THE RELIGION AND THE POLITICAL MANIPULATION IN THE ISRAEL -PALESTINE CONFLICT
Abstract
This study aims to analyze how religion in the Israel-Palestine conflict has been used as a political tool to mobilize communities and legitimize military and territorial actions. The research is based on literature review, analysis of religious documents, leaders’ speeches, and media production. It examines the roles of Benjamin Netanyahu, Hamas, and pacifying religious initiatives, such as the letter of 80 rabbis and the Islamic Declaration of Human Rights. The study concludes that religion, when used politically, intensifies tensions, yet ethical interpretations can foster dialogue and peace.
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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 646 (Ciências Sociais) A RELIGIÃO E A MANIPULAÇÃO POLÍTICA NO CONFLITO ISRAEL – PALESTINA THE RELIGION AND THE POLITICAL MANIPULATION IN THE ISRAEL -PALESTINE CONFLICT Giovana Cavalcante dos Santos, Marcelo Lamy Universidade Santa Cecília, Faculdade de Direito e Relações Internacionais E-mail para contato: [email protected] RESUMO – O presente trabalho tem como objetivo analisar como a religião no conflito Israel-Palestina tem sido utilizada como mecanismo político para mobilizar comunidades e legitimar ações militares e territoriais. A pesquisa se fundamenta em revisão de literatura, análise de documentos religiosos, discursos de líderes e produção midiática. Examina-se o papel de Benjamin Netanyahu, do Hamas e de iniciativas religiosas pacificadoras, como a carta dos 80 rabinos e a Declaração Islâmica de Direitos Humanos. Conclui-se que a religião, quando usada como ferramenta política, intensifica tensões, mas interpretações éticas podem promover diálogo e paz. Palavras-chave: Religião; Conflito Israel-Palestina; Política; Extremismo; Diplomacia ABSTRACT – This study aims to analyze how religion in the Israel-Palestine conflict has been used as a political tool to mobilize communities and legitimize military and territorial actions. The research is based on literature review, analysis of religious documents, leaders’ speeches, and media production. It examines the roles of Benjamin Netanyahu, Hamas, and pacifying religious initiatives, such as the letter of 80 rabbis and the Islamic Declaration of Human Rights. The study concludes that religion, when used politically, intensifies tensions, yet ethical interpretations can foster dialogue and peace. Keywords: Religion; Israel-Palestine Conflict; Politics; Extremism; Diplomacy 1 INTRODUÇÃO A compreensão dos conflitos contemporâneos exige mais do que o estudo de fatores políticos e territoriais; é necessário analisar também as dimensões religiosas e culturais que moldam percepções e atitudes de grupos diversos.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 647 (Ciências Sociais) “Uma discussão entre pessoas que partilham de várias opiniões tende a ser pouco proveitosa, embora agradável. Uma discussão entre pessoas enraizadas em marcos, em contextos díspares, pelo contrário, costuma ser extremamente proveitosa, embora possa trazer certos inconformismos. Os abalos das opiniões tradicionais são necessários para a produção de respostas ou argumentos novos, ou, pelo menos, mais abrangentes. [...] Nossa observação da realidade está impregnada de nossa pré-visão de mundo, de nossas teorias. Se não nos desvencilharmos desta posição, o choque de culturas perderá todo seu valor científico.” (Lamy, 2006) Este trecho evidencia a importância de superar visões pré-concebidas e de fomentar debates, pesquisas e artigos que possibilitem a análise crítica de realidades complexas, como é o caso do conflito Israel-Palestina. O interesse por esta pesquisa surgiu a partir dos CINE R.I., promovidos pela coordenação do curso de Relações Internacionais da UNISANTA, que proporcionaram uma reflexão sobre conflitos internacionais e a influência de fatores culturais e religiosos na política global. A pesquisa teve como objetivo central desmistificar concepções equivocadas acerca das tradições religiosas judaica e islâmica, abordando Jerusalém como epicentro de tensões históricas e contemporâneas, sem adotar qualquer viés ideológico. Para alcançar tal objetivo, foram utilizadas referências primárias das próprias tradições religiosas, incluindo trechos da Torá e do Alcorão, permitindo uma análise imparcial e fundamentada. A proposta foi compreender o conflito a partir de uma perspectiva acadêmica, destacando a influência da fé sobre políticas e comportamentos sociais, e promovendo reflexões sobre a necessidade de diálogo inter-religioso, diplomacia e cooperação internacional para a mitigação de tensões. Assim, esta introdução encaminha o leitor para a discussão detalhada dos mecanismos de manipulação política, das repercussões sobre a sociedade e, especialmente, sobre as novas gerações, que serão abordadas nas seções seguintes do trabalho. 2 MATERIAIS E MÉTODOS O presente estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura e análise documental, com abordagem qualitativa, tendo como objetivo compreender os mecanismos de manipulação religiosa no contexto do conflito Israel-Palestina e suas implicações socioculturais e intergeracionais. Para tanto, foram utilizados critérios de seleção baseados na relevância, atualidade e credibilidade das fontes, garantindo imparcialidade na análise.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 648 (Ciências Sociais) As fontes primárias consultadas incluíram textos religiosos presentes na Torá e Alcorão, que estão disponíveis em plataformas online, para fundamentar aspectos históricos e espirituais das tradições judaica e islâmica, bem como documentários que exploram o impacto do conflito na formação de crianças e jovens. Foram analisadas também, entrevistas e declarações públicas de líderes políticos, como Benjamin Netanyahu e Ismail Haniyeh, obtidas por meio de jornais e portais de notícias, bem como documentos de caráter religioso e humanitário, incluindo a carta aberta de 80 rabinos e a Declaração Islâmica de Direitos Humanos. Como referências teóricas, o estudo contou com artigos acadêmicos e pesquisas de especialistas em relações internacionais, política e filosofia, como Hanna Arendt, além de publicações do Dr. Marcelo Lamy, que forneceram embasamento metodológico sobre análise de conflitos culturais e religiosos. A análise consistiu em interpretação crítica e comparativa dos dados obtidos, buscando identificar padrões de manipulação religiosa, impactos socioculturais e possibilidades de mitigação por meio de educação, diálogo inter-religioso e diplomacia. Essa metodologia permite replicabilidade, dado que todas as fontes são publicamente acessíveis e a abordagem adotada é documental e interpretativa, adequada para responder às questões de pesquisa propostas. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Identificar os mecanismos de manipulação políticas presentes em um dos conflitos mais complexos do cenário internacional contemporâneo, exige necessariamente o reconhecimento das dimensões religiosas e culturais que moldam a percepção e o valor atribuído a todos os territórios em disputa. A cidade de Jerusalém, consolidada como território sagrado e fundamental tanto para os judeus quanto para os muçulmanos, é o epicentro de conflitos que perduram há séculos em questões geopolíticas, religiosas e territoriais. Na cultura judaica, o Monte do Templo, chamado de Har HaBayit, é o local onde foi erguido o Primeiro Templo, atribuído ao rei Salomão no século X a.C., que se tornou o espaço mais sagrado do judaísmo, destinado à Arca da Aliança, e às práticas rituais do povo hebreu. Sua destruição pelos babilônios em 586 a.C. representou não apenas uma perda material, mas uma ruptura espiritual, vista pelos judeus como um momento de exílio e purificação coletiva.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 649 (Ciências Sociais) No século VI a.C., após o retorno do cativeiro babilônico, iniciou-se a construção do Segundo Templo, que perdurou até o ano 70 d.C., quando foi destruído pelos romanos durante a Primeira Guerra Judaico-Romana. Do Segundo Templo restou apenas uma parte do muro de contenção, conhecido atualmente como Muro das Lamentações,em hebraíco HaKotel, que desde então se firmou como espaço de peregrinação e oração, onde judeus de todo o mundo mantêm viva a memória da promessa divina. A Shekhina, termo que designa a presença de Deus que habita entre o povo, está associada à santidade de Jerusalém e, especialmente, ao Templo. Mesmo após sua destruição, acreditava-se que a Shekhina não havia abandonado completamente o local, permanecendo junto com o que havia restado dele. Assim, o Muro das Lamentações tornou-se um símbolo da ligação eterna entre o povo judeu e a cidade. A promessa divina a respeito da terra é sustentada pela própria Torá. Em Gênesis 15:18, está escrito: “Naquele dia o Senhor fez uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates.” Por meio dessa passagem, é possível compreender a relação estabelecida no contexto judaico entre Jerusalém e a terra de Canaã como uma herança divina, uma promessa direta de Deus aos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Para os muçulmanos, Jerusalém também possui importância significativa, sendo considerada a terceira cidade mais sagrada do Islã, após Meca e Medina. O local mais significativo é a Esplanada das Mesquitas, conhecida em árabe como Haram al-Sharif, onde estão a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha. O Profeta Maomé, considerado o último mensageiro de Deus no Islã, é uma figura de extrema importância, pois foi quem recebeu o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, e de acordo com a fé islâmica, é o responsável pelo desenvolvimento da comunidade islâmica no século VII. A tradição islâmica narra a Isra e Mi'raj, a viagem noturna e ascensão de Maomé aos céus, descrita no Alcorão, sura 17 (Al-Isra), versículo 1: "Glorificado seja Aquele que transportou Seu servo, de noite, da Mesquita Sagrada para a Mesquita Al-Aqsa, cujo entorno abençoamos, para mostrar-lhe alguns de Nossos sinais." Esse evento tornou a Esplanada das Mesquitas um símbolo de proximidade direta com Deus, tornando Jerusalém um espaço espiritual de profunda importância. A experiência de Maomé durante a Isra e Mi'raj tem servido como reverência pelo local.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 650 (Ciências Sociais) Assim como o Monte do Templo para os judeus, a Esplanada das Mesquitas se tornou um centro de fé para os muçulmanos, consolidando-se ao longo dos séculos. Durante o domínio de impérios muçulmanos, como os omíadas, abássidas e otomanos Jerusalém foi protegida por políticas de preservação de seus locais sagrados e investimentos em infraestrutura religiosa e educacional, incluindo madraças (escolas islâmicas), mesquitas e complexos administrativos. A construção do Domo da Rocha em 691 pelo califa omíada Abd al-Malik, por exemplo, é um marco da arquitetura islâmica e da consolidação da presença muçulmana na cidade. Ao fazer a comparação entre as duas religiões, é notável que tanto para judeus quanto para muçulmanos Jerusalém é mais do que um território, é um símbolo espiritual, cultural e histórico, cuja relevância ultrapassa o espaço físico. Enquanto o Monte do Templo representa a promessa divina e a Shekhina, a Esplanada das Mesquitas simboliza a presença de Deus, a ascensão de Maomé e a continuidade da fé islâmica. A questão da sacralidade em ambas as culturas e tradições torna Jerusalém um ponto permanente de tensão. A cidade foi objeto de disputa entre impérios no passado e, no século XX, tornou-se símbolo das aspirações nacionais concorrentes de sionistas e árabes palestinos. Rubem Alves afirma: “A verdade só aparece quando o mundo que nos é familiar se torna estranho, quando sua etiqueta é subvertida” (ALVES, 2004, p. 26). Essa ideia mostra que, para entender o uso da religião como instrumento político, é necessário olhar para ela de forma aberta, sem julgamentos ou preconceitos culturais. É preciso compreender cada tradição, o que realmente move os fiéis e, principalmente, distinguir o que é prática religiosa genuína do que é extremismo ou manipulação política. Como diz Alves: “É preciso esquecer o sabido para saber o que nunca se soube” (ALVES, 2004, p. 26). Essa segunda afirmação de Rubens Alves reforça a necessidade de romper com as percepções automáticas e opiniões enraizadas para enxergar a realidade, com interesse genuíno por compreender aquilo que não se entende ou conhece de fato. Ao aplicá-la ao conflito IsraelPalestina, compreende-se que apenas um olhar desprendido de pré-conceitos permite identificar como em algumas situações a religião tem sido deslocada de seu papel espiritual para servir como ferramenta de poder. Em diversos momentos, líderes políticos e grupos armados têm utilizado a religião como justificativa para suas ações militares e para manipular narrativas em torno do conflito. É importante deixar claro que a religião em si jamais será um problema, o que alimenta o ciclo de violência é o extremismo e a transformação da crença em um instrumento político, utilizando
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 651 (Ciências Sociais) de símbolos e textos sagrados. Ao apropriar-se de elementos religiosos, tanto líderes israelenses quanto integrantes do grupo Hamas conseguem mobilizar a população e criar um senso de dever espiritual e nacionalista que reforça e perpetua o conflito. Em discurso proferido em 28 de outubro de 2023, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu evocou o versículo bíblico de Deuteronômio 25:17, afirmando: “Lembrese do que Amaleque fez a você”. A passagem, historicamente associada à ordem divina de eliminar os amalequitas, foi interpretada por muitos analistas como uma alusão à justificação religiosa para ações militares contra os palestinos de Gaza. Críticos internacionais, entre eles representantes da África do Sul, consideraram a citação como indício de intenção genocida por parte do governo israelense. Posteriormente, em entrevista à emissora israelense i24NEWS, em agosto de 2025, Netanyahu reforçou esse enquadramento religioso e expansionista ao declarar estar em uma “missão histórica e espiritual”. O primeiro-ministro afirmou sentir-se fortemente identificado com a visão do chamado “Grande Israel”, que abarcaria não apenas territórios palestinos, mas também áreas da Jordânia, Egito, Síria e Líbano. Quando questionado sobre o grau de conexão com essa visão, respondeu de forma categórica: “Muito”. Em janeiro de 2024, durante discurso proferido na International Union of Muslim Scholars (IUMS), em Doha, o líder político do Hamas, Ismail Haniyeh, afirmou: “Há a jihad verbal, a jihad pela língua, mas, de fato, o momento chegou para a jihad das espadas. Esta é a batalha por Jerusalém e a Mesquita de Al-Aqsa, e não apenas a batalha do povo palestino, ou de Gaza.” Segundo ele, “O povo de Gaza constitui nossa trincheira de defesa, bem como de ataque. Eles não estão ali somente para defender, mas também para atacar. O que foi 7 de outubro senão uma trincheira de frente para um avanço de nossa nação? Não podemos deixar esse momento escapar.” (CBN News, 2024). O impacto dessa manipulação vai muito além da esfera militar, afeta profundamente a formação das novas gerações, e de toda a civilização. O documentário Promessas de um Novo Mundo mostra de maneira sensível como muitas crianças crescem imersas em uma atmosfera de raiva e rivalidade, internalizando preconceitos étnicos e religiosos desde cedo. Diversas delas expressam abertamente o desejo de se tornarem soldados, justificando essa escolha como um dever de honra para com sua pátria e sua fé. Quando se nasce e cresce nesse ambiente, o ódio e a guerra tornam-se a única realidade que conhecem. Nesse contexto, a propaganda e a
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 652 (Ciências Sociais) manipulação ideológica transformam-se em armas poderosas, moldando identidades e convicções. De acordo com o Dr. Donald Winnicott, renomado psicanalista, "a qualidade do ambiente em que a criança vive durante a infância terá um impacto significativo em seu desenvolvimento emocional e psicológico, o que, por sua vez, pode influenciar diretamente sua vida adulta e suas interações interpessoais no futuro" (Winnicott, 1965). Isso mostra como o ambiente carregado de ódio e rivalidade descrito no documentário pode realmente moldar não apenas opiniões, mas toda a forma como essas crianças percebem o mundo. Adultos também defendem com fervor sua nação e legitimam as motivações da guerra, convencidos de que sua participação é parte de um dever religioso e patriótico. A dinâmica é reforçada pelo papel da mídia e de influenciadores digitais, que muitas vezes divulgam discursos seletivos. Jornais, canais de televisão e redes sociais não apenas informam, mas contribuem para consolidar narrativas de ódio e perpetuar estereótipos. Assim, o ciclo de manipulação se reproduz em diferentes gerações, consolidando a guerra não apenas como conflito territorial, mas como um modo de vida naturalizado. Como afirma Hannah Arendt, “a propaganda é parte integrante da manipulação totalitária, pois cria uma realidade fictícia que se torna mais convincente do que os próprios fatos” (ARENDT, 1951, p. 341). Nesse cenário, torna-se fundamental lembrar que a fé não precisa estar a serviço da violência ou da desumanização. Um contraponto importante às situações onde a religião é instrumentalizada no conflito pode ser observado na iniciativa de líderes religiosos comprometidos com princípios éticos e humanitários. A carta aberta de 80 rabinos ortodoxos, liderada pelo rabino Yosef Blau, por exemplo, evidencia essa perspectiva. Intitulada “Um Apelo por Clareza Moral, Responsabilidade e uma Resposta Judaica Ortodoxa em Face à Crise Humanitária de Gaza”, a carta reconhece os crimes cometidos pelo Hamas, mas deixa claro que tais atos não eximem o governo israelense de suas responsabilidades para com a população civil. Segundo o documento: Os pecados e crimes do Hamas não isentam o governo de Israel de suas obrigações de fazer todos os esforços necessários para evitar a fome em massa. O rabino Michael Melchior complementa a posição afirmando que Israel deve garantir o fornecimento de alimentos e remédios à população de Gaza, o que, do ponto de vista judaico,
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 653 (Ciências Sociais) é considerado moralmente correto, sem que ninguém se beneficie de forma comercial da crise humanitária. A carta, portanto, mostra que a fé judaica pode ser praticada de maneira coerente com valores de justiça e compaixão, mesmo em meio a um contexto de guerra, defendendo a proteção de vidas humanas acima de interesses militares ou políticos. Como sintetiza Yosef Blau, “When religion is used to justify a worship of power, it distorts basic morality” (BLAU et al., 2025), isto é, “Quando a religião é usada para justificar o culto ao poder, ela distorce a moralidade básica.” De maneira análoga, a Declaração Islâmica de Direitos Humanos, promulgada em 1981, reforça a ideia de que os princípios religiosos do Islã não devem ser utilizados para justificar violência contra inocentes. O documento estabelece, por exemplo: “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, independentemente de sua religião, etnia ou nacionalidade.” E ainda destaca que a proteção da dignidade humana é uma obrigação moral de toda a comunidade muçulmana “A vida humana é sagrada e deve ser preservada; qualquer agressão injusta contra inocentes é proibida e contrária aos ensinamentos do Islã.” Esses exemplos demonstram que tanto no judaísmo quanto no Islã existem interpretações religiosas que colocam a vida, a justiça e a proteção do outro acima de qualquer estratégia política ou militar. É possível, portanto, praticar a fé sem legitimar guerras ou a destruição de vidas humanas. Enquanto extremistas distorcem textos sagrados para justificar violência, iniciativas como a carta dos rabinos e a Declaração Islâmica de Direitos Humanos mostram caminhos de conduta ética, humanitária e inter-religiosa, reforçando que a religião em si não é a causadora do conflito, mas que pode ser uma força para a promoção da paz. Para mitigar os efeitos da manipulação religiosa, é fundamental investir em políticas educacionais e comunitárias que incentivem a cultura de paz e o diálogo entre diferentes tradições de fé. A difusão de interpretações éticas e humanitárias das religiões contribui para a formação de indivíduos mais críticos e conscientes, capazes de questionar narrativas extremistas. Nesse contexto, a diplomacia internacional desempenha papel crucial, instituições como a ONU e países com influência geopolítica relevante poderiam atuar de maneira coordenada para mediar o conflito, promovendo soluções baseadas em direitos humanos e respeito à diversidade religiosa. A experiência em Relações Internacionais mostra que
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 654 (Ciências Sociais) iniciativas de cooperação multilateral e diplomacia preventiva são essenciais para reduzir tensões, garantir proteção a civis e estabelecer caminhos para uma paz duradoura. 4 CONCLUSÃO Conclui-se que a manipulação religiosa contribui significativamente para a perpetuação do conflito Israel-Palestina, influenciando narrativas e comportamentos de diferentes gerações. A pesquisa evidenciou que interpretações éticas das tradições judaica e islâmica, aliadas ao diálogo inter-religioso e à diplomacia internacional, podem reduzir tensões e promover caminhos para a paz. Estudos futuros podem aprofundar a análise da influência religiosa em outros conflitos e seus impactos sobre crianças e jovens. 5. REFERÊNCIAS ALVES, Rubem. Aprendiz de mim: um bairro que virou escola. Campinas: Papirus, 2004. ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. (Original publicado em 1951) CBN News. Hamas Leader Praises Oct. 7 Atrocities as ‘Victory,’ Calls on Muslims to Join ‘Jihad of Swords’. 09 jan. 2024. Disponível em: https://www2.cbn.com/news/world/hamasleader-praises-oct-7-atrocities-victory-calls-muslims-join-jihad-swords GOV.IL. Statement by PM Netanyahu – 28 Oct 2023. Disponível em: https://www.gov.il/en/pages/statement-by-pm-netanyahu-28-oct2023?utm_source=chatgpt.com LAMY, Marcelo. A universalização dos Direitos Humanos e a especialidade do pensamento islâmico. NETANYAHU, Benjamin. Discurso após ataque de 7 de outubro. Haaretz, Jerusalém, 28 out. 2023. Disponível em: <link>. NETANYAHU, Benjamin. Entrevista à i24NEWS. Tel Aviv, 15 ago. 2025. Disponível em: https://www.i24news.tv/ ORGANIZATION OF THE ISLAMIC CONFERENCE. The Cairo Declaration on Human Rights in Islam. Cairo, 1981. Disponível em: https://www.oic-oci.org PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO. Documentário.