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Produtividade do trabalho das cadeias produtivas da indústria de transformação brasileira no período 2000-2019

Bahia, Luiz Dias

Abstract

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Bahia, Luiz Dias Working Paper Produtividade do trabalho das cadeias produtivas da indústria de transformação brasileira no período 2000-2019 Texto para Discussão, No. 2897 Provided in Cooperation with: Institute of Applied Economic Research (ipea), Brasília Suggested Citation: Bahia, Luiz Dias (2023) : Produtividade do trabalho das cadeias produtivas da indústria de transformação brasileira no período 2000-2019, Texto para Discussão, No. 2897, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasília, https://doi.org/10.38116/td2897-port This Version is available at: https://hdl.handle.net/10419/285019 Standard-Nutzungsbedingungen: Die Dokumente auf EconStor dürfen zu eigenen wissenschaftlichen Zwecken und zum Privatgebrauch gespeichert und kopiert werden. Sie dürfen die Dokumente nicht für öffentliche oder kommerzielle Zwecke vervielfältigen, öffentlich ausstellen, öffentlich zugänglich machen, vertreiben oder anderweitig nutzen. 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Texto para Discussão Publicação seriada que divulga resultados de estudos e pesquisas em desenvolvimento pelo Ipea com o objetivo de fomentar o debate e oferecer subsídios à formulação e avaliação de políticas públicas. © Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2023 Bahia, Luiz Dias Produtividade do trabalho das cadeias produtivas da indústria de transformação brasileira no período 2000-2019/Luiz Dias Bahia. – Rio de Janeiro: IPEA, 2023. 51 p. : il., gráfs. – (Texto para Discussão ; 2897). Inclui Bibliografia. 1. Produtividade do Trabalho. 2. Indústria de Transformação. 3. Brasil I. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. II. Título. CDD 330.98174 Ficha catalográfica elaborada por Ana Paula Fernandes Abreu CRB-7/4769. Como citar: BAHIA, Luiz Dias. Produtividade do trabalho das cadeias produtivas da indústria de transformação brasileira no período 2000-2019. Rio de Janeiro: Ipea, julho, 2023. 51 p. (Texto para Discussão, n. 2897). DOI: http://dx.doi. org/10.38116/td2897-port. JEL: J24; L6. As publicações do Ipea estão disponíveis para download gratuito nos formatos PDF (todas) e EPUB (livros e periódicos). Acesse: http://www.ipea.gov.br/portal/publicacoes As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou do Ministério do Planejamento e Orçamento. É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas. Governo Federal Ministério do Planejamento e Orçamento Ministra Simone Nassar Tebet Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, o Ipea fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais – possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos. Presidenta LUCIANA MENDES SANTOS SERVO Diretor de Desenvolvimento Institucional FERNANDO GAIGER SILVEIRA Diretora de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO Diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais ARISTIDES MONTEIRO NETO Diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura FERNANDA DE NEGRI Diretor de Estudos e Políticas Sociais CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL Diretor de Estudos Internacionais FÁBIO VÉRAS SOARES Chefe de Gabinete ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA Coordenador-Geral de Imprensa e Comunicação Social ANTONIO LASSANCE Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria URL: http://www.ipea.gov.br SUMÁRIO SINOPSE ABSTRACT 1 INTRODUÇÃO .......................................................................... 6 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................... 6 2.1 A evolução recente da produtividade do trabalho na indústria brasileira .................................................................6 2.2 Contexto atual da indústria brasileira ...................................... 11 2.3 A perspectiva de implantação da manufatura avançada no Brasil ....................................................................................15 3 METODOLOGIA .....................................................................19 3.1 Cálculo das cadeias produtivas de cada setor da IT .............. 19 3.2 Cálculo da produtividade do trabalho de cada cadeia produtiva .......................................................................24 3.3 Metodologia de cálculo da evolução temporal da produtividade do trabalho como um todo das cadeias produtivas ...................................................................27 4 RESULTADOS .........................................................................27 4.1 Complexo têxtil .........................................................................27 4.2 Complexo da agroindústria ......................................................30 4.3 Complexo da construção civil .................................................. 32 4.4 Complexo químico ....................................................................35 4.5 Complexo metalomecânico .....................................................41 5 CONCLUSÃO .........................................................................47 REFERÊNCIAS ..........................................................................49 SINOPSE Este trabalho busca mensurar, para o período 2000-2019, a evolução da produtividade do trabalho setorial em cadeias produtivas. Para tanto, fizemos um exercício de matriz insumo-produto (MIP) a partir das Contas Nacionais Anuais Brasileiras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (CNAB/IBGE) de 2000 a 2019, que são as atualmente disponíveis. No período analisado como um todo, verificamos uma tendência de estagnação da produtividade, com resultados mais positivos do complexo agroindustrial e menos expressivos do complexo têxtil. Perante o horizonte produtivo da manufatura avançada, que é muito intensiva em capital, a indústria de transformação (IT) ainda não encontrou um novo padrão de crescimento capaz de reverter o trajeto pouco expressivo observado principalmente no período de 2014-2016, de modo a viabilizar a transformação produtiva implícita na manufatura avançada. Palavras-chave: produtividade do trabalho; indústria de transformação. ABSTRACT The present work seeks to measure for the period 2000-2019 the evolution of sectoral work productivity in production chains. To do so, we carried out an input-output matrix (IPM) exercise based on the Brazilian Annual National Accounts from 2000 to 2019 (which are currently available). In the analyzed period as a whole, we verified a tendency of productivity stagnation, with more positive results of the agro-industrial complex and less expressive of the textile complex. Faced with the productive horizon of advanced manufacturing, which is very capital intensive, the manufacturing industry has not yet found a new growth pattern capable of reversing the inexpressive path observed mainly in the period 2014-2016, in order to make productive transformation feasible implicit in advanced manufacturing. Keywords: labor productivity; manufacturing. TEXTO para DISCUSSÃO 6 2897 1 INTRODUÇÃO O tema da produtividade do trabalho na indústria brasileira tem sido objeto de muitos estudos no Brasil. Entretanto, poucos deles se baseiam em seu aspecto setorial. E quase nenhum sobre as cadeias produtivas setoriais. O presente trabalho busca calcular, para o período 2000-2019, a evolução da produtividade do trabalho setorial em cadeias produtivas. Para tanto, fizemos um exercício de matriz insumo-produto (MIP), a partir das Contas Nacionais Anuais Brasileiras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (CNAB/IBGE) de 2000 a 2019 (as atualmente disponíveis). O trabalho se organiza da seguinte forma: na segunda seção, fazemos uma revisão bibliográfica do tema abordado; na terceira seção, apresentamos a metodologia do trabalho; na quarta seção, apresentamos os resultados; e, na quinta, concluímos. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Nesta seção faremos uma revisão não exaustiva da bibliografia sobre o tema deste trabalho. Primeiro, examinaremos aqueles trabalhos que nos informem sobre a mais recente evolução da produtividade do trabalho na indústria. Segundo, resenharemos aqueles trabalhos que nos deem elementos sobre a principal agenda da indústria brasileira. Finalmente, abordaremos o desafio da manufatura avançada no Brasil. 2.1 A evolução recente da produtividade do trabalho na indústria brasileira Um trabalho relevante sobre produtividade do trabalho no Brasil – apesar de analisar a produtividade agregada de todos os setores e não apenas a da indústria – é o de Barbosa Filho e Pessôa (2014). A motivação principal do trabalho foi gerar séries temporais de produtividade baseadas em horas trabalhadas e não em pessoal ocupado. Como os autores salientam, há uma importante diferença entre as duas séries quando a jornada de trabalho se altera significativamente. Este é o caso do período 1982-1992. Como as séries vão até 2012, observa-se ser indicado utilizar as horas trabalhadas, mas também é possível utilizar pessoal ocupado. Para nós, o mais importante, uma vez que nosso período vai de 2000 a 2019, é verificar o acerto ou não da divisão de subperíodos utilizados neste trabalho: 2000-2004, que capta os efeitos do racionamento de energia elétrica do início da década; 2005-2008, que capta o período antes da crise internacional TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 7 2897 de 2008; 2009-2014, que capta o período depois da crise de 2009 até 2014, quando ocorre a recessão no Brasil; e 2015-2019, que capta o período recessivo brasileiro. Nota-se que, no primeiro subperíodo, a produtividade do trabalho cresce menos; no segundo subperíodo, a produtividade do trabalho acelera bastante seu crescimento; e, no período 2008-2012, ela desacelera, mas tem evolução mais favorável que a do primeiro período (Barbosa Filho e Pessôa, 2014, p. 164, tabela 6). Portanto, concluímos que nossa divisão de períodos está adequada. Apesar de Barbosa Filho e Pessôa (2014) indicarem crescimento de produtividade no Brasil de 2000 a 2012, na indústria brasileira o quadro parece ser diverso. Galeano e Feijó (2013, p. 15) calculam um arrefecimento da produtividade do trabalho industrial (nos níveis agregado e setorial) a partir de 1999 até 2007, concluindo por apenas uma manutenção média desta produtividade no período. Bahia (2015a, p. 23-38) chega a resultados semelhantes: de 1990 a 1998, há avanço positivo de produtividade do trabalho em todos os complexos industriais de maneira geral; entretanto, de 1999 a 2009, há arrefecimento de avanço de produtividade do trabalho industrial, com alguns complexos apresentando queda média de produtividade. Santos e Spolador (2018, p. 223-225) chegam a resultados semelhantes para a produtividade total dos fatores (PTF) industrial: há forte queda em 1983, lenta recuperação até 1986, e queda progressiva até 1992; na década de 1990, há ganhos em 1993-1995, e relativa estabilidade entre 1996 e 1997 – mais especificamente, o crescimento termina em 1995, e fica estável em 1996 e 1997; de 2000 a 2009, há queda expressiva e paulatina; em 2010 e 2011 há relativa recuperação; e ocorrem novas quedas em 2012 e 2013. Canêdo-Pinheiro e Barbosa Filho (2011, p. 423) reportam queda de produtividade do trabalho da indústria de transformação (IT) de 1985-1995 a 1995-2005. Podemos concluir que há um consenso quanto à ausência de crescimento – com estagnação ou queda – da produtividade do trabalho setorial depois de 2000. A especificidade deste trabalho é calcular a evolução da produtividade do trabalho da IT de 2000 a 2019 não apenas no nível setorial, mas no sistêmico, por cadeia produtiva. Passaremos agora a contextualizar, de maneira não exaustiva, como o pensamento crítico brasileiro abordou a evolução da produtividade do trabalho no Brasil desde a abertura econômica dos anos 1990. Abordaremos os principais determinantes de produtividade, considerada aqui a PTF ou a produtividade do trabalho, por estarem ambas fortemente correlacionadas, segundo Isaksson (2007, p. 1). TEXTO para DISCUSSÃO 8 2897 O primeiro grupo de determinantes trata de conhecimento ou tecnologia. Tecnologia pode ser entendida como a maneira de combinar trabalho e capital para se atingir o máximo de produção. Como supomos que os agentes são racionais, deveríamos considerar que o conhecimento tecnológico coincide com a produtividade. Entretanto, o elo entre produtividade e conhecimento tecnológico é enfraquecido pela existência de outros determinantes da produtividade, como qualidade institucional, grau de abertura da economia, educação, saúde, entre outros (Isaksson, 2007, p. 5-6). O conhecimento tecnológico se desdobra nos seguintes determinantes: pesquisa e desenvolvimento (P&D), que cria novos produtos, processos e conhecimento em si; transferência de tecnologia, via investimento direto externo (IDE) e comércio internacional; e adoção de tecnologia via capacidade de absorção – devido a habilidades de leitura, escrita e capacidades científicas avançadas, capazes de decodificar e incorporar tecnologia. O segundo grupo de determinantes congrega a oferta de fatores e a alocação eficiente destes, ou seja: educação e treinamento do capital humano; saúde do capital humano; intensidade de capital instalado; infraestrutura pública, física ou não, que gere impactos produtivos no setor privado produtivo; alocação eficiente de fatores (trabalho e capital) entre setores, gerando mais eficiência produtiva; e atualização de capital instalado, cuja rapidez depende em grande parte de um sistema financeiro desenvolvido e capaz de financiamento ágil ao setor produtivo. O terceiro grupo congrega determinantes de instituições e integração, nos seguintes itens: integração do comércio internacional, que leva a importantes ganhos de produtividade – as exportações levam a aumentos de produtividade, apesar de esta também estar associada a priori àquela; eficiência das instituições, definidas como regras e órgãos que dirigem o clima para a produção, tanto econômicas (leis e direitos de seguridade) quanto políticas (democracia versus autocracia); e geografia, ou localização favorável ou não à integração econômica. O quarto grupo congrega o nível de competição do mercado, a dimensão social e o ambiente, nos seguintes aspectos: o nível de competição nacional e internacional em que atua o setor produtivo, que leva à redução de falhas gerenciais à medida que a competição intranacional e internacional é maior; a dimensão social, a qual inclui distribuição de renda na economia, assim como acesso e qualidade de educação e saúde; finalmente, o meio ambiente natural, tanto por incluir o nível de bem-estar quanto por poder ser visto como fator de produção. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 15 2897 (tema da subseção 2.3), o que depende de um padrão de crescimento além da situação atual, em que estamos num nível produtivo muito semelhante ao subprime de 2008. Voltando para o tema do presente trabalho (produtividade do trabalho industrial no Brasil), é de se esperar, com o arrefecimento do investimento depois de 2008, que a produtividade do trabalho apresente também uma tendência de arrefecimento, apesar de ser primordial traçar um quadro setorial e sistêmico, capaz de trazer subsídio a um novo padrão de crescimento. 2.3 A perspectiva de implantação da manufatura avançada no Brasil O problema da queda de investimento no Brasil, citado na subseção anterior, é mais crítico atualmente do que no passado, mesmo que no passado recente. Isso porque, como citaram Morceiro e Guilhoto (2020, p. 845), a indústria brasileira está abaixo da fronteira tecnológica; hoje, como todas as nações industriais, o Brasil está na passagem da Terceira para a Quarta Revolução Industrial, que implica um esforço significativo de investimento, não apenas industrial. A Quarta Revolução Industrial é o que também se denomina de manufatura avançada. Depois de uma evolução no século XX, quando os controles passaram do mecânico para o eletroeletrônico, primeiro analógico, depois digital e computadorizado, surge a automação (Sacomano et al., 2018, p. 28). O processo produtivo se torna controlado por instrumentos em softwares. No século XXI, surge a digitalização, com predomínio de computadores, tablets e smartphones, conexão à internet de grande acesso e difusão de mídias de comunicação para o formato digital. O ambiente da web passa a ser colaborativo, com a popularização das redes sociais. As estratégias de marketing passam a se basear em grandes bases de dados (big data) e redes sociais. Na indústria, a base existente de automação informatizada e negócios baseados em transformação digital fazem surgir a manufatura avançada ou indústria 4.0. A operação da manufatura avançada pode ser descrita da forma a seguir. 1) É feito um pedido online pelo cliente. 2) O pedido entra no planejamento e no controle de produção. É averiguado se o pedido é feito por um cliente idôneo e, em caso afirmativo, verifica-se se há em estoque os insumos necessários para produção. 3) Caso os insumos não estejam disponíveis, compara-se o prazo de entrega do pedido com o de fornecimento dos insumos. TEXTO para DISCUSSÃO 16 2897 4) Não sendo possível atender ao pedido, renegociam-se prazos com o cliente. 5) Fechados os prazos com o cliente, as encomendas de insumos são feitas aos fornecedores, e o pedido é alocado na linha de produção. 6) Caso seja necessário reconfigurar a linha de produção, um projeto é feito e testado virtualmente para a validação por um supervisor, ou por um programa de inteligência artificial (IA), ou por ambos. 7) Atuadores e sensores, conhecidos como sistemas ciberfísicos (cyber-physical systems – CPS), vão controlando a linha de produção, ao mesmo tempo que transmitem informações sobre o processamento do pedido ou dados de máquinas para uma central. Esta repassa as informações pela internet ou intranet para sistemas supervisores, que vão atuando nos equipamentos. Por meio do mundo virtual ou cibernético, ou de mecanismos de comunicação e controle de equipamentos, os CPS conectam a linha de produção, situada no mundo real, aos interessados (Sacomano et al., 2018, p. 30). 8) Cada estação de trabalho troca informações ou comandos com as outras estações de trabalho de forma descentralizada, interagindo entre si, ao que se chama comunicação máquina a máquina (machine to machine – M2M). 9) As máquinas podem interagir com humanos, em comunicação máquina a humanos (machine to human – M2H). 10) Caso a linha de produção precise de manutenção, o sistema comunica ao setor de manutenção da fábrica ou a uma empresa terceirizada de manutenção, e o cliente é alertado sobre as mudanças de prazo. 11) Quando o pedido é produzido, o sistema informa ao cliente, emite a documentação necessária para poder embarcar o pedido e solicita o transporte à logística. O cliente, então, passa a rastrear online o trânsito do pedido, desde a fábrica até a entrega (Sacomano et al., 2018, p. 31). 12) Essas fábricas são denominadas fábricas inteligentes (smart factories). O conceito de manufatura avançada ainda não foi fechado. Assim, uma definição acabada seria imprópria. Entretanto, podemos apresentar provisoriamente os elementos formadores da indústria 4.0. Os mais importantes são os elementos-base ou fundamentais, que representam a tecnologia sem a qual a manufatura avançada não poderia existir. Primeiro, os citados sistemas ciberfísicos, que consistem numa “forma de implantar sistemas de informação TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 17 2897 e automação que torna possível trocar informações, executar comandos e acompanhar o processo produtivo a distância e em tempo real”, bem como “realizar simulações sobre o processo produtivo no campo virtual, sem que o físico seja comprometido, prejudicando a produção” (Sacomano et al., 2018, p. 34). Segundo, a internet das coisas (IoT), que consiste numa internet “cujos emissor e/ou receptor são coisas, ou seja, objetos que usam internet como um canal de comunicação”, por exemplo, “um sensor de temperatura que capta a temperatura de determinado ponto de inspeção em um forno industrial, e transmite este valor de temperatura pela internet para uma central” (Sacomano et al., 2018, p. 35). Terceiro, a internet dos serviços (IoS), que consiste em “novos serviços que são disponibilizados por meio da internet ou internamente à empresa”; por exemplo, alguém “poderá ser alertado pelo celular/tablet ou computador que seu carro precisa de revisão e/ou que chegou o período de trocar pneus” (Sacomano et al., 2018, p. 35). Depois, vêm os elementos estruturantes, que não são todos indispensáveis a uma instalação de indústria 4.0. Primeiro, a automação, “definida como a realização de tarefas sem a intervenção humana, com equipamentos que funcionam sozinhos e possuem capacidade de controlar a si próprios, a partir de condições e/ou instruções preestabelecidas”; “caso a empresa não tenha processos produtivos ou linhas de produção automatizadas, ou pelo menos semiautomatizados”, seria preciso adequá-la, como passo para ser manufatura avançada (Sacomano et al., 2018, p. 36). Segundo, a comunicação M2M, que é o compartilhamento de informações e decisões dos equipamentos entre si. Isso “cria a possibilidade de os equipamentos tomarem decisões descentralizadas”, de modo que, por exemplo, uma ordem de trabalho possa ter os dados do seu processamento na linha de produção informados por meio de uma máquina para todas as etapas (Sacomano et al., 2018, p. 37). Terceiro, a IA, constituída de dispositivos ou métodos computacionais que funcionam de forma similar à capacidade de raciocínio do ser humano, “resolvendo problemas da maneira mais eficiente possível”; a IA passaria não só a controlar o processo de produção, mas também a fornecer sugestões para as mais diversas necessidades de decisões (Sacomano et al., 2018, p. 37). Quarto, a análise de big data, que são uma massa de dados de origem produtiva, comercial, de marketing e outros, que precisa ser bem filtrada, trabalhada estatisticamente, para ser enquadrada dentro de uma estrutura racional; sua complexidade cresce à medida que incorpora “dados não estruturados, como imagens, expressões faciais, sons, documentos digitalizados, entre outros” (Sacomano et al., 2018, p. 38). Quinto, a computação em nuvem, assim referida por armazenar dados em servidores dos TEXTO para DISCUSSÃO 18 2897 quais não se sabe a localização, mesmo os utilizados de outros países via internet; a computação em nuvem é “fundamental para que as informações e dados possam ser acessadas, de forma fácil, de qualquer parte do mundo em que haja internet, para o controle multilocal do processo produtivo” (Sacomano et al., 2018, p. 38). Sexto, todo o sistema precisa estar integrado para permitir o funcionamento da manufatura avançada em plenitude. Essa é uma dificuldade forte, porque os equipamentos utilizados são de diversos fabricantes, que não se integram bem uns com os outros. Sétimo, deve-se ter segurança plena de informações, dados e comandos que trafegam online, contra invasões de internet e intranet. Dessa breve exposição, pode-se notar que os investimentos necessários à manufatura avançada são grandes e profundos, em várias áreas da indústria, dos serviços, da regulação e da infraestrutura, significando uma modificação produtiva, legal e comportamental de expressivas e singulares proporções. Essa substantiva mudança está no seu início, sendo particularmente decisiva nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Fica claro, além disso, que as fronteiras setoriais entre agropecuária, indústria e serviços deixam cada vez mais de existir. Mas trata-se de alterações indispensáveis para o empresariado e a produtividade. Esta, uma vez que a indústria 4.0 estivesse instalada e operante, passaria a crescer significativamente. Evidencia-se que análises sistêmicas e intersetoriais, como a do presente trabalho, tendem a se tornar essenciais. Para Arbix et al. (2017, p. 33), a manufatura avançada se constitui de três características estruturantes dos novos processos: eles são digitais; fortemente integrados; e intensivos em automação. Esses elementos, ao aproximarem objetos físicos e virtuais, formam uma produção industrial intensivamente flexível e customizada. Apesar de admitirem que o movimento de adoção da manufatura avançada já atingiu um ponto de não retorno, Arbix et al. (2017) reconhecem que tecnologias maduras, assentadas na Terceira Revolução Industrial, coexistem com as nascentes, e que não há ainda rotas tecnológicas da manufatura avançada claramente definidas, com suas sínteses e fusões. Por um lado, é certo, para os autores, que a mudança tecnológica seria o vetor principal de avanço de produtividade na manufatura avançada, a exemplo do já detectado em Bahia (2015b), como salientamos. Por outro lado, segundo os autores, seria necessário adaptar-se à emergência das cadeias globais de valor. Em síntese, está-se na emergência de um novo paradigma produtivo, a manufatura avançada, sendo extremamente oportuno adaptar-se desde já. Com a possível implantação da manufatura avançada no Brasil, as cadeias globais de valor muito provavelmente fariam parte do comércio exterior do Brasil. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 19 2897 Ferraz, Gutierre e Cabral (2015) analisam o comércio exterior brasileiro recente, tendo em vista a transição para cadeias globais de valor. Os autores chegam a algumas conclusões: por um lado, há uma tendência de fragmentação internacional da atividade produtiva; por outro lado, a estrutura produtiva do Brasil ainda é verticalizada. Além disso, na última década, houve um aumento expressivo de importação de insumos em todos setores da economia brasileira, mas a sua penetração na indústria brasileira é ainda relativamente baixa, perante a experiência internacional. A produção e a exportação de bens intermediários brasileiros vêm se especializando em setores menos intensivos em tecnologia, enquanto, para os bens mais intensivos em tecnologia, o Brasil vem se especializando em produção e exportação de bens finais. Finalmente, para o Brasil, os principais parceiros de comércio são a União Europeia, o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (North American Free Trade Agreement – Nafta) e a China. 3 METODOLOGIA 3.1 Cálculo das cadeias produtivas de cada setor da IT Desenvolvemos nesta subseção a metodologia de cálculo das cadeias produtivas a partir de cada setor da IT. Antes, precisamos fazer duas considerações, conforme a seguir descrito. 1) Calculamos a produtividade do trabalho não de cada setor da IT, mas da cadeia produtiva de cada setor . Ou seja, a produtividade do trabalho aqui é representativa de cada cadeia produtiva do setor, não do setor isolado. 2) Na revisão bibliográfica na seção 2, mostramos que a análise atual no Brasil caminha para a seguinte conclusão sobre a estrutura industrial brasileira: é importante adensar as cadeias produtivas porque essas apresentam uma particular capacidade de induzir crescimento econômico, por meio de relações produtivas intersetoriais que o setor de serviços não apresenta – este geral - mente induz a impactos para frente, com menores efeitos de disseminação de crescimento para toda a estrutura produtiva. Além disso, setores industriais, ao crescerem, geram impactos no mercado de trabalho, por meio de empregos e salários mais altos, que a crescente e temporal evolução de complexidade tecnológica propicia. Tentamos mostrar neste trabalho que, de maneira análoga, mas diferente, o adensamento de cadeias produtivas com importância estratégica pode aumentar a produtividade do trabalho de toda cadeia produtiva, a partir de cada setor industrial. TEXTO para DISCUSSÃO 20 2897 Para tanto, desenvolvemos a metodologia a seguir exposta. Primeiro, calculamos a variação de VP setorial segundo Holland e Matin (1993) e Bahia (2012; 2015b). Devemos salientar que, no cálculo da produtividade do trabalho, não utilizamos o VA setorial, mas o VP de cada setor envolvido. O motivo é que consideramos o VA mais uma variável de resultado concorrencial, em boa parte representativa da interação das firmas do mercado, depois de a produção já ter sido definida, e que, portanto, envolve mais condicionantes de concorrência definidos ex-post à produção em si. O VP é a proxy mais fidedigna que temos de quantidade produzida, assim definida como resultante da produção originalmente por Samuelson (1983, p. 57). Assim, o VP parece-nos mais adequado para mensurar a produtividade do trabalho, um conceito essencialmente vindo da produção ex-ante às interações de venda no mercado. Partimos da seguinte identidade contábil das Contas Nacionais: (1) Onde: • = vetor-coluna de mudanças reais na produção dos setores; • = vetor-coluna de mudanças diretas e indiretas de consumo intermediário dos setores; • = vetor-coluna de mudanças de produção dos setores advindas direta e indiretamente à demanda final doméstica; • = vetor-coluna de produção setorial advinda de mudanças na demanda de exportações; e • = vetor-coluna de mudanças na produção setorial advindas direta e indiretamente de mudanças no consumo importado. Utilizamos a metodologia da MIP. Assim, as variáveis do lado direito da equação (1) serão vetores que, operados como vetores de uma MIP, alteram o vetor do lado esquerdo da mesma equação (1). Esse procedimento é feito anualmente, de 2000 a 2019, gerando uma evolução dos mesmos vetores nesse período. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 21 2897 As importações têm dois tratamentos. Aquelas destinadas ao uso final (consumo, FBCF e exportações) não apresentam influência no nível de produção (VP), motivo pelo qual são ignoradas no presente exercício. Aquelas destinadas à utilização intermediária como insumos alteram os coeficientes técnicos da MIP, o que apresenta impacto no VP, motivo pelo qual são consideradas. As equações (2), (3) e (3') especificam como serão feitos os exercícios na MIP. (2) (3) (3') Onde: • = produção doméstica no setor e no ano ; • = demanda intermediária doméstica do setor no ano ; • = demanda final doméstica no setor e no ano ; • = demanda de exportação do setor no ano ; • = importações do setor no ano ; • = demanda de importações intermediárias do setor no ano ; e • = importações de demanda final de bens do setor no ano . É necessário converter valores domésticos e externos em apenas domésticos. Para a demanda final e seus componentes, utilizamos o seguinte conversor: (4) Para a demanda intermediária, utilizamos o seguinte conversor: (5) TEXTO para DISCUSSÃO 22 2897 Podemos especificar o lado direito da equação (1) da seguinte maneira: (6) Onde: • = variações de produção devido à variação do consumo das famílias entre e ; • = variações de produção devido à variação do consumo do governo entre e ; • = variações de produção devido à variação da FBCF entre e ; • = variações de produção devido à variação das exportações entre e ; • = variações de produção devido à variação dos conversores entre e ; e • = variações de produção devido à mudança tecnológica entre e . O primeiro determinante, referente ao consumo das famílias, apresenta a seguinte forma algébrica: (7) Onde: • = inversa de Leontief no ano ; • = vetor de consumo das famílias no setor e no ano ; e • = vetor de consumo das famílias no setor e no ano ( ). Analogamente, teríamos: (8) (9) (10) TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 23 2897 Onde: • = vetor de consumo do governo no setor e no ano ( ); • = vetor de consumo do governo no setor e no ano ; • = vetor de no setor e no ano ; • = vetor de no setor e no ano ( ); • = vetor de exportações no setor e no ano ; e • = vetor de exportações no setor e no ano . O impacto da variação dos conversores é o seguinte: (11) Onde: • = vetor do conversor no ano para o setor ; • = vetor do conversor no ano ( ) para o setor ; • = vetor do conversor no ano para o setor ; e • = vetor do conversor no ano ( ) para o setor . Finalmente, temos o efeito setorial devido à alteração da matriz de coeficientes técnicos: (12) (13) (14) Onde: • = matriz de coeficientes técnicos em ; • = matriz de coeficientes técnicos em ( ); TEXTO para DISCUSSÃO 24 2897 • = vetor de insumos do setor considerando a matriz de coeficientes técnicos em ; e • = vetor de insumos do setor considerando a matriz de coeficientes técnicos em ( ). Podemos agora reescrever a equação (6) da seguinte maneira: (15) Onde: • = vetor da soma de todos os vetores do setor no ano nas equações de (7) a (14); • = análogo à definição anterior para ano ( ); • = cadeia produtiva do setor no ano ; e • = cadeia produtiva do setor no ano ( ). Nota-se que as cadeias produtivas do setor definidas na equação (15) contém todos os setores da MIP. O que é específico de cada cadeia, de cada setor , é o VP de cada setor da cadeia produtiva, ou seja, os setores mais importantes de cada cadeia produtiva apresentam VP maior, e os setores menos importantes, VP menor. Fica claro que cada cadeia produtiva, ao ser especificada, não traz em si nenhuma definição ad hoc de setores mais ou menos importantes. 3.2 Cálculo da produtividade do trabalho de cada cadeia produtiva Nesta subseção descrevemos a metodologia utilizada para se calcular a produtividade do trabalho setorial. Quatro aspectos merecem ser destacados, conforme a seguir descrito. 1) O fator trabalho é expresso pelas ocupações setoriais, não pelo pessoal ocupado, como publicado nas CNABs atuais. 2) As MIPs, utilizadas nos cálculos, foram calculadas a partir das CNABs de 2000 a 2019 (as atualmente publicadas), a preços constantes de 2000, utilizando a metodologia de Guilhoto e Sesso Filho (2005; 2010). TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 31 2897 Nota-se, na tabela 4, a expressiva e positiva evolução de produtividade do trabalho na cadeia de alimentos e bebidas. De fato, essa cadeia, bastante favorecida pela alta produtividade da agricultura e da pecuária, mostrou-se uma das cadeias produtivas de melhor evolução de produtividade na IT. 4.2.2 Cadeia produtiva de celulose e papel A cadeia de celulose e papel se constitui dos seguintes principais elos, em ordem decrescente de importância: i) celulose e papel; ii) produtos químicos; iii) agricultura; iv) máquinas e equipamentos; e v) tintas e vernizes. O primeiro setor é recursivo e de muito longe o de maior peso da cadeia; trata-se da intensiva etapa de processamento do eucalipto e da produção da pasta de celulose ou do próprio papel. O segundo setor corresponde ao uso de preparados químicos no processo do primeiro setor. A agricultura refere-se à atividade de reflorestamento do eucalipto, e o quarto setor, à manutenção de capital instalado. Finalmente, o último setor fornece tintas para a confecção de vários tipos de papel. A evolução da produtividade do trabalho na cadeia de papel e celulose é explicitada na tabela 5. TABELA 5 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de papel e celulose (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -0,50 2,00 1,21 -0,24 0,63 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Observamos na tabela 5 que a cadeia de celulose e papel apresenta uma boa evolução, apesar de modesta, de produtividade do trabalho: quando se retrai (primeiro e último períodos), cai levemente; quando aumenta, eleva-se de maneira discreta, mas expressiva (segundo e terceiro períodos). 4.2.3 Cadeia produtiva do álcool A cadeia de álcool se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) álcool; ii) agricultura; iii) produtos químicos; iv) defensivos agrícolas; e v) máquinas e equipamentos. Os dois primeiros setores são de longe os de maior peso TEXTO para DISCUSSÃO 32 2897 nessa cadeia, constituindo-se do cultivo de cana-de-açúcar e de usinas de etanol. O terceiro setor produz preparados para o álcool, e o quarto, defensivos utilizados no cultivo. O último setor se constitui da manutenção de máquinas instaladas, principalmente nas usinas. Na tabela 6, apresentamos a evolução da produtividade do trabalho na cadeia de álcool. TABELA 6 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva álcool (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade 2,47 5,16 3,40 2,22 3,16 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Percebe-se que essa cadeia apresenta um desempenho produtivo ainda melhor que o da cadeia produtiva de alimentos e bebidas. Mesmo em períodos difíceis, como o primeiro e o último, sua produtividade do trabalho é positiva e significante. Nos períodos favoráveis (segundo e terceiro), seu desempenho é superior ao da média das cadeias produtiva da IT. 4.3 Complexo da construção civil Apresentamos no quadro 3 as cadeias produtivas do complexo construção civil. QUADRO 3 Setores do complexo da construção civil – códigos CNAE 2.0 Atividade Códigos CNAE 2.0 Outros da indústria extrativa 05, 08, 072 Produtos de madeira – exclusive móveis 16 Cimento e outros produtos de minerais não metálicos 23 Construção civil 41, 42, 43 Fonte: SCN/IBGE 2010. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 33 2897 4.3.1 Cadeia produtiva da madeira A cadeia produtiva de madeira se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) madeira; ii) agricultura; iii) máquinas e equipamentos; iv) produtos químicos; e v) produtos de metal. O primeiro setor trata do processamento da madeira em suas várias modalidades; o segundo, da extração de madeira, principalmente via reflorestamento. O terceiro setor dedica-se à manutenção de máquinas. O quarto trata de produtos químicos utilizados no primeiro setor. E o quinto, de produtos utilizados principalmente no corte de madeira. A tabela 7 traz o desempenho dessa cadeia produtiva, quanto à produtividade do trabalho. TABELA 7 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva da madeira (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -0,35 -1,27 2,45 1,30 0,76 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. O melhor desempenho produtivo dessa cadeia produtiva foi depois de 2008, ao contrário da maioria das cadeias produtivas. No período de 2000 a 2019 como um todo, houve ainda um avanço médio anual de produtividade dessa cadeia produtiva. 4.3.2 Cadeia produtiva do cimento A produção de cimento – que aqui inclui também produtos de minerais não metálicos– apresenta em sua cadeia produtiva, em ordem decrescente de importância, os seguintes setores: i) cimento; ii) outros da indústria extrativa; iii) refino de petróleo e coque; iv) máquinas e equipamentos; e v) produtos químicos. O primeiro setor é o do processo em si de fabricação de cimento. O segundo corresponde principalmente à extração de calcário, argila e brita (matérias-primas). O terceiro produz fontes de aquecimento do forno. O quarto realiza a manutenção de máquinas na fábrica. E o último fornece produtos químicos adicionados na fabricação. Na tabela 8 apresentamos a evolução da produtividade do trabalho da cadeia produtiva do cimento, incluindo outros produtos de minerais não metálicos. TEXTO para DISCUSSÃO 34 2897 TABELA 8 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva do cimento (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,71 1,56 -0,10 -0,32 -0,15 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Notamos que essa cadeia produtiva apresentou evolução positiva de produtividade do trabalho apenas no período 2004-2008. Entretanto, depois de 2008 a regressão de produtividade foi muito leve, e no período 2000-2019 como um todo também – do que podemos concluir que sua produtividade do trabalho ficou praticamente constante depois de 2008. 4.3.3 Cadeia produtiva de construção civil A cadeia produtiva de construção civil apresenta, em ordem decrescente de importância, os seguintes setores: i) construção civil; ii) cimento; iii) produtos de metal; iv) aço e derivados; e v) borracha e plástico. O primeiro setor é a própria construção civil. O segundo fabrica o principal material da estrutura da construção, uma vez que a construção no Brasil é predominantemente de concreto armado. O terceiro produz peças utilizadas na construção. O quarto elo fornece principalmente o aço trefilado do concreto armado. E o último, elementos de borracha e plástico utilizados na construção. Na tabela 9, apresentamos o desempenho de produtividade do trabalho da cadeia produtiva de construção civil. TABELA 9 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva da construção civil (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,22 0,36 -0,29 -1,82 -0,76 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. A cadeia produtiva da construção civil apresentou aumento de produtividade do trabalho apenas no período 2004-2008. Depois de 2008, entretanto, o recuo de produtividade mais expressivo foi no período 2014-2019. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 35 2897 4.4 Complexo químico No quadro 4, apresentamos os setores do complexo químico. QUADRO 4 Setores do complexo químico – códigos CNAE 2.0 Atividade Códigos CNAE 2.0 Petróleo e gás natural 06, 09 Refino de petróleo e coque 191, 192 Produtos químicos 201, 202 Fabricação de resinas e elastômeros 203, 204 Produtos farmacêuticos 21 Defensivos agrícolas 205 Perfumaria, higiene e limpeza 206 Tintas, vernizes, esmaltes e lacas 207 Produtos e preparados de químicos diversos 209 Artigos de borracha e plástico 22 Fonte: SCN/IBGE 2010. 4.4.1 Refino de petróleo e coque Em ordem decrescente de importância, os seguintes setores integram a cadeia produtiva de refino de petróleo e coque: i) refino; ii) extração de petróleo e gás; iii) produtos químicos; iv) máquinas e equipamentos; e v) produtos de metal. O primeiro setor é o processo de refino em si; o segundo, o fornecimento de matéria-prima brasileira; o terceiro setor, o fornecimento de produtos para o refino; o quarto, a manutenção de máquinas e equipamentos; e o último, produtos eventualmente necessários às instalações do refino. Na tabela 10, apresentamos a evolução da produtividade do trabalho da cadeia produtiva do refino de petróleo e coque. TABELA 10 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva do refino de petróleo e coque (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,02 2,14 1,41 0,21 0,73 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. TEXTO para DISCUSSÃO 36 2897 Nota-se, na cadeia do refino de petróleo e coque, que houve perda de produtividade do trabalho apenas no primeiro período. Nos demais períodos, houve avanço positivo de produtividade do trabalho. A média de todo o período (2000-2019) foi positiva. 4.4.2 Cadeia produtiva de produtos químicos A cadeia produtiva de produtos químicos se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) produtos químicos; ii) refino; iii) extração de petróleo; outros da indústria extrativa; e iv) borracha e plástico. O primeiro setor é o processo produtivo em si de produtos químicos. O segundo, o terceiro e o último setores são a faceta petroquímica dessa cadeia produtiva, com produção de eteno e benzeno, entre outros compostos. O quarto setor é a fonte de produção de produtos como soda cáustica, cloro e água destilada, constituintes da cadeia produtiva de produtos químicos. Na tabela 11, temos a evolução da produtividade do trabalho da cadeia produtiva de produtos químicos. TABELA 11 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de produtos químicos (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,38 1,89 0,37 -1,14 -0,08 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Podemos observar que a produtividade do trabalho dessa cadeia produtiva cresceu no segundo e no terceiro período, e decresceu nos dois outros. A evolução da produtividade no período de 2000 a 2019 como um todo indica uma manutenção média. 4.4.3 Cadeia produtiva de resinas e elastômeros A cadeia produtiva de resinas e elastômeros apresenta, em ordem decrescente de importância, os seguintes setores: i) resinas e elastômeros; ii) produtos químicos; iii) refino; iv) extração de petróleo e gás; e v) máquinas e equipamentos. O primeiro setor corresponde ao próprio processo produtivo de resinas e elastômeros. O segundo faz o fornecimento de petroquímicos básicos e intermediários, como a amônia, entre outros. O terceiro e o quarto setores são os principais fornecedores de produtos da cadeia petroquímica, como a nafta. O último faz a manutenção de máquinas e equipamentos das instalações petroquímicas. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 37 2897 A evolução da produtividade do trabalho da cadeia produtiva de resinas e elastômeros está na tabela 12. TABELA 12 Evolução da produtividade do trabalho cadeia produtiva resinas e elastômeros (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -0,95 1,50 0,58 -0,78 0,09 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Verificamos que, no primeiro e no quarto períodos, a produtividade do trabalho decresceu ligeiramente, ao contrário dos períodos mais favoráveis (o segundo e o terceiro), quando a produtividade aumentou, também ligeiramente. O resultado médio do período como um todo (2000-2019) foi ligeiramente positivo, consubstanciando numa manutenção média da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de resinas e elastômeros. 4.4.4 Cadeia produtiva de produtos farmacêuticos A cadeia produtiva de produtos farmacêuticos se constitui, em ordem decrescente de importância, nos seguintes setores: i) produtos farmacêuticos; ii) produtos químicos; iii) refino; iv) borracha e plástico; e v) químicos diversos. O primeiro setor é o processo produtivo em si de produtos farmacêuticos. O segundo setor é o fornecimento de insumos, como álcool etílico e água destilada, para o primeiro setor. O terceiro e o quarto setores são produtos petroquímicos para embalagens e peças farmacêuticas de borracha e plástico. O último setor também é fornecedor de insumos para o primeiro setor, como adesivos e selantes ou catalisadores. Na tabela 13, apresentamos a evolução da produtividade do trabalho para a cadeia produtiva de produtos farmacêuticos. TABELA 13 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de produtos farmacêuticos (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,46 2,72 0,53 -0,85 0,20 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. TEXTO para DISCUSSÃO 38 2897 A exemplo da cadeia produtiva anterior, na de produtos farmacêuticos a produtividade do trabalho decresceu nos períodos adversos, ou seja, o primeiro e o quarto. No terceiro e no segundo períodos, a produtividade do trabalho avançou positivamente. No período de 2000 a 2019 como um todo, houve ligeiro avanço médio anual; na prática, uma manutenção da produtividade do trabalho ao longo de todo o período. 4.4.5 Cadeia produtiva de defensivos agrícolas A cadeia produtiva de defensivos agrícolas contém, em ordem decrescente de importância, os seguintes setores: i) defensivos; ii) produtos químicos; iii) refino; iv) borracha e plástico; e v) máquinas e equipamentos. O primeiro refere-se à produção de defensivos agrícolas. O segundo fornece elementos químicos a serem sintetizados com os princípios ativos. O terceiro e o quarto estão relacionados à confecção de embalagens dos defensivos agrícolas. E o último trata da manutenção de máquinas e equipamentos. Na tabela 14, apresentamos a evolução de produtividade do trabalho da cadeia produtiva de defensivos agrícolas. TABELA 14 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de defensivos agrícolas (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,37 2,05 0,58 -1,44 -0,06 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Nos períodos de condições adversas (o primeiro e o último), essa cadeia produtiva apresenta retração de produtividade do trabalho. Nos demais períodos, há avanço de produtividade, especialmente no período 2004-2008. De 2000 a 2019, a produtividade do trabalho média praticamente se mantém constante. 4.4.6 Cadeia produtiva de perfumaria e produtos de limpeza A cadeia produtiva de perfumaria e produtos de limpeza se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) perfumaria; ii) produtos químicos; iii) álcool; iv) agricultura; e v) celulose e papel. O primeiro setor trata do processo produtivo de perfumaria. O segundo e o terceiro fornecem, respectivamente, elementos TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 39 2897 químicos e álcool para a produção de cosméticos e produtos de limpeza. O quarto fornece essências naturais principalmente para a produção de cosméticos. E o último confecciona embalagens. Na tabela 15, apresentamos a evolução de produtividade do trabalho da cadeia produtiva de perfumaria e produtos de limpeza. TABELA 15 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de perfumaria e produtos de limpeza (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,00 2,42 2,79 0,52 1,31 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Essa cadeia produtiva apresenta excelente evolução de produtividade do trabalho: apenas no primeiro período, há retração de produtividade. Nos demais períodos, a produtividade avança, mesmo nos de recessão ou baixo crescimento. No período de 2000 a 2019 como um todo, há avanço médio importante de produtividade do trabalho. 4.4.7 Cadeia produtiva de tintas A cadeia produtiva de tintas se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) tintas; ii) produtos químicos; iii) resinas e elastômeros; iv) refino; e v) químicos diversos. O primeiro setor corresponde à fabricação de tintas, vernizes e lacas. O segundo e o último se constituem de setores que fornecem produtos químicos ao primeiro elo. O terceiro e o quarto elos constituem a petroquímica, com fornecimento de óleos e plástico para tintas. Na tabela 16, apresentamos o desempenho de produtividade do trabalho da cadeia produtiva de tintas. TABELA 16 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de tintas, vernizes e lacas (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -0,83 1,54 1,21 -1,08 0,24 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. TEXTO para DISCUSSÃO 40 2897 Observe-se que, no primeiro e no quarto períodos, houve retração de produtividade – foram períodos adversos, principalmente o quarto. Nos períodos segundo e terceiro, a produtividade do trabalho cresceu, principalmente no segundo. No período de 2000 a 2019 como um todo, a produtividade do trabalho praticamente se manteve constante. 4.4.8 Cadeia produtiva de químicos diversos A cadeia produtiva de químicos diversos se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) químicos diversos; ii) produtos químicos; iii) alimentos e bebidas; iv) refino; e v) resinas e elastômeros. O primeiro setor é o processo de fabricação de químicos diversos. O segundo fornece elementos químicos. O terceiro fornece principalmente óleos vegetais. Os setores quarto e quinto fornecem principalmente material para fazer fluidos de máquinas hidráulicas. Na tabela 17, mostramos a evolução de produtividade do trabalho na cadeia produtiva de químicos diversos. No primeiro e no quarto períodos, houve retração de produtividade do trabalho, enquanto nos períodos segundo e terceiro, menos adversos, houve aumento. De 2000 a 2019, a produtividade do trabalho cresce ligeiramente na média, permanecendo na prática constante. TABELA 17 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de químicos diversos (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,11 1,94 0,55 -0,21 0,29 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. 4.4.9 Cadeia produtiva de borracha e plástico Essa cadeia produtiva se constitui, em ordem decrescente de importância, nos seguintes setores: i) borracha e plástico; ii) resinas e elastômeros; iii) refino; iv) máquinas e equipamentos; e v) extração de petróleo. O primeiro, segundo, terceiro e quinto setores são a conhecida cadeia petroquímica. O quarto setor se constitui de manutenção de máquinas do primeiro setor. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 47 2897 De acordo com a tabela 25, apenas o segundo período teve evolução ascendente de produtividade do trabalho. Entretanto, no período de 2000 a 2019 como um todo, há na prática uma manutenção de produtividade do trabalho na cadeia produtiva de veículos automotores. 4.5.8 Cadeia produtiva de peças para veículos automotores A cadeia produtiva de peças para veículos automotores se constitui, em ordem decrescente de importância, dos seguintes setores: i) peças para veículos; ii) aço e derivados; iii) metais não ferrosos; iv) borracha e plástico; e v) produtos de metal. O primeiro setor é o processo produtivo em si dessa cadeia produtiva. O segundo e o terceiro setores fornecem metais para fabricação no primeiro setor. O quarto setor consiste no fornecimento de borracha e plástico para a fabricação de autopeças. O último setor confecciona peças de metal a serem trabalhadas no primeiro setor. A tabela 26 ilustra a evolução da produtividade do trabalho nesta cadeia produtiva. TABELA 26 Evolução da produtividade do trabalho na cadeia produtiva de peças para veículos automotores (2000-2019) (Em % a.a.) Período 2000-2004 2005-2008 2009-2014 2015-2019 2000-2019 Variação média da produtividade -1,99 -0,44 -1,16 -1,48 -1,27 Fonte: CNAB/IBGE de 2000 a 2019. Assinalamos que em todos os períodos há produtividade do trabalho cadente na cadeia de peças para veículos automotores. No período de 2000 a 2019 como um todo, a produtividade do trabalho média também é cadente. 5 CONCLUSÃO O Brasil teve, nos períodos 2004-2008 e 2008-2014, um crescimento econômico liderado pelo consumo (Sarti, 2015, p. 524). No período 2000-2004, haviam preponderado os ajustes depois do racionamento de energia. De 2014 a 2019, tivemos a recessão e a busca de novo padrão de crescimento. Em todos os complexos industriais, os melhores resultados de variação de produtividade do trabalho das cadeias produtivas ocorreram no período 2004-2008, portanto antes da crise de 2008. No período 2008-2014, ainda temos, em geral, avanço positivo TEXTO para DISCUSSÃO 48 2897 de produtividade do trabalho, embora menos expressivo que no período anterior. No período 2000-2004, temos em geral retração de produtividade do trabalho, e também no período 2014-2019. No período 2000-2019 como um todo, verificamos uma tendência de manutenção de produtividade, com resultados mais positivos do complexo agroindustrial e menos expressivos do complexo têxtil. Esses resultados de produtividade do trabalho da IT sugerem uma dificuldade de passagem para a adoção da manufatura avançada no Brasil. Esse comportamento é compreensível, depois da recessão de 2015-2016. Assim, acreditamos que avanços mais expressivos de produtividade do trabalho ocorreriam provavelmente depois da retomada mais vigorosa do crescimento econômico e da implantação gradual da manufatura avançada. Parece-nos que, perante o horizonte produtivo da manufatura avançada, que é muito intensiva em capital – por isso exigindo esforço de investimento muito expressivo e muito generalizado, desde infraestrutura até componentes eletrônicos, passando por regulação e outros serviços –, a IT brasileira ainda não encontrou um novo padrão de crescimento capaz de reverter o seu trajeto pouco expressivo, principalmente de 2014-2016, e de viabilizar a transformação produtiva implícita na manufatura avançada. Este último aspecto encerra a chave para a retomada do crescimento e do avanço de produtividade do trabalho industrial. Para tanto, com o crescimento econômico, a reversão expressiva do desemprego por si apenas já representará uma forte retomada do crescimento do consumo interno. Mas, como a solução estrutural do avanço da produtividade industrial passa pela implantação paulatina da manufatura avançada, acreditamos serem decisivas: i) a geração de saldos comerciais positivos e significativos, capazes de captar poupança externa, que, além da poupança interna, viabilizariam o aumento de investimentos; e ii) a atração de IDEs – que signifiquem transferência de avanços tecnológicos estratégicos –, somada ao esforço brasileiro de avanço tecnológico. Deve-se salientar que a emergência de cadeias globais de valor deve vir acompanhada de manutenção ou mesmo de aumento de adensamento das cadeias produtivas da IT, uma vez que esse adensamento é fundamental para a manutenção do nível de produtividade das cadeias produtivas, como salientamos na metodologia deste trabalho. TEXTO para DISCUSSÃO TEXTO para DISCUSSÃO 49 2897 REFERÊNCIAS ARAÚJO, R. A. Cumulative causation in a structural economic dynamic approach to economic growth and uneven development. 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