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Adição alimentar, corpo e regulação emocional: um estudo com perturbações do comportamento alimentar

Novais, Ana Sofia Bigas

Abstract

Introdução: A adição alimentar é descrita como uma ferramenta útil para identificar indivíduos com comportamentos compulsivos e viciantes em relação à comida, semelhantes a comportamentos de dependência. Objetivo: Este estudo pretendeu caracterizar uma amostra de pacientes com perturbações do comportamento alimentar relativamente a dois comportamentos alimentares específicos e a duas variáveis psicológicas, bem como avaliar a associação entre os comportamentos alimentares avaliados e as variáveis psicológicas. Método: Foram avaliados quarenta e um pacientes com perturbações do comportamento alimentar que procederam ao preenchimento de um questionário sociodemográfico e clínico, do Body Investment Scale (BIS), da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (DERS) e, do Yale Food addiction scale 2.0 (YFAS). Resultados: Cerca de 56 % dos participantes com perturbação do comportamento alimentar apresentou adição alimentar. Este grupo apresentou maior dificuldade na regulação emocional e menos sentimentos e atitudes positivos em relação à imagem corporal comparativamente com o grupo sem adição alimentar. Discussão: O foco terapêutico nas estratégias de coping para lidar com emoções negativas pode ter um impacto positivo na prevenção e tratamento da adição alimentar em pacientes com perturbações do comportamento alimentar.

Full text

Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia Ana So ia Bigas No ais Adição alimen a , co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações do compo amen o alimen a junho de 2020 Adição alimen a , co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações do compo amen o alimen a Ana So ia Bigas No ais UMinho | 2020 Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia Ana So ia Bigas No ais Adição alimen a , co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações do compo amen o alimen a Disse ação de Mes ado Mes ado In eg ado em Psicologia T abalho ealizado sob o ien ação da P o esso a Dou o a Sónia Gonçal es junho de 2020 ii Despacho RT – 31 /2019 – Anexo 3 Decla ação a inclui na Tese de Dou o amen o (ou equi alen e) ou no abalho de Mes ado DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos. Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho. A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/ (So ia No ais) iii Ag adecimen os A inalização da disse ação de mes ado ep esen a pa a mim não só o é mino de um ciclo, mas o começo de ou o. Nes e sen ido, não pode ia es e abalho ica comple o sem ag adece a odos aqueles me ajuda am a conc e izá-lo. À P o esso a Dou o a Sónia Gonçal es, na qualidade de o ien ado , po odas as o ien ações e pelas aliosas con ibuições dadas du an e odo p ocesso. Ag adeço imenso a sua disponibilidade e simpa ia e, p incipalmen e, pela ene gia e o imismo ansmi idos. Ao G upo de Es udos das Pe u bações Alimen a es que semp e se p edispose am em ajuda . Um especial ag adecimen o à Dou o a Síl ia Félix pela incansá el ajuda desde o início de odo o p ocesso, e elando-se se uma excelen e p o issional. Também às Dou o as Elsa Lou o, Ana Pin o Bas os e Tânia Rod igues pela disponibilidade em ajuda na ecolha de pa icipan es. E, igualmen e à Dou o a Ana Isabel Viei a pelas co eções ealizadas pa a ape eiçoamen o do abalho. Da mesma o ma, ag adeço às minhas colegas de g upo, An ónia e Bea iz, que me ajuda am e acili a am o abalho quando su giam ince ezas. Ag adeço a odos os pa icipan es que se disponibiliza am pa a a ealização dos ques ioná ios, sem eles não se ia possí el a ealização do es udo. À minha amília, mãe, pai, i mã e i mão, que du an e odo o meu pe cu so semp e me de am con o o e nunca me ize am sen i só. Segu amen e são o alice ce pa a as minhas ealizações. Um especial ob igado à minha mãe que sem ela nada dis o se ia possí el. Tudo o que sou é g aças a i, és o meu exemplo de o ça. Ao meu namo ado A onso, po caminha a meu lado e po me elemb a semp e de pensa posi i o ace às imp e isibilidades; aplaudindo-me nas i ó ias e indo-se comido nas de o as, nunca me deixando i abaixo. Aos meus amigos po me a u a em nas angús ias e pela p esença incondicional ao longo de odos es es anos de pe cu so académico, desde o p imei o dia des a longa jo nada. i Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 4 Decla ação a inclui na Tese de Dou o amen o (ou equi alen e) ou no abalho de Mes ado DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho. (So ia No ais) Adição alimen a , co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações do compo amen o alimen a Resumo In odução: A adição alimen a é desc i a como uma e amen a ú il pa a iden i ica indi íduos com compo amen os compulsi os e ician es em elação à comida, semelhan es a compo amen os de dependência. Obje i o: Es e es udo p e endeu ca ac e iza uma amos a de pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a ela i amen e a dois compo amen os alimen a es especí icos e a duas a iá eis psicológicas, bem como a alia a associação en e os compo amen os alimen a es a aliados e as a iá eis psicológicas. Mé odo: Fo am a aliados qua en a e um pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a que p ocede am ao p eenchimen o de um ques ioná io sociodemog á ico e clínico, do Body In es men Scale (BIS), da Escala de Di iculdades de Regulação Emocional (DERS) e, do Yale Food addic ion scale 2.0 (YFAS). Resul ados: Ce ca de 56 % dos pa icipan es com pe u bação do compo amen o alimen a ap esen ou adição alimen a . Es e g upo ap esen ou maio di iculdade na egulação emocional e menos sen imen os e a i udes posi i os em elação à imagem co po al compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a . Discussão: O oco e apêu ico nas es a égias de coping pa a lida com emoções nega i as pode e um impac o posi i o na p e enção e a amen o da adição alimen a em pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a . Pala as-Cha e: Adição alimen a ; in es imen o co po al; pe u bações do compo amen o alimen a ; egulação emocional. i Food addi ion, body and emo ional egula ion: A s udy wi h ea ing diso de s Abs ac In oduc ion: Food addi ion is desc ibed as a use ul ool o iden i y indi iduals wi h compulsi e and addic i e beha io s in ela ion o ood, simila o addic i e beha io s. Objec i e: This s udy aimed o cha ac e ize a sample o pa ien s wi h ea ing diso de s in ela ion o wo speci ic ea ing beha io s and wo psychological a iables as well as e alua e he associa ion be ween he e alua ed ea ing beha io s and he psychological a iables. Me hod: Fo y-one pa ien s wi h ea ing diso de s we e in ol ed and comple ed a sociodemog aphic and clinical ques ionnai e, om he Body In es men Scale (BIS), he Emo ional Regula ion Di icul y Scale (DERS) and he Yale Food addic ion scale 2.0 (YFAS). Resul s: App oxima ely 56% o he pa icipan s wi h ea ing beha io diso de had ood addi ion. This g oup showed g ea e di icul y in emo ional egula ion and less posi i e eelings and a i udes in ela ion o body image compa ed o he g oup wi hou ood addi ion. Discussion: The he apeu ic ocus on coping s a egies o deal wi h nega i e emo ions can ha e a posi i e impac on he p e en ion and ea men o ood addi ion in pa ien s wi h ea ing diso de s. Keywo ds: Food addi ion; body in es men ; ea ing diso de s; emo ional egula ion. ii Índice In odução .................................................................................................................... 9 Me odologia ............................................................................................................... 15 Pa icipan es ..................................................................................................... 15 Ins umen os ..................................................................................................... 16 P ocedimen o .................................................................................................... 17 Análise Es a ís ica .............................................................................................. 17 Resul ados .................................................................................................................. 18 Discussão ................................................................................................................... 22 Conclusão ................................................................................................................... 24 Re e ências Bibliog á icas .......................................................................................... 25 Anexo ......................................................................................................................... 30 Índice de Tabelas Tabela 1: Co elações en e ipo de alimen ação, compo amen o alimen a e adição alimen a .................................................................................................................... 19 Tabela 2: Reg essão Logís ica Biná ia pa a p edição da adição alimen a .................... 21 14 PCA e In es imen o co po al O in es imen o co po al é de inido como um in es imen o emocional do indi iduo no co po e, inclui ep esen ações ao ní el da imagem co po al, oque co po al, cuidados com o co po e p o eção do co po (O bach, & Mikulince , 1998). A imagem co po al é baseada na consciência e conhecimen o subje i o do indi iduo ace ca da o ma e amanho co po al, bem como das emoções associadas às pa es do co po e o do co po como um odo, englobando duas dimensões: a a aliação e o in es imen o (Cash, 2011; Ja y, Digna d, & O’D iscoll, 2019; Ka ni-Vize & Wal e , 2018). Enquan o que a a aliação da imagem co po al es á elacionada com a sa is ação ou insa is ação do indi iduo no co po e as c enças a alia i as a ele, o in es imen o ab ange a impo ância a ibuída à p óp ia apa ência ísica (Cash, 2011), sendo exemplo disso, os compo amen os des inados ao seu cuidado, como o empo e es o ço despendido em man ê-lo ou melho á-lo (Da ison, & McCabe, 2006). No en an o, a in e p e ação men al do co po é díspa de indi iduo pa a indi iduo e depende da pe ceção e das sensações alusi as ao amanho e o ma co po al (Noguei a-de-Almeida, 2018). Em pacien es com AN e BN es es juízos alo a i os podem não coincidi com as ca a e ís icas eais, conduzindo a uma sob es imação do peso e o ma co po al que, po sua ez, pode in luencia na adoção de compo amen os alimen a es desadap a i os (Kessle & Poll, 2018; Lan z, Gaspa , DiTo e, Pie s, & Schaumbe g, 2018). A é ao momen o, á ios são os ins umen os que se concen am em a alia a imagem co po al, mas apenas ocam-se na dimensão sa is ação/insa is ação da imagem co po al, endo um eduzido núme o de ins umen os sido alidado pa a a alia a dimensão do in es imen o emocional da imagem co po al (O bach e Mikulince , 1998). PCA e die as alimen a es As die as alimen a es podem se despole adas quando su ge uma p eocupação excessi a com o peso e o ma co po al (Sha pe e al., 2018). No ce ne da comunidade cien í ica, a alimen ação ege a iana é conhecida como uma al e na i a alimen a e ilus ada como uma decisão indi idual e in o mada na es ição do consumo de p odu os de o igem animal (Pe y, Mcgui e, Neuma k-Sz aine , & S o y, 2001). O alcance da mo i ação pa a a adoção de uma die a ege a iana pode en ol e a i udes e c enças ab angen es nos p ocessos mo ais, ambien ais, de saúde, económicos, eligiosos e de p e e ência pessoal (Ba done-Cone e al., 2012; Heiss, Boswell, & Ho mes, 2018; Pe y e al., 2001). Pacien es com AN ap esen am 15 uma necessidade de con olo de peso e as suas die as são signi ica i amen e mais baixas em ene gia, ca boid a os, p o eínas e con eúdo de go du a (Schebendach, Maye , De lin, A ia, & Walsh, 2012; S einglass e al., 2010). Nes e sen ido, es ão mais p opensos a escolhe uma die a ege a iana como um meio legi imo pa a jus i ica a eliminação de de e minados alimen os, sem a censu a social associadas à en a i a de pe de peso (Ba done-Cone e al., 2012; Gilbody, Ki k, & Hill, 1999; Lindeman, S a k, & La ala, 2000; Sulli an, & Damani, 2000). Tendo em conside ação es es p essupos os, se uma alimen ação egulada cogni i amen e é um isco pa a PCA en ão, o ege a ianismo em uma maio p obabilidade de se um a o de isco, dado que, ambém acaba po se semelhan e a uma es ição alimen a (Heiss, Boswell, & Ho mes, 2018; Lindeman, S a k, & La ala, 2000; Timko, Ho mes, & Chubski, 2012). O p esen e es udo e e como p incipais obje i os, ca ac e iza uma amos a de pacien es com pe u bações do compo amen o alimen a ela i amen e a dois compo amen os alimen a es especí icos - a die a alimen a escolhida e a adição alimen a , e a duas a iá eis psicológicas – o in es imen o co po al e a egulação emocional e a alia a associação en e os compo amen os alimen a es a aliados e as a iá eis psicológicas. Me odologia Pa icipan es A amos a é cons i uída po 41 pa icipan es, sendo que 38 são do sexo eminino (92.7%) e 3 do sexo masculino (7.3%) e as idades a ia am en e os 16 e 39 anos (M=23.76; DP=4.841). Rela i amen e ao es ado ci il, 85.4% são sol ei os, 12.2% casados e 2.4% em união de ac o, sendo que 92.7% são de nacionalidade po uguesa. Ao ní el de escola idade a maio pa e da amos a e idenciou e um cu so supe io , sendo que 34.1% em uma licencia u a e 29.3% um mes ado. Além disso, alguns pa icipan es concluí am o ensino secundá io, sendo que 17.1% a a és do ensino secundá io ge al e 9.8% pelo ensino secundá io p o issional/ ocacional, 2.4% comple a am o ensino p imá io (1º ciclo) e 4.9% o ensino básico (3ºciclo). Os pa icipan es di idi am-se pelos g upos de diagnós icos seguin es: 36.6% (n=15) com AN-R e 2.4% (n=1) com AN-P, 24.4% (n=10) com BN, 17.1% (n=7) com BED e 19.5% (n=8) com OSFED. 16 Os alo es do índice de massa co po al (IMC) oscila am en e 12.34 e 48.33 (M=22.25, DP=8.34). Rela i amen e à du ação média da p esença da pe u bação oi de 51.90 meses (DP=217.142), sendo que 65.9% ap esen a pe u bação alimen a há mais de 3 anos. Além disso, é e e ido que 56.1% (n=23) não ap esen am doenças me abólicas ou ou as pa ologias, po ém, uma pe cen agem conside á el de 31.7% (n=13) ap esen a dep essão, 4.9% dis unção da i oide, 2.4% os eopo ose e 4.9% ou as doenças me abólicas ou pa ologias. Ins umen os Ques ioná io sociodemog á ico e clínico: Ques ioná io usado pa a ca a e ização da amos a em e mos de idade, géne o, peso e al u a, es ado ci il, escola idade/ o mação, p esença/ausência de doenças me abólicas e/ou ou as pa ologias, ipo de alimen ação e azões subjacen es à escolha des e ipo de alimen ação. Es es elemen os o am selecionados po se em ele an es pa a a ealização do es udo. Escala de Di iculdades de Regulação Emocional (DERS): Escala que mede as di iculdades de egulação emocional e é compos a po 36 i ens e 6 subescalas: Não acei ação, me as, impulso, conscien ização, es a égias e cla eza. Cada i em da escala é classi icado numa escala de Like de 5 pon os, que a ia de 1 (quase nunca) a 5 (quase semp e). Resul ados mais al os e le em maio di iculdade na egulação emocional (G a z & Roeme , 2004). A e são adap ada à população po uguesa da Escala de Di iculdades de Regulação Emocional, po Cou inho, Ribei o, Fe ei inha e Dias (2010), possui uma ele ada consis ência in e na (α = .924). Embo a es e ins umen o es eja alidado pa a a população po uguesa, o mesmo não se e i ica pa a a população clínica de ido ao eduzido núme o da amos a no momen o da alidação. Body In es emen Scale (BIS): Medida de au o ela o que inclui 24 i ens ela i os a aspe os de a aliação da imagem co po al. Cada i em é pon uado numa escala de Like de 5 pon os, que a ia de 1 (disco do o almen e) a 5 (conco do o almen e). É di ido em qua o a o es: sen imen os e a i udes em elação à imagem co po al, con o o ao oque, cuidados com o co po e p o eção do co po. Pon uações mais al as indicam sen imen os posi i os sob e o oque, p o eção e cuidado com 17 o co po. O al a de C oncach a ia de .80 a .95. o que indica uma adequada consis ência in e na (O bach, & Mikulince , 1998). Pa a es e es udo oi u ilizado o ins umen o alidado pa a a população po uguesa (Viei a, Fe nandes, Machado, & Gonçal es, 2020). Yale Food addic ion scale 2.0 (YFAS): Escala pa a a alia a p esença de adição alimen a que in eg a 35 i ens, sendo que cada i em em uma classi icação de 8 pon os segundo a equência de sin omas e a ia de 0 (nunca) a 7( odos os dias). É p oje ado pa a a alia sin omas elacionados a 11 c i é ios de diagnós ico pa a as pe u bações elacionadas com subs âncias ician es, aplicados ao compo amen o alimen a . São o necidas duas opções de co ação: (1) uma con agem con inua de sin omas que ep esen a o núme o de sin omas do sujei o; (2) uma opção de pon uação ca egó ica que classi ica o sujei o como endo adição alimen a le e, mode ada ou g a e. Es a escala demons a p op iedades psicomé icas adequadas e possui con iabilidade in e na (Gea ha d , Co bin, & B ownell, 2016). P ocedimen o O p eenchimen o dos ques ioná ios ealizou-se en e no emb o de 2019 e ma ço de 2020, consis indo num es udo ans e sal. A aplicação dos qua o ins umen os deco eu em duas unidades de especialização, sendo elas o Cen o Hospi ala do S. João no Po o e as consul as de Pe u bações Alimen a es na Associação de Psicologia da Uni e sidade do Minho (APsi), no qual o empo de pa icipação es imado oi en e 15 a 20 minu os. O c i é io de inclusão é ap esen ado como a língua ma e na se o po uguês e se um pacien e com pe u bação do compo amen o alimen a (PCA). P e iamen e, a sal agua da dos aspe os é icos ine en es ao ques ioná io como a con idencialidade e a pa icipação olun á ia oi ga an ida, a a és do consen imen o in o mado. Também oi a ibuído a cada pa icipan e um código, explicado as ins uções e obje i os do es udo, e oi desc i o que o pa icipan e podia desis i a qualque momen o. Análise Es a ís ica A Análise Es a ís ica oi execu ada no p og ama es a ís ico IBM® SPSS® S a is ics, e são 22. Es a in es igação oi desen ol ida no con ex o de um design ans e sal. 18 Pa a uma análise desc i i a do conjun o de dados ecolhidos, u ilizou-se as medidas de endência cen al e de dispe são. De modo a a alia as associações en e adição alimen a e o diagnós ico de pe u bações do compo amen o alimen a e o ipo de alimen ação ealizou- se o Tes e do Qui-Quad ado (χ2) e o Tes e de Mann-Whi ney pa a a egulação emocional e in es imen o co po al. Ao eco e ao Tes e de Mann-Whi ney p e endeu-se comp eende se exis em di e enças na egulação emocional en e pa icipan es com e sem adição alimen a . Além disso, ambém se e i icou se exis ia di e ença na média de idades en e os pa icipan es com e sem adição alimen a . Po úl imo, no sen ido de a e i os p edi o es da adição alimen a numa amos a clínica com PCA, eco eu-se à Análise de Reg essão Logís ica. Os p essupos os da eg essão o am e i icados e alo es de p < .05 o am conside ados signi ica i os. Resul ados F equência de adição alimen a Dos 41 pa icipan es, 56.1% (n =23) ap esen am adição alimen a . Des es pa icipan es 4.9% o am classi icados com adição alimen a le e, 14.6% com adição alimen a mode ada e 36.6% com adição alimen a se e a. No que espei a às di e enças na média de idades en e os pa icipan es com e sem adição alimen a , não o am encon adas di e enças es a is icamen e signi ica i as, U = 151.00, p = .140. F equência e mo i os associados à seleção das die as alimen a es No que conce ne à classi icação da alimen ação, 51.2% dos pa icipan es ado am uma alimen ação o gânica, 9.8% uma alimen ação ege a iana, 4.9% uma alimen ação egan, 2.4% uma alimen ação sem glú en e sem lac ose e 17.1% ap esen am ou o ipo de alimen ação. Os mo i os subjacen es a es es ipos de alimen ação são, sob e udo, de saúde (22%), seguindo-se de con olo de peso (17.1%) e, po úl imo, po p e e ência pessoal (12.2%). Associação en e adição alimen a e diagnós ico de pe u bações do compo amen o alimen a Pa a e ei os compa a i os en e g upos de diagnós icos, os diagnós icos de PCA o am ag upados em dois g upos: PCA do ipo es i i o (n=21), onde se incluí am os diagnós icos de AN e OSFED-AN s. PCA do ipo inges ão compulsi a/pu ga i o (n=18), onde se incluí am os 19 diagnós icos de BN, BED e OSFED-BN. A a és do es e de Qui-Quad ado (χ2) oi possí el a alia a associação en e a p esença/ausência de adição alimen a em pacien es com compo amen o alimen a es i i o e não es i i o. O es e de associação do Qui-Quad ado (χ2) e elou não exis i uma co elação es a is icamen e signi ica i a en e a p esença/ausência de adição alimen a e o compo amen o alimen a es i i o/ não es i i o χ2(1) = .010 p = .588. Os esul ados são ap esen ados na abela 1. Associação en e adição alimen a e o ipo de alimen ação Pa a e ei os compa a i os, o ipo de alimen ação oi ag upado em dois: o gânico (n=21) s. não o gânico (n=20). Nes e g upo de alimen ação não o gânica inclui-se a alimen ação ege a iana, egan, sem glú en e sem lac ose e ou as. O es e de associação do Qui-Quad ado (χ2) e elou não exis i uma co elação es a is icamen e signi ica i a en e a p esença/ausência de adição alimen a e uma alimen ação o gânica/ não o gânica, χ2(1) = 1.953 p = .140. Os esul ados são ap esen ados na abela 1. Tabela 1. Co elações en e ipo de alimen ação, compo amen o alimen a e adição alimen a Com adição alimen a n (%) Sem adição alimen a n (%) Qui-Quad ado (χ2) p Compo amen o alimen a Res i i o 12 (54.5) 9 (52.9) .010 .588 Compo amen o alimen a Não Res i i o 10 (45.5) 8 (47.1) Alimen ação O gânica 14 (60.9) 7 (38.9) 1.953 .140 Alimen ação não o gânica 9 (39.1) 11 (61.1) No a. n: equência absolu a; %: equência ela i a 20 p <.05 Di e enças nas di iculdades na egulação emocional en e pa icipan es com e sem adição alimen a Os esul ados e idenciam que exis em di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a quan o ao sco e o al da DERS, U = 85.0, p = .03. Além disso, há di e enças signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a nas seis subescalas da DERS, nomeadamen e, no acesso limi ado às es a égias de egulação emocional (U = 104.0, p = .017), na não acei ação das espos as emocionais (U = 108.0, p = .022), na al a de consciência emocional (U = 102.0, p = .014), nas di iculdades no con olo de impulsos (U = 95.5, p = .008), nas di iculdades em agi de aco do com os obje i os (U = 114.0, p = .034) e na al a de cla eza emocional (U = 68.0, p ≤ .001). Assim, pa icipan es com adição alimen a ob i e am sco es mais ele ados do que o g upo de pa icipan es sem adição alimen a , e elando maio es di iculdades em egula as emoções. Di e enças no in es imen o co po al en e pa icipan es com e sem adição alimen a De aco do o Tes e de Mann-Whi ney, na subescala que diz espei o aos sen imen os e a i udes em elação à imagem co po al, há di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a , U = 123.0, p = .027. O g upo com pa icipan es sem adição alimen a ende a e mais sen imen os e a i udes posi i as em elação à imagem co po al do que o g upo com adição alimen a . No en an o, não o am encon adas di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a quan o às subescalas oque co po al (U = 140.5, p = .117), cuidado Co po al (U = 173.5, p = .375) e p o eção co po al (U = 131.5, p = .070). Di e enças no Índice de Massa Co po al (IMC) en e pa icipan es com e sem adição alimen a De aco do com o Tes e de Mann-Whi ney, não o am encon adas di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os g upos com e sem adição alimen a quan o ao IMC, U = 176.0, p = .415. P edi o es de adição alimen a na amos a clínica com Pe u bações do compo amen o alimen a 21 Foi ealizada uma Reg essão Logís ica Biná ia pa a de e mina os po enciais e ei os das di iculdades na egulação emocional e dos sen imen os e a i udes em elação à imagem co po al na adição alimen a . Es a a iá eis o am selecionadas po se em es a is icamen e signi ica i as nos es es de di e enças an e io es. No bloco 1, conside ando as di iculdades na egulação emocional, o modelo de eg essão logís ica oi es a is icamen e signi ica i o, χ2(6) = 21.134, p =.002, explicando 56% da a iância (Nagelke ke R2), e classi icou co e amen e 79.5% dos casos. Especi icamen e, as di iculdades na cla eza emocional o am signi ica i as na adição alimen a , β = .521, p = .026, ou seja, o g upo com adição alimen a ap esen ou mais di iculdades na cla eza emocional. Em elação às ou as subescalas da DERS (não acei ação, obje i os, impulso, consciência, es a égias) não o am encon ados esul ados signi ica i os. No bloco 2, oi in oduzida uma das dimensões do in es imen o do co po, is o é, os sen imen os e a i udes em elação à imagem co po al. O modelo oi es a is icamen e signi ica i o, χ2(1) = 21.993, p =.003, explicando 58% da a iância (Nagelke ke R2), e classi icou co e amen e 85% dos casos. Rela i amen e aos p edi o es, apenas a cla eza emocional se man e e como um p edi o signi ica i o, β = .521, p = .026. Os esul ados são ap esen ados na abela 2. Tabela 2. Reg essão Logís ica Biná ia pa a p edição da adição alimen a Va iá eis 95%CI o Odds Ra io B(SE) Odds Ra io Lowe Uppe Bloco 1 Cons an e -8.349(3.330) .000 - - Não-acei ação .080(.092) 1.083 .905 1.297 Obje i os -.077(.180) .926 .651 1.316 Impulso .278(.178) 1.321 .933 1.871 Consciência -.018(.132) .982 .757 1.273 Cla eza .563(.238)* 1.756 1.102 2.799 22 Es a égia -.072(.133) .930 .717 1.208 Bloco 2 Cons an e -5.712(4.195) .003 - - Não-acei ação .085(.096) 1.089 .902 1.314 Obje i os -.051(.181) .951 .667 1.354 Impulso .270(.178) 1.310 .923 1.857 Consciência -.043(.139) .958 .730 1.259 Cla eza .521(.234)* 1.684 1.065 2.662 Es a égia -.104(.136) .901 .690 1.176 Imagem Co po al -.557(.609) .573 .174 1.889 No a. Não-acei ação, Obje i os, Impulsos, Consciência, Cla eza e Es a égia = subescalas da Escala de Di iculdades de Regulação Emocional; Imagem Co po al = subescala da Escala In es imen o Co po al. N = 39 po que nem odos os pa icipan es esponde am à o alidade do ques ioná io. *p <.05 Discussão De aco do com os esul ados ob idos, a equência de pa icipan es que ap esen am PCA e adição alimen a co esponde a 56.1%, o que é consis en e com os es udos an e io es (Gea ha d , Co bin, & B ownell, 2016). Apesa de os esul ados não se em signi ica i os, há maio equência de adição alimen a no g upo com compo amen o alimen a não es i i o (BN, BED, OSFED-BN) compa a i amen e com o g upo de compo amen o alimen a es i i o (AN, OSFED-AN). A li e a u a e e e que é ca ac e ís ico de pacien es com BN e BED, ap esen a em ele adas axas de adição alimen a pois exibem com mais equência episódios de compulsão alimen a e desejos in ensos em elação à comida (Schul e, G ilo, & Gea ha d , 2016; Yu & Tan, 2016). Já em pacien es com AN as axas de adição alimen a são menos ele adas, dado que não ap esen am sin omas indica i os de compulsão alimen a ou pe da de con olo, mas medo que al se suceda (Yu & Tan, 2016). Nes e es udo ambém não se encon ou uma associação signi ica i a en e a adição alimen a e a p esença de uma alimen ação o gânica e não o gânica. Tan o quan o se sabe, não exis em es udos que a aliem a elação en e adição alimen a e o ipo de alimen ação. Ademais, no caso dos pa icipan es com adição alimen a e uma alimen ação não o gânica, não se consegue pe cebe se alguns indi íduos ado am de e minada alimen ação com o in ui o de a con ola . 23 Po ou o lado, cong uen es com as e idências que apon am pa a um comp ome imen o na egulação emocional en e indi íduos com PCA, nes e es udo há di e enças es a is icamen e signi ica i as en e o g upo com adição alimen a compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a ela i amen e à egulação emocional. Segundo um epo ó io de es udos an e io es, pode-se cons a a que pa icipan es com adição alimen a endem a e maio di iculdade em egula as emoções (Gea ha d e al., 2012; Gea ha d , Whi e, Masheb, & G ilo, 2013; Pi a unas, & Conne , 2015). De ac o, pacien es com adição alimen a demons a am signi ica i amen e maio di iculdade em se concen a em e ealiza em a e as quando expe ienciam emoções nega i as, di iculdade em egula o compo amen o quando es ão sob so imen o emocional, e le em sen imen os nega i os ace ca das espos as emocionais, êm meno consciência do signi icado das emoções, meno capacidade de muda a manei a como se sen em e uma meno comp eensão ace ca dos seus sen imen os. Nes e sen ido, a inges ão de alimen os g a i ican es pode se en endida como uma es a égia pa a escapa dessas emoções (Wolz e al., 2016). Os esul ados demons a am ainda que há di e enças es a is icamen e signi ica i as en e o g upo com adição alimen a compa a i amen e com o g upo sem adição alimen a ela i amen e à imagem co po al, sendo que pa icipan es com adição alimen a endem a e menos sen imen os e a i udes posi i as em elação à imagem co po al do que o g upo sem adição alimen a . Na li e a u a são eduzidos os es udos que elacionem es as duas a iá eis e mais in es igação é necessá ia nes a á ea. Rela i amen e ao IMC, os esul ados são disco dan es de in es igações an e io es que mos am que a adição alimen a es á associada a um IMC mais ele ado em pacien es com PCA (Gea ha d , Boswell, & Whi e, 2014). Is o pode de e -se ao ac o de consumi em alimen os com al o eo caló ico e ap esen a em pe da de con ole e ulne abilidade aos alimen os (Hauck, Cook, & Ell o , 2020; Schul e, Po enza, & Gea ha d , 2017). Com es e es udo ambém p e endeu a e igua os p edi o es da adição alimen a . Assim, a a és da análise de eg essão logís ica, oi possí el e i ica que pacien es com adição alimen a êm mais di iculdade em comp eende os seus sen imen os. Ou seja, podemos e i ica que quan o mais di iculdade na cla eza emocional maio a p obabilidade de e adição alimen a . No en an o, há ainda poucos es udos sob e es a emá ica. Anexo: Fo mulá io de iden i icação e ca ac e ização do p oje o Conselho de É ica Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas Iden i icação do documen o: CEICSH 083/2019 Rela o es: Emanuel Ped o Viana Ba bas Albuque que e Ma lene Alexand a Veloso Ma os Tí ulo do p oje o: Food addic ion, co po e egulação emocional: Um es udo com pe u bações alimen a es Equipa de In es igação: Ana So ia No ais, Mes ado em Psicologia, Escola de Psicologia, Uni e sidade do Minho; Sónia Fe ei a Gonçal es (O ien ado a), Depa amen o de Psicologia Aplicada, Escola de Psicologia, Uni e sidade do Minho PARECER A Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) analisou o p ocesso ela i o ao p oje o de in es igação acima iden i icado, in i ulado Food addic ion, co po e egulação emocional: um es udo com pe u bações alimen a es. Os documen os ap esen ados e elam que o p oje o obedece aos equisi os exigidos pa a as boas p á icas na in es igação com humanos, em con o midade com as no mas nacionais e in e nacionais que egulam a in es igação em Ciências Sociais e Humanas. Face ao expos o, a Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) nada em a opo à ealização do p oje o, emi indo o seu pa ece a o á el, que oi ap o ado po unanimidade pelos seus memb os. B aga, 22 de janei o de 2020. O P esiden e da CEICSH