GUIA INFORMATIVO
ÂMBITO
Es e documen o se e como guia in o ma i o e
oi desen ol ido no âmbi o do p oje o C-Land
(CEXC/4647/2024- con a o n.º 547), cujo obje i o
oi es ima o po encial de a mazenamen o de
ca bono em algumas das zonas húmidas do
Alga e. A aplicação des e guia pe mi i á uma
análise obje i a e consis en e da e olução de
zonas húmidas e do po encial de a mazenamen o
de ca bono azul no Alga e, con ibuindo pa a a
omada de decisões in o madas e sus en á eis no
âmbi o da ges ão cos ei a egional.
AUTORES
A. Ri a Ca asco
João Dua e
Ma a Sil a
Ana Ma ias
Inês Ca nei o
Ka e ina Kombiadou
Ana Sousa
Ósca Fe ei a
CITAÇÃO
Ca asco, A.R., Dua e, J., Sil a, M., Ma ias, A.,
Ca nei o, I., Kombiadou., K., Sousa, A., Fe ei a,
Ó. (2025). Impulsionando a Sus en abilidade -
Recomendações pa a a conse ação de Zonas
Húmidas Cos ei as e a mazenamen o de Ca bono
Azul no Alga e. CIMA/ARNET – Cen o de
In es igação Ma inha e Ambien al/Rede de
In es igação Aquá ica, Uni e sidade do Alga e,
Campus de Gambelas, 8005-139 Fa o, Po ugal,
60p. Zenodo. doi.o g/10.5281/zenodo.17207757
GRAFISMO, ILUSTRAÇÃO
João T. Ta a es
FOTOGRAFIAS
João Ba is a / pexel: pp. 48-49;
@A. Ri a Ca asco: pp. 11,14,15,20,21,23,24,25,37,
38,47,51,52;
A ne Müsele / a ne-muesele .com / CC-BY-SA-3.0/
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-sa/3.0/
de/deed.de / Wikicommons: pp. 18-19
@La a Tala e a: pp. 6,7,8,54;
©João T. Ta a es: pp. 26,27,34,38,39,53;
Nico Tappe o / Wikicommons CC-BY-SA-4.0: pp.
32,35,55;
pxhe e.com CC0 1.0 Uni e sal: pp. 10.
FINANCIAMENTO
O guia oi desen ol ido no âmbi o do concu so
Science4Policy 2023 (S4P-23): Concu so de
Es udos de Ciência pa a as Polí icas Públicas, uma
inicia i a do PLANAPP - Cen o de Planeamen o
e de A aliação de Polí icas Públicas em pa ce ia
com a Fundação pa a a Ciência e Tecnologia, I.
P. (FCT), inanciada pelo Plano de Recupe ação e
Resiliência (PRR).
Ou ub o 2025
Os au o es ag adecem à Di eção-Ge al do
Te i ó io pela disponibilização da in o mação
LiDAR (Ligh De ec ion And Ranging) u ilizada na
p esen e análise.
COPYRIGHT
Impulsionando a Sus en abilidade -
Recomendações pa a a conse ação de Zonas
Húmidas Cos ei as e a mazenamen o de Ca bono
Azul no Alga e © 2025 po A. Ri a Ca asco, João
Dua e, Ma a Sil a, Ana Ma ias, Inês Ca nei o,
Ka e ina Kombiadou, Ana Sousa, Ósca Fe ei a.
Licença C ea i e Commons 4.0 CC BY-NC-ND 4.0
ISBN
978-989-9244-36-8 [Supo e: Imp esso];
978-989-9244-37-5 [Fo ma o: PDF / PDF/A]
DEPÓSITO LEGAL
556878/25
3
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
4
GUIA INFORMATIVO
5
Es e Guia con ibui pa a os Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el
(ODS) 13, 14 e 15. Con ibui pa a o ODS 13 na medida em que
p e ende aumen a a consciencialização e a capacidade humana e
ins i ucional sob e medidas de mi igação, adap ação, edução de
impac o e ale a p ecoce no que espei a às al e ações climá icas.
Con ibui ainda pa a o ODS 14, a a és do es ímulo à conse ação de
habi a s em zonas ma inhas cos ei as e ma inhas. Po im, no âmbi o
do ODS 15, p opõe medidas pa a a conse ação, ecupe ação e uso
sus en á el de ecossis emas de zonas húmidas, em con o midade
com as ob igações deco en es dos aco dos in e nacionais.
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
6
O ca bono azul e e e-se ao ca bono cap u ado e a mazenado
em ecossis emas oceânicos e cos ei os, como sapais, mangais
e p ada ias ma inhas. Es es ecossis emas seques am ca bono
a axas a é dez ezes supe io es, po unidade de á ea, quando
compa ados com os ecossis emas e es es. Sendo os
ecossis emas de zonas húmidas sumidou os de ca bono a longo
e mo, as ações ela i as à sua conse ação, es au o ecológico
e ges ão sus en á el, a igu am-se es a égias undamen ais na
mi igação e adap ação climá icas.
A subida do ní el médio do ma e os e ei os das in e enções
humanas, são duas das p incipais ameaças ao pa imónio na u al
dos ecossis emas de zonas húmidas cos ei as na egião do
Alga e, al e ando a sua dis ibuição espacial e, ambém, a sua
capacidade pa a seques o e a mazenamen o de ca bono. Es e guia
in o ma i o o nece uma isão ge al dos e ei os da subida do ní el
médio do ma nos ecossis emas de zonas húmidas do Alga e, a é
2100, usando as mais ecen es e amen as cien í icas pa a es ima
a a iabilidade espacial dos habi a s e dos se iços p es ados po
es es ecossis emas.
Fo am usadas imagens de al a esolução dos sa éli es Sen inel-2
(que in eg am a missão da Agência Espacial Eu opeia) pa a a
ca og a ia do es ado a ual dos habi a s in e idais, em 2025,
em ês ecossis emas de zonas húmidas p incipais no Alga e:
Ria Fo mosa, Ria de Al o e Es uá io do Guadiana (zona húmida
de Cas o Ma im). A ca og a ia se iu de e e ência pa a p e e
a e olução des as zonas húmidas a é 2100, associada a á ios
cená ios de subida do ní el médio do ma .
Os esul ados indicam que num cená io pessimis a, i á oco e
uma pe da p onunciada de á ea de sapal (15%) a é 2100,
especialmen e na Ria Fo mosa a pa i de 2060, mas ambém nos
ou os ecossis emas de zonas húmidas. As al e ações p e is as
êm implicações no equilíb io ecológico des es ecossis emas, po
pe da mui o signi ica i a do habi a de sapal al o, comp ome endo o
uncionamen o pleno da zona húmida e podendo le a à diminuição
de biodi e sidade nes es locais.
Na Ria Fo mosa e na Ria de Al o , en e 2025 e 2100, em unção
de pe das de habi a no sapal, p e ê-se uma edução no s ock de
ca bono o gânico de 2% e 3%, espe i amen e. Enquan o em Cas o
Ma im, p e ê-se um ac éscimo pouco signi ica i o. As pe das
são eduzidas po que, embo a haja edução de á eas de sapal, há
aumen o das á eas de asos de ma é, onde se ins alam as p ada ias
ma inhas, que ambém con ibuem pa a a cap u a de ca bono azul.
RESUMO
GUIA INFORMATIVO
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Pa a os e e idos ecossis emas de zonas húmidas oi ei o um
mapeamen o de á eas a i icializadas que se encon am a ualmen e
ina i as. T a a-se de um o al de 1 164 ha com po encial pa a
es au o ecológico. Se le ado a cabo, o es au o/ ena u alização
des as á eas, pode ga an i -se o aumen o das á eas de sapal baixo
em 80% (931 ha) ace ao a ual, e consequen emen e, con ibui
pa a a maximização do s ock de ca bono o gânico (po encial
de ca bono azul) em ce ca de 11,3%. A pe cen agem de á eas
a i icializadas ina i as é pa icula men e ele an e na zona húmida
de Cas o Ma im. Nes e ecossis ema, as á eas a i icializadas
ina i as co espondem a 536 ha e, se ena u alizadas, podem
con ibui com mais de ce ca de 94% do s ock de ca bono o gânico,
ace ao a ual. Assim, a igu a-se impo an e que as au o idades
de ges ão local ado em, an ecipadamen e, es a égias de ges ão
in eg adas, obus as e e icazes, que ga an am a conse ação das
á eas húmidas a uais e a ecupe ação das á eas a i icializadas,
pe mi indo a con inuidade da sua sucessão ecológica, se iços dos
ecossis emas p opo cionados e maximizando o a mazenamen o de
ca bono azul.
O p esen e guia di ige-se a deciso es cos ei os locais e egionais,
e a p omo o es de p oje os e inicia i as de ca bono azul, como
minis é ios e agências ele an es/ges o es cos ei os. Também
pode á se ú il a o ganizações da sociedade ci il, academia e
ep esen an es do se o p i ado que p ocu am opo unidades pa a
e o ça as suas inicia i as de esponsabilidade social co po a i a.
O guia p opo ciona uma análise obje i a e consis en e da e olução
espacial dos ecossis emas de zonas húmidas cos ei as e do
po encial de a mazenamen o de ca bono no u u o, con ibuindo
pa a a omada de decisões in o madas e polí icas mais
sus en á eis, ocadas na conse ação da na u eza.
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
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GUIA INFORMATIVO 8
GUIA INFORMATIVO
9
CONTEXTO DO GUIA
O e mo ca bono azul oi c iado há ce ca de uma década
pa a desc e e a con ibuição dos ecossis emas oceânicos
e cos ei os pa a a cap u a e a mazenamen o de ca bono
global. A ualmen e, o papel do ca bono azul na mi igação
e adap ação às al e ações climá icas em alcançado
p oeminência nas agendas e polí icas in e nacionais,
sendo econhecida a sua impo ância no comba e às
al e ações climá icas. 1–3 Pa a além do seu po encial pa a
a cap u a e a mazenamen o de ca bono, as zonas húmidas
p opo cionam ou os bene ícios, como p o eção cos ei a,
pu i icação de água e eno ação de nu ien es, en e
ou os4. No en an o, esse po encial pode á es a ameaçado
pelos e ei os das p óp ias al e ações climá icas, e as
es ima i as a uais de seques o e a mazenamen o de
ca bono azul podem não se man e álidas no u u o.
To nou-se, assim, uma p io idade, no âmbi o da ges ão
cos ei a, comp eende com p ecisão e p o undidade,
como as al e ações climá icas a e am as zonas húmidas
e o espe i o a mazenamen o de ca bono nes es
ecossis emas, sejam eles na u ais ou es au ados/
ena u alizados. É c ucial en e a dinâmica dos a o es que
a e am o seques o de ca bono azul, a p o eniência desse
ca bono, as ameaças que colocam as zonas húmidas
em isco e, p incipalmen e, alo iza a sua impo ância
ambien al. Pa a além do conhecimen o ap o undado
sob e o es ado a ual dos sis emas, as abo dagens
a uais de ges ão p ecisam ambém de maio p ecisão na
quan i icação das endências de e olução de longo p azo e
suas implicações pa a os se iços dos ecossis emas.
Es e guia in o ma i o oi elabo ado no âmbi o do p oje o
C-Land e em como obje i o in o ma os deciso es
polí icos da egião do Alga e ace ca da impo ância da
conse ação dos ecossis emas de zonas húmidas e da sua
capacidade de a mazenamen o de ca bono azul. P e ende,
ainda, iden i ica os p ocessos na u ais esponsá eis pelo
desen ol imen o dos ecossis emas e as ameaças aos
mesmos; ca ac e iza a si uação de e e ência na egião e
a alia cená ios u u os de e olução do s ock de ca bono
o gânico, deco en es da subida do ní el médio do ma ;
e suge i opo unidades de es au o/ ena u alização
de ecossis emas dessas zonas húmidas, com e ei os
no po encial de ca bono azul da egião (Des aque 1). O
alcance des e guia supe a o es ado da a e a ual, ao pa i
de uma abo dagem holís ica, que in eg a os p ocessos
ecogeomo ológicos a múl iplas escalas empo ais
( a iando de anos a décadas) e espaciais (de me os
a quilóme os quad ados). Ao ado a uma pe spe i a
empo al, pe mi e iden i ica endências de e olução e
pon os de i agem nos ecossis emas em análise.
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
9IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
16 17
Esquema da classi icação
de cinco zonas de ege ação
nas zonas húmidas cos ei as
ao longo de um g adien e
e ical de exposição à
ma é (ou equência de
inundação).
A sucessão ecológica nas zonas
húmidas implica uma ansição
en e zonas com di e en es ipos
de ege ação e ole ância salina,
desen ol endo-se ao longo de um
g adien e de exposição à ma é, em
unção do pe íodo de inundação e
opog a ia, incluindo (da maio pa a a
meno ele ação) o sapal al o, o sapal
médio, o sapal baixo e o aso de ma é.
A sucessão ecológica de á ias zonas
húmidas no mundo oco e de o ma
ela i amen e semelhan e.
A igu a abaixo ilus a a sucessão
ecológica ípica de um ecossis ema de
zona húmida.
As al e ações nas zonas (ou na
composição lo ís ica da ege ação)
des es ecossis emas esul am
no malmen e (1) da des uição de
oda ou pa e da ege ação exis en e
po agen es pa ogénicos, he bí o os
ou pelo homem; (2) de al e ações
nas condições ísicas ou químicas
do habi a (p. ex., mudanças nos
ní eis de água ou nu ien es) que
a o ecem o c escimen o de algumas
espécies em de imen o de ou as;
(3) de in e ações en e as plan as
(compe ição, alelopa ia); ou (4) da
in asão e es abelecimen o de no as
espécies.
A comp eensão dos p ocessos
de a anjo lo ís ico na u al
e de sucessão ecológica, é
essencial pa a p e e os e ei os
das pe u bações humanas, das
al e ações climá icas e das espécies
in aso as, na biodi e sidade, no
uncionamen o e nos se iços dos
ecossis emas.
Des aque 3 | Sucessão ecológica nas zonas húmidas cos ei as
Cymodocea nodosa Zos e a nol ei Spo obolus
ma i imus
Esquema da classi icação
de cinco zonas de ege ação
nas zonas húmidas cos ei as
ao longo de um g adien e
e ical de exposição à
ma é (ou equência de
inundação).
A sucessão ecológica nas zonas
húmidas implica uma ansição
en e zonas com di e en es ipos
de ege ação e ole ância salina,
desen ol endo-se ao longo de um
g adien e de exposição à ma é, em
unção do pe íodo de inundação e
opog a ia, incluindo (da maio pa a a
meno ele ação) o sapal al o, o sapal
médio, o sapal baixo e o aso de ma é.
A sucessão ecológica de á ias zonas
húmidas no mundo oco e de o ma
ela i amen e semelhan e.
A igu a ao lado ilus a a sucessão
ecológica ípica de um ecossis ema de
zona húmida.
As al e ações nas zonas (ou na
composição lo ís ica da ege ação)
des es ecossis emas esul am
no malmen e (1) da des uição de
oda ou pa e da ege ação exis en e
po agen es pa ogénicos, he bí o os
ou pelo homem; (2) de al e ações
nas condições ísicas ou químicas
do habi a (po exemplo, mudanças
nos ní eis de água ou nu ien es)
que a o ecem o c escimen o de
algumas espécies em de imen o
de ou as; (3) de in e ações en e as
plan as (po exemplo, in e e ência
bioquímica de um o ganismo nos
es an es); ou (4) da in asão e
es abelecimen o de no as espécies.
A comp eensão dos p ocessos
de a anjo lo ís ico na u al
e de sucessão ecológica, é
essencial pa a p e e os e ei os
das pe u bações humanas, das
al e ações climá icas e das espécies
in aso as, na biodi e sidade, no
uncionamen o e nos se iços dos
ecossis emas.
Des aque 3 | Sucessão ecológica nas zonas húmidas cos ei as
Cymodocea nodosa Zos e a nol ei Spo obolus
ma i imus
A iplex
po ulacoides
Suaeda e a A h ocnemum
mac os achyum
Juncus acu us Pinus pinea
GUIA INFORMATIVO IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
18
MAIS BENEFÍCIOS, MAIOR VALOR
Os ecossis emas de zonas húmidas o e ecem mais do que
a unção de seques o ou a mazenamen o de ca bono.
O ecen e ela ó io do Painel In e go e namen al pa a as
Al e ações Climá icas (IPCC) iden i icou os ecossis emas de
zonas húmidas como uma es a égia biológica de emoção de
CO2 que pode, simul aneamen e, p omo e a biodi e sidade
e p opo ciona se iços dos ecossis emas (bene ícios),
como po exemplo se a base de supo e pa a meios de
subsis ência das comunidades locais (Figu a 2).7 Embo a a
di e sidade de espécies ege ais seja ge almen e baixa, as
zonas húmidas cos ei as ab igam uma biodi e sidade única,
adap ada aos habi a s de ansição en e a e a e o oceano,
equen emen e salgados e inundados.19 Es es ecossis emas
ajudam a man e a esiliência cos ei a pe an e a subida do
ní el médio do ma , a oco ência de empes ades e ou os
e en os ex emos, além de melho a em a qualidade da água,
en e ou os bene ícios.20 Po ou o lado, se não o em
esilien es às mudanças ísicas na u ais e humanas, mui os
ecossis emas de zonas húmidas pode ão se e odidos ou
subme sos.21
Bene ícios dos ecossis emas de zonas húmidas
P o idenciam habi a e alimen o pa a a es e peixes.
Aumen am a esiliência cos ei a ace à subida do ní el médio do ma , es abilizando o
sedimen o e se indo de ba ei a de a enuação a inundações e ondulação p o ocadas
po empes ades. Se em ambém de ese a ó ios pa a seques o de ca bono.
Melho am a qualidade da água, emo endo e e endo o excesso de nu ien es e
poluen es.
Apoiam as economias locais e o mas de subsis ência das comunidades cos ei as,
apoiadas em ac i idade de pesca, aquacul u a e pa imónio na u al.
Facul am a i idades cul u ais, ec ea i as, supo am a i idades educa i as e de
in es igação cien í ica, acili ando a conexão en e a comunidade e a na u eza.
18
Figu a 2. Bene ícios dos ecossis emas de zonas húmidas.
GUIA INFORMATIVOGUIA INFORMATIVO
19
ZONAS HÚMIDAS - PRINCIPAIS
AMEAÇAS
Os ecossis emas de zonas húmidas são peças
ans o mado as no jogo do comba e às al e ações
climá icas, mas ambém es ão eles p óp ios
ameaçados po elas.
A ulne abilidade no a mazenamen o de ca bono
azul deco en e das al e ações climá icas, ou da
in e enção humana, esul a do g au de exposição,
sensibilidade e capacidade de adap ação des es
ecossis emas, a di e en es escalas empo ais, aos
p ocessos ísicos que lhe es ão subjacen es, ou
que a e am a sua e olução.22 Os ecossis emas
de zonas húmidas cos ei as podem so e pe das
signi ica i as de ido ao aumen o da empe a u a,
a iação nos g adien es de salinidade, mas ambém
e osão localizada, consequen e dos e ei os de
d agagem de canais, c iação de a e os, d enagem
e cons ução humana, en e ou os (Des aque
4). Es es ecossis emas são ambém a e ados
nega i amen e po modi icações no uso do solo,
p o ocadas po a i idades humanas, como a
con e são de zonas húmidas pa a aquacul u a,
salicul u a ou e enos ag ícolas, p á icas de
pesca des u i as (po exemplo, danos causados
po edes de a as o ou anco agem) e/ou o
desen ol imen o de in aes u u as cos ei as
(Des aque 5).8,23,24 Os ecossis emas de zonas
húmidas na egião do Alga e o am al o de
algumas des as al e ações ísicas no passado
ecen e23, obse ando-se ecuo localizado em zonas
de sapal baixo.5
As plan as in aso as ambém podem impac a
os ecossis emas de zonas húmidas e o ciclo do
ca bono, a a és da al e ação na composição da
ege ação cos ei a, compe indo com espécies
na i as po ecu sos essenciais como espaço,
nu ien es, água e luz, o que le a à edução
da biodi e sidade de plan as na i as. Quando
compa adas com as espécies na i as, algumas
plan as in aso as podem modi ica a qualidade
da água e diminui a p odu i idade p imá ia,
impac ando a cadeia alimen a e os p ocessos
de seques o de ca bono, enquan o ou as
podem aumen a o po encial de seques o ao
c ia biomassa adicional 25, embo a es e seja um
p ocesso incomum.
19 IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
20
Ilus ação g á ica da abso ção de ca bono pelos ecossis emas de ca bono azul a a és da o ossín ese, subsequen e espi ação
e seques o de longo e mo na biomassa ou no solo. Modi icado a pa i IUCN (2021).15
A e osão en ol e a pe da de
sedimen o e ege ação nes es
ecossis emas e consequen e ecuo.
Pode deco e (1) da subida do
ní el médio do ma e insu icien e
o necimen o sedimen a ; (2) da
in luência das ondas e co en es,
(3) da pe da de solo e sedimen os;
(4) da deg adação ou emoção
da ege ação; (5) do impac o das
chu as e/ou ou os luxos de água;
e (6) da deg adação ambien al
do ecossis ema (po exemplo em
esul ado de a i idades humanas).
A o og a ia abaixo ilus a o es ado
de e osão e ecuo de uma das
ma gens de sapal baixo jun o ao
canal do Ramalhe e (zona Oes e da
Ria Fo mosa).
Des aque 4 | E osão nos ecossis emas de zonas húmidas cos ei as
Zona de sapal em ecuo na Ria Fo mosa
GUIA INFORMATIVO
21
Os ecossis emas de zonas húmidas no Alga e, e
mui as ou as zonas húmidas no mundo, pode ão es a
pa icula men e ameaçados pela subida do ní el médio do
ma , já que con ac am na ma gem e es e com obs áculos
na u ais e a i iciais que impedem que as zonas húmidas
açam a sua mig ação na u al pa a o in e io . 26 Es e
enómeno é conhecido como comp essão cos ei a (coas al
squeeze).27,28
A comp essão cos ei a e o conjun o mul idimensional de
ameaças aos ecossis emas de ca bono azul esul a am,
desde 1970, na pe da de 20 a 35% da sua ex ensão
global. 7 O ela ó io de a aliação global da Pla a o ma
In e go e namen al de Polí icas Cien í icas sob e a
Biodi e sidade e Se iços dos Ecossis emas (IPBES) em
201929, des aca o declínio acen uado na biodi e sidade
e da ex ensão dos ecossis emas de zonas húmidas,
sublinhando a necessidade u gen e de mudanças polí icas
ans o mado as pa a p o ege es es sis emas na u ais
essenciais. A deg adação e pe da des es ecossis emas le a
a emissões signi ica i as de gases de e ei o de es u a pa a
a a mos e a, que es a am e idos nos sedimen os. A ní el
global, es ima-se que ce ca de mil milhões de oneladas
(1 giga- onelada, G ) de CO2 são libe adas anualmen e,
po deg adação de ecossis emas de ca bono azul, o que
co esponde a ce ca de 19% das emissões esul an es
da des lo es ação opical.30 Embo a a magni ude e a
localização das mudanças pe maneçam ince as, es udos
globais com ecu so a de eção emo a, indicam que en e
2000 e 2019, ce ca de 720 km² de á ea de sapal oi pe dida,
esul ando em emissões de ap oximadamen e 16 Tg CO2
(ou seja, 16 milhões de oneladas de CO2), no pe íodo
analisado.31
T ansplan e de Spo obolus ma i imus
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
22
Esquema da classi icação dos e ei os da subida do ní el médio do ma e das in e enções humanas, a á ias escalas espaciais e empo ais.
As duas p incipais ameaças apon adas pa a a pe da de
ecossis emas de zonas húmidas são a subida do ní el
médio do ma e as in e enções humanas, que ope am
a á ias escalas empo ais e espaciais. A esiliência
das zonas húmidas a es as ameaças é de e minada
pela qualidade das p óp ias zonas húmidas, sendo
condicionada an o po condições ísicas (po exemplo,
o o necimen o de sedimen os e o g au de comp essão
cos ei a) como po condições ecológicas (po exemplo,
as in e ações en e espécies que ope am desde a escala
local a é à escala global).19 As ameaças locais e globais
podem oco e simul aneamen e, ou sequencialmen e
ao longo de pe íodos que a iam de dias a cen enas
de décadas, e in e agi de o ma adi i a, siné gica ou
an agónica, a e ando a ex ensão e a qualidade das zonas
húmidas cos ei as.
À escala global, a subida do ní el médio do ma é
impulsionada pelas al e ações climá icas globais e
pode e e lexos nas zonas húmidas, an o no global
(milha es de km2), como no local (dezenas km2). Os
e ei os da subida do ní el médio do ma são obse ados
a cu o p azo (poucas dezenas de anos), po aumen o
do empo de inundação, al e ação na ege ação e
consequen e mudança na dinâmica ecogeomo ológica.
Podem ambém se obse ados a longo p azo (dezenas
a cen enas de anos), a a és da mig ação de habi a s
de zonas húmidas, libe ação de gases de e ei o de
es u a e diminuição do po encial de ou os se iços dos
ecossis emas.
Ao longo de décadas a cen enas de anos, ambém as
in e enções humanas se êm desen ol ido a escalas
locais e globais, eduzindo a ex ensão e a qualidade
das zonas húmidas cos ei as. A cu o p azo esses
e ei os esul a am no desapa ecimen o de habi a s, na
libe ação de gases de e ei o de es u a, na pe da local de
biodi e sidade e bene ícios dos ecossis emas. A longo
p azo, a uma escala global, aduzem-se em pe das
signi ica i as de habi a s de zonas húmidas e de se iços
dos ecossis emas. As múl iplas a i idades humanas
podem a é in e agi , ampli icando os e ei os da ameaça e
diminuindo a esiliência das zonas húmidas cos ei as.
O esquema abaixo ilus a os p incipais e ei os da subida
do ní el médio do ma e das in e enções humanas em
zonas húmidas.
Des aque 5 | Ameaças ísicas às zonas húmidas e ca bono azul
Escala de a uação E ei os de cu o p azo (<10 anos) E ei os de longo p azo (>10 anos)
SUBIDA DO NÍVEL
MÉDIO DO MAR
LOCAL
Aumen o do empo de inundação
Al e ação de ege ação/paisagem
Al e ação na dinâmica ecogeomo ológica
GLOBAL
Mig ação e desapa ecimen o do habi a (comp essão cos ei a)
Libe ação de CO2 a mazenado
Pe da de biodi e sidade
Diminuição do po encial de ou os se iços dos ecossis emas
INTERVENÇÕES
HUMANAS
GLOBAL Pe da global de habi a s
Pe da global de ou os se iços dos ecossis emas
LOCAL
Desapa ecimen o do habi a
Libe ação de CO2 a mazenado
Pe da de biodi e sidade
Pe da local do se iço do ecossis ema
GUIA INFORMATIVO
23
A IMPORTÂNCIA DO RESTAURO
ECOLÓGICO DE ZONAS HÚMIDAS
Exis indo já uma signi ica i a po ção de ecossis emas de
ca bono azul deg adados ou mesmo pe didos em odo o
mundo, a igu a-se indispensá el e e e a sua deg adação
como o ma de mi iga as al e ações climá icas. Algumas
o ganizações in e nacionais, como o IPCC e a União
In e nacional pa a a Conse ação da Na u eza (IUCN), êm
cada ez mais econhecido a necessidade de conse ação
e es au o dos ecossis emas de ca bono azul como
uma solução na u al pa a a mi igação das al e ações
climá icas po ajuda em de o ma e icaz a a ingi as me as
es abelecidas pelo Aco do de Pa is (assinado em 2015).
Con udo, demo a ce ca de ês décadas a é que um sis ema
es au ado a inja alo es p óximos de seques o de ca bono
de um sis ema na u al equi alen e, e idenciando um longo
pe íodo de ecupe ação ecogeomo ológica, nes e ipo de
ambien es.32
A conse ação dos ecossis emas passa po p o ege , ge i
e es au a os ecossis emas na u ais e os ecu sos que
eles o necem, com o obje i o de man e a sua in eg idade,
uncionalidade e a biodi e sidade que neles exis e. Den o
do âmbi o da conse ação, o es au o ecológico isa
de ol e um ecossis ema, que es á em condição pe u bada
ou o almen e al e ada, a um es ado na u al ou p e iamen e
exis en e. O es au o pode se passi o ou a i o e é uma
e amen a p á ica, p eponde an e pa a ecupe a ambien es
in e idais que o am pe didos ou des uídos, jun amen e
com os seus se iços do ecossis ema. O sucesso dos
es o ços de es au o é ge almen e a aliado compa ando
a zona húmida es au ada e um local de e e ência não
dani icado (i.e., zona na u al).
O es au o passi o é uma abo dagem de ecupe ação
ambien al que consis e em e i a a p essão humana que
causa deg adação, pe mi indo que o ecossis ema se
egene e na u almen e ao longo do empo, po exemplo a
emoção de diques em zonas de aquacul u a ou em salinas.
Exemplos de ope ações de es au o a i o em zonas húmidas
incluem, es au o usando plan as de i ei o; ansplan e
usando plan as de locais dado es; adição de e ilizan es
pa a po encial o c escimen o de plan as; es au o a pa i
de semen es; e es au o da conec i idade hid ológica num
ambien e deg adado. A aplicação de es au o ecológico
con ibui pa a as me as a ançadas pela ecen e Lei
do Res au o da Na u eza. Essas me as es ão ambém
alinhadas com os Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el
da ONU e pa a a Década dos Oceanos.
Res au o ecológico passi o numa aquacul u a ina i a em Bias, concelho de Olhão
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
24
O Quad o Global de Biodi e sidade Kunming-Mon eal,
ado ado po 196 nações em 2022, es abeleceu me as
globais pa a p o ege pelo menos 30% dos ecossis emas
cos ei os e es au a pelo menos 30% dos ecossis emas
deg adados a é 2030.19 As ações de conse ação e es au o
de zonas húmidas con ibuem, ambém, pa a o cump imen o
de ou as di e izes e es a égias, como a Es a égia da
União Eu opeia (UE) pa a a Biodi e sidade a é 2030, a Lei
do Clima da União Eu opeia, o Pac o Ecológico Eu opeu
(G een Deal), a Es a égia Ma inha da UE e a Di e i a
Habi a s. Além disso, es as ações de conse ação podem
apoia a Es a égia da UE pa a a Economia Ci cula e a
Ges ão Sus en á el dos Recu sos Na u ais, se p omo e em
a ges ão sus en á el dos ecu sos na u ais e soluções
baseadas na na u eza, alinhando-se com os obje i os
de sus en abilidade, economia ci cula e conse ação
ambien al da Eu opa.
Os es o ços de es au o de zonas húmidas cos ei as
podem inclui a ges ão adequada das zonas laguna es
exis en es, a in odução de legislação pa a p o ege habi a s
ecologicamen e impo an es, a edução de p essão humana
na zona cos ei a e a ecupe ação de á eas deg adadas
(po exemplo, abandonadas e/ou deg adadas). O p ocesso
de implemen ação de es au o de zonas húmidas é
ela i amen e simples, no en an o, eque ea aliação e ajus e
con ínuo (Figu a 3). An es da implemen ação des as ou de
ou as medidas, é essencial a alia os possí eis bene ícios e
des an agens da sua implemen ação de o ma ecnicamen e
supo ada. De e -se-á a alia sua e icácia no p esen e caso
e o nece dados que possam apoia a ecomendação ou o
desaconselhamen o em si uações u u as.
Podem ambém se implemen ados pequenos p oje os de
ca bono azul elacionados com o me cado de ca bono,
no en an o, nem odos os p oje os consegui ão ge a
e come cializa c édi os de ca bono, e nem semp e é
an ajoso egis a um p oje o num pad ão de ce i icação
(i.e., esul ando na ge ação de c édi os de ca bono que
podem se come cializados num me cado olun á io).15
Du an e o pe íodo de implemen ação des es p oje os podem
su gi ad e sidades esul an es de mudanças na polí ica
de go e nança ( esul ando em p io idades e polí icas
al e adas), e/ou edução de ecu sos públicos pa a apoia
es es p oje os (Des aque 6).
Res au o ecológico a i o de mancha de Spo obolus ma i imus
GUIA INFORMATIVO
25
Figu a 3. E apas de planeamen o, implemen ação e moni o ização de es au o em ecossis emas de zonas húmidas, passí el de
aplicação na egião do Alga e. Adap ado de IUCN (2021).15
E apas de planeamen o, implemen ação e moni o ização de
es au o ecológico em ecossis emas de zonas húmidas
Desenho e concep ualização da in e enção de es au o: de ini obje i os de
conse ação de habi a ou s ock de ca bono o gânico.
Planeamen o e p og amação: escolha do local pa a es au o e si uação de e e ência pa a
ede ini obje i os .
Desen ol imen o do p oje o e análise de iabilidade: iden i icação de p io idades e
medidas; p og amação e documen ação dos p ocessos.
Implemen ação do es au o e uso de ges ão adap a i a: moni o ização a aliação–
espos a–implemen a de ações.
Resul ados: moni o ização de longo p azo e conse ação da zona es au ada.
1
2
3
4
5
Amos agem sedimen a na Ria Fo mosa
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
26
O QUE FALTA SABER SOBRE A
EVOLUÇÃO DE ZONAS HÚMIDAS E DO
POTENCIAL DE CARBONO AZUL?
A al a de conhecimen o cien í ico de alhado sob e os
e ei os das ameaças aos ecossis emas de zonas húmidas,
a á ias escalas empo ais e espaciais, equen emen e
di icul a a de inição de es a égias e icazes de ges ão e
conse ação. Consequen emen e, a mi igação das emissões
de ca bono eco endo a ecossis emas cos ei os não pode
se abo dada da mesma manei a que ou os mé odos
de mi igação e seques o de CO2. Os modelos a uais de
p e isão de em inclui explici amen e os e ei os cumula i os
das p incipais ameaças ísicas à manu enção das zonas
húmidas cos ei as.33
O po encial de adap ação e mig ação dos ecossis emas
de ca bono azul pe an e a subida do ní el do ma é
ambém uma ques ão c ucial, que necessi a ainda de
es udos de alhados pa a que se comp eendam as suas
epe cussões à escala local, sendo esse um dos mo i os
pa a o desen ol imen o do p esen e guia. A comp eensão
da dinâmica de mig ação, da esis ência na u al dos
ecossis emas e dos p ocessos ecogeomo ológicos que
dão o igem a pe das e ganhos de habi a , é undamen al
pa a es ima a esiliência des es ecossis emas e de ini
es a égias de conse ação e es au o que ga an am a sua
sob e i ência ao longo de décadas a cen enas de anos.
• A ges ão sus en á el dos ecossis emas de zonas húmidas o e ece bene ícios ambien ais, sociais e económicos, além da ação
climá ica, incluindo a esiliência cos ei a.
• Ações de p o eção de capi al de ca bono azul co espondem a in e enções de conse ação ou es au o, que de em se
inanciadas po di e sos mecanismos es a égicos.
• A ges ão de ecossis emas de ca bono azul implica o alece os mecanismos de go e nança local, o seguimen o de boas
p á icas na conse ação dos ecu sos na u ais, mas ambém o en ol imen o das comunidades locais.
• Uma colabo ação inclusi a e equi a i a en e deciso es egionais, ins i uições cien í icas, se o p i ado e comunidades locais é
undamen al pa a o sucesso de ais p á icas.
Des aque 6 | Conse ação dos ecossis emas de zonas húmidas
GUIA INFORMATIVO
33
O mapeamen o ob ido com a classi icação das imagens
de sa éli e oi alidado com base na colhei a de dados
de campo (po exemplo, opog a ia) em pequenas á eas
pilo o nos ecossis emas em análise. Com base na
colhei a de dados de campo e na li e a u a exis en e,
oi ambém possí el mapea a biomassa aé ea pa a
os sis emas em análise. A biomassa aé ea é um
indicado que pode se usado de o ma complemen a
pa a ca ac e iza o po encial de seques o de ca bono
azul (Tabela 2). Co obo ando a li e a u a, a ege ação
no sapal al o ap esen a, na sua gene alidade, maio
biomassa aé ea, quando compa ada com as p ada ias
ma inhas (Tabela 2). Po exemplo, na Ria Fo mosa, o
sapal al o inclui a maio quan idade de biomassa aé ea
e o maio s ock de ca bono o gânico na biomassa, em
compa ação com as p ada ias ma inhas. Não obs an e,
as p ada ias ma inhas êm a maio con ibuição pa a o
s ock de ca bono o gânico no sedimen o (Tabela 3). O
pad ão in e so de con ibuições pa a s ock de ca bono
o gânico da biomassa e do sedimen o, obse ado na
Ria Fo mosa, pode se anspos o pa a os ou os dois
ecossis emas, Ria de Al o e Cas o Ma im. Os s ocks
de ca bono o gânico, conside ando o soma ó io dos 2
compa imen os, biomassa e sedimen o, é supe io nas
p ada ias ma inhas, seguido do sapal baixo e depois do
sapal al o.
Tabela 1. Á ea ocupada em 2025 pelos habi a s in e idais nos ês ecossis emas analisados, com base na classi icação de imagens
Sen inel-2 e e uada nes e es udo.
Ecossis ema Raso de ma é
não ege ado
(ha)
Raso de ma é
ege ado –
p ada ias
ma inhas (ha)
Sapal baixo
(ha)
Sapal al o (ha) To al de aso
de ma é (ha)
To al de sapal
(ha)
To al do
sis ema
de zonas
húmidas
in e ma eais
(ha)
Ria de Al o 304 Não de ec á el 41 76 304 116 421
Ria Fo mosa 4006 469* 3083 827 4475 3910 8385
Es uá io do
Guadiana (Cas o
Ma im)
372 Não de ec á el 122 185 372 307 679
To al 4682 469* 3246 1088 5152 4333 9485
*Valo meno ace ao eal, de ido a al u a da ma é na imagem usada pa a classi icação na Ria Fo mosa
Tabela 2. Biomassa aé ea (g/m2) nos habi a s da Ria Fo mosa.
Habi a s Biomassa aé ea (peso
seco) (g/m2)
Espécies conside adas
(nome cien í ico)
Local Fon e de dados
Sapal al o 1775 A h ocnemum mac os achyum Jun o ao Ramalhe e (Ria
Fo mosa)
Es udo a ual
Sapal baixo 495 Spa ina ma i ima Jun o ao Ramalhe e (Ria
Fo mosa)
Es udo a ual
Raso de ma é ege ado
(p ada ias ma inhas)
113 Zos e a nol ei Jun o ao Ramalhe e (Ria
Fo mosa)
Es udo a ual
Tabela 3. Es ima i as de s ock de ca bono o gânico no sedimen o e na biomassa (Mg CO/ha, i.e., oneladas de CO po hec a e) nos
habi a s da Ria Fo mosa, depois de ealizadas as con e sões necessá ias pa a a es anda dização dos dados e com base das on es
ci adas..
Habi a s S ock de ca bono
o gânico no sedimen o
(Mg CO/ha)
S ock de ca bono
o gânico na biomassa
(Mg CO/ha)
Local Fon e de dados
Sapal al o 18,7 21,2 Ria Fo mosa 13
Sapal baixo 58,8 5,5 Ria Fo mosa 13
Raso de ma é ege ado
(p ada ias ma inhas)
90,0 1,2 Ria Fo mosa 13
Raso de ma é não
ege ado
54,9 Não aplicá el Ria Fo mosa 24
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
34
GUIA INFORMATIVO
3535
E olução dos
ecossis emas de
zonas húmidas e
ca bono azul
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADEIMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
36
Os cená ios de e olução u u a dos ês ecossis emas
de zonas húmidas no Alga e, e do po encial de
a mazenamen o de ca bono, o am de inidos com base
no ajus e ecogeomo ológico dos habi a s in e idais,
deco en e de um inc emen o g adual no pe íodo de
inundação, pa a os p óximos ce ca de 70 anos (a é 2100).
Es es ajus es ecogeomo ológicos o am simulados
com base na aplicação do modelo SLAMM (Sea Le el
A ec ing Ma shes Model).41 Es e é um modelo simpli icado
de al e ação de paisagem de zonas húmidas (ou seja,
al e ações na sucessão ecológica), em unção de al e ações
nos pe íodos de inundação (Figu a 5). Pa a mais de alhes
ace ca do uncionamen o do modelo consul a Glick e al.
(2013) e Ca asco e al. (2021).5,42
U iliza am-se como p ojeções de subida u u a do ní el
médio do ma , dois dos ecen es cená ios de inidos pelo
IPCC: a T aje ó ia Socioeconómica Pa ilhada 8.5 (SSP5-8.5,
p e endo um aumen o de 79,6 cm a é 2100) e a T aje ó ia
Socioeconómica Pa ilhada 1.9 (SSP1-1.9, p e endo
um aumen o de 43,5 cm a é 2100). O cená io SSP5-8.5
ep esen a a pe spe i a de e olução mais pessimis a (que
assume o con ínuo aumen o das emissões sem es o ços
signi ica i os de mi igação), e o cená io SSP1-1.9 ep esen a
a pe spe i a de e olução mais o imis a (que assume a
diminuição das emissões com es o ços de mi igação),
espe i amen e (Des aque 7).43
Figu a 5. Me odologia simpli icada pa a p oje a a e olução dos ecossis emas de ca bono azul a é 2100, em espos a à subida do
ní el médio do ma .
Modelo Digi al
de Te eno
Dados Ma iciais Iniciais
Classi icação
dos habi a s
Modelo Digi al
de Decli es
Pa âme os Iniciais
Indicado es Ecogeomo ológicos
Dinâmica passada e u u a do ní el
médio do ma
Ampli ude da ma é
Taxas de ac eção e e osão
Limi es da ele ação
dos habi a s
Ajus e dos Pa âme os
do SLAMM
Limi es da
ele ação dos
habi a s
( e e idos ao
ní el médio do
ma )
Ria Fo mosa
aso de ma é:
-1,7 a 0,2m
sapal baixo:
0 a 1m
sapal al o:
0,8 a 2m
Ria de Al o
aso de ma é:
-1,4 a 0,4m
sapal baixo:
0,4 a 1,4m
sapal al o:
0,8 a 2,3m
Cas o Ma im
aso de ma é:
-1,1 a 0,7m
sapal baixo:
0,7 a 1,6m
sapal al o:
1,2 a 2,3m
P ocessamen o SLAMM
Modelação simpli icada com o "Sea Le el A ec ing Ma shes Model"
Po encial da e olução dos ecossis emas de ca bono azul a é 2100
GUIA INFORMATIVO
37
O úl imo ela ó io do IPCC (AR6)44
de ine cená ios de e olução
de a iá eis ambien ais, em
unção de possí eis aje ó ias
de desen ol imen o u u o da
sociedade humana, conside ando o
uso de combus í eis ósseis, a o es
sociais e económicos esul an es,
bem como di e en es ní eis de
di iculdade na aplicação de medidas
de mi igação e adap ação.44 A es as
possí eis aje ó ias dá-se o nome
de T aje ó ias Socioeconómicas
Pa ilhadas (Sha ed Socio-economic
Pa hway - SSP), sendo de inidos
cinco cená ios p incipais, com
dis in os desa ios. O cená io mais
o imis a é o SSP1, que conside a um
u u o baseado em desen ol imen o
sus en á el, no qual oco em
es o ços de mi igação e adap ação,
minimizando conside a elmen e
a emissão de gases com e ei o
de es u a (GEE). 43 O cená io mais
pessimis a é o SSP5, que conside a
um u u o com u ilização in ensi a
de ecu sos, no qual não oco em
es o ços de mi igação, mas
apenas de adap ação, aumen ando
a emissão de GEE. Pa a mais
in o mações ace ca dos cená ios,
consul a o ela ó io IPCC (2023).44
A igu a abaixo ilus a as p e isões
de subida do ní el médio do ma
no ma ég a o de Lagos, endo po
base as p ojeções a ançadas pelo
IPCC (2023) pa a os cená ios mais
o imis a e pessimis a.
P e isão de subida do ní el médio do ma no ma ég a o de Lagos, em cen íme os, a é
2100, conside ando dois cená ios di e en es: a azul escu o, o cená io SS1-1.9, mais
o imis a; e a azul cla o, o cená io SSP5-8.5, mais pessimis a ( on e IPCC).44-47
210020902080207020602050204020302020
0
80
60
40
20
SSP1-1.9SSP1-1.9
SSP5-8.5SSP5-8.5
Des aque 7 | Os cená ios de subida do ní el médio do ma do IPCC
Dos dados de en ada do modelo azem pa e dados
ma iciais, compos os po : (a) um modelo digi al de e eno
(MDT) de 2024 (combinado com dados de ou o MDT de
2011), ob ido a pa i de ecnologia LiDAR e disponibilizado
pela Di eção Ge al do Te i ó io; (b) um modelo de decli es
ob ido a pa i do MDT de 2024; e (c) a classi icação da
dis ibuição espacial dos ambien es de aso de ma é,
sapal baixo e sapal al o no ano de 2025, ob ida a a és da
classi icação das imagens do sa éli e Sen inel-2 (seguindo a
me odologia an e io men e desc i a na Figu a 4). Os dados
in oduzidos e, consequen emen e, os esul ados de ol idos
pelo modelo, ap esen am uma esolução espacial de
10 me os.
Conside am-se ainda como dados de en ada no modelo
simpli icado, indicado es ecogeomo ológicos do
ecossis ema. Es es indicado es incluem as endências de
e olução/dinâmica do passado pa a algumas a iá eis
ambien ais, nomeadamen e o ní el médio do ma , a
ampli ude da ma é, as axas de ac eção e e osão, e os
limi es de ele ação dos habi a s in e idais simulados
(Figu a 5). Foi conside ada uma endência his ó ica da
subida do ní el do ma de 2,4 mm/ano; a ampli ude de ma é
máxima pa a a egião de 3,5 m; e axas de ac eção do aso
de ma é, sapal baixo e sapal al o, co esponden es a 1,6
mm/ano, 4,4 mm/ano, e 3,1 mm/ano, espe i amen e.
O SLAMM não possibili a modela sepa adamen e a
e olução do aso de ma é ege ado e não ege ado, pelo
que a es ima i a u u a de á ea des es habi a s in e idais
na Ria Fo mosa oi calculada endo po base as p opo ções
a uais, i.e., 88% - aso ma é ege ado e 12% - aso de ma é
não ege ado. Na Ria de Al o e em Cas o Ma im, o habi a
aso de ma é ege ado não oi conside ado, em unção das
limi ações espaciais an e io men e desc i as.
Subida do ní el médio do ma (cm)
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
38
EFEITOS DA SUBIDA DO NÍVEL MÉDIO
DO MAR NOS HABITATS DAS ZONAS
HÚMIDAS
Na Ria Fo mosa quando conside amos o cená io o imis a
de subida do ní el médio do ma (SSP1-1.9), obse am-
se pe das de á ea pouco signi ica i as nos habi a s de
zonas húmidas, nomeadamen e no sapal al o de 8% (-54
ha), no sapal baixo de 0,1% (-2 ha) e nos asos de ma é de
1% (conjun amen e -13 ha), a é 2100 (Figu a 6). Quando
conside amos o cená io pessimis a de subida do ní el
médio do ma SSP5-8.5, obse a-se uma edução mui o
acen uada de sapal (-556 ha), que incluí uma pe da no sapal
al o na o dem dos 31% (-203 ha), e no sapal baixo na o dem
dos 12% (-353 ha), ela i amen e a 2025 (Figu a 6). Obse a-
se, simul aneamen e, um aumen o na á ea o al do aso de
ma é (não ege ado e ege ado) de ce ca de 8,7% (360 ha),
ace a 2025. Es a expansão de aso de ma é é explicada
pela con e são do sapal baixo em aso de ma é. No o al
pa a o SSP5-8.5, é espe ada uma pe da de 3% (-196 ha) de
á ea de zona húmida (Figu a 6). As p e isões de edução de
sapal al o são mais p oeminen es a pa i de 2060 e le am
a c e que es e pode a é desapa ece em alguns locais jun o
à ma gem e es e, a é 2100. Globalmen e, a diminuição
signi ica i a da á ea de sapal al o se á um pon o de
i agem ecológica no ecossis ema, dado que se espe a am
mudanças locais na cobe u a das espécies de plan as e
biodi e sidade.
Nos ou os dois ecossis emas, de meno dimensão,
p oje am-se mudanças ela i amen e in e io es na á ea
ocupada po cada habi a , ainda que com um balanço
inal nega i o quando conside ado um cená io pessimis a
(Figu as 7 e 8).
Na Ria de Al o , pa a o cená io o imis a de subida do
ní el médio do ma SSP1-1.9, obse am-se pe das
em á ea do sapal al o de 19% (-5 ha), enquan o o
sapal baixo e o aso de ma é aumen am (+3 ha e +1
ha em á ea, espe i amen e), a é 2100 (Figu a 7).
Se se conside a o cená io pessimis a de subida do
ní el médio do ma SSP5-8.5, obse a-se uma pe da
no sapal al o de 50% (-13 ha), em oposição a um
espe ado ganho no sapal baixo de 47% (+8 ha). O aso
de ma é obse a uma pe da em á ea de 3% (-9 ha).
Pa a o SSP5-8.5, é espe ada uma pe da o al de 5% de
á ea de zona húmida (-14 ha; Figu a 7). No amen e, e
ainda em maio pe cen agem que na Ria Fo mosa, há
pe da signi ica i a do habi a de sapal al o.
Em Cas o Ma im, quando se conside a o cená io o imis a
de subida do ní el médio do ma SSP1-1.9, obse a-se uma
pe da em á ea no sapal al o de 16% (-22 ha), enquan o o
sapal baixo e o aso de ma é aumen am (+11 ha e +2 ha,
espe i amen e), a é 2100 (Figu a 8). Quando conside amos
o cená io pessimis a de subida do ní el médio do ma
SSP5-8.5, p e ê-se uma edução na á ea de sapal al o de
48% (-65 ha) e um aumen o em á ea de sapal baixo de 31%
(+37 ha). O aso de ma é i á e um aumen o de 3% (+8
ha). No o al pa a o SSP5-8.5, é espe ada uma pe da de
4% de á ea de zona húmida (-20 ha; Figu a 8). Tal como na
Ria Fo mosa e na Ria de Al o , é o habi a de sapal al o que
ap esen a edução signi ica i a de á ea, podendo chega a
quase me ade da sua ex ensão, em compa ação com 2025
(Des aque 8).
GUIA INFORMATIVO
39 IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
40 41
Figu a 6. E olução u u a dos
habi a s in e idais na Ria Fo mosa
(á ea o al em hec a es), en e
2025 e 2100, conside ando as
p ojeções de subida do ní el médio
do ma p e is as nos cená ios
SSP1-1.9 e SSP5-8.5. Na igu a
à esque da (cená io o imis a,
SSP1-1.9), oco e pe da de á ea
de sapal al o (-54 ha a é 2100) e
pe da de á ea de sapal baixo (-2
ha a é 2100). No im do pe íodo de
análise, os asos de ma é pe de am
13 ha em á ea. Na igu a à di ei a
(cená io pessimis a, SSP5-8.5),
obse a-se pe da signi ica i a de
á ea de sapal al o (-203 ha a é 2100), mais acen uada
após 2060, e pe da de á ea de sapal baixo (-353 ha). No
im do pe íodo de análise, os asos de ma é aumen a am
360 ha.
Figu a 7. E olução u u a dos
habi a s in e idais na Ria de Al o
(á ea o al em hec a es), en e
2025 e 2100, conside ando as
p ojeções de subida do ní el médio
do ma p e is as nos cená ios
SSP1-1.9 e SSP5-8.5. Na igu a à
esque da (cená io o imis a, SSP1-
1.9), oco e pe da de á ea de sapal
al o (-5 ha a é 2100) e aumen o
de á ea de sapal baixo (+3 ha
a é 2100). No im do pe íodo de
análise, o aso de ma é aumen ou
1 ha. Na igu a à di ei a (cená io
pessimis a, SSP5-8.5), obse a-se
pe da de á ea de sapal al o (-13 ha
a é 2100), mais acen uada após 2060, e aumen o da á ea
de sapal baixo (+8 ha). No im do pe íodo de análise, o
aso de ma é pe deu 9 ha.
Figu a 8. E olução u u a dos
habi a s in e idais em Cas o
Ma im (á ea o al em hec a es),
en e 2025 e 2100, conside ando
as p ojeções de subida do ní el
médio do ma p e is as nos
cená ios SSP1-1.9 e SSP5-8.5. Na
igu a à esque da (cená io o imis a,
SSP1-1.9), oco e pe da p og essi a
de á ea de sapal al o (-22 ha a é
2100) e aumen o de á ea de sapal
baixo (+11 ha a é 2100). No im
do pe íodo de análise, o aso de
ma é aumen ou 2 ha em á ea. Na
igu a à di ei a (cená io pessimis a,
SSP5-8.5), obse a-se pe da de
á ea de sapal al o (-65 ha a é 2100), mais acen uada após 2080, e aumen o da
á ea de sapal baixo (+37 ha), ambém acele ado após 2080. No im do pe íodo
de análise, o aso de ma é aumen ou ce ca 8 ha em á ea. OPTIMISTA PESSIMISTA
Va iação de á ea o al (ha)Va iação de á ea o al (ha)Va iação de á ea o al (ha)
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
2025-2040 2040-2060 2060-2080 2080-2100
GUIA INFORMATIVO IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
42
Exemplos de mudanças nos habi a s, en e 2025 e 2100
Zoom pa a á ea de po meno
na Ria Fo mosa, egis ando
mudanças nos ecossis emas
de zonas húmidas a é 2100,
deco en es de subida do ní el
médio do ma p e is o assumindo
o cená io SSP5-8.5.
A á ea cobe a a azul-escu o
iden i ica locais onde hou e
uma mudança de habi a s de
aso de ma é pa a canal (água),
enquan o a á ea cobe a a azul
cla o iden i ica locais onde hou e
uma mudança de habi a s de
sapal pa a aso de ma é. A á ea
cobe a a osa-escu o iden i ica
locais onde hou e uma mudança
de habi a s de sapal al o pa a sapal
baixo.
Zoom pa a á ea de po meno na
Ria de Al o , egis ando mudanças
nos ecossis emas de zonas
húmidas em a é 2100, deco en es
de subida do ní el médio do ma
p e is o assumindo o cená io
SSP5-8.5.
Zoom pa a á ea de po meno
em Cas o Ma im, egis ando
mudanças nos ecossis emas
de zonas húmidas em a é 2100,
deco en es de subida do ní el
médio do ma p e is o assumindo
o cená io SSP5-8.5.
Habi a s inal e ados
Água (baixa-ma )
Raso de ma é
Sapal baixo
Sapal al o
Mudanças
Raso de ma é pa a água
Sapal baixo pa a aso de ma é
Sapal al o pa a sapal baixo
Ria Fo mosa
Ria de Al o
Cas o Ma im
GUIA INFORMATIVO
43
Quando conside ado um cená io de subida do ní el médio
do ma mais o imis a, i.e., cená io SSP1-1.9, a a iação da
á ea o al nos ês ecossis emas é ela i amen e eduzida
(<2% do o al de á ea in e idal). Quando conside ado
o cená io pessimis a SSP5-8.5, o ecossis ema mais
a e ado é a Ria do Al o , com uma pe da de 5% (-14 ha)
dos habi a s in e idais, ace a 2025 (Figu a 9). Depois,
Cas o Ma im ap esen a uma pe da de 4% (-20 ha), e po
úl imo, a Ria Fo mosa, pe de 3% (-196 ha). Em oposição
a uma edução mais d ás ica no sapal al o, num cená io
pessimis a, obse a-se um aumen o das á eas de aso de
ma é ( ege ado e não ege ado) na Ria Fo mosa (+9%) e em
Cas o Ma im (+3%, Figu a 9).
Globalmen e, conside ando as ês zonas húmidas
analisadas, p e ê-se que a é 2100 i á oco e uma pe da
acen uada de á eas de sapal al o (-34%, ace a 2025). Es a
pe da de sapal al o, de e-se à sua subs i uição pelo habi a
de sapal baixo e es á elacionada com o p ocesso de
comp essão cos ei a, an e io men e desc i o como ameaça
à sob e i ência dos ecossis emas de zonas húmidas.
As endências obse adas pe mi em a ança que i emos
assis i no u u o a um enómeno de al e ação de habi a s
(e sucessão ecológica), no con ex o des as zonas húmidas,
cuja magni ude depende á da acele ação da subida do
ní el do ma . No caso especí ico da Ria Fo mosa, p e ê-se
deg adação p onunciada de habi a s de sapal al o jun o à
ma gem e es e, nos limi es supe io es do sis ema laguna ,
com comp ome imen o da sua capacidade indi idual de
a ua como sumidou os de ca bono.
Figu a 9. Va iação da á ea ocupada po cada ambien e e no o al, en e 2025 e 2100, nos ês ecossis emas de zonas húmidas
analisados (em % ace a 2025), conside ando a p ojeção de subida do ní el médio do ma p e is a no cená io pessimis a (SSP5-8.5).
Va iação da á ea ocupada en e 2025 e 2100 (% da espe i a classe)
-4%
-11%
48%
31%
3%
-5%
-12%
50%
47%
-3%
-3%
-15%
31%
-12%
9%
-60% -40% -20% 0% 20% 40% -60%
Raso de ma é
Sapal baixo
Sapal al o
Sapal o al
To al
Ria Fo mosa Ria de Al o Cas o Ma imRia Fo mosa Ria de Al o Cas o Ma im
-
-
-
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
50 51
Os esul ados aqui ap esen ados indicam que, a é 2100,
pode emos obse a uma edução acen uada nas á eas
de sapal nos ês ecossis emas em análise, que pa a além
de causa um desequilíb io ecogeomo ológico nas zonas
húmidas, e á ambém implicações na biodi e sidade local.
De maio ele ância é a g ande diminuição do sapal al o que
êm como consequências uma meno á ea de nidi icação
e in e nada pa a á ias a es aquá icas (po exemplo, o
colhe ei o) e um quase desapa ecimen o da di e sidade
lo ís ica (po exemplo., o salgado e a ba ilha) e aunís ica
(po exemplo, algumas cob as).
A é 2100 não se espe am pe das signi ica i as nos s ocks
de ca bono o gânico, pois as pe das elacionadas com
as eduções nas á eas do sapal baixo e al o pode ão
se em pa e compensadas po ganhos em zonas de
p ada ias ma inhas. Con udo, é possí el con apo es as
pe das, e a é maximiza o po encial de ca bono da egião,
a a és da execução de es au o ecológico, conside ando
a ecupe ação/ ena u alização de á eas húmidas
a i icializadas ina i as, nos ês ecossis emas em análise.
Iden i ica am-se p e iamen e di e sas á eas ina i as,
abandonadas/deg adadas (po exemplo, an igas
aquacul u as, salinas abandonadas, e c.), com po encial
pa a es au o ecológico, nos ês ecossis emas de zonas
húmidas. Es a iden i icação e e po base o mapeamen o
p eciso a ançado po Fu ado e al. (2021)48 pa a a Ria
Fo mosa e Ria de Al o , ac escido de um no o mapeamen o
pa a Cas o Ma im, que consis iu na delimi ação de á eas
ina i as sob e os o o o omapas de 2023, disponibilizados
pela DGT.
Á eas a i icializadas que se encon am abandonadas e/ou deg adadas nos
ecossis emas de zonas húmidas em es udo
GUIA INFORMATIVO IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
52
As á eas a i icializadas ina i as iden i icadas ep esen am
ap oximadamen e 283 ha na Ria de Al o , 345 ha na Ria
Fo mosa e 536 ha em Cas o Ma im, somando um o al
de 1164 ha na egião do Alga e (Figu a 11). Es as á eas
co espondem a 79% da á ea in e idal a ual em Cas o
Ma im, 67% na Ria de Al o e 4% na Ria Fo mosa. No
o al, é equi alen e a 12% dos habi a s in e idais nos ês
ecossis emas, em 2025. Tes a am-se duas possibilidades
de es au o/ ena u alização, - 50% e 80% das á eas ina i as
pa a sapal baixo, e a aliou-se o espe i o impac e a ní el
de s ock de ca bono o gânico. O es au o ecológico das
á eas a i icializadas ina i as iden i icadas pa a sapal
baixo das ês zonas húmidas, pe mi i ia ac esce o a ual
s ock de ca bono em ce ca de 7,3% (+37 422 Mg CO), no
caso de se op a po ena u aliza 50% das á eas ina i as,
e ce ca de 11,7% (+59 875 MgCO), no caso de se op a po
ena u aliza 80% das á eas ina i as (Figu a 12). O es au o
ecológico i ia pe mi i sob e udo ga an i a manu enção do
equilíb io na sucessão ecológica des es ecossis emas e
espe i os se iços dos ecossis emas. Cas o Ma im e ela-
-se o local com maio po encial pa a maximização do s ock
de ca bono o gânico, em unção das ex ensas á eas ina i as
passí eis de es au o, o que pe mi i ia um aumen o do s ock
de ca bono o gânico en e 59% (+17 240 MgCO), no caso de
op a po ena u aliza 50% das á eas ina i as) e ce ca de
94% (+27 584 MgCO), no caso de op a po ena u aliza
80% das á eas ina i as; Figu a 12).
1164 ha
536 ha
345 ha
283 ha
To al
Cas o Ma im
Ria de Al o
Ria Fo mosa
GUIA INFORMATIVO
Figu a 11. Á eas a i icializadas ina i as nos ecossis emas de zonas húmidas analisados: Ria Fo mosa, Ria de Al o , Cas o
Ma im e o o al dos ês sis emas.
53 IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
Figu a 12. S ock de ca bono o gânico nos ês ecossis emas de ca bono azul, conside ando o es au o pa a sapal baixo de 50%
e 80% das á eas a i icializadas ina i as, e espe i o aumen o pe cen ual do s ock de ca bono o gânico, ace ao s ock da á ea
in e idal em 2025.
59875
27584
14533
17757
37422
17240
9083
11098
11,7%
93,9%
88,6%
3,8%
7,3%
58,7%
55,4%
2,4%
0%50%100%
0 20000 40000 60000
To al
Cas o Ma im
Ria de Al o
Ria Fo mosa
Aumen o do s ock CO (%)
50 %
80 %
50 %
80 %
S ock de ca bono o gânico (Mg CO)
53 IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
Cobe u a
po sapal
baixo
54
GUIA INFORMATIVO
55
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O p esen e guia indica que, a é 2100, numa pe spe i a
pessimis a de subida do ní el médio do ma , pode não
oco e uma g ande edução no s ock de ca bono o gânico,
mas pode á ha e uma pe da de á ea de sapal (-15%),
nos ês ecossis emas de zonas húmidas analisados,
especialmen e na Ria Fo mosa. A pe da de sucessão
ecológica nas zonas húmidas aqui epo ada implica uma
diminuição da biodi e sidade local e a pe da de alo es
económicos, socias e cul u ais.
Os esul ados ob idos demons am que a expansão dos
ecossis emas de ca bono azul a a és do es au o de á eas
ina i as pode ia aumen a o s ock de ca bono o gânico
a ual, especialmen e na Ria de Al o e Cas o Ma im,
com ac éscimos de 55,4% a 93,9%. Na Ria Fo mosa, o
es au o de á eas ina i as esul a ia num aumen o pouco
signi ica i o do s ock de ca bono o gânico, a iá el en e
2,4% e 3,8%, dependen e da pe cen agem de es au o
conside ada (50% a 80%, espe i amen e). Os ganhos aqui
epo ados, ep esen am uma impo an e opo unidade
pa a a egião do Alga e posiciona -se na angua da dos
es o ços nacionais que isam inco po a o ca bono azul
nas es a égias de mi igação das emissões de GEE, c iando
uma agenda egional es a égica ocada na conse ação do
pa imónio na u al das zonas húmidas e na p ese ação dos
se iços que o e ecem à sociedade.
Ao desen ol e uma es a égia in eg ada de p ese ação
das zonas húmidas ameaçadas pela subida do ní el
médio do ma , a egião do Alga e e á a opo unidade
de o alece o seu capi al na u al, con ibui pa a a
sal agua da da biodi e sidade na zona cos ei a e ge a
bene ícios adicionais pa a o se o do u ismo no u u o.
Pa a isso, al ez seja necessá io c ia uma legislação
especí ica de âmbi o nacional (e de ansposição egional)
que egulamen e a implemen ação de ações de conse ação
e es au o ecológico de ecossis emas, no con ex o da ação
climá ica.
Face ao es ado a ual do conhecimen o sob e a espos a
dos ecossis emas de zonas húmidas no Alga e às
al e ações climá icas, o na-se ele an e adap a e in eg a
as a uais polí icas de ges ão e i o ial (po exemplo, o
Plano Es a égico pa a a Requali icação e Valo ização da
Cos a, os Planos de O denamen o da O la Cos ei a, o Plano
de O denamen o do Pa que Na u al da Ria Fo mosa, en e
ou os), de modo a inco po a medidas que eduzam o
isco de pe da de habi a s in e idais de zonas húmidas,
de inindo me as empo ais (po exemplo, 2060, 2080, 2100).
As es ima i as de comp essão cos ei a de habi a s de
zonas húmidas, em á eas u banas, em unção da subida
do ní el médio do ma de em se a iculadas com ou os
ins umen os de planeamen o e i o ial u bano u ilizados
pelos municípios. Qualque es a égia de ges ão in eg ada
de e á inclui uma moni o ização dos ecu sos na u ais
(incluindo á eas de habi a s in e idais e s ock de ca bono
o gânico), que de e se alcançada de o ma colabo a i a
com as comunidades, a academia e as o ganizações
não go e namen ais. Po im, odas as es a égias de
ges ão de e i ó io egional, dedicadas à p ese ação dos
ecossis emas de zonas húmidas, de e ão se pa icipa i as,
implemen adas em colabo ação com comunidades locais e
incluindo ações de capaci ação pa a á ios a o es locais.
IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
56
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IMPULSIONANDO A SUSTENTABILIDADE
58
GLOSSÁRIO
• Adap ação climá ica - Inclui ações e es a égias, le adas a
cabo pa a minimiza os impac os das al e ações climá icas,
ajus ando os sis emas sociais, económicos e ambien ais de
o ma a o ná-los mais esilien es às al e ações do clima;
po exemplo, u iliza ecossis emas cos ei os ege ados
pa a p o eção con a os e ei os dos enómenos climá icos
ex emos.
• A mazenamen o de ca bono o gânico - Re e e-se à
capacidade de um ese a ó io na u al, como o solo,
lo es as, oceanos ou ou os ecossis emas, de abso e
e a mazena dióxido de ca bono (CO2) a mos é ico,
con e endo-o em ma é ia o gânica, de o ma p olongada no
empo.
• Biomassa - A biomassa i a é um dos ese a ó ios de
ca bono o gânico em ecossis emas de ca bono azul, e pode
se epígea (biomassa aé ea, i.e., olhas, amos e alos) ou
hipógea (biomassa sub e ânea, i.e., aízes). Ap esen a-se
como o peso da ma é ia o gânica ege al exis en e numa
dada á ea.8,49
• Ca bono azul - Re e e-se ao ca bono o gânico que é
cap u ado e a mazenado pelos oceanos e ecossis emas
cos ei os, em pa icula os ege ados: p ada ias ma inhas,
sapais e mangais1, du an e cen enas a milha es de anos nos
oceanos e zonas cos ei as.3
• Ca bono o gânico alóc one - co esponde à ma é ia o gânica,
como olhas e esíduos ege ais, que se o igina em uma
dada á ea e é depois anspo ada pa a ou a, po p ocessos
na u ais, como o anspo e pelos ios e co en es de água.
• Comp essão cos ei a - Pe da de habi a s na u ais ou
de e io ação da sua qualidade, que oco e quando exis e
uma es u u a (ou ação) humana ígida que impede a
ansg essão/mig ação pa a e a desses habi a s.
• Mi igação climá ica - Re e e-se à ação humana no sen ido
de eduzi emissões de gases com e ei o de es u a pa a a
a mos e a ou po encia a sua emoção; po exemplo, es au o
ecossis emas de ca bono azul pa a po encia o seques o de
ca bono a longo e mo.
• Seques o de ca bono no sedimen o - Re e e-se à abso ção
de ca bono da a mos e a na o ma de dióxido de ca bono
(CO2, um dos p incipais gases de e ei o es u a) a a és da
o ossín ese e seu subsequen e seques o, a longo e mo, no
solo, na o ma de ca bono o gânico. 15
• S ock de ca bono o gânico - Re e e-se à soma dos s ocks
de ca bono o gânico na ege ação (biomassa) e no solo, po
á ea, num ecossis ema.
• S ock de ca bono o gânico na ege ação - Re e e-se ao
ca bono o gânico a mazenado na biomassa da ege ação.
Encon a-se na biomassa aé ea ( olhas, caules) e na
biomassa sub e ânea ( aízes).
• S ock de ca bono o gânico no solo - Re e e-se ao ca bono
o gânico a mazenado no sedimen o, p o enien e de
o ganismos i os ou de ma é ia o gânica não i a,
como olhas e aízes mo as. A quan idade de ca bono
o gânico seques ado no solo depende das ca ac e ís icas
geomo ológicas e hid odinâmicas do ecossis ema. 8,9,49
• Soluções baseadas na na u eza - co esponde a
soluções inspi adas e apoiadas pela na u eza, que são
economicamen e iá eis, p opo cionam simul aneamen e
bene ícios ambien ais, sociais e económicos e ajudam a
cons ui esiliência.
GUIA INFORMATIVO