Full text
Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Francisca Almeida Machado Estabelecimento de parcerias e de sourcing junto de parceiros em mercados emergentes: Estudo exploratório no Sector Têxtil abril de 2019 UMinho | 2019 Francisca Almeida Machado Estabelecimento de parcerias e de sourcing junto de parceiros em mercados emergentes: Estudo exploratório no Sector Têxtil
Francisca Almeida Machado Estabelecimento de parcerias e de sourcing junto de parceiros em mercados emergentes: Estudo exploratório no Sector Têxtil Dissertação de Mestrado Mestrado em Estudos de Gestão Trabalho efetuado sob a orientação do(a) Professora Doutora Cláudia Simões Professor Doutor Bruno Sousa Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão abril de 2019
iii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-ncnd/4.0/ [Esta é a mais restritiva das nossas seis licenças principais, só permitindo que outros façam download dos seus trabalhos e os compartilhem desde que lhe sejam atribuídos a si os devidos créditos, mas sem que possam alterálos de nenhuma forma ou utilizá-los para fins comerciais.] Universidade do Minho, 23 de abril de 2019
iv Agradecimentos Aos meus orientadores Professora Doutora Cláudia Simões e Professor Doutor Bruno Sousa. À minha família e amigos. Às empresas e respetivos diretores que colaboraram no estudo.
v DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 30 de abril de 2019 Nome completo: Francisca Almeida Machado Assinatura:
vi Título: Estabelecimento de parcerias e de sourcing junto de parceiros em mercados emergentes: Estudo exploratório no Sector Têxtil Resumo: Numa economia, a cada dia, mais global e competitiva, as empresas procuraram por novas oportunidades de negócio externas, com vista à melhoria da qualidade de produtos/serviços, otimização dos prazos de entrega e redução custos de produção, de forma a colmatar as lacunas do mercado interno e dar resposta às atuais necessidades do mercado. Na Indústria Têxtil e do Vestuário, este fenómeno tem-se acentuado e, na última década, as empresas portuguesas têm desenvolvido estratégias de sourcing orientadas para os mercados de baixo custo. O recurso a fornecedores da China, Bangladesh, Paquistão, Turquia e Índia tem sido a forma das empresas obterem vantagens competitivas e de combaterem a volatilidade e rapidez que caracterizam a fast fashion. Através do presente trabalho é possível compreender quais são os fatores que impulsionam as empresas portuguesas a recorrer ao sourcing internacional, quais as principais dificuldades e barreiras, bem como entender de que forma são estabelecidas as parcerias internacionais com os respetivos fornecedores. No decorrer do trabalho é feita, ainda, uma contextualização do setor têxtil e do vestuário em Portugal e apresentados os principais países de importação. Palavras-chave: Global sourcing, Supply chain ; Indústria têxtil e vestuário;
vii Title: Establishment of partnerships and sourcing with partners in emerging markets: Exploratory study in the Textile Sector Abstract: In an increasingly global and competitive economy, companies are looking for new external business opportunities, aiming to improve the quality of products / services, optimizing lead-times and reducing production costs, in order to fill the gaps of the domestic market and to respond more efficiently to the market needs. In the Textile and Clothing Industry, this phenomenon has become more pronounced and, in the last decade, portuguese companies have developed sourcing strategies focused on the low-cost countries. The resource of suppliers from China, Bangladesh, Pakistan, Turkey and India has been the way companies gain competitive advantage and face the volatility and the ephemeral of fast fashion. Through the present work it is possible to understand what are the factors that drive portuguese companies to resort international sourcing, what are the main difficulties and barriers, as well as to understand how international partnerships are established with their suppliers. In the course of the work, it is report a contextualization of the textile and clothing sector in Portugal and the it’s presented the main import countries. Keywords: Global Sourcing; Supply chain; Textile and Clothing Industry
Índice Capítulo 1 – Introdução ............................................................................................................................... 1 1.1 - Introdução ............................................................................................................................................ 2 1.2 – Enquadramento ................................................................................................................................... 2 1.3 - Objetivo da dissertação ......................................................................................................................... 3 1.4 - Estrutura da dissertação ........................................................................................................................ 3 Capítulo 2 – Revisão Literária..................................................................................................................... 4 2.1 - Sourcing ............................................................................................................................................... 5 2.1.1 - Supply chain .................................................................................................................................. 8 2.1.2 - Vantagens e Desvantagens ........................................................................................................... 10 2.1.3 - Desafios e oportunidades ............................................................................................................. 11 2.1.4 - Níveis de sourcing ........................................................................................................................ 12 2.1.5 - Estratégias de implementação de Sourcing ................................................................................... 15 Capítulo 3 – Indústria Têxtil e do Vestuário Portuguesa ....................................................................... 16 3.1 - Introdução à Indústria Têxtil e do Vestuário .......................................................................................... 17 3. 2 - Contextualização da ITV portuguesa ................................................................................................... 19 3.2.1 - Produto Interno Bruto (PIB) .......................................................................................................... 22 3.2.3 - Resultado Líquido ........................................................................................................................ 26 3.2.4 - Empregabilidade .......................................................................................................................... 27 3.3. Principais países importadores ............................................................................................................. 30 3.3.1 - Países de baixo custo ................................................................................................................... 36 Capítulo 4 – Metodologia de Investigação .............................................................................................. 41 4.1 - Paradigma e metodologia de investigação............................................................................................ 42 4.2 - Objetivos de investigação .................................................................................................................... 44 4.3 - Design de pesquisa e instrumento de recolha de dados ....................................................................... 45 Capítulo 5 – Análise e Discussão dos Resultados .................................................................................. 48 5.1Análise e Discussão de resultados ........................................................................................................ 49 Capítulo 6 - Conclusões ............................................................................................................................. 53 6.1 - Conclusões ......................................................................................................................................... 54 6.2Limitações ........................................................................................................................................... 54 6.3 - Próximos passos de investigação ......................................................................................................... 55 7 - Apêndices ............................................................................................................................................... 56 Apêndice I – Guião de Entrevistas ............................................................................................................... 57 Referências Bibliográficas ......................................................................................................................... 58
6 Trent & Monczka (2003) aprofundaram as diferenças entre a compra internacional e o global sourcing e, neste sentido, utiliza-se o termo de compras internacionais para designar uma operação comercial de compra entre um comprador e um fornecedor de diferentes origens. Como é expectável, a complexidade de operações requeridas para uma transação deste género, é maior do que a transação entre um fornecedor doméstico, uma vez que, é necessário um plano de logística mais complexo e um lead-time (tempo do produto desde a sua produção até à sua saída) mais extenso. As transações entre fornecedores exteriores são, ainda, vulneráveis às regras e regulamentos legais dos países de sourcing, a flutuações das taxas de câmbio, direitos e taxas alfandegárias, assim como a diferenças nos fusos horários, na cultura e na comunicação. Por seu turno, no que diz respeito à complexidade e extensão do global sourcing , este conceito agrega, proativamente, a coordenação de artigos e materiais comuns, processos, designs, tecnologias, fornecedores, engenharia e operações. Exige, ainda, a integração horizontal entre o design de produto e os grupos de desenvolvimento, relacionando a engenharia, as operações, logística, procurement e, inclusive, o marketing, como parte a montante da cadeia de aprovisionamento de uma empresa. (Trent & Monczka, 2003; Hultman et al, 2009). Kotabe (1992), refere-se ao global sourcing como um conceito mais amplo, isto é, como o processo que determina quais as unidades produtivas que melhor de adequam a determinados mercados e quais os materiais fornecidos para esse processo produtivo. Em linha com este pensamento, Moxon (1982), apresentar quatro modos específicos de global sourcing: 1) Compras internacionais: ocorre quando existe uma relação independente entre o comprador e o fornecedor, através da qual são trocados materiais por dinheiro, diretamente ou por um intermediário, numa base ad hoc ou num acordo a longo prazo; 2) Subcontratação internacional: agrupa diferentes tipos de relacionamento entre empresas independentes, entre as quais o comprador tem uma relação direta e uma maior envolvência com o fornecedor exterior. É comum, nesta base de relação, existir algum apoio por parte do comprador através da partilha de informações sobre o produto, assistência técnica, equipamentos físicos, materiais e, inclusive, apoio financeiro. 3) Produção em Joint-Venture no Exterior: aplica-se quando uma empresa e o seu parceiro partilham da unidade produtiva no estrangeiro, sendo frequente o investimento de capitais, gestão, tecnologia, materiais e facilidades de pagamentos.
7 4) Produção Controlada no Exterior: corresponde a uma ligação de sourcing entre a empresa mãe e o fornecedor ou uma empresa subsidiaria, sendo que os termos e condições se realizam da mesma forma que a produção em Joint-Venture . O grau de envolvimento no processo e o grau de controlo exercido pelo comprador, são os fatores que diferenciam as diferentes formas de sourcing: global intra-firm sourcing e global inter-firm sourcing . Neste sentido, a Produção Controlada no Exterior e a Produção em Joint-Venture no Exterior representam formas básicas de global intra-firm sourcing , tendo em conta que existe investimento direto estrangeiro em unidades de produção no exterior. Por sua vez, as compras e a subcontratação internacional constituem formas básicas de global inter-firm sourcing (Rabaça, 2010). Quando em prática e compreendido por todas as partes interessadas, um plano estratégico de sourcing , serve de orientação a todos os responsáveis pela implementação de uma política de aquisição e, como em qualquer plano, deve ter por bases a missão e a visão organizacional da empresa, uma linguagem clara e ter em consideração as exigências dos clientes. O plano estratégico de sourcing deve direcionarse para a compra de mercadorias ou categorias, onde sejam identificadas potenciais oportunidades de melhoria. Estes focos podem ter a forma de preços mais baixos, melhor qualidade, inventário reduzido, entre outros, porém, a perda de controlo destas operações pode afetar, diretamente, o consumidor final através do produto e da sua qualidade (Sollish & Semanik, 2011). É comum recorrer-se a métodos como benchmarking , para identificar lacunas entre as práticas utilizadas pela própria organização e as melhores práticas identificadas na concorrência. A análise de oportunidades e o processo de benchmarking são, normalmente, subprodutos da análise de mercado, que ocorre antes do desenvolvimento do plano estratégico e é com base nesses dados, que deverá ser possível determinar o grau em que o plano estratégico irá apoiar o plano organizacional global (Sollish & Semanik, 2011). Os principais objetivos que fundamentam o global sourcing são bastante claros: reduzir os custos através de salários baixos, alargar as capacidades da empresa, dispor de mão-de-obra especializada, maior visibilidade dos gastos, acesso a tecnologia atualizada, evitar trabalhadores temporários e, mais importante, capacidade de adaptação a uma maior variabilidade da procura sem contratar funcionários (Sollish & Semanik, 2011).
8 2.1.1 - Supply chain A cadeia de aprovisionamento, principalmente, no setor do vestuário é, extremamente, complexa e envolve inúmeros sistemas integrados, desde a matéria-prima em bruto proveniente dos produtores, transformação em fibras, fios e tecidos/malhas, confeção de vestuário, transportes, armazenistas e retalhistas. No fim da cadeia, e como elo de ligação de todo o ciclo, Shen (2018) introduz os “Coletores” de artigos inutilizáveis que transformam os desperdícios, novamente, em matéria-prima (Shen, B. 2018). Figura 1 - Fluxo da cadeia de abastecimento na Indústria Têxtil Elaboração própria baseado no autor Shen, B., (2018) A complexidade desta estrutura densificou-se, ainda mais, com a globalização, tornando estas relações mais dinâmicas. Motivados pelos custos de transportes mais moderados, os compradores puderam transpor fronteiras e estabelecer relações de sourcing com os países produtores de matéria-prima, em regiões mais longínquas e imunes às influências dos mercados, mas existem outros problemas adjacentes à exploração de novos mercados, nomeadamente, a dificuldade em manter o fluxo de informação, de produtos e pagamentos. O ritmo acelerado e compulsivo dos consumidores, fez com que muitas marcas deixassem de produzir os artigos em “casa” para procurarem novas soluções em países com custos mais eficientes, por exemplo, a China, adicionando novos elementos à cadeia de aprovisionamento. Quanto maior é a exigência dos consumidores, maior é a necessidade de as marcas procurarem fornecedores especializados em determinados artigos têxteis ou de vestuário, o que despoletou a competitividade na indústria e forçou os fornecedores a especializarem-se, de forma a Produtor Têxtil Mercado Têxtil Distribuidor Grossista Retalhista Colector de máterias usadas Matéria em Bruto - Produtor/Fornecedor
9 conferir-lhes vantagem sobre os seus concorrentes e a atrair mais compradores para o seu negócio (Shen, B. 2018). Para atingir o máximo de eficiência lucrativa, é importante que exista uma colaboração com todas as partes da cadeia de aprovisionamento e que a informação seja partilhada desde o comprador – de onde parte a ordem de encomenda que dará início a todo o processo de produção – até ao produtor da matériaprima, por exemplo, de algodão (Shen, B. 2018). Em termos de informação, os retalhistas recebem os pedidos dos clientes, o que se traduz em informação relevante sobre a procura, enquanto os fornecedores recolhem informação sobre as condições das máquinas e a eficiência dos trabalhadores. Esta troca de informação é importante no sentido em que, os retalhistas, sendo os mais próximos dos consumidores finais, recebem o feedback direto sobre as suas preferências, exigências e vontades, sendo canalizado para as marcas, que verificam a capacidade dos fornecedores satisfazerem estas necessidades. É através deste fluxo, constante e permanente, de informações que é possível aferir se as cadeias de aprovisionamento funcionam de modo eficaz ou não (Shen, B. 2018). No que diz respeito à tipologia de produtos, Shen (2018) categoriza-os em dois grandes grupos: por um lado, estão os artigos de moda, cujo ciclo de vida é menor e a variabilidade de produto é mais sensível às últimas tendências e, por outro, estão os artigos considerados “básicos”, cujo ciclo de vida é maior e a sua utilização é feita em base diária. Ainda que estas duas categorias de produtos tenham diferentes requisitos e satisfaçam diferentes necessidades, a rápida mutação do mercado exige reações mais céleres e é neste sentido que as marcas priorizam os países onde o tempo de trânsito é mais curto. Para os países europeus com mercados, também, na Europa, o sourcing dos artigos de moda é, geralmente, localizado na Turquia, enquanto os artigos básicos são, comumente, produzidos na Ásia, independentemente, da origem do mercado. De acordo com Shen (2018), a competitividade na cadeia de abastecimento da indústria da moda, assenta em três pilares: a qualidade, que se relaciona com a capacidade de o fornecedor produzir artigos com a qualidade final expectável; a capacidade de resposta, que detremina o sucesso de um produto pelo timming em que é vendido nas lojas; e o custo, que diz respeito ao preço que o fornecedor consegue fazer pela produção, sendo que quanto mais baixo o custo, mais baixo será, também, o preço de venda para o consumidor final, sendo um aspeto fucral devido ao peso que os preços dos artigos têm na decisão de compra dos consumidores. Os consumidores de moda têm gostos efémeros, e a janela de tempo em que um produto de moda é desejável é muito curto, não só pela volatilidade das tendências, mas
10 também, pela capacidade de resposta das marcas concorrentes. No entanto, existem sempre trade-offs entre os três requisitos, como por exemplo, se um confecionador produzir artigos de alta qualidade, a capacidade de resposta vai ser menor e, automaticamente, o custo de produção será mais elevado e, por outro lado, se for exigido ao confecionador uma maior capacidade de resposta, a qualidade do produto será comprometida ou o preço poderá não ser aceite. Atualmente, a Ásia possui uma maior compreensão desta dinâmica cujo foco se concentra no desenvolvimento de produto e no retalho. Embora a China tenha construído um império na produção de têxteis e de vestuário, outros países asiáticos como a Índia, o Bangladesh e o Vietname têm vindo a ganhar terreno nos últimos anos (Shen, B. 2018). 2.1.2 - Vantagens e Desvantagens Em termos gerais, o global sourcing tem como principais vantagens a redução de materiais e de custos operacionais; a melhor qualidade do produto; o aumento da diversificação do produto; e permite uma maior resposta à volatilidade dos mercados (Cho & Kang, 2001; Shelton & Wachter, 2005). É possível, então, afirmar que o global sourcing atua como uma mais valia para os negócios das empresas, dando acesso a uma grande variedade de produtos que, de outra forma, seria difícil obter (Ha-Brookshire, J., 2015). Por outro lado, o global sourcing, permite que os países em vias de desenvolvimento se concentrem em atividades de manufatura de trabalho intensivo e na exportação, enquanto as empresas em países desenvolvidos apostam na alta tecnologia, no capital intensivo e na coordenação global de atividades (Dickerson, 1999; Shelton & Wachter, 2005) e é, exatamente, através desta centralização de atividades, que a dinâmica da relação comercial entre estes países aumenta. Ha-Brookshire (2015) defende que o global sourcing não se restringe apenas a conferir uma melhor qualidade do produto, a uma maior variedade, a um custo reduzido ou a uma rápida resposta ao mercado, mas, mais importante, permite que os países em vias de desenvolvimento fortaleçam os seus mercados domésticos e adquiram novas tecnologias e conhecimentos a partir das relações estabelecidas com os países desenvolvidos. Apesar de todos os benefícios que possam surgir com o global sourcing , autores como Cho & Kang, (2001); Shelton & Wachter, (2005), defendem que o global sourcing provoca consequências negativas para os países desenvolvidos, conduzindo ao desemprego de muitos operários fabris e, consequentemente, aumentando o foço entre ricos e pobres. Do ponto de vista dos países em desenvolvimento, o aumento da procura pode levar à criação de problemas relacionados com práticas
11 de trabalho injustas, exploração de trabalho infantil ou degradação ambiental (Park & Stoel, 2005; Shelton & Wachter, 2005). É, por isso, importante garantir que é considerado na estratégia de sourcing um plano de ação que preveja a proteção dos trabalhadores no caso da realocação da produção para outros países, o aperfeiçoamento e segurança na aplicabilidade de normas de trabalho justas para os trabalhadores nos países em vias de desenvolvimento, monitorizando, também, a aplicação de leis de proteção ambiental. 2.1.3 - Desafios e oportunidades De acordo com os autores Birou & Fawcett (1993) e Bozarth et al. (1998), os principais fatores que influenciam a decisão de recorrer à importação e exteriorização de produções ou serviços estão, diretamente, relacionados com: 1. Os requisitos de qualidade a custo baixo; 2. Prazos de entrega; 3. Colmatar as falhas do mercado interno sem recurso a investimento. Para estes mesmos autores, os fatores determinantes do Global sourcing dividem-se, tendencialmente, em três classes: 1. Fatores favorecedores – fatores que ajudam ou aceleram a decisão de sourcing; 2. Fatores facilitadores – que se manifestam na forma de condicionantes que podem facilitar a implementação de sourcing; 3. Fatores obstáculo/barreira – trata-se de elementos que, de certa forma, inviabilizam ou dificultam o sourcing. É difícil criar uma relação e mensurar os fatores em relação às suas classes, no entanto, alguns destes autores defendem que um dos fatores mais determinantes para o sourcing é, muitas vezes, também uma barreira, como é o caso da qualidade do produto. Para Fawcett (1994), a problemática que envolve o controlo de produção fora de portas representa a maior barreira ao sourcing. Ainda dentro da mesma perspetiva, Cho & Kang (2001) apontam para a maior consciencialização do consumidor final que, voluntariamente, se predispõe a pagar um preço superior por uma qualidade, igualmente, superior, o que, muitas vezes, se torna uma barreira devido à dificuldade em encontrar fornecedores capazes de garantir a qualidade expectada pelos consumidores, bem como de controlar e garantir que a qualidade
12 é assegurada ao longo de todo o processo até ao produto final fora de portas. Contudo, uma das maiores, senão a maior motivação para o sourcing, é a procura de serviços/produtos de custo baixo apesar de estarem, diretamente, dependentes de uma estrutura de custos superior e mais complexa, nomeadamente, custos de transação, alfandegários, indiretos de procurement e controlo de produção. Outro fator que se distingue na literatura como um fator determinante para o sourcing , é o prazo de entrega (Quintens et al., 2006), ainda que não seja claro em que categoria se insere. Cho & Kang (2001) verificaram que este fator é, maioritariamente, considerado como um entrave, no entanto, a internet tem permitido reduzir o tempo de reação face aos atrasos nas entregas e aumentar a capacidade de resposta, contribuindo, assim, para uma maior eficiência e gestão da cadeia de abastecimento. Quintens et al. (2006), refere, ainda, que as falhas no mercado interno e a necessidade de investimento em maquinaria para atingir objetivos de produção, são considerados como fatores relevantes para a procura de produtos/serviços externos com recurso ao sourcing , visão esta partilhada, também, por Cho & Kang (2001) que apontam a inexistência ou escassez de produtos de qualidade, tecnologia e diferenciação de produtos no mercado interno, como fatores impulsionadores do sourcing internacional. Em consonância com o que se tem verificado ao longo da revisão literária, é possível realçar que fatores como o prazo de entrega ou o controlo de qualidade, são os principais desafios do global sourcing . No entanto, tem-se constatado que os problemas relacionados com o controlo dos prazos de entrega têm sido amenizados com a ajuda da internet, cujo acesso permite uma maior e constante atualização sobre o estado produção, conferindo, assim, uma maior margem de manobra para a sua resolução. Neste sentido, as oportunidades obtidas através da exploração destes novos mercados refletem-se, essencialmente, na diversificação de produtos e no aumento da capacidade de produção, sem necessidade de recorrer a investimentos internos. 2.1.4 - Níveis de sourcing Trent & Monczka, (2002) estruturam 5 níveis de sourcing , partindo do pressuposto que necessidades diferentes levam a níveis de sourcing diferentes, e assumindo que a progressão é variável e que as empresas podem adotar trajetórias de ordem diferentes das pré-estabelecidas. Os autores avocam, ainda, que as indústrias podem não ter o mesmo nível de concorrência ou as mesmas necessidades, para conquistarem vantagens competitivas, sendo que o nível de esforço, o conhecimento e o investimento são, diretamente, proporcionais à progressão dos diferentes níveis de sourcing .
13 Os cinco níveis de sourcing ilustrados na tabela abaixo, dos autores Trent & Monczka (2002), relacionam o posicionamento das empresas (o seu reconhecimento permite capitalizar e otimizar o desempenho a longo prazo) com a sua rede global de fornecedores. Tabela 1 - Diferentes níveis de sourcing Domestic sourcing Nível I Compras no mercado doméstico International purchasing Nível II Compras no mercado externo quando necessário International purchasing Global sourcing Nível III Compras internacionais como parte da estratégia de compras Global sourcing Nível IV Coordenação regional e global da estratégia de compras internacionais Global sourcing Nível V Integração e coordenação das estratégias de global purchasing com outros processos e grupos funcionais Fonte Monteiro, Sofia (2011) com base em Monczka e Trent (1991, 1992) e Trent e Monczka (2002)
14 Na tabela 2, especifica-se cada nível global sourcing assinalados no quadro acima. Tabela 2 - Caracterização dos níveis de sourcing Nível I As empresas não se envolvem no mercado externo As empresas não têm iniciativa, pessoal, estrutura, nem necessidade de realizarem compras no mercado externo Os fornecedores nacionais possuem os requisitos pretendidos. As empresas abastecem-se em fornecedores ou distribuidores nacionais que realizam compras internacionais Nível II Compras no mercado externo sempre que necessário As empresas progridem para este nível reactivamente As empresas são confrontadas com falhas no mercado interno ou os seus concorrentes estão a ganhar vantagens através de compras internacionais Verifica-se quando se observa um declínio da procura doméstica, o aparecimento de novos concorrentes, a interrupção do fornecimento ou rápidas variações de taxas de câmbio Nível III Compras internacionais como parte da estratégia de compras As empresas que se encontram neste nível, têm consciência que uma estratégia de compras internacionais bem executada pode levar a uma melhor performance Muitas vezes existe a preferência por mercados emergentes para obtenção de preço mais baixos As empresas começam um processo de evolução que as leva ao global sourcing Nível IV Coordenação regional e global da estratégia de compras internacionais Atribuir, projetar e construir unidades de negócio específicas, em alguma parte do mundo Representa uma estratégia altamente sofisticada Exige sistemas de informação em todo o mundo, pessoal com conhecimentos avançados, coordenação mundial, estrutura organizacional com controlo das atividades Nível V Integração e coordenação das estratégias de global purchasing com outros processos e grupos funcionais Integração e coordenação internacional da estratégia de global sourcing As empresas apresentam um comportamento proactivo As empresas ajustam os seus requisitos de compra com a informação, as estratégias, tecnologia e fornecedores para que a performance das suas compras seja maximizada A estratégia de global sourcing liga-se horizontalmente a todos os departamentos de uma empresa Fonte Monteiro, Sofia (2011) com base em Monczka e Trent (1991, 1992) e Trent e Monczka (2002)
15 2.1.5 - Estratégias de implementação de Sourcing Estratégias de implementação de sourcing não são mais que métodos de aquisições, que avaliam o custo total dos inputs antes da efetivação da compra. De um modo geral, as empresas usam o sourcing como ferramenta estratégica para ganhar e manter vantagens competitivas (Cavusgil et al., 1993; Hefler, 1981), sendo que para autores como Wood et al., 2002, são analisadas, entre outras variáveis, a importância dos inputs para a empresa, níveis de serviço e o poder de negociação com os fornecedores. Este autor caracteriza e resume em dois fatores chave, dois tipos de estratégia, que defende serem o que leva as empresas a recorrer ao sourcing : 1. Uma estratégia assente em produção: é pretendida uma vantagem competitiva através de melhor relação qualidade/preço. Adam Smith (1776) refere que a especialização do trabalho e o desenvolvimento da tecnologia, conduzem a economias de escala, reconhecendo vantagens na especialização, e defendendo que se deve procurar essa especialização fora de portas, fazendo com que se reflita nos produtos/serviços requisitados. 2.Uma estratégia estruturada com vista a acesso a novos mercados: é defendido que as empresas se concentrem no reforço da sua posição nos mercados onde já se encontram e firmes nos que pretendem fazê-lo. (Bozarth et al., 1998). Com base nesta estratégia e com a globalização dos mercados aliada a um aumento da concorrência, as compras internacionais são apontadas como uma forma de aumentar a competitividade das empresas, obtendo, a partir das compras internacionais, vantagens perante os seus concorrentes. Para autores como Steinle & Schiele (2008), a função de sourcing numa empresa só é uma função estratégica se contribuir enquanto vantagem competitiva. Através de uma atuação eficaz e eficiente do sourcing , Monczka & Trent (1992) afirmam que as empresas conseguem alcançar uma vantagem relativamente à sua concorrência. Para este processo de sourcing estratégico, é necessário considerar os fornecedores e toda a cadeia de abastecimento, como uma fonte potencial de vantagens competitivas (Leenders et al., 2006). A simples classificação de um fornecedor, deverá depender de todos os riscos associados ao processo, sejam financeiros ou de abastecimento, e devem ser, devidamente, analisados e ponderados na decisão final, assumindo que o risco da empresa será maior, sempre que iniciar uma nova relação com um novo fornecedor, quando finaliza uma compra ou, mesmo, quando efetua uma compra de volume elevado; da mesma forma que o risco será menor, se se tratar de uma transação habitual, ao mesmo fornecedor em quantidades semelhantes às habituais.
22 Tabela 3 - Desempenho económico-financeiro das empresas dos setores têxtil e vestuário em Portugal Fonte CENIT, 2016 3.2.1 - Produto Interno Bruto (PIB) O produto interno bruto (PIB), é o montante dos bens e serviços produzidos num dado período de tempo, referindo-se à produção efetuada num determinado país, região ou setor de atividade, independentemente de ser realizada por empresas nacionais ou internacionais (Infopédia, 2018). De 2010 a 2016, o PIB relativo às Indústrias Têxteis e de Vestuário teve uma evolução percentual positiva, comprovando a evolução favorável do setor. Elaboração própria segundo dados do INE, 2018 Gráfico 9 - Indústrias de Têxteis e Vestuário | Evolução do volume de negócios
23 3.2.2 - Valor Acrescentado Bruto (VAB) e Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) O VAB corresponde ao saldo da conta de produção antes da dedução do consumo de capital fixo, incluindo a produção nos recursos e o consumo intermédio no emprego, e é avaliado a preços de base, não incluindo os impostos líquidos de subsídios sobre os produtos (INE, 2018). É um indicador que permite comparar a produtividade e a evolução dos diferentes setores de atividade económica, e corresponde ao valor que um setor acrescenta a matérias, produtos e serviços utilizados, através dos próprios processos de produção e marketing (SIDS, 2018). A FBCF, é um indicador macroeconómico que consiste nas aquisições de ativos fixos, líquidas de cessões, efetuadas por produtores residentes durante um dado período, e em determinados acréscimos ao valor de ativos não produzidos, obtidos através da atividade produtiva de unidades de produção ou institucionais. Os ativos fixos são ativos produzidos e utilizados na produção durante mais de um ano (INE, 2018). A FBCF corresponde à aquisição (líquida de eventuais alienações) de ativos fixos duráveis, sejam eles de natureza tangível ou intangível e a variação de existências define-se como a entrada menos a saída de bens e serviços em inventário, isto é, daqueles bens e serviços que tendo já sido produzidos ou encontrando-se em fase de produção, ainda não foram objeto de transação no mercado. Quanto à aquisição de valores, esta respeita a ativos que não são, em primeira instância, para consumo ou produção, mas que servem, essencialmente, como reserva de valor. São, portanto, bens que não se deterioram no tempo e para os quais é expectável um movimento de apreciação (metais preciosos, antiguidades, objetos de arte, …), (IPL, 2018). Relativamente ao VAB, o subsetor “Confeção de artigos de vestuário, exceto artigos de peles com pelo”, é o mais relevante no universo da ITV, contemplando um total de 49% isoladamente, enquanto que, em termos de formação bruta de capital fixo (FBCF) são os subsetores “Fabricação de outros têxteis” e “Confeção de artigos de vestuário, exceto artigos de peles com pelo” que mais se destacam com um peso de 36% e 33%, respetivamente. Relativamente ao VAB, o total da indústria transformadora e o setor do têxtil, recuperaram em 2010 da quebra sofrida no ano anterior, ao contrário do vestuário, que permaneceu em declínio.
24 Gráfico 10 – Valor Acrescentado Bruto Fonte INE, 2019 Entre 2008 e 2015, a evolução dos vários subsetores do têxtil e vestuário variou bastante ao nível da intensidade de criação de valor. Por um lado, verificou-se que a “fabricação de artigos têxteis confecionados, exceto vestuário”, a “fabricação de cordoaria e redes” e a “fabricação de têxteis para uso técnico e industrial”, evoluíram positivamente no campo do grau de transformação, acima da bissetriz, e, por outro, o “acabamento de têxteis” e a “fabricação de não tecidos e respetivos artigos, exceto vestuário”, localizados na bissetriz, mantiveram o seu nível de intensidade de criação de valor, fruto de um crescimento médio pouco significativo do VAB e da produção. Por outro lado, a “preparação e fiação, de fibras têxteis”, a “tecelagem de têxteis”, a “fabricação de tecidos de malha”, a “fabricação de tapetes e carpetes” e a “fabricação de outros têxteis, n.e.”, registaram uma perda de criação de valor (Cenit, 2016). No que diz respeito ao setor do vestuário, a “confeção de vestuário em couro”, a “confeção de vestuário interior” e a “confeção de outros artigos e acessórios de vestuário”, foram os únicos subsetores a registar um aumento da intensidade de criação de valor, enquanto que a “confeção de vestuário de trabalho”, a “confeção de outro vestuário exterior” e a “fabricação de artigos de peles com pelo”, registaram um decréscimo da variável. Por sua vez, a “fabricação de meias e similares de malha” manteve a sua posição, com alterações pouco significativas ao nível da produção e do VAB (Cenit, 2016). 0 € 5 000 000 000 € 10 000 000 000 € 15 000 000 000 € 20 000 000 000 € 25 000 000 000 € 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 VAB Indústrias transformadoras Fabricação de têxteis Indústria do vestuário Elaboração própria segundo dados do INE, 2018
25 Partindo para uma análise mais circunscrita, designadamente em termos de localização NUTS III, concluise que no setor dos têxteis, as regiões Norte e Centro foram as que mais oscilaram positiva e negativamente, ao longo do período em estudo. As sub-regiões do Alto Tâmega, de Coimbra e de Viseu Dão-Lafões, apresentaram-se como as que evoluíram mais favoravelmente em termos da intensidade de criação de valor, enquanto a Área Metropolitana do Porto e o Ave mantiveram os seus níveis de intensidade (Cenit, 2016). Relativamente ao vestuário, constata-se que as regiões Norte e Centro, tal como no setor do têxtil, concentram as sub-regiões que registaram um aumento da criação de valor entre 2008 e 2015, sendo que a Área Metropolitana de Lisboa se destacou, igualmente, neste conjunto (Cenit, 2016). As sub-regiões de Viseu Dão-Lafões, Coimbra, Beiras e Serra da Estrela, Cávado, Ave e Tâmega e Sousa, registaram uma perda em termos de grau de transformação, ao contrário da Área Metropolitana do Porto que não registou alterações significativas, nem na produção nem no VAB, pelo que manteve o seu grau de intensidade de criação de valor ao nível do vestuário (Cenit, 2016). As sub-regiões do Norte do país, são as que apresentam um maior peso no VAB do têxtil e vestuário, nomeadamente, o Ave, a Área Metropolitana do Porto e o Cávado, salientando-se, ainda, algumas subregiões do Centro, como Aveiro e Coimbra. No setor têxtil são as sub-regiões de Viseu Dão-Lafões, Alto Minho e Aveiro, as que mais contribuíram para o aumento da produtividade, enquanto que, ao nível do vestuário, se destacam as regiões do Ave, do Cávado e do Tâmega e Sousa (Cenit, 2016). Relativamente à análise da FBCF, registou-se uma trajetória ascendente desde 2009 a 2011, coincidente entre a ITV e a Indústria transformadora. No entanto, o ano de 2012 inverteu abruptamente a tendência, verificando-se quebras que, no caso da Indústria transformadora, foram recuperadas apenas em 2016. O setor dos têxteis teve um crescimento exponencial no ano seguinte, mantendo-se, a partir daí, a um ritmo constante. Comparativamente ao setor do vestuário, que se destacou da indústria transformadora e do setor dos têxteis em 2012, por ter sofrido um impacto menor, assegurou uma evolução equilibrada (INE, 2018).
26 Gráfico 11 – Formação Bruta de Capital Fixo Fonte INE, 2018 3.2.3 - Resultado Líquido A performance económico-financeira de uma determinada empresa ou entidade, durante um determinado período de tempo, pode ser avaliada segundo o resultado líquido. Este cálculo inclui o registo de todos os custos e proveitos identificados durante o período de tempo em análise, sendo que o resultado traduz a criação de riqueza gerada no mesmo período contabilístico (Infopedia, 2018). Analisando o resultado líquido da ITV, o cenário torna-se menos positivo, identificando-se um comportamento distinto entre a indústria transformadora e os setores do têxtil e do vestuário, notando que o primeiro, apesar de uma quebra entre os anos de 2010 e 2011, tem vindo a crescer sustentadamente. Por outro lado, o têxtil e o vestuário, conseguiram alcançar valores positivos apenas a partir de 2012 e, desde então, sustentam um crescimento uniforme (INE, 2018). 0 1 000 000 000 2 000 000 000 3 000 000 000 4 000 000 000 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Indústrias transformadoras Fabricação de têxteis Indústria do vestuário Elaboração própria segundo dados do INE, 2018
27 Fonte INE, 2018 3.2.4 - Empregabilidade Na variável do emprego, as indústrias transformadoras, do têxtil e do vestuário, demonstraram um comportamento semelhante e, após uma quebra contínua entre 2008 e 2013, inverteram a tendência nos anos consecutivos, à exceção do setor dos têxteis que, no ano de 2013, já recuperava da quebra (INE, 2018). Gráfico 13 - Pessoal ao Servi Fonte INE, 2018 Elaboração própria segundo dados do INE, 2018 0 100 000 200 000 300 000 400 000 500 000 600 000 700 000 800 000 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Indústrias transformadoras Fabricação de têxteis Indústria do vestuário Elaboração própria segundo dados do INE, 2018 -1 000 000 000 € 0 € 1 000 000 000 € 2 000 000 000 € 3 000 000 000 € 4 000 000 000 € 5 000 000 000 € 6 000 000 000 € 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Indústrias transformadoras Fabricação de têxteis Indústria do vestuário Gráfico 12 - Resultado Líquido
28 Quando comparamos os setores do têxtil e do vestuário com a indústria transformadora, concluímos a relevância que estes dois setores exercem: em termos de emprego, o vestuário corresponde a cerca de 13%, enquanto os têxteis respondem por 6,6% do total de emprego da indústria transformadora (INE, 2018); e no que diz respeito à produtividade aparente do trabalho, traduzida pela riqueza que se obtém na produção de bens ou serviços por trabalhador e que é medida através do rácio entre o VAB e o emprego, pode-se constatar que a evolução ocorrida no período, compreendido entre 2008 e 2016, foi positiva, ainda que com intervalos de crescimento menos significativos. Na sequência do comportamento do VAB e do emprego, todos os subsetores do têxtil e do vestuário registaram um aumento de produtividade (PORDATA, 2018). No que diz respeito à dimensão empresarial das empresas dos setores têxtil e vestuário, podemos concluir que, relativamente ao número de empresas, a maior fatia encontra-se compreendida no escalão de pessoal ao serviço com menos de 10 pessoas, representando cerca de 80% do total de empresas do têxtil e 77% do vestuário. Quanto ao nível de emprego, é o escalão entre as 50 e 249 pessoas que mais responde pelo total de pessoal ao serviço, com um peso relativo de 35% no têxtil e de 39% no vestuário, dominando, ainda, nas variáveis de volume de negócios (42% no têxtil e 51% no vestuário) e do VAB (42% no têxtil e 45% no vestuário), (INE, 2018).
29 Tabela 4 – Pessoal ao Serviço Setores Escalão de Pessoal ao Serviço Têxteis Vestuário Empresas Total 3 517 8 710 Menos de 10 pessoas 2 791 6 727 10 - 49 pessoas 558 1 585 50 - 249 pessoas 144 379 250 e mais pessoas 24 19 Emprego Total 44 837 90 684 Menos de 10 pessoas 6 061 13 806 10 - 49 pessoas 12 184 34 281 50 - 249 pessoas 15 674 35 625 250 e mais pessoas 10 918 6 972 Volume de Negócios € Total 3 543 851 293 3 818 595 419 Menos de 10 pessoas 260 959 097 364 908 497 10 - 49 pessoas 820 860 930 1 088 430 698 50 - 249 pessoas 1 486 866 352 1 969 060 290 250 e mais pessoas 975 164 914 396 195 934 VAB € Total 1 028 297 629 1 231 705 542 Menos de 10 pessoas 74 844 266 125 939 265 10 - 49 pessoas 235 703 259 421 628 373 50 - 249 pessoas 430 921 721 554 251 410 250 e mais pessoas 286 828 383 129 886 494 Fonte INE, 2018 Elaboração própria segundo dados do INE, 2018
30 3.3. Principais países importadores No contexto do comércio internacional de mercadorias, em 2016, a categoria que inclui os “produtos de têxteis e vestuário” assumia a 5ª posição na classificação dos 10 produtos mais comercializados, representando cerca de 5% do total, sendo que, separadamente, os produtos de vestuário detinham um peso superior face aos têxteis, ocupando o 10º e 12º lugar, com quotas de 2,7% e 2%, respetivamente (Cenit, 2016). No que diz respeito às importações, o país com maior representatividade em comum nos dois setores, é Espanha, sendo que a grande fatia se concentra na importação de artigos de vestuário e acessórios de malha, em particular de uso feminino (87%), seguido por fios, fibras, desperdícios, linhas e tecidos de algodão (11%), Filamentos sintéticos ou artificiais; lâminas e formas semelhantes de matérias têxteis sintéticas ou artificiais (10,8%), fibras sintéticas ou artificiais descontínuas e tecidos de malhas (9,4%), Tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados; artigos para usos técnicos de matérias têxteis (7,2%), Pastas (ouates), feltros e falsos tecidos; fios especiais, cordéis, cordas e cabos; artigos de cordoaria (4,6%), Tapetes e outros revestimentos para pavimentos, de matérias têxteis (2,7%), Tecidos especiais; tecidos tufados; rendas; tapeçarias; passamanarias; bordados (1,9%), detalhando a lista dos 10 principais artigos importados por Nomenclatura combinada - NC8 (INE, 2019). Especificamente no setor de Produtos Têxteis, os países que se seguem são Itália, Índia, Alemanha, Turquia, China, Paquistão e França. No setor de artigos de Vestuário, igualmente liderado por Espanha, seguem-se Itália, França, China, Alemanha, Países Baixos e Bangladesh (INE, 2019).
31 Tabela 5 - Taxa de importação por país | Produtos Têxteis Elaboração própria segundo dados estatísticos do INE, 2019 Tabela 6 - Taxa de importação por país | Artigos Vestuário Elaboração própria segundo dados estatísticos do INE, 2019 20% 14% 11% 9% 8% 7% 7% 4% Espanha Itália Índia Alemanha Turquia China Paquistão França 52% 9% 9% 6% 5% 4% 3% 2% Espanha Itália França China Alemanha Países Baixos Bangladesh Bélgica
38 Partindo do pressuposto de que a indústria da moda está em permanente transformação, a importância de ter fornecedores em mercados próximos, com uma grande capacidade de resposta e uma produção sustentável, torna-se, cada vez mais, um fator decisório para a escolha do sourcing . Neste sentido, abrese uma janela de oportunidade para a Índia que beneficia da proximidade entre o mercado europeu e dos Estados Árabes Unidos (Shen, B. 2018). Outro fator atrativo para os compradores do setor do têxtil e do vestuário, é o grande mercado consumidor, uma vez que a Índia é o segundo país com mais população a nível mundial, com base para um potencial crescimento no consumo de produtos têxteis e de vestuário (Shen, B. 2018). Segundo um estudo das Nações Unidas, prevê-se que a Índia ultrapasse a população da China, tornando-se no país com mais população no mundo, em 2022 (BBC 2015). Grandes marcas como a Tommy Hilfiger, Superdry, Hugo Boss e Diesel já iniciaram a seu plano de inserção no mercado doméstico indiano, focando as atenções na classe média, onde os consumidores são mais suscetíveis de comprar produtos de boa qualidade e a manter relações de lealdade (Shen, B. 2018). Bangladesh Sendo um país ainda com muitas melhorias por realizar, o Bangladesh debate-se com grandes desafios a nível de infraestruturas, rede de transportes, condições de trabalho e segurança. Do Sudeste Asiático, é o país com as piores condições laborais, salários mais baixos e maior carga horária (Safi 2016). Recentemente, o governo Bangladeshiano aplicou uma série de medidas que preveem a melhoria e segurança dos locais de trabalho, em consequência dos inúmeros acidentes ocorridos em fábricas do setor (Taplin 2014). No entanto, o país atravessa um período conturbado, marcado por constantes manifestações por parte dos trabalhadores do setor têxtil e vestuário, que reivindicam salários mais altos, uma vez que, atualmente, o rendimento mensal para um trabalhador deste setor é de, aproximadamente, 83 euros (Sábado, 2019). Em contrapartida, a economia do Bangladesh tem vindo a prosperar nos últimos aos anos e a principal razão deve-se ao Pronto-a-vestir (Shen, B. 2018). De uma população com 165 milhões de habitantes, cerca de 4 milhões estão empregadas em 4500 fábricas do sector têxtil e de vestuário. Aproximadamente 80% do total de exportações do país resulta da venda de vestuário a marcas como H&M, Primark, Walmart, Tesco, Carrefour e Aldi (Aljazeera, 2019).
39 Turquia A Turquia destaca-se como um dos principais países produtores de artigos têxteis e de vestuário do mundo, posicionando-se como o sexto maior fornecedor do mundo e o terceiro da União Europeia. A seguir à indústria automóvel, o vestuário é o segundo maior setor de exportação da Turquia, representando 9,4% do total das exportações do país, sendo que 5,6% do total exportado corresponde à exportação de malhas e 3.8% à exportação de vestuário, em 2017, (Akter & Mahfuz, 2018). A indústria têxtil e do vestuário turca, tem um papel importante no comércio mundial, revelando capacidades de atender a altos padrões e de competir nos mercados internacionais, correspondendo tanto em termos de alta qualidade matérias, como oferecendo uma ampla gama de produtos. Os países europeus, incluindo Itália, Rússia, Alemanha, Romênia e Bulgária, são os mercados mais importantes para as exportações de tecidos da Turquia que tem como vantagens na produção de artigos têxteis e no fornecimento de matérias-primas, os seguintes aspetos (Akter & Mahfuz, 2018): • Em termos de logística, o país tem uma localização estratégica, tendo em conta que é a porta de entrada para os mercados europeus; • O próprio país possui uma fonte rica de matérias-primas que são usadas para a produção, ocupando o 7º lugar na produção mundial de algodão; • Políticas comerciais liberais e mão de obra qualificada que tornam a indústria bem desenvolvida capaz de produzir produtos de qualidade; • Estabelecimento de um acordo de união aduaneira com a U.E. e de acordos de livre comércio com outros países; • Investimento na utilização de tecnologias avançadas para o crescimento da sua indústria. Devido ao aumento dos salários e, sucessivamente, dos custos de produção, a Turquia viu os seus preços aumentarem, perdendo a competitividade dos preços baixos para países como a China e o Bangladesh, Akter & Mahfuz, (2018). Paquistão Atualmente, o Paquistão ocupa o quarto lugar entre os produtores mundiais de algodão e, também, o terceiro entre os principais consumidores (fibre2fashion). O setor têxtil contribui com, aproximadamente, um quarto do valor acrescentado industrial e é responsável por empregar cerca de 40% da força de trabalho industrial, representando 60% das exportações nacionais. Carece, ainda, de regulamentação e
40 organização do tecido industrial, uma vez que a produção é controlada e produzida em grande escala por empresas de grande volume, mas, também, é feita em pequenas e médias empresas desorganizadas. Representando um segmento de elevado valor acrescentado, o setor de confeção é constituído por vários subgrupos, nomeadamente, confeção de toalhas, sacos de algodão, tendas, tricotados e pronto-moda, sendo que estes últimos têm vindo a crescer como uma das principais atividades de pequena escala da indústria (Pakistan Economist). Os principais impulsionadores deste crescimento são os países em desenvolvimento, como a Índia e a China. Esta evolução está, também, relacionada com o aumento da procura tanto em mercado locais como em mercados internacionais (Pakistan Economist). Ainda que seja um mercado de baixo custo, o Paquistão enfrenta uma forte concorrência de países como a Índia, Bangladesh, Vietname e Tailândia, tendo em conta que os elevados preços da energia e a rígida política monetária praticados no país, trazem desvantagens competitivas para as empresas locais (Pakistan Economist). Atualmente, no Paquistão, os funcionários da indústria auferem, na maioria dos casos, cerca de 90 dólares por mês, apesar de o salário mínimo nacional ser de 140 dólares (Soares, 2019).
41 Capítulo 4 – Metodologia de Investigação
42 4.1 - Paradigma e metodologia de investigação O desenvolvimento de uma investigação científica é construído com base em questões intrínsecas ao investigador: “Qual é o meu problema?” e o “Que devo fazer?”, sendo que as respostas remetem para o propósito da investigação e da sua relevância (Coutinho, 2014). A definição de investigação assenta em dois requisitos que lhe são inerentes: o primeiro é que seja científico – regido pela sistematização e pelo rigore adequado ao objeto de estudo, sendo que, como em qualquer área do saber, a investigação caracteriza-se pela multiplicidade e pela dependência contextual, e, neste sentido, a multiplicidade verifica-se pela existência de diferentes abordagens e/ou modelos, e/ou paradigmas; o segundo diz respeito à dependência contextual, relaciona-se com o facto inquestionável do investigador ser incapaz de se dissociar do contexto sociocultural em que está inserido, atuando na base de uma especificidade própria e comprometendo-se, deliberadamente, com a orientação da investigação (Coutinho, 2014). Thomas Kuhn (1962), definiu o conceito de paradigma como um conjunto de crenças, valores e técnicas partilhadas pelos membros de uma dada comunidade científica, orientados por um modelo que determina o “que” e “como” investigar, num dado e definido contexto histórico/social. Na investigação científica, o paradigma assume duas funções basilares: a primeira, funciona como unificação de conceitos, de pontos de vista, isto é, a conceção de uma identidade comum com questões teóricas e metodológicas; a segunda serve de legitimação entre investigadores, tendo em conta que um determinado paradigma aponta para critérios de validez e de interpretação (Coutinho, 2014). Para Latorre et al. (1996) e Bisquerra (1989), os paradigmas de investigação são considerados esquemas teóricos, com carater didático, que agrupam um conjunto de investigadores que utilizam uma determinada metodologia na prática de uma investigação. Esta comunidade científica partilha a linguagem, valores, metas, normas e crenças (Latorre et al., 1996). A metodologia utilizada nesta investigação é de natureza qualitativa, uma vez que se pretende obter uma compreensão e ganhar conhecimento qualitativo sobre os motivos e razões subjacentes a um determinado fenómeno. Partindo do habitual, para uma pesquisa qualitativa, é utilizado um pequeno número de casos não representativos e a recolha de dados não é estruturada, nem o seu tratamento é de natureza estatística (Malhotra & Birks, 2006). O autor pretende recorrer a uma pesquisa exploratória, tendo em conta que o principal objetivo é encontrar ideias ou hipóteses, mais do que testar ou confirmá-las. Os estudos exploratórios, visam proporcionar uma maior familiaridade com o problema, no sentido de torná-lo explícito ou de facilitar a formulação de hipóteses e são usados para conhecer as variáveis desconhecidas, necessárias a uma
43 investigação mais específica e profunda (Vilelas, 2009). Adotou-se na investigação, a entrevista semiestruturada como principal fonte de recolha de dados, bem como o recurso a dados estatísticos do INE e PORDATA para contextualização e análise da Indústria Têxtil e do Vestuário na economia portuguesa. Sendo este tipo de entrevista uma fusão entre a entrevista estruturada e aprofundada, facilita a partilha de ideias, histórias e experiências acerca do fenómeno em estudo, senso que esta recolha de dados permite a definição pré-determinada de temas e questões a abordar, mantendo flexibilidade suficiente para que o entrevistado fale abertamente (Wahyuni, 2012). Assumindo que os resultados são apenas, provavelmente, verdadeiros, é pertinente realizar um cruzamento de dados de diferentes fontes, de forma a conferir uma visão holística da realidade e obter uma consistência dos dados recolhidos (Sobh & Perry, 2006). À luz da teoria fundamentada, pressupôsse, para o enquadramento técnico, a aplicabilidade de procedimentos bibliográficos com base em informação já publicada em livros, artigos científicos e em material disponibilizado na internet.
44 4.2 - Objetivos de investigação Acompanhando a tendência da indústria têxtil e do vestuário na deslocalização, subcontratação de serviços e parcerias com empresas internacionais, pretende-se que a temática seja capaz de fornecer um estudo conclusivo que explique o crescente investimento na internacionalização, a mais-valia na criação de departamentos de sourcing e decisões estratégicas na respetiva cadeia de abastecimento, como fatores de competitividade. Neste sentido, pressupõe-se responder à problematização tendo por base as seguintes questões de partida: 1. Em que base são estabelecidas as parcerias e o sourcing em mercados emergentes? 2. Quais os fatores e os desafios a considerar no sourcing de produtos/serviços em mercados emergentes? 3. Qual o impacto dos mercados de baixo custo de produção para as empresas do setor têxtil e do vestuário portuguesas?
45 4.3 - Design de pesquisa e instrumento de recolha de dados O design de pesquisa faz a ligação entre a metodologia e um conjunto apropriado de métodos (Wahyuni, 2012) e, nele, são detalhados os procedimentos necessários para obter a informação necessária para alcançar os objetivos de investigação (Malhotra & Birks, 2006). Geralmente, numa pesquisa qualitativa, é utilizado um número pequeno de casos não representativos e a recolha de dados não é estruturada nem o seu tratamento é de cariz estatístico (Malhotra & Birks, 2006). Os objetivos de investigação foram considerados o ponto de partida para o desenvolvimento do design de pesquisa e a amostra foi, deliberadamente, selecionada pelo investigador, tratando-se, portanto, de uma amostra não probabilística, (Wahyuni, 2012) e os entrevistados foram selecionados de acordo com o critério de relevância para o contexto de estudo. As empresas integrantes do estudo, foram selecionadas com base na atividade, subsetor, dimensão e volume de importação de matérias-primas. Através de uma rede de contactos, foi possível obter os endereços eletrónicos de alguns diretores das empresas, que se prontificaram a responder às questões enviadas por ficheiro word. Relativamente à estrutura da entrevista, esta divide-se em 14 questões, sendo que as primeiras dizem respeito à posição da empresa no setor de atividade, a categoria do inquirido e o número de anos da empresa em atividade. Da questão cinco à oito, é abordado o tema sourcing; d nona à décima primeira questão define-se o tipo de serviços e o seu mercado, sendo que as restantes aludem os problemas, vantagens e desvantagens apontadas pelos inquiridos em relação ao sourcing e à internacionalização. Após a exposição dos temas principais na revisão literatura, foi elaborado um inquérito com questões pertinentes e, diretamente, relacionadas com as principais temáticas sobre as quais recai o tema. As questões foram formalizadas com o objetivo de compreender e correlacionar o posicionamento e estratégia dos inquiridos com argumentos fundamentados na revisão de literatura. Das oito empresas inquiridas foi possível obter resultados de todos os segmentos que compõem os setores de vestuário e têxtil, sendo divididos em: 1. Preparação e fiação de fibras têxteis 2. Tecelagem de têxteis 3. Acabamento de têxteis 4. Fabricação de outros têxteis 5. Confeção de artigos de vestuário, exceto artigos de peles com pelos 6. Fabricação de artigos de peles com pelo
46 7. Fabricação de artigos de malha Os três primeiros subsetores dizem respeito ao Setor de Produtos Têxteis e os restantes quatro estão incluídos no setor de Artigos de Vestuário. Considerou-se, também, relevante enquadrar os anos de experiência da empresa em mercados internacionais, a posição do inquirido na organização e os anos de permanência na empresa de forma a comprovar que existiria o conhecimento profundo, não apenas sobre a estratégia da empresa, relativamente, ao plano de sourcing , mas, também, para fundamentar através de experiência própria as respostas à entrevista. Posto isto, foi possível obter respostas de um “Diretor Comercial”, “Proprietário/Gerente”, “Diretor de Produção”, “Diretor Geral” e “Diretor de Industrialização e Novos Projetos”, atendendo ao facto de que as entidades das respetivas empresas se mantêm em anonimato. No que diz respeito ao número de anos de atividade da empresa, os dados variam entre “4 anos” até “20 anos” como máximo.
47 A estrutura do guião obedeceu à seguinte formatação: Identificação do perfil da empresa Perfil de Atividade da Empresa Qual a sua categoria profissional/função? Existe algum departamento dedicado exclusivamente à estratégia de internacionalização na sua empresa? Quantos anos de experiência tem a empresa em mercados internacionais? Quais os aspetos tidos em consideração na seleção dos mercados de sourcing? Quais os principais mercados de importação da empresa? Quais os fatores que pesaram para essas escolhas? Quais os serviços/produtos que a empresa importa? E qual a origem? Que aspetos são tidos em consideração para a seleção do sourcing em diferentes países? Em que se base se desenvolvem este tipo de parcerias? Que tipo de relação estabelece a empresa com os fornecedores? De que forma é feito o controlo de qualidade? Qual a dificuldade em contratar profissionais dispostos a passar temporadas fora de Portugal? Qual é a perceção das empresas relativamente ao global sourcing? Quais as dificuldades sentidas no(s) país(es) onde é realizado o sourcing dos produtos/serviços? Indique alguns fatores que considera determinantes para a decisão do global sourcing ? Quais os aspetos que, pela sua experiência, considera como desvantagens do global sourcing ?
54 6.1 - Conclusões Face aos tempos cada vez mais competitivos para as empresas dos diversos setores, as necessidades de investimento em fatores de diferenciação, são críticas para a sua organização interna e estabilidade. A competição no mercado global obriga as empresas a readaptarem-se, sendo que o seu foco de atuação não é só o mercado nacional, mas cada vez mais o internacional. Mesmo que contra vontade, é despoletada uma preocupação latente com eficiência, prazo de entrega, qualidade e capacidade produtiva que demonstram ser os fatores mais relevantes para a continuidade e/ou sobrevivência de uma empresa no sector em que se insere. Foi possível comprovar que a maioria das empresas participantes no estudo recorrem ao global sourcing como estratégia para obter uma maior variedade de produtos a um preço de custo mais baixo, com qualidade competitiva no mercado e sem necessidade de investir capital, quer em recursos técnicos e especializados, como em equipamentos para a produção. Foi, ainda, conclusivo da investigação, que as dificuldades se refletem, essencialmente, no controlo de qualidade das produções, das matérias e no estabelecimento de parcerias de confiança com os fornecedores, principalmente, nos casos onde o sourcing é feito em países asiáticos. O impacto dos países de mercados emergentes na importação de artigos têxteis e de vestuário em Portugal é significativo e tem vindo a aumentar, uma vez que, um mercado liderado pela fast fashion implica uma maior rotatividade de artigos de moda, produtos diferenciadores, lead-time reduzidos e preços baixos. Face a estes pressupostos, as empresas portuguesas tentam adaptar-se às necessidades do mercado, exigindo que, muitas vezes, estes esforços se concentrem na procura de soluções capazes de conferir mais vantagens competitivas, ainda que implique redefinir estratégias, criar novos departamentos ou células orientadas para o sourcing e gerar novas parcerias com fornecedores de baixo custo, onde a relação se mantenha na partilha entre conhecimento técnico em troca de preços de custo mais acessíveis. 6.2Limitações A maior limitação deste estudo prende-se à falta de controlo sobre características das empresas entrevistadas, tal como o seu nível de experiência em mercados internacionais, a sua estrutura organizacional e operacional para recorrer ao global sourcing . Também o método de entrevista, que é uma das bases deste estudo, tem a sua própria limitação, visto ser genérico e limitativo.
55 6.3 - Próximos passos de investigação Para investigação futura, seria relevante e interessante estender esta análise e aprofundá-la a empresas de diferentes dimensões, no sentido de fazer um estudo colaborativo com empresas de diferentes segmentos e analisá-las face ao sourcing , as suas vantagens e desvantagens, o risco e as barreiras à sua política e implementação, e analisar as estratégias consideradas ou visadas para tornar este processo eficiente. Concluindo, o autor afirma que os resultados finais são satisfatórios, contribuindo, assim, positivamente, para as questões expostas neste período de tempo.
56 7 - Apêndices
57 Apêndice I – Guião de Entrevistas Q1. Indique o perfil de atividade da empresa? Fabricação Têxtil Preparação e fiação de fibras têxteis Tecelagem de têxteis Acabamento de têxteis Fabricação de outros têxteis Fabricação Vestuário Confeção de artigos de vestuário, exceto artigos de peles com pelos Fabricação de artigos de peles com pelo Fabricação de artigos de malha Q2. Qual a sua categoria profissional/função? Q3. Existe algum departamento dedicado exclusivamente à estratégia de internacionalização na sua empresa? Q4. Quantos anos de experiência tem a empresa em mercados internacionais? Q5. Quais os principais mercados de importação da empresa? Q6. Quais os fatores que pesaram para essas escolhas? Q7. Quais os serviços/produtos que a empresa importa? E qual a origem? Q8. Que aspetos são tidos em consideração para a seleção do sourcing em diferentes países? Q9. Que tipo de relação estabelece a empresa com os fornecedores? Q10. De que forma é feito o controlo de qualidade? Q11. Qual a dificuldade em contratar profissionais dispostos a passar temporadas fora de Portugal? Q12. Quais as dificuldades sentidas no(s) país(es) onde é realizado o sourcing dos produtos/serviços? Q13. Indique alguns fatores que considera determinantes para a decisão do global sourcing ? Q14. Quais os aspetos que, pela sua experiência, considera como desvantagens do global sourcing ?
58 Referências Bibliográficas
59 Aljazeera. https://www.aljazeera.com/news/2019/01/bangladesh-police-garment-workers-clash-wagehike-190113150811791.html, consultado 15 janeiro 2019 Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (2015), Brochura 50 Anos ATP: Breve História da Indústria Têxtil, da idade média à industrialização Appelbaum, R. (2004) “Assessing the impact of the phasing-out of the agreement on textiles and clothing on apparel exports on the least developed and developing countries”, Santa Barbara: University of California Daszkiewicz. N & Wach, K. (2012). Internationalization of SMEs. Context, Models and Implementation, Gdańsk University of Technology Publishers Dorn, D., & Hanson, G. (2013). Untangling Trade and Technology: Evidence from Local Labor Markets. Germany: Discussion Paper No. 7329. Akter, A. & Mahfuz, M., (2018). An overview of Turkish textiles and clothing industry, https://www.textiletoday.com.bd/overview-turkish-textiles-clothing-industry/, consultado a 22 de Abril 2019 BBC, (2015). India ‘to overtake China’s population by 2022’— UN. http://www.bbc.com/news/worldasia-33720723, consultado 15 janeiro 2019 BDG, V. (2016). Vietnam’s thriving manufacturing sector, strategic advantages and free trade. http://bdgvietnam.com/de/about/news/details/items/vietnams-thriving-manufacturing-sector-strategicadvantages/, consultado 15 janeiro 2019 Bernard, A. B., Jensen, J. B., & Schott, P. K. (2006). Trade costs, firms and productivity. Journal of Monetary Economics, 917–937 Birou L.M. e Fawcett S.E., (1993). International Purchasing: Benefits, Requirements and Challenges. International Journal of Purchasing and Materials Management, Sprin Bozarth, C., Handfield, R. e Das, A. (1998). “Stages of global sourcing strategy evolution: an exploratory study”, Journal of Operations Management Camilo, D. (2019). Sábado, https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/milhares-de-trabalhadores-fazemgreve-no-bangladesh-por-salarios-mais-altos, consultado 15 janeiro 2019 Cavusgil, S. T., Yaprak, A. e Yeoh, P. (1993). "A decision-making framework for global sourcing", International Business Review Cenit (2009). “Análise da Indústria Têxtil e Vestuário no Norte de Portugal e Galiza: Consolidação da Complementaridade do “Cluster Transfronteiriço na Euro região”, EuroClusTex Cenit (2016). Têxtil e Vestuário no Contexto Nacional e Internacional, Publicação Anual 2016 Coutinho, C. (2014). Metodologia de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, Leya Cho, J., & Kang, J. (2001). Benefits and challenges of global sourcing: Perceptions of U.S. apparel retail firms. International Marketing Review, 18(5), 542–561. Dickerson, K. G. (1999). Textiles and apparel in the global economy (3rd ed.). Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.
60 Soares, T., (2019). Made in China, https://expresso.pt/sociedade/2019-04-27-Made-inChina#gs.8f4ag6, consultado a 25 de abril de 2019 Freeman, R. (1995). Are Your Wages Set in Beijing? The Journal Of Economic Perspectives, 9 (3), 15-32 Ha-Brookshire, J., (2015) Global sourcing in the Textile and Apparel Industry, Ph.D., Pearson Education, Inc., Harris, D. (2015). China vs. Vietnam for product sourcing. http://www.chinalawblog.com/2015/03/china-vs-vietnam-for-product-sourcing.html., consultado 15 janeiro 2019 Hefler, D.F. (1981), "Global sourcing: offshore investment strategy for the 1980s", The Journal of Business Strategy Hultman J., Hertz S., Johnsen R. e Johnsen T., (2009) Global Sourcing Development at IKEA – a Case Study. Paper prepared for the 25th IMP Conference India Brand Equity Foundation. (2017). Textile industry & market growth in India. https://www.ibef.org/industry/textiles.aspx., consultado 15 janeiro 2019 India Today. (2015). India becomes world’s largest producer of cotton. https://www.indiatoday.in/education-today/gk-current-affairs/story/largest-producer-of-cotton-2661642015-10-03. consultado 15 janeiro 2019 INE, 2018, http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5703, consultado a 15 dezembro 2018 INE, 2018, http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/8281, consultado a 15 dezembro 2018 INE, 2018, http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/8283, Regulamento (UE) n.º 549/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de maio de 2013, L 174/315, consultado a 15 dezembro 2018 Infopedia, https://www.infopedia.pt/$resultado-liquido, consultado a 22 dezembro 2018 Jennings, R. (2017). China challenges Vietnam with a revival of its world factory status. https://www.forbes.com/sites/ralphjennings/2017/03/01/china-is-challenging-vietnam-with-a-revivalof-its-world-factory-status/. consultado 15 janeiro 2019 Khandelwal, A. (2010). The long and short (of) quality ladders. Review of Economic Studies, 1450-1476. Kotabe M., (1992) Global Sourcing Strategy: Brand, Manufacturing and Marketing Interfaces. New York: Quorum Books Lam, J. K. C., & Postle, R. (2006). Textile and apparel supply chain management in Hong Kong. International Journal of Clothing Science and Technology, 18(4), 265–277. Latorre, A.; Del Rincon D. e Arnal, J. 1996. Bases metodológicas de la investigación educativa. Barcelona, Hurtado Ediciones, p. 36 Ladi S., (2005). Globalisation, Policy Transfer and Policy Research Institutes, Edward Elgar Publishing, Cheltenham – Northampton, p. 16 – p.17 Le, T., & Wang, C. (2017). The integrated approach for sustainable performance evaluation in value chain of Vietnam textile and apparel industry. Sustainability, 9(3), 477. consultado 15 janeiro 2019 Leenders, M. R., Johnson, P. F., Flynn, A. E. & Fearon, H. E. (2006). Purchasing and Supply chain Management: With 50 Supply chain Cases, New York, McGraw-Hill
61 Lomas, M. L. (2017). Which Asian country will replace China as the world’s factory”? http://thediplomat.com/2017/02/which-asian-country-will-replace-china-as-the-worlds-factory/. consultado 15 janeiro 2019 Lu, S. (2016). WTO reports world textile and apparel trade in 2015. https://shenglufashion.wordpress.com/2016/07/27/wto-reports-world-textile-and-apparel-trade-in2015/, consultado 15 janeiro 2019, Lu, S., & Dickerson, K. (2012). The relationship between import penetration and operation of the US textile and apparel industries from 2002 to 2008. Clothing and Textiles Research Journal, 30(2), 119– 133. Melo, M., Duarte, T. (2001). Têxtil e vestuário - Deslocalização ou relocalização? GEPE - Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica do Ministério da Economia Macroeconomia: Noções Básicas | Fevereiro de 2012, https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/1186/1/MacroIntroCap.pdf, consultado a 24 de novembro de 2018 Monczka, R.M. & Trent, R.J. (1991). “Global sourcing: a development approach”, International Journal of Purchasing and Materials Management Monczka, R.M. & Trent, R.J. (1992), “Worldwide sourcing: assessment and execution”, International Journal of Purchasing and Materials Management Moxon R.W., (1982). Offshore sourcing, subcontracting and manufacturing. Handbook of International Business, (Eds.), I. Walters & Murray T., John Wiley, New York Murray J., Kotabe M., Wildt A., (1995). Strategic and Financial Performance Implications of Global Sourcing. Journal of International Business Studies, 26(1): 181202 Niggl, J. (2015). 5 alternatives to sourcing from China. Global Source.May 21, 2015. Available at: www.globalsources.com/NEWS/SIC-5-alternatives-to-sourcing-from-china.HTM. consultado 15 janeiro 2019 Nguyen, T. D. (2014). Why foreign investment in Vietnam is booming. Available at https://www.weforum.org/agenda/2014/05/foreign-investment-booming-vietnam/, consultado 15 janeiro 2019 Park, H., & Stoel, L. (2005). A model of socially responsible buying/sourcing decision-making processes. International Journal of Retail & Distribution Management, 33(4), 235–248. Pandit, K., Marmanis, H. (2008). Spend Analysis: The Window Into Strategic Sourcing, J. Ross Publishing Operations Management Professional Series, J. Ross Publishing Pakistan Economist. http://www.pakistaneconomist.com/2018/10/22/pakistans-textile-industrychallenges-and-opportunities/, consultado a 24 abril de 2019 Pereira, L., & Filho, T. (2005). “O Acesso da China à OMC: Implicação para os interesses brasileiros”, Brasília: Estudos Confederação Nacional da Indústria, No. 5 PORDATA, https://www.pordata.pt/DB/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela, consultado a 24 dezembro 2018
62 Quintens L., Pauwels P. & Matthyssens, P., (2006). “Global purchasing: state of the art and research directions”, Journal of Purchasing and Supply Management Rabaça, J. (2010). Dissertação de Mestrado “Global Sourcing – Pequenas e Médias empresas portuguesas globais”, Universidade de Aveiro Ritzer G. (2007). Introduction to Part 1 [in:] The Blackwell Companion to Globalization, ed. G. Ritzer, Blackwell Publishing, Oxford – Carlton, p. 17; Seshadri, S. (2005). Sourcing strategy: Principles, policy, and designs. New York, NY: Springer. Sollish & Semanik., (2011). Strategic Global sourcing Best Practices Wiley Best Practices, John Wiley & Sons Sollish., (2011). An Overview of Global Strategic Sourcing, Volume 205. Wiley Global Finance Executive Select. John Wiley & Sons Spencer, B. (2005). International Outsourcing and Incomplete Contracts. Cambridge: Working Paper No. 11418. Steinle, C. & Schiele, H. (2008), “Limits to global sourcing? Strategic consequences of dependency on international suppliers: Cluster theory, resource-based view and case studies”, Journal of Purchasing & Supply Management Soares, E. (2012) “A Entrada da China na OMCAmeaça ou Oportunidade: O caso da Indústria Têxtil e de Vestuário no Norte de Portugal” Tese de Mestrado, Universidade do Minho Lezama, M., Webber, B., Dagher, C. (2004). Sourcing Practices in the Apparel Industry: Implications for Garment Exporters in Commonwealth Developing Countries. Commonwealth Secretariat. Special Advisory Services Division, Editora Commonwealth Secretariat Safi, M. (2016). Bangladesh garment factories sack hundreds after pay protests. The Guardian. https://www.theguardian.com/world/2016/dec/27/bangladesh-garment-factories-sack-hundreds-afterpay-protests. consultado 15 janeiro 2019 Shelton, R., & Wachter, K. (2005). Effects of global sourcing on textiles and apparel. Journal of Fashion Marketing and Management, 9(3), 318–329. Shen, B., (2018). Fashion Supply Chain Management in Asia: Concepts, Models, and Cases. Springer Series in Fashion Business Series. SIDS, https://web.ccdr-alg.pt/sids/indweb/ficha.asp?t=&idl=157, consultado a 24 de novembro 2018 Sobh, R., & Perry, C. (2006). Research design and data analysis in realism research. European Journal of Marketing, 40(11/12), 1194–1209. Spencer, B. (2005). International Outsourcing and Incomplete Contracts. Cambridge: Working Paper No. 11418. Taplin, I. M. (2014). Who is to blame? A re-examination of fast fashion after the 2013 factory disaster in Bangladesh. Critical perspectives on international business, 10(1/2), 72–83 Kuhn, T.S. (1962). The Structure of Scientific Revolutions, University of Chicago Press, 1962 Tan, J. (2005). The Liberalization of Trade in Textiles and Clothing: China’s impact on the ASEAN economies. PhD thesis. Stanford: University of Stanford, USA
63 TextileOutlook International. (2017). Business and market analysis for the global textile and apparel industries. Textiles Intelligence, 189 Trent R.J., Monczka R.M., (2003) Understanding integrated global sourcing. International Journal of Physical Distribution & Logistics Management Vasconcelos, E. (2006) “Análise da Indústria Têxtil e de Vestuário”, Estudo EditValue, No.2 Wood, A. (1998). Globalisation and the Rise in Labour Market Inequalities. The Economic Journal, 14631482 Wood, D.F., Barone, A.P., Murphy, P.R. & Wardlow, D.L. (2002), International Logistics, Amacon, USA, 2nd edition World Bank Group. news/press-release. https://www.worldbank.org/pt/news/pressrelease/2018/01/09/global-economy-to-edge-up-to-3-1-percent-in-2018-but-future-potential-growth-aconcern, consultado a 22/11/2018 World Trade Organization, https://www.wto.org/english/res_e/statis_e/statis_bis_e.htm?solution=WTO&path=/Dashboards/MA PS&file=Map.wcdf&bookmarkState={%22impl%22:%22client%22,%22params%22:{%22langParam%22:% 22en%22}}, consultado a 22 dezembro 2018 Young, R. (2016). New era for Chinese fashion manufacturers. https://www.businessoffashion.com/community/voices/discussions/can-china-still-compete-as-theworlds-fashion-factory/new-era-for-chinese-fashion-production-manufacturers, consultado 15 janeiro 2019 Zweig, D. (2002). Internationalizing China: Domestic Interests and Global Linkages, Cornell University Press, New York, p. 3.