Full text
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
O iana Paulo F ancisco
Co ela os Neu ocogni i os do
Compo amen o Alimen a em
Adolescen es
junho de 2022
Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o
Alimen a em Adolescen es
O iana F ancisco
UMinho | 2022
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
O iana Paulo F ancisco
Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o
Alimen a em Adolescen es
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em Psicologia
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a E a Conceição
e da
P o esso a Dou o a So ia Ma ques Ramalho
junho de 2022
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii
Ag adecimen os
À P o esso a Dou o a E a Conceição, pela o ien ação e pelas ideias impo an es que
me p es ou em odo o pe cu so, p incipalmen e nos momen os mais decisi os, mos ando-
se semp e disponí el pa a dú idas e escla ecimen os.
À Dou o a So ia Ma ques Ramalho pela disponibilidade na espos a a odas as minhas
dú idas, pela mo i ação ão impo an e nos momen os mais c í icos, po odas as
ap endizagens que me p opo cionou e po oda a simpa ia que semp e mos ou pa a
comigo.
Às in es igado as Síl ia Félix e Ma a de Lou des po e em sido imp escindí eis na
ecolha de dados e po oda a disponibilidade que demos a am.
À minha que ida amiga Eliana Rod igues, po e sido uma das pessoas mais
impo an es des es 5 anos e que, com a sua ajuda, me pe mi iu chega aqui. Ao apoio
emocional em odos os momen os, à p eocupação que semp e demons ou pa a comigo, às
in ini as dú idas pa ilhadas, aos momen os de isada e a oda a uma amizade que nunca
ou esquece .
À Bea iz Dias pelas melho es memó ias que enho des es anos uni e si á ios, pelas
ho as de b incadei a e amizade e po se uma pessoa que con agia com o seu bom humo .
Aos melho es pais do mundo, Amílca F ancisco e C is ina Paulo, po e em es ado a
acompanha -me em odos os momen os da minha ida, pelo apoio incondicional semp e,
pela ajuda cons an e, po me mo i a em a mais e melho , po oda a comp eensão, ca inho
e amo que semp e demons a am. Sem ocês, nada dis o e a possí el.
Ao meu i mão, Nil on F ancisco, po e semp e ei o mui o bem o seu papel de
i mão: i i a -me. Mas ambém po me e p opo cionado os melho es momen os da minha
in ância, po semp e me aze i em qualque si uação e po eu sabe que semp e ai es a
lá.
E a odos os ou os, que de o ma di e a ou indi e a, passa am pela minha ida e me
ajuda am a chega aqui.
A odos, mui o ob igada!
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou
alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do
Minho.
Uni e sidade do Minho, 6 de junho de 2022
(O iana Paulo F ancisco)
Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o Alimen a em Adolescen es
Resumo
Al e ações nas unções execu i as podem es a associadas a compo amen os alimen a es
p oblemá icos e consequen e aumen o de peso. O obje i o des a in es igação é explo a se
a elação en e o compo amen o alimen a p oblemá ico e as di iculdades na memó ia de
abalho e con olo inibi ó io a iam em unção do peso e população adolescen e
(comuni á ia e sus clínica) e se a elação en e di iculdades de egulação emocional e
compo amen os alimen a es a iam em unção das unções execu i as. Nes e es udo
ans e sal, o am a aliados 31 adolescen es (amos a clínica) e 148 (amos a comuni á ia)
en e os 13 e 18 anos, a a és de ques ioná ios de au o ela o online. Fo am ealizados
es es de di e enças, explo adas co elações e modelos de mode ação. Os esul ados
indicam não exis i di e enças signi ica i as en e os pe cen is de Índice de Massa Co po al
(IMC) ao ní el das unções execu i as, em ambas as amos as. Na amos a comuni á ia, as
di iculdades nas unções execu i as associam-se o emen e ( s > .47) a mais pe isco
con ínuo. Nes a amos a e ela-se o papel mode ado da memó ia de abalho na elação
en e as di iculdades de egulação emocional e o compo amen o de pe isco (R² = 0.23).
Es udos u u os podem explo a elações causais en e o uncionamen o execu i o (a é com
ou as unções) e o pe isco con ínuo, e como es as se al e am ao longo do empo.
Pala as-cha e: adolescen es, con olo inibi ó io, compo amen o alimen a ,
memó ia de abalho, pe isco con ínuo
i
Neu ocogni i e Co ela es o Ea ing Beha io in Adolescen s
Abs ac
Changes in execu i e unc ions may be associa ed wi h p oblema ic ea ing beha io s
and consequen weigh gain. This in es iga ion aims o explo e i he ela ionship be ween
p oblema ic ea ing beha io and di icul ies in wo king memo y and inhibi o y con ol a ies
by weigh and adolescen popula ion (communi y e sus clinic) and i he ela ionship
be ween emo ional egula ion di icul ies and ea ing beha io s a ies acco ding o execu i e
unc ions. In his c oss-sec ional s udy, 31 adolescen s (clinical sample) and 148 (communi y
sample) be ween 13 and 18 yea s old we e e alua ed using online sel - epo ques ionnai es.
Di e ence es s we e pe o med, co ela ions and mode a ion models we e explo ed. The
esul s indica e ha he e a e no signi ican di e ences be ween he Body Mass Index (BMI)
pe cen iles a he le el o execu i e unc ions, in bo h samples. In he communi y sample,
di icul ies in execu i e unc ions a e s ongly associa ed ( s > .47) wi h mo e g azing. This
sample e eals he mode a ing ole o wo king memo y in he ela ionship be ween emo ional
egula ion di icul ies and g azing beha io (R² = 0.23). Fu u e s udies may explo e causal
ela ionships be ween execu i e unc ioning (e en wi h o he unc ions) and g azing, and how
hese change o e ime.
Keywo ds: adolescen s, ea ing beha io , g azing, inhibi o y con ol, wo king memo y
ii
Índice
In odução .................................................................................................................................. 9
O papel da memó ia de abalho no compo amen o alimen a ...................................... 10
O papel do con olo inibi ó io na capacidade de au o egulação do compo amen o
alimen a .................................................................................................................................. 12
Limi ações da li e a u a ..................................................................................................... 13
Obje i os ............................................................................................................................ 14
Mé odo..................................................................................................................................... 15
Amos as ........................................................................................................................... 15
P ocedimen o..................................................................................................................... 16
Medidas.............................................................................................................................. 17
Ins umen os ...................................................................................................................... 18
Análise de dados ............................................................................................................... 20
Resul ados ................................................................................................................................ 21
Ca ac e ização demog á ica e clínica da amos a ............................................................. 21
Co elações en e as a iá eis em es udo ......................................................................... 22
Análise de di e enças en e a amos a clínica e a comuni á ia ......................................... 24
Análise de di e enças em unção do pe cen il de IMC ...................................................... 27
Papel mode ado das unções execu i as na elação en e o compo amen o alimen a e
a egulação emocional ............................................................................................................ 29
Discussão .................................................................................................................................. 31
Limi ações e ecomendações pa a es udos u u os .......................................................... 34
Re e ências............................................................................................................................... 35
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
14
naquilo que é a di e sidade do compo amen o alimen a e pode não es a a con empla
ou as e en es do compo amen o alimen a p oblemá ico, como po exemplo, o
compo amen o de pe isco con ínuo: pad ão alimen a ge almen e ca ac e izado pela
inges ão epe i i a de pequenas/modes as quan idades de alimen os (Conceição e al., 2014).
Es e é um compo amen o alimen a pouco es udado na li e a u a, pelo que pouco se sabe
como es e ipo de compo amen o se elaciona com as unções execu i as. Daí su ge ambém
a p esen e in es igação que p e ende es a essas associações.
Adicionalmen e, a li e a u a e idencia que a maio ia das in es igações es uda
amos as clínicas de indi íduos (em a amen o pa a pe da de peso), e apenas uma eduzida
pe cen agem eco e a amos as comuni á ias. O a, se ia impo an e in es iga mais
cla amen e es a úl ima e comp eende como a elação en e as unções execu i as e o
compo amen o alimen a se es abelece na população adolescen e comum (com di e sos
espec os de peso e sem a amen o pa a pe da de peso). Se ia impo an e ambém explo a
as di e enças en e es as duas populações, uma ez que o ac o de os pa icipan es ec u ados
em ambien es clínicos (e.g., hospi ais) es a em a segui um p og ama de con olo de peso
(que usualmen e inclui in e enções clínicas di ecionadas a compo amen os alimen a es
especí icos), pode a e a /al e a a elação en e as unções execu i as e o compo amen o
alimen a na adolescência. Assim sendo, o p esen e es udo p e ende analisa as
ambi alências ap esen adas na en a i a de ob e conclusões obus as.
Obje i os
O obje i o ge al do p esen e es udo é explo a se a elação en e a psicopa ologia do
compo amen o alimen a e as di iculdades no uncionamen o execu i o na adolescência
a iam em unção do peso e da amos a (clínica, em a amen o pa a a pe da de peso, ou
comuni á ia), assim como explo a se a elação en e as di iculdades de egulação emocional
e compo amen os alimen a es p oblemá icos a iam em unção das di iculdades nas unções
execu i as.
Mais especi icamen e, p e ende-se (1) Tes a co elações en e a iá eis de
psicopa ologia do compo amen o alimen a ( es ição e pe isco con ínuo), de uncionamen o
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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psicológico (dep essão, ansiedade e egulação emocional) e de uncionamen o execu i o
(con olo inibi ó io e memó ia de abalho); (2) Tes a di e enças en e a amos a clínica e a
amos a comuni á ia ao ní el da memó ia de abalho e do con olo inibi ó io em
adolescen es; (3) Tes a di e enças na memó ia de abalho e no con olo inibi ó io em
adolescen es com di e en es pe cen is de IMC: peso no mal, excesso de peso e obesidade; (4)
Explo a o e ei o mode ado do es ado ponde al e da amos a na elação en e as di iculdades
de uncionamen o execu i o (con olo inibi ó io e memó ia de abalho) e compo amen os
alimen a es p oblemá icos; (5) Explo a o e ei o mode ado das unções execu i as (con olo
inibi ó io e memó ia de abalho) na elação en e as di iculdades de egulação emocional e o
compo amen o alimen a p oblemá ico.
Mé odo
Amos as
Amos a Clínica
A amos a clínica oi ecolhida em consul a de nu ição pediá ica no Cen o Hospi al
Uni e si á io de S. João, no Po o, Po ugal. É cons i uída po adolescen es po ugueses com
excesso de peso e obesidade, en e os 13 e 18 anos, de ambos os sexos.
Os c i é ios de inclusão são: (a) idade comp eendida en e os 13 e 18 anos, (b) pe cen il
de IMC ≥ 85; (c) se acompanhado/a em egime ambula ó io pela especialidade de nu ição
pediá ica, no âmbi o da consul a da obesidade in an il do hospi al e (d) ala , comp eende e
esc e e em língua po uguesa.
Os c i é ios de exclusão são: (a) uso de medicação pa a pe da de peso e (b) di iculdades
de ap endizagem dos adolescen es que impeçam o p eenchimen o dos ins umen os.
Amos a Comuni á ia
A amos a comuni á ia oi ecolhida na escola E.B.I.//J.I. da Co elhã, em Pon e de
Lima, Viana do Cas elo, e na Escola Secundá ia de Caldas das Taipas, Guima ães, Po ugal. É
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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cons i uída po adolescen es po ugueses com peso no mal, excesso de peso e obesidade,
en e os 13 e 18 anos, de ambos os sexos.
Os c i é ios de inclusão são: (a) idade comp eendida en e os 13 e 18 anos; (b) pe cen il
de IMC > 50; (c) ala , comp eende e esc e e em língua po uguesa.
Os c i é ios de exclusão são: di iculdades de ap endizagem dos adolescen es que
impeçam o p eenchimen o dos ins umen os.
P ocedimen o
Foi subme ido o es udo à Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências da Vida e
da Saúde (CEICVS), à Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas
(CEICSH) da Uni e sidade do Minho e à Comissão de É ica do Cen o Hospi ala de São
João/Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o, assim como equisi ada au o ização
nas escolas, sendo odos acei es.
Pa a a amos a clínica, os c i é ios de inclusão e de exclusão o am dados aos
p o issionais de saúde dispos os a colabo a , que ao conduzi as consul as, ealiza am a
iagem de po enciais pa icipan es. No caso da amos a comuni á ia, os pa icipan es o am
ec u ados nas u mas de 7º a 9º anos na escola básica e nas u mas de 10º a 12º anos na
escola secundá ia.
Em ambas as amos as, aos candida os que acei a am pa icipa , oi explici ado o
con eúdo do es udo e os pais/ esponsá eis legais e os adolescen es assina am o
consen imen o in o mado. É essal ado que podem desis i do es udo a qualque momen o,
que é ga an ida a con idencialidade e anonima o dos dados e que o seu apoio médico não é
comp ome ido com es a decisão (no caso da amos a clínica). De seguida e e uou-se o
p eenchimen o dos ins umen os online pelos pa icipan es, a a és do so wa e Qual ics. O
p eenchimen o oi ealizado a a és do elemó el/ able dos pa icipan es e, caso es a opção
não osse iá el pa a algum pa icipan e, o am disponibilizados os ins umen os em o ma o
papel. Os dados demog á icos e an opomé icos dos adolescen es o am igualmen e
ecolhidos (pelos in es igado es, no caso da amos a comuni á ia, e pelos médicos, no caso
da amos a clínica).
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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Os pe cen is de IMC a que se eco e nes e es udo são baseados nos c i é ios da
O ganização Mundial de Saúde (2007): peso no mal: pe cen il de IMC supe io a 50 e in e io
a 85; excesso de peso: pe cen il de IMC igual ou supe io a 85 e in e io a 95 e obesidade:
pe cen il de IMC igual ou supe io a 85.
A ecolha de dados iniciou-se em maio de 2021 e e minou em ab il de 2022. Fo am
cump idos odos os equisi os p esen es no Código Deon ológico da O dem dos Psicólogos
(OPP), nomeadamen e a ní el do consen imen o in o mado, p i acidade, con idencialidade e
pa icipação olun á ia.
Es e es udo con a apenas com um único momen o de a aliação, a ando-se de uma
in es igação ans e sal, que u iliza um mé odo de amos agem não p obabilís ica.
Medidas
Sociodemog á icas
Em ambas as amos as oi ecolhida a idade, o sexo, a nacionalidade e o ano de
escola idade dos pa icipan es. Os adolescen es da amos a comuni á ia o am ainda
ques ionados se es a iam a se acompanhados po ques ões ela i as ao peso ou à saúde
men al.
An opomé icas
Fo am ecolhidos os alo es de peso (em quilog amas), medidos pela balança digi al
SECA (p ecisão de 100g, 200g), na amos a comuni á ia, e pela balança TANITA BV-601
(p ecisão de 100g), na amos a clínica. Os pa icipan es o am pesados com oupa le e e sem
sapa os.
Os alo es da al u a (em cen íme os) o am medidos po um es adióme o po á il
SECA modelo 206.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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Ins umen os
Os ins umen os aplicados aos pa icipan es das duas amos as o am os seguin es:
Nega i e U gency Subscale (UPPS-P) (Leand o, 2015; Whi eside e al., 2005):
subescala de 12 i ens que a alia a endência do indi íduo de cede a impulsos o es quando
acompanhados po emoções nega i as. A subescala es á incluída num ins umen o de 59 i ens
compos o po 5 subescalas: u gência nega i a; u gência posi i a; al a de p emedi ação; al a
de pe se e ança e p ocu a de sensações. Apenas oi adminis ada uma das subescalas
(u gência nega i a). Cada i em é classi icado numa escala Like que a ia de 1 (conco do
o almen e) a 4 (disco do o almen e). Pon uações mais ele adas indicam maio
impulsi idade do sujei o. Nes e es udo e i ica-se um bom índice de consis ência in e na, com
um α de C onbach de .87.
Dep ession Anxie y S ess Scale (DASS-21) (Pais-Ribei o e al., 2004; Lo ibond &
Lo ibond, 1995): ins umen o compos o po 21 i ens dis ibuídos igualmen e po ês
subescalas: Dep essão, Ansiedade e S ess. Os sujei os espondem em que medida
expe imen a am cada sin oma na úl ima semana a a és de uma escala Like de 4 pon os que
a ia de 0 (não se aplica nada a mim) a 3 (aplicou-se a mim a maio pa e das ezes). No
p esen e es udo oi excluída a subescala de S ess, ob endo um o al de 14 i ens aplicados.
Pon uações mais al as dizem espei o a es ados a e i os mais nega i os. Nes e es udo
e i icam-se índices de consis ência in e na mui o bons, com um α de C onbach de .91 e .90
pa a a subescala de dep essão e ansiedade, espe i amen e.
Modi ied B ie 7-i em e sion o he Ea ing Diso de Examina ion Ques ionnai e
(EDE-Q) (Machado e al., 2018; Fai bu n & Beglin, 1994): ques ioná io de au o ela o
cons i uído po 3 subescalas: es ição alimen a , sob e alo ização do peso/ o ma e
insa is ação co po al. É compos o po 7 i ens que a aliam a psicopa ologia do compo amen o
alimen a e as ca ac e ís icas psicológicas associadas, nos úl imos 28 dias. Os i ens são
a aliados numa escala Like de 7 pon os, que a ia en e 0 e 6, com base na equência e no
g au de se e idade do compo amen o alimen a . Pon uações mais al as na escala global e
nas subescalas deno am compo amen os e a i udes alimen a es mais p oblemá icas.
Ap esen a um α de C onbach de .79 pa a a subescala de es ição alimen a e .91 pa a as
subescalas de sob e alo ização do peso/ o ma e insa is ação co po al.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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Repe i i e Ea ing Ques ionnai e (Rep(ea )-Q) (Conceição e al., 2017): ques ioná io de
au o ela o que a alia o pad ão alimen a do ipo pe isco con ínuo, incluindo duas subescalas:
o pe isco compulsi o e o pe isco não compulsi o (come epe i i o) a a és de 12 i ens
co ados a a és de uma escala Like de 7 pon os. Es e ins umen o es uda o pe isco con ínuo
e o seu ní el de in ensidade, equência, quan idade, ipos de alimen os, en e ou os, nos
úl imos 28 dias. Pon uações mais al as indicam a p esença de um pad ão alimen a
deso denado do ipo pe isco. Nes e es udo, o ins umen o ap esen a uma boa consis ência
in e na, com um α de C onbach de .91 pa a a escala o al.
B ie Ve sion o he Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale (DERS-18) (Ri a & Lei ão,
2020; Vic o & Klonsky, 2016): ques ioná io de au o ela o de 18 i ens, adap ado da e são
o iginal com 36, desen ol ido pa a a alia á ias dimensões da des egulação emocional. Inclui
uma pon uação o al e seis subescalas: al a de consciência das p óp ias emoções; al a de
cla eza sob e a na u eza das emoções; al a de acei ação das emoções; al a de acesso a
es a égias e icazes de egulação emocional; al a de capacidade de se en ol e em a i idades
di ecionadas a um obje i o du an e emoções nega i as e al a de capacidade pa a con ola
os p óp ios impulsos du an e emoções nega i as. Os i ens são co ados a a és de uma escala
Like de 1 (quase nunca) a 5 (quase semp e). Pon uações mais ele adas nes e ins umen o
indicam maio es di iculdades de egulação emocional. Rela i amen e à consis ência in e na,
ap esen a um α de C onbach de .91 pa a a escala o al.
Teenage Execu i e Func ioning In en o y (TEXI) (Tho ell e al., 2020): ques ioná io de
au o ela o de 20 i ens que a alia dois a o es p incipais do uncionamen o execu i o em
adolescen es: a memó ia de abalho e o con olo inibi ó io. Cada i em do ques ioná io é
classi icado numa escala Like de 5 pon os a iando de 1 (“de ini i amen e não e dadei o”)
a 5 (“de ini i amen e e dadei o). Pon uações mais ele adas nes e ins umen o indicam
maio es di iculdades nas unções execu i as. Nes e es udo, o ins umen o ap esen a uma boa
consis ência in e na, com um α de C onbach de .83 pa a a subescala de ‘con olo inibi ó io’ e
.88 pa a a subescala de ‘memó ia de abalho’. A alidação des e ins umen o pa a a
população po uguesa ainda es á em cu so.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
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Análise de dados
A análise dos dados oi conduzida no p og ama de a amen o de dados S a is ical
Package o he Social Sciences (SPSS), e são 28.0 (pa a Windows). O p ocesso de análise oi
di idido em duas e apas de es a ís ica: a desc i i a e a in e encial. A p imei a ase con emplou
a análise desc i i a das a iá eis em es udo ( equência, média, des io-pad ão). A aliou-se a
dis ibuição das a iá eis, es ando os p essupos os necessá ios pa a a u ilização dos es es
pa amé icos e, is o não es a em cump idos os p essupos os da no malidade dos dados e da
homogeneidade das a iâncias, o am u ilizados es es não-pa amé icos. Os dados ausen es
o am a ados a a és da subs i uição pela média dos i ens espondidos dessa mesma
subescala pelo pa icipan e, semp e que ha ia uma axa de espos a de 70% ou supe io na
espe i a escala.
Na análise in e encial, o am es adas co elações de Spea man pa a in es iga as
associações en e as a iá eis. Pa a explo a as di e enças en e as a iá eis em es udo
( uncionamen o execu i o, psicológicas e compo amen o alimen a ) en e a amos a clínica
e comuni á ia o am ealizados es es de Mann-Whi ney. Seguidamen e, pa a es a as
di e enças en e as a iá eis e os pe cen is de IMC ealiza am-se, na amos a clínica, es es de
Mann-Whi ney e na amos a comuni á ia (com 3 ca ego ias), es es de K uskall-Wallis com
pos e io es es es de Mann-Whi ney com co eção de Bon e oni pa a a e igua em que
g upos es as di e enças são signi ica i as em de e minada a iá el.
Fo am ainda es ados modelos de mode ação, que de aco do com as co elações
encon adas se mos a am mais adequados, endo po base as e idências da li e a u a. Os
modelos de mode ação o am es ados a a és do PROCESS mac o do SPSS, e são 4.1 (Hayes,
2022).
O α de C onbach oi calculado pa a a alia os índices de consis ência in e na dos
ins umen os. Fo am assumidos os alo es de p in e io es a .05 como es a is icamen e
signi ica i os.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
21
Resul ados
Ca ac e ização demog á ica e clínica das amos as
Es e es udo oi cons i uído po duas amos as: a amos a clínica e a amos a
comuni á ia. Todos os pa icipan es êm idades comp eendidas en e os 13 e 18 anos. A
amos a clínica incluiu 31 adolescen es po ugueses, em que 15 (48.4%) são do sexo eminino
e 16 (51,6%) do sexo masculino. A amos a comuni á ia incluiu 148 pa icipan es, em que 86
(58.1%) são do sexo eminino e 62 (41.9%) do sexo masculino. Os pa icipan es des a amos a
êm nacionalidade po uguesa (n = 146; 98.6%) e b asilei a (n = 2; 1.4%). Nenhum pa icipan e
es a a, na al u a da a aliação, a se seguido em consul a hospi ala na á ea do excesso de
peso/obesidade. Nes a amos a, 4 adolescen es (2.7%) es a am a se seguido a ní el
psicológico ou psiquiá ico po ques ões elacionados com o peso e a alimen ação e 18
pa icipan es inham algum diagnós ico elacionado com a saúde men al (e.g., ansiedade,
dep essão e PHDA).
As a iá eis ela i as às ca ac e ís icas sociodemog á icas e clínicas mais ele an es
es ão sis ema izadas na Tabela 1.
Tabela 1
Ca ac e ização Sociodemog á ica dos Pa icipan es em Es udo
Amos a
Clínica
(n = 31)
Comuni á ia
(n = 148)
U
N (%)
M (DP)
N (%)
M (DP)
Idade (anos)
15.00 (1.46)
15.31 (1.67)
2040.00
Z-Sco e IMC
(kg/m²)
2.51 (0.57)
0.44 (0.98)
150.00 ***
Pe cen il de IMCᵃ
150.00 ***
Peso No mal
104 (74.3%)
Excesso de Peso
7 (22.6%)
29 (20.7%)
Obesidade
24 (77.4%)
7 (5%)
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
22
Amos a
Clínica
(n = 31)
Comuni á ia
(n = 148)
U
N (%)
M (DP)
N (%)
M (DP)
Escola idade
2024.50
Básico
16 (51.6%)
59 (39.9%)
Secundá io
15 (48.4%)
89 (60.1%)
No a. ᵃ A ca ego ia de pe cen il de IMC ob e e missing da a (N = 8) na amos a comuni á ia, esul ando num n = 140.
*** p < .001.
Co elações en e as a iá eis em es udo
Na Tabela 2 são ap esen adas as co elações en e as a iá eis de uncionamen o
execu i o, de uncionamen o psicológico e as de compo amen o alimen a . Pe mi e explo a
como as a iá eis es ão associadas en e si e, p incipalmen e, como as a iá eis de
uncionamen o execu i o se elacionam com as a iá eis de compo amen o alimen a .
Os esul ados e idenciam que, na amos a comuni á ia, os compo amen os
alimen a es p oblemá icos es ão co elacionados a di iculdades nas unções execu i as,
e i icando-se que maio es di iculdades de memó ia de abalho e con olo inibi ó io es ão
associados a mais compo amen os alimen a es de pe isco con ínuo e es ição alimen a . No
en an o, os mesmos esul ados não o am encon ados na amos a clínica, onde não o am
encon adas associações signi ica i as en e as unções execu i as e o compo amen o
alimen a .
Ve i ica-se igualmen e o es co elações en e as di iculdades nas unções execu i as
(memó ia de abalho e con olo inibi ó io) e di iculdades de egulação emocional, indicando
que maio es di iculdades na memó ia de abalho e con olo inibi ó io es ão associadas a
maio es di iculdades de egulação emocional, an o na amos a comuni á ia como na clínica.
Po ou o lado, o pe cen il de IMC não se co elacionou com nenhuma a iá el de
compo amen o alimen a e de uncionamen o execu i o, em ambas as amos as.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
23
Tabela 2
Co elação en e as Va iá eis de Funcionamen o Execu i o, Va iá eis Psicológicas e Va iá eis
de Compo amen o Alimen a
A. Comun.
A. Clínica
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
1. M. T.
(TEXI)
__
.63***
.12
.21*
.42***
.38***
.47***
.43***
.48***
.52***
.40***
2. C. I. (TEXI)
.68***
__
.10
.28***
.48***
.36 ***
.51 ***
.48***
.54***
.58***
.48***
3. Pe cen il
de IMC
-.05
.07
__
.45 ***
.16
.23**
-.01
.11
.13
.12
.05
4. Res ição
.10
-.21
.08
__
.52***
.54***
.18*
.43***
.39***
.27***
.24**
5. Sob e alo.
.47**
.31
.09
.17
__
.82***
.39***
.60***
.63***
.42***
.44***
6. Insa is .
.25
.03
.08
.28
.72***
__
.31***
.52***
.58***
.35***
.38***
7. Rep(ea )
(To al)
.11
.26
-.05
.13
.41*
.45**
__
.40***
.40***
.51***
.32***
8. Ansiedade
.41*
.20
.09
-.10
.19
.31
.13
__
.77***
.59***
.49***
9. Dep essão
.16
.04
-.05
.04
.39*
.41*
.26
.31
__
.57***
.63***
10. UPPS
.56 **
.59 **
.12
-.24
.29
.34
.19
.33
.10
__
.60***
11. DERS
(To al)
.65 ***
.52 **
-.06
-.04
.38*
.26
.22
.59***
.47**
.56**
__
No a. Coe icien es de Co elação de Spea man. A. Comun. = Amos a Comuni á ia; A. Clínica = Amos a Clínica; M. T. =
Memó ia de T abalho; C.I. = Con olo Inibi ó io; Res ição = Res ição Alimen a ; Sob e alo. = Sob e alo ização do
Peso/Fo ma; Insa is . = Insa is ação Co po al; TEXI = Teenage Execu i e Func ioning In en o y; EDE-Q = Ea ing Diso de
Examina ion Ques ionnai e; DERS = Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale; DASS = Dep ession Anxie y S ess Scale;
Rep(ea )-Q = Repe i i e Ea ing Ques ionnai e; UPPS = Nega i e U gency Subscale.
*p < . 05; **p < .01; *** p < .001.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
30
Figu a 2
Associação en e Di iculdades de Regulação Emocional (eixo X) e Compo amen o de Pe isco
Con ínuo (eixo Y) em Função do G au de Di iculdade da Memó ia de T abalho (Mode ado )
No a. DERS = Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale; Rep(ea )-Q = Repe i i e Ea ing Ques ionnai e; TEXI = Teenage
Execu i e Func ioning In en o y.
O modelo suge e que a elação en e mais di iculdades de egulação emocional e
mais compo amen os de pe isco acon ece p incipalmen e pa a os indi íduos que êm
menos di iculdades de memó ia de abalho. Pa a aqueles que êm di iculdades ele adas na
memó ia de abalho, es ão semp e p esen es compo amen os de pe isco
independen emen e da exis ência de di iculdades de egulação emocional.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
31
Discussão
O p esen e es udo, que incluiu duas amos as (clínica e comuni á ia) com adolescen es
en e os 13 e 18 anos, e e como obje i o explo a se a elação en e a psicopa ologia do
compo amen o alimen a e as di iculdades no uncionamen o execu i o na adolescência
a iam em unção do peso e da amos a, assim como explo a se a elação en e as
di iculdades de egulação emocional e compo amen os alimen a es p oblemá icos a iam
em unção das di iculdades nas unções execu i as.
Pe an e o obje i o de análise das di e enças nas unções execu i as en e as amos as,
os esul ados encon ados não e i ica am di e enças en e es as. Apesa de, na amos a
comuni á ia, se e i ica uma associação posi i a en e as di iculdades de uncionamen o
execu i o e os compo amen os alimen a es p oblemá icos, al não se e i ica na amos a
clínica. Es e esul ado inespe ado pode e algumas jus i icações: o ac o de os pa icipan es
da amos a clínica es a em a se seguidos em con ex o hospi ala pa a ins de pe da de peso
pode le a a que enham sido ins uídos a não pe isca em en e e eições (in e enções des e
ipo incluem, ge almen e, um plano alimen a de 5 e eições, sem pe isco en e elas), o que
pode e in luenciado a que os pa icipan es já não conc e izassem p esen emen e es es
compo amen os ou, po desejabilidade, epo a am não os e . Além disso, os pa icipan es
da amos a clínica são uma amos a especí ica, com pe cen is de peso ele ado, o que pode
e le ado a que se e elasse meno a iabilidade nas espos as dos pa icipan es nas a iá eis
de compo amen o alimen a , que pode e con ibuído pa a que não co elacionassem com
as di e en es pon uações nas unções execu i as.
Rela i amen e à análise das di e enças en e os pe cen is de IMC, e a espe ado,
segundo a li e a u a, que su gissem di e enças, nomeadamen e de que os indi íduos com
excesso de peso/obesidade ap esen assem maio es di iculdades nas unções execu i as do
que os indi íduos com peso no mal (e.g., Ca oi a e al., 2016; Pauli-Po e al., 2010; Yang e
al., 2018).
O p esen e es udo p e endia ainda ampli ica o conhecimen o ao analisa as di e enças
en e o excesso de peso e a obesidade. No en an o, não o am mani es adas di e enças
signi ica i as en e quaisque das ca ego ias de IMC, embo a esul ados semelhan es ambém
o am ob idos po G oppe e Elsne (2017). De modo ge al, os indi íduos obesos pa ecem
ap esen a um desempenho p ejudicado de o ma consis en e em apenas dois domínios do
uncionamen o execu i o: a e as de omada de decisão e a e as de se -shi ing. Todos os
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
32
es an es domínios do uncionamen o execu i o ela am, na li e a u a, esul ados mis os na
associação en e o IMC ele ado e o uncionamen o execu i o, pelo que o ins umen o usado
nes e es udo pode não e sido su icien emen e sensí el a iden i ica os dé ices na memó ia
de abalho (Fi zpa ick e al., 2013). O núme o eduzido de pa icipan es na amos a e um
núme o ainda mais limi ado no pe cen il de obesidade pode e sido ambém insu icien e pa a
de e a es e e ei o.
O mesmo pode e oco ido ela i amen e ao con olo inibi ó io, is o que a exis ência
de di e enças ao ní el do con olo inibi ó io encon adas em ou os es udos pa ecem e e i -
se a um domínio especí ico do con olo inibi ó io: o a aso na g a i icação. Nes e caso, em-se
suge ido que c ianças com excesso de peso podem ap esen a di iculdades em esis i à
g a i icação imedia a, especialmen e quando a ecompensa é especí ica de um alimen o
pala á el (Bona o & Boland, 1983). O a, o TEXI a alia o con olo inibi ó io em ou os domínios
que não o a aso na g a i icação pe an e alimen os, o que é coe en e com a hipó ese que as
di iculdades de con olo inibi ó io não se gene alizam a odos os domínios da inibição. É
consis en e ainda com a explicação de que as di iculdades de con olo inibi ó io es ão mais
elacionadas com compo amen os alimen a es p oblemá icos do que com o peso em si, is o
pode se nos domínios elacionados à alimen ação que os indi íduos pon uam os dé ices.
Mui os dos es udos que a aliam a elação en e o uncionamen o execu i o e o peso não êm
em conside ação a iá eis de compo amen o alimen a (Ca oi a e al., 2016; Solís-O iz e al.,
2016) pelo que acabam po não a alia es a elação. No en an o, es udos semelhan es
ambém sus en am es a hipó ese, ao e i ica em que indi íduos com compo amen os
alimen a es p oblemá icos (compulsão alimen a ) com peso no mal e com excesso de peso
ap esen a am dé ices mais ele ados na memó ia de abalho em compa ação a indi íduos
con olo (Ene a e al., 2017). No en an o, ao analisa o con olo inibi ó io, são os indi íduos
com peso no mal e compo amen os alimen a es p oblemá icos com os maio es dé ices no
con olo inibi ó io compa a i amen e aos ou os indi íduos com excesso de peso (Ene a e
al., 2017). No p esen e es udo, es as conclusões pa ecem ambém se aplica ao
compo amen o alimen a de pe isco, suge indo-se uma ligação en e dé ices na memó ia de
abalho e compo amen os de pe isco, mesmo em pa icipan es que ap esen em peso
no mal. Es e é o p imei o es udo a analisa es a elação.
O p incipal modelo de mode ação encon ado e ela-se mui o impo an e ao mos a
que quan o maio es o em as di iculdades de egulação emocional, maio es se ão os
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
33
compo amen os de pe isco con ínuo, mas apenas quando há di iculdades eduzidas a
in e médias de memó ia de abalho. Quando as di iculdades de memó ia de abalho são
ele adas, há o es compo amen os de pe isco con ínuo, independen emen e da
se e idade das di iculdades de egulação emocional. Apenas quando as di iculdades de
memó ia de abalho não são ão ele adas é que su gem a iações no compo amen o
alimen a que se al e am em unção das di iculdades de egulação emocional. Es es
esul ados mos am como a memó ia de abalho é um a o p edominan e na exis ência de
compo amen os p oblemá icos de pe isco con ínuo, e que pode a é se sob epo à
in luência da egulação emocional. Apenas a elação en e di iculdades de egulação
emocional e compo amen os alimen a es deso denados e a epo ada na li e a u a (P e i
e al., 2019; Sim & Zeman, 2006).
O modelo de mode ação e ela ainda como es a elação se es abelece unicamen e
na amos a comuni á ia, uma ez que nos adolescen es da amos a clínica os
compo amen os de pe isco exis em independen emen e da exis ência de di iculdades de
memó ia de abalho. Es e esul ado pode de e -se à baixa a iabilidade nos
compo amen os alimen a es epo ados pelos indi íduos da amos a clínica, is o odos os
indi íduos menciona em e o es compo amen os de pe isco. Des a o ma, impossibili a-
se a elação des e compo amen o com o uncionamen o execu i o.
A impo ância da memó ia de abalho, mos ada nes e es udo, é consis en e com a
ideia de que a memó ia de abalho pode e um papel ele an e na omada de decisões que
en ol em le a em conside ação as consequências da alimen ação pa a a saúde (Higgs &
Spe e , 2018). O a, o es di iculdades nes a unção pode le a o indi íduo a pe isca
pequenas quan idades de alimen os po desconside a acilmen e o impac o que es es
pode ão e na sua saúde, podendo se uma azão pela qual apenas uma das unções
execu i as (memó ia de abalho) se mos ou ele an e na mode ação.
Es e es udo mos a como a adolescência é um pe íodo de ida undamen al onde a
in luência das di iculdades de unções execu i as e egulação emocional (ainda em
desen ol imen o) podem desde já, a e a de o ma ad e sa o compo amen o alimen a dos
jo ens.
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
34
Limi ações e ecomendações pa a es udos u u os
Os esul ados, no en an o, de em se in e p e ados à luz das limi ações do es udo: (a)
na u eza ans e sal impede in e p e ações causais dos esul ados; (b) inexis ência da
alidação do ins umen o que a alia as unções execu i as, o TEXI (Tho ell e al., 2020), pa a
a população po uguesa; (c) núme o de pa icipan es eduzidos na amos a clínica; (d) núme o
de pa icipan es eduzidos com pe cen is de IMC mais ele ados (p incipalmen e obesidade,
em ambas as amos as) e (e) o empo de a amen o e a quan idade de peso já pe dido dos
pa icipan es da amos a clínica não e sido ecolhido (e que pode ão se a iá eis que
in luenciem os compo amen os alimen a es).
Es udos u u os são essenciais pa a co obo a as di e enças encon adas nes e es udo
e assim ampli ica o conhecimen o cien í ico nes a á ea. Assim, p óximas in es igações de em
inclui um maio núme o de pa icipan es na amos a clínica e nos pe cen is de IMC mais
ele ados. De em ainda explo a a elação en e ou as unções execu i as (e.g., o
planeamen o) com o compo amen o alimen a de pe isco con ínuo, uma ez que ou as
unções execu i as podem-se mos a mais impo an es na conc e ização des e
compo amen o do que a memó ia de abalho e o con olo inibi ó io. Pode se
complemen ada a a aliação das unções execu i as com ou os ins umen os que a aliem
dimensões di e en es des as unções, nomeadamen e o uso simul âneo de medidas de
au o ela o e de medidas baseadas em a e as compo amen ais. Se ia ele an e ambém que
se i esse em conside ação a indução expe imen al de humo , dado que o mesmo pa ece
ep esen a um papel ele an e na alimen ação e na sua elação com as unções execu i as
(Van Malde en e al., 2019). Vis o não exis i nenhuma e são do ins umen o TEXI alidada
pa a a população po uguesa se ia ambém impo an e a sua adap ação e alidação pa a a
mesma. A a és de es udos longi udinais, se ia impo an e explo a as elações causais en e
as a iá eis de uncionamen o execu i o e o compo amen o alimen a e comp eende , po
exemplo, como es es se al e am ( eduzem, man êm-se ou aumen am) ao longo do empo.
Os esul ados ob idos nes e es udo suge em implicações clínicas u u as signi ica i as
uma ez que adolescen es com di iculdades nas unções execu i as e egulação emocional
podem sen i -se impelidos a uma alimen ação menos saudá el, que, a longo p azo, alimen a
a p obabilidade de excesso de peso. Assim, es e conhecimen o pe mi i desen ol e
FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR
35
p og amas de p e enção mais adequados e desen ol e es a égias de in e enção mais
especí icas (em especial a inclusão de eino de memó ia de abalho e exe cícios que
p omo am adequadamen e a egulação emocional em si uações di e sas) pa a ecupe a ou
compensa as al e ações neu ocogni i as encon adas na população adolescen e an es que
se ag a em, pe mi indo um comba e e icaz a compo amen os alimen a es desadequados e,
consequen emen e, ao excesso de peso.
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