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REFLECTION ON THE IMPORTANCE OF INTERPERSONAL RELATIONSHIPS IN THE CLASSROOM IN LIGHT OF THE THEORY OF MULTIPLE INTELLIGENCES

Souza, Tatiane; Guimarães, Luana

Abstract

This article aims to analyze interpersonal relationship issues in schools, identifying them as one of the main factors contributing to the increase in reports of violence in the classroom. Reflection on this topic becomes even more relevant when considering the contributions of Howard Gardner’s Theory of Multiple Intelligences, which can offer a new perspective for addressing individual differences, promoting more harmonious coexistence, and consequently reducing conflicts and violence.

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____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 197 (Ciências Sociais) REFLEXÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO RELACIONAMENTOINTERPESSOALEMSALADEAULAÀ LUZ DA TEORIA DAS INTELIGENCIAS MÚLTIPLAS REFLECTION ON THE IMPORTANCE OF INTERPERSONAL RELATIONSHIPS IN THE CLASSROOM IN LIGHT OF THE THEORY OF MULTIPLE INTELLIGENCES Tatiane Marcia Félix de Souza e Luana Paixão Guimarães Universidade Santa Cecília,Curso Licenciatura em Pedagogia E-mail para contato: [email protected] RESUMO – Este artigo tem como objetivo analisar os problemas de relacionamento interpessoal nas escolas, identificando-os como um dos principais fatores para o aumento de notificações de violências em sala de aula. A reflexão sobre esse tema se torna ainda mais relevante quando consideramos as contribuições da Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que pode oferecer uma nova perspectiva para lidar com as diferenças individuais e promover uma convivência mais harmoniosa e, consequentemente, reduzir os conflitos e a violência. Palavras-chave: Teoria das Inteligências Múltiplas; violência escolar; relacionamento interpessoal; Interação social; Inteligência Emocional. ABSTRACT – This article aims to analyze interpersonal relationship issues in schools, identifying them as one of the main factors contributing to the increase in reports of violence in the classroom. Reflection on this topic becomes even more relevant when considering the contributions of Howard Gardner’s Theory of Multiple Intelligences, which can offer a new perspective for addressing individual differences, promoting more harmonious coexistence, and consequently reducing conflicts and violence. Keywords: Theory of Multiple Intelligences; school violence; interpersonal relationships; social interaction; emotional intelligence. ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 198 (Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO A violência nas escolas tem se tornado um tema de grande preocupação para educadores, gestores e famílias, devido a sua recorrência e os impactos negativos que causano processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, surgem debates sobre a importância do relacionamento interpessoal no ambiente escolar como estratégia fundamental para a construção de uma convivência pacífica e respeitosa. Devemos considerar o conceito de “inteligências” de Gardner como as “habilidades essenciais” que caracterizam a nossa espécie e que foram se desenvolvendo ao longo do tempo. De modo geral, possuímos cada uma delas em diferentes proporções, mas o que nos distingue é a forma como elas se organizam. Nenhuma inteligência se manifesta de forma específica no comportamento humano, pois cada atividade ou função envolve uma integração de várias inteligências. O grande desafio da educação, portanto, é descobrir as diferenças no perfil intelectual dos alunos e identificar estratégias para aprimorá-los [1]. Recentemente, o Ministério da Educação, em colaboração com outros órgãos públicos e a UNESCO, publicou o Primeiro Boletim Técnico 'Escola que Protege: Dados sobre Violências nas Escolas', coma intenção de expor as diferentes manifestações de violência que afetam as comunidades escolares. Entre 2013 e 2023, foram registradas 60.985 vítimas de violência interpessoal nas escolas, demonstrando a necessidade urgente de abordar e compreender essa questão. Este boletim visa, ainda, oferecer orientações para a implementação de políticas públicas e ações estratégicas voltadas para a prevenção e a resposta a esses desafios [2]. Diante dessa realidade, o objetivo deste estudo é analisar como a teoria das inteligências múltiplas, especialmente no que se refere à inteligência interpessoal, pode contribuir para a promoção de relações saudáveis no ambiente escolar e, consequentemente, para a redução da violência intraescolar. Para isso, serão analisadas produções acadêmicas e documentos que tratam sobre o relacionamento interpessoal e a aplicação pedagógica dessa teoria, com o intuito de refletir sobre práticas educativas mais eficazes e humanizadas. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Com base em Gil [3] esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa por meio de revisão bibliográfica, visando analisar e refletir sobre a aplicação da Teoria das Inteligências ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 199 (Ciências Sociais) Múltiplas no contexto educacional, com foco no desenvolvimento do relacionamento interpessoal e na prevenção da violência intraescolar. A pesquisa foi desenvolvida por meio da leitura e análise de livros, artigos científicos e documentos oficiais da educação brasileira, como o Boletim Técnico Escola que Protege, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e Base Nacional Comum Curricular. O levantamento bibliográfico concentrou-se em materiais devidamente publicados priorizando fontes acadêmicas atualizadas que abordam os seguintes eixos temáticos: Teoria das Inteligências Múltiplas (Howard Gardner), violência escolar, relacionamento interpessoal no ambiente educacional, Interação social e Inteligência emocional. A análise dos dados coletados foi feita de forma interpretativa e crítica, buscando estabelecer conexões entre os referenciais teóricos e a prática pedagógica, com foco nas observações que valorizam a inteligência interpessoal como ferramenta de promoção de um ambiente escolar mais pacífico. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO VIOLÊNCIA INTRAESCOLAR De acordo com Giordani, Seffner e Dell’Aglio [4], a violência no ambiente escolar tem se tornado uma questão social de grande relevância, assumindo um caráter sistemático e provocando efeitos no desenvolvimento tanto das vítimas quanto dos agressores. De acordo com o Boletim Técnico Escola que Protege, os casos de violência atendidos nos serviços públicos e privados de saúde devem ser obrigatoriamente registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Sinan, do SUS. Somente em 2023, 13.117 casos devítimas de violência interpessoal foram registrados nas escolas de todo o Brasil. Desses, 2.204 correspondem a violência autoprovocada (16,8%). Esse mesmo boletim revela a percepção dos professores nos dados coletados em 2021 pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), as situações apontadas com mais freqüência são: bullying (46%), discriminação (25,9%), depredação do patrimônio escolar (21,6%) e roubo ou furto (13,7%) [1]. As relações negativas e a falta de valorização da inteligência interpessoal no ambiente ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 200 (Ciências Sociais) escolar contribuem parao aumento da violência, pois impedem o desenvolvimento de empatia e cooperação. Embora fatores externos como desigualdade social, violência urbana e desestrutura familiar exerçam forte influência sobre a violência escolar, é importante reconhecer que a escola também possui responsabilidade e recursos internos para enfrentar essa realidade. A instituição de ensino, por meio de suas práticas pedagógicas, da gestão democrática e da promoção do diálogo, pode adotar estratégias voltadas para a construção de uma cultura de paz, criando espaços de escuta e valorizando a convivência ética. Assim, é possível afirmar que a escola não deve ser vista apenas como vítima do contexto violento, mas como agente ativa na mediação de conflitos e na transformação das relações interpessoais [5]. Questões como bullying, discriminação e até mesmo situações de violência autoprovocada, apontadas em dados da saúde, destacam a importância de umolhar atento para o cuidado socioemocional dos estudantes. ATEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS (IM) Gardner [6] descreve as 'inteligências' como um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais. Todos os indivíduos possuem, em maior ou menor grau, cada uma dessas habilidades, variando no nível de capacidade e na natureza da combinação entre elas. Ele acredita que sua teoria da inteligência é mais humana, pois está mais alinhada com os dados do comportamento humano, e faz uma crítica aos testes tradicionais de QI (Quociente de Inteligência), que valorizam principalmente as habilidades linguísticas e lógicas. Ateoria IM não se limita apenas ao raciocínio lógico ou ao desempenho acadêmico. Ela também envolve a habilidade de se adaptar ao ambiente, resolver problemas práticos e criar coisas que tenham valor dentro de um determinado ambiente e comunidade cultural. Para Smole, a teoria de Gardner pressupõe que: • Há mais de uma inteligência: ele inicialmente propôs sete, mas é possível que existam outras. • As inteligências podem ser estimuladas: o contexto social, a escola, a oportunidade de explorar e realizar atividades diferentes são fatores que podem interferir no desenvolvimento das inteligências. • As inteligências se combinam de forma única em cada pessoa: cada pessoa nasce com todas as inteligências que se desenvolverão durante sua vida, de modo único. ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 201 (Ciências Sociais) • Não há como padronizar: as combinações das inteligências são únicas, tal como as impressões digitais. (Smole, 1999, p. 9) [1]. Inicialmente, Gardner propôs sete tipos de inteligência: musical, cinestésica, lógicomatemática, linguística, espacial, interpessoal e intrapessoal. Posteriormente, novos estudos ampliaram essa abordagem, sugerindo a existência de outras inteligências e contribuindo para o aprofundamento da teoria. Dentre as inteligências propostas, destaca-se a inteligência interpessoal, que se refere à capacidade de compreender e interagir com outras pessoas, reconhecendo emoções, intenções, motivações e desejos. Para que uma criança possa desenvolver essa inteligência, é necessário que ela seja estimulada dentro e fora da escola para encontrar o potencial [8]. A inteligência interpessoal se baseia na capacidade de notar as diferenças entre as pessoas, como o humor, o temperamento, o que querem e o que pretendem. Quando desenvolvida, essa inteligência permite que um adulto perceba as intenções e desejos de outras pessoas, mesmo que elas os escondam [6]. Esta habilidade é um aspecto fundamental ligada à inteligência emocional. As pessoas com pratica emocional bem desenvolvida têm mais probabilidade de se sentirem satisfeitas e de serem eficientes em suas vidas, dominando os hábitos mentais que fomentam sua produtividade; as que não consegue exercer nenhum controle sobre sua vida emocional travam batalhas internas que sabotam a capacidade de concentração no trabalho e de lucidez de pensamento (Goleman, 2012, p. 60) [7] RELAÇÃO ENTRE TEORIA, PRÁTICA E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA A tradução da teoria das IM em práticas pedagógicas eficazes é fundamental para promover o desenvolvimento do relacionamento interpessoal no ambiente escolar. Nesse sentido, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil [9] destaca a importância de planejar situações educativas que permitam aos alunos desenvolver suas habilidades interpessoais: Muitas das pautas culturais e saberes socialmente constituídos são aprendidos por meio do contato direto ou indireto com atividades diversas, que ocorrem nas diferentes situações de convívio social das quais as crianças participam no âmbito familiar e cotidiano. Outras aprendizagens, no entanto, dependem de situações educativas criadas especialmente para que ocorram. O planejamento dessas situações envolve a seleção de conteúdos específicos a essas aprendizagens (MEC,p. 48) [9]. O Referencial também enfatiza que, embora as crianças desenvolvam suas capacidades ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 202 (Ciências Sociais) de maneira heterogênea, a educação tem por função criar condições para o desenvolvimento integral de todas as crianças, considerando, também, as possibilidades de aprendizagem que apresentam nas diferentes faixas etárias. Para que isso ocorra, faz-se necessário uma atuação que propicia o desenvolvimento de capacidades envolvendo aquelas de ordem física, afetiva, cognitiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social. A promoção de práticas pedagogias voltadas ao desenvolvimento interpessoal, como mediação deconflitos, projetos colaborativos e formação continuada dos docentes, pode reduzir significativamente os índices de violência intraescolar. A preocupação como desenvolvimento da inteligência interpessoal não é exclusivada Educação Infantil, mas sim um objetivo transversal e progressivo ao longo de toda a Educação Básica, conforme delineado pela BNCC [10]. As diretrizes curriculares para o Ensino Fundamental e Médio também reconhecem a importância de criar oportunidades para que os estudantes desenvolvam as habilidades necessárias para interagir de forma eficaz, compreender as emoções dos outros e construir relacionamentos saudáveis, consolidando a visão de que essa inteligência é fundamental para a formação de cidadãos plenos e para a construção de uma sociedade mais justa e colaborativa. Para que a escola consiga promover o desenvolvimento completo das capacidades dos alunos, utilizando como referência a teoria de Gardner, é fundamental que os professores entendam bem tanto os conceitos teóricos quanto as técnicas práticas dessa teoria e os utilizem em suas aulas. Diante disso, o professor precisa observa e identificar quais inteligências cada aluno possui e quais ele precisa desenvolver. Há uma necessidade de um planejamento diversificado e utilizações de metodologias ativas buscando ajudar na personalização do ensino e respeitando as diferenças individuais dos alunos. 4 CONCLUSÃO Podemos entender, portanto, que nas escolas, devido aos diversos problemas enfrentados na educação, é comum encontrarmos ambientes marcados por conflitos, pela falta de diálogo e por relações interpessoais fragilizadas, fatores que impactam diretamente o processo de aprendizagem e contribuem para o aumento da violência intraescolar. O estudo mostra que documentos oficiais abordam a importância do relacionamento interpessoal em sala de aula e aponta que a Teoria das Inteligências Múltiplas pode ser uma aliada importante na transformação desse cenário, desde que educadores e gestores entendam que cada aluno ____________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 203 (Ciências Sociais) tem habilidades diferentes, que podem ser desenvolvidas conforme suas necessidades. Agradeço à gestão da Universidade Santa Cecília por todo o apoio na realização deste trabalho. E deixo aqui a sugestão de que mais estudos sobre o tema sejam feitos, buscando novas formas de colocar essas ideias em prática no dia a dia da escola. 5 REFERÊNCIAS Smole, K.C.S. MúltiplasInteligências na PráticaEscolar.1999. Brasília:Ministério da Educação.SecretariadeEducaçãoaDistancia.Disponívelem <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002751.pdf>Acesso em 28/02/2025. Brasil. Ministério da Educação. 1º Boletim Técnico: Dados sobre Violências nas Escolas. 2023. Disponível em <https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-queprotege/BOLETIMdadossobreviolenciasnasescolas.pdf> . Acesso em: 25/02/2025. Gil, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas,2008. Giordani, Jaqueline Portella; SEFFNER, Fernando; DELL'AGLIO, Débora Dalbosco. Violência escolar: percepções de alunos e professores de uma escola pública. Psicologia Escolar e Educacional, v. 21, n. 1, p. 103-111, 2017. Abramovay, Miriam; RUA, Maria das Graças. Violências nas escolas. Brasília: UNESCO, 2003. Gardner, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. Goleman, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que define o que éser inteligente. 2. ed. p. 60. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. Conexia Educação. O que são inteligências múltiplas e como aprimorá-las na sala de aula. 2020. Disponível em: <https://blog.conexia.com.br/inteligencias-multiplas/>. Acesso em: 09 abr. 2025. Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998. v. 1. Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF:MEC, 2017. Disponível em: https://bncc.mec.gov.br/. Acesso em: 09 abr. 2025.