Full text
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana So ia Bigas No ais
Adição alimen a , co po e egulação
emocional: Um es udo com
pe u bações do compo amen o
alimen a
junho de 2020
Adição alimen a , co po e egulação
emocional: Um es udo com pe u bações
do compo amen o alimen a
Ana So ia Bigas No ais
UMinho | 2020
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana So ia Bigas No ais
Adição alimen a , co po e egulação
emocional: Um es udo com pe u bações
do compo amen o alimen a
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em Psicologia
T abalho ealizado sob o ien ação da
P o esso a Dou o a Sónia Gonçal es
junho de 2020
ii
Despacho RT – 31 /2019 – Anexo 3
Decla ação a inclui na Tese de Dou o amen o (ou equi alen e) ou no abalho de
Mes ado
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que
espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos
di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em
condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és
do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
(So ia No ais)
iii
Ag adecimen os
A inalização da disse ação de mes ado ep esen a pa a mim não só o é mino
de um ciclo, mas o começo de ou o. Nes e sen ido, não pode ia es e abalho ica
comple o sem ag adece a odos aqueles me ajuda am a conc e izá-lo.
À P o esso a Dou o a Sónia Gonçal es, na qualidade de o ien ado , po odas as
o ien ações e pelas aliosas con ibuições dadas du an e odo p ocesso. Ag adeço
imenso a sua disponibilidade e simpa ia e, p incipalmen e, pela ene gia e o imismo
ansmi idos.
Ao G upo de Es udos das Pe u bações Alimen a es que semp e se
p edispose am em ajuda . Um especial ag adecimen o à Dou o a Síl ia Félix pela
incansá el ajuda desde o início de odo o p ocesso, e elando-se se uma excelen e
p o issional. Também às Dou o as Elsa Lou o, Ana Pin o Bas os e Tânia Rod igues pela
disponibilidade em ajuda na ecolha de pa icipan es. E, igualmen e à Dou o a Ana
Isabel Viei a pelas co eções ealizadas pa a ape eiçoamen o do abalho. Da mesma
o ma, ag adeço às minhas colegas de g upo, An ónia e Bea iz, que me ajuda am e
acili a am o abalho quando su giam ince ezas.
Ag adeço a odos os pa icipan es que se disponibiliza am pa a a ealização dos
ques ioná ios, sem eles não se ia possí el a ealização do es udo.
À minha amília, mãe, pai, i mã e i mão, que du an e odo o meu pe cu so
semp e me de am con o o e nunca me ize am sen i só. Segu amen e são o alice ce
pa a as minhas ealizações. Um especial ob igado à minha mãe que sem ela nada dis o
se ia possí el. Tudo o que sou é g aças a i, és o meu exemplo de o ça.
Ao meu namo ado A onso, po caminha a meu lado e po me elemb a semp e
de pensa posi i o ace às imp e isibilidades; aplaudindo-me nas i ó ias e indo-se
comido nas de o as, nunca me deixando i abaixo.
Aos meus amigos po me a u a em nas angús ias e pela p esença incondicional
ao longo de odos es es anos de pe cu so académico, desde o p imei o dia des a longa
jo nada.
i
Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 4
Decla ação a inclui na Tese de Dou o amen o (ou equi alen e) ou no abalho de
Mes ado
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida
ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade
do Minho.
(So ia No ais)
Adição alimen a , co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações do
compo amen o alimen a
Resumo
In odução: A adição alimen a é desc i a como uma e amen a ú il pa a iden i ica
indi íduos com compo amen os compulsi os e ician es em elação à comida,
semelhan es a compo amen os de dependência.
Obje i o: Es e es udo p e endeu ca ac e iza uma amos a de pacien es com
pe u bações do compo amen o alimen a ela i amen e a dois compo amen os
alimen a es especí icos e a duas a iá eis psicológicas, bem como a alia a associação
en e os compo amen os alimen a es a aliados e as a iá eis psicológicas.
Mé odo: Fo am a aliados qua en a e um pacien es com pe u bações do
compo amen o alimen a que p ocede am ao p eenchimen o de um ques ioná io
sociodemog á ico e clínico, do Body In es men Scale (BIS), da Escala de Di iculdades de
Regulação Emocional (DERS) e, do Yale Food addic ion scale 2.0 (YFAS).
Resul ados: Ce ca de 56 % dos pa icipan es com pe u bação do compo amen o
alimen a ap esen ou adição alimen a . Es e g upo ap esen ou maio di iculdade na
egulação emocional e menos sen imen os e a i udes posi i os em elação à imagem
co po al compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a .
Discussão: O oco e apêu ico nas es a égias de coping pa a lida com emoções
nega i as pode e um impac o posi i o na p e enção e a amen o da adição alimen a
em pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a .
Pala as-Cha e: Adição alimen a ; in es imen o co po al; pe u bações do
compo amen o alimen a ; egulação emocional.
i
Food addi ion, body and emo ional egula ion: A s udy wi h ea ing diso de s
Abs ac
In oduc ion: Food addi ion is desc ibed as a use ul ool o iden i y indi iduals wi h
compulsi e and addic i e beha io s in ela ion o ood, simila o addic i e beha io s.
Objec i e: This s udy aimed o cha ac e ize a sample o pa ien s wi h ea ing diso de s
in ela ion o wo speci ic ea ing beha io s and wo psychological a iables as well as
e alua e he associa ion be ween he e alua ed ea ing beha io s and he
psychological a iables.
Me hod: Fo y-one pa ien s wi h ea ing diso de s we e in ol ed and comple ed a
sociodemog aphic and clinical ques ionnai e, om he Body In es men Scale (BIS),
he Emo ional Regula ion Di icul y Scale (DERS) and he Yale Food addic ion scale 2.0
(YFAS).
Resul s: App oxima ely 56% o he pa icipan s wi h ea ing beha io diso de had ood
addi ion. This g oup showed g ea e di icul y in emo ional egula ion and less posi i e
eelings and a i udes in ela ion o body image compa ed o he g oup wi hou ood
addi ion.
Discussion: The he apeu ic ocus on coping s a egies o deal wi h nega i e emo ions
can ha e a posi i e impac on he p e en ion and ea men o ood addi ion in
pa ien s wi h ea ing diso de s.
Keywo ds: Food addi ion; body in es men ; ea ing diso de s; emo ional egula ion.
ii
Índice
In odução .................................................................................................................... 9
Me odologia ............................................................................................................... 15
Pa icipan es ..................................................................................................... 15
Ins umen os ..................................................................................................... 16
P ocedimen o .................................................................................................... 17
Análise Es a ís ica .............................................................................................. 17
Resul ados .................................................................................................................. 18
Discussão ................................................................................................................... 22
Conclusão ................................................................................................................... 24
Re e ências Bibliog á icas .......................................................................................... 25
Anexo ......................................................................................................................... 30
Índice de Tabelas
Tabela 1: Co elações en e ipo de alimen ação, compo amen o alimen a e adição
alimen a .................................................................................................................... 19
Tabela 2: Reg essão Logís ica Biná ia pa a p edição da adição alimen a .................... 21
14
PCA e In es imen o co po al
O in es imen o co po al é de inido como um in es imen o emocional do indi iduo no
co po e, inclui ep esen ações ao ní el da imagem co po al, oque co po al, cuidados com o
co po e p o eção do co po (O bach, & Mikulince , 1998). A imagem co po al é baseada na
consciência e conhecimen o subje i o do indi iduo ace ca da o ma e amanho co po al, bem
como das emoções associadas às pa es do co po e o do co po como um odo, englobando
duas dimensões: a a aliação e o in es imen o (Cash, 2011; Ja y, Digna d, & O’D iscoll, 2019;
Ka ni-Vize & Wal e , 2018). Enquan o que a a aliação da imagem co po al es á elacionada
com a sa is ação ou insa is ação do indi iduo no co po e as c enças a alia i as a ele, o
in es imen o ab ange a impo ância a ibuída à p óp ia apa ência ísica (Cash, 2011), sendo
exemplo disso, os compo amen os des inados ao seu cuidado, como o empo e es o ço
despendido em man ê-lo ou melho á-lo (Da ison, & McCabe, 2006). No en an o, a
in e p e ação men al do co po é díspa de indi iduo pa a indi iduo e depende da pe ceção e
das sensações alusi as ao amanho e o ma co po al (Noguei a-de-Almeida, 2018). Em
pacien es com AN e BN es es juízos alo a i os podem não coincidi com as ca a e ís icas
eais, conduzindo a uma sob es imação do peso e o ma co po al que, po sua ez, pode
in luencia na adoção de compo amen os alimen a es desadap a i os (Kessle & Poll, 2018;
Lan z, Gaspa , DiTo e, Pie s, & Schaumbe g, 2018). A é ao momen o, á ios são os
ins umen os que se concen am em a alia a imagem co po al, mas apenas ocam-se na
dimensão sa is ação/insa is ação da imagem co po al, endo um eduzido núme o de
ins umen os sido alidado pa a a alia a dimensão do in es imen o emocional da imagem
co po al (O bach e Mikulince , 1998).
PCA e die as alimen a es
As die as alimen a es podem se despole adas quando su ge uma p eocupação
excessi a com o peso e o ma co po al (Sha pe e al., 2018). No ce ne da comunidade
cien í ica, a alimen ação ege a iana é conhecida como uma al e na i a alimen a e ilus ada
como uma decisão indi idual e in o mada na es ição do consumo de p odu os de o igem
animal (Pe y, Mcgui e, Neuma k-Sz aine , & S o y, 2001). O alcance da mo i ação pa a a
adoção de uma die a ege a iana pode en ol e a i udes e c enças ab angen es nos p ocessos
mo ais, ambien ais, de saúde, económicos, eligiosos e de p e e ência pessoal (Ba done-Cone
e al., 2012; Heiss, Boswell, & Ho mes, 2018; Pe y e al., 2001). Pacien es com AN ap esen am
15
uma necessidade de con olo de peso e as suas die as são signi ica i amen e mais baixas em
ene gia, ca boid a os, p o eínas e con eúdo de go du a (Schebendach, Maye , De lin, A ia,
& Walsh, 2012; S einglass e al., 2010). Nes e sen ido, es ão mais p opensos a escolhe uma
die a ege a iana como um meio legi imo pa a jus i ica a eliminação de de e minados
alimen os, sem a censu a social associadas à en a i a de pe de peso (Ba done-Cone e al.,
2012; Gilbody, Ki k, & Hill, 1999; Lindeman, S a k, & La ala, 2000; Sulli an, & Damani, 2000).
Tendo em conside ação es es p essupos os, se uma alimen ação egulada cogni i amen e é
um isco pa a PCA en ão, o ege a ianismo em uma maio p obabilidade de se um a o de
isco, dado que, ambém acaba po se semelhan e a uma es ição alimen a (Heiss, Boswell,
& Ho mes, 2018; Lindeman, S a k, & La ala, 2000; Timko, Ho mes, & Chubski, 2012).
O p esen e es udo e e como p incipais obje i os, ca ac e iza uma amos a de
pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a ela i amen e a dois
compo amen os alimen a es especí icos - a die a alimen a escolhida e a adição alimen a , e
a duas a iá eis psicológicas – o in es imen o co po al e a egulação emocional e a alia a
associação en e os compo amen os alimen a es a aliados e as a iá eis psicológicas.
Me odologia
Pa icipan es
A amos a é cons i uída po 41 pa icipan es, sendo que 38 são do sexo eminino
(92.7%) e 3 do sexo masculino (7.3%) e as idades a ia am en e os 16 e 39 anos (M=23.76;
DP=4.841). Rela i amen e ao es ado ci il, 85.4% são sol ei os, 12.2% casados e 2.4% em união
de ac o, sendo que 92.7% são de nacionalidade po uguesa. Ao ní el de escola idade a maio
pa e da amos a e idenciou e um cu so supe io , sendo que 34.1% em uma licencia u a e
29.3% um mes ado. Além disso, alguns pa icipan es concluí am o ensino secundá io, sendo
que 17.1% a a és do ensino secundá io ge al e 9.8% pelo ensino secundá io
p o issional/ ocacional, 2.4% comple a am o ensino p imá io (1º ciclo) e 4.9% o ensino básico
(3ºciclo).
Os pa icipan es di idi am-se pelos g upos de diagnós icos seguin es: 36.6% (n=15)
com AN-R e 2.4% (n=1) com AN-P, 24.4% (n=10) com BN, 17.1% (n=7) com BED e 19.5% (n=8)
com OSFED.
16
Os alo es do índice de massa co po al (IMC) oscila am en e 12.34 e 48.33 (M=22.25,
DP=8.34). Rela i amen e à du ação média da p esença da pe u bação oi de 51.90 meses
(DP=217.142), sendo que 65.9% ap esen a pe u bação alimen a há mais de 3 anos. Além
disso, é e e ido que 56.1% (n=23) não ap esen am doenças me abólicas ou ou as pa ologias,
po ém, uma pe cen agem conside á el de 31.7% (n=13) ap esen a dep essão, 4.9% dis unção
da i oide, 2.4% os eopo ose e 4.9% ou as doenças me abólicas ou pa ologias.
Ins umen os
Ques ioná io sociodemog á ico e clínico:
Ques ioná io usado pa a ca a e ização da amos a em e mos de idade, géne o, peso
e al u a, es ado ci il, escola idade/ o mação, p esença/ausência de doenças me abólicas e/ou
ou as pa ologias, ipo de alimen ação e azões subjacen es à escolha des e ipo de
alimen ação. Es es elemen os o am selecionados po se em ele an es pa a a ealização do
es udo.
Escala de Di iculdades de Regulação Emocional (DERS):
Escala que mede as di iculdades de egulação emocional e é compos a po 36 i ens e 6
subescalas: Não acei ação, me as, impulso, conscien ização, es a égias e cla eza. Cada i em
da escala é classi icado numa escala de Like de 5 pon os, que a ia de 1 (quase nunca) a 5
(quase semp e). Resul ados mais al os e le em maio di iculdade na egulação emocional
(G a z & Roeme , 2004). A e são adap ada à população po uguesa da Escala de Di iculdades
de Regulação Emocional, po Cou inho, Ribei o, Fe ei inha e Dias (2010), possui uma ele ada
consis ência in e na (α = .924). Embo a es e ins umen o es eja alidado pa a a população
po uguesa, o mesmo não se e i ica pa a a população clínica de ido ao eduzido núme o da
amos a no momen o da alidação.
Body In es emen Scale (BIS):
Medida de au o ela o que inclui 24 i ens ela i os a aspe os de a aliação da imagem
co po al. Cada i em é pon uado numa escala de Like de 5 pon os, que a ia de 1 (disco do
o almen e) a 5 (conco do o almen e). É di ido em qua o a o es: sen imen os e a i udes em
elação à imagem co po al, con o o ao oque, cuidados com o co po e p o eção do co po.
Pon uações mais al as indicam sen imen os posi i os sob e o oque, p o eção e cuidado com
17
o co po. O al a de C oncach a ia de .80 a .95. o que indica uma adequada consis ência in e na
(O bach, & Mikulince , 1998). Pa a es e es udo oi u ilizado o ins umen o alidado pa a a
população po uguesa (Viei a, Fe nandes, Machado, & Gonçal es, 2020).
Yale Food addic ion scale 2.0 (YFAS):
Escala pa a a alia a p esença de adição alimen a que in eg a 35 i ens, sendo que cada
i em em uma classi icação de 8 pon os segundo a equência de sin omas e a ia de 0 (nunca)
a 7( odos os dias). É p oje ado pa a a alia sin omas elacionados a 11 c i é ios de diagnós ico
pa a as pe u bações elacionadas com subs âncias ician es, aplicados ao compo amen o
alimen a . São o necidas duas opções de co ação: (1) uma con agem con inua de sin omas
que ep esen a o núme o de sin omas do sujei o; (2) uma opção de pon uação ca egó ica que
classi ica o sujei o como endo adição alimen a le e, mode ada ou g a e. Es a escala
demons a p op iedades psicomé icas adequadas e possui con iabilidade in e na (Gea ha d ,
Co bin, & B ownell, 2016).
P ocedimen o
O p eenchimen o dos ques ioná ios ealizou-se en e no emb o de 2019 e ma ço de
2020, consis indo num es udo ans e sal. A aplicação dos qua o ins umen os deco eu em
duas unidades de especialização, sendo elas o Cen o Hospi ala do S. João no Po o e as
consul as de Pe u bações Alimen a es na Associação de Psicologia da Uni e sidade do Minho
(APsi), no qual o empo de pa icipação es imado oi en e 15 a 20 minu os. O c i é io de
inclusão é ap esen ado como a língua ma e na se o po uguês e se um pacien e com
pe u bação do compo amen o alimen a (PCA). P e iamen e, a sal agua da dos aspe os
é icos ine en es ao ques ioná io como a con idencialidade e a pa icipação olun á ia oi
ga an ida, a a és do consen imen o in o mado. Também oi a ibuído a cada pa icipan e um
código, explicado as ins uções e obje i os do es udo, e oi desc i o que o pa icipan e podia
desis i a qualque momen o.
Análise Es a ís ica
A Análise Es a ís ica oi execu ada no p og ama es a ís ico IBM® SPSS® S a is ics,
e são 22. Es a in es igação oi desen ol ida no con ex o de um design ans e sal.
18
Pa a uma análise desc i i a do conjun o de dados ecolhidos, u ilizou-se as medidas de
endência cen al e de dispe são. De modo a a alia as associações en e adição alimen a e
o diagnós ico de pe u bações do compo amen o alimen a e o ipo de alimen ação ealizou-
se o Tes e do Qui-Quad ado (χ2) e o Tes e de Mann-Whi ney pa a a egulação emocional e
in es imen o co po al. Ao eco e ao Tes e de Mann-Whi ney p e endeu-se comp eende se
exis em di e enças na egulação emocional en e pa icipan es com e sem adição alimen a .
Além disso, ambém se e i icou se exis ia di e ença na média de idades en e os pa icipan es
com e sem adição alimen a . Po úl imo, no sen ido de a e i os p edi o es da adição alimen a
numa amos a clínica com PCA, eco eu-se à Análise de Reg essão Logís ica. Os p essupos os
da eg essão o am e i icados e alo es de p < .05 o am conside ados signi ica i os.
Resul ados
F equência de adição alimen a
Dos 41 pa icipan es, 56.1% (n =23) ap esen am adição alimen a . Des es pa icipan es
4.9% o am classi icados com adição alimen a le e, 14.6% com adição alimen a mode ada e
36.6% com adição alimen a se e a.
No que espei a às di e enças na média de idades en e os pa icipan es com e sem
adição alimen a , não o am encon adas di e enças es a is icamen e signi ica i as, U =
151.00, p = .140.
F equência e mo i os associados à seleção das die as alimen a es
No que conce ne à classi icação da alimen ação, 51.2% dos pa icipan es ado am uma
alimen ação o gânica, 9.8% uma alimen ação ege a iana, 4.9% uma alimen ação egan, 2.4%
uma alimen ação sem glú en e sem lac ose e 17.1% ap esen am ou o ipo de alimen ação.
Os mo i os subjacen es a es es ipos de alimen ação são, sob e udo, de saúde (22%),
seguindo-se de con olo de peso (17.1%) e, po úl imo, po p e e ência pessoal (12.2%).
Associação en e adição alimen a e diagnós ico de pe u bações do compo amen o
alimen a
Pa a e ei os compa a i os en e g upos de diagnós icos, os diagnós icos de PCA o am
ag upados em dois g upos: PCA do ipo es i i o (n=21), onde se incluí am os diagnós icos de
AN e OSFED-AN s. PCA do ipo inges ão compulsi a/pu ga i o (n=18), onde se incluí am os
19
diagnós icos de BN, BED e OSFED-BN. A a és do es e de Qui-Quad ado (χ2) oi possí el
a alia a associação en e a p esença/ausência de adição alimen a em pacien es com
compo amen o alimen a es i i o e não es i i o. O es e de associação do Qui-Quad ado
(χ2) e elou não exis i uma co elação es a is icamen e signi ica i a en e a
p esença/ausência de adição alimen a e o compo amen o alimen a es i i o/ não
es i i o χ2(1) = .010 p = .588. Os esul ados são ap esen ados na abela 1.
Associação en e adição alimen a e o ipo de alimen ação
Pa a e ei os compa a i os, o ipo de alimen ação oi ag upado em dois: o gânico
(n=21) s. não o gânico (n=20). Nes e g upo de alimen ação não o gânica inclui-se a
alimen ação ege a iana, egan, sem glú en e sem lac ose e ou as. O es e de associação do
Qui-Quad ado (χ2) e elou não exis i uma co elação es a is icamen e signi ica i a en e a
p esença/ausência de adição alimen a e uma alimen ação o gânica/ não o gânica, χ2(1) =
1.953 p = .140. Os esul ados são ap esen ados na abela 1.
Tabela 1.
Co elações en e ipo de alimen ação, compo amen o alimen a e adição alimen a
Com adição
alimen a
n (%)
Sem adição
alimen a
n (%)
Qui-Quad ado
(χ2)
p
Compo amen o
alimen a Res i i o
12 (54.5)
9 (52.9)
.010
.588
Compo amen o
alimen a Não
Res i i o
10 (45.5)
8 (47.1)
Alimen ação
O gânica
14 (60.9)
7 (38.9)
1.953
.140
Alimen ação não
o gânica
9 (39.1)
11 (61.1)
No a. n: equência absolu a; %: equência ela i a
20
p <.05
Di e enças nas di iculdades na egulação emocional en e pa icipan es com e sem adição
alimen a
Os esul ados e idenciam que exis em di e enças es a is icamen e signi ica i as en e
os g upos com e sem adição alimen a quan o ao sco e o al da DERS, U = 85.0, p = .03. Além
disso, há di e enças signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a nas seis
subescalas da DERS, nomeadamen e, no acesso limi ado às es a égias de egulação
emocional (U = 104.0, p = .017), na não acei ação das espos as emocionais (U = 108.0, p =
.022), na al a de consciência emocional (U = 102.0, p = .014), nas di iculdades no con olo de
impulsos (U = 95.5, p = .008), nas di iculdades em agi de aco do com os obje i os (U = 114.0,
p = .034) e na al a de cla eza emocional (U = 68.0, p ≤ .001). Assim, pa icipan es com adição
alimen a ob i e am sco es mais ele ados do que o g upo de pa icipan es sem adição
alimen a , e elando maio es di iculdades em egula as emoções.
Di e enças no in es imen o co po al en e pa icipan es com e sem adição alimen a
De aco do o Tes e de Mann-Whi ney, na subescala que diz espei o aos sen imen os e
a i udes em elação à imagem co po al, há di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os
g upos com e sem adição alimen a , U = 123.0, p = .027. O g upo com pa icipan es sem adição
alimen a ende a e mais sen imen os e a i udes posi i as em elação à imagem co po al do
que o g upo com adição alimen a .
No en an o, não o am encon adas di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os
g upos com e sem adição alimen a quan o às subescalas oque co po al (U = 140.5, p = .117),
cuidado Co po al (U = 173.5, p = .375) e p o eção co po al (U = 131.5, p = .070).
Di e enças no Índice de Massa Co po al (IMC) en e pa icipan es com e sem adição
alimen a
De aco do com o Tes e de Mann-Whi ney, não o am encon adas di e enças
es a is icamen e signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a quan o ao IMC, U
= 176.0, p = .415.
P edi o es de adição alimen a na amos a clínica com Pe u bações do compo amen o
alimen a
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Foi ealizada uma Reg essão Logís ica Biná ia pa a de e mina os po enciais e ei os das
di iculdades na egulação emocional e dos sen imen os e a i udes em elação à imagem
co po al na adição alimen a . Es a a iá eis o am selecionadas po se em es a is icamen e
signi ica i as nos es es de di e enças an e io es.
No bloco 1, conside ando as di iculdades na egulação emocional, o modelo de
eg essão logís ica oi es a is icamen e signi ica i o, χ2(6) = 21.134, p =.002, explicando 56%
da a iância (Nagelke ke R2), e classi icou co e amen e 79.5% dos casos. Especi icamen e, as
di iculdades na cla eza emocional o am signi ica i as na adição alimen a , β = .521, p = .026,
ou seja, o g upo com adição alimen a ap esen ou mais di iculdades na cla eza emocional. Em
elação às ou as subescalas da DERS (não acei ação, obje i os, impulso, consciência,
es a égias) não o am encon ados esul ados signi ica i os.
No bloco 2, oi in oduzida uma das dimensões do in es imen o do co po, is o é, os
sen imen os e a i udes em elação à imagem co po al. O modelo oi es a is icamen e
signi ica i o, χ2(1) = 21.993, p =.003, explicando 58% da a iância (Nagelke ke R2), e classi icou
co e amen e 85% dos casos. Rela i amen e aos p edi o es, apenas a cla eza emocional se
man e e como um p edi o signi ica i o, β = .521, p = .026. Os esul ados são ap esen ados
na abela 2.
Tabela 2.
Reg essão Logís ica Biná ia pa a p edição da adição alimen a
Va iá eis
95%CI o Odds
Ra io
B(SE)
Odds Ra io
Lowe
Uppe
Bloco 1
Cons an e
-8.349(3.330)
.000
-
-
Não-acei ação
.080(.092)
1.083
.905
1.297
Obje i os
-.077(.180)
.926
.651
1.316
Impulso
.278(.178)
1.321
.933
1.871
Consciência
-.018(.132)
.982
.757
1.273
Cla eza
.563(.238)*
1.756
1.102
2.799
22
Es a égia
-.072(.133)
.930
.717
1.208
Bloco 2
Cons an e
-5.712(4.195)
.003
-
-
Não-acei ação
.085(.096)
1.089
.902
1.314
Obje i os
-.051(.181)
.951
.667
1.354
Impulso
.270(.178)
1.310
.923
1.857
Consciência
-.043(.139)
.958
.730
1.259
Cla eza
.521(.234)*
1.684
1.065
2.662
Es a égia
-.104(.136)
.901
.690
1.176
Imagem Co po al
-.557(.609)
.573
.174
1.889
No a. Não-acei ação, Obje i os, Impulsos, Consciência, Cla eza e Es a égia = subescalas da Escala de Di iculdades de
Regulação Emocional; Imagem Co po al = subescala da Escala In es imen o Co po al. N = 39 po que nem odos os
pa icipan es esponde am à o alidade do ques ioná io.
*p <.05
Discussão
De aco do com os esul ados ob idos, a equência de pa icipan es que ap esen am
PCA e adição alimen a co esponde a 56.1%, o que é consis en e com os es udos an e io es
(Gea ha d , Co bin, & B ownell, 2016). Apesa de os esul ados não se em signi ica i os, há
maio equência de adição alimen a no g upo com compo amen o alimen a não es i i o
(BN, BED, OSFED-BN) compa a i amen e com o g upo de compo amen o alimen a es i i o
(AN, OSFED-AN). A li e a u a e e e que é ca ac e ís ico de pacien es com BN e BED,
ap esen a em ele adas axas de adição alimen a pois exibem com mais equência episódios
de compulsão alimen a e desejos in ensos em elação à comida (Schul e, G ilo, & Gea ha d ,
2016; Yu & Tan, 2016). Já em pacien es com AN as axas de adição alimen a são menos
ele adas, dado que não ap esen am sin omas indica i os de compulsão alimen a ou pe da
de con olo, mas medo que al se suceda (Yu & Tan, 2016).
Nes e es udo ambém não se encon ou uma associação signi ica i a en e a adição
alimen a e a p esença de uma alimen ação o gânica e não o gânica. Tan o quan o se sabe,
não exis em es udos que a aliem a elação en e adição alimen a e o ipo de alimen ação.
Ademais, no caso dos pa icipan es com adição alimen a e uma alimen ação não o gânica,
não se consegue pe cebe se alguns indi íduos ado am de e minada alimen ação com o
in ui o de a con ola .
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Po ou o lado, cong uen es com as e idências que apon am pa a um
comp ome imen o na egulação emocional en e indi íduos com PCA, nes e es udo há
di e enças es a is icamen e signi ica i as en e o g upo com adição alimen a
compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a ela i amen e à egulação emocional.
Segundo um epo ó io de es udos an e io es, pode-se cons a a que pa icipan es com
adição alimen a endem a e maio di iculdade em egula as emoções (Gea ha d e al.,
2012; Gea ha d , Whi e, Masheb, & G ilo, 2013; Pi a unas, & Conne , 2015). De ac o,
pacien es com adição alimen a demons a am signi ica i amen e maio di iculdade em se
concen a em e ealiza em a e as quando expe ienciam emoções nega i as, di iculdade em
egula o compo amen o quando es ão sob so imen o emocional, e le em sen imen os
nega i os ace ca das espos as emocionais, êm meno consciência do signi icado das
emoções, meno capacidade de muda a manei a como se sen em e uma meno comp eensão
ace ca dos seus sen imen os. Nes e sen ido, a inges ão de alimen os g a i ican es pode se
en endida como uma es a égia pa a escapa dessas emoções (Wolz e al., 2016).
Os esul ados demons a am ainda que há di e enças es a is icamen e signi ica i as
en e o g upo com adição alimen a compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a
ela i amen e à imagem co po al, sendo que pa icipan es com adição alimen a endem a
e menos sen imen os e a i udes posi i as em elação à imagem co po al do que o g upo sem
adição alimen a . Na li e a u a são eduzidos os es udos que elacionem es as duas a iá eis
e mais in es igação é necessá ia nes a á ea.
Rela i amen e ao IMC, os esul ados são disco dan es de in es igações an e io es que
mos am que a adição alimen a es á associada a um IMC mais ele ado em pacien es com PCA
(Gea ha d , Boswell, & Whi e, 2014). Is o pode de e -se ao ac o de consumi em alimen os
com al o eo caló ico e ap esen a em pe da de con ole e ulne abilidade aos alimen os
(Hauck, Cook, & Ell o , 2020; Schul e, Po enza, & Gea ha d , 2017).
Com es e es udo ambém p e endeu a e igua os p edi o es da adição alimen a .
Assim, a a és da análise de eg essão logís ica, oi possí el e i ica que pacien es com adição
alimen a êm mais di iculdade em comp eende os seus sen imen os. Ou seja, podemos
e i ica que quan o mais di iculdade na cla eza emocional maio a p obabilidade de e
adição alimen a . No en an o, há ainda poucos es udos sob e es a emá ica.
Anexo: Fo mulá io de iden i icação e ca ac e ização do p oje o
Conselho de É ica
Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas
Iden i icação do documen o: CEICSH 083/2019
Rela o es: Emanuel Ped o Viana Ba bas Albuque que e Ma lene Alexand a Veloso Ma os
Tí ulo do p oje o:
Food addic ion, co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações alimen a es
Equipa de In es igação: Ana So ia No ais, Mes ado em Psicologia, Escola de Psicologia, Uni e sidade do Minho; Sónia
Fe ei a Gonçal es (O ien ado a), Depa amen o de Psicologia Aplicada, Escola de Psicologia, Uni e sidade do Minho
PARECER
A Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) analisou o p ocesso ela i o ao
p oje o de in es igação acima iden i icado, in i ulado
Food addic ion, co po e egulação emocional: um es udo com
pe u bações alimen a es.
Os documen os ap esen ados e elam que o p oje o obedece aos equisi os exigidos pa a as boas p á icas na
in es igação com humanos, em con o midade com as no mas nacionais e in e nacionais que egulam a in es igação
em Ciências Sociais e Humanas.
Face ao expos o, a Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) nada em a opo à
ealização do p oje o, emi indo o seu pa ece a o á el, que oi ap o ado po unanimidade pelos seus memb os.
B aga, 22 de janei o de 2020.
O P esiden e da CEICSH