Processando o Saber nº 10, 2018 93 ECONOMIA CRIATIVA COMO ESTRATÉGIA NO DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS SANTOS, Laís Alves, Especialista* *Faculdade de Tecnologia de Praia Grande Departamento de Gestão Empresarial Pça. 19 de Janeiro, 144, Boqueirão, Praia Grande-SP, CEP: 11700-100 Fone (13) 3591-6968
[email protected] [email protected] henrique[email protected].br RESUMO As características e comportamentos do empreendedor já são diferenciados, principalmente, quando comparados a indivíduos normais. A criatividade e a inovação são fatores intrínsecos desse de gestão ou modelo de negócios adotado pelo gestor para desenvolver produtos e/ou serviços a partir da interface entre o conhecimento e capital intelectual no processo econômico, com vistas à geração de emprego e renda. Esse modelo é uma das vertentes que mais cresce, destacando-se como o grande motor do desenvolvimento econômico mundial. O objetivo da pesquisa é trazer informações históricas sobre esse setor da economia, assim como, sua relação com o empreendedorismo brasileiro. O estudo fundamentou-se na pesquisa exploratória em conjunto com as análises mercadológicas e estudos de casos, evidenciando sobre o assunto de forma conceitual e qualitativa. Apesar do tema ser recente, muitos setores da economia vêm fomentando esse conceito entre seus colaboradores. No entanto, desse processo. Economia Criativa. Capital Intelectual. Inovação. https://doi.org/10.5281/zenodo.15540928
Processando o Saber nº 10, 2018 94 ABSTRACT The characteristics and behaviors of entrepreneurs are already differentiated, especially when compared to normal individuals. Creativity and innovation are a intrinsic factors of a trader. The creative economy is a term to name the management system or business model adopted by the professional to develop products and / or services from the interface between creativity, knowledge and intellectual capital in the economic process with a view to generate employment and income. This model is one of the fastest growing aspects, standing out as the major engine of world economic development. The objective of the research is to bring historical information about this sector of the economy, as well as its relationship with the Brazilian entrepreneurship. The study was based on exploratory research together with marketing analysis and case studies, showing the subject in a conceptual and qualitative manner. Although the issue is recent, many sectors of the economy have been promoting this concept among their employees. However, it of this process. KEY WORDS: Creative Economy. Intellectual capita. Innovation. INTRODUÇÃO têm usos alternativos. Toda evolução passa por diversas transformações e com a economia não foi diferente. O início da ideia econômica ocorreu na Antiguidade, onde as relações econômicas eram bem simples, baseadas majoritariamente no escambo, que é a troca de uma mercadoria por outra (BARRETO, 2009). A economia que conhecemos atualmente, está fundamentada na micro e macroeconomia. A microeconomia, analisa a formação o consumidor, criando diretrizes para tomada de decisão em relação ao preço e a quantidade de um determinado bem ou serviço que será
Processando o Saber nº 10, 2018 95 economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento de grandes agregados. A economia possui três agentes impulsionadores, de acordo com Rossetti (2003): o governo, as empresas e as famílias. A empresa é um fator que sofre com as alterações do mercado e necessita de maior necessidade de adequação ao ambiente inserido. Segundo a Serasa Experian (2015) o número de empresas nascentes no Brasil tem crescido a cada ano, com mais de 5 mil novas empresas todos os dias. Em contrapartida, esses empreendimentos encontram grandes desafios, assim, ter diferenciais que agregam valor trazem vantagem competitiva e ajudam na decisão de escolha do cliente. Tais vantagens podem estar relacionadas com a qualidade, superioridade ou excelência que mantenham a empresa na dianteira. Outro fator para vantagem é a criatividade, ou seja, a capacidade de criar Assim a criatividade é uma ferramenta que pode ser utilizada a favor do empreendimento, criar os mesmos ou novos produtos através de novos meios, incorporando novos valores e criando uma recente categoria que impulsiona o mercado, a economia baseada na criatividade. A Economia Criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio que se originam em atividades que englobam de criação a produção de produtos e serviços que usam a criatividade, tecnologia e conhecimento como recurso produtivo, desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda. São os ciclos de criação, produção e distribui da Economia Criativa cresceram quase 70% em 10 anos, superando o aumento de 36,4% do PIB brasileiro no mesmo período, gerando mais de 890 mil empregos criativos, representando 2,5% do PIB brasileiro. (ONU, 2010; FIRJAN, 2014; SEBRAE, 2015). A Economia Criativa ganhou importância mundial. No Brasil formulação, a implementação e o monitoramento de políticas públicas para o desenvolvimento local e regional, priorizando o apoio e o criativos brasileiros. Porém, o maior em inovação tecnológica, competitividade econômica, criação de valor e bem-estar (FLORIDA, 2011).
Processando o Saber nº 10, 2018 96 Diante do cenário atual e competitivo entre as corporações inserir o processo criativo como fator essencial para a sobrevivência e sustentabilidade do negócio. Neste sentido, passa a ser fundamental como, seus setores e ramos de atividades relacionadas. Esse fator já é estudado e aplicado em países mais desenvolvidos. Ou seja, ao redor do mundo já é comum aplicar a criatividade como diferencial competitivo e inovador. 1 DESENVOLVIMENTO DO TEMA A evolução da Economia Criativa acontece desde os primórdios da humanidade. No entanto, a percepção da importância da criatividade foi evidenciada na metade do século passado. Diversos autores, baseados nas hierarquias das necessidades desenvolvidas por Maslow, adaptaram o processo criativo no ambiente corporativo, educacional e pessoal. Com o tempo, esse conceito foi adquirindo forças e transformou-se em uma febre mundial. Destaca-se, que o capital intelectual é inerente ao processo criativo. O paradigma da sociedade industrial pautada no capital financeiro tem dado espaço para o capital humano, centrado no conhecimento e potencial criativo. Em alguns países como China e Estados Unidos, a Economia Criativa é essencial para o sucesso de negócios, principalmente nas exportações de produtos tecnológicos. 1.1 EVOLUÇÃO DA ECONOMIA As relações econômicas percorreram diversos caminhos até o modelo atual. Conforme Dow (2014), os babilônios e as cidades estados vizinhas desenvolveram o primeiro sistema econômico em termos de leis relacionadas a débitos, contratos legais, práticas mercantis e propriedade privada. Contudo, o termo economia nasceu na Grécia antiga que data subsistência eram, na sua maior parte, trocas dentro de grupos sociais. Este modelo se estendeu fortemente até à economia medieval quando o
Processando o Saber nº 10, 2018 97 adensamento populacional e as trocas entre Europa e Ásia lentamente expandiriam o que viria ser a economia mundial (SCHEIDEL, 2013). Historicamente a economia vem se desenvolvendo por meio do intercambio e das trocas e transmissão de culturas entre os países. Durante muitos séculos as fontes de trocas ocorreram por mercadorias, ouro, prata, cobre e posteriormente pelo papel moeda (GRAEBER, 2011). Para Landes (2003) a revolução industrial e o capitalismo, substituíram o sistema mercantil e aceleraram o crescimento econômico. Porém, só depois da segunda guerra mundial e da grande depressão, do século XX e início do século XXI, as ideias de uma sociedade pósmoderna e a importância dos serviços surgem à tona. Atualmente, existe um novo tipo de sociedade conectada, que é cunhado por alguns, como sociedade de informação global, promovendo o início da Economia Criativa. Assim, com o desenvolvimento da internet e mídias de massa, a Economia da Informação começou a ocupar o espaço das mídias mais tradicionais e o comércio e serviços eletrônicos ganharam importância. 1.2 CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO Desde a época pré-histórica, a humanidade faz uso da sua vocação criativa: dos avanços da comunicação, das artes, da religião, até a origem das mais primícias tecnologias. Na Grécia Antiga, a criatividade evoluiu historicamente de uma perspectiva divina e espiritualista, onde era considerada um dom de Deus, reservada a poucas pessoas, para um A partir da Era Renascentista o termo passou a receber criatividade, passou a ser relacionada com a conotação de inteligência, no entanto, só em meados do século XX tornou-se alvo de pesquisa (ALENCAR, 1996). Através das pesquisas, desenvolveu-se métodos de avaliação da criatividade humana e a mesma passou a ser entendida como o resultado da interação entre processos cognitivos, características de personalidade,
Processando o Saber nº 10, 2018 98 variáveis ambientais e elementos inconscientes, valorizando a questão a ser algo desejável e necessário para variados tipos de ambientes, sejam eles educacionais ou empresariais (CONDE, 1995). Florida (2011) explica que a criatividade é um processo misterioso onde a combinação de informações, percepções e matérias produzem resultados novos e úteis. Já inovar é produzir algo novo, encontrar novo processo ou renovar. A criatividade é a ponte de passagem para a inovação, pois sem criação não há como inovar. A importância da inovação para a economia é destacada por Possas (1997), ao observar que os ciclos do desenvolvimento no capitalismo são resultados da combinação de inovações, que criam um setor líder na economia ou um novo paradigma, e impulsionam o crescimento do setor. A interação entre a criatividade e o crescimento da indústria é reconhecida por Holanda (2008), dizendo que no passado, o que imperava era a padronização do trabalho, mas agora são as pessoas, que geram o conhecimento que as organizações precisam para serem competitivas. 1.3 CAPITAL INTELECTUAL Diante de tantas tecnologias, mudanças econômicas, culturais, políticas e sociais no mundo dos negócios, o capital intelectual passou a ser essencial para a transição de uma Sociedade Industrial para uma Sociedade do Conhecimento. Drucker já defendia o início da era do conhecimento, indicando uma mudança de paradigma na concepção do para um modelo econômico centrado no conhecimento potencial e existente nas organizações (DRUCKER, 2002). O capital intelectual corresponde ao conjunto de conhecimentos e informações encontrados nas organizações, que agrega valor ao produto e/ou serviço, mediante a aplicação da inteligência e não do Na economia dos tempos atuais, o capital intelectual é o principal ativo, suplantando os recursos naturais, maquinário e até mesmo o próprio
Processando o Saber nº 10, 2018 99 composto pelo capital intelectual, representando o valor das ideias, a pesquisa e o desenvolvimento, propriedade intelectual, habilidade da força de trabalho, marcas e patentes (LOW e KALAFUT, 2003 apud SANTOS, 2007). 1.4 ECONOMIA CRIATIVA O termo Economia Criativa é muito recente. Para Reis (2012) ainda é uma expressão em descobrimento, pois poucos conceitos foram sociais e econômicos distintos. Segundo a abordagem da ONU (2010), as atividades da Economia Criativa encontram-se no cruzamento das artes, da cultura, dos negócios e da tecnologia. A Economia Criativa, é considerada como toda economia movida a partir do conhecimento físico e das ideias. Por se basear em recursos que nunca terminam, e ainda se renova e uma alternativa para o desenvolvimento sustentável do mundo atual Tabela 1 - Produtos criativos: Exportações por grupos econômicos (2002 - 2008) Fonte: ONU, 2010. O montante alcançado pelas exportações de produtos criativos chegou a quase US$ 407 milhões, o que representa uma taxa anual
Processando o Saber nº 10, 2018 100 de crescimento de 11,5%, de acordo com as análises feitas pela ONU (2010). É possível se notar também, que as exportações desses produtos por países desenvolvidos dominaram o mercado, alcançando quase 56% do total exportado e crescimento superiores à 77%. No entanto, a ONU, considera que o Brasil não aproveita corretamente a economia Criativa, mesmo assim, em 2015 exportou US$ 7,4 bilhões neste setor O destaque na Economia Criativa é a China que tem registrado os maiores superávits de produtos criativos, evoluindo de US$ 32 bilhões em 2002 para US$ 125 bilhões em 2012, devido a um drástico aumento nas exportações. Já o segundo lugar é a Itália que é cinco vezes menor, com US$ 15 bilhões em 2008. Com a análise dos valores movimentados mundialmente, a Economia Criativa em geral está realmente abrindo novas oportunidades para que os países em desenvolvimento deem um salto nos setores de alto crescimento da economia mundial, e aumentem 2016). 1.5 INDÚSTRIAS CRIATIVAS A utilização da expressão indústrias criativas varia para cada país. Ela surgiu na Austrália em 1994, com o lançamento do relatório Nação Criativa. E ganhou maior exposição em 1997, quando legisladores do Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido (DCMS) estabeleceram a Força Tarefa das Indústrias Criativas. O termo indústrias criativas é parte integrante do conceito de Economia Criativa. Indústrias Criativas são aquelas que têm sua origem na criatividade individual, habilidades e talentos que têm potencial de riqueza e criação de empregos através da geração e da exploração da propriedade intelectual. Elas compreendem um conjunto de atividades baseadas no conhecimento que produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico (ONU, 2010). Quadro 1 - Indústria Criativa (Núcleo)
Processando o Saber nº 10, 2018 101 Fonte: FIRJAN, 2014 – Adaptado por Assumpção e Santos, 2015. Indústria Criativa (Núcleo) é formada pelas atividades para geração de valor. É dividido em quatro partes, criações, cultura, mídias e tecnologia. De forma geral, o termo indústrias criativas, é fundamentado por alguns componentes: A criatividade como elemento central, necessária para a geração da propriedade intelectual; A cultura, que é tratada na forma de objetos culturais e sua percepção de utilidade gerada pelo objeto cultural; São objetos transformadores dos convergência entre artes, negócios e tecnologia. Sendo assim, pode-se e que o conceito está em constante construção (FIRJAN, 2014).
Processando o Saber nº 10, 2018 108 O conceito de Economia Criativa, ainda não possui econômica tem seus princípios fundamentados para que o empreendedor inicie seu negócio pelas oportunidades com bases na criatividade e na geração de produtos e/ou serviços inovadores. No entanto, percebe-se que a criatividade e inovação, são as bases fundamentais da Economia Criativa e quase unânime entre os pensadores e estudiosos sobre o tema. Entende-se também, que é, através delas, que os países se fundamentarão para enfrentar tempos de crises e escassez, que são iminentes ao mercado. De acordo com os dados levantados, observa-se que os na Economia Criativa no Brasil, tem relação com as características e comportamentos adotados pelo indivíduo para gerir o empreendimento. na geração de ações voltadas a criatividade, inovação, habilidades e conhecimentos, forma diretrizes para conceituar um negócio da Economia Criativa. Porém, tais fatores têm suas bases fundamentadas no capital intelectual. Neste sentido, destaca-se o crescimento dessa economia nas pequenas e médias empresas no Brasil. Porém, o Brasil caminha timidamente no setor, consequentemente, poucos setores dessa economia ganharam diferencias competitivos que possam sobressair-se de seus concorrentes globais. O campo de atuação da Economia Criativa é dividido em diversas áreas e setores também são conhecidas como indústrias criativas: Consumo, Cultura, Mídias e Tecnologia. Sendo a área de Consumo e Tecnologia, as que mais movimentam valores neste setor no mercado interno. Há várias maneiras de gerar empregos ligados à economia do conhecimento, entre eles, estão o incentivo às indústrias de games, desenvolver núcleos criativos locais, com bases nas tradições culturais, fomentar o setor e facilitar o crédito, investir em educação e na área do design e tecnologia. É possível perceber que a pesquisa e o estudo são o início do reconhecimento da importância da Economia Criativa para o desenvolvimento em geral. No entanto, poucos esforços estão sendo dirigidos para este setor no Brasil. Ou seja, não existe um movimento
Processando o Saber nº 10, 2018 109 nacional voltado a economia criativa. Diferente dos países mais desenvolvidos, que mantem planos estratégicos de curto, médio e longo prazo voltados ao setor criativo. Assim, não basta entender, mas, desenvolver ações, priorizando o setor. E perceber que é um dos caminhos para desenvolver o país. No entanto, novos estudos precisam ser realizados para alavancar o processo criativo e inovador nas empresas e na sociedade. A pesquisa mostrou que países que criaram formas de fomento e investimento no capital criativo, cresceram mais rapidamente do que os outros. Com incentivos à economia criativa, a sociedade empresarial poderá criar novos projetos que possibilitem os países em desenvolvimento a transformarem-se em economias mais desenvolvidas. REFERÊNCIAS ALENCAR, E.S. A gerência da criatividade.1ª ed. São Paulo: Pearson,1996. ranking de empreendedorismo. Revista Exame, 2015. Disponível em: <http://exame.abril.com .br/ pme/noticias/brasil-e-o-primeiro-em-ranking-de-empreendedorismo>. Acesso em: 24 nov. 2015. BARRETO, P. do Desenvolvimento - Edº 53: Brasília, 2009. Disponível em: <http:// icle&id=2274:catid=28&Itemid=23>. Acesso em: 14 ago. 2015. A educação para a economia criativa. Rio de Janeiro: Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado, 2012. Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/ biblioteca/educacao/0328.html>. Acesso em: 31 out. 2015. CONDE, G. A. Multiderazgo creativo. Santiago da Compostela: Master Internacional Creatividad, 1995.
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