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CHALLENGES AND STRATEGIES IN THE PREVENTION OF CERVICAL CANCER

Silva, Giseli; Silva, Julia; Nascimento, Maria; Cerqueira, Eneida; Renó, Bruna

Abstract

Cervical cancer (CC) remains a major public health issue, with high morbidity and mortality rates, especially in developing countries. This study aimed to identify challenges and strategies for prevention, focusing on HPV vaccination and early screening. The literature review (2017–2024) showed that vaccination is effective in reducing infection and precursor lesions but faces limitations such as low coverage, misinformation, and sociocultural barriers. Cytological screening is also essential but presents issues of adherence, quality, and follow-up. Prevention requires public policies, educational campaigns, professional training, and expanded access to vaccines and exams

Full text

__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 771 (Ciências Biológicas e da Saúde) OS DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NA PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO UTERINO CHALLENGES AND STRATEGIES IN THE PREVENTION OF CERVICAL CANCER Giseli Vitória Araújo Silva, Julia Cordella Silva, Maria Eduarda Santos Nascimento, Eneida Tramontina Valente Cerqueira, Bruna Feichas Renó Universidade Santa Cecília, Faculdade de Enfermagem, Curso de Projeto Integrado E-mail para contato: julia.silvacorde[email protected] RESUMO – O câncer de colo uterino (CCU) ainda é um importante problema de saúde pública, com altas taxas de morbimortalidade, sobretudo em países em desenvolvimento. Este estudo buscou identificar desafios e estratégias de prevenção, com foco na vacinação contra o HPV e no rastreamento precoce. A revisão de literatura (2017-2024) mostrou que a vacinação é eficaz na redução da infecção e lesões precursoras, mas enfrenta limitações como baixa cobertura, desinformação e barreiras socioculturais. O rastreamento citopatológico também é essencial, embora apresente problemas de adesão, qualidade e acompanhamento. Conclui-se que a prevenção requer políticas públicas, campanhas educativas, capacitação profissional e ampliação do acesso a vacinas e exames. Palavras-chave: Câncer de colo de útero; HPV; Vacinação; Rastreamento; Prevenção. ABSTRACT – Cervical cancer (CC) remains a major public health issue, with high morbidity and mortality rates, especially in developing countries. This study aimed to identify challenges and strategies for prevention, focusing on HPV vaccination and early screening. The literature review (2017–2024) showed that vaccination is effective in reducing infection and precursor lesions but faces limitations such as low coverage, misinformation, and sociocultural barriers. Cytological screening is also essential but presents issues of adherence, quality, and follow-up. Prevention requires public policies, educational campaigns, professional training, and expanded access to vaccines and exams. Keywords: Cervical cancer; HPV; Vaccination; Screening; Prevention. __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 772 (Ciências Biológicas e da Saúde) 1 INTRODUÇÃO Destaca-se que o câncer de colo uterino (CCU), após o câncer de mama, é o segundo tipo de câncer mais letal do mundo entre as mulheres, com taxas de mortalidade que podem chegar a 80% principalmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, após os cânceres de mama e pulmão, o câncer de colo uterino é a terceira causa de morte feminina. Apesar de acometer principalmente mulheres em fase adulta, nota-se o aumento de infecções causadas pelo Vírus Papiloma Humano (HPV) em adolescentes devido ao início, cada vez mais precoce, da atividade sexual. As infecções ocorrerem por transmissão sexual em 95% dos casos, e 5% podem ocorrer pelo contato com mãos, toalhas, roupas e objetos que estejam contaminados pelo vírus vivo em uma área não íntegra da pele ou mucosa. (Gonçalves et al., 2020). A principal via de transmissão do papilomavírus humano é o contato sexual. Dentre os mais de 100 tipos de HPV reportados na literatura médica, 50 tipos acometem a mucosa do aparelho genital e pelo menos 15 são classificados como de alto risco, ou seja, com potencial carcinogênico. O HPV de alto risco é responsável por 99% dos casos de câncer de colo de útero, sendo o tipo 16 o mais comum detectado no carcinoma. Os tipos de HPV 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero; os tipos 6 e 11 são responsáveis por mais de 90% dos casos de verrugas genitais. Esses quatro tipos são alvos profiláticos da vacina quadrivalente recombinante para a prevenção do HPV distribuída desde 2014 no Sistema Único de Saúde. (Santos et al., 2023) O tempo médio entre a infecção por HPV de alto risco e o desenvolvimento do câncer cervical é de aproximadamente 10 a 20 anos, ao passo que o tempo médio entre uma infecção por um HPV de baixo risco e o surgimento de verrugas genitais é de poucos meses (De Carvalho et al., 2021). Para o curto prazo (5-10 anos), podemos avaliar a prevalência de verrugas genitais após a implementação da vacina para o HPV (MS., 2018). O primeiro nível de prevenção do CCU consiste na redução do contágio do HPV através da vacinação contra o HPV. O segundo nível de prevenção tem como estratégia o rastreamento e o diagnóstico precoce, medidas essas fundamentais para que a chance de cura sejade 100% nas fases iniciais (Tallon et al., 2020). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 773 (Ciências Biológicas e da Saúde) A vacinação contra o HPV consiste em uma nova ferramenta na prevenção do câncer associado ao HPV (Vorsters et al., 2017). Existem três tipos de vacinas profiláticas contra o HPV: a vacina quadrivalente, a vacina bivalente e a vacina univalente. Essas três vacinas previnem entre 70% e 90% dos cânceres relacionados ao HPV e apresentaram segurança e eficácia em estudos randomizados e vigilância pós-comercialização (Wang et al., 2020). No Brasil, a vacina quadrivalente contra o HPV foi instituída no Sistema Único de Saúde (SUS), no ano de 2014, sendo o Governo do Distrito Federal (GDF) o pioneiro no país ao incluir em 2013 a vacina quadrivalente em sua rede de imunização, tendo como público-alvo as adolescentes de 9 a 13 anos de idade residentes no Distrito Federal e matriculadas em escola pública e particular da rede de ensino, com metade imunização de 100% desse público.(Gonçalves et al.,2020). Quanto às adultas jovens (até os 26 anos) que não foram vacinadas, embora estejam fora do programa de gratuidade, a imunização contra o HPV apresenta evidente benefício, e a vacinação deve ser indicada. (Martins et al.,2022). Esse cenário indica a importância do CCU no contexto da saúde da mulher, tanto no que diz respeito ao seu impacto no perfil da morbimortalidade, quanto da preparação dos profissionais para o enfrentamento da doença e, também, da organização dos serviços, para que a atenção à saúde seja adequada, visto que as tecnologias para o controle, diagnóstico e tratamento de lesões precursoras já estão estabelecidas e possibilitam, potencialmente, a cura de 100% dos casos detectados nas fases iniciais (Carvalho; Dwer; Rodrigues., 2018). Neste contexto esta dissertação apresentou a seguinte questão norteadora: Qual os desafios e estratégias na prevenção do câncer de colo uterino? O presente estudo tem como objetivo, Identificar os desafios e estratégias na prevenção do câncer de colo uterino com enfoque na vacinação e rastreamento. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de revisão narrativa de literatura (RNL), que buscou caracterizar de forma sistematizada as produções sobre o objeto de investigação, a fim de propor uma discussão ampla sobre o assunto. Essa revisão busca também identificar lacunas e viabilizar a condução __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 774 (Ciências Biológicas e da Saúde) de novas pesquisas, bem como o fortalecimento do conhecimento da temática em questão. (Brum et al., 2015). A busca dos dados foi realizada em março de 2024, no Lilacs, Arca e BVS. A pesquisa foi desenvolvida a partir da questão de revisão: Qual os desafios e estratégias na prevenção do câncer de colo uterino? Para tanto, utilizou-se três descritores: “neoplasia uterina”, “papilomavírus”, “vacina contra papilomavírus”. Os critérios de inclusão foram artigos sobre a temática os desafios e estratégias na prevenção do câncer de colo uterino, priorizando artigos científicos publicados nos anos de 2017 a 2024. A análise de dados foi desenvolvida conforme a análise temática, envolvendo três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. Os estudos foram agrupados e analisados a partir de categorias temáticas. Ressaltase que não foi necessário a apreciação ao comitê de ética em pesquisa, visto que os dados extraídos para o estudo são de domínio público, entretanto esse estudo seguiu os preceitos da lei n°9.610/98, que rege a proteção dos direitos do autor sobre obras intelectuais, independentemente do registro, e considera a proteção a textos científicos. Na primeira busca foram selecionados 35 artigos e desses após leitura minuciosa, foram eleitos para essa pesquisa 10 artigos que estavam alinhados com temática desse estudo. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir desses estudos, foram obtidas informações sobre: os autores, o ano de publicação, o tipo de pesquisa, o objetivo do estudo e as limitações relacionadas aos desafios e estratégias para a prevenção do câncer de colo de útero. Com base nos artigos analisados, percebeu-se, de maneira unânime, que há fortes evidências da relação positiva entre a vacinação contra o HPV e a prevenção do câncer de colouterino, bem como de outras manifestações pré-cancerígenas, além da prevenção do surgimento de complicações relacionadas à contaminação pelo HPV. Para corroborar tais evidências, foram realizados ensaios clínicos randomizados e estudos populacionais, em diversos países, que concluíram que a vacinação contra o HPV leva a prevenção do pré-câncer cervical (LEHTINEN et al., 2021; MADHIVANAN et al., 2021; TABIBI et al.,2021). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 775 (Ciências Biológicas e da Saúde) No que tange ao incentivo à vacinação e diante dos artigos analisados, percebeu-se uma vaga discussão e aprofundamento sobre tal questão. No ano de 2022, apenas 114 países tinham a vacina contra o HPV no seu programa nacional de imunização (WHO, 2023), evidenciando que a extensão para a cobertura da vacina ainda não foi adotada por todos os países, sobretudo em países com níveis socioeconômicos de média e baixa renda, o que causa uma dificuldade para a prevenção, rastreamento e tratamento do câncer (RAHANGDALE et al., 2022). Salienta-se que medidas de prevenção e rastreamento para o câncer do colo do útero foram impactas durante o período pandêmico da COVID-19 (BAKOUNY et al., 2021; RIGON et al., 2022), o que pode ter impacto ainda mais na redução da cobertura vacinal contra o HPV (CAVALCANTE et al., 2021; CAVALCANTI et al., 2023). No Brasil, a imunização contra o HPV é gratuita e é indicada a todos os meninos e meninas dos 9 aos 14 anos (BRASIL, 2023). As vacinações que não são iniciadas nessa faixa etária mostram-se ineficazes e com baixo potencial de prevenção para o câncer de colo de útero, dentre outras doenças causadas pelo vírus (RAHANGDALE et al., 2022). Um estudo anterior já havia evidenciado uma maior resposta quantitativa de anticorpos em crianças quando comparadas aos adultos, bem como reduções abruptas na eficácia da vacina conforme o aumento da idade na vacinação (WRIGHT JR et al., 2019). Além disso, após imunização com vacina contra HPV, a incidência e mortalidade por câncer de colo de útero em mulheres entre 15 e 24 anos foi menor do que entre mulheres mais velhas (25 a 39 anos), indicando a eficácia da vacinação em mulheres mais jovens (TABIBI et al., 2022). Além disso, a falta de preparo e informação sobre o HPV provinda dos profissionais de saúde, fomenta e valida a escolha dos pais de não vacinarem seus filhos. Um estudo realizado na Nova Zelândia identificou que o não conhecimento provindo de profissionais de saúde sobre o HPV e suas consequências têm a capacidade de difundir informações errôneas e influenciar negativamente na decisão dos pacientes sobre tomar a vacina. O mesmo estudo ainda mostra que pais que foram bem-informados e aconselhados pela equipe de saúde tiveram uma maior aceitação em vacinar seus filhos (SHERMAN et al., 2018). Intervenções em clínicas nos Estados Unidos, usando de ferramentas educacionais online, evidenciaram que um grupo de mulheres que teve acesso às informações sobre o HPV, melhorou seu conhecimento geral sobre o entendimento acerca do resultado do exame __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 776 (Ciências Biológicas e da Saúde) citopatológico, identificação, prevenção e tratamento do câncer de colo de útero (BOCANEGRA et al., 2022). Infelizmente, é preciso salientar que ainda há desigualdades quanto ao arranjo mundial no que tange a vacinação, isso porque, países em desenvolvimento, de baixa renda ou muito populosos possuem uma cobertura vacinal inadequada ou a vacinação contra o HPV não pertence ao calendário nacional de imunização. Fatores como método de triagem ineficiente e altos custos da vacina fazem parte dos componentes que dificultam o acesso à vacinação para tais países (RAHANGDALE et al., 2022). 4 CONCLUSÃO A prevenção do câncer de colo uterino requer uma abordagem multifacetada, que inclui a vacinação contra o HPV, o rastreamento regular através do exame citopatológico do colo do útero, e a garantia de acesso ao diagnóstico e tratamento adequados. Para o sucesso dessas estratégias, é essencial o envolvimento ativo do sistema de saúde, incluindo a oferta de serviços de qualidade, o treinamento de profissionais e a educação em saúde para conscientização e adesão da população-alvo. A implementação efetiva dessas medidas pode levar a uma redução significativa na incidência e mortalidade por câncer de colo uterino, salvando vidas e melhorando a saúde das mulheres. Agradecemos a todos que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho, em especial às Professoras orientadoras, Professora Eneida Tramontina e Professora Bruna Renó e colegas que ofereceram apoio durante todo o processo. 5 REFERÊNCIAS GONÇALVES, Vinícius Augusto et al. Imunização contra o vírus do papiloma humano: taxa de conclusão e abstenção do esquema de vacinação em um grupo de adolescentes no Distrito Federal. Revista de APS, v. 23, n. 3, 2020. CARVALHO, Newton Sergio de et al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: infecção pelo papiloma vírus humano (HPV). Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, p. e2020790, 2021. FDA.Gardasil 9. Disponível em: . Acesso em: 30 jan. 2018. ICO/IARC Information Centre on HPV and Cervical Cancer (HPV Information Centre).v Human papillomavirus and related diseases in the world. 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