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Ludicidade / Playfulness

Silva, Alberto Nídio

Abstract

[Extrato] Ludicidade Lu·di·ci·da·de Qualidade do que é lúdico. Relativo a jogos, brinquedos e brincadeiras; Brincadeira. Ação que visa mais ao divertimento do(s) ator(es) do que a qualquer outro objetivo; o que se faz por gosto sem outro objetivo que não seja o próprio prazer de o fazer e de quem o faz; Status relativo à tendência ou manifestação que surge na infância e na adolescência sob a forma de jogo regulado ou ação de livre expressão dos seus autores e atores num momento e tempo dados.

Full text

Ludicidade / Play ulness h ps://doi.o g/10.21814/uminho.ed.36.41 Albe o Nídio Sil a CIEC – Cen o de In es igação em Es udos da C iança da Uni e sidade do Minho, Po ugal 331CONCEITOS CHAVE EM SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA / KEY CONCEPTS ON SOCIOLOGY OF CHILDHOOD Ludicidade Lu·di·ci·da·de Qualidade do que é lúdico. Rela i o a jogos, b inquedos e b incadei as; B incadei a. Ação que isa mais ao di e imen o do(s) a o (es) do que a qualque ou o obje i o; o que se az po gos o sem ou o obje i o que não seja o p óp io p aze de o aze e de quem o az; S a us ela i o à endência ou mani es- ação que su ge na in ância e na adolescência sob a o ma de jogo egula- do ou ação de li e exp essão dos seus au o es e a o es num momen o e empo dados. Exp essão da cul u a lúdica das c ianças num con ex o p óp io e do es ado em que se obje i am e a i mam p imo dialmen e as cul u as da In ância (James, Jenks & P ou , 1998, p. 99). “No cen o da cul u a in an il encon a- -se e le ida, sob e o demais, a ludicidade e, nes a, a cul u a lúdica […] que pe mi e às c ianças que não se conhecem e se encon em num ja dim pú- blico, po exemplo, pode joga em conjun o ao ga o e ao a o, pé -coxinho, escondidinho, aco dando apidamen e as eg as, po que possuem um mes- mo pa imónio lúdico” (Delalande, 2006, p. 270). Nes a especi icidade que a ludicidade encon a na in ância e na(s) cul u a(s) que lhe é mui o p óp ia, coexis em momen os de inido es da al e idade que a dis ingue da ludicidade na adul ez. Den o da sua peculia idade, ninguém consegue pensa o mundo das c ian- ças despido do seu mundo ou o dos b inquedos e das b incadei as, al é a dimensão da sua p esença, de e minan e nas di e sas ases da cons ução das suas elações sociais, da ec iação dos con ex os socie á ios onde i em e na p odução das an asias que alimen am os seus iquíssimos imaginá ios que emoldu am as b incadei as hila ian es de um quo idiano impossí el de pensa sem a sua exis ência. O sabe lúdico, eco da Delalande, “apa ece como a pa e mais e iden e e, sem dú ida, igualmen e, como a que os adul- os melho econhecem do sabe in an il” (2006, p. 269), como, aliás, odo o adul o lemb a sem qualque es o ço men al, a é po que odos nós ja omos 332 LUDICIDADE / PLAYFULNESS um dia c ianças, b incamos, e desse empo gua damos memó ias i as que nos alam dessa ealidade. Na in ância, en e as c ianças, ludicidade e cul u a lúdica cons i uem ele- men os indissociá eis na condição e exp essão em que se ap esen am. É aí que se c uzam, como ano a B ougè e (1998, p. 30), o papel das expe iências i idas, a ap endizagem paula ina e p og essi a ao longo da in ância, a ag egação de elemen os he e ogéneos p o enien es de on es di e sas, a in e ação g upal com oda a ca ga simbólica de apo e de no as e cada ez mais complexas compe ências, a in e p e ação e aplicação das eg as, a impo ância da c ia i idade, numa panóplia de sabe es e aze es que se assumem como con ibu os decisi os pa a a compe ência do b incan e pe- an e o b inquedo e a sua ida de odos os dias. In ância e ludicidade cons i uem, pois, um binómio umbilicalmen e liga- do num comp omisso de impo ância seminal pa a a o mação da c iança ace à dimensão que a p esença do lúdico (jogos, b inquedos e b incadei- as) consubs anciam em odo o p ocesso de o mação do indi íduo e da concomi an e u ilidade de que aí e desde o dealba da ida se ca ac e iza oda a p esença da a i idade lúdica (Foulquie, 1952) que se (con) unde de uma o ma incon o ná el e pe manen e com as i ências que en o mam socialmen e a ida de odas as c ianças, com pa icula en oque na que se desen ol e no in e io do p óp io g upo. Nes a elação de cumplicidade áci a lo esce uma cul u a (cul u a lúdica) que, como nos seus abalhos de campo cons a ou Delalande (2006), em um papel absolu amen e cen al den o da cul u a in an il, pe mi indo a abe u a de co edo es po onde passa a sociabilidade de a o es que, po o ça do domínio de um pa imónio lúdico que lhes é comum, conhecem uma mesma linguagem especí ica em oda a sua dimensão, azendo dela passapo e segu o pa a as in e ações g upais que lhes en iquecem o quo idiano e a consequen e p epa ação pa a a ida. A é ha empos não mui os idos, a cul u a lúdica que subs ancia a a ludi- cidade do mundo das c ianças oi ma cada po uma quase imu abilidade do seu quad o con igu ado , com um p ocesso de aquisição em con ex o eal, i endo de uma expe iência aí exe ci ada e acumulada pelas c ianças desde o be ço a é à adolescência, p edominan emen e em g upo e in e a- ção in o mais ca a a ca a, com i mãos, izinhos, amigos e companhei os de escola, e, maio i a iamen e, o a de casa. A cul u a lúdica con empo ânea, como no -lo e e e B ougè e (2005), es iu -se de ou as especi icidades, no- meadamen e as que compo am o mas soli á ias de jogo, com in e ações 333CONCEITOS CHAVE EM SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA / KEY CONCEPTS ON SOCIOLOGY OF CHILDHOOD di e idas com os obje os po ado es de ações e signi icações, sob e udo as que êm pa icula exp essão nos jogos de ídeo po ado es de no as écnicas c iado as de expe iências lúdicas ino ado as que ans o mam a cul u a lúdica de inúme as c ianças. A E a Digi al i ualizou a ludicidade e quase lhe ola ilizou as o mas ou as de exp essão ace -a - ace que, his o- icamen e, conheceu na in ância e nas c ianças a a és dos empos. Play ulness Quali y o wha is play ul. Rela ing o games, oys and play; playing. Ac ion aimed mo e a en e aining he a o (s) han any o he goal; ha is done o pleasu e wi hou any o he pu pose han he pleasu e o doing i and o he pe son who is doing i ; S a us ega ding he endency o mani- es a ion ha a ises in childhood and adolescence in he o m o a game. Exp ession o he play ul cul u e o child en in a gi en con ex and he s a e in which he cul u es o Childhood a e p ima ily obje i y and a i med. (James, Jenks and P ou , 1998, p. 99). “A he hea o child en’s cul u e is play ulness and he play ul cul u e […] which allows child en who do no know each o he and ind hemsel es in a public pa k, o example, o be able o play oge he wi h games like ag, hide and seek, and hopsco ch, quickly ag eeing on he ules because hey ha e he same play ul he i age” (Delalande, 2006, p. 270). In his speci ici y ha play ulness encoun e s in childhood and in i s own cul u e(s), he e a e de ining, coexis ing momen s o o he ness ha dis in- guish play ulness om adul hood. Wi hin i s peculia i y, no one can hink o he wo ld o child en s ipped o hei as wo ld o oys and play, which a e decisi e in he di e en phases o he cons uc ion o hei social ela ionships, o e-c ea e o he social con ex s whe e hey li e and in he p oduc ion o he an asies ha nou - ish hei ich imagina ions ha ame he amusing games o daily li e, in- concei able wi hou play. Play ul knowledge, Delalande ecalls, “appea s as he mos e iden pa , and undoub edly equally, as ha which adul s bes ecognize in childhood knowledge” (2006, p. 269), as, indeed, e e y adul e- membe s wi hou any men al e o ha he o she played, because we we e all child en once, and we hold li ing memo ies ha emind us o his eali y. In childhood, among child en, play ulness and play ul cul u e a e insepa- able elemen s in hei condi ion and exp ession. This is whe e B ougè e 334 LUDICIDADE / PLAYFULNESS (1998, p. 30) no es he ole o li ed expe iences, he g adual and p og es- si e lea ning h oughou childhood, he agg ega ion o he e ogeneous ele- men s om di e en sou ces, he g oup in e ac ion wi h he symbolic load o new and inc easingly complex compe ences, he in e p e a ion and ap- plica ion o ules, he impo ance o c ea i i y, in a panoply o knowledge and ac ions ha a e assumed as decisi e con ibu ions o he compe ency o he playe in ela ion o he oy and daily li e in gene al. Childhood and play ulness he e o e cons i u e an umbilically linked bino- mial o seminal impo ance o he de elopmen o he child. Conside ing he impo ance o play ulness (games, oys and play) in he whole p ocess o he de elopmen o he indi idual since he beginning o li e, play ul ac i i y is cha ac e ized (Foulquié, 1952) as me ging in an una oidable and pe manen way wi h he expe iences ha socially shape he li es o all child en, wi h a pa icula ocus on hose expe iences wi hin he g oup i sel . In his ela ionship o aci complici y, a cul u e (play ul cul u e) lou - ishes, and as Delalande (2006) ound in his ieldwo k, plays an absolu ely cen al ole in child en’s cul u e, opening oppo uni ies o he sociabili y o he ac o s, who, by i ue o a dominan common play ul he i age, sha e he same speci ic language in all i s dimensions, making i a sa e passpo o g oup in e ac ions ha en ich hei daily li es and hei consequen p epa a ion o li e. Un il no oo long ago, he play ul cul u e ha subs an ia ed play in he wo ld o child en was cha ac e ised by an almos immu able con igu ing amewo k, wi h a p ocess o acquisi ion in a eal con ex , based on expe- iences accumula ed by he child en om bi h o adolescence, p edomi- nan ly in g oup and in o mal ace - o - ace in e ac ions wi h siblings, neigh- bo s, iends and schoolma es and, mos ly, away om home. Con empo a y play ul cul u e, as men ioned by B ougè e (2005), has demons a ed o he speci ici ies, namely hose con aining soli a y o ms o play, wi h di e ing in e ac ions wi h objec s ha ha e associa ed ac ions and meanings, espe- cially hose ha a e exp essed h ough ideo games wi h new echniques ha c ea e inno a i e play expe iences, which ans o m he play cul u e o coun less child en. The Digi al E a has i ualized play ulness and almos e aced he o he o ms o ace o ace play ul exp ession, his o ically p e- sen in childhood and among child en o e he cou se o ime. 335CONCEITOS CHAVE EM SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA / KEY CONCEPTS ON SOCIOLOGY OF CHILDHOOD Re e ências / Re e ences B ougè e, G. (1998). A c iança e a cul u a lúdica. In T. Kishimo o, B inca e suas Teo ias (pp. 19- -32). São Paulo: Pionei a. —— ( 2 0 0 5 ) . Joue /App end e. Pa is: Economica An h opos. Delalande, J. (2003). Cul u e En an ine e Régles de Vie. Jeux e enjeux de la cou de éc éa ion. Te ain, 40, 99 -114. —— (2006). Le Concep Heu is ique de Cul u e En an ine. In R. Si o a (o g.), Elemen s pou une sociologie de l’en ance (pp. 267 -274). Rennes: P esses Uni e si ai es de Rennes. Foulquie, P. (1952). As Escolas No as. São Paulo: Companhia Edi o a Nacional. James, A., Jenks, C. & P ou , A. (1998). Theo izing Childhood. Camb idge: Poli y P ess. Sa men o, M. J. (2004). 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