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Universidade do M inho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Tânia Filipa da Costa Sá Importância didática da Cultura no ensino de Chinês Língua Estrangeira (CLE): um caso prático UMinho | 2024 Importância didática da cultura no ensino de Chinês Língua Estrangeira (CLE): um caso prático Tânia Filipa da Costa Sá janeiro de 2024
Tânia Filipa da Costa Sá Importância didática da Cultura no ensino de Chinês Língua Estrangeira (CLE): Um caso prático Relatório de Estágio Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês: Área de Especialização de Chinês para Falantes de Português Trabalho realizado sob a orientação do Professor Doutor João Marcelo Mesquita Martins janeiro de 2024
I DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
II Agradecimentos Deixo os mais sinceros agradecimentos ao Professor Doutor João Martins, meu orientador na elaboração deste relatório, agradeço muito a paciência e toda a ajuda demonstrada nesta jornada. Agradeço também ao Instituto Confúcio da Universidade do Minho, que me acolheu neste estágio. Um grande agradecimento à Dra. Emília Dias, orientadora do estágio no Instituto Confúcio, por toda a ajuda disponibilizada, e a todos os professores do Instituto Confúcio, que me acolheram neste estágio, que me ajudaram a desenvolver o meu material e a aplicar o mesmo em aula, e a todos os professores da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas. Às minhas colegas Ana Gonçalves, Márcia Gonçalves e Sílvia Silva, pela ajuda na revisão do texto do relatório e pelo incentivo e apoio moral ao longo deste relatório, à minha família que sempre me apoiou, em especial ao meu irmão. Em último lugar, aos meus gatos, Luna e Lúcifer, que me ajudaram a manter a sanidade e o espírito para continuar a trabalhar.
III DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Braga, janeiro de 2024
IV Importância didática da Cultura no ensino de Chinês Língua Estrangeira (CLE): Um caso prático Resumo Foi provado por Resnick, em 2017, os benefícios das suas teorias educacionais, como os "quatro Ps" e a "espiral do ensino criativo", demostrando que alunos nestes projetos de ensino adquirem um maior número de conhecimentos e estão mais bem preparados para usar esses conhecimentos em situações futuras. Apesar de estas teorias serem frequentemente aplicadas em projetos em que se usam tecnologias de informação e comunicação, são raramente utilizadas no ensino de línguas estrangeiras. Em 2006, Janet Zhinqun Xing escreve uma tese a defender, mais uma vez, o ensino da língua aliado à cultura. Com estas informações em mente, este trabalho tem como objetivo exemplificar como as teorias de Resnick (2017) e a cultura podem ser usadas para o ensino de Chinês Língua Estrangeira. Com o conhecimento adquirido durante o estágio curricular, e no decorrer da elaboração deste relatório, procedemos à elaboração de exemplos de material didático e da maneira como este deve ser aplicado em sala de aula. Para fortalecer este relatório, foi ainda feito um inquérito em contexto de sala de aula a fim de identificar ou não a aceitação dos alunos da proposta de aula que subtemos. Palavras-chave: Chinês Língua Estrangeira; Cultura; Espiral de ensino criativo; Material didático; Quatro Ps.
V Didactic Importance of Culture in Teaching Chinese as a Foreign Language: A Case Study Abstract It was proved by Resnick, in 2017, the benefits of his educational theories, such as the "four Ps" and the "spiral of creative teaching", demonstrating that students in these teaching projects acquire a greater amount of knowledge and are better prepared to use this knowledge in future situations. Although these theories are widely used in projects that use information and communication technologies, they are rarely used in foreign language teaching. In 2006, Janet Zhinqun Xing writes a thesis defending, once again, language teaching combined with culture. With this information in mind, this work aims to exemplify how Resnick's (2017) theories and culture can be used for teaching Chinese as a foreign language. With the knowledge acquired during the curricular internship, and during the elaboration of this report, we proceeded to the elaboration of examples of didactic material and the way in which it should be applied in the classroom. To strengthen this report, an inquiry was also carried out in the classroom context to identify whether students accepted the proposed lesson that we have submitted. Key Words: Chinese as a foreign language; Culture; Creative teaching spiral; Teaching materials; Four Ps.
VI 对外汉语教学中文化的教学重要性:案例研究 摘要 Resnick 在2017 年提出了他的 “四个 P” 和 “创造性教学螺旋” 等教育理论, 证明学生在这些教学实验项目中获得了更多的知识,并为以后的学习做了更好的准备, 而且可以在未来的情况中使用这些知识。 这些理论广泛应用于使用信息和通信技术的 项目中,但在外语教学中却很少使用到。 2006 年,Janet Zhinqun Xing 发表了一篇学术文 章,论述语言教学过程中文化教学的重要性。 出于这些信息,本实习报告旨在针对本 人教学实习的经历,反思 Resnick(2017)的理论和文化内容的教学应如何运用于对外 汉语教学。 利用在中葡跨文化研究硕士课程实习期间以及在撰写本报告过程中获得的 知识,本文主要阐述如何从文化内容的角度使课堂教学方式与教材的语言内容相结 合。 这份报告还介绍了我们在课堂上进行的一项调查,以了解学生对教学计划的接受 程度。 关键词:汉语; 文化; 螺旋式创意教学; 课件; 四个 P;
6 e um concerto comemorativo do Ano Novo Chinês, conhecido também como o Festival da Primavera (春 节, Chūnjié), iniciativa que contou com o apoio da Câmara Municipal de Braga, estando a música a cargo da Orquestra Filarmónica de Braga. 1.2. Tarefas realizadas O objetivo proposto para este estágio foi o de criar material didático para as turmas de iniciação no estudo de chinês, baseando-nos no manual ainda não editado do ICUM. Para a realização deste propósito, o estágio dividiu-se em três partes: no primeiro mês, procedemos à visualização e estudo de como eram realizadas as aulas de chinês do programa (que o ICUM designa por “Mandarim”). No segundo mês, procedemos à escolha de três escolas, E.B. 2,3 Francisco Sanches, em Braga, Mundos de Vida, em Vila Nova de Famalicão, e E.B. 2,3 André Soares, também em Braga, onde tivemos a oportunidade de lecionar alguns momentos da aula, bem como assistir a várias aulas de mandarim. Foi neste último estabelecimento de ensino que também participámos na lecionação ativa das mesmas. Com os novos conhecimentos adquiridos desta experiência, procedemos, no restante mês, à elaboração de apresentações de PowerPoint para serem utilizados de futuro no ensino de chinês em escolas pertencentes ao programa. Para uma melhor compreensão do trabalho feito, procederemos a uma breve caracterização dos alunos que participaram nestas tarefas. Nas escolas E.B. 2,3 Francisco Sanches e E.B. 2.3 André Soares, tínhamos uma turma de 15 alunos, com idades compreendidas entre os 11 e 13 anos, e duas turmas de 20 alunos cada, com idades entre os 11 e 14 anos. Neste último caso, dez destes alunos eram de nacionalidade brasileira, característica que influenciava a sua expressão oral. A título de exemplo, era percetível que a pronunciação de alguns sons presentes na língua chinesa lhes colocava uma dificuldade acrescida em comparação com os restantes colegas. Resta referir que todos os alunos da turma se encontravam no mesmo nível no que consta ao contacto com a língua chinesa e a sua cultura. No que concerne aos alunos do colégio Mundos de Vida, a sua caracterização é diferente, já que o contacto destes com a língua chinesa ocorre desde o 2.º ano do 1.º Ciclo (5 e 8 anos de idade). Dado que trabalhámos com alunos do referido ciclo, nomeadamente 5.º e 6.º anos de escolaridade (idades compreendidas entre os 10 e 12 anos), a sua abertura ao estudo da cultura associado à língua é maior, pois já estudam chinês há três anos.
7 Na lecionação das aulas, optámos pela aplicação de diferentes metodologias ou estratégias de abordagem às mesmas. Em seis das aulas, isto é, em três aulas ao 5º ano (nível de iniciação de chinês) e três aulas ao 6º ano (nível de continuação de chinês) 4 intervimos apenas 20 minutos. Após adquirir a experiência necessária, lecionámos duas aulas, de uma hora cada, às duas turmas. Na primeira aula, que ocorreu logo depois das férias da Páscoa, dadas as características das turmas de iniciação e de continuação, optámos por realizar exercícios de revisão, seguidos de um momento cultural em que aprendemos algumas curiosidades sobre o zodíaco chinês (十二生肖, Shí'èr shēngxiào). Os exercícios que realizámos na turma de iniciação, para além de procurarem rever a matéria lecionada, tiveram também o intuito de fomentar um estado de espírito mais amigável, de forma a podermos criar uma relação mais próxima entre professor e aluno. O primeiro exercício consistia num momento de escrita, em que os alunos liam o pinyin 5 (拼音, Pīnyīn) no quadro com animações e tinham de escrever os caracteres. Decidimos não escolher os alunos para realizar a atividade, mas deixar que os mesmos se voluntariassem a participar. No nosso parecer, uma vez que este exercício demora muito tempo, pois a velocidade dos alunos a escrever os caracteres ainda não é avançada, considerámos que as atividades de escrita deviam ser realizadas em casa. Nesta linha de pensamento, cremos que este tipo de exercício não deve ser repetitivo, como, por exemplo, copiar os caracteres da aula. Pelo contrário, devemos insistir em atividades como organização e tradução de frases ou completação de diálogos. No segundo exercício, foi dado aos alunos um conjunto de caracteres a ler para, em seguida, estes selecionarem a opção que melhor traduzia o caracter lido. Este exercício foi escolhido pelo facto de, nos testes que são feitos aos alunos, existir um exercício com as mesmas bases. Tal tornou-se igualmente num ponto de foco, pois, apesar dos professores fazerem vários exercícios em aula, raramente colocam exercícios parecidos com os que aparecem nos testes. Os exercícios apresentados ao 6.º ano foram realizados para fomentar o mesmo espírito de relação amigável, sendo que, no primeiro, os alunos tinham de identificar o caracter correto apenas com base no pinyin . No nosso entender, este exercício não só fomentou a revisão dos caracteres, como também o espírito de entreajuda dos alunos, em que os próprios discutiram as opções erradas. O segundo era um exercício de leitura, mais rápido, em que toda a turma leu ao mesmo tempo. Este género de dinâmica é 4 Ambos pertencentes ao nível 1 do YCT , em que o nível de iniciação leciona até à lição 7 e o de continuação até à lição 14, ambas relativas ao manual do ICUM. 5 Pinyin é um sistema de escrita em que se procede à transformação dos caracteres chineses em letras ocidentais para expressar a fonética e a tonalidade dos mesmos. O seu criador foi Zhou Youguang (周有光, Zhōu Yǒuguāng) e a sua versão foi aprovada pela República Popular Chinesa em 1982.
8 adequado para o início da aula, pois desinibe o aluno. Como toda a turma responde, o aluno tem menos medo de errar e, mesmo cometendo erros, consegue aperceber-se dos mesmos e procede à sua correção. O terceiro exercício centrou-se na matéria de leitura de datas em chinês, em que, dada a sua diferença com o português, utilizámos um calendário em vez de escrever as datas numericamente, para os alunos se puderem localizar melhor. Adicionalmente, os alunos tinham de ler as perguntas. No que respeita ao momento cultural, o mesmo decorreu de forma idêntica nas duas turmas. Num primeiro ponto, falámos sobre a constituição do zodíaco chinês, nomeadamente através da apresentação dos animais que o constituem, com os alunos a pronunciarem os animais, em chinês, e escreverem os respetivos caracteres. Num segundo ponto, foi apresentado um vídeo do TEDed 6 , em que, para além de ser descrita a formação do zodíaco e um pouco do calendário chinês, contou também uma das lendas da formação do zodíaco. Na segunda etapa, preferimos lecionar dois caracteres por turma e um jogo para consolidação de conhecimentos, visto que o mesmo treinava o reconhecimento dos caracteres, a sua leitura e significado. Devido ao curto espaço de tempo, não era possível treinar também a escrita, sendo esta avaliada nas tarefas para casa. No momento cultural, falámos sobre as artes marciais. Sendo este um tema complexo e que envolve ensinamentos taoistas, foi apenas referida um pouco da sua história. Foi dada oportunidade aos alunos de assistirem a um vídeo sobre o mesmo, sendo que, devido à extensão do mesmo, lhes foi solicitado que procedessem ao restante visionamento em casa. Foram também fornecidas aos alunos duas atividades diferentes: para os alunos do nível de iniciação, foi-lhes dado um exercício de “colorir por caracter” e, à turma de continuação, foi dado o projeto “我的家人” (Wǒ de jiārén) que significa “a minha família”, ou seja, os alunos tinham de construir a sua árvore genealógica. Na terceira aula, abordámos o tema da partícula atributiva 的 (de). Sendo um assunto de alguma complexidade para o nível de iniciação, fizemos exercícios de consolidação da matéria, tanto de leitura como de escrita e de audição. Por sua vez, no nível de continuação, a lição focou-se nos classificadores 7 , mais propriamente no 只 (zhǐ) e dois animais que utilizam esse mesmo classificador na elaboração de frases: cão (狗, gǒu) e gato (猫, māo). Para consolidação desta matéria, os alunos tiveram uma sessão de discussão/apresentação dos seus animais de estimação. No momento cultural, foram apresentadas 6 “TED-Ed is TED’s youth and education initiative. TED-Ed’s mission is to spark and celebrate the ideas of teachers and students around the world. Everything we do supports learning” (Lessons Worth Sharing, 2012). 7 Os classificadores são caracteres adicionados depois de um número e antes de um substantivo que nos permitem fazer contagem desse mesmo substantivo, assim como nos dizem a que grupo o substantivo pertence.
9 artes representativas da cultura chinesa, com foco para a Ópera de Pequim (京剧, Jīngjù) 8 e o Teatro de Sombras (皮影戏, Píyǐngxì) 9 . Na última tarefa, em que a totalidade da aula foi lecionada por nós, e visto ser a última aula do período, os alunos realizaram alguns exercícios de consolidação de conhecimentos e fizemos alguns trabalhos manuais sobre o Festival do Barco do Dragão (端午节, Duānwǔ jié) 10 , visto que esta última aula era próxima desse festival. Os alunos viram também vídeos sobre a corrida e puderam construir os próprios barcos, em origami para o 6.º e em pinturas para o 5.º. Numa oportunidade futura, gostaríamos também de organizar uma atividade em que os alunos pudessem experimentar fazer uma das comidas típicas deste festival, os zongzi (粽子, Zòngzi) 11 . No momento da realização desta atividade, contudo, como se tratava do final da época letiva, os alunos puderam somente assistir a um vídeo com a receita para puderem experimentar em casa, se assim o quisessem . Em suma, depois de termos explicado as tarefas deste estágio e termos apresentado a entidade que nos acolheu no mesmo, é possível constatar que tivemos as mais diversas oportunidades de colocar o nosso trabalho em prática, trabalho este que não estaria completo sem as teorias educacionais e de estudos culturais que iremos abordar no próximo capítulo. 8 A Ópera de Pequim é característica por condensar numa única representação acrobacia, canto e representação. Tem também como característica o facto de a linguagem utilizada ser o dialeto de Pequim. 9 O Teatro de Sombras chinês teve origem no ano de 206 a.C., durante a dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.), e encontra-se agora presente em mais de 20 países. As marionetas chinesas têm ainda uma característica peculiar, pois são normalmente feitas em couro e tem mais movimentos que as usadas no Ocidente. 10 Um festival que se realiza no dia 5 do 5º mês do calendário lunar em honra de poeta e estadista Qu Yuan (屈原, Qū Yuán). 11 O zongzi é um bolinho de arroz glutinoso que é embrulhado em folha de bambu e cozinhado em água durante várias horas. Pode ter os mais diversos sabores, os mais comuns são os doces e os salgados.
10 Capítulo 2 – Teorias da educação e culturais Neste capítulo vamos refletir sobre algumas teorias educativas, sobretudo nas que foram aprofundadas por Mitchel Resnick (2017), nomeadamente a dos “quatro Ps do ensino criativo” que foi apresentada por Seymour Papert (1980), em “Mindstorms: children, computers, and powerful ideas”. Resnick (2017), baseando-se nesta teoria e juntamente com a experiência de longos anos a implementar a mesma em escolas e projetos, desenvolveu a teoria do “Infantário para toda a vida”, em que defende que tanto crianças como adultos devem ter a oportunidade de desenvolver e aprender de uma maneira criativa para toda a vida. No que diz respeito à importância da criatividade, em Resnick (2017), Sir Ken Robinson afirma que “being creative is part of what it means to be human. Creativity is developing original ideas that have value, and it has driven human achievement on every front since the dawn of history” (pp. viii-ix). É com esta afirmação que, neste capítulo, vamos também poder ver até que ponto as pessoas poderão estar equivocadas no que conta à criatividade, o que pode levar a falta de atividades (na escola ou em casa) que estimulem o uso da criatividade por parte dos educadores e pais. Se os alunos considerarem que eles próprios não possuem essa característica, os professores não conseguirão, consequentemente, despertar essa criatividade inata. Iremos também explorar alguns pontos e teorias que estão, neste momento, a ser utilizadas pelo ICUM na lecionação de chinês, nos seus diferentes níveis. Por último, abordaremos como se divide o estudo da cultura chinesa e como a ajustar ao ensino nas aulas do nível de iniciação de chinês. 2.1. “Quatro Ps do ensino criativo” de Mitchel Resnick Ao contrário do que seria expectável, os “quatro Ps do ensino criativo” não foram criados por Mitchel Resnick, dado que a primeira vez que esta ideia surgiu em papel foi através do investigador Seymour Papert (1980) 12 e, mesmo este, estava a basear-se em anos de estudos de outros investigadores. 12 Seymour Papert foi um investigador e matemático da Universidade do MIT. Para além das suas teorias educacionais, é também conhecido pelo desenvolvimento do programa LEGO.
11 Tal-qualmente, basear-nos-emos na perspetiva de Resnick (2017), que foi criada para um programa de computador, Scratch , com o objetivo de desenvolver projetos para o ensino de chinês. A designação relativa aos “quatro Ps do ensino criativo” provém do inglês four Ps of creative learning: projects, passion, peers, play . Os “projetos” ( projects ) têm como fundamento a criação de atividades por parte dos alunos ou professores; “paixão” ( passion ) ocorre quando os alunos trabalham em projetos que os fascinam, fazendo com que a aprendizagem deixe de ser difícil e aborrecida, e os alunos trabalhem mais tempo. Resnick (2017) crê que deve ser sempre dada ao aluno a oportunidade de aprender sozinho, à sua própria velocidade, e é também importante deixar os alunos aprenderem o que querem, não só o que está no currículo; “pares” ( peers ), como nos diz Resnick (2017), a criatividade depende da socialização, estando, assim, sujeita à partilha de ideias entre pessoas; “praticar” ( play ) tem que ver com o tentarmos colocar em prática o que os alunos criaram ou aprenderam, mas de forma a que eles pensem que estão a brincar e em que a adquirição de conhecimento seja divertida, em vez do tradicional ensino rígido. A aceitação do ensino criativo por parte das pessoas ainda provoca muitas dúvidas e equívocos, mas, tal como Resnick (2017) nos diz, “not everyone agrees on the value and importance of creative thinking in today’s society. Part of the problem is that there is no consensus on what it means to be creative” (p. 17). Nesta base, temos alguns equívocos frequentes no que é concernente à criatividade e ao ensino criativo: • Equívoco 1 – a criatividade é sempre expressa de forma artística; é normal pensarmos que só as obras de arte são expressões criativas, mas médicos, enfermeiros, advogados, construtores civis, etc., todos eles, no seu dia a dia, têm expressões de criatividade. Mesmo nós, neste momento, em que escrevemos esta tese, estamos a usar a criatividade. A criatividade não precisa de ser a criação de algo novo, basta ser a utilização de algo que já existe para fazer algo, e utilizando uma expressão mais coloquial, “fora da caixa”, aliás, esperamos precisamente que os nossos alunos não tenham uma “caixa”. • Equívoco 2 – apenas uma parte da população é criativa; muitas pessoas pensam que apenas os vencedores de prémios Nobel ou investigadores conhecidos internacionalmente podem ser criativos, os investigadores definem estes casos como “Big – C creativity” 13 . Todavia, nós 13 “Big – C creativity” é criatividade que é reconhecida mundialmente como arte em museus, invenções premiadas, entre outros.
12 estamos mais interessados no “Little – C creativity” 14 . Como defende Resnick (2017), não interessa se já milhares de pessoas tiveram essa ideia: se a ideia contiver utilidade e inovação, o seu autor está a utilizar a sua criatividade, mesmo que a mesma seja algo básico para as pessoas ao seu redor. • Equívoco 3 – a criatividade chega num flash , isto é, é instantânea; muitas pessoas pensam só na chegada, no resultado, como sendo a expressão da criatividade, mas, na verdade, todas as experiências que não deram resultado, tal como toda a investigação e trabalho árduo, são expressões de criatividade, e é com o acumular destas que obtemos o resultado. • Equívoco 4 – não se pode ensinar criatividade; até certo ponto, esta frase é verdadeira: não podemos ensinar criatividade, mas podemos alimentar a criatividade para que ela cresça de forma saudável. Para isso, é possível providenciar ambiente e alimentos propícios a atividades que a fomentem. Mitigar estes equívocos frequentes e demostrar que as crianças podem ser criativas nas mais variadas situações é o que esperamos conseguir com o material didático que propomos, sempre com base nos “quatro Ps” interpretados por Resnick (2017). 2.2. “Infantário para toda a vida” de Mitchel Resnick Para explicar a ideia do infantário para toda a vida e de como o podemos colocar em prática, Resnick (2017) criou a espiral do ensino criativo, que engloba as seguintes etapas: imaginar, criar, jogar, partilhar, refletir e imaginar. Estas etapas, ao contrário do que se possa imaginar à primeira impressão, formam uma espiral e não um círculo. Portanto, quando se volta a imaginar, já se tem mais informação que da primeira vez, o que torna o circuito uma espiral sem fim. Combinando-a com a teoria dos “quatro Ps”, torna-se a espiral do ensino criativo. Atendamos ao exemplo: quando os alunos de chinês aprendem um novo caracter, algumas vezes criam histórias em que certos elementos das mesmas simbolizam os traços do caracter. Várias pessoas têm diferentes ideias e discutem-nas entre si para criar uma história. Quando o elemento do caracter é estranho, o professor sugere um significado e encoraja os alunos a continuar. 14 "Little – C creativity” é a criatividade presente no nosso quotidiano e que, muitas vezes, é chamada de engenhosidade.
13 Assim, os alunos absorbem as informações tanto de outros alunos, como do professor, e voltam a imaginar e a criar a sua narrativa, e assim sucessivamente. Com este exemplo, podemos ver todas as fases da espiral: 1º. Imaginar: o aluno olha para o caracter e imagina a sua história; 2º. Criar: o aluno cria a sua história, que representa o caracter; 3º. Jogar: o aluno brinca com as várias ideias, 4º. Partilhar: o aluno partilha a sua história com os colegas de turma e estes contribuem com novas ideias; 5º. Refletir: quando não conseguem inserir um elemento na história, o professor esclarece o que significam os elementos do caracter; 6º. Imaginar: com estas novas informações, o aluno volta a imaginar uma história, agora mais completa. Esta espiral é usada aquando do início do ensino de chinês a crianças, mas, com os alunos de idades superiores (adolescentes e adultos), a espiral é ignorada, e é verdade que criar histórias para caracteres pode não ser muito interessante para jovens e adultos. No entanto, existem outros métodos, como o ensino de cultura aliado ao currículo, e a abordagem desse mesmo currículo, em forma de projetos, que, dependendo da idade dos alunos, podem ser inteiramente criados pelos alunos ou seguir as diretrizes do professor. Por exemplo, usando o Teatro de Sombras, os alunos podem não só criar as marionetas, como a peça em si, em língua chinesa, e também organizar e participar em workshops , o que cria um ambiente em que os alunos podem colocar em prática o que estão a aprender. Resnick (2017) deixa-nos uma expressão: “If kids can use the toy to imagine and create their own projects, immersing themselves in the creative learning spiral, then I’m excited about it. Rather than toys that think, I’m interested in toys to think with” (p. 41). Tendo isto em conta, se substituirmos toy por material didático, estas palavras tornam-se na mensagem que este trabalho pretende veicular.
14 2.3. Perfil do aluno e ensino de CLE nas escolas do projeto de ensino do Instituto Confúcio As aulas de CLE por parte do ICUM são maioritariamente feitas em modelo de Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), sendo que, segundo o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, as disciplinas têm de assegurar que o aluno desenvolve um determinado grupo de capacidades, como é possível ver na figura. Este perfil encontra-se dividido em várias competências que devemos ter em consideração no lecionamento das nossas aulas. Comecemos pelos princípios que são: Base humanista (um conhecimento do mundo e das suas sociedades, para uma sociedade mais justa); Saber (devemos selecionar o conhecimento que melhor se enquadra com as apetências dos nossos alunos); Aprendizagem (ajudar o aluno a desenvolver a sua própria capacidade de aprendizagem individual); Inclusão (a sala de aula deve ser um ponto de inclusão tanto ao nível socioeconómico como ao nível cognitivo, pois a educação deve chegar a todos); Coerência e flexibilidade (garantir que a base do conhecimento é a que está programada, mas, ao mesmo tempo, garantir que existe flexibilidade para trazer para a aula assuntos de interesse dos alunos); Adaptabilidade e ousadia (residimos num período de constante mudança que requer uma continua adaptação a novas circunstâncias, temos, pois, de ter a ousadia de não só nos adaptarmos como usar em nosso favor essas novas circunstâncias); Sustentabilidade (garantir que o aluno não só aprende o curriculum como também desenvolve uma consciência ambiental e política); Estabilidade (todos estes processos devem ocorrer de forma gradual e persistente ao longo do ano letivo). É esperado que estes princípios sejam desenvolvidos nas aulas de CLE, tal como são desenvolvidos nas restantes aulas do plano curricular. Figura 5. Esquema concetual do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Fonte: Direção-Geral da Educação (DGE), 2017
15 As áreas de competências, por sua vez, são integradas em vários momentos das aulas de CLE, realizadas pelo ICUM ao abrigo do projeto de ensino de mandarim nas escolas de Braga. Os alunos que frequentam estas aulas apresentam um ponto em comum: são todos do ensino básico. No entanto, existem diferenças no que conta ao seu ensino, já que, em escolas em que o ensino de línguas estrangeiras começa mais cedo, isto é, logo no 1.º ano, que é o caso do Colégio Mundos de Vida, os alunos não só têm uma maior facilidade em assimilar tanto a língua chinesa, como também apresentam maior curiosidade em debater assuntos culturais. Noutras escolas, em que o primeiro contacto com uma língua estrangeira somente se efetua no 4.º ano, os alunos demostram mais dificuldade em compreender a língua chinesa e a assimilação da cultura é mais complexa, visto não possuírem uma inteligência cultural 15 desenvolvida. Vejamos, agora, os pontos a desenvolver para cada uma das áreas. Tabela 1 Pontos a desenvolver pelos alunos por cada área de competências baseado no perfil dos alunos a saída da escolaridade obrigatória. Fonte: Direção-Geral da Educação (DGE), 2017, p.p. 21-30 Áreas de competências Competências a desenvolver pelo aluno Linguagem e textos • utilizar de modo proficiente diferentes linguagens e símbolos associados às línguas (língua materna e línguas estrangeiras), à literatura, à música, às artes, às tecnologias, à matemática e à ciência; • aplicar estas linguagens de modo adequado aos diferentes contextos de comunicação, em ambientes analógicos e digitais; • dominar capacidades nucleares de compreensão e de expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal. Informação e comunicação • utilizar e dominar instrumentos diversificados para pesquisar, descrever, avaliar, validar e mobilizar informação, de forma crítica e autónoma, verificando diferentes fontes documentais e a sua credibilidade; • transformar a informação em conhecimento; • colaborar em diferentes contextos comunicativos, de forma adequada e segura, utilizando diferentes tipos de ferramentas 15 A inteligência cultural engloba a habilidade de reconhecer, aceitar e respeitar diferenças culturais. .
22 • Quatro Tesouros do Escritório 18 ; • Gastronomia; • Organização familiar na China; • Zodíaco chinês. Estes temas foram escolhidos não só por serem assuntos facilmente simplificáveis na explicação aos alunos, como também se assumem como assuntos dos quais estes já possam ter ouvido falar fora das aulas. Adicionalmente, são também temas que requerem ao aluno a aprendizagem de vários caracteres, fomentando a familiarização com a formação dos mesmos. Passando para o nível intermédio, em que temos alunos entre as idades de 13 e 15 anos, verificase que a sensibilidade cultural destes alunos começa a evoluir rapidamente, pois, como afirma a autora, “students at this level should be introduced to cultural elements of some concrete and some abstract concepts, which are relatively simple and easy to learn but not as easy as those introduced at the elementary level” (2006, p. 247). Por isso, os temas selecionados e a maneira como são lecionados remetem para assuntos não só de cultura palpável (gastronomia, decoração dos festivais e comportamentos assíduos) como cultura intrínseca (pensamentos ligados às várias filosofias chinesas) na identidade do povo chinês, nomeadamente: • Festivais e implicações dos mesmos na sociedade chinesa (comparação com os festivais/festas populares portuguesas); • Grupos étnicos e suas características físicas e culturais; • Família na China (ex. casamento, nascimento de uma criança e rituais fúnebres); • Relações sociais (amigos vs. família vs. trabalho); • Educação (como funciona o sistema educacional da China); • Características gastronómicas; • Pensamentos filosóficos e/ou religiosos chineses (ex. confucionismo, taoismo, budismo); • Artes (ex. Ópera de Pequim, pintura/desenho, música, escultura, literatura); 18 Os Quatro Tesouros do Escritório (文房四宝, Wénfángsìbǎo) são utensílios considerados indispensáveis para um bom literato. Estes são: pincel (笔 , bǐ), pedra de tinta (墨砚 , mòyàn), tinta (墨, mò) e papel (纸, zhǐ).
23 • Artes marciais. Estes temas, para além de abordarem tópicos mais complexos, são matérias que podem ser ensinadas mais abstratamente, dependendo da proficiência linguística do aluno, da sua idade e mentalidade cultural a que foi sujeito no seu processo de formação. São igualmente assuntos que dão a oportunidade aos alunos para pesquisarem e discutirem entre si. Zhiqun Xing (2006) dá-nos alguns (outros) exemplos: What do Chinese people do at the major festivals? What are the major differences between the Han ethnic group and other Chinese ethnic groups? What constitutes the Chinese family? How do Chinese people show respect for and get along with one another? What is the structure of the Chinese educational system? When and why did the Cultural Revolution take place? What are the names and characteristics of the major Chinese cuisines? (p. 248) No nível mais avançado, que não está presente nas escolas trabalhadas neste projeto, pertencendo aos Cursos Livres lecionados pelo ICUM na própria universidade e em que o intervalo de idades decorre normalmente dos 15 aos 18 anos, o aluno já deve conseguir ter um domínio da língua e cultura que lhe permita ter um entendimento superior de temáticas mais complexas. Uma vez que podem discutir e fazer correlações sobre a sua própria cultura e a cultura chinesa, neste nível temos temas como: • Eventos e figuras que influenciaram não só a História da China como a do mundo; • Posição social da mulher chinesa; • Estética [ex. elegância , beleza, “face” (面子 19 , miànzi)]; • Artes (ex. Ópera de Pequim, pintura/desenho, música, escultura, literatura); 20 • China nos dias de hoje (ex. política, economia e sociedade). 19 Mianzi ou face em português é um comportamento social em que o indivíduo esconde a sua vida económica e os seus verdadeiros sentimentos por detrás de uma máscara de perfeição e glamour que vai construindo com todas as pessoas à sua volta. 20 Vemos que este ponto se encontra nos dois patamares de ensino. No patamar intermédio, é esperado que o aluno entenda os vários tipos de artes e como surgiram. Num nível mais avançado, os alunos deparam-se com as obras literárias utilizadas nessas artes e o seu significado na sociedade.
24 Devido ao entendimento superior da língua, é um nível ideal para apresentar assuntos culturais, em chinês, mencionando histórias, em texto ou em vídeo, de acontecimentos na China moderna ou antiga. Devido a terem frequentado aulas de cultura desde que começaram a estudar chinês, estes alunos não só têm um conhecimento da língua, como têm também uma maior abertura relativamente a assuntos culturais da China, conseguindo, por isso, compreender temas mais abstratos e importantes para o domínio da língua. Com tudo isto, podemos, assim, estruturar as nossas aulas não só com o ensino criativo em mente, como também com assuntos culturais, que se constituem como uma mais-valia pelo facto de serem cativantes para os estudantes de todas as idades.
25 Capítulo 3 – Criação de novo material para o ensino de CLE Neste capítulo, vamos demostrar alguns dos usos das teorias referidas no Capítulo 2 e como essa aplicação pode influenciar a aprendizagem de chinês por parte de alunos do ensino básico. Vamos começar por explicitar como a espiral do ensino criativo foi utilizada no desenvolvimento de material de apoio às aulas. De seguida, referiremos os momentos culturais presentes nessas aulas e como podem ajudar o aluno a não só aprender chinês, como também a desenvolver competências interculturais que, a cada dia, são de maior importância. Estes dois assuntos serão ainda acompanhados por dados de um inquérito apresentado aos alunos, em que estes manifestam a sua opinião no que concerne à importância dos momentos culturais em sede de aula de chinês. Antes de passarmos ao material didático, esclareçamos que este material foi desenvolvido para aulas de 60 minutos, nos quais dez são para pequenos temas culturais ou mesmo aulas que são totalmente dedicadas à cultura (Anexo 4). O público-alvo deste material são alunos do 2.º Ciclo do Ensino Básico que demonstrem interesse pela aprendizagem do chinês como língua estrangeira, bem como alunos que tenham uma predisposição para a aprendizagem de línguas e cujo seio familiar demostre abertura a novas culturas. 3.1. Material didático utilizando a "espiral do ensino criativo" de Resnick Depois das tarefas realizadas nas diferentes escolas, como descrito no primeiro capítulo, daremos agora um exemplo de uma aula pertencente ao material didático que construí com base no manual do ICUM. Utilizando um PPT vamos demostrar como foi idealizado o uso da espiral do ensino criativo, a teoria do infantário para toda a vida de Resnick (2017) e as divisões de cultura de Xing (2006). Na imagem 7, vemos um diapositivo ilustrativo inicial de todas as aulas do ICUM, o aluno deve escrever a data e o sumário. O docente dialoga mais um pouco sobre a organização da aula e corrige o trabalho de casa, se for o caso. Figura 7 - diapositivo da lição 6. Fonte própria.
26 O jogo ilustrado na imagem 8 tem como objetivo encontrar o tigre, selecionando os caracteres que correspondem ao pinyin . Vemos aqui um dos "quatro Ps", o jogar, em que os alunos, de uma maneira divertida, aprendem os caracteres e os conseguem identificar, posteriormente, por associação ao jogo. Ademais, visto o jogo ser desenvolvido no seio de uma turma, o "P" de pares está incluído quando discutem e comparam respostas. Resnick (2017) diz-nos que devemos fazer em conjunto e não individualmente, defendendo esta teoria com as necessidades da nossa sociedade atual, onde o trabalho em equipa e a colaboração dentro e fora do local de trabalho é uma característica valiosa, no que conta a contratação de colaboradores. Razão esta a qual nós insistimos em jogos e atividades em grupo quanto antes os alunos aprenderem a trabalhar em equipa melhor será para eles. O jogo visível na figura 9, por sua vez, é mais versátil, já que a animação está preparada para que a borboleta pare em cima de números aleatórios. Podemos, por isso, dar a opção aos alunos de: dizer os números em chinês, escrever esses números no quadro ou dizer um número aleatório na dezena correspondente, entre muitas outras hipóteses. Aqui aplica-se a "espiral do ensino criativo" na sua totalidade, em que os alunos começam por imaginar com o material fornecido, criam um jogo e, ao se divertirem com ele, vão partilhar e refletir entre si, sobre como o tornar mais produtivo, voltando, assim, a imaginar um novo jogo. Garantir que o aluno está envolvido no processo de criação, e não só no resultado, aumenta a reflexão dos alunos sobre o tema, como nos diz Resnick (2017) "Through reflection, people make connections among ideas, develop a deeper understanding of which strategies are most productive, and become better prepared to transfer what they've learned to new situations in the future." (p. 71). A figura 10 por sua vez representa o diapositivo introdutório da lição 6, em que os alunos copiam para o caderno o título da lição e a sua tradução. Vão posteriormente aprender os caracteres um a um. Este Figura 8 - jogo da lição 6 de revisão do vocabulário. Fonte própria. Figura 9 - jogo de revisão dos números. Fonte própria. Figura 10 - diapositivo introdutório da lição 6. Fonte própria.
27 funciona como um primeiro momento de impacto, para que eles possam começar a imaginar e a criar a história de como escrever os caracteres. Temos então aqui (figura 11), o primeiro caracter desta aula, em que é exibido primeiramente só o caracter, pinyin , significado, e, algumas vezes, classe morfológica. Neste ponto, os alunos tentam adivinhar o número de traços e imaginar com o que se parece. De seguida, são apresentadas uma animação da ordem de traços e a mesma por extenso. Os alunos, tendo construído a sua história sobre este caracter, copiam o mesmo para os cadernos cinco vezes, utilizando a ordem de traços. Posteriormente, têm uma frase de exemplo para aplicar o caracter numa frase. À medida que isto acontece, o professor vai fornecendo algumas informações sobre a formação do sinograma e os alunos vão partilhando a sua história. Podemos verificar aqui a aplicação da "espiral de aprendizagem" com os "quatro Ps", em que o aluno aprende de uma forma criativa, crítica e independente. Este modo de ensino dá maior liberdade ao aluno de aprender do seu modo, no seu próprio tempo (apesar de este ser mais limitado, pois as aulas são de uma hora), este ponto de vista é igualmente defendido por Resnick quando refere "I'd like learners to have more control over how they're learning. When learners have more choice and control, they can build on their interests and passions, and learning becomes more personal, more motivating, more meaningful." (p. 78) Nos diálogos das lições (figura 11), a história já está construída. Nesse caso, optámos por, à volta do texto, tentar criar várias alternativas de jogos, para os alunos escolherem conforme as suas capacidades: temos a possibilidade de construir uma banda desenhada, ler e traduzir o texto e o exemplo da imagem, e completar espaços, em que as palavras em falta são as estudadas na aula. Apesar de a história estar feita, pode ser refeita, dependendo dos espaços para completar. Mais uma vez, a “espiral” entra aqui na sua totalidade, pois os alunos têm a possibilidade de imaginar, criar, jogar, partilhar e voltar a imaginar utilizando todo o vocabulário que aprenderam, fomentando até a aprendizagem de outro vocabulário que seja do interesse do aluno. Apesar de não ser fácil de ver, a “espiral” está subjacente durante toda a aula, já que esta teoria de ensino está muitas vezes a "trabalhar" em segundo plano, no nosso dia-a-dia, precisando apenas de um incentivo. Sendo essa a razão da minha Figura 11diapositivo ilustrativo do ensino de caracteres. Fonte própria.
28 escolha para o uso dessa teoria nas minhas aulas, uma vez que fomentar a criatividade dos alunos ajuda a que se torne mais simples para eles resolverem problemas, no futuro. Passamos agora (figura 12) a um momento em que exploram a cultura chinesa, nomeadamente a organização familiar básica, o que é entendido por “家 ( jiā )” e o seu valor. No seguimento do vídeo, existe um pequeno debate em que os alunos expressam a sua opinião em relação às diferenças entre famílias portuguesas e chinesas. As árvores genealógicas chinesas são bastante complexas. Nesse contexto, e utilizando o vídeo como inspiração, pois este descreve, efetivamente, uma árvore genealógica chinesa, criámos uma atividade em que os alunos são livres de escolherem a sua família ou uma família de famosos e construírem a respetiva árvore genealógica, com os graus de parentesco em chinês. Para além da árvore, os elementos da família têm uma breve descrição, em chinês, do seu nome e idade. Por exemplo, “这 是我妈妈,她姓张,叫梅花,她三十八岁了。” (Zhè shì wǒ māmā, tā xìng zhāng, jiào méihuā, tā sānshíbā suìle, “Esta é a minha mãe, o apelido dela é Zhang, o nome é Meihua, ela tem 48 anos.”) Aqui, vemos mais uma vez a aplicação da "espiral da aprendizagem", em que os alunos imaginam, criam, jogam, partilham, refletem e imaginam novamente. A aprendizagem por projetos é importante, pois garante com maior eficácia que o aluno vai conseguir aplicar o seu conhecimento no dia a dia, como nos diz Resnick (2017) "As students work on projects, they encounter concepts in a meaningful context, so the knowledge is embedded in a rich web of associations. As a result, students are better able to access and apply the knowledge in new situations."(p. 53). Figura 12 - diapositivos ilustrativos da utilização do vocabulário em diálogos. Fonte própria.
29 Como podemos ver, a teoria dos "quatro Ps" e a "espiral do ensino criativo", apesar de algumas vezes camufladas, encontram-se presentes em toda a aula, dependendo apenas de o docente fornecer ou não ao aluno oportunidade de as usar. Em algumas situações, estão mais presentes, como nas atividades de final de lição, em que, nesta aula de exemplo, é a construção de uma árvore genealógica, mas existem muitas outras em que os alunos escolhem os materiais que querem usar e, por exemplo, constroem cartazes com vocabulário novo que serão afixados dentro da sala de aula. Segundo o Perfil dos Alunos (DGE, 2017), como foi referido no capítulo dois, no ponto 2.3, existem várias áreas de competências (tabela 1), as quais se espera que o aluno desenvolva nas aulas, independentemente da disciplina que se está a lecionar. A proposta de aula aqui apresentada enquadrase em todas as áreas de competências, como irei explanar de seguida. Comecemos pela área de competência linguagem e textos (tabela 1, 1.ª linha), em que os alunos devem utilizar linguagem verbal e não verbal para se exprimirem em situações reais ou imaginárias, os alunos devem também dominar as regras gramaticais e vocabulário que os capacitem para a escrita e leitura, podendo esta ser análoga ou digital. Podemos ver a concretização desta área não só aquando do ensino dos caracteres, como no exercício de completar diálogos ou até mesmo no trabalho de construção da árvore genealógica, situações nas quais o aluno tem de fazer uso da língua. Os alunos estimulam a sua capacidade de compreensão e expressão ao ser-lhes dada a liberdade de escolher e utilizar diferentes léxicos. A forma digital do uso da linguagem está presente nos diapositivos de jogos de revisão do vocabulário, enquanto a parte analógica surge nos momentos em que é esperado que os alunos escrevam nos seus cadernos. A área de competências informação e comunicação (tabela 1, 2.ª linha), por sua vez, está mais presente nos momentos culturais, visto estes poderem levar a uma discussão e comunicação mais aberta. De igual forma, também podem conduzir ao uso de pesquisas feitas pelos alunos, pois, segundo o perfil dos mesmos, é de esperar que o aluno faça pesquisas, por fontes digitais e analógicas, e saiba distinguir Figura 13 - Diapositivos ilustrativos dos vídeos utilizados nos momentos culturais. Fonte própria.
30 se a fonte é fidedigna ou não. Os alunos elaboram projetos e fazem a apresentação destes mesmos junto dos seus colegas. As áreas de competência informação e comunicação e raciocínio e resolução de problemas (tabela 1, 3.ª linha) estão intimamente ligadas, sendo ambas usadas nas mesmas situações, embora o raciocínio e a resolução de problemas possam ser aplicados em várias situações em aula, como nos jogos de vocabulário e no completar os diálogos, é expectável que o aluno, ao fazer as suas pesquisas, coloque perguntas sobre o que verdadeiramente sabe, do que tem de descobrir, e aplique essas descobertas a cenários hipotéticos ou da vida real. No que toca ao pensamento crítico e pensamento criativo (tabela 1, 4.ª linha), a sua importância, segundo o perfil dos alunos, estes devem ser capazes de desenvolver projetos e contextualizá-los em realidades variáveis. Devem, de seguida, discutir a viabilidade do projeto face ao problema que levou à criação do mesmo, saber identificar criticamente os problemas encontrados e refletir se a solução apresentada pelo projeto resolve o problema. Tomemos como exemplo o projeto, não apresentado nesta aula, mas pertencente ao plano anual, de um trabalho de pesquisa sobre a escola na China em comparação com a escola em Portugal, cuja finalidade é a criação de medidas que proporcionem uma melhor integração dos alunos chineses no ensino português. Apresentamos, então, um problema que, para ser solucionado, obriga os alunos a procederem à pesquisa de elementos e, a partir destes, criarem um projeto de integração. Posteriormente, em debate em sala de aula, averiguaremos os resultados. Como vemos nestes pontos, não só Resnick (2017), como também o plano dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, mencionam a aplicação da criatividade num ambiente de sala de aula. Portanto, são estes os pontos a desenvolver nas aulas propostas. Por conseguinte, utilizam-se projetos como a árvore genealógica, relógio solar, construção de cartazes e teatro de sombras. Nos momentos culturais presentes em aula, existe também um pequeno momento de debate, em que os alunos expressam a sua opinião em relação ao que aprenderam, como, por exemplo, no relógio solar. Apesar do formato do relógio solar chinês ser igual ao usado pelos romanos, as divisões são diferentes. Os momentos culturais podem também desenrolar-se à base de pesquisa, em que o professor fornece algumas perguntas e os alunos têm de pesquisar as respostas às mesmas. No relacionamento interpessoal, o aluno é capaz de trabalhar em equipa e valorizar as perspetivas dos elementos do grupo, como também dos restantes colegas, formado, assim, relações de
31 cooperação e entreajuda. É também capaz de se situar a si no mundo e criar relações interculturais e ampliar o seu conhecimento das várias culturas do mundo. Esta área de competências pode, em si, ser um momento cultural em que exploramos o comportamento da sociedade chinesa e os seus relacionamentos, podendo os alunos fazer uma comparação entre a sociedade portuguesa e a sociedade chinesa, e abordar temas como "mianzi" ou "guanxi" 21 (关系, guānxì). Na área do bem-estar, saúde e ambiente, os alunos devem desenvolver os seguintes pontos: saber avaliar a sua mente e corpo, procurar ajuda para melhorar o desenvolvimento de uma consciência ambiental e, entender e desenvolver metas pessoais. Esta área pode ser desenvolvida aquando do ensino das filosofias chinesas (taoismo, confucionismo e budismo), principalmente no que toca ao taoismo, onde existe uma valorização da saúde e bem-estar e do intercâmbio com a natureza. A sensibilidade estética é uma área que pode ser desenvolvida das mais diversas maneiras em CLE, por exemplo, no ensino de caligrafia, em que os alunos desenvolvem o seu próprio estilo e estudam o estilo de calígrafos famosos, artes como o desenho a tinta-da-china e/ou arquitetura, que são aspetos culturais, em que o aluno não só aprende mais sobre a China, como fomenta a sua imaginação para o futuro. O saber científico, técnico e tecnológico irá ser desenvolvido nos projetos, em que os alunos têm acesso a vários materiais e podem utilizar metodologias de trabalho diferentes e aplicar áreas do saber das mais diversas disciplinas, englobando, assim, a disciplina de CLE no curriculum das outras disciplinas. A consciência e domínio corporal podem ser abordados em projetos juntamente com a disciplina de Educação Física, na qual podem ser realizadas aulas de artes marciais e meditação. A parte prática será, então, realizada nas aulas de Educação Física e a parte teórica nas aulas de CLE, sendo que esta última é maioritariamente realizada em tempo extracurricular e não é obrigatória para os alunos. A realização de atividades em outras aulas conduz também à divulgação da disciplina de CLE, angariando mais alunos para as aulas. 21 Guanxi, é o uso das relações pessoais para a aquisição de favores em detrimento da legalidade.
38 aspetos culturais, geográficos e socioeconómicos. Dessa forma, para além de aprenderem chinês, têm uma perspetiva abrangente de toda a China, só assim conseguimos garantir que a proficiência dos nossos alunos vá para além da língua.
39 Referências Bibliográficas Monografias, artigos e tipologias semelhantes Direção-Geral da Educação (DGE) (Ed.). (2017). Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória . Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Flowerdew, J. and L. Miller . 1995. On the notion of culture in L2 lectures. TESOL Quarterly, 29(2). 345– 73. Instituto Confúcio da Universidade do Minho. (2023). Lições de chinês . [Manuscrito em preparação] Han, J. T. [韩鉴堂]. (n.d.). 中国文化 : China’s cultural heritage. [北京语言大学出版社] Beijing Language University Press. Papert, S. A. (1993). Mindstorms: Children, Computers, And Powerful Ideas . Basic Books. Resnick, M. (2018). Lifelong Kindergarten: Cultivating Creativity through Projects, Passion, Peers, and Play . MIT Press. Scollon, R. and S. W. Scollon . (1995) . Intercultural Communication: A Discourse Approach. Blackwell. Lü, B. S. [吕必松]. (1999) . [对外汉语教学概论]. Introduction to teaching and Learning Chinese as a Second Language. Beijing Education Bureau . The Overseas Chinese Affairs Office of State Council [国务院侨务办公室] & The Office of Chinese Language Council International [国家汉语国际推广领导小组办公室]. (2007). 中国文化 常识: Common Knowledge About Chinese Culture . 高级教育出版社 (Higher Education Press). Xing, J. Z. (2006). Teaching and Learning Chinese as a Foreign Language: A Pedagogical Grammar . Hong Kong University Press. https://eds.p.ebscohost.com/eds/ebookviewer/ebook/ZTAwMHh3d19fMzIxOTk4X19BTg2?sid =f8fadfd0-fa6f-4eba-a063-5a95bd562e42@redis&vid=7&format=EB&rid=8
40 Weblinks Antena Minho. (n.d.). Instituto Confúcio Da UMinho Celebra a Chegada Do “Ano Do Coelho” Com Concerto . https://www.antenaminho.pt/noticias/instituto-confucio-da-uminho-celebra-achegada-do-ano-do-coelho-com-concerto/26951 My Way Your Way Our Shared Cultural Identities. (2017). “Big C” culture, “Little c” culture. https://erasmusmyway.wordpress.com/2017/05/19/big-c-culture-little-c-culture/ Centro para a Cooperação e Ensino de Língua [教育部中外语言交流合作中心]. (2023). Em Wikipédia [维基百科]. https://zh.wikipedia.org/wiki/%E6%95%99%E8%82%B2%E9%83%A8%E4%B8%AD%E5%A4%96%E 8%AF%AD%E8%A8%80%E4%BA%A4%E6%B5%81%E5%90%88%E4%BD%9C%E4%B8%AD%E5%BF% 83 Fernanda. (n.d.). O que é o Pinyin? Superprof. https://www.superprof.com.br/blog/definicao-pinyin/ Hanzi wu 汉字屋 . (n.d.). 汉字笔顺笔画查询 [consultar ordem de traços ]. https://www.hanziwu.com/ Instituto Confúcio. (2022). em Wikipédia . https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Conf%C3%BAcio Instituto Confúcio . (n.d.). Home . http://www.confucio.uminho.pt/ Kang Xi zidian [康熙字典]. (n.d.). consultar dicionário [查字典]. https://www.yw1.com/zidian/ Strokeorder.info. (n.d.). Chinese Stroke Order Animation . http://www.strokeorder.info/mandarin.php?q=%E5%8D%81 TED-Ed. (n.d.). Lessons Worth Sharing . https://ed.ted.com/about Zheng, Y. [郑羽]. (2022). [对外汉语教学中文化教学的探究]. Em Overseas Chinese Language Education Online. https://www.hwjyw.com/article/6851.html. Zhou Youguang. (2023). Em Wikipedia . https://en.wikipedia.org/wiki/Zhou_Youguang
41 Anexos Anexo 1: Cópia do inquérito dado aos alunos
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44 Anexo 2: Planificação anual de CLE do ICUM Tabela 3 planificação anual das aulas de mandarim do ICUM. Fonte: ICUM, Bárbara Araújo Período Lições Tempo Conteúdos Estratégias de aprendizagem Recursos 1º Período Lição nº 1: Olá! 第一课 你好! 5 blocos de 55 min. - Primeiro contacto com os caracteres chineses: como se escrevem, dividem e reconhecem as suas várias partes; - Conhecimento dos tons e do pinyin; - Gramática chinesa inicial e simples: Os pronomes pessoais Partícula interrogativa “ma”; - Novo vocabulário: como pronunciar, como aplicar e como escrever os caracteres pela ordem certa. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play). - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 1º Período Lição nº 2: Bom dia! 第二课 早上好! 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, como aplicar e como escrever os caracteres respeitando a ordem de traços; - Aprender a dizer: “Bom dia”, “Adeus” referindo-se especificamente aos colegas e aos professores. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play); - Revisão das lições anteriores. - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle.
45 1º Período Lição nº 3: Estás bem de saúde? 第三课 你身体好 吗? 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Aprender a: perguntar e responder se alguém está bem de saúde; agradecer e dizer “Não tem de quê/ De nada”; -A frase negativa (bù 不). - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play). - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 1º Período Lição nº 4: Como te chamas? 第四课 你叫什么名 字? 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Saber: perguntar o nome de alguém; dizer o seu nome e o de outra pessoa; - Partícula interrogativa: O quê? shénme 什么; - Diferença entre jiào 叫 e xìng 姓 (chamar-se). - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play); -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 1º Período Lição nº 5: Quem é ele? 第五课 他是谁? 5 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Saber: dizer “Desculpe” e “Não faz mal”; - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês;
46 - Verbo: Ser shì 是; - Partícula interrogativa: Quem? shéi 谁; - A estrutura frásica que permite questionar: V + “bu” + V (shì + bú + shì). - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play). - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 2º Período Lição nº 6: Somos todos portugueses. 第六课 我们都是葡 萄牙人。 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços - Saber perguntar a nacionalidade de alguém, dizer a sua nacionalidade ou a de um colega; - Nomes de alguns países; - Partícula interrogativa: Qual? nă 哪. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play). - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 2º Período Lição nº 7: Ela é minha amiga. 第七课 她是我的朋 友。 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Aprender a dizer “sim”; - Partícula atributiva “de” 的; - Pronomes possessivos. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado ; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play); - Revisões das lições anteriores. - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle.
47 2º Período Lição nº 8: Isto é quanto? 第八课 这是多少? 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Saber perguntar a quantidade; - Aprender os números até 99; - Partícula interrogativa: Quanto(s)? duōshăo 多少; - Aprender a linguagem gestual chinesa dos números. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play). - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 2º e 3º Período Lição nº9: Hoje é sábado. 第九课 今天星期 六。 5 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Aprender a: perguntar que dia é (da semana), responder que dia é (da semana); - Os dias da semana; - Partícula interrogativa: Quanto(s)? jĭ 几; - A diferença entre duōshăo 多少 e jĭ 几 (quanto(s)) e como utilizar. - Classificador gè 个. - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play); - Revisões das lições anteriores. - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor; - Livro de lições de chinês; - Caderno de exercícios de chinês; - Smart-board; - Internet; - Moodle. 3º Período Lição nº 10: Um ano tem doze meses. 第十课 一年有十二 个月。 4 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; -Saber: perguntar a data (mês e dia), responder a estas questões - Escrever os caracteres em papel quadriculado adequado; - Ler os caracteres; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Quadro branco; - Marcadores; - PPT; - Computador; - Retroprojetor;
54 aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. 1 bloco de 60 min Apresentação de algumas figuras históricas chinesas que viveram, mas que era esperado há altura. Fazer esta apresentação em chinês e os alunos têm de tentar traduzir com os recursos fornecidos (dicionários em papel ou digitais). 1º Período Lição nº 5: Como te chamas? 第五课 你叫什么名字? 3 blocos de 55 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Reconhecer e ser capaz de responder a questões relacionadas com o nome e apelido do próprio ou de outros; - Aprender os pronomes possessivos e ser capaz de usar a partícula 的 numa frase simples; - Ser capaz de identificar, ler e escrever os membros da família. - Dar nomes chineses aos alunos. - Constituição dos nomes na china. - Sobrenomes famosos e mais usados na china. - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. É dado uma folha com o nome chinês de cada aluno em que contém a ordem de traços de cada caracter, eles devem treinar o seu novo nome chinês.
55 1 bloco de 60 min. Repetir a atividade da lição 1, mas agora com as expressões 听我读!Ouve o que vou ler! 跟我读! Lê comigo! 一起读。 Vamos ler juntos! 请举手! Por favor, levanta a mão! 2º Período Lição nº 6: Quantas pessoas têm a tua família? 第六课 你家有几口人? 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços - Aprender o uso da partícula interrogativa 几e 谁; - Saber usar adequadamente o 二 e o 两; - Reconhecer e saber responder a questões sobre o número de membros da família; - Aprender a forma negativa do verbo 有; - Identificar os membros da família. - Organização familiar na china o núcleo familiar - Diferença entre os pais chineses e os pais ocidentais. - Complexidade das nomenclaturas dos graus de parentesco na china. Caracteres: 叔叔,老 婆,婆婆。 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. 1 bloco de 60 min. Aplicar os conceitos aprendidos nas aulas passadas realizando uma atividade de criação de uma árvore genológica.
56 2º Período Lição nº 7: Eu sou portuguesa. 第七课 我是葡萄牙人。 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Saber dizer e escrever alguns países; - Saber usar a partícula interrogativa 哪; - Ser capaz de responder a questões relacionadas com o número de membros da família. - Filosofias chinesas: taoismo teoria do yin-yang Artes marciais. 武术,功夫, 道家, 阴阳。 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. Projeto filosofias Divisão da turma em 4 grupos cada grupo elabora um trabalho expositivo sobre as seguintes escolas filosóficas: Taoismo, Confucionismo, Moísmo, Legalismo. 1 bloco de 60 min. Apresentação do projeto. 2º Período Lição nº 8: A minha família vive em Braga. 第八课 我家住在 Braga. 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Saber perguntar a quantidade; - Relações sociais amigos; família; trabalho. 关系,面子 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC; - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; Elaborar perguntas para serem debatidas na aula sobre os temas das relações sociais.
57 - Aprender os números até 99; - Partícula interrogativa: Quanto(s)? duōshăo 多少; - Aprender a linguagem gestual chinesa dos números. - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. 1 bloco de 60 min. Debate sobre o conteúdo das aulas passadas. 2º e 3º Período Lição nº9: Quanto custa este copo? 第九课 这个杯子多少钱? 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Ler e escrever as palavras: 多少、钱、这儿、那儿、 有 e 没; - Reconhecer oralmente todas as palavras da lição; - Saber o uso do verbo 有, assim como a sua forma - RMB; - Novo Yuan -combater falsificação; - Pagar na china. - Caracteres: 元,欧元,毛,块, 分,角。 - Revisões das lições anteriores. - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência,
58 negativa. Saber construir a frase interrogativa; - Identificar a partícula 吧e o seu significado na frase; - Saber utilizar os pronomes interrogativos 几 e 多少, assim como as suas diferenças; -Reconhecer, ler e escrever os números até 100. preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. 1 bloco de 60 min. Realização de cartazes com as expressões 请回答! Responde à pergunta 请安静! Silêncio, por favor! 请打开书!Abre o livro, por favor! 请看黑板。Olha para quadro, por favor! 3º Período Lição nº 10: Que dia é hoje? 第十课 今天几月几号? 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Aprender a usar as palavras de tempo numa frase; -Reconhecer e ler todas as palavras novas da lição; - Saber escrever as palavras: 今天、昨天、明 天、月、年 e 天; -Reconhecer, ler e escrever os números até 99; - Saber ler e escrever a data; Como se divide o sistema educacional na china; Gaokao; Um dia na vida de um estudante do secundário. Caracteres: 高考,考 试,大学,高中,小 学,中学, 学生,学 期。 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de Investigar as diferenças entre o ensino na China e em Portugal.
59 - Compreender as questões relacionadas com a data. ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. 1 bloco de 60 min. Debate sobre as diferenças entre o ensino na China e em Portugal. 3º Período Lição nº 11: Quando é o teu aniversario? 第十一课 你的生日是几月几号? 3 blocos de 60 min. - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Reconhecer e ler todas as palavras novas da lição; - Saber escrever as palavras: 吃、岁、多大 e 朋友; - Compreender todas as expressões para perguntar idade e ser capaz de as utilizar; -Saber utilizar o pronome interrogativo 什么时候 e 几点; - Compreender o uso da partícula 了, no contexto estudado. Gastronomia; As 8 maiores cozinhas da China; A história do chá, etiqueta à mesa e na cerimónia do chá. Caracteres: 茶道, 茶筒, 茶则, 茶匙, 茶漏, 茶夹, 茶针, 筷子,盘子, 碗,徽菜,粵菜,閩 菜,湘菜,蘇菜,魯 菜,川菜,浙菜。 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de Copiar os nomes das peças utilizadas no chá; escrever um texto a explicar qual acha ser a melhor cozinha da China.
60 estruturas frásicas das lições anteriores. 1 blocos de 60 min. Trazer alguns utensílios do chá e dar a provar aos alunos. Caracteres: 茶道, 茶筒, 茶则, 茶匙, 茶漏, 茶夹, 茶针. Lição 12Que horas são? 第十二课现在几点? 3 blocos de 60min - Novo vocabulário: como pronunciar, aplicar em frases simples e como escrever os caracteres pela ordem de traços; - Reconhecer, ler e escrever as palavras: 现 在、点、分 e 去; - Saber a diferença entre 什么时候 e 什么时间; - Compreender as expressões de tempo, independentemente da estrutura usada; -Saber como dizer as horas quando solicitado. - Calendário chinês; - Troncos do céu e ramos da terra. - Caracteres: 十天干– 十二地支, 甲,乙, 丙,丁, 戊,己, 庚,辛,壬,癸,子, 丑,寅,卯,辰,巳, 午,未,申,酉,戌, 亥。 - Revisão das lições anteriores e correção/recolha do TPC - Aplicar a espiral do ensino criativo no ensino dos caracteres; - Ler os caracteres em voz alta; - Exercícios escritos: correspondência, preencher espaços e copiar caracteres; - Exercícios orais: praticar os diálogos com a professora e os colegas (Role-play, mais uma vez aplicar a espiral de ensino criativo e dar oportunidade aos alunos de criarem o diálogo de role-play). -Aplicação de estruturas frásicas das lições anteriores. Procurar o calendário antigo português e comparar com o calendário chinês.
61 1 bloco de 60min Em conjunto com a disciplina de Ed. F. fazer um workshop de artes marciais. Caracteres: 武术,功夫。