Processando o Saber nº 9, 2017 68 O USO DE RECURSOS AUDIOVISUAIS EM SALA DE AULA: A CRIAÇÃO DE VÍDEOS NAS AULAS DE LÍNGUA INGLESA GUALDA, Linda Catarina, Doutora* *Faculdade de Tecnologia de Itapetininga CEETEPS – Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza Fone (15) 3272-7916
[email protected] RESUMO Os recursos audiovisuais são ferramentas importantes no ensino de Língua Estrangeira, seja por seu caráter interativo e moderno, seja pela proximidade e interesse que despertam no aluno. Televisão, cinema, computador e vídeo veiculam informações, ensinam linguagens, apresentam modelos de comportamento, transmitem valores, ideais e modismos, enunciam discursos de aula ajudam o professor e atraem os alunos, já que aproximam a aula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, e também introduzem novas questões no processo educacional. Isso posto, esse trabalho pretende mostrar a importância do vídeo para o aprendizado de Língua Inglesa. O estudo foi desenvolvido com alunos do primeiro e segundo ciclos do Curso de Comércio Exterior nos períodos matutino e noturno da Fatec Itapetininga/SP em 2014. Além da perspectiva teórica, ou seja, uma revisão próprios alunos, o surgimento da ideia, a temática, os recursos utilizados, a a respeito da relevância da atividade nas aulas de Língua Inglesa não apenas e facilitadora de ensino e produção cultural que promove o trabalho em equipe, a comunicabilidade, a imaginação e a sensibilidade. PALAVRAS-CHAVE Ensino e Aprendizado. https://doi.org/10.5281/zenodo.15548750
Processando o Saber nº 9, 2017 69 ABSTRACT Audiovisual Resources are important tools in Foreign Language Teaching, due to their interactive and modern character, and also for the proximity and interest that they arouse in any student. Television, movies, computer and video convey information, teach languages, have behavior models, transmit values, ideals and fads, and enunciate speeches and dialogues class helps the teacher and attracts students, considering it approaches a daily lesson of learning languages and communication of urban society besides introducing new questions within the educational process. Thus, this paper intends to show the importance of video for English Language Learning. The study was developed with students of the First and Second Semesters of Comércio Exterior Course in morning and evening periods of in other words, a literature review about the subject, the study discusses the preparation of videos by the students, the emergence of the idea, the the overcoming moments and the learning with the experience. This classes not just as a playfulness and dynamic element, but also as an integrative and educational facilitator and production of a cultural tool which promotes work team, communicability, sensitivity and imagination. KEYWORDS: Audiovisual Resouces. Videos. English Language. Teaching and Learning Process. INTRODUÇÃO Sabe-se que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a forma, a organização e a análise lógica, enquanto que a linguagem de requerer constantemente a imaginação e a sensibilidade. A força da linguagem visual está no fato de que ela é capaz de nos mostrar muito mais do que conseguimos captar e por nos atingir de muito mais maneiras do que percebemos. Quando entramos em contato com uma imagem, ela “encontra dentro de nós uma repercussão em imagens básicas, centrais,
Processando o Saber nº 9, 2017 70 p. 2). Sendo uma produção cultural, o audiovisual se vale de símbolos da realidade. Esse apelo faz com que o sujeito compreenda o que assiste de maneira sensitiva, reagindo diante dos estímulos e não apenas diante das argumentações e da razão. De fato, “não se trata de uma simples transmissão de conhecimento, mas sim de aquisição de experiências de GIORDAN, 2006, p. 2). Segundo José Manuel Morán (1995, p.27), o uso de vídeo em sala de aula aproxima a prática educacional à realidade do aluno, ao cotidiano das linguagens de aprendizagem e à comunicação da sociedade contemporânea. Além disso, dialoga com as novas tecnologias, fazendo com que o ambiente escolar seja mais dinâmico e acompanhe as mudanças sociais. A prática do vídeo como ferramenta de aprendizado “combina a comunicação sensorial-cinestésica com o audiovisual, a 2005, p. 78). Isso porque o vídeo explora o ver, o sentir e, através dele, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo e nós mesmos (GRIFFITHS, 2008, p. 67). Pensando nisso, cabe ao educador mostrar aos alunos a contemplem o uso de recursos audiovisuais, o professor deve privilegiar 1 1 OBJETIVOS O presente trabalho pretende apresentar a importância da produção de vídeo e o uso de recursos audiovisuais nas aulas de Língua Inglesa no curso de Tecnologia em Comércio Exterior, na Fatec do seu pensamento (LIBÂNEO, 2003, p. 01). É o ensino que busca criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando a autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos.
Processando o Saber nº 9, 2017 71 Itapetininga, nos primeiros e segundos ciclos dos períodos diurno e noturno no ano de 2014. Pretende-se discorrer sobre como uma simples atividade se tornou uma relevante prática oral para aquisição e consolidação do idioma. A partir do relato de experiência, intencionase mostrar que a produção de vídeo pelos próprios alunos se constitui em ferramenta integradora e facilitadora no processo de ensino/ aprendizado de língua estrangeira, haja vista que tal prática está voltada à aprendizagem ativa, a qual fomenta o protagonismo, a autonomia e dos estudantes. 2 MATERIAIS E MÉTODOS O estudo foi desenvolvido a partir de pesquisas nas áreas de Metodologia de Ensino, Processo de Ensino-Aprendizagem de Língua Estrangeira, em particular de Língua Inglesa, e Prática de Ensino. Além de se abordar a perspectiva teórica do uso de recursos audiovisuais e em especial do vídeo em sala de aula, o artigo discorre ainda a respeito da criação de vídeos pelos próprios alunos. A partir do relato de experiência, prática no processo de ensino e aprendizado de Língua Inglesa. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO O conceito de recurso audiovisual é bastante abrangente, pois nos celulares, tablets, smartphones, a televisão (programas, séries televisivas), o datashow etc. As novas tecnologias de informação e comunicação são elementos de atual. Dessa forma, o audiovisual deve ser visto não apenas como ferramenta ou instrumento, mas em sua dimensão sociocultural, haja vista que os a constituição das identidades e a formação social (TOSCHI, 2000).
Processando o Saber nº 9, 2017 72 Sabe-se que não é possível ministrar aulas sem considerar o aluno, a realidade dele, seus interesses e conhecimentos prévios. Também não é aceitável que o professor esteja afastado do novo contexto ao qual estamos inseridos: a sociedade da informação e do conhecimento, com suas novas tecnologias presentes em todos os setores da vida. Deve-se ter em mente que o sistema educacional está inserido em um contexto sociocultural e não pode existir isoladamente, nem ignorá-lo, já que o ambiente escolar objetiva formar não apenas difusores do conhecimento acadêmico, mas principalmente cidadãos realidade. Assim, é importante que a escola não rejeite esses recursos, ao contrário, incorpore-os ao seu dia a dia, integrando-o às aulas e às demais práticas escolares. baseadas em uma concepção sócio histórica da educação, uma vez que Lourenço Pereira, pesquisador na área da Teoria Cognitiva no Ambiente Multimídia, corrobora que os alunos desenvolvem uma aprendizagem têm relação entre si. Em outras palavras, “o aluno organiza melhor quando existe contiguidade espacial, quando as palavras, o texto e as imagens se encontram próximas umas das outras, atendendo ao fato (PEREIRA, 2014, p. 24). Nesse sentido, a proposta de elaboração de vídeos aqui apresentada parte do pressuposto de que o aluno deve ser protagonista de seu aprendizado, responsável por suas escolhas, saber trabalhar em ainda se valer dos recursos midiáticos, que usa e controla diariamente, no processo de ensino-aprendizado de Língua Inglesa. Sendo sujeito desse processo, cabe ao aluno decidir o que e como fazer a partir da intervenção do professor, que passa a ser mediador do conhecimento e
Processando o Saber nº 9, 2017 73 estudantes, que dialogasse com seus anseios e privilegiasse a interação, a troca, a organização mental e a aplicabilidade de teorias e conceitos de forma omnnilateral2 e autônoma, respeitando a personalidade do aluno. A proposta de atividade foi que nos primeiros e segundos ciclos (diurno e noturno) do curso de Tecnologia em Comércio Exterior, os alunos deviam elaborar um vídeo com tema livre todo falado em Inglês, podendo ser individual ou em grupos de até quatro integrantes e realizado em qualquer local escolhido por eles. Para os primeiros ciclos, o tempo mínimo de fala para cada aluno era de trinta segundos. Já nos segundos ciclos, o tempo mínimo para cada aluno passou de trinta segundos para um minuto e meio. Em ambas as propostas não havia limite de tempo nem restrição idioma Inglês, ou seja, que os estudantes entendessem que a atividade era uma prática oral – Speaking –, mas que envolvia todas as outras habilidades linguísticas como produção de texto – Writing and Grammar –, leitura para elaborar o texto que será apresentado – Reading leitura em voz alta – Listening –, além de competências como trabalho em equipe, liderança, postura, maneiras de lidar com a ansiedade e inibição, trabalhar a autoestima, superar limites, traumas, medos, etc. norteador da tarefa, pois o objetivo não era limitar nem taxar uma forma adequada de apresentação. Pelo contrário, diversidade, criatividade, desinibição e comprometimento faziam parte do objetivo da atividade. Ao dizer que: 1) Os vídeos tiveram duração bastante variada, de trinta segundos a dez minutos, extrapolando a proposta e dando um caráter ainda mais elaborado e fílmico à atividade. ampla diversidade temática muito interessante: desde vídeos pessoais nos quais os alunos se apresentavam timidamente e falavam sobre si e sua vida (monólogo), diálogos simples, leituras de textos 2 Diz-se de um pensamento que defende que o homem deve se sentir completo a partir de sua convivência em sociedade e em seu trabalho. A concepção omnnilateral da educação considera necessário coordenar esforços em uma gama muito variada de aspectos da formação do ser social, portanto, com expressões nos campos da moral, da ética, da política, do fazer prático, da criação intelectual, artística, da afetividade, da sensibilidade, da emoção etc. (LIBÂNEO, 2005, p. 29-30).
Processando o Saber nº 9, 2017 74 3) Grande envolvimento e comprometimento com a atividade: incluindo preparo cênico com personagens devidamente caracterizados organização fílmica (direção), esmero na apresentação (edição e arte), efeitos visuais. 4) Os alunos mostraram real aprendizado, melhorando consideravelmente o nível do idioma, haja vista que superaram ajudaram outros e foram ajudados, aprendendo de forma colaborativa 5) A criação de vídeos foi de fato ferramenta integradora e facilitadora no processo de ensino e aprendizado, pois a atividade da aprendizagem e organizador do ensino. Além disso, a proposta é uma produção cultural que promove o trabalho em equipe, a comunicabilidade, a construção de conhecimentos, o intercâmbio de experiência e saberes, a imaginação e a sensibilidade. 6) Maior interesse e motivação em aprender a Língua Inglesa: a disciplina traumática e frustrante para muitos, passou a ser vista como interessante, acessível e prazerosa. O medo e a insegurança foram substituídos pelo trabalho em grupo e pelo prazer em produzir algo prático, pois não estavam somente estudando Inglês; estavam, além disso, entusiasmados e motivados em ver importância e sentido na prática do idioma. Com essa proposta, intencionou-se motivar os alunos a priorizando o desenvolvimento cognitivo de suas competências e habilidades para ampliar os níveis e a qualidade do aprendizado. Ou seja, fazer com que fossem protagonistas de seu processo de aprendizado, sendo capazes de relacionarem o novo com o adquirido, estabelecendo novas conexões, novas motivações e novos saberes.
Processando o Saber nº 9, 2017 75 CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso dos recursos audiovisuais em sala de aula possibilita ao professor deixar de ser um mero transmissor de informações se tornando um mediador que privilegia e fomenta a autonomia do aluno, o objetivo da atividade aqui exposta foi relacionar o uso do recurso audiovisual aos elementos cognitivos da aprendizagem da Língua Inglesa potencializando os saberes intrínsecos dos alunos e considerando seus conhecimentos prévios e de mundo. Além disso, intencionou-se promover uma atividade atrativa que vinculasse inovação, mudança educativa e produzisse sentido. A ideia foi criar uma nova situação e um novo espaço no qual se pudesse praticar o idioma Inglês, fomentando integrar, de maneira consciente e crítica, o vídeo nas aulas, ou seja, ensinar com tecnologia e não apoiado nela. e pessoal. Podemos dizer ainda que se respeitou a personalidade e os conhecimentos prévios do aluno, se estimulou a criatividade, integrando conhecimento e partilhando experiências. A criação dos vídeos permitiu que cada estudante fosse protagonista de seu processo de aprendizado, desenvolveu e ampliou a competência de leitura crítica do mundo, trocas, os diálogos entre pares e gerou motivação em aprender e a lidar com novas experiências dentro e fora do contexto escolar. REFERÊNCIAS Organização de Ensino. In: Vídeo Educativo, n. 24, novembro de 2006, p. 1-4. BAGNO, M.; RANGEL, E. de O. Tarefas da educação linguística no Brasil. In: Revista Brasileira de Linguística Aplicada, n. 5, 2005, p. 63-81.
Processando o Saber nº 9, 2017 76 GRIFFITHS, C. Lessons from good language learners. Cambridge: Cambridge University Press, 2008. LIBÂNEO, J. C. Questões de Metodologia do Ensino Superior – A Teoria Histórico-Cultural da Atividade de Aprendizagem. Palestra realizada na Pontifícia Universidade Católica de Goiás no dia 05 de agosto de 2003. questoes.pdf acessado em 13 de fevereiro de 2014. ___________. Educação na era do conhecimento em rede e transdisciplinaridade. São Paulo: Alínea, 2005. MORÁN, J.M. O vídeo na sala de aula. In: Revista Comunicação e Educação PEREIRA, J. L. O professor e os recursos audiovisuais: aprendizagem no século XXI. br/Documentos/Livro-O-professor-e-os-recursos-audiovisuais.pdf Acessado em 07 de agosto de 2014. Didática e Interfaces. Rio de Janeiro/ Goiânia: Deescubra, 2007. P. 77-91. Apropriações dos recursos audiovisuais pelos professores do Ensino Médio do Município de Rio Verde – GO. Dissertação de Mestrado. Goiânia, Goiás, outubro de 2009. Universidade Católica de Goiás. TOSCHI, M.S. Didática e Tecnologia da Informação e Comunicação.