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A internacionalização como motor de desenvolvimento dos territórios de baixa densidade: o caso das Terras de Trás-os-Montes

Correia, Anabela Luciano

Abstract

A internacionalização tem sido destacada como um dos motores promissores de desenvolvimento para territórios de baixa densidade populacional. Neste contexto, o presente estudo pretende analisar o impacto socioeconómico da internacionalização em territórios de baixa densidade populacional, usando como estudo de caso a região das Terras de Trás-os-Montes. Particularmente este estudo visa compreender de que forma as dinâmicas internacionais podem contribuir para o crescimento sustentável da economia local. Para isso foi realizou-se uma caracterização do tecido empresarial da região. Adicionalmente, efetuou-se três entrevistas semiestruturadas a empresas locais de produção de produtos endógenos (vinho, azeite e amêndoa), em diferentes fases do processo de internacionalização. Os resultados demostraram a necessidade da criação de políticas públicas para gerar dinâmicas diversas aos territórios de baixa densidade. O conceito de inovação social surge como uma estratégia eficaz direcionada à mitigação dos obstáculos típicos destas zonas. Ainda que em estágios diferentes, as empresas confirmaram a necessidade de um maior estímulo à internacionalização, pelos seus contributos vantajosos ao desenvolvimento empresarial e, consequentemente territorial. O presente trabalho explora as potencialidades do território no contexto da economia global, destacando-se a importância da valorização dos recursos endógenos como ativo de um modelo de desenvolvimento integrado.

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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Anabela Luciano Correia A Internacionalização como motor de desenvolvimentos dos territórios de baixa densidade: o caso das Terras de Trás-os-Montes Outubro de 2024 A Internacionalização como motor de desenvolvimento dos territórios de baixa densidade: o caso das Terras de Trás-os-Montes UMinho | 2024 Anabela Luciano Correia Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Anabela Luciano Correia A Internacionalização como motor de desenvolvimento dos territórios de baixa densidade: o caso das Terras de Trás-os-Montes Dissertação de Mestrado Mestrado em Negócios Internacionais Trabalho efetuado sob a orientação de: Professora Doutora Carla Ferreira Professor Doutor Francisco Carballo Outubro 2024 II DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ III AGRADECIMENTOS Gostaria de expressar os meus agradecimentos a todas as pessoas que estiveram comigo ao longo da realização da presente dissertação. Primeiramente, agradecer à minha orientadora, Professora Doutora Carla Ferreira pela sua orientação, apoio e paciência que teve comigo. Obrigada, também ao Professor Doutor Francisco Carballo Cruz. Com carinho, agradeço à Universidade do Minho por me acolher durante 5 anos da minha vida académica. Deixar o meu agradecimento aos amigos e colegas de faculdade que me acompanharam nesta etapa difícil, pelas palavras de incentivo e amizade. Gostaria de saudar e agradecer ao Rui, cuja inspiração e apoio me permitiram, de certa forma, concluir esta pesquisa de investigação. Foram, de facto, essenciais. A minha sincera gratidão à minha família, especialmente à minha Mãe que sempre fez de tudo para que conseguisse chegar até aqui, a mim e às minhas irmãs. Obrigada por tudo, Mãe. Às minhas queridas irmãs por estarem sempre comigo e tornarem a vida mais bonita. De maneira especial, agradeço a Deus que me segura em todos os momentos da minha vida, inclusive neste fim de ciclo. Por último, com todo o meu coração quero agradecer, e dedicar esta dissertação, ao meu amado Pai, Paulo Correia, e à minha Avó, Alda dos Prazeres, que desde o céu me guiam. A vós, o meu eterno obrigada. IV DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. V RESUMO Título: A internacionalização como motor de desenvolvimento de territórios de baixa densidade: o caso das Terras de Trás-os-Montes A internacionalização tem sido destacada como um dos motores promissores de desenvolvimento para territórios de baixa densidade populacional. Neste contexto, o presente estudo pretende analisar o impacto socioeconómico da internacionalização em territórios de baixa densidade populacional, usando como estudo de caso a região das Terras de Trás-os-Montes. Particularmente este estudo visa compreender de que forma as dinâmicas internacionais podem contribuir para o crescimento sustentável da economia local. Para isso foi realizou-se uma caracterização do tecido empresarial da região. Adicionalmente, efetuou-se três entrevistas semiestruturadas a empresas locais de produção de produtos endógenos (vinho, azeite e amêndoa), em diferentes fases do processo de internacionalização. Os resultados demostraram a necessidade da criação de políticas públicas para gerar dinâmicas diversas aos territórios de baixa densidade. O conceito de inovação social surge como uma estratégia eficaz direcionada à mitigação dos obstáculos típicos destas zonas. Ainda que em estágios diferentes, as empresas confirmaram a necessidade de um maior estímulo à internacionalização, pelos seus contributos vantajosos ao desenvolvimento empresarial e, consequentemente territorial. O presente trabalho explora as potencialidades do território no contexto da economia global, destacando-se a importância da valorização dos recursos endógenos como ativo de um modelo de desenvolvimento integrado. Palavras-chave: internacionalização, territórios de baixa densidade, oportunidades e desafios, recursos endógenos, desenvolvimento territorial. VI Abstract Title: Internationalization as a Driver of Development in Low-Density Territories: The Case of Terras de Trás-os-Montes Internationalization has been highlighted as one of the promising drivers of development for low-population-density territories. In this context, the present study aims to analyze the socioeconomic impact of internationalization in low-populationdensity areas, using the Terras de Trás-os-Montes region as a case study. Specifically, this study seeks to understand how international dynamics can contribute to the sustainable growth of the local economy. To achieve this, a characterization of the region’s business environment was carried out. Additionally, three semi-structured interviews were conducted with local companies producing endogenous products (wine, olive oil, and almonds) at different stages of the internationalization process. The results demonstrated the need for the creation of public policies to generate diverse dynamics in low-density territories. The concept of social innovation emerges as an effective strategy aimed at mitigating the typical obstacles of these areas. Although at different stages, the companies confirmed the need for greater stimulation of internationalization due to its beneficial contributions to business and territorial development. This study explores the potential of the territory in the context of the global economy, emphasizing the importance of valuing endogenous resources as assets of an integrated development model. Keywords: internationalization, low-density territories, opportunities and challenges, endogenous resources, territorial development VII Índice 1.INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1 1.2. ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ......................................................................................... 2 1.3. OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO ......................................................................................... 2 1.3. CONTRIBUTOS DO ESTUDO ............................................................................................ 2 2. ENQUADRAMENTO ............................................................................................... 3 2.1. ABORDAGEM À INTERNACIONALIZAÇÃO ........................................................................... 3 2.2. TEORIAS EXPLICATIVAS DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO .......................................... 4 2.2.1. MODELO UPPSALA ................................................................................................... 6 2.2.2. TEORIA DA INTERNALIZAÇÃO ....................................................................................... 8 2.3. MOTIVAÇÕES À INTERNACIONALIZAÇÃO ......................................................................... 10 2.4. BARREIRAS À INTERNACIONALIZAÇÃO ............................................................................ 11 2.5. MODOS DE ENTRADA: O EXEMPLO DA EXPORTAÇÃO ......................................................... 13 2.6. A IMPORTÂNCIA DA INTERNACIONALIZAÇÃO NOS TERRITÓRIOS DE BAIXA DENSIDADE ............... 17 2.7. TERRITÓRIOS DE BAIXA DENSIDADE: OPORTUNIDADES E DESAFIOS ...................................... 19 2.8. INCENTIVOS À INTERNACIONALIZAÇÃO ........................................................................... 22 2.9. NOTAS CONCLUSIVAS .................................................................................................. 24 3. ESTUDO DE CASO: TERRAS DE TRÁS-OS-MONTES ................................................ 24 3.1. CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA ................................................................................. 24 3.2. CARACTERIZAÇÃO DO TECIDO EMPRESARIAL .................................................................... 27 4. ABORDAGEM METODOLÓGICA ........................................................................... 35 4.1. CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA .................................................................................... 36 4.2. ENTREVISTAS SEMIESTRUTURADAS ................................................................................ 38 5. RESULTADOS ....................................................................................................... 39 5.1. PERCEÇÃO E MOTIVAÇÕES DA INTERNACIONALIZAÇÃO ....................................................... 39 5.2. BARREIRAS À INTERNACIONALIZAÇÃO ............................................................................ 42 5.3. IMPACTOS DA EXPORTAÇÃO| PRINCIPAIS MERCADOS| ESTRATÉGIAS USADAS ......................... 44 3 territórios, explorando incentivos à internacionalização capazes de reforçar políticas que provoquem dinâmicas de mercado/comércio. Com o fim de desenvolver o tecido empresarial local, a internacionalização implica estímulos à competitividade das empresas, e como resultado, o próprio mercado de trabalho e, a médio e longo prazo, a qualidade de vida da comunidade. Em suma, a presente pesquisa direciona-se também no sentido de analisar os desafios e oportunidades enfrentados pelas empresas, localizadas em territórios de baixa densidade, durante o processo de internacionalização. Desta forma, pretende-se dar uma visão sobre o impacto da internacionalização no desenvolvimento socioeconómico das regiões em análise, utilizando como caso de estudo o território de Terras de Trás-os-Montes. 2. Enquadramento 2.1. Abordagem à Internacionalização Num mundo cada vez mais globalizado, interdependente e interconectado, a concorrência entre empresas intensifica-se continuamente, exigindo uma adaptação face às exigências das sociedades modernas. Dessa forma, criam-se redes de fluxos de diferentes genesis que, à posteriori, geram pequenos sistemas abertos e interligados em todo o mundo. Existem várias formas de internacionalização, desde a exportação, fusões e aquisições, joint-ventures, franchising, subcontratação, alianças estratégicas, entre outras (Daly, 1999). Neste sentido, foi através do Mercado nico Europeu, da liberalizacão dos mercados, bem como da livre circulação de pessoas, bens, servicos e mercadorias, que emergiu o conceito de internacionalizacão. O mesmo surge como uma estratégia imperativa no tecido empresarial global, de modo a atingir novos mercados, novos recursos, acesso a novas informações e tecnologias. (Wright, 2007). Também é verdade que, para alguns estudiosos a internacionalização começou muito antes da globalização, embora de forma diferente. Existem várias teorias referentes à internacionalização. Segundo, Cavugil e 4 Yaprak (2005) a internacionalização interliga áreas como a gestão, economia e também o marketing. Como tal, é um conceito multidisciplinar que provoca vínculos, económicos e não só, em todo o mundo. Para Welch e Luostarinen (1988) o conceito de internacionalização assenta na ampliação dos negócios além-fronteiras. Os autores revolucionaram a interpretação e o entendimento acerca da internacionalizacão, defendendo que é mediante a experiência que as empresas avançam progressivamente, mantendo uma postura mais cautelosa e contida, uma vez que o fenómeno referido envolve riscos e desafios. Em suma, a internacionalização é um fenómeno com um grau de complexidade elevado e simultaneamente inevitável para quem não quer desprender-se da corrente global, desempenhando um papel fulcral nas estratégias corporativas e, consequentemente no sistema económico internacional. Assim, estudar o presente conceito e saber aplicá-lo, é essencial para orientar a tomada de decisão no contexto empresarial que, por sua vez, se encontra enquadrado numa tendência económica global expansiva. 2.2. Teorias Explicativas do Processo de Internacionalização Existem várias teorias da internacionalização que contribuem para o entendimento do processo de internacionalização das empresas. As correntes teóricas proporcionam diferentes prismas sobre o processo de internacionalização (Andersen, 2014). Nos procedimentos inerentes a estas teorias, consideram-se variáveis como os recursos que a empresa detém, as estratégias que adota, vantagens competitivas, as várias fases evolutivas da internacionalização, bem como as relações com outras organizações empresariais. A análise dessas teorias propicia uma visão mais sólida e profunda das potencialidades e desafios que as empresas enfrentam na sua expansão (Andersen, 2014). A Tabela 1 sumariza as características gerais das principais teorias da internacionalização. 5 Tabela 1. Características gerais das principais Teorias da Internacionalização. Fonte: Elaboração própria através da literatura mencionada. Teorias Descrição Modelo Uppsala O processo de internacionalização da empresa é desenvolvido de forma gradual, iniciando em mercados próximos e expandindo-se conforme adquirem experiência. A expansão ocorre de forma progressiva de acordo com o conhecimento acumulado (Costa et al., 2017). Teoria Ciclo de Vida do Produto Defende que os produtos passem por quatro fases: introdução, crescimento, maturidade e declínio. Cada fase requer estratégias de marketing e gestão específicas, conforme o produto ganha aceitação, atinge seu pico de vendas e eventualmente perde relevância no mercado. (Costa et al., 2017). Teoria do Paradigma Eclético Teoria proposta por John Dunning, explica a internacionalização de empresas com base em três vantagens: Ownership (propriedade), Location (localização) e Internalization (internalização), conhecida como o modelo OLI. As empresas expandem-se globalmente se possuem ativos exclusivos, se o mercado externo oferece vantagens e se internalizar as operações é mais eficiente do que terceirizá-las (Costa et al., 2017). 6 A aplicabilidade das diferentes teorias no processo de internacionalização das empresas é, de facto, um exercício complexo. 2.2.1. Modelo Uppsala O modelo Uppsala, começou a ser estudado na década de 70, na Universidade de Uppsala, Suécia, e caracteriza-se fundamentalmente, pela sua abordagem comportamentalista. O processo de internacionalização das empresas fundamenta-se na preocupação de poder controlar as operações no estrangeiro, através sobretudo, da quantidade de conhecimento que possuem. Segundo o modelo referido, os riscos que a empresa enfrenta no processo de se internacionalizar são graduais, nos quais as informações Teoria das Born Globals Descreve empresas que se internacionalizam rapidamente desde o início de suas operações. Essas empresas, geralmente de base tecnológica, aproveitam mercados globais e recursos digitais para crescer internacionalmente. A inovação e o conhecimento especializado são essenciais para sua competitividade global (Costa et al., 2017). Teoria das Redes A internacionalização das empresas é impulsionada por uma rede de contactos úteis/conhecimentos, facilitando a entrada no mercado externo (Hadley e Wilson, 2003) Teoria dos Custos de Transação A internacionalização está dependente dos custos de transação. Quando os custos de transação no mercado são altos, as empresas tendem a internalizar as operações. A eficiência económica é alcançada minimizando esses custos (Costinot & Donaldson, 2012) 7 adquiridas são objeto de utilização na próxima fase. Importa esclarecer que relativamente à existência de conhecimento sobre os mercados externos, o Modelo Uppsala defende que a falta desse conhecimento é uma dificuldade para atingir o sucesso das operações internacionais. No entanto, tal conhecimento pode ser adquirido através de um processo de aprendizagem e experiência (Forsgren, 2002). O modelo enfatiza o impacto da aprendizagem no próprio comportamento organizacional, uma vez que é através das relações comerciais, que as empresas podem ter acesso ao conhecimento de outras organizações, sem a necessidade de estabelecer colaborações diretas (Forsgren, 2002). Sob o ponto de vista do investimento, o Modelo Uppsala toma uma posição mais recatada e até conservadora, no sentido de não querer arriscar tudo sob a incerteza e instabilidade do mercado. Significa isto que, a empresa deve ser muito cuidadosa nos seus avanços no plano internacional, e por isso, o seu crescimento é gradual. O presente modelo rege-se na base do incrementalismo sugerindo que as empresas tendem a adotar um ritmo progressivo no processo de internacionalização, iniciando as suas atividades da forma mais simples, ou seja, através da exportação. Uma vez dado o primeiro passo, a empresa vai aumentando o seu envolvimento nas operações externas, adquirindo mais conhecimento e experiência sobre esse mesmo mercado. Assim sendo, as empresas enfrentam a insegurança e a incerteza dos novos contextos e, por isso, preferem minimizar os riscos e aprender gradualmente à medida que avançam no processo de se internacionalizarem (Forsgren, 2002). O incrementalismo associado ao Modelo Uppsala pressupõe que a pedra basilar da internacionalização das organizações consiste por um lado, iniciar as suas operações em países mais próximos ou com uma cultura parecida com a sua, para que não existam tantas barreiras e riscos no ato da negociação. Por outro lado, a empresa deve, cautelosamente, executar investimentos de acordo com os conhecimentos adquiridos até então, ou seja, com base no seu histórico de negociação/informação (Forsgren, 2002). Huber (1991) afirma que as novas aprendizagens podem alterar o rumo da organização, mesmo que na etapa anterior o conhecimento existente tenha sido considerado uma sólida verdade. Novas descobertas impulsionam novas decisões a 8 tomar, sendo que quanto maior a diversidade das mesmas maior será o número de alternativas. O Modelo Uppsala encara, essencialmente, a internacionalização como um processo incremental, assumindo uma postura precavida, consoante o risco que se toma (Figura 1). Além disso, estabelece a relação proporcional entre o risco/incerteza e o envolvimento da organização, isto é, prevê um comportamento cumulativo e/ou sequencial, afigurando-se numa abordagem comportamentalista. Todavia, o modelo recebe algumas críticas no sentido de não conseguir explicar o processo de internacionalização como mais acelerado, ou seja, uma empresa pode apostar e investir mais nas suas operações mais robustas, no sentido de um maior alcance e benefícios, abrindo um leque de maiores possibilidades. Diga-se que “peca” pelo seu ténue envolvimento que muitas vezes se afigura numa demora na obtenção da solução (Forsgren, 2002). 2.2.2. Teoria da Internalização A Teoria da Internacionalização procura explicar o motivo pelo qual as empresas preferem internalizar suas atividades em mercados estrangeiros, em vez de terceirizar suas atividades nos mercados estrangeiros. IncrementalGradual Cumulativo Precavido Figura 1. Características principais do Modelo Uppsala. Fonte: Elaboração própria através de (Forsgren, 2002). 9 Buckley (1989) argumenta que as empresas escolhem internalizar operações em mercados estrangeiros para minimizar os custos de transação associados a atividades comerciais realizadas via mercado, como o licenciamento ou franchising. Esses custos de transação podem ser originados pela incerteza, assimetria de informação, dificuldade de monitorizar contratos e oportunismo das contrapartes. Portanto, ao internalizar as suas operações, as empresas procuram evitar essas falhas de mercado, maximizando a eficiência e o controle. Itaki (1991), reconhece a empresa como uma instituição económica cujo objetivo primordial consiste em maximizar o lucro, após uma análise abrangente e meticulosa de todos os fatores relacionados com a produção e gestão. Além disso, a referida teoria fundamenta a premissa de que transações eficazes ocorrem internamente nas empresas em comparação com as transações no mercado, corroborando assim a ideia anteriormente mencionada. Deste modo, o modelo subjacente concentra-se na inter-relação entre conhecimento, imperfeições de mercado e internalização no contexto de bens intermédios/tangíveis, tais como matérias-primas. Neste sentido, à luz da presente teoria, os autores introduziram o conceito de vantagem de propriedade como um determinante na decisão de internalização. Assim, sob um ponto de vista comparativo, a internalização pode ser mais eficiente em termos de custos e benefícios para a empresa, principalmente quando as transações são complexas e envolvem vários riscos (Buckley, 1989). A Teoria da Internalização está ligada ao Paradigma Eclético de John Dunning (1980), também conhecido como modelo OLI (Ownership, Location, Internalization). Dentro desse paradigma, a internalização representa uma das três principais decisões estratégicas que uma empresa deve tomar ao internacionalizar-se. O autor argumenta que a internalização é vantajosa quando a empresa possui uma vantagem de propriedade (Ownership), identifica uma localização favorável (Location), e conclui que internalizar as operações é mais eficiente do que depender de contratos de mercado. Na perspetiva de Casson (2015), a Teoria da Internalização ofereceu condições para entender as dinâmicas internas e externas das empresas, sob o ponto de vista operacional. Evidentemente, a partilha de conhecimento nas empresas torna-se um alvo de defesa, primeiro para ganhar vantagem em relação à concorrência, e segundo tornase interessante ver como gerem esses fluxos de conhecimento entre si. 10 2.3. Motivações à Internacionalização As empresas quando tomam a decisão de expandir os seus negócios, são motivadas por várias razões que influenciam o modo como penetram nos mercados externos. As motivações podem ser proativas e reativas. Assim, sendo as motivações reativas baseiam-se na conjuntura de mercado em que a empresa se insere e incluem, por exemplo: a pressão provocada pela concorrência; o querer estar mais próximo com o cliente; quando a produção é demasiada e existe a necessidade de exportá-la, e, / ou em muitos casos pela saturação dos mercados. As motivações proativas referem-se ao nível interno da empresa, tais como maximização dos lucros, acesso a produtos únicos/diferentes que no mercado doméstico não possuem, contacto com tecnologia extremamente avançada, benefícios fiscais, explorando sempre as suas vantagens (Czinkota et al., 2015). Já Dunning (1980) apresentou uma notável proposição subjacente à internacionalização das empresas, identificando como um dos elementos fundamentais que orientam esse processo, o acesso a recursos. Primeiramente, a procura de recursos é crucial, na medida em que as empresas se expandem com o intuito de garantir o acesso a matérias-primas e outros bens necessários à sua atividade produtiva. Quanto mais raro o produto/recurso for, maior vantagem competitiva a empresa vai ter, uma vez que se trata de um alcance à exclusividade que tanto distingue as empresas. Por outro lado, a procura de novos mercados é motivada pela procura de eficiência, ou seja, do acesso à informação determinante ao bom funcionamento e estímulo da empresa, permitindo uma redução dos custos. Neste seguimento, faz sentido mencionar que essa mesma procura tem como objetivo fulcral a atração de novos consumidores. Ainda que a procura de novos mercados seja associada às razões anteriormente explícitas, a verdade é que também é possível articular este motivo à tentativa de diminuir os custos logísticos, designadamente de transporte, sendo que nestes casos a empresa substitui a exportação pelo Investimento Direto Estrangeiro (Markusen & Venables, 1999). Além disso, a expansão para mercados externos é justificada, em muitos casos, 11 pela aquisição de mão de obra barata, o que representa um indicador lucrativo à organização. No fundo, é a procura de ativos estratégicos que fortalece a posição competitiva da empresa no mercado internacional. Segundo o autor são estas as razões que servem de base de compreensão das razões subjacentes à internacionalização, destacando a vontade estratégica das empresas face à complexidade da concorrência, visando por isso, alcançar vantagens competitivas (Dunning, 1980). A concorrência é frequentemente encarada como uma disputa intensa entre empresas, no entanto exerce efeitos diretos sobre as ações estratégicas das organizações. De acordo com Song e Lee (2020), a concorrência pode ter influência na motivação das empresas de duas formas. Em primeiro lugar, pode atuar como um fator de estímulo, incentivando as empresas a inovar-se, a procurar novas oportunidades de mercado e, no fundo, a melhorar os processos inerentes à sua atividade. Por outro lado, em determinados contextos económicos e, dependendo da conjuntura em que a organização se encontra, a presença de concorrência pode desmotivar a internacionalização, devido aos riscos e desafios existentes nos mercados externos (Song e Lee, 2020). Este duplo efeito da concorrência afeta a própria estratégia de internacionalização das empresas. Com diversos objetivos, a verdade é que as empresas vivem acorrentadas num movimento de expansão composto pela rapidez exigida, característico do mundo moderno. 2.4. Barreiras à Internacionalização No que diz respeito às barreiras à internacionalização, as mesmas definem-se como limitações à capacidade de a empresa operar internacionalmente. Estas barreiras podem assumir a forma de limitações internas ou externas. Internas definem-se como problemas associados à empresa, por exemplo, falta de capacidade operacional, falta de recursos financeiros, ineficiência dos colaboradores, má gestão, falta de conhecimento do mercado externo, entre outros. No que respeita as barreiras externas, prendem-se essencialmente com o sistema político, legal ou económico do país de destino (Cahen et al.,2016). Uma das principais barreiras que muitas empresas enfrentam no processo de expansão internacional, é a baixa produtividade. Ou seja, a 12 não eficiência dos recursos que a empresa possui, transforma-se numa estagnação da atividade comercial e, consequentemente económica. Empresas que operam com níveis de produtividade inferiores podem confrontar-se com desafios significativos ao competir nos mercados internacionais. A expansão internacional requer uma boa capacidade de adaptação dos recursos, sejam tecnológicos, humanos ou financeiros, para assim se ambientarem às preferências e exigências dos mercados. (Arndt et al., 2012). Todavia, Nurfarida et al. (2022), numa tentativa de complementar estudos anteriores, os autores classificam as barreiras internas e externas como mostra a Tabela 2. Tabela 2. Barreiras internas e externas. Fonte: Elaboração própria através de Nurfarida (et al., 2022). Os recursos humanos são uma das principais bases no desenvolvimento de qualquer operação, e por isso, é evidente que as suas capacidades, habilidades e conhecimento são determinantes na realização dos objetivos organizacionais. Se por um lado a posse de recursos financeiros afigura-se como um suporte à sobrevivência de qualquer empresa, por outro, numa perspetiva de expansão dos negócios, os recursos financeiros assumem um peso significativo na elaboração de planos de apoio a determinados procedimentos internacionais, por questões logísticas, por exemplo (Nurfarida et al., 2022). No que diz respeito ao nível externo, as empresas enfrentam limitações também pelo seu enquadramento empresarial, isto é, os riscos associados a conjunturas inerentes dos mercados externos. Nomeadamente, o grau de incerteza próprio de quem Barreiras Internas Barreiras Externas Recursos Humanos Enquadramento empresarial Qualidade dos Produtos Barreiras Governamentais Recursos Financeiros Barreiras socioculturais 19 consequentemente da internacionalizacão, tem permitido a estas zonas usufruírem e operarem através de tecnologia. No fundo, os avanços tecnológicos veem aproximar territórios, gerar fluxos diversos, produzir novas oportunidades de negócio, contribuindo assim para, por um lado, ajudar a desenvolve-los, por outro a que se elevem a um patamar cada vez mais dinâmico e empreendedor (Lekhanya, 2014). O processo de internacionalização é mais complexo para as PME´s localizadas nas referentes zonas de baixa densidade. A escassa disponibilidade de recursos sejam eles a especialização dos recursos humanos, ou de recursos materiais para realizar as suas operações, e até do acesso a informação pertinente, são dificuldades pelas quais as empresas de menor dimensão passam. Pese embora as dificuldades preexistentes da internacionalização nas regiões mais rurais, o processo internacional emerge como uma alternativa atrativa e necessária para as pequenas empresas num contexto em que a própria internacionalização pode ser um pilar de desenvolvimentos destas zonas. Por isso, quando uma empresa exporta, por exemplo, continua a contribuir para o desenvolvimento socioeconómico da região, nomeadamente pela criação de emprego ou utilização e aproveitamento dos recursos endógenos (Oliveira e Martinelli, 2005). Efetivamente, neste contexto a internacionalização afigura-se como uma estratégia de desenvolvimento de várias dimensões. Assim, embora não predominante, é lógico que a internacionalização agregue valor às zonas de baixa densidade populacional, apresentando-se como um meio que traz à tona as suas potencialidades e, mais que isso, que as aproveita. Como tal, é inegável a contribuição da internacionalização no processo de crescimento e valorização de zonas rurais/baixa densidade populacional. 2.7. Territórios de baixa densidade: Oportunidades e Desafios Galvão (et al., 2020) apontam que os territórios de baixa densidade sofrem de falta de redes de mobilidade que desafiam a qualidade de vida das populações e prejudicam o potencial de desenvolvimento das zonas rurais, contribuindo para o reforço do fenómeno êxodo rural. Aliás, a própria cultura é prejudicada pela falta de acessibilidade e mobilidade, bem como pela privação de oportunidades da área. No 20 fundo, estes desafios afetam o bem-estar da sociedade e consequentemente toda a dinâmica destas regiões. Vaz e Nofre (2017) defendem que um país mais capacitado, competitivo e internacionalizado, é indispensável à criação de políticas públicas locais capazes de criar sinergias entre os vários agentes da comunidade, sejam eles sociais, culturais, políticos ou económicos. Os territórios de baixa densidade devem conseguir implementar medidas estratégicas a nível local de modo a potencializar também a sua economia, através por exemplo da internacionalização de empresas regionais. Ademais, observa-se que este tipo de zonas não são objeto de atenção por parte das políticas públicas, como desejável. Por isso, é necessário que o debate público e político acerca de reverter este cenário seja lançado. Seja através da valorização dos seus recursos, seja através da inovação rural, estas zonas merecem atenção na execução de ideias e políticas que atenuem e ajudem a ultrapassar os problemas que as caracterizam (Ferreiro e Sousa, 2018). Na procura por soluções para estes territórios, a inovação social surge como uma abordagem promissora. Com uma perspetiva holística, a inovação social valoriza os espaços rurais e atua como um instrumento de desenvolvimento, mobilizando atores regionais e promovendo sinergias. Este conceito visa, entre outros efeitos, atrair investimentos e impulsionar a internacionalização dessas regiões, promovendo um desenvolvimento sustentável (Ferreiro et al., 2021). O estudo do território de Portugal revela a continuidade de significativas desigualdades regionais, decorrentes do processo tardio de industrialização e do lento crescimento do setor de serviços, destacando-se claramente a divisão entre norte e sul, assim como entre o litoral e o interior (ver Figura 3). De acordo com a Comissão Interministerial para a Cooperação (CIC), mais de metade dos territórios em Portugal correspondem a territórios de baixa densidade populacional, sendo possível identificar 165 municípios com esta designação, localizados essencialmente ao longo da zona interior do país (CIC, 2015). Os territórios de baixa densidade em Portugal têm grande potencial de crescimento, especialmente através de estratégias que aproveitem os recursos naturais e culturais, o turismo rural e a inovação social. No entanto, eles enfrentam desafios como a falta de políticas públicas adequadas, migração populacional e desigualdade no 21 acesso a serviços. Para superar essas barreiras, é essencial que haja maior articulação entre governo, empresas e a sociedade civil, com foco em estratégias de desenvolvimento sustentável e coesão territorial (Almeida, 2020; Ferreiro e Sousa, 2018). Assim, os decisores políticos devem concentrar esforços em criar e implementar políticas que não apenas mantenham a população nessas áreas, mas também atraiam novas pessoas e oportunidades. Isso requer a criação de condições básicas, como acesso a serviços essenciais, e a promoção de sinergias entre agentes institucionais e económicos, fortalecendo o processo de desenvolvimento destes territórios (Almeida, 2020). Figura 3. Territórios de baixa densidade. Fonte: Retirado de Compete2020, 2018. 22 2.8. Incentivos à Internacionalização O tecido empresarial português é tipicamente caracterizado por pequenas e médias empresas, acompanhado por um fraco dinamismo e competitividade. Os programas lançados pelo Governo de apoio à internacionalização das empresas portuguesas são essenciais ao lançamento e consolidação das mesmas nos mercados externos. Daí surge a importância da execução de planos e ou programas, em forma de incentivos que possam “(...)qualificar o tecido empresarial e aumentar a sua dimensão média, promovendo posicionamentos mais qualificados das empresas portuguesas em cadeias de valor internacionais” (Diário da República, 2020). No âmbito do programa Portugal2030, o Governo português oferece apoios à internacionalização das empresas, com cerca de 150 milhões de euros. Este programa apresenta duas vertentes, a qualificação dos trabalhadores e apoiar internacionalização das empresas. A primeira vertente afigura-se como uma estratégia à luz da capacidade produtiva e qualificada dos recursos humanos. Por outro lado, as verbas do programa visam subsidiar diversos setores de atividade em ações coletivas, individuais ou colaborativas para assim promover a presença internacional de cada setor. Uma das primeiras fases do financiamento visam fortalecer o reconhecimento internacional das empresas, permitir acesso a novos mercados através de ações de marketing conjuntas e, estimular e aumentar a capacidade exportadora da empresa (Governo da República Portuguesa, 2023). É através dos Sistemas de Incentivos que PME´S conseguem alcançar ferramentas essenciais à sua expansão internacional nas várias etapas de crescimento. Este instrumento de apoio financeiro, é de cariz multissetorial, uma vez que atua na Inovação Empresarial e Empreendedorismo, Qualificação e Internacionalização das PMEs e, por fim na Investigação e Desenvolvimento Tecnológico. No que diz respeito à Inovação Empresarial e Empreendedorismo compreende o incitamento da produção através da inovação, promovendo um empreendedorismo de base tecnológica. No que toca à Qualificação e Internacionalização das PMEs, esta iniciativa procura promover e estimular a competitividade e produtividade das empresas, e por fim a Investigação e Desenvolvimento Tecnológico foca-se na 23 articulação das várias instituições e empresas de modo a reforçar laços e investir em I&D, bem como na criação de conhecimento (Governo Portugal, 2024). O Sistema de Incentivos à internacionalização oferece às empresas a possibilidade de obterem financiamento para coadjuvar certas atividades inerentes à sua internacionalização. Seja através no apoio à participação de feiras internacionais, que em muito contribuem para o networking, seja na prospeção de clientes ou até mesmo para registo de patentes. A título exemplar, Portugal conta com o Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, (COMPETE 2020). O presente programa foi construído numa base composta por linhas estratégicas que originam sinergias nacionais e europeias numa perspetiva de harmonia económica e social. Assim, o Compete2020 tem como responsabilidade ser o elo entre os fundos comunitários e as próprias ações a nível nacional. Isto é, mobiliza fundos de modo a estimular um crescimento inteligente que possa impulsionar conhecimento e inovação e consequentemente internacionalização. Para tal, o programa aposta na cooperação e parecerias entre empresas, bem como na qualificação dos recursos humanos. Uma articulação das várias entidades que compõe a comunidade, como rede de transportes ou ligações entre empresas, resulta numa coesão sob a égide das diretrizes do Compete2020 (COMPETE2020, 2020). No que diz respeito à competitividade nas regiões menos desenvolvidas, a maioria de baixa densidade, a existência de outros programas que apoiam a coesão, são reforçados pelo Compete2020, resultando na criação e influência de políticas públicas. Assim sendo, o programa de governo Compete2020 foi projetado para o período 20142020 e, teve como principal objetivo, estimular a competitividade e naturalmente a internacionalização das empresas, através de financiamento destinado às áreas do desenvolvimento tecnológico, inovação e investigação. No fundo, o Compete2020 mobiliza fundos europeus e nacionais para apoiar sobretudo PMEs, de modo a modernizaram-me e tornarem-se mais atrativas, competitivas e com dinâmicas internacionais (COMPETE2020, 2020). O programa Compete2030 também criado pelo governo português, abarca determinadas semelhanças com o programa anterior, o Compete2020. De forma geral, foi projetado para o período 2021-2027 e, embora também continue a apoiar a internacionalização, competitividade e inovação, existe a intenção e necessidade de 24 adaptar o programa aos novos desafios que Portugal e a UE enfrentam. Os principais objetivos do programa predem-se, essencialmente, pelo apoio à digitalização e internacionalização das empresas, num enquadramento de transformação industrial, apoiar e enfrentar os desafios da transição climática, investindo sobretudo em energias renováveis, e por último, melhorar as qualificações dos trabalhadores (COMPETE2030, 2023). Desta forma, apesar das insuficiências, é notório algum esforço do poder político no estímulo à economia nacional. Tal facto, originou uma série de iniciativas/programas que apoiam a internacionalização das empresas portuguesas. Nesse âmbito, as empresas portuguesas podem usufruir os recursos disponíveis e solidificar a sua posição tanto a nível nacional como internacional. Este cenário revela que ainda existe um longo percurso no que cabe à afirmação das empresas portuguesas no estrageiro. Ainda assim, denota-se por um lado um empenho do governo em atuar nesta temática e, por outro, as empresas portuguesas têm recebido melhorias ao nível da competitividade, crescimento externo, conhecimento técnico, e no fundo, do desenvolvimento interno e externo. Atendendo à realidade visível e às dificuldades que persistem, os apoios do Governo revelam-se necessários e urgentes, mas não suficientes para desencadear um crescimento sólido das empresas e consequentemente uma posição mais competitiva no seio do mercado internacional. 2.9. Notas conclusivas O fenómeno da internacionalização das empresas é cada vez mais crescente, tendo uma conjuntura global favorável à sua propagação. Existe um conjunto de fatores que influenciaram esta expansão passam desde a liberalização dos mercados aos efeitos positivos do Mercado Único Europeu, no fundo da globalização. Dependendo da realidade e dinâmica da empresa e do meio em que se insere, tem de existir uma análise coerente do mercado em que pretende operar, pelo que há uma ligação entre os motivos e o modo de entrada nos mercados externos. As teorias da internacionalização surgem para um melhor entendimento relativo ao processo de internacionalização. Seja o Modelo Uppsala, caracterizado pelo seu carácter cauteloso e incremental no que toca à expansão da empresa, seja o Modelo de 25 Internalização, que defende uma posição de internalizar determinadas operações, diminuindo a sua dependência a terceiros, tendo em conta os custos de produção, são dois dos modelos existentes que contribuem para nortear as atividades da empresa no seu processo de crescimento global. Todo o processo de internacionalização é composto por análises, avaliações, prognoses que compõe no seu todo um fim, a decisão de expandir operações a nível internacional. Assim, existem vários modos de entrada no mercado externo, nomeadamente a exportação, licenciamento, joint ventures, aquisições, investimentos greenfield, cada um com as suas vantagens e desvantagens. Cada qual não são verdades universais no sentido de haver necessidades específicas de cada empresa. Como tal, é imperativo considerar a realidade interna e externa da organização, para que haja uma deliberação de uma expansão coerente. Embora a exportação seja o modo de entrada mais trivial, pelo seu menor risco de envolvimento de recursos. Os territórios de baixa densidade possuem com características que marcam a sua identidade, isto é, são territórios com uma população tipicamente envelhecida, falta de mão de obra qualificada, inacessibilidade em termos de infraestruturas rodoviárias, bem como de serviços e produtos mais especializados. No fundo, uma falta de coesão territorial e social predominam nestes territórios. Neste sentido, a internacionalização, nomeadamente o estímulo à exportação, pode ser uma estratégia de desenvolvimento multissetorial destas zonas. Seja pela atração e fixação de população, criação de emprego, ou pelo seu impacto na economia local e consequentemente nacional, a internacionalização representa um fator proeminente na movimentação e dinamismo das zonas de baixa densidade. Numa perspetiva de aproveitamento de oportunidades, a digitalização poderá ser uma chave no desenvolvimento destes territórios, pelas facilidades operacionais que oferece. Articulando esta lógica com o aproveitamento dos recursos endógenos, os territórios de baixa densidade apresentam potencialidades que merecem ser exploradas e potencializadas. As pequenas e médias empresas, típicas do tecido empresarial português enfrentam desafios de grande dimensão, pelo que o Governo detém um papel crucial em impulsionar e auxiliar as atividades das empresas, responsáveis por grande parte do emprego. Assim sendo, o apoio governamental é um eixo fulcral ao sucesso da atividade 26 empresarial, podendo a inovação social ser igualmente um foco a manter pelo equilíbrio e progresso deste tipo de regiões. Como tal, o Governo elenca um conjunto de incentivos que procuram impulsionar a internacionalização das empresas. Nomeadamente o Compete2020 ou o Compete2030, são dois exemplos de incentivos existentes de apoio às empresas, contribuindo assim para a sua capacitação na esfera dos negócios internacionais. 24 3. Estudo de Caso: Terras de Trás-os-Montes O presente estudo analisa as Terras de Trás-os-Montes, uma região de baixa densidade populacional no norte de Portugal. Caracterizada por um forte vínculo às tradições e à ruralidade, Terras de Trás-os-Montes enfrenta desafios como a desertificação humana e o envelhecimento da população (CIMM-TT, n.d.). De seguida é apresentado uma caracterização da região em termos demográficos e empresariais. 3.1. Caracterização Demográfica Terras de Trás-os-Montes são sub-regiões da região de Trás-os-Montes e situamse no nordeste português. A região é caracterizada pela sua baixa densidade populacional devido sobretudo ao despovoamento ou o envelhecimento da população. É composta por 9 concelhos, Bragança, Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, tal como mostra a Figura 4. Figura 4. Concelhos que constituem as Terras de Trás-os-Montes. Fonte: CIM (2024). 25 De acordo com os dados dos Censos 2021, existe uma dicotomia notável entre o litoral e o interior. Observa-se uma densidade populacional significativamente superior nas áreas urbanas, com um índice de 453,7 habitantes/ Km2, em contraste com as áreas rurais, que apresentam uma densidade de apenas 22,0 habitantes / Km2. Os dados do INE de março de 2024, indicam que a região de Terras de Trás-os-Montes tem sofrido perda de população de forma gradual. Em 2011 assiste-se a uma queda do número de população no território, contando com 21 habitantes /Km². A situação agravou-se e em 2022 existiam 19,3 habitantes / Km. Uma perda de cerca de 1,7 habitantes/Km². A seguinte Tabela ilustra as principais características demográficas e geográficas das várias localidades da sub-região de Trás-os-Montes, neste caso Terras de Trás-os-Montes. Tabela 3. Retrato populacional das Terras de Trás-os-Montes. Fonte: CIM (2024). Município Área Km² Freguesias Aldeias Vilas Cidades População Residentecensos 2021 Alfândega da Fé 332 12 28 1 0 4324 Bragança 1173,6 39 114 1 1 34582 Macedo de Cavaleiros 699,1 30 66 0 14251 Miranda do Douro 487,2 13 16 1 1 6463 Mirandela 659 30 101 1 1 21384 Mogadouro 760,7 21 56 1 0 8301 Vila Flor 265,8 14 27 1 0 6050 Vimioso 481,6 10 20 2 0 4194 Vinhais 694,8 26 105 1 0 7764 32 Alentejo. A área de cultivo duplicou de 26.842 para 63.884 hectares, com Trás-osMontes e Alentejo representando juntos 84% do total. Em contrapartida, o Algarve, tradicionalmente uma região produtora, perdeu relevância. Em termos de exportação, Portugal em 2022 exportou 28.786 toneladas de amêndoa com casca para vários países europeus. A amêndoa, um produto possível de transformação, tem tido inovações como a produção de amêndoa sem casca. A sua produção também cresceu de forma significativa, evoluindo de 1.578 toneladas em 2010 para 10.398 toneladas em 2022. Tal feito, reflete o aumento da eficiência no processamento e transformação da amêndoa em produtos de maior valor agregado no mercado. De facto, é um produto com uma procura relevante, sobretudo pelos novos hábitos alimentares da população, levando a que as empresas foquem a sua atenção nessa direção e assim oferecer ao mercado o que precisa e o que pretende (International Food Information Council, 2022). As regiões vinícolas de Portugal apresentam resultados variados. A maioria das regiões registou um aumento na produção, com destaque para a região do Douro, Lisboa e Alentejo. No entanto, nem todas as regiões seguiram esta tendência positiva. As regiões dos Verdes e da Beira Interior, apresentaram quebras de produção de 84 milhões de hectolitros (Mhl) e 17 Mhl, respetivamente, em relação ao ano anterior. Na região de Trás-os-Montes, na qual se insere a sub-região estudada na presente investigação, a produção de vinho registou um aumento considerável, passando de 83 milhões de hectolitros (Mhl) na campanha anterior para 101 Mhl no ano 2023/2024. Este acréscimo de 18 Mhl reforça a importância que Trás-os-Montes desempenha como região produtora de vinho com uma procura cada vez mais acrescida. A nível nacional a produção de azeite destaca-se nas regiões do Alentejo com 1 466 458 hectolitros(hl), e Trás-os-Montes com 144 534 (hl) em 2023, tal como se pode observar na Figura 8. Os dados demonstram que o cultivo de olival é um marco na agricultura portuguesa, e tanto no Alentejo como em Trás-os-Montes vincam a sua posição dominante na produção de azeite. 33 0500 000 1 000 000 1 500 000 2 000 000 Portugal Entre Douro e Minho Trás-os-Montes Beira Litoral Beira Interior Ribatejo e Oeste Alentejo Algarve Açores Madeira Hlhectolitros Regiões Figura 8. Azeite produzido (hl)- 2023. Elaboração própria através do INE (2023). Em termos de produção de azeitona destinada ao lagar para a obtenção de azeite, Portugal tem tido um crescimento constante, sendo que o seu pico foi em 2021 com 1 350 238 toneladas e 1 176 087 toneladas em 2023 (PORDATA, 2023). Terras de Trás-os-Montes a taxa de natalidade nas indústrias transformadoras é de 9,17%, uma média superior à de Portugal (7,75%), exemplificando a sua influência e peso numa região como Terras de Trás-os-Montes. Por uma questão de melhor entendimento e de forma a poder fornecer uma ideia mais profunda dos três setores âncoras na região, a Figura 9 mostra o total de vendas da indústria transformadora em 2022. 34 Inseridos na Indústria Transformadora alimentar e de bebidas, o vinho, azeite e a amêndoa, atingem valores lucrativos bastante positivos na economia nacional. Denota-se que a indústria do vinho atinge o valor total apresentado, com 1,83 mil milhões de euros, exprimindo a forte posição de produção e consequentemente de comercialização vinho. De seguida, a produção de azeite regista 640,4 milhões de euros, valor considerável, representando um setor tradicionalmente robusto em várias regiões produtoras de azeite. Por último, relativamente ao setor de descasque e transformação de frutos de casca rija comestíveis alcançou 194,2 milhões de euros. Apesar o seu valor mais baixo em comparação a outros setores, ainda assim demonstra relevância, sobretudo nas regiões interessadas no setor, como Trás-os-Montes na amêndoa. Os contributos da comercialização dos produtos mencionados apresentam-se de suma importância para o estímulo da economia local e nacional. Por isso, neste caso, o investimento nos produtos regionais elencados são uma das chaves promissores ao desenvolvimento de territórios de baixa densidade, como as Terras de Trás-os-Montes, 0 200 000 000 400 000 000 600 000 000 800 000 000 1 000 000 000 1 200 000 000 1 400 000 000 1 600 000 000 1 800 000 000 2 000 000 000 Descasque e transformação de frutos de casca rija comestíveis Produção de azeite Indústria do vinho €- euros Áreas da indústria tranformadora Figura 9. Indústria Transformadora: Total de vendas de Produtos (€) 2022. Fonte: Elaboração própria através de dados do INE (2023) 35 uma vez que, apesar das suas limitações demográficas e de infraestruturas, consegue explorar os seus recursos e maximizar os benefícios que daí advêm. 35 4. Abordagem Metodológica O objetivo principal deste estudo é analisar como o processo de internacionalização impacta o desenvolvimento socioeconómico em territórios de baixa densidade, utilizando as Terras de Trás-os-Montes como estudo de caso. Para isso, foram realizadas três entrevistas semiestruturadas com empresas locais que comercializam produtos endógenos (vinho, azeite e amêndoa) e que já possuem processos de internacionalização consolidados (azeite e amêndoa) ou têm a intenção de iniciá-los (vinho). Essas empresas foram escolhidas por representarem a realidade empresarial da região e de outros territórios de baixa densidade. A análise detalhada de suas atividades permite identificar contribuições positivas para a população e para a economia local. A pesquisa adota o paradigma interpretativista, que procuram entender as relações sociais por meio dos valores e fenómenos que as moldam (Saunders et al., 2009). Quanto à abordagem, optou-se pela indutiva, que visa formular teorias com base na recolha e análise de dados. No contexto deste estudo, a abordagem indutiva permite explorar as experiências e perceções dos empresários de áreas de baixa densidade populacional que estão envolvidos com exportação. A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso, utilizando uma abordagem qualitativa. Para alcançar uma maior abrangência de resultados, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, que permitem adaptar as perguntas ao contexto específico de cada empresa (Saunders et al., 2009). As entrevistas ocorreram presencialmente em dezembro de 2023 e foram gravadas com consentimento dos participantes. Esta metodologia visa um contacto mais direto com os participantes, permitindo uma compreensão mais profunda do fenómeno da internacionalização em áreas rurais (Demo, 2011). Os resultados foram transcritos e analisados por meio de análise de conteúdo, considerada a abordagem mais adequada para investigar o impacto da internacionalização nessas regiões. A análise de vários casos possibilita identificar padrões explicativos e comparativos sobre os efeitos desse processo nos territórios de baixa densidade (Saunders et al., 2009). 36 Por fim, a análise qualitativa dos dados, seguida pela análise de conteúdo, permitiu entender as perceções dos entrevistados sobre o fenômeno estudado e validar a premissa de que a internacionalização pode promover crescimento e dinamização nesses territórios. 4.1. Caracterização da amostra Na presente investigação, o caso de estudo localiza-se na região de Terras de Trás-os-Montes, o qual se remete para três empresas locais que comercializam produtos endógenos, no setor do vinho, azeite e amêndoa. A razão pela qual se selecionou estas três empresas, prende-se com o facto de serem empresas locais que representam a realidade empresarial na região de Trás-os-Montes e, consequentemente em muitos territórios de baixa densidade A escolha das mesmas reflete igualmente uma análise detalhada das suas dinâmicas e impactos locais, permitindo identificar contributos benéficos para a população e consequentemente para a economia local. Na Tabela 4 encontra-se a caracterização geral das três empresas entrevistadas. As três empresas apresentadas possuem uma duração de tempo de existência diferente entre elas, sendo a mais antiga a E3, tal como é possível constatar. Cada qual comercializa produtos diferentes, no entanto produtos endógenos. O número de trabalhadores varia entre si variando do 1 (E1), até aos 20 (E2). Por outro lado, o modo de internacionalização dominante na E2 e E3 é a exportação. Todas as organizações empresarias se localizam em Alfândega da Fé, concelho pertencente às Terras de Trásos-Montes e, consequentemente aos territórios de baixa densidade. De seguida, apresenta-se uma tabela-síntese a clarificar a situação de cada empresa. 37 Tabela 4 Caracterização geral das empresas entrevistadas Como é observável através da Tabela 4, a empresa E1 é uma microempresa vinícola fundada em 2014, exemplifica um negócio em fase inicial, contando com apenas um único colaborador. Até ao momento, não possui uma estratégia formal de internacionalização, limitando-se a comercializar pequenas quantidades de vinho em redes de contacto pessoal. Esta situação pode ilustrar as dificuldades enfrentadas por novas empresas em áreas de baixa densidade, onde o acesso a recursos e redes de apoio é mais restrito, conforme demonstrado na revisão bibliográfica deste estudo. A empresa E2 que já possui uma trajetória mais consolidada, apresenta uma estrutura com 20 colaboradores e uma clara direção para a exportação de amêndoas. Este caso sugere que, mesmo em regiões de baixa densidade populacional, é possível desenvolver estratégias de internacionalização bem-sucedidas, especialmente para empresas que conseguem especializar-se e aproveitar produtos agrícolas locais de elevada qualidade, como ocorre com a produção de amêndoas em Alfândega da Fé. A E3 estabelecida em 1764, exemplifica um caso de longevidade empresarial numa área de baixa densidade populacional. Com 13 colaboradores, a empresa tem demonstrado adaptabilidade ao longo dos séculos, adotando a exportação de azeite como estratégia focal para alcançar mercados externos. Nome da empresa Ano de iniciação Tipo de Produto Número de Trabalhadores Modo de internacionalização Localidade (E1) 2014 Vinho 1 - Alfândega da Fé (E2) 1992 Amêndoa 20 Exportação Alfândega da Fé (E3) 1764 Azeite 13 Exportação Alfândega da Fé 38 As três empresas ilustram diferentes estágios e abordagens em relação à internacionalização, revelando que, apesar das dificuldades inerentes às zonas de baixa densidade, existem oportunidades significativas para aquelas empresas que têm a capacidade de explorar nichos de mercado e desenvolver produtos atrativos ao mercado externo. A exportação emerge assim, como uma estratégia chave, permitindo que as empresas exponenciem o seu alcance, diversifiquem as suas fontes de receita e se posicionem competitivamente no cenário internacional. As entrevistas realizadas permitem entender como é que a internacionalização afeta as dinâmicas locais. Através do estudo destas empresas, é possível reconhecer oportunidades de modo a estimular a sua competitividade e, simultaneamente, promover o seu crescimento económico. Por outro lado, a relevância do presente estudo passa pelo facto de a própria investigação da internacionalização das empresas locais poder oferecer insights pertinentes para a construção de políticas públicas e, por outro lado, delinear estratégias para estimular o desenvolvimento regional. 4.2. Entrevistas semiestruturadas Face aos objetivos propostos, foram desenvolvidos dois guiões de entrevista e aplicados de acordo com o estágio de internacionalização da empresa entrevistada, como visível no Anexo I. Assim, os guiões tinham estrutura semelhante, exceto nas questões sobre internacionalização e intenção de internacionalizar. Para as empresas que já exportam, o guião foi dividido em duas partes: a primeira tratava da apresentação da empresa, sua história, valores e missão; a segunda abordava o início da exportação, desafios, motivações, principais mercados, incentivos governamentais e a opinião sobre a internacionalização como fator de desenvolvimento regional. Adicionalmente, as empresas que pretendem exportar, as perguntas também começaram com a apresentação, seguidas de questões sobre as atividades comerciais no mercado nacional, motivações à internacionalização, estratégias para alcançá-la e o papel das certificações de qualidade no processo de exportação. 39 5. Resultados No presente capítulo são apresentados os resultados das entrevistas realizadas às empresas participantes. No âmbito deste estudo, foram conduzidas três entrevistas com empresas relevantes para os objetivos de investigação, que se localizam em territórios de baixa densidade populacional e que comercializam produtos endógenos. Este perfil empresarial é consistente com o foco do estudo, dado o seu caráter local e o uso da internacionalização como estratégia de crescimento. Adicionalmente, uma das empresas entrevistadas apresenta uma particularidade distinta no contexto da internacionalização, pois, embora ainda não tenha iniciado as exportações, manifesta intenção de fazê-lo no futuro. Assim, torna-se relevante identificar os pontos de convergência e divergência entre as empresas analisadas. Durante as entrevistas, emergiram diferenças notáveis nos objetivos a curto prazo de cada uma das empresas, destacando distintas orientações estratégicas e desafios. 5.1. Perceção e motivações da Internacionalização Os entrevistados foram questionados sobre o impacto da internacionalização na economia local: “A internacionalização promove o desenvolvimento do território e da população local?”, “Quais as principais motivações que teve em consideração ao iniciar o processo internacionalização?”, “Como iniciou o processo de internacionalização?”. Estas perguntas foram realizadas com a intenção de perceber se os entrevistados consideram se a internacionalização lhes oferece benefícios, bem como qual a importância que atribuem ao fenómeno. Além disso, é importante perceber como é que duas das três empresas entrevistas iniciaram o seu processo de internacionalização, e a outra empresa como pensa fazê-lo. As empresas E2 e a E3 afirmam que a internacionalização, neste caso a exportação, é fundamental para a capacitação das empresas e assim trazer “uma maisvalia à região” (E2), em termos económico-sociais. A internacionalização cria movimento nas regiões e cria fluxos empresariais que, por sua vez, atraem população, na medida em que “não há empresas sem pessoas” (E2). Além disso, a exportação auxilia o 40 escoamento do produto, visto que “a região não tem capacidade de absorver todo o azeite” (E3). De facto, através da internacionalização “geram-se dinâmicas dentro e fora da região” (E2) que acabam por refletir o seu impacto positivo. Para a empresa E1 o fenómeno mencionado possui um peso significativo na evolução do território, uma vez que se uma empresa começar a exportar “significa que a produção aumentou, o que requer mais recursos humanos e, no fim, traduz-se em mais receita”. As três empresas entrevistadas concordam que a internacionalização emerge como uma estratégia eficaz para mitigar desafios significativos enfrentados por regiões de baixa densidade populacional, como o despovoamento. A expansão para mercados internacionais gera um ciclo de "dependência saudável", no qual se estabelecem relações comerciais positivas entre os diversos atores sociais e económicos. Nesse contexto, as empresas reconhecem que a internacionalização não apenas proporciona oportunidades benéficas para elas mesmas, mas também para a economia local, promovendo, como resultado, um aumento na qualidade de vida e no bem-estar da população (E2). No que se refere às motivações para a inserção no mercado internacional, a empresa E3 salienta que a internacionalização representa uma "valorização do produto", essencial para tornar a agricultura mais atraente, evitando o abandono do setor. Essa valorização requer o desenvolvimento de estratégias que possibilitem a atuação em mercados externos, resultando num incremento nas vendas. Dessa forma, a internacionalização é ambicionada não apenas pelos seus efeitos económicos diretos, mas também pelas suas consequências a jusante. A empresa E2 considera a internacionalização um meio de crescimento e fortalecimento da estrutura empresarial, além de ser essencial para a "procura de novos mercados", que está intrinsecamente ligada ao crescimento organizacional. Por isso, a figura a seguir resume as motivações percebidas pelas empresas mencionadas, destacando a inter-relação entre a internacionalização e o desenvolvimento económico regional. 47 “desenvolvimento socioecónomico” (E3) do próprio território seja pela obtenção de lucro, ou emprego gerado. 5.4. Incentivos do Governo à Internacionalização A implementação da internacionalização no setor empresarial necessita de apoio, sobretudo em zonas não tão desenvolvidas e com um acesso limitado a redes de informação e oportunidades, como é o caso das zonas de baixa densidade populacional. Por essa razão, durante as entrevistas foi realizada a questão: “Usufruiu ou usufrui de algum incentivo à internacionalização?”. Todas responderam que sim, incluindo a empresa E1 ao nível nacional. Seguidamente apresenta-se uma tabela que ilustra, de forma detalhada, os diversos tipos de incentivos concedidos às empresas. Tabela 7. Nome e descrição dos incentivos à internacionalização das empresas. Fonte: Elaboração própria através de dados retirados das entrevistas. Empresas Nome do Incentivo/Apoio Área de atuação do Incentivo E1 CVR (Comissão Vitivinícola Regional de Trás-osMontes) Certificação e regulamentação do produto; organização de feiras nacionais e internacionais E2 Portugal Foods Presença de feiras nacionais e internacionais E3 Portugal Foods Presença de feiras nacionais e internacionais 48 A presença de feiras nacionais e internacionais podem e devem ser apoiadas às PME´s, já que se afigura numa forma de iniciar a internacionalização. É o caso das empresas mencionadas que usufruíram destes apoios, com o objetivo de criar maior volume de negócio e assim, aceder a oportunidades que de outra forma seria mais difícil, seja a nível financeiro, logístico ou até mesmo de conhecimento da realização do evento. Concretamente, a E1, embora com participação mais nacional, explica que a “CVR apoiou-nos por exemplo na participação da feira dos vinhos em Lisboa. Essa participação foi-nos mais acessível em termos de preço. Na nossa área as feiras são essências”, retratando uma vez mais a importância da presença em feiras para “divulgação do produto” (E1). A E2 não aprofundou o tema, no entanto afirmou que a Portugal Foods auxiliou a empresa em eventos internacionais e tem sido esse o foco. No fundo, as empresas estão concentradas na obtenção de apoio/incentivos com o intuito de terem, sobretudo, a possibilidade de ter presença física nas feiras. A E3 goza igualmente do apoio advindo da Portugal Foods na presença de feiras e além disso, embora não indicando o nome do apoio, o sócio-gerente da E3 revelou que conta com a ajuda de programa da Comissão Europeia, conseguindo um financiamento de cerca de 32% no que toca à participação nas feiras internacionais. 5.5. Entraves da região identificados pelos entrevistados Como já evidenciado, a região de Terras de Trás-os-Montes sofre de adversidades de cariz demográfico-económico e, em resultado disso, o setor empresarial acaba por não ser tão dinâmico e produtivo quanto podia, ocorrendo uma cadeia de vicissitudes. Os problemas expostos anteriormente na revisão de literatura, são testemunhados pelos entrevistados, que elencam algumas lacunas da região. Problemas como a “falta de atividades dinâmicas, baixa densidade e envelhecimento populacional, pouca atratividade dos serviços para fixar população, escassez de investimento em setores essenciais à atividade social nomeadamente nos serviços mais básicos”, são algumas lacunas analisadas pelo sócio-gerente da E3. De forma geral, os restantes entrevistados abordaram os mesmos problemas, atribuindo ênfase à desertificação que a região sofre. 49 Ademais, o retrato económico de Alfândega da Fé, é desenhado sob o desafio em “reter talentos jovens qualificados”. Os entraves são contínuos, resultando numa escassa inovação e crescimento, representando numa atividade estagnada generalizada, o que prejudica a “capacidade empresarial da região em oferecer oportunidades de emprego”, refere o sócio-gerente da E1. Por isso, perpetua-se um ambiente desfavorável ao progresso económico sustentável. Em síntese, é exposta a seguinte tabela com o intuito de ilustrar os principais obstáculos referidos pelos participantes das entrevistas. 5.6. Certificações do produto e Estratégia No mundo atual a exigência dos consumidores juntamente com a necessidade de controlo do produto e sua qualidade, é cada vez mais importante certificar os produtos comercializados. A certificação produz “mais credibilidade ao produto” (E1), pelo que consegue criar esse laço de confiança com o cliente. O selo “biológico criou um nicho de mercado interessante”, não só porque obriga os produtores a cumprirem as regras e limites estimulados quanto à produção, mas também porque “agrega maior valor económico ao produto” (E1). O entrevistado da E1 refere que inicialmente para receber uma certificação de valor pode não ser um processo fácil, na medida em que “a não utilização de certos químicos nos produtos limita a sua rapidez de maduração”. Despovoamento Ritmo estagnado Incapacidade de fixar os jovens Figura 12. Destaque às lacunas da região transmontana. Fonte: Elaboração própria com base nas entrevistas. 50 Contudo, a “final recompensa, pois as vantagens superam as desvantagens” (E1). Por outro lado, pelo facto de as certificações provocarem um efeito de confiança no consumidor, “pois refletem a qualidade e transparência do produto e da empresa” (E1), acabam por se assumir como estratégia ao estímulo de vendas. No fundo, as certificações incitam um efeito final estratega na atração de clientes. A E3 confirma que as certificações transmitem uma certa segurança sobre o produto e que, para além disso, são crucias porque no mercado internacional “há países que só aceitam determinados produtos que possuam certificações”. Adicionalmente, o entrevistado dá um exemplo para retratar a importância da certificação nos produtos, “temos a certificação halal ali dirigida à população muçulmana”, expressando também uma preocupação sobre as especificidades de cada segmento do seu mercado. A E2 reforça a ideia de as certificações gerarem “garantia de qualidade”. 51 6. Discussão dos resultados A região Terras de Trás-os-Montes é caracterizada pelo despovoamento e envelhecimento da população. Evidentemente, tal como mostram os dados do INE presentes no capítulo 3, o território tem perdido população a um ritmo contínuo. No segmento de caracterização de Terras de Trás-os-Montes, sob a ótica demográfica, a região onde se localizam as empresas entrevistadas, em Alfândega da Fé, é um território pertencente a Terras de Trás-os-Montes e indiscutivelmente de baixa densidade populacional. É assistida por desafios que comprometem o seu nível de desenvolvimento e bem-estar, referentes por exemplo à parca acessibilidade a produtos e serviços, à baixa produtividade, entre outros (Covas et al., 2019). Tais consequências decorrem de sérias falhas relativas à sua estrutura populacional. Os entrevistados, apesar de não sentirem diretamente falta de mão de obra, observam que a zona onde se inserem é significativamente prejudicada ao nível económico e consequentemente social, devido à ausência de um índice de densidade populacional considerável que colmate essas lacunas. Nomeadamente, o capítulo referente à análise de dados evidencia o índice de envelhecimento do ano 2024 em Terras de Trás-os-Montes e Portugal. Numa perspetiva comparada, os valores nas Terras de Trás-os-Montes são valor superiores à média nacional. O cenário observado vem confirmar os problemas mencionados anteriormente, e ratificados pelos entrevistados como o envelhecimento da população e a necessidade de atrair e fixar população, indo ao encontro de Gerry (1988) que defende que os territórios de baixa densidade são zonas marginais com predominância de um afastamento a infraestruturas essenciais a qualquer dinâmica, sendo por isso, territórios abandonados. No que diz respeito ao tecido empresarial das regiões de baixa densidade, especialmente Terras de Trás-os-Montes, pode ser descrito como sendo tipicamente composto por microempresas sem peso significativo na economia nacional. Com predominância do setor primário, esta região produz sobretudo vinho, azeite e amêndoa. Já como exposto anteriormente, as empresas que se situam neste território têm uma acessibilidade geral mais débil. Por outro lado, persistem desigualdades 52 regionais advindos da falta de investimento nas regiões de baixa densidade, sobretudo no interior do país. Torna-se de facto um problema quando mais de 50% do território português equivale a territórios de baixa densidade. Esta questão é um ponto de reflexão da situação em que se encontram este tipo de regiões, porque se por um lado não existem tantas acessibilidades e oportunidades como no restante país, por outro, não se verificam grandes mudanças (Covas et al., 2019). A fraca densidade empresarial é ilustrada com 3,9 empresas por Km2, enquanto média nacional é de 14,6 empresas/Km2 e, além disso, as Terras de Trás-os-Montes possui altos valores no que concerne à dimensão das empresas com menos de 10 trabalhadores (98,7%). Sob um ponto vista conceptual, internacionalização apresenta-se como um fenómeno multidisciplinar, isto é, composto por diversas áreas, desde os negócios internacionais, à economia ou até mesmo ao marketing, (Cavugil e Yaprak (2005). Seguindo esta linha de pensamento, o fenómeno internacionalização afigura-se numa aposta cada vez mais visível num mundo tão globalizado e interconectado (Daly, 1999). Vários fluxos de informação, tecnologias, de capital ocorrem diariamente a um ritmo acelerado, provocando uma dinâmica mais intensa às organizações empresariais e, como tal, as mesmas investem nessa direção para por um lado, preservar a sua posição no mercado e dar resposta à concorrência, por outro, assegurar que se mantêm atualizadas (Morschett et al., 2010). Este argumento é corroborado pela opinião do sócio da empresa E1 acerca da internacionalização. Certamente, a internacionalização das empresas a médio e longo prazo originam vantagens para elas próprias, mas também para os territórios em que estão inseridas. Considerando esta perspetiva e de forma a entender melhor o fenómeno internacionalização, as teorias explicativas do processo de internacionalização fornecem diferentes visões acerca do mesmo. A decisão da seleção do modo de entrada no mercado internacional deve ser consciente e adaptada ao contexto em que a empresa se insere, mas também ao que tenciona expandir-se (Morschett et al., 2010). O modo de entrada que normalmente as empresas selecionam para operar externamente é a exportação. A razão prende-se, segundo Leonidou e Katsikeas (1996), pelo facto de ser um modo de entrada mais acessível, com um menor envolvimento e 53 consequentemente menos riscos. Esta mesma lógica foi adotada pelas duas das três empresas entrevistadas, E2 e E3 que inicializaram o seu processo de internacionalização através da exportação. A ação de prosseguir nos negócios além-fronteiras tem sempre como objetivo crescer, potencializar futuros negócios para assim maximizar os seus lucros. A internacionalização é pensada e avaliada tendo em conta as suas motivações e barreiras. Quanto às motivações podem dividir-se em dois tipos, proativas e reativas. Os resultados mostram motivações semelhantes, todas consideram que a internacionalização é motivada pela procura de novos mercados, aumento do valor agregado, e no fundo à expansibilidade dos seus negócios. O mesmo padrão se aplica às barreiras. Nas limitações à internacionalização existe a possibilidade de serem de natureza interna, que são associadas à empresa, como a falta de recursos financeiros ou exemplo, ou externas, dirigidas à conjuntura externa da empresa, como o sistema político e legal do país de destino (Cahen et al.,2015). Articulando dados secundários e primários, a empresa E1 constatou como possíveis barreiras à sua internacionalização num futuro próximo barreiras externas, como as condições climáticas a que a sua produção está dependente, identificando também uma barreira interna que na sua evolução transforma-se em externa, a baixa produção origina a que não consiga estabelecer preços competitivos face à concorrência. Por último, os sócios-gerentes das empresas E1 e E3 apresentaram o excesso de burocracia como limitação à internacionalização articulada com o sistema político-legal e fiscal dos países. Assim, é possível sustentar que as barreira identificadas pelos entrevistadas são, maioritariamente, de carácter externo, o que pode ser ainda mais complexo implementar o processo de internacionalização pelo facto de se situarem numa região que, naturalmente, já enfrenta algumas dificuldades. Os territórios de baixa densidade apesar dos seus grandes desafios, possuem igualmente oportunidades que merecem ser exploradas e potencializadas para assim tentar aliviar as consequências negativas dos problemas pelos quais se encontram sujeitos. Neste sentido, o turismo rural surge como chave a novas chances de dinâmicas económicas regionais, na medida em que tem efeitos positivos na economia e, por outro lado, ativa determinados serviços ligados ao setor. 54 Uma outra aposta para dinamizar e aproveitar as oportunidades deste tipo de regiões é a inovação social. A inovação social trata-se, no fundo, na valorização dos espaços rurais. Seja através do aproveitamento dos recursos endógenos, seja pela inovação utilizada no turismo rural, ou pelos investimentos que pode causar e, num ponto ideal, provocar o interesse empresarial com visões de expandir o negócio a nível internacional, através por exemplo de turistas vindos de todo mundo (Ferreiro et al., 2021). Se inovação social significa o aproveitamento e exploração dos recursos que o território oferece, então é possível correlacioná-la com a atividade das empresas entrevistadas. Veja-se, as três empresas, E1, E2 e E3, produzem e comercializam produtos endógenos, neste caso vinho, azeite e amêndoa. Ora, estrategicamente a gestão dos produtos empregues numa aplicação negocial eficiente, facilmente pode tornar-se numa estratégia multissetorial, representando assim oportunidades de estímulo da economia, oferta de emprego local e desenvolvimento do território. Por estes motivos, é possível articular a inovação social com a região Terras de Trás-osMontes, através das potencialidades da região que podem e devem ser exploradas. Ao cruzar duas oportunidades das regiões de baixa densidade, afirma-se que o turismo rural, alicerçado à inovação social, podem constituir-se como uma estratégia perspicaz a adotar nestes territórios no sentido de mitigar as dificuldades vividas por estes territórios. Tentando efetuar uma ligação entre as teorias explicativas do processo de internacionalização com o capítulo dos resultados, refere-se que pelo facto das duas empresas exportadoras utilizarem a exportação como modo de entrada no mercado internacional, e tendo em consideração a sua realidade e conjetura, o Modelo Uppsala será a teoria que vai ao encontro da E2 e E3. Tendo em conta a génese das empresas de pequena/média dimensão, não possuem recursos suficientes para operar apenas internamente, adequa-se por isso, uma posição mais segura e cautelosa. Embora a empresa E1 não exporte atualmente perspetiva-se que quando inicie a sua atividade exportadora, opte por uma conduta de índole prudente, visto que está a dar os primeiros passos e não possui experiência para se envolver mais e arriscar mais recursos, por isso assentaria o Modelo Uppsala. 55 No contexto macroeconómico, as exportações ajudam a criar riqueza, gerar empregos, fortalecer conexões e consequentemente a melhorar a qualidade de vida das dinâmicas empresariais, bem como das populações. No âmbito das empresas, a exportação a longo prazo, estimula vantagens competitivas, aumentam os lucros e impulsionam o desenvolvimento tecnológico, desempenhando assim um papel essencial na economia a nível local, nacional e internacional (Leonidou e Katsikeas, 1996). As três empresas entrevistadas defendem uma participação em eventos nacionais e, sobretudo internacionais, de modo a alcançar e cultivar o conhecimento da existência da sua empresa/produto e, consequentemente, realizar parcerias que possam surgir. As feiras são um meio para potenciar o aumento de exportações. Especialmente nessa fase, colocam-se em prática, por exemplo, estratégias de marketing de modo a atrair futuros parceiros de negócios. Com um espírito adepto da exportação, as empresas referenciadas defendem querer aprofundar os seus negócios para o plano internacional nos casos da E2 e na E3, e no caso da E1 expandir e formalizar as suas operações no estrangeiro. Impactos como o número de trabalhadores que, apesar de não ser um grande número, para uma região como a que estão situadas, é de facto um bom impacto social e económico. Os mercados alvo internacionais das empresas exportadoras revelam-se semelhantes, no sentido de possuírem interesse na Europa, embora com operações fora dela como os Estados Unidos da América. Esta perspetiva favorável à exportação é defendida pelos entrevistados (E1, E2 e E3), pois são conscientes dos benefícios que podem usufruir e das vantagens que podem implementar na própria região ao nível socioeconómico. Surge, nesse contexto, uma sequência de ganhos que contribuem para o crescimento e dinâmicas da empresa e do próprio território. Deste modo, a internacionalização pode ser compreendida como a ampliação das operações de uma empresa, e, portanto, das suas atividades económicas (Wright, 2007). Em síntese, a observação e estudo da análise dos resultados permitiu uma discussão e compreensão mais aprofundada das questões investigadas, evidenciando tanto contribuições teóricas como práticas decorrentes do estudo. Os resultados revelaram uma confirmação da revisão de literatura com os resultados no que toca à 56 representação dos territórios de baixa densidade, às suas características referentes ao tecido empresarial, às motivações e barreiras e, ainda, à relevância da internacionalização no desenvolvimento deste tipo de regiões ao nível socioeconómico. 63 INE (2014). Índice de envelhecimento (N.º) por Local de residência (NUTS - 2002); Anual. Consultado em: 17/09/2024. Disponível em: https://www.ine.pt/bddXplorer/htdocs/minfo.jsp?var_cd=0000603 INE. (2021). Metainformaçao. Www.ine.pt. https://www.ine.pt/bddXplorer/htdocs/minfo.jsp?var_cd=0006612&lingua=PT INE (2024). Índice de dependência total (N.º) por Local de residência (NUTS - 2013); Anual Indicador. Consultado em: 17/09/2024. Disponível em: https://www.ine.pt/bddXplorer/htdocs/minfo.jsp?var_cd=0008261&lingua=PT INE. (2023). Metainformaçao. 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No momento de recrutamento, existe alguma preferência por colaboradores locais? 9. Qual é o principal canal de distribuição da empresa? 10. Para que regiões (conselhos/distritos) vende/comercializa principalmente? Perceção sobre o processo de internacionalização 11. Quando iniciou o processo de internacionalização (exportação)? 12. Quais as principais motivações e dificuldades que perceciona ao internacionalizar os seus produtos? 13. Quais são os principais mercados de exportação da empresa? Houve alguma estratégia específica para entrar nesses mercados? 14. Na sua opinião, os incentivos governamentais respondem às necessidades das empresas destes territórios? 15. Após a internacionalização, teve a necessidade de contratar colaboradores? 65 16. Na sua opinião a internacionalização pode potenciar o desenvolvimento da região? Guião 2: Caracterização |Apresentação da empresa 1. Que papel/ funções desempenha na empresa? 2. Como nasceu a empresa? 3. Como caracteriza a empresa em termos de setor de atividade? 4. Quais os valores e a missão pelos quais a empresa se rege no seu dia-a-dia? 5. Atualmente a empresa conta com quantos colaboradores? 6. Como tem evoluído o número de colaboradores nos últimos 3 anos? 7. Do total de colaboradores, quantos residem no concelho de Alfândega da Fé? 8. No momento de recrutamento, existe alguma preferência por colaboradores locais? 9. Qual é o principal canal de distribuição da empresa? 10. Para que regiões (conselhos/distritos) vende/comercializa principalmente? Perceção sobre o processo de internacionalização 11. Alguma vez pensou em internacionalizar os seus produtos (ex. exportar)? Se sim, como (ex. qual a estratégia) e para que mercados? Se não, porquê? 12. Quais as principais motivações dificuldades que perceciona relativamente à internacionalização dos produtos, neste caso, endógenos? 13. Na sua opinião, os incentivos governamentais respondem às necessidades das empresas destes territórios? 14. Se optar por internacionalizar os seus produtos, equaciona contratar novos colaboradores? 15. Na sua opinião a internacionalização pode potenciar o desenvolvimento da região? 66 Anexo IIDensidade Populacional (INE, 2022) 67 Anexo III Censos (2021)