REVISTA ENERGIA NA AMAZÔNIA ISSN: 3085-6744 v.02, no.02, (2025) DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17945789 APLICAÇÃO DE SEGURANÇA DE PROCESSOS EM DUTOS E PROCESSAMENTO DE PETRÓLEO PARA MITIGAÇÃO DE RISCOS APPLICATION OF PROCESS SAFETY IN PIPELINES AND OIL PROCESSING FOR RISK MITIGATION Juliana Motta Sales1*, Joemes de Lima Simas 2, Gabriela Ennes Silva de Castro3 1Universidade Federal do Amazonas, Faculdade de Tecnologia – FT/Departamento de Engenharia de Petróleo e Gás - DEPEG, Manaus/AM, Brasil. E-mail:
[email protected] 2 Universidade Federal do Amazonas, Faculdade de Tecnologia – FT/Departamento de Engenharia de Petróleo e Gás - DEPEG, Manaus/AM, Brasil. Email:
[email protected] 3 Professora Voluntária na Universidade Federal do Amazonas, Faculdade de Tecnologia – FT/Departamento de Engenharia de Petróleo e Gás - DEPEG, Manaus/AM, Brasil. Email:
[email protected] Resumo As atividades da indústria do petróleo são essenciais para a economia do Brasil. Entretanto, o risco de acidentes de grandes proporções pode ameaçar o desenvolvimento do setor, impactando a sociedade. Nesse contexto, vê-se a importância do estabelecimento de um sistema de gestão de segurança de processo eficiente para a continuidade das operações, proteção da vida humana e do meio ambiente. O presente projeto visa avaliar a aplicação da Gestão de Segurança de Processo Baseada em Risco nas instalações (dutos e processamento de petróleo), com o estabelecimento de um processo de gerenciamento de riscos métricas e indicadores de segurança. Com a implementação de um sistema de gestão e o gerenciamento de riscos, auxiliados à medição do desempenho, é possível avaliar a eficácia com que os riscos estão sendo controlados e aferir o desempenho das ações e projetos do sistema de gestão. E a partir disso, desenvolve-se uma análise e seleção das técnicas de gestão de riscos para garantir que as melhores práticas sejam aplicadas minimizando impactos negativos. Palavras-Chave: Segurança de Processos. Gestão de Riscos. Indústria do Petróleo. Abstract The oil industry's activities are essential to Brazil's economy. However, the risk of major accidents can threaten the sector's development, impacting society. In this context, establishing an efficient process safety management system is crucial for the continuity of operations and the protection of human life and the environment. This project aims to evaluate the application of Risk-Based Process Safety Management in facilities (pipelines and oil processing), establishing a risk management process, metrics, and safety indicators. By implementing a risk management system and supporting performance measurement, it is possible to assess the effectiveness of risk control and assess the performance of management system initiatives and projects. Based on this, an analysis and selection of risk management techniques are developed to ensure that best practices are applied, minimizing negative impacts. Keywords: Process Safety. Risk Management. Oil Industry.
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 2 1. Introdução A Segurança de Processos desempenha um papel crucial em empresas garantindo a integridade das operações e prevenindo incidentes. Para isso, essas empresas adotam técnicas que identificam os riscos presentes, com o objetivo de reduzir tais impactos caso ocorra algum tipo de ocorrência. (LEITE,2018) As "Diretrizes para Segurança de Processos Baseada em Riscos (RBPS)" são uma publicação fundamental do Centro de Segurança de Processos Químicos (CCPS), parte do Instituto Americano de Engenheiros Químicos (AIChE). Sendo assim, a Segurança de Processos é um componente fundamental da Gestão de Segurança. Ela é amplamente reconhecida como responsável pela redução do risco de acidentes de grande escala e na melhoria do desempenho da indústria. (AIChE/CCPS, 2007). Além disso, é importante salientar que incidentes podem ter consequências, resultando em inúmeras mortes e feridos, além de danos à economia, à propriedade e ao meio ambiente (LEITE,2018). Por esse motivo, a segurança deve ser o ponto focal de toda operação industrial, isto é, a segurança dos equipamentos, das pessoas e dos sistemas, sendo esse conceito estabelecido dentro da cultura da empresa. (FERNANDES, 2021). Com relação a definição da gestão de Segurança de Processos, a primeira noção que se pode ter é que ela existe para prevenir possíveis acidentes relacionados à operação do processo de uma determinada empresa. (FERNANDES, 2021). Contudo, essa primeira abordagem sobre gestão de Segurança de Processos avança para uma nova ideia, centrada em projeto e engenharia de instalações, nas análises de perigos e riscos, na análise e investigação de incidentes e acidentes, na gestão de mudança, na inspeção, em testes e manutenção de equipamentos, em alarmes e controles de processos efetivos, nos procedimentos de operação e manutenção, em treinamento de pessoal e fatores humanos. (AIChE/CCPS, 2008). Por isso, o transporte de dutos de petróleo e seus derivados é considerado uma atividade perigosa. Sendo assim, a ANP (2011) estabeleceu um regulamento técnico a fim de realizar uma avaliação de risco identificando os trechos críticos de dutos, os possíveis modos de falha e os cenários acidentais a serem contemplados nas fases do ciclo de vida do duto e no Plano de Emergência. Entretanto, dentro da indústria petrolífera, é necessário entender que mesmo diante de todas as análises realizadas, o setor de petróleo ainda pode apresentar alguma ocorrência
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 3 inesperada por conta da complexibilidade dos processos que ocorrem dentro do setor. (FREITAS, 2021). Dessa forma, como menciona JERÔNIMO e TOMASONI (2024), estudos como o de Grabowski e Roberts (2021) destacam a importância de incorporar ferramentas de monitoramento em tempo real e análises de previsão para potencializar a segurança de processos. De acordo com FERNANDES (2021), a Agência Nacional de Petróleo, em 2012, incluiu um Sistema de Práticas de Gestão que assegura a integridade das instalações de exploração e produção de petróleo e gás natural na Gestão de Segurança de Processos Baseada em Risco da CCPS. Dentro da abordagem de Segurança de Processo Baseada em Risco (RBPS), aplicam-se às lições aprendidas através da experiência na empresa com a utilização dos indicadores de desempenho na condução da Segurança de Processos. Sendo assim, a ferramenta utilizada é o programa de gerenciamento de riscos e os indicadores de tendência (indicadores proativos), que ajudam a medir e observar, de modo confiável, o desempenho dos diversos aspectos do sistema de segurança, independentemente de quaisquer eventos de perda (AIChE/CCPS, 2007). 2. Metodologia Quando trabalhamos com a elaboração de projetos de engenharia, nesse caso em dutos e processamento de petróleo, é necessário levar em consideração os aspectos de segurança de processos que envolvem as pessoas, o meio ambiente e as operações. Dessa forma, para desenvolver este projeto, foram utilizadas duas fases. A primeira é a fase relacionada aos levantamentos de referências bibliográficas inerentes ao tema em desenvolvimento, e a segunda é a fase de estudos, isto é, a identificação dos procedimentos e análises de riscos a fim de reduzir os possíveis acidentes. Sendo assim, o projeto desenvolvido baseou-se primeiramente na busca de referências bibliográficas seguindo a ideia da gestão de segurança de processos na indústria de petróleo com o objetivo de analisar as técnicas de gestão de riscos que poderão ser aplicados, e a partir disso selecionar essas técnicas para a execução da análise de riscos. Nesse sentido, para compreender os principais aspectos da gestão de segurança de processos na indústria do petróleo, foram realizados levantamentos bibliográficos utilizando
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 4 dissertações, Trabalhos de Conclusão de Curso, publicações em periódicos e revistas para a obtenção de informações mais precisas no presente estudo. Em seguida, foi desenvolvido tabelas com informações sobre as principais técnicas de análises de riscos e suas aplicações, com ênfase em dutos e no processamento de petróleo. Por fim, foram avaliados os resultados com a aplicação das técnicas adotadas e a eficiência da implementação de um sistema de gestão e o gerenciamento de riscos, auxiliados à medição do desempenho que avaliam a eficácia com que os riscos estão sendo controlados permitindo aferir o desempenho das ações e projetos do sistema de gestão. 3. Resultados e Discussão O planejamento da segurança de processos em dutos e processamento de petróleo inclui uma definição da trajetória, cronograma, orçamento e escolha dos equipamentos adequados. Além disso, é fundamental a realização de análise de riscos para a identificação de falhas e assim desenvolver um plano de segurança eficiente. A conformidade com as regulamentações legais e a gestão dos impactos ambientais também são elementos essenciais para o sucesso do projeto. Avaliação da gestão de segurança de processos na indústria do petróleo Para realizar uma avaliação da gestão de segurança de processos, é necessário levar em consideração as práticas e políticas, gestão de riscos, normas e regulamentações, tecnologias em uso, a preservação do meio ambiente e o bem-estar dos trabalhadores. De acordo com a resolução da ANP nº 6/2011, foi instituído o Regulamento Técnico de Dutos Terrestres (RTDT), onde foram estabelecidos os critérios essenciais e os padrões mínimos de segurança operacional para dutos terrestres. Estes critérios abrangem todo o ciclo de vida dos dutos desde a construção até a desativação com o objetivo de preservar a vida humana e o meio ambiente. Desse modo, a Agência de Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA), estabeleceu a Process Safety Management (PSM) com a intenção de realizar uma análise de perigos do processo evitando possíveis erros e a adoção de procedimentos operacionais, como por exemplo: treinamento de funcionários; revisões de segurança; avaliação da integridade dos equipamentos; e procedimentos para a gestão da mudança. Além disso, a PSM determinou a investigação de incidentes incluindo as emissões e quase acidentes, planos de ação e auditorias de conformidade. Além do mais, foi criada a Environmental Protection Agency (EPA), Agência de Proteção Ambiental, que deu origem ao
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 5 Risk Management Program (RMP), Programa de Gerenciamento de Riscos, ambos os programas foram criados nos EUA. Dando ênfase ao Risk Management Program (RMP), o objetivo deste programa é reduzir riscos, proteger as comunidades e garantir planos de emergência eficientes. Dessa forma, o RMP baseia-se em três pilares: análise de riscos do processo (PHA), que visa identificar e avaliar os perigos industriais; prevenção de acidentes, que tem como principal foco implementar as boas práticas operacionais, isto é, treinamentos e gestão de mudanças; e o plano de resposta a emergências, que busca procedimentos para conter acidentes e manter a comunicação com a comunidade em geral. Com relação ao Programa de Gerenciamento de Risco voltado para a segurança de processos em dutos e processamento de petróleo, o intuito deste programa é prevenir incidentes e garantir a confiabilidade do suprimento de petróleo e gás por meio da identificação, análise e controle de possíveis falhas. As técnicas utilizadas são: análise preliminar de risco (APR), que busca desenvolver uma avaliação qualitativa dos riscos potenciais; série de riscos (SR), para identificar eventos indesejáveis e suas causas; árvore de falhas (AF), que visa desenvolver um diagrama para identificar falhas potenciais de sistemas; e a metodologia de análise de risco conhecida como BowTie para representar de maneira gráfica as relações entre causas e consequências de um evento indesejado. Outro aspecto a considerar é o programa de Segurança do Processo Baseada em Risco (RBPS) criado pela CCPS. Este programa se encontra definido em quatro pilares da estrutura do sistema e dentro deles são incluídos vinte elementos de segurança. E os quatro pilares são: o compromisso com a segurança de processo; entendimento de perigos e riscos; gestão de riscos; e o aprendizado com a experiência. Com relação às técnicas utilizadas para avaliar a gestão de segurança de processos no setor de óleo e gás são os indicadores de desempenho, que têm a principal função de transmitir informações sobre processos passados para a implementação ou manutenção de medidas para a busca de um objetivo. Com isso, se o foco é o gerenciamento da segurança de processo, então indicadores precisos relacionados ao gerenciamento de riscos de processos devem ser utilizados. Em suma, os indicadores de desempenho de segurança são: os indicadores do tipo reativo, que indicam o comportamento da segurança até o momento da medida e geralmente estão relacionados com eventos de incidentes; e os indicadores preventivos ou proativos que estão
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 6 relacionados com ações e medidas para evitar incidentes podendo indicar como a organização pode se comportar no futuro no que diz respeito aos resultados do gerenciamento de riscos, ou seja, a presença ou ausência de danos acidentais. Análise as técnicas de gestão de riscos que poderão ser aplicados Com base nos levantamentos bibliográficos realizados, foi possível elaborar a Tabela 1 abaixo com as principais técnicas das análises de riscos que podem ser utilizadas no segmento de óleo e gás. Tabela 1. Principais técnicas das análises de riscos Técnicas de análise de riscos Descrição Função HAZOP Estudo de Perigos e Operabilidade (Hazard and Operability Studies) É uma técnica de avaliação qualitativa desenvolvida para analisar as linhas de processo, realizando a identificação dos perigos e implementando medidas preventivas. FMEA Análise de Modos de Falha e Efeitos (Failure Mode and Effect Analysis) É uma técnica de análise de falhas e sugestões para o sistema em questão, com o objetivo de prevenir falhas no projeto da instalação. Essa técnica é realizada através de análise qualitativa e quantitativa do sistema é capaz de estabelecer a estimativa da taxa de falhas para futuros efeitos.
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 7 APR/APP Análise Preliminar de Riscos É uma técnica para identificar e avaliar, de forma preliminar, os riscos presentes na instalação. Essa técnica é feita através de análise qualitativa e permite seu uso em instalações já em operação, possibilitando uma revisão das questões de segurança já existentes. FTA/AAF Análise de Árvore de Falhas É uma técnica que procura aumentar a confiabilidade do sistema através da análise das causas e consequências das falhas do evento topo, promovendo ações preventivas e corretivas para reduzir novas ocorrências de falhas. QRA Análise Quantitativa de Risco (Quantitative Risk Analysis) É uma técnica de análise quantitativa utilizada como parte de outras metodologias para identificar os cenários possíveis que poderiam provocar acidentes, consequências negativas ou para estimar as probabilidades de ocorrência. Fonte: Autor (2025).
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 8 É importante destacar que todos esses estudos teóricos iniciais são fundamentais para garantir a segurança de processos em dutos e processamento de petróleo, reduzindo riscos e garantindo a integridade das operações. Estudo das fases operacionais de um projeto Para o entendimento das fases operacionais de um projeto é importante pontuar as técnicas utilizadas no Cronograma 1: Cronograma 1. Projeto básico de perfuração de um poço de petróleo Fonte: Autor (2025). O cronograma 1 apresenta uma sequência estruturada de tarefas a serem concluídas, começando pelo levantamento da situação atual, tendo que essa etapa consiste em coletar informações para determinar a tomada de decisões. Além disso, temos a elaboração do L/O (Layout Operacional), que é a etapa que define a organização e o fluxo do projeto, garantindo a eficiência, otimização de espaço, dinâmica de trabalho, materiais e informações. O comitê de L/O, é a etapa que consiste na realização de reuniões para revisar e aprovar o Layout Operacional, essa etapa é fundamental para garantir que o layout esteja alinhado com os objetivos do projeto antes da execução.
Sales et al., Rev. Energia Am., Manaus, v.02, n°.02, (Jul-Dez) p.34-46, 2025. 9 Dando ênfase à entrega do L/O aprovado, é a etapa que formaliza o Layout Operacional, formalizando em formato de documentação e após isso fazer a distribuição para as equipes responsáveis pela execução. Outra fase importante deste cronograma é o projeto executivo e arquitetura, nessa etapa os projetos são desenvolvidos de forma detalhada, incluindo a arquitetura e engenharia. O MDS/PQO são termos referentes a processos técnicos ou documentais importantes para a execução da obra, a MDS (Memorial Descritivo de Serviços) é um documento que detalha os serviços, materiais e métodos que serão utilizados no projeto, e o PQO (Plano de Qualidade da Obra), é um plano que consiste na definição de critérios de controle de qualidade, inspeção e certificação do projeto. Além disso, temos a etapa de cotação onde será feita a solicitação e a análise de orçamentos de fornecedores e prestadores de serviço. E estando ligada diretamente à cotação, temos a revisão técnica, onde será o momento de realizar uma avaliação técnica dos projetos garantindo a conformidade com os requisitos. Para formalizar esse processo, o RAT (Relatório de Análise Técnica), é um documento que formaliza a revisão técnica, registrando as informações avaliadas e assegurando que as decisões tomadas na fase de cotação estejam em conformidade com os padrões técnicos exigidos, garantindo a execução do projeto com qualidade e eficiência. Quando se trata de segurança de processos, é fundamental citar sobre o RAC (Regulamento de Avaliação da Conformidade), que é um documento que consiste em avaliar a conformidade de um produto, processos, serviços, pessoas ou sistema de gestão. Essas regras são baseadas em ferramentas de gestão da qualidade, voltadas para assegurar confiança na conformidade com uma norma ou regulamento técnico. Já o Comitê de Investimento, é um grupo formado por especialistas e gestores que irão avaliar a viabilidade econômica, técnica e estratégica do projeto. É nesta etapa que são avaliados os riscos, os custos estimados, o retorno esperado e o alinhamento com os objetivos da empresa. Logo após temos o SA (Solicitação de Aprovação), uma etapa burocrática que exige documentos técnicos, justificativas econômicas, orçamentos e informações necessárias para autorizar o início das próximas etapas do projeto. Sobre o sistema SAP (Sistemas, Aplicações e Produtos em Processamento de Dados), é um software de gestão empresarial que compõe todos os processos de uma organização em uma única plataforma, ou seja, está voltado para o controle e automação das operações empresariais, como recursos humanos, logística, produção, vendas, finanças, entre outras. E dentro desse