Processando o Saber nº 9, 2017 8 COMÉRCIO INTERNACIONAL ENTRE BRASIL E CHINA: PARCERIA OU CONCORRÊNCIA? OLIVEIRA, Danielle Meirelles de, Tecnóloga* PINTO, Cristiane Elias de Campos, Doutoranda* * Faculdade de Tecnologia de Praia Grande CEETEPS – Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza Pça. 19 de Janeiro, 144, Boqueirão, Praia Grande/SP, CEP: 11700-100 Fone (13) 3591-1303
[email protected] [email protected] RESUMO O comércio internacional é relevante para a economia de qualquer país. Tal ação entre países, gradativamente, tem se tornado mais colaborativa, visando vantagens e benfeitorias para as nações envolvidas. Brasil e China mantêm relações comerciais consideravelmente participativas em suas respectivas economias. De certa forma existe uma interdependência desses países; a China é um comprador potencial de produtos básicos e o Brasil, evidentemente, é um potencial vendedor de tais produtos. Essa correlação faz com que seja questionado ou, ao menos, apontado itens relativos à real participação comercial e econômica de uma nação à outra. O referido artigo explora os potenciais do comércio dos países estudados, salientando os maiores pontos de competitividade de ambos, ressaltando fatores históricos e atuais pertinentes à pesquisa, do questionamento se tal comércio é passível a itens de parceria ou concorrência, e posterior a análise realizada, conclui-se que Brasil e China desenvolvem itens de parceria, ou seja, essa relação é de cunho PALAVRAS-CHAVE: Comércio Internacional. Brasil. China. Relações Bilaterais. https://doi.org/10.5281/zenodo.15548496
Processando o Saber nº 9, 2017 9 ABSTRACT International trade is relevant for the economy of any country. Such action among countries gradually has become more collaborative, and China have considerably participatory trading relations in their respective economies. In a way there is an interdependence of these countries; China is a potential buyer of commodities and Brazil, of course, is a potential seller of such products. This correlation causes items related to real trade and economic participation of a nation to another to be questioned, or at least pointed. This article explores the trading potentials of the countries studied, pointing out the greater competitiveness of both sides, highlighting historical and current Brazilian relations. Starting from the question whether such trading is liable to partnership or competition items, and the subsequent analysis, one can conclude that Brazil and China develop partnership items, in development. KEYWORDS: International Trade. Brazil. China. Bilateral Relations. INTRODUÇÃO A interdependência das nações já existe há muito tempo. Nos dias atuais, em virtude do progresso dos meios de transporte e de De acordo com Maia (2007, p.275) “o mundo de hoje é de todos os recursos e mercadorias necessárias para sua sobrevivência. Sendo assim, faz-se necessária a comercialização entre as nações.
Processando o Saber nº 9, 2017 10 Essa interdependência, muitas vezes, aparece entre nações que podem produzir a mesma mercadoria. Entretanto, produzem a custos diferentes, devido à tecnologia ( ), obtida por meio de pesquisas bem-sucedidas. Assim, torna-se mais vantajoso comprar do que produzir (MAIA, 2007, p.275-276). Essa interdependência faz com que os países relacionados sejam questionados quanto a sua parceria ou a sua possível concorrência. Um exemplo prático é a relação entre Brasil e China, nações que certamente são consideradas interdependentes e, diante desta circunstância, questiona-se quais itens da pauta do comércio internacional entre Brasil e China podem, possivelmente, desenvolver maior parceria ou concorrência. Abordar sobre o comércio internacional entre tais países mostrou-se muito interessante, uma vez que ambos têm potenciais concorrentes, mas também comercializam entre si. Partindo desta breve análise, foi visualizado o quão relevante é a relação entre eles. Um fator tanto quanto expressivo na escolha do tema é o nicho de comércio online, no qual a China é abundante em oferta de diversos produtos. A vivência e aumento desse tipo de compra via Internet surtiram a curiosidade e interesse no estudo detalhado do mercado deste país em comparação ao nosso. Essa relação ultrapassa os interesses apenas comerciais e, oportunidade de extração e plantação, tornando-se altamente competitiva através de vantagens comparativas simples: matéria-prima e mão de do mercado. Com sua mão de obra abundante e relativamente barata, chinesas têm como ponto de competitividade semelhante à mão de obra em abundância, porém, enquanto o Brasil é rico em matéria-prima e plantações, a China tem preços consideravelmente baixos e condições
Processando o Saber nº 9, 2017 11 comerciais favoráveis. Levando em consideração que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, observa-se que este conhecimento é extremamente relevante, pois existe grande demanda na academia por pesquisas sobre desde o início, conta com a cooperação de ambas as partes, e cada dia mais esta ligação é consolidada, para que, assim, o relacionamento dos dois países seja potencializado. 1 OBJETIVOS O presente artigo tem como objetivo geral analisar os principais itens no comércio internacional entre Brasil e China. Como objetivos específicos propõem: a) avaliar pontos 2 METODOLOGIA O método de abordagem da pesquisa é dedutivo. Segundo Lakatos e Marconi (2003, p.92) “os argumentos dedutivos ou estão corretos ou incorretos, ou as premissas sustentam de modo completo a conclusão ou, quando a forma é logicamente incorreta, não a sustentam Sendo assim, o estudo apresentado é considerado verdadeiro, pois a relação comercial entre Brasil e China é dedutivamente questionável quanto à sua real correlação. Os métodos de procedimento, por sua vez, são: histórico, pois a pesquisa irá utilizar dados de anos anteriores, e comparativo, porque ao analisar os dois mercados e seus pontos de competitividade, o método, impreterivelmente, é o comparativo.
Processando o Saber nº 9, 2017 12 3 INTRODUÇÃO AO COMÉRCIO INTERNACIONAL Desde a pré-história havia a troca de produtos entre os habitantes de uma mesma tribo. Com o passar do tempo, o relacionamento humano para o mundo. Atualmente, essa prática cruzou as fronteiras dos países, gerando o Comércio Internacional. Segundo Lopez e Silva (2010, p. 179), o comércio internacional é basicamente: O conjunto de operações realizadas entre países onde há intercâmbio de bens e serviços ou movimento de capitais. Este comércio é regido por regras e normas, resultantes de acordos negociados, em órgãos internacionais, a exemplo da OMC, da OMA e da CCI (Câmara de Comércio Internacional), e que são adotadas pelos governos dos países signatários. O intercâmbio de mercadorias entre países se faz necessário em existentes entre eles. Como exemplo dessas diferenças, tem-se a solos e climas, o que altera a produção agrícola dos países; e a diferença nos níveis de desenvolvimento econômico. Além disso, a integração entre os países tem avançado muito, tornando o comércio exterior cada vez maior. 3.1 ESTRUTURA INSTITUCIONAL DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Até a década de 1930, com base em Barral (2007), o mundo vivenciava um período de intercâmbio comercial e de prosperidade econômica. Isto era consequência da crescente regulamentação comercial, principalmente entre os países desenvolvidos.
Processando o Saber nº 9, 2017 13 A crise da bolsa de Nova Iorque, em 1929, foi, processo de globalização que caracteriza as sociedades atuais, demonstrando a dependência econômica entre os países e os efeitos em cadeia das variações dos mercados globais. A quebra da bolsa repercutiu em vários países, gerando um descontrole monetário, apresentando graves 2005, p. 47). Com a “redução radical do comércio internacional, seguiu-se o descumprimento das regras comerciais, o unilateralismo das decisões Guerra (BARRAL, 2007, p. 26). tornou evidente. Era primordial a criação de uma estrutura política que garantisse a paz e uma estrutura econômica que evitasse a instabilidade. A partir dessa situação, segundo o jornal O Globo (2014), em 1944, os líderes de determinados países criaram a Conferência de Bretton Woods, visando à criação de uma nova ordem econômica global. Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD ou Banco Mundial). Essas instituições tinham como objetivo alcançar a estabilidade econômica; a terceira das organizações propostas foi a Organização Internacional do Comércio (OIC). 3.1.1 A OIC A OIC tinha como proposta uma organização multilateral, “com objetivos ambiciosos que açambarcavam a uniformização das regras comerciais, a promoção do comércio, do desenvolvimento e do de Bretton Woods, com intuito de projetar a OIC, chegou-se à Carta de Havana1. Esta tinha sua redação dividida em três partes, a primeira referia-se à criação da OIC, a segunda envolvia as regras de redução
Processando o Saber nº 9, 2017 14 de tarifas e a terceira englobava as regras gerais a serem obedecidas no processo de redução tarifária. Somente entraram em vigor a segunda e terceira parte da Carta de Havana que, por sua vez, formavam o and Trade (GATT) (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio). 3.1.2 O GATT O GATT, inicialmente, se concentrava em uma tabela de redução tarifária. Em regras gerais, esta tabela era basicamente um produtos presentes no comércio internacional. “Ou seja, os Estados comprometiam-se a impor, no máximo, aquela tarifa negociada sobre (BARRAL, 2007, p. 30). O Acordo passou a evoluir a partir de rodadas de negociação. Nestas rodadas, os representantes das Partes Contratantes encontravamse para negociar diversos temas, sendo eles de interesse bilateral ou coletivo. Então, no início da década de 1980 foi realizada a Rodada Uruguai, e na conferência, em Punta del Este, no Uruguai, foi elaborado um documento para guiar as negociações. Após oito anos, concretizouse a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC). 3.1.3 A OMC As principais funções da Organização são, basicamente, nações. Maia (2010) comenta que, quando algum país membro julgarse prejudicado, ele deve informar o problema à OMC e, enquanto o assunto não for solucionado, não é permitido tomar nenhuma medida OMC pretende contribuir no desenvolvimento das nações e no convívio comércio equilibrado.
Processando o Saber nº 9, 2017 15 3.2 RELAÇÕES BILATERAIS Há algumas décadas, por volta de meados do século XX, o mundo começou a unir-se em blocos comerciais, os também têm vários formatos. A intenção desses acordos é a união de esforços em prol do comércio e da economia mundial, de modo que eles sejam cada vez mais intensos e os países envolvidos no processo possam evoluir e ter ganhos. Essas uniões podem dar-se em acordos bilaterais ou multilaterais pelos países e ocorrer entre blocos de países (KEEDI, 2011, p. 64). As relações políticas entre Brasil e China foram estimuladas tanto na esfera bilateral como na multilateral. Em 1974, foram estabelecidas relações diplomáticas entre os países e, desde então, têm evoluído de forma intensa, assumindo crescente complexidade. Consolidaram uma parceria estratégica em 1993 e, até o momento, organizam visitas frequentes de seus respectivos presidentes. disso, obteve-se o aumento do comércio bilateral. Assim, é possível observar uma relação potencial entre esses países, que tende a crescer cada vez mais. 4 ASPECTOS GERAIS DA INDÚSTRIA BRASILEIRA Durante séculos, a economia do Brasil era voltada para a exportação de pequenas quantidades de produtos primários. Porém, o setor industrial preponderou-se muito rapidamente. E, concomitantemente, sua sociedade, que era principalmente rural, tornou-se cada vez mais urbanizada. Inicialmente, acreditava-se que a industrialização diminuiria a dependência econômica do país em relação aos tradicionais centros industriais do mundo, porém, de acordo com Baer (2009, p. 26-27) “a divisão internacional do trabalho originada no século XIX conferiu ao Brasil e à maioria dos países do Terceiro Mundo o papel de fornecedores
Processando o Saber nº 9, 2017 16 Destaca-se que o primeiro produto mais importante de fortemente no crescimento econômico do Brasil até o século XX. Esses ciclo do café (objeto de crescimento do país ao longo de quase todo o Muitos dos primeiros esforços de industrialização e tentativas Brasil colonial foram anulados, devido à política de portas abertas às importações industriais do governo pós-Independência. Política da qual os ingleses recebiam acesso especial ao mercado brasileiro em troca da garantia da defesa naval do Brasil. A Primeira Guerra Mundial não foi um estímulo para o desenvolvimento industrial, pois, com a interrupção da navegação, a importação dos bens de capital necessários ao aumento da capacidade Na década de 1920, a potência da economia brasileira baseava-se em um setor cafeeiro de rápido crescimento, assim, implementou um percentual de crescimento relativamente pequeno no setor industrial. A Grande Depressão ocasionou um impacto extremamente negativo sobre as exportações brasileiras, mas devido às restrições das importações, houve um considerável crescimento industrial no país. Já na Segunda Guerra Mundial houve aumento na produção, entretanto, a expansão da capacidade produtiva foi limitada. Sendo assim, o Brasil passou por mudanças socioeconômicas significativas desde a Grande Depressão da década de 1930 e, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial. 5 INTRODUÇÃO À ANÁLISE DOS PRINCIPAIS PONTOS DE COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA brasileira, no ano de 2000, evidencia-se um aumento das estatísticas
Processando o Saber nº 9, 2017 23 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o constante aumento do comércio internacional, faz-se Como prova disso, nota-se a constante consolidação de novos acordos envolvendo diversos países. Porém, toda relação pode ser interpretada de Partindo desse pressuposto, a pesquisa realizada resultou em dados relevantes para que se concluísse qual a situação das relações sinobrasileiras e estas apresentaram, predominantemente, características de parceria. A pauta das exportações brasileiras com destino à China é constituída, em sua maioria, por produtos básicos e de baixo valor agregado. Entretanto, quando analisada a pauta importadora do Brasil de itens provenientes da China, nota-se que o cenário se inverte, isto é, os produtos básicos perdem o posto, dando lugar aos itens manufaturados e comercial desenvolve características de permuta, uma vez que os países se destacam em setores divergentes e necessitam comercializar para Em síntese decorrente da pesquisa realizada, conclui-se que Brasil e China apresentam itens consideráveis e altamente relevantes para que tal comércio perdure por tanto tempo e demonstre crescimento em percentuais notáveis. Assim, destaca-se que a relação comercial sino-brasileira já alcançou dimensões consideráveis, trazendo um um potencial expressivo para maiores expansões. Ainda, é imprescindível que o Brasil se desenvolva em outros bens primários. Essa crescente especialização de produtos intensivos em recursos naturais demanda certa preocupação, dado que qualquer oscilação da importação chinesa de tais produtos resultará em impactos
Processando o Saber nº 9, 2017 24 REFERÊNCIAS BAER, WERNER. A economia brasileira. Werner Baer: tradução de BANDEIRA, M. G. A assimetria tecnológica e a nova economia na sociedade global da informação. Porto Alegre: Revista FAMECOS, 2005. Disponível em: <http://200. 144.189.42/ojs/index.php/famecos/ BARRAL, W. O. O Comércio Internacional. – Belo Horizonte: Del Rey, 2007. CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC). China Brazil UPDATE: Edição 9_Março de 2014. – 2014. Disponível em: CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC). China Brazil UPDATE: Edição 11_Janeiro de 2015. – 2015. Disponível DO COMÉRCIO EXTERIOR (DEPLA); SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX); MINISTÉRIO DO (MDIC). Balança Comercial Brasileira: Dados consolidados. – GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. – São Paulo: Atlas, 2002. KEEDI, S. ABC do comércio exterior: abrindo as primeiras páginas. 4 ed. – São Paulo: Aduaneiras, 2011.
Processando o Saber nº 9, 2017 25 LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia 5 ed. – São Paulo: Atlas, 2003. Comércio exterior competitivo. 4 ed. – São Paulo: Aduaneiras, 2010. MAIA, J. de M. Economia internacional e comércio exterior. 11 ed. – São Paulo: Atlas, 2007. ______. Economia internacional e comércio exterior. 13 ed. – São Paulo: Atlas, 2010. DE INTELIGÊNCIA COMERCIAL (DIC). Como Exportar: China. em: 16 mai. 2015. COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC); SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX); DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA Balança Comercial Brasileira: Janeiro-Agosto 2015. desenvolvimento.gov.br/arquivo/secex/ balanca/balcombrasileira/ COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC); SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX); DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA Balança Comercial Brasileira: Janeiro-Dezembro 2014. desenvolvimento.gov.br/arquivo/ secex/balanca/balcombrasileira/
Processando o Saber nº 9, 2017 26 da. O crescimento econômico e a competitividade chinesa. – Rio de Janeiro: IPEA, 2008. O GLOBO. Conferência de Bretton Woods decidiu rumos do pósguerra e criou FMI. São Paulo, 2014. Disponível em: <http://acervo. ago. 2015. Relações de investimentos e comércio entre o Brasil e a China no contexto da rápida expansão chinesa e da trajetória recente da economia brasileira. – Salvador, 2014. Um estudo das relações comerciais entre Brasil e China e da concorrência chinesa em terceiros mercados. – Recife, 2011.