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IMPACTO DO SONO E DO ESTRESSE NA SAÚDE CARDIOVASCULAR

Editora Saúde Vital

Abstract

Autores Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira pela PUC Minas, Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde pela UFMG, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica pela UNIARARAS, Graduanda em Medicina pela PUC Minas. Giovanna Marcusso Fontenla Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Vitória Silva Cordeiro Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá Goias Jhenifer Maria Rosa da Costa Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá Goias Laura Santiago de Matos Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina-PE Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Pará. Amanda Silva Aguiar Santos Graduando em Medicina pela Faculdade Zarns, Salvador-BA Evelyn Miranda de Freitas Graduando em Medicina pela Universidade de Rio Verde - Campus Goiânia

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3. IMPACTO DO SONO E DO ESTRESSE NA SAÚDE IMPACT OF SLEEP AND STRESS ON CARDIOVASCULAR HEALTH. EIXO TEMÁTICO: Prevenção e promoção da saúde cardiovascular Enfermeira pela PUC Minas, Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde pela UFMG, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica pela Email do autor: [email protected] RESUMO Introdução: Os distúrbios do sono e o estresse crônico são fatores modificáveis que impactam negativamente a saúde cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias e eventos cerebrovasculares, conforme evidenciado por estudos epidem iológicos e meta insônia, apneia obstrutiva do sono (AOS) e privação de sono afeta até 80% dos pacientes com doenças cardiovasculares (DCV), agravando inflamação, disfunção endotelial e ativação simpática. Objetivo: Analisar o impacto do sono e do estresse na saúde cardiovascular, identificando mecanismos fisiopatológicos, associações clínicas e estratégias preventivas baseadas em evidências científicas. literatura em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, abrangendo artigos publicados entre 2010 e 2025, com descritores como “distúrbios do sono”, “estresse”, “saúde cardiovascular” e equivalentes em inglês. Foram incluídos 15 artigos que aos critérios, publicados entre 2020 e 2025, totalizando 15 referências utilizadas nesta revisão. Os resultados evidenciam uma forte associação entre privação do sono, estresse crônico e risco cardiovascular, mediada por hiperatividade simpática, sistêmica e alterações hormonais. está associada a um risco 1,5 34 IMPACTO DO SONO E DO ESTRESSE NA SAÚDE CARDIOVASCULAR IMPACT OF SLEEP AND STRESS ON CARDIOVASCULAR HEALTH. EIXO TEMÁTICO: Prevenção e promoção da saúde cardiovascular Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira pela PUC Minas, Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde pela UFMG, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica pela UNIARARAS, Graduanda em Medicina Giovanna Marcusso Fontenla Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Vitória Silva Cordeiro Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá Goias Jhenifer Maria Rosa da Costa Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá G Laura Santiago de Matos Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Par Amanda Silva Aguiar Santos Graduando em Medicina pela Faculdade Zarns, Salvador Evelyn Miranda de Freitas Graduando em Medicina pela Universidade de Rio Verde mail do autor: [email protected] Os distúrbios do sono e o estresse crônico são fatores modificáveis que impactam negativamente a saúde cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias e eventos cerebrovasculares, conforme evidenciado por iológicos e meta - análises recentes. No contexto global, a prevalência de insônia, apneia obstrutiva do sono (AOS) e privação de sono afeta até 80% dos pacientes com doenças cardiovasculares (DCV), agravando inflamação, disfunção endotelial e ativação Analisar o impacto do sono e do estresse na saúde cardiovascular, identificando mecanismos fisiopatológicos, associações clínicas e estratégias preventivas baseadas em evidências científicas. Metodologia: Realizouse uma revisão integrativa literatura em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, abrangendo artigos publicados entre 2010 e 2025, com descritores como “distúrbios do sono”, “estresse”, “saúde cardiovascular” e equivalentes em inglês. Foram incluídos 15 artigos que aos critérios, publicados entre 2020 e 2025, totalizando 15 referências utilizadas nesta revisão. Os resultados evidenciam uma forte associação entre privação do sono, estresse crônico e risco cardiovascular, mediada por hiperatividade simpática, disfunção endotelial, inflamação sistêmica e alterações hormonais. Resultados e Discussão: Os resultados indicam que a AOS está associada a um risco 1,5 - 2 vezes maior de hipertensão resistente e mortalidade IMPACTO DO SONO E DO ESTRESSE NA SAÚDE IMPACT OF SLEEP AND STRESS ON CARDIOVASCULAR HEALTH. EIXO TEMÁTICO: Prevenção e promoção da saúde cardiovascular Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira pela PUC Minas, Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde pela UFMG, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica pela UNIARARAS, Graduanda em Medicina pela PUC Minas. Giovanna Marcusso Fontenla Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Vitória Silva Cordeiro Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá Goias Jhenifer Maria Rosa da Costa Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá G oias Laura Santiago de Matos Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina -PE Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Par á. Amanda Silva Aguiar Santos Graduando em Medicina pela Faculdade Zarns, Salvador -BA Evelyn Miranda de Freitas Graduando em Medicina pela Universidade de Rio Verde - Campus Goiânia Os distúrbios do sono e o estresse crônico são fatores modificáveis que impactam negativamente a saúde cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias e eventos cerebrovasculares, conforme evidenciado por análises recentes. No contexto global, a prevalência de insônia, apneia obstrutiva do sono (AOS) e privação de sono afeta até 80% dos pacientes com doenças cardiovasculares (DCV), agravando inflamação, disfunção endotelial e ativação Analisar o impacto do sono e do estresse na saúde cardiovascular, identificando mecanismos fisiopatológicos, associações clínicas e estratégias preventivas se uma revisão integrativa da literatura em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, abrangendo artigos publicados entre 2010 e 2025, com descritores como “distúrbios do sono”, “estresse”, “saúde cardiovascular” e equivalentes em inglês. Foram incluídos 15 artigos que atenderam aos critérios, publicados entre 2020 e 2025, totalizando 15 referências utilizadas nesta revisão. Os resultados evidenciam uma forte associação entre privação do sono, estresse crônico e disfunção endotelial, inflamação Os resultados indicam que a AOS 2 vezes maior de hipertensão resistente e mortalidade 35 cardiovascular, mediada por hipoxemia intermitente e estresse oxidativo. A insônia e a privação de sono (<6 horas/noite) correlacionam-se com inflamação sistêmica, resistência insulínica e maior incidência de DCV, enquanto o estresse crônico eleva cortisol e ativa o eixo simpático-adrenal, potenciando aterosclerose. Intervenções como terapia cognitivocomportamental para insônia e CPAP para AOS reduzem o risco cardiovascular em até 30%. Considerações Finais: A integração de avaliações do sono e manejo do estresse na atenção primária pode mitigar DCV, promovendo saúde integral; recomenda-se estudos longitudinais para validar intervenções em populações vulneráveis. Palavras-Chaves: Apnéia obstrutiva do sono; Estresse; Hipertensão; Saúde cardiovascular; Sono. ABSTRACT Objective: To analyze the relationship between sleep and stress in the development and prevention of cardiovascular diseases, highlighting the main pathophysiological mechanisms, clinical manifestations, and preventive strategies. Methodology: This is an integrative literature review carried out between 2020 and 2025 in the PubMed, SciELO, LILACS, and Google Scholar databases. The descriptors used were “sleep disorders”, “stress”, “cardiovascular health”, and their equivalents in Portuguese. Observational studies, systematic reviews, and meta-analyses in Portuguese and English were included. After applying the inclusion and exclusion criteria, 15 articles were selected for full analysis. Results: The studies analyzed show a strong association between sleep disorders and increased cardiovascular risk. Obstructive sleep apnea (OSA) increases the risk of resistant hypertension and cardiovascular mortality by 1.5 to 2 times, mediated by intermittent hypoxemia, oxidative stress, and endothelial dysfunction. Insomnia and chronic sleep deprivation (< 6 hours per night) are related to increased systemic inflammation, insulin resistance, and greater incidence of atherosclerotic disease. Chronic stress acts as an independent risk factor for cardiovascular events, promoting neuroendocrine imbalance through hyperactivation of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis and increased cortisol levels. Interventions such as continuous positive airway pressure (CPAP) for OSA, cognitivebehavioral therapy for insomnia, and stress management programs have shown a reduction of up to 30% in cardiovascular risk. Conclusion: The integration of sleep evaluation and stress control in primary health care may contribute to the prevention of cardiovascular diseases, promoting integral health and quality of life. Further longitudinal studies are needed to assess the impact of these interventions in vulnerable populations. Keywords: Apnea Obstructive Sleep; Cardiovascular Health; Hypertension; Sleep; Stress. INTRODUÇÃO A saúde cardiovascular é fortemente influenciada por fatores comportamentais e psicossociais, entre os quais se destacam o sono e o estresse. Evidências recentes apontam que 36 distúrbios do sono — incluindo privação, fragmentação, insônia e apneia obstrutiva — estão associados a maior incidência de hipertensão arterial, doença coronariana, arritmias e alterações metabólicas (Korostovtseva et al., 2021; Cash et al., 2021). Esses efeitos decorrem de mecanismos interligados, como hiperatividade simpática, disfunção endotelial, estresse oxidativo, inflamação sistêmica e desregulação hormonal, sobretudo do eixo hipotálamohipófise-adrenal (Jaspan et al., 2024). A abordagem contemporânea considera o sono um fenômeno multidimensional, em que não apenas a duração, mas também a qualidade, a regularidade e a sincronização circadiana exercem influência determinante sobre o sistema cardiovascular. Paralelamente, o estresse psicológico crônico desencadeia respostas neuroendócrinas e autonômicas que elevam catecolaminas e cortisol, promovendo alterações pressóricas, vasculares e metabólicas capazes de acelerar processos ateroscleróticos (Valtadoros et al., 2025). A coexistência de estresse elevado e privação de sono potencializa tais alterações, intensificando a vulnerabilidade cardiovascular e sugerindo um efeito aditivo ou sinérgico. Estudos nacionais e internacionais reforçam que a integração entre variáveis comportamentais, hormonais e inflamatórias constitui um caminho plausível para explicar a elevada carga de doença cardiovascular em populações expostas a turnos noturnos, uso excessivo de telas ou sobrecarga psicossocial (BJIHSc, 2023; Epitaya, 2024). À luz desse cenário, este capítulo apresenta uma revisão bibliográfica narrativa cujo objetivo é investigar de que forma a privação do sono e o estresse afetam a saúde cardiovascular. Para atingir esse objetivo, foram realizadas buscas sistemáticas nas bases PubMed, Google Acadêmico, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com descritores em português e inglês selecionados de acordo com os vocabulários DeCS/MeSH, contemplando publicações de 2020 a 2025. Ao sintetizar as principais evidências disponíveis, busca-se não apenas integrar os mecanismos fisiopatológicos e epidemiológicos descritos, mas também identificar lacunas na literatura e ressaltar a importância do sono e do manejo do estresse como fatores modificáveis para prevenção e manejo das doenças do aparelho circulatório, o que está alinhado aos objetivos centrais deste estudo. OBJETIVOS Objetivo Geral Investigar, por meio de revisão bibliográfica narrativa, a influência do sono e do 37 estresse sobre a saúde cardiovascular, enfatizando os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, os principais desfechos clínicos e as possibilidades de prevenção. Objetivos Específicos 1. Revisar a literatura científica recente acerca da associação entre a qualidade e a duração do sono e os desfechos cardiovasculares. 2. Identificar a relação entre o estresse crônico e os principais fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, inflamação sistêmica e disfunção endotelial. 3. Explorar a interação entre distúrbios do sono e estresse psicológico, discutindo seus efeitos sinérgicos sobre a ocorrência de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e outras complicações cardiovasculares. 4. Descrever os principais mecanismos fisiopatológicos que conectam o sono e o estresse às alterações cardiovasculares, incluindo hiperatividade simpática, disfunção endotelial e inflamação crônica. 5. Discutir a importância de integrar a avaliação da qualidade do sono e do estresse psicológico às práticas de rastreamento, prevenção e reabilitação cardiovascular. METODOLOGIA Este estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa, cujo objetivo é investigar de que forma a privação do sono e o estresse afetam a saúde cardiovascular. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores em português e inglês de acordo com os vocabulários DeCS/MeSH, entre eles: “Qualidade do Sono”, “Transtornos do Sono”, “Doenças Cardiovasculares”, “Estresse”, bem como suas correspondentes em inglês. Os critérios de inclusão definidos foram: trabalhos publicados nos últimos cinco anos (2020–2025), redigidos em português ou inglês, com acesso ao texto completo, e que apresentassem relação direta com a temática proposta. Foram considerados artigos científicos em periódicos e teses/dissertações disponíveis nas bases consultadas. Como critérios de exclusão, eliminaram-se estudos duplicados, resumos sem acesso ao texto integral, publicações em outros idiomas e trabalhos que não abordassem de forma relevante a interação entre sono, estresse e saúde cardiovascular. 38 A seleção do material seguiu um processo em três etapas: primeiramente, a triagem por títulos e resumos, visando identificar a pertinência dos estudos ao tema; em seguida, a leitura integral dos textos potencialmente elegíveis; dos 47 artigos encontrados e analisados na íntegra, apenas 15 estudos preencheram todos os critérios de inclusão e exclusão, com isso foram extraídos informações relevante sobre os mecanismo pelo quais o sono e estresse afetam a saúde cardiovascular. RESULTADOS E DISCUSSÃO A presente revisão narrativa analisou quinze estudos publicados entre 2020 e 2025 que investigaram a relação entre sono, estresse e saúde cardiovascular. Os achados confirmam que tanto a qualidade e a duração do sono quanto a presença de estresse psicológico crônico exercem papel determinante na gênese e progressão das doenças cardiovasculares. A seguir, são apresentados os principais resultados e sua interpretação à luz da literatura recente. As doenças cardiovasculares (DCV) permanecem como a principal causa de morbimortalidade em escala global, e embora o controle dos fatores de risco clássicos — como hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus e tabagismo — seja um pilar indispensável na sua prevenção, uma parcela significativa do risco residual permanece inexplicada. Este cenário impulsionou a investigação de outros determinantes que integram a complexa etiologia multifatorial das DCV. Nos últimos anos, o paradigma da saúde cardiovascular tem se expandido para além dos fatores puramente metabólicos, reconhecendo o protagonismo de fatores comportamentais e psicossociais. Dentre eles, a qualidade do sono e a exposição ao estresse crônico emergiram como dois dos mais potentes moduladores da homeostase vascular e cardíaca. Sono e risco cardiovascular Os estudos mais recentes reforçam de forma consistente que a privação e a fragmentação do sono estão associadas ao aumento da incidência de hipertensão arterial, doença coronariana, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias. Dean et al. (2023), em uma ampla coorte, identificaram que indivíduos com insônia diagnosticada ou com tempo de sono ≤ 5 horas por noite apresentaram risco significativamente maior de infarto agudo do 39 miocárdio (IAM) em comparação com aqueles que dormiam entre 6 e 8 horas. Esse estudo destaca a insônia como um fator de risco independente, comparável a determinantes clássicos como hipertensão arterial e tabagismo. Além disso, Deng et al. (2024), utilizando a metodologia de randomização mendeliana, observaram que a predisposição genética à insônia se associa a quase o dobro do risco de infarto do miocárdio, mesmo após ajuste para variáveis de confusão. O estudo revelou ainda que parte dessa associação é mediada por fatores comportamentais como tabagismo e obesidade, apontando para a existência de caminhos indiretos que amplificam o impacto da má qualidade do sono sobre o sistema cardiovascular. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção integradas, que abordem simultaneamente hábitos de sono, estilo de vida e controle de fatores de risco tradicionais. Outro aspecto relevante diz respeito à qualidade do sono. Wassif et al. (2025) demonstraram que a má qualidade do sono, avaliada por questionários validados, está fortemente associada a risco aumentado de doença isquêmica do coração e de AVC, independentemente da duração do sono. Esse resultado sugere que não apenas o número de horas dormidas, mas também a eficiência e a profundidade do sono devem ser considerados no monitoramento clínico. Assim, a avaliação da qualidade do sono deve integrar a prática assistencial de cardiologistas, clínicos e profissionais da atenção primária. Estresse e desfechos cardiovasculares No que tange ao estresse psicológico, estudos recentes evidenciam seu impacto deletério sobre o sistema cardiovascular. Vaccarino et al. (2025) destacam que o estresse crônico eleva a atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando em níveis persistentemente elevados de cortisol e catecolaminas. Esses mediadores bioquímicos induzem hipertensão sustentada, resistência insulínica e alterações no metabolismo lipídico, criando um ambiente propício ao desenvolvimento de aterosclerose. Honarvar et al. (2025), em revisão sistemática, reforçam que o chamado “estresse tóxico” está consistentemente associado ao aumento do risco de hipertensão, síndrome metabólica e eventos cardiovasculares maiores. Além do efeito direto, o estresse também afeta comportamentos de saúde, favorecendo padrões de sono irregulares, má alimentação, sedentarismo e maior consumo de substâncias como álcool e tabaco, configurando um ciclo vicioso que amplia a vulnerabilidade cardiovascular. 40 Interação entre sono e estresse Os achados desta revisão sugerem que a interação entre sono inadequado e estresse crônico não é meramente aditiva, mas pode exercer efeito sinérgico sobre a saúde cardiovascular. Dean et al. (2023) e Valtadoros et al. (2025) ressaltam que a coexistência de estresse elevado e privação de sono intensifica a disfunção autonômica, aumenta a inflamação sistêmica e acelera processos aterotrombóticos. Tal interação explica, em parte, a alta incidência de eventos cardiovasculares em populações submetidas a sobrecarga laboral, jornadas noturnas ou alta exposição a telas digitais, que reduzem a duração e a qualidade do sono e elevam o estresse psicossocial. Além disso, estudos como o de Chin et al. (2025) apontam que distúrbios do sono e da ritmicidade circadiana influenciam não apenas o risco de eventos agudos, mas também o prognóstico após um infarto. Pacientes com pior qualidade do sono no período pós-IAM apresentam maiores taxas de reinternação e menor recuperação funcional. Isso reforça a importância de incluir estratégias de manejo do sono e do estresse em protocolos de reabilitação cardiovascular. Mecanismos fisiopatológicos Os mecanismos que conectam sono, estresse e saúde cardiovascular incluem: 1. Hiperatividade simpática – caracterizada por aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da variabilidade reduzida da frequência cardíaca; 2. Disfunção endotelial – com redução da biodisponibilidade de óxido nítrico, prejudicando a vasodilatação; 3. Inflamação sistêmica – evidenciada por aumento de marcadores como proteína C reativa e interleucina-6 em indivíduos com distúrbios do sono ou alto estresse (Honarvar et al., 2025); 4. Desregulação hormonal – com elevação crônica de cortisol e catecolaminas, além de alterações em leptina e grelina, que modulam apetite e metabolismo energético (Valtadoros et al., 2025). Esses processos, quando persistentes, contribuem para remodelamento cardíaco, progressão de placas ateroscleróticas e maior suscetibilidade a arritmias ventriculares fatais. A literatura recente, portanto, converge para a ideia de que sono e estresse constituem 41 determinantes psicobiológicos centrais na saúde cardiovascular, ao lado de fatores clássicos como dieta, tabagismo e sedentarismo. Desta forma, a evidência consolidada demonstra que o sono inadequado (tanto em duração quanto em qualidade) e o estresse psicológico crônico transcendem a condição de fatores de risco secundários, posicionando-se como determinantes primários da saúde cardiovascular. Estudos robustos sustentam que a privação de sono e a insônia atuam como gatilhos independentes para eventos isquêmicos (Dean et al., 2023; Deng et al., 2024; Wassif et al., 2025), enquanto o estresse tóxico cria um ambiente bioquímico e comportamental que acelera a aterosclerose (Vaccarino et al., 2025; Honarvar et al., 2025). Crucialmente, a interação sinérgica entre ambos os fatores potencializa os danos por meio de mecanismos bem definidos, incluindo a hiperatividade simpática, a disfunção endotelial e a inflamação sistêmica de baixo grau, que, em conjunto, promovem a instabilidade vascular e o risco de eventos trombóticos agudos (Valtadoros et al., 2025; Chin et al., 2025). Em síntese, os achados mais recentes consolidam a compreensão de que o sono e o estresse atuam como fatores determinantes e modificáveis do risco cardiovascular. O corpo de evidências abordado neste capítulo demonstra não apenas associações epidemiológicas robustas, mas também mecanismos biológicos plausíveis que sustentam essas relações, indicando a necessidade de integrar a avaliação da qualidade do sono e dos níveis de estresse às práticas de rastreio e prevenção em saúde cardiovascular. CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente revisão narrativa evidencia que o sono inadequado e o estresse psicológico crônico configuram determinantes centrais da saúde cardiovascular, atuando de forma independente e sinérgica na gênese e progressão das doenças cardiovasculares. A coexistência de distúrbios do sono e níveis elevados de estresse potência a vulnerabilidade cardiovascular, manifestando-se em maior incidência de hipertensão arterial, doença coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias e infarto do miocárdio. Estudos demonstram que tanto a predisposição genética à insônia quanto a má qualidade do sono estão associadas a risco elevado de eventos cardiovasculares, enquanto o estresse crônico eleva os mediadores bioquímicos, favorece hábitos de vida prejudiciais e amplifica a vulnerabilidade do indivíduo. Os mecanismos fisiopatológicos subjacentes hiperatividade simpática, disfunção endotelial, inflamação sistêmica e desregulação hormonal fornecem explicações biológicas 42 consistentes para os efeitos observados, evidenciando a convergência entre achados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos. A interação sinérgica entre sono e estresse intensifica essas alterações, gerando um risco cardiovascular maior do que a soma de seus efeitos isolados. Tal constatação reforça a necessidade de abordagens preventivas integradas, que considerem fatores comportamentais, psicossociais e fisiológicos simultaneamente. Do ponto de vista clínico e de saúde pública, os achados destacam a importância de incorporar avaliações sistemáticas da qualidade do sono e do estresse nos protocolos de rastreamento cardiovascular, prevenção e reabilitação. Intervenções direcionadas à higiene do sono, manejo do estresse, práticas de relaxamento e estratégias de autocuidado psicológico demonstram potencial para reduzir a morbimortalidade cardiovascular, sobretudo em populações de maior vulnerabilidade social e ocupacional. A evidência científica sugere que tais medidas não apenas previnem eventos agudos, mas também modulam fatores de risco subclínicos, promovendo estabilidade cardiovascular e melhor qualidade de vida. Em síntese, o sono e o estresse transcendem a condição de fatores de risco secundários, configurando determinantes primários da saúde cardiovascular. Este estudo reforça a importância de um sistema de saúde multidisciplinar, que considere o indivíduo de forma integral, e evidencia a urgência de estratégias preventivas proativas e integradas. Ao consolidar evidências sobre os impactos fisiopatológicos e comportamentais de sono e estresse, o trabalho cumpre seu objetivo, fornecendo subsídios relevantes para políticas de saúde pública, práticas clínicas e futuras pesquisas em cardiologia preventiva. REFERÊNCIAS AMIN, K. D.; et al. A contemporary review of sleep and cardiovascular health. Sleep Medicine, v. 117, p. 49–58, 2024. ARANHA, E. M.; et al. Transtornos do sono e seu impacto na saúde metabólica e cardiovascular. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 9, p. 942– 951, 2025. CABRERA-GUZMÁN, J. C.; et al. Efectos de la calidad y cantidad de horas de sueño em pacientes com hipertensão arterial: Uma revisão narrativa. Revista del Cuerpo Médico del Hospital Nacional Almanzor Aguinaga Asenjo, v. 14, n. 4, 2021. CHIN, W. C.; et al. The prognostic significance of sleep and circadian rhythms. Journal of Medical Internet Research, v. 27, n. 1, e63897, 2025.