Full text
Bruno Aires Silva Lopes da Silva Residência Morabeza: Arquitetura Bioclimática em Palmarejo Grande, Cabo Verde março de 2025 UMinho | 2025 Bruno Aires Silva Lopes da Silva Residência Morabeza: Arquitetura Bioclimática em Palmarejo Grande, Cabo Verde Universidade do Minho Escola de Arquitetura, Arte e Design
Bruno Aires Silva Lopes da Silva Residência Morabeza: Arquitetura Bioclimática em Palmarejo Grande, Cabo Verde Trabalho de Projeto Ciclo de Estudos Integrados Conducentes ao Grau de Mestre em Arquitetura Área de Construção e Tecnologia Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Bruno Acácio Ferreira Figueiredo março de 2025 Universidade do Minho Escola de Arquitetura, Arte e Design
II DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Atribuição-CompartilhaIgual CC BY-SA https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho
III Agradecimentos Aos meus pais e ao meu irmão, que sempre me apoiaram de forma incondicional ao longo desta jornada, oferecendo afeto, motivação e força nos momentos mais desafiadores. Aos meus avós, que sempre confiaram em mim e, com a sua sabedoria e carinho, sempre foram fonte de inspiração e um porto seguro. À Bruna, minha fortaleza ao longo desta jornada, que esteve sempre ao meu lado, apoiando-me em todos os âmbitos da minha vida. Obrigado pelo teu amor, paciência e força, sem os quais este percurso não seria possível. Ao meu padrinho e à sua família, por estarem presentes em momentos importantes e por toda a orientação e suporte ao longo da minha vida acadêmica. À minha madrinha e à sua família, por acreditarem em mim e por celebrarem todas as minhas conquistas, sempre com carinho e entusiasmo. À família Santos e Salomão, que me acolheram como parte da sua família e que estiveram sempre presentes com palavras de conforto e motivação. Aos meus amigos e colegas, que tornaram esta caminhada mais leve e enriquecedora, com a sua amizade, companheirismo e apoio, especialmente nos momentos mais desafiantes. Ao meu orientador, professor Bruno Figueiredo, que, com a sua experiência orientou-me ao longo deste percurso, oferecendo conselhos preciosos e desafiando-me a superar os meus próprios limites. A todos vós, que, de forma direta ou indireta, contribuíram para que este trabalho se tornasse uma realidade, o meu mais sincero agradecimento.
IV DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
V Resumo Palavras-chave: Residência Universitária; Arquitetura Bioclimática; Palmarejo Grande; Materias locais; Sustentabilidade A presente dissertação propõe o desenvolvimento de uma residência universitária sustentável em Palmarejo Grande, Cidade da Praia, Cabo Verde, num contexto de expansão urbana e de necessidade de soluções habitacionais acessíveis para estudantes. O projeto baseia-se em princípios de arquitetura bioclimática, sustentabilidade e integração urbana, explorando soluções que atendam às especificidades climáticas e culturais do arquipélago. Inicialmente, é feito um enquadramento do local de estudo, destacando a evolução urbana de Palmarejo Grande, a influência do clima árido e semiárido, e as potencialidades de materiais locais, como o basalto e a pozolana, para o design sustentável. São também analisadas referências de residências universitárias em Lisboa e em Cabo Verde, que fornecem bases conceptuais e práticas para a proposta. As estratégias de projeto incluem soluções bioclimáticas, como sombreamento, ventilação cruzada e uso de sistemas passivos para reduzir o consumo energético, bem como a aplicação de materiais locais que melhoram o conforto térmico e diminuem o impacto ambiental. O programa funcional contempla uma diversidade de espaços, como quartos individuais e partilhados, áreas de estudo, salas de convívio, espaços verdes e serviços comerciais. A integração urbana é assegurada pela localização estratégica próxima a universidades e à rede de transporte público, promovendo conectividade e acessibilidade.
VI
VII Abstract Keywords: University Residence; Bioclimatic Achitecture; Palmarejo Grande; Local Materials; Sustainability This dissertation proposes the development of a sustainable student residence in Palmarejo Grande, Cidade da Praia, Cabo Verde, within the context of urban expansion and the need for affordable housing solutions for students. The project is based on principles of bioclimatic architecture, sustainability, and urban integration, exploring solutions that address the climatic and cultural specificities of the archipelago. Initially, a contextual framework of the study area is provided, highlighting the urban evolution of Palmarejo Grande, the influence of the arid and semi-arid climate, and the potential of local materials such as basalt and pozzolana for sustainable design. References to student residences in Lisbon and Cabo Verde are also analyzed, providing conceptual and practical foundations for the proposal. The design strategies include bioclimatic solutions such as shading, cross ventilation, and the use of passive systems to reduce energy consumption, as well as the application of local materials that improve thermal comfort and reduce environmental impact. The functional program includes a variety of spaces, such as individual and shared rooms, study areas, social lounges, green spaces, and commercial services. Urban integration is ensured by the strategic location near universities and the public transport network, promoting connectivity and accessibility.
XIV
1 Introdução O presente trabalho visa abordar o desenvolvimento de um projeto arquitetônico para a criação de uma residência estudantil na área de Palmarejo Grande, localizada na cidade da Praia, Cabo Verde. Este projeto insere-se no contexto mais amplo de expansão urbana e modernização da capital cabo-verdiana, em uma região que, ao longo das últimas décadas, tem se consolidado como um novo polo de crescimento habitacional e educacional. Essa transformação é impulsionada pela presença de instituições de ensino superior, que atraem um número crescente de estudantes provenientes de diferentes regiões do arquipélago e, em alguns casos, do exterior, gerando uma demanda crescente por soluções habitacionais adequadas e acessíveis. Palmarejo Grande apresenta características estratégicas para o desenvolvimento de projetos voltados para a habitação estudantil. Sua localização privilegiada em relação às principais vias de acesso, sua proximidade a polos educacionais e a crescente disponibilidade de serviços urbanos fazem desta área um ponto de convergência para estudantes e profissionais em busca de melhor qualidade de vida e conectividade com os centros de ensino e pesquisa. Paralelamente, o bairro é testemunha de mudanças significativas no tecido urbano, com a construção de novas infraestruturas e empreendimentos que refletem o dinamismo socioeconômico da cidade da Praia. O projeto da residência estudantil foi concebido com especial atenção às particularidades do contexto cabo-verdiano, um país marcado por um clima árido e semiárido, pela escassez de recursos hídricos e por desafios relacionados à gestão sustentável de recursos naturais. As condições climáticas locais, como altas temperaturas e ventos constantes, influenciam diretamente a forma como os edifícios devem ser projetados, demandando soluções arquitetônicas que favoreçam o conforto térmico e a eficiência energética.
2 Além do aspecto ambiental, o projeto reflete as especificidades socioculturais da região, valorizando práticas e materiais locais que promovem uma integração harmoniosa com o ambiente e a identidade cabo-verdiana. A incorporação de elementos bioclimáticos e sustentáveis busca responder de maneira eficiente e inovadora aos desafios do contexto, utilizando recursos como ventilação cruzada, sombreamento adequado, captação de águas pluviais e aproveitamento da luz natural, entre outras estratégias que alinham tradição e modernidade. Inserido em um cenário de expansão urbana, o projeto busca acompanhar o desenvolvimento crescente de Palmarejo Grande, respeitando a sua evolução como um espaço habitacional e educacional diversificado. A proposta pretende também refletir as transformações urbanas do bairro, contribuindo para a sua consolidação como uma referência no crescimento equilibrado e sustentável da capital cabo-verdiana. Objetivos O principal objetivo desta dissertação é desenvolver um projeto arquitetónico para a criação de uma residência universitária em Palmarejo Grande, na cidade da Praia, em Cabo Verde, que responda às necessidades habitacionais da comunidade académica e contribua para a qualificação do espaço urbano, integrando soluções arquitetónicas sustentáveis e inovadoras. Esta proposta procura atender não apenas à crescente procura por alojamento para estudantes universitários na região, mas também promover um modelo de habitação que alie funcionalidade, conforto térmico e eficiência energética, respeitando as especificidades climáticas, culturais e socioeconómicas do arquipélago. Pretende-se que o projeto ofereça um ambiente que transcenda a função de abrigo, proporcionando espaços propícios à convivência, ao estudo e ao desenvolvimento académico e social dos estudantes. A residência deverá fomentar uma verdadeira comunidade académica, promovendo a interação entre os residentes por meio de áreas de uso comum, como salas de es-
3 tudo, espaços de lazer e zonas verdes, contribuindo para o fortalecimento do espírito de cooperação e de bem-estar. Além disso, serão priorizadas soluções construtivas sustentáveis, com a utilização de materiais locais e técnicas adaptadas ao contexto árido e semiárido, de forma a valorizar os recursos endógenos e a minimizar o impacto ambiental da construção. Especificamente, este projeto procura atingir os seguintes objetivos: 1. Analisar o contexto geográfico, climático e urbano de Palmarejo Grande, de modo a compreender as condicionantes e potencialidades da área de intervenção, tais como as características topográficas, a orientação solar, a intensidade e direção dos ventos predominantes, e a acessibilidade do local. 2. Explorar soluções arquitetónicas que promovam o conforto térmico e a sustentabilidade, utilizando estratégias bioclimáticas e sistemas passivos de ventilação e sombreamento que reduzam a necessidade de climatização artificial e melhorem a eficiência energética do edifício. 3. Incorporar materiais de construção locais e técnicas sustentáveis, valorizando os recursos disponíveis na região, como a pedra vulcânica e o basalto, e analisando as vantagens de materiais compostos, como blocos de cimento pozolânico, em termos de desempenho térmico e resistência. 4. Desenvolver um programa funcional diversificado, que contemple quartos individuais e partilhados, áreas de estudo, salas de convívio, cozinhas partilhadas, ginásios e espaços de lazer ao ar livre, de forma a oferecer uma experiência de habitação confortável e dinâmica. 5. Promover a integração urbana da residência estudantil, assegurando uma conexão eficiente com os principais polos académicos e áreas de interesse na cidade, através de vias de transporte público e acessos pedonais. Com esta abordagem, a proposta visa não apenas resolver o problema da carência habitacional para estudantes em Cabo Verde, mas também contribuir para o desenvolvimento de um modelo de urbanização sustentável, que possa servir de referência para futuros projetos de habitação em regiões com condições climáticas adversas. Além disso, ao adotar uma abordagem centrada no utilizador e integrada ao contexto local, espera-
4 -se que este projeto contribua para a valorização do bairro de Palmarejo Grande, reforçando o seu papel como um importante núcleo de expansão urbana e de inovação social na cidade da Praia. Metodologia A metodologia adotada nesta tese foi estruturada com o objetivo de assegurar uma abordagem clara e consistente para o desenvolvimento do projeto. O primeiro passo consistiu numa revisão bibliográfica e documental, com o propósito de compreender o contexto histórico, arquitetónico e urbano de Palmarejo Grande. Para tal, foram consultadas dissertações, artigos científicos e documentos oficiais relacionados com arquitetura bioclimática e urbanização em Cabo Verde. Contudo, para reforçar a fundamentação teórica, recomenda-se a inclusão de publicações internacionais sobre design passivo em regiões áridas, de forma a enriquecer a análise com diferentes perspetivas e realidades. Paralelamente, foi realizado um estudo de casos referenciais com o intuito de observar estratégias arquitetónicas sustentáveis aplicadas em projetos de residências estudantis. Este estudo comparou projetos nacionais e internacionais, com destaque para exemplos de Lisboa e Cabo Verde. Para garantir a pertinência dos casos estudados, é essencial explicar os critérios de escolha, como a dimensão, a localização e as soluções construtivas adotadas. A análise do contexto climático e urbano foi outro ponto central da metodologia. Foram avaliadas as condições climáticas e geográficas da área de intervenção, incluindo temperaturas médias, direção e intensidade dos ventos predominantes, e radiação solar. Estes dados apoiaram as decisões de projeto, permitindo a definição de estratégias sustentáveis adequadas às condições locais. A fase de projeto centrou-se no desenvolvimento de uma proposta que respondesse às necessidades dos utilizadores, respeitando os princípios da
5 sustentabilidade. Foram definidos critérios como a organização das zonas de uso, a seleção de materiais sustentáveis (preferencialmente locais) e a incorporação de estratégias de ventilação cruzada. Com esta abordagem metodológica, pretende-se não só garantir a qualidade técnica da proposta, mas também promover a integração de princípios sustentáveis e bioclimáticos numa solução arquitetónica adequada ao contexto específico de Palmarejo Grande. Estrutura do trabalho Este trabalho encontra-se organizado em quatro capítulos principais, estruturados de forma a garantir um desenvolvimento lógico e coerente da investigação, desde a análise contextual até à conceção da proposta arquitetónica. O primeiro capítulo, “Enquadramento do Local de Estudo”, apresenta uma análise detalhada do contexto urbano e arquitetónico da cidade da Praia, com especial atenção ao bairro de Palmarejo Grande, onde será implantado o projeto. São abordados a evolução histórica da cidade, destacando os principais momentos que moldaram o desenvolvimento urbano e a morfologia atual da cidade; as características arquitetónicas predominantes, incluindo a arquitetura vernacular e a sua integração nas condições climáticas locais, as influências da arquitetura colonial no planeamento urbano e nas tipologias habitacionais, e as tendências contemporâneas que refletem a expansão urbana e o impacto das novas construções em bairros como Palmarejo Grande. No segundo capítulo, “Estratégias de Projeto Sustentável”, são explorados os fundamentos da sustentabilidade na arquitetura, aplicados ao contexto de Cabo Verde. Este capítulo inclui os princípios da arquitetura bioclimática, considerando estratégias passivas, como ventilação cruzada, sombreamento natural e isolamento térmico, e a adaptação do projeto às condições climáticas locais, como altas temperaturas e ventos predominantes. Também aborda os materiais de construção locais, avaliando a sua disponibilidade, custo, propriedades térmicas e impacto ambiental, explorando alternativas sustentáveis
6 que promovam eficiência energética. Além disso, são analisados sistemas de energia renovável, como energia solar térmica, fotovoltaica e energia eólica. O terceiro capítulo, “Referências de Residências Universitárias”, apresenta uma análise de exemplos de residências universitárias que serviram como referência para o desenvolvimento do projeto. Entre elas, destacam-se a Residência para a Cidade Universitária em Lisboa, com foco na sua organização espacial e soluções para conforto térmico; a Residência do Polo da Ajuda, que integra estratégias de sustentabilidade e funcionalidade no layout; e a Residência da Universidade de Cabo Verde (UNICV), que reflete os desafios específicos de um contexto semelhante ao do projeto, como limitações de recursos e adaptação ao clima tropical. A análise destas referências permite compreender diferentes abordagens arquitetónicas e funcionais, servindo como base comparativa para as decisões projetuais da residência em Palmarejo Grande. O quarto capítulo, “O Projeto”, constitui o núcleo do trabalho, detalhando a proposta arquitetónica para a residência universitária. Este capítulo inclui o levantamento do local, com análise do terreno e do contexto urbano envolvente, identificando limitações e oportunidades para a conceção do edifício; a fundamentação conceptual e programática, explicando a génese da ideia, os objetivos do projeto (como sustentabilidade, eficiência energética e conforto dos utilizadores) e a definição do programa funcional, com descrição detalhada dos espaços propostos (quartos, áreas comuns, espaços de estudo e lazer, entre outros). São também apresentadas as estratégias bioclimáticas integradas, como a orientação do edifício para maximizar a ventilação natural e o sombreamento, o uso de materiais com baixa pegada ecológica e alta eficiência térmica. Por fim, descrevem-se os materiais e as técnicas construtivas, explicando como a escolha dos recursos foi orientada pela sustentabilidade e pela adaptação às condições locais.
7
8
9 1. Enquadramento do local de estudo
16 1.2.2 Arquitetura Colonial A arquitetura colonial em Cabo Verde deriva essencialmente das tendências urbanísticas das cidades portuguesas, com dois tipos principais de traçados: um mais irregular, típico de regiões mediterrânicas e adaptado à topografia, e outro mais regular e rígido. O traçado irregular é observado nas primeiras cidades do arquipélago, como Ribeira Grande (Santiago) e São Filipe (Fogo), enquanto o traçado regular surge em cidades posteriores. Aspetos construtivos Durante o período colonial, as construções, tanto públicas como privadas, utilizavam argamassa de cal e areia para unir pedras e tijolos importados. As coberturas geralmente consistiam em telhas cerâmicas ou estruturas de madeira, também importadas. As residências mais abastadas frequentemente apresentavam-se como sobrados ou casas térreas com jardins (ver Figura 8). Situação atual Muitos edifícios coloniais encontram-se em estado avançado de degradação (ver Figura 9), justificando a sua reabilitação para novos usos e garantindo a preservação das suas funções básicas, como segurança estrutural, conforto ambiental e estética.
17 Figura 8 - Edifício colonial. Fonte: Imagem de autoria própria Figura 9 - Degradação de um edifício colonial. Fonte: Imagem de autoria própria
18 1.2.3 Tendências contemporâneas Atualmente, observa-se uma transformação nos arredores das grandes cidades, com a ascensão de residências modernas e edifícios multifuncionais para habitação, comércio e escritórios. Essas novas construções utilizam materiais de alta qualidade, como o betão armado para elementos estruturais e blocos de cimento para paredes. Moradias unifamiliares Nas áreas urbanas informais e rurais, as construções geralmente seguem padrões empíricos, com casas de um andar e telhados planos, muitas vezes usados para armazenar materiais. As paredes são feitas de blocos de cimento assentados sobre alicerces de pedra, fixados com argamassa de cimento e areia, embora o revestimento seja frequentemente omitido por razões financeiras (ver Figura 10). Habitação multifamiliar Nos centros urbanos, os prédios costumam destinar o piso térreo ao comércio e escritórios, com os demais pavimentos reservados para habitação (ver Figuras 11 e 12). As estruturas são robustas, compostas por pilares, vigas e lajes de betão armado. O surgimento de edifícios exclusivos para escritórios também é notável, com destaque para a utilização de lajes aligeiradas. Em Cabo Verde, ainda não há uma cultura consolidada de economia de recursos na construção civil, o que resulta em desperdícios consideráveis de materiais e investimentos imprudentes, muitas vezes na demolição de edificações antigas. A falta de regulamentação, fiscalização e controlo de qualidade no setor da construção, aliada à grande quantidade de construções clandestinas, também contribui para esse cenário. Isso contrasta com práticas construtivas mais antigas, que priorizavam o conforto térmico e a sustentabilidade.
19 Figuras 11 e 12 - Habitação Multifamiliar. Fonte: Imagem de autoria própria Figura 10 - Moradias unifamiliares. Fonte: https://www.flickr.com/photos/ruiisanches/15598300184/in/photostream/
20
21 2. Estratégias de Projeto Sustentável
22 Na análise do capítulo, foi relevante o livro Arquitectura Sustentável em Cabo Verde, (GUEDES, 2011). No contexto climático de Cabo Verde, é possível equilibrar edifícios e clima através de estratégias de projeto bioclimáticas ou de design passivo. A urgência na construção e renovação urbana no país exige uma abordagem diferente da europeia, devido à escassez de recursos e energia, à necessidade de habitação social e infraestruturas, e às dificuldades na aplicação de regulamentos urbanísticos. Há uma carência de informações sobre construção sustentável adaptada às condições climáticas e socioeconómicas de países africanos. A conservação de energia por meio de projetos de construção passiva é uma alternativa comprovada à geração de energia renovável. Essas estratégias visam criar ambientes internos confortáveis e reduzir o consumo de energia, ajustando o edifício ao ambiente externo e evitando sistemas mecânicos que dependem de combustíveis fósseis. Quanto ao contexto climático, Cabo Verde apresenta um clima tropical seco, influenciado por massas de ar seco do Saara e longos períodos de seca. Há duas estações principais: a seca e a das chuvas, esta última influenciada pela frente intertropical. A distribuição de chuvas é irregular, e o sol predomina ao longo do ano, resultando em amplitudes térmicas significativas, especialmente em áreas montanhosas. A escolha do local, forma e orientação do edifício deve maximizar a exposição aos ventos predominantes e minimizar a radiação solar. Nas regiões montanhosas, as habitações devem ser localizadas em áreas que favoreçam a circulação do ar, sombreamento e proteção contra as chuvas (Figuras 13, 14, 15 e 16). A orientação ideal é ao longo do eixo nascente-poente, com uma inclinação de 20º (Figura 17), com alpendres para sombrear fachadas e minimizar o sobreaquecimento. Em áreas com intensa radiação solar, quartos orientados a nascente são mais frescos, enquanto cozinhas e fachadas a poente devem ser protegidas contra a radiação excessiva. Para otimizar o conforto térmico, espaços de permanência devem ser orientados a norte. 2.1 Arquitetura bioclimática em Cabo Verde
23 Figura 17 - Orientação Solar Ideal. Fonte: Desenho Mariana Pereira Figuras 13, 14, 15 e 16 - Sombreamento pelas montanhas, proteção dos ventos, proteção da chuva e localização das casas a evitar o vento vindo de fábricas. Fonte: Desenhos Leão Lopes
24 O sombreamento é uma estratégia eficaz para reduzir a radiação solar nos edifícios, protegendo áreas envidraçadas e envolventes opacas. As janelas, com baixa resistência ao calor, são grandes fontes de ganho de calor. Em climas quentes, um sombreamento adequado pode resfriar edifícios entre 4°C e 12°C. Para proteger superfícies opacas, pode-se usar vegetação, varandas ou dispositivos fixos e ajustáveis (ver Figuras 18 e 19). Janelas a nascente e poente precisam de atenção devido ao ângulo do sol, especialmente em edifícios com pouca inércia térmica. Em climas quentes, como o de Cabo Verde, é crucial evitar grandes áreas envidraçadas para prevenir o sobreaquecimento. A área envidraçada não deve exceder 30% nas fachadas voltadas para o norte e sul, e 20% nas fachadas a nascente e poente. O uso de vidros duplos ou de baixa emissividade pode ajudar a reduzir ganhos de calor. A ventilação natural ocorre através do fluxo de ar gerado pela pressão do vento e as diferenças de temperatura. A eficácia depende da localização das aberturas e da direção dos ventos predominantes. Janelas em níveis superiores favorecem a ventilação do calor, enquanto aberturas mais baixas promovem a circulação de ar em áreas ocupadas. Revestimentos exteriores de cores claras refletem parte da radiação solar, ajudando a reduzir a temperatura interna. A cal branca é um exemplo tradicional que contribui para a redução do calor nas superfícies externas (ver Figura 20).
25 Figuras 18 e 19 - Sombreamento com vegetação e de dispositivo fixo. Fonte: Imagens de autoria própria Figura 20 - Revestimento exterior em cor clara. Fonte: Imagem de autoria própria
32 2.2.2 Materiais Compostos A cal (ver Figura 33) foi amplamente utilizada na fabricação de argamassas de assentamento até à introdução do cimento no final do século XIX. Em Cabo Verde, especialmente na ilha da Boavista, a cal era produzida a partir da calcinação da pedra calcária, encontrada em algumas ilhas. Além disso, cacos de búzios deixados nas praias também podiam ser calcinados para produzir cal de boa qualidade. O cimento (ver Figura 34), como ligante hidráulico, endurece com a ação da água, similar ao gesso e à cal hidráulica. Em Cabo Verde, o cimento, frequentemente aditivado com pozolana para melhorar o seu desempenho, é amplamente utilizado na fabricação de blocos pré-fabricados e em construções com argamassas, betão armado e pré-esforçado. Os blocos de cimento são preferidos na construção de paredes por serem mais fáceis de manusear do que a pedra, apesar de terem menor inércia térmica. São também mais económicos e acessíveis, o que facilita o seu uso em construções. Figura 33 - Cal. Fonte: https://www.horcalsa.com/ blog/diferencia-entre-la-cal-viva-y-cal-apagada/ Figura 34 - Cimento. Fonte: https://www.blok.com. br/blog/tipos-de-cimento-portland-cp
33 As energias renováveis, provenientes de fontes naturais como o sol, vento, chuva, marés, calor e biomassa, são recursos continuamente reabastecidos e considerados limpos, pois não geram poluição na sua conversão. O crescente interesse nessas energias, impulsionado por suas vantagens ambientais e pela microgeração, tem promovido a sua adoção na conceção de edifícios energeticamente eficientes. Estudos efetuados, como (Mendes, Cardoso e Évora, 2005) indicam que Cabo Verde possui condições favoráveis para a utilização de energias renováveis, especialmente a eólica e a solar. Além de contribuir para o crescimento económico ao aumentar a capacidade energética, essas fontes são vistas como alternativas viáveis para fornecer eletricidade a áreas rurais atualmente não atendidas. O arquipélago cabo-verdiano desfruta de ventos de qualidade, com velocidades médias de 8,04 m/s e picos de até 10,4 m/s em Mindelo. Esses ventos, que sopram predominantemente da direção nordeste durante todo o ano, aumentam a eficiência dos aerogeradores. Em relação à energia solar, Cabo Verde conta com mais de 2950 horas de sol por ano, o que é considerado mais do que suficiente para exploração, segundo especialistas. (Mendes, Cardoso e Évora, 2005). 2.3 Sistemas de Energia Renovável
34 2.3.1 Energia Eólica Tradicionalmente, em algumas ilhas de Cabo Verde, a energia do vento tem sido utilizada para bombear água de poços e gerar eletricidade. A eletricidade produzida pelos geradores (ver Figura 35) pode ser integrada numa rede de distribuição e armazenada para uso futuro durante períodos de baixa ventilação. Assim, a energia eólica representa uma vantagem significativa em ilhas onde os combustíveis fósseis são escassos ou indisponíveis. 2.3.2 Energia Solar Térmica Os sistemas de energia solar térmica captam a radiação solar para aquecer água, utilizando o princípio do efeito estufa. Neste processo, a radiação solar incide sobre a cobertura de vidro, geralmente localizada na parte superior de um coletor solar. A máxima eficiência na captação de energia solar ocorre quando o coletor (ver Figura 36) está direcionado para o Sul, com uma inclinação de aproximadamente 30º, e próximo ao tanque de água. 2.3.3 Energia Fotovoltáica Os painéis solares fotovoltaicos são dispositivos que convertem energia solar em energia elétrica. Normalmente instalados nas coberturas dos edifícios (ver Figura 37), em alguns países são integrados nas fachadas ou em telhas com células fotovoltaicas. No entanto, a falta de incentivos fiscais do governo tem sido um obstáculo para uma adoção mais ampla. Embora a energia solar fotovoltaica ainda seja considerada cara em termos de viabilidade económica, existe potencial para a redução de custos por meio de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, além de incentivos governamentais. O investimento inicial representa o principal custo, mas não há despesas adicionais com combustíveis, e a manutenção é relativamente económica.
35 Figura 35 - Turbinas eólicas. Fonte: https://cabeolica.com/projeto-de-expansao/ Figura 36 - Aquecedor solar. Fonte: https://electrosolar.pt/project/aquecimento-solar-termico-residencial-cabo-verde/ Figura 37 - Painel fotovoltáico. Fonte: Imagem de autoria própria
36 No período de colonização, a arquitetura predominante era de estilo vernacular, caracterizada pela utilização de materiais locais, como pedra, barro e palha, embora também fosse necessário importar certos materiais devido à escassez de madeira adequada na flora nativa. A disponibilidade de pedras vulcânicas foi amplamente aproveitada nos primeiros séculos após o descobrimento de Cabo Verde. No entanto, a técnica de construção em terra não se estabeleceu devido a problemas relacionados à qualidade da argila local. Embora a técnica de construção com blocos de granito e xisto, tradicional no Norte de Portugal, pudesse ser adaptada às rochas vulcânicas, a dureza do basalto dificultava o seu talhamento. Para a construção de edifícios monumentais, foi necessária a importação de materiais, como pedras de cantaria, telhas, cal e madeira de Portugal. A construção vernacular em Cabo Verde era caracterizada por casas de implantação retangular em alvenaria de pedra, geralmente de um só piso, com o lado maior voltado para a rua e, muitas vezes, sem divisões internas. A cobertura, feita de palha ou telha, tinha duas ou quatro águas. A fachada principal consistia numa porta central, acompanhada de uma ou duas janelas laterais (ver Figura 38). Com o tempo, o cimento tornou-se o principal material de construção no país. Os blocos de cimento, produzidos localmente, e o cascalho substituíram as técnicas tradicionais de alvenaria em pedra, tornando-se cada vez mais raros. A introdução do betão nas estruturas permitiu a construção de edifícios de múltiplos andares, consolidando o uso do betão armado para as estruturas e dos blocos de cimento para o preenchimento e execução dos paramentos (ver Figura 39). 2.4 Sistema Construtivo atual
37 Figura 39 - Construção em bloco de cimento. Fonte: Imagem de autoria própria Figura 38 - Construção em alvenaria de pedra. Fonte: Imagem de autoria própria
38
39 3. Referências de Residências Universitárias
40 Na análise do capítulo, foi consultada a tese de (Duarte, 2021). Projetado pelo arquiteto Gabriel Couto e com conclusão prevista para 2026, o conjunto de três edifícios delimita e conforma uma praça de 80 metros de comprimento e 60 metros de largura (ver Figura 40), implantando-se de forma a potenciar a relação com a envolvente e as dinâmicas da residência em si, com pisos térreos permeáveis, visualmente, que permitem um percurso coberto e atravessamentos para as ruas e edifícios adjacentes. A maximização da relação direta de todos os espaços com o exterior é conseguida através da existência de varandas em todos os quartos e da localização dos espaços de circulação. O conjunto da residência de estudantes tem, no total, 816 camas, distribuídas pelos 3 edifícios (300 camas no edifício 1, 177 no edifício 2 e 339 no edifício 3). São ainda contemplados espaços comerciais no piso térreo do conjunto, além de três pisos subterrâneos de estacionamento automóvel por baixo da área da praça. Figura 40 - Residência cidade universitária. Fonte: https://www.reddit.com/r/lisboa/ comments/19c3l6m/projecto_para_a_maior_resid%C3%AAncia_universit%C3%A1ria_ de/#lightbox 3.1 Residência para a Cidade Universitária em Lisboa
41 As áreas do edifício 1 estão divididas da seguinte forma: O piso-tipo do edifício 1 (Figura 41) organiza-se segundo uma tipologia de duplo corredor central de acesso aos quartos, separados por espaços servidores. Os quartos distribuem-se ao longo das fachadas sul e norte, enquanto os espaços comuns e as circulações verticais (núcleo de escadas e elevadores) ocupam toda a área central, intervalados por vazios que atravessam o edifício verticalmente. Deste modo, garante-se a iluminação natural e a ventilação natural em todos os espaços interiores do edifício. Figura 41 - Piso-tipo edifício 1. Fonte: Imagem de autoria própria Tabela 3 - Espaços comuns referência 1 Tabela 1 - Instalações sanitárias referência 1 Tabela 2 - Circulações referência 1 Tabela 4 - Quartos edifício 1 referência 1
48 O piso tipo (Figura 51) organiza-se seguindo uma tipologia de corredor central de distribuição para os quartos voltados para Nascente e Poente. Os espaços comuns (cozinha e sala de estudo) localizam-se junto aos núcleos de circulações verticais, distribuídas por nos extremos do edifício. As áreas do edifício estão divididas da seguinte forma: Figura 51 - Piso-tipo da residência UNICV. Fonte: imagem facultada pelo gestor de projeto Tabela 13 - Espaços comuns referência 3 Tabela 11 - Instalações sanitárias referência 3 Tabela 14 - Quartos referência 3 Tabela 12 - Circulações referência 3
49 Quarto-tipo O quarto da Residência Universitária da UNICV (Figura 52) é projetado para oferecer conforto e funcionalidade, com uma zona de arrumação do vestuário equipada com armários, uma instalação sanitária composta por duche, lavatório e sanita, e uma zona de descanso junto à janela, que proporciona um ambiente acolhedor e iluminado, ideal para relaxar, atendendo assim às necessidades diárias dos estudantes. Figura 52 - Quarto-tipo da residência UNICV. Fonte: Imagem de autoria própria
50 Síntese circulação Edifício 1 da residência para a Cidade Universitária em Lisboa Edifício 2 da residência para a Cidade Universitária em Lisboa Edifício 3 da residência para a Cidade Universitária em Lisboa Figura 53 - Duplo corredor central Figura 54 - Corredor em Galeria Figura 55 - Corredor central
51 Residência do polo da ajuda Residência UNICV em Cabo Verde Figura 56 - Corredor central Figura 57 - Corredor central
52
53 4. O Projeto
54 O clima em Palmarejo Grande caracteriza-se por ser quente e temperado, semelhante ao de outras regiões da ilha de Santiago. O período de pluviosidade ocorre predominantemente no verão, especialmente durante o mês de agosto. A insolação média é geralmente elevada, resultante da baixa nebulosidade e do prolongado período seco, sendo as horas da tarde as mais quentes do dia. Os ventos predominantes na região são os alísios de nordeste, que costumam apresentar uma intensidade moderada, alcançando uma velocidade média de 5 km/h. (Figura 58) Figura 58 - Marcação do movimento solar, sinalização dos ventos predominantes. Fonte: Imagem de autoria própria 4.1 Análises do local de estudo 125.0 150.0 145.0 135.0 140.0 120.0 100.0 105.0 110.0 115.0 115.0 95.0 90.0 85.0 120.0 115.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 80.0 75.0 70.0 130.0 65.0 60.0 55.0 50.0 50.0 55.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 85.0 90.0 95.0 100.0 105.0 110.0 115.0 120.0 125.0 130.0 135.0 140.0 145.0 150.0 155.0 160.0 165.0 170.0 180.0 40.0 45.0 30.0 30.0 40.0 40.0 50.0 50.0 55.0 55.0 60.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 25.0 75.0 80.0 125.0 120.0 115.0 100.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 85.0 90.0 95.0 105.0 110.0 80.0 75.0 70.0 70.0 65.0 60.0 65.0 60.0 55.0 55.0 50.0 50.0 35.0 35.0 45.0 45.0 40.0 35.0 40.0 75.0 50.0
55 No mapa de acesso (Figura 59), o caminho a vermelho representa o trajeto efetuado pelo autocarro da linha 12, que conecta várias partes do bairro ao terreno proposto para a residência estudantil. O traçado começa no limite inferior do mapa, onde o autocarro entra na área e percorre as vias principais até ao local, oferecendo acesso a diversas áreas do bairro. Este percurso evidencia a acessibilidade do local através de transporte público, algo fundamental para o funcionamento da futura residência estudantil, já que proporciona uma ligação direta com outros bairros e áreas de interesse na cidade. A análise também revela a integração do terreno com o tecido urbano de Palmarejo Grande, permitindo que a residência seja acessível para estudantes de diferentes regiões e potencializando a conectividade com a malha viária existente. Figura 59 - Mapa de acesso. Fonte: Imagem de autoria própria 125.0 150.0 145.0 135.0 140.0 120.0 100.0 105.0 110.0 115.0 115.0 95.0 90.0 85.0 120.0 115.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 80.0 75.0 70.0 130.0 65.0 60.0 55.0 50.0 50.0 55.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 85.0 90.0 95.0 100.0 105.0 110.0 115.0 120.0 125.0 130.0 135.0 140.0 145.0 150.0 155.0 160.0 165.0 170.0 180.0 40.0 45.0 30.0 30.0 40.0 40.0 50.0 50.0 55.0 55.0 60.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 25.0 75.0 80.0 125.0 120.0 115.0 100.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 85.0 90.0 95.0 105.0 110.0 80.0 75.0 70.0 70.0 65.0 60.0 65.0 60.0 55.0 55.0 50.0 50.0 35.0 35.0 45.0 45.0 40.0 35.0 40.0 75.0 50.0
56 A topografia de Palmarejo Grande apresenta uma variação altimétrica significativa, com elevações que vão dos 30 aos 150 metros (Figura 60). O terreno é composto por áreas onduladas e planas, com declives suaves em algumas regiões e variações mais acentuadas noutras. Os pontos mais altos, em torno de 150 metros, estão concentrados principalmente na região do Monte Babosa, contrastando com as áreas de menor altitude, que variam entre os 30 e os 50 metros e se localizam principalmente em planícies e vales. A zona de implantação do projeto situa-se na cota de 85 metros, em uma das áreas mais planas da região, o que favorece a construção e facilita o acesso. Figura 60 - Topografia de Palmarejo Grande. Fonte: Imagem de autoria própria 125.0 150.0 145.0 135.0 140.0 120.0 100.0 105.0 110.0 115.0 115.0 95.0 90.0 85.0 120.0 115.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 80.0 75.0 70.0 130.0 65.0 60.0 55.0 50.0 50.0 55.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 85.0 90.0 95.0 100.0 105.0 110.0 115.0 120.0 125.0 130.0 135.0 140.0 145.0 150.0 155.0 160.0 165.0 170.0 180.0 40.0 45.0 30.0 30.0 40.0 40.0 50.0 50.0 55.0 55.0 60.0 60.0 65.0 70.0 75.0 80.0 25.0 75.0 80.0 125.0 120.0 115.0 100.0 110.0 105.0 100.0 95.0 90.0 85.0 85.0 90.0 95.0 105.0 110.0 80.0 75.0 70.0 70.0 65.0 60.0 65.0 60.0 55.0 55.0 50.0 50.0 35.0 35.0 45.0 45.0 40.0 35.0 40.0 75.0 50.0
57 Palmarejo Grande, uma área recente e ainda em desenvolvimento, é fortemente caracterizada pela presença de escolas e universidades, estando localizada a uma distância considerável do centro da cidade. Ainda que parcialmente habitada, a região é, por vezes, negligenciada devido à sua localização remota e à falta de infraestrutura adequada. A ausência de comércio e de espaços públicos contribui para um ambiente menos dinâmico e pouco atrativo. Por ser uma área com grande presença universitária, há espaço e necessidade para a construção de uma residência estudantil, considerando que aproximadamente 4.500 estudantes matriculados nas universidades locais não dispõem de habitação próxima. A falta de moradias estudantis obriga muitos desses alunos a residirem longe, dependendo de um transporte público limitado. Nesse sentido, uma residência universitária em Palmarejo Grande proporcionaria uma solução eficiente para a comunidade académica, oferecendo alojamento acessível e conveniente para os estudantes. A escolha do local para a implantação da residência considera os diversos lotes vagos da região, sendo a Zona 2 (destinada à habitação e equipamentos) do Plano Detalhado de Palmarejo Grande (Figura 61) o espaço mais indicado para a sua construção, conforme autorizado pelo Boletim Oficial. A proximidade das universidades garantiria uma locomoção facilitada, reduzindo a dependência de transporte público ou privado, enquanto a passagem do transporte público, como a linha Circular da Praia que atravessa Palmarejo Grande, permitiria uma conexão mais direta com o centro da cidade. 4.2 Gênese da Ideia
64 Dentro da organização do projeto, os diferentes pisos são estruturados por volumes em formato de “L” que se intercalam de forma a criar uma dinâmica espacial única e eficiente (Figura 69). Cada piso é composto por blocos que se cruzam e se sobrepõem, formando uma composição modular que favorece a fluidez da circulação e a integração entre os diferentes espaços. Esses volumes em “L” não só ajudam a definir áreas distintas dentro da residência, como também contribuem para a organização funcional do edifício. O formato do “L” permite uma distribuição eficiente dos espaços programáticos, como dormitórios, áreas de estudo e de convivência, criando uma relação entre áreas privadas e comuns de maneira fluida e adaptada às necessidades dos residentes. A disposição intercalada dos volumes ao longo dos pisos promove uma continuidade visual e espacial, gerando um efeito de variação nas alturas e proporcionando vistas diversificadas para o pátio central público e para as áreas exteriores. Esse arranjo permite que os moradores tenham a sensação de um ambiente aberto e arejado, ao mesmo tempo que garante a privacidade e a qualidade ambiental em cada unidade habitacional. A intercalagem dos volumes em formato de “L” ao longo dos diferentes pisos reforça a modularidade do edifício, permitindo uma organização flexível que pode ser ajustada conforme as necessidades do projeto. Além disso, essa solução volumétrica contribui para a ventilação natural e a iluminação dos espaços, favorecendo o conforto térmico e a integração com o ambiente exterior, elementos essenciais para um projeto sustentável e adaptado ao clima local.
65
66 O programa será composto por uma praça central ao ar livre no piso térreo, rodeada por estabelecimentos comerciais (Figura 70). Embora os tipos de comércio ainda não estejam definitivamente definidos, propõe-se a inclusão de opções como uma padaria, farmácia, ginásio, café, bar, minimercado, reprografia, lavandaria, espaço de co-working, entre outros. Estas sugestões visam proporcionar uma oferta diversificada de serviços, de forma a atender às necessidades da comunidade local e contribuir para a dinâmica social e económica da área. Além dos diversos estabelecimentos comerciais no piso térreo, o programa inclui também um anfiteatro, no qual está apoiado com uma sala de arrumos e um,a casa de banho, espaços de lazer, uma cantina e uma área de estudo acessível a todos. Estes espaços foram concebidos para promover a interação social e oferecer uma variedade de opções de utilização, desde o lazer até ao trabalho e estudo, criando assim um ambiente inclusivo e multifuncional que atende às necessidades da comunidade. Nos quatro pisos superiores, estão distribuídos 152 quartos, entre individuais e partilhados, com inclusõo de mais 8 quartos de mobilidade reduzida, dois em cada piso, oferecendo diversas opções de alojamento. Além disso, há vários espaços públicos localizados ao longo destes pisos, incluindo 18 salas de estudo, entres eles salas de estudo privado, ou compartilhado, duas salas de artes, um ginásio e uma casa de banho pública. Estes espaços foram concebidos para promover o bem-estar, a socialização e a integração entre os residentes, proporcionando uma ampla oferta de serviços e áreas comuns dedicadas ao estudo, lazer e interação. 4.4 Programa
67
68 A organização da residência visa integrar espaços de convivência, estudo e bem-estar, otimizando a utilização dos ambientes e incentivando a interação entre os usuários. No piso térreo (Figura 71), encontram-se áreas de acesso público, como zonas comerciais, cantina, espaços de lazer e um anfiteatro. Esses espaços foram projetados para receber tanto residentes quanto visitantes, estimulando a integração da comunidade e o fluxo contínuo de pessoas, o que favorece a vitalidade e o convívio social. O primeiro piso (Figura 72) conta com 38 quartos, entre individuais e duplos, além de dois quartos de mobilidade reduzida. Este andar também oferece três salas de estudo compartilhadas, uma sala de estudo privada, uma casa de banho comum e um ginásio. O segundo piso (Figura 73) inclui 38 quartos, também entre individuais e duplos, e dois quartos de mobilidade reduzida. Além disso, há uma sala de artes e cinco espaços de estudo, todos criados para apoiar o desenvolvimento cultural e criativo dos residentes, proporcionando locais para apresentações e atividades artísticas, bem como para o estudo multidisciplinar. Nos terceiro e quarto pisos (Figuras 74 e 75), encontram-se mais 80 quartos e doze salas de estudo. Entre os pisos 1 e 4, nas zonas dos espaços públicos, há uma abertura no pavimento que permite a ligação visual entre todos os andares, favorecendo a entrada de luz natural e a circulação de ar. Na cobertura (Figura 76), foram instalados painéis solares, aproveitando a energia solar para reduzir custos e alinhar o edifício com práticas sustentáveis e ecológicas, reafirmando o compromisso com a preservação ambiental. 4.5 Organização espacial
69 Figura 71 - Planta piso térreo Figura 72 - Planta piso 1
70 Figura 73 - Planta piso 2 Figura 74 - Planta piso 3
71 Figura 75 - Planta piso 4 Figura 76 - Planta cobertura
72 O Pátio Central do projeto foi concebido para unir estética e funcionalidade, promovendo uma integração harmoniosa entre os elementos arquitetónicos e o ambiente envolvente. A organização estratégica dos elementos, como mobiliário urbano, vegetação e pavimentação, foi essencial para proporcionar um ambiente equilibrado e funcional, que satisfaça as necessidades dos utilizadores. Na Figura 77, é possível observar o terreno original do projeto, onde foi identificado um trajeto espontâneo, criado pelos próprios habitantes ao longo do tempo. Esse percurso, delineado pela movimentação orgânica das pessoas, foi respeitado e incorporado no desenho do pátio. Assim, o caminho traçado no novo projeto mantém-se natural e funcional, garantindo que a deslocação dentro do espaço seja fluida e intuitiva. Essa abordagem assegura não apenas a continuidade do uso prático, mas também o respeito pela história e pela interação humana com o terreno. Os espaços dedicados ao convívio foram pensados com especial atenção ao conforto e à interação social (Figura 78). Em frente aos comércios e espaços públicos, foram criadas áreas equipadas com bancos e zonas de sombra, permitindo que as pessoas possam sentar-se e desfrutar do ambiente ao ar livre. Estes locais foram estrategicamente posicionados para fomentar encontros, conversas e momentos de lazer. A vegetação desempenha um papel central na conceção do pátio, promovendo um ambiente agradável e sustentável. Foram selecionadas espécies adaptadas ao clima da ilha de Santiago, como acácias, cactos, aloe vera, plumeria, adelfa, moringa, palmeiras e agave. Estas plantas não apenas enriquecem a estética do espaço, mas também oferecem sombra, melhoram o conforto térmico e requerem pouca manutenção, alinhando-se com os princípios da sustentabilidade. Além disso, o restante do pátio foi projetado para acolher aqueles que procuram simplesmente descansar ou descontrair, sem qualquer compromisso de consumo. A integração de zonas verdes e recantos mais tranquilos oferece uma experiência sensorial que promove o bem-estar, incentivando as pessoas a permanecerem no espaço por mais tempo.
73 Figura 78 - Pátio central Figura 77 - Terreno original
80 O projeto adota uma abordagem sustentável, adaptando-se ao clima da Cidade da Praia, caracterizado por altas temperaturas e baixa precipitação. Para mitigar os impactos dessas condições climáticas, foram implementadas estratégias bioclimáticas. Uma dessas estratégias é a ventilação cruzada, promovida pela disposição do edifício e pela organização dos espaços internos. Isso facilita a circulação de ar natural, reduzindo a necessidade de climatização artificial (Figura 88 e 89). As janelas foram projetadas com aberturas adequadas, permitindo o fluxo constante de ar. Além disso, as áreas envidraçadas não ultrapassam 20% das fachadas dos quartos, a fim de evitar o excesso de aquecimento proveniente do exterior. Nessa mesma linha, optou-se pelo uso de vidros duplos, que ajudam a minimizar a entrada de calor. O sombreamento natural foi outro fator essencial na concepção do projeto. As portadas de madeira nas fachadas, combinadas com a vegetação no pátio central e nas áreas circundantes, proporcionam um sombreamento eficaz (Figura 90), ajudando a reduzir o aquecimento das superfícies expostas ao sol. Embora o isolamento térmico não seja amplamente utilizado em Cabo Verde, foi aplicada uma camada de isolamento na cobertura do edifício para evitar a entrada de calor pela principal fonte de radiação térmica. Visando à autossuficiência energética parcial da residência, a cobertura dos edifícios será equipada com painéis solares fotovoltaicos e térmicos, que fornecerão energia elétrica e aquecimento de água (Figura 91). Por fim, para minimizar a pegada ecológica, o projeto priorizou o uso de materiais de construção locais e de baixo impacto ambiental, como blocos de cimento fabricados na região, além de areia e brita locais. 4.7 Arquitetura Bioclimática incorporada no edifício
81 Figura 90 - Sombreamento do edifício, vegetação e galeria sombreada Figura 89 - Ventilação cruzada em corte Figura 88 - Ventilação cruzada em planta Figura 91 - Paineis solares na cobertura
82
83 Conclusão A presente dissertação demonstrou a relevância e a viabilidade de um projeto arquitetónico sustentável para uma residência universitária em Palmarejo Grande, Cidade da Praia, Cabo Verde. Num contexto de expansão urbana e de carência de habitações para estudantes, a proposta destaca-se ao integrar princípios de arquitetura bioclimática, valorização de materiais locais e sustentabilidade, contribuindo para o desenvolvimento de soluções habitacionais inovadoras e ambientalmente responsáveis. A análise do contexto climático e urbano de Palmarejo Grande foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, permitindo a definição de estratégias adaptadas às condições específicas da região, como o clima árido e semiárido. A aplicação de soluções bioclimáticas, como sombreamento, ventilação cruzada e isolamento térmico, foi cuidadosamente concebida para garantir eficiência energética e conforto térmico para os residentes. O projeto funcional, que contempla quartos, áreas de estudo, zonas de convívio e espaços verdes, reforça o objetivo de criar um ambiente académico que vá além da simples função habitacional, promovendo interação social, bem-estar e desenvolvimento pessoal. A localização estratégica da residência, próxima a universidades e integrada à rede de transporte público, assegura acessibilidade e conectividade, consolidando o papel da infraestrutura no fortalecimento do tecido urbano. Conclui-se que a proposta não só atende à necessidade urgente de alojamento estudantil, mas também promove um modelo de construção sustentável que valoriza os recursos endógenos e respeita as especificidades locais. Este projeto representa uma referência para futuras iniciativas em Cabo Verde e em regiões com condições climáticas semelhantes, reforçando a importância de uma arquitetura consciente e comprometida com os desafios sociais e ambientais do presente e do futuro.
84
85 Borges, Claudino (2020), Os centros históricos de Cabo Verde e sua caracterização habitacional - da época colonial. Doutoramento em História. Universidade de Évora. https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/download/24665/23107/86708 (Consultado 15 de Abril de 2024) Duarte, Mariana M. de B. D. (2021), Arquitetura para Residências Universitárias: Seis casos de estudo em Lisboa. Dissertação de mestrado. Instituto Técnico da Universidade de Lisboa. https://scholar.tecnico.ulisboa.pt/records/YZmY83c7PxoT9sGNgaLpIJp4EhrOZVIlU77Q (Consultado 06 Dezembro, 2023) Furtado, Emanuel A. R. (2008), A expansão da cidade da Praia, na década de 1990-2000. Monografia. Universidade Jean Piaget de Cabo Verde. https://core.ac.uk/reader/38682320 (Consultado 27 de Março de 2024) Garcia, Vasco A. (2016), Arquitectura Sustentável em Cabo Verde, Nova aldeia para Chãdas-caldeiras. Dissertação de mestrado. Instituto Técnico da Universidade de Lisboa. https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/cursos/ma/dissertacao/1972678479053183 (Consultado 06 Dezembro, 2023) Gomes, Samuel F. (2004), Avaliação de Impacte de Apanha e Extracção de Inertes na Ribeira da Barca – Ilha de Santiago – Cabo Verde. Dissertação de Mestrado. Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa. https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/4115/1/TRABALHO-%20TESE%20MESTRADO%20-%20SAMUEL%20-%20FINALISSIMO-%20 10%20DEZEMBRO%20-%202011%20-%20CORRIGIDO.pdf (Consultado 24 de maio de 2024) Referências bibliográficas
86 GUEDES, Manuel Correia (2011), “Arquitectura Sustentável em Cabo Verde (Manual de Boas Práticas)”, Lisboa, CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Inocêncio, Débora A. S. (2012), Construção e Arquitectura Sustentáveis em Cabo Verde, Estudo de Estratégias de Projecto Sustentável. Dissertação de Mestrado. Universidade Técnica de Lisboa. https://scholar.tecnico.ulisboa.pt/records/8XEyyatxFnrgWPKG19KPcp0f2sAK-Th-TQFp (Consultado 28 de Março de 2024) Júnior, Fernando J. P. V. (2016), Arquitetura de valor social e cultural, Projeto para uma Casa da cultura na cidade da Praia, Cabo Verde. Dissertação de Mestrado. Escola de Arquitetura da Universidade do Minho. https://hdl. handle.net/1822/44464 (Consultado 12 novembro, 2023) Mendes, A. Cardoso, J. Évora, R. (2005), Estratégia Nacional para Energias Domésticas em Cabo Verde, Programa Regional de Promoção das Energias. Praia; Neves, Claudete S. C. (2014) Materiais e técnicas construtivas de baixo custo para a construção em Cabo Verde. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. https:// estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/27234?locale=pt (Consultado 27 de Março de 2024) Oliva, J. T., e Fonseca, F. P. (2021). A reestruturação urbana da cidade da Praia, em Cabo Verde: um padrão que se repete. Revista franco-brasileira de geografia, n° 52. https://journals.openedition.org/confins/40965
87 Patrik, Flávio P. S. (2014), Avaliação das dinâmicas do crescimento urbano na cidade da Praia de 1969 a 2010, Cabo Verde. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Letras da Universidade do Porto. https://repositorio-aberto. up.pt/bitstream/10216/73589/2/32317.pdf (Consultado 12 novembro, 2023) SANTOS, Maria Emília Madeira (1991), “História Geral de Cabo Verde”, vol.I. Lisboa/Praia, Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal/Direção Geral do Património de Cabo Verde Teixeira, Josemar A. S. S. (2019), Arquitectura Vernacular da Cidade Velha - Casos de Estudo.Dissertação de Mestrado. Universidade de Évora-Escola de Artes. http://hdl.handle.net/10174/27839 (consultado 15 de Abril de 2024)
88 Documentos eletrónicos Centro Educativo Miraflores. https://www.centroeducativomiraflores.net/ ensino-secundario/. 27/03/2024. 14h59 Clima Palmarejo https://pt.climate-data.org/africa/cape-verde/palmarejo/palmarejo-880460/. 27/03/2024. 15h10 Clima Cabo Verde. https://antoniocv.wordpress.com/2015/09/03/clima- -de-cabo-verde/ 27/03/2024. 15h16. Geografia e Geologia de Cabo Verde https://www.visit-caboverde.com/sobre-cabo-verde/geografia-e-geologia Número alunos Unicv. https://www.unicv.edu.cv/pt/universidade/numeros 27/03/2024. 15h02 PDM Praia. https://drive.google.com/drive/folders/1M4jRCn5cogSj4rrcWoKsR27eaOoJKfr5 Vento Palmarejo Grande. https://www.ventusky. com/?p=14.964;-23.553;11&l=wind-10m Plano Detalhado Palmarejo Grande https://www.ifh.cv/?empreendimentos=terrenos-palmarejo-grande
89
96 Alguns registos de passeios para inspiração
97 Visitas ao local do projeto
98 Colocação do edificio no terreno
99
100
101
102 Defesa final 102
103
104
105
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121