scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Funcionalização de têxteis com óleos extraídos de resíduos e subprodutos de diferentes indústrias

Pinheiro, Ana Isabel Osório

Abstract

A indústria têxtil enfrenta grandes desafios ambientais devido ao elevado consumo de água, poluição ambiental, emissões acentuadas de gases com efeito de estufa e produção de resíduos, sendo a segunda mais poluente a seguir aos combustíveis fósseis. Assim, este trabalho propõe uma abordagem sustentável aos acabamentos têxteis convencionais baseada na economia circular: a utilização de óleos naturais extraídos de resíduos e subprodutos agroindustriais para conferir propriedades antibacterianas, antioxidantes, hidrofóbicas e proteção UV a substratos têxteis 100% algodão. Os resíduos/subprodutos utilizados para a extração de óleos naturais foram ouriços de castanha, lúpulo, dreche, podas de videira e caules de planta de tabaco. Os óleos naturais e malhas funcionalizadas foram analisados quanto ao seu conteúdo fenólico através do método Folin-Ciocalteu e quanto à sua atividade antioxidante recorrendo ao método DPPH. A atividade antibacteriana dos óleos foi avaliada contra a bactéria Gram-positiva Staphylococcus aureus pelo método de difusão em gota. A funcionalização têxtil foi efetuada por impregnação. A repelência à água foi avaliada pela medição do ângulo de contacto e a proteção UV dos materiais têxteis foi avaliada segundo a norma australiana/neozelandesa: AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothing- Evaluation and classification. Os resultados demonstraram que os óleos naturais de ouriços de castanha e caules de planta de tabaco e respetivos substratos têxteis funcionalizados apresentam maior concentração de compostos fenólicos e consequentemente maior percentagem de atividade antioxidante seguidos das podas de videira e da dreche. No que diz respeito à atividade antibacteriana, apenas o óleo de ouriços de castanha apresentou alguma inibição do crescimento bacteriano. A repelência à água verificou-se antes da lavagem em alguns substratos têxteis, mas perdeu-se após uma lavagem à exceção da condição Ouriços de castanha 0,25 mm 20% sólidos celulase + xilanase. Quanto à proteção UV, as malhas funcionalizadas com óleos de ouriços de castanha e caules de planta de tabaco apresentaram melhor desempenho com índices UPF 30 (muito bom) ou UPF 15 (bom). Em síntese, foram desenvolvidos substratos têxteis funcionalizados com óleos naturais, conferindo-lhes propriedades antioxidantes, repelência à água e proteção UV, uma abordagem sustentável e promissora que evita o uso de produtos químicos nefastos ao meio ambiente.

Full text

Universidade do Minho Escola de Engenharia Ana Isabel Osório Pinheiro Funcionalização de têxteis com óleos extraídos de resíduos e subprodutos de diferentes indústrias janeiro de 2025 Ana Isabel Osório Pinheiro Funcionalização de têxteis com óleos extraídos de resíduos e subprodutos de diferentes indústrias Dissertação de Mestrado Mestrado em Engenharia Química e Biológica Trabalho efetuado sob orientação da Professora Doutora Lígia Raquel Marona Rodrigues janeiro de 2025 II DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ [Esta é a mais restritiva das nossas seis licenças principais, só permitindo que outros façam download dos seus trabalhos e os compartilhem desde que lhe sejam atribuídos a si os devidos créditos, mas sem que possam alterá-los de nenhuma forma ou utilizá-los para fins comerciais.] III AGRADECIMENTOS A dissertação em Engenharia Química e Biológica na Universidade do Minho culminou no estágio no CITEVE e escrita desta tese de mestrado. Durante este tempo, muitas foram as pessoas que me incentivaram, apoiaram e ajudaram. A essas pessoas gostaria de deixar algumas palavras. Agradeço à Mestre Ana Margarida Fernandes que me supervisionou e me orientou no CITEVE ajudando sempre que possível e ensinando muito do que aprendi durante este período. Agradeço igualmente à Doutora Carla Silva, diretora do Departamento de Química e Biotecnologia do CITEVE que teve um enorme contributo no sucesso desta dissertação e ajudou imenso no decorrer da mesma. À Doutora Lígia Rodrigues, orientadora na Universidade do Minho, pela compreensão, pragmatismo, disponibilidade, ensinamentos e apoio na dissertação, mas especialmente durante os 5 anos do curso, um enorme obrigada. Um agradecimento especial à Joana e Beatriz que desde o início ao fim estiveram comigo e foram o suporte que muitas vezes precisei. À Joana por estando longe ou perto sempre me ter ajudado e acreditado em mim. À Beatriz por ter sido essencial durante este caminho, pelo companheirismo, amizade e apoio constante e por todas as vivências passadas lado a lado que irão permanecer para sempre comigo continuando certamente daqui em diante. A vocês, o meu genuíno obrigado! Por último, um agradecimento sincero aos meus pais e irmãs por me permitirem concluir esta importante etapa da minha vida e me darem a oportunidade de desenvolver os meus conhecimentos académicos sem a menor das preocupações com total determinação, disciplina e apoio necessário. Esta Dissertação de Mestrado foi realizada no âmbito do Projeto Integrado be@t – Bioeconomia Têxtil, para Reforço da Bioeconomia Nacional, financiado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável (Investimento TC-C12-i01– Bioeconomia Sustentável N.º 02/C12i01/202), dos fundos europeus atribuídos a Portugal pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência da União Europeia (UE), enquadrado no Next Generation UE, para o período de 2021 - 2026. IV DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. V Funcionalização de têxteis com óleos extraídos de resíduos e subprodutos de diferentes indústrias RESUMO A indústria têxtil enfrenta grandes desafios ambientais devido ao elevado consumo de água, poluição ambiental, emissões acentuadas de gases com efeito de estufa e produção de resíduos, sendo a segunda mais poluente a seguir aos combustíveis fósseis. Assim, este trabalho propõe uma abordagem sustentável aos acabamentos têxteis convencionais baseada na economia circular: a utilização de óleos naturais extraídos de resíduos e subprodutos agroindustriais para conferir propriedades antibacterianas, antioxidantes, hidrofóbicas e proteção UV a substratos têxteis 100% algodão. Os resíduos/subprodutos utilizados para a extração de óleos naturais foram ouriços de castanha, lúpulo, dreche, podas de videira e caules de planta de tabaco. Os óleos naturais e malhas funcionalizadas foram analisados quanto ao seu conteúdo fenólico através do método Folin-Ciocalteu e quanto à sua atividade antioxidante recorrendo ao método DPPH. A atividade antibacteriana dos óleos foi avaliada contra a bactéria Gram-positiva Staphylococcus aureus pelo método de difusão em gota. A funcionalização têxtil foi efetuada por impregnação. A repelência à água foi avaliada pela medição do ângulo de contacto e a proteção UV dos materiais têxteis foi avaliada segundo a norma australiana/neozelandesa: AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothingEvaluation and classification . Os resultados demonstraram que os óleos naturais de ouriços de castanha e caules de planta de tabaco e respetivos substratos têxteis funcionalizados apresentam maior concentração de compostos fenólicos e consequentemente maior percentagem de atividade antioxidante seguidos das podas de videira e da dreche. No que diz respeito à atividade antibacteriana, apenas o óleo de ouriços de castanha apresentou alguma inibição do crescimento bacteriano. A repelência à água verificou-se antes da lavagem em alguns substratos têxteis, mas perdeu-se após uma lavagem à exceção da condição Ouriços de castanha 0,25 mm 20% sólidos celulase + xilanase. Quanto à proteção UV, as malhas funcionalizadas com óleos de ouriços de castanha e caules de planta de tabaco apresentaram melhor desempenho com índices UPF 30 (muito bom) ou UPF 15 (bom). Em síntese, foram desenvolvidos substratos têxteis funcionalizados com óleos naturais, conferindo-lhes propriedades antioxidantes, repelência à água e proteção UV, uma abordagem sustentável e promissora que evita o uso de produtos químicos nefastos ao meio ambiente. Palavras-chave: Óleos naturais, substratos têxteis, funcionalização, resíduos, subprodutos VI Functionalization of textiles with oils extracted from waste and by-products of different industries ABSTRACT The textile industry faces major environmental challenges due to high water consumption, environmental pollution, high emissions of greenhouse gases and waste production, the second most polluting after fossil fuels. Thus, this work proposes a sustainable approach to conventional textile finishes based on the circular economy: using natural oils extracted from waste and agro-industrial by-products to confer antibacterial properties, antioxidants, hydrophobic and UV protection to 100% cotton textile substrates. The waste/by-products used to extract natural oils were chestnut hedgehogs, hops, brewer's spent grain, vine pruning and tobacco plant stems. Natural oils and functionalized fabrics were analyzed for phenolic content with the Folin-Ciocalteu method and antioxidant activity using the DPPH method. The antibacterial activity of oils was evaluated against the Gram-positive bacteria Staphylococcus aureus by the disk diffusion method. The textile functionalization was carried out by impregnation. Water repellency was assessed by measuring the contact angle and UV protection of textile materials was evaluated according to the Australian/New Zealand standard: AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothingEvaluation and classification . The results showed that chestnut hedgehogs and tobacco plant stems natural oils and their functionalized textile substrates have higher concentrations of phenolic compounds and consequently higher percentage of antioxidant activity followed by pruning of vine and brewer's spent grain. Regarding the antibacterial activity, only the oil of chestnut hedgehogs showed some inhibition of bacterial growth. Water repellency was verified before washing in some textile substrates but lost after a wash, except for the condition Chestnut hedgehogs 0,25 mm 20% solids cellulase + xylanase. As for UV protection, the functionalized fabric with chestnut hedgehogs oils and tobacco plant stems showed better performance with UPF 30 (very good) or UPF 15 (good) indexes. In conclusion, textile substrates functionalized with natural oils were developed, giving them antioxidant properties, water repellency and UV protection, a sustainable and promising approach that avoids the use of harmful chemicals to the environment. Keywords: Natural oils, textile substrates, functionalization, waste, by-products VII ÍNDICE ÍNDICE DE FIGURAS ............................................................................................................ IX ÍNDICE DE TABELAS .......................................................................................................... XII LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ................................................................................... XIII 1. Introdução ................................................................................................................... 1 1.1. Contextualização e objetivos ................................................................................. 1 1.2. Entidade de acolhimento ...................................................................................... 2 2. Estado da Arte ............................................................................................................. 3 2.1. Indústria têxtil e o papel da bioeconomia circular .................................................. 3 2.2. Resíduos/subprodutos ......................................................................................... 5 2.2.1. Ouriços de castanha .................................................................................... 5 2.2.2. Lúpulo ......................................................................................................... 6 2.2.3. Dreche ........................................................................................................ 6 2.2.4. Podas de videira .......................................................................................... 7 2.2.5. Caules da planta do tabaco .......................................................................... 8 2.3. Potencial bioativo dos resíduos/subprodutos ........................................................ 8 2.4. Funcionalização têxtil e a sua importância ..........................................................10 2.4.1. Propriedade antioxidante ...........................................................................12 2.4.2. Propriedade antimicrobiana .......................................................................13 2.4.3. Proteção ultravioleta (UV) ...........................................................................13 2.4.4. Repelência à água .....................................................................................14 2.5. Papel dos óleos naturais na funcionalização têxtil ...............................................14 3. Materiais e Métodos ...................................................................................................16 3.1. Materiais............................................................................................................16 3.1.1. Ouriços de castanha ..................................................................................16 3.1.2. Lúpulo .......................................................................................................17 3.1.3. Dreche ......................................................................................................17 3.1.4. Podas de videira ........................................................................................18 3.1.5. Caules de planta de tabaco ........................................................................19 3.2. Reagentes ..........................................................................................................19 3.3. Métodos ............................................................................................................20 3.3.1. Adequação do resíduo/subproduto ............................................................20 3.3.2. Condições de extração de óleos naturais do resíduo/subproduto ................21 3.3.3. Filtração das infusões ................................................................................23 1 1. Introdução 1.1. Contextualização e objetivos Atualmente a indústria têxtil apresenta inúmeros desafios associados maioritariamente à poluição ambiental que esta acarreta. Aspetos como o consumo de grandes quantidades de água, poluição da água com químicos tóxicos, alta pegada de carbono, elevadas quantidades de resíduos sólidos são determinantes para esta ser considerada uma das indústrias mais poluentes, especificamente a segunda a seguir à produção de combustíveis fósseis (Teixeira et al. , 2023; Costa et al. , 2020; Shirvanimoghaddam et al. , 2020). Segundo a Comissão Europeia, esta indústria surge em quinto lugar das indústrias que mais quantidade de matérias-primas necessitam e mais gases efeito de estufa produzem. Anualmente, são gastos cerca de 79 biliões de metros cúbicos de água (correspondente a 20% do consumo de água global), libertados 1,7 biliões de toneladas de CO2 e produzidos 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis. Estima-se que em 2030, estes valores aumentem em 50% (Comissão Europeia, 2023; Šajn, 2019). O cultivo de algodão representa um dos problemas da indústria têxtil com mais impacto ambiental e social. Concretamente, a produção desta fibra exige um elevado consumo de água. Para se produzir 1 kg de algodão são necessários cerca de 22000 L de água (Muthu et al. , 2012). De outro ponto de vista, a produção de uma T-shirt de algodão implica o uso de 2700 L de água e uma grande quantidade de químicos que afetam o solo, o ecossistema e a saúde populacional (Shirvanimoghaddam et al. , 2020). Para além da produção dos têxteis, outro grande problema desta indústria consiste na reciclagem usada e o seu desperdício. Quando uma peça de roupa já não tem utilidade é descartada sendo o seu destino o aterro ou a incineração (Loetscher et al. , 2017). Assim, urge tornar a produção têxtil mais sustentável tendo por base a economia circular (Centobelli et al. , 2022). Este trabalho explora uma abordagem sustentável e promissora nos acabamentos têxteis, uma vez que visa a utilização de óleos naturais extraídos de subprodutos e resíduos agroindustriais e consequente aplicação em substratos têxteis para atribuição de propriedades têxteis, nomeadamente propriedade antimicrobiana e antioxidante, hidrofobicidade, proteção UV. Desta forma, os materiais têxteis podem beneficiar diretamente das propriedades que os óleos naturais oferecem de uma forma mais ecológica e sem recurso a químicos. 2 Deste modo, os principais objetivos deste trabalho passam pela extração de óleos naturais de ouriços de castanha, lúpulo, dreche, podas de videira e caules de planta de tabaco e quantificação de compostos fenólicos presentes; estudo da influência das diferentes granulometrias e razão de biomassa/volume de solvente dos resíduos/subprodutos no rendimento de extração dos óleos; funcionalização dos substratos têxteis de algodão e estudo das propriedades supramencionadas nos materiais têxteis. Este trabalho está inserido no Projeto Be@t (bioeconomia na indústria têxtil) que pretende revolucionar a Indústria Têxtil e Vestuário através da implementação e desenvolvimento de produtos e materiais têxteis rastreáveis, de origem biológica e com menor impacto ambiental do que os atualmente comercializados. Assim, os materiais utilizados são obtidos de matérias-primas de base renovável (fibras naturais, resíduos agroindustriais e florestais) sendo utilizadas tecnologias e processos de produção sustentáveis, abordagens de eco design e eco engenharia sempre com os conceitos de circularidade e sustentabilidade na base do projeto (CITEVE, 2024a). 1.2. Entidade de acolhimento Este trabalho foi realizado no Departamento de Química e Biotecnologia do CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e Vestuário de Portugal). O CITEVE é uma organização privada sem fins lucrativos, fundada em 1989, com sede em Vila Nova de Famalicão e outras delegações no Brasil, Tunísia, Argentina, Paquistão, Chile e Índia. Este centro compreende a certificação de produtos, ensaios laboratoriais, consultoria técnica e tecnológica, investigação e desenvolvimento (I&D) apoiando outras empresas do setor têxtil e vestuário, assente nos pilares da sustentabilidade e economia circular (CITEVE, 2024b). 3 2. Estado da Arte Este capítulo tem como objetivo apresentar uma revisão do estado atual, oportunidades e desafios da indústria têxtil mais concretamente, na área dos acabamentos e funcionalização têxtil. Para além disso, refere-se a importância da valorização de resíduos e/ou subprodutos gerados por diferentes indústrias nacionais na funcionalização dos têxteis. 2.1. Indústria têxtil e o papel da bioeconomia circular Segundo a Comissão Europeia, nas duas últimas décadas, a produção de têxteis duplicou. Em 2024, o mercado dos têxteis está avaliado em cerca de 156 biliões de euros, mundialmente. A nível europeu este mercado representa cerca de 50 biliões de euros correspondendo a 32% do mercado mundial. Para além disso, a taxa de crescimento anual composta (em inglês, Compound Annual Growth Rate , CAGR) esperada entre 2024 e 2028 é de 6,41%. Atualmente, os Estados Unidos da América, China, Turquia, Japão, Índia e Indonésia são os países em que o mercado têxtil tem mais expressão e consequente maior faturação (Statista, 2024). Em Portugal, segundo a Pordata, em 2022, o setor têxtil e vestuário era responsável pela existência de 12208 empresas, representando cerca de 10% do volume de negócios da indústria transformadora nacional (ATP, 2024). De acordo com o Banco de Portugal, em 2022, cerca de 61,5% correspondiam a microempresas, 0,63% a grandes empresas e as restantes a pequenas e médias empresas. Para além disso, em 2016, a indústria têxtil representava um peso de 4% no produto interno bruto (PIB) português. Relativamente à localização geográfica, a maioria do setor têxtil encontrase na zona Norte do país, Centro e Área Metropolitana de Lisboa sendo que a restante se divide pelo Alentejo, Algarve, Madeira e Açores como representado na Figura 1. Figura 1. Distribuição geográfica da indústria têxtil em Portugal (Costa et al. , 2020). 76,1% 10,6% 9,2% 4,1% Zona Norte Centro Área Metropolitana de Lisboa Alentejo, Algarve e Ilhas 4 A nível mundial, a economia circular e sustentabilidade estão a ganhar cada vez mais destaque no setor têxtil surgindo como oportunidades na redução do impacto ambiental e climático desta indústria (Shirvanimoghaddam et al. , 2020; Centobelli et al. , 2022). De uma forma geral, a economia circular está presente na adoção de processos sustentáveis, utilização de menor quantidade de recursos, reutilização dos mesmos e incorporação de resíduos têxteis em novos têxteis através da reciclagem (Hora et al. , 2023). Segundo o Parlamento Europeu, a economia circular é um modelo de produção e consumo que prolonga o ciclo de vida dos produtos e reduz ao mínimo o desperdício. O objetivo passa pelo afastamento do modelo tradicional e linear que se baseia no padrão comprarconsumir-descartar, não havendo reaproveitamento dos materiais (Parlamento Europeu, 2023). De acordo com a Comissão Europeia, a bioeconomia circular pode ser definida pela produção de recursos biológicos renováveis e consequente conversão do fluxo de resíduos em produtos de valor acrescentado, tais como rações animais, produtos biológicos, alimentos e bioenergia. Assim, o conceito de economia circular culmina numa definição mais atual: a de bioeconomia circular (Stegmann et al. , 2020). O uso de algodão orgânico, com menor impacto ambiental do que o algodão convencional, a certificação GOTS ( Global Organic Textile Standard ) que atesta a utilização de fibras orgânicas em produtos têxteis provenientes de culturas tratadas com consumo reduzido de água e produtos não tóxicos, são algumas das tendências na tentativa de tornar este setor cada vez mais verde e sustentável (Centobelli et al. , 2022). O tingimento com corantes naturais é uma abordagem mais sustentável em detrimento da utilização de corantes sintéticos de base fóssil e é uma realidade de muitas tinturarias nacionais (Centobelli et al. , 2022). No projeto TexBion da Tintex Textiles desenvolveram-se malhas a partir de biopolímeros renováveis tingidas com corantes naturais (Portugal Têxtil, 2023). A Tintex em parceria com a Circular Systems propõem a utilização de extratos vegetais de compostos de origem natural como tomilho, castanheiro, folhas de gambir, entre outros para o tingimento têxtil em substituição das substâncias químicas utilizadas que produzem efluentes tóxicos e nocivos (Portugal Têxtil, 2021). Mais recentemente, tem surgido na indústria a utilização de corantes produzidos por microrganismos como bactérias, fungos e microalgas (Kramar e Kostic, 2022). 5 Na área dos acabamentos têxteis têm surgido novas abordagens sustentáveis e com menor impacto ambiental: a Acatel produziu o BioSoftener 4 , um acabamento feito à base de sementes de plantas e componentes de bioresíduos adequado para qualquer fibra que garante a redução até 60% da produção de CO2 em comparação com produtos com desempenho semelhante (Jornal T, 2022); a RDD Textiles , empresa do setor têxtil, recentemente desenvolveu uma linha de roupa interior que integra fibra de banana na sua composição, uma forma inovadora de reaproveitamento de resíduos (Jornal T, 2024); a Fafedry propõe um acabamento semelhante ao desgaste fade-out , com menor impacto ambiental. Implementou um novo processo de tingimento recorrendo a resíduos como casca de romã, amoreira, ruiva dos tintureiros, etc. e com resultados promissores em termos de solidez à luz, lavagem e fricção, tornando-se uma opção ecologicamente responsável (Portugal Têxtil, 2024). 2.2. Resíduos/subprodutos 2.2.1. Ouriços de castanha A castanha é um fruto de elevada importância comercial na Europa. Itália, França, Espanha e Portugal são os maiores produtores europeus de castanhas sendo a sua época de colheita no outono (Esposito et al. , 2019). A nível mundial, a China tornou-se o maior produtor de castanha chegando a produzir cerca de 1 milhão de toneladas deste fruto anualmente (Yang et al. , 2023). Cerca de 85% do fruto é comestível, mas ainda assim geram-se grandes quantidades de subprodutos/resíduos, como folhas, ouriços, tegumentos externos e internos cuja utilidade é subestimada (Esposito et al. , 2019). Os ouriços de castanha representam cerca de 10% do peso do fruto sendo que o seu destino acaba por ser a incineração (Yang et al. , 2023). Os ouriços de castanha são materiais lignocelulósicos caracterizados pela sua rigidez, dureza e impermeabilidade. Têm características hidrofóbicas graças à cera, resina e gordura que os constituem (Liang et al. , 2021). São compostos por baixas concentrações de proteína (3%) e lípidos (0,5%), elevadas quantidades de hidratos de carbono (60–80%) não digeríveis (lignanas, pectinas e fibras), água (20–30%). Além disso, os ouriços apresentam na sua constituição aminoácidos essenciais e não essenciais (1%) (Esposito et al. , 2019; Hu et al. , 2021; Pinto et al. , 2021). Apesar disso, os ouriços de castanha são uma fonte rica em compostos biologicamente ativos, como compostos fenólicos (Squillaci et al. , 2017). Assim, foram reportadas atividade 6 antioxidante (Lameirão et al. , 2020), anticancerígena (Cacciola et al. , 2019), anti-inflamatória (Cerulli et al. , 2021), antibacteriana (Wang et al. , 2023a) dos compostos fenólicos presentes nos ouriços de castanha. 2.2.2. Lúpulo O lúpulo ( Humulus lupulus L.) é uma planta da família Cannabaceae e é um dos componentes principais na fabricação de cerveja influenciando o aroma, amargor e espuma da cerveja (González-Salitre et al. , 2023). Mundialmente produzem-se entre 80 mil e 100 mil toneladas desta planta, que é maioritariamente utilizada para a produção de cerveja (Karlovic et al. , 2020). A nível europeu produz-se cerca de 50 mil toneladas de lúpulo por ano. O lúpulo tem na sua estrutura inflorescências (onde se localizam as flores) que desenvolvem cones onde estão acumulados os óleos e as resinas amargas da planta. Desta forma, o lúpulo é constituído por resinas (α-ácidos e β-ácidos), proteínas, compostos polifenólicos, gorduras, óleos, lípidos e celulose. Os óleos são importantes para a atribuição de aromas e sabores (Iglesias et al. , 2020; Sun et al. , 2022; González-Salitre et al. , 2023). Segundo Bedini et al. (2015), o lúpulo é uma fonte rica de óleos. A sua composição compreende proteínas e fibras (cerca de 23%), extrato livre de nitrogénio, cinzas e lípidos (cerca de 4,5%) (Karlovic et al. , 2020). O facto desta planta ter na sua constituição compostos polifenólicos confere-lhe propriedades anti-inflamatória, antialérgica, antimicrobiana, antioxidante, antienvelhecimento, entre outras que alargam muito as suas aplicações (González-Salitre et al. , 2023). 2.2.3. Dreche A dreche é o subproduto mais abundante da indústria cervejeira (Lynch et al. , 2016; Philippoussis, 2009). Mundialmente, produzem-se cerca de 39 milhões de toneladas de dreche por ano. Na Europa produzem-se cerca de 3,4 milhões de toneladas de dreche, cerca de 9% do produzido mundialmente. Por cada 100 L de cerveja produzida, são obtidos 20 kg de dreche (Ferrentino et al. , 2019), sendo que a maioria deste subproduto é utilizado como fonte de energia alternativa, ração animal, fertilizante ou desperdiçada apesar do seu enorme potencial de valorização. No que diz respeito à sua composição, a dreche é um material lignocelulósico composto por 20–30% de proteína, 20–70% de fibras como hemicelulose, celulose e lignina, 7 cerca de 10% de lípidos, compostos fenólicos e cinzas (Philippoussis, 2009; Lynch et al. , 2016; Karlovic et al. , 2020; Chetrariu e Dabija, 2023; Macias-Garbett et al. , 2021). A dreche, apresenta propriedades de interesse como por exemplo, atividade antioxidante e anti-inflamatória facultadas pelos compostos polifenólicos presentes, atividade anticancerígena e antidiabética (Lynch et al. , 2016; Ferrentino et al. , 2019; Chetrariu e Dabija, 2023). 2.2.4. Podas de videira As podas de videira são resíduos florestais abundantes em matéria lignocelulósica e correspondem a cerca de 93% dos subprodutos gerados na viticultura (Jesus et al. , 2022). Portugal ocupa o 11º lugar entre os principais produtores e exportadores de vinho a nível mundial. Desta forma, geram-se muitos resíduos orgânicos (bagaço de uva, podas de videira, borras, entre outros). Dados de 2019 revelam que se produziu em Portugal, na Europa e no mundo, respetivamente cerca de 3,4×105, 5,8×106 e 1,3×107 toneladas de podas de videira (Pereira et al. , 2023). Assim, dado o fluxo de produção, geralmente estes resíduos acabam por ser queimados levando à libertação de gases nocivos ao ambiente. O resíduo da poda de videira é uma fonte lignocelulósica constituída por uma percentagem significativa de celulose (cerca de 40%), hemicelulose (entre 6–27%), lignina (entre 26–47%) e outros componentes minoritários como lípidos, proteínas, vitaminas e compostos fenólicos (Jesus et al. , 2022; Pereira et al. , 2023). De modo a solucionar o problema da geração destes resíduos, algumas estratégias têm sido implementadas. Jesus et al. (2017) propõem a implementação de duas auto hidrólises consecutivas seguidas de uma hidrólise enzimática e fermentação para a produção de bioetanol tendo como fonte de biomassa as podas de videira. Adicionalmente, durante este processo é possível recuperar alguns xilo-oligossacarídeos com potencial prebiótico e compostos fenólicos com atividade antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e anticancerígena. Araújo et al. (2023) propõem a obtenção de fibras de celulose a partir de podas de videira para a criação de produtos com valor acrescentado. As fibras de celulose podem ser aplicadas na produção de espumas, filmes, revestimentos, compósitos para a indústria automóvel, aeronáutica e civil, modificação de superfícies e dispositivos médicos (Abitbol et al. , 2016). 8 2.2.5. Caules da planta do tabaco A planta do tabaco ( Nicotiana tabacum L.) é uma importante cultura presente no mundo cultivada em diversas regiões como China, India, Brasil e EUA (Gao et al. , 2019; Sun et al. , 2019). Em 2022, a produção de caules de planta de tabaco atingiu as 5,8 milhões de toneladas, sendo que o descarte e a queima acabam por ser as soluções para estes resíduos contribuindo para poluição dos solos e libertação de toxinas ou gases com efeito de estufa (Hu et al. , 2024). Alguns estudos reportam que o tabaco contém na sua constituição inúmeras substâncias com enorme potencial como alcaloides (onde se inclui a nicotina), polifenóis, terpenóides, óleos essenciais, compostos aromáticos álcoois, e fitoesteróis (Shen e Shao, 2006; Zou et al. , 2021a; Banožić et al. , 2020). Estes compostos apresentam propriedades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana (Zou et al. , 2021a). 2.3. Potencial bioativo dos resíduos/subprodutos Os compostos bioativos são metabolitos secundários, ou seja, substâncias químicas encontradas em plantas, alimentos e outras fontes naturais (frutas, legumes, árvores, óleos, frutos secos e cereais) (Rani et al. , 2021; Pai et al. , 2022) e que podem ser extraídos por microrganismos (fungos, bactérias, vírus, algas, etc.). Quimicamente, estas substâncias são maioritariamente hidrofóbicas e apresentam uma solubilidade reduzida (Khezerlou e Jafari, 2020). A importância destes compostos reside nas suas inúmeras propriedades como atividade anti-inflamatória e antioxidante (redução da oxidação das células), antimicrobiana, anticancerígena e antidiabética (proteção do sistema imunitário) (Lemes et al. , 2022; Rani et al. , 2021). Os compostos bioativos subdividem-se em diferentes grupos: terpenos e terpenóides (aproximadamente 25000 tipos), alcaloides (cerca de 12000 tipos) e compostos fenólicos (aproximadamente 8000 tipos) (Khezerlou e Jafari, 2020). Os compostos fenólicos são os metabolitos secundários mais abundantes nas plantas. Estes fitoquímicos são uma importante subclasse de compostos bioativos. São compostos que se degradam facilmente, sensíveis ao oxigénio, calor e luz (Ayad e Akkal, 2019; Khezerlou e Jafari, 2020). A extração dos compostos fenólicos pode ser efetuada por diferentes métodos nomeadamente por solventes orgânicos; assistida por enzimas ou ultrassons; por Soxhlet; por fluídos supercríticos; entre outros (Shi et al. , 2022). Para além disso, a quantidade e tipo de compostos extraídos depende do método de extração utilizado, da natureza química e 9 propriedades destas substâncias, do tamanho das partículas, da presença de outros compostos que interfiram na extração e das condições de armazenamento. Assim, a eficiência de extração depende de outros fatores como o solvente, pH do meio, natureza do material, tempo de extração, temperatura, granulometria da matéria-prima e rácio sólido/líquido (Alara et al. , 2021). Atualmente, um dos maiores problemas industriais é a produção de inúmeras quantidades de resíduos e subprodutos cujo descarte ou desperdício tem um enorme impacto ambiental (Reguengo et al. , 2022). Segundo a Comissão Europeia, o termo resíduo diz respeito a algo que sobra ou matéria que permanece após terem sido aplicados processos de recuperação do produto principal e subproduto refere-se a qualquer substância resultante do processo de produção em que a sua obtenção não é o objetivo primário (Comissão Europeia, 2024a; Comissão Europeia, 2024b). Por todo o mundo são produzidos cerca de 190 milhões de toneladas de subprodutos como folhas, sementes, bagaços, cascas, melaços, caules, matérias-primas danificadas ou outros resíduos gerados ao longo do processo (Rațu et al. , 2023). Normalmente, o descarte desta matéria orgânica é feito em aterros com a libertação de gases com efeito de estufa, onde a proliferação de microrganismos aumenta e se ocupam grandes áreas de solo (Reguengo et al. , 2022). Assim, a valorização destes subprodutos e resíduos em diferentes indústrias surge como uma alternativa e reduz a sua pegada ecológica. Atualmente esta matéria orgânica tem sido implementada na produção de energia como biogás, bioetanol e bio hidrogénio (Domínguez-Bocanegra et al. , 2015). Panzella et al. (2020) resume os diferentes compostos bioativos que podem ser extraídos de subprodutos frutíferos, vegetais e lignocelulósicos. Exemplos disso são as cascas de romãs ricas em elagitaninos como a pulicanina e punicalagina que apresentam atividade antioxidante e podem ser implementadas na cosmética, farmacêutica ou alimentação funcional (Sarkar et al. , 2024). As cascas de cebola são outro subproduto composto por substâncias bioativas que o podem tornar um ingrediente funcional com propriedades prebióticas. Para além disso, este subproduto pode ser utilizado como bio estimulante na proliferação do crescimento de microalgas ou ser integrado em processos fermentativos, hidrólise enzimática, entre outros. para a produção de ácidos orgânicos, polissacáridos, biocombustíveis e pigmentos (Zhang et al. , 2024). 10 Na indústria têxtil, os compostos bioativos extraídos de resíduos e subprodutos são igualmente implementados. Estas substâncias bioativas podem ser utilizadas como agentes antimicrobianos e corantes para o tingimento de substratos têxteis. Um exemplo disso é a utilização de extratos das folhas de canforeiro com potencial antibacteriano no tingimento de têxteis (Nguyen et al. , 2024). 2.4. Funcionalização têxtil e a sua importância O mercado dos têxteis funcionais tem vindo a crescer ao longo dos anos. Em 2022, estava avaliado em 128,86 biliões de euros, esperando-se um crescimento a uma CAGR de 7,7% entre 2023 e 2031 (Growth Market Reports, 2024). A Ásia-Pacífico tem sido a região dominante neste mercado sendo responsável por 53,3% da receita em 2022. Já a Europa e os EUA assumem uma posição secundária neste mercado sendo que principalmente, a Alemanha, França, Itália e Reino Unido têm desenvolvido têxteis inovadores existindo muita margem de progressão (Grand View Research, 2023). Assim, os têxteis inteligentes, técnicos ou funcionais possuem propriedades físicas e químicas específicas, para além das propriedades intrínsecas aos substratos têxteis (Liu et al. , 2019). Em particular, a funcionalização têxtil refere-se ao processo de incorporação de propriedades funcionais em têxteis como por exemplo, antioxidante, antimicrobiana, proteção UV, hidrofobicidade, hidrofilidade, retardância à chama (Klinkhammer et al. , 2024), repelência a nódoas (Hanumansetty et al. , 2012), anti-vincos (Fang, 2018) e regulação de temperatura (Pakdel e Wang, 2023), entre outros. Estas funcionalidades podem ser incorporadas em vestuário de proteção, fardas, têxteis para a área do desporto, médica e automóvel (Klinkhammer et al. , 2024). São muitos os métodos de funcionalização têxtil. Alguns dos mais utilizados na indústria têxtil são o esgotamento, impregnação e o spray-coating (Gries et al. , 2015; Singh, 2021). O método de esgotamento consiste em introduzir o substrato têxtil num recipiente fechado (geralmente um aparelho de tingimento, por exemplo Mathis Labomat ) numa solução aquosa com os agentes funcionais (banho de esgotamento), utilizando agitação contínua, controlo do tempo e temperatura tal como apresentado na Figura 2. A designação banho de esgotamento deve-se ao fato de a concentração do agente funcional na solução ir diminuindo gradualmente à medida que se fixa no material têxtil. O processo termina quando é alcançado 17 Figura 5. Ouriços de castanha. 3.1.2. Lúpulo O lúpulo, ilustrado na Figura 6, subproduto da indústria cervejeira foi fornecido pela Cervejaria Letra sob a forma de lúpulo fresco. O seu armazenamento e conservação foram assegurados pela congelação do mesmo até à sua utilização. Figura 6. Lúpulo fresco descongelado. 3.1.3. Dreche A dreche, foi igualmente cedida pela Cervejaria Letra, sendo um subproduto desta indústria. Neste caso, foi necessária a secagem do resíduo no secador em tapete Roqtunnel T3080E, apresentada na Figura 7, a 50 ᵒC durante 5 dias com ventilação, até peso constante. Após a secagem, este resíduo, ilustrado na Figura 8, foi posteriormente adequado em diferentes granulometrias conforme explicado no subcapítulo 1.2.1. Adequação do resíduo/subproduto. 18 Figura 7. Secador em tapete Roqtunnel T3080E. Figura 8. Dreche seca. 3.1.4. Podas de videira As podas de videira, ilustradas na Figura 9, foram cedidas pela Quinta de Amares. Primeiramente, o resíduo foi partido manualmente e seco a 50 ᵒC no secador em tapete Roqtunnel T3080E da ROQ , durante 1 dia. De seguida, as podas de videira foram moídas no primeiro crivo (10 mm) e secas novamente a 50 ᵒC, durante 1 dia. Por fim, o resíduo foi adequado em diferentes granulometrias e seco no secador em tapete Roqtunnel T3080E, a 50 ᵒC, durante 1 dia (até peso constante). 19 Figura 9. Podas de videira secas. 3.1.5. Caules de planta de tabaco Os caules de planta de tabaco apresentados na Figura 10 foram cedidos pela CETARSA, empresa espanhola que comercializa tabaco em rama. Neste caso, não foi necessária a adequação deste resíduo, uma vez que este já se encontrava com uma granulometria < 1 mm. Figura 10. Caules de planta de tabaco. 3.2. Reagentes Os reagentes utilizados ao longo deste trabalho, encontram-se na Tabela 2, com o seu respetivo fabricante. 20 Tabela 2. Lista dos reagentes e respetivo fabricante utilizados no trabalho Reagentes Fabricante Etanol absoluto 99,8% (EtOH) Fisher Scientific , Reino Unido Fosfato de sódio dibásico heptahidratado (Na2HPO4.7H2O) Merck Millipore , Alemanha Fosfato de sódio monobásico monohidratado (NaH2PO4.H2O) Merck Millipore , Alemanha Tween 80 (C64H124O26) CRODA, Reino Unido Amido cationizado COPAM (Companhia Portuguesa de Amidos), Portugal Carbonato de sódio (Na2CO3) Merck Millipore , Alemanha Folin–Ciocalteu PanReac AppliChem , Espanha Ácido gálico Fisher Scientific , Alemanha Celulase (NewCell Supreme 40000L) Aquitex , Portugal Pectinase (Newprep 3000L) NewEnzymes , Portugal Xilanase Sunson Enzymes , China ECE não fosfatado Enterprises Limited 3.3. Métodos Ao longo deste trabalho foram utilizados diferentes métodos nas várias etapas previstas, nomeadamente na adequação do resíduo, preparação das infusões, otimização das condições de extração dos óleos, filtração dos extratos, obtenção dos óleos naturais e funcionalização dos substratos têxteis. 3.3.1. Adequação do resíduo/subproduto A adequação do resíduo/subproduto diz respeito à diminuição do tamanho e uniformização do tamanho de partícula para facilitar a extração dos óleos. A dreche, os ouriços de castanha e as podas de videira foram adequadas aos crivos 10 mm, 4 mm, 1 mm e 0,25 mm representados na Figura 11. (b) utilizando-se o moinho de lâminas Retsch SM 300 apresentado na Figura 11. (a). 21 Figura 11. (a) Moinho de lâminas Retsch SM 300 utilizado na adequação dos resíduos/subprodutos; (b) (i) crivo 10 mm, (ii) crivo 4 mm, (iii) crivo 1 mm, (iv) crivo 0,25 mm. 3.3.2. Condições de extração de óleos naturais do resíduo/subproduto Posteriormente à adequação do resíduo/subproduto procedeu-se à obtenção das infusões no equipamento Mathis Labomat , apresentado na Figura 12, utilizado na indústria têxtil no tingimento por esgotamento à escala laboratorial. Figura 12. Mathis Labomat . Assim, para todas as condições testadas utilizou-se um volume de 150 mL de solvente em copos de 300 mL, a 50 ᵒC durante 2 horas com gradiente de temperatura de 2 ᵒC/min. As extrações efetuaram-se com diferentes solventes: 100% H2O, 95% EtOH, 100% Tampão Fosfato e com diferentes quantidades de resíduo/subproduto (% de sólidos). Adicionalmente, foram testadas extrações enzimáticas com as seguintes concentrações: 1.67% (v/v) de celulase (i) (ii) (iii) (iv) (b) (a) 22 ( NewCell Supreme 40000L ), 1,67% (v/v) de pectinase ( Newprep 3000L ) ou 33,3% (m/v) de xilanase, ou uma combinação de duas adequando-se a utilização de enzimas a cada resíduo/subproduto para maximizar o rendimento de extração. Para as condições enzimáticas, utilizou-se tampão fosfato (pH 7) como solvente, para manter o pH do meio constante. De uma forma sucinta, na Tabela 3 encontra-se o esquema representativo de todas as condições testadas ao longo do trabalho para cada granulometria de resíduos/subprodutos. Tabela 3. Condições testadas na preparação das diferentes infusões Resíduo/ Subproduto Prétratamento % sólidos Solvente Enzimas Ouriços 0,25 mm Ouriços 1 mm Ouriços 4 mm Ouriços 10 mm ------ 30% 20% 10% 95% EtOH 100% H2O 100% Tampão Fosfato Xilanase Celulase Xilanase + Celulase Lúpulo fresco descongelado ------ 30% 20% 50% EtOH 100% H2O Celulase Pectinase Celulase + Pectinase Ultrassons 6,67% 95% EtOH 50% EtOH Dreche 0,25 mm Dreche 1 mm Dreche 4 mm Dreche 10 mm ------ 30% 20% 10% 95% EtOH 100% H2O 100% Tampão Fosfato Xilanase Pectinase Xilanase + Celulase Xilanase + Pectinase Pectinase + Celulase Podas de videira 0,25 mm Podas de videira 1 mm Podas de videira 4 mm Podas de videira 10 mm ------ 30% 20% 10% 95% EtOH 100% H2O 100% Tampão Fosfato Xilanase Celulase Celulase + Xilanase Caules de planta de tabaco ------ 20% 10% 95% EtOH 100% H2O 100% Tampão Fosfato Celulase Pectinase Celulase + Pectinase 23 3.3.3. Filtração das infusões De seguida, procedeu-se à filtração das infusões na bomba de vácuo VWR VP 220 apresentada na Figura 13, com papel de filtro 90 mm para separar a fase sólida (resíduo/subproduto) da fase líquida (mistura de solvente + solução extraída do resíduo). Figura 13. Bomba de vácuo VWR VP 220 . 3.3.3.1. Avaliação do teor fenólico das infusões pelo método Folin-Ciocalteu Nesta etapa, procedeu-se à determinação da massa de compostos fenólicos presentes em todas as condições testadas da Tabela 2, em equivalente em ácido gálico (EAG), composto fenólico mais usado como referência neste ensaio, uma vez que é uma substância estável, com elevada pureza e económica (Martins et al. , 2021). O método Folin-Ciocalteu baseia-se numa reação oxidação-redução em que há transferência de eletrões do composto antioxidante para o reagente Folin-Ciocalteu , que atua como espécie oxidante. Mais detalhadamente, esta reação em que há transferência de eletrões para os complexos de ácido fosfotúngstico/fosfomolíbdico presentes no reagente de Folin-Ciocalteu , em meio alcalino, permite que ocorra uma mudança de cor de amarelo para azul, na presença de compostos fenólicos. Os complexos azuis que se formam quando ocorre a reação são detetados num comprimento de onda 765 nm (Peréz et al. , 2023). No que diz respeito à determinação da massa dos compostos fenólicos presentes nas infusões, preparou-se a solução de Folin-Ciocalteu e a solução de carbonato de sódio. Para além disso, determinou-se a curva padrão de ácido gálico que relaciona a massa de ácido gálico com a absorvância e permite a quantificação dos compostos fenólicos presentes nas amostras. • Solução de Folin-Ciocalteu 25% (v/v) 24 Preparou-se uma solução de Folin-Ciocalteu 25% (v/v) em água destilada. Esta formulação deve ser preparada em ambiente escuro e no próprio dia do ensaio, uma vez que este é um reagente sensível à luz. • Solução de carbonato de sódio 3,8% (m/v) Preparou-se uma solução de carbonato de sódio 3,8% (m/v) em água destilada. Esta solução foi deixada em repouso por 12 horas e armazenada até 1 mês no frigorifico. • Curva padrão de ácido gálico Preparou-se uma solução stock de 1 g/L de ácido gálico em água. Seguidamente, preparam-se diluições intermédias a partir da solução stock para as seguintes concentrações: 100 mg/L, 200 mg/L, 300 mg/L, 400 mg/L, 500 mg/L, 600 mg/L, 700 mg /L, 800 mg/L, 900 mg/L. A água destilada foi utilizada como solvente de diluição. Seguidamente, preparou-se a curva padrão. Retiraram-se 50 μL de cada diluição intermédia, adicionou-se 1 mL da solução de Folin-Ciocalteu 25% (v/v) e 4 mL da solução de carbonato de sódio 3,8% (m/v) em frascos de vidro. Foi incluído um branco: 50 μL de água destilada, 1 mL da solução de Folin-Ciocalteu 25% (v/v) e 4 mL da solução de carbonato de sódio 3,8% (m/v). As amostras reagiram durante 2 horas, à temperatura ambiente e em ambiente escuro. A leitura das mesmas foi efetuada em triplicado no suporte de amostras líquidas do espectrofotómetro UV-vis SHIMADZU UV-2600i . apresentado na Figura 14 no comprimento de onda 765 nm. A curva padrão obtida encontra-se na Anexo 1. Figura 14. Espectrofotómetro UV-vis SHIMADZU UV-2600i. Relativamente às infusões, aplicou-se o protocolo de forma análoga: 50 μL de infusão + 1 mL da solução de Folin-Ciocalteu 25% (v/v) + 4 mL da solução de carbonato de sódio 3,8% (m/v). O cálculo da massa de ácido gálico das infusões procede-se segundo a Equação 1, em que FD corresponde ao fator de diluição, nos casos aplicáveis. 25 𝑚á𝑐𝑖𝑑𝑜 𝑔á𝑙𝑖𝑐𝑜(𝑚𝑔) =(𝐴𝑏𝑠𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 −𝐵𝑟𝑎𝑛𝑐𝑜)− 𝑜𝑟𝑑𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎 𝑐𝑢𝑟𝑣𝑎 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝑑𝑒𝑐𝑙𝑖𝑣𝑒𝑐𝑢𝑟𝑣𝑎 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 ×𝐹𝐷 Equação 1 De seguida, calculou-se a concentração de compostos fenólicos [fenólicos] (mgEAG/gresíduo) em cada amostra, tal como apresentado na Equação 2, em que Vamostra diz respeito a 50 μL da amostra em análise, neste caso infusão. [𝑓𝑒𝑛ó𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠](𝑚𝑔𝐸𝐴𝐺 𝑔𝑟𝑒𝑠í𝑑𝑢𝑜)= 𝑚𝐸𝐴𝐺 𝑚é𝑑𝑖𝑎 ×𝐹𝐷 𝑚𝑟𝑒𝑠í𝑑𝑢𝑜 𝑉𝑠𝑜𝑙𝑢çã𝑜×𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 Equação 2 3.3.4. Obtenção dos óleos naturais por evaporação Nesta etapa, utilizou-se o evaporador rotativo IKA RV 3 V , apresentado na Figura 15, para concentrar os óleos naturais presentes nas infusões. O evaporador rotativo é um equipamento laboratorial constituído pelo condensador, banho de aquecimento e balão de evaporação. O banho de aquecimento aquece a mistura do balão de evaporação, promovendo a evaporação do solvente. O condensador arrefece o vapor que se gera e converte-o em líquido que é recolhido num frasco separado. Desta forma, este aparelho é útil para separar solventes de uma solução e é utilizado nos processos de evaporação, concentração e cristalização de produtos (IKA, 2024). Assim, para cada condição testada mediu-se o volume de infusão obtida e procedeuse à evaporação da mesma. O evaporador operou nas seguintes condições: Ttorre de arrefecimento =5 °C; Tbanho de aquecimento =33 °C; vagitação da bomba =285 rpm. Figura 15. Evaporador Rotativo IKA RV 3 V . Após este processo foi possível calcular o rendimento das extrações tal como apresentado na Equação 3. 26 Rendimento de Extração ( góleo gresíduo ∙mL) = móleo mresíduo ×Vlíquido extração Equação 3 3.3.4.1. Estabilidade e conservação dos óleos naturais Relativamente à estabilidade, após a obtenção dos óleos naturais por evaporação estes foram armazenados na estufa a 50 ᵒC, durante 30 minutos. Posteriormente, os óleos foram colocados no exsicador até que a massa do óleo fosse constante. Esta etapa é necessária para remover a água que possa não ter sido evaporada concentrando o óleo. No que diz respeito à conservação dos óleos, de seguida estes foram armazenados no frigorífico até nova utilização (avaliação das propriedades funcionais e aplicação nos substratos têxteis). 3.3.4.2. Teste preliminar para avaliação da existência de óleos naturais Esta etapa teve como objetivo avaliar a existência de óleos naturais extraídos no evaporador rotativo e a sua comparação com o óleo de rícino. Este é um óleo vegetal utilizado comercialmente na indústria química obtido pela prensagem das sementes do rícino (Patel et al. , 2016). Assim, adicionou-se 30 mL de água destilada num gobelé e posteriormente 1 mL de óleo de rícino. Procedeu-se de forma análoga para quatro dos óleos extraídos dos diferentes resíduos/subprodutos: Ouriços de castanha 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato, Dreche 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato, Podas de Videira 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato e Caules de Planta de Tabaco 10% s 100% Tampão Fosfato. De acordo com o seu comportamento na água comparativamente com o óleo de rícino foi possível a atribuição da sua nomenclatura. 3.3.4.3. Avaliação do teor fenólico dos óleos naturais pelo método FolinCiocalteu De forma análoga ao subcapítulo 3.3.3.1.Avaliação do teor fenólico das infusões pelo método Folin-Ciocalteu, aplicou-se o mesmo método para determinação do teor fenólico dos óleos naturais e calculou-se a massa de ácido gálico presente em cada amostra. Nesta etapa foi necessário diluir os óleos previamente. Utilizaram-se os seguintes fatores de diluição: Ouriços de castanha (FD=500); Dreche (FD=20); Podas de videira (FD=10); Caules de planta de tabaco (FD=100). 3.3.4.4. Avaliação das propriedades antioxidantes dos óleos naturais As propriedades antioxidantes dos óleos foram avaliadas recorrendo-se ao método DPPH (2,2-difenil-1-picrilhidrazil). Este é um teste colorimétrico em que os compostos antioxidantes doam eletrões para neutralizar o radical DPPH (Munteanu e Apetrei, 2021). Esta reação é acompanhada pela alteração de cor do DPPH de roxo para amarelo no comprimento 33 planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O e 2 Controlos (malha 100% algodão e malha com prétratamentos). 3.3.5.3. Avaliação da repelência à água dos substratos têxteis Primeiramente, foi efetuado um estudo preliminar para avaliar o potencial de repelência das amostras têxteis. Para tal, aplicou-se 50 μL de água destilada em cada um dos substratos têxteis funcionalizados e cronometrou-se o tempo que a gota de água demorou a ser absorvida. Este ensaio foi repetido seis vezes em diferentes zonas do substrato têxtil. Nos substratos têxteis com tempo superior a 3 minutos foi determinado o ângulo de contacto com recurso ao tensiómetro Biolin Scientific Attension Theta Flex , apresentado na Figura 23. Cada gota de água destilada com 3 μL é dispensada automaticamente pelo equipamento, permitindo contabilizar o ângulo de contacto formado entre a superfície têxtil e a gota de água (Huhtamäk et al. , 2018). Este procedimento foi repetido 5 vezes em diferentes zonas do substrato têxtil. Figura 23. Tensiómetro Biolin Scientific Attension Theta Flex . A classificação quantitativa da caracterização de um substrato têxtil de acordo com a hidrofobicidade e hidrofilidade é feita segundo os critérios da Tabela 4. Tabela 4. Critérios para a caracterização das superfícies têxteis quanto à sua hidrofobicidade ou hidrofilidade Ângulo, Ɵ (ᵒC) Classificação Ɵ< 90 ᵒC Hidrofílico Ɵ> 90 ᵒC Hidrofóbico Ɵ> 150 ᵒC Super hidrofóbico 3.3.5.4. Lavagem dos substratos têxteis funcionalizados A lavagem das malhas foi realizada na Mathis Labomat com uma solução de ECE não fosfatado a 4 g/L em água destilada. Cada malha com 750 mg foi cortada e colocada em 34 copos de 100 mL juntamente com 50 mL da solução de ECE não fosfatado. A lavagem foi efetuada a 40 ᵒC, durante 30 minutos, a 2 ᵒC/minuto e 25 rpm. Após a lavagem, as amostras foram secas à temperatura ambiente. Posteriormente, mediram-se os ângulos de contacto de cada malha analisada de forma análoga ao mencionado no subcapítulo 3.3.5.3.Avaliação da repelência à água dos substratos têxteis . Este procedimento foi aplicado apenas aos substratos têxteis com ângulo de contacto superior a 150 ᵒC, ou seja, com melhores resultados em termos de repelência à água. 3.3.5.5. Avaliação da proteção UV dos substratos têxteis A proteção UV foi testada na totalidade dos substratos têxteis funcionalizados segundo a norma australiana/neozelandesa: AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothingEvaluation and classification no espectrofotómetro UV-vis SHIMADZU UV-2600i . A malha foi inserida no suporte para amostras sólidas do equipamento e mediu-se a transmitância na gama de comprimento de onda 290-400 nm, 6 vezes em zonas diferentes do substrato têxtil. Após a aquisição quantitativa da transmissão de radiação UV através do substrato têxtil, o índice UPF é calculado utilizando a Equação 7. UPF=∑Eλ×Sλ×∆λ 400 290 ∑Eλ×Sλ×Tλ×∆λ 400 290 Equação 7 Em que: 𝐸𝜆= Eficiência espectral eritematosa (Valores na norma AS/NZS 4399:1996) 𝑆𝜆= Irradiância espectral solar (W.m−2.nm−1) (Valores na norma AS/NZS 4399:1996) 𝑇𝜆= Transmitância espectral do material têxtil ∆𝜆= Amplitude do intervalo (nm) 𝜆= comprimento de onda (nm) Posteriormente, classifica-se qualitativamente o nível de proteção UV de acordo com a norma AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothing– Evaluation and classification seguindo os critérios da Tabela 5. Tabela 5. Classificação qualitativa da proteção UV Índice UPF Classificação qualitativa 15-24 Bom 25-39 Muito Bom 40 ou mais Excelente 35 3.3.5.6. Caracterização colorimétrica dos substratos têxteis Para a caracterização colorimétrica dos substratos têxteis, selecionaram-se os substratos têxteis que apresentaram índice UPF e analisaram-se no colorímetro Datacolor Spectro 750 , de forma análoga ao mencionado no subcapítulo 3.3.4.7. Caracterização colorimétrica dos óleos naturais. 3.3.5.7. Caracterização química dos substratos têxteis A caracterização química dos substratos têxteis foi efetuada de forma análoga para as malhas correspondentes aos óleos analisados por FTIR, utilizando esta técnica. Os substratos têxteis analisados foram as malhas funcionalizadas com os óleos das seguintes condições: Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O, Dreche 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O, Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O e Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e as duas malhas controlo (malha 100% algodão sem nenhum tratamento e malha 100% algodão com Tween 80 , água e amido). 4. Resultados e Discussão Tal como supramencionado, os óleos extraídos dos resíduos/subprodutos em estudo foram aplicados em malhas de algodão, tendo sido estudados o conteúdo fenólico, as propriedades antioxidantes, antimicrobianas, proteção UV e hidrofobicidade das mesmas. Assim, nesta secção apresentar-se-ão os resultados obtidos neste trabalho. 4.1. Extrações dos óleos naturais: infusões naturais Como supramencionado, a obtenção das infusões foi efetuada na Mathis Labomat. De seguida, obtiveram-se misturas com as infusões e o resíduo/subproduto utilizado (Anexo 2). Analisando o Anexo 2, nomeadamente a Figura A2, no que diz respeito aos ouriços de castanha, verifica-se que 30% sólidos (45 g de resíduo) foi uma quantidade de resíduo inapropriada para o volume de solvente utilizado (150 mL). Para além disso, a granulometria 10 mm ocupa uma grande área superficial no gobelé sendo inadequada à extração de óleos naturais, já que não foi possível a obtenção de líquido de extração Figura A2 (d). Desta forma, diminuiu-se a quantidade de sólidos para 20% sólidos (30 g de resíduo) sendo que esta adaptação não se mostrou verdadeiramente eficaz no aumento de volume de líquido de extração (Figura A3). Assim, diminuiu-se ainda mais a percentagem de sólidos para 10% sólidos (15 g de resíduo) sendo que esta alteração permitiu a obtenção de mais volume de líquido de 36 extração (Figura A4). Deste modo, a percentagem de sólidos preferencial para a extração de óleos naturais de ouriços de castanha foi 10% sólidos. Relativamente ao lúpulo, a utilização de 20% sólidos ou 30% sólidos não teve uma diferença significativa no volume de líquido de extração obtido (Figura A5). Provavelmente isso aconteceu, porque o lúpulo se encontrava congelado e o seu estado físico pode ter tido influência no sucesso de extração. De forma análoga aos ouriços de castanha, a percentagem de sólidos 30% não foi adequada para a extração de óleos naturais de dreche (Figura A6). Assim, precisou-se de reduzir para 10% sólidos para se obter uma quantidade significativa de líquido de extração. Deste modo, 10% sólidos foi a percentagem de sólidos mais adequada (Figura A8). Relativamente às podas de videira, 10% sólidos (Figura A10) foi a percentagem de sólidos preferencial em comparação com 20% sólidos (Figura A9), já que foi a que obteve uma maior quantidade de líquido de extração. De forma análoga às podas de videira, verifica-se que 10% sólidos foi a quantidade ideal de resíduo em relação ao volume de líquido para os caules de planta de tabaco (Figura A11). Um aumento de percentagem de sólidos, significaria uma diminuição do volume de líquido de extração. 4.1.1. Rendimentos de extração dos óleos naturais No final da obtenção dos óleos naturais registou-se o volume das infusões, a duração de cada evaporação e a massa dos óleos naturais após a sua estabilização apresentados no Anexo 4 nas Tabelas A2 a A6 para os diferentes resíduos/subprodutos. De seguida, foi possível calcular os rendimentos de extração para cada uma das condições e resíduos/subprodutos com 20% sólidos e 10% sólidos. Os rendimentos de extração resultaram de uma experiência única, não tendo sido efetuado o cálculo do valor médio e desvio padrão. Para algumas condições, obtiveram-se rendimentos em óleo natural com 30% sólidos para os ouriços de castanha e dreche apresentados no Anexo 5 (Figura A12 e Figura A13, respetivamente). Importa referir que a maior parte das extrações etanólicas (95% EtOH) à exceção das efetuadas para o subproduto caules de planta de tabaco não foram bemsucedidas, pelo que não se obtiveram rendimentos de extração para essas condições. Na Figura 24, encontram-se os rendimentos de extração dos óleos naturais em função das condições estudadas para 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm dos ouriços de castanha. 37 Figura 24. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm – Ouriços de castanha. Através da Figura 24, verifica-se que das três granulometrias testadas a que se destaca com maiores rendimentos de extração é a de 1 mm, seguida das granulometrias 0,25 mm e 4 mm com valores próximos entre si. De acordo com Goben et al. (2022), quanto maior o tamanho da partícula ou granulometria, menor é o rendimento de extração de óleo, uma vez que as partículas de maiores dimensões apresentam uma menor área superficial de contacto sendo mais resistentes à extração, refletindo-se em menores rendimentos. Importa mencionar que as extrações aquosas apresentaram menores rendimentos comparativamente com as extrações efetuadas com tampão fosfato. As condições enzimáticas conduziram a valores semelhantes às condições aquosas e com tampão fosfato, nas quais as enzimas permitiram extrair maior quantidade de óleo. Ricochon e Muniglia, 2010 mencionam a utilização de enzimas na quebra da parede celular 38 das células constituintes da matéria vegetal na libertação dos óleos. Assim, a implementação de processo enzimáticos podem potenciar a extração de óleos naturais. A utilização de xilanase com 20% sólidos e 10% sólidos foi o resultado em que se obteve um maior valor de rendimento de extração no que diz respeito às condições enzimáticas. Para este resíduo, não se verificou uma influência significativa da percentagem de sólidos nos rendimentos de extração, uma vez que os valores obtidos foram muito semelhantes entre si, comparando as condições testadas. Relativamente à extrações efetuadas para o lúpulo, apenas a condição 30% sólidos 50% EtOH, obteve um rendimento de extração de 0,010 góleo/gresíduo.mL Na Figura 25, encontram-se os rendimentos de extração dos óleos naturais em função das condições estudadas para 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm da dreche. Figura 25. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm – Dreche. 39 Através da Figura 25, de uma forma geral as granulometrias 1 mm e 0,25 mm apresentaram maiores valores de rendimento de extração de óleo de dreche. Tal é justificado pela influência do tamanho da partícula, no aumento ou diminuição da área superficial de contacto que interfere no rendimento de extração de óleo. Nas condições enzimáticas verifica-se a influência das granulometrias inferiores na extração mais eficiente de óleo natural de dreche. Aqui, evidencia-se não só a influência do menor tamanho de partícula bem como o impacto das enzimas como fatores determinantes no rendimento de extração. Torna-se relevante mencionar que os rendimentos de extração enzimáticos apresentaram valores semelhantes aos maiores rendimentos obtidos utilizando 100% H2O e 100% Tampão Fosfato. Assim, as extrações enzimáticas permitiram extrair mais quantidade de óleo de dreche comparativamente com as outras extrações. A utilização combinada de enzimas obteve valores semelhantes às condições com apenas uma enzima. Na Figura 26, encontram-se os rendimentos de extração dos óleos naturais em função das condições estudadas para 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm, 4 mm e 10 mm das podas de videira. Analisando a Figura 26, de uma forma geral, para as menores granulometrias (0,25 mm e 1 mm) obtiveram-se maiores rendimentos de extração do que para as granulometrias superiores, como supramencionado para os óleos de ouriços e dreche. As partículas das podas de videira com granulometria 10 mm apresentaram rendimentos de extração inferiores, uma vez que a sua área de superfície e tamanho de partícula elevadas interferiram na eficácia da extração (Prasedya et al. , 2021). Os maiores rendimentos de extração foram obtidos com 100% Tampão Fosfato com 10% sólidos. Importa referir que, para o resíduo podas de videira, para a mesma condição quanto menor a percentagem de sólidos, maior é o rendimento de extração. Observa-se que para 10% sólidos se obtêm maiores valores de rendimentos de extração. Por exemplo, o rendimento de extração de óleo de podas de videira na condição 0,25 mm celulase 20% sólidos é inferior ao rendimento do óleo extraído na condição 0,25 mm celulase 10% sólidos. Neste caso, verificase igualmente a influência das enzimas que proporcionaram rendimentos de extração superiores comparativamente com as extrações não enzimáticas. 40 Figura 26. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm, 4 mm e 10 mm – Podas de videira. Na Figura 27, encontram-se os rendimentos de extração dos óleos naturais em função das condições estudadas para 20% sólidos e 10% sólidos para a granulometria < 1 mm dos caules de planta de tabaco. No que concerne à Figura 27, relativamente às condições não enzimáticas, obtiveramse rendimentos de extração muito semelhantes, não se verificando a influência da percentagem de sólidos no rendimento de extração. Para este subproduto, foi possível a extração de óleo ainda que com um rendimento de extração bastante inferior. Verifica-se a influência positiva das enzimas no rendimento de extração de óleo. Isto porque, se obtiveram valores superiores comparativamente com as extrações não enzimáticas. Importa mencionar que nas extrações enzimáticas quanto menor a percentagem de sólidos, maior o rendimento de extração de óleo. Para além disso, a utilização simultânea de duas 41 enzimas celulase e pectinase não potenciou a extração de maior quantidade de óleo. Isso pode ter acontecido, porque a combinação de enzimas nem sempre é mais eficiente na rutura da parede celular da matéria vegetal dificultando o acesso aos lípidos e seus compostos intrínsecos (Puri et al. , 2012; Siedentop et al. , 2021). Figura 27. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para a granulometria < 1 mm– Caules de planta de tabaco. 4.1.2. Conteúdo fenólico total das infusões O conteúdo fenólico total das infusões extraídas dos resíduos/subprodutos estudados foi determinado a partir da curva padrão da Equação 8, apresentada no Anexo 1. Absorvância=(20,82±0,563)×mácido gálico(mg)−(0,011±0,016) Equação 8 Analisando a regressão linear efetuada, verifica-se que esta apresenta um coeficiente de determinação, R2= 0,999, o que significa que os dados de absorvância se ajustam integralmente ao modelo linear. 42 Após a aplicação do método de Folin-Ciocalteu a cada uma das condições estudadas, calculou-se a concentração de equivalente em ácido gálico presente nas infusões. Os valores obtidos para as infusões utilizando 30% sólidos apresentam-se no Anexo 6 para os ouriços de castanha e dreche. Para além disso, apresentam-se os resultados obtidos para o lúpulo utilizando 6,67 % sólidos com ultrassons. Na Figura 28, expressam-se as concentrações em equivalente em ácido gálico presentes nas infusões naturais com 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm, para os ouriços de castanha. Figura 28. Concentração de compostos fenólicos das infusões em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Ouriços de castanha. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. Pela análise da Figura 28, verifica-se de uma forma geral que quanto maior a granulometria, maior é a concentração de compostos fenólicos das infusões de ouriços para a 49 Resumindo, para as infusões de lúpulo e podas de videira as extrações etanólicas foram eficientes não se verificando essa tendência nos outros resíduos/subprodutos. De uma forma geral, quanto menor a percentagem de sólidos ou a granulometria do resíduo/subproduto, maior é a concentração de compostos fenólicos das infusões. A utilização de enzimas em simultâneo não potenciou a extração de compostos fenólicos. Seguindo uma ordem decrescente, as infusões de ouriços de castanha apresentam uma maior concentração de compostos fenólicos seguidas dos caules de planta de tabaco, podas de videira, dreche e lúpulo. 4.1.3. Comprovação dos óleos naturais Para ser atribuída a designação de “óleo natural” de cada mistura viscosa obtida pelo evaporador rotativo, procedeu-se à avaliação dos seus comportamentos quando adicionados a uma fase aquosa e comparação com o óleo de rícino tal como apresentado na Figura 33. Figura 33. Avaliação do comportamento das misturas extraídas por evaporação (b) óleo da condição Dreche 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato; (c) óleo da condição Ouriços 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato; (d) óleo da condição Podas de videira 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato; (e) Caules de planta de tabaco 10% s 100% Tampão Fosfato em comparação com (a) óleo de rícino. Através da Figura 33, pode-se concluir que as quatro misturas se comportaram de forma semelhante ao óleo de rícino, ou seja, aquando da sua aplicação na fase aquosa, estas imediatamente se depositam no fundo do gobelé. 4.1.4. Conteúdo fenólico total dos óleos naturais As extrações dos óleos naturais etanólicas não foram bem-sucedidas não se obtendo concentrações de compostos fenólicos relevantes à exceção do subproduto caules de planta de tabaco, pelo que os seus valores não estão expressos nos graficamente. No Anexo 7, encontram-se as concentrações de compostos fenólicos com 30% sólidos para as condições e resíduos/subprodutos em que foi possível a sua obtenção. (a) (b) (c) (d) (e) 50 Na Figura 34, encontra-se a representação gráfica das concentrações de compostos fenólicos em equivalente de ácido gálico presentes nos óleos naturais com 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm, para os ouriços de castanha. Figura 34. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Ouriços de castanha. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. Através da Figura 34, verifica-se a mesma tendência observada para as infusões, quanto menor o rácio de sólidos face ao volume de solvente, ou seja, para as condições com 10% sólidos, maior concentração de compostos fenólicos nos óleos naturais. Constata-se que os óleos de ouriços de castanha com maior concentração de compostos fenólicos se obtiveram nas condições aquosas com 20% sólidos e 10% de sólidos. A utilização de celulase com 10% sólidos potenciou a extração de maiores concentrações de compostos fenólicos nos óleos. A combinação de enzimas não teve um impacto acentuado na 51 extração de maior quantidade de compostos fenólicos. De forma análoga ao supramencionado, a utilização simultânea de diferentes enzimas pode dificultar a rutura celular e o consequente acesso aos compostos intracelulares. Para a granulometria 0,25 mm as condições enzimáticas a par das condições aquosas foram as mais eficientes obtendo-se valores de concentração de compostos fenólicos entre 2000 e 2500 mgEAG/gresíduo. No que diz respeito às granulometrias 1 mm e 4 mm as condições aquosas foram as mais eficazes, sendo que nesta última, as condições utilizando celulase também alcançaram valores elevados de concentração de compostos fenólicos. Relativamente ao lúpulo, apenas se obteve óleo para uma única condição (50% EtOH 30% sólidos) com a concentração 50,00 mgEAG/gresíduo. Dada a ineficiência da extração de óleo natural de lúpulo para as diferentes condições testadas, este subproduto foi excluído da avaliação das restantes propriedades. Na Figura 35, encontra-se a representação gráfica das concentrações de compostos fenólicos em equivalente de ácido gálico presentes nos óleos naturais com 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm, para a dreche. Através da Figura 35, verifica-se a mesma tendência observada para as infusões: para as condições com 10% sólidos, os óleos naturais são mais concentrados em compostos fenólicos. Verifica-se que as concentrações de compostos fenólicos das condições aquosas com 20% sólidos e 10% sólidos foram elevadas. As condições utilizando 10% sólidos com celulase + xilanase foram as condições enzimáticas com maiores concentrações de compostos fenólicos. Neste caso, a combinação de enzimas celulase e xilanase teve alguma influência na concentração de compostos fenólicos dos óleos de dreche. Para a granulometria 0,25 mm, as condições enzimáticas obtiveram valores muito próximos dos das condições aquosas (entre 70,00 e 80,00 mgEAG/gresíduo). Para as granulometrias 1 mm e 4 mm, as condições celulase + xilanase 10% sólidos obtiveram os maiores valores de concentração de compostos fenólicos (97,10±1,83×10−3 mgEAG/gresíduo e 81,10±1,63×10−3, respetivamente). Conclui-se que a granulometria 1 mm foi a que obteve maior concentração de compostos fenólicos comparativamente com as outras, de uma forma geral. 52 Figura 35. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Dreche. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. Na Figura 36, encontra-se a representação gráfica das concentrações de compostos fenólicos em equivalente de ácido gálico presentes nos óleos naturais com 20% sólidos e 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm, 4 mm e 10 mm, para as podas de videira. No que diz respeito à Figura 36, verifica-se que quanto menor a presença de sólidos, maior a concentração de compostos fenólicos como nos resíduos/subprodutos anteriores (ouriços de castanha e dreche). Importa referir que as condições aquosas foram as que obtiveram maiores concentrações de compostos fenólicos nos óleos naturais de podas de videira, todavia muito próximos das restantes. As condições enzimáticas com celulase + xilanase obtiveram valores muito próximos entre si de concentração de compostos fenólicos nos óleos naturais, para 20% sólidos e 10% 53 sólidos. As percentagens de sólidos testadas não tiveram influência na extração de óleos das condições enzimáticas já que se obtiveram valores muito próximos entre si. Para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm, as condições aquosas obtiveram elevados valores de concentração de compostos fenólicos (entre 50,00 e 80,00 mgEAG/gresíduo). As condições enzimáticas apresentaram concentrações de compostos fenólicos semelhantes comparativamente com as condições não enzimáticas para todas as granulometrias. Adicionalmente, importa mencionar que as partículas das podas de videira com granulometria 10 mm apresentavam uma área de superfície e tamanho de partícula elevadas (Prasedya et al. , 2021), o que poderia ter resultado numa menor concentração de compostos fenólicos nos óleos, mas tal não se verificou. Figura 36. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm, 4 mm e 10 mm– Podas de videira. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. 54 Na Figura 37, encontra-se a representação gráfica das concentrações de compostos fenólicos em equivalente de ácido gálico presentes nos óleos naturais com 20% sólidos e 10% sólidos para a granulometria < 1 mm e 4 mm, para os caules de planta de tabaco. Figura 37. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas (a) 20% sólidos, (b) 10% sólidos para a granulometria < 1 mm– Caules de planta de tabaco. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. Pela Figura 37, observa-se que para 10% sólidos a concentração de compostos fenólicos obtida é maior em comparação com as condições com 20% sólidos tal como verificado para os ouriços de castanha, dreche, podas de videira. Verifica-se que a única condição etanólica em que foi possível obter óleo apresentou um valor elevado de concentração de compostos fenólicos (843,12±7,84×10−3 mgEAG/gresíduo) seguido das condições aquosas. Importa referir que as condições enzimáticas obtiveram valores próximos das restantes condições sendo que a combinação enzimática não potenciou uma maior extração de compostos fenólicos nos óleos de caules de planta de tabaco. 55 Na generalidade, quanto menor a percentagem de sólidos do resíduo/subproduto, maior é a concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais. A utilização de enzimas em simultâneo não teve grande impacto nas concentrações de compostos fenólicos presentes nos óleos. Seguindo uma ordem decrescente, os óleos de ouriços de castanha destacam-se com maiores concentrações de compostos fenólicos seguidos dos óleos de caules de planta de tabaco, podas de videira, dreche e lúpulo, tal como se verificou nas infusões. 4.1.5. Propriedade antioxidante dos óleos naturais A Figura 38 apresenta a atividade antioxidante (%) obtida pelo método DPPH das quatro condições estudadas. Figura 38. Avaliação da propriedade antioxidante dos óleos naturais pelo método DPPH das condições estudadas. Os valores apresentados correspondem à média de 3 ensaios ± desvio padrão. As condições escolhidas para avaliação da atividade antioxidante foram: Ouriços 0,25 mm 10% s 100% H2O, Dreche 0,25 mm 10% s 100% H2O, Podas de videira 0,25 mm 10% s 100% H2O e Caules de Planta de Tabaco 10% s 100% H2O apresentadas na Figura 38. Escolheram-se as condições com base aquosa de forma a garantir a não interferência externa de outros fatores (enzimas e outros solventes) nos resultados da atividade antioxidante. Foi escolhida a percentagem de sólidos 10%, uma vez que este foi o rácio sólidos/solvente em que se obtiveram maiores concentrações de compostos fenólicos nos óleos naturais para todos os resíduos/subprodutos em comparação com as outras percentagens de sólidos testadas, para a granulometria 0,25 mm. Por fim, das granulometrias estudadas, o crivo 0,25 mm foi o 56 selecionado, já que a maior parte dos resíduos/subprodutos adequados a esse tamanho de partícula (Dreche, Podas de Videira e Caules de Planta de Tabaco) apresentaram igualmente maiores valores de concentração de compostos fenólicos em comparação com as outras granulometrias. De um ponto de vista científico, maior concentração de compostos fenólicos pode significar maior atividade antioxidante (Kumar e Goel, 2019) pelo que se escolheram as condições em que isso se verificava. Pela análise da Figura 38, verifica-se que a condição Caules de planta de tabaco 10% s 100% H2O (71,64±1,14%) e Ouriços 0,25 mm 10% s 100% H2O (66,60± 0,27%) apresentam uma atividade antioxidante muito superior comparativamente com Podas de videira 0,25 mm 10% s 100% H2O (28,56±0,09%) e Dreche 0,25 mm 10% s 100% H2O (8,78±0,76%). 4.1.6. Propriedade antibacteriana dos óleos naturais Na Figura 39 apresenta-se o resultado dos ensaios antibacterianos realizados para as condições escolhidas Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O, Dreche 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O, Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O. Analisando a Figura 39, verifica-se que nenhum dos óleos testados apresentou atividade antibacteriana. Apesar disso, observa-se que a formação de colónias ocorreu de forma diferenciada nas condições testadas. Comparando as colónias formadas, verifica-se que a cólonia formada com os óleos de ouriços (a) foi aquela em o crescimento bacteriano foi parcialmente inibido, isto porque, no local onde se encontra a gota de óleo não se formaram colónias de forma tão acentuada, existem zonas sem crescimento bacteriano. Ciríaco et al. (2023) comprovaram a atividade antibacteriana de extratos de ouriços de castanha. Aplicaram o método de difusão em disco e obtiveram um halo de inibição de 10,26 mm contra S. aureus . Lee et al. (2022) demonstraram igualmente a capacidade antibacteriana de extratos de ouriços de castanha contra este microrganismo. Assim, este ensaio sugere uma atividade antibacteriana limitada por parte do óleo de ouriços. No que diz respeito à colónia formada no óleo de dreche (b), verifica-se que houve crescimento bacteriano sendo que esta aparentava ter um aspeto húmido diferente das outras colónias. Neste caso, o crescimento bacteriano é mais evidente, já que se formou uma camada 57 bacteriana mais densa e homogénea. Isto indica que o óleo de dreche tem pouca ou nenhuma eficácia antibacteriana contra S. aureus . No entanto, Moreirinha et al. (2020) comprovaram a propriedade antibacteriana de biofilmes de dreche contra S. aureus indicando alguma potencialidade antibacteriana da dreche. Relativamente ao óleo de podas de videira (c), formou-se igualmente uma colónia ainda que com um aspeto diferente das outras, o que indica que este óleo não apresenta atividade antibacteriana contra S. aureus . Aqui, a formação de colónias é homogénea sendo que em determinadas zonas se encontram sobrepostas e há maior expressão bacteriana. Todavia, Gullón et al. (2017) referem as propriedades antimicrobianas de extratos de podas de videira contra S. aureus . Por último, verifica-se que o óleo de caules de planta de tabaco (d) permitiu a formação de colónias de forma homogénea sugerindo um aspeto cristalizado. De todas as colónias formadas, esta foi a que se formou mais uniformemente. Deste modo, comprova-se a ausência de atividade antibacteriana do óleo de caules de planta de tabaco contra S. aureus . No entanto, Ameya et al. (2017) comprovaram a propriedade antibacteriana de extratos de planta de tabaco contra S. aureus . Assim, verifica-se que esta planta pode apresentar algum tipo de atividade antibacteriana ainda que não tenha sido comprovada. Relativamente aos controlos, estes serviram para comprovar a eficácia do método de difusão em gota (Driscoll et al. , 2012). Através do controlo positivo, pôde-se observar uma zona de inibição clara e definida indicando a eficácia do agente antibacteriano utilizado como referência. No controlo negativo não há zona de inibição, uma vez que o crescimento bacteriano é uniforme por toda a superfície. Isso confirma a ausência de qualquer efeito antibacteriano. 58 Figura 39. Ensaio antibacteriano com S. aureus dos óleos naturais (a) Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O; (b) Dreche 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O; (c) Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O; (d) Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O; (e) Controlo positivo; (f) Controlo negativo. 4.1.7. Caracterização química dos óleos naturais A caracterização química dos óleos naturais foi feita através dos espectros de absorção de cor e por FTIR. 4.1.7.1. Espectro de absorção de cor Os espectros de absorção de cor das condições estudadas (Ouriços 0,25 mm 20% sólidos 100% H2O, Dreche 0,25 mm 30% sólidos xilanase + pectinase, Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O) estão representados na Figura 40. Através da Figura 40, observa-se que o pico de absorção de cor das podas de videira e da dreche é o mesmo, correspondendo a 285 nm. O pico de absorção de cor dos ouriços de castanha surge no comprimento de onda 300 nm e o pico de absorção de cor dos caules de planta de tabaco surge em 310 nm. Para além disso, verifica-se que o pico de absorvância dos 65 Tendo com objetivo entender se a repelência à água destes substratos têxteis se mantinha, procedeu-se à lavagem dos mesmos. Assim sendo, apenas o substrato têxtil funcionalizado com Ouriços 0,25 mm 20% sólidos celulase + xilanase obteve ângulo de contacto (143,33±9,05 ᵒ) após a lavagem. Os restantes substratos têxteis analisados perderam a hidrofobicidade alcançada. Assim, conclui-se que a lavagem dos substratos têxteis influenciou negativamente a repelência à água das malhas funcionalizadas. Tabela 7. Substratos têxteis com tempos de absorção de água superior a 3 minutos Condição Tempo médio (min) Desvio padrão Condição Tempo médio (min) Desvio padrão Ouriços 0,25 mm 20% s xilanase 22,11 7,98 Dreche 4mm 10% s 100% H2O 3,84 3,23 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase + xilanase 17,12 4,70 PV 10 mm 10% s celulase + xilanase 46,54 0,20 Ouriços 1 mm 20% s celulase + xilanase 3,61 0,77 PV 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 45,47 20,71 Ouriços 1 mm 10% s celulase + xilanase 3,13 0,50 PV 1 mm 20% s celulase 33,95 17,37 Dreche 0,25mm 10% s celulase + xilanase 19,34 3,66 PV 10 mm 20% s celulase + xilanase 25,53 33,66 Dreche 1mm 10% s celulase + xilanase 16,24 0,50 PV 1 mm 20% s celulase + xilanase 19,48 8,97 Dreche 1mm 10% s 100% H2O 13,97 1,25 PV 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 12,66 0,37 Dreche 0,25mm 20% s pectinase 12,18 0,08 PV 10 mm 20% s celulase 9,07 5,55 Dreche 1mm 10% s pectinase 8,85 0,34 PV 4 mm 10% s celulase + xilanase 5,86 1,76 Dreche 4mm 10% s pectinase 6,74 0,10 PV 10 mm 20% s 100% H2O 5,65 0,44 Dreche 4mm 20% s celulase + xilanase 6,59 0,99 PV 10 mm 10% s 100% H2O 4,79 2,50 Dreche 0,25mm 30% s pectinase 6,17 2,22 PV 1 mm 20% s xilanase 3,99 0,26 Dreche 0,25mm 30% s 100% Tampão Fosfato 5,18 0,93 CPT 20% s pectinase 6,61 0,96 Dreche 0,25mm 10% s pectinase 3,89 0,11 CPT 20% s celulase 5,82 1,05 66 Figura 44. Ângulos de contacto (ᵒ) obtidos para os substratos têxteis escolhidos– (a) Ouriços de castanha; (b) Dreche; (c) Podas de videira; (d) Caules de planta de tabaco– antes da lavagem. Os valores apresentados correspondem à média de 5 ensaios ± desvio padrão. 67 Na Tabela 8, encontram-se as coordenadas de cor das malhas com melhores resultados em termos de repelência antes e após a lavagem Tabela 8. Coordenadas de cor L*, a*, b* e ΔE, K/S dos substratos têxteis com melhores resultados em termos de repelência antes e após a lavagem Analisando a Tabela 8, verifica-se que de uma forma geral as coordenadas L* e a* se mantiveram muito semelhantes antes e após a lavagem, com um ligeiro aumento de L* e diminuição de a*, isto porque os substratos têxteis após a lavagem perderam a cor. No que diz respeito à coordenada b*, esta tornou-se negativa para a maioria dos têxteis, o que justifica a cor azul que estes apresentaram após a lavagem. Relativamente ao ΔE dos substratos têxteis, este valor diminui de uma forma geral, isto porque com a perda de cor, os substratos têxteis a analisar apresentaram uma cor muito mais próxima do controlo e assim sendo ΔE diminui. O K/S após a lavagem também diminui ainda que de forma pouco expressiva, uma vez que a força da cor também se perdeu com a lavagem havendo interência direta neste parâmetro. Todavia, importa mencionar as melhores condições no que concerne à solidez à lavagem, isto é, as condições Ouriços 0,25 mm 20% sólidos celulase + xilanase e Ouriços 1 mm 10% sólidos celulase + xilanase foram as que perderam menos cor após a lavagem. Nestas duas condições, as coordenadas L*, a* e os parâmetros K/S e ΔE antes e após a lavagem 68 mantiveram-se muito próximos entre si. O parâmetro b* diminui no entanto de uma forma menos acentuada comparativamente com as outras condições. Esta análise justifica o facto de estas condições serem as que a solidez à lavagem foi mais notória. Assim, conclui-se que os substratos têxteis funcionalizados com óleo de ouriços podem ser mais promissores na solidez à lavagem, o que pode ser justificado pelo mencionado no subcapítulo 4.1.8. Caracterização colorimétrica dos óleos naturais, isto é, o óleo de ouriços foi o que apresentou maior intensidade de cor em comparação com os óleos dos outros resíduos/subprodutos. 4.2.4. Proteção UV dos substratos têxteis Relativamente à proteção UV, esta foi estudada seguindo a norma AS/NZS 4399:1996 Sun protective clothingEvaluation and classification . Na Tabela A8 do Anexo 9 encontra-se a compilação dos valores UPF e respetivos índices da totalidade de malhas funcionalizadas. Na Tabela 9 encontram-se apenas as malhas funcionalizadas que obtiveram classificação qualitativa bom ou muito bom no que concerne à proteção UV e as malhas controlo. Através da Tabela 9, verifica-se que os substratos têxteis funcionalizados com óleo de ouriços e caules de planta de tabaco foram os que apresentaram valores mais altos de proteção UV. Uma possível explicação para isso reside no facto de estes óleos naturais terem uma tonalidade mais escura comparativamente com os de dreche e podas de videira. Assim, as malhas funcionalizadas com óleo de ouriços e caules de planta de tabaco apresentam uma tendência para serem mais escuras. Os substratos têxteis mais escuros tendem a absorver mais a radiação impedindo a sua passagem e cores mais claras tendem a ser mais permissíveis à passagem da radiação influenciando desta forma os índices UPF obtidos (Asetijono et al., 2023). 69 Tabela 9. Substratos têxteis funcionalizados com índice de proteção UV bom ou muito bom Condição Valor UPF Índice UPF Malha 100% algodão 3,90 - Malha com pré-tratamentos 3,99 - Ouriços 0,25 mm 30% s 95% EtOH 22,92 15 Ouriços 0,25 mm 30% s 100% H2O 15,11 15 Ouriços 0,25 mm 10% s 100% H2O 18,47 15 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase 17,35 15 Ouriços 0,25 mm 10% s celulase 18,95 15 Ouriços 0,25 mm 10% s xilanase 32,37 30 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase + xilanase 15,19 15 Ouriços 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 16,47 15 Ouriços 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 22,24 15 Ouriços 1 mm 20% s celulase 28,84 15 Ouriços 1 mm 10% s celulase 27,49 15 Ouriços 1 mm 20% s xilanase 23,28 15 Ouriços 1 mm 10% s xilanase 28,40 15 Ouriços 1 mm 20% s celulase + xilanase 18,68 15 Ouriços 1 mm 10% s celulase + xilanase 18,30 15 Ouriços 4 mm 20% s 100% H2O 36,58 30 Ouriços 4 mm 10% s 100% H2O 19,19 15 Ouriços 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 16,90 15 Ouriços 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 21,99 15 Ouriços 4 mm 20% s celulase + xilanase 15,84 15 Dreche 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 20,43 15 PV 1 mm 10% s xilanase 21,91 15 PV 1 mm 10% s celulase + xilanase 19,67 15 PV 4 mm 10% s xilanase 17,41 15 CPT 20% s Etanol 95% 20,98 15 CPT 10% s 100% Tampão Fosfato 30,33 30 CPT 20% s celulase 18,01 15 4.2.5. Caracterização colorimétrica dos substratos têxteis Na Tabela 10, encontra-se a compilação das coordenadas de cor L*, a*, b* e ΔE, K/S e respetivos desvios padrões (DP) dos substratos têxteis com índice de proteção UV bom ou muito bom. No que diz respeito à Tabela 10, verifica-se que o parâmetro K/S é determinante para a classificação do índice UPF. Geralmente, quanto maior o K/S e menor a luminosidade, L* maior o índice UPF, como verificado para as condições, Ouriços 0,25 mm 10% sólidos xilanase, Ouriços 4 mm 20% sólidos 100% H2O e Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% Tampão Fosfato em que o índice UPF foi maior (índice UPF= 30). Quanto menor L*, mais escura é a cor do substrato têxtil, ou seja, maior a absorção de radiação o que se reflete em índices UPF mais elevados (Asetijono et al. , 2023, Saha et al. , 2024). Importa mencionar os valores ΔE, que são elevados para todos os substratos têxteis traduzindo a diferença de cor existente entre o padrão e cada um dos substratos têxteis em análise. 70 Tabela 10. Coordenadas de cor L*, a*, b* e ΔE, K/S dos substratos têxteis com índice de proteção UV bom ou muito bom 71 4.2.6. Caracterização química dos substratos têxteis Na Figura 45, apresenta-se o espectro FTIR da malha funcionalizada com óleo natural da condição Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e os respetivos controlos. Figura 45. FTIR das malhas funcionalizadas com óleo natural de Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e das malhas controlo. No que diz respeito ao espetro FTIR da malha 100% algodão apresentado na Figura 45, verifica-se que se obteve um espetro muito semelhantes aos apresentados na literatura, o que sugere o sucesso deste procedimento. Zhou e Kan (2014) apresentam o espetro FTIR de uma fibra 100% algodão que mostra muitas semelhanças com o obtido neste trabalho. Assim, o espetro do estudo previamente mencionado apresenta um pico acentuado em 3330 cm-1 que se refere aos grupos hidroxilo (-OH) da celulose, lignina e água, constituintes do algodão. Em 2896 cm-1 verifica-se uma vibração consequente do alongamento da ligação C-H presente na celulose e hemicelulose. Em 1622 cm-1 observa-se outro pico característico da absorção de água pela celulose. O pico 1428 cm-1 está associado à curvatura simétrica da estrutura CH2 da celulose. A gama 1360 cm-1 e 1315 cm-1 refere-se à flexão dos grupos C-H e C-O dos anéis aromáticos dos polissacarídeos de celulose, respetivamente. Em 1032 cm-1 surgem vibrações intensas relacionadas com o alongamento das ligações -CO e -OH do polissacarídeo na celulose. Por último, o pico que surge em 894 cm-1 indica a presença de ligações β-glicosídicas entre os monossacarídeos constituintes da celulose (Portella et al. , 2016) Comparando o espetro da malha 100% algodão com a malha com os pré-tratamentos, verifica-se que ambas as curvas são muito semelhantes existindo apenas diferenças ténues na 72 gama 1600-1700 cm-1 o que sugere a presença das ligações do amido, utilizado como prétratamento (Sadat e Joye, 2020). Relativamente ao espetro da malha funcionalizada com o óleo de Ouriços 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O, verifica-se que os picos obtidos neste gráfico são iguais aos encontrados nas malhas controlo, no entanto menos intensos, o que pode significar ligações mais fracas nos compostos químicos constituintes desta malha funcionalizada. Para além disso, verifica-se o sucesso do pré-tratamento com a solução de amido, já que na gama 1600-1700 cm-1 se observam os picos que sugerem a presença deste composto (Sadat e Joye, 2020). De uma forma geral, pelos picos observados nos óleos naturais acima mencionados, destacam-se quatro zonas do espetro: 2900 cm-1 (alongamento da ligação C-H), 1700 cm-1 (alongamento da ligação C=O), 3400 cm-1 (alongamento da ligação -OH) e 1100 cm-1 (alongamento C-O). Estas ligações estão presentes nos terpenos constituintes dos óleos naturais pelo que pode significar o sucesso da funcionalização (Agatonovic-Kustrin et al. , 2020). Na Figura 46, apresenta-se o espectro FTIR da malha funcionalizada com óleo natural da condição Dreche 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e os respetivos controlos. Figura 46. FTIR das malhas funcionalizadas com óleo natural de Dreche 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e das malhas controlo. De uma forma simplista, o espetro FTIR da malha funcionalizada com óleo de dreche quase se sobrepõe ao espetro ao espetro da malha 100% algodão, sendo possível constatar que as ligações presentes na malha controlo se encontram igualmente na malha funcionalizada. De forma análoga e de um ponto de vista geral, as ligações encontradas na malha funcionalizada com óleo de ouriços de castanha são muito semelhantes às ligações 73 apresentadas na malha funcionalizada com óleo de dreche, porque os picos observados são idênticos. No entanto, as ligações químicas dos constituintes da malha funcionalizada com óleo de dreche são menos intensas em comparação com a malha de óleo de ouriços, uma vez que a intensidade dos picos é menos acentuada (Orsavova et al. , 2015). Na Figura 47, apresenta-se o espectro FTIR da malha funcionalizada com óleo natural da condição Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e os respetivos controlos. Figura 47. FTIR das malhas funcionalizadas com óleo natural de Podas de videira 0,25 mm 10% sólidos 100% H2O e das malhas controlo. Relativamente à Figura 47 e de forma semelhante ao mencionado acima, não se verificam muitas diferenças nos espetros obtidos à exceção da intensidade dos mesmos. Observam-se os mesmos picos existentes na malha funcionalizada com óleo de ouriços e na malha funcionalizada com óleo de podas de videira, verificando-se por isso as ligações presentes nos terpenos que constituem os óleos naturais. Na Figura 48, apresenta-se o espectro FTIR da malha funcionalizada com óleo natural da condição Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O e os respetivos controlos. No que diz respeito à Figura 48, verifica-se uma vez mais a semelhança nos espetros o que pode significar a presença das mesmas ligações nas malhas controlo e na malha funcionalizada com óleo de caule de planta de tabaco. Comparando as quatro malhas funcionalizadas, esta é que apresenta um espetro com maior intensidade em todos os picos observados pelo que é a que apresenta ligações químicas mais fortes (Orsavova et al. , 2015). 74 Todavia, para uma caracterização química mais aprofundada dos óleos naturais seria necessário utilizar outras técnicas mais pormenorizadas detalhando pormenorizadamente a constituição dos óleos naturais. Figura 48. FTIR das malhas funcionalizadas com óleo natural de Caules de planta de tabaco 10% sólidos 100% H2O e das malhas controlo. 81 Esposito, T., Celano, R., Pane, C., Piccinelli, A. L., Sansone, F., Picerno, P., Zaccardelli, M., Aquino, R. P., Mencherini, T. (2019). Chestnut ( Castanea sativa miller.) burs extracts and functional compounds: UHPLC-UV-HRMS profiling, antioxidant activity, and inhibitory effects on phytopathogenic fungi. Molecules , 24 (2), 1–21. https://doi.org/10.3390/molecules24020302 Esquire Group (2025). Fabric Dyeing. https://esquire.com.bd/fabric-dyeing/. Acedido a 20 de janeiro de 2025. Fang, D. D. (2018). Cotton Fiber: Physics, Chemistry and Biology. Cotton Fiber: Physics, Chemistry and Biology . Springer International Publishing. https://doi.org/10.1007/9783-030-00871-0 Ferrentino, G., Ndayishimiye, J., Haman, N., Scampicchio, M. (2019). Functional Activity of Oils from Brewer’s Spent Grain Extracted by Supercritical Carbon Dioxide. Food and Bioprocess Technology , 12 (5), 789–798. https://doi.org/10.1007/s11947-01902249-3 Firmino, H. B., Volante, E. K. T. S., da Silva, A. C. P., Scacchetti, F. A. P., Lis, M. J., Martí, M., Saxena, S., Tessaro, A. L., Bezerra, F. M. (2024). β-Cyclodextrin-Modified Cotton Fabric for Medical and Hospital Applications with Photodynamic Antibacterial Activity Using Methylene Blue. Coatings , 14 (9), 1–15. https://doi.org/10.3390/coatings14091100 Franco, A. R., Fernandes, E. M., Rodrigues, M. T., Rodrigues, F. J., Gomes, M. E., Leonor, I. B., Kaplan, D. L., Reis, R. L. (2019). Antimicrobial coating of spider silk to prevent bacterial attachment on silk surgical sutures. Acta Biomaterialia , 99 , 236–246. https://doi.org/10.1016/j.actbio.2019.09.004 Gao, X., Wu, X., Liu, G., Zhang, Z., Chao, J., Li, Z., Guo, Y., Sun, Y. (2019). Characterization and mapping of a novel premature leaf senescence mutant in common tobacco ( Nicotiana tabacum L.). Plants , 8 (10), 1–13. https://doi.org/10.3390/plants8100415 Gao, Y., Cranston, R. (2008). Recent Advances in Antimicrobial Treatments of Textiles. Textile Research Journal , 78 (1), 60–72. https://doi.org/10.1177/0040517507082332 Goben, D. A., Abera, S., Shewa, A. G., Feleke, S. (2022). Effects of Extraction Temperature and Particle Size on Quality of Edible Oil from Podocarpus Falcatus Seed by Aqueous Method, Ethiopia. Journal of Food Science and Nutrition Therapy , 8 (1), 6–10. https://doi.org/10.17352/jfsnt.000032 González-Salitre, L., Guillermo González-Olivares, L., Antobelli Basilio-Cortes, U. (2023). Humulus lupulus L. a potential precursor to human health: High hops craft beer. Food Chemistry , 405 . https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2022.134959 Grand View Research. (2023). Functional Textile Finishing Chemicals Market Size, Share & Trends Analysis Report By Product (Antimicrobial/Anti-inflammatory, Flame Retardant, Repellant & Release, Temperature Regulation), By Region, And Segment Forecasts, 2023 - 2030 . https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/functional-textilefinishing-agents-market. Acedido a 20 de outubro de 2024. 82 Gries, T., Veit, D., Wulfhorst, B. (2015). Textile Technology: An Introduction (Vol. 2). Hanser Publications. Growth Market Reports. (2024). Functional Textile Market Size, Share & Trends Growth [2031] . https://growthmarketreports.com/report/functional-textiles-market-global-industryanalysis. Acedido a 20 de outubro de 2024. Gulati, R., Sharma, S., Sharma, R. K. (2022). Antimicrobial textile: recent developments and functional perspective. Polymer Bulletin , 79 (8), 5747–5771. https://doi.org/10.1007/s00289-021-03826-3 Gulcin, İ., Alwasel, S. H. (2023). DPPH Radical Scavenging Assay. Processes (Vol. 11, Issue 8, pp. 1–20). Multidisciplinary Digital Publishing Institute (MDPI). https://doi.org/10.3390/pr11082248 Gullón, B., Eibes, G., Moreira, M. T., Dávila, I., Labidi, J., Gullón, P. (2017). Antioxidant and antimicrobial activities of extracts obtained from the refining of autohydrolysis liquors of vine shoots. Industrial Crops & Products , 107 , 105–113. https://doi.org/10.1016/j.indcrop.2017.05.034 Hanumansetty, S., Maity, J., Foster, R.,O’Rear, E. A. (2012). Stain resistance of cotton fabrics before and after finishing with admicellar polymerization. Applied Sciences (Switzerland) , 2 (1), 192–205. https://doi.org/10.3390/app2010192 Heins, K., Lesker, S., Pütz, J., Hüntemann, M., Gries, T. (2023). Effect of thermoplastic impregnation on the mechanical behaviour of textile reinforcement for concrete. SN Applied Sciences , 5 (3), 1–11. https://doi.org/10.1007/s42452-023-05305-y Hora, S. T., Bungau, C., Negru, P. A., Radu, A.-F. (2023). Implementing Circular Economy Elements in the Textile Industry: A Bibliometric Analysis. Sustainability , 15 (20), 1–24. https://doi.org/10.3390/su152015130 Hu, M., Yang, X., Chang, X. (2021). Bioactive phenolic components and potential health effects of chestnut shell: A review. Journal of Food Biochemistry , 45 (4). https://doi.org/10.1111/jfbc.13696 Hu, N., Liu, X., Wei, S., Yao, J., Wang, W., Liu, B., Tang, T., Jiang, J., Wang, L. (2024). Current status and future prospects of pretreatment for tobacco stalk lignocellulose. Frontiers in Bioengineering and Biotechnology , 12 , 1–14. https://doi.org/10.3389/fbioe.2024.1465419 Huhtamäki, T., Tian, X., Korhonen, J. T., Ras, R. H. A. (2018). Surface-wetting characterization using contact-angle measurements. Nature Protocols , 13 (7), 1521–1538. https://doi.org/10.1038/s41596-018-0003-z HunterLab. (2024). What Is CIELAB Color Space? https://www.hunterlab.com/blog/what-iscielab-color-space/. Acedido a 25 de outubro de 2024. 83 Hussein, U. A.-R., Mahmoud, Z. H., Alaziz, K. M. A., Alid, M. L., Yasin, Y., Ali, F. K., Faisal, A. N., Abd, A. N., Kianfar, E. (2024). Antimicrobial finishing of textiles using nanomaterials. Brazilian Journal of Biology , 84 , 1–13. https://doi.org/10.1590/1519-6984.264947 Iglesias, A., Mitton, G., Szawarski, N., Cooley, H., Ramos, F., Meroi Arcerito, F., Brasesco, C., Ramirez, C., Gende, L., Eguaras, M., Fanovich, A., Maggi, M. (2020). Essential oils from Humulus lupulus as novel control agents against Varroa destructor . Industrial Crops & Products , 158 , 1–7. https://doi.org/10.1016/j.indcrop.2020.113043 IKA. (2024). RV 3 V . https://www.ika.com/pt/Produtos-LabEq/Evaporadores-rotativospg35/RV-3-V-10003324/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Jesus, M., Romaní, A., Mata, F., Domingues, L. (2022). Current Options in the Valorisation of Vine Pruning Residue for the Production of Biofuels, Biopolymers, Antioxidants, and BioComposites following the Concept of Biorefinery: A Review. Polymers , 14 (9). https://doi.org/10.3390/polym14091640 Jesus, M. S., Romaní, A., Genisheva, Z., Teixeira, J. A., Domingues, L. (2017). Integral valorization of vine pruning residue by sequential autohydrolysis stages. Journal of Cleaner Production , 168 , 1–35. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2017.08.230 Jiménez-Moreno, N., Volpe, F., Moler, J. A., Esparza, I., Ancín-Azpilicueta, C. (2019). Impact of extraction conditions on the phenolic composition and antioxidant capacity of grape stem extracts. Antioxidants , 8 (12), 1–17. https://doi.org/10.3390/antiox8120597 Jornal T. (2022). Acatel aprofunda aposta nos acabamentos sustentáveis . https://jornalt.pt/noticia/acatel-aprofunda-aposta-nos-acabamentos-sustentaveis/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Jornal T. (2024). RDD integra fibra de banana em linha da Musa intimates . https://jornalt.pt/noticia/rdd-integra-fibra-de-banana-em-linha-da-musa-intimates/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Kačániová, M., Galovičová, L., Ivanišová, E., Vukovic, N. L., Štefániková, J., Valková, V., Borotová, P., Žiarovská, J., Terentjeva, M., Felšöciová, S., Tvrdá, E. (2020). Antioxidant, Antimicrobial and Antibiofilm Activity of Coriander ( Coriandrum sativum L.) Essential Oil for Its Application in Foods. Foods , 9 (3), 1–19. https://doi.org/10.3390/foods9030282 Kamboj, A., Medha, K., Gupta, V., Jose, S. (2024). Ultraviolet protection of textiles with herbal dyes: A contemporary review. Sustainable Chemistry and Pharmacy , 41 , 1–13. https://doi.org/10.1016/j.scp.2024.101689 Karagönlü, S., Başal, G., Özyıldız, F., Uzel, A. (2018). Preparation of Thyme Oil Loaded Microcapsules for Textile Applications. International Journal of New Technology and Research , 4 (3), 1–8. Karlović, A., Jurić, A., Ćorić, N., Habschied, K., Krstanović, V., Mastanjević, K. (2020). Byproducts in the malting and brewing industries-re-usage possibilities. Fermentation , 6 (3), 1–17. https://doi.org/10.3390/FERMENTATION6030082 84 Khan, A. M., Islam, M. M., Khan, M. M. R. (2020). Chitosan incorporation for antibacterial property improvement of jute-cotton blended denim fabric. Journal of the Textile Institute , 111 (5), 660–668. https://doi.org/10.1080/00405000.2019.1657220 Khezerlou, A., Jafari, S. M. (2020). Nanoencapsulated bioactive components for active food packaging. In S. M. Jafari (Ed.), Handbook of Food Nanotechnology: Applications and Approaches (pp. 493–532). Elsevier. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-8158661.00013-3 Klinkhammer, K., Hohenbild, H., Hoque, M. T., Elze, L., Teshay, H., Mahltig, B. (2024). Functionalization of Technical Textiles with Chitosan. Textiles , 4 (1), 70–90. https://doi.org/10.3390/textiles4010006 Kramar, A., Kostic, M. M. (2022). Bacterial Secondary Metabolites as Biopigments for Textile Dyeing. Textiles , 2 (2), 252–264. https://doi.org/10.3390/textiles2020013 Kumar, A., Singh, P., Gupta, V., Prakash, B. (2020). Application of nanotechnology to boost the functional and preservative properties of essential oils. B. Prakash (Ed.), Functional and Preservative Properties of Phytochemicals (1st ed., pp. 241–267). Elsevier. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-818593-3.00008-7 Kumar, N. Goel, N. (2019). Phenolic acids: Natural versatile molecules with promising therapeutic applications. Biotechnology Reports , 24 , 1–10. https://doi.org/10.1016/j.btre.2019.e00370 Lameirão, F., Pinto, D., Vieira, E. F., Peixoto, A. F., Freire, C., Sut, S., Dall’acqua, S., Costa, P., Delerue-Matos, C., Rodrigues, F. (2020). Green-sustainable recovery of phenolic and antioxidant compounds from industrial chestnut shells using ultrasound-assisted extraction: Optimization and evaluation of biological activities in vitro. Antioxidants , 9 (3), 1–19. https://doi.org/10.3390/antiox9030267 Lee, D. U., Park, Y. J., Kang, C. E., Cui, C. H., Lee, D. H., Lee, N. K., Paik, H. D. (2022). Synergistic antimicrobial activity of ε-polylysine, chestnut extract, and cinnamon extract against Staphylococcus aureus . Food Science and Biotechnology , 31 (5), 607–615. https://doi.org/10.1007/s10068-022-01065-4 Lellis, B., Fávaro-Polonio, C. Z., Pamphile, J. A., Polonio, J. C. (2019). Effects of textile dyes on health and the environment and bioremediation potential of living organisms. Biotechnology Research and Innovation , 3 (2), 275–290. https://doi.org/10.1016/j.biori.2019.09.001 Lemes, A. C., Egea, M. B., Oliveira Filho, J. G. de, Gautério, G. V., Ribeiro, B. D., Coelho, M. A. Z. (2022). Biological Approaches for Extraction of Bioactive Compounds From Agroindustrial By-products: A Review. Frontiers in Bioengineering and Biotechnology , 9 , 1– 18. https://doi.org/10.3389/fbioe.2021.802543 Liang, J., Wu, J. Xu, J. (2021). Low-formaldehyde emission composite particleboard manufactured from waste chestnut bur. Journal of Wood Science , 67 (1), 1–10. https://doi.org/10.1186/s10086-021-01955-x 85 Liang, J., Zhang, Y., Chi, P., Liu, H., Jing, Z., Cao, H., Du, Y., Zhao, Y., Qin, X., Zhang, W., Kong, D. (2023). Essential oils: Chemical constituents, potential neuropharmacological effects and aromatherapy - A review. Pharmacological Research - Modern Chinese Medicine , 6 , 1–13. https://doi.org/10.1016/j.prmcm.2022.100210 Liu, W., Wang, M., Xu, L., Zhang, W., Xing, Z., Hu, J., Yu, M., Li, J., Wu, G. (2019). Chapter Two - Radiation Technology Application in High-Performance Fibers and Functional Textiles. In G. Wu, M. Zhai, & M. Wang (Eds.), Radiation Technology for Advanced Materials (pp. 13–73). Academic Press. https://doi.org/https://doi.org/10.1016/B978-0-12-814017-8.00002-0 Loetscher, S., Sommerau, C., Switzerland, W., Kreis, B., Ch, M., Häuser, L., Lichnofsky, J., Haake, J., Oettli, D., Wille, S., Gyssler, C., Maechler, T., Graf, M., Gassmann, F., Tobler, M., Liedke, A., Germany, W., Johansson, K., Sweden, W., … Jeffries, B. (2017). Changing fashion: The clothing and textile industry at the brink of radical transformation . Loghin, C., Ciobanu, L., Ionesi, D., Loghin, E., Cristian, I. (2018). Introduction to waterproof and water repellent textiles. In J. Williams (Ed.), Waterproof and Water Repellent Textiles and Clothing (1st ed., pp. 3–24). Elsevier. https://doi.org/10.1016/B978-0-08-1012123.00001-0 Lohvina, H., Sándor, M., Wink, M. (2022). Effect of ethanol solvents on total phenolic content and antioxidant properties of seed extracts of fenugreek ( Trigonella foenum-graecum L.) varieties and determination of phenolic composition by hplc-esi-ms. Diversity , 14 (1), 1– 21. https://doi.org/10.3390/d14010007 Lynch, K. M., Steffen, E. J., Arendt, E. K. (2016). Brewers’ spent grain: a review with an emphasis on food and health. Journal of the Institute of Brewing , 122 (4), 553–568. https://doi.org/10.1002/jib.363 Macias-Garbett, R., Serna-Hernández, S. O., Sosa-Hernández, J. E., Parra-Saldívar, R. (2021). Phenolic Compounds From Brewer’s Spent Grains: Toward Green Recovery Methods and Applications in the Cosmetic Industry. Frontiers in Sustainable Food Systems , 5 . https://doi.org/10.3389/fsufs.2021.681684 Martins, G. R., Monteiro, A. F., do Amaral, F. R. L., da Silva, A. S. (2021). A validated FolinCiocalteu method for total phenolics quantification of condensed tannin-rich açaí ( Euterpe oleracea Mart.) seeds extract. Journal of Food Science and Technology , 58 (12), 4693– 4702. https://doi.org/10.1007/s13197-020-04959-5 Mathis, R., Mehling, A. (2011). Textiles with cosmetic effects. V. T. Bartels (Ed.), Handbook of medical textiles (Vol. 1, pp. 153–172). Woodhead Publishing. Mazzon, G., Contardi, M., Quilez-Molina, A., Zahid, M., Zendri, E., Athanassiou, A., Bayer, I. S. (2021). Antioxidant and hydrophobic Cotton fabric resisting accelerated ageing. Colloids and Surfaces A: Physicochemical and Engineering Aspects , 613 , 1–11. https://doi.org/10.1016/j.colsurfa.2020.126061 86 McMullen, R. L. (2024). The benefits and challenges of treating skin with natural oils. International Journal of Cosmetic Science , 46 (4), 553–565. https://doi.org/10.1111/ics.12960 Mehta, S., MacGillivray, M. (2022). Aromatherapy in Textiles: A Systematic Review of Studies Examining Textiles as a Potential Carrier for the Therapeutic Effects of Essential Oils. Textiles , 2 (1), 29–49. https://doi.org/10.3390/textiles2010003 Mofidfar, M., Kim, E. S., Larkin, E. L., Long, L., Jennings, W. D., Ahadian, S., Ghannoum, M. A., Wnek, G. E. (2019). Antimicrobial activity of silver containing crosslinked poly(acrylic acid) fibers. Micromachines , 10 (12), 1–12. https://doi.org/10.3390/mi10120829 Mohamed, A. L., Sedik, A., Mosaad, M. M., Othman, H. A. (2023). Natural Oils\Silicon based materials for imparting new properties to cellulose based fabrics. Results in Chemistry , 5 , 1–22. https://doi.org/10.1016/j.rechem.2023.100812 Montenegro, L., Santagati, L. M. (2019). Use of vegetable oils to improve the sun protection factor of sunscreen formulations. Cosmetics , 6 (2), 1–10. https://doi.org/10.3390/COSMETICS6020025 Moreirinha, C., Vilela, C., Silva, N. H. C. S., Pinto, R. J. B., Almeida, A., Rocha, M. A. M., Coelho, E., Coimbra, M. A., Silvestre, A. J. D., Freire, C. S. R. (2020). Antioxidant and antimicrobial films based on brewers spent grain arabinoxylans, nanocellulose and feruloylated compounds for active packaging. Food Hydrocolloids , 108 , 1–9. https://doi.org/10.1016/j.foodhyd.2020.105836 Munteanu, I. G., Apetrei, C. (2021). Analytical methods used in determining antioxidant activity: A review. International Journal of Molecular Sciences , 22 (7), 1–30. https://doi.org/10.3390/ijms22073380 Muthu, S. S., Li, Y., Hu, J. Y., Mok, P. Y. (2012). Recyclability Potential Index (RPI): The concept and quantification of RPI for textile fibres. Ecological Indicators , 18 , 58–62. https://doi.org/10.1016/j.ecolind.2011.10.003 Nguyen, T. L., Ora, A., Häkkinen, S. T., Ritala, A., Räisänen, R., Kallioinen-Mänttäri, M., Melin, K. (2024). Innovative extraction technologies of bioactive compounds from plant byproducts for textile colorants and antimicrobial agents. Biomass Conversion and Biorefinery , 14 , 24973–25002. https://doi.org/10.1007/s13399-023-04726-4 Nicolescu, A., Babotă , M., Zhang, L., Bunea, C. I., Gavrilaș , L., Vodnar, D. C., Mocan, A., Criș an, G., Rocchetti, G. (2022). Optimized Ultrasound-Assisted Enzymatic Extraction of Phenolic Compounds from Rosa canina L. Pseudo-Fruits (Rosehip) and Their Biological Activity. Antioxidants , 11 (6), 1–18. https://doi.org/10.3390/antiox11061123 Orsavova, J., Misurcova, L., Vavra Ambrozova, J., Vicha, R., Mlcek, J. (2015). Fatty acids composition of vegetable oils and its contribution to dietary energy intake and dependence of cardiovascular mortality on dietary intake of fatty acids. International Journal of Molecular Sciences , 16 (6), 12871–12890. https://doi.org/10.3390/ijms160612871 87 Pai, S., Hebbar, A., Selvaraj, S. (2022). A critical look at challenges and future scopes of bioactive compounds and their incorporations in the food, energy, and pharmaceutical sector. Environmental Science and Pollution Research , 29 (24), 35518–35541. https://doi.org/10.1007/s11356-022-19423-4 Pakdel, E., Wang, X. (2023). Thermoregulating textiles and fibrous materials for passive radiative cooling functionality. Materials and Design , 231 , 1–25. https://doi.org/10.1016/j.matdes.2023.112006 Panzella, L., Moccia, F., Nasti, R., Marzorati, S., Verotta, L., Napolitano, A. (2020). Bioactive Phenolic Compounds From Agri-Food Wastes: An Update on Green and Sustainable Extraction Methodologies. Frontiers in Nutrition , 7 , 1–27. https://doi.org/10.3389/fnut.2020.00060 Parlamento Europeu. (2023). Circular economy: definition, importance and benefits . https://www.europarl.europa.eu/topics/en/article/20151201STO05603/circulareconomy-definition-importance-and-benefits. Acedido a 20 de outubro de 2024. Patel, V. R., Dumancas, G. G., Viswanath, L. C. K., Maples, R., Subong, B. J. J. (2016). Castor oil: Properties, uses, and optimization of processing parameters in commercial production. Lipid Insights , 9 (1). https://doi.org/10.4137/LPI.S40233 Peng, X., Umer, M., Pervez, M. N., Hasan, K. M. F., Habib, M. A., Islam, M. S., Lin, L., Xiong, X., Naddeo, V. Cai, Y. (2023). Biopolymers-based microencapsulation technology for sustainable textiles development: A short review. Case Studies in Chemical and Environmental Engineering , 7 , 1–9. https://doi.org/10.1016/j.cscee.2023.100349 Pereira, A. R., Costa, C., Mateus, N., de Freitas, V., Rodrigues, A., Oliveira, J. (2023). Exploring the Potential of Vine Shoots as a Source of Valuable Extracts and Stable Lignin Nanoparticles for Multiple Applications. International Journal of Molecular Sciences , 24 (6), 1–15. https://doi.org/10.3390/ijms24065165 Pérez, M., Dominguez-López, I., Lamuela-Raventós, R. M. (2023). The Chemistry Behind the Folin-Ciocalteu Method for the Estimation of (Poly)phenol Content in Food: Total Phenolic Intake in a Mediterranean Dietary Pattern. Journal of Agricultural and Food Chemistry , 71 (46), 17543–17553. https://doi.org/10.1021/acs.jafc.3c04022 Philippoussis, A. N. (2009). Production of Mushrooms Using Agro-Industrial Residues as Substrates. In nee’Nigam Poonam Singh & A. Pandey (Eds.), Biotechnology for AgroIndustrial Residues Utilisation: Utilisation of Agro-Residues (Vol. 1, pp. 163–196). Springer. https://doi.org/10.1007/978-1-4020-9942-7 Pinto, D., Cádiz-Gurrea, M. de la L., Vallverdú-Queralt, A., Delerue-Matos, C., Rodrigues, F. (2021). Castanea sativa shells: A review on phytochemical composition, bioactivity and waste management approaches for industrial valorization. Food Research International , 144 , 1–21. https://doi.org/10.1016/j.foodres.2021.110364 Portella, E. H., Romanzini, D., Angrizani, C. C., Amico, S. C. Zattera, A. J. (2016). Influence of stacking sequence on the mechanical and dynamic mechanical properties of 88 cotton/glass fiber reinforced polyester composites. Materials Research , 19 (3), 542–547. https://doi.org/10.1590/1980-5373-MR-2016-0058 Portugal Têxtil. (2021). Colorau da Tintex destaca-se internacionalmente . https://portugaltextil.com/colorau-da-tintex-destaca-se-internacionalmente/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Portugal Têxtil. (2023). TexBion da Tintex já tem resultados . https://portugaltextil.com/texbionda-tintex-ja-tem-resultados/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Portugal Têxtil. (2024). Fafedry faz fade-out mais ecológico . https://portugaltextil.com/fafedryfaz-fade-out-mais-ecologico/. Acedido a 20 de outubro de 2024. Prasedya, E. S., Frediansyah, A., Martyasari, N. W. R., Ilhami, B. K., Abidin, A. S., Padmi, H., Fahrurrozi, Juanssilfero, A. B., Widyastuti, S., Sunarwidhi, A. L. (2021). Effect of particle size on phytochemical composition and antioxidant properties of Sargassum cristaefolium ethanol extract. Scientific Reports , 11 (1), 1–9. https://doi.org/10.1038/s41598-021-95769-y Pratibha, M., Verma, M., Sheoran, P., Santosh, M. (2024). Advance Textile Finishing used in Textile Industry. Vigyan Varta , 5 (5), 62–67. Predescu, N. C., Papuc, C., Nicorescu, V., Gajaila, I., Goran, G. V., Petcu, C. D., Stefan, G. (2016). The Influence of Solid-to-Solvent Ratio and Extraction Method on Total Phenolic Content, Flavonoid Content and Antioxidant Properties of Some Ethanolic Plant Extracts. Revista de Chimie , 67 (10), 1922–1927. Puri, M., Sharma, D., Barrow, C. J. (2012). Enzyme-assisted extraction of bioactives from plants. Trends in Biotechnology , 30 (1), 37–44. https://doi.org/10.1016/j.tibtech.2011.06.014 Rani, A., Saini, K. C., Bast, F., Mehariya, S., Bhatia, S. K., Lavecchia, R., Zuorro, A. (2021). Microorganisms: A potential source of bioactive molecules for antioxidant applications. Molecules , 26 (4), 1–34. https://doi.org/10.3390/molecules26041142 Raț u, R. N., Veleș cu, I. D., Stoica, F., Usturoi, A., Arsenoaia, V. N., Crivei, I. C., Postolache, A. N., Lipș a, F. D., Filipov, F., Florea, A. M., Chiț ea, M. A., Brumă , I. S. (2023). Application of Agri-Food By-Products in the Food Industry. Agriculture , 13 (8), 1–25. https://doi.org/10.3390/agriculture13081559 Reguengo, L. M., Salgaço, M. K., Sivieri, K., Maróstica Júnior, M. R. (2022). Agro-industrial byproducts: Valuable sources of bioactive compounds. Food Research International , 152 , 1–20. https://doi.org/10.1016/j.foodres.2021.110871 Rehan, M., El-Sayed, H., El-Hawary, N. S., Mashaly, H., Elshemy, N. S. (2024). Chemically Modified Extract of Peanut Red Skin: Toward Functional Dyeing of Textile Fabrics and Study Adsorption Kinetics and Adsorption Isotherm of Dyeing Process. Industrial and Engineering Chemistry Research , 63 (26), 11301–11319. https://doi.org/10.1021/acs.iecr.4c01969 89 Repon, M. R., Sadia, H. T., Islam, T., Rahman, M. M., Karim, M. R. (2022). Systematic pad dry cure technique for augmenting the flame resistance functionality of jute fabric. Cleaner Engineering and Technology , 8 , 1–8. https://doi.org/10.1016/j.clet.2022.100492 Ricochon, G., Muniglia, L. (2010). Influence of enzymes on the oil extraction processes in aqueous media. OCL - Oleagineux Corps Gras Lipides , 17 (6), 356–359. https://doi.org/10.1684/ocl.2010.0337 Roy, S., Banerjee, S., Joshi, M., Narayan Naik, S., Rajendran, S., Ali, W. (2022). In vitro antibacterial and antioxidant activities of cotton fabrics treated with bael fruit shell extract. Indian Journal of Fibre & Textile Research , 47 , 116–124. Rozali, M. L. H., Ahmad, N. H., Isa, M. I. N. (2015). Effect of Adipic Acid Composition on Structural and Conductivity Solid Biopolymer Electrolytes Based on Carboxy Methylcellulose Studies. American-Eurasian Journal of Sustainable Agriculture , 9 (2), 39– 45. Rungruangkitkrai, N., Phromphen, P., Chartvivatpornchai, N., Srisa, A., Laorenza, Y., Wongphan, P., Harnkarnsujarit, N. (2024). Water Repellent Coating in Textile, Paper and Bioplastic Polymers: A Comprehensive Review. Polymers , 16 (19), 1–40. https://doi.org/10.3390/polym16192790 Sadannavar, M. K., Periyasamy, A., Islam, S. R., Shafiq, F., Dong, X., Zhao, T. (2024). Natural Dyeing and Antimicrobial Functionalization of Wool Fabrics Dyed with Chinese Dragon Fruit Extract to Enhance Sustainable Textiles. Sustainability , 16 (16), 1–15. https://doi.org/10.3390/su16166832 Sadat, A., Joye, I. J. (2020). Peak fitting applied to fourier transform infrared and raman spectroscopic analysis of proteins. Applied Sciences , 10 (17), 1–16. https://doi.org/10.3390/app10175918 Sadeer, N. B., Montesano, D., Albrizio, S., Zengin, G., Mahomoodally, M. F. (2020). The versatility of antioxidant assays in food science and safety—chemistry, applications, strengths, and limitations. Antioxidants , 9 (8), 1–39. https://doi.org/10.3390/antiox9080709 Saha, B., Saha, A., Das, P., Kakati, A., Banerjee, A., Chattopadhyay, P. (2024). A comprehensive review of ultraviolet radiation and functionally modified textile fabric with special emphasis on UV protection. Heliyon , 10 (22). https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e40027 Sajn, N. (2019). Environmental impact of textile and clothes industry . https://www.europarl.europa.eu/thinktank/en/document/EPRS_BRI(2019)633143. Acedido a 20 de outubro de 2024. Sarkar, A., Haque, M. A., Alam, M. (2024). Unlocking the potential of pomegranate peels as a valuable source of bioactive compounds through effective drying strategies. Food Chemistry Advances , 4 , 1–8. https://doi.org/10.1016/j.focha.2024.100622 90 Schneider, S. L., Lim, H. W. (2018). A review of inorganic UV filters zinc oxide and titanium dioxide. Photodermatology Photoimmunology and Photomedicine , 35 (6), 442–446. https://doi.org/10.1111/phpp.12439 Shahidi, S., Khoshechin, E., Dalal Sharifi, S., Mongkholrattanasit, R. (2022). Investigation of the Effect of Various Natural Dyes on UV Protection Properties and Antibacterial Activity of Cotton Fabrics. Journal of Natural Fibers , 19 (13), 7213–7228. https://doi.org/10.1080/15440478.2021.1944433 Shen, J., Shao, X. (2006). Determination of tobacco alkaloids by gas chromatography-mass spectrometry using cloud point extraction as a preconcentration step. Analytica Chimica Acta , 561 (1–2), 83–87. https://doi.org/10.1016/j.aca.2006.01.002 Shi, L., Zhao, W., Yang, Z., Subbiah, V., Suleria, H. A. R. (2022). Extraction and characterization of phenolic compounds and their potential antioxidant activities. Environmental Science and Pollution Research , 29 (54), 81112–81129. https://doi.org/10.1007/s11356-02223337-6 Shirvanimoghaddam, K., Motamed, B., Ramakrishna, S., Naebe, M. (2020). Death by waste: Fashion and textile circular economy case. Science of the Total Environment , 718 , 1– 27. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2020.137317 Siedentop, R., Claaßen, C., Rother, D., Lütz, S., Rosenthal, K. (2021). Getting the most out of enzyme cascades: Strategies to optimize in vitro multi‐enzymatic reactions. Catalysts , 11 (10), 1–24. https://doi.org/10.3390/catal11101183 Sil, A., Pramanik, K., Samantaray, P., Mondal, M. F., Yadav, V. (2020). Essential oils: A boon towards eco-friendly management of phytopathogenic fungi. Journal of Entomology and Zoology Studies , 8 (4), 1884–1891. Singh, M. K. (2021). Textiles Functionalization - A Review of Materials, Processes, and Assessment. Textiles for Functional Applications (pp. 1–32). IntechOpen. https://doi.org/10.5772/intechopen.96936 Song, X., Cvelbar, U., Strazar, P., Vossebein, L., Zille, A. (2019). Chemical, thermo-mechanical and antimicrobial properties of DBD plasma treated disinfectant-impregnated wipes during storage. Polymers , 11 (11), 1–23. https://doi.org/10.3390/polym11111769 Sousa, D. P. de, Damasceno, R. O. S., Amorati, R., Elshabrawy, H. A., de Castro, R. D., Bezerra, D. P., Nunes, V. R. V., Gomes, R. C., Lima, T. C. (2023). Essential Oils: Chemistry and Pharmacological Activities. Biomolecules , 13 (7), 1–29. https://doi.org/10.3390/biom13071144 Squillaci, G., Apone, F., Sena, L. M., Carola, A., Tito, A., Bimonte, M., Lucia, A. De, Colucci, G., Cara, F. La, Morana, A. (2017). Chestnut ( Castanea sativa Mill.) industrial wastes as a valued bioresource for the production of active ingredients. Process Biochemistry , 64 , 228–236. https://doi.org/10.1016/j.procbio.2017.09.017 97 Anexo 3 A Tabela A1 resume os valores de pick-up de cada uma das malhas funcionalizadas com os óleos naturais incluindo os controlos. Tabela A1. Valores de pick-up obtidos para cada uma das malhas funcionalizadas Condição Pick-up (%) Condição Pick-up (%) Malha sem tratamento - Dreche 1 mm 10% s 100% H2O 62,94 Malha com pré-tratamentos ( Tween 80 + stock amido + H2O) 71,39 Dreche 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 71,60 Ouriços 0,25 mm 30% s 95% EtOH 106,14 Dreche 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 70,24 Ouriços 0,25 mm 30% s 100% H2O 93,50 Dreche 1 mm 30% s pectinase 78,80 Ouriços 0,25 mm 20% s 100% H2O 89,75 Dreche 1 mm 20% s pectinase 84,71 Ouriços 0,25 mm 10% s 100% H2O 87,84 Dreche 1 mm 10% s pectinase 81,35 Ouriços 0,25 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 94,35 Dreche 1 mm 20% s celulase + xilanase 79,02 Ouriços 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 83,78 Dreche 1 mm 10% s celulase + xilanase 80,19 Ouriços 0,25 mm 30% s celulase 89,32 Dreche 4 mm 10% s 100% H2O 62,33 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase 86,38 Dreche 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 70,42 Ouriços 0,25 mm 10% s celulase 98,58 Dreche 4 mm 20% s pectinase 80,86 Ouriços 0,25 mm 20% s xilanase 67,01 Dreche 4 mm 10% s pectinase 84,64 Ouriços 0,25 mm 10% s xilanase 92,95 Dreche 4 mm 20% s celulase + xilanase 81,17 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase + xilanase 61,49 Dreche 4 mm 10% s celulase + xilanase 89,97 Ouriços 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 99,49 PV 0,25 mm 10% s 100% H2O 72,08 Ouriços 1 mm 20% s 100% H2O 101,11 PV 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 78,45 Ouriços 1 mm 10% s 100% H2O 93,28 PV 0,25 mm 10% s celulase 99,04 Ouriços 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 85,92 PV 0,25 mm 10% s xilanase 90,43 Ouriços 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 82,26 PV 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 99,31 Ouriços 1 mm 20% s celulase 87,67 PV 1 mm 10% s 100% H2O 84,78 Ouriços 1 mm 10% s celulase 89,07 PV 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 84,26 Ouriços 1 mm 20% s xilanase 90,03 PV 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 94,12 Ouriços 1 mm 10% s xilanase 83,60 PV 1 mm 20% s celulase 77,71 Ouriços 1 mm 20% s celulase + xilanase 92,60 PV 1 mm 10% s celulase 82,24 Ouriços 1 mm 10% s celulase + xilanase 92,98 PV 1 mm 20% s xilanase 84,86 Ouriços 4 mm 30% s 95% EtOH 85,04 PV 1 mm 10% s xilanase 87,23 Ouriços 4 mm 20% s 100% H2O 84,62 PV 1 mm 20% s celulase + xilanase 83,92 Ouriços 4 mm 10% s 100% H2O 91,15 PV 1 mm 10% s celulase + xilanase 85,37 Ouriços 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 85,45 PV 1 mm 10% s celulase + pectinase 88,68 Ouriços 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 86,43 PV 4 mm 10% s 100% H2O 67,23 Ouriços 4 mm 20% s celulase 79,04 PV 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 86,73 Ouriços 4 mm 10% s celulase 89,15 PV 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 83,46 Ouriços 4 mm 20 % s xilanase 86,80 PV 4 mm 10% s celulase 92,05 Ouriços 4 mm 10% s xilanase 87,38 PV 4 mm 10% s xilanase 73,62 Ouriços 4 mm 20% s celulase + xilanase 83,73 PV 4 mm 10% s celulase + xilanase 35,88 Ouriços 4 mm 10% s celulase + xilanase 83,70 PV 10 mm 20% s 100% H2O 83,99 Lúpulo 30% s 50% EtOH 100,00 PV 10 mm 10% s 100% H2O 66,99 Dreche 0,25 mm 10% s 95% EtOH 88,45 PV 10 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 86,52 Dreche 0,25 mm 30% s 100% H2O 91,36 PV 10 mm 20% s celulase 83,77 Dreche 0,25 mm 20% s 100% H2O 82,04 PV 10 mm 10% s celulase 86,67 Dreche 0,25 mm 10% s 100% H2O 82,00 PV 10 mm 20% s xilanase 81,99 Dreche 0,25 mm 30% s 100% Tampão Fosfato 86,80 PV 10 mm 10% s xilanase 71,43 Dreche 0,25 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 88,39 PV 10 mm 20% s celulase + xilanase 85,28 Dreche 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 68,26 PV 10 mm 10% s celulase + xilanase 88,78 Dreche 0,25 mm 30% s xilanase 87,97 CPT 20% s 95% EtOH 84,72 Dreche 0,25 mm 30% s pectinase 67,81 CPT 20% s 100% H2O 93,66 Dreche 0,25 mm 20% s pectinase 80,19 CPT 20% s 100% Tampão Fosfato 85,11 Dreche 0,25 mm 10% s pectinase 80,47 CPT 10% s 100% Tampão Fosfato 90,06 Dreche 0,25 mm 30% s xilanase + pectinase 78,78 CPT 20% s celulase 85,47 Dreche 0,25 mm 30% s celulase + xilanase 96,69 CPT 10% s celulase 91,27 Dreche 0,25 mm 20% s celulase + xilanase 79,40 CPT 20% s pectinase 88,45 Dreche 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 83,90 CPT 10% s pectinase 92,63 Dreche 0,25 mm 30% s pectinase + celulase 90,30 CPT 20% s celulase + pectinase 86,21 Dreche 1 mm 20% s 100% H2O 88,39 CPT 10% s celulase + pectinase 86,23 98 Anexo 4 As Tabelas A2 a A6 apresentam os volumes das infusões, as durações das evaporações e as massas de óleo obtidos para cada uma das condições testadas. Tabela A2. Volume das infusões, durações das evaporações e massas de óleos naturais obtidas para cada condição testada– Ouriços de castanha Condição Vlíquido (mL) Tempo (min) Óleo (g) Ouriços 0,25 mm 95% EtOH 30% s 75 45 1,61 100% H2O 30% s 15 10 0,93 20% s 62 18 4,20 10% s 91 50 1,72 100% Tampão Fosfato 20% s 43 12 3,87 10% s 79 35 5,94 Celulase 30% s 14 15 1,03 20% s 45 15 5,56 10% s 90 25 4,79 Xilanase 20% s 33 11 2,70 10% s 91 37 2,65 Celulase + Xilanase 20% s 61 19 2,70 10% s 85 45 2,63 Ouriços 1 mm 95% EtOH 30% s 50 45 0,67 100% H2O 20% s 39 18 4,08 10% s 87 31 3,71 100% Tampão Fosfato 20% s 37 11 4,57 10% s 81 23 7,79 Celulase 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 36 15 4,00 10% s 84 30 5,33 Xilanase 20% s 22 29 3,94 10% s 85 24 7,60 Celulase + Xilanase 20% s 52 24 4,63 10% s 98 27 5,15 Ouriços 4mm 95% EtOH 30% s 123,5 21 Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 38 30 2,30 10% s 91 23 1,39 100% Tampão Fosfato 20% s 26 19 2,96 10% s 93 30 4,62 Celulase 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 40 25 5,97 10% s 105,5 26 5,16 Xilanase 20% s 24 29 3,56 10% s 88 19 5,15 Celulase + Xilanase 20% s 57 17 4,01 10% s 97 26 6,03 99 Tabela A3. Volume das infusões, durações das evaporações e massas de óleos naturais obtidas para cada condição testada– Lúpulo Condição Vlíquido (mL) Tempo (min) Óleo (g) Lúpulo 95% EtOH 30% s 94 2 h 0,88 20% s 120 2 h 0,08 50% EtOH 30% s 130 4 h 1,75 20% s 120 4 h 40 min 0,41 Ultrassons 50% EtOH 6,67% s 114 2 h Extração inviável Ultrassons 95% EtOH 6,67% s 110 1 h 15 min Extração inviável 100% H2O 30% s 120 + 8 h Extração inviável 20% s 140 + 8 h Extração inviável Celulase 30% s 105 - Extração inviável 20% s 125 - Extração inviável Pectinase 30% s 90 - Extração inviável 20% s 109 - Extração inviável Celulase + Pectinase 30% s 115 - Extração inviável 20% s 134 - Extração inviável Tabela A4. Volume das infusões, durações das evaporações e massas de óleos naturais obtidas para cada condição testada– Dreche Condição Vlíquido (mL) Tempo (min) Óleo (g) Dreche 0,25 mm 95% EtOH 30% s 42,5 - Óleo agarrado às paredes 20% s 97 2 h 15 min 0,71 10% s 118 2 h 15 min 0,99 100% H2O 30% s 36 10 2,81 20% s 47 15 1,56 10% s 95 21 4,17 100% Tampão Fosfato 30% s 35 11 2,37 20% s 40 12 2,15 10% s 105 26 4,93 Celulase 30% s 14 15 1,31 Xilanase 30% s 22,5 45 2,29 Pectinase 30% s 25 29 4,22 20% s 40 14 1,82 10% s 92 24 4,27 Xilanase + Pectinase 30% s 40 15 4,42 Celulase + Xilanase 30% s 22,5 30 3,28 20% s 69 18 4,67 10% s 98 24 5,33 Pectinase + Celulase 30% s 30 20 2,88 95% EtOH 30% s 36,5 20 0,33 100 Dreche 1 mm 20% s 98 2 h 15 min - 10% s 116 3 h 20 min 0,8 100% Água 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 58 15 5,17 10% s 85 23 4,23 100% Tampão Fosfato 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 40 14 1,82 10% s 87 34 2,5 Pectinase 30% s 13 13 1,56 20% s 38 13 3,9 10% s 89 24 3,24 Celulase + Xilanase 30% s 13 - - 20% s 35 12 3,09 10% s 92 29 2,76 Dreche 4 mm 95% EtOH 30% s 21,5 15 Óleo agarrado às paredes 20% s 97 2 h 15 min Muito pouco óleo. Não deu para aproveitar 10% s 119 4 h 13 min 0,53 100% H2O 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 50 15 0,88 10% s 91 24 3,28 100% Tampão Fosfato 30% s Descartado. Não sobrou líquido após a extração 20% s 20 15 0,76 10% s 85 35 2,82 Pectinase 30% s Descartado. Não sobrou líquido da extração 20% s 28 10 1,92 10% s 80 29 3,3 Celulase + Xilanase 30% s 10 - Não sobrou óleo. Evaporou tudo! 20% s 23 9 1,31 10% s 92 20 3,65 101 Tabela A5. Volume das infusões, durações das evaporações e massas de óleos naturais obtidas para cada condição testada– Podas de videira Condição Vlíquido (mL) Tempo (min) Óleo (g) Podas de videira 0,25 mm 95% EtOH 20% s 51 3 h 13 min Não sobrou óleo. Evaporou tudo! 10% s 57 13 Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 27 10 0,78 10% s 95 21 2,74 100% Tampão Fosfato 20% s 20 9 0,30 10% s 87 24 5,26 Celulase 20% s 23 10 0,97 10% s 66 18 2,15 Xilanase 20% s 20 13 Óleo agarrado às paredes 10% s 86 25 4,96 Celulase + Xilanase 20% s 26 10 1,17 10% s 85 20 2,48 Podas de videira 1 mm 95% EtOH 20% s 50 3 h 13 min Não sobrou óleo. Evaporou tudo! 10% s 113 13 Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 36 10 0,85 10% s 85 25 2,27 100% Tampão Fosfato 20% s 37 10 3,06 10% s 90 26 5,90 Celulase 20% s 41 13 2,17 10% s 68 33 2,2 Xilanase 20% s 29 10 2,10 10% s 89 35 3,43 Celulase + Xilanase 20% s 42 14 1,15 10% s 85 28 5,00 Celulase + Pectinase 10% s 63 30 2,65 Podas de videira 4 mm 95% EtOH 20% s 60 3 h 13 min Não sobrou óleo. Evaporou tudo! 10% s 113 16 Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 40 17 0,53 10% s 92 24 1,44 100% Tampão Fosfato 20% s 39 13 1,81 10% s 83 23 6,00 Celulase 20% s 39 17 0,63 10% s 54 30 2,45 102 Xilanase 20% s 32 13 0,83 10% s 86 36 2,98 Celulase + Xilanase 20% s 44 15 1,26 10% s 85 32 1,56 Podas de videira 10 mm 95% EtOH 20% s 78 2 h 15 min 0,96 10% s 110 - Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 76 23 1,29 10% s 118 26 2,03 100% Tampão Fosfato 20% s 73 23 1,55 10% s 103 24 3,97 Celulase 20% s 62 1h 2,04 10% s 61 20 2,47 Xilanase 20% s 63 21 1,55 10% s 110 40 5,17 Celulase + Xilanase 20% s 70 37 2,88 10% s 107 24 2,35 Tabela A6. Volume das infusões, durações das evaporações e massas de óleos naturais obtidas para cada condição testada– Caules de planta de tabaco Condição Vlíquido (mL) Tempo (min) Óleo (g) Caules de planta de tabaco 95% EtOH 20% s 75 2 h 20 min 1,17 10% s 100 - Óleo agarrado às paredes 100% H2O 20% s 22 9 1,66 10% s 53 20 1,55 100% Tampão Fosfato 20% s 32 15 1,88 10% s 49 14 1,71 Celulase 20% s 25 9 2,21 10% s 48 20 2,18 Pectinase 20% s 18 9 0,99 10% s 45 25 3,77 Celulase + Pectinase 20% s 18 12 1,16 10% s 47 20 3,15 Anexo 5 As Figuras A12 e A13 apresentam os rendimentos de extração para as condições em que foi possível obter óleo natural com 30% sólidos de ouriços de castanha e dreche, respetivamente, para as diferentes granulometrias testadas. 103 Figura A12. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Ouriços de castanha. Figura A13. Rendimentos de extração dos óleos naturais em góleo/gresíduo.mL em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Dreche. Anexo 6 As Figuras A14, A15 e A16 apresentam a concentração de compostos fenólicos das infusões em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas para as diferentes granulometrias testadas para os ouriços de castanha (30% sólidos), lúpulo (6,67% sólidos) e dreche (30% sólidos), respetivamente. 104 Figura A14. Concentração de compostos fenólicos das infusões em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Ouriços de castanha. Figura A15. Concentração de compostos fenólicos das infusões em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas com Ultrassons 6,67% sólidos– Lúpulo. Figura A16. Concentração de compostos fenólicos das infusões em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Dreche. 105 Anexo 7 As Figuras A17 e A18 apresentam a concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas para as quais foi possível obter óleo natural de ouriços de castanha e dreche, respetivamente com 30% sólidos para as diferentes granulometrias testadas. Figura A17. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Ouriços de castanha. Figura A18. Concentração de compostos fenólicos dos óleos naturais em mgEAG/gresíduo em função das condições estudadas 30% sólidos para as granulometrias 0,25 mm, 1 mm e 4 mm– Dreche. Anexo 8 Na Tabela A7, encontra-se os valores de tempo de absorção médio da gota de água destilada em cada substrato têxtil funcionalizado. 106 Tabela A7. Tempo de absorção médio da gota de água destilada nos substratos têxteis funcionalizados Condição Tempo médio (min) Desvio padrão Condição Tempo médio (min) Desvio padrão Ouriços 0,25 mm 20% s xilanase 22,11 7,98 Dreche 0,25mm 10% s 95% EtOH 0,45 0,08 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase + xilanase 17,12 4,70 Dreche 0,25mm 20% s 100% Tampão Fosfato 0,43 0,23 Ouriços 1 mm 20% s celulase + xilanase 3,61 0,77 Dreche 0,25mm 30% s 100% H2O 0,38 0,14 Ouriços 1 mm 10% s celulase + xilanase 3,13 0,50 Dreche 1mm 20% s pectinase 0,34 0,22 Ouriços 0,25 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 2,29 0,82 Dreche 0,25mm 30% s xilanase 0,32 0,13 Ouriços 0,25 mm 30% s 100% H2O 1,81 1,03 Dreche 0,25mm 20% s 100% H2O 0,29 0,08 Ouriços 0,25 mm 20% s 100% H2O 1,60 0,38 Dreche 1mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,14 0,07 Ouriços 1 mm 10% s 100% H2O 1,35 0,73 Dreche 0,25mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,10 0,14 Ouriços 4 mm 10% s 100% H2O 1,34 0,33 PV 10 mm 10% s celulase + xilanase 46,54 0,20 Ouriços 1 mm 20% s 100% H2O 1,20 0,51 PV 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 45,47 20,71 Ouriços 0,25 mm 10% s celulase 0,95 0,68 PV 1 mm 20% s celulase 33,95 17,37 Ouriços 1 mm 10% s celulase 0,80 0,28 PV 10 mm 20% s celulase + xilanase 25,53 33,66 Ouriços 4 mm 10% s celulase 0,78 0,16 PV 1 mm 20% s celulase + xilanase 19,48 8,97 Ouriços 0,25 mm 30% s celulase 0,75 0,58 PV 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 12,66 0,37 Ouriços 0,25 mm 10% s xilanase 0,68 0,30 PV 10 mm 20% s celulase 9,07 5,55 Ouriços 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,62 0,20 PV 4 mm 10% s celulase + xilanase 5,86 1,76 Ouriços 0,25 mm 30% s 95% EtOH 0,56 0,16 PV 10 mm 20% s 100% H2O 5,65 0,44 Ouriços 0,25 mm 10% s 100% H2O 0,34 0,17 PV 10 mm 10% s 100% H2O 4,79 2,50 Ouriços 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,26 0,11 PV 1 mm 20% s xilanase 3,99 0,26 Ouriços 4 mm 20 % s xilanase 0,26 0,11 PV 10 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 2,74 0,88 Ouriços 4 mm 10% s xilanase 0,20 0,12 PV 10 mm 20% s xilanase 2,59 0,99 Ouriços 1 mm 10% s xilanase 0,17 0,30 PV 0,25 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 2,10 0,58 Ouriços 4 mm 10% s celulase + xilanase 0,16 0,17 PV 1 mm 10% s pectinase + celulase 2,08 0,50 Ouriços 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,15 0,10 PV 4 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 1,93 0,88 Ouriços 4 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 0,13 0,09 PV 1 mm 10% s celulase 1,84 0,53 Ouriços 4 mm 20% s celulase 0,12 0,07 PV 1 mm 10% s 100% Tampão Fosfato 1,67 0,50 Ouriços 4 mm 30% s 95% EtOH 0,08 0,03 PV 4 mm 10% s 100% H2O 1,25 1,18 Ouriços 0,25 mm 20% s celulase 0,07 0,06 PV 0,25 mm 10% s 100% H2O 1,25 0,83 Ouriços 4 mm 20% s 100% H2O 0,06 0,02 PV 10 mm 10% s celulase 1,17 0,71 Ouriços 0,25 mm 10% s celulase + xilanase 0,02 0,01 PV 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 1,12 0,29 Ouriços 4 mm 20% s celulase + xilanase 0,02 0,00 PV 0,25 mm 10% s celulase 0,87 0,43 Ouriços 1 mm 20% s xilanase 0,02 0,03 PV 4 mm 10% s celulase 0,60 0,16 Ouriços 1 mm 20% s celulase 0,02 0,02 PV 10 mm 10% s xilanase 0,52 0,63 Ouriços 1 mm 20% s 100% Tampão Fosfato 0,00 0,00 PV 4 mm 10% s xilanase 0,20 0,12 Lúpulo 30% s 50% EtOH 0,32 0,24 PV 1 mm 10% s 100% H2O 0,00 0,00 Dreche 0,25mm 10% s celulase + xilanase 19,34 3,66 PV 0,25 mm 10% s xilanase 0,00 0,00 Dreche 1mm 10% s celulase + xilanase 16,24 0,50 PV 1 mm 10% s celulase + xilanase 0,00 0,00 Dreche 1mm 10% s 100% H2O 13,97 1,25 PV 1 mm 10% s xilanase 0,00 0,00 Dreche 0,25mm 20% s pectinase 12,18 0,08 CPT 20% s pectinase 6,61 0,96 Dreche 1mm 10% s pectinase 8,85 0,34 CPT 20% s celulase 5,82 1,05 Dreche 4mm 10% s pectinase 6,74 0,10 CPT 20% s celulase + pectinase 2,37 0,52 Dreche 4mm 20% s celulase + xilanase 6,59 0,99 CPT 20% s 100% H2O 2,25 0,68 Dreche 0,25mm 30% s pectinase 6,17 2,22 CPT 20% s 100% Tampão Fosfato 1,50 0,57 Dreche 0,25mm 30% s 100% Tampão Fosfato 5,18 0,93 CPT 20% s 95% EtOH 1,15 0,81 Dreche 0,25mm 10% s pectinase 3,89 0,11 CPT 10% s celulase + pectinase 0,77 0,19 Dreche 4mm 10% s 100% H2O 3,84 3,23 CPT 10% s celulase 0,55 0,26 Dreche 1mm 20% s celulase + xilanase 2,49 0,48 CPT 10% s pectinase 0,50 0,22 Dreche 1mm 30% s pectinase 2,34 1,77 CPT 10% s 100% H2O 0,39 0,18 Dreche 4mm 10% s celulase + xilanase 2,03 0,20 CPT 10% s 100% Tampão Fosfato 0,00 0,00 Dreche 0,25mm 30% s xilanase + pectinase 1,92 0,37 Dreche 0,25mm 30% s pectinase + celulase 1,83 0,40 Dreche 0,25mm 20% s celulase + xilanase 1,70 1,22 Dreche 0,25mm 30% s xilanase + celulase 1,37 0,36 Dreche 1mm 20% s 100% Tampão Fosfato 1,36 0,52 Dreche 4mm 20% s pectinase 1,20 0,24 Dreche 4mm 10% s 100% Tampão Fosfato 0,78 0,59 Dreche 1mm 20% s 100% H2O 0,71 0,46 Dreche 0,25mm 10% s 100% H2O 0,70 0,11