Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 656 DINÂMICA DAS MODIFICAÇÕES NA COBERTURA E USO DA TERRA EM PETROLINA/PE (1985-2023) Dynamics of land use and land cover (LU/LC) changes in Petrolina/PE (1985-2023) Éverton Vinícius Valezio Professor do Colegiado de Geografia da Universidade de Pernambuco Petrolina, Pernambuco, Brasil Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3587-1503
[email protected] Luiz Henrique de Barros Lyra Professor do Colegiado de Geografia da Universidade de Pernambuco Petrolina, Pernambuco, Brasil Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3729-7023
[email protected] Cláudio Smalley Soares Pereira Professor do Colegiado de Geografia da Universidade Estadual do Ceará Programa de Pós-Graduação em Geografia (PROPGEO), UECE Fortaleza, Ceará, Brasil Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4624-4057
[email protected] Artigo recebido em junho/2025 e aceito em dezembro/2025 RESUMO Mudanças no uso e cobertura da terra tem levado a um iminente processo de degradação ambiental. A avaliação temporal e o monitoramento destes processos é significativo para o entendimento das dinâmicas socioambientais, sendo o objetivo deste trabalho discutir o processo no município de Petrolina, estado de Pernambuco. Assim, utilizamos as séries multitemporais da coleção 9, publicadas pelo projeto MapBiomas, do ano de 1985 a 2023, sendo individualizadas cinco classes de cobertura da terra: cobertura vegetal, agropecuária, área urbanizada, área não vegetada e corpos d'água. Os resultados apontaram para o avanço da agropecuária sobre áreas de Caatinga, com perda de 36,29% desta frente ao acréscimo de 142,82% de terras que passam a ser de uso agropecuário. Há o ganho significativo de áreas urbanizadas e não vegetadas no espaço temporal amostrado, sobretudo de 19852000 e de 2015-2023, quando a população chega a 386 mil habitantes. Há também correlação espacial entre a presença de perímetros irrigados, áreas de redução da cobertura vegetal e degradação do solo. Sem projetos efetivos de planejamento ambiental, tende-se a redução ainda maior da cobertura vegetal, avanço da degradação dos solos via manejo inadequado e agropecuária predatória, confluindo em perdas econômicas e de terras agricultáveis. Palavras-chave: Degradação do solo; Planejamento ambiental; MapBiomas; Agropecuária; Semiárido. ABSTRACT Changes in land use and land cover (LU/LC) have led to process of imminent environmental degradation. The temporal assessment and monitoring of these processes are significant for understanding socio-environmental dynamics. The objective of this work is to discuss this process in
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 657 Petrolina city, state of Pernambuco. Thus, we used multi-temporal series from collection 9, published by the MapBiomas project, from 1985 to 2023, identifying five land cover classes: vegetation cover, agriculture, urban area, non-vegetated area, and water bodies. The results indicated the expansion of agriculture into Caatinga vegetation, with a loss of 36.29% of the Caatinga compared to an increase of 142.82% of land that became agricultural land. There is a significant gain in urban and nonvegetated areas in the sampled time frame, especially from 1985 to 2000 and from 2015 to 2023, when the population reached 386,000 inhabitants. There is also a spatial correlation between the presence of irrigated perimeters, areas of reduced vegetation cover, and soil degradation. Without effective environmental planning projects, there is a tendency for even greater reduction in vegetation cover, increased soil degradation due to inadequate management and predatory agriculture, culminating in economic losses and losses of arable land. Keywords: Soil degradation; Environmental planning; MapBiomas; Agriculture; Semi-arid region. 1. INTRODUÇÃO Mudanças no uso e cobertura da terra tem levado a uma série de problemas de ordem ambiental. Fruto de diversos processos, sobretudo interesses econômicos, tem como grande agente o homem, com o avanço de áreas urbanas, infraestrutura, extrativismo vegetal e atividades agrícolas sobre áreas florestais. Essas ações e práticas, no entanto, estão assentadas em uma sociedade complexa, contraditória e dividida em classes. No caso das terras secas, onde se instala a vegetação de Caatinga, há mudanças significativas no uso da terra nas últimas décadas. Segundo Althoff et al. (2018), cerca de metade da cobertura original de um milhão de km2, originalmente coberta pela Caatinga, foi desmatada e substituída por lavouras e pastagens. No processo de ocupação das terras do semiárido, outro fator histórico importante se deu pelo extrativismo vegetal, com a retirada da biomassa florestal como fonte energética, sobretudo a lenha, acarretando impactos ambientais, sendo a desertificação um dos mais complexos (Travassos; Souza, 2014). A desertificação, também condicionada por fatores naturais, tem no aumento da pressão humana por novas terras sua dinamização, tornando a Caatinga particularmente vulnerável. Neste processo de exploração intensiva e contínua da terra via agricultura, pecuária e urbanização, em áreas já suscetíveis a processos de degradação, pode deflagrar problemas mais graves, como a desertificação, que têm como característica a redução da disponibilidade de água, aumento da insegurança alimentar e da vulnerabilidade social (Silva et al., 2024). Muitas vezes iniciada pela supressão da vegetação nativa, tem se tornado um problema presente nas terras do submédio São Francisco (Santos; Santos, 2024; Santos et al., 2024). Soma-se ainda, pelas diferentes condições de uso e ocupação e das terras, seja por condicionantes naturais (clima, drenagem natural ineficiente, relevo, geologia e material de origem) ou antropogênicos (práticas de irrigação inadequadas, drenagem insuficiente e má gestão da terra), a degradação do solo via salinização e sodificação (Zhou et al., 2013; Akça et al., 2020; Pessoa et al.,
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 658 2022). No caso de Petrolina, Castro e Santos (2015) apontam um predomínio de áreas de alta e média susceptibilidade a salinização, com necessidades latentes de desenvolvimento de políticas públicas e de planejamento para o avanço da ocupação para novas terras, além da melhora da qualidade do solo já ocupado, uma vez que práticas de manejo ineficientes em terras irrigadas potencializam o estado de degradação. Na perspectiva físico-ambiental, a degradação das áreas florestais para o estabelecimento de outros usos ainda impacta a ciclagem de carbono e nutrientes, além de reduzir a umidade no solo (Sahani; Behera, 2001; Berihu et al., 2017). Dados do Projeto MapBiomas apontam que 31,1 Mha foram antropizados nas últimas quatro décadas (1985-2021), tendo o estado de Pernambuco perdido mais de 30% de sua floresta seca. Campoli e Stivali (2023) apontam que, com a retirada da mata nativa, uma das ações iniciais das atividades econômicas sem planejamento adequado, promove o impulsionamento da ocupação humana, acelerando ainda mais o processo de desmatamento. Assim, a fragmentação inicial da vegetação se estabelece como o passo fundamental para sua retirada em grande escala. Para os autores supracitados, a degradação ambiental associada à diminuição da vegetação florestal afeta o bem-estar social, sendo necessário planos para valoração ambiental e redução dos custos sociais. Dentro deste contexto, visa-se a discussão sobre o processo de mudanças no uso e ocupação das terras entre 1985 e 2023 no município de Petrolina, estado de Pernambuco, onde o avanço da agropecuária sobre antigas terras florestadas pela mata seca da Caatinga tem sido potencializado pelo crescimento urbano e pela instalação de núcleos habitacionais e agrícolas vinculados a instalação dos projetos/perímetros de irrigação a partir da década de 1960. A utilização de geotecnologias, alinhadas a uma visão integrada dos aspectos sociais, econômicos e biofísicos, é fundamental para o entendimento dos processos presentes e base para a mitigação de problemas futuros. Tomar medidas de planejamento efetivas é um dos meios de preservar e manter as funções ecossistêmicas das paisagens semiáridas. 2. MATERIAIS E MÉTODOS 2.1. Área de estudo Situada no Submédio São Francisco, no extremo oeste de Pernambuco, Petrolina tem seu processo de surgimento e desenvolvimento atrelados à presença do Rio São Francisco. As derivações dessa relação se dão nos mais diversos setores. No plano econômico e social, se torna peça chave na produção de energia, na pesca e na agricultura de vazante, como também, a partir de 1968, área fonte para os canais de irrigação que passam a levar suas águas para terras afastadas da dinâmica fluvial (Ortega; Sobel, 2010). Os projetos de modernização capitalista na irrigação, produção de energia e estradas impactaram decisivamente a produção do espaço urbano e regional, tornando Petrolina
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 659 espaço atrativo para diversas populações e investimentos públicos e privados (Andrade, 1982; Chilcote, 1991; Santos Filho, 2021), aumentando a fluidez territorial (Santos, 1996). No plano ambiental, estabelece condições para formação de solos aluviais, de esculturação do relevo, assim como um reduto de biodiversidade. Hoje, com cerca de 386 mil habitantes (IBGE, 2022), é peça chave no desenvolvimento urbano e econômico do sertão brasileiro. Tem-se como característica central o clima semiárido, com médias pluviométricas anuais de 500 mm, sendo estas chuvas irregulares e concentradas nos meses de fevereiro a abril, além do déficit hídrico anual advindos da alta evapotranspiração (Teixeira, 2009; Alvares et al., 2013). A dinâmica climática também condiciona, juntamente com os solos, relevo e geologia, a cobertura vegetal na região, tendo como principal conjunto a vegetação herbácea, arbustiva e arbórea, com espécies predominantemente xerófitas e decíduas, formando a caatinga - floresta tropical estacional seca (Oliveira et al., 2024). Os solos têm como marca evolutiva o clima quente e seco, com destaque para os Latossolos Vermelho-Amarelos e Amarelos, com grande presença de areias; Neossolos Litólicos e Regolíticos associados aos maciços, inselbergues e lajedos; além dos Neossolos Quatzarênicos e Flúvicos na proximidade do Rio São Francisco (IBGE, 2019). Outra dinâmica importante na caracterização ambiental de Petrolina diz respeito sobre a relação geologia/relevo. Atrelada à margem norte do Cráton São Francisco, o município contempla também, a norte, o Orógeno Riacho do Pontal, evidenciando duas unidades geotectônicas (Barbosa et al., 2003). Esse contexto geodinâmico propiciou diferenças litológicas, influenciando também as características topográficas. Destacam-se os ortognaisses e granitóides do Paleoarqueano e Paleoproterozóico na primeira unidade, e os litotipos metamórficos, como micaxistos e metagrauvacas do Neoproterozóico na segunda unidade (Caxito; Uhlein, 2013; Santos; Lima, 2023). 2.2. Mapeamento de uso e cobertura da terra Os mapas de mudança de uso e cobertura da terra foram produzidos tendo como base os dados do Projeto MapBiomas. Os dados Geotiff e Excel são disponibilizados gratuitamente em www.mapbiomas.org, tendo sido produzidos pelo processamento em nuvem de imagens Landsat, 30m de resolução espacial, sendo a classificação supervisionada feita por algoritmos em
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 660 processamento machine learning na plataforma Google Earth Engine, gerando séries históricas anuais de 29 classes de uso. Para este trabalho, foram selecionados os dados matriciais dos anos de 1985, 1995, 2005, 2015 e 2023, sendo utilizadas as seguintes classes: Formação florestal, agropecuária, área não vegetada e corpos hídricos. Da classe “área não vegetada”, foi extraída também a subclasse “área urbanizada". As imagens raster foram recortadas tendo como polígono os limites municipais de Petrolina e seu perímetro urbano, sendo o processo de tabulação dos dados e finalização cartográfica efetuado em ambiente SIG (software ArcGis). A cartografia aqui presente consiste, assim, em uma parte do que foi produzido no contexto da pesquisa do Projeto Atlas, financiado pelo CNPq1, em que foram escolhidas algumas produções do projeto cartográfico para representar as discussões a partir das dinâmicas ambientais. Destarte, cumpre dizer que estamos cientes a respeito das relações dialéticas e contraditórias entre a sociedade e a natureza como parte essencial da discussão geográfica (Santos, 1996; Matthews; Herbert, 2021). 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Durante os últimos 40 anos, tem-se como característica fundamental na dinâmica de modificação do uso e cobertura da terra em Petrolina o ganho crescente de áreas de uso antrópico, frente a perda de vegetação natural (Figuras 1, 2 e 3). De 1985 a 2023, dos 356.392 hectares de áreas florestadas, apenas 227.043 hectares foram mantidos, uma regressão de 36,29%. Destaca-se o grande avanço da agropecuária, que em 1985 ocupava 86.086 hectares, elevando suas áreas para 98.109 em 1995, 133.700 hectares em 2005, 158.087 hectares em 2015, e em 2023 chega a 209.044 hectares. Assim, o crescimento de áreas com esta finalidade cresceu 13,97% de 1985 a 1995, 36,28% entre 1995 e 2005, 18,24% entre 2005 e 2015, e 32,23% de 2015 a 2023. Neste período, há um acréscimo de 142,83% de terras usadas e ocupadas pela agricultura e pecuária. Da área total do município, em 2023, temos 49,77% composta por floresta, contemplando tanto a caatinga, quanto formações campestres, savânicas e de galeria; a agropecuária ocupando 45,82% desse total, com 19,86% para a agricultura, 21,75% para pastagens e 4,21% em processo de transição, com áreas não vegetadas (Tabela 1). 1 “Atlas das dinâmicas sociais e ambientais de Petrolina/PE e Juazeiro/BA” (Processo: 409930/2021).
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 661 Figura 1 - Uso do solo do município de Petrolina no ano de 1985. Fonte: Projeto Atlas, 2023. Figura 2 - Uso do solo do município de Petrolina no ano de 2005. Fonte: Projeto Atlas, 2023.
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 662 Figura 3 - Uso do solo do município de Petrolina no ano de 2023. Fonte: Projeto Atlas, 2023 Tabela 1: Mudança do uso e cobertura das terras em Petrolina entre 1985 e 2023 (em hectares). Usos 1985 1995 2005 2015 2023 Floresta 356.390 342.416 306.493 279.894 227.046 Agropecuária 86.086 98.108 133.700 158.086 209.044 Área não vegetada 5.724 8.070 8.226 11.458 13.075 Corpos d'água 7.983 7.589 7.765 6.745 7.017 Fonte: Projeto Mapbiomas. Outra classe de uso que se destaca em crescimento é o de área não vegetada. Com o incremento de 7.351 hectares, o crescimento deste uso e cobertura foi de 128,42% entre 1985 e 2023, tendo dois momentos significativos: Entre 1985 e 1995, com aumento de 40,99%; e de 2005 a 2015, com aumento de 39,29%. Grande parte destes ganhos de área se dá pela ocupação de áreas próximas às margens do Rio São Francisco, a partir da produção do espaço urbano de forma desigual, sobretudo pela instauração de condomínios fechados sentido leste, como o que se observa seguindo a Rodovia Jatobá Carneiro (sentido presídio) e pelo loteamento de terras nos bairros Cidade Universitária, Jatobá, Henrique Leite e de novos empreendimentos, no eixo da Avenida das Pedrinhas, como os condomínios fechados Alphaville (inaugurado após anos 2000), Eco Spa, Colina Bela Vista e o recém lançado em 2025, o Horto Condomínio Club. De 1985 até 2023 também há mudanças quanto ao uso agropecuário nestes setores, sobretudo nos terrenos às margens do Rio São Francisco, com
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 663 crescimento de áreas com lavouras perenes e temporárias em pequenas propriedades no perímetro urbano, mas que continuam pela zona rural por toda a margem esquerda à jusante de Petrolina, até limites com Lagoa Grande. No sentido nordeste da cidade, ganha-se destaque os bairros que emergem próximos à Rodovia BR-428, sentido Petrolina-Recife. Neste setor, o Loteamento Recife, Vila Marcela, Vila Esperança e o Condomínio fechado Buona Vita se destacam, tendo rápida expansão urbana ao final da década de 1990 e início da de 2000. Já o condomínio Buona Vita, após 2010, se estabelece em áreas antes vegetadas. Ainda no eixo da BR-428, sentido Recife-Petrolina, houve um incremento ainda mais significativo de áreas não vegetadas/área urbanizada, como o bairro Dom Avelar, que emerge como um grande núcleo populacional a partir de 1985 e se consolida como o bairro mais populoso de Petrolina, com pouco mais de 28 mil habitantes (IBGE, 2022). Essa mudança significativa nos padrões de uso e cobertura da terra promove também problemas de ordem ambiental, como a exposição de solos já frágeis pela condição textural (solos arenosos) a processos erosivos; impermeabilização, dificultando o processo de infiltração das chuvas concentradas; e poluição dos corpos hídricos, com a pressão exercida sobre os canais efêmeros, associado a lançamento de efluentes domésticos; e a lagoa, que pela retirada da vegetação e avanço dos arruamentos, recepciona grande quantidade de sedimentos, comprometendo sua vida útil e qualidade da água. Além disso, são recorrentes problemas de alagamento e erosão eólica e pluvial no bairro. Situação próxima ocorre na parcela sudoeste e noroeste da cidade. Nestes setores, destacamse como eixos de crescimento a BR-407 (sentido Petrolina-Piauí) e Avenida Transnordestina, com os bairros João de Deus, Nova Vida I e II, Loteamento Vale Dourado, Pedra Linda e Novo Mundo, que passam de uso agropecuário e florestal para urbano em larga escala já nos últimos anos da década de 1980. O avanço desordenado desses loteamentos para fins habitacionais vem comprometendo diretamente a estabilidade dos corpos hídricos da planície do Submédio São Francisco, sobretudo lagoas nas áreas de inundação de afluentes importantes como os riachos Vitória e das Porteiras (Costa, 2023; Nery, 2023). O bairro João de Deus, por exemplo, se transformou no terceiro bairro mais populoso de Petrolina, com 25.276 habitantes (IBGE, 2022). Já no eixo da Avenida Mario Rodrigues Coelho (sentido ilhas do Massangano e Rodeadouro), surgem, a partir de 1990, a Cohab São Francisco, hoje o segundo bairro mais populoso de Petrolina, com cerca de 27 mil habitantes (IBGE, 2022); e no começo dos anos 2000, os loteamentos e condomínios ao fundo da Cohab São
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 664 Francisco, como o Nova Petrolina, lançado em 2011. Nesses bairros, há considerável remoção da caatinga para dar lugar às casas, ruas e extensores urbanos, sendo um dos principais núcleos de diminuição da cobertura florestal no perímetro urbano. Ainda na porção sudoeste, Nery (2023), em trabalho sobre a avaliação do uso e ocupação das terras urbanas e os impactos ambientais nos corpos hídricos, como lagoas existentes no Distrito Industrial de Petrolina, constatou, ao analisar esse processo de expansão urbana de 1987 ao ano de 2022 (Figura 4), que o processo se dissipou da região central da cidade para a periferia, sobretudo em torno desses corpos hídricos naturais, assoreando-os e até extinguindo-os. Muitos destes, foram completamente aterrados e/ou canalizados comprometendo a drenagem e estabilidade ecológica desses ambientes que se transformaram em área de risco para inundação, descarte de lixo e efluentes para a população local. Figura 4 - Uso do solo do município de Petrolina no ano de 1985. Fonte: Nery, 2023. O uso agrícola também se destaca na dinâmica de mudanças no uso e cobertura da terra. A partir do começo da década de 1990, é esta classe que emerge no ganho de áreas antes ocupadas pela floresta tropical seca. As áreas não vegetadas do início da série histórica condiz com as áreas de
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001450 ISSN 2317-5419 671 Pernambuco-Piaui-Bahia. Geonomos, v. 21, n. 2, p. 19-37, 2013. CHILCOTE, R. Transição capitalista e a classe dominante no Nordeste. São Paulo: Hucitec, 1991. 372p. CODEVASF - COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DOS VALES DO SÃO FRANCISCO E DO PARNAÍBA. Projeto Público de Irrigação Bebedouro, 2024. Disponível em: https://www.codevasf.gov.br/assuntos/agricultura-irrigada/projetos-de-irrigacao/emproducao/bebedouro. Acesso em: 02 de maio de 2025. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução Conama n°303, de 20 de março de 2002. Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 90, p. 68, 13 de maio de 2002. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução Conama nº. 369, de 28 de março de 2006. Dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente - APP. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 61, p. 150 - 151, 29 de março de 2002. COSTA, B. dos S. Caracterização e mapeamento físico-ambiental das lagoas da planície do riacho das porteiras nas proximidades do loteamento Vale Dourado e o condomínio Morada Nova Mais Viver, Petrolina-PE. 2023. 49 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em Geografia) - Universidade de Pernambuco, Petrolina, 2023. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. BDIA: banco de dados de informações ambientais. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: https://bdiaweb.ibge.gov.br. Acesso em: 10 mar. 2025. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. LYRA, L. H. B.; LIRA, D. R.; SILVA D. N. F.; SANTOS, R. S. Análise evolutiva do uso e ocupação das terras nas ilhas do Massangano e Rodeadouro, Alto Submédio São Francisco, Petrolina-PE. Revista de Geografia, Recife, v. 35, n. 2, p. 94-102, 2018. MATTHEWS, J. A.; HERBERT, D. T. Geografia: uma brevíssima introdução. São Paulo: Editora Unesp, 2021. 250p. NERY, A. C. F. Avaliação do Uso e Ocupação das Terras Urbanas e os Impactos Ambientais Nos Corpos Hídricos: uma análise da lagoa do Distrito Industrial de Petrolina - PE. 2023. 43 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em Geografia) - Universidade de Pernambuco, Petrolina, 2023. OLIVEIRA, J. S.; LIMA, E. R. V.; SOUZA, B. I.; SEABRA, V. S.; SANTOS, M. P. Imagens Sentinel-2/MSI e metodologia GEOBIA no mapeamento do uso e cobertura da terra em área de Floresta Tropical Sazonalmente Seca no Brasil. RA’EGA, Curitiba, v. 59, p. 3-22, 2024. ORTEGA, A. C.; SOBEL, T. F. Desenvolvimento territorial e perímetros irrigados: Avaliação das políticas governamentais implantadas nos perímetros irrigados Bebedouro e Nilo Coelho em Petrolina (PE). Planejamento e políticas públicas, n. 35, p. 87-118, 2010. PESSOA, L. G. M.; FREIRE, M. B. G. S.; GREEN, C. H. M.; MIRANDA, M. F.; ARAÚJO FILHO,
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