A imagem dos cientistas no ensino secundário angolano: um estudo com alunos de ciências
Abstract
Nesta investigação pretendeu-se averiguar a imagem dos cientistas perfilhada pelos alunos do ensino secundário angolano. Desenvolveu-se um estudo com 80 alunos, distribuídos em seis municípios da província do Uíge. Os dados recolhidos através de um questionário revelaram que os alunos possuem imagens estereotipadas acerca dos cientistas e seu trabalho, consideram-nos como pessoas com aparência esquisita, do sexo masculino, génios que trabalham de forma individual no laboratório, seguindo os passos do método científico. Também consideram que a atividade científica sofre influência da religião, da política e da família. Estes resultados mostram que é necessário repensar os processos de ensino e aprendizagem.
Full text
Re . In . de Pesq. em Didá ica das Ciências e Ma emá ica (Re In), I ape ininga, . 3, e022005, p. 1-21, 2022.
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A IMAGEM DOS CIENTISTAS NO ENSINO SECUNDÁRIO
ANGOLANO: UM ESTUDO COM ALUNOS DE CIÊNCIAS
THE IMAGE OF SCIENTISTS IN HIGH SECONDARY
SCHOOLS IN ANGOLA: A STUDY WITH SCIENCE
TEACHERS AND STUDENTS
LA IMAGEN DE LOS CIENTÍFICOS EN LA EDUCACIÓN
SECUNDARIA DE ANGOLA: UN ESTUDIO CON
ESTUDIANTES DE CIENCIAS
Kanga João1
Luís Dou ado2
Resumo: Nes a in es igação p e endeu-se a e igua a imagem dos cien is as pe ilhada pelos alunos do ensino
secundá io angolano. Desen ol eu-se um es udo com 80 alunos, dis ibuídos em seis municípios da p o íncia do
Uíge. Os dados ecolhidos a a és de um ques ioná io e ela am que os alunos possuem imagens es e eo ipadas
ace ca dos cien is as e seu abalho, conside am-nos como pessoas com apa ência esquisi a, do sexo masculino,
génios que abalham de o ma indi idual no labo a ó io, seguindo os passos do mé odo cien í ico. Também
conside am que a a i idade cien í ica so e in luência da eligião, da polí ica e da amília. Es es esul ados mos am
que é necessá io epensa os p ocessos de ensino e ap endizagem.
Pala as-cha e: Angola. alunos de ciências. ensino secundá io. imagem dos cien is as.
Abs ac : In his eseac h i was in ended o sea ch he image o scien is s espoused by angolan seconda y school
s uden s. A s udy was ca ied ou wi h 80 s uden s, dis ibu ed in six municipali ies o Uíge p o ince. The da a
colle ed h ough a ques ionai e e ealed ha s uden s ha e s e eo yped images abou scien is s and hei wo k, hey
conside hem as wei d – looking, male, geniuses who wo k indi idually in labo a o y, ollowing he s eps o he
scien i ic me hod. They also conside ha scien i ic ac i i y is in uenced by eligion, poli ics and amily. These
esul s show ha i is necessa y o e hink he eaching and lea ning p ocesses.
Keywo ds: Angola. Science s uden s. Seconda y educa ion. Image o scien is s.
Resumen: En es a in es igación se p e endió e i ica la imagen de los cien í icos desplegada po es udian es de
enseñanza secunda ia angoleño. Se desa olló un es udio con 80 es udian es, dis ibuidos en seis municipios de la
p o incia de Uíge. Los da os ecopilados a a és un cues iona io e ela on que los es udian es ienen imágenes
es e eo ipadas sob e el cien í ico y su abajo, los conside an pe sonas de aspec o ex año, de homb es, genios que
abajan indi idualmen e en el labo a o io, siguiendo los pasos del mé odo cien í ico. También conside an que la
ac i idad cien í ica se esien e in luencia de la eligión, la polí ica y la amilia. Es os esul ados mues an que es
necesa io epensa los p ocesos de enseñanza y ap endizaje.
Palab as cla e: Angola. es udian es de ciencias. Enseñanza secunda ia. imagen de los cien í icos.
Subme ido 30/06/2022 Acei o 10/10/2020 Publicado 13/10/2020
1 Mes e em Supe isão Pedagógica na Educação em Ciências. Ins i u o Supe io de Ciências de Educação do
Uíge/Angola. ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0002-4359-7420. E-mail: kangaped [email protected].
2 Dou o em Educação em Ciências. Uni e sidade do Minho/Po ugal, ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0003-
3888-5409.E-mail: ldou [email protected] .
Re . In . de Pesq. em Didá ica das Ciências e Ma emá ica (Re In), I ape ininga, . 3, e022005, p. 1-21, 2022.
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In odução
O desen ol imen o e o impac o das ciências e da ecnologia numa sociedade o nam
necessá ia a o mação dos indi íduos pa a que es es comp eendam a a i idade cien í ica
(San os, Bispo & Omena, 2005) bem como os esul ados des a. De aco do com Viecheneski,
Lo enze i e Ca le o (2012), as in e ações que o homem es abelece com a sociedade e as
exigências que es a impõe àquele, mos am a impo ância de ensina ciências.
As sociedades de hoje necessi am que o ensino das ciências eicule aos alunos uma
adequada cul u a cien í ica e ecnológica necessá ia ao exe cício da cidadania (Cachapuz, P aia
& Jo ge, 2002; Aikenhead, 2009), p omo endo assim a sua li e acia cien í ica (Aikenhead,
2009). Assim, de aco do com Hodson (2000), os alunos p ecisam ap ende ciências em o no
de ês aspe os undamen ais, nomeadamen e, ap ende ciências: implica, adqui i e
desen ol e os conhecimen os eó icos e concei uais; ap ende ace ca das ciências: en ol e a
comp eensão da na u eza das ciências e dos mé odos usados pa a a cons ução do conhecimen o
cien í ico, e a consciência das in e ações en e ciências, ecnologia, sociedade e ambien e e
ap ende a aze ciências: implica o desen ol imen o e aquisição de expe iência na in es igação
cien í ica e esolução de p oblemas.
A educação em ciências e os mi os ace ca dos cien is as e do seu abalho
As conceções ace ca das ciências e dos cien is as, bem como ace ca da cons ução do
conhecimen o cien í ico êm sido obje o de á ias in es igações (Zanon & Machado, 2013). O
ensino das ciências, ansmi e mui as ezes ce os mi os ela i amen e ao emp eendimen o
cien í ico (Ace edo, e al, 2005), ambém designados po isões inadequadas (Reis &
Kiou anis, 2016). De aco do com Midgley (2011), "mi os são pad ões imagina i os, edes de
símbolos pode osos que suge em o mas pa icula es de in e p e a o mundo" (p. 1).
Vá ios au o es in es iga am sob e as imagens inadequadas que se em ace ca dos
cien is as e do seu abalho. McComas (1998) nos quinze mi os que ap esen a sob e as ciências,
az e e ência ao mi o sob e abalho dos cien is as, onde se a i ma da exis ência de um mé odo
cien í ico ge al e uni e sal, e ao mi o sob e os cien is as que de ende que es es são
pa icula men e obje i os e as ciências são um emp eendimen o soli á io.
Valen im (2013) analisou a imagem dos cien is as e do seu abalho no álbum de banda
desenhada as "a en u as de Tin im", e cons a ou que es es são ap esen ados como loucos,
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génios, he óis, dis aídos, ou a é pe igosos. Allchin (2003) as his ó ias de alguns cien is as
(G ego Mendel, H. B. D. Ke lewell, Alexande Fleming, Ignaz Semmelweis e William
Ha ey) e a o ma como os educado es as u ilizam pa a e a a o p ocesso cien í ico. O au o
cons a ou que, exis em elemen os na a i os como a g andiosidade dos cien is as, o d ama
a e i o no abalho, e ela os idealizados que mui as ezes os ans o mam em mi os e de u pam
a sua imagem. O mesmo au o a i ma que, "conside a os cien is as como pessoas especiais,
ex ao diná ias, cuja au o idade es á o a de ques ão é colapsa a a i idade cien í ica em
amilia " (p. 346).
Os in es igado es Reis e Kiou anis (2013) e Ace edo e al (2005) sis ema izam alguns
mi os sob e o abalho dos cien is as:
- Descon ex ualizado e socialmen e neu o: o conhecimen o cien í ico é discu ido sem
es abelece nenhuma elação com o con ex o em que o mesmo oi cons uído, igno ando as
ligações en e Ciências- Tecnologia- Sociedade e Ambien e, o cien is a é is o como um se
pe ei o e que não p ecisam pa icipa na omada de decisões;
- Indi idualis a e eli is a: o aze ciências como ob a pa a os in eligen es que abalham de o ma
isolada, igno ando-se o abalho cole i o pa a a cons ução do conhecimen o cien í ico;
- Empí ico-indu i is a e a eó ica: uma conceção que des aca o papel “neu o” da obse ação e
da expe imen ação, esquecendo-se as linhas o ien ado as da in es igação (as hipó eses e as
eo ias disponí eis);
- Rígido, algo í mico, in alí el- ap esen a-se o “mé odo cien í ico” como um conjun o de e apas
a segui mecanicamen e.
Aikenhead (2009) e A anzi e al (2016) a i mam que o a ual ensino das ciências
p opo ciona imagens posi i is as, es e eo ipadas e ul apassadas, das ciências e dos cien is as,
associadas à ideia da e dade absolu a e obje i a, e do abalho indi idual.
Pa ão (2008), assinala que é mis i ica a a i idade cien í ica ao conside á-la que é apenas pa a
os eu opeus e no e-ame icanos, ou somen e pa a o géne o masculino de aça b anca.
P aia, Gil-Pé ez e Vilches (2007) a i mam que essas c enças cons i uem um g ande
obs áculo na ap endizagem das ciências. De aco do com á ios au o es (Buske, Ba holomei-
San os & Temp, 2015); Tan, Jocz & Zhai, 2015; P aia, Gil-Pé ez & Vilches, 2007), a imagem
nega i a que os alunos ap esen am os cien is as a e a nega i amen e o seu in e esse pelas
ca ei as cien í icas e põe em causa a li e acia cien í ica dos mesmos.
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Pa a Hodson (2009), essas imagens são esis en es à mudança po que são
cons an emen e e o çados pelos p og amas de ele isão, ilmes, si es de in e ne , jo nais.
As imagens inadequadas sob e os cien is as e seu abalho podem ambém esul a da
ação dos p o esso es quando ap esen am os conhecimen os como já elabo ados, sem da aos
alunos possibilidades de conhece como se desen ola o abalho dos cien is as (Isabel e al,
2002; McComas, 1998). Também podem esul a do a o da a i idade cien í ica se a ada pelas
a es, pela media e pela li e a u a como um emp eendimen o que os en a á ias inquie ações,
pe igosa e on e de um conhecimen o obje i o e democ á ico, embo a, concomi an emen e,
mís ico e, apa en emen e, o a do alcance das possibilidades humanas (Valen im, 2013), bem
como, a sua ap esen ação nos di e sos discu sos que englobam os con ex os social, cul u al,
polí ico, his ó ico e undamen almen e, o educacional (Lisboa e al, 2015).
Pa a melho a a imagem dos cien is as e do seu abalho, á ios au o es suge em ou
opinam no que se pode aze . Segundo Pa ão (2008), no ensino das ciências de e se
explici ado que o cien is a não em nada de ano mal, que é um cidadão no mal como os ou os
e um simples abalhado . De e ambém se explicada de que, os cien is as usam a imaginação
e es udam os abalhos dos ou os pa a pode em sus en a as suas ideias (Chiappe a & Koballa,
2004).
As imagens sob e os cien is as p esen es nos manuais escola es
Os manuais escola es de ciências in luenciam de alguma o ma a imagem que os alunos
de ciências pe ilham sob e o cien is a e o seu abalho (She, 1995).
Di e sos au o es ealiza am es udos em manuais escola es de ciências de di e en es
países e ní eis de ensino. Ba bosa e Almeida (2015) analisa am os aspe os ligados a cons ução
do conhecimen o cien í ico e do abalho dos cien is as em no e manuais de ciências da
na u eza do 5º ano de Po ugal. Cons a a am que, apenas alguns deles e e em os acassos e
êxi os do abalho dos cien is as, bem como a coope ação e as disco dâncias en e eles. Wei,
Shen e Li (2013) examina am os aspe os da his ó ia das ciências p esen es em manuais de
ciências do ensino secundá io da China e cons a a am que, es es apenas mencionam os dados
biog á icos dos cien is as e na a i as ace ca de descobe as dos cien is as, omi indo ela os de
mudanças nas ideias cien í icas e das ci cuns âncias que as en ol em, que, de aco do como os
au o es, ajudam os alunos a en ende em o uncionamen o do emp eendimen o cien í ico.
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Bungum (2008) ealizou um es udo explo a ó io de imagens em manuais de ísica pa a
o ensino secundá io u ilizados na No uega (desde 1943 a é 2008), e cons a ou que os manuais
da p imei a me ade do século XX ap esen am os ma e iais cien í icos e a o ma em que são
ei os os expe imen os na ida eal e nos mais ecen es, a imagem do cien is a dá uma isão que
condiz com a sua ealidade.
Elga (2004) ao analisa manuais escola es de ciências u ilizados no ensino secundá io
da Singapu a no ou a al a de imagens de mulhe es cien is as. Es e in es igado de ende a
inclusão de mulhe es cien is as nos manuais escola es pa a assegu a uma educação cien í ica
equi a i a que es imule an o os meninos como das meninas pa a a escolha de ca ei as
cien í icas.
As imagens sob e os cien is as pe ilhadas po alunos
Têm sido ealizadas di e sas in es igações com a inalidade de conhece as conceções
que alunos do ensino básico e do ensino secundá io pe ilham sob e os cien is as. Des a ei a,
Fe nandes, Rod igues e Fe ei a (2018) aplica am um ques ioná io e ealiza am en e is as pa a
analisa em o papel do cien is a, da na u eza das ciências e da ecnologia a um g upo de alunos
dos 4º, 5º e 6º anos de escola idade, de di e en es nacionalidades (Po ugal, Cabo Ve de, Guiné
Bissau, Angola e Senegal), esiden es em Po ugal. No a am que os alunos ac edi a am que o
cien is a é um génio, que ealiza expe iências (de química, ísica e biologia), do sexo masculino,
soli á io, que se echa semp e no labo a ó io. De aco do com os mesmos au o es, as
ep esen ações dos alunos associa am o abalho do cien is a em a i idades como, explica ,
ensina , descob i , in en a e conhece , ambém ep esen a am alguns símbolos de
conhecimen o nomeadamen e, quad os, ascos e ubos nas bancadas de labo a ó io e explosões
de eações químicas, como sinónimo de pe igo.
Guima ães e Cas o (2019) cons a a am que alunos do 6º e 7º ano (ensino de jo ens e
adul os), b asilei os ac edi am que o cien is a é um p o issional que p ocu a p o a as suas
p e isões po meio de expe imen os ealizados nas bancadas de labo a ó io.
Também, S aple on e al. (2018) u ilizando uma e são do DAST in es iga am as
pe ceções de alunos do ensino secundá io, i landeses sob e os cien is as e o seu abalho, e
cons a a am que, es es ep esen a am mais cien is as do sexo masculino, a abalha em de o ma
indi idual e a usa óculos e ba a. Baseando-se na mesma écnica, Meye , Guen he e Joube
(2018) in es iga am as pe ceções de 445 es udan es uni e si á ios, sul a icanos e cons a a am
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que os desenhos dos alunos e idenciam que ambém eles ac edi am que os cien is as são do
sexo masculino, usam óculos, usam ba a e es ão odeados de equipamen os de labo a ó io. Além
disso, cons a a am que os desenhos epsen a am os cien is as com idades inde inidas e de
géne o co esponden e ao do p óp io desenhado .
Sama as, Bono i e Ch is idou (2012) explo a am as pe ceções sob e os cien is as de
alunos do ensino básico da G écia a a és de análise de desenhos, complemen ados com
en e is as, e no a am a exis ência de ep esen ações posi i as sob e os cien is as, ao desc e ê-
los como pessoas gen is e bem-educadas. Os mesmos au o es, no a am maio equência de
cien is as homens, mas os alunos não os acha am mis e iosos, nem os associa am a a e as e
ca ac e ís icas nega i as.
Me odologia
A in es igação oi ealizada com 80 alunos da 12ª classe, na opção de Ciências Físicas
e Biológicas de oi o escolas, dis ibuídas em seis municípios da p o íncia do Uíge, Angola. O
desenho da in es igação é quali a i o, do ipo enomenológico. Em unção da ques ão da
in es igação, a ecolha de dados oi ei a u ilizando a écnica de inqué i o po ques ioná io
conc e izado a a és de um es e de conhecimen os, que oi aplicado aos alunos, de modo a que
i éssemos acesso às imagens dos cien is as pe ilhadas po eles. Es e ques ioná io inha 10
ques ões adap adas a pa i dos es udos de Sil a (2006) e Souza e Sil a (2013), sendo que es es
basea am-se em D aw Scien is Tes (DAST). O ques ioná io oi aplicado pelo p óp io
in es igado , depois de se explica em os obje i os do es udo e de se e ga an ido o anonima o
e con idencialidade dos dados ecolhidos. O ques ioná io oi aplicado numa das salas
disponibilizadas pela di eção da escola, no malmen e na sala da u ma dos alunos em causa.
Resul ados e discussões
Géne o dos cien is as
Na p imei a ques ão oi solici ado aos alunos que desenhassem ês cien is as a uais, no
seu local de abalho.
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Tabela 1- Ag upamen o dos desenhos po géne o
Géne o Alunos
%
Apenas homens 50 62,5
Apenas mulhe es 01 1,25
Dois homens e uma mulhe 14 17,5
Duas mulhe es e um homem 01 1,25
Géne o não iden i icá el 14 17,5
Depois de analisados, os desenhos o am ag upados po géne o dos cien is as e o am
calculadas as espe i as equências (Tabela 1).
Fon e: P odução do p óp io au o Fon e: P odução do p óp io au o
Assim, da análise da abela 1, podemos e i ica que, a maio ia dos alunos (62,5%)
ep esen a am apenas homens, e no a-se ambém, que são escassos os desenhos que
ep esen am a mulhe , e que apenas um aluno desenhou ês meninas (Fig. 1). Embo a, exis am
desenhos em que não oi possí el iden i ica o géne o dos cien is as, e i ica-se que o géne o
que é mais e a ado é o masculino, e quando são ep esen adas mulhe es, são ambém, com
exceção de um caso, ep esen ados homens. Conceções semelhan es o am iden i icadas num
es udo ealizado po Nunes (2020) com os alunos b asilei os de um cen o ju enil de ciência e
cul u a.
Fig. i: Cien is as meninas, desenhadas pelo
aluno A10
Fig. ii: Cien is as com géne o não iden i icado,
desenhados pelo aluno A
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Local de abalho dos cien is as
A análise dos desenhos pe mi iu ambém iden i ica ma e iais que os alunos associam
ao abalho dos cien is as. Na abela 2 mos a os ma e iais adicionais do labo a ó io que os
alunos associam ao abalho dos cien is as.
Pese embo a, a exis ência de ma e iais que não se conseguiu ca ac e iza , al ez po
al a de habilidades de desenho de alguns alunos, no a-se que mui as ezes nas ep esen ações
dos alunos o cien is a se encon a a, no malmen e, a ealiza expe iências, u ilizando os
ins umen os de obse ação, a ealiza apon amen os ou a mis u a p odu os químicos.
Tabela 2- Ma e iais adicionais do labo a ó io
Ma e iais equência %
Ma e iais de obse ação 11 13,8
Ma e iais de medida 1 1,3
Ma e iais de id o 23 28,8
Ma e iais de ele icidade 1 1,3
Mesa/bancada/cadei as de labo a ó io 34 42,5
Subs âncias químicas 9 11,3
Não iden i icá eis 24 30,0
Os alunos ambém desenha am ma e iais não adicionais do labo a ó io, e e idos na
Tabela 3.
Tabela 3- Ma e iais não adicionais do labo a ó io
Ma e iais F equência %
Compu ado 21 26,3
Ma e iais de ano ações 29 36,3
Ma e iais de esc i a 7 8,8
Ma e iais não iden i icá eis 9 11,3
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Fon e: P odução do p óp io au o
Pode-se no a equen es ep esen ações de ins umen os e elado es de ecnologias
a ançadas e símbolos de conhecimen o (li os, lapisei as, compu ado es, quad os) exp essando
uma ideia de que es es alunos possuíam um es e eó ipo do cien is a se es udioso.
De o ma ge al, e i ica-se que os alunos desenha am di e sos ma e iais ( adicionais e
não adicionais), o que ambém acon eceu no es udo ealizado po Nunes (2020).
Fo ma de abalha dos cien is as
A pa i da análise dos desenhos ambém se p ocu ou a e igua a o ma de abalha dos
cien is as. A abela 4 ap esen a a equência das di e en es o mas de abalha dos cien is as
(indi idual, em g upo ou indi idual e g upo) ep esen ados nos desenhos e e uados pelos alunos
que pa icipa am na in es igação.
Tabela 4- F equências das o mas de abalha dos cien is as
Fo mas de abalha dos cien is as equências
%
Em g upo 5 6,3
Indi idual 57 71,3
Indi idual e g upo 8 10,0
Fo ma de abalho não iden i icá el 10 12,5
Es es esul ados mos am que 71,3% dos alunos desenha am os cien is as a abalha em
indi idualmen e, 10,0% a abalha em em g upo e indi idualmen e, em simul âneo. É de ealça
Fig. i : Cien is as u ilizando as no as
ecnologias, desenhados pelo aluno A2
Fig. i : Cien is as u ilizando as no as
ecnologias, desenhados pelo aluno A2
Fon e:P odução do p óp io au o
Fig. iii: Mic oscópio e bancadas no
labo a ó io, desenhados pelo aluno A48
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g upo de alunos, pese embo a em pequena dimensão, 3,7%, alegou que o cien is a ao ealiza uma
in es igação não p ocede semp e da mesma o ma.
Pode e i ica -se assim que g ande pa e dos alunos conside a que o cien is a abalha
na base de um mé odo que em passos bem de inidos, pa ecendo assim es a p esen e a ideia de
o cien is a execu a o seu abalho de aco do com um conju o de e apas p é de inidas,
co esponden e ao mé odo cien í ico, como oi ambém cons a ado no es udo desen ol ido po
Souza e Sil a (2013). Ve i icou-se ainda, que os alunos acham que o abalho dos cien is as é
de descob i ou c ia coisas no as.
P ocu ou-se ainda, sabe as opiniões dos alunos quando o am ques ionados se o abalho dos
cien is as en ol e semp e a ealização de abalho num labo a ó io.
Na análise e i ica-se que 21,3% dos alunos conco da am que os cien is as u ilizam
semp e o labo a ó io e que o azem pa a comp o a o conhecimen o cien í ico. 15,0% dos
alunos conside a am que os cien is as não u ilizam semp e o labo a ó io e de endem que a
ealização de a i idades de labo a ó io depende da na u eza do abalho. Hou e ainda, 7,5%
dos alunos que não conco da am que o cien is a u iliza semp e o labo a ó io pa a ealiza o seu
abalho.
Pode a e i -se de o ma ge al que os alunos a ibuem uma ce a impo ância à ealização
de expe iências no abalho dos cien is as, onde g ande pa e acha que depende do ipo de
abalho, como ambém pa a comp o a o conhecimen o cien í ico, al como oi ambém
cons a ado no es udo ealizado po Souza e Sil a (2013).
In luência da eligião, da polí ica e da amília no abalho dos cien is as
Ace ca das opções escolhidas pelos alunos quando o am ques ionados se a eligião
in luencia o abalho dos cien is as, e i ica-se que 63,8% dos alunos conside am que a eligião
in luencia o abalho dos cien is as, onde 39,2% des es acha am que a eligião ajuda no abalho
dos cien is as e 15,7% dos alunos de ende am que Deus in luencia udo.
Rela i amen e à in luência da polí ica no abalho dos cien is as, e i ica-se que g ande
pa e dos alunos (58,8%) conside a am que a polí ica in luencia o abalho dos cien is as e os
es an es opina am o con á io. Os p imei os e e em, po um lado, os alunos que a polí ica
ajuda o cien is a no seu abalho (19,2%), mas ambém conside a am que cien is a az polí ica
ou é polí ico (14,9%). A g ande maio ia dos alunos que conside a am que a polí ica não
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in luencia limi a am-se a e e i que a polí ica é independen e do abalho cien í ico (54,5%) ou
não a ança am com qualque jus i icação (45,5%).
P ocu ou-se sabe as opiniões dos alunos ace ca da in luência da amília no abalho dos
cien is as. Cons a ou-se que g ande pa e dos alunos (57,5%) conside a am que a amília
in luencia o abalho dos cien is as. Es es jus i icam a sua espos a e e indo que, a amília o
incen i a (41,3), o ajuda (21,8%) ou con ibui (4,3%) no abalho do cien is a ou ambém o
pe u ba (8,7%). Os alunos que conside a am que a amília não in luencia o abalho dos
cien is as (42,5%), jus i ica am a sua espos a e e indo que o cien is a desen ol e o seu
abalho de o ma independen e (30,7%), mui as ezes isolado no labo a ó io (11,5%).
Em o ma da sinopse, pa ece que os alunos pe ilham imagens adequadas, onde acham
que o abalho dos cien is as so e in luência da eligião, da polí ica e da amília, esul ado
semelhan e oi no ado no es udo e e uado po Souza e Sil a (2013).
Conside ações inais
Os esul ados ob idos nes a in es igação mos am que os alunos pe ilham mais imagens
es e eo ipadas do que imagens adequadas sob e os cien is as e o seu abalho. Des a o ma, os
alunos acham que a a i idade cien í ica é mais pa a as pessoas do sexo masculino, o labo a ó io
é o seu único luga de a uação, os cien is as são mui o es udiosos e abalham de o ma
indi idual. Já pa a as ca ac e ís icas ísicas dos cien is as, os alunos acham que podem se
jo ens ou adul os. Os pa icipan es na in es igação acham ainda que os cien is as usam ba a,
possuem cabelos a epiados e com mui os pelos na ace como ambém, podem se cal os.
Ao compa a os cien is as com as ou as pessoas, os alunos de o ma semelhan e acham
que os cien is as cuidam menos da beleza, da apa ência, não êm empo de con i e , são os
mais obje i os, in eligen es, dedicados no abalho, igo osos e pe sis en es em elação às ou as
pessoas.
Rela i amen e ao abalho dos cien is as, os alunos pa ecem mos a ambém imagens
es e eo ipadas. Assim, uns e ou os, acham que o abalho dos cien is as é somen e ealizado
po génios ou po pessoas mui o in eligen es, dedicadas, obje i as e acham que é uma a i idade
in alí el.
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Quan o aos p ocedimen os usados pelos cien is as no seu abalho, os alunos acham que
os cien is as são p o issionais que seguem esolu amen e os passos do mé odo cien í ico, po que
execu am um plano de inido à p io i.
No que oca à ealização de expe iências no labo a ó io, a ibuem uma ce a impo ância
à ealização de expe iências, achando que a sua ealização se e pa a comp o a e desen ol e
o conhecimen o cien í ico. Pa ece possui uma imagem adequada po que são de opinião, de
que a eligião, a polí ica e a amília in luenciam o abalho dos cien is as.
Ag adecimen os
“Es e abalho é inanciado pelo CIEd - Cen o de In es igação em Educação, Ins i u o de
Educação, Uni e sidade do Minho, p oje os UIDB/01661/2020 e UIDP/01661/2020, a a és de
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