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Vagueza, força argumentativa e dêixis pessoal nos discursos políticos presidenciais de comemoração de Abril

Marques, Aldina

Abstract

Os discursos presidenciais de comemoração de Abril são discursos de influência. São um exercício de autoridade para apresentar ao Parlamento e ao país a visão do presidente sobre a revolução, sobre o passado de Portugal como nação entre as nações, mas também sobre o seu futuro político, económico e social, que antevê e deseja ver cumprido. Neste quadro político e discursivo, centrámo-nos na análise da dêixis pessoal e da sua força argumentativa, a partir da manifestação discursiva, nomeadamente, de usos categorizados como aproximativos ou vagos. Os dados para análise fazem parte de um corpus de discursos presidenciais de celebração do 25 de Abril (até ao centenário da República), de que foram selecionados os primeiros discursos proferidos por cada um dos quatro presidentes da República envolvidos neste evento discursivo de comemoração nacional.

Full text

Vagueza, o ça a gumen a i a e dêixis pessoal nos discu sos polí icos p esidenciais de comemo ação de Ab il* h ps://doi.o g/10.21814/uminho.ed.153.4 Ma ia Aldina Ma ques** * Es e ex o, com al e ações pon uais, oi inicialmen e publicado na sé ie T a aux e Documen s 62, La déixis e son exp ession dans les langues omanes, publicada pela Uni e sidade de Pa is 8, a quem ag adeço, nas pessoas do seu a ual coo denado , P o esso Dou o Camillo Fa e zani, e da en ão coo denado a, P o esso a Dou o a Ma ia Helena A aújo Ca ei a, a p on a anuência à sua in eg ação na p esen e publicação. ** ELACH – CEHUM. Uni e sidade do Minho. In es igação inanciada po undos nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbi o do p oje o UIDB/00305/2020 h ps:// doi.o g/10.54499/UIDB/00305/2020. 105VOZES QUE MOLDAM ABRIL Resumo: Os discu sos p esidenciais de comemo ação de Ab il são discu sos de in luência. São um exe cício de au o idade pa a ap esen a ao Pa lamen- o e ao país a isão do p esiden e sob e a e olução, sob e o passado de Po ugal como nação en e as nações, mas ambém sob e o seu u u o po- lí ico, económico e social, que an e ê e deseja e cump ido. Nes e quad o polí ico e discu si o, cen ámo-nos na análise da dêixis pessoal e da sua o ça a gumen a i a, a pa i da mani es ação discu si a, nomeadamen e, de usos ca ego izados como ap oxima i os ou agos. Os dados pa a análi- se azem pa e de um co pus de discu sos p esidenciais de celeb ação do 25 de Ab il (a é ao cen ená io da República), de que o am selecionados os p imei os discu sos p o e idos po cada um dos qua o p esiden es da República en ol idos nes e e en o discu si o de comemo ação nacional. Pala as-cha e: a gumen ação, dêixis, discu sos de celeb ação, usos ap o- xima i os 106 VAGUEZA, FORÇA ARGUMENTATIVA E DÊIXIS PESSOAL NOS DISCURSOS POLÍTICOS... A g ande a ma de um P esiden e é a pala a. Manuel Aleg e, Mani es o elei o al 1. In odução A comemo ação da e olução de 25 de Ab il de 1974 é um acon ecimen o polí ico e social simbólico, onde o P esiden e da República desempenha um papel es a égico em e mos de unções e pode es p esidenciais. De ac o, o p esiden e az a ges ão da memó ia cole i a, do espí i o de Ab il, ea i - mando a coesão nacional, mas az ambém passa a sua agenda polí ica, obje i o que é, a é, explici amen e assumido pelo P esiden e da República Jo ge Sampaio, no úl imo discu so do seu manda o (1). Aí, a escolha da exp essão “Semp e p e endi” com alo aspe ual equen a i o sublinha a sis ema icidade do p opósi o p esidencial. Po sua ez, o exce o (2) pa i- cula iza um aspe o dessa agenda, ago a da esponsabilidade do P esiden e Ca aco Sil a. (1) Semp e p e endi, com as mensagens que, anualmen e, aqui deixei, ajuda à cons ução de um país à al u a da espe ança que o 25 de Ab il ouxe aos po ugueses. (Jo ge Sampaio, 2005) (2) Senho P esiden e Senho as e Senho es Depu ados Não que o limi a -me ao diagnós ico. Que o apela a uma in e - enção mais ampla e mais coe en e naquilo que, mais do que uma soma de d amas indi iduais, é – e de e se – um peso na nossa consciência colec i a. Que o p opo um comp omisso cí ico, um comp omisso pa a a inclu- são social. (Ca aco Sil a, 2006) Em consequência, de e se sublinhado que os discu sos p esidenciais de comemo ação são de modo undamen al discu sos de in luência, no sen- ido em que são exe cícios de au o idade p esidencial, que ap esen am ao Pa lamen o e ao país o pensamen o do p esiden e sob e a Re olução, ma co his ó ico ag egado do e en o, sob e o passado de Po ugal, mas de modo cen al sob e o u u o polí ico, económico e social do país. 107VOZES QUE MOLDAM ABRIL Nes e quad o polí ico e discu si o, deb uçámo-nos sob e a ques ão da dêixis pessoal e, em pa icula , sob e a e e ência aos pa icipan es no a o de enunciação, is o é, no discu so e pelo discu so. P e endemos analisa es e p ocesso de e e enciação, ma cado pela (in)de e minação dos e e- en es discu si os, pela na u eza polilogal do acon ecimen o discu si o e pela si uação comunica i a dos pa icipan es. A inde e minação, ou agueza, ou ap oximação, como i emos e e i abai- xo, é uma ca ac e ís ica das línguas em uso. A linguís ica da ase, no se- guimen o da chamada g amá ica adicional, em abo dado e a ado es a ques ão, mas apenas no quad o de análise do sujei o sin á ico (Raposo 2020, p. 2477-2479). A abo dagem que aqui azemos é mais ampla e em o discu so como unidade de análise, dado que ai além da unidade ásica, e es á anco ada num quad o eó ico enuncia i o e discu si o1. Como e e e Bazzanella (2011, p. 21), “The e a e se e al easons o eso - ing o inde e minacy in language”. T ês das azões apon adas pa a a sua oco ência são cla amen e de na u eza p agmá ico-discu si a; deco em da escolha do locu o “mo i a ed by subjec i e easons ( ha is, one could be p ecise, bu ac ually is no ; […]), o by communica i e goals […], o by in e - ac an s’ ela ionship wi h he speake […]” (Bazzanella, 2011, p. 22)2. A inde e minação é, con udo, uma noção eó ica nem semp e cla a, pelas ligações que di e en es in es igado es es abelecem en e e mos e noções a ins. Ap oximação, inde e minação, imp ecisão ou agueza o a são consi- de ados sinónimos o a noções p óximas, mas di e sas, de que dão con a abalhos como os de Viga a Taus e (1966); López Díaz (2003); Bazzanella (2011); Voghe a (2013), en e ou os. O exce o abaixo sublinha essa di e - sidade concep ual e e minológica: The bounda ies o inde e minacy a e uzzy and di icul o ix, bo h o he luidi y o he ai i sel , and o he a ie y o labels ha ha e been used; “ ague language” (Channel 1994, Cu ing 2007), “loose alk” (Miha sch 2007), ‘app oxima e/imp ecise exp essions’ (o ‘ap- p oxima ion’, ‘imp ecision’ c . Wach el 1989) will be conside ed he e as possible synonyms o linguis ic inde e minacy. (Bazzanella, 2011, p.24) 1 Em po uguês Eu opeu, de e salien a -se, num quad o de análise p agmá ico-discu si a, os ex os de Ca apinha (2005a e 2005b) sob e discu so ju ídico e agueza. 2 Encon a-se já em Powell (1985) a e e ência a uma dimensão a alia i a de exp essões quan i i- cado as ap oxima i as. 108 VAGUEZA, FORÇA ARGUMENTATIVA E DÊIXIS PESSOAL NOS DISCURSOS POLÍTICOS... Como Bazzanella, usa emos os di e en es e mos como sinónimos. P opo- mos es uda a dêixis pessoal e a sua o ça a gumen a i a a pa i da ma- ni es ação discu si a de usos que ca ac e izámos como agos, imp ecisos, inde e minados ou ap oxima i os. Insepa á el do concei o de polissemia, ou poli uncionalidade, das unidades linguís icas, a dêixis ma cada po alo es ap oxima i os dá con a da plas- icidade dos alo es e e enciais dos deí icos em con ex o e, sob e udo, de um es a égico posicionamen o a alia i o assumido pelo locu o . Dadas as limi ações ins i ucionais do egime semip esidencial po uguês em que o p esiden e não em pode execu i o ou legisla i o, e econhecen- do, ambém, que o modo como o p esiden e se mos a e se au odesigna nos discu sos de comemo ação nacional é uma es a égia cen al pa a a cons- ução da sua mensagem polí ica3, colocamos como hipó eses de abalho que os p onomes deí icos eu, nós, se, en e p ecisão e imp ecisão, são meca- nismos linguís icos ao se iço da cons ução de uma es a égia discu si a de (des)insc ição g ada i a da oz do locu o , com alo es a gumen a i os o es. Nes e quad o polí ico-discu si o, a dêixis pessoal assume alo es ap oxima i os, de inde e minação e e encial, egulados p agma icamen e. Assim, es abelecemos como obje i o global da nossa in es igação de e - mina os e ei os de sen ido deco en es do uso das o mas p onominais eu, nós e se, nos discu sos polí icos comemo a i os do 25 de Ab il. De modo especí ico, p opomo-nos: 1. Iden i ica os con ex os de oco ência dos p onomes eu, nós, se; 2. De e mina os alo es da au odesignação p esidencial associados aos di e en es p onomes pessoais; 2. Analisa as elações en e eu, nós e se com base na noção g ada i a de ap oximação ou agueza; 4. De e mina os mecanismos de egulação con ex ual do alo de ap oxi- mação dos p onomes deí icos. 3 A impo ância da au odesignação dos locu o es nos discu sos polí icos, e nos discu sos em ge al, es á p esen e nos ex os de Zupnik (1994), Ca ei a (2004), Ma ques (2000) e Lo da-Mu (2005). 109VOZES QUE MOLDAM ABRIL 5. Mos a a impo ância da inde e minação e e encial da dêixis pessoal e espe i a o ça a gumen a i a nos discu sos polí icos de comemo ação de Ab il. 2. Quad o eó ico e me odológico Ao oca mos o uncionamen o discu si o da dêixis, azemo-lo usando uma abo dagem enuncia i a e discu si a al como em sido desen ol i- da po in es igado es como Ben enis e (1974), Ke b a -O ecchioni (1980), Duc o (1984), Fonseca (1996), Raba el (2001, 2019), Moi and (2005), en e ou os. Enquan o ca ego ia deí ica, os p onomes pessoais são, como e e e Ke b a -O ecchioni (1980), ac os enuncia i os, is o é, são ma cas linguís i- cas da p esença do locu o no seu discu so. Faze a análise segundo uma pe spe i a discu si a implica conside a mos es as unidades mic olinguís- icas menos “pou elles-mêmes, que pou le ôle qu’ elles son amenées à joue dans le cad e global de la ex uali é.” (Micheli & Pahud, 2012, p.89). Da inde e minação do sujei o sin á ico, es udado pela sin axe, passamos, po an o, à análise da cons ução da dêixis como es a égia discu si a de iden i icação ap oximada das ozes do discu so. Finalmen e, o concei o de géne o discu si o é undamen al pa a a p esen e análise como p incípio de pesquisa e ca ego ização de modos de dize his o icamen e si uados, que in luenciam a cons ução discu si a (Bakh ine, 1984, Adam, 2005). 2.1. Vagueza, a gumen ação e dêixis Segundo Desma chelie (2005, pa ag 34), “les ou ils de la déixis e les ins- ances du discou s […] je / nous / ous, […] cons i uen les p emie s indices de l’o ien a ion énoncia i e du ex e”. Es a o ien ação enuncia i a em con- sequências ao ní el da a gumen ação, al como a concebe Amossy (2000), nomeadamen e a a és da cons ução ap oxima i a da e e enciação4 deí- ica. Ainda que o alo deí ico pessoal p o o ípico seja um alo p eciso, um alo deí ico de e minado, ca ac e ís ico de deí icos pessoais como a 1.ªp/sg, e que es á p esen e nos discu sos em análise, há odo um conjun o de meios pa a o na es a egicamen e ago um uso deí ico num enuncia- do. Impo a ealça que essa plas icidade enuncia i a é comum a odas as o mas deí icas, incluindo a o ma de 1.ªp/sg (Ma ques, 2000, 2014; Dua e & Ma ques, 2014). Na análise ealizada, conside amos a ques ão da dêixis na elação com a ap oximação ou inde e minação como uma es a égia de 4 Sob e e e enciação c ., po exemplo, Mondada e Dubois (1995) e Ca alcan e (2003). 110 VAGUEZA, FORÇA ARGUMENTATIVA E DÊIXIS PESSOAL NOS DISCURSOS POLÍTICOS... e e enciação, ou melho , de inde e minação da e e enciação. Seguimos a p opos a básica e ampla de López Díaz (2003), que conside a que “…a inde e minação baseia-se na al a de in o mação em si uações em que os elemen os em al a são impossí eis de de e a e e encialmen e” (p.420), pa a, na análise, de e mina as azões das escolhas ei as pelos p esiden es da República. Daí e mos assumido que o uso e a in e p e ação dos deí i- cos são egulados p agma icamen e. Dado es e enquad amen o eó ico, a análise da dêixis nos discu sos p esidenciais de celeb ação de Ab il assen a na alo ização do con ex o ge al, em pa icula do géne o de discu so, dos papéis sociais e comunica i os dos pa icipan es e do co ex o linguís ico. 2.1.1. Cons i uição e ca ac e ís icas do co pus analisado Os dados da nossa análise azem pa e do co pus cons i uído pelos discu - sos p esidenciais de comemo ação do 25 de Ab il. De 1977, da a da p imei a comemo ação da e olução a é 2011, cen ená io da implan ação da Re- pública Po uguesa, há um o al de 32 discu sos. Du an e es e pe íodo, os qua o P esiden es, An ónio Ramalho Eanes, Má io Soa es, Jo ge Sampaio e Aníbal Ca aco Sil a, p onuncia am, espe i amen e, 8 discu sos (± 22 637 pala as), 8 discu sos (± 13,623 pala as), 10 discu sos (± 40 065 pala as) e 6 discu sos (± 11 771 pala as). São discu sos que se inse em num e en- o discu si o mais amplo, a sessão solene que se ealiza no Pa lamen o, e onde pa icipam ou os o ado es. T abalhámos, especi icamen e, com um subco pus compos o pelos p imei os discu sos dos qua o P esiden es da República elei os en e 1977 e 2006. A abela abaixo esume os dados ela i os aos qua o p esiden es, seus discu sos e o núme o de pala as po discu so: Tabela I – To al de pala as dos discu sos p esidenciais analisados 1977 1986 1996 2006 To al An ónio Ramalho Eanes 2072 Má io Soa es 2302 Jo ge Sampaio 2877 Aníbal Ca aco Sil a 2274 9255 Fon e: elabo ação p óp ia Os dados da abela mos am uma ela i a homogeneidade em e mos da quan idade de pala as po discu so; são discu sos ela i amen e b e es, 111VOZES QUE MOLDAM ABRIL dada a complexidade, e i ualização, da ce imónia e o núme o de o ado es en ol idos. De ac o, pa a além do P esiden e da República, que ence a as comemo ações, in e êm os líde es das bancadas pa lamen a es e o P esi- den e da Assembleia da República. 3. Eu, nós, se. Re e enciação, ap oximação, a gumen ação e dêixis nos discu sos de comemo ação de Ab il In e essam-nos as ca ego ias eu, nós, se5 enquan o ac os enuncia i os que ep esen am ozes discu si as, especi icamen e um locu o singula ou um locu o cole i o. Em po uguês, em si uações de comunicação o mal, de egis o o mal, em que oco em discu sos p e iamen e esc i os e depois o alizados, é p incipalmen e a o ma e bal que ma ca a dêixis pessoal, mais do que a cooco ência de p onome + o ma e bal, exce o no que con- ce ne ao p onome se, que de e se semp e explici ado. Os exemplos (3), (4) e (5) ex aídos do p imei o discu so de comemo ação ilus am es es usos. (3) Somos uma ge ação de sac i ício: Quan os de nós, em busca do pão ou po o ça do de e , abandonámos a e a e a amília, o País e os amigos pa a ol a , an os anos depois, ma cados pelos encon os da mo e, da iolência, da injus iça?! (Ramalho Eanes, 1977) (4) Mas não sou eu o único po uguês que assumiu comp omissos com a Nação. Po que ecuso demi i -me das esponsabilidades que o po o po uguês colocou sob e os meus omb os, é meu de- e exigi aos meus compa io as que es ejam à al u a das suas p óp ias esponsabilidades. (Ramalho Eanes, 1977) (5) Na ausência de o denamen o legal, odos os dias se assis e a con- li os que, em igo , êm de se enca ados como sabo agem eco- nómica. (Ramalho Eanes, 1977) A simples quan i icação das oco ências nos qua o discu sos p esidenciais o nece in o mações in e essan es, que eunimos na Tabela II, de que se 5 Conside amos que se pode e alo es dêi icos (os únicos que aqui são pe inen es), embo a es- eja sujei o a á ias ca ego izações. Na G amá ica do Po uguês, de Raposo e al., po exemplo, se é designado que como p onome e lexo de e cei a pessoa (2013, p. 458), que como p onome á ono de 3.ªpessoa (2013, p. 445) que como se impessoal (2013, p. 446). De qualque o ma, pa a a aná- lise ago a ealizada, impo a que é um mecanismo linguís ico ao se iço da cons ução de uma oz discu si a. 118 VAGUEZA, FORÇA ARGUMENTATIVA E DÊIXIS PESSOAL NOS DISCURSOS POLÍTICOS... os modos de p esença do locu o , ou seja, do p esiden e, no seu discu so, em elação aos ou os, sejam eles pa icipan es p esen es, ou ausen es, no espaço ísico da in e ação discu si a em cu so. A es a égia de inde e mi- nação do e e en e discu si o pe mi e que o locu o se apague pa a melho dize , e con ence . No que diz espei o aos pa icipan es no e en o discu si o, emos a impo - ância de uma ca ego ização ap oxima i a: 1. no apagamen o da oz do locu o , diluída num g upo de ozes de limi es di usos; 2. na ocul ação do alocu á io como oz enunciado a e des ina á ia de a os de c í ica; 3. no dinamismo da imagem p esidencial, de um locu o esponsá el po es a “mul iplica ion de sou ces énonçan es” (Raba el, 2004, p. 19). Exp essa -se po meio de uma e e enciação ap oxima i a é coloca -se em segundo plano pa a melho impo a sua agenda; a a-se, na e dade, de cons ui uma posição al a (legí ima), mas não ameaçado a. O locu o mos a no seu discu so ozes di e en es da sua, ozes de au- o idade (o po o é sobe ano), ozes mais ou menos solidá ias, e ambém ozes dissonan es, que c i ica de o ma elada, que po que o p esiden e é o ga an e da unidade nacional, que po que, no egime semip esidencial po uguês, não endo pode es legisla i os nem execu i os, é nos discu sos e pelos discu sos que impõe a sua oz. Não esgo ámos, nes es usos, a análise dos modos de p esença do locu o no seu discu so. Impo a, po isso, da con inuidade a es es es udos, na con- side ação, nomeadamen e, de ou os mecanismos linguís ico-discu si os p esen es. Re e ências Adam, J.-M. (2005). La linguis ique ex uelle. In oduc ion à l'analyse ex uelle des discou s. A mand Colin. Aleg e, M. (2011). 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