PAPIA, São Paulo, 25(2), p. 263-301, Jul/Dez 2015. http://doi.org/10.5281/zenodo.17876089 A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau — o ‘Estado da Arte’ The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau — the state-of-the-art Flaviane R. Fernandes Svartman Universidade de São Paulo, Brasil flavianesv[email protected] Lurdes Teresa Lopes Jorge Universidade de Brasília, Brasil lop[email protected] Márcia Santos Duarte de Oliveira1 Universidade de São Paulo/FAPESP, Brasil marcia.oliv[email protected] Maria de Lurdes Zanoli Universidade de São Paulo, Brasil
[email protected] 1 Projeto Temático 2012/06078-9: ‘A língua portuguesa no tempo e no espaço’. A autora agradece em particular à FAPESP pelo fomento aprovado para o V Congresso Internacional do GELIC na Praia, Cabo Verde, — Processo 2014/124331 — em que este volume PAPIA e este trabalho, em particular, puderam ser organizados. e-ISSN 2316-2767
264 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. Abstract: This paper presents the state of knowledge on the particle k’ (that) in the Capeverdean Creole language, variety of the São Nicolau island (CSN), in the region of Barlavento and also a new analysis proposal developed within the syntax-phonology interface framework for such particle in “cleft” structures of this same language. From the studies that address this particle in CSN (Cardoso 1989; Lopes & Zanoli 2012; Lopes 2012; Jorge Lopes & Oliveira 2013; Miranda & Zanoli 2013; Zanoli 2014), it can be inferred that it can be analyzed as a relative pronoun ( REL PRON), as a complementizer (COMP) and as a focus marker (FOC). Regarding the analysis of k’ (that) as a focus marker in the aforementioned language, in this paper, we propose, in accordance with Jorge, Oliveira & Santos (2015), that the morpheme k’ (that) must be analyzed in conjunction with é (is) — in the case of so called “cleft” structures in the literature “ é + particle k’ ”(“is + particle that”) — as a single domain to a discursive focus position. This parsing is consistent with Chomsky’s minimalist proposals (2008) on the issue of discursive effects in the derivation process, as well as with Chomsky (2000, 2001). The proposed parsing for the morpheme k’ (that) in this work is supported by the comparative analysis of the prosodic structure of relative and cleft clauses in CSN. In the case of relative clauses, the prosodic structure encodes a bi-clausal syntactic structure. In the case of cleft clauses, the prosodic structure encodes a mono-clausal syntactic structure consistent with the proposed analysis of “ é k’ ” (is that): two distinct cores which, although dependent of different operations, work together for the valuation of the discursive trace of a single clause. Keywords: Particle k’; Capeverdean language; variety of the island of São Nicolau; Barlavento’s region; syntax-phonology interface. Resumo: Este trabalho apresenta o estado do conhecimento sobre a partícula k’ no cabo-verdiano, variedade da ilha de São Nicolau (CSN), região de Barlavento e uma nova proposta de análise desenvolvida na interface sintaxe-fonologia, para tal partícula em estruturas “clivadas” dessa mesma língua. Dos estudos que abordam essa partícula em CSN (Cardoso,1989; Lopes & Zanoli 2012; Lopes 2012; Jorge, Lopes & Oliveira 2013; Miranda & Zanoli 2013; Zanoli 2014), depreende-se que ela pode ser analisada como pronome relativo (PRON REL ), complementizador (COMP) e partícula de foco (FOC). No que se refere à análise de k’ como partícula de foco na já referida PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 265 língua, neste artigo propomos, à luz de Jorge, Oliveira & Santos (2015), que o morfema k’ deve ser analisado em conjunto com é — no caso das estruturas que são chamadas na literatura de “clivadas”: é+ partícula “k’” — como um único domínio para uma posição discursiva de foco. Essa análise sintática está em consonância com as propostas minimalistas de Chomsky (2008) acerca da questão de efeitos discursivos na derivação, bem como com as de Chomsky (2000, 2001). A análise sintática que se propõe neste trabalho acerca do morfema k’ encontra respaldo na análise comparativa da estrutura prosódica de sentenças relativas e de sentenças clivadas em CSN. No caso das sentenças relativas, a estrutura prosódica codifica uma estrutura sintática biclausal e, no caso das clivadas, a estrutura prosódica codifica uma estrutura sintática monoclausal, compatível com a análise proposta de “ é k’ ”: dois núcleos distintos e que, ainda na dependência de operações distintas, trabalham em conjunto para a valoração do traço discursivo de uma única oração. Palavras-chave: Partícula k’; língua cabo-verdiana; variedade da ilha de São Nicolau; região de Barlavento; interface sintaxefonologia. 1 Introdução Nesta seção, dividida em três subseções, apresentam-se: (i) aspectos das ilhas de Cabo Verde com enfoque nos grupos de Barlavento, (ii) a partícula k’ , atestada como objeto de estudo nas línguas conhecidas como “reestruturadas” na literatura do contato e (iii) o objetivo e organização do trabalho. 1.1 Cabo Verde e a Ilha de São Nicolau Cabo Verde e sua língua nativa, o cabo-verdiano, são resultados diretamente do fenômeno da expansão ultramarina portuguesa. Esse episódio histórico gerou a mestiçagem de europeus com africanos de diversas línguas e etnias nas ilhas cabo-verdianas. Ao chegarem nas ilhas, os portugueses encontraram-nas desabitadas. Entretanto, o que chamou a atenção dos colonizadores, pode ter sido, logo de início, a posição geográfica do arquipélago que era muito favorável ao tráfico de escravos por se situar na encruzilhada de três continentes — Europa, África e as Américas (Veiga 2002: 3). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
266 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. O arquipélago situa-se cerca de 450 km de distância da costa ocidental africana, no oceano Atlântico, e é composto por dez ilhas que estão divididas em dois grupos: Barlavento e Sotavento. O grupo de Sotavento é composto pelas ilhas de Maio, Santiago, Fogo e Brava; o grupo de Barlavento, pelas ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boavista e Santa Luzia (Baptista 2002: 14). Os dois grupos dialetais maiores, Barlavento e Sotavento, por sua vez, subdividem-se em áreas menores, haja vista que cada ilha possui seu próprio dialeto. Entretanto, cada grupo dialetal possui um epicentro linguístico principal: em Sotavento, o epicentro é a Ilha de Santiago, a primeira ilha a ser ocupada no arquipélago; Barlavento tem como variante principal a ilha de São Vicente — Lopes da Silva (1984: 36-37). A ilha de São Nicolau, cuja variante toma-se como escopo deste trabalho, está situada na região de Barlavento. Essa ilha tem uma população de 14.000 pessoas distribuída em uma área de 346 km 2 . De acordo com a história, a ilha de São Nicolau foi descoberta em dezembro de 1461 por Diogo Afonso, sendo, porém, povoada somente em 1510 por escravos vindos da ilha da Madeira2. São Nicolau foi uma importante colônia portuguesa, pois foi a primeira ilha de Cabo Verde a ter o ensino superior Liceu. O Seminário-Liceu de São Nicolau, que praticamente introduziu o ensino em Cabo Verde, foi criado pelo Decreto-Lei de 3 de Setembro de 1866 e extinto pela Lei n º . 701 de 13 de Junho de 1917 (Neves 2008: 23). Cabo Verde permaneceu como colônia de Portugal até 5 de Julho de 1975, quando alcançaram sua independência, após um longo período de guerras civis. Em 13 de Janeiro de 1990 foi introduzido, oficialmente, o sistema pluripartidário que levaria o país a um sistema democrático. A importância da pesquisa sobre as chamadas “línguas crioulas” como o cabo-verdiano de São Nicolau — daqui em diante, CSN — está ligada à relevância da descrição e explicação de sistemas linguísticos, além de impulsionar hipóteses sobre as línguas de modo geral — ver, entre outros, Holm (1988: 1), Mufwene (1986: 139). No entanto, a variedade CSN — e de todo o grupo Barlavento — ainda é pouco investigada; 3 estudos sobre essas variedades auxiliam na descrição e análise de todo o sistema cabo-verdiano, colaborando para uma melhor compreensão acerca dos ‘crioulos’ da chamada área “Alto da Guiné”. 2Governo de Cabo Verde (2014). 3 Até onde sabemos, os estudos na variedade CSN se resumem aos seguintes estudos até então: Cardoso (1989), Lopes (2012), Lopes & Zanoli (2012) e Zanoli (2014). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 267 1.2 A Partícula k’ e seu Estudo nas Línguas Reestruturadas do Atlântico Oliveira & Holm (2011) 4 atestam o termo “línguas reestruturadas do Atlântico” como um termo técnico relacionado à Linguística do Contato e ratificam que esta terminologia liga-se às línguas atreladas às africanas — as consideradas de ’substrato’. As línguas reestruturadas têm sido divididas ainda em “parcialmente” e “completamente reestruturadas” (Holm: 2004: 76); Holm (op. cit.) apontou que o fator social mais relevante na determinação da estrutura de uma língua parcialmente reestruturada é a relação demográfica entre falantes nativos e não nativos dessa língua (2004: 135-6). Cinco línguas incluem-se no grupo das chamadas “parcialmente reestruturadas”, 5 entre elas, por exemplo, o português vernacular brasileiro. No grupo das “completamente reestruturadas”, estão as conhecidas línguas crioulas, como o cabo-verdiano (variedade CSN), alvo deste trabalho.6 Nos últimos anos, estudos sobre a partícula k’ vêm sendo empreendidos entre as línguas reestruturadas em particular (parcialmente e completamente reestruturadas) — ver, entre outros: Oliveira (2011), (2014); Figueiredo & Santos (2014). Cabe acrescentar, portanto, que os trabalhos ligados ao termo “línguas reestruturadas do Atlântico” — como a maioria dos que são resenhados na seção (3) deste trabalho — assumem uma abordagem de “línguas em contato”. Ainda com relação à partícula k’ , destaca-se que Holm (1980) é um artigo que tem grande relevância para o ecopo deste trabalho. De acordo com o autor (op. cit.: 372): 4Oliveira & Holm (2011: 32; nota 6). 5 Segundo Holm (2004) são cinco as línguas que teriam sofrido “reestruturação parcial”: (i) português brasileiro vernacular (PVB); (ii) espanhol caribenho não padrão (ECNP); (iii) inglês Afroamericano (IA); (iv) Afrikaans (A); (v) francês vernacular de reunião (FVR). O autor propõe que tais línguas teriam se restruturado a partir do português, espanhol, inglês, holandês e francês respectivamente. Essas línguas, segundo Holm (2004) se diferem, tipologicamente, do conjunto das línguas crioulas, que são, segundo o autor, línguas “completamente reestruturadas”. 6 Para uma resenha sobre línguas reestruturadas, ver Oliveira (2014: subseção 1.2). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
268 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. [...] there seems to be a syntactic category ‘highlighter’ in the mother tongues of many of the first West Africans who reanalyzed Portuguese, English and French into the pidgins that became the Atlantic creoles. [. . .] A partícula k’ , associa-se, portanto, em interpretação, ao elemento highlighter citado por Holm (1980). Pesquisas atuais evidenciam um elemento morfossintático — highlighter — em línguas que vêm sendo analisadas como “parcialmente reestruturadas” — no sentido de Holm (2004) —, entre elas: o português falado em Guiné Bissau — Santos & Silva (a sair); o português falado em Almoxarife (São Tomé e Príncipe) e a variedade de português falada no Libolo/Angola — Figueiredo & Santos (2014). Dessa forma, os estudos da partícula k’ em CSN somam-se a um conjunto de estudos que vêm sendo realizados há décadas sobre a temática highlighter no sentido de Holm (1980). 1.3 Objetivo e Organização O objetivo deste trabalho é a apresentação do estado do conhecimento dos estudos da partícula k’ no cabo-verdiano, mais especificamente na variedade da ilha de São Nicolau, região de Barlavento, CSN. Este trabalho está organizado em três seções, além desta introdutória e da conclusão. Na seção (2), apresentam-se breves considerações sobre o referencial teórico em que se baseiam os principais estudos realizados até então sobre a partícula k’ em CSN. Na seção (3), são resenhados os trabalhos sobre a partícula k’ em CSN, enfatizando as análises assentadas no referencial teórico-metodológico de interface sintaxe-fonologia. Na seção (4), apresentase uma proposta de análise na interface sintaxe-fonologia que toma como base os resultados da inspeção da estrutura entoacional de uma sentença clivada e de uma sentença relativa em CSN. As análises revelam que distintas derivações sintáticas associadas a sentenças relativas e a sentenças clivadas são corroboradas por estruturas prosódicas distintas também associadas a uma e a outra estruturas; derivações nas quais a partícula k’ ocupa posições distintas em cada um dos dois tipos de estrutura. Na seção 5, são apresentadas as conclusões do trabalho. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 269 2 Referencial teórico — breves considerações A seguir introduz-se brevemente: (i) o quadro teórico que a maioria dos autores resenhados na seção (3) toma como escopo de análise para seus trabalhos sobre a partícula k’ em CSN; e (ii) considerações acerca do quadro teórico que se assume, neste trabalho, para a análise fonológica (especificamente, prosódica) dos dados de CSN aqui apresentados na seção (4): a teoria da Fonologia Entoacional Métrica Autossegmental (doravante, Fonologia Entoacional) (Pierrehumbert 1980; Pierrehumbert e Beckman 1988; Ladd 1996, 2008; Jun 2005, 2014 entre outros) 7 . A maioria dos estudos envolvendo a partícula k’ em CSN aborda a categoria sintático/discursiva foco e o processo sintático “clivagem”. Alguns desses estudos também se dedicam à análise entoacional das sentenças. 2.1 A Abordagem Sintática — A Operação “Clivagem” Nesta subseção, trata-se resumidamente do processo sintático “clivagem” — uma estrutura conhecida na literatura como “estrutura biclausal” — (Braga, Kato & Mioto 2009, entre outros). Como já mencionado, a maioria dos estudos em CSN com escopo sobre a partícula k’ apresenta análises envolvendo clivadas. Tomadas como sentenças marcadas, assim como as pseudoclivadas, sentenças clivadas são o resultado de uma operação de ensanduichamento de um determinado sintagma da sentença entre a “cópula” e um “que”. Observe o exemplo abaixo: (1) Foi um pastel ique o Eduardo comeu _ ti(e não um sanduíche). A operação em (1) é realizada para destacar sintaticamente o “foco”, seja para identificar o foco assertivo (informacional) ou o foco contrastivo. Os dois tipos de focos acima mencionados, o contrastivo e o informacional, são atestados em línguas como o português e o cabo-verdiano. Uma das maneiras para expressar o foco, por meio da sintaxe, é através de estruturas clivadas. Para Costa & Duarte (2001: 631), por exemplo, clivagens são estruturas que envolvem movimento-A-barra 8 , mas não implicam movimento-QU para fora do domínio em que se dá a relação de identificação. Costa & Duarte (2001: 627) afirmam que as clivadas são estruturas identificacionais em que a relação de identificação se estabelece entre dois termos de uma mini-oração (SC - Small Clause) 9 , e os constituintes clivados deslocam-se de uma posição 7 A abordagem sintática na seção 4, como será vista, baseia-se em propostas diversas da literatura e em proposta recente. 8Movimento de elementos para posições não argumentais. 9Todas as abreviaturas e símbolos encontram-se ao final do trabalho. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
270 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. interna à SC para [Spec, IP]. Os autores afirmam, ainda, que todos os tipos de clivadas são derivados de duas estruturas identificacionais subjacentes (cf. (2)). (2) a. [IP ser [SC [CP {o que/OP que} o João comeu] [DP o bolo]]] (Clivadas-QU, pseudoclivadas básicas, pseudoclivadas invertidas ou clivadas) b. [IP {ser/é que} [SC [CP OP [IP o João comeu]] [DP o bolo]]] (Pseudoclivadas invertidas de é que, pseudoclivadas e semipseudoclivadas básicas) (Costa & Duarte 2001: 628, dados renumerados) Construções clivadas são vistas na literatura como estruturas que contêm relativas (ver, entre outros, Braga, Kato & Mioto 2009: 283). No entanto, muitos trabalhos sobre clivada (e foco) vêm assumindo a leitura semântica da clivagem que se observa em Modesto (2001), ratificada em Mioto & Negrão (2007). Para Mioto & Negrão (op. cit.), nem toda construção em que um dado elemento ocorre ‘ensanduichado’ entre a cópula e a palavra ‘que’ contém uma relativa, diferentemente do que afirmam Braga, Kato & Mioto (2009: 283). Mioto & Negrão (2007), seguindo Modesto (2001: 37), tomam as leituras de ‘contraste’, ‘exclusividade’ e ‘exaustividade’ como as principais características das construções clivadas, ao lado da ‘leitura especificacional’. Em sentenças especificacionais, há a especificação de um valor a uma variável. Nas sentenças clivadas, o constituinte focalizado funciona como esse valor, e a sentença introduzida pelo ‘que’ é a variável: (3) [É o bolo que] ela está assando valor: o bolo variável: x que ela está assando Assim, o processo de clivagem gera uma predicação com leitura especificacional, caracterizada pela obrigatoriedade de atribuição de um valor a uma variável — (Modesto 2001: 33). Assim, em (3), por exemplo, atribui-se um valor à variável, que deve ser, necessariamente, o foco da sentença — o bolo; ao final do “processo”, portanto, é possível proferir uma sentença como (4) — com valor de “foco contrastivo” no DP o bolo: (4) É o bolo que ela está assando (não o frango). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 271 Desse modo, a relação entre valor/variável presente em sentenças clivadas é a responsável por leituras como em (4), visto que o valor atribuído a uma variável faz contraste com todos os outros valores que não foram selecionados, acrescentando ainda uma leitura de exclusividade como em (5), por exemplo: (5) É o Eduardo que gosta de feijão (e não o Francisco). Na sentença (5), podemos pressupor que, assim como há um indivíduo que gosta de feijão (pressuposição de existência), há pelo menos uma pessoa que não gosta (pressuposição de exclusividade). Assim, a leitura de exaustividade está em todos os valores que satisfazem a variável das clivadas. A proposta de Mioto & Negrão (2007) sobre clivadas serem estruturas que apresentam, obrigatoriamente, uma leitura especificacional — e não predicacional —, no sentido de Modesto (2001), tem uma importante implicação dentro da análise tradicional que se toma para as clivadas. Ao se assumir que as clivadas apresentam uma leitura especificacional, consequentemente se exclui a análise de que essas mesmas sentenças possam conter uma relativa (Santos & Oliveira 2011: 278). Entretanto, Mioto & Negrão também afirmam que existem algumas estruturas “similares” a estruturas clivadas que podem ter uma análise interna de SC (possivelmente contendo relativas) — as estruturas predicacionais (copulativas). A seguir apresentase um cotejo entre estruturas especificionais (clivadas) e predicacionais (copulativas)10: (6) a. Quem gosta dele? b. É a menina que gosta dele. A sentença (6a) é uma pergunta-contexto. Como resposta a essa pergunta, em (6b), atribui-se ao DP [a menina] o valor atribuído à variável xem “x que gosta dele”: o valor de foco ao DP [a menina] em (6b). Portanto, pode-se dizer que, em (6b), há uma construção clivada. Diferentemente, pode-se obter a mesma sentença em outro contexto discursivo em que não ocorre construção clivada:11 (7) a. Qual é a pessoa que vamos chamar para a festa de Pedro? 10Santos (2010: 36); dados (26)-(27), renumerados. 11Santos (2010: 36); dados (28)-(29), renumerados. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
278 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. Segundo Lopes (2012: 85), só o morfema k’ “que” pode introduzir relativas com um NP antecedente explícito em CSN 26 . Isso é evidência da impossibilidade de ma (em (16b)) ser tomado como elemento relativizador. Por outro lado, na estrutura correspondente a “falou que”, o emprego de ma não torna a sentença agramatical: (17) Manel Manel faló falar-PST -m 1SG.DAT ma COMP bo 2SG.NOM jga chegar-PST ont ontem ‘Manoel me falou que você chegou ontem.’ Assim, os dados acima sugerem que, em CSN, ma e k’ exibem propriedades distintas, aspecto esse que leva a uma questão interessante: o comportamento de k’ e ma pode servir, ainda, de diagnóstico para a diferenciação entre as estruturas completivas e as relativas restritivas? A fim de ratificarem a ambiguidade teórica existente no termo COMP REL apresentada na análise de Lopes (2012), vista em (16), Jorge, Lopes & Oliveira (2013) seguem apresentando dados de Lopes (2012) relativos à complementação em CSN. Nos dados abaixo, a sentença encaixada denota uma proposição. Para Lopes (op. cit.), embora o morfema k’ “que” também possa ser usado nesse tipo de estrutura — veja (19) — o morfema ma “que” é o complementizador default para as completivas — veja (18) (dado (17), renumerado): (18) Manel Manel faló falar-PST -m 1SG.DAT ma COMP bo 2SG.NOM jga chegar-PST ont ontem ‘Manoel me falou que você chegou ontem.’ (19) Manel Manoel faló-m falar-PST k’ COMP bo 2SG.NOM jgo chegar-PST ont ontem ‘Manoel me falou que você chegou ontem.’ 26Lopes (2012: 83); dado (8a), renumerado. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 279 Jorge, Lopes & Oliveira (2013) confirmam, a partir de dados como os em (18)-(19) que, em CSN, o complementizador ma “que” não possui as propriedades de um relativizador. Em (19), observa-se que o elemento k’ não tem um sintagma nominal como antecedente — diferentemente do que se observa em (16a), onde há a ocorrência de um NP/DP como antecedente de k’ . Assim, os autores se perguntam, em relação aos dados em (18)-(19), se os morfemas ma e k’ não atuariam, nesses casos, como um conjunto alomórfico de complementizadores em CSN. Para Jorge, Lopes & Oliveira (2013), k’ é pronome relativo em estruturas como (16a), aspecto esse que se confirma — ainda que não se possa chegar a uma descrição mais detalhada sobre o comportamento sintático do morfema k’ em (19). Para os autores (op. cit.), no entanto, é possível apontar que um morfema k’ com propriedades distribucionais — a serem melhor observadas — mais restritas que a do morfema ma pode ser concatenado com C ° se e somente se não houver, na derivação, elemento que instancie propriedades semânticas como as de elementos nominais — esse traço, que pode ser efeito de atribuição de valor referencial a nomes comuns, seria explicitado, na derivação sintática, como impossibilidade de movimento. Jorge, Lopes & Oliveira (2013) tentam provar que, nas estruturas sob enfoque, os morfemas ma e k’ não têm comportamento idêntico, no que se refere a operações da sintaxe propriamente dita — o que advém do conjunto de propriedades desses itens lexicais. Os autores seguem a proposta de (Kayne 1994, entre outros) de que relativas restritivas são estruturas derivadas por alçamento (raising) 27 . Em suma, o processo de relativização de um NP/DP resulta da explicitação de um ‘pronome’, um item lexical considerado em teoria da gramática como não primitivo, ou seja, o pronome relativo resulta de uma determinada operação — quando há na língua elemento que corresponda, na morfologia, a um ‘pronome’ —, a qual não será descrita neste trabalho28. Portanto, para Jorge, Lopes & Oliveira (op. cit.), por meio de (16a) — renumerado — é possível apresentar algumas evidências significativas no que se refere à ideia de que os morfemas ma e k’ instanciam relações distintas nessa variedade cabo-verdiana: 27 Sobre a proposta de derivação de estruturas relativas por alçamento — raising — a partir de Kayne (1994) em que Oliveira, Jorge & Lopes (2013) se baseiam, ver detalhes na seção (4) deste trabalho. 28 Chama-se a atenção para o fato de que, em algumas línguas, não há pronome correspondente; logo, o NP/DP é relativizado “posicionalmente” , ou seja, pode instanciar algum outro elemento morfológico no próprio NP/DP, como é o caso, por exemplo, do turco — ver Csató & Uchturpani (2010). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
280 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. (20) N odja kel ôm k’ bo faló-m ma é mérkon ‘Eu vi aquele homem que você me falou que é americano.’ O dado (20) traz, do ponto de vista semântico, uma relação interessante entre os ‘eventos’ que, para os autores (op cit.), importa explicitar. Observese: 1. X falou para Y que Z é americano (ou seja, Y não deveria saber a nacionalidade de Z); 2. (depois de X ter falado a Y, numa ocasião tal, que Z era americano) Y (em outro momento) viu Z (sobre o qual X havia falado : “Z é americano”); 3. [ você me falou [que [aquele homem é americano ] & [eu vi aquele homem [aquele homem [você me falou [que [aquele homem é americano]]]];29 4. (isso quer dizer:) Y viu aquele homem sobre o qual X falou que aquele homem era americano Com essa descrição informal, Jorge, Lopes & Oliveira (2013) procuram apontar que — em virtude de aspectos semânticos de ordenação temporal, e suas implicações na estruturação sintática, entre os eventos ‘falar’ e ‘ver’ — instancia-se, no curso da derivação sintática, uma relação interessante entre ‘operações’ que incidem sobre o valor referencial de sintagmas nominais — aqui, instanciadas como ‘estrutura de relativização’ — ou seja, a estrutura relativa restritiva — e ‘operações’ que incidem sobre um predicador verbal. No caso, a forma verbal ‘falou’ — a qual, no dado (20), deve ser instanciada por um CP, tendo em vista que o complemento de ‘falou’, sendo uma proposição — não pode ser um DP (cf. por exemplo, “ *Você falou o homem americano” vs. OK: “Você falou uma história americana”). O CP instanciado pela forma verbal ‘falou’ representa uma estrutura completiva. Importa apontar, ainda, que — citem-se, para tanto, as propriedades dos itens lexicais no que se refere a seus traços formais e semânticos, movimento —, no curso da derivação, há operações de movimento, no que se refere, em especial, ao DP — sintagma determinante (sintagma nominal). Logo, segundo Jorge, Lopes & Oliveira (2013), em versão ‘simplificada’, pode-se acrescentar que, em (20): 29Os ‘tachados’ explicitam os ‘movimentos’. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 281 • O termo kel ôm “aquele homem” da sentença matriz é relativizado, e a esse DP ‘complexo’ segue-se a estrutura de complementação — CP — bo faló-m ma é mérkon’ ”você me falou que é americano”; • A estrutura que instancia a relativização de kel ôm “aquele homem” é bo faló-m ma “você me falou que”; assim, ‘’aquele homem” é um ‘antecedente nominal’ do morfema k’ (observe-se que o relativo nada mais é do que a ‘pronominalização’ de ‘aquele homem’), como efeito de movimento de “aquele homem” — ‘sujeito’ da cópula ‘ser’ para a posição de argumento de ‘ver’. 3.4.1 Considerações da derivação de relativas neste trabalho tomadas a partir de Jorge, Lopes & Oliveira (2013) Neste trabalho em específico, com implicações em derivação de relativas — como apresentaremos na seção (4) — o constituinte kel ôm “aquele homem” (exemplificado em (20) por Jorge, Lopes & Oliveira (2013)) seria relativizado por movimento — raising — à la Kayne (1994). Observamos que essa informação acerca da proposta de Kayne (op.cit) basta, em nosso ‘recorte’, para o fenômeno que queremos analisar qual seja, o comportamento distinto, na derivação, do morfema k’ / “que”, em relação ao morfema ma . A proposta de Kayne (op. cit.) para as relativas restritivas com ‘pronome relativo’ 30 centra-se, grosso modo, na ideia de que tais estruturas são CPs selecionados por um determinante (D º ) — aqui, ratificamos que tal aspecto evoca a ideia de construção de valor referencial dos elementos nominais, já mencionados neste trabalho. A estrutura relativizada ‘completa-se’ com o alçamento, para a posição de especificador de CP, do DP que, nesse caso, é nucleado por um pronome relativo. Em (21), exemplifica-se a proposta de Kayne (op. cit.) para efeito, apenas, de ilustração, pois, como já mencionado, interessa-nos, na realidade, o insight — talvez pouco explorado — que se pode obter da proposta de Kayne (op. cit.) acerca da ‘relativização’: trata-se de aspectos semânticos de operação de determinação do valor referencial de um ‘nominal’ (Mateus et alii. 1983: 45-78), em especial o de ‘nomes comuns’: (21) .......[DP [D’ aquele [ CP [DP [ homem]j[D’ que tj]]i[C’ você disse [....... 30Observe-se que ‘that’, do inglês, não é considerando pronome relativo. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
282 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. Na representação de dados do cabo-verdiano, que se faz a seguir, ratifica-se a ideia da plausibilidade de movimento — raising — de um DP em ‘direção’ a outro DP, tendo em vista a construção do valor referencial do ‘nome comum’, que faz parte da estrutura interna do DPs. Ainda importa observar que (i) os elementos movidos deixam ‘cópias’, representadas, em (21), por ‘vestígios’, marcados pelos índices i e j , pois se trata de análise à la Princípio & Parâmetros (Chomsky 1986) 31 ; (ii) na estrutura completiva, a cópia apagada por movimento não tem realização fonética (aqui representada por Ø, para facilidade de leitura); (iii) os itens que representam elementos ‘preposicionais’, em (23)/(24), remetem a outras variantes, quanto à possibilidade de emprego das chamadas relações de ‘regência’, em que o pronome relativo — mas não o complementizador, cf. (25) — é antecedido de ‘preposição’ compatível com ‘falar’ (falar (‘algo’ ) — para X — sobre/de/ Y: (22) Eu vi [aquele homem que (=aquele homem )você me falou que aquele homem é americano] (23) ........[ DP [D ´ aquele [CP [DP [NP homem][D ´ que ( aquele homem )]][C ´ você me falou [CP que aquele homem é americano (24) ......[ aquele homem sobre o qual/de quem/de que/do qual/ você me falou que Ø é americano] (25) Eu vi aquele homem sobre o qual/de quem/de que/do qual/ você me falou que aquele homem é americano. (26) * Eu vi aquele homem que você me falou sobre o qual/de quem/de que/do qual/ é americano As representações em (25) e (26), se acrescida uma preposição, 32 mostram que, em (21), é apenas aparente uma ‘dupla’ relativização, se acrescida a preposição na sequência linear. Assim, pode-se concluir que k’ e ma codificam relações distintas entre os elementos, os quais são instanciações de ‘partes’ diferenciadas no curso da derivação. Logo, depreende-se e ratifica-se a partir do estudo de Jorge, Lopes & Oliveira (2013) que a partícula k’ em CSN, em contextos sintáticos como os em (20), deve ser analisada como: •Pronome Relativo (PRONREL) em orações relativas. 31 Há condições para a realização fonética de cópias, as quais não poderão ser tratadas neste trabalho. 32E ainda levados em conta os aspectos relativos à ‘concatenação’ — merge. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 283 3.5 Miranda & Zanoli (2013) Miranda & Zanoli (2013) aplicaram testes para obtenção de foco em CSN e não encontraram clivadas reduzidas como meio de focalização da categoria ‘sujeito’ no corpus investigado. No entanto, o que interessa para este trabalho é apontar o morfema k’ no trabalho das autoras — ver (28) —, produzido em respostas a sentenças-contextos, como a apresentada em (27)33: Sentença-contexto (27) Na Em Saninklau São Nicolau kin quem k’ COMP ta HAB korriji corrigir fidj? filho ‘Em São Nicolau, quem corrige o filho?’ Foco da Categoria Sujeito em CSN (28) É COP pai pai k’ FOC ta HAB korriji corrigir fidji filho ‘É pai que corrige o filho.’ Segundo Miranda & Zanoli (2013), a sentença (28), uma construção considerada “clivada canônica” (COP + elemento focalizado + FOC), é um ambiente ideal de obtenção de foco em CSN, formada respectivamente pelos seguintes constituintes: • cópula [COP] é “ser” + nome [NP] pai “pai” + marcador de foco [FOC] k’ “que” Logo, em Miranda & Zanoli (2013), atesta-se o k’ “que” como: •Partícula de Foco (FOC) em estruturas clivadas. •COMPLEMENTIZADOR (COMP) em perguntas-QU 33 Os dados apresentados nesta subseção são de Miranda & Zanoli (2013), (27)-(28) renumerados; os grifos são nossos. As glosas são das autoras deste trabalho. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
284 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. 3.6 Zanoli (2014) Zanoli (2014) confirma a maioria das conclusões do estudo de Lopes & Zanoli (2012) e de Miranda e Zanoli (2013) de que a estratégia de focalização da categoria ‘sujeito’ em CSN se dá por meio de estruturas clivadas. 34 Zanoli (2014) corrobora análises que enfatizam que nem toda construção clivada contém uma relativa, apontando distinção entre sentenças relativas — sem marcação de foco — de construções clivadas — sentenças com marcação de ‘foco’. Desse modo, Zanoli (op. cit.), em sua pesquisa, prioriza a análise de sentenças clivadas, por serem essas estruturas as consideradas marcadoras de foco canônico em CSN, mais especificamente, a clivada canônica para o foco informativo, e a clivada invertida para a marcação de foco contrastivo. Entretanto, os dados analisados pela autora (op. cit.) apontaram, ainda, outras possibilidades de interpretação, além dessas apresentadas no estudo de Lopes & Zanoli (2012) e no de Miranda e Zanoli (2013), como por exemplo, a clivada com dupla cópula tanto para a marcação de foco contrastivo quanto para o foco informativo. Para sua análise, Zanoli (2014) tomou: (i) um grupo de sentenças relativas (chama-se a atenção para o fato de que essas sentenças relativas não foram assumidas por Zanoli (2014) como “sentenças neutras) 35 , (iii) um grupo de sentenças com marcação de ‘foco contrastivo’ do constituinte ‘sujeito’ e (iii) outro grupo com marcação de ‘foco informacional’ também do constituinte ‘sujeito’. Zanoli (op. cit.) submeteu todos esses grupos de sentenças à análise entoacional com base nos pressupostos teóricos da Fonologia Entoacional (ver subseção (2.2) deste artigo — e fazendo uso da ferramenta computacional de análise de fala Praat (Boersma & Weenink 2014). Com relação à análise entoacional dos dados de Zanoli (op. cit.), a autora observa diferenças na estrutura prosódica associada às sentenças clivadas (expressando foco contrastivo e foco informacional) em comparação com a estrutura prosódica associada às sentenças relativas. Para as sentenças clivadas, a autora observa ascendência da curva entoacional (marcada pelo acento tonal L*+H) associada ao sujeito focalizado e manutenção da gama de variação de altura (pitch range) da sentença após esse elemento. Já a estrutura entoacional associada às sentenças relativas, nos dados da mesma autora, é marcada por achatamento, em escala de F0, da gama de variação de altura no trecho de 34Rever subseções (3.2) e (3.5). 35 Em Lopes (2012), um experimento bastante similar é realizado, no entanto, esse autor assume que “sentenças relativas” são “sentenças neutras”. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 285 produção da sentença relativa e por ascendência da curva entoacional na última palavra da sentença relativa ou na palavra que imediatamente a segue, retomando o nível da gama de variação do trecho que antecede a relativa. Zanoli (2014), no que se refere especificamente à partícula k’ em CSN, assume a proposta de Jorge, Lopes & Oliveira (2013) — ver seção (3.4) — de que, nas relativas, esse morfema é considerado pronome relativo (PRO REL ). Assume ainda a proposta anterior desses autores de que, em sentenças focalizadas, o k’ deva ser tratado como ‘partícula marcadora de foco’ ou [FOC]. Com testes mais amplos, abrangendo um número maior de dados e de informantes, Zanoli (2014) obteve análises mais acuradas acerca da checagem ‘foco’ da categoria ‘sujeito’ em CSN, e, além de confirmar a estrutura clivada como a única possibilidade de se realizar ‘foco’ nesta variedade (como já afirmado anteriormente em outros trabalhos — ver subseções (3.2), (3.3) e (3.5) deste artigo), a autora também atestou diferentes tipos de clivagem na marcação de ‘foco’. Em sua análise, Zanoli (2014) observou que, na maioria das ocorrências encontradas, o tipo preferencial de clivagem para expressão do ‘foco contrastivo’ da posição ‘sujeito’ é a “invertida”, como exemplificado a seguir:36 (29) Naun, Não ôm homem é COP k’ FOC ta HAB papia falar d’más demais ‘Não, homem é que fala demais.’ No entanto, para a realização do foco contrastivo, Zanoli (2014) atestou, ainda, clivada com dupla cópula: (30) Naun, Não é COP um DET munsinh menino é COP k’ FOC panhoroubar b 2ªsg bo OBJ bol bolo ‘Não, é um rapaz é que te apanhou seu bolo.’ No que se refere ao ‘foco informacional’, Lopes & Zanoli (2012) não encontram estruturas com clivagem invertida para a marcação da posição ‘sujeito’ em CSN — ver seção (3.2). Entretanto, Zanoli (2014) atesta em sua pesquisa esse tipo de estrutura para a expressão desse tipo de foco: 36 Todos os dados desta subseção são de Zanoli (2014), renumerados; os grifos são nossos. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
286 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. (31) Um DET moss moço é COP k’ FOC bem vir d’Brazil do aont Brasil ontem ‘Foi um moço que veio do Brasil ontem.’ Finalizamos esta subseção concluindo que, segundo o estudo de Zanoli (2014), a partícula k’ em CSN é analisada como: •Pronome Relativo (PRONREL) em estruturas relativas •Partícula de Foco (FOC) em estruturas clivadas 4 A interface sintaxe-fonologia no estudo da partícula k’ em CSN Nesta seção comenta-se e amplia-se a análise de Zanoli (2014), uma vez que Zanoli (op. cit.) representa uma importante contribuição, no âmbito da interface sintaxe-fonologia, ao se apresentarem considerações acerca de dados relacionados a orações relativas e às denominadas “clivadas” em CSN. Duas estruturas prosódicas diferentes, associadas a dois tipos de estruturas sintáticas nessa variedade da língua cabo-verdiana ratificam, ainda, diferentes análises para a partícula k’. Inicia-se apresentando a análise prosódica da produção de uma sentença relativa em CSN (trecho sublinhado em 33), condicionada por uma sentença que introduz a relativa, denominada por Zanoli (2014) de sentença-contexto da relativa (32) 37 . Em (32), introduz-se a sentença-contexto e, em (33), a relativa, seguida da Figura 138: Sentença-contexto da Relativa: (32) Kas Quais mnina meninas é COP k’ COMP torna voltar ben vir ôj? hoje ‘Quais meninas voltaram hoje?’ 37 Atente o leitor para o fato de que, nas glosas dos dados, mantém-se, em geral, a ‘classificação’ dos elementos ‘lexicais’ de acordo com Zanoli (2014). Para os elementos ‘funcionais’, contudo, apresenta-se variação em relação à análise de Zanoli (op. cit.). 38 As figuras e dados nesta seção são parte da pesquisa e do estudo apresentado em Zanoli (2014) — ver seção (3.6). Nos dados, as siglas referentes à identificação dos informantes foram retiradas. Os grifos são nossos. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 287 Oração Relativa: (33) Uns DET mnininha meninas k’ PROREL robó roubar -m 1.SG.OBJ goeba goiaba torna voltar ben vir oj hoje ‘Umas meninas que me roubaram goiaba voltaram hoje.’ Fig. 1: Contorno entoacional da sentença produzida por uma falante nativa de CSN: Uns mnininha k’robó-m goeba torna ben oj , que contém oração relativa (trecho sublinhado). Por meio da observação da Figura 1, relativa à análise prosódica da sentença Uns mnininha k’robó-m goeba torna ben oj “Umas menininhas que PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
294 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. O que se quer enfatizar neste trabalho, cotejando-se as Figuras 2 e 3 nesta seção, é que, na Figura 2, a representação prosódica da oração relativa reflete uma estrutura de “biclausalidade” que se expressa, prosodicamente, por meio do “achatamento da gama de variação da curva entoacional”. Diferentemente, na Figura 3, observa-se que o mapeamento da estrutura prosódica da sentença em (37) indica que derivações sintáticas que contêm categorias “ é k’ ” “é que” em CSN devem ser interpretadas como orações “monoclausais” (e não como biclausausais). Tal fato é representado na Figura (3) por meio da ascendência da curva entoacional associada ao elemento ôz “asno” e pela manutenção da gama de variação da curva entoacional após esse elemento, codificando uma única estrutura em termos prosódicos (uma única frase entoacional 48 ). Atente-se, portanto, como já mencionado acima, que, caso fosse considerado um enfoque sintático representacional do fenômeno envolvendo as categorias “ ék’ ” “é que” em (37) em CSN, centrado em “clivagem”, por exemplo — em que é fosse analisado como verbo copulativo e k’ complementizador 49 — não se poderia explicar os resultados da análise entoacional de (37) que são depreendidos a partir da Figura 3: o de uma única frase entoacional (em termos prosódicos) e que equivale, nesse caso, a uma única sentença sintática. Ao término das considerações acerca das orações em (34) e (37) em CSN, ratifica-se que o mapeamento da estrutura prosódica leva em conta a derivação sintática (Nespor & Vogel 1986, 2007; entre outros). Finaliza-se esta seção, como todas as subseções da seção (3), evidenciandose a análise enfocada para a partícula k’ em CSN: •Pronome Relativo (PRONREL) em estruturas relativas como em (34) •k’ , em sentenças como a apresentada em (37), é um elemento de propriedades formais e semânticas que atua como um domínio para uma posição discursiva Logo, seguindo a proposta de Jorge, Oliveira & Santos (2015), “ k’ ” “que”, em orações como a apresentada em (37) em CSN, diferentemente de ser analisado como “complementizador” ou ainda “partícula de foco” — dentro de uma proposta de clivada (análise de ‘biclausalidade’) — é analisado, neste trabalho, em conjunto com ‘’ é ”, não como um item lexical “ ék’ ” “é que”, mas como duas categorias que, em conjunto, são um ‘marco’, especificamente, um domínio para a posição de foco. Portanto, em uma análise de ‘monoclausalidade’, ratificada pela estrutura prosódica da Figura 3, “ é ” e “ k’ ”, respectivamente, se distribuem pela fase CP e pelo domínio TP da fase CP. 48Sobre a formação de frase entoacional, conferir Nespor & Vogel (1986, 2007). 49 Logo, sob a análise da “clivagem”, a oração em (37), contendo as categorias “ é k’ ” “é que”, seria uma estrutura biclausal. Observe o leitor que a proposta que se insere nesta seção, e em (37), contemplando as categorias “ é k’ ” “é que”, é de estrutura monoclausal. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 295 5 Conclusão Este artigo teve como escopo o estado do conhecimento da partícula k’ no cabo-verdiano, variedade de São Nicolau. A partir da introdução, apontou-se que essa partícula, desde os idos dos anos 80, tem sido associada a línguas da expansão “Atlântica” — línguas envolvendo o contato linguístico com África (no sentido de Oliveira & Holm 2011: 32; nota 6) — a um elemento morfossintático conhecido como highlighter (Holm 1980). A maioria dos estudos envolvendo a partícula k’ em CSN interpreta o highlighter como a categoria sintático/discursiva foco e o analisa dentro do processo sintático da “clivagem”. Alguns desses estudos também se dedicam à análise entoacional das sentenças. Apresentou-se uma resenha dos estudos em CSN sobre a partícula k’ : Lopes (2012), ao descrever elementos introdutores de orações relativas em São Nicolau, segue a proposta de De Vries (2002) para relativas de um modo geral, corroborando o k’ “que” como ‘complementizador relativo’ (COMP REL ). Oliveira, Jorge & Lopes (2013), ainda que não tratando de clivadas, apontam para uma ambiguidade teórica no que concerne à nomenclatura de De Vries (2002), ratificada em Lopes (2012), levando esses autores a discordarem do termo COMP REL atribuído à partícula k’ e a proporem que esta, em relativas, seja considerada, pronome relativo (PRON REL ). Os autores vão mais além e desenvolvem uma análise da relativa em CSN “por alçamento” — Kayne (1994) — não mais baseando-se, portanto, na análise “clássica gerativista” de movimento-WH — Chomsky (1977). Observa-se, ainda, que, segundo Lopes (2012), estruturas clivadas se diferem de copulativas em CSN; logo, o morfema k’ que introduz clivadas não pode ser analisado como (COMP REL ), visto corroborar que clivadas não contêm relativas. Neste caso, o k’ é considerado partícula de foco (FOC) para Lopes (2012). Lopes & Zanoli (2012) e Miranda & Zanoli (2013), centrados na análise de clivadas, também ratificam a partícula k’ como marcadora de foco: Lopes & Zanoli (2012) concluem que clivadas são as estruturas canônicas para focalização do sujeito; Miranda & Zanoli (2013), por meio de testes, não encontram clivadas reduzidas no corpus de CSN (como meio de focalização do sujeito). Zanoli (2014) ratifica, por meio de testes sintático-prosódicos, que a estratégia de focalização do elemento sujeito em CSN se dá unicamente por meio de estruturas clivadas. A autora (op. cit.), entretanto, atesta diferentes tipos de clivagens na marcação do foco: (i) para o ‘foco contrastivo’ da posição ‘sujeito, o tipo preferencial de clivagem é a invertida. Entretanto, atestou-se PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
296 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. também a clivagem canônica e a clivada com dupla cópula; (ii) para o ‘foco informacional’ da posição sujeito, atestou-se, ainda que com poucas ocorrências, estruturas com dupla cópula, clivadas invertidas, além da canônica. Da resenha dos autores, pode-se depreender que a partícula k’ “que” em CSN pode ser analisada como: pronome relativo (PRON REL ), complementizador (COMP) e partícula de foco (FOC). Na última seção do trabalho, comenta-se e amplia-se a análise de Zanoli (2014), por se considerar que este trabalho represente uma importante contribuição no âmbito da interface sintaxe-fonologia ao se apresentarem considerações acerca de dados relacionados a orações relativas e às denominadas “clivadas” em CSN. Assim, duas estruturas prosódicas diferentes associadas a dois tipos de estruturas sintáticas nessa variedade da língua cabo-verdiana ratificam diferentes análises para a partícula k’ . Por meio da representação prosódica de uma oração relativa, ratifica-se uma estrutura de “biclausalidade”. No entanto, é também nessa seção, por meio do mapeamento da estrutura prosódica de uma estrutura até então considerada “clivada” que se depreende uma nova interpretação sintática para a categoria k’ : tal categoria juntamente com “ é ”, em sentenças de CSN como a apresentada em (37), passam a ser interpretadas como fazendo parte de uma única oração “monoclausal”. Tal interpretação resulta da análise prosódica representada na Figura (3) da sentença em (37). Na referida figura, a ascendência da curva entoacional associada ao elemento focalizado ôz “asno”, seguida pela manutenção da gama de variação da curva entoacional após esse elemento, representam, entoacionalmente, uma única frase entoacional que corresponde à estrutura monoclausal. Logo, como já mencionado, k’ , em sentenças como em (37) — em conjunto com “ é ” — é analisada como um marco, um domínio para uma posição discursiva, no caso, foco. Abreviaturas 1/2sg: pronome de 1a. ou 2a. singular; A: Afrikaans; AAE: African American English; BVP: Brazilian Vernacular Portuguese; COP: Cópula; CP: complentizador phrase (sintagma complementizador); COMP REL: Complementizador Relativo; COMP: Complemetizador; CSN: Crioulo de São Nicolau; DAT: Dativo; DP: Determinant Phrase (Sintagma Determinante); DEM: Demonstrativo; DET: Determinante; PST: Português Europeu; FOC: Foco; HAB: Aspecto Habitual (partícula TMA); IP: Inflectional Phrase (Sintagma Flexão); NEG: Negação; NOM: Nominativo; NP: Nominal Phrase (Sintagma Nominal); OBJ: Objeto; OP: Operador; Ø: Morfema Zero; PRFV: Morfema de Flexão/Aspecto Perfectivo; PST: Morfema de Flexão passado; PRO REL: Pronome Relativo; SC: Small Clause (Pequena Oração); Spec: Posição de Especificador; TMA: Partícula de Tempo, Modo, Aspecto; TP: Tense Phrase (Sintagma Tempo); VP: Verbal Phrase (Sintagma Verbal). PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 297 Referências Alexandre, Nélia & Márcia S. Duarte de Oliveira. a sair. cabo-verdiano e português: cotejando estruturas focalizadas. In Araujo, Gabriel, Márcia S. D. de Oliveira & Paulo J. Pilar Araujo (orgs.). Português na África Atlântica. São Paulo: HUMANITAS/FAPESP. Aráujo, Paulo Jeferson Pilar. 2014. Algumas considerações sobre línguas africanas e políticas linguísticas em Angola. Web-Revista Sociodialeto 5(13): 161-177. Baptista, Marlyse. 2002. The syntax of Cape Verdean Creole - The Sotavento Varieties. John Benjamins Publishing Company. AmsterdanPhiladeelphia. Vol. 54. Baptista, Marlyse & Miki Obata. 2015. Complementizer alternation in Creole languages: new evidence for Spec-Head Agreement. Papia 25(2): 155-176. Bianchi, Valentina. 1999. Consequences of antistmmetry: headed relative clauses. Berlin: Mouton de Gruyter. Braga, M. Luiza, Mary A. Kato & Carlos Mioto. 2009. As construções-Q no português brasileiro. In Mary Azawa Kato & Milton do Nascimento (orgs.). Gramática do português culto falado no Brasil — a construção da sentença, 241-294. Campinas: Editora da UNICAMP. Vol. III. Cabo Verde, Governo. 2014. Disponível em <http://www.governo.cv/>. Acesso em 12 de Junho de 2014. CIPPLOP. 2014. Comissão interpaíses Brasil-Portugal & Países de língua oficial portuguesa. Disponível em: http://www.cipplop.org/site/paises/cabo.aspx. Acesso em 23 de Agosto de 2014. Cardoso, E. Augusto. 1989. O crioulo da Ilha de S. Nicolau de Cabo Verde. Praia: Instituto Cabo-Verdiano do Livro. Chomsky, Noam A. 1986. Barriers. Cambridge: MIT Press. Chomsky, Noam A. 1999. Derivation by phase. MIT Occasional Papers in Linguistics 18. Cambridge: MIT Press. Chomsky, Noam A. 2000. Minimalist inquiries: the framework. In Martin, Roger, David Michaels & Juan Uriagereka (eds.). Step-by-step: essays in minimalist syntax in honor of Howard Lasnik, 89-155. Cambridge: MIT Press. Chomsky, Noam A. 2004. Beyond explanatory adequacy. In Belletti, Adriana (ed.) Structures and beyond: the cartography of syntactic structures, 104-131. New York: Oxford University Press, vol. 3. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
298 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. Chomsky, Noam A. 2005. On phases. Cambridge: MIT Press. Disponível em: <http://www.fosssil.in/Chomsky_Phases.pdf>. Acesso em: 12 de abril de 2014. Chomsky, Noam A. 2008. On phases. In Freidin, Robert, Carlos Otero & Maria Luiza Zubizarreta (eds.). Foundational issues in linguistic theory: essays in honor of Jean-Roger Vergnaud, 133-166. Cambridge: MIT Press. Costa, João & Inês Duarte. 2001. Minimizando a estrutura: uma análise unificada das construções de clivagem em português. In: Actas do XVI Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, 627-738. Lisboa: APL. Csató, Éva Ágnes & Muzappar A. Uchturpani. 2010. On Uyghur relative clauses.Turkic Languages 14: 69-93. Fortin, Catherine. 2007. Some (not all) nonsententials are only a phase. Lingua 117(1): 67-94. Figueiredo, Carlos F. Guimarães & Eduardo Ferreira dos Santos. 2014. Construções [Foc+Que] no português do Município do Libolo, Angola. Filologia e Linguística Portuguesa (16): 209-231. Holm, John. 1980. The creole ‘copula’ that highlighted the world. In Dillard, Joey L. (ed.). Perspectives on American English, 367-375. The Hague: Mouton. Holm, John. 1988. Pidgins and creoles. Volume 1: Theory and structure. Cambridge: Cambridge University Press. Holm, John. 2004. Languages in contact — the partial restructuring of vernaculars. Cambridge: Cambridge University Press. Jorge, Lurdes T., Márcia S. Duarte & Eduardo F. dos Santos. 2015. O ‘sujeito’ focalizado no português do Libolo e no cabo-verdiano (Barlavento). Trabalho apresentado no encontro da Society of Pidgin and Creole (SPCL) e Associação de Crioulos de Base Portuguesa e Espanhola (ACBLPE). Graz, Universität Graz. Kayne, Richard. 1994. The antisymmetry of syntax. Canbridge: MIT Press. Kato, Mary A. & Eduardo Raposo. 1996. European and Brazilian Portuguese word order: questions, focus and topic constructions. In C. Quicoli, M. Saltarelli & M. L. Zubizarreta (eds.). Aspects of romance linguistics. Selected papers from the LSRL XXVI, 267-278. Washington: Georgetown University Press. Lopes, F. João. 2012. Para uma análise sintática das construções relativas no Crioulo da Ilha de São Nicolau — Cabo Verde. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 299 Lopes, F. João & Maria de Lurdes Zanoli. 2012. Considerações sobre foco na posição de sujeito no crioulo de São Nicolau. Trabalho apresentado no 7 º Encontro da ACBLPE /13 º Encontro da ABECS. Universidade de São Paulo. Manuscrito. Lopes, F. João & Maria de Lurdes Zanoli. 2013. Corpus de pesquisa de Mestrado para experimento de obtenção de foco no Crioulo de São Nicolau. Universidade de São Paulo. Manuscrito. Lopes da Silva, Baltasar. 1984. O dialecto crioulo de Cabo Verde. Cabo Verde: Imprensa Nacional. Maia, Antonio da Silva. 1964. Lições de gramática de Quimbundo (Português e Banto), Dialecto omumbuim. Esc. Tip. Das Missões Cucujães. Maia, Antonio da Silva. 1951. Guia prático para a aprendizagem das línguas portuguesas e omumbuim. Esc. Tip. Das Missões Cucujães. Manoel, Brito-Semedo. 2015. Esquina do Tempo. Disponível em < http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/cidadania-lingua-e-cultura-22347. Acesso em 10 abril de 2015. Mioto, Carlos & Esmeralda Vailatti Negrão. 2007. As sentenças clivadas não contêm uma relativa. In Castilho, Ataliba T. de, Maria Aparecida Torres Morais, et alii. (orgs.). Descrição, história e aquisição do português brasileiro, 59-184. Campinas: Pontes/ FAPESP. Mira Mateus, Maria Helena et alii. 1983. Gramática da Língua Portuguesa — Elementos para a descrição da estrutura, funcionamento e uso do português atual. Coimbra: Livraria Almedina. Miranda, Wânia & Maria de Lurdes Zanoli. 2013. Estratégias de foco no caboverdiano: uma breve análise sobre as sentenças clivadas reduzidas. Trabalho apresentado no IV Seminário Internacional do GELIC. São Paulo: USP. Modesto, Marcelo. 2001. As construções clivadas no português do Brasil: relações entre interpretação focal, movimento sintático e prosódia. São Paulo: Humanitas. Mufwene, Salikoko. 1986. The universalist and substrate hypotheses complement one another. In: Pieter Muysken & Norval Smith (eds.). Substrata Versus Universals in Creole Genesis — Papers from the Amsterdam Creole Workshop, 129-163. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins. Nespor, Marina & Vogel, Irene. 1986. Prosodic Phonology. Dordrecht: Foris Publications. Nespor, Marina & Vogel, Irene. 2007. Prosodic Phonology: with a new foreword. Berlim: Walter de Gruyter GmbH & Co. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
300 Flaviane R. Fernandes Svartman / et al. Neves, Baltazar Soares. 2008. O Seminário-Liceu de S. Nicolau — contributo para a história do ensino em Cabo Verde. Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. Porto. Oliveira, Márcia S. Duarte. 2011. Focus in Brazilian Portuguese. In Petter, M. Taddonni; Vanhove, Martine (orgs.). Portugais et langues africaines. Études afro-brésieliennes, 75-121. Paris: Karthala, v. 1. Oliveira, Marcia S. Duarte. 2014. DPs/WHs followed by highlighter in Atlantic restructured languages: a non cleft constructions. PAPIA 24(2): 401-421. Oliveira, Márcia S. Duarte & John Holm. 2011. Estruturas-QU fronteadas e o ‘foco gramaticalmente controlado’ — a participação de línguas africanas em línguas parcialmente e completamente reestruturadas. PAPIA 21(1): 23-38. Oliveira, Márcia S. Duarte, Lurdes T. Lopes Jorge & Francisco Lopes. 2013. Estruturas relativas do português em Cabo Verde: revisitando complementizadores e relativos. Trabalho apresentado no IV Simpósio Mundial de Língua Portuguesa (SIMELP). Simpósio 12: Variedades de português faladas na África: os substratos línguas ‘Níger Congo’ e ‘Crioulas’. Manuscrito. Santos, Eduardo Ferreira. 2010. A periferia esquerda da sentença no português de Angola. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Santos, Eduardo Ferreira. 2015. Sentenças marcadas para o foco no português do Libolo: uma proposta de análise derivacional. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo. Santos, Eduardo Ferreira & Márcia S. D. de Oliveira. 2011. Aspectos da categoria foco no português de Angola. Filologia e Linguística Portuguesa 13(2): 269-303. Santos, Eduardo Ferreira & Raquel Azevedo da Silva. a sair. Estudo inicial das perguntas-Q no português de Guiné Bissau. In Araujo, Gabriel, Márcia S. D. de Oliveira & Paulo J. Pilar Araujo (orgs.). Português na África Atlântica. São Paulo: Humanitas. São Nicolau. 2014. Disponível em http://www.governo.cv/. Acesso em 28 de Maio de 2014. Stowell, Tim. 1996. Phrase structure and the lexicon studies in natural languages and Linguistics. Springs 277-291. Stowell, Tim. 2007. Approaches to tense and tense construal. Lingua 117(2): 437-463. Uriagereka, Juan. 2008. Syntactic anchors: On semantic structuring. Massachusetts: Cambridge University Press. PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767
A partícula k’ no cabo-verdiano de São Nicolau... The particle ’k’ spoken in Capeverdean of São Nicolau... 301 Veiga, Manuel. 2002. O Caboverdiano em 45 lições. Portugal/ Cabo Verde: INIC. Vries, Mark de. 2002. The Syntax of Relativization. LOT Publications: PhD Dissertation, University of Amsterdam. Zanoli, Maria de Lurdes. 2014. A checagem de ‘foco’ da categoria ‘sujeito’ no cabo-verdiano - variedade de São Nicolau. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Recebido: 01/02/2015 Aprovado: 31/07/2015 PAPIA, 25(2), e-ISSN 2316-2767