissociabilidade com o Ensino e a Pesquisa.
145
Essas ques ões que es ão ligadas a di e en es á eas são a o es
p imo diais no p ocesso de se i a comunidade a a és de ações
ins i ucionais. Ainda sob e es e assun o, Ribei o (2023) essal a:
As expe iências de esponsabilidade social uni-
e si á ia de em es a elacionadas à ex ensão
uni e si á ia, como um comp omisso social e uma
o ma de es abelece um diálogo dinâmico en e a
ins i uição e a sociedade, desen ol endo nela um
sen imen o de pe ença social (Ribei o, 2011, p.
87).
Na seção seguin e, i ei ap esen a as ações desen ol idas, além
de desc e e a espei o das a i idades, que con a am com a pa i-
cipação de p o esso es e alunos, além da comunidade da egião do
Ca i i Pa aibano.
P oje o de Ex ensão Ape eiçoamen o Ins umen al
O P oje o Ape eiçoamen o Ins umen al su giu como uma ini-
cia i a pa a ap oxima o Cu so Técnico em Ins umen o Musical
(CTIM), na modalidade In eg ado ao Ensino Médio, dos músicos
da egião que não podiam se ma icula no e e ido cu so. De ido,
em 2016, ainda não exis i o CTIM na modalidade Subsequen e ao
Ensino Médio – que e e sua p imei a u ma iniciada em agos o
de 2017 –, pessoas com expe iência na á ea de música ou que já
i essem e minado o Ensino Médio não pode iam se insc e e em
a i idades com aulas de música egula es com o acompanhamen o
de um p o esso de ins umen o. Des a o ma, com a c iação do
p oje o, di e sos músicos pude am se insc e e no cu so o e ecido,
o iundos da cidade de Mon ei o e da egião do Ca i i Pa aibano,
além de músicos de cidades p óximas do es ado de Pe nambuco.
Den e os memb os da equipe dos p oje os ealizados en e os
anos de 2016 e 2019, emos p o esso es e alunos olun á ios do
CTIM, além de p o esso es e g upos con idados de ou as localida-
des, os quais ealiza am a i idades pedagógicas e p á icas. As aulas,
du an e a igência de cada p oje o, oco e am de o ma semanal,
146
com aulas de ins umen o e aulas de eo ia musical, além das ap e-
sen ações musicais e o ganização de e en os. Po an o, a segui
cons am dados e e en es ao p oje o po ano de ealização.
A i idades do p oje o em 2016
O p oje o, em 2016, oi cadas ado a a és do edi al de ex ensão nº
041, de 18 de no emb o de 2016, ações de ex ensão de luxo con ínuo
– 2016. O P oje o Ape eiçoamen o Ins umen al buscou o nece
aos seus pa icipan es ecu sos écnicos, es ilís icos, p á icos e e-
ó icos, que são u ilizados pa a execução e in e p e ação do epe -
ó io do seu ins umen o especí ico, a a és da p á ica indi idual
e cole i a. No o al, 6 (seis) p o esso es do Cu so de Ins umen o
Musical do IFPB-MT desen ol e am a i idades p á icas ins u-
men ais indi iduais e cole i as, além das aulas eó icas. Assim, oi
o ganizada uma seleção a a és de edi al pa a que ossem p een-
chidas as agas disponibilizadas. Os ins umen os com o e as de
agas o am:
• Gui a a - P o . Ch is ian Albe o Weik;
• Violão - P o . Cy an Cos a;
• Cla ine e - P o . Vlaudemi Viei a;
• Saxo one - P o . Abimael de Oli ei a;
• T ompe e - P o . Ma lon Ba os;
• T ombone - P o . Ma lon Ba os;
• Tuba - P o . Ma lon Ba os;
• Pe cussão e Ba e ia - P o . John Fidja.
Pa a pa icipa da seleção, o p oje o e e um o al de 24 ( in e
e qua o) insc i os, sabendo que esses já de e iam e expe iência
musical, como ambém a p á ica de um ins umen o especí ico. A
seleção oi po meio de en e is a e execução musical, sendo sele-
cionado um o al de 16 (dezesseis) pa icipan es. As aulas oco e-
am en e os meses de agos o a dezemb o, com ca ga ho á ia de
40h/a, sendo 20h/a de a i idades p á icas ins umen ais e 20h de
aulas de eo ia musical. Os pa icipan es e am o iundos de di e-
en es cidades: Congo-PB, Mon ei o-PB, Sumé-PB e Se ânia-PE.
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Den e os ins umen os, i emos: Violão (2); Gui a a (2); Cla ine e
(1); Saxo one (3); T ompe e (2); T ombone (1); Tuba (1); e Ba e ia/
Pe cussão (4).
A a és do con a o dos alunos do p oje o com o IFPB Campus
Mon ei o, mui os dos pa icipan es busca am se inse i em ou-
as a i idades ealizadas na ins i uição, ais como: Banda Ma cial
Oxen e (BMOX), O ques a Expe imen al e c.. Também hou e a
c iação da Big Band do IFPB e do G upo de Me ais do IFPB, po ém
apenas o g upo de me ais e e a i idades egula es du an e o ano
de 2016.
Figu a 1 - Me ais da Banda Ma cial Oxen e (BMOX) - 2016
Fon e: A qui o Pessoal.
Um a o cu ioso es á elacionado aos me ais da Banda Ma cial
Oxen e (BMOX), que, pela p imei a ez, e e alunos do cu so in e-
g ado de ins umen o musical ocando os ins umen os de sop o,
ompe e e ombone, jun amen e com a banda, especi icamen-
e na ap esen ação do Des ile Cí ico de 07 de se emb o de 2016.
A BMOX oi undada, em 2011, po inicia i as de alunos do CTIM
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In eg ado, po ém, como a p imei a u ma de me ais oi o mada
em 2015, quando eu, P o . Ma lon Ba os, assumi a aga pa a p o-
esso de T ombone, T ompe e e Tuba, somen e a pa i des e ano,
oi possí el desen ol e a i idades pa a que a banda não dependes-
se de músicos de ou as localidades, ex e nos à ins i uição.
Den e as ações ol adas pa a a u ma de T ompe e do p oje o e
do cu so écnico, i emos a pa icipação do ompe is a e p o esso
Emanoel Ba os, que, a con i e, ealizou uma mas e classe pa a a
u ma de me ais. Es a o icina oi de g ande impo ância pa a os
alunos de ompe e, endo em is a que eu que es a a como p o es-
so o icial da u ma não sou ompe is a, pois nossa o mação na
á ea de me ais é especí ica, assim os alunos que i e am a opo u-
nidade de e o con a o com um especialis a é bas an e signi ica i o
pa a a sua o mação.
Figu a 2 - Mas e classe com o P o . Emanoel Ba os (p imei o da ila, abaixado,
do lado esque do)
Fon e: A qui o Pessoal.
Ainda em 2016, hou e o Conce o de Na al com o G upo de Me-
ais do IFPB Campus Mon ei o, o mado po alunos do p oje o e
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do CTIM In eg ado. Pa a alguns dos pa icipan es da ap esen a-
ção, aquele dia oi o p imei o em que eles i e am con a o com a
ap esen ação em público, no o ma o de um eci al compa ilhado
e solis a. Como o CTIM In eg ado não em a exigência de e conhe-
cimen os musicais pa a ing esso no cu so, assim como os alunos do
p oje o, eles passa am o ano de 2016 se p epa ando pa a ealiza
uma ap esen ação pública como solis as ou numa o mação de mú-
sica de câma a, como é o g upo de me ais.
Figu a 3 - Ca az do Conce o de Na al - 2016
Fon e: A qui o Pessoal.
A a és do p oje o, oi possí el mos a pa a os pa icipan es
di e en es ques ões elacionadas ao meio musical, como ambém
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buscamos incen i á-los, po meio da música, na busca de no os
desa ios. Além disso, 3 ( ês) pa icipan es o am ap o ados na se-
leção pa a o Cu so Técnico em Ins umen o Musical Subsequen e
IFPB Campus Mon ei o, que e e início em ma ço de 2017. Po an-
o, es a p imei a edição do p oje o es ei ou o con a o com músicos
de di e en es cidades da egião, o aleceu as a i idades do cu so
de música do Campus, além de incen i a os alunos na busca da
o mação musical.
A i idades do p oje o em 2017
O p oje o Ape eiçoamen o Ins umen al ealizado, em 2017, oi
ap o ado no Edi al de Ex ensão nº 01/2017 – PROBEXC PROJETO
do IFPB. Nes e ano, o am disponibilizadas agas pa a os seguin-
es ins umen os: T ombone, T ompe e, Tuba, Saxo one e Ba e ia/
Pe cussão. Assim como no ano an e io , o am o e adas aulas de
ins umen os e aulas eó icas. Du an e as a i idades do p oje o,
hou e um o al de 16 pa icipan es, o iundos de Mon ei o-PB, Su-
mé-PB, Congo-PB, Se a B anca-PB, São José dos Co dei os-PB e
Se ânia-PE (Lima, San os, Nascimen o, 2017, p. 33-34). Os pa i-
cipan es es a am dis ibuídos nas u mas de ins umen os da se-
guin e manei a: Saxo one (3); T ompe e (4); T ombone (5); Tuba
(1); Ba e ia/Pe c (3).
Nes a edição, acon eceu a pa icipação de alunos do CTIM na
ealização das a i idades, além dos p o esso es especí icos dos ins-
umen os, sendo eles: Isabelle Me o, aluna de ompe e do CTIM
In eg ado e bolsis a do p oje o, como ambém, Ca los Vic o , om-
pe is a e aluno do CTIM Subsequen e (Lima, San os, Nascimen o,
2017, p. 35).
Teo ia Musical
• Responsá eis: Ca los Vic o (Aluno do IFPB-MT e Colabo ado
do P oje o), Ma lon Ba os (P o esso do IFPB-MT), e Isabelle Melo
(Aluna do IFPB-MT e Bolsis a);
• T ombone e Tuba
• Responsá el: Ma lon Ba os (P o esso do IFPB-MT);
• T ompe e
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• Responsá el: Ca los Vic o (Aluno do IFPB-MT e Colabo ado
do P oje o) e Isabelle Melo (Aluna do IFPB-MT e Bolsis a);
• Saxo ones (Sop ano, Al o, Teno e Ba í ono)
• Responsá el: Abimael Oli ei a (P o esso do IFPB-MT);
• Ba e ia e Pe cussão
• Responsá el: John Fidja (P o esso do IFPB-MT).
Figu a 4: Tu ma de Saxo one - P oje o Ape eiçoamen o Ins umen al
2017
Fon e: A qui o Pessoal.
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Figu a 5 - G upo de Me ias do IFBB Campus Mon ei o – P oje o
Ape eiçoamen o Ins umen al 2017
Fon e: A qui o Pessoal.
Ainda em 2017, oi ealizado o p imei o e en o de o mação mu-
sical no Campus Mon ei o, ol ado pa a os ins umen is as de me-
ais (T ompe e, T ompa, T ombone e Tuba), in i ulado de I Encon-
o de Me ais do Ca i i Pa aibano. O e en o oi ealizado nos dias
28 e 29 de ou ub o, com mas e classes de ins umen os e p á ica de
conjun o, além de ap esen ações musicais com os seguin es con i-
dados (Lima, San os, Nascimen o, 2017, p. 37-38):
• D . Ranilson Fa ias (P o . da Uni e sidade Fede al do Rio
G ande do No e);
• Me. Gil ando Azei ona (P o . da Uni e sidade Fede al do Rio
G ande do No e);
• Sex e o Tabaja a (quin e o de me ais e pe cussão);
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• Emanoel Ba os (O ques a Sin ônica Municipal de João
Pessoa);
• Es ê ão Gomes (Banda Sin ônica José Siquei a da Uni e sida-
de Fede al da Pa aíba);
• Lucas Ângelo (O ques a Sin ônica Municipal de João Pessoa);
• Ma lon Ba os (IFPB);
• Gil an Pe ei a (P o . do P og ama de Inclusão A a és da Mú-
sica e das A es)
• Ma celo Lucena (P o . do P og ama de Inclusão A a és da
Música e das A es);
• G upo de Me ais do IFPB Campus Mon ei o;
• Es udan es do Cu so de Ins umen o Musical do IFPB-MT (In-
eg ado e Subsequen e).
Du an e o e en o, o am ecebidos ce ca de 80 (oi en a) pa i-
cipan es, que ealiza am a i idades com os p o esso es con idados
além das a i idades p á icas com o g upo de me ais o mado po
alunos do e en o. Den e as cidades dos pa icipan es insc i os no
e en o, emos:
• Água B anca-PB;
• Alcan il-PB;
• Congo-PB;
• Coxixola-PB;
• Cus ódia-PE;
• Li amen o-PB;
• Mon ei o-PB;
• São João do Ca i i-PB;
• São João do Tig e-PB;
• São José dos Co dei os-PB;
• São Sebas ião do Umbuzei o-PB;
• San o And é-PB;
• Se a B anca-PB;
• Soledade-PB;
• Sumé-PB; Sousa-PB.
Um dos momen os ma can es des e e en o oi o ence amen o