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Projeto Rio do Amanhã - Jeli, o Griot: A Voz da Resiliência e do Autoconhecimento

RIBEIRO, CLAYTON FRANCO; ELIZIANE BARBOSA MACHADO; DE SOUZA, SONIA REGINA; SANTOS, FÁTIMA VERÔNICA; BEZERRA, MATHEUS DECNOP; LUDWIG, CAMILA PEREIRA; FRADE, JÚLIA BOTELHO DOMINGUES

Abstract

Esta é uma cartilha educativa, focando na importância do Griot como detentor da tradição oral e sua relação com os conceitos de resiliência e autoconhecimento. O Griot é uma figura central para os povos da África Ocidental, especialmente na região do Mali. Sua principal função é guardar e transmitir a história de suas comunidades, levando conhecimentos éticos, morais e vitais para a formação da população. Além de mestres da palavra, agem como mediadores de conflitos, artistas e genealogistas. A cartilha visa transmitir os ensinamentos da tradição oral, visto que o ato de contar histórias cria laços e transforma tanto o narrador quanto o ouvinte. A partir de atividades práticas e provérbios africanos, traz a reflexão da importância de manter viva a memória dos antepassados para a manutenção da identidade coletiva e individual. Destinada aos alunos do Projeto de Capacitação Rio do Amanhã, visa fortalecer o autoconhecimento e a consciência de seus papéis na sociedade.

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Jeli, o Griot: A Voz da Resiliência e do Autoconhecimento. "A palavra é o aroma do homem." (Provérbio africano) AUTORES AUTORES: CLAYTON FRANCO RIBEIRO ¹, ELIZIANE BARBOSA MACHADO 1, SÔNIA REGINA DE SOUZA ², FÁTIMA VERÔNICA SANTOS 3, MATHEUS DECNOP BEZERRA 3, CAMILA PEREIRA LUDWIG 4, JULIA BOTELHO DOMINGUES FRADE 4. 1 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL - TÉCNICO ADMINISTRATIVO). 2 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL - DOCENTE). 3 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (DISCENTE DE PÓS-GRADUAÇÃO). 4 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (DISCENTE DE GRADUAÇÃO). Esta é uma cartilha educativa, focando na importância do griot (ou jeli) como detentor da tradição oral e sua relação com os conceitos de resiliência e autoconhecimento. APRESENTAÇÃO: QUEM É O JELI, O GRIOT? O griot (ou jeli, que significa "sangue" em bambara) é uma figura central na tradição oral dos povos da África Ocidental, especialmente na região do Mali (Império Mandinga). Eles são os mestres da palavra e os contadores de histórias de suas comunidades, pertencentes à casta hereditária dos ñàmàkálá, juntamente com os ferreiros e artesãos. O termo Griot foi criado pelos franceses, mas na língua Bambara da região de Mali, a palavra é Jeli (ou dieli), que significa "sangue". Assim como o sangue circula no corpo, o Griot circula na sociedade, levando e trazendo o conhecimento vital que nutre a comunidade. Sua Importância: O Griot é a "memória dos homens", a "biblioteca viva" de seu povo. Por essa razão, um antigo ditado africano adverte: "Quando morre um griot, é como se uma biblioteca inteira fosse queimada." O Griot pertence à casta hereditária dos ñàmàkàlá (mestres da força oculta) e possui um ofício de extrema importância, pois é: Historiador e Genealogista: O griot é considerado uma "biblioteca viva" de seu povo. Sua principal função é guardar e transmitir a história, genealogia, lendas, mitos, feitos dos antepassados e os ensinamentos éticos e morais da tradição, conectando o passado, o presente e o futuro. Mediador de conflito, artistas, embaixadores e conciliadores: O ofício do griot vai além da arte; eles também atuam como músicos, compositores, conselheiros, conciliadores e embaixadores (mediadores de casamentos e conflitos), organizando e conduzindo cerimônias. Mestre da Palavra: A palavra do griot é uma ferramenta poderosa, uma arte que ensina, rememora, retém e transmite conhecimento. Como diz o provérbio africano: "A palavra é o aroma do homem." Na sociedade oral, a palavra proferida é um compromisso e vale mais que uma assinatura em um documento, e é um testemunho da identidade do indivíduo. pág 3 GRIOT E A RESILIÊNCIA: A FORÇA DA RESISTÊNCIA O ofício do griot resistiu ao longo do tempo, atravessando séculos e enfrentando adversidades contra o imperialismo colonial. A arte e a cultura oral se tornaram uma das maiores defesas e resistência do povo contra o poder opressor. O ofício do Griot serviu como um antídoto contra o esquecimento imposto pelos colonizadores. pág 4 A C U L T U R A D O S J E L I S , O S G R I O T S É U M E X E M P L O D E C I V I L I Z A Ç Ã O B E M - S U C E D I D A N A R E S I L I Ê N C I A , N A L U T A P O R M A N T E R S U A T R A D I Ç Ã O V I V A E Í N T E G R A , M E S M O D I A N T E D E A D V E R S I D A D E S H I S T Ó R I C A S . N A L U T A P E L A M A N U T E N Ç Ã O D A S S U A S T R A D I Ç Õ E S O S J E L I S , O S G R I O T S M A N T I V E R A M P R E S E N T E S : 1 Resistência Histórica: Ao manter viva a memória dos antepassados, os griots preservaram ao longo dos anos a identidade do povo malinque, assegurando que as novas gerações conheçam suas raízes. Esse conhecimento profundo da própria história é vital para a capacidade de um povo se reerguer e, manter seus valores e cultura, e continuar sua luta, mesmo diante da pobreza e do conflito. De valor inestimável e de grande importância, os jelis, os griots, nas guerras, eram protegidos e respeitados, sendo os únicos que não podiam serem mortos, pois representavam a memória coletiva e o futuro do povo. 2 Manutenção da Identidade: Os griots louvam e relembram os atos de justiça e glória dos ancestrais para que seus descendentes renovem sua aliança com a integridade e se inspirem para honrar seu legado e memória, mantendo a bom senso e boas ações, assim fortaleciam a comunidade. 3 Honra e Inspiração: A tradição oral ensina que a união é a fonte da força, uma lição de resiliência coletiva diante de grandes desafios. A capacidade do Griot de dobrar-se e adaptar-se às mudanças, mantendo a essência da história, garante que o passado oriente o presente e prepare o futuro. Assim dizem alguns provérbios africanos, que destacam a força da comunidade e da resistência unida pela tradição: Ao ouvir as histórias, mitos e contos iniciáticos, o indivíduo recebe referências sobre si mesmo e sobre o outro, fortalecendo a consciência de seu papel na sociedade. Como diz o provérbio: "Fale de sua aldeia e você falará do mundo." ADAPTABILIDADE E FORÇA COLETIVA: IDENTIDADE E LUGAR NO MUNDO: pág 5 Conhecer a aldeia para conhecer o mundo, o griot tem a responsabilidade de tecer a história do seu povo, ensinando no presente para garantir a manutenção da memória no futuro. Este ato é fundamental para o autoconhecimento individual: GRIOT E O AUTOCONHECIMENTO: A HISTÓRIA DE SI "A UNIÃO DO REBANHO OBRIGA O LEÃO A IR DORMIR COM FOME." "O VENTO NÃO DERRUBA UMA ÁRVORE QUE SE DOBRA." "QUANDO AS TEIAS DE ARANHA SE JUNTAM, ELAS PODEM AMARRAR UM LEÃO." O conhecimento da própria história e da história das civilizações é crucial para que o ser humano "não se perca de si mesmo". A tradição oral oferece fortalece a consciência individual e social. O conhecimento da própria história e da história das civilizações — é o conhecimento de si — é o caminho para evitar que o ser humano se perca de si mesmo. CONHECER A SI MESMO E O MUNDO: O ato de contar histórias cria laços e transforma tanto o narrador quanto o ouvinte. Ao compartilhar sua história, o contador enlaça o outro, e "ele nunca mais será o mesmo" (Carlos Rodrigues Brandão). A palavra compartilhada constrói a identidade coletiva e individual no presente. É preciso que o contador de histórias precisa se entregue de maneira objetiva e artística para narra uma história de forma única e envolvente, provocando mudanças na audiência. Esse domínio pessoal também reflete uma jornada de autoconhecimento necessária para exercer um ofício de tamanha responsabilidade social. JELI, O GRIOT CONTADOR DE HISTÓRIAS: A tradição oral não se restringe à África; a cultura brasileira também possui raízes profundas na oralidade, evidenciando a universalidade dessa prática: Literatura de Cordel e Repentistas: Epopeias e manifestos recitados e cantados, onde a memória e a improvisação são mestras. Rendeiras: Ensinam e impulsionam seu trabalho manual através de cantigas transmitidas de geração em geração. Povos Originários: Reúnem-se em roda para contar histórias, discutir questões e tomar decisões. O griot, mestre da palavra, exerce uma série de papéis interconectados que vão muito além de simplesmente contar histórias, sendo a "memória dos homens" para as novas gerações (NIANE, 1960). FUNÇÕES DETALHADAS DO GRIOT (JELI) pág 7 CATEGORIA DO GRIOT FERRAMENTAS/ATIVIDADES FOCO/DEVER CENTRAL GRIOT HISTORIADOR E GENEALOGISTA GRIOT MÚSICO GRIOT EMBAIXADOR (CONSELHEIRO) GRIOT SACERDOTE/ORGANIZA DOR Contar e cantar a história do povo; memorizar a linhagem dos nobres (Keita). Estrutura Social. Assegurar que os rituais e celebrações da vida comunitária sejam realizados de acordo com a tradição. Organizar e conduzir cerimônias, eventos e festas. Mediação de casamentos entre famílias; aconselhamento. Tocar instrumentos (ex: kora, balafon), cantar e compor. Memória e Legado. Guardar a tradição e a história ancestral, garantindo que o passado inspire o presente. Arte e Elogio. Usar a música para louvar os feitos dos antepassados e entreter a comunidade. Conciliação e Ética. Servir como conselheiro moral, advertindo e orientando a comunidade em questões de justiça e dever. ATIVIDADE PRÁTICA: Passo 1: O Legado (Genealogia e Referências) Assim como o Griot memoriza a história de sua linhagem, reflita sobre as pessoas que o moldaram: 1.Quem são os seus "Antepassados Gloriosos"? Pense em 3 a 5 pessoas (familiares, mestres, amigos) que tiveram um impacto significativo em sua vida. 2.Qual é o "Feito" que você louva em cada uma delas? (Ex: A resiliência de minha avó em começar do zero, a ética de trabalho de um professor). 3.Qual "Ensinamento" você herdou? (Essa é a sua tradição viva). Com base no papel do Griot como guardião da história e promotor do autoconhecimento e da resiliência, esta atividade convida o leito a aplicar esses princípios em sua própria vida. Eu Sou Minha Própria História (O Griot Pessoal) O Griot acredita que conhecer sua história e a história de seu povo é essencial para o autoconhecimento e para a resistência. Pergunta para Refletir: O que sua história (e a de seus ancestrais) te ensina sobre a pessoa que você é hoje? Agora, você será o Griot de sua própria vida. Objetivo: 1.Reconhecer a resiliência em sua trajetória. 2.Identificar as referências que construíram seu autoconhecimento. 3.Praticar a Palavra como ferramenta de conexão e força. Materiais: Caderno, caneta e um local tranquilo. pág 8 Lembrete do Griot: A tradição oral oferece referências sobre si e sobre o outro, fortalecendo sua consciência no mundo.