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Aprender ciências por investigação na educação pré-escolar: exploração de uma proposta didática em contexto de formação inicial de educadores

Varela, Paulo

Abstract

Nos últimos anos, a literatura em educação em ciências tem demonstrado um renovado interesse na aprendizagem das ciências por investigação nos vários níveis educativos, incluindo na educação pré-escolar. Porém, a insegurança dos educadores em relação às ciências tem limitado e empobrecido as oportunidades de aprendizagem das crianças. Neste sentido, temos vindo a promover um processo de formação inicial de educadores de infância orientado para o desenvolvimento de competências científicas e didáticas inerentes à abordagem das ciências por investigação. Durante a formação, os estudantes planificam propostas didáticas e exploram-nas com as crianças nos seus respetivos contextos educativos. A partir de um desses casos, designadamente uma sequência de atividades com balões, este artigo descreve essa experiência formativa e apresenta a análise do processo de exploração das atividades promovido por estudantes, em formação, com crianças da educação pré-escolar. A análise, que incide no diário elaborado pelos estudantes, vai apresentando as aprendizagens e os processos desenvolvidos pelas crianças no ato de aprender, permitindo verificar que estas são capazes de assumir uma atitude científica de procura do saber, quando devidamente estimuladas pelo educador e envolvidas em experiências de aprendizagem interessantes e significativas.

Full text

Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 357 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 Ap ende ciências po in es igação na educação p é-escola : explo ação de uma p opos a didá ica em con ex o de o mação inicial de educado es Inqui y-based science lea ning in p eschool educa ion: explo ing a didac ic p oposal in he con ex o ini ial eache aining Paulo Va ela (pib a [email protected] ) CIEC - Ins i u o de Educação, Uni e sidade do Minho, B aga - Po ugal Resumo: Nos úl imos anos, a li e a u a em educação em ciências em demons ado um eno ado in e esse na ap endizagem das ciências po in es igação nos á ios ní eis educa i os, incluindo na educação p é-escola . Po ém, a insegu ança dos educado es em elação às ciências em limi ado e empob ecido as opo unidades de ap endizagem das c ianças. Nes e sen ido, emos indo a p omo e um p ocesso de o mação inicial de educado es de in ância, o ien ado pa a o desen ol imen o de compe ências cien í icas e didá icas ine en es à abo dagem das ciências po in es igação. Du an e a o mação, os es udan es plani icam p opos as didá icas e explo am-nas com as c ianças nos seus espe i os con ex os educa i os. A pa i de um desses casos, designadamen e uma sequência de a i idades com balões, es e a igo desc e e essa expe iência o ma i a e ap esen a a análise do p ocesso de explo ação das a i idades, p omo ido po es udan es, em o mação, com c ianças da educação p é-escola . A análise, que incide no diá io elabo ado pelos es udan es, ai ap esen ando as ap endizagens e os p ocessos desen ol idos pelas c ianças no a o de ap ende , pe mi indo e i ica que es as são capazes de assumi uma a i ude cien í ica de p ocu a do sabe , quando de idamen e es imuladas pelo educado e en ol idas em expe iências de ap endizagem in e essan es e signi ica i as. Pala as-cha e: ciências po in es igação; educação p é-escola ; p opos a didá ica. Abs ac : In ecen yea s, li e a u e on science educa ion has e lec ed a enewed in e es in he inqui y-based science lea ning ac oss he a ious educa ional le els, including p e- school educa ion. Howe e , he educa o s' insecu i y in ela ion o sciences has limi ed and impo e ished child en's lea ning oppo uni ies. Gi en his scena io, we ha e been p omo ing a p ocess o ini ial aining o p eschool educa o s ha ocuses on he de elopmen o he scien i ic and didac ic skills inhe en o a inqui y-based app oach o sciences. Du ing he aining, s uden s will plan ou didac ic p oposals and explo e hem wi h he child en in hei educa ional con ex . Taking one o hese cases, namely a sequence o ac i i ies in ol ing balloons, his a icle desc ibes ha o ma i e expe ience and p esen s he analysis o he p ocess o explo ing hose ac i i ies, de eloped by he s uden s in aining, wi h p eschool child en. The analysis, which ocuses on he dia y p epa ed by he s uden s, p esen s he lea ning ou comes and he p ocesses de eloped by he child en in he ac o lea ning, allowing o e i y ha hey a e able o ake on a scien i ic a i ude o seeking knowledge when p ope ly s imula ed by he educa o and engaged in in e es ing and meaning ul lea ning expe iences. Key Wo ds: inqui y-based science educa ion; p eschool educa ion; didac ic p oposal. Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 358 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 1. INTRODUÇÃO As c ianças, desde mui o cedo, mani es am uma cu iosidade na u al pa a explo a em e da em sen ido ao meio que as odeia (TRUNDLE, 2015). Elas gos am de obse a e pensa sob e o mundo na u al (ESHACH; FRIED, 2005), mani es ando um g ande en usiasmo em conhece , descob i , agi , dialoga e expe imen a . Pode-se inclusi amen e e e i que as ciências, enquan o mé odo de es udo da Na u eza, êm o seu equi alen e na c iança, na sua na u al e incon ida ape ência pa a explo a e descob i o meio em que i e, com is a a cons ui a sua p óp ia isão do mundo. As p imei as expe iências de ap endizagem em ciências de em ap o ei a e po encia es as qualidades na u ais das c ianças, pois elas cons i uem o supo e p é io necessá io pa a que assumam um papel a i o na ap endizagem (FRENCH, 2004). T a a-se de u iliza esse desejo na u al de conhece o mundo “[…] como pla a o ma sob e a qual possam cons ui e amen as de pensamen o que lhes pe mi am comp eende como as coisas uncionam, e pensa po eles mesmos” (FURMAN, 2009, p. 7). As a i idades de ciências que es imulam a in es igação ou a p ocu a do sabe são c uciais pa a o desen ol imen o e a manu enção dessa cu iosidade (SMITH, 2016), bem como pa a o desen ol imen o de compe ências de p ocessos cien í icos simples (FRENCH; WOODING, 2013), como, po exemplo, obse a , aze pe gun as, p e e , expe imen a , in e p e a e discu i com os ou os os esul ados das suas descobe as (GERDE e al., 2013). Es as compe ências são undamen ais não só pa a que as c ianças comecem a cons ui uma melho comp eensão do mundo, mas ambém a en ende a na u eza da ciência, a in es igação e o aciocínio cien í ico e a desen ol e a i udes mais posi i as e conscien es ace à ciência. Como e e e Ha len (2012), a a és da in es igação desen ol em o seu conhecimen o e comp eensão da ciência e em ciência e, ao mesmo empo, ap endem a in es iga , ou seja, ap endem a ap ende . Sem es e começo, “as expe iências pos e io es ca ece ão da base pa a a cons ução de compe ências e comp eensão necessá ias à ap endizagem pos e io e ao longo da ida” (HARLEN, 2014, p. 18). Nes e sen ido, conco damos com Reis (2008), quando e e e que educa as c ianças em ciências não signi ica ans o má-las em “pequenos cien is as”, nem “ aze de con a” que ep oduzem o mundo eal. T a a-se, segundo o au o , de: (…) omen a , desde a mais en a idade, a capacidade de obse a , de ques iona , de compa a e jus i ica , pa a es abelece , a pa i do i ido, do obse ado e do expe ienciado, pa ama es de conhecimen o, p o isó io mas sus en ado, que i ão e gue a pouco e pouco a a qui e u a concep ual, analí ica e es u u an e que az dos humanos se es pensan es, capazes de pensa cien i icamen e a ealidade, is o é, de a in e p e a com undamen o e de ques iona com pe inência. (REIS, 2008, p. 10). Assim, a educação cien í ica, nos anos co esponden es à educação p é-escola , é de g ande impo ância, pois é susce í el de desen ol e as bases do pensamen o cien í ico Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 359 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 e uma comp eensão básica dos enómenos na u ais, que se ão undamen ais nas ap endizagens cien í icas ul e io es das c ianças (ESHACH; FRIED, 2005; TRUNDLE; SAÇKES, 2012). Uma abo dagem signi ica i a das ciências na educação p é-escola pode ambém p omo e a mo i ação das c ianças pa a a ciência em ases pos e io es do seu pe cu so escola (PATRICK; MANTZICOPOULOS, 2015). Resul ados de alguns es udos ecen es da psicologia cogni i a, e e idos po T undle e Saçkes (2012), indicam que as p imei as expe iências de ap endizagem são essenciais pa a o desen ol imen o cogni i o das c ianças e limi adas expe iências e es ímulos podem aze com que elas não desen ol am odo o seu po encial. As ca ac e ís icas do mundo mode no eque em ambém uma educação cien í ica p ecoce, pa a que os u u os cidadãos es ejam p epa ados pa a i e em nele, assumindo- se como sujei os pa icipa i os, c í icos e in o mados na omada das suas decisões. Segundo Fiolhais, “uma c iança que não ique p óxima da ciência na idade dos “po quês” […] di icilmen e es a á p epa ada pa a a ida, que, a ualmen e, se ê cada ez mais dependen e da ciência e da ecnologia” (2012, p. 59). A es e p opósi o é de eco da a Decla ação inal da Con e ência Mundial sob e “Ciência pa a o século XXI: um no o comp omisso”, ealizada em 1999 pela UNESCO em Budapes e, onde se a i ma que: o acesso ao conhecimen o cien í ico, a pa i de uma idade mui o p ecoce, az pa e do di ei o à educação de odos os homens e mulhe es, e que a educação cien í ica é de impo ância essencial pa a o desen ol imen o humano, pa a a c iação de capacidade cien í ica endógena e pa a que enhamos cidadãos pa icipan es e in o mados” (UNESCO, 2005, p. 29). Apesa das ciências cons i uí em uma á ea de con eúdo essencial na educação de in ância, á ios es udos con inuam a e idencia as limi adas opo unidades que as c ianças des e ní el educa i o dispõem pa a ap ende em ciências, compa a i amen e com ou as á eas de sabe (NAYFELD e al., 2011; SAÇKES, 2014; DOMÉNECH e al., 2016; GERDE e al., 2018). Po ém, quando ais opo unidades exis em, a explo ação das ciências esume-se equen emen e à obse ação e manipulação de ma e iais e obje os, com pouca o ien ação e in encionalidade educa i a po pa e dos educado es (GERDE e al., 2013). Apesa de não se conhece em es udos ecen emen e ealizados no nosso país, emos ambém obse ado, com equência, em á ios con ex os de educação p é-escola , p á icas que se limi am a p omo e a amilia ização das c ianças com ac os e expe iências ma cadamen e lúdicas ou a ealização de explo ações e manipulações casuís icas de obje os e ma e iais, numa supos a pedagogia de “descobe a”, em ambos os casos, sem nenhuma in encionalidade educa i a especí ica. Também Ma ins e al. (2009) e e em que: ao ní el da educação p é-escola , a educação em ciências é, mui as ezes, elegada pa a segundo plano, sendo amiúde pouco en iquecedo as as Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 360 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 expe iências de ap endizagem p opo cionadas às c ianças, e obse ando-se um osso en e aquilo que elas são capazes de aze e comp eende e as expe iências a que êm acesso no ja dim de in ância e ambém no seu meio amilia ” (p. 14-15). O insu icien e domínio do conhecimen o cien í ico e didá ico especí ico em sido uma das causas associada a es a ealidade, o iginando nos p o issionais dos p imei os ní eis educa i os baixa au ocon iança ou insegu ança em elação às ciências e à sua explo ação com as c ianças (HAMLIN; WISNESKI, 2012; GERDE e al., 2018). Des a o ma, endem no malmen e a usa a i idades em que se sen em "segu os" e que, mui as ezes, empob ecem as opo unidades de ap endizagem das c ianças (HARLEN; ALLENDE, 2009). O a, a explo ação e ap endizagem in es iga i a das ciências implica, em e mos didá icos especí icos, a combinação de eno adas ações dos educado es/p o esso es e das p óp ias c ianças, bem como o seu en ol imen o conjun o na in es igação de ques ões ele an es sob e como o mundo unciona (PRISCINET, 2014). En e ou as ações, os educado es/p o esso es de em: p opo ciona às c ianças opo unidades pa a explo a em ma e iais ou in es iga em enómenos desconhecidos; o ganiza discussões, em pequeno e g ande g upo, sob e as ações planeadas ou ealizadas, pa a que as c ianças possam iden i ica possí eis al e na i as ou melho ias; o nece o acesso a ideias e p ocedimen os al e na i os, a a és da discussão e de on es de pesquisa, como a in e ne ; p opo a e as desa iado as, o necendo o supo e (sca olding) necessá io, pa a que as c ianças possam expe imen a e ope a num ní el cogni i o mais ele ado; ensina de e minadas écnicas, incluindo o uso segu o de ins umen os, obje os e ma e iais; incen i a as c ianças, a a és de comen á ios e ques ionamen os, a a alia em a consis ência das suas ideias à luz das e idências disponí eis e a conside a em explicações al e na i as ap esen adas po ou as; ajuda as c ianças a e e ua em egis os das suas obse ações, de o ma a apoia em e a e e em as ap endizagens e e uadas; incen i a a e lexão c í ica sob e como ap ende am e como isso pode se aplicado em si uações u u as de ap endizagem; usa o ques ionamen o pa a enco aja o uso de compe ências de in es igação (IAP, 2006). Po seu lado, as c ianças de em, no p ocesso de in es igação: euni e idências a a és da obse ação, da expe imen ação ou do uso de ou as on es; p ocu a espos a pa a ques ões que iden i ica am como suas, mesmo que in oduzidas pelo educado /p o esso ; le an a ou as ques ões que podem o igina no as in es igações; elabo a p e isões com base nas suas ideias ou no que descob i am; dialoga en e si ou com o educado /p o esso sob e o que es ão a obse a ou a in es iga ; exp imi -se usando e mos cien í icos e ep esen ações ap op iadas; suge i o mas de es a em as suas ideias ou as dos ou os pa a encon a em e idências que supo em essas mesmas ideias; pa icipa no planeamen o de in es igações pa a esponde em a ques ões Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 361 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 especí icas; u iliza ins umen os de medição, obje os e ma e iais de o ma adequada e com con iança; a alia a alidade e u ilidade de di e en es ideias em elação à e idência; conside a ideias di e en es das suas; e le i de o ma au oc í ica sob e os p ocessos e os esul ados da in es igação (IAP, 2006). 2. OBJETIVOS Conscien es das di iculdades an e io es, emos indo a p omo e , com os es udan es da o mação inicial de educado es de in ância, um p ocesso de o mação, o ien ado pa a a cons ução e desen ol imen o de conhecimen os cien í icos e didá icos especí icos pa a a abo dagem das ciências po in es igação. O p ocesso o ma i o p opo ciona-lhes a opo unidade de plani ica em p opos as didá icas de a i idades in es iga i as de ciências e de as explo a em com as c ianças nos seus espe i os con ex os educa i os. É com base num desses casos, uma sequência de a i idades de ap endizagem com balões, que em subjacen e o p incípio ísico da “conse ação da quan idade de mo imen o”, ealizada po uma dupla de es udan es do Mes ado em Educação P é-Escola da Uni e sidade do Minho (Po ugal), que se p e ende, nes e a igo, (a) desc e e essa expe iência o ma i a e (b) iden i ica os p ocessos de ap endizagem, ealizados pelas c ianças, du an e a explo ação das a i idades, p omo ida pelos es udan es com um g upo de 22 c ianças de 4 e 5 anos de idade da educação p é- escola . 3. CONTEXTOS E PROCESSOS DE FORMAÇÃO O p ocesso o ma i o oco e, no malmen e, no âmbi o da unidade cu icula de “Iniciação à Ma emá ica e às Ciências na Educação de In ância”, lecionada no 1.º semes e do 1.º ano do plano de es udos daquele mes ado, e desen ol e-se em dois con ex os: na uni e sidade e nos ja dins de in ância. Na uni e sidade, a o mação baseia-se em si uações e exemplos conc e os, que in eg am o conhecimen o cien í ico e didá ico (APPLETON, 2007), nomeadamen e: a) a explo ação, com os es udan es, de a i idades de in es igação simila es às p e is as pa a as c ianças da educação p é-escola . Des a o ma, a o mação assume uma na u eza análoga à pe spe i a de explo ação in es iga i a das ciências, p econizada pa a as c ianças (BULUNUZ, 2012). Segundo Sá, “não há o ma de aze os p o esso es e educado es comp eende em em que consis e um p ocesso de ap endizagem que nunca i encia am, que não seja azê-los passa po al p ocesso na qualidade de ap endizes” (2003, p. 57); b) a análise de diá ios de a i idades e do isionamen o de g a ações ídeo, esul an es de expe iências pedagógicas ealizadas pelo docen e da unidade cu icula , Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 362 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 au o des e a igo, em di e sos con ex os de educação de in ância, como al e na i a à inco po ação de ep esen ações das p á icas dos educado es nos p ocesso o ma i o p omo ido na uni e sidade (ZEICHNER, 2010). Uma ou a o ma de in eg a o conhecimen o cien í ico e didá ico na abo dagem das ciências po in es igação é, segundo Heywood e Pa ke (2010), aze com que os es udan es, em o mação inicial, plani iquem p opos as de a i idades, passando pelas seguin es e apas: a) es uda o ópico cien í ico subjacen e às a i idades plani icadas, os p incipais concei os e as possí eis di iculdades concei uais; b) conhece as me as de ap endizagem de inidas no cu ículo; c) es a essas p opos as de a i idades que in eg am concei os cien í icos e a abo dagem didá ica. A endendo a es as e apas, os es udan es plani icam ambém a i idades de ciências, ace aos in e esses das c ianças e às necessidades iden i icadas nos di e sos con ex os de ja dim de in ância, que i e am opo unidade de obse a , no âmbi o da unidade cu icula de “Obse ação, Documen ação e A aliação na Educação de In ância” 1 . Essas plani icações con êm, pa a além do ma e ial necessá io e dos obje i os de ap endizagem, uma sín ese do conhecimen o cien í ico sob e o ópico plani icado e indicações didá icas sob e como de em explo a as a i idades e induzi nas c ianças uma a i ude e lexi a e in es iga i a, em elação às a i idades de ap endizagem p opos as. Nos ja dins de in ância, em es ei a colabo ação com as educado as, os es udan es, em duplas, explo am com as c ianças as a i idades plani icadas no con ex o de o mação an e io . T a a-se de p opo ciona “expe iências de campo” o ien adas e de idamen e a iculadas com o conhecimen o eó ico-didá ico, de modo a que se e e i e a ap endizagem docen e que a elas es á associada (ZEICHNER, 2010). Du an e a explo ação das a i idades assumem, simul aneamen e, o papel de in es igado es, u ilizando a obse ação pa icipan e pa a ob e em uma melho comp eensão das di e en es pe spe i as das c ianças que se ge am e econs oem no a o de ap ende (LATORRE, 2004). Os dados ge ados são egis ados p e e encialmen e sob duas o mas complemen a es: as no as de campo e as g a ações áudio. Es es dados em b u o ma e ializa am-se, pos e io men e, sob a o ma de na a i as comple as e de alhadas dos acon ecimen os mais ele an es oco idos no g upo de c ianças (GRAUE; WALSH, 2003) – os diá ios das a i idades. Pa a além de um mé odo de egis o de dados, a esc i a dos diá ios cons i ui uma es a égia p omo o a da e lexão sob e a ação pedagógica p omo ida com as c ianças (ZABALZA, 2004), assumindo-se como um impo an e elemen o o ma i o na cons i uição da iden idade docen e (LEITE, 2019). 1 Es a unidade cu icula p e ê duas semanas pa a os es udan es obse a em de e minadas dimensões pedagógicas nos con ex os da p á ica p o issional, uma sensi elmen e a meio e ou a no inal do semes e. Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 363 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 4. A SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM COM BALÕES Na ap endizagem das ciências, os balões p opo cionam a ealização de uma g ande di e sidade de a i idades in e essan es e desa iado as do pensamen o e da ação das c ianças. Assim, pa indo ambém do in e esse pelos balões de um g upo de c ianças de um ja dim de in ância, uma dupla de es udan es plani icou, em con ex o de o mação na uni e sidade, com a ajuda e o ien ação do docen e, a seguin e sequência de a i idades de ap endizagem: - T ans o ma o mo imen o i egula de um balão num mo imen o e ilíneo. De um modo ge al, as c ianças sabem que um balão cheio de a , ao se la gado, adqui e um mo imen o i egula , ao mesmo empo que se es azia, acabando po se imobiliza no chão. Como ans o ma o mo imen o i egula do balão num mo imen o em linha e a? Depois de comp eendido o signi icado de “mo imen o em linha e a”, é possí el que p oponham ideias que se e elam in u í e as. É en ão necessá io ajudá-las a pensa , de o ma a cons uí em cole i amen e um disposi i o que pe mi a da ao balão um mo imen o e ilíneo – “o balão- ogue e”. O ques ionamen o do educado e a in odução sele i a dos ma e iais necessá ios à cons ução do disposi i o de em desencadea na c iança as seguin es ações: a) passa a linha de pesca pelo in e io de uma palhinha de e esco; b) p ende a linha en e duas cadei as, su icien emen e a as adas; c) enche um balão com a e echa a sua abe u a com uma mola pa a p endedo de oupa; d) cola , com i a-cola, o balão cheio de a na palhinha, com a abe u a ol ada pa a a cadei a mais p óxima. No inal, as c ianças de em: elabo a p e isões, quan o ao compo amen o do balão, ao e i a -se a mola da sua abe u a; es a essas p e isões; obse a que o balão se mo imen a ao longo da linha de pesca; e elaciona o sen ido do mo imen o do balão com o sen ido da saída do a . A deslocação do balão, à medida que o a ai saindo, baseia-se no p incípio da conse ação da quan idade de mo imen o. Segundo es e p incípio, é cons an e a quan idade de mo imen o de um sis ema, quando a esul an e das o ças ex e nas que nele a uam o nula. A quan idade de mo imen o (𝑄 󰇍 ) de um co po é a g andeza e o ial dada pelo p odu o da massa pela sua elocidade, cuja di eção e sen ido são os mesmos do e o elocidade, con o me a exp essão seguin e: 𝑄 󰇍 = 𝑚 × 𝑣 . Quando emos um sis ema com á ios co pos, a quan idade de mo imen o o al do sis ema, isolado de o ças ex e nas, é ob ida pela soma e o ial da quan idade de mo imen o de cada co po: 𝑄 󰇍 󰇍 󰇍 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 = 𝑄 󰇍 1+ 𝑄 󰇍 2+ ⋯ + 𝑄 󰇍 3=(𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒). Is o não signi ica que a quan idade de mo imen o de cada co po do sis ema seja in a iá el. Apenas a soma o é, pois, se a quan idade de mo imen o Figu a 1 – O balão- ogue e in VanClea e (1993). Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 364 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 de um diminui, a do ou o ou dos ou os e á de aumen a pa a compensa essa a iação, de modo a que a quan idade de mo imen o do sis ema pe maneça cons an e. Se conside a mos o sis ema balão e massa de a nele con ida, a quan idade de mo imen o o al que o sis ema possui no início é dada pela soma da quan idade de mo imen o do balão com a quan idade de mo imen o do a . Como ambos es ão em epouso – as suas elocidades são nulas, en ão a quan idade de mo imen o inicial do sis ema é igual a ze o: 𝑄 󰇍 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 = 𝑄 󰇍 𝑏𝑎𝑙ã𝑜 + 𝑄 󰇍 𝑎𝑟 = 0. Como se explica en ão o deslocamen o do balão, a pa i de uma si uação de epouso? No momen o em que se ab e a abe u a do balão, o a começa a sai , ou seja, pa e da massa de a con ida no balão passa do es ado de epouso a mo imen o. Não ha endo a ação de nenhuma o ça ex e na, pois nenhuma pessoa ou qualque ou o agen e empu a o balão, en ão, pa a que a quan idade de mo imen o do sis ema balão e a se conse e igual a ze o (𝑄 󰇍 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑖𝑠 = 𝑄 󰇍 𝑏𝑎𝑙ã𝑜 + 𝑄 󰇍 𝑎𝑟 = 0), é condição que o sis ema, balão mais a massa de a que nele ainda con inua, se desloque em sen ido con á io à saída do a : 𝑄 󰇍 𝑏𝑎𝑙ã𝑜 = − 𝑄 󰇍 𝑎𝑟. É isso que acon ece: a quan idade de mo imen o co esponden e à saída do a é anulada pela quan idade de mo imen o co esponden e ao a anço do balão, pois são mo imen os com sen idos con á ios. - In es iga a in luência da quan idade de a do balão na dis ância po ele pe co ida. As c ianças in es igam ago a a elação en e a quan idade de a do balão e a dis ância po ele pe co ida. Com ajuda do educado , de em iden i ica as a iá eis que podem in luencia a dis ância pe co ida pelo balão, p e e possí eis di e enças, em unção da quan idade de a insu lada no balão, es a essas p e isões e, po úl imo, obse a e in e p e a as obse ações, concluíndo que, quan o maio a quan idade de a do balão, maio é a dis ância que ele pe co e. - Aplica as ap endizagens ealizadas. As ap endizagens an e io es de em se mobilizadas e aplicadas na cons ução de um ca inho mo ido pela saída do a do in e io de um balão. 5. A EXPLORAÇÃO DIDÁTICA DA SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES É com base no diá io das a i idades, elabo ado pela dupla de es udan es, que se ap esen a a análise do p ocesso de explo ação da sequência de a i idades de ap endizagem, p omo ido com as c ianças da educação p é-escola . A. T ans o ma o mo imen o i egula de um balão num mo imen o e ilíneo A1. O que i á acon ece se la ga na sala es e balão cheio de a ? Figu a 2 – Ca inho mo ido a a . Adap ado de: h p://yancao.in o/yancao- images.h ml Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 365 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520  As c ianças elabo am p e isões. Pe an e a ques ão an e io , são unânimes em p e e que o balão i á adqui i mo imen o: “Vai oa ” (Rod igo); “Vai anda ” (Sa a); “Vai ugi ” (Ma iana). A causa desse mo imen o é a ibuída à saída do a do in e io do balão: “Po que es á cheio de a ” (Sa a); “Po que ai sai o a ” (José); “Po que ai es azia ” (Ma ia). A2. O que de emos aze pa a sabe mos se as ossas espos as es ão co e as?  Suge em es a as p e isões, es am-nas e ealizam obse ações. Exce o do diá io: As c ianças suge em la ga o balão: “Deixa o balão” (Vá ias). “Tens de deixa o balão i sozinho” (Da id). O balão é la gado no a da sala. As c ianças icam adian es com o sucedido e es am elas mesmas as suas ideias, enchendo e la gando balões.  Comunicam as obse ações. Exce o do diá io: Após a eu o ia, são incen i adas a comunica as obse ações e e uadas sob e o que acon eceu ao balão: “Fugiu” (Ma iana); “Voou” (José). “Como oi que o balão “ ugiu” ou “ oou”? – pe gun o. As c ianças e balizam e algumas ges iculam o mo imen o i egula do balão: “Foi assim às cu as” (Guilhe me); “Andou mui o o o” (Ana); “Voou às ol inhas” (Joana); “Fez mui as cu as no a ” (Manuel). As obse ações das c ianças incidem no elemen o mais acilmen e pe ce í el da si uação, o mo imen o i egula do balão. A saída do a não é e e ida, apesa de, an e io men e, a e em assumido como causa desse mo imen o. A3. Como ans o ma o mo imen o i egula do balão num mo imen o e ilíneo?  Comp eendem o signi icado da exp essão “mo imen o em linha e a”. As c ianças e elam comp eende o signi icado daquela exp essão e, ges iculando, comunicam-no da seguin e o ma: “É i assim di ei inho, semp e em en e” (An ónio); “É o balão anda di ei o” (José).  Suge em e execu am uma es a égia. Pa a ans o ma em o mo imen o i egula do balão num mo imen o e ilíneo, as c ianças apenas suge em e execu am a seguin e es a égia, a qual se e ela in u í e a: “a a o balão cheio de a e a i á-lo na ho izon al no a da sala”. Na ausência de ou as possibilidades e dado o ele ado ní el de di iculdade do desa io, as c ianças necessi am de ajuda pa a cons uí em uma es a égia de esolução e icaz – o “balão- ogue e”.  Iden i icam os ma e iais necessá ios à cons ução do “balão- ogue e”. Como o ma de ajuda, são o necidos alguns ma e iais: uma palhinha de e esco; i a-cola; balões; uma esou a; uma mola pa a p endedo de oupa; linha de pesca. As c ianças iden i icam-nos co e amen e, à exceção da linha de pesca. Vol. 3, n. 1. Jan./Ab . 2020 - ISSN 2595-4520 372 Recebido em: 16/09/2019 Acei o em: 06/01/2020 ISSN 2595-4520 Po úl imo, co obo amos a opinião de Apple on (2007), a qual salien a que os cu sos de o mação de educado es e p o esso es p imá ios de em, em p imei o luga , p opo ciona expe iências o ma i as bem-sucedidas, com a i idades de ciências in e essan es, a im de c ia em neles uma a i ude posi i a e a au ocon iança necessá ia em elação às ciências e à sua explo ação com as c ianças. Po ém, ais expe iências o ma i as de em habili á-los com um sabe aze especí ico o ien ado pa a a explo ação dos di e sos ópicos cu icula es. O desen ol imen o desse sabe de e se omen ado po um p ocesso de o mação, inicial e con ínua, apoiado em dados e ins umen os que eme jam da in es igação ealizada com c ianças, nos seus con ex os na u ais de ap endizagem. A in es igação de e p opo ciona aos educado es e p o esso es elemen os u uosos de apoio à sua ação educa i a. Nes e sen ido, a análise do p ocesso de explo ação da sequência de a i idades ap esen ada nes e a igo pode cons i ui uma e amen a didá ica, não es i i a, de apoio ao p ocesso de o mação e aos p óp ios educado es pa a, em con ex os simila es, e oca em e p omo e em idên ico p ocesso de explo ação com as c ianças. 7. AGRADECIMENTOS Es e abalho oi inanciado pela FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia no âmbi o do p oje o do CIEC (Cen o de In es igação em Es udos da C iança da Uni e sidade do Minho) com a e e ência UID/CED/00317/2019. 8. REFERÊNCIAS ALEIXANDRE, J. M. Comunicación y lenguaje. In: ALEIXANDRE, J. M. (Ed.), Enseña ciencias. 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