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Laísa Gonçalves Borgato Julho de 2021 UMinho | 2021 O Stylist e o Editorial de Moda Universidade do Minho Escola de Engenharia Laísa Gonçalves Borgato O Stylist e o Editorial de Moda
Julho de 2021 Dissertação de Mestrado Mestrado em Design e Marketing de Produtos Têxteis, Vestuário e Acessórios Trabalho efetuado sob a orientação de: Professora Doutora Maria Graça Pinto Ribeiro Guedes co-orientação Professor Doutor Paulo Oliveira Freire Almeida Laísa Gonçalves Borgato O Stylist e o Editorial de Moda Universidade do Minho Escola de Engenharia
3 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho acadêmico que pode ser utilizado por terceiros desde que as regras sejam respeitadas e as boas práticas internacionalmente aceitas, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contatar o autor, através do Repositório UM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
4 DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho acadêmico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida, falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
5 AGRADECIMENTOS Eu gostaria de agradecer primeiramente a minha mãe que sempre foi a responsável por me apoiar de forma incondicional. Depois ao meu pai, meu tio Hugo Ricardo e toda a minha família, que sempre me incentivaram e estiveram dispostos a me ajudar na realização deste projeto. Agradeço também aos meus amigos que sempre deram muito apoio aos meus estudos. Eu não poderia esquecer de agradecer a minha orientadora de graduação e amiga Professora Doutora Eliane Pinheiro que sempre acreditou no meu potencial me dando apoio para continuar. Professor Doutor Ronaldo, Vasque e Fabrício Fortunato que foram principais influentes na minha vinda para Portugal, auxiliando com as informações e me apoiando. Sou muito grata a minha orientadora Professora Doutora Graça Guedes e Professor Doutor Paulo Almeida, que me acolheram e me orientaram com muita dedicação, compartilhando seus conhecimentos, e tempo carinho com sabedoria e dedicação permitindo que eu executasse esse projeto com êxito.
6 RESUMO Todas as imagens transmitem uma mensagem ao seu espectador com ou sem intenção do artista, a imagem sempre irá transmitir uma mensagem. As fotografias de moda se tornaram cada vez mais importantes para a expansão e disseminação da moda. No início com os jornais, depois revistas e contemporaneamente com a chegada da internet a proliferação dessas imagens são ainda mais rápidas. É nesse intuito que o trabalho vem para investigar e analisar a produção das editorias de moda, estes que são responsáveis por anunciarem tendências, não só de vestimentas mais também tendência de comportamento. Com isso o presente estudo se faz essencial por auxiliar no entendimento do trabalho do stylist que é uma profissão crescente no mundo da moda. Nesse trabalho foi usado a metodologia de pesquisa bibliográfica e entrevista com intuito de capturar informações qualitativas sobre o real trabalho dos stylist por trás da produção do editorial de moda. Outro método utilizado foi o de análise, sendo uma de análise da entrevista e outra de análise visual das imagens do editorial. Palavras-Chave: Stylist , Editorial de Moda, Fotografia de Moda, Análise da Imagem.
7 ABSTRACT All images convey a message to your viewer with or without the artist's intention, the image will always convey a message. Fashion photographs have become increasingly important for the expansion and dissemination of fashion. Initially with newspapers, then magazines and at the same time with the arrival of the internet, the proliferation of these images is even faster. It is with this in mind that the work comes to investigate and analyze the production of fashion editorials, which are responsible for announcing trends, not only in clothing but also in the trend of behavior. Thus, the present study is essential for helping to understand the stylist's work, which is a growing profession in the fashion world. In this work, the methodology of bibliographic research and interview was used in order to capture qualitative information about the real work of the stylist behind the production of the fashion editorial. Another method used was analysis, one of which was to analyze the interview and the other to analyze the editorial images. KEYWORDS: Stylist, Fashion Edtorial, Photography, Image Analysis.
8 ÍNDICE CAPÍTULO I!12! 1.!INTRODUÇÃO!12! 1.1 OBJETIVOS!13! 1.1.1 OBJETIVO CENTRAL!13! 1.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS!13! 1.2 METODOLOGIA E ESTRUTURA DO TRABALHO!14! 1.2.1 METODOLOGIA DO TRABALHO!14! 1.2.2 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO!15! CAPÍTULO II!16! 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO!16! 2.1 FOTOGRAFIA DE MODA!16! 2.1.1 SURGIMENTO DA FOTOGRAFIA DE MODA!16! 2.1.2 A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA DE MODA!20! 2.2 EDITORIAL DE MODA!21! 2.2.1 FOTOGRAFIA DO EDITORIAL DE MODA!21! 2.2.2 ELEMENTOS DO EDITORIAL DE MODA!22! 2.3 STYLIST !26! 2.3.1 O QUE É STYLIST ?!26! 2.3.2 O TRABALHO DO STYLIST NA FOTOGRAFIA DE EDITORIAL DE MODA!28! 2.3.3 AS ETAPAS DO TRABALHO DO STYLIST NO EDITORIAL DE MODA!31! 2.4. ANALISE VISUAL!33! 2.4.1 O SIGNIFICADO DA IMAGEM!33! 2.4.2 FUNDAMENTOS PARA ANÁLISE VISUAL!34! 2.4.3. DECODIFICANDO A MENSAGEM VISUAL!35! 2.4.4 TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO VISUAL!39! CAPÍTULO III!56! 3. PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO PARA ANÁLISE DO EDITORIAL DE MODA!56! 3.1 ABORDAGEM METODOLÓGICA DAS ENTREVISTAS!56!
15 1.2.2 Estrutura da Dissertação Este trabalho de dissertação está dividido em cinco capítulos, cada capítulo correspondendo a uma fase do estudo. O primeiro capítulo apresenta uma introdução ao tema apontando, os objetivos traçados, as metodologias utilizadas e a estrutura da dissertação. O segundo capítulo trata do levantamento bibliográfico, expondo os fundamentos e conceitos teóricos do enquadramento de projeto: fotografia de moda, editorial de moda, trabalho do stylist e análise da imagem. O terceiro capítulo irá apresentar o desenvolvimento da investigação, onde será mostrado parte do trabalho experimental. Abordará os resultados, a análise e interpretação dos resultados das entrevistas, em seguida será analisado as fotografias dos editoriais disponibilizados pelos stylists entrevistados. No quarto capítulo serão apresentadas as considerações finais, limitações do trabalho e sugestão para futura investigação. Por fim, serão apresentadas a bibliografia consultada para este estudo, encontrando todas as referências que serviram de base para a pesquisa. E em apêndice será encontrado o roteiro das entrevistas com os stylists , em seguida as respostas das entrevistas completas que foram usados para análise e interpretação de dados e imagens em tamanho real dos editoriais analisados no trabalho.
16 Capítulo II 2. Enquadramento Teórico 2.1 Fotografia de Moda A primeira seção do enquadramento teórico é dedicada a temática fotografia de moda, no intuito de apresentar o surgimento e pontuar o que faz parte deste tipo de fotografia. As fotografias de moda são as principais ferramentas para comunicar e indicar as tendências, passando uma mensagem ao público. Barthes (1984) classifica a foto como perigosa, apontando que ela tem variadas funções que são de noticiar, representar, impressionar, ter um significado e despertar desejo e diz que a fotografia sempre apresenta consigo seu referente. Ele ainda classifica a fotografia como inclassificável. Segundo o autor, os livros que abordavam o tema fotografia, eram técnicos e outros sociológicos ou históricos, mas nenhum que dava prazer e emoção. Ehrlich (1986) descreve “Fotografia de moda” como a área da fotografia especializada na captura de imagens de vestuário, joias e adornos, comumente para publicação em revistas, catálogos e também para publicidade. 2.1.1 Surgimento da fotografia de moda Para ter uma visão ampla sobre fotografia de moda é preciso verificar como foi sua emergência, para assim poder investigar onde, quando e como foi esse início dos retratos de moda.
17 A história da fotografia de moda é inseparável da história da moda, os dois estão ligados ao crescimento das economias capitalistas e ao desenvolvimento de mercado de massa (SHINKLE, 2008). A fotografia de moda reflete o que está acontecendo no momento de maneira globalizada refletindo a economia, fatores climáticos, tendência de comportamento entre outros fatores que influenciam a época. De acordo com Aubenas & Demange (2007) foi precisamente a partir da década de 1890, que começaram a ser encontradas gravuras, feitas a partir de fotografias de Leopold-Emile Reutlinger, William Henry Fox Talbot, Boyer, Taponnier, Paul Nadar entre outros. Shinkle (2008) aponta que foi no final do século XVIII que surgem as revistas de moda ilustrada, porém as fotografias de vestuários só apareceram amplamente na imprensa de moda a partir do início do século XX. Com a máxima aparição das fotografias de moda a partir do século XX, Blackman (2011), pontua que o século XX, foi um período em que houve um rápido desenvolvimento na produção e disseminação da moda e a maior transformação em seu consumo, pois foi quando a moda passou da couture (alta-costura) destinada a elite, no início do século, para a moda universal como atualmente, estando disponível para todos, em qualquer loja e até mesmo por meio de compras pela internet. Os jornais começaram vagarosamente a adotar a prática de adicionar fotos de moda no tópico denominado como “notícias da sociedade”, a partir de 1902 e 1903 que os magazines iniciaram a publicação das pessoas que chamavam atenção, as mais notadas nas corridas de cavalo em Longchamp na França e só depois a moda foi apresentada nos balneários, nas viagens para o exterior e nos lugares que eram frequentados pelos cosmopolitas da alta sociedade. O nome das celebridades, os locais e os costureiros formavam fotonovelas para os leitores (AUBENAS; DEMANGE, 2007). Contemporaneamente é possível notar que esse comportamento de compartilhar a vida da alta sociedade, que se iniciou a mais de cento e quinze anos atrás se repete pelos artistas, blogueiros e famosos em geral, o que mudou foram os meios de comunicação. Segundo Martineau (2018) no ano de 1911 foram publicadas as primeiras fotografias de moda artística, eram fotos de vestidos do estilista Paul Poiret para a revista parisiense “ Art et décoration ” (arte e decoração), fotografado por Edward Steichen que organizou uma comissão para criar as fotografias.
18 A fotografia pode ser observada na (Figura 1) Steichen & Poiret para revista “ Art et décoration ”. Em seu livro Steichen (1963) descreve que, este momento deve ser ressaltado com um grande momento na história da fotografia de moda, por ter sido considerado o responsável por fazer as primeiras fotografias consideradas propriamente de moda para a revista francesa. Fonte:https://blog.fitnyc.edu/materialmode/2013/05/11/steichen-poiret-the-first-fashion-photographs/. Acesso em 10 de agosto de 2020. Figura 1 . Steichen & Poiret para revista “Art et décoration” De acordo com Ehrlich (1986) a fotografia de moda começou a ser praticada nos anos de 1910, mas em 1920 ela foi transformada em um grande campo de atividade dos fotógrafos profissionais, quando as revistas passaram a fazer o uso intenso da fotografia, entre as grandes figuras da fotografia de moda desta época estão Richard Avedon, Cecil Beaton e o Barão Adolf Meyer. Um comportamento do passado que se repete nos dias atuais é a função das fotografias de moda nos meios de informações transmitindo uma comunicação pela imagem. Contemporaneamente as fotografias de moda são encontradas nas mídias sociais pela internet de maneira globalizada, e não são encontradas somente em jornais e revistas regionais como era em
19 seu surgimento. Pois, com a internet de maneira globalizada o contato com a moda se torna muito mais rápido e fácil. Na primeira metade do século XX, a fotografia de moda está fortemente ligada ao desenvolvimento da imprensa ilustrada. Nos periódicos ilustrados pela fotografia, o uso de fotografias em periódicos só se tornou tecnicamente possível no início do século XX e foi amplamente difundido no período entre as guerras mundiais (AUBENAS; DEMANGE, 2007). As transformações do consumo de moda estão ligadas com as mudanças radicais que houveram ao longo da história do século XX, o fim dos impérios coloniais, as revoluções movidas por ideologias políticas, os desastres econômicos e ambientais, as duas grandes guerras mundiais, os movimentos artísticos e a inovação na era digital e no design, são fatores marcantes que refletem em como interpretamos a moda hoje e como vivemos (BLACKMAN, 2011). A propósito é possível notar que relembrando a história de moda, é importante para identificar o que está acontecendo com a moda ‘agora’ na idade contemporânea. Por isso, é preciso olhar para trás para entendermos o presente ou futuro da moda, pois a moda sempre irá refletir o que está acontecendo ao seu redor como na arquitetura, gastronomia, economia entre outros, e isso será transmitido para as fotografias. Keaney (2014) pontua que a fotografia de moda nunca ficou pra trás de acordo com as novidades do período contemporâneo, como as mudanças nas estruturas sociais, circunstâncias econômicas, expectativas de gêneros, e também de acordo com as novas invenções, tanto na prática quanto na teoria, na fotografia e nas artes visuais, muitos desenvolvimentos ligados a história da fotografia tem total ligação tecnológica, com câmeras menores, filmes mais velozes, luz artificial, processo químico e filmes coloridos, ou seja, a fotografia de moda sempre ‘abraçou’ rapidamente os avanços tecnológicos. Vale ressaltar alguns fotógrafos contemporâneos que se destacam em fotografias de moda como: Tim Walker, Annie Leibovitz, Steve Klein, Patrick Demarchelier, Mario Testino, Helmut Newton, Bruce Weber, Anton Corbijn e Irving Penn (POSNICK & WINTOUR, 2016). Contudo, fica claro que a fotografia de moda também sempre trouxe acoplado a ela reflexos de tendências mundiais de tecnologia, por sempre ser rápida a espalhar tendências. Há uma certa cobrança para que a moda no caso as fotografias de moda, acompanhe as tendências mundiais.
20 2.1.2 A importância da fotografia de moda A fotografia de moda possui suas próprias características e qualidades, se diferenciando dos outros tipos de fotografia, como por exemplo da fotografia jornalística, documental, arquitetônica entre outras. Derrick & Muir (2002) expõe que na revista Vogue em uma edição a média é mais de quatrocentas imagens entre: fotos de moda, natureza morta ( still life ), retratos e fotos de paparazzi, fazendo com que todos os dias a equipe da revista se envolva na produção e compilação das fotografias que irão compor a revista. A opinião dos autores que escrevem sobre a fotografia de moda apresentam diversas explicações. Derrick & Muir (2002) aponta que a fotografia de moda ambiciona uma imagem idealizada e intrinsecamente momentânea e, portanto, é efêmera, ao contrário dos empreendimentos fotográficos de retratos ou reportagens, a fotografia de moda não tenta ser verdadeira ou atemporal. De acordo com a opinião do autor, é possível notar sim que a fotografia de moda não pode ser atemporal, pois ela é uma narrativa de forma forçada para evidenciar a tendência e o conceito pensando para ser mostrado em certa imagem. Já Souza (2005) aponta que as revistas contemporâneas de moda usam uma linguagem proposital no intuito de determinar certas emoções nas pessoas, utiliza-se de elementos visuais implícitos na fotografia, manipulados por profissionais possuindo o poder de persuasão, controlando o público que consome, consumidor. Por isso, se torna de suma importância investigar o trabalho dos profissionais que estão por trás da fotografia de moda, no caso deste trabalho que será investigado o trabalho do stylist por trás do resultado final de um editorial de moda. Sarraipo (2016) aponta que a fotografia de moda passou por uma sucessão de transformações gradativas, essas sucessões graduais permitiram a evolução e o aperfeiçoamento e continuam a permitir. Ele ressalta que fotografia de moda brinca com a ficção e o lúdico, no intuito de atrair o consumidor, estando associada totalmente com questões estéticas de corpo e beleza, tendo o stylist como chave extremamente importante para as fotografias. É visível a importância das fotografias de moda para a disseminação das tendências, que pode ser tendências de comportamento, pois a imagem de moda traz inerente a ela uma imagem que o consumidor quer alcançar não somente na roupa em si que está retratada na imagem, mas
21 também um conceito de estilo de vida, um status que o consumidor ao olhar a imagem se identifica. Nesse sentido ele irá relacionar o produto da imagem com o conceito que foi vendido. As imagens fotográficas possuem um papel essencial para a definição da cultura global da moda e estrutura do seu espaço discursivo (SHINKLE, 2008). Neste trabalho será dado mais atenção as fotografias de editorial de moda considerando os variados estilos de fotografia de moda e cada uma indicada para cada tipo de trabalho e intenção. 2.2 Editorial de moda Nesta seção será abordado o tema editorial de moda, no intuito de esclarecer as ferramentas importantes que os compõem, mostrando os profissionais que trabalham para a produção do editorial e as funções que cada um exerce para a construí-lo, dando uma importância maior as funções relacionadas ao stylist . 2.2.1 Fotografia do Editorial de Moda Os editoriais de moda, são respeitados e reconhecidos nas revistas de moda pelo seu trabalho artístico e por servirem como difusores de tendência. Mc Donald (2019) aponta que três meses antes da publicação da revista são produzidos os editoriais pela equipe na maioria das revistas semanais ou mensais. É nesse sentido de (trabalho árduo) que o editorial de moda se concretiza, tendo a função de comunicar e anunciar seu conceito e tendência por trás das imagens. Os componentes da imagem do editorial de moda segundo Frange (2012) são: locação, cenário, iluminação, linha estilística do fotografo, enquadramento, luz, direção da cena, a história que será contada “ storytelling ”, casting (modelos) ou até figurantes, maquiagem e cabelo, trilha sonora, edição dos looks que irão para os editoriais, cor, e conceito do editorial; é na junção de todos esses elementos citados, que se dá o conceito da imagem do editorial de moda.
22 Todos os elementos citados acima pelo autor são de extrema importância para um bom resultado final do trabalho de um editorial de moda expondo a tendência e conceito escolhido para tal editorial. Segundo Keaney (2014) a fotografia de moda sempre se atentou em narrar e mostrar a mudança, sendo um projeto sempre precipitado pela expectativa das novas temporadas, novas coleções, novo editorial e nova publicidade da próxima edição da revista. As imagens que compõem o editorial, refletem o que está acontecendo no momento de maneira globalizada refletindo a economia, fatores climáticos, tendência de comportamento entre outros fatores que estão a influenciar a época, neste sentido o editorial apresenta uma visão de tudo isso em suas imagens. A fotografia de moda hoje oferece uma figura destilada das mudanças de atitudes e gostos pela moda contemporânea e pode fazer parte de uma cultura internacional no mundo desenvolvido atingindo grande parte da vida das pessoas. |As mudanças na moda feminina obviamente refletem mudanças na sociedade e nas convenções (DERRICK & MUIR, 2002). Kossoy (2002) aponta que as fotografias mostram um pedaço selecionado da aparência das coisas, dos fatos, das pessoas, da forma que foram esteticamente ou ideologicamente congeladas em um certo momento da sua existência ou acontecimento. Portanto, de acordo com as diversas opiniões sobre a fotografia de moda, quando damos atenção as fotografias de editoriais de moda são visíveis que ela traz consigo tendências e conceitos que não estão somente ali dentro daquela fotografia, mais sim movimentos que estão acontecendo ao redor do mundo. Nesse sentido a fotografia de editorial de moda é chocante pela forma que trata alguns assuntos, pois é preciso evidenciar de forma máxima alguns conceitos para que o consumidor entenda, por isso algumas vezes as pessoas acham exagerada a maneira que a moda é vendida, mas na verdade é só uma maneira de maximizar opiniões em forma de imagem e evidenciar o conceito. 2.2.2 Elementos do editorial de moda Para a produção de um editorial de moda, é importante o trabalho em equipe, essa equipe é quem irá trabalhar com os elementos que compõem o editorial de moda.
23 A fotografia de moda soma uma variedade de práticas, envolvendo um grande número de criativos e empresários qualificados: stylist , fotógrafos, modelos, anunciantes, artistas, designers, cabeleireiros, maquiadores, diretores criativos e artísticos, criadores de cenários entre outros, reunidos pelo mesmo objetivo e contextos compartilhados (SHINKLE, 2008). Para aprender a construir a imagem de moda o stylist deve estar atento aos componentes que fazem parte de sua construção, que na prática estão todos acoplados. Para conclusões analíticas é possível desagregar a imagem de moda nos seguintes componentes: locação, cenário, iluminação, linha estilística do fotografo, casting (modelo), maquiagem e cabelo, trilha sonora, edição do produto, cor e conceito (FRANGE, 2012). De acordo com esses componentes que fazem parte da fotografia de moda, a seguir será citado e explicado cada componente. O conceito é o mood (humor, estado de espirito) do editorial, ou seja, irá indicar qual será o estilo do editorial. Frange (2012) exemplifica o conceito como a identidade da imagem que se dá pela junção de todos os elementos que compõem a imagem de moda, ele pode ser escolhido antes ou no decorrer do processo. Para indicar qual será o humor do editorial, é muito importante a construção do moodboard . Esse que influência totalmente na sessão de fotos, pois ele será um painel de imagens que irá inspirar e guiar a equipe de fotografia, o modelo, o maquiador, o stylist , o cenógrafo entre outros. Esse painel é de suma importância pois nele ira conter muitas informações que servirão para guiar os profissionais que irão trabalhar no editorial para que tudo corre bem e que não fuja do conceito. Nesse painel deve conter informações em forma de imagem que irá auxiliar nas poses da modelo, na maquiagem e no estilo das roupas, além disso o moodboard também deve trazer opções de cenário, texturas, influência de iluminação, angulação das fotos dentre outras informações que a equipe julgar importante para a sessão. O conceito da imagem deve ser entendido por toda a equipe e assim todos trabalharem num mesmo propósito, por isso é importante que toda equipe perceba bem o conceito do editorial para depois não haver confusões. Locação, lugar escolhido para fazer as fotos, esse elemento é de suma importância para a seção de fotos pois este local ira influenciar nas fotografias, podendo variar entre vários lugares. Dixon (2017) esclarece que para escolher a localização das fotos, pode variar entre um estúdio ou em alguma locação. O fotografo e o produtor das fotos irão analisar elementos que
24 serão precisos para as fotos, e desta forma escolher possíveis lugares para fotografar e esses devem combinam com o conceito. As fotografias em locação externa pode adicionar cor e glamour, transmitindo uma sensação de decadência ou de familiaridade, os espaços abertos como bosques e parques oferecem vistas impressionantes, assim então possibilitando uma variedade de configurações diferentes para a sessão de fotos porém, a seção é afetada pela luz (isso deve ser considerado), o clima e variantes e incontrolável em qualquer fotografia ao ar livre levando em conta clima, equipamentos, disponibilidade do local (BUCKLEY & MCASSEY, 2011). O trabalho em uma locação externa pode trazer muitas ideias criativas, porém dependendo da locação, é preciso pensar em lugar para trocar a modelo, fazer o cabelo e maquiagem e guardar as roupas, portanto é preciso verificar se terá espaço para todos esses requisitos, sem esquecer que o fator climático também influencia (MC DONALD, 2019). Contudo, quando se escolhe uma locação é preciso saber se as fotografias serão em um lugar externo ou interno, pois irá influenciar muito no trabalho, e na praticidade no dia da sessão de fotos. Ainda de acordo com Buckley & Mcassey (2011) as fotos no estúdio significam um ambiente controlado, ou seja, não é preciso se preocupar com a iluminação o tempo todo ou fatores climáticos como em fotos externas. O cenário se resume nos elementos que irão complementar a cena para as fotos. Frange (2012) exemplifica que o cenário se resume em elementos que compõem a cena, que vão aparecer ou não nas fotos. Nesse sentido ainda falando sobre cenário, ele pode se resumir em um banco para compor a cena na locação, pode ser uma tenda de praia, uma cadeira entre outros infinitos elementos que podem ser necessários para compor a cena de acordo com o conceito das fotos. Dixon (2017) sugere que a composição de cenário com animais pode ser um ótimo adereço, porém surge como mais um desafio durante a seção de fotos. A iluminação das fotos, é definida pelo fotografo, porém possuem variadas formas do fotografo se comunicar a partir da iluminação. Ehrlich (1986) descreve “Iluminacao” como o efeito da incidência da luz em um objeto. A iluminação é o DNA da fotografia, transformando uma cena corriqueira ou um retrato em algo especial e magnífico, sendo o tema mais incompreendido e mais intimidador para todos os fotógrafos a iluminação muda tudo, usando ela de formas diferentes, é possível fazer a mesma pessoa parecer diferente dez vezes, com a capacidade de mudar tudo, no entanto a luz deve ser
31 mas quem os veste, como veste, afinal, todo o contexto que gira em torno da forma de vestir essas peças de roupa é criado pelo stylist (FRANGE, 2012). Contudo, de acordo com os autores citados acima, é possível notar que o editorial traz consigo uma história, e através desse conceito o papel do stylist é usar a criatividade para transmitir suas ideias para a imagem do editorial, sem esquecer de mostrar, a silhueta, cores e texturas da temporada. 2.3.3 As etapas do trabalho do stylist no editorial de moda Para a seção de fotos acontecer é preciso um planejamento, o que é chamado de préprodução, quando é preparado tudo antecipadamente para o dia da seção de fotos. Em seguida vem o dia das fotos, que seria o dia da produção do editorial e por ultimo o dia pós-produção, este dia é destinado a devolver o que foi pego emprestado entre outras coisas. Quanto mais for ajustado os detalhes na pré-produção menos problemas serão encontrados no dia das fotos, ou seja, a pré-produção é o aspecto mais importante para criar uma sessão de fotos que funcione perfeitamente (DIXON, 2017). O planejamento e a produção da sessão de fotos estão dentro das responsabilidades do stylist que juntamente ao fotografo se torna um membro essencial da equipe, tendo o dever de buscar locais adequados, ser responsável pelos modelos e ainda dirigir o resumo da sessão, além de cuidar do modelo no dia da sessão fotográfica, garantindo que os procedimentos ocorram sem problemas no dia do ensaio fotográfico (BUCKLEY & MCASSEY, 2011). O dia da sessão de fotos tem que ser bem planejado do início ao fim, pois esse planejamento que irá auxiliar para que tudo corra bem e o resultado final seja positivo. Antes de começar as fotos tudo deve ser aprovado pelo fotografo, este que também irá dizer por exemplo durante a sessão fotos se há algo no cabelo, maquiagem ou roupa que não está funcionando e a alteração é feita antes da foto. Assim então, quando o modelo está pronto é só começar a fotografar, quando a foto esperada é obtida, o modelo é estilizado para o próximo visual, e assim por diante (DIXON, 2017). A direção das fotos pode vir do stylist ou do fotografo este que se envolve muito durante a sessão de fotos, com ênfase em dar conselhos completos aos modelos sobre, humor, pose e expressão facial, tendo o poder de direcionar o modelo. O stylist também precisa se adaptar e
32 reagir aos problemas e mudanças que ocorrem durante o processo de criação de imagem. O planejamento e a organização são complexos envolvidos nas sessões de fotos que requerem excelentes habilidade de comunicação e negociação (BUCKLEY & MCASSEY, 2011). O stylist troca informação o tempo todo com a sua equipe ele sabe falar, ouvir, argumentar e considerar ideias suas ou alheias (FRANGE, 2012). Dixon (2017) exemplifica sobre o dia da sessão apontando que parte da equipe chega uma hora antes do cliente, os modelos chegam e vão fazer o cabelo e maquiagem, enquanto isso a equipe organiza a iluminação, após a maquiagem, a modelo entra no set para fazer o seu teste de iluminação com a equipe e ajustar os detalhes e para experimentar a roupa, depois disso após o aval do fotógrafo a sessão de fotos pode ser iniciada. A pós-produção do editorial de moda é quando termina a seção de fotos. E, é papel do stylist auxiliar na organização do estúdio e ser responsável pela devolução das roupas e acessórios utilizados, (intactos preservando a limpeza e organização). Assim que terminar a sessão de fotos deve ser tudo organizado e devolvido o mais rápido possível, as roupas e acessórios devem ser arrumadas com cuidado e verificado se não ficou nada para trás. Se for devolvido em bom estado, será muito bom para a relação com a marca de parceria mas, se houver alguma danificação deve ser avisado a fonte que emprestou a roupa (MC DONALD, 2019). Contudo, fica claro que para um bom desempenho do stylist além de criatividade é preciso uma boa organização e disciplina para poder desempenhar as tarefas sem se esquecer de alguns detalhes buscando sempre soluções para problemas, no intuito de finalizar a seção de fotos com êxito. Realizar o styling de uma produção de moda, exige uma recolha de informação abrangente. Aqui o exercício do stylist incide em compor uma ideia que consiga transpor no papel impresso, uma personalidade numa determinada situação, mesmo que fantasiosa, que capte a atenção do espetador. Daí ser necessário atribuir um olhar, uma atitude à manequim que, juntamente com a indumentária, com o cabelo e com a maquiagem, criem um tipo de pessoa num determinado estilo com o qual as pessoas se identificam ou pelo qual as pessoas vão se interessar, seja pelo impacto criado, seja pelo prazer estético que se conseguiu criar (MARTINS, 2014).
33 2.4. Analise Visual Nesse tópico será apresentado ferramentas, regras e fundamento que irão auxiliar na análise visual da imagem do editorial de moda. 2.4.1 O Significado da Imagem Segundo uma antiga etimologia, o vocábulo imagem tem origem na palavra “Imago” mas segundo Roland Barthes está relacionada a raiz do imitari (BARTHES, 1974). Imitari vem do latim, que significa copiar ou reproduzir alguma coisa (Etimologico, 2010). “Imagem” figura representativa de um objeto, adquirida por um procedimento fotográfico (EHRLICH, 1986). Barthes (1974 p.01) considera “a imagem também como um ponto de resistência ao significado, de acordo com certa ideia mítica da vida, a imagem é a representação. Para alguns a imagem é um sistema muito rudimentar em relação a linguagem, e para outros o significado não pode esgotar a riqueza sedutora da imagem”. A imagem hoje ocupa cada vez mais o espaço na mídia e na imprensa, nos livros, revistas e nos jornais (GUIMARÃES, 2001) e, com o avanço da comunicação, torna-se a cada dia mais importante para disseminar as tendências lançadas pelas marcas. Aumont (1993) exemplifica a função das imagens separando em três modos: o simbólico, o epistêmico e estético. No modo simbólico as imagens inicialmente surgem como símbolos religiosos; no modo epistêmico informa visualmente sobre o mundo e a função informativa, foi na contemporaneidade desenvolveu-se consideravelmente através da difusão da fotografia quer do tipo jornalístico quer do retrato, acrescentamos também desenho, ilustração e gráficos. No terceiro modo referido por Aumont, o modo estético, a imagem é produzida com a intenção de ser fruída pelo seu espectador, como obras de arte, por exemplo. Contudo, no caso da fotografia de editorial de moda pode-se dizer que é uma imagem de categoria estética, tendo a função de agradar o espectador e também funções específicas ligadas a arte, porém não deixa de ser informativa para os espectadores de moda.
34 2.4.2 Fundamentos Para Análise Visual De acordo com Aumont (1993) a produção de imagens destina-se a diversos usos e aplicações, individuais ou sociais, seguindo objetivos estabelecidos em cada comunidade. Ao longo da História da humanidade, a imagem assume uma elevada importância na narrativa de factos e ideias e, desde a invenção da escrita a ilustração marcou a sua presença. Mais tarde a fotografia torna-se dominante na comunicação. Em uma leitura visual é possível identificar a mensagem linguística, que tem como objetivo fixar e complementar o sentido da imagem; a imagem denotada que é a percepção ou o conhecimento visual dos objetos reais da cena; e a imagem conotada que indica uma análise simbólica da imagem aprofundando o entendimento da realidade dos signos e funciona por associação. Assim, conotação significa também associação. Neste sentido é preciso observar a estrutura da imagem em um todo, para assim perceber o relacionamento das três mensagens em si, a mensagem linguística é constante, sempre existindo um texto perto de uma imagem. Ultimamente é evidente que a mensagem linguística está presente em todas as imagens no nível das comunicações de massa, como: título, legenda, artigo de jornal, diálogo de filme, tendo a escrita como complemento da estrutura informacional (BARTHES, 1974). Aplicando esse conceito de Barthes ao editorial de moda a mensagem linguística seria o título da produção, a ficha técnica, o texto de apoio e também de preço dos produtos do editorial, em suma, toda a informação escrita. A mensagem conotada seria o entendimento do espectador sobre a imagem, ou o conjunto de significados que o público associa às imagens. E por fim a imagem denotada seria a compreensão real da mensagem que foi passada pelo editorial, ou seja, o que efetivamente surge figurado na fotografia. Mas, enquanto a ficha técnica é literal e objetiva, o título pode ser simbólico, poético, metafórico. Assim, a imagem ajuda no sentido de reforçar a metáfora do título. Wong (1993) diz que existem inúmeras maneiras de interpretar a linguagem visual, porém não existem regras muito óbvias ou claras para interpretar a linguagem verbal. Guimarães (2001) afirma que ao longo de décadas do último século o avanço do espaço das imagens sobre o espaço das palavras se tornou muito significativo. Quando analisamos imagens é preciso buscar fundamentos sobre a linguagem visual, para assim ter um parâmetro a seguir. Wong (1993) aponta que é possível analisar elementos visuais pelo tamanho, forma, cor e textura, e estes elementos se relacionam no design também
35 pela direção, posição, espaço e gravidade que são apresentados. O autor comenta sobre fundamentos de design, porém é preciso utilizar estes conceitos básicos para entender um pouco sobre o impacto da fotografia. Vários são os autores que explicam as estratégias de comunicação visual como ferramentas essenciais na criação de imagens e mensagens visuais. A par das Leis da Gestalt (Forma) existem meios de organizar e compor a imagem de modo a produzir um efeito, ou seja, procedimentos para orientar a percepção do espetador. Cheatham. et. al. (1987, p.2) descreve a psicologia da Gestalt como o nome dado ao conjunto de estudos da psicologia e teorias resultantes dessa pesquisa sobre a percepção humana. Desta forma, percebe-se que essa teoria trabalha com a hipótese de que todos estes estudos têm a função essencial de descrever a “unidade e harmonia” produzidas pela percepção. De notar ainda A Teoria da Gestalt atribuí à percepção a tendência de organizar os estímulos em padrões de ordem, mesmo que esses estímulos não sejam em si mesmo, ordenados. Dondis, (1997) refere explicitamente uma série de estratégias como o equilíbrio, a simetria, a regularidade, aplicando a cada conceito o seu oposto, por exemplo, “simplicidade” e “complexidade”. Nesse sentido pode-se mencionar novamente Dondis (1997) para referir o estilo visual que é essencial para traduzir expressão, emoções e significados. Cheatham. et. al. (1987) propõem com outros termos as estratégias referentes as noções de contraste, movimento, simetria e alinhamento, que são estratégias principais de comunicação visual e seus conceitos opostos: harmonia, estatismo, assimetria e desalinhamento. Apesar das diferentes terminologias e categorias, os autores observam fenômenos similares e aproximados. Assim, pretende-se estabelecer uma grelha de análise capaz de estudar as criações visuais produzidas pelo stylist . 2.4.3. Decodificando A Mensagem Visual A mensagem visual que será analisada neste trabalho é a mensagem do editorial de moda, para compreendê-lo é preciso entender do que é composta essa mensagem, para assim criar estratégias de analise visual. As imagens estão se inserindo a cada vez mais em nosso cotidiano, não mais ilustrando
36 textos mais se propondo como textos, culminando na expansão dos processos da visualidade e da visibilidade imagética (GUIMARÃES, 2001). Nesse sentido é responsabilidade do stylist criar uma imagem que os leitores possam absorver, expondo as roupas que eles almejam comprar, indicando as maneiras de usá-las, além da informação de onde encontrá-las e quanto elas custam (MC DONALD, 2019). Sendo assim, no caso do editorial de moda o texto que irá guiar será o texto que antecede as fotos do editorial na revista, contendo algumas informações sobre o editorial como título, fotógrafo e modelo. As revistas de moda trazem juntamente com as imagens dos editoriais de moda, um título do editorial e um breve texto de descrição, depois no decorrer das páginas de acordo com cada fotografia no canto da página irá conter a descrição da roupa que a modelo está utilizando, a marca e o preço, assim como, as descrições de quem fez o cabelo maquiagem entre outros. Um texto extenso pode conter somente um significado global, pela conotação ou pela associação geral a outros significados, e este significado está totalmente relacionado à imagem, nesse ponto a mensagem linguística que ajuda a determinar sem alterações e de modo simplificado, quais são os elementos da cena e a cena em si, pois são uma descrição denotada da imagem (BARTHES, 1974). Portanto, a mensagem linguística ajuda a fixar o significado porque a imagem e suas conotações são demasiado abertas a diversas interpretações. Ou seja, o texto cria limites à imagem e orienta o seu sentido. Desta forma, mesmo que a imagem seja o foco principal do editorial de moda são necessárias essas informações em texto para direcionar o leitor, se houver interesse nas roupas ou curiosidade para saber quem fez o styling e até mesmo para ressaltar o conceito do editorial. Nesse ponto é muito importante o texto, mesmo que seja pequeno contendo só o essencial. A sabedoria da linguagem visual possibilita ao stylist avaliar o trabalho do fotógrafo, iluminador e de outros profissionais da equipe, relacionada a ambientação, aos objetos escolhidos e a composição das fotografias (Hallawell, 2010). Hallawell (2010) ressalta que toda imagem por sua natureza, manipula as emoções dos indivíduos. Toda imagem é criada com uma intenção consciente ou não, e não há maneira de evitar que esta imagem nos afete a partir do momento em que vemos, mesmo por uma fração de segundos. Souza (2005, p.238) em seu estudo sobre Fotografia: meio e linguagem dentro da moda, aponta que para analisar bem uma imagem, é necessário a utilização de inúmeros signos com o
37 intuito de inserir os signos que constituem o imaginário de uma certa comunidade para assim desvendar a verdadeira realidade. Hallawell (2010) acrescenta que a linguagem visual se resume em um aglomerado de signos e símbolos que são usados para se comunicar visualmente com harmonia e senso de estética. Mas, acrescentamos: são um conjunto de cores, manchas e formas, que em vez de símbolos, são “elementos visuais”. Os principais mercados de fotografia de moda são campanhas publicitárias e revistas, exemplificando que atualmente a maioria dos fotógrafos de moda, conduzem as sessões de fotos em locais exóticos, como ruínas, espaços abertos com natureza, praias e assim por diante. As fotos são projetadas para despertar um sentimento não apenas pelos produtos, mas também pela localização, aprendendo quais as roupas, acessório, e locais coordenados farão um impacto na impressão final (Gonzalez, 2014). Dentre as diferentes maneiras que foram abordadas a percepção humana, Santaella (1998) aborda sobre os primeiros estudos até chegar nas Leis de Gestalt que diz que o indivíduo tem a competência de perceber porque faz associações visuais com o que foi percecionado, trazendo explicações sobre como podemos ver as formas, no intuito de entender a linguagem visual. Dondis (1997) aponta que nos diversos meios de comunicação a presença primordial entre forma e conteúdo é um traço comum e ressalta que na informação visual o conteúdo jamais é separado da forma, dependendo especificamente da palavras e símbolos, mas também de elementos visuais e suas relações. Segundo Dondis (1997, p.123) na comunicação visual “o significado está tanto nos olhos de quem vê quanto no talento de quem cria”. Ou seja, toda experiência visual, existe entre a interação de pares, podendo ser opostos ou polaridades, por exemplo as “forças do conteúdo (mensagem e significado) e a forma (designer, médio e ordenação), depois vem o efeito recíproco do articulador (designer, artista, criador) e o receptor (público) ”. Dondis (1997) descreve que a forma é sempre aceita pelo conteúdo; o conteúdo é aceitável pela forma também. Mas, a mensagem é emitida pelo criador (artista) e modificada pelo observador (DONDIS, 1997). Como você pode ver na (Figura 2) Esquema de relação entre forma e conteúdo. O esquema de como funciona essa relação entre forma e conteúdo, artista e público. No caso do editorial o conteúdo e a forma seria o conceito e a imagem em si. O artista seria o
38 stylist e fotógrafo responsáveis pelo (conceito e imagem). E o público seria os espectadores das imagens. Fonte: Dondis, Donis A. 1997. Sintaxe da linguagem visual . 2.ed. Sa!o Paulo: Martins Fontes. Figura 2 . Esquema de relação entre forma e conteúdo. Dingemans, J. (1999) exemplifica formas para auxiliar o stylist na criação de imagens, para isso é preciso criar um arquivo com as melhores imagens e as imagens que não funcionam, visitar galerias de arte, museus e observar as cores composição e textura. Comparando com a música é possível notar que a audição não implica a capacidade de escrever música, pelo mesmo motivo ver não é garantia nenhuma de ser saber fazer declarações visuais inteligentes, compreensíveis e funcionais. Desta forma, o significado visual, transmitido pela composição, manipulação de elementos, técnicas visuais, implicam em uma imensidão de fatores e forças especificas (DONDIS,1997). Deste modo, o stylist que faz o papel do artista na criação do editorial de moda deve ter uma ‘bagagem’ de informações referente as coisas que funcionam e as coisas que não funcionam, para poder desenvolver um editorial direcionado para o público de forma coerente. O organismo humano possui a tendência de organização visual de forma simples, relacionando de forma automática certas similaridades, noção de equilíbrio, vinculando certas unidades que vem da proximidade, privilegiando a esquerda sobre a direita e a parte inferior sobre o topo de um campo visual, desta maneira o significado emerge dessas noções psicofisiológicas e desses estímulos externos ao organismo humano (DONDIS,1997). É neste sentido, que o responsável pela criação do editorial deve estar atento e ter capacidade de tomar decisões que irão influenciar de maneira positiva no editorial; ter noções
39 artísticas de como ira comunicar esta ou aquela tendência de modo com que os expectadores consigam absorver a informação que o editorial está transmitindo. A teoria da Gestalt propõe que “o olho e o cérebro estejam continuamente envolvidos em um processo de organização, simplificação e unificação que produz um todo compreensível e harmonioso”. Nem os artistas nem os espectadores tem uma resposta positiva referentes as imagens desorganizadas, ou seja, quando confrontado com uma imagem ou má forma (má Gestalt - uma imagem sem unidade visual ou harmonia), o espectador considera o efeito visual não pertencente ao domínio da razão, que contrarie a clareza mental, sobrecarregado ou até mesmo pode causar uma confusão intrigante. Desta forma, cria certa sensação de que existe algo de errado com a imagem e por consequência disso a imagem passará a ser ignorada causando uma rejeição pelo observador, uma impressão de que algo está errado e logo a imagem será ignorada ou descartada pelo espectador (CHEATHAM. et al. 1987, p.3). Contudo, Cheatham e Dondis se mostram de suma importância para este estudo, pois os dois dão base para estudar sobre as estratégias e também de como se compõe e como ler a composição de uma imagem. Nota-se que ambos auxiliaram o presente estudo de maneira positiva. 2.4.4 Técnicas De Comunicação Visual De acordo com Dondis (1997, p.23) quando são usadas algumas técnicas de comunicação visual é possível controlar o significado existente em uma estrutura de comunicação visual. Sendo assim, o autor pontua que “as técnicas de comunicação visual servem para agregar valor ao artista, formando um vasto conjunto de elementos para a declaração visual do conteúdo”. Para essa análise da fotografia do editorial de moda será utilizado cinco pares de estratégias que auxiliaram na análise: contraste e harmonia, movimento e estatismo, simetria e assimetria, alinhamento e desalinhamento e equilíbrio e desequilíbrio é assim que essas estratégias consistem num conceito e seu oposto. Cheatham. et al. (1987, p.4) descreve que os artistas possuem o papel de elaborar visualmente as informações da imagem no intuito de produzir uma expressão visual perceptível. E pontua que “para isso, foram desenvolvidos os métodos elementares para simplificar, organizar
40 e unificar as imagens ou formas, tais como: exclusão, proximidade, padrão geral, fechamento, alinhamento e similaridade”. Com as Leis de Gestalt (lei da forma) é possível compreender melhor sobre o entendimento visual, desta forma auxilia na leitura visual. Começando com a Lei Da Unidade Cheatham. et al. (1987, p.2) explica que a lei da unidade é quando cada unidade ou um único elemento é perceptível unificado devido ao posicionamento relativo de suas partes, ou seja, unidade representa uma forma isolada definida pelo seu contorno também um conjunto de elementos percebidos que constituem um todo e desse modo, são percebidos como uma forma. A Lei Da Segregação se constitui em uma imagem sedutora que não possui a obrigação de ser complicada ou difícil de entender. A Lei Da Segregação acontece quando os elementos que não são essenciais para a declaração visual são eliminados, conservando somente os materiais que são necessários de forma consciente (CHEATHAM. et al, 1987, p.4). Cheatham. et al. (1987, p.5) indica outra forma de Exclusão – o corte – que é uma maneira breve de observar a imagem em um novo ângulo. Sendo assim a técnica de corte ou exclusão permite que o espectador visualize a expressão visual como um novo quadro visual de referência por se constituir em uma maneira de esconder ou bloquear. Na (figura 3) Luis Monteiro para Harper’s Bazaar Arabia com Alexina Graham, é visível um exemplo de segregação, é uma imagem “limpa” a modelo aparece em foco na imagem pelas cores utilizadas e iluminação.
47 e a falta dele gera desinteresse, entretanto se uma imagem conter excesso de contraste será de alta vibração, e se obter pouco, será de baixa vibração. Cheatham. et al. (1987, p.89) afirmam que o uso do Contraste é dado com o intuito de ampliar ou inserir certa variedade visual a uma expressão visual. Os autores ainda definem o “Contraste como uma criação de oposição visual para diversificação dos elementos que compõem uma Gestalt (forma)”. O contraste cria diferenças visuais que podem tornar uma declaração visual mais emocionante e dramática, ou seja, quanto mais enfática e marcante forem as diferenças visuais, mais interessante e envolvente será a expressão visual. Sendo assim Cheatham. et al. (1987, p.89-107) descreve as maneiras de obter contraste: • Contraste de escala: O termo escala é usado para descrever o tamanho, ou seja, “grande escala” indica que algo é grande em tamanho, “pequena escala” indica que algo é pequeno no tamanho. Objetos maiores pode parecer: “opressores, assustadores, ameaçadores e incontroláveis”. Já os objetos que são muito menores tenderam a parecer: “íntimos, precioso ou frágeis”. “Nesse contexto pode ser então usado a escala para provocar respostas variadas” (CHEATHAM. et al, 1987, p89 - 94). • Contraste de forma (volume): constitui na comparação de características visuais de uma forma para outra forma “triângulo para retângulo, círculo para quadrado”. Já o contraste de volume pode ser obtido “comparando volume à volume – cubo a esfera, cone a cilindro”. E o contraste de forma e volume pode ser criado “comparando a forma ao volume – quadrado ao cilíndrico, círculo a esfera”. (CHEATHAM. et al, 1987, p95-97). • Contraste de direção: os componentes individuais podem ser estáticos e passivos, porem o resultado visual de uma forma geral é dinâmico e dramático, permitindo o alcance de um resultado versátil (CHEATHAM. et al, 1987, p98-99). • Contraste de valor: se constitui na qualidade tonal, claro ou escuro de uma cor ou do cinza neutro, assim eles podem se variar de muito claro para muito escuro para atingir uma gama completa de valores. “O branco é o valor mais claro possível e o preto o mais escuro, sendo assim o contraste de valor mais extremo é o do branco com o preto”. A relação de figura de fundo pode ser encontrada no contraste de valor (CHEATHAM. et al, 1987, p100103). • Contraste da superfície: é denominado como textura, constitui quando os objetos possuem uma qualidade de superfície, que pode se variar entre muito lisa a muito áspera, esse
48 contraste de superfície pode usar características táteis e emocionais no intuito de enriquecer as expressões visuais (CHEATHAM. et al, 1987, p104-107). • Contraste como acento: O acento se constitui quando um pormenor entra em conflito com o conjunto a que pertence, chamando a atenção do espectador. (CHEATHAM. et al, 1987, p107). Na (Figura 9) Rosie Huntington-Whiteley fotografada por Lagerfeld para o assunto de março 2014. Pode observar que existe um grande contraste na imagem em si e também nas cores que compõem a imagem se contrastando entre elas mesmas. Contraste de forma quadrada com redonda, contraste de valor (cores) e contraste de superfície. Fonte:https://www.harpersbazaar.com/fashion/photography/g26417163/karl-lagerfeld-photography-harpersbazaar/?slide=34. Acesso em 15 de outubro de 2020. Figura 9 . Rosie Huntington-Whiteley fotografada por Lagerfeld para o assunto de março 2014 O oposto do contraste é a Harmonia, esses dois elementos têm grande importância tendo um significado mais profundo em todo processo visual e eles influenciam diretamente na maneira de entender o que se vê, o organismo humano busca harmonia, em uma busca de resolução, um estado de calma (DONDIS,1985).
49 Quando se fala em estética a discussão do belo, a harmonia e a proporcionalidade nas artes, sempre vem acoplado (CIDREIRA, 2008). Kossoy (2002) quando escreve sobre o processo de criação do fotógrafo, ressalta que no seu processo de criação a estética está inserida juntamente com as técnicas e cultura, originando a representação fotográfica que então irá se tornar material, a imagem das coisas do mundo finalmente tornando-se um documento. Na Harmonia Monocromáticas há pouco contraste de cor ou até nenhum. Os únicos contrates são entre os tons mais escuros e mais claros da mesma cor. Para criar esse tipo de harmonia, uma única cor primária ou secundária é dominante, assim então usando somente tons variados de uma das cores do segmento do círculo de cor (HALLAWELL, 2010). Segundo Hallawell (2010) a falta de contrastes possibilita a valorização de uma única cor, alguns mestres como Rembrandt e toda a escola que o seguiu, pintou quase exclusivamente quadros monocromáticos, com seus quadros amarelo e marrons. O autor exemplifica que na arte moderna, Picasso teve sua fase azul, quando todos os quadros eram coloridos basicamente de azuis e depois teve também a fase rosa. E por fim Monet que pintou alguns quadros monocromáticos, em tons de verde do seu jardim, muito vibrantes. A cor afeta a qualidade da vida de inúmeras maneiras e variados níveis, podendo ser em um nível prático como as cores dos semáforos, ou num nível mais profundo, podendo afetar nas emoções. A cor pode elevar ou deprimir, acalmar ou estimular o espírito assim como a música. Sendo importante tanto para o lado emocional quanto para o intelectual. (CHEATHAM. et al. 1987). A questão de cor se torna muito importante nas fotografias e editoriais de moda, pois a escolha de como será mostrado as peças variam muito de acordo com os contrastes ou não, escolhidos para tal foto. O que no fim causa um impacto diferente, talvez mais chamativo talvez menos. Nesse caso foram escolhidas algumas imagens para concretizar o impacto da harmonia monocromática. Na (Figura 10) "Congelamento profundo" editorial por Harper’s Bazaar assunto de setembro. Pode se notar um exemplo de equilíbrio de cores monocromática que tendenciam aos tons de azul, em variações tonais claras e escuras de azul. A cor azul assenta o conceito de frieza, patente na representação do gelo.
50 Fonte: https://www.harpersbazaar.com/fashion/photography/a29589555/bazaar-lucie-award-2019/. Acesso em 10 de outubro de 2020. Figura 10 . "Congelamento profundo" editorial por Harper’s Bazaar assunto de setembro O autor Dondis (1985, p.131) afirma que em sequência do Contraste o Equilíbrio vem como componente mais importante para uma criação visual. A importância básica sobre o Equilíbrio é que ele está muito ligado com o funcionamento da percepção humana que possui a necessidade de equilíbrio, tendo o seu oposto que é a instabilidade. Segundo o autor a instabilidade se constitui na carência de equilíbrio, dando origem a formulações visuais “provocadoras e perturbadoras”. Como pode ver na (Figura 11) Nana Skovgaard Vogue Itália setembro 2019, essa imagem representa o equilíbrio, por mostrar que as três modelos estão de pé, tem também o chão e estão na horizontal o que dá uma sensação de equilíbrio.
51 Fonte: https://www.imgmodels.com/news/nana-skovgaard-vogue-italia-september-2019. Acesso em 15 de outubro de 2020. Figura 11 . Nana Skovgaard Vogue Itália setembro 2019 Dondis (1985, p. 132) exemplifica que “A questão de equilíbrio quando comparado a formas geométricas não é complexo, porém quando a forma é irregular a determinação do equilíbrio e analise são mais complexas”. No caso da (Figura 12) Xiao Wen Ju & Bella Hadid Vogue Britânica agosto 2020. É possível observar que a imagem passa uma certa instabilidade, pela modelo estar posicionada na diagonal e não estar com os pés no chão.
52 Fonte: https://www.imgmodels.com/news/xiao-wen-ju-bella-hadid-british-vogue-august-2020. Acesso em 28 de outubro de 2020. Figura 12 . Xiao Wen Ju & Bella Hadid Vogue Britânica agosto 2020 Ainda falando sobre o equilíbrio, Dondis (1985, p.132) afirma que ele pode ser adquirido visualmente de duas formas, Simétrica e Assimétrica. O autor exemplifica que simetria consiste em formulações visuais, na qual “cada unidade se localiza em um lado da linha central, correspondendo exatamente a outra do outro lado. Já a assimetria, era considerado pelos gregos como um mau equilíbrio. ” Cheatham. et al. (1987) descreve a composição nas artes visuais como um método de estruturação utilizado no intuito de organizar as partes que compõem uma imagem por completo, essa composição pode ser organizada em simétrica ou assimétrica, nas composições simétricas: todas as partes componentes de uma imagem podem ser divididas ou posicionadas são organizadas de maneira em que possam ser divididas ou posicionadas de maneira similar a partir da linha central. Essas partes podem ser consideradas um estado de equilíbrio, constituem forças opostas, chegando em um equilíbrio visual, possuindo partes positivas e negativas. Na composição assimétrica: ocorre o oposto da composição simétrica, ou seja, a maior parte ou todos os componentes são arranjados de uma maneira que quando divididos pelo eixo central elas não ficam posicionados igualmente. Nesse contexto Cheatham. et al. (1987, p.35 - 40) exemplifica que as composições simétricas parecem equilibradas, imóveis, estáticas, porém as imagens assimétricas podem
53 parecer desequilibradas, podendo ser definida com instável, ela pode ser uma composição adaptável ou variável também transmitindo mobilidade, ação, sendo esta mais dinâmica. Como pode ser identificado na (Figura 13) Angelina Jolie por Solve Sundsbo editor de moda Patrick Mackie novembro de 2019. A primeira é uma imagem assimétrica, pois está colocando mais elementos para um lado do que para o outro lado. Já a segunda imagem é simétrica demonstra um equilíbrio de forma exagerada, ou seja, os dois lados parecem iguais. Fonte:https://www.harpersbazaar.com/celebrity/latest/a29644077/angelina-jolie-interview-2019/. Acesso em 02 de setembro de 2020. Figura 13 . Angelina Jolie por Solve Sundsbo editor de moda Patrick Mackie novembro de 2019 Segundo Cheathan. et al (1987, p.131 - 134) o Movimento está relacionado com tempo e mudança, ou seja, o três incorporam qualidades uns dos outros. Sendo assim, eles possuem características que permitem que seja comunicado visualmente por meio de sequências. Estas sequências podem ser realizadas de duas formas: uma emprega vários quadros de referência estacionários, já a outra é constituída por um único quadro estacionário. A percepção de sequências visuais é obtida visualmente dividindo a mensagem em vários segmentos individuais que são apresentados em uma sequência ordenada e progressiva. Já a sequências em quadros estacionários de referência são várias que podem ser utilizadas para comunicar a passagem de tempo, a mudança na aparência ou a ação de movimento. Neste caso uma forma de comunicação pode ser mais eficaz que a outra dependendo do objetivo.
54 Cheathan. et al (1987, p. 134 - 145) descreve as variações de sequências: • Sequência aditiva: Sucessão de imagens onde ocorre uma alteração progressiva da forma por adição de elementos visuais. • Sequência subtrativa: De modo inverso da sequência aditiva, a repetição mostra uma exclusão gradual de partes da forma ou imagem inicial. • Sequência de mudança de direção: A sequência de mudança de direção mostra uma sucessão de imagens onde o motivo principal altera orientação do movimento no espaço. • Sequência de mudança de tamanho: Consiste na comunicação de mudança visual referente ao tamanho, de grande para pequeno ou de pequeno para grande • Sequência de mudança de posição: tem variação de maneira progressiva inserindo elementos no intuito de comunicar um movimento. • Sequência metamórfica: tem foco em transformar uma imagem em outra, diminuindo as informações e características da primeira imagem de forma gradual, e adicionando características da segunda imagem. • Sequência de distorção / destruição: tem a função de distorcer ou destruir a imagem em uma sequência progressiva comunicando uma mudança na aparência causada por forças opostas. Segundo Dondis (1985) a atividade é uma técnica que representa ou sugere o movimento, através de sua representação. Já a representação estática causa um efeito de estaticismo e repouso, produzida através do equilíbrio absoluto, a forca imóvel da representação estática. Na (Figura 14) Gigi Hadid para Haper’s Bazaar outubro 2016. É possível identificar na primeira imagem uma sugestão de movimento, já na segunda a imagem está estática a modelo está imóvel em cima do cavalo sugerindo repouso.
55 Fonte: https://www.imgmodels.com/news/gigi-hadid-harpers-bazaar-october-2016. Acesso em 16 de outubro de 2020. Figura 14 . Gigi Hadid para Haper’s Bazaar outubro 2016 Dondis (1985) ainda aponta que cada conteúdo visual tem o seu contrário, dependendo da organização geral da imagem, o que produz o conteúdo e o significado da mensagem. Os elementos opostos auxiliam o criador visual, gerando oportunidade para aprimorar o significado do trabalho no qual está sendo aplicado, recorrendo ao contraste dos mesmos. Contudo, a utilização das técnicas citadas acima de construção e analise visual, serão de grande valia neste estudo, que tem o intuito de analisar as imagens de editorias de moda, visando analisar a ligação da mensagem transmitida com o trabalho do profissional stylist .
56 Capítulo III 3. Processo de Desenvolvimento para Análise do Editorial de Moda O presente capítulo é dedicado ao estudo de análise do papel do stylist no editorial de moda, onde será apresentada as análises das entrevistas e depois será feito a analise visual de imagens dos editoriais de moda. De acordo com o proposto, foi feito entrevistas com profissionais que tem experiência como stylist, para assim compreender o real trabalho desempenhado por eles durante a produção de um editorial de moda, do início ao fim, buscando assim evidenciar e confirmar o verdadeiro trabalho e a importância deste profissional, por trás do resultado final de um editorial de moda, assim como suas influências por trás da linguagem visual da imagem. 3.1 Abordagem Metodológica das Entrevistas De acordo com Marconi & Lakatos (2003) são vários os procedimentos para a realização da coleta de dados para uma investigação, variando de acordo com as circunstâncias ou com o tipo de pesquisa. Para a realização da coleta de dados para esse trabalho foi escolhido a entrevista. Foi considerada adequada a metodologia de entrevista do tipo qualitativa, por se enquadrar aos objetivos pretendidos neste estudo, sendo por meio de pesquisa bibliográfica, entrevistas, e análise como técnicas de investigação. Marconi & Lakatos (2003) esclarece que a entrevista tem como objetivo principal a obtenção de informações do entrevistado sobre determinado assunto ou problema. Sendo assim, o objetivo principal da entrevista aqui, é obter informações para poder entender o real trabalho do profissional stylist para a produção de um editorial de moda, e só depois fazer uma análise nas imagens dos editoriais.
63 Vale ressaltar aqui que quando a J.L. relata sobre os fornecedores e parceiros, ela quer dizer sobre as lojas e marcas que costumam emprestar roupas e acessórios para as seções de foto, é muito importante um bom relacionamento com esses, pois são eles que irão auxiliar na parte de acervo, pois quando o stylist não possui algumas peças ou acessórios em acervos ele costuma emprestar de seus fornecedores e parceiros. Abordagem sobre acervo e complementos para os looks: “Busco o que for necessário para complementar a imagem e garantir a foto de acordo com a ideia apresentada como tema”. J.C. Uma das entrevistadas alega que seu material de trabalho é uma pesquisa diária de referências em inúmeras plataformas: “Relativamente a pesquisas diárias de referências há milhares de plataformas que são obrigatórias num stylist . Vogue, Purple, BOF, CondeNast, Pinterest, Instagram, etc etc”. A.R Com essa resposta é possível reafirmar que a pesquisa de tendência é uma obrigação do stylists , ele precisa saber o que está acontecendo no mundo todos os dias. 3.4.8 Pergunta 7: Como é feio o seu processo de pesquisa de tema (conceito) para um editorial? Esta questão da entrevista abordava sobre como é feito o processo de pesquisa de tema (conceito) pelo profissional para a realização de um editorial. Os entrevistados mostraram que o conceito algumas vezes vem de quem está a contratá-los, isto vem em forma de briefing ou moodboard . Porém, há algumas vezes que eles mesmos podem decidir sobre o conceito das fotos. As respostas foram variadas podendo obter inspiração em filmes, arte, história, revistas, texturas e passando por alguns que dizem ter inspiração em tudo que vê, outros fazem pesquisas mais especificas, alguns abordaram sobre a diferença do conceito para publicidade ou editorial de moda diferenciando. Isso tudo demonstra que o profissional tem mais autonomia para criar em editorias de moda. Abordagem sobre pesquisa de tema para publicidade: “Algumas vezes o tema é apresentado pela equipa ou pelo fotografo ou pelo cliente mesmo. Trabalho muitas vezes para publicidades e esses temas já vêm decididos. Mas também existe casos em que tenho de criar um tema, e aí acho mesmo que a inspiração pode vir de qualquer
64 lado, como um passeio pela rua onde passo por uma senhora bem vestida e começo a imaginar toda uma história à volta dela”. M.S Aqui é possível perceber a diferença de um tipo de trabalho fotográfico para o outro, por exemplo o entrevistado M.S cita sobre trabalho publicitário que já vem com um roteiro a seguir, e desta forma o stylist deve trabalhar dentro do tema imposto pelo contratante. Variação de inspirações para o conceito: “O processo criativo é muito imprevisível. A inspiração normalmente vem pelo acaso. Sou muito apaixonada por arte e história, geralmente estou assistindo um filme, um documentário ou olhando algumas fotografias e fico atraída por algum elemento especifico, logo começo a pesquisar a respeito. Desenvolvo o conceito e convido outros profissionais (fotógrafo, make , modelo) que se encaixam naquele perfil editorial para participar do projeto”. J.L Processo de inspiração para conceito dentro do editorial de moda: “Depende com quem vou trabalhar. Há dinâmicas de grupo muito interessantes. E empresas bastante envolvidas no processo. Por isso todo o processo tem que ser adaptado. Mas o mais importante é o produto que tem que aparecer no editorial. Depois - a minha consumidora! Quem é ela/ele? O modelo! Desenvolver uma contextualização seja ela histórica ou espacial. Esquema de cores. Ação/interação/movimento. Depois de várias referências recolhidas em torno destes pontos cria-se o moodboard onde é colocado as melhores e isso será a base de trabalho para o dia da sessão”. - A.R. Com essa questão foi possível observar pelas respostas que o stylist tem mais liberdade criativa quando faz um editorial de moda, do que em campanhas publicitarias, campanhas para marcas entre outros. 3.4.9 Pergunta 8: Como consegue passar o conceito (tema) da produção para imagem? Na questão que aborda sobre como o profissional passa o conceito (tema) da produção para a imagem. Foi relatado sobre a importância do trabalho em equipe para passar esse conceito através da imagem, e foram citados o papel de cada um da equipe para um resultado positivo. Dois dos entrevistados falaram sobre a importância do moodboard, ele serve de inspiração para a equipe toda estar ciente do resultado que querem no final do trabalho. Outras três respostas englobaram a importância do todo que está ligado a produção da cena em si e toda a
65 contextualização da foto, indicando que tudo deve se comunicar e falar na mesma língua para assim ter o resultado esperado. “Isso deve ser um trabalho da equipe toda, além do look , e da produção montada a modelo deve apresentar o conceito através da expressão corporal para apresentar o tema, e o fotógrafo tem de ter a sensibilidade para capturar a imagem de acordo com o conceito. Somente a junção de todas as partes formam um conceito”. J.C Abordagem sobre a importância do moodboard: “Penso que é através da criação de um moodboard . Um conjunto de imagens e inspirações que nos remetem para determinado conceito. Estas imagens não são necessariamente só de pessoas ou só de roupa, junto muitas vezes imagens de espaços, conjuntos de cores, manchas e objetos. E depois tento fazer a minha leitura e interpretação com a roupa”. M.S Este entrevistado M.S disponibilizou um moodboard que será apresentado juntamente com a análise do seu editorial no tópico 3.5.4 Editorial Virtutis. “Um moodboard bem preparado é muito importante. O préstyling , organização e backup plan são fundamentais! Se toda a equipa estiver alinhada, tem tudo para correr bem”. A.R. Abordagem sobre roteiro a seguir e compartilhamento de informações: “Tudo faz parte do resultado final: cor da imagem, cenografia, linguagem fotográfica, beleza. Tudo tem que estar muito alinhado para conseguir obter o conceito”. L.G “Através de elementos estéticos ou na forma de simbologias. Por isso a importância de um bom roteiro. Pode ser da luz, da atitude da modelo, do objeto de cena... a imagem criada por um stylist não envolve apenas a linguagem no produto de moda, é tudo que está na cena”. J.L Todavia, através da interpretação das respostas aqui é evidente que para um stylist chegar com sucesso no resultado final é preciso um bom trabalho da equipe toda, e todos devem estar falando na mesma língua, por isso também o uso do moodboard , pois assim evidencia com imagens a proposta. 3.4.10. Pergunta 9: Qual a diferença do seu trabalho quando a sessão de fotos é em externa ou em estúdio? No assunto sobre a diferença do trabalho do stylist em sessões de foto externas ou em estúdio, foi respondido pelos entrevistados em unanimidade que as fotos em externas dão muito
66 mais trabalho ao stylist e também a toda equipe, do que as fotos em estúdio, por fatores climáticos, logística, tempo da sessão e algumas limitações que ocorrem ao fotografar em externa. Outro fato relatado foi sobre os cuidados com os equipamentos, estes que são redobrados quando utilizados em externa. Porém, também foi dito que o resultado do shooting em externa é positivo apesar de dar mais trabalho para a equipe toda. Comparação entre fotos externas e fotos em estúdio: “Em externa temos limitações. As variáveis de clima, tempo do shooting , logística podem acabar interferindo sim no resultado. Em estúdio temos tudo sob controle, principalmente a luz”. L.G “Uma sessão externa é uma sessão que requer mais trabalho de casa. É necessário fazer toda a organização e o stylist estar provido do seu styling kit e de todos os contratempos que poderão acontecer. Ainda, muito importante - reconhecimento do local antes da sessão fotográfica é extremamente recomendado”. A.R. “A diferença é que em estúdio está tudo num só local e é muito mais fácil e rápido para troca de looks das modelos ou para juntar algo que falta no shoot . Quando é no exterior é mais complicado porque ou temos de andar sempre a carregar as coisas atrás de nós ou então deixamos num carro e temos sempre de andar para trás e para a frente para trocar looks ou colocar adereços”. M.S Cuidado com os equipamentos em fotos externas: “A diferença é na pré-produção e backstage . Os cuidados com equipamentos e produtos de moda são redobrados. Uma produção externa é muito mais exaustiva e depende muito de uma equipe dedicada e envolvida, pois interferências externas envolvendo clima, acessibilidade, sujeira, perigo com assalto, local para camarim improvisado, etc. atrapalha o humor e concentração de todos. Um bom produtor executivo é essencial nesses dias para o trabalho sair com perfeição”. J.L. Abordagem sobre resultados em fotos externas: “Tudo que se faz na externa leva mais tempo, troca de roupas, luz, até mesmo o simples fato de ir ao banheiro. Porém a vantagem é que geralmente o resultado final fica mais bonito pois a luz natural é sempre assertiva e os cenários são muitas opções até para o desenvolvimento da modelo”. K.P.O. Nesta questão foi observado, que as respostas se complementaram, os entrevistados falaram praticamente detalhes que complementavam a ideia do outro.
67 3.4.11. Pergunta 10: Como você organiza o tempo durante o shooting (sessão de fotos)? A respeito da organização do tempo durante o shooting , as respostas foram variadas, pois cada um possui uma maneira de controlar o tempo durante a sessão de fotos e é dividido de acordo com: a quantidade de looks que tem para fotografar; seguir um cronograma; variação de acordo com o trabalho que for executado. Alguns stylists apontaram divisões de tarefas que são efetuadas, como: tarefas de dia anterior e outras que são do dia da sessão e dizem que isso influencia muito na organização do tempo. Divisão de tempo por quantidade de looks: “Com as peças já editadas o tempo é dividido pela quantidade de looks X tempo de sessão. Imprevistos são corrigidos imediatamente, mas também é um trabalho de equipe, se o tempo para foto for maior apressamos na troca e vice-versa”. J.C Plano de Horário: “Costumo ter um plano comigo e que partilho com os meus colegas, um esquema com horas e chegada, hora de começar a maquilhar e a fazer o cabelo e hora de shoot ”. M.S Variação de tempo de acordo com o trabalho: “Tudo depende muito do trabalho. Quantidade de imagens que devem ser produzidas, se é lookbook , campanha, editorial. Com isso, conseguimos alinhar a logística do tempo da diária”. L.G Divisão do tempo: “A pré-produção de moda, edição das cenas junto ao cenário e looks são feitos sempre com antecedência de alguns dias ou na véspera. No dia da sessão, a equipe geralmente chega antes das 7 da manhã, quando todos já estão no local procuro organizar o espaço onde será o camarim, lá é onde irei iniciar todo o processo como organizar as araras, mesas, direcionar as camareiras, assistentes, modelos e maquiadores. Enquanto aguardo a beleza ser finalizada e as roupas serem passadas, tenho uma pequena reunião com o fotógrafo para alinhar as cenas. Modelo pronta, luz pronta e look pronto, é só iniciar o shooting ”. J.L “É um trabalho de equipa e a organização antes da sessão fotográfica vai influenciar todo o shooting day ! Se existir essa preparação, só irá correr bem! De qualquer das formas, o reconhecimento do local, enquadramentos, fitting , cabelo, make up , é algo que deverá ser feito antes. No local e na sessão fotográfica as pessoas devem estar relaxadas e fazerem arte acontecer! ” A.R
68 Contudo, fica claro que o tempo em uma sessão fotográfica é ‘dinheiro’, com isso pode notar que esse fator influencia muito na sessão, pois quem está trabalhando tem hora para tudo, ou seja, entre uma foto e outra a troca de roupa o cabelo e maquiagem o retoque do cabelo, as refeições entre outros, estão sempre cronometrados em um shooting day . 3.4.12. Pergunta 11: Consegue listar suas tarefas e funções, dividindo elas entre: preparação para o shooting (sessão de fotos), dia das fotos e pós sessão? Nesta questão foi pedido para os profissionais listarem suas tarefas e funções, divididas entre: preparação para o shooting , dia do shooting e pós sessão de fotos, para assim evidenciar como é dividido o trabalho do stylist . Sobre a preparação para o shooting foi possível observar que nesta divisão estão as pesquisas, reuniões com o contratante, edição dos looks, preparação de complementação de look, fitting (prova), entre outros. No dia das fotos foi observado que é feito nova edição dos looks como, trocar a modelo, acompanhar finalização da maquiagem e cabelo, checar a iluminação, fotografia e acompanhar fotos. E na pós-produção foi relatado que é feito a devolução das peças emprestadas e organização de acervo. Preparação para o shooting : “Preparação: Interpretamos o mood para a construção da imagem, montamos um story board para saber que lado seguir, se acessórios e calçados terão que ser desenvolvidos ou será de parceiros, até a chegada da data do shooting você está trabalhando em cima da marca. Aí na véspera editamos os looks e organizamos os detalhes finais da produção”. K.P.O “Preparação: sempre faço a edição antes da sessão. Conheço a coleção, entendo tema, cartela de cores, materiais e inspirações. Com isso consigo fazer a produção de moda mais assertiva”. L.G “Styling (escolha da linha de acessórios a serem usados e das roupas a serem fotografadas), definição do tipo de maquiagem e cabelo, pesquisa de tendências de moda, produção de objetos, pesquisa de novos fornecedores, contato com marcas para empréstimo ou compra de acessórios, na véspera é feita a edição de looks na fábrica do cliente e a busca de peças em shopping e lojas de rua para compor a produção, é feito a proteção com fitas nos calçados e roupas a serem usadas na produção que são de empréstimo”. J.L
69 Dia das fotos: “Dia das fotos: Nova edição, organização dos materiais, passadoria, vestir a modelo, devolução dos looks para a marca, limpeza do ambiente utilizado”. J.C “Dia das fotos: organização das peças com o cenário. Para isso, a equipe toda tem que estar alinhada. passadoria, pré edição de calçados e acessórios. Acompanho a finalização do make e hair . Faço um check com a equipe de luz e fotografia”. L.G “No dia: Chegamos sempre no horário e organizamos a bancada de acessórios e calçados. Fazemos a edição de looks caso não tenha sido feita antes e a camareira inicia o passamento das roupas. Como somos em duas uma já entra em contato com a equipe para saber como será o andamento da diária. Depois da make pronta começamos as trocas de roupas e a produção de acessórios, acompanhamos as fotos e fazemos os ajustes necessários nas roupas para que fiquem mais perfeitas possível no resultado final do trabalho. Isso é feito durante o dia todo até finalizar a coleção. Gostamos de manter nosso camarim sempre organizado, separando os looks que já foram fotografados e ao final do job guardamos nosso material de trabalho”. K.P.O “Dia de shooting : fazer fitting na modelo no caso de a modelo não estar presente no dia anterior (alinhar as peças se necessário enquanto os próximos 2 passos), organizar a roupa por ordem fotografada e alinhar muito bem a assistente para todas as trocas, make up , cabelo, shooting ”. A.R Pós-produção: “- Na pós-produção é feita a devolução das peças emprestadas sem nenhum defeito, a escolha das fotos e a sequência de página para o designer montar o material gráfico”. J.L “Pós: Fazemos a devolução da produção para os nossos parceiros e organizamos as peças que são do nosso acervo”. K.P.O Contudo, é evidente a importância na organização e divisão das tarefas no trabalho do stylist , e a complementação de uma tarefa para a outra. 3.4.13. Pergunta 12: Quais são seus critérios para fazer a edição dos looks (montagem dos looks)? Sobre os critérios para fazer a edição dos looks , foi respondido pelos entrevistados que a cor é um fator primordial para criarem então a edição dos looks entre outras formas que são
70 possíveis como volume, comprimento, estilo, também foram citados que varia de acordo com o tema a edição que será realizada por eles, e também de acordo com o objetivo das fotos. Percepção do objetivo e tema: “O mais importante é perceber qual o objetivo final. Algo artístico? Algo real? Quem é a consumidora? Onde vai ser exibido este trabalho? É importante deixar definido estes pontos, uma vez que no styling se podem brincar com volumetrias, com layers , com irrealidades, com fantasias. Porém, o sentido estético e a homogeneização são um ponto fundamental”. A.R “Troca de cabelos e maquiagem que complementam a imagem de acordo com o tema”. - J.C Cores: “Cartela de cores. Ela sempre foi a minha base para iniciar uma edição. Uma boa coleção já sugere a evolução de cores mediante sua cartela e estampas”. L.G “Existe várias maneiras de se fazer uma edição. Por volume, estilo, comprimento, décadas, etc. Eu gosto de trabalhar a sequência de cor”. J.L “Separamos a coleção por famílias de estampas e cores. ” K.P.O De acordo, com as respostas acima ficou claro que as edições estão ligadas com uma área totalmente visual, quando relatam sobre cores, shape (formato) do produto, estampas e também fazem a ligação com o tema. 3.4.14. Pergunta 13: Qual das funções que você exerce que julga a mais importante? Abordando sobre qual seria as funções exercidas que o stylist julgaria mais importante que exerce, houve uma variação nas respostas, cada entrevistado julgou um lado do seu trabalho importante variando entre, entender a proposta do material, complementação necessária para atender o tema, direção, uma boa edição dos looks e ajustes, motivação da equipe e compromisso com as marcas de parceria. A importância da relação com os fornecedores ou também parceiros: as marcas ou lojas que emprestam acessórios, roupas, sapatos e objetos necessários em geral sem custos. Compreensão do briefing: “Acredito que toda a parte do processo. Mas o entendimento do briefing ou proposta do material é o essencial para conseguir um resultado com excelência”. L.G Edição dos looks:
71 “Edição, organização dos looks e ajuste das roupas na hora da foto”. K.P.O Motivação da equipe: “A produção do conteúdo inspiracional, porque vai ser o primeiro fator decisivo! Motivar a equipa e colocar todos alinhados com o mesmo objetivo. Um stylist não veste só a modelo. É a alma criativa e unificadora de toda a equipa”. A.R Marcas parceiras: “Penso que a função mais importante é o compromisso com as lojas e os showrooms que nos emprestam a roupa. É uma grande responsabilidade levantar roupa para fotografar, usar, e depois ir devolver aos mesmos sitios. Temos de ter cuidado extremo para não estragar e não sujar as peças. Temos de ter sempre uma boa relação com as marcas e com os showrooms para que continuemos a trabalhar”. M.S Nesta questão foi variada as respostas, pois é uma questão que leva ao lado pessoal dos stylist , indo para uma visão mais particular. 3.4.15. Pergunta 14: Como você reage aos imprevistos durante o shooting (sessão de fotos)? Na indagação sobre como o profissional reage sobre os imprevistos que acontecem durante a sessão de fotos nota-se que durante todo trabalho em equipe é possível aparecer imprevistos e em uma sessão fotográfica é possível identificar muito imprevistos que ocorrem. Eles responderam que os imprevistos que surgem é sempre preciso resolver tudo com calma, criando soluções, mas com uma noção de que não pode perder tempo, mas visando o melhor resultado. Segundo uma entrevistada os imprevistos devem ser previstos e organizados de forma pensada. Outra entrevistada descreve que o importante é não deixar de criar imagem, pois é esse o objetivo do shooting . Abordagem sobre soluções para os imprevistos: “Tento sempre manter a calma e pensar no que é mais importante naquele momento. Pensar que tenho pessoas a depender de mim e com timings a cumprir”. M.S “Com criatividade. O sucesso está em ter ideias e soluções rápidas para resolver qualquer tipo de problema”. J.L Abordagem sobre previsão dos imprevistos:
72 “O segredo é incluir a todos os possíveis imprevistos na planificação do shooting e levar já backup plans resolvidos. Manter a calma e pró atividade. Melhor ainda é tomar partido destes imprevistos para criar cenas interessantes (como por exemplo - começar a chover numa cena de exteriores) ”. A.R Abordagem sobre criação de imagem mediante a imprevisto: “Nunca devemos ficar preso a ideia inicial, muitas vezes temos imprevistos, e temos que lutar com as armas apresentadas no momento, o importante é nunca deixar de conseguir obter a imagem, por mais diferente da ideia inicial que se teve. Ficar sem imagem é ficar sem material algum, se a modelo passa mal fotógrafa a roupa pendurada, se choveu clica a cena molhada, se a produção não agradou desconstrói e clica apenas a roupa, o importante é chegar ao fim com imagens que possam ser trabalhadas no pós shooting . Mas nunca, nunca abandonar uma sessão”. J.C De acordo, com as respostas, é possível observar que em resumo, os entrevistados deixaram claro que independentemente do imprevisto que surge durante a sessão de fotos eles devem solucionar e as vezes até com antecedência pensar em quais imprevistos podem acontecer e também procurar se preparar para isso, mas independentemente do problema, eles devem cumprir o dever deles que é o de entregar as imagens. 3.4.16. Pergunta 15: Como é sua relação com a equipe de trabalho? Nesta interrogação sobre como é a relação do stylist com a equipe de trabalho eles responderam abordando sobre a importância na comunicação da equipe, colocando os envolvidos a par das informações da sessão. Também ressaltam a importância da harmonia entre a equipe e do compartilhamento de todas as informações, dinamismo e objetividade. Abordagem sobre harmonia com a equipe: “Deve ser harmônica, todos a devem respeitar as partes envolvidas, pois cada um tem sua função para o bom resultado do todo. Se não há comunicação entre alguma parte, certamente o material não vai atingir o objetivo. A energia de cada um está envolvida, e fará parte do resultado final”. J.C Abordagem sobre bom relacionamento com a equipe:
79 garota não é inocente como na história original. Esse editorial traz o storytelling , ou seja, o editorial vem para contar uma história através de suas imagens. De uma forma geral, observando todas as imagens do editorial pode ser analisado alguns aspectos gerais e depois será feita a análise de imagem por imagem. Então, observando todas as imagens nota-se que o editorial conta uma história e existe uma sequência de imagens que não podem ser observadas fora da ordem, pois se observadas fora da ordem, a história perde todo o contexto e sequência narrativa. Sendo utilizado uma sequência de mudança de posição, esta que consiste na variação da forma de maneira progressiva inserindo componentes para comunicar um movimento. O editorial tem imagens muito marcantes pelo contraste de valor (cor) que acontece em quase todas as imagens desta série, mesmo com a floresta e a casa na floresta de cenário, o fotógrafo e a stylist sempre deixaram o personagem principal da história aparecer mais vezes do que os outros, seja nas cores ou nas poses que foram fotografadas, é muito interessante porque evidencia a história que é contada. A (Figura 15) editorial O lobo e a menina da capa vermelha por Joseane Larissa. Contém da primeira até a sexta imagem do editorial. Observando a primeira imagem da esquerda para a direita, a menina está caminhando no bosque aproxima-se do lobo e há um caçador escondido atrás da árvore. A relação da menina com o lobo parece ser de amizade, a impressão que passa é que o caçador está esperando alguém só ainda não fica evidente quem seria, se é o lobo ou a menina. Nota-se movimento e ainda existe um alinhamento por sistema de grelha. A segunda imagem da esquerda para direita, demonstra que a menina e o lobo têm uma boa relação. Analisando visualmente é possível perceber que o contraste de valor gerado entre a cor vermelha da vestimenta da menina e do cesto de flores se contrasta com o verde da grama, e chama mais atenção que a cor preta do lobo. Apesar de estarem sentados a imagem passa movimento pelo gesto que a menina faz acariciando o lobo. Na terceira imagem aparecem mais personagens, que são mais quatro lobos além do primeiro lobo de terno que aparece, a menina aparece no meio da imagem com uma longa capa vermelha. Essa imagem possui um detalhe que é na cor da roupa do lobo, o que está de terno se diferencia de todos os outros, a imagem pretende mostrar e frisar que foi um encontro amoroso, o lobo que estava no gramado com a menina, vestindo-se de forma distinta dos outros.
80 A imagem possui um contraste de valor entre as cores deixando mais uma vez a menina como foco da imagem. A imagem sugere movimento por parte dos lobos já a menina encontra-se estática. A imagem está alinhada de forma óptica, ou seja, não vemos a linha, mas todos os elementos estão na mesma orientação, o que também gera um certo equilíbrio na foto. A quarta imagem representa que os personagens estão ouvindo uma história, do lobo de terno, a iluminação com tom de dourado, a composição cenográfica com as velas e o fundo da imagem e chão todo em madeira, passando uma mensagem de aconchego e conforto. Novamente os três lobos aparecem vestidos iguais e o outro lobo de terno, a menina aparece pela primeira vez sem o capuz na cabeça, deixando à mostra o cabelo com cachos, demonstrando feminilidade pelos cachos (formas orgânicas). Essa imagem está em equilíbrio de valor (cor). A imagem é mais estática devido aos personagens estarem imóveis ouvindo uma história, eles não produzem movimento. A imagem está alinhada e as figuras formam um agrupamento. Na quinta imagem a menina aparece saindo da casa aconchegante, com o lobo de terno, e são surpreendidos pelo caçador que estava na primeira imagem do editorial, escondido, para pega-los de forma inesperada. A menina tem uma feição de espanto e surpresa, e o lobo de terno faz um sinal com as mãos que passa a ideia de que ele quer parar o caçador. A imagem sugere uma sequência visual de movimento pela expressão corporal dos três personagens que estão em atividade, uma sequência visual. A sexta imagem retrata o caçador mirando com o arco e flecha e com uma feição intrigante. Pode-se ler essa imagem com a técnica de segregação porque o fundo fica desfocado e a atenção total do público ao ver a imagem foca-se no caçador, também possui um contraste de (valor) cores auxiliando nessa separação visual o fundo verde da imagem, a imagem está em movimento e o caçador está pronto para disparar. Na (Figura 16) Editorial, o lobo e a menina da capa vermelha por Joseane Larissa. Está organizado as imagens da sétima até a décima quarta. Analisando a sétima imagem, nós como espectadores, somos surpreendidos, pois a menina da capa vermelha aparece no fundo da imagem com uma faca na mão. O lobo aparece caído no chão, e o caçador de joelhos toca no lobo e observa se o lobo estava vivo ou morto. A imagem é intrigante pois a menina está com a faca na mão, mas ninguém está ferido pela faca. Esta imagem possui um grande contraste de valor (cor) a menina da capa vermelha aparece muito na imagem pela cor da roupa estar em contraste com o resto da imagem, ela está em segundo plano mais ao olhar a imagem é possível notar ela antes do lobo e do caçador. A imagem sugere
81 movimento porque os personagens estão em atividade, passa uma certa ideia de estabilidade por permitir ver o chão, é assimétrica e está alinhada. Vendo a oitava imagem, nota-se que a faca que está na mão da menina da capa vermelha está suja de sangue, e a menina demonstra em seu rosto uma expressão de fúria e vingança, mais ainda não podemos tirar conclusões sem antes finalizar a visualização da sequência de imagens. A imagem demonstra movimento na expressão visual tanto pelas mãos quanto pela a capa estarem em movimentando. A imagem é assimétrica, está alinhada e mesmo que os tons da imagem sejam parecidos ainda geram um grande contraste de valor (cor) e também, de formas, pois no vestido da menina e na capa é composto por formas orgânicas e a imagem de fundo é composta por um padrão de figuras geométricas. Aqui está presente a segregação visual, ou seja, os elementos que não são essenciais são removidos da imagem. Na nona fotografia a menina está no centro da imagem o que chama muita atenção. O rosto da menina demonstra um olhar de ironia e ao mesmo tempo passa uma certa curiosidade (quando você não sabe o que a pessoa quer). A faca ainda está suja, mas há um detalhe que pode ser visto só depois do primeiro impacto com a imagem, que deixa a atenção voltada para a menina pelo contraste de cor gerado na figura e (segregação) olhando novamente, nota-se que há um homem caído atrás, e por um pequeno detalhe vermelho da roupa, é possível identificar que esse homem é o caçador. Da sexta imagem até a nona imagem é possível identificar uma sequência de mudança de posição. A décima e a décima primeira fotografia têm um grande impacto visual pelo contraste de valor (cor) e também pelo movimento causado pela fluidez da linha pelo movimento da capa da menina na décima e pela menina estar em atividade correndo na fotografia décima primeira. A décima terceira foto mostra a menina relaxada lendo um livro para os lobos, dessa vez ela conta a história dela como a vilã salvando o lobo e matando o caçador. Os outros lobos aparecem trajados de forma igual. A décima quarta foto mostra a menina indo embora da floresta com sua cesta de flores, a menina está de costas e essa imagem passa uma relação de dever cumprido, voltando para casa. Contudo, de forma geral este editorial passa uma história para seus observadores, uma história contada de uma nova maneira, uma releitura que também deixa uma lição como a história original.
82 Resumo: O editorial segue uma sequência de imagens que auxilia no entendimento da história contada, existe uma sequência de mudança de posição (para comunicar um movimento), existe uma variação entre contraste de (valor) e imagens que estão em equilíbrio, foi utilizado sistema de grelha em algumas imagens, imagem de fundo, imagens em movimento ressaltando a menina da capa vermelha que fica em evidência no editorial.
83 Fonte: https://joseanelarissa.tumblr.com, acesso em 02 de julho de 2020. Figura 15 . Editorial O lobo e a menina da capa vermelha por Joseane Larissa
84 Fonte: https://joseanelarissa.tumblr.com, acesso em 02 de julho de 2020. Figura 16 . Editorial O lobo e a menina da capa vermelha por Joseane Larissa
85 3.5.2 Editorial Selva de Pedra O editorial “Selva de Pedra” é das stylists Kelly e Paula Oliveira, da Oliv Produções. Ficha técnica: Fotografia: Junior Gondo, Styling e produção: Oliv produções, Beleza: Moises Costa e Modelo: Najara Ascencio. O texto de apoio do editorial é “O preto e o branco vestem a nova guerreira urbana, com uma beleza iluminada e despreocupada ela traz para as ruas a vitalidade da selva, que se une a ousadia da mulher moderna. Linhas retas reafirmam sua força, e tecidos leves suavizam seus movimentos. “ É possível notar com o texto de apoio informações importantes como, cor que seria o preto e o branco, fala da beleza que seria iluminada, fala também sobre linhas retas e também sobre tecidos leves. No texto nota-se que existe um certo equilibro que mistura as linhas retas representando a força e os tecidos fluidos, suave criando Contraste de Expressão. Mulher ousada, moderna e guerreira, trazendo elementos da selva para a cena urbana, que poderá ser o conceito de base para o contraste indicado anteriormente. Observando as imagens do editorial na (Figura 17) Editorial Selva de Pedra por Oliv Produções. As imagens transmitem uma certa ideia de uma mulher forte, sem medo, como o texto faz relação. O texto está coerente porque informa alguns aspectos visuais que evidenciam o entendimento do editorial. Também algumas das imagens de corpo todo foram capturadas de baixo para cima, o que cria uma ilusão de que a modelo é ainda mais alta, gerando um certo ‘emponderamento’ da modelo que representa essas mulheres fortes e guerreiras. As imagens de rosto revelam muita expressão de força e uma mulher sem medo devido à iluminação fria, ressaltando a frieza dessa mulher, deixando o editorial pouco romântico. A modelo está em movimento nas imagens de corpo inteiro, já nas de close está parada, mas o rosto expressa muita atividade. Há muito contraste nas imagens, contraste de valor entre a cor preta e branca, contraste de formas entre formas geométricas e formas orgânicas. Na primeira fotografia, sexta e décima primeira, são as imagens que tem um close maior no rosto da modelo com uma expressão facial que traduz força e vitalidade, chegando até a dar impressão de um ar selvagem. A iluminação na maquiagem ressalta a expressão forte traduzida pelo rosto. Na primeira a modelo está posicionada deixando a lateral do rosto para a câmera. Na sexta fotografia ela se encontra com o rosto de frente para a câmera, sendo uma imagem simétrica. E, na décima primeira imagem a modelo está olhando para o horizonte e pensativa.
86 Essas três imagens tem um contraste de valor (cor) que seria do preto para o branco, esse contraste continua também nas cores do cabelo da modelo. Com o cenário branco a modelo na frente cria uma figura fundo, desta forma os padrões geométricos e a cor preta e branca oscilam com o fundo branco, confundindo a parte branca destes elementos com o fundo. Na segunda e terceira imagem a roupa da modelo se repete e as duas imagens passam uma mensagem de sequência de mudança de posição, na imagem dois, a modelo está sentada e na terceira ela está em pé se apoiando no banco, o que demonstra movimento. Novamente se repete o contraste de cor, e também o contraste de formas geométricas e orgânicas. Geométrica presente na estampa da calça da modelo, na peça de cimento presente no cenário, sandália da modelo. E orgânica, presente no cabelo da modelo com cachos (suavidade) e tecido fluido da calça e da blusa. A segunda imagem é simétrica e está em equilíbrio (horizontal), a terceira é assimétrica e está em desequilíbrio pela modelo ter as pernas posicionadas na diagonal. A quarta e quinta imagem novamente possuem uma sequência de mudança de posição sugerindo movimento de uma imagem para a outra. Aqui ainda há um contraste além de valor entre a cor preta e branca há um contraste nas formas: listras das calças (geométrica) para missangas redondas (orgânica) no top e ainda, perfurações no colete de cima. Na quinta imagem existe uma lei de segregação pois a imagem foi recortada, dando mais ênfase na parte de cima da modelo. Na sétima imagem, oitava, nona e décima, a modelo está sendo fotografada de baixo para cima, gerando um aumento de tamanho da modelo, frisando então as palavras do texto sobre mulher de força, assim então deixando a mulher maior em dimensão enaltecendo seu poder. As poses sugerem movimento, os tecidos fluidos e leves auxiliam na função de dar movimento a imagem. Além dos tecidos serem fluidos tem a parte rígida que está presente no calçado formado por figuras geométricas. O editorial retrata nas vestimentas, roupas confortáveis de tecidos leves e fluidos, remetendo a mulher urbana, com calçados confortáveis. Em geral o editorial tem uma mensagem para passar para a mulher urbana, enaltecendo ela como uma grande mulher de força e guerreira sem perder a feminilidade. Resumo: O editorial tem iluminação fria, sugere movimento, varia entre imagens simétricas e assimétricas, possui um contraste de formas entre as formas (geométricas e orgânicas), contraste claro-escuro. Figura fundo e geometrização das linhas retas e das poses angulosas, imagens de ângulos que deixam a modelo maior em tamanho concretizando a imagem de mulher “forte”
87 Fonte: https://www.facebook.com/olivproducaomoda/photos/818121361641077, acesso em 02 de julho de 2020. Figura 17 . Editorial Selva de Pedra por Oliv Produções
88 3.5.3 Editorial Desvio para o Vermelho O Editorial intitulado “Desvio para o Vermelho” é da stylist Lariane Gabriel. Significado: Red Shift é uma noção da física segundo a qual quando um corpo que se afasta a uma velocidade astronómica as ondas emitidas ficam longas e a sua radiação é percecionada como vermelha. Quando os astrónomos olham para o céu e observam corpos celestes vermelhos deduzem que estes se estão a afastar. O mesmo acontece com o som. Quando um comboio se aproxima, sentimos o som como agudo e quando se afasta sentimos o som como grave. O título deste editorial, sugere uma cor que é a cor do editorial todo. Este editorial se encontra na (Figura 18) Editorial Desvio para o vermelho por Lariane Gabriel. O vermelho além de ser uma cor marcante possui um significado por si só. É possível observar que a modelo se posiciona e transmite muita expressão visual e de movimento nas imagens. Esse editorial possui uma harmonia tonal pela variação entre os tons de vermelho, sendo assim monocromático. Há um contraste entre a pele da modelo muito clara e do seu cabelo muito claro gerando um contraste com a cor das roupas e também com a cor do cenário, deixando a modelo em si com alto contraste, por isso a modelo está presente e aparece no editorial, mais do que por exemplo se fosse uma modelo morena. Porém, o cenário e as roupas estão em harmonia monocromática. As imagens do editorial passam um certo equilíbrio, estando alinhadas no sistema de grelha, sempre enquadradas de forma centralizada. A iluminação vermelha está presente auxiliando na monocromia da imagem de cores quentes. Mas para opor a essa centralização e harmonia cromática, a pose da modelo produz ângulos acentuados e desse modo gera movimento. Na primeira imagem e segunda, a modelo veste um tom de vermelho vivo, ela faz poses e expressões que demonstram que ela está em uma dimensão distante de tudo aquilo. A expressão da modelo com os olhos, passa uma imagem de um olhar de desprezo na primeira imagem, já na segunda um ar de arrogância, ela parece estar se sentindo tediosa de todo aquele mundo criado na cenografia, ou tediosa por algum motivo. Na sexta e sétima imagem a modelo está vestida com o mesmo tom do vermelho da cenografia, o que evidencia mais ainda sua expressão corporal. Na sexta imagem ela está olhando fixamente para a câmera, com os braços entrelaçados na parte de traz demonstrando firmeza, já as pernas está uma dobrada e outra reta a perna que esta dobrada permite mostrar a pele da modelo na parte de baixo do vestido quebrando o vermelho e aparecendo novamente a pele, esta imagem é sutil, mas a perna não está ali por acaso, e sim para dar contraste ao que era somente
95 O stylist Miguel disponibilizou uma imagem de trabalho, cujo nome é moodboard. O moodboard serve como uma imagem de inspiração para o profissional mostrar através de imagens o que ele pretende fazer com o editorial. Durante a entrevista, houve uma das indagações que perguntava como o profissional desenvolvia o conceito para as fotos, e o stylist se propôs enviar juntamente ao seu editorial, uma imagem sua de moodboard que se encontra na (Figura 20) Moodboard do Editorial Virtutis por Miguel Silva para EDIT, para complementar o entendimento do seu editorial e evidenciar para que serve o moodboard . Fonte: https://edit.pt/moda-2/, acesso em 14 de julho de 2020. Figura 20 . Moodboard do Editorial Virtutis por Miguel Silva para EDIT
96 Capítulo II 4. Considerações Finais 4.1 Conclusões Este estudo teve como objetivo central o intuito analisar os editoriais de moda e o caminho que o stylist percorre durante o processo de criação do editorial. Nesse sentido fez-se um estudo aprofundado para corresponder aos objetivos. Para a realização do objetivo principal, buscou-se: • Compreender a fotografia de moda, sua abrangência e fotografia do editorial de moda; • Compreender sobre o editorial de moda e os elementos que o compõem e influenciam no resultado final: conceito, fotografo, locação, cenografia, iluminação, casting (modelos), maquiagem e cabelo, seleção das peças e edição de looks; • Perceber o trabalho do stylist de moda no editorial de moda; • Compreender as técnicas de analise visual; • Verificar o real trabalho realizado pelo stylist por trás da produção do editorial de moda através da entrevista; • Analisar as fotografias dos editoriais de moda; • Executar uma análise visual dos editoriais de moda; • Sintetizar a mensagem visual que foi passada através do editorial de moda. Sobre a fotografia de moda, sua abrangência e editorial de moda, foi possível concluir que a fotografia de moda faz parte da história da moda, por retratar vários momentos importantes nas criações de estilistas ou como também fotografias de desfiles. Já os editoriais têm grande
97 importância para a disseminação dos produtos de moda e mesmo que seja fotografias de editoriais ainda tem poder de venda de produtos. Sobre os elementos que o compõem o editorial de moda, foi encontrado na bibliografia informações que falam sobre as descrições deles e aplicações, de maneira separada encontrado no capitulo 2. Esses elementos são como peças de um quebra cabeça com a junção de todos é formado a produção completa de um editorial de moda. Entretanto, eles influenciam e muito no editorial. Com a compreensão das técnicas visuais foi dado um grande avanço ao estudo, que serviram de base para as análises das fotografias dos editoriais de moda, servindo como uma das ferramentas principais do trabalho. Ao verificar o real trabalho realizado pelo stylist por trás da produção do editorial de moda através da entrevista, foi possível esclarecer e até confirmar algumas informações encontradas na bibliografia. A entrevista auxiliou no entendimento da parte prática do stylist , também nas pesquisas e seu processo de criação, simplificando e respondendo o que não tinha na bibliografia. As análises das fotografias dos editoriais de moda foram executadas de maneira detalhada e precisa, encontrada no capitulo 3. Esta análise serviu para auxiliar na compreensão da imagem retratada no editorial para perceber o entendimento da mesma. A sintetização da imagem que foi passada através do editorial de moda serviu para a união de todos elementos que os compõem. Quando os elementos que compõem a imagem são estudados de forma desfragmentada, não parecem ser importantes, porém quando é preciso entender a mensagem num todo, todos os elementos se fazem importantes e influenciam a produção de moda de um editorial. 4.2 Limitações e Perspectivas Futuras A principal limitação encontrada neste estudo foi a falta de bibliografia falando sobre o trabalho do stylist em si e também livros específicos somente sobre editorial de moda. A maioria dos livros tratavam sobre fotografia de moda em modo geral. Os que abordavam sobre o trabalho do stylist eram a minoria. No decorrer do estudo surgiram algumas indagações para estudos futuros estas que são:
98 • Estudar a relação entre o tema do editorial e a imagem final analisando as mudanças e os caminhos que foram percorridos; • Analisar o conceito de coleção e diferentes opiniões entre o stylist , marketing e estilista para criação do editorial; • Analisar o papel e trabalho de produtora executiva e diretora criativa de campanhas de moda; • Investigar quais são os lugares que mais se repetem em editorias de moda, fotografias de moda, quais as locações escolhidas; • Fazer uma comparação abrangente entre as diferenças do stylist comercial para o stylist editorial e o stylist de desfiles de moda; • Aprofundar um estudo sobre o surgimento e a disseminação do stylist no mundo da moda; • Analisar se as marcas fazem suas campanhas destinada para seu real público alvo.
99 BIBLIOGRAFIA Aubenas, S. Demange, X. (2007). Elegance: The seeberger Brothers and the Birth of Fashion Photography, San Francisco: Chronicle Books. Aumont, Jacques. (1993) A imagem . 6ed. Campinas, SP; Papirus Editora. Baron, Kathe. (2012). Stylists: New fashion visionaries. London: Laurence King Publishing Ltd. Barthes, Roland. (1984). A Ca ! mara Clara . Trad. Ju"lio Castanon Guimara!es. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira. Barthes, Roland. (2009). Sistema da Moda. - (Coleção Roland Barthes). Tradu. Ivone C. Benedetti. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes. Bazaar. H. (2014). Rosie Huntington Whiteley para Harpers Bazaar Reino Unido primavera. <https://www.spottedfashion.com/2014/01/30/rosie-huntington-whiteley-in-harpers-bazaar-ukwith-spring-2014-runway-goodies/>. Acesso em 10 de outubro de 2020. Bazaar. H. (2019). "Congelamento profundo" editorial por Harper’s Bazaar assunto de setembro <https://www.harpersbazaar.com/fashion/photography/a29589555/bazaar-lucie-award2019/>. Acesso em 10 de outubro de 2020. Blackman, C. (2011). 100 Anos de Moda: a história da indumentária e do estilo no século XX, dos grandes nomes da alta-costura ao prêt-a-porter. São Paulo: Publifolha . Buckley, C., & McAssey, J. (2011). Basics Fashion Design 08: Styling . AVA Academia. Cheatham, F. R., Cheatham, J. H., & Owens, S. H. (1987). Design concepts and applications . Prentice Hall. Cidreira, R. (2008). Moda e Estilo : Introdução A Uma Estética De Moda. Revista FAMECOS, Porto Alegre, n 36, [online]. Acesso em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/4414/3314 >. Acesso em 23 setembro 2020. Cortina. G (2020). Anna Ewers's editorial “a vida é uma praia” <https://www.harpersbazaar.com/fashion/photography/g5516/anna-ewers-fashion-shoot0515/?slide=7>. Acesso em 29 de outubro de 2020. DeMarcus. (2020). DeMarcus Allen para L’Officiel Ucrania com Emmanuelle Lacou. <https://fashioneditorials.com/demarcus-allen-for-lofficiel-ukraine-with-emmanuelle-lacou/>. Acesso em 21 de outubro de 2020. Dingemans, J. (1999). Mastering fashion styling . Macmillan International Higher Education.
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103 Anexo I - Roteiro de Entrevista EntrevistaTema: O papel do stylist no editorial de moda. Objetivos: Explorar o trabalho do stylist , compreendendo suas funções exercidas do início ao resultado final do editorial de moda. Com o intuito de identificar os processos do stylist dentro da construção da imagem de moda. Conjunto de Questões Identificação do profissional e sua perspectiva sobre a profissão e seu trabalho em geral incluindo produtos em que trabalha 1. Tem experiência como stylist de fotografia de moda a quanto tempo? 2. Qual a sua formação (acadêmica)? 3. Como começou a trabalhar como fashion stylist ? 4. Como você descreve a sensação de trabalhar como fashion stylist ? 5. O que você faz para se manter atento as tendências? 6. Quais são os seus materiais de trabalho? Preparação do trabalho 7. Como é feito o seu processo de pesquisa de tema (conceito) para um editorial? 8. Como consegue passar o conceito (tema) da produção para a imagem? 9. Qual a diferença do seu trabalho quando a sessão de fotos é em externa ou em estúdio? 10. Como você organiza o tempo durante o shooting (sessão de fotos)? 11. Consegue listar suas tarefas e funções, dividindo elas entre: preparação para o shooting , dia das fotos e pós sessão?
104 12. Quais são seus critérios para fazer a edição dos looks? 13. Qual das funções que você exerce que julga a mais importante? 14. Como você reage aos imprevistos durante o shooting ? Equipe de trabalho 15. Como é sua relação com a equipe de trabalho? 16. Quais são os profissionais da equipe que você tem mais contato? Site o profissional e a parte do seu trabalho com o mesmo. Resultados obtidos 17. O resultado final do seu trabalho sempre corresponde com a sua ideia inicial? Por quê? Impacto de cada trabalho sobre os trabalhos seguintes 18. Qual o feedback que você recebe no fim dos trabalhos? 19. Qual a influência dos seus editoriais para os futuros trabalhos? Analise de imagem 20. Você pode me disponibilizar editoriais seus que considera interessante, como um bom exemplo do seu trabalho?
111 A diferença é que em estúdio está tudo num só local e é muito mais fácil e rápido para troca de looks das modelos ou para juntar algo que falta no shoot. Quando é no exterior é mais complicado porque ou temos de andar sempre a carregar as coisas atrás de nós ou então deixamos num carro e temos sempre de andar para trás e para a frente para trocar looks ou colocar adereços. 11. Como você organiza o tempo durante o shooting (sessão de fotos)? Costumo ter um plano comigo e que partilho com os meus colegas, um esquema com horas e chegada, hora de começar a maquilhar e a fazer o cabelo e hora de shoot. 12. Consegue listar suas tarefas e funções, dividindo elas entre: preparação para o shooting, dia das fotos e pós sessão? Acho que respondi a esta pregunta em conjunto com a anterior. 13. Quais são seus critérios para fazer a edição dos looks (montagem dos looks)? Geralmente não sou eu quem edita as fotografias, mas sim o fotografo, mas costumam sempre ter em conta a minha opinião tanto na escolha das fotografias finais como na edição das mesmas. 14. Qual das funções que você exerce que julga a mais importante? Penso que a função mais importante é o compromisso com as lojas e os showrooms que nos emprestam a roupa. É uma grande responsabilidade levantar roupa para fotografar, usar, e depois ir devolver aos mesmos sitios. Temos de ter cuidado extremo para não estragar e não sujar as peças. Temos de ter sempre uma boa relação com as marcas e com os showrooms para que continuemos a trabalhar. 15. Como você reage aos imprevistos durante o shooting? Tento sempre manter a calma e pensar no que é mais importante naquele momento. Pensar que tenho pessoas a depender de mim e com timings a cumprir. Se não for um problema demasiado grave, deixo para tratar depois do shooting. 16. Como é sua relação com a equipe de trabalho?
112 Tento que a minha relação seja o mais transparente possível, costumo sempre colocar todos os envolvidos a par de todas as informações que acho relevantes. E quando o trabalho é publicado, tenho sempre o cuidado de enviar, ou pedir ao fotografo para enviar, as fotografias em alta qualidade a todos os envolvidos no trabalho. 17. Quais são os profissionais da equipe que você tem mais contato? Site o profissional e a parte do seu trabalho com o mesmo. Não existe um profissional que tenha mais contacto que outro para ser honesto, estou em contacto com todos de igual forma. Partilhando ideias com a/o maquiador/a com o cabeleireiro/a etc. 18. O resultado final do seu trabalho sempre corresponde com a sua ideia inicial? Porque? Algumas vezes. Por vezes aquilo que idealizamos não é necessariamente o que teremos no resultado final. Com o tempo aprendi que podemos idealizar uma coisa, mas sempre dar espaço ao fotografo e as modelos para explorarem a sua criatividade, para colocarem o seu input no que estamos a fazer. E daí resultam coisas incríveis. Não acho correcto estar a impor regras e barreiras em algo, especialmente num trabalho criativo como este. 19. Qual o feedback que você recebe no fim dos trabalhos? Geralmente recebo alguns elogios como organizado, educado e criativo. 20. Qual a influência dos seus editoriais para os futuros trabalhos? Penso que os editoriais são uma ponte que se faz onde mostramos o nosso trabalho. Mais tarde esse trabalho é visto por marcas que se podem interessar por nós para realizarmos as suas campanhas de marca, ou desfiles ou publicidade. 21. Você pode me disponibilizar editoriais seus que considera interessante, como um bom exemplo do seu trabalho? Sim Entrevista 03
113 Autorizo que minhas respostas sejam utilizadas para o desenvolvimento de um trabalho cientifico. Sim 1. Qual o seu nome? Lariane Gabriel 2. Tem experiência como stylist de fotografia de moda a quanto tempo? 11 anos 3. Qual a sua formação (acadêmica)? Moda 4. Como começou a trabalhar como fashion stylist? Iniciei com produção executiva e produção de moda que fizeram parte do processo de amadurecimento para começar como stylist. 5. Como você descreve a sensação de trabalhar como fashion stylist? Ter a oportunidade de se comunicar com a imagem de moda e transmitir pensamentos através dela é sensacional. 6. O que você faz para se manter atento as tendências? Pesquisas, leituras, filmes, observação e análise de comportamento. Tudo faz parte do processo de identificação de tendências. 7. Quais são os seus materiais de trabalho? Revistas, sites, acervo de calçados e acessórios que sempre nos fazem revisitar tendências. 8. Como é feito o seu processo de pesquisa de tema (conceito) para um editorial? Entender o tema proposto e buscar referências que estão por toda parte: sempre busco a raiz da inspiração, principalmente em materiais de longa data (filmes, fotos, etc).
114 9. Como consegue passar o conceito (tema) da produção para a imagem? Tudo faz parte do resultado final: cor da imagem, cenografia, linguagem fotográfica, beleza. Tudo tem que estar muito alinhado para conseguir obter o conceito. 10. Qual a diferença do seu trabalho quando a sessão de fotos é em externa ou em estúdio? Em externa temos limitações. As variáveis de clima, tempo do shooting, logística podem acabar interferindo sim no resultado. Em estúdio temos tudo sob controle, principalmente a luz. 11. Como você organiza o tempo durante o shooting (sessão de fotos)? Tudo depende muito do trabalho. Quantidade de imagens que devem ser produzidas, se é lookbook, campanha, editorial. Com isso, conseguimos alinhar a logística do tempo da diária. 12. Consegue listar suas tarefas e funções, dividindo elas entre: preparação para o shooting, dia das fotos e pós sessão? Preparação: sempre faço a edição antes da sessão. Conheço a coleção, entendo tema, cartela de cores, materiais e inspirações. Com isso consigo fazer a produção de moda mais assertiva. Dia das fotos: organização das peças com o cenário. Para isso, a equipe toda tem que estar alinhada. Passadoria, pré edição de calçados e acessórios. Acompanho a finalização do make e hair. Faço um check com a equipe de luz e fotografia. Pós: geralmente já proponho a edição do material mediante a cartela de cores. Organizo a devolução da produção para os parceiros e acompanho o lançamento do material. 13. Quais são seus critérios para fazer a edição dos looks (montagem dos looks) ? Cartela de cores. Ela sempre foi a minha base para iniciar uma edição. Uma boa coleção já sugere a evolução de cores mediante sua cartela e estampas. 14. Qual das funções que você exerce que julga a mais importante? Acredito que toda a parte do processo. Mas o entendimento do briefing oi proposta do material é o essencial para conseguir um resultado com excelência. 15. Como você reage aos imprevistos durante o shooting?
115 Sempre tento me adaptar e sugerir soluções para o melhor resultado. 16. Como é sua relação com a equipe de trabalho? Precisa ser muito harmoniosa. Quando trabalhamos com uma equipe em que temos uma afinidade o resultado final fica melhor em menos tempo e sem mto desgaste. 17. Quais são os profissionais da equipe que você tem mais contato? Site o profissional e a parte do seu trabalho com o mesmo. Equipe de estilo: o meu papel é “vender” a coleção que eles produziram, então essa afinidade é essencial para que isso esteja muito bem alinhado. Depois com o fotógrafo. 18. O resultado final do seu trabalho sempre corresponde com a sua ideia inicial? Porque? Nem sempre. Podem sim haver mudanças no “meio do caminho”. Adaptações fazem parte do processo. Essas adaptações podem vir, por exemplo, de uma demanda comercial. 19. Qual o feedback que você recebe no fim dos trabalhos? Normalmente os feedbacks vem depois do lançamento dos materiais, principalmente após a aceitação da equipe de vendas. 20. Qual a influencia dos seus editoriais para os futuros trabalhos? Eles nos ajudam a colocarmos para fora as inspirações, desejos de mtas coisas que no material comercial, muitas vezes não podemos fazer. 21. Você pode me disponibilizar editoriais seus que considera interessante, como um bom exemplo do seu trabalho? Sim Entrevista 04 Autorizo que minhas respostas sejam utilizadas para o desenvolvimento de um trabalho cientifico. Sim
116 1. Qual o seu nome? Joseane Larissa Silva 2. Tem experiência como stylist de fotografia de moda a quanto tempo? 9 anos 3. Qual a sua formação (acadêmica)? Bacharel em Moda 4. Como começou a trabalhar como fashion stylist? A 10 anos atrás não existiam tantas informações a respeito de criação de imagem de moda, não tive formação na faculdade (UEM) e nem na pós-graduação (UEL). Fui convidada em 2010 (na época eu estava quase me formando na graduação) pelo Fernando Nunes, fundador da extinta Revista Metrópole para criar um ensaio fotográfico para a primeira edição daquela revista, digo ensaio porque não considero aqueles trabalhos como editoriais e nem o trabalho que realizei como de stylist. Era um universo completamente novo para mim, até então eu nem sabia que existia a profissão - é chocante, mas acredite! Não entendíamos ainda sobre simbologias, iluminação, roteiro, edição. Eram fotos bonitas, porém soltas. Por dois anos trabalhei como produtora de moda na revista e por um tempo na marca Zinco, do Grupo Morena Rosa. Apenas em 2012 quando tive a oportunidade de ir para São Paulo estudar sobre imagem de moda que a minha compreensão sobre o assunto se expandiu e comecei a trabalhar não apenas como produtora de moda, mas também como stylist. 5. Como você descreve a sensação de trabalhar como fashion stylist? A maioria dos trabalhos que realizo são comerciais, para marcas de industrias paranaenses. Existe uma limitação criativa muito grande, infelizmente acabo ficando presa a muitas regras impostas pela equipe comercial, de marketing ou estilo e acabo me frustrando com frequência por não entregar o material que eu gostaria. Essa é a maior realidade quando existe uma equipe muito grande envolvida. Nos materiais autorais é que a satisfação vem, por causa da liberdade criativa! 6. O que você faz para se manter atento as tendências?
117 Um dos vícios que tenho na vida é observar as pessoas. Homens, mulheres, crianças.... Em bares, lojas, redes sociais, ou simplesmente no seu cotidiano, caminhando pelas ruas. Não gosto de acompanhar digital influencer e nem ficar presa a propostas de mercado. Sigo muito a intuição, a empatia. Sou apaixonada por texturas e cores e esses elementos estão em todos os lugares. Na decoração, em um papel de parede, em um livro de fotografia, em uma almofada de veludo antiga na casa de parentes idosos... 7. Quais são os seus materiais de trabalho? Os principais são: 03 malas grandes com rodinhas, fita de papelão, grampos tamanho médio e o mais importante é o bom relacionamento com fornecedores e parceiros, sem eles é impossível desenvolver qualquer tipo de trabalho. 8. Como é feito o seu processo de pesquisa de tema (conceito) para um editorial? O processo criativo é muito imprevisível. A inspiração normalmente vem pelo acaso. Sou muito apaixonada por arte e história, geralmente estou assistindo um filme, um documentário ou olhando algumas fotografias e fico atraída por algum elemento especifico, logo começo a pesquisar a respeito. Desenvolvo o conceito e convido outros profissionais (fotógrafo, make, modelo) que se encaixam naquele perfil editorial para participar do projeto. 9. Como consegue passar o conceito (tema) da produção para a imagem? Através de elementos estéticos ou na forma de simbologias. Por isso a importância de um bom roteiro. Pode ser pela da luz, da atitude da modelo, do objeto de cena... a imagem criada por um stylist não envolve apenas a linguagem no produto de moda, é tudo que está na cena. 10. Qual a diferença do seu trabalho quando a sessão de fotos é em externa ou em estúdio? A diferença é na pré-produção e backstage. Os cuidados com equipamentos e produtos de moda são redobrados. Uma produção externa é muito mais exaustiva e depende muito de uma equipe dedicada e envolvida, pois interferências externas envolvendo clima, acessibilidade, sujeira, perigo com assalto, local para camarim improvisado, etc. atrapalha o humor e concentração de todos. Um bom produtor executivo é essencial nesses dias para o trabalho sair com perfeição.
118 11. Como você organiza o tempo durante o shooting (sessão de fotos)? A pré-produção de moda, edição das cenas junto ao cenário e looks são feitos sempre com antecedência de alguns dias ou na véspera. No dia da sessão, a equipe geralmente chega antes das 7 da manhã, quando todos já estão no local procuro organizar o espaço onde será o camarim, lá é onde irei iniciar todo o processo como organizar as araras, mesas, direcionar as camareiras, assistentes, modelos e maquiadores. Enquanto aguardo a beleza ser finalizada e as roupas serem passadas, tenho uma pequena reunião com o fotógrafo para alinhar as cenas. Modelo pronta, luz pronta e look pronto, é só iniciar o shooting. 12. Consegue listar suas tarefas e funções, dividindo elas entre: preparação para o shooting, dia das fotos e pós sessão? Eu não sou apenas stylist, sou também diretora criativa e produtora executiva e meu trabalho se divide em várias etapas: - Reunião de Briefing com o tema da coleção; – Coordenação e Direcionamento de Moda (p/ o catálogo/campanha) – Definição da Equipe: fotógrafo, maquiador, modelo, etc. – Definição de cenário – Styling (escolha da linha de acessórios a serem usados e das roupas a serem fotografadas ) – Definição do tipo de Maquiagem e Cabelo – Pesquisa de tendências de moda – Edição dos catálogos (conceituais e look books): ordem de apresentação das roupas e auxílio na montagem do catálogo. – Apresentação do conceito da campanha p/ a equipe – Produção de locação/cenário – Produção de Objetos – Pesquisa de Novos Fornecedores – Casting (seleção dos modelos) – Contato com marcas p/ empréstimo ou compra de acessórios – Solicitação de orçamentos aos fornecedores: fotógrafo, maquiador, estúdio, agências de modelos, celebridades . - Negociação dos orçamentos. – Aprovação de orçamentos junto ao cliente. – Acompanhamento junto ao fotógrafo e MKT durante a sessão de fotos – Cotação e compra de passagens aéreas e terrestres p/ equipe das fotos – Solicitação de transporte para equipe – Monitoramento da previsão do tempo (p/ dias de fotos em área externa) – Cotação e reserva de hotéis p/ equipe das fotos – Controle de Contratos e processo burocráticos – Controle de Requisições de Verba de Produção de Moda e Geral – Controle de Pagamento de Fornecedores – Planejamento e compra da alimentação p/ equipe das fotos – Montagem do Cronograma p/ os dias das fotos* ( precisa ser enviado para todos os envolvidos) – Controle dos horários da equipe no dia das fotos ( café da manhã, almoço, jantar, maquiagem, embarque) - Na véspera é feita a edição de looks na fábrica do cliente e a busca de peças em shopping e lojas de rua para compor a produção. - É feito a proteção com fitas
119 nos calçados e roupas a serem usadas na produção que são de empréstimo. - Na pós-produção é feita a devolução das peças emprestadas sem nenhum defeito, a escolha das fotos e a sequência de página para o designer montar o material gráfico. 13. Quais são seus critérios para fazer a edição dos looks (montagem dos looks)? Existe várias maneiras de se fazer uma edição. Por volume, estilo, comprimento, décadas, etc. Eu gosto de trabalhar a sequência de cor. 14. Qual das funções que você exerce que julga a mais importante? Direção da equipe e linha editorial. 15. Como você reage aos imprevistos durante o shooting? Com criatividade. O sucesso está em ter ideias e soluções rápidas para resolver qualquer tipo de problema. 16. Como é sua relação com a equipe de trabalho? A equipe nunca é a mesma, cada trabalho são profissionais diferentes que estarão no projeto, então é um pouco imprevisível. Geralmente eu tenho um bom relacionamento com todos. 17. Quais são os profissionais da equipe que você tem mais contato? Site o profissional e a parte do seu trabalho com o mesmo. Com o fotógrafo e o maquiador. Não tenho como citar um profissional específico pois como disse, cada dia trabalhamos com uma equipe diferente, mas para o trabalho fluir eu preciso ter uma boa comunicação com o fotógrafo e o maquiador. 18. O resultado final do seu trabalho sempre corresponde com a sua ideia inicial? Porque? A maioria das vezes não. Porque são muitas pessoas envolvidas e se apenas um não seguir exatamente como o planejado muda todo o resultado final. 19. Qual o feedback que você recebe no fim dos trabalhos? Nem sempre recebo feedback, mas indiferente se ficou como o planejado, ou se o gosto estético foi atendido o mais importante é a venda. Se o seu cliente teve sucessos com vendas, então você fez um bom trabalho.
120 20. Qual a influência dos seus editoriais para os futuros trabalhos? O portfólio funciona como uma vitrine para contratos comerciais. 21. Você pode me disponibilizar editoriais seus que considera interessante, como um bom exemplo do seu trabalho? Sim Entrevista 05 Autorizo que minhas respostas sejam utilizadas para o desenvolvimento de um trabalho cientifico. Sim 1. Qual o seu nome? Kelly Oliveira e Paula Oliveira 2. Tem experiência como stylist de fotografia de moda a quanto tempo? 10 anos 3. Qual a sua formação (acadêmica)? Kelly: Faculdade de Moda, Pós-Graduação em Moda e Produto (Unipar) e Pós-Graduação em Moda e Cultura (Uel) Paula: Faculdade de Moda, Pós Graduação em Moda e Produto (Unipar) 4. Como começou a trabalhar como fashion stylist? Trabalhamos em uma empresa, no estilo e fazendo a produção de moda dos catálogos, depois de um tempo saímos e abrimos nossa própria empresa especializada nessa área. 5. Como você descreve a sensação de trabalhar como fashion stylist? "Uma loucura boa", um mix de sensações, é sempre muito corrido, seja no dia do shooting, antes e depois. Além de acontecerem muitos imprevistos, mas amamos tudo isso.
127 20. Qual a influência dos seus editoriais para os futuros trabalhos? Muita! Além de ser uma amostragem daquilo que sou capaz de fazer para o cliente é também a concepção de todo o meu imaginário e daquilo como eu interpreto, a minha imagem de marca. 21. Você pode me disponibilizar editoriais seus que considera interessante, como um bom exemplo do seu trabalho? Não
128 Anexo III - Imagens dos Editoriais de moda em tamanho original Editorial o lobo e a menina da capa vermelha
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143 Editorial Desvio para o Vermelho
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150 Editorial Virtutis
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