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ORGAN DONATION: NURSING TEAM ASSISTANCE TO THE BEREAVED FAMILY

Araujo, Rebeca; Silva, Amanda; Guerra, Luana; Martins, Thaís; Renó, Bruna

Abstract

Organ donation is a complex process that involves technical, ethical, and emotional aspects, requiring nurses to be prepared to support grieving families. This study, based on a narrative literature review, aimed to analyze the importance of nursing care in approaching families, highlighting communication strategies, humanization, and maintenance of the potential donor. The methodology included the selection of articles from national and international databases published between 2010 and 2025. Results showed that nurses play a key role in reducing family refusals, fostering trust, and ensuring the viability of organs. It is concluded that qualified and empathetic nursing practice strengthens the donation process and increases the chances of successful transplants.

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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 360 (Ciências Biológicas e da Saúde) DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: A ASSISTÊNCIA DA EQUIPEDE ENFERMAGEM À FAMÍLIA ENLUTADA ORGAN DONATION: NURSING TEAM ASSISTANCE TO THE BEREAVED FAMILY Rebeca Reinberg Araujo, Amanda Batista da Silva, Luana Souza Guerra, Thaís Gonçalves Martins, Bruna Feichas Renó Universidade Santa Cecília, Faculdade de Enfermagem, Curso de Enfermagem E-mail para contato: [email protected] RESUMO - A doação de órgãos é um processo complexo que envolve aspectos técnicos, éticos e emocionais, exigindo da equipe de enfermagem preparo para acolher famílias enlutadas. Este estudo, de revisão narrativa da literatura, teve como objetivo analisar a importância da assistência de enfermagem na abordagem às famílias, destacando estratégias de comunicação, humanização e manutenção do potencial doador. A metodologia incluiu a seleção de artigos em bases nacionais e internacionais entre 2010 e 2025. Os resultados evidenciaram que o enfermeiro é peça-chave para reduzir recusas familiares, promover confiança e assegurar a viabilidade dos órgãos. Conclui-se que a atuação qualificada e empática da enfermagem fortalece o processo de doação e amplia as chances de sucesso nos transplantes. Palavras chave: Doação de órgãos; Assistência de enfermagem; Família enlutada; Morte encefálica; Humanização do cuidado. ABSTRACT - Organ donation is a complex process that involves technical, ethical, and emotional aspects, requiring nurses to be prepared to support grieving families. This study, based on a narrative literature review, aimed to analyze the importance of nursing care in approaching families, highlighting communication strategies, humanization, and maintenance of the potential donor. The methodology included the selection of articles from national and international databases published between 2010 and 2025. Results showed that nurses play a key role in reducing family refusals, fostering trust, and ensuring the viability of organs. It is concluded that qualified and empathetic nursing practice strengthens the donation process and increases the chances of successful transplants. Keywords: organ donation; nursing care; grieving family; brain death; humanized care. __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 361 (Ciências Biológicas e da Saúde) 1 INTRODUÇÃO Em 2021, foram realizados 144.302 transplantes de órgãos sólidos no mundo, dos quais 38% foram renais e 23% hepáticos, com os Estados Unidos, Espanha e França liderando o ranking, respectivamente. (ODEQUS, 2014). Atualmente, o Brasil registra um total de 62.347 indivíduos aguardando por procedimentos de transplante. Essa lista engloba pessoas de ambos os sexos, com idades variando de 0 a mais de 65 anos, residentes em todos os estados do país. (ABTO, 2024). O Brasil dispõe do maior programa público de transplantes do mundo com aumento expressivo do número de transplantes. Embora ainda insuficiente, a taxa obtida é de 5,4 doadores por milhão de habitantes/ano. (Moraes EL, 2009) A doação de órgãos para transplante é considerada um ato caridoso no âmbito moral e espiritual. O processo permite a retirada de órgãos visando restabelecer a hemodinâmica e melhorar a qualidade de vida de quem os recebe. O implante do órgão ou tecido doado no receptor é realizado por meio de um procedimento cirúrgico chamado transplante. O transplante, portanto, depende da doação, que somente ocorre mediante autorização expressa da família. (Brasil. Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997). O processo de doação inclui a identificação de um potencial doador e da adequação médica, a obtenção do consentimento e, finalmente, a realização da cirurgia de doação (Johnsson & Tufvesson, 2001) No cenário brasileiro, o desafio é agravado pelas altas taxas de negativa familiar, frequentemente relacionadas a lacunas no processo de assistência e comunicação (SANTOS et al., 2017). Nesse contexto, o momento da morte encefálica representa uma interseção crítica entre o luto familiar e a potencialidade da doação. É um período de intensa vulnerabilidade emocional para a família, que deve compreender e aceitar um conceito complexo de morte enquanto é confrontada com a decisão sobre a doação de órgãos de seu ente querido (NOMADATO, 2020; SILVA et al., 2024). A equipe de enfermagem, por sua presença contínua e integral, posiciona-se como o elo fundamental neste processo, sendo responsável não apenas pelos cuidados técnicos especializados para a manutenção da viabilidade dos órgãos do potencial doador (CAVALCANTE et al., 2014), mas, sobretudo, pelo acolhimento e suporte emocional à família enlutada (COFEN, 2024). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 362 (Ciências Biológicas e da Saúde) A abordagem familiar para o consentimento da doação é um momento de extrema delicadeza, onde estratégias de comunicação empática são determinantes (CLINTON, 2025). Contudo, os enfermeiros enfrentam desafios complexos que permeiam essa atuação, incluindo dilemas éticos, sobrecarga emocional, além de barreiras impostas por diversidades culturais e religiosas, sentindo-se, muitas vezes, despreparados para tal missão (ARÇÃO; KOMATSU, 2014; OLIVEIRA; FERNANDEZ, 2016). Diante desse cenário, evidencia-se a importância crucial da assistência de enfermagem para a humanização de todo o processo. A atuação qualificada do enfermeiro, notadamente daqueles em funções de coordenação ou com especialização, mostra-se como um fator potencialmente decisivo para o aumento das taxas de consentimento familiar e para o sucesso da viabilidade dos órgãos para transplante (MENDES et al., 2015). O presente estudo tem como objetivos analisar o papel do enfermeiro no processo de doação de órgãos e identificar as estratégias de comunicação eficazes para a abordagem familiar. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo consistiu em uma revisão narrativa da literatura, na qual o tema é abordado de maneira abrangente, por meio da seleção, análise crítica e síntese de publicações científicas relevantes. Para isso, foram consultadas bases de dados reconhecidos na área da saúde, visando à organização e interpretação dos principais achados da literatura sobre o assunto. Para a seleção das publicações, foram utilizadas as seguintes bases de dados: PubMed/MEDLINE, Scopus, SciELO, Web of Science, LILACS, Ministério da saúde, Cofen, Coren. As buscas foram realizadas entre julho e setembro de 2025. A estratégia de busca foi estruturada utilizando os seguintes descritores do MeSH/DeCS: doação de órgãos, assistência de enfermagem, morte encefálica, luto e desafios éticos. Foram combinados termos livres e descritores controlados para abranger um maior número de estudos relevantes. Os termos de busca utilizados foram combinados com o uso de operadores booleanos (and, or, not e “”). Os critérios de inclusão dos artigos, foram: a) Artigos completos publicados entre 2010 e 2025, b) Estudos em português, inglês e espanhol, c) Publicações revisadas por pares, d) Estudos que abordaram diretamente o tema proposto, e) Estudos de ensaios clínicos, ensaios randomizados, meta-análise, revisão e revisão sistemática. Os critérios de exclusão dos artigos, foram: a) Artigos duplicados entre as bases de dados, b) Estudos com metodologias inadequadas para a __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 363 (Ciências Biológicas e da Saúde) revisão, c) Trabalhos de opinião, editoriais e cartas ao editor, d) Livros e documentos, e) Biografias, entrevistas, palestras e notícias, f) Estudos não disponíveis na íntegra, g) Estudos experimentais com modelos animais. A seleção dos artigos foi realizada em três etapas: 1) Exclusão de artigos não enquadrados nos critérios, 2) Triagem por leitura dos títulos e resumos e 3) Leitura integral dos textos. A qualidade dos estudos foi avaliada considerando critérios como delineamento, validade e reprodutibilidade dos resultados. As informações extraídas dos estudos selecionados foram organizadas em uma planilha padronizada do Google Planilhas (Google Apps), contendo os seguintes dados: título do artigo, autores, ano de publicação, objetivo do estudo e principais achados. Os artigos foram categorizados conforme os principais tópicos abordados. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A revisão narrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus, SciELO, Web of Science, LILACS, Ministério da Saúde, COFEN e COREN, resultou na seleção de estudos que abordam a assistência de enfermagem no processo de doação de órgãos. A análise dos artigos revelou três eixos temáticos principais: o papel da enfermagem na abordagem à família enlutada, os desafios e dificuldades enfrentados pela equipe de enfermagem e as boas práticas e estratégias de cuidado para otimizar o processo de doação. As descobertas indicam que o enfermeiro exerce um papel central e complexo. Na abordagem à família, sua presença contínua e a capacidade de fornecer suporte emocional e informações claras são cruciais. Estudos analisados (Johnsson & Tufvesson, 2001; Mattia AL, 2010; Cavalcante et al., 2014) demonstram que a proximidade da equipe de enfermagem com os familiares facilita a compreensão da morte encefálica e a tomada de decisão sobre a doação. O acolhimento humanizado, a escuta ativa e o respeito ao tempo de luto são estratégias que se mostraram diretamente relacionadas à diminuição das taxas de recusa familiar (Moraes EL, 2014; Batista, 2018). Contudo, os resultados também evidenciam os desafios significativos enfrentados por esses profissionais. A carência de conhecimento sobre a morte encefálica por parte da população e dos próprios profissionais, somada a fatores culturais e religiosos, a dilemas éticos e à sobrecarga emocional, contribui para a negativa da doação (Araújo, M.N., 2014; Rosário EN et al., 2013). A falta de preparo para comunicar más notícias é uma barreira adicional, impactando a confiança da família e aumentando as taxas de recusa (ABTO, 2022). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 364 (Ciências Biológicas e da Saúde) Para superar esses obstáculos, os estudos apontam a importância de boas práticas e estratégias de cuidado. A implementação de protocolos institucionais, a capacitação constante da equipe em comunicação e suporte ao luto, e o fortalecimento de políticas públicas de sensibilização e educação são medidas que se destacam como essenciais para o aumento dos índices de consentimento. A literatura aponta que a atuação de enfermeiros especializados ou em funções de coordenação pode ser um fator decisivo para o sucesso do processo (Karina Dal Sasso Mendes, 2012; Oliveira e Fernandez, 2016). A análise dos resultados desta revisão corrobora o que já é amplamente discutido na literatura científica: o papel do enfermeiro no processo de doação de órgãos vai além do cuidado técnico. Nossas descobertas reforçam a necessidade de um cuidado holístico, que une a manutenção da viabilidade do potencial doador com o suporte emocional e humanizado à família. A capacidade de acolher o luto familiar, como apontado por Silva et al. (2024), é um diferencial que, embora fundamental, é frequentemente subestimado ou negligenciado em virtude dos desafios práticos e emocionais enfrentados pela equipe de saúde. A alta taxa de negativa familiar no Brasil, mencionada por Santos et al. (2017), é um problema complexo, e nossos resultados indicam que o preparo da equipe de enfermagem para a comunicação é um dos pilares para sua resolução. As dificuldades éticas e emocionais, como as descritas por Araújo (2014) e Oliveira e Fernandez (2016), demonstram que o enfermeiro precisa de um suporte institucional robusto. A falta de conhecimento sobre morte encefálica, tanto da família quanto dos profissionais, e as barreiras culturais e religiosas, corroboram os achados de Rosário et al. (2013) e Pessoa et al. (2013), indicando que a educação contínua da equipe e da população é um fator crítico para a eficácia do processo. A aplicação de boas práticas, como as sugeridas por Karina Dal Sasso Mendes (2012) e a ABTO (2022), emerge como uma solução promissora. A implementação de protocolos, a qualificação profissional em comunicação de más notícias e a escuta ativa são estratégias que, de acordo com os estudos revisados, podem humanizar o processo e impactar positivamente as taxas de consentimento. Essa perspectiva se alinha ao Manual de Doação de Transplantes da ABTO, que enfatiza a importância de políticas de sensibilização e educação da população. Assim, os achados desta revisão reforçam a importância de uma abordagem integrada, onde o apoio institucional, a capacitação profissional e a humanização do cuidado se articulam para superar os desafios do processo de doação e garantir um desfecho positivo. __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 365 (Ciências Biológicas e da Saúde) 4 CONCLUSÃO O presente estudo teve como objetivo analisar a importância da assistência de enfermagem no acolhimento de famílias para a doação de órgãos, destacando seus desafios e estratégias. Os resultados obtidos nesta revisão de literatura evidenciaram que a atuação do enfermeiro é crucial para o sucesso do processo de doação, pois vai além das responsabilidades técnicas, englobando o suporte emocional e a comunicação humanizada com a família enlutada. Os principais achados revelaram que, embora a equipe de enfermagem enfrente desafios como o despreparo para lidar com o luto, dilemas éticos e barreiras culturais, a adoção de boas práticas, como a capacitação contínua, a implementação de protocolos e a comunicação empática, pode contribuir significativamente para o aumento das taxas de consentimento familiar. Agradecemos a todos os autores cujos trabalhos foram fundamentais para a realização desta pesquisa. Sugerem-se, para trabalhos futuros, a realização de estudos de campo que avaliem o impacto de programas de capacitação profissional no processo de doação de órgãos em hospitais brasileiros. 5 REFERÊNCIAS AMAZONAS, M. A. de M. et al. 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