O emprego e a sobre-educação de doutores no setor privado brasileiro no período 2010-2021
Abstract
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Full text
e Colombo, Daniel Gama Working Paper O emprego e a sobre-educação de doutores no setor privado brasileiro no período 2010-2021 Texto para Discussão, No. 3054 Provided in Cooperation with: Institute of Applied Economic Research (ipea), Brasília Suggested Citation: e Colombo, Daniel Gama (2024) : O emprego e a sobre-educação de doutores no setor privado brasileiro no período 2010-2021, Texto para Discussão, No. 3054, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasília, https://doi.org/10.38116/td3054-port This Version is available at: https://hdl.handle.net/10419/306800 Standard-Nutzungsbedingungen: Die Dokumente auf EconStor dürfen zu eigenen wissenschaftlichen Zwecken und zum Privatgebrauch gespeichert und kopiert werden. Sie dürfen die Dokumente nicht für öffentliche oder kommerzielle Zwecke vervielfältigen, öffentlich ausstellen, öffentlich zugänglich machen, vertreiben oder anderweitig nutzen. Sofern die Verfasser die Dokumente unter Open-Content-Lizenzen (insbesondere CC-Lizenzen) zur Verfügung gestellt haben sollten, gelten abweichend von diesen Nutzungsbedingungen die in der dort genannten Lizenz gewährten Nutzungsrechte. Terms of use: Documents in EconStor may be saved and copied for your personal and scholarly purposes. You are not to copy documents for public or commercial purposes, to exhibit the documents publicly, to make them publicly available on the internet, or to distribute or otherwise use the documents in public. If the documents have been made available under an Open Content Licence (especially Creative Commons Licences), you may exercise further usage rights as specified in the indicated licence. https://creativecommons.org/licenses/by/2.5/br/
3054 O EMPREGO E A SOBRE-EDUCAÇÃO DE DOUTORES NO SETOR PRIVADO BRASILEIRO NO PERÍODO 2010-2021 DANIEL GAMA E COLOMBODANIEL GAMA E COLOMBO
3054 Brasília, novembro de 2024 O EMPREGO E A SOBRE-EDUCAÇÃO DE DOUTORES NO SETOR PRIVADO BRASILEIRO NO PERÍODO 2010-2021 DANIEL GAMA E COLOMBO1 1. Especialista em políticas públicas e gestão governamental na Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Diset/Ipea). E-mail: [email protected]v.br.
Governo Federal Ministério do Planejamento e Orçamento Ministra Simone Nassar Tebet Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, o Ipea fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais – possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos. Presidenta LUCIANA MENDES SANTOS SERVO Diretor de Desenvolvimento Institucional FERNANDO GAIGER SILVEIRA Diretora de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO Diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais ARISTIDES MONTEIRO NETO Diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura FERNANDA DE NEGRI Diretor de Estudos e Políticas Sociais CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL Diretor de Estudos Internacionais FÁBIO VÉRAS SOARES Chefe de Gabinete ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA Coordenadora-Geral de Imprensa e Comunicação Social GISELE AMARAL Ouvidoria: https://www.ipea.gov.br/ouvidoria URL: https://www.ipea.gov.br Texto para Discussão Publicação seriada que divulga resultados de estudos e pesquisas em desenvolvimento pelo Ipea com o objetivo de fomentar o debate e oferecer subsídios à formulação e avaliação de políticas públicas. © Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2024 Colombo, Daniel Gama e O Emprego e a sobre-educação de doutores no setor privado brasileiro no período 2010-2021 / Daniel Game e Colombo. – Brasília, DF: Ipea, 2024. 37 p. : il., gráfs. – (Texto para Discussão ; n. 3054). Inclui Bibliografia. ISSN 1415-4765 1. Alinhamento Educacional. 2. Doutorado. 3. Remuneração. 4. Sobre-Educação. I. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. II. Título. CDD 331.114 Ficha catalográfica elaborada por Elizabeth Ferreira da Silva CRB-7/6844. Como citar: COLOMBO, Daniel Gama e. O Emprego e a sobre-educação de doutores no setor privado brasileiro no período 2010-2021. Brasília, DF: Ipea, nov. 2024. 37 p. (Texto para Discussão, n. 3054). DOI: https:// dx.doi.org/10.38116/td3054-port JEL: I23; I26; J24. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/td3054-port As publicações do Ipea estão disponíveis para download gratuito nos formatos PDF (todas) e ePUB (livros e periódicos). Acesse: https://www.ipea.gov.br/portal/publicacoes As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou do Ministério do Planejamento e Orçamento. É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.
SUMÁRIO SINOPSE ABSTRACT 1 INTRODUÇÃO .......................................................................... 6 2 BASE DE DADOS E ESCOLHAS METODOLÓGICAS............7 2.1 Base de dados..............................................................................8 2.2 Agrupamento de setores e medidas de remuneração consideradas na análise .............................................................9 2.3 Aferição da sobre-educação de doutores ............................... 10 3 RESULTADOS .........................................................................12 3.1 Evolução do emprego de doutores no setor privado .............. 12 3.2 Evolução da remuneração ....................................................... 17 3.3 Aproveitamento e sobre-educação de doutores ..................... 21 4 CONCLUSÃO ..................... .....................................................24 REFERÊNCIAS .........................................................................25 APÊNDICE A .............................................................................29
SINOPSE Este trabalho tem por objetivo investigar a evolução do emprego de doutores no setor privado brasileiro, entre 2010 e 2021. O estudo é baseado em microdados do emprego formal da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais/MTE) e utiliza estatísticas descritivas acerca do emprego, da remuneração e da sobre-educação de doutores. Esta última é aferida por meio do método de vínculos concretizados (realized matches) e, complementarmente, pela abordagem de análise de ocupação (job analysis). Os resultados sugerem que, ao longo do período analisado, houve ampliação do número de doutores empregados com redução da remuneração média geral. Ademais, ocorreu elevação da taxa de sobre-educação entre profissionais com doutorado, e a remuneração mensal e o salário-hora médios em 2021 foram maiores para aqueles em ocupações com alinhamento educacional. Palavras-chave: alinhamento educacional; doutorado; remuneração; sobre-educação. ABSTRACT This article aims to investigate the evolution of the employment of Ph.D. holders in the Brazilian private sector between 2010 and 2021. The study is based on microdata on formal employment from the Annual Social Information Report (Rais), and it presents descriptive statistics regarding employment, remuneration, and over-education of PhDs. Over-education is measured using the realized matches method and, additionally, the job analysis approach. The results suggest that, throughout the period of analysis, there was an increase in the number of Ph.D.s employed and a reduction in the average compensation. Furthermore, there was an increase in the rate of overeducation among professionals with a doctorate degree, and the average monthly compensation and hourly wages in 2021 were higher for those in occupations that matched their educational level. Keywords: compensation; educational alignment; overeducation; PhD.
TEXTO para DISCUSSÃO 6 3054 1 INTRODUÇÃO Profissionais com titulação de doutorado trazem importantes contribuições para a economia e a sociedade, constituindo uma força motriz da inovação e do crescimento econômico (Bansak, Bender e Coon, 2020; Sam, 2018). O papel desses indivíduos ganha ainda mais centralidade na atual economia do conhecimento (Ermini, Papi e Scaturro, 2017), em que o capital intelectual é elemento-chave da competitividade e da produtividade no nível da firma e da economia agregada. Entretanto, a concretização dessas contribuições depende da efetiva inserção dos doutores em atividades que aproveitem suas habilidades e competências (Bansak, Bender e Coon, 2020). Assim, a compreensão do mercado de trabalho dos egressos do doutorado é importante para o diagnóstico de seu aproveitamento e sua situação profissional, assim como para o desenho de políticas públicas voltadas a potencializar os aportes desses trabalhadores para a economia. A literatura internacional sobre o emprego de doutores cresceu nas últimas décadas, ao abordar diferentes temas acerca da inserção desses profissionais nas organizações. Em geral, os estudos que trataram da remuneração sugerem que doutores possuem vencimentos médios maiores que aqueles com titulação inferior, embora a magnitude do prêmio salarial percebido seja objeto de debate, estando relacionada a fatores diversos da economia, dos indivíduos e dos empregadores (Casey, 2009; Mertens e Röbken, 2013; Pedersen, 2016). Um ponto que vem ganhando atenção nessa discussão é a sobre-edu- cação, que indica o exercício de ocupação cujo grau de escolaridade adequado é inferior ao doutorado (Verhaest e Verhofstadt, 2016) e que pode gerar penalidade salarial relevante, além de outros efeitos prejudiciais ao indivíduo e à firma (Bender e Heywood, 2009; Pedersen, 2016). A evidência empírica existente para outros países sugere alta taxa de sobre-educação entre doutores – que pode chegar a mais de 70%, conforme um estudo com doutores da União Europeia (Cultrera et al., 2023) –, com penalidade usualmente superior a 10% dos vencimentos (Cultrera et al., 2023; Gaeta, Lavadera e Pastore, 2017). A análise do emprego de doutores no Brasil torna-se ainda mais relevante à luz das mudanças ocorridas recentemente no mercado de trabalho desses profissionais. Os últimos anos foram de acelerada expansão do doutorado, com crescimento de 60% no número de programas entre 2010 e 2021, além de maior distribuição regional das ofertas e aumento de programas em instituições privadas e de caráter multidisciplinar (Capes, 2024). Entretanto, essa ampliação da oferta de profissionais ocorreu em período desfavorável da economia nacional, que sofreu dois importantes choques adversos que afetaram a produção e o emprego geral no país: a crise do período 2015-2016, com a retração do produto interno bruto (PIB) e a elevação do desemprego para mais de dois dígitos; e 2020, que marcou o início da pandemia sanitária e que, além de suas consequências humanitárias, trouxe um novo choque adverso no PIB e no nível de desemprego (Corseuil et al., 2021; Lameiras, Corseuil e Ramos, 2023).
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 7 3054 No entanto, o emprego de doutores no país possui características próprias devido à qualificação desses profissionais. Trata-se de tema ainda pouco investigado, havendo poucos estudos que se dedicaram à análise do mercado e da atuação profissional desses indivíduos. Os estudos existentes sugerem que a maior parcela dos doutores se dedica a atividades educacionais,1 embora exista um movimento recente de ampliação do emprego de novos egressos fora da universidade (Colombo, 2023), que acompanha uma tendência internacional (OECD, 2023). As análises de remuneração em geral indicam que doutores recebem em média mais que indivíduos com titulação de ensino superior e mestrado2 (Bin et al., 2016), mas os últimos anos foram de perda remuneratória para os recém-titulados dos programas de doutorado (Colombo, 2023). A fim de contribuir para esse debate, este trabalho tem por objetivo investigar a evolução do emprego de doutores no setor privado brasileiro para o período 2010-2021. Utilizando-se microdados do emprego formal, são investigados o número de trabalhadores, bem como a atividade econômica e a ocupação exercidas, além da remuneração e da sobre-educação, comparando-se profissionais com doutorado e aqueles que possuem titulação de mestrado e ensino superior completo – sem pós-graduação stricto sensu. Os resultados apontam para um aumento do emprego geral de doutores no período – a taxas superiores às dos demais profissionais com ensino superior –, acompanhada de redução da remuneração média de doutores e de crescimento da taxa de sobre-educação, com vencimentos menores para aqueles em ocupações com desalinhamento educacional. Este trabalho é composto de quatro seções, incluindo-se esta introdução. A segunda seção apresenta a base de dados, as escolhas metodológicas adotadas e as principais variáveis e grupos considerados na análise. A terceira seção exibe e discute os resultados e os principais dados. A quarta e última seção resume as conclusões do trabalho e aponta futuros objetos e caminhos de pesquisa. 2 BASE DE DADOS E ESCOLHAS METODOLÓGICAS O estudo apresenta e discute estatísticas descritivas acerca do emprego, da remuneração e da sobre-educação de doutores no país. Esta seção descreve os procedimentos adotados para construção da base de dados utilizada na investigação e as escolhas metodológicas adotadas para o cálculo das principais variáveis analisadas. 1. Disponível em: https://mestresdoutores2019.cgee.org.br. 2. Disponível em: https://mestresdoutores2019.cgee.org.br.
TEXTO para DISCUSSÃO 8 3054 2.1 Base de dados A investigação utiliza os microdados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego – Rais/MTE, que constitui um registro censitário anual dos vínculos de empregos formais no país. A análise contempla o período 2010- 2021 – o mais recente disponível no momento da coleta dos dados. Foram considerados apenas os profissionais registrados com ensino superior completo, mestrado e doutorado, com número de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) válido e vínculos empregatícios ativos ao final de cada ano. Por fim, foram levados em conta apenas os registros com remuneração e número de horas semanais contratadas positivos para de dezembro – tomado como referência para análise dos vencimentos. A fim de evitar duplicidade de registros, foi considerado apenas um vínculo por ano para cada indivíduo – com base no CPF –, sendo escolhido aquele de maior remuneração nos casos necessários. A unidade de análise é o registro anual de vínculos empregatícios – idealmente, cada vínculo possui um registro para cada ano-calendário de sua vigência. A base final contempla 57.215.060 observações de 12.356.739 indivíduos distintos, e cada observação representa um registro de vínculo empregatício para dado ano da série. O número de vínculos por ano e grau de escolaridade na base é apresentado na tabela 1. TABELA 1 Número de registros anuais de vínculos de emprego por ano e grau de escolaridade (2010-2021) Ano Grau de escolaridade Total Educação superior completa Mestrado completo Doutorado completo 2010 3.401.489 74.567 25.976 3.502.032 2011 3.682.365 87.610 29.501 3.799.476 2012 4.050.191 96.042 32.362 4.178.595 2013 4.404.077 105.096 36.718 4.545.891 2014 4.745.118 117.769 37.198 4.900.085 2015 4.718.215 123.129 39.105 4.880.449 2016 4.747.522 125.331 39.511 4.912.364 2017 5.006.574 141.379 44.935 5.192.888 2018 5.343.046 158.095 50.779 5.551.920
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 15 3054 TABELA 2 Empregados do setor privado com titulação de doutorado, por grupo de setores, atividade econômica e ano (2010-2021) Grupo de setores Atividade econômica (CNAE dois dígitos) Ano 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 A. Educacional (1 mil empregados)115,1 15,9 17,4 20,3 21,1 24,7 25,4 28,6 31,7 30,1 30,3 31,2 B. Não educacional (1 mil empregados) 10,9 13,6 14,9 16,4 16,1 14,4 14,1 16,4 19,1 18,0 18,7 22,7 B.1. Pesquisa e desenvolvimento científico (% de B) 21,0 20,0 19,3 18,4 21,2 23,8 19,8 20,1 16,8 17,8 17,6 15,6 B.2. Atividades de atenção à saúde humana (% de B) 7,1 6,6 7,1 7,2 7,6 9,7 9,1 11,0 10,8 11,8 11,7 12,3 B.3. Atividades de organizações associativas (% de B) 9,2 12,9 12,2 11,9 12,5 8,8 8,1 8,1 10,5 11,6 11,6 10,4 B.4. Atividades dos serviços de tecnologia da informação – TI (% de B) 5,5 4,5 4,8 2,5 2,5 2,3 2,1 3,5 3,7 7,0 8,3 9,7 B.5. Atividades de serviços financeiros (% de B) 2,8 1,8 2,2 3,0 3,1 3,9 3,7 5,1 5,6 6,8 4,2 6,2 B.6. Outros (% de B) 54,5 54,2 54,4 57,1 53,1 51,6 57,1 52,2 52,6 45,1 46,6 45,7 C. Total (1 mil empregados) 26,0 29,5 32,4 36,7 37,2 39,1 39,5 44,9 50,8 48,0 49,0 53,8 Fontes: Brasil (2023) e IBGE (2006). Elaboração do autor. Nota: 1 Todas as organizações educacionais pertencem à seção P (educação), divisão 85 da CNAE.
TEXTO para DISCUSSÃO 16 3054 TABELA 3 Empregados do setor privado com titulação de doutorado, por grupo de setores, ocupação e ano (2010-2021) Grupo de setores Ocupação (CBO dois dígitos) Ano 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 A. Educacional (1 mil empregados) 15,1 15,9 17,4 20,3 21,1 24,7 25,4 28,6 31,7 30,1 30,3 31,2 A.1. Profissionais do ensino (% de A) 91,6 94,2 94,4 94,0 93,4 93,9 94,2 94,0 93,8 93,4 93,1 92,6 A.2. Professores leigos e de nível médio (% de A) 2,0 1,8 1,6 1,7 2,2 1,6 1,6 1,6 1,6 1,8 1,8 1,9 A.3. Diretores e gerentes em empresa de educação e outros1 (% de A) 0,8 0,8 0,8 0,9 0,8 0,9 0,9 1,0 1,0 1,0 1,2 1,2 A.4. Pesquisadores e profissionais policientíficos (% de A) 0,3 0,3 0,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 A.5. Gerentes (% de A) 0,4 0,3 0,3 0,4 0,5 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,5 A.6. Outros (% de A) 4,9 2,6 2,4 2,5 2,6 2,7 2,3 2,5 2,5 2,7 2,7 2,8 B. Não educacional (1 mil empregados) 10,9 13,6 14,9 16,4 16,1 14,4 14,1 16,4 19,1 18,0 18,7 22,7 B.1. Pesquisadores e profissionais policientíficos (% de B) 4,3 3,1 3,6 3,6 4,5 5,1 5,6 5,6 6,1 17,3 16,4 14,3 B.2. Profissionais das ciências exatas e físicas e da engenharia (% de B) 14,3 15,4 14,8 15,2 15,6 13,7 13,1 13,2 12,1 11,6 13,0 14,1 B.3. Profissionais das ciências biológicas, da saúde e afins (% de B) 22,8 20,9 20,8 19,6 20,8 24,5 21,6 23,5 21,3 10,9 11,4 12,2 B.4. Gerentes (% de B) 12,6 12,6 11,4 12,4 12,3 11,0 12,1 12,1 12,3 11,6 10,7 11,6 B.5. Profissionais das ciências sociais e humanas (% de B) 7,6 6,6 7,6 6,9 7,4 7,5 7,5 7,5 10,6 8,5 8,3 9,4 B.6. Outros (% de B) 38,5 41, 41,8 42,3 39,4 38,0 40,1 38,1 37,6 40,1 40,2 38,4 Total (1 mil empregados) 26,0 29,5 32,4 36,7 37,2 39,1 39,5 44,9 50,8 48,0 49,0 53,8 Fonte: Brasil (2010; 2023). Elaboração do autor. Nota: 1 CBO 2002, subgrupo principal 13 (diretores e gerentes em empresa de serviços de saúde, da educação, ou de serviços culturais, sociais ou pessoais).
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 17 3054 Por sua vez, o grupo não educacional contempla baixa concentração de setores econômicos empregadores, não havendo algum que responda por um quarto ou mais das contratações em qualquer ano da série. Nesse grupo, os setores econômicos que se destacam são pesquisa e desenvolvimento científico, atenção à saúde humana e organizações associativas, sendo as principais ocupações as de pesquisadores, profissionais de ciências exatas, físicas e da engenharia, profissionais das ciências biológicas, da saúde e afins e gerentes. A principal tendência que pode ser constatada no período para esse grupo é a expansão do emprego nas atividades de atenção à saúde humana e de serviços de TI. Esse resultado é consistente com o expressivo crescimento dos programas de doutorado nessas áreas: na grande área de conhecimento de ciências da saúde, houve crescimento de cerca de 77% no número de novos doutores titulados por ano no período; enquanto nas áreas de ciência da computação e ciência da informação – conjuntamente consideradas –, o número de total de novos títulos em 2021 é aproximadamente o triplo daquele observado em 2010 (Capes, 2024). 3.2 Evolução da remuneração As médias das remunerações mensais e do salário-hora – ambos em valores constantes de dezembro de 2022 – por nível de escolaridade são apresentadas no gráfico 3. Para os três níveis educacionais considerados, a média dos vencimentos – considerando-se ambas as medidas – declinou em valores reais ao longo do período analisado. No caso dos doutores, as médias da remuneração mensal e do salário-hora diminuíram cerca de 23% e 28%, respectivamente, entre 2010 e 2021. A redução do salário-hora médio é muito próxima à observada para os demais níveis (27% para graduação e 32% para mestrado), o que indica que essa foi uma tendência geral para os trabalhadores do ensino superior, e não uma característica do mercado de trabalho dos indivíduos com doutorado. Ademais, a diminuição da remuneração pode ser observada em diferentes anos ao longo da série, o que sugere que não se trata de tendência que possa ser integralmente atribuída às crises econômica e sanitária do período. Assim, considerando-se esse dado com o crescimento do número de profissionais (gráfico 1), uma possível hipótese que ajuda a esclarecer essa tendência é a maior oferta de profissionais com ensino superior completo – com o acirramento da concorrência nesse mercado de trabalho –, resultado da ampliação universitária ocorrida no Brasil nas últimas décadas (Bielschowsky, 2023). Essa hipótese se encontra alinhada com as ideias de job competition (Thurow, 1979) e inflação de credencial (Collins, 2002), que sugerem que a expansão dos títulos do doutorado é parcialmente decorrência da competição no mercado de trabalho de profissionais com diploma universitário, o que levaria parcela deles a buscar títulos de pós-graduação, a fim de ampliar sua vantagem competitiva.
TEXTO para DISCUSSÃO 18 3054 GRÁFICO 3 Média das remunerações mensais e do salário-hora de empregados do setor privado com título de graduação, mestrado e doutorado por ano (2010-2021) 9,1 6,9 12,0 11,0 17,0 13,1 52,8 38,6 149,3 102,0 189,8 136,6 0 50 100 150 200 250 0 5 10 15 20 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Salário-hora (R$) Remuneração mensal (R$ 1 mil) Remuneração mensal graduação Salário-hora graduação Remuneração mensal mestrado Salário-hora mestrado Remuneração mensal doutorado Salário-hora doutorado Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: Remuneração de dezembro de cada ano, corrigida para dezembro de 2022 pelo IPCA/IBGE. Considerando-se ambas as medidas de remuneração, a média observada para os doutores supera a dos mestres em todos os anos, o que é indício de ganho salarial pelo doutoramento, consistente com a evidência internacional no tema (Pedersen, 2016; Wouterse, Wiel e Steeg, 2017). Porém, nota-se que a diferença das médias entre esses dois grupos é declinante entre 2010 e 2021: no caso da remuneração mensal, a diferença que era de aproximadamente R$ 5 mil foi reduzida para cerca de R$ 2 mil; para o salário-hora, a queda foi de cerca de R$ 6,00 ou 15% da diferença observada em 2010. Novamente, o ganho adicional médio dos doutores – em comparação aos mestres – diminuiu na maior parte dos anos em relação ao exercício anterior. A redução da remuneração média dos doutores foi observada nos dois grupos de setores considerados, conforme apresentado na tabela 4, sendo mais acentuada no setor educacional, no qual a remuneração mensal média em 2021 é cerca de um quarto menor que o valor de 2010, e o salário-hora é cerca de 30% menor. Por sua vez, a diferença remuneratória relativa – ou variação percentual – em relação à média de empregados com mestrado apresentou trajetória distinta nos dois grupos: no setor educacional, o ganho adicional dos doutores no que concerne ao mestrado aumentou – considerando-se ambas as medidas; por sua turno, nos setores não educacionais, foi observada queda expressiva da diferença relativa da remuneração mensal – em 2021, a média para os doutores foi apenas 7,2% maior que a média dos mestres –, enquanto a diferença para o salário-hora médio apresentou pequena elevação.
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 19 3054 TABELA 4 Média da remuneração mensal e do salário-hora dos empregados do setor privado com título de doutorado e diferença relativa em relação à média das remunerações dos empregados com mestrado por ano e grupo de setores (2010-2021) 4A – Remuneração mensal Ano Setor educacional Setores não educacionais Total Média (R$ 1 mil) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$ 1 mil) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$ 1 mil) Diferença relativa – mestrado¹ (%) 2010 14,7 61,3 20 29,2 17 w41,6 2011 14,7 64,2 20,8 18,1 17,5 34,8 2012 14,7 65,8 21,6 22,8 17,9 38,8 2013 14,3 59,5 19,8 14,2 16,7 30,7 2014 13,9 58,7 21,1 25 17 34,7 2015 13,8 61,2 21,9 25,5 16,7 31 2016 14 65,3 20,6 23,9 16,4 32,2 2017 14,3 63,6 21,2 28,8 16,8 33,6 2018 12,9 61,4 20,2 27,1 15,7 30,4 2019 13 64,5 18,5 15,4 15,1 30,3 2020 11,9 68,8 18,2 14,4 14,3 27,3 2021 10,9 63,5 16,2 7,2 13,1 18,7 4B – Salário-hora Ano Setor educacional Setores não educacionais Total Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) 2010 239,2 27 121,7 20,7 189,8 27,1 2011 259 29,5 115 19,8 192,5 27,1 2012 257,9 31,8 116,3 25,2 192,6 29,9 2013 244,1 20,6 108,9 19,2 183,7 21,4 2014 238,7 23,7 117,6 27,7 186,3 28,6 2015 216,8 23,9 125,6 32,3 183,3 34
TEXTO para DISCUSSÃO 20 3054 Ano Setor educacional Setores não educacionais Total Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) Média (R$) Diferença relativa – mestrado¹ (%) 2016 209,3 30,6 118,6 30,8 176,8 39,2 2017 219,2 26,1 136,7 52,5 189,2 43,4 2018 207,8 29,1 132,9 52 179,6 45,3 2019 194 32,5 118,4 31,1 165,7 36,8 2020 172 38,2 116,7 31,2 150,9 40,2 2021 163,4 32,6 99,9 21,2 136,6 33,9 Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Nota: 1 Diferença entre a média das remunerações de doutores e mestres dividida pela média das remunerações de mestres. Obs.: A remuneração mensal e o salário-hora calculados com base na remuneração de dezembro de cada ano, corrigidos para dezembro de 2022 pelo IPCA/IBGE. O último ponto a considerar é que ambos os indicadores considerados (remuneração mensal e salário-hora) apontam para perda remuneratória dos profissionais no período considerado, havendo relativa consistência de trajetória entre eles. Isso pode ser percebido para os profissionais de diferentes níveis de instrução (gráfico 3) e, também, para doutores empregados tanto no setor educacional quanto fora deste (tabela 4). Entretanto, na maior parte dos casos, a redução proporcional foi maior se considerado o salário-hora. Isso pode ser parcialmente explicado por um discreto aumento da jornada semanal de trabalho média dos empregados na base de dados, cujo valor em 2021 é aproximadamente 0,7 hora por semana a mais em relação a 2010, o que representa 1,9% de aumento da jornada semanal – tomando-se todos os indivíduos conjuntamente. Trata-se de um ponto que merece maior aprofundamento, com a comparação das jornadas reportadas em outras bases e fontes de informações – como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE –, a fim de verificar se essa é uma tendência do mercado de trabalho de profissionais de nível superior no país ou uma imprecisão das informações presentes na Rais acerca do número de horas contratadas para o mercado formal.
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 21 3054 3.3 Aproveitamento e sobre-educação de doutores A evolução do desalinhamento educacional dos doutores no mercado privado formal do país é apresentada no gráfico 4. Os dados sugerem que, ao final de 2021, aproximadamente 65% dos doutores se encontravam empregados em situação de sobre-educação. Trata-se de percentual elevado que se aproxima de algumas estimativas apontadas na literatura internacional (Canal Domínguez e Rodríguez-Gutiérrez, 2013; Cultrera et al., 2023) e que sugere baixo aproveitamento do capital intelectual desses profissionais na economia nacional. GRÁFICO 4 Número e percentual de doutores empregados com sobre-educação por ano e grupo de setores ocupacionais (2010-2021) 7,0 7,3 8,2 9,1 10,1 11,9 11,9 13,4 14,5 14,2 14,3 15,4 8,7 11,2 12,4 13,9 13,5 11,6 11,7 13,4 16,2 15,0 15,7 19,7 46,2 49,5 79,5 86,7 60,2 65,2 0 25 50 75 100 0 5 10 15 20 25 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Empregados (1 mil) Educacional Educacional Não educacional Não educacional Total Empregados (%) Fonte: Brasil (2010; 2023). Elaboração do autor. Obs.: Método de vínculos concretizados. No período, houve aumento de cerca de 5 p.p. na proporção de sobre-educação entre doutores. Ademais, o gráfico demonstra que se trata de fenômeno mais acentuado nos setores não educacionais, nos quais a taxa de sobre-educação chegou a aproximadamente 87% dos doutores empregados ao final do período. Possíveis hipóteses que podem explicar esse resultado negativo são reduzida oferta de ocupações qualificadas por parte dessas organizações e baixa aderência entre as habilidades e os conhecimentos obtidos nos programas de doutoramento e aqueles valorizados e exigidos por empresas (OECD, 2023).
TEXTO para DISCUSSÃO 22 3054 O alinhamento educacional constitui um fator relevante para compreender a evolução da remuneração dos doutores no período considerado. Os gráficos 5 e 6 apresentam a evolução da remuneração dos doutores nos grupos setoriais considerados, agrupando-os por situação de alinhamento educacional. Em ambos os casos, a remuneração mensal média daqueles em ocupações alinhadas com a titulação de doutorado supera a daqueles em sobre-educação, sendo a diferença maior nos setores não educacionais. Esses resultados sugerem a existência de penalidade salarial da sobre-educação, o que confirma os argumentos e a evidência empírica apresentados na literatura internacional (Bender e Heywood, 2009; Cultrera et al., 2023). GRÁFICO 5 Remuneração mensal e salário-hora dos empregados com doutorado no setor educacional privado, por ano e situação de alinhamento educacional: alinhados ou em sobre-educação (2010-2021) 16,0 15,2 15,7 15,2 14,8 14,2 14,6 14,9 13,8 13,8 12,7 11,7 13,2 14,0 13,7 13,1 12,9 13,3 13,3 13,5 11,9 12,1 11,0 10,0 170,8 182,5 318,7 143,9 0 5 10 15 20 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 0 100 200 300 400 Remuneração mensal (R$ 1 mil) Salário-hora (R$) Remuneração mensal (alinhados) Salário-hora (alinhados) Remuneração mensal (em sobre-educação) Salário-hora (em sobre-educação) Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: 1. Remuneração mensal e salário-hora calculados com base na remuneração de dezembro de cada ano, corrigidos para dezembro de 2022 pelo IPCA/IBGE. 2. Método de vínculos concretizados.
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 23 3054 GRÁFICO 6 Remuneração mensal e salário-hora dos empregados com doutorado em setores não educacionais privados, por ano e situação de alinhamento educacional: alinhados ou em sobre-educação (2010-2021) 29,9 30,5 39,6 32,9 33,3 32,7 33,2 33,2 33,8 34,2 33,7 30,7 17,5 18,7 18,0 17,4 18,8 19,3 18,0 18,5 17,7 15,4 15,3 13,9 233,1 197,7 93,0 84,8 0 15 30 45 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 0 75 150 225 300 Remuneração mensal (R$ 1 mil) Salário-hora (R$) Remuneração mensal (alinhados) Salário-hora (alinhados) Remuneração mensal (em sobre-educação) Salário-hora (em sobre-educação) Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: 1. Remuneração mensal e salário-hora calculados com base na remuneração de dezembro de cada ano, corrigidos para dezembro de 2022 pelo IPCA/IBGE. 2. Método de vínculos concretizados. O valor real médio do salário-hora dos doutores em ocupações com alinhamento no setor educacional apresentou leve aumento (cerca de 7%) no período, o que indica que esses profissionais foram poupados da tendência de queda dos vencimentos por hora de trabalho ocorrida durante o período sob análise (gráfico 3). Por seu turno, aqueles em situação de sobre-educação tiveram queda acentuada no valor real do salário-hora, sendo a média em 2021 inferior à metade daquela observada em 2010. Por sua vez, no caso dos setores não educacionais, a média daqueles em situação de sobre-educação é inferior aos empregados em ocupações com alinhamento para todos os anos da série, chegando a diferença do salário-hora em relação aos alinhados a até 150% – em 2010 –, o que sugere penalidade salarial expressiva da sobre-educação nesse grupo. Os resultados das investigações de sobre-educação considerando o método de análise de ocupação encontram-se nos gráficos A.1 a A.3 do apêndice A e, em boa medida, confirmam o quadro geral apresentado nesta seção, embora tragam alguns pontos de novidade a serem considerados. Em primeiro lugar, o uso desse método gera resultado um pouco mais favorável para o alinhamento educacional – uma vez
TEXTO para DISCUSSÃO 24 3054 que há maior número de profissões consideradas adequadas para profissionais com doutorado –, apontando para cerca de 45% de doutores sobre-educados em 2021, o que mesmo assim pode ser considerado percentual elevado. Ademais, os gráficos A.1 e A.3 também apontam para aumento da proporção de sobre-educação entre doutores nos setores não educacionais ao longo do período estudado e para persistente diferença positiva na remuneração (mensal e salário-hora médios) entre doutores em situação de alinhamento e sobre-educados, o que confere maior robustez a esses resultados. Entretanto, os dois métodos apontam para cenários distintos quanto à evolução no setor educacional: enquanto os dados no gráfico 4 (vínculos realizados) sugerem crescimento da sobre-educação, o gráfico A.1 (análise da ocupação) indica redução na proporção de doutores nessa situação. Em boa medida, essa discrepância pode ser explicada pelo amplo emprego de profissionais sem doutorado em ocupações no magistério – especialmente universitário –, o que leva alguns deles a serem consideradas casos de sobre-educação de doutores se considerados os vínculos realizados, ainda que a descrição da ocupação na CBO indique se tratarem de atividades com alinhamento educacional. Os resultados apresentados nesta seção indicam que os impactos negativos no mercado de trabalho privado de doutores durante a última década foram principalmente sentidos em ocupações com sobre-educação. Considerando-se a ampliação da proporção de sobre-educação de doutores no mercado privado (gráfico 1), esses dados apontam para ampliação da oferta de trabalho de doutores no país durante o período estudado (2010-2021), o que levaria a um maior contingente de profissionais a buscar emprego em posições que não exigem seu nível educacional. Dessa forma, se reduziria a remuneração média desses trabalhadores. 4 CONCLUSÃO Em resumo, as estatísticas descritivas apresentadas neste estudo sugerem as seguintes tendências para o mercado de trabalho privado de doutores no Brasil, no período 2010-2021: • ampliação do número de doutores empregados, sendo o setor educacional o maior empregador; • redução da remuneração média geral dos doutores, acompanhando a tendência dos demais profissionais com ensino superior completo; • aumento do número e da proporção de doutores empregados em ocupações não alinhadas com seu nível educacional – em situação de sobre-educação;
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 31 3054 Código CBO Ocupação 203005 Pesquisador em biologia ambiental 203010 Pesquisador em biologia animal 203015 Pesquisador em biologia de micro-organismos e parasitas 203020 Pesquisador em biologia humana 203025 Pesquisador em biologia vegetal 203205 Pesquisador de engenharia civil 203210 Pesquisador de engenharia e tecnologia (outras áreas da engenharia) 203215 Pesquisador de engenharia elétrica e eletrônica 203220 Pesquisador de engenharia mecânica 203225 Pesquisador de engenharia metalúrgica, de minas e de materiais 203230 Pesquisador de engenharia química 203305 Pesquisador de clínica médica 203310 Pesquisador de medicina básica 203315 Pesquisador em medicina veterinária 203320 Pesquisador em saúde coletiva 203405 Pesquisador em ciências agronômicas 203410 Pesquisador em ciências da pesca e aquicultura 203415 Pesquisador em ciências da zootecnia 203420 Pesquisador em ciências florestais 211105 Atuário 211110 Especialista em pesquisa operacional 211115 Matemático 211120 Matemático aplicado 211205 Estatístico 211210 Estatístico (estatística aplicada) 212205 Engenheiro de aplicativos em computação 212210 Engenheiro de equipamentos em computação 212215 Engenheiros de sistemas operacionais em computação 213105 Físico 213135 Físico (instrumentação) 213145 Físico (materiais) 213150 Físico (medicina) 213155 Físico (nuclear e reatores)
TEXTO para DISCUSSÃO 32 3054 Código CBO Ocupação 213160 Físico (óptica) 213205 Químico 213210 Químico industrial 213215 Tecnólogo em processos químicos 213405 Geólogo 213410 Geólogo de engenharia 213415 Geofísico 213420 Geoquímico 213425 Hidrogeólogo 213430 Paleontólogo 213440 Oceanógrafo 214105 Arquiteto de edificações 214110 Arquiteto de interiores 214115 Arquiteto de patrimônio 214120 Arquiteto paisagista 214125 Arquiteto urbanista 214130 Urbanista 214205 Engenheiro civil 214210 Engenheiro civil (aeroportos) 214215 Engenheiro civil (edificações) 214220 Engenheiro civil (estruturas metálicas) 214225 Engenheiro civil (ferrovias e metrovias) 214230 Engenheiro civil (geotecnia) 214235 Engenheiro civil (hidrologia) 214240 Engenheiro civil (hidráulica) 214245 Engenheiro civil (pontes e viadutos) 214250 Engenheiro civil (portos e vias navegáveis) 214255 Engenheiro civil (rodovias) 214260 Engenheiro civil (saneamento) 214270 Engenheiro civil (transportes e trânsito) 214280 Tecnólogo em construção civil 214405 Engenheiro mecânico 214410 Engenheiro mecânico automotivo
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 33 3054 Código CBO Ocupação 214415 Engenheiro mecânico (energia nuclear) 214420 Engenheiro mecânico industrial 214425 Engenheiro aeronáutico 214430 Engenheiro naval 214435 Tecnólogo em fabricação mecânica 214505 Engenheiro químico 214510 Engenheiro químico (indústria química) 214515 Engenheiro químico (mineração, metalurgia, siderurgia, cimenteira e cerâmica) 214520 Engenheiro químico (papel e celulose) 214525 Engenheiro químico (petróleo e borracha) 214530 Engenheiro químico (utilidades e meio ambiente) 214535 Tecnólogo em produção sucroalcooleira 214605 Engenheiro de materiais 214610 Engenheiro metalurgista 214615 Tecnólogo em metalurgia 214805 Engenheiro agrimensor 214810 Engenheiro cartógrafo 214905 Engenheiro de produção 214910 Engenheiro de controle de qualidade 214915 Engenheiro de segurança do trabalho 214920 Engenheiro de riscos 214925 Engenheiro de tempos e movimentos 214930 Tecnólogo em produção industrial 214935 Tecnólogo em segurança do trabalho 221105 Biólogo 221205 Biomédico 222105 Engenheiro agrícola 222110 Engenheiro agrônomo 222115 Engenheiro de pesca 222120 Engenheiro florestal 224105 Avaliador físico 224110 Ludomotricista 224115 Preparador de atleta
TEXTO para DISCUSSÃO 34 3054 Código CBO Ocupação 224120 Preparador físico 224125 Técnico de desporto individual e coletivo – exceto futebol 224130 Técnico de laboratório e fiscalização desportiva 224135 Treinador profissional de futebol 234105 Professor de matemática aplicada (ensino superior) 234110 Professor de matemática pura (ensino superior) 234115 Professor de estatística (ensino superior) 234120 Professor de computação (ensino superior) 234125 Professor de pesquisa operacional (ensino superior) 234205 Professor de física (ensino superior) 234210 Professor de química (ensino superior) 234215 Professor de astronomia (ensino superior) 234305 Professor de arquitetura 234310 Professor de engenharia 234315 Professor de geofísica 234320 Professor de geologia 234405 Professor de ciências biológicas do ensino superior 234410 Professor de educação física no ensino superior 234415 Professor de enfermagem do ensino superior 234420 Professor de farmácia e bioquímica 234425 Professor de fisioterapia 234430 Professor de fonoaudiologia 234435 Professor de medicina 234440 Professor de medicina veterinária 234445 Professor de nutrição 234450 Professor de odontologia 234455 Professor de terapia ocupacional 234460 Professor de zootecnia do ensino superior 234505 Professor de ensino superior na área de didática 234510 Professor de ensino superior na área de orientação educacional 234515 Professor de ensino superior na área de pesquisa educacional 234520 Professor de ensino superior na área de prática de ensino 234604 Professor de língua alemã
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 35 3054 Código CBO Ocupação 234608 Professor de língua italiana 234612 Professor de língua francesa 234616 Professor de língua inglesa 234620 Professor de língua espanhola 234624 Professor de língua portuguesa 234628 Professor de literatura brasileira 234632 Professor de literatura portuguesa 234636 Professor de literatura alemã 234648 Professor de literatura francesa 234652 Professor de literatura inglesa 234660 Professor de literatura de línguas estrangeiras modernas 234664 Professor de outras línguas e literaturas 234668 Professor de línguas estrangeiras modernas 234672 Professor de linguística e linguística aplicada 234676 Professor de filologia e crítica textual 234680 Professor de semiótica 234684 Professor de teoria da literatura 234905 Professor de artes do espetáculo no ensino superior 234910 Professor de artes visuais no ensino superior (artes plásticas e multimídia) 234915 Professor de música no ensino superior 251305 Geógrafo 251405 Filósofo 253110 Redator de publicidade 253115 Agente publicitário 253120 Analista de negócios 253125 Analista de pesquisa de mercado 261305 Arquivista 261310 Museólogo Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: Método – análise de ocupação.
TEXTO para DISCUSSÃO 36 3054 GRÁFICO A.1 Número e percentual de doutores empregados com sobre-educação por ano e grupo de setores ocupacionais (2010-2021) 4,6 4,4 5,0 6,1 6,2 7,6 7,3 8,1 8,2 8,2 8,2 8,5 7,1 8,9 9,9 11,3 10,6 8,8 9,1 10,4 12,7 12,0 12,7 15,9 30,3 27,3 64,6 70,2 44,8 45,3 0 25 50 75 100 0 5 10 15 20 25 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Empregados (1mil) Empregados (%) Educacional Não educacional Não educacional TotalEducacional Fonte: Brasil (2010; 2023). Elaboração do autor. Obs.: Método de análise de ocupação. GRÁFICO A.2 Remuneração mensal e salário-hora dos empregados com doutorado no setor educacional privado, por ano e situação de alinhamento educacional: alinhados ou em sobre-educação (2010-2021) 15,1 14,7 14,7 14,4 14,0 13,2 13,3 13,7 12,6 12,6 11,5 10,5 13,9 14,6 14,7 13,9 13,5 14,9 15,5 15,8 13,9 13,9 13,1 11,9 279,2 182,1 147,5 113,4 0 5 10 15 20 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 0 100 200 300 400 Remuneração mensal (R$ 1 mil) Salário-hora (R$) Remuneração mensal (alinhados) Remuneração mensal (em sobre-educação) Salário-hora (alinhados) Salário-hora (em sobre-educação) Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: 1. Remuneração mensal e salário-hora calculados com base na remuneração de dezembro de cada ano, corrigidos para dezembro de 2022 pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPCA/IBGE). 2. Método de análise de ocupação.
TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 37 3054 GRÁFICO A.3 Remuneração mensal e salário-hora dos empregados com doutorado em setores não educacionais privados, por ano e situação de alinhamento educacional: alinhados ou em sobre-educação (2010-2021) 27,6 29,4 34,3 30,7 31,0 30,8 30,3 30,4 29,1 28,3 27,3 24,3 15,9 16,2 15,2 14,8 16,0 16,2 15,3 15,9 15,8 13,6 14,0 12,7 184,5 139,5 87,4 83,0 0 15 30 45 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 0 75 150 225 300 Remuneração mensal (R$ 1 mil) Salário-hora (R$) Remuneração mensal (alinhados) Remuneração mensal (em sobre-educação) Salário-hora (alinhados) Salário-hora (em sobre-educação) Fonte: Brasil (2023). Elaboração do autor. Obs.: 1. Remuneração mensal e salário-hora calculados com base na remuneração de dezembro de cada ano, corrigidos para dezembro de 2022 pelo IPCA/IBGE. 2. Método de análise de ocupação. REFERÊNCIA BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) – 2010. 3. ed. Brasília: SPPE/MTE, 2010. Disponível em: http://www.mtecbo.gov. br/cbosite/pages/download?tipoDownload=1.
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