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BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI doi.org/10.5281/zenodo.17954629 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 ANSIEDADE E REPERCUSSÕES NO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE SAÚDE BUCAL Anxiety and Its Repercussions on the Stomatognathic System: An Integrative Review on Oral Health Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Ana Cecília Mittestainer Fonseca1; Rafaela Cardoso Siqueira1; Ana Laura Silveira1; Rodrigo Soares de Andrade2 RESUMO A ansiedade é um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo e afeta tanto o bem-estar emocional quanto a saúde física. Na Odontologia, essa condição repercute diretamente na saúde bucal, manifestando-se por xerostomia, lesões de mucosa e alterações funcionais, especialmente o bruxismo e as disfunções temporomandibulares (DTM), frequentemente associados ao estresse, à tensão muscular e à dor orofacial. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a relação entre ansiedade e suas repercussões no sistema estomatognático, buscando compreender como esses fatores se conectam e afetam a qualidade de vida. Trata-se de uma revisão integrativa baseada em artigos publicados entre 2021 e 2025, selecionados nas bases PubMed, SciELO e Google Scholar. Foram utilizados descritores em português e inglês relacionados a “ansiedade”, “saúde bucal”, “bruxismo” e “disfunção temporomandibular”, combinados pelo operador AND. Incluíram-se artigos completos que abordassem manifestações orais associadas à ansiedade, excluindo-se a literatura cinzenta. Os resultados mostram que a ansiedade atua como fator desencadeador e agravante de condições orofaciais, aumentando a tensão muscular, diminuindo o limiar de dor e favorecendo hábitos parafuncionais, como apertamento e ranger de dentes. Pacientes ansiosos apresentam maior risco de sobrecarga da ATM, estomatite aftosa, herpes recorrente e prejuízos à saúde periodontal devido a alterações imunológicas e comportamentais. Conclui-se que a ansiedade está fortemente associada a diversas manifestações bucais, reforçando a importância de uma abordagem multidisciplinar para diagnóstico precoce e manejo adequado. 1 – Discente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 2 - Docente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil Autor de Correspondência: Ana Cecília Mittestainer Fonseca email: [email protected] Palavras-chave: Ansiedade; Saúde Bucal; Bruxismo; DTM
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 611 ABSTRACT Anxiety is one of the most prevalent mental disorders worldwide and affects both emotional well-being and physical health. In Dentistry, this condition has a direct impact on oral health, manifesting through xerostomia, mucosal lesions, and functional alterations, especially bruxism and temporomandibular disorders (TMD), which are frequently associated with stress, muscle tension, and orofacial pain. Given this context, the aim of this study is to analyze the relationship between anxiety and its repercussions on the stomatognathic system, seeking to understand how these factors interact and influence quality of life.This is an integrative review based on articles published between 2021 and 2025, selected from PubMed, SciELO, and Google Scholar. Descriptors in Portuguese and English related to “anxiety,” “oral health,” “bruxism,” and “temporomandibular disorder” were used, combined with the Boolean operator AND. Full-text articles addressing oral manifestations associated with anxiety were included, while gray literature was excluded. The results show that anxiety acts as both a triggering and aggravating factor for orofacial conditions, increasing muscle tension, lowering pain thresholds, and promoting parafunctional habits such as clenching and grinding of teeth. Anxious patients present a higher risk of temporomandibular joint overload, recurrent aphthous stomatitis, herpes simplex lesions, and periodontal impairment due to immunological and behavioral alterations. In conclusion, anxiety is strongly associated with various oral manifestations, reinforcing the importance of a multidisciplinary approach for early diagnosis and appropriate management. Keywords: Anxiety; Oral Health; Bruxism; TMD (Temporomandibular Disorders) INTRODUÇÃO A região de cabeça e pescoço desempenha funções essenciais do sistema estomatognático (SE), como mastigação, deglutição e fonação, integrando estruturas musculares, articulares e neurológicas de forma altamente coordenada (Carvalho et al., 2020). Alterações nesse sistema podem resultar em manifestações como bruxismo, disfunções temporomandibulares (DTM), xerostomia, ulcerações, candidíase oral e sensibilidade dentária. Muitas dessas alterações estão associadas a fatores emocionais e psicossociais, especialmente à ansiedade, condição que tem se tornado cada vez mais prevalente (Alcázar-Hernández et al., 2024). O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) caracteriza-se por preocupação excessiva, inquietação e sintomas físicos persistentes, comprometendo significativamente a qualidade de vida (Araújo, Dantas & Dantas, 2024). No contexto odontológico, a ansiedade está relacionada ao aumento do tônus muscular e ao desenvolvimento de hábitos parafuncionais, como apertamento e ranger dos dentes, os quais podem resultar em sobrecarga do SE e predispor a quadros de DTM (Torres et al., 2022).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 612 Além disso, a ansiedade pode desencadear comportamentos como mordedura de mucosa e apertamento dentário, que favorecem desgaste dental, fraturas e alterações articulares ao longo do tempo (Kaymaz, Altan & Akbulut, 2022). As DTM, por sua vez, apresentam forte associação com fatores psicológicos, sendo comum que indivíduos com dor orofacial relatem níveis elevados de ansiedade. O manejo desses quadros exige abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas e profissionais de saúde mental, visando melhora funcional e redução dos sintomas (Santos et al., 2022). A ansiedade também influencia tecidos de mucosa oral, contribuindo para o surgimento de condições como xerostomia, estomatite aftosa recorrente e candidose. Tais manifestações estão associadas à redução do fluxo e da qualidade salivar, à modulação negativa da resposta imunológica e, em alguns casos, ao uso de ansiolíticos e antidepressivos (Rani et al., 2023; Sălcudean et al., 2024). Essas alterações comprometem o conforto oral, a função mastigatória e o bem-estar geral, afetando diretamente a qualidade de vida dos indivíduos. A relação entre saúde mental e saúde bucal é bidirecional: a ansiedade pode agravar quadros orais, enquanto a presença de dor crônica ou desconforto bucal intensifica sintomas ansiosos, estabelecendo um ciclo de retroalimentação que dificulta a remissão dos sinais clínicos (Cao et al., 2023). Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender como a ansiedade interfere no SE e quais manifestações orais estão mais associadas a esses transtornos. Assim, o objetivo deste estudo é analisar, por meio de revisão integrativa, as repercussões da ansiedade na saúde bucal e os mecanismos envolvidos nessa relação. METODOLOGIA Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa de literatura, de natureza qualitativa e caráter explicativo (Estrela, 2018). A busca eletrônica foi realizada nas bases PubMed (MEDLINE), SciELO e Google Scholar, contemplando artigos publicados entre 2021 e 2025. Foram utilizados os seguintes descritores, em português e inglês, combinados com os operadores booleanos AND e OR: “ansiedade”, “saúde bucal”, “bruxismo”, “disfunção temporomandibular”, “anxiety”, “oral health”, “bruxism” e “temporomandibular disorders”. Os critérios de inclusão foram: (i) artigos que abordassem a relação entre ansiedade e manifestações no sistema estomatognático; (ii) estudos publicados nos últimos cinco anos; (iii) textos disponíveis integralmente em português ou inglês; e (iv) acesso gratuito. Foram excluídos: (i) artigos duplicados; (ii) literatura cinzenta; (iii) editoriais, cartas ao editor,
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Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 614 Tabela 1 – Artigos utilizados para revisão de literatura N° Autor e ano Tipo de artigo Objetivo Resultado 1 Manfredini et al., 2021 Revisão de literatura Revisar a relação entre fatores emocionais e estomatite aftosa recorrente. Estresse e ansiedade aumentam a frequência e severidade das lesões; mecanismos fisiopatológicos ainda não totalmente esclarecidos. 2 Kaymaz et al., 2022 Revisão sistemática Investigar a influência da ansiedade em condições orais. Ansiedade altera o processamento doloroso e pode influenciar comportamentos como apertamento dentário e hábitos parafuncionais. 3 Santos et al., 2022 Revisão sistemática Avaliar a relação entre ansiedade, depressão e DTM durante a pandemia do COVID-19. A pandemia elevou casos de DTM associados ao estresse; indivíduos com DTM apresentam níveis elevados de ansiedade. 4 Kapourani et al., 2022 Revisão de literatura Analisar os efeitos de psicotrópicos na cavidade oral. Psicofármacos podem causar xerostomia e alterações de mucosa, favorecendo infecções e desconforto oral. 5 Mortazavi et al., 2023 Revisão sistemática Investigar a relação entre bruxismo e DTM em pacientes com transtornos mentais. Associação significativa entre bruxismo (vigília e sono) e DTM, reforçando influência dos fatores emocionais. 6 Fulek et al., 2023 Revisão sistemática Avaliar relação entre bruxismo do sono e inflamação sistêmica. Ansiedade afeta higiene oral, podendo agravar gengivite e cárie; inflamação sistêmica pode estar associada ao bruxismo. 7 Estornut et al., 2024 Revisão sistemática Estudar a influência do estresse na estomatite aftosa recorrente. Estresse aumenta inflamação, estresse oxidativo e recorrência das lesões.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 615 8 Sălcudean et al., 2024 Revisão sistemática Avaliar impacto da ansiedade odontológica na qualidade de vida. Ansiedade intensifica percepção da dor e piora qualidade de vida; afeta resposta a tratamentos. 9 Villafuerte et al., 2024 Revisão sistemática Investigar o impacto do estresse psicológico no tratamento periodontal. Estresse emocional reduz cicatrização e piora os desfechos periodontais; pior higiene oral é mediadora importante. 10 Taccardi et al., 2024 Revisão de literatura Analisar efeitos de antidepressivos sobre a saúde periodontal. Antidepressivos podem causar xerostomia e inflamação periodontal; alguns tratamentos reduzem comportamentos prejudiciais. 11 AlcázarHernández et al., 2024 Revisão sistemática Investigar transtornos de ansiedade e depressão e suas repercussões bucais. Ansiedade associada a bruxismo, DTM e alterações de mucosa; reforça importância de atenção aos fatores psicossociais. Os transtornos psicológicos, especialmente ansiedade e estresse, têm se tornado mais prevalentes devido às rotinas intensas e ao excesso de estímulo. No âmbito odontológico, a ansiedade crônica pode influenciar a atividade dos músculos mastigatórios e da articulação temporomandibular, favorecendo o aparecimento de hábitos parafuncionais (Alcázar-Hernández et al., 2024). A hiperativação do sistema nervoso simpático mantém a musculatura em maior estado de tensão, reduz o limiar de dor e pode contribuir para desconfortos e microtraumas na região orofacial (Sălcudean et al., 2024). A associação entre ansiedade e manifestações orofaciais envolve mecanismos neurofisiológicos que modulam a percepção dolorosa e o comportamento motor. A ativação do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal e a maior atividade simpática podem alterar a sensibilidade do sistema trigeminal, contribuindo para maior percepção de dor e tensão muscular (Kapourani et al., 2022). Esses fatores ajudam a explicar a maior frequência de bruxismo, sintomas de DTM e dor orofacial em indivíduos ansiosos, embora a relação causal ainda não seja totalmente elucidada (Manfredini et al., 2021). No bruxismo, especialmente em indivíduos expostos ao estresse, observam-se episódios aumentados de apertamento e ranger dos dentes. A literatura sugere que alterações emocionais podem influenciar a
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 616 atividade motora mastigatória, mas os mecanismos exatos ainda não estão totalmente estabelecidos (Kaymaz et al., 2022). A identificação precoce desses comportamentos é essencial para prevenir danos estruturais, sendo as placas oclusais e terapias adjuvantes estratégias frequentemente utilizadas. A ansiedade apresenta associação mais consistente com o bruxismo de vigília do que com o bruxismo do sono. Enquanto o bruxismo noturno parece ter maior influência de mecanismos centrais motores e não necessariamente emocionais, o bruxismo de vigília mostra forte relação com tensão muscular, hipervigilância e respostas comportamentais ao estresse (Manfredini et al., 2021; Mortazavi et al., 2023). Essa distinção é importante, pois evidencia que o componente emocional atua de maneira distinta nos dois tipos de bruxismo e que a ansiedade tende a intensificar principalmente o apertamento consciente ao longo do dia. Por não ser uma doença isolada, o bruxismo não pode ser “curado”, apenas tratado, para reduzir os danos já causados e os futuros e controlar os sintomas atuando sobre os fatores desencadeantes. (Manfredini et al., 2021) Dessa forma é importante enfatizar a necessidade de um acompanhamento multiprofissional. Na área do cirurgião dentista a principal forma de tratamento é o uso das placa oclusal rígida (placa miorrelaxante), usada durante a noite, o que não impede o bruxismo, mas diminui os desgastes, além disso, existem outros tratamentos complementares a esse, como a toxina botulínica e laserterapia (Sălcudean et al., 2024). Já a DTM se manifesta através de dor miofascial, estalos articulares e limitação de abertura de boca. Pelo fato de o limiar da dor estar reduzido, mesmo com a ausência do estímulo, os sintomas permanecem, o que prejudica nas atividades diárias (Sălcudean et al., 2024). Além disso, a relação entre DTM e TAG é bidirecional, pacientes com dor tendem a ficaram mais ansiosos devido a limitação funcional, tornando um ciclo de retroalimentação difícil de quebrar (Manfredini et al., 2021). Santos et al., 2022 descrevem que durante a pandemia de COVID-19 houve um aumento de casos de DTM relacionados ao estresse, reforçando a influência de fatores emocionais sobre funções estomatognática. O papel dos medicamentos psicotrópicos também deve ser considerado, uma vez que ansiolíticos e antidepressivos frequentemente utilizados por indivíduos ansiosos podem causar xerostomia, alterar a composição salivar e aumentar a suscetibilidade à cárie, infecções fúngicas e inflamação periodontal (Fulek et al., 2023). Assim, parte das manifestações bucais observadas nesses pacientes pode decorrer não apenas da ansiedade em si, mas também dos efeitos adversos da terapêutica medicamentosa. A xerostomia é um achado comum em indivíduos ansiosos e pode estar relacionada tanto ao estresse fisiológico quanto ao uso de ansiolíticos e antidepressivos. A redução do fluxo salivar aumenta a predisposição a cáries, doença periodontal e infecções fúngicas, motivo pelo qual pacientes sob tratamento psiquiátrico devem receber acompanhamento odontológico regular (Fulek et al., 2023).
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 617 A estomatite aftosa recorrente (EAR) também apresenta forte relação com fatores emocionais. Níveis elevados de cortisol e aumento do estresse oxidativo são associados a maior frequência e severidade das lesões, além de comprometerem o reparo tecidual (Estornut et al., 2024). A modulação negativa da resposta imune favorece episódios recorrentes, reforçando a importância da regulação emocional no manejo da doença (Santos et al., 2022). A candidose oral pode ser favorecida por situações de estresse e ansiedade devido à redução da imunidade local e da IgA salivar, que favorecem a proliferação de Candida albicans (Taccardi et al., 2024). O uso de medicamentos psicotrópicos também contribui para maior predisposição à infecção. Além das alterações musculares e de mucosa, o estresse prolongado pode influenciar processos inflamatórios sistêmicos e locais, contribuindo para pior resposta periodontal. Estudos demonstram que pacientes sob maior carga emocional apresentam menor qualidade de higiene oral e pior cicatrização após tratamentos periodontais (Villafuerte et al., 2024). Além dos fatores fisiológicos, comportamentos associados à ansiedade têm sido apontados como contribuintes importantes para o comprometimento da saúde bucal. Estudos demonstram que indivíduos ansiosos apresentam menor autocuidado, higiene oral irregular e maior tendência a negligenciar consultas odontológicas, fatores que favorecem o desenvolvimento e a progressão de doença periodontal (Fulek et al., 2023; Villafuerte et al., 2024). Esses achados sugerem que parte dos efeitos da ansiedade sobre a saúde bucal ocorre de forma indireta, mediada por hábitos e comportamentos inadequados. A relação entre saúde mental e saúde bucal é bidirecional: condições orais dolorosas ou esteticamente comprometedoras podem intensificar a ansiedade, enquanto o estresse emocional favorece alterações comportamentais que impactam negativamente a saúde oral. Reconhecer essa interação é fundamental para o manejo clínico adequado. Assim, a ansiedade não apenas influencia mecanismos fisiológicos, mas também altera a interpretação cognitiva e emocional da dor, favorecendo quadros crônicos e persistentes. Apesar das evidências disponíveis, ainda existem lacunas importantes na compreensão da relação entre ansiedade e manifestações orais. Os mecanismos fisiopatológicos envolvidos não são totalmente conhecidos, e os estudos utilizam diferentes escalas para avaliação da ansiedade, dificultando comparações diretas. Assim, embora exista associação consistente, ainda não é possível estabelecer relação causal definitiva entre ansiedade, bruxismo, DTM ou outras manifestações orais. Novos estudos longitudinais e com métodos padronizados são necessários. As manifestações orais provocadas pela ansiedade prejudicam a qualidade de vida, impactando na função mastigatória, estética e bem-estar psicológico (Sălcudean et al., 2024; Manfredini et al., 2021). O manejo clínico deve considerar fatores emocionais, sociais e físicos, integrando avaliação multidisciplinar.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Dec 16, 2025 ISSN 3085-8097 Ansiedade e repercussões no sistema estomatognático: uma revisão integrativa sobre saúde bucal Fonseca ACM, Siqueira RC, Silveira AL, Andrade RS 618 Intervenções precoces, incluindo suporte psicológico e odontológico, têm demonstrado promissor para melhorar a função oral, reduzir dor e promover bem-estar geral do paciente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa revisão de literatura, foi possível concluir que a ansiedade exerce impacto significativo sobre o sistema estomatognático e sobre a saúde bucal como um todo. Alterações do sistema nervoso simpático e da modulação de neurotransmissores contribuem para o desenvolvimento de parafunções orais, aumento do limiar doloroso, hiperatividade muscular e maior vulnerabilidade a distúrbios como bruxismo e DTM. Esses achados ressaltam que a saúde emocional e a saúde oral estão profundamente interligadas, constituindo uma relação bidirecional que influencia diretamente a qualidade de vida dos indivíduos. Apesar das evidências consistentes de associação, a relação entre ansiedade e manifestações bucais ainda não pode ser considerada causal. Diante disso, destaca-se a necessidade de estudos longitudinais, com métodos padronizados e uso de medidas objetivas, que permitam esclarecer os caminhos biológicos e comportamentais que conectam ansiedade e saúde bucal. Compreender essa relação de forma mais aprofundada pode contribuir para abordagens integradas em saúde, ampliando o papel do cirurgião-dentista no reconhecimento de sinais psicossociais e no encaminhamento adequado para acompanhamento multiprofissional. REFERÊNCIAS Al-Omiri, M.; Karasneh, J.; Alhijawi, M.; Zwiri, A.; Scully, C.; Lynch, E. Recurrent aphthous stomatitis (RAS): a preliminary within-subject study of quality of life, oral health impacts and personality profiles. Journal of Oral Pathology & Medicine, v. 44, n. 4, p. 278–283, 2015. Alcázar-Hernández, J. M.; et al. Oral manifestations in patients treated with antidepressants: a systematic review. Journal of Clinical Medicine, 2024. Araújo, R. R. T. B. de; Dantas, É. L. R.; Dantas, J. M. R. Síndrome do envelhecimento bucal precoce: implicações orais dos principais transtornos psiquiátricos. Tendências Emergentes e Debates Chave na Educação de Graduação, v. 6, n. 13, p. 1–23, 2024. Carvalho, G. A. O.; Sousa, G. P.; Pierote, J. J. A.; Caetano, V. S.; Lima, D. E. O.; Costa, I. V. S.; Silva, F. A. G. C.; Lima, L. F. C. Ansiedade como fator etiológico do bruxismo: revisão de literatura. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, v. 9, n. 7, p. 1–29, 2020.