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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 79 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) MICROPLÁSTICOS NA PRAIA DE SANTOS: FONTES DE POLUIÇÃO, CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS E POSSÍVEIS SOLUÇÕES DE COLETA MICROPLASTICS ON SANTOS BEACH: SOURCES OF POLLUTION, WASTE CHARACTERISTICS AND POSSIBLE COLLECTION SOLUTIONS Ana Rafaela da Fonseca Martinez, Julia Lopez Guimarães, Lara de Jesus Barbosa dos Santos, Mariana Simões Garcia (orientadora), Luara Spinola (orientadora), Hillary Sousa de Araújo (orientadora) Colégio Novo Tempo, Ensino Médio E-mail para contato: [email protected] RESUMO – A pesquisa focou na poluição plástica nas praias de Santos, especialmente nos microplásticos nas áreas do Emissário Submarino, Canal 04 e Ponta da Praia. Estima-se que cerca de 60 toneladas de resíduos sólidos, predominantemente plásticos, são despejadas no mar diariamente, com aumentos durante feriados. O estudo mapeou e caracterizou microplásticos, coletando partículas menores que 5 mm e classificando-as em seis categorias. Foram realizadas entrevistas com especialistas do Instituto do Mar, Unifesp, para entender as fontes e impactos dos microplásticos. Além do experimento com o peixe Danio rerio que investigou como a presença de microplásticos afeta a saúde e comportamento dos animais marinhos. Para mitigar a poluição, propôs-se o uso de barcos de coleta de lixo e ação de conscientização. Palavras-chave: Microplástico; Santos; Lixo nas Praias. ABSTRACT – The research focused on plastic pollution on Santos' beaches, particularly microplastics in the areas of the Submarine Outfall, Canal 04, and Ponta da Praia. It is estimated that approximately 60 tons of solid waste, predominantly plastic, are dumped into the sea daily, with increases during holidays. The study mapped and characterized microplastics, collecting particles smaller than 5 mm and classifying them into six categories. Interviews were conducted with experts from the Instituto do Mar (Unifesp) to understand the sources and impacts of microplastics. In addition, an experiment with the Danio rerio fish investigated how the presence of microplastics affects the health and behavior of marine animals. To mitigate pollution, the use of garbage collection boats and awareness-raising initiatives were proposed. Keywords: Microplastic; Saints; Trash on the Beaches.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 80 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO Segundo pesquisas recentes, as praias arenosas são um dos ambientes marinhos mais impactados por microplásticos, pois as partículas tendem a acumular após encalharem ao serem trazidas pelo mar (SILVA, 2016). Vaítsa Maciel Haratsaris, realizou sua pesquisa de mestrado em 2018, pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, e pesquisou o microplástico em 37 praias de 13 municípios ao longo do litoral paulista, sudeste do Brasil. E identificou que a Baixada Santista obteve a maior deposição dos “pellets” e a concentração dos PCBs (1,3 –5.112 ng g-1) e DDTs (14,1 – 1.214 ng g-1), isso porque é onde se localiza o maior complexo industrial do país e o maior porto da América Latina, seguido do litoral norte não industrializado e o litoral sul com atividade pesqueira. Santos é um município localizado no litoral do estado de São Paulo, o qual é conhecido usualmente pelo seu porto. Por ter vários efeitos para o desenvolvimento do capitalismo no mundo, acabou ocupando a 5ª colocação entre as não capitais mais importantes para a economia brasileira. E mais um dos motivos para que a cidade seja popularmente conhecida são pelas famosas praias com sete quilômetros de extensão, dividida em canais. Um estudo divulgado no Jornal Estadão (GIRARDI, 2020) revela que, por dia, a cidade de Santos despeja no mar cerca de 60 toneladas de resíduos sólidos - sendo 85% materiais plásticos. As principais fontes de vazamento são: comunidades nas áreas de palafitas; os canais de drenagem que atravessam a malha urbana e a própria orla da praia em sua faixa de areia. Esses são os resultados de um projeto feito no mundo de prevenção e combate à poluição marinha desenvolvido pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE). Esses números aumentam muito em feriados e datas festivas. Como é o caso do feriado de 7 de setembro que, em 2020, foram mais de 400 toneladas de lixo foram recolhidas (G1 SANTOS, 2020). Contudo, apesar das limpezas públicas, as praias de Santos constantemente encontramse em condições impróprias, conforme relatórios periodicamente divulgados pela CETESB (2020). A ocorrência de lixo na praia de Santos justifica a importância desta pesquisa, que pretende compreender estes números que se tornam cada dia mais problemáticos, com especial atenção ao microplástico.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 81 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) O lixo deixado na praia, que não é retirado, causa problemas ambientais e prejuízos econômicos até para os próprios banhistas. A pesquisa parte da pergunta central para compreender de que forma a distribuição dos microplásticos em diferentes áreas da praia de Santos está associada a fontes específicas de poluição marinha, e como suas características físicas (tipo, cor, tamanho e deterioração) refletem os padrões de acúmulo e transporte de resíduos. Com a intenção de acompanhar as publicações OCS e o Manual Perdas Zero de Pellets, lançado pela Plastivida (2018), que manifestam a intenção de reduzir a quantidade de pellets plásticos perdidos acidentalmente para o meio ambiente, ressalta-se que a preocupação é grande dessas instituições relativamente ao assunto, para as instalações industriais e outros locais (PLASTIVIDA, 2018 apud de Pontes Junior, 2022, p.17). Além disso, o projeto inclui um experimento com peixes-zebra (Danio rerio), utilizado como organismo-modelo para avaliar os possíveis impactos dos microplásticos na biota aquática. Por meio da exposição controlada a diferentes concentrações e tipos de microplásticos coletados nas praias, busca-se compreender não apenas os padrões de contaminação ambiental, mas também os potenciais efeitos tóxicos e fisiológicos desses resíduos nos organismos vivos, ampliando a relevância ecológica e científica do estudo. 2 MATERIAIS E MÉTODOS O procedimento metodológico adotado teve como finalidade quantificar a presença de microplásticos na camada superficial de sedimentos da praia de Santos. A abordagem foi inspirada no estudo de Mara Fisner, “Grânulos plásticos em praias arenosas: avaliação de um método amostral quantitativo e da contaminação química” (2012), defendido no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, que oferece diretrizes consolidadas para amostragens costeiras. As coletas ocorreram em três setores distintos da enseada — dois nas extremidades e um na região central — selecionados por apresentarem variações no uso e na ocupação da orla. A escolha da área foi sustentada pelo trabalho de Pablo Pena Gandara e Silva, que descreve como a intensa urbanização, a presença de atividades portuárias e a utilização turística favorecem a acumulação de resíduos na baía de Santos (YU et al., 2016 apud SILVA, 2016, p.13).
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 82 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) As campanhas de campo foram realizadas em setembro e outubro de 2024. A localização dos pontos amostrais está apresentada na Figura 01. Complementarmente, para investigar potenciais impactos ambientais, foi implementado um ensaio laboratorial com peixes-zebra (Danio rerio). Amostras de microplásticos recolhidas na praia foram classificadas conforme dimensões, tonalidades, composição e estado físico, sendo posteriormente utilizadas na preparação das soluções experimentais. Os organismos foram expostos a diferentes concentrações de partículas sob condições controladas, respeitando protocolos éticos vigentes. Durante o período experimental, foram monitoradas possíveis alterações comportamentais, fisiológicas e estruturais, possibilitando relacionar a variabilidade dos resíduos com respostas biológicas mensuráveis. Essa etapa permitiu integrar informações ambientais e laboratoriais, fornecendo uma perspectiva mais ampla sobre a problemática. Os três pontos de coleta do estudo foram escolhidos. Sendo um deles, ao lado do Emissário Submarino, no limite entre os municípios de Santos e São Vicente. O outro, no meio da praia, próximo ao canal 04, do lado do canal 05. E no final da areia da praia na Ponta da Praia, canal 06. O procedimento amostral para escavação do sedimento e obtenção dos grânulos plásticos seguiu as etapas abaixo: 1) Escavação da areia, com pequenas pás e armazenamento em baldes plásticos. 2) Peneira e espátula para selecionar o microplástico do conteúdo coletado no balde. 3) Foi considerado “microplástico”, abaixo de 5mm. Para que os estudos possam ser comparáveis, a definição de microplástico foi trazida da pesquisa de Fisner (2012, p.03), sendo partículas de pequeno tamanho (< 1 mm), como as fibras plásticas, e também os grânulos (< 5 mm de diâmetro). No laboratório da escola, foram separados os microplásticos e seus diversos tipos, como: pellets, fragmento etc.. 4) Caracterização dos microplásticos Os resíduos plásticos com dimensões inferiores a 5 milímetros foram selecionados utilizando um paquímetro, de acordo com a classificação de microplásticos amplamente aceita pela comunidade científica (e.g., GESAMP, 2019; Corrêa et al., 2020). Após a seleção, as
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 83 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) partículas foram classificadas em seis categorias distintas: pellets, fragmentos plásticos, isopor, fibras, filme e espuma. 5) A análise das cores foi realizada com base na tabela universal de combinações de RGB (Red/Green/Blue) descrita por Manzano (2009). O grau de desgaste superficial foi analisado por meio de um microscópio estereoscópico, sendo categorizado em cinco níveis de deterioração, com intervalos de 20% (0-20%, 20-40%, 40-60%, 60-80% e 80-100%). Na Figura 05 abaixo as etapas realizadas para categorização do microplástico coletado na praia. Enquanto o processo era realizado, o conteúdo coletado foi conservado em potes de vidro em um cooler com gelo. A pesquisa também incluiu entrevistas com roteiro semiestruturado com três especialistas do Instituto do Mar, Unifesp, para aprofundar o entendimento sobre as fontes e os impactos dos microplásticos. E, como medida de mitigação, além de ações de conscientização, o estudo propôs o uso de barcos de coleta de lixo, identificado como uma solução prática para remover detritos do mar, reduzir a poluição e contribuir para a preservação do ecossistema marinho e a qualidade ambiental das praias. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1. O Impacto do Lixo no Mar de Santos A cidade que encanta com suas praias e seu porto movimentado, enfrenta um problema sério: a poluição marinha causada pelo descarte inadequado de resíduos, especialmente aqueles gerados pela Sabesp, a companhia de saneamento básico do estado de São Paulo. Essa situação não apenas compromete a beleza natural da região, mas também afeta a saúde dos ecossistemas marinhos e a qualidade de vida dos moradores. O descarte inadequado de esgoto e resíduos sólidos é uma das principais causas da poluição nas águas santistas. Apesar dos esforços da Sabesp para melhorar a infraestrutura de saneamento, ainda existem falhas que resultam em despejo de efluentes não tratados no mar. Segundo um relatório do Instituto Trata Brasil, a falta de tratamento eficiente do esgoto contribui para a contaminação das águas, prejudicando a vida marinha e tornando algumas áreas impróprias para banho. Isso gera um ciclo vicioso de degradação ambiental, que pode levar à extinção de espécies e à deterioração da qualidade de vida dos cidadãos.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 84 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) Além disso, o Porto de Santos, um dos maiores e mais importantes do Brasil, também desempenha um papel significativo na questão da poluição. A movimentação intensa de cargas e o descarte de resíduos industriais, quando não geridos adequadamente, podem resultar em contaminação das águas. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) têm trabalhado para implementar medidas de controle e fiscalização, mas a colaboração entre autoridades, empresas e a população é fundamental para garantir um futuro mais sustentável. 3.2. Análise de Resultados Os resultados foram planilhados por local coletado, conforme Tabela 1, Tabela 2 e Tabela 3. Tabela 01 - Microplásticos encontrados no Emissário Submarino Pellets Isopor Fibras Filmes Espuma Fragmentos Quantidade 21 29 4 7 11 87 Fonte: autoria própria, 2024 Tabela 02 - Microplásticos encontrados no Canal 04 Pellets Isopor Fibras Filmes Espuma Fragmentos Quantidade 8 8 2 0 0 0 Fonte: autoria própria, 2024 Tabela 03 - Microplásticos encontrados na Ponta da Praia Pellets Isopor Fibras Filmes Espuma Fragmentos Quantidade 4 0 6 10 0 37 Fonte: autoria própria, 2024 Do total de microplásticos coletados, os mais encontrados foram os pellets. Os pellets são geralmente pequenos grânulos com a forma de um cilindro ou disco com diâmetro de poucos milímetros, que são descartadas no ambiente acidentalmente tanto durante sua manufatura como pelo transporte por navios e a utilização em atividades portuárias (ANDRADY, 2011 apud SILVA, 2016, p.11). Os grânulos de plástico são resistentes e servem como veículos de compostos químicos e se distribuem facilmente no oceano e nas praias. As propriedades dos “pellets” auxiliam sua permanência na superfície do oceano como baixa densidade e durabilidade, evidenciando lenta degradação e resistência ao intemperismo. Eles são amplamente distribuídos nos oceanos e são encontrados em praias arenosas e à
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 85 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) superfície da água, mesmo em áreas onde eles não foram produzidos (Pozo et al., 2009 apud Haratsaris, 2018, p.03). Para verificar a caracterização morfológica do microplástico coletado foi feito uma primeira seleção conforme o tamanho do item, a cor e a forma. A forma foi categorizada de acordo com 8 tipos, seguindo as seguintes características: esférica, esférica achatada, cilíndrica, cilíndrica achatada, cúbica, retangular, retangular achatada e disforme (Manzano, 2009). A análise da cor está em código, com base na tabela universal das 256 combinações de RGB (Red/Green/Blue) - Figura 06 abaixo. Figura 06 - Parte da Tabela Universal das 256 combinações de RGB Fonte: Manzano, 2009 Nas extremidades da praia, Emissário Submarino e Ponta da Praia, próxima de áreas portuárias e industriais, encontrou-se o maior número de grânulos em relação às praias, de todos os tamanhos. O Emissário Submarino possui uma tubulação, utilizada pela Sabesp, para lançamento de esgotos sanitários em alto-mar, cerca de 4 quilômetros da baía. E, de acordo com as informações divulgadas publicamente pela Sabesp (2024), o esgoto só é despachado após passar por tratamento, quando ocorre a remoção de poluentes, aproveitando a elevada capacidade bactericida e de autodepuração das águas marinhas. 3.3 ENTREVISTA Foi feita uma pesquisa qualitativa, através de uma entrevista com os pesquisadores do Instituto do Mar da UNIFESP: Letícia Fernanda da Silva, Caio Rodrigues Nobre, Caio Cesar Achiles do Prado. A entrevista aconteceu no dia 07 de outubro de 2024, de forma presencial. Foram feitos diversos registros do momento da entrevista - Figuras 07.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 86 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) Figura 07 - Entrevista com pesquisadores do Instituto do Mar Fonte: autoria própria, 2024 Abaixo seguem as principais informações recebidas na entrevista. P: Pode ser gravada a entrevista? R: Pode. P: Como os microplásticos afetam a vida marinha na cidade de Santos? R: De diversas maneiras. Ele pode afetar na reprodução, afetar no caso de disfunções fisiológicas, alterar o sistema de defesa - deixando mais suscetíveis a doenças, trazer outros contaminantes - sem ser o plástico. O microplástico causa uma série de problemas que vão além da presença dele no ambiente. Eles podem alterar a flora intestinal dos bichos, que traz outros desdobramentos. Por exemplo: em Ostras, a parte de abrir e fechar da concha é muito importante para ela se alimentar e para fugir de predadores, entre outras coisas. Pode trazer outros animais invasores, que vem flutuando nesse microplástico. Então, tem uma série de riscos que podem ser trazidos para vida marinha, de uma maneira geral. O microplástico é como se fosse uma esponjinha, ele tem uma estrutura toda porosa. Se você olhar no microscópio, vai ver. Sabe aquela esponja de banho? É parecido. Então, por exemplo, outras substâncias como drogas ilícitas e medicamentos/fármacos grudam nesse plástico e o plástico leva para onde não tem contaminação e afeta os bichos também que vivem ali. P: Quais são as possíveis fontes de microplástico no ambiente marinho de Santos?
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 87 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) R: Vários. A gente pode ter microplástico no Emissário Submarino. Lá é uma das principais fontes, porque a Sabesp só faz um tratamento primário. Pode encontrar, aquela haste do cotonete, por exemplo, acaba passando; o esfoliante, que tem na composição o microplástico; as máquinas de lavar roupa também despejam microplástico. E tudo sai no nosso Emissário Submarino de Santos. Também tem o Porto, que é o maior exportador de plástico de São Paulo. E a atmosfera, também. A gente está o tempo todo inalando microplástico, principalmente fibra. Então, tem na água, na terra e no ar. Está em todo lugar, infelizmente! P: A gente na pesquisa achou bastante pellets. R: Aqui é um dos maiores Portos que exportam plásticos e por isso a gente tem bastante pellets. P: Qual é a extensão da contaminação por microplástico nas praias de Santos? R: É uma área muito contaminada. Segundo os estudos dos nossos colegas, aqui é um dos maiores pontos de contaminação do mundo. Eles abriram o mexilhão e encontraram a maior contaminação do mundo, comparado, inclusive, com a China e o México. Santos apresentou escalas maiores. Muito por conta disso, Santos lança no Emissário sem tratamento, tem o Porto e o turismo, e as palafitas que descartam diretamente no manguezal. E a maré leva todo esse lixo. Então é uma área muito contaminada de microplástico. É difícil você não encontrar. A gente está fazendo uma pesquisa e em um litro de água coletadas no Emissário Submarino, encontramos 700 microplásticos - no local que é lançado diretamente. P: No Emissário foi onde a gente também encontrou a maior quantidade de pellets. R: Mas na nossa pesquisa, a gente foi lá no mar, na boca mesmo, onde sai a água da Sabesp. 3.4. Microplásticos no Mar de Santos: Um Problema Invisível, Mas Perigoso. O mar de Santos, um dos principais pontos turísticos e portos do Brasil, enfrenta um problema crescente e muitas vezes invisível: a contaminação por microplásticos. Essas pequenas partículas derivadas da degradação de plásticos maiores, produtos cosméticos e resíduos industriais ameaçam não apenas a vida marinha, mas também a saúde humana e a economia local. Diante disso, é fundamental entender como os microplásticos chegam ao oceano e quais são seus impactos diretos e indiretos na vida da população santista.