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Correlatos neurocognitivos do comportamento alimentar em adolescentes

Francisco, Oriana Paulo

Abstract

Alterações nas funções executivas podem estar associadas a comportamentos alimentares problemáticos e consequente aumento de peso. O objetivo desta investigação é explorar se a relação entre o comportamento alimentar problemático e as dificuldades na memória de trabalho e controlo inibitório variam em função do peso e população adolescente (comunitária versus clínica) e se a relação entre dificuldades de regulação emocional e comportamentos alimentares variam em função das funções executivas. Neste estudo transversal, foram avaliados 31 adolescentes (amostra clínica) e 148 (amostra comunitária) entre os 13 e 18 anos, através de questionários de autorrelato online. Foram realizados testes de diferenças, exploradas correlações e modelos de moderação. Os resultados indicam não existir diferenças significativas entre os percentis de Índice de Massa Corporal (IMC) ao nível das funções executivas, em ambas as amostras. Na amostra comunitária, as dificuldades nas funções executivas associam-se fortemente (rs > .47) a mais petisco contínuo. Nesta amostra revela-se o papel moderador da memória de trabalho na relação entre as dificuldades de regulação emocional e o comportamento de petisco (R² = 0.23). Estudos futuros podem explorar relações causais entre o funcionamento executivo (até com outras funções) e o petisco contínuo, e como estas se alteram ao longo do tempo.

Full text

Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia O iana Paulo F ancisco Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o Alimen a em Adolescen es junho de 2022 Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o Alimen a em Adolescen es O iana F ancisco UMinho | 2022 Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia O iana Paulo F ancisco Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o Alimen a em Adolescen es Disse ação de Mes ado Mes ado In eg ado em Psicologia T abalho e e uado sob a o ien ação da P o esso a Dou o a E a Conceição e da P o esso a Dou o a So ia Ma ques Ramalho junho de 2022 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos. Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho. Licença concedida aos u ilizado es des e abalho A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual CC BY-NC-SA h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/ iii Ag adecimen os À P o esso a Dou o a E a Conceição, pela o ien ação e pelas ideias impo an es que me p es ou em odo o pe cu so, p incipalmen e nos momen os mais decisi os, mos ando- se semp e disponí el pa a dú idas e escla ecimen os. À Dou o a So ia Ma ques Ramalho pela disponibilidade na espos a a odas as minhas dú idas, pela mo i ação ão impo an e nos momen os mais c í icos, po odas as ap endizagens que me p opo cionou e po oda a simpa ia que semp e mos ou pa a comigo. Às in es igado as Síl ia Félix e Ma a de Lou des po e em sido imp escindí eis na ecolha de dados e po oda a disponibilidade que demos a am. À minha que ida amiga Eliana Rod igues, po e sido uma das pessoas mais impo an es des es 5 anos e que, com a sua ajuda, me pe mi iu chega aqui. Ao apoio emocional em odos os momen os, à p eocupação que semp e demons ou pa a comigo, às in ini as dú idas pa ilhadas, aos momen os de isada e a oda a uma amizade que nunca ou esquece . À Bea iz Dias pelas melho es memó ias que enho des es anos uni e si á ios, pelas ho as de b incadei a e amizade e po se uma pessoa que con agia com o seu bom humo . Aos melho es pais do mundo, Amílca F ancisco e C is ina Paulo, po e em es ado a acompanha -me em odos os momen os da minha ida, pelo apoio incondicional semp e, pela ajuda cons an e, po me mo i a em a mais e melho , po oda a comp eensão, ca inho e amo que semp e demons a am. Sem ocês, nada dis o e a possí el. Ao meu i mão, Nil on F ancisco, po e semp e ei o mui o bem o seu papel de i mão: i i a -me. Mas ambém po me e p opo cionado os melho es momen os da minha in ância, po semp e me aze i em qualque si uação e po eu sabe que semp e ai es a lá. E a odos os ou os, que de o ma di e a ou indi e a, passa am pela minha ida e me ajuda am a chega aqui. A odos, mui o ob igada! i DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho. Uni e sidade do Minho, 6 de junho de 2022 (O iana Paulo F ancisco) Co ela os Neu ocogni i os do Compo amen o Alimen a em Adolescen es Resumo Al e ações nas unções execu i as podem es a associadas a compo amen os alimen a es p oblemá icos e consequen e aumen o de peso. O obje i o des a in es igação é explo a se a elação en e o compo amen o alimen a p oblemá ico e as di iculdades na memó ia de abalho e con olo inibi ó io a iam em unção do peso e população adolescen e (comuni á ia e sus clínica) e se a elação en e di iculdades de egulação emocional e compo amen os alimen a es a iam em unção das unções execu i as. Nes e es udo ans e sal, o am a aliados 31 adolescen es (amos a clínica) e 148 (amos a comuni á ia) en e os 13 e 18 anos, a a és de ques ioná ios de au o ela o online. Fo am ealizados es es de di e enças, explo adas co elações e modelos de mode ação. Os esul ados indicam não exis i di e enças signi ica i as en e os pe cen is de Índice de Massa Co po al (IMC) ao ní el das unções execu i as, em ambas as amos as. Na amos a comuni á ia, as di iculdades nas unções execu i as associam-se o emen e ( s > .47) a mais pe isco con ínuo. Nes a amos a e ela-se o papel mode ado da memó ia de abalho na elação en e as di iculdades de egulação emocional e o compo amen o de pe isco (R² = 0.23). Es udos u u os podem explo a elações causais en e o uncionamen o execu i o (a é com ou as unções) e o pe isco con ínuo, e como es as se al e am ao longo do empo. Pala as-cha e: adolescen es, con olo inibi ó io, compo amen o alimen a , memó ia de abalho, pe isco con ínuo i Neu ocogni i e Co ela es o Ea ing Beha io in Adolescen s Abs ac Changes in execu i e unc ions may be associa ed wi h p oblema ic ea ing beha io s and consequen weigh gain. This in es iga ion aims o explo e i he ela ionship be ween p oblema ic ea ing beha io and di icul ies in wo king memo y and inhibi o y con ol a ies by weigh and adolescen popula ion (communi y e sus clinic) and i he ela ionship be ween emo ional egula ion di icul ies and ea ing beha io s a ies acco ding o execu i e unc ions. In his c oss-sec ional s udy, 31 adolescen s (clinical sample) and 148 (communi y sample) be ween 13 and 18 yea s old we e e alua ed using online sel - epo ques ionnai es. Di e ence es s we e pe o med, co ela ions and mode a ion models we e explo ed. The esul s indica e ha he e a e no signi ican di e ences be ween he Body Mass Index (BMI) pe cen iles a he le el o execu i e unc ions, in bo h samples. In he communi y sample, di icul ies in execu i e unc ions a e s ongly associa ed ( s > .47) wi h mo e g azing. This sample e eals he mode a ing ole o wo king memo y in he ela ionship be ween emo ional egula ion di icul ies and g azing beha io (R² = 0.23). Fu u e s udies may explo e causal ela ionships be ween execu i e unc ioning (e en wi h o he unc ions) and g azing, and how hese change o e ime. Keywo ds: adolescen s, ea ing beha io , g azing, inhibi o y con ol, wo king memo y ii Índice In odução .................................................................................................................................. 9 O papel da memó ia de abalho no compo amen o alimen a ...................................... 10 O papel do con olo inibi ó io na capacidade de au o egulação do compo amen o alimen a .................................................................................................................................. 12 Limi ações da li e a u a ..................................................................................................... 13 Obje i os ............................................................................................................................ 14 Mé odo..................................................................................................................................... 15 Amos as ........................................................................................................................... 15 P ocedimen o..................................................................................................................... 16 Medidas.............................................................................................................................. 17 Ins umen os ...................................................................................................................... 18 Análise de dados ............................................................................................................... 20 Resul ados ................................................................................................................................ 21 Ca ac e ização demog á ica e clínica da amos a ............................................................. 21 Co elações en e as a iá eis em es udo ......................................................................... 22 Análise de di e enças en e a amos a clínica e a comuni á ia ......................................... 24 Análise de di e enças em unção do pe cen il de IMC ...................................................... 27 Papel mode ado das unções execu i as na elação en e o compo amen o alimen a e a egulação emocional ............................................................................................................ 29 Discussão .................................................................................................................................. 31 Limi ações e ecomendações pa a es udos u u os .......................................................... 34 Re e ências............................................................................................................................... 35 FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 14 naquilo que é a di e sidade do compo amen o alimen a e pode não es a a con empla ou as e en es do compo amen o alimen a p oblemá ico, como po exemplo, o compo amen o de pe isco con ínuo: pad ão alimen a ge almen e ca ac e izado pela inges ão epe i i a de pequenas/modes as quan idades de alimen os (Conceição e al., 2014). Es e é um compo amen o alimen a pouco es udado na li e a u a, pelo que pouco se sabe como es e ipo de compo amen o se elaciona com as unções execu i as. Daí su ge ambém a p esen e in es igação que p e ende es a essas associações. Adicionalmen e, a li e a u a e idencia que a maio ia das in es igações es uda amos as clínicas de indi íduos (em a amen o pa a pe da de peso), e apenas uma eduzida pe cen agem eco e a amos as comuni á ias. O a, se ia impo an e in es iga mais cla amen e es a úl ima e comp eende como a elação en e as unções execu i as e o compo amen o alimen a se es abelece na população adolescen e comum (com di e sos espec os de peso e sem a amen o pa a pe da de peso). Se ia impo an e ambém explo a as di e enças en e es as duas populações, uma ez que o ac o de os pa icipan es ec u ados em ambien es clínicos (e.g., hospi ais) es a em a segui um p og ama de con olo de peso (que usualmen e inclui in e enções clínicas di ecionadas a compo amen os alimen a es especí icos), pode a e a /al e a a elação en e as unções execu i as e o compo amen o alimen a na adolescência. Assim sendo, o p esen e es udo p e ende analisa as ambi alências ap esen adas na en a i a de ob e conclusões obus as. Obje i os O obje i o ge al do p esen e es udo é explo a se a elação en e a psicopa ologia do compo amen o alimen a e as di iculdades no uncionamen o execu i o na adolescência a iam em unção do peso e da amos a (clínica, em a amen o pa a a pe da de peso, ou comuni á ia), assim como explo a se a elação en e as di iculdades de egulação emocional e compo amen os alimen a es p oblemá icos a iam em unção das di iculdades nas unções execu i as. Mais especi icamen e, p e ende-se (1) Tes a co elações en e a iá eis de psicopa ologia do compo amen o alimen a ( es ição e pe isco con ínuo), de uncionamen o FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 15 psicológico (dep essão, ansiedade e egulação emocional) e de uncionamen o execu i o (con olo inibi ó io e memó ia de abalho); (2) Tes a di e enças en e a amos a clínica e a amos a comuni á ia ao ní el da memó ia de abalho e do con olo inibi ó io em adolescen es; (3) Tes a di e enças na memó ia de abalho e no con olo inibi ó io em adolescen es com di e en es pe cen is de IMC: peso no mal, excesso de peso e obesidade; (4) Explo a o e ei o mode ado do es ado ponde al e da amos a na elação en e as di iculdades de uncionamen o execu i o (con olo inibi ó io e memó ia de abalho) e compo amen os alimen a es p oblemá icos; (5) Explo a o e ei o mode ado das unções execu i as (con olo inibi ó io e memó ia de abalho) na elação en e as di iculdades de egulação emocional e o compo amen o alimen a p oblemá ico. Mé odo Amos as Amos a Clínica A amos a clínica oi ecolhida em consul a de nu ição pediá ica no Cen o Hospi al Uni e si á io de S. João, no Po o, Po ugal. É cons i uída po adolescen es po ugueses com excesso de peso e obesidade, en e os 13 e 18 anos, de ambos os sexos. Os c i é ios de inclusão são: (a) idade comp eendida en e os 13 e 18 anos, (b) pe cen il de IMC ≥ 85; (c) se acompanhado/a em egime ambula ó io pela especialidade de nu ição pediá ica, no âmbi o da consul a da obesidade in an il do hospi al e (d) ala , comp eende e esc e e em língua po uguesa. Os c i é ios de exclusão são: (a) uso de medicação pa a pe da de peso e (b) di iculdades de ap endizagem dos adolescen es que impeçam o p eenchimen o dos ins umen os. Amos a Comuni á ia A amos a comuni á ia oi ecolhida na escola E.B.I.//J.I. da Co elhã, em Pon e de Lima, Viana do Cas elo, e na Escola Secundá ia de Caldas das Taipas, Guima ães, Po ugal. É FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 16 cons i uída po adolescen es po ugueses com peso no mal, excesso de peso e obesidade, en e os 13 e 18 anos, de ambos os sexos. Os c i é ios de inclusão são: (a) idade comp eendida en e os 13 e 18 anos; (b) pe cen il de IMC > 50; (c) ala , comp eende e esc e e em língua po uguesa. Os c i é ios de exclusão são: di iculdades de ap endizagem dos adolescen es que impeçam o p eenchimen o dos ins umen os. P ocedimen o Foi subme ido o es udo à Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências da Vida e da Saúde (CEICVS), à Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) da Uni e sidade do Minho e à Comissão de É ica do Cen o Hospi ala de São João/Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o, assim como equisi ada au o ização nas escolas, sendo odos acei es. Pa a a amos a clínica, os c i é ios de inclusão e de exclusão o am dados aos p o issionais de saúde dispos os a colabo a , que ao conduzi as consul as, ealiza am a iagem de po enciais pa icipan es. No caso da amos a comuni á ia, os pa icipan es o am ec u ados nas u mas de 7º a 9º anos na escola básica e nas u mas de 10º a 12º anos na escola secundá ia. Em ambas as amos as, aos candida os que acei a am pa icipa , oi explici ado o con eúdo do es udo e os pais/ esponsá eis legais e os adolescen es assina am o consen imen o in o mado. É essal ado que podem desis i do es udo a qualque momen o, que é ga an ida a con idencialidade e anonima o dos dados e que o seu apoio médico não é comp ome ido com es a decisão (no caso da amos a clínica). De seguida e e uou-se o p eenchimen o dos ins umen os online pelos pa icipan es, a a és do so wa e Qual ics. O p eenchimen o oi ealizado a a és do elemó el/ able dos pa icipan es e, caso es a opção não osse iá el pa a algum pa icipan e, o am disponibilizados os ins umen os em o ma o papel. Os dados demog á icos e an opomé icos dos adolescen es o am igualmen e ecolhidos (pelos in es igado es, no caso da amos a comuni á ia, e pelos médicos, no caso da amos a clínica). FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 17 Os pe cen is de IMC a que se eco e nes e es udo são baseados nos c i é ios da O ganização Mundial de Saúde (2007): peso no mal: pe cen il de IMC supe io a 50 e in e io a 85; excesso de peso: pe cen il de IMC igual ou supe io a 85 e in e io a 95 e obesidade: pe cen il de IMC igual ou supe io a 85. A ecolha de dados iniciou-se em maio de 2021 e e minou em ab il de 2022. Fo am cump idos odos os equisi os p esen es no Código Deon ológico da O dem dos Psicólogos (OPP), nomeadamen e a ní el do consen imen o in o mado, p i acidade, con idencialidade e pa icipação olun á ia. Es e es udo con a apenas com um único momen o de a aliação, a ando-se de uma in es igação ans e sal, que u iliza um mé odo de amos agem não p obabilís ica. Medidas Sociodemog á icas Em ambas as amos as oi ecolhida a idade, o sexo, a nacionalidade e o ano de escola idade dos pa icipan es. Os adolescen es da amos a comuni á ia o am ainda ques ionados se es a iam a se acompanhados po ques ões ela i as ao peso ou à saúde men al. An opomé icas Fo am ecolhidos os alo es de peso (em quilog amas), medidos pela balança digi al SECA (p ecisão de 100g, 200g), na amos a comuni á ia, e pela balança TANITA BV-601 (p ecisão de 100g), na amos a clínica. Os pa icipan es o am pesados com oupa le e e sem sapa os. Os alo es da al u a (em cen íme os) o am medidos po um es adióme o po á il SECA modelo 206. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 18 Ins umen os Os ins umen os aplicados aos pa icipan es das duas amos as o am os seguin es: Nega i e U gency Subscale (UPPS-P) (Leand o, 2015; Whi eside e al., 2005): subescala de 12 i ens que a alia a endência do indi íduo de cede a impulsos o es quando acompanhados po emoções nega i as. A subescala es á incluída num ins umen o de 59 i ens compos o po 5 subescalas: u gência nega i a; u gência posi i a; al a de p emedi ação; al a de pe se e ança e p ocu a de sensações. Apenas oi adminis ada uma das subescalas (u gência nega i a). Cada i em é classi icado numa escala Like que a ia de 1 (conco do o almen e) a 4 (disco do o almen e). Pon uações mais ele adas indicam maio impulsi idade do sujei o. Nes e es udo e i ica-se um bom índice de consis ência in e na, com um α de C onbach de .87. Dep ession Anxie y S ess Scale (DASS-21) (Pais-Ribei o e al., 2004; Lo ibond & Lo ibond, 1995): ins umen o compos o po 21 i ens dis ibuídos igualmen e po ês subescalas: Dep essão, Ansiedade e S ess. Os sujei os espondem em que medida expe imen a am cada sin oma na úl ima semana a a és de uma escala Like de 4 pon os que a ia de 0 (não se aplica nada a mim) a 3 (aplicou-se a mim a maio pa e das ezes). No p esen e es udo oi excluída a subescala de S ess, ob endo um o al de 14 i ens aplicados. Pon uações mais al as dizem espei o a es ados a e i os mais nega i os. Nes e es udo e i icam-se índices de consis ência in e na mui o bons, com um α de C onbach de .91 e .90 pa a a subescala de dep essão e ansiedade, espe i amen e. Modi ied B ie 7-i em e sion o he Ea ing Diso de Examina ion Ques ionnai e (EDE-Q) (Machado e al., 2018; Fai bu n & Beglin, 1994): ques ioná io de au o ela o cons i uído po 3 subescalas: es ição alimen a , sob e alo ização do peso/ o ma e insa is ação co po al. É compos o po 7 i ens que a aliam a psicopa ologia do compo amen o alimen a e as ca ac e ís icas psicológicas associadas, nos úl imos 28 dias. Os i ens são a aliados numa escala Like de 7 pon os, que a ia en e 0 e 6, com base na equência e no g au de se e idade do compo amen o alimen a . Pon uações mais al as na escala global e nas subescalas deno am compo amen os e a i udes alimen a es mais p oblemá icas. Ap esen a um α de C onbach de .79 pa a a subescala de es ição alimen a e .91 pa a as subescalas de sob e alo ização do peso/ o ma e insa is ação co po al. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 19 Repe i i e Ea ing Ques ionnai e (Rep(ea )-Q) (Conceição e al., 2017): ques ioná io de au o ela o que a alia o pad ão alimen a do ipo pe isco con ínuo, incluindo duas subescalas: o pe isco compulsi o e o pe isco não compulsi o (come epe i i o) a a és de 12 i ens co ados a a és de uma escala Like de 7 pon os. Es e ins umen o es uda o pe isco con ínuo e o seu ní el de in ensidade, equência, quan idade, ipos de alimen os, en e ou os, nos úl imos 28 dias. Pon uações mais al as indicam a p esença de um pad ão alimen a deso denado do ipo pe isco. Nes e es udo, o ins umen o ap esen a uma boa consis ência in e na, com um α de C onbach de .91 pa a a escala o al. B ie Ve sion o he Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale (DERS-18) (Ri a & Lei ão, 2020; Vic o & Klonsky, 2016): ques ioná io de au o ela o de 18 i ens, adap ado da e são o iginal com 36, desen ol ido pa a a alia á ias dimensões da des egulação emocional. Inclui uma pon uação o al e seis subescalas: al a de consciência das p óp ias emoções; al a de cla eza sob e a na u eza das emoções; al a de acei ação das emoções; al a de acesso a es a égias e icazes de egulação emocional; al a de capacidade de se en ol e em a i idades di ecionadas a um obje i o du an e emoções nega i as e al a de capacidade pa a con ola os p óp ios impulsos du an e emoções nega i as. Os i ens são co ados a a és de uma escala Like de 1 (quase nunca) a 5 (quase semp e). Pon uações mais ele adas nes e ins umen o indicam maio es di iculdades de egulação emocional. Rela i amen e à consis ência in e na, ap esen a um α de C onbach de .91 pa a a escala o al. Teenage Execu i e Func ioning In en o y (TEXI) (Tho ell e al., 2020): ques ioná io de au o ela o de 20 i ens que a alia dois a o es p incipais do uncionamen o execu i o em adolescen es: a memó ia de abalho e o con olo inibi ó io. Cada i em do ques ioná io é classi icado numa escala Like de 5 pon os a iando de 1 (“de ini i amen e não e dadei o”) a 5 (“de ini i amen e e dadei o). Pon uações mais ele adas nes e ins umen o indicam maio es di iculdades nas unções execu i as. Nes e es udo, o ins umen o ap esen a uma boa consis ência in e na, com um α de C onbach de .83 pa a a subescala de ‘con olo inibi ó io’ e .88 pa a a subescala de ‘memó ia de abalho’. A alidação des e ins umen o pa a a população po uguesa ainda es á em cu so. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 20 Análise de dados A análise dos dados oi conduzida no p og ama de a amen o de dados S a is ical Package o he Social Sciences (SPSS), e são 28.0 (pa a Windows). O p ocesso de análise oi di idido em duas e apas de es a ís ica: a desc i i a e a in e encial. A p imei a ase con emplou a análise desc i i a das a iá eis em es udo ( equência, média, des io-pad ão). A aliou-se a dis ibuição das a iá eis, es ando os p essupos os necessá ios pa a a u ilização dos es es pa amé icos e, is o não es a em cump idos os p essupos os da no malidade dos dados e da homogeneidade das a iâncias, o am u ilizados es es não-pa amé icos. Os dados ausen es o am a ados a a és da subs i uição pela média dos i ens espondidos dessa mesma subescala pelo pa icipan e, semp e que ha ia uma axa de espos a de 70% ou supe io na espe i a escala. Na análise in e encial, o am es adas co elações de Spea man pa a in es iga as associações en e as a iá eis. Pa a explo a as di e enças en e as a iá eis em es udo ( uncionamen o execu i o, psicológicas e compo amen o alimen a ) en e a amos a clínica e comuni á ia o am ealizados es es de Mann-Whi ney. Seguidamen e, pa a es a as di e enças en e as a iá eis e os pe cen is de IMC ealiza am-se, na amos a clínica, es es de Mann-Whi ney e na amos a comuni á ia (com 3 ca ego ias), es es de K uskall-Wallis com pos e io es es es de Mann-Whi ney com co eção de Bon e oni pa a a e igua em que g upos es as di e enças são signi ica i as em de e minada a iá el. Fo am ainda es ados modelos de mode ação, que de aco do com as co elações encon adas se mos a am mais adequados, endo po base as e idências da li e a u a. Os modelos de mode ação o am es ados a a és do PROCESS mac o do SPSS, e são 4.1 (Hayes, 2022). O α de C onbach oi calculado pa a a alia os índices de consis ência in e na dos ins umen os. Fo am assumidos os alo es de p in e io es a .05 como es a is icamen e signi ica i os. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 21 Resul ados Ca ac e ização demog á ica e clínica das amos as Es e es udo oi cons i uído po duas amos as: a amos a clínica e a amos a comuni á ia. Todos os pa icipan es êm idades comp eendidas en e os 13 e 18 anos. A amos a clínica incluiu 31 adolescen es po ugueses, em que 15 (48.4%) são do sexo eminino e 16 (51,6%) do sexo masculino. A amos a comuni á ia incluiu 148 pa icipan es, em que 86 (58.1%) são do sexo eminino e 62 (41.9%) do sexo masculino. Os pa icipan es des a amos a êm nacionalidade po uguesa (n = 146; 98.6%) e b asilei a (n = 2; 1.4%). Nenhum pa icipan e es a a, na al u a da a aliação, a se seguido em consul a hospi ala na á ea do excesso de peso/obesidade. Nes a amos a, 4 adolescen es (2.7%) es a am a se seguido a ní el psicológico ou psiquiá ico po ques ões elacionados com o peso e a alimen ação e 18 pa icipan es inham algum diagnós ico elacionado com a saúde men al (e.g., ansiedade, dep essão e PHDA). As a iá eis ela i as às ca ac e ís icas sociodemog á icas e clínicas mais ele an es es ão sis ema izadas na Tabela 1. Tabela 1 Ca ac e ização Sociodemog á ica dos Pa icipan es em Es udo Amos a Clínica (n = 31) Comuni á ia (n = 148) U N (%) M (DP) N (%) M (DP) Idade (anos) 15.00 (1.46) 15.31 (1.67) 2040.00 Z-Sco e IMC (kg/m²) 2.51 (0.57) 0.44 (0.98) 150.00 *** Pe cen il de IMCᵃ 150.00 *** Peso No mal 104 (74.3%) Excesso de Peso 7 (22.6%) 29 (20.7%) Obesidade 24 (77.4%) 7 (5%) FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 22 Amos a Clínica (n = 31) Comuni á ia (n = 148) U N (%) M (DP) N (%) M (DP) Escola idade 2024.50 Básico 16 (51.6%) 59 (39.9%) Secundá io 15 (48.4%) 89 (60.1%) No a. ᵃ A ca ego ia de pe cen il de IMC ob e e missing da a (N = 8) na amos a comuni á ia, esul ando num n = 140. *** p < .001. Co elações en e as a iá eis em es udo Na Tabela 2 são ap esen adas as co elações en e as a iá eis de uncionamen o execu i o, de uncionamen o psicológico e as de compo amen o alimen a . Pe mi e explo a como as a iá eis es ão associadas en e si e, p incipalmen e, como as a iá eis de uncionamen o execu i o se elacionam com as a iá eis de compo amen o alimen a . Os esul ados e idenciam que, na amos a comuni á ia, os compo amen os alimen a es p oblemá icos es ão co elacionados a di iculdades nas unções execu i as, e i icando-se que maio es di iculdades de memó ia de abalho e con olo inibi ó io es ão associados a mais compo amen os alimen a es de pe isco con ínuo e es ição alimen a . No en an o, os mesmos esul ados não o am encon ados na amos a clínica, onde não o am encon adas associações signi ica i as en e as unções execu i as e o compo amen o alimen a . Ve i ica-se igualmen e o es co elações en e as di iculdades nas unções execu i as (memó ia de abalho e con olo inibi ó io) e di iculdades de egulação emocional, indicando que maio es di iculdades na memó ia de abalho e con olo inibi ó io es ão associadas a maio es di iculdades de egulação emocional, an o na amos a comuni á ia como na clínica. Po ou o lado, o pe cen il de IMC não se co elacionou com nenhuma a iá el de compo amen o alimen a e de uncionamen o execu i o, em ambas as amos as. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 23 Tabela 2 Co elação en e as Va iá eis de Funcionamen o Execu i o, Va iá eis Psicológicas e Va iá eis de Compo amen o Alimen a A. Comun. A. Clínica 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 1. M. T. (TEXI) __ .63*** .12 .21* .42*** .38*** .47*** .43*** .48*** .52*** .40*** 2. C. I. (TEXI) .68*** __ .10 .28*** .48*** .36 *** .51 *** .48*** .54*** .58*** .48*** 3. Pe cen il de IMC -.05 .07 __ .45 *** .16 .23** -.01 .11 .13 .12 .05 4. Res ição .10 -.21 .08 __ .52*** .54*** .18* .43*** .39*** .27*** .24** 5. Sob e alo. .47** .31 .09 .17 __ .82*** .39*** .60*** .63*** .42*** .44*** 6. Insa is . .25 .03 .08 .28 .72*** __ .31*** .52*** .58*** .35*** .38*** 7. Rep(ea ) (To al) .11 .26 -.05 .13 .41* .45** __ .40*** .40*** .51*** .32*** 8. Ansiedade .41* .20 .09 -.10 .19 .31 .13 __ .77*** .59*** .49*** 9. Dep essão .16 .04 -.05 .04 .39* .41* .26 .31 __ .57*** .63*** 10. UPPS .56 ** .59 ** .12 -.24 .29 .34 .19 .33 .10 __ .60*** 11. DERS (To al) .65 *** .52 ** -.06 -.04 .38* .26 .22 .59*** .47** .56** __ No a. Coe icien es de Co elação de Spea man. A. Comun. = Amos a Comuni á ia; A. Clínica = Amos a Clínica; M. T. = Memó ia de T abalho; C.I. = Con olo Inibi ó io; Res ição = Res ição Alimen a ; Sob e alo. = Sob e alo ização do Peso/Fo ma; Insa is . = Insa is ação Co po al; TEXI = Teenage Execu i e Func ioning In en o y; EDE-Q = Ea ing Diso de Examina ion Ques ionnai e; DERS = Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale; DASS = Dep ession Anxie y S ess Scale; Rep(ea )-Q = Repe i i e Ea ing Ques ionnai e; UPPS = Nega i e U gency Subscale. *p < . 05; **p < .01; *** p < .001. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 30 Figu a 2 Associação en e Di iculdades de Regulação Emocional (eixo X) e Compo amen o de Pe isco Con ínuo (eixo Y) em Função do G au de Di iculdade da Memó ia de T abalho (Mode ado ) No a. DERS = Di icul ies in Emo ion Regula ion Scale; Rep(ea )-Q = Repe i i e Ea ing Ques ionnai e; TEXI = Teenage Execu i e Func ioning In en o y. O modelo suge e que a elação en e mais di iculdades de egulação emocional e mais compo amen os de pe isco acon ece p incipalmen e pa a os indi íduos que êm menos di iculdades de memó ia de abalho. Pa a aqueles que êm di iculdades ele adas na memó ia de abalho, es ão semp e p esen es compo amen os de pe isco independen emen e da exis ência de di iculdades de egulação emocional. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 31 Discussão O p esen e es udo, que incluiu duas amos as (clínica e comuni á ia) com adolescen es en e os 13 e 18 anos, e e como obje i o explo a se a elação en e a psicopa ologia do compo amen o alimen a e as di iculdades no uncionamen o execu i o na adolescência a iam em unção do peso e da amos a, assim como explo a se a elação en e as di iculdades de egulação emocional e compo amen os alimen a es p oblemá icos a iam em unção das di iculdades nas unções execu i as. Pe an e o obje i o de análise das di e enças nas unções execu i as en e as amos as, os esul ados encon ados não e i ica am di e enças en e es as. Apesa de, na amos a comuni á ia, se e i ica uma associação posi i a en e as di iculdades de uncionamen o execu i o e os compo amen os alimen a es p oblemá icos, al não se e i ica na amos a clínica. Es e esul ado inespe ado pode e algumas jus i icações: o ac o de os pa icipan es da amos a clínica es a em a se seguidos em con ex o hospi ala pa a ins de pe da de peso pode le a a que enham sido ins uídos a não pe isca em en e e eições (in e enções des e ipo incluem, ge almen e, um plano alimen a de 5 e eições, sem pe isco en e elas), o que pode e in luenciado a que os pa icipan es já não conc e izassem p esen emen e es es compo amen os ou, po desejabilidade, epo a am não os e . Além disso, os pa icipan es da amos a clínica são uma amos a especí ica, com pe cen is de peso ele ado, o que pode e le ado a que se e elasse meno a iabilidade nas espos as dos pa icipan es nas a iá eis de compo amen o alimen a , que pode e con ibuído pa a que não co elacionassem com as di e en es pon uações nas unções execu i as. Rela i amen e à análise das di e enças en e os pe cen is de IMC, e a espe ado, segundo a li e a u a, que su gissem di e enças, nomeadamen e de que os indi íduos com excesso de peso/obesidade ap esen assem maio es di iculdades nas unções execu i as do que os indi íduos com peso no mal (e.g., Ca oi a e al., 2016; Pauli-Po e al., 2010; Yang e al., 2018). O p esen e es udo p e endia ainda ampli ica o conhecimen o ao analisa as di e enças en e o excesso de peso e a obesidade. No en an o, não o am mani es adas di e enças signi ica i as en e quaisque das ca ego ias de IMC, embo a esul ados semelhan es ambém o am ob idos po G oppe e Elsne (2017). De modo ge al, os indi íduos obesos pa ecem ap esen a um desempenho p ejudicado de o ma consis en e em apenas dois domínios do uncionamen o execu i o: a e as de omada de decisão e a e as de se -shi ing. Todos os FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 32 es an es domínios do uncionamen o execu i o ela am, na li e a u a, esul ados mis os na associação en e o IMC ele ado e o uncionamen o execu i o, pelo que o ins umen o usado nes e es udo pode não e sido su icien emen e sensí el a iden i ica os dé ices na memó ia de abalho (Fi zpa ick e al., 2013). O núme o eduzido de pa icipan es na amos a e um núme o ainda mais limi ado no pe cen il de obesidade pode e sido ambém insu icien e pa a de e a es e e ei o. O mesmo pode e oco ido ela i amen e ao con olo inibi ó io, is o que a exis ência de di e enças ao ní el do con olo inibi ó io encon adas em ou os es udos pa ecem e e i - se a um domínio especí ico do con olo inibi ó io: o a aso na g a i icação. Nes e caso, em-se suge ido que c ianças com excesso de peso podem ap esen a di iculdades em esis i à g a i icação imedia a, especialmen e quando a ecompensa é especí ica de um alimen o pala á el (Bona o & Boland, 1983). O a, o TEXI a alia o con olo inibi ó io em ou os domínios que não o a aso na g a i icação pe an e alimen os, o que é coe en e com a hipó ese que as di iculdades de con olo inibi ó io não se gene alizam a odos os domínios da inibição. É consis en e ainda com a explicação de que as di iculdades de con olo inibi ó io es ão mais elacionadas com compo amen os alimen a es p oblemá icos do que com o peso em si, is o pode se nos domínios elacionados à alimen ação que os indi íduos pon uam os dé ices. Mui os dos es udos que a aliam a elação en e o uncionamen o execu i o e o peso não êm em conside ação a iá eis de compo amen o alimen a (Ca oi a e al., 2016; Solís-O iz e al., 2016) pelo que acabam po não a alia es a elação. No en an o, es udos semelhan es ambém sus en am es a hipó ese, ao e i ica em que indi íduos com compo amen os alimen a es p oblemá icos (compulsão alimen a ) com peso no mal e com excesso de peso ap esen a am dé ices mais ele ados na memó ia de abalho em compa ação a indi íduos con olo (Ene a e al., 2017). No en an o, ao analisa o con olo inibi ó io, são os indi íduos com peso no mal e compo amen os alimen a es p oblemá icos com os maio es dé ices no con olo inibi ó io compa a i amen e aos ou os indi íduos com excesso de peso (Ene a e al., 2017). No p esen e es udo, es as conclusões pa ecem ambém se aplica ao compo amen o alimen a de pe isco, suge indo-se uma ligação en e dé ices na memó ia de abalho e compo amen os de pe isco, mesmo em pa icipan es que ap esen em peso no mal. Es e é o p imei o es udo a analisa es a elação. O p incipal modelo de mode ação encon ado e ela-se mui o impo an e ao mos a que quan o maio es o em as di iculdades de egulação emocional, maio es se ão os FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 33 compo amen os de pe isco con ínuo, mas apenas quando há di iculdades eduzidas a in e médias de memó ia de abalho. Quando as di iculdades de memó ia de abalho são ele adas, há o es compo amen os de pe isco con ínuo, independen emen e da se e idade das di iculdades de egulação emocional. Apenas quando as di iculdades de memó ia de abalho não são ão ele adas é que su gem a iações no compo amen o alimen a que se al e am em unção das di iculdades de egulação emocional. Es es esul ados mos am como a memó ia de abalho é um a o p edominan e na exis ência de compo amen os p oblemá icos de pe isco con ínuo, e que pode a é se sob epo à in luência da egulação emocional. Apenas a elação en e di iculdades de egulação emocional e compo amen os alimen a es deso denados e a epo ada na li e a u a (P e i e al., 2019; Sim & Zeman, 2006). O modelo de mode ação e ela ainda como es a elação se es abelece unicamen e na amos a comuni á ia, uma ez que nos adolescen es da amos a clínica os compo amen os de pe isco exis em independen emen e da exis ência de di iculdades de memó ia de abalho. Es e esul ado pode de e -se à baixa a iabilidade nos compo amen os alimen a es epo ados pelos indi íduos da amos a clínica, is o odos os indi íduos menciona em e o es compo amen os de pe isco. Des a o ma, impossibili a- se a elação des e compo amen o com o uncionamen o execu i o. A impo ância da memó ia de abalho, mos ada nes e es udo, é consis en e com a ideia de que a memó ia de abalho pode e um papel ele an e na omada de decisões que en ol em le a em conside ação as consequências da alimen ação pa a a saúde (Higgs & Spe e , 2018). O a, o es di iculdades nes a unção pode le a o indi íduo a pe isca pequenas quan idades de alimen os po desconside a acilmen e o impac o que es es pode ão e na sua saúde, podendo se uma azão pela qual apenas uma das unções execu i as (memó ia de abalho) se mos ou ele an e na mode ação. Es e es udo mos a como a adolescência é um pe íodo de ida undamen al onde a in luência das di iculdades de unções execu i as e egulação emocional (ainda em desen ol imen o) podem desde já, a e a de o ma ad e sa o compo amen o alimen a dos jo ens. FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 34 Limi ações e ecomendações pa a es udos u u os Os esul ados, no en an o, de em se in e p e ados à luz das limi ações do es udo: (a) na u eza ans e sal impede in e p e ações causais dos esul ados; (b) inexis ência da alidação do ins umen o que a alia as unções execu i as, o TEXI (Tho ell e al., 2020), pa a a população po uguesa; (c) núme o de pa icipan es eduzidos na amos a clínica; (d) núme o de pa icipan es eduzidos com pe cen is de IMC mais ele ados (p incipalmen e obesidade, em ambas as amos as) e (e) o empo de a amen o e a quan idade de peso já pe dido dos pa icipan es da amos a clínica não e sido ecolhido (e que pode ão se a iá eis que in luenciem os compo amen os alimen a es). Es udos u u os são essenciais pa a co obo a as di e enças encon adas nes e es udo e assim ampli ica o conhecimen o cien í ico nes a á ea. Assim, p óximas in es igações de em inclui um maio núme o de pa icipan es na amos a clínica e nos pe cen is de IMC mais ele ados. De em ainda explo a a elação en e ou as unções execu i as (e.g., o planeamen o) com o compo amen o alimen a de pe isco con ínuo, uma ez que ou as unções execu i as podem-se mos a mais impo an es na conc e ização des e compo amen o do que a memó ia de abalho e o con olo inibi ó io. Pode se complemen ada a a aliação das unções execu i as com ou os ins umen os que a aliem dimensões di e en es des as unções, nomeadamen e o uso simul âneo de medidas de au o ela o e de medidas baseadas em a e as compo amen ais. Se ia ele an e ambém que se i esse em conside ação a indução expe imen al de humo , dado que o mesmo pa ece ep esen a um papel ele an e na alimen ação e na sua elação com as unções execu i as (Van Malde en e al., 2019). Vis o não exis i nenhuma e são do ins umen o TEXI alidada pa a a população po uguesa se ia ambém impo an e a sua adap ação e alidação pa a a mesma. A a és de es udos longi udinais, se ia impo an e explo a as elações causais en e as a iá eis de uncionamen o execu i o e o compo amen o alimen a e comp eende , po exemplo, como es es se al e am ( eduzem, man êm-se ou aumen am) ao longo do empo. Os esul ados ob idos nes e es udo suge em implicações clínicas u u as signi ica i as uma ez que adolescen es com di iculdades nas unções execu i as e egulação emocional podem sen i -se impelidos a uma alimen ação menos saudá el, que, a longo p azo, alimen a a p obabilidade de excesso de peso. Assim, es e conhecimen o pe mi i desen ol e FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR 35 p og amas de p e enção mais adequados e desen ol e es a égias de in e enção mais especí icas (em especial a inclusão de eino de memó ia de abalho e exe cícios que p omo am adequadamen e a egulação emocional em si uações di e sas) pa a ecupe a ou compensa as al e ações neu ocogni i as encon adas na população adolescen e an es que se ag a em, pe mi indo um comba e e icaz a compo amen os alimen a es desadequados e, consequen emen e, ao excesso de peso. Re e ências Allom, V., & Mullan, B. (2014). Indi idual di e ences in execu i e unc ion p edic dis inc ea ing beha iou s. Appe i e, 80, 123–130. h ps://doi.o g/10.1016/j.appe .2014.05.007 A dila, A. (2008). On he e olu iona y o igins o execu i e unc ions. B ain and Cogni ion, 68(1), 92–99. h ps://doi.o g/10.1016/j.bandc.2008.03.003 Ba kley, R. A. (1997). 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